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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Testicular tuberculosis is rare, occurring in approximately 3% of patients with genital tuberculosis. It is often clinically indistinguishable from lesions such as testicular tumour and infarction and may even mimic testicular torsion. Men aged 20-50 years old are most commonly affected and often present with painful or painless enlargement of the scrotum. Ultrasound (US) is currently the best technique for imaging the scrotum and its contents and for diagnosing testicular lesions. We present the case of a 58 year-old male, followed in pneumology for pulmonary tuberculosis, who complained of pain and right scrotum enlargement in the second month of anti-tuberculosis chemotherapy. First assessment, seconded by US, suggested a neoplasic lesion, and the final diagnosis revealed testicular tuberculosis.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Tuberculose testicular: Caso clínico</b></p>     <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Filipa Viveiros<a name="top2a"></a><sup><a href="#2a">2</a></sup></b></p>      <p ><b>David Tente<a name="top3a"></a><sup><a href="#3a">3</a></sup></b></p>      <p ><b>Paulo Espiridião<a name="top4a"></a><sup><a href="#4a">4</a></sup></b></p>      <p ><b>Aurora Carvalho<a name="top1a"></a></b><b><sup><a href="#1a">1</a></sup>,<a name="top2a"></a><sup><a href="#2a">2</a></sup></b></p>      <p ><b>Raquel Duarte<a name="top1a"></a><sup><a href="#1a">1</a></sup>,<a name="top2a"></a><sup><a href="#2a">2</a></sup>,<a name="top5a"></a><sup><a href="#5a">5</a></sup></b></p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Resumo</b></p>      <p >A tuberculose testicular &eacute; uma entidade clínica rara que ocorre em    aproximadamente 3% dos doente com tuberculose genital. Clinicamente, a tuberculose    do testículo não pode ser distinguida de lesões como o tumor testicular ou enfarte,    podendo em alguns casos mimetizar uma torção testicular. Os homens com idades    compreendidas entre os 20 e os 50 anos são os mais frequentemente afectados    e queixam-se habitualmente de dor ou aumento de tamanho do testículo. A ecografia    e actualmente a melhor técnica para a visualização e a orientação diagnostica    de lesões testiculares.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Os autores apresentam o caso de um homem de 58 anos, seguido em consulta de    Pneumologia por tuberculose pulmonar, que inicia quadro de dor e aumento testicular    direito ao 2.o m&ecirc;s de tratamento antibacilar e cuja avaliação inicial,    secundada por ecografia, foi sugestiva de lesão neoplásica. O diagnóstico final    revelou tratar-se de uma tuberculose testicular.</p>      <p ><b>Palavras-chave: </b>Tuberculose, testiculo.</p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Testicular tuberculosis: Case report</b></p>      <p ><b>Abstract </b></p>     <p >Testicular tuberculosis is rare, occurring in approximately 3% of patients    with genital tuberculosis. It is often clinically indistinguishable from lesions    such as testicular tumour and infarction and may even mimic testicular torsion.    Men aged 20-50 years old are most commonly affected and often present with painful    or painless enlargement of the scrotum. Ultrasound (US) is currently the best    technique for imaging the scrotum and its contents and for diagnosing testicular    lesions.</p>     <p >We present the case of a 58 year-old male, followed in pneumology for pulmonary    tuberculosis, who complained of pain and right scrotum enlargement in the second    month of anti-tuberculosis chemotherapy. First assessment, seconded by US, suggested    a neoplasic lesion, and the final diagnosis revealed testicular tuberculosis.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Tuberculosis, testicule.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Introdução</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A incidência da tuberculose extrapulmonar tem vindo a aumentar nas últimas    décadas, principalmente devido a epidemia do VIH<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.    O tracto genitourinario é o local mais frequentemente afectado e clinicamente    representam 2,34% dos casos; no entanto, o seu envolvimento &eacute; observado    em 7% dos doentes com tuberculose no momento da autopsia<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >A tuberculose do testículo pode resultar de uma extensão retrograda da infecção    a partir da próstata e vesículas seminais, assim como de propagação hematogenea<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.    Também foram postuladas a disseminação através do sistema linfático pélvico    e a transmissão venerea<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.</p>      <p >A infecção habitualmente afecta primeiro o epididimo, sendo que a orquite    ocorre como resultado da extensão contígua e reflecte um estádio tardio no processo    da doen&ccedil;a<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.    