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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A asma e os seus diagnósticos diferenciais]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar de Coimbra EPE Serviço de Pneumologia ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-21592009000600011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-21592009000600011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-21592009000600011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) ocorre em doentes não imunocomprometidos e é uma patologia de hipersensibilidade induzida pelo Aspergillus5. Estima-se que esteja presente em cerca de 7-14% dos casos de asma crónica corticodependente e o no mesmo número de casos de fibrose quística. A maioria das ABPA são identificadas pela 30-50.ª décadas de vida, mas podem surgir na infância¹. O diagnóstico baseia-se na presença de uma combinação de critérios clínicos, biológicos e radiológicos5. A doença apresenta-se com largo espectro de gravidade, pode ser reconhecida precocemente e tratada agressivamente, impedindo a sua progressão para um estádio de doença grave e debilitante requerendo transplante pulmonar¹. Os autores relatam o caso de uma doente de 41 anos, com antecedentes de asma alérgica desde a infância. Uma asma grave, de difícil controlo e com recurso a corticoterapia sistémica por longos períodos.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Allergic bronchopulmonary aspergillosis (ABPA) occurs in immunocompetent patients and belongs to the Aspergillus5 induced hypersensitivity disorders. It is estimated that ABPA complicates approximately 7-14% of cases of chronic steroid-dependent asthma and the same amount of cases of cystic fibrosis. A diagnosis of ABPA is based on a combination of clinical, biological and radiology criteria5. There is a broad spectrum of disease severity. Early detection and aggressively management will impede progressive lung damage to a severe and debilitating disease requiring lung transplantation¹. The authors describe the case of a 41 year-old female with a history of allergic asthma from childhood¹. It was a severe, difficult to control asthma treated with systemic corticosteroids for long periods.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p  ><b>A asma e os seus diagnósticos diferenciais</b></p>     <p  >&nbsp;</p>      <p ><b>Alexandra Bento<sup><a name="top1a"></a><a href="#1a">1</a></sup></b></p>      <p  ><b>Ana Maria Arrobas<sup><a name="top2a"></a><a href="#2a">2</a></sup></b></p>      <p  >&nbsp;</p>      <p ><b>Resumo</b></p>      <p >A aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) ocorre em doentes não imunocomprometidos    e é uma patologia de hipersensibilidade induzida pelo <i>Aspergillus</i><sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.</p>      <p >Estima-se que esteja presente em cerca de 7-14% dos casos de asma crónica    corticodependente e o no mesmo número de casos de fibrose quística. A maioria    das ABPA são identificadas pela 30-50.ª décadas de vida, mas podem surgir na    infância<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>     <p >O diagnóstico baseia-se na presença de uma combinação de critérios clínicos,    biológicos e radiológicos<sup><a href="#5">5</a></sup>.</p>      <p >A doença apresenta-se com largo espectro de gravidade, pode ser reconhecida    precocemente e tratada agressivamente, impedindo a sua progressão para um estádio    de doença grave e debilitante requerendo transplante pulmonar<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Os autores relatam o caso de uma doente de 41 anos, com antecedentes de asma alérgica desde a infância.</p>      <p >Uma asma grave, de difícil controlo e com recurso a corticoterapia sistémica    por longos períodos.</p>      <p ><b>Palavras-chave: </b>Asma, aspergilose broncopulmonar alérgica, critérios    de diagnóstico.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Asthma and its differential diagnoses</b></p>     <p ><b>Abstract </b></p>     <p >Allergic bronchopulmonary aspergillosis (ABPA) occurs in immunocompetent patients    and belongs to the Aspergillus<sup><a href="#5">5</a></sup> induced hypersensitivity    disorders. It is estimated that ABPA complicates approximately 7-14% of cases    of chronic steroid-dependent asthma and the same amount of cases of cystic fibrosis.    