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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper we present a study whose main aim is the measurement of the Health Related Quality of Life (HRQoL) of patients with asthma and the presentation of a first draft of normative values as measured by the SF-6D for asthma patients. In addition, we investigate how far non-disease-specific HRQoL measures can distinguish groups in terms of sociodemographic characteristics. The Portuguese versions of the EQ-5D, SF-6D, AQLQ(S) and ACQ were administered using personal interviews to a representative sample of the Portuguese population with asthma. Most of the individuals did not report significant problems in the dimensions used, with the exception of the physical functioning, where individuals reported moderate limitations. The mean utility value was 0.86. Male gender, young, single, individuals with high educational attainment level, employed, individuals with high income and those residing in urban areas reported higher utility levels. As expected, those who were in a severe stadium of the disease reported lower mean utility levels than those who were in a less severe stadium of the disease. Normative values for the SF-6D were computed for patients with asthma by gender, age, marital status, educational attainment level, employment status, area of residence and average monthly net income. The preference-based measures used in this study distinguish patient groups with asthma in terms of socio- demographic groups. The normative values can be used in economic evaluation and clinical studies as they incorporate patients’ preferences and translate the value attributed to patients’ health state.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Qualidade de vida em doentes com asma</b></p>       <p ><b> Lara Noronha Ferreira <sup>1,2</sup></b>, <b>Ulisses Brito,</b><b><sup>3</sup>    </b><b>Pedro Lopes Ferreira <sup>2,4</sup></b></p>     <p >&nbsp;</p>      <p ><sup>1</sup> Professora Adjunta &#8211; Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo    da Universidade do Algarve (ESGHT-UAlg)<i>/Adjunct Professor &#8211; School of Management,    Hospitality and Tourism, University of the Algarve</i></p>       <p ><sup>2</sup> Centro de Estudos e Investigação      em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC)/<i>Centre</i><i> for Health      Studies &amp; Research, University of Coimbra</i></p>       <p ><sup>3</sup> Director do Serviço de Pneumologia      do Hospital de Faro, EPE /<i>Director, Pulmonology Unit,      Central Hospital of Faro</i></p>       <p ><sup>4</sup> Professor Associado com Agregação      &#8211; Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FE-UC)/<i>Associate</i><i> Professor &#8211; Faculty of Economics, University of Coimbra</i></p>           <p >&nbsp;</p>     <p ><a name="topc1"></a><a href="#c1"><b>Correspond&ecirc;ncia</b></a></p>     <p >&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Resumo</b></p>      <p >Neste artigo é descrito um estudo, cujo objectivo é a medição da qualidade de vida relacionada com a saúde (QdVRS) de doentes com asma e a apresentação de uma primeira aproximação aos valores normativos, com base no SF-6D, para aquele tipo de doentes. </p>      <p >Pretende-se ainda averiguar a capacidade de medidas genéricas de medição da QdVRS distinguirem grupos em termos de características sociodemográficas.</p>      <p >Aplicaram-se, por entrevista pessoal, as versões portuguesas do EQ-5D, do    SF-6D, do AQLQ(S) e do ACQ a uma amostra representativa da população portuguesa    com asma.</p>      <p >A maioria dos indivíduos não apresentou problemas significativos nas dimensões    medidas, excepto na função física, onde os indivíduos reportaram limitações    moderadas. Em média, os inquiridos apresentam valores de utilidade de 0,86.    Os homens, os mais jovens, os solteiros, os indivíduos com habilitações literárias    mais elevadas, os empregados, os indivíduos com rendimentos mais elevados e    aqueles que residiam em zonas urbanas foram os que reportaram níveis de utilidade    mais elevados. Por outro lado, os indivíduos que se encontravam num estádio    mais avançado da doença reportaram, como era de esperar, níveis médios de utilidade    inferiores aos dos que se encontravam num estádio menos grave da doença. Foram    obtidos valores normativos para o SF-6D para doentes com asma por género, grupo    etário, estado civil, habilitações literárias, situação profissional, local    de residência e rendimento médio mensal líquido.</p>      <p >As medidas de utilidade baseadas em preferências utilizadas neste estudo discriminam    adequadamente grupos de doentes com asma, de acordo com grupos sociodemográficos.    Os valores normativos obtidos podem ser usados em estudos de avaliação económica    e estudos clínicos, uma vez que incorporam as preferências dos doentes e traduzem    a utilidade atribuída ao seu estado de saúde.</p>     <p ><b>Palavras-chave: </b>Asma, instrumentos de medição da qualidade de vida    relacionada com a saúde baseados em preferências, qualidade de vida relacionada    com a saúde, SF-6D, valores normativos. </p>        <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Quality of life in asthma patients</b></p>     <p ><b>Abstract</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >In this paper we present a study whose main aim is the measurement of the    Health Related Quality of Life (HRQoL) of patients with asthma and the presentation    of a first draft of normative values as measured by the SF-6D for asthma patients.    In addition, we investigate how far non-disease-specific HRQoL measures can    distinguish groups in terms of sociodemographic characteristics. The Portuguese    versions of the EQ-5D, SF-6D, AQLQ(S) and ACQ were administered using personal    interviews to a representative sample of the Portuguese population with asthma.</p>     <p >Most of the individuals did not report significant   problems in the dimensions used, with the exception   of the physical functioning, where individuals reported   moderate limitations. The mean utility value was   0.86. Male gender, young, single, individuals with   high educational attainment level, employed, individuals   with high income and those residing in urban   areas reported