A orquite tuberculosa isolada, por disseminação hematogenea e sem envolvimento    do epididimo, &eacute; rara<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.    Assim sendo, a tuberculose testicular &eacute; uma entidade clínica rara que    ocorre em aproximadamente 3% dos doentes com tuberculose genital<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >Clinicamente, não pode ser distinguida de lesões como o tumor testicular,    infecção aguda (bacteriana ou virica), infecção granulomatosa (como a sarcoidose)    ou enfarte, podendo at&eacute;, em alguns casos, mimetizar uma torção testicular<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.    A sua cuidadosa distinção &eacute; importante para um tratamento apropriado<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >Os homens sexualmente activos, com idades compreendidas entre os 20 e os 50    anos, são os mais frequentemente afectados e queixam-se habitualmente de dor    ou aumento de tamanho do testiculo<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a href="#4">4</a></sup>.    A presença de sintomas urinários e piuria estéril sugerem fortemente uma associação    ao envolvimento renal<sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >A ecografia do testículo é actualmente a melhor técnica para a visualização    e orientação diagn&oacute;stica das lesões testiculares<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Caso clínico</b></p>      <p >AJP, sexo masculino, 58 anos, fumador de 57 UMA, com clínica de bronquite    crónica tabágica, reformado de operário em fábrica de fundição e minas de volfrâmio    com resultante silicose. Seguido em consulta de Pneumologia por tuberculose    pulmonar (Fig. 1), confirmada em exame directo e cultural de expectoração (&gt;    36 bacilos por campo), e cujo antibiograma apresentava sensibilidade a todos    os fármacos de primeira linha.</p>      <p >&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a12f1.jpg" width="450" height="362"></p>                                                                                              
<p align="center"><b>Fig. 1</b></p>                                                                     <p >&nbsp;</p>     <p >A serologia para o vírus de imunodeficiência humana era negativa. Iniciou    tratamento antibacilar com boa evolução clinicorradiologica e conversão das    baciloscopias ao 1.o m&ecirc;s de tratamento. Ao 2.o m&ecirc;s inicia dor em    moedeira e aumento do testículo direito, sendo orientado para a consulta de    Urologia. O doente negava história prévia de traumatismo ou orquite. Ao exame    físico apresentava uma volumosa massa palpável a nível do saco escrotal direito,    ocupando todo o volume do saco e alterando a forma das estruturas intraescrotais.</p>      <p >O toque rectal revelou uma próstata com aproximadamente 50g e nódulo palpável a nível do terço médio do lobo direito.</p>      <p >Do estudo efectuado será de salientar um antig&eacute;nio específico da próstata    (PSA) aumentado (10,88), com relação PSA livre/total diminuída (13,5%); os doseamentos    da beta-gonadotrofina corionica humana (&#946;-HCG), alfa-fetoproteina (&#945;-FP)    e DHL foram normais.</p>      <p >Realizou posteriormente ecografia testicular e vesicoprost&aacute;tica que    demonstrou um testículo direito com múltiplas formações nodulares, pericentim&eacute;tricas,    sugestivas de processo neoplásico (Fig. 2). Salientava-se a existência de múltiplas    adenopatias da cadeia inguinal direita. Perante a avaliação inicial sugestiva    de lesão neoplásica, o doente foi submetido a cirurgia com orquidectomia radical    direita (Fig. 3).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a12f2.jpg" width="301" height="316"></p>                                                                                                                                       
<p align="center"><b>Fig. 2</b> &#8211; Ecografia testicular</p>                         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>                          <p align="center"><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a12f3.jpg" width="301" height="260"></p>                          
<p align="center"><b>Fig. 3 </b>&#8211; Test&iacute;culo com les&atilde;o heterog&eacute;nea    branco-amarelada, com necrose que envolve a quase totalidade da polpa testicular.    Hidrocelo de pequeno volume</p>                                                                                                         <p >&nbsp;</p>     <p >O resultado histológico revelou um processo granulomatoso necrosante Ziehl-Neelsen    positivo, compatível com o diagnostico de orquite granulomatosa necrosante de    etiologia tuberculosa (Fig. 4).</p>          <p align="center" ><img src="/img/revistas/pne/v15n6/15n6a12f4.jpg" width="524" height="394"></p>                                                            