A diagnosis of ABPA is based on a combination of clinical, biological and radiology    criteria<sup><a href="#5">5</a></sup>. </p>     <p >There is a broad spectrum of disease severity. Early detection and aggressively    management will impede progressive lung damage to a severe and debilitating    disease requiring lung transplantation<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>     <p >The authors describe the case of a 41 year-old female with a history of allergic    asthma from childhood<sup><a href="#1">1</a></sup>. It was a severe, difficult    to control asthma treated with systemic corticosteroids for long periods.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Asthma, allergic bronchopulmonary aspergillosis, diagnostic    guidelines.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&nbsp;</p>          <p ><b>Introdução</b></p>      <p >A aspergilose broncopulmonar alérgica é uma reacção inflamatória pulmonar    idiopática que se caracteriza por uma resposta inflamatória à colonização fúngica    do pulmão<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >A doença é causada por uma reacção alérgica exagerada a diversas espécies    de fungos, particularmente ao <i>Aspergillus fumigatus </i>(90% dos casos),    mas a <i>Cândida albicans, Helminthosporidium </i>spp, <i>Curvularia lunata,    Drechslera </i>spp e <i>Stemphylium </i>spp também podem estar implicados<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p >A magnitude da reacção à colonização crónica da via aérea pelo <i>Aspergillus    </i>depende de factores genéticos do hospedeiro que irão contribuir para uma    reacção de hipersensibilidade tipo I, mediada por IgE; tipo III, mediada por    IgG; e tipo IV, mediada por células<sup><a href="#6">6</a></sup>. A reacção    inflamatória crónica é responsável por uma progressiva destruição brônquica,    que irá permitir maior penetração do <i>Aspergillus </i>na parede brônquica,    amplificando essa reacção. Se o ciclo se mantiver por um intervalo de tempo    longo, culmina na formação de bronquiectasias<a href="#1"><sup>1</sup></a>.</p>      <p >A asma é o factor contributivo mais comum, mas a ABPA também pode estar presente    em doentes que apresentam fibrose quística ou outras patologias que cursam com    bronquiectasias<sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p >Podemos encontrar condições associadas, como a rinite alérgica, a sinusite    alérgica fúngica, a granulomatose broncocêntrica, a dermatite atópica e a dermatite    de contacto<sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p >Tipicamente, os doentes apresentam história de asma de difícil controlo, relatando    sintomas frequentes de dispneia, tosse, pieira e intolerância ao exercício<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup>.    Quando estão presentes bronquiectasias, há produção crónica de expectoração,    com rolhões de muco espesso e acastanhado e maior risco de infecções respiratórias    bacterianas<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p >Os critérios de diagnóstico apresentados (Quadro I) não são absolutos e têm    vindo a evoluir ao longo do tempo; no entanto, são uma ajuda preciosa para um    diagnóstico precoce da doença<sup><a href="#1">1</a></sup>. Os doentes com os    5 critérios <i>major </i>apresentam ABPA com bronquiectasias centrais (ABPA-CB);    a ausência de bronquiectasias sugere o diagnóstico de ABPA seropositiva (ABPA-S).    Os critérios <i>minor </i>suportam o diagnóstico, não são obrigatórios e podem    estar presentes nas agudizações da doença<sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>     <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center" ><b>Quadro I</b><sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup></p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a11q1.jpg" width="302" height="249"></p>     
<p align="center" >&nbsp;</p>          <p >Os diagnósticos diferenciais da ABPA incluem: asma corticodependente sem ABPA,    fibrose quística, tuberculose, infecções parasitárias, pneumonia de hipersensibilidade,    síndroma de Churg Strauss, pneumonia eosinófilica, linfoma, síndroma eosinofilica    idiopática, patologia autoimune, drogas inaladas (cocaína/<i>crack</i>) e fibrose    Q<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >As alterações radiológicas típicas possíveis de encontrar são variadas: (a)    infiltrados irregulares, transitórios e com localização preferencial nos lobos    superiores; (b) bronquiectasias cilíndricas e saculares centrais; (c) imagens    de impactação mucóide dos brônquios dilatados, como por exemplo opacidades em    &#8220;dedo de luva&#8221;<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>.</p>      <p >No estudo funcional respiratório dos estádios I a IV da ABPA encontramos uma    síndroma obstrutiva e no estádio V, para além da obstrução, há também restrição    e diminuição da difusão alveoloarterial do CO<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >O tratamento é estabelecido de acordo com o estádio (Quadro II) em que se    encontra a doença. As exacerbações agudas, estádio I ou III, devem ser tratadas    com corticosteróides orais, 0,5 a 1 mg/kg/dia de prednisolona.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p align="center" ><b>Quadro II</b><sup><a href="#1">1</a></sup> &#8211; Estadiamento    da ABPA</p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a11q2.jpg" width="618" height="190"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center" >&nbsp;</p>      <p >Estes serão mantidos até resolução dos sintomas, dos infiltrados e da descida    da IgE total pelo menos 35%, sendo reduzidos num período entre 3 a 6 meses.    A remissão é definida como estabilização de sintomas e IgE total por um período    de 6 meses sem corticoterapia<sup><a href="#6">6</a></sup>. Devem monitorizar-se    os doentes com IgE total mensalmente ou bimensalmente, radiografia torácica    cada três meses no primeiro ano e estudo funcional respiratório anual. Nos casos    em que haja duplicação da IgE total, deve considerar-se aumentar a dose de corticosteróides<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >O estádio IV é definido pela incapacidade de parar o tratamento com corticosteróides.    Com o objectivo de minimizar a toxicidade, deve ser mantida a menor dose possível    com controlo dos sintomas<sup><a href="#6">6</a></sup>. No estádio V recomenda-se    o uso de corticosteróides apesar da sua fraca eficácia nesta fase da doença.</p>      <p  >Nestes doentes, o prognóstico é reservado e muitos deles desenvolvem infecções    bacterianas recorrentes. Uma possível opção de tratamento é o transplante pulmonar<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p >Os corticosteróides inalados devem ser usados, pois ajudam no controlo do    broncospasmo e funcionam como poupadores da corticoterapia sistémica. O tratamento    adjuvante com broncodilatadores auxilia no controlo do broncospasmo<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >Os agentes antifúngicos mostraram ser terapia adjuvante eficaz e devem ser    considerados nos doentes corticodependentes, naqueles em que há agudizações    frequentes, nos estádios tardios da doença e se os corticosteróides não se mostrarem    eficazes ou apresentem elevada toxicidade<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.</p>      <p >O agente antifúngico que se mostrou mais eficaz, em estudos realizados, foi    o itraconazol 400 mg/dia por 16 semanas<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>.    Outros agentes, como o voriconazol, estão a ser estudados, ainda sem resultados    definitivos<sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p >Os doentes com ABPA desenvolvem uma hipersensibilidade mediada por IgE contra    esporos do fungo <i>Aspergillus fumigatus</i>, originando elevação dos níveis    de IgE. Perante a farmacologia do anticorpo omalizumab, ele pode mostrar-se    útil em doentes com ABPA<sup><a href="#1">1</a></sup>. Na literatura encontramos    algumas publicações que descrevem o uso do omalizumab após a falência de terapêutica    convencional com corticosteróides. Nesses casos, os doentes melhoraram sintomaticamente    após o início da terapêutica e a corticoterapia sistémica foi suspensa ou reduzida    significativamente<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>,<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Caso clínico</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Doente do sexo feminino com 41 anos, antecedentes de asma extrínseca desde a infância e pneumonia aos 18 anos. Trabalhava numa cerâmica, realizando a cromagem de louça. Nos antecedentes familiares relatava tios com rinite alérgica, o pai com bronquite, irmão com história de asma até aos 7 anos de idade.</p>      <p >Nos últimos anos a doente foi observada e medicada por diversos especialistas em vários centros, manteve sempre um controlo parcial da asma e múltiplos episódios de supuração brônquica durante o ano. Realizou corticoterapia sistémica por períodos prolongados, com benefício. As queixas brônquicas motivaram dois internamentos e 7-8 cursos de antibioterapia no último ano.