<p align="center"><b>Fig. 4</b> &#8211; C &#8211; Par&ecirc;nquima testicular    (&agrave; esquerda) e processo inflamat&oacute;rio granulomatoso necrosante    (&agrave; direita). A &#8211; Granulomas epiteli&oacute;ides com necrose. B    &#8211; Bacilos &aacute;lcool &aacute;cido-resistentes, observados ap&oacute;s    colora&ccedil;&atilde;o pelo m&eacute;todo de Ziehl-Neelsen</p>                                         <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Comentário</b></p>      <p >As manifestações de tuberculose extrapulmonar podem surgir já no decurso do tratamento da tuberculose pulmonar, mesmo com tratamento correctamente orientado e em indivíduos imunocompetentes. Os doentes com orquite bacilar têm habitualmente uma boa resposta a terapêutica antibacilar.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Preconiza-se um tempo de tratamento antibacilar com o esquema habitual (isoniazida,    rifampicina, pirazinamida e etambutol &#8211; 2HRZE + 4HR) de 6 meses de duração;    no entanto, em algumas situações, pode ser necessária intervenção cir&uacute;rgica<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#4">4</a></sup>.  </p>      <p >A cirurgia está indicada em casos graves, ou perante a falta de resposta clínica    ao tratamento, com aumento no tamanho e edema do testículo ou formação de abcesso<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#4">4</a></sup>.    &Eacute; importante o diagnóstico diferencial com outras entidades clínicas;    nomeadamente quando os achados clínicos mimetizam os de um tumor testicular.    O diagnóstico de infecção tuberculosa &eacute; facilmente perdido, pelo facto    de os tumores serem a causa mais comum de massa testicular<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >A nível ecogr&aacute;fico, a presença de um aumento do epididimo em conjunto    com lesão testicular &eacute; mais sugestivo de infecção do que de etiologia    neoplásica<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>. Os padrões    ecogr&aacute;ficos associados com a orquite tuberculosa são vários e incluem:    um aumento difuso, heterogéneo e hipoecoico do testículo; um aumento difuso    e homogéneo do testículo; um aumento nodular e heterogéneo e a presença de múltiplos    e pequenos nódulos hipoecoicos num testículo aumentado<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >Este último, também conhecido como padrão miliar, &eacute; característico    da tuberculose do testiculo<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>.    Outros achados ecograficos associados são o espessamento da pele escrotal, o    hidrocelo, as calcificações intraescrotais extratesticulares, o abcesso escrotal    e o tracto sinuoso escrotal<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.    A adição do ecodoppler, para avaliação do fluxo sanguíneo, pode ajudar a diferenciar    entre a presença de enfarte, tumor ou inflamação do testiculo<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>.</p>      <p >A epididimorquite tuberculosa deve ser considerada no diagnóstico diferencial    de edema escrotal por tumor, infecção aguda ou orquite inflamatória. A evidência    de tuberculose fora do tracto genitourinario, a falência da terapêutica antibiótica    convencional, a presença de calcificações no escroto, o abcesso, os tractos    sinuosos do testículo e a imunodepressão ajudam no diagnóstico de tuberculose    do testiculo<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Bibliografia</b></p>      <p ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Muttarak M, Wilfred PGC, Lojanapiwat    B, Chaiwun B, Tuberculous epididymitis and epididymo-orchitis. Am J Roentg 2001;    176:1459-1466.</p>      <!-- ref --><p ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Muttarak M, Wilfred PGC, MBBS, FRCP,    FRCR. Case 91: Tuberculous epididymo-orchitis. Radiology 2006; 238:748-751.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000061&pid=S0873-2159200900060001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Shahl H, Shah K, Dixit R, Shah KV.    Isolated tuberculosis epididymo -orchitis. Indian J Tuberc 2004; 51:159-162.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Rajpall S, Dhingra VK, Malik MM, Kumar    R. Tuberculous epididymo-orchitis treated with intermittent therapy: a case    report. Indian J Allergy Asthma Immunol 2002; 16(1):51-54.</p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><sup><a href="#top1a">1</a><a name="1a"></a></sup> Centro Diagnóstico Pneumológico    de Vila Nova de Gaia</p>     <p ><sup><a href="#top2a">2</a><a name="2a"></a></sup> Serviço de Pneumologia</p>     <p ><sup><a href="#top3a">3</a><a name="3a"></a></sup> Serviço de Anatomia Patológica</p>     <p ><sup><a href="#top4a">4</a><a name="4a"></a></sup> Serviço de Urologia</p>     <p >Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho</p>     <p ><sup><a href="#top5a">5</a><a name="5a"></a></sup> Faculdade de Medicina.    Universidade do Porto</p>     <p >e-mail:<i> </i><a href="mailto:filipaviveiros@gmail.com">filipaviveiros@gmail.com</a></p>     <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/received for publication: 09.03.02  </p>     <p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/accepted for publication: 09.05.15</p>      ]]></body><back>
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