</p>      <p >Nega queixas nasais. Ao observar a doente em consulta de alergologia, havia queixas de tosse com expectoração mucopurulenta e pieira diárias, bem como dispneia ao exercício físico.</p>      <p >Ao exame físico apresentava-se eupneica, sem cianose central, facies cuxingóide, hipocratismo digital, unhas em vidro de relógio, e na auscultação pulmonar havia roncos e crepitações bilaterais. Verificou-se teste de hipersensibilidade imediata cutânea positivo para <i>Aspergillus fumigatus.</i></p>      <p >Nos exames laboratoriais (Quadro III) destacavam-se uma marcada elevação de IgE total e da IgE especifica a <i>Aspergillus fumigatus</i>.</p>      <p align="center"  >&nbsp;</p>     <p align="center"  ><b>Quadro III</b> &#8211; Estudo anal&iacute;tico</p>     <p align="center"  ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a11q3.jpg" width="618" height="362"></p>            
<p  >&nbsp;</p>     <p  >A telerradiografia torácica (Fig. 1) apresentava marcado reforço broncovascular    bilateral, múltiplas imagens arredondadas, saculares, de parede espessada para-hilares    bilaterais. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a11f1.jpg" width="300" height="278"></p>     
<p align="center" ><b>Fig. 1</b> &#8211; Telerradiografia do t&oacute;rax PA &#8211;    Marcado refor&ccedil;o broncovascular bilateral, m&uacute;ltiplas imagens arredondadas,    saculares, de parede espessada para-hilares bilaterais</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Na tomografia computorizada torácica (Fig. 2) observaram-se inúmeras imagens    sugestivas de bronquiectasias, do tipo varicoso e quístico, de parede brônquica    espessada, envolvendo ambos os pulmões, de distribuição mais abundante nos 2/4    intermédios dos campos pulmonares e nos brônquios segmentares.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a11f2.jpg" width="600" height="435"></p>      
<p align="center" ><b>Fig. 2</b> &#8211; Tomografia computorizada &#8211; Observaram-se    in&uacute;meras imagens sugestivas de bronquiectasias, do tipo varicoso e qu&iacute;stico,    de parede br&ocirc;nquica espessada, envolvendo ambos os pulm&otilde;es, de    distribui&ccedil;&atilde;o mais abundante nos 2/4 interm&eacute;dios dos campos    pulmonares e nos br&ocirc;nquios segmentares. S&atilde;o de referir algumas    imagens sugestivas de impacta&ccedil;&atilde;o mucosa nos lobos inferiores</p>     <p align="center" >&nbsp;</p>     <p >São de referir algumas imagens sugestivas de impactação mucosa nos lobos inferiores.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A tomografia computorizada dos seios perinasais revelou hipertrofia da mucosa de revestimento dos seios esfenoidais.</p>      <p >No estudo funcional respiratório apresentava um padrão obstrutivo grave, com    hiperinsuflação pulmonar e prova da broncodilatação com salbutamol positiva    (FVC 1,53 l (52%); FEV1 0,74 l (29%); FEV1/FVC 48%; CV 1,6 l; TLC 3,8 l (84%);    VR 2,2 l (147%); CV/TLC 58%). Havia insuficiência respiratória global na gasometria    com FiO2 21% (PCO2 48,2 mmHg, PO2 56,3 mmHg). Iniciou tratamento com prednisolona    30 mg/dia, incrementou-se a terapêutica com corticosteróides e broncodilatadores    inalados (budesonida, formoterol e tiotrópio), prescreveu-se um curso de antibioterapia    com espectro para <i>Klebsiella azaenae</i>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Discussão</b></p>      <p >No caso clínico descrito, a doente apresentava história de asma de difícil controlo e episódios de supuração brônquica frequentes.</p>      <p >Verificou-se a existência do teste de hipersensibilidadecutânea positiva a <i>Aspergillus</i>.</p>      <p  >Perante uma asma moderada a grave e hipersensibilidade positiva a <i>Aspergillus    fumigatus, </i>a hipótese de ABPA deve ser ponderada<sup><a href="#1">1</a></sup>.  </p>        <p >Na continuação da investigação observou-se elevação da IgE total superior a 1000 UI//ml, IgE especifica para <i>Aspergillus fumigatus </i>e a tomografia computorizada torácica revelou bronquiectasias centrais. Nesta altura estavam presentes os cinco critérios <i>major </i>para ABPA. São de referir critérios <i>minor </i>presentes, impactação mucóide na tomografia computorizada torácica já citada e anticorpos precipitantes para <i>Aspergillus fumigatus </i>positivos.</p>      <p >O teste da condutividade [NaCl] (teste do suor), negativo numa doente adulta, permitiu excluir o diagnóstico de fibrose quística.</p>      <p >A cultura da expectoração foi negativa para <i>Mycobacterium tuberculosis, </i>parasitas e fungos, e excluiu a existência de outra etiologia infecciosa. A cultura da expectoração positiva para um agente bacteriano (<i>Klebsiella ozaenae) </i>está de acordo com a presença de bronquiectasias.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Consideramos que a doente apresenta uma aspergilose broncopulmonar alérgica com bronquiectasias centrais em contexto de asma alérgica.</p>      <p >A doença encontra-se em estádio de agudização (I ou III), não permitindo fazer afirmação do estádio definitivo.</p>      <p >Iniciou-se medicação com corticoterapia sistémica, e, de acordo com a evolução clínica, analítica, funcional e radiológica, poderá proceder-se ao ajuste terapêutico necessário.</p>      <p >Consideraremos a introdução de antifúngico nas condições já referidas. Há    também a possibilidade de tratamento com o anticorpo anti-IgE omalizumab. Nos    casos encontrados descritos na literatura foi administrado cada 2-4 semanas    em doses calculadas a partir da tabela específica, de acordo com os níveis de    IgE séricos<sup><a href="#9">9</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>          <p ><b>Bibliografia</b></p>      <p ><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Alfred P. Fishman, Fishman&#8217;s    pulmonary diseases and disorders, fourth edition, McGraw-Hill Medical Companies,    2008: 1532-1534.</p>      <p >2. Fauci B, Kasper H, Longo J, Loscalzo H. Principles of internal medicine, Seventeenth Edition, McGraw-Hill Companies 2008, chapter 374.</p>      <p >3. Gomes MJM, Sotto-Mayor R. Tratado de Pneumologia da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, 2003, capítulo 117.</p>      <p ><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Spiro S, Albert R, Jett J. Tratado    de Neumología, 1.ª edição, Hardcourt, 2001, capitulo 74, secção 18.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p ><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>. Tillie-Leblond, <i>et al. </i>Allergic    bronchopulmonary aspergillosis. Allergy 2005; 60(8):1004-1013.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0873-2159200900060001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p ><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Cheezum, <i>et al. </i>Allergy &amp;    clinical immunology; allergic bronchopulmonary aspergillosis; Medscape; 2008.</p>      <p ><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>. Stevens, <i>et al. </i>A randomized    trial of itraconazole in allergic bronchopulmonary aspergillosis. N Engl J Med    2000; 342(11):756-762.</p>      <p ><a href="#top8">8</a><a name="8"></a>. Viswanath, <i>et al. </i>Allergic bronchopulmonary    aspergillosis: challenges in diagnosis. Medscape General Medicine 1999; 1(3).</p>      <p ><a href="#top9">9</a><a name="9"></a>. Collins J, <i>et al. </i>Allergic bronchopulmonary    aspergillosis treated successfully with omalizumab: three case reports. Ann    Alllergy Asthma Immunol 2008; 100 (Suppl):A7.</p>      <p ><a href="#top10">10</a><a name="10"></a>. Adaobi Kanu, <i>et al. </i>Treatment    of allergic bronchopulmonary aspergillosis (ABPA) in CF with anti-IgE antibody    (omalizumab). Pediatric Pulmonology 2008; 43(12):1249-1251.</p>      <p  >&nbsp;</p>         <p ><sup><a href="#top1a">1</a><a name="1a"></a></sup> Interna do Internato Complementar    de Pneumologia da Unidade de Saúde Local EPE Guarda</p>        <p ><sup><a href="#top2a">2</a></sup><a name="2a"></a> Assistente Hospitalar Graduada    de Pneumologia do Centro Hospitalar de Coimbra, EPE</p>       <p >Centro Hospitalar de Coimbra      EPE</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Serviço de Pneumologia</p>        <p >São Martinho do Bispo 3000 - Coimbra</p>     <p  >e-mail: <a href="mailto:alexitbento@gmail.com">alexitbento@gmail.com</a></p>     <p  >&nbsp;</p>        <p  >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/received for publication: 09.04.13  </p>     <p  >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/accepted for publication: 09.05.14</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Tillie-Leblond]]></surname>
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<page-range>1004-1013</page-range></nlm-citation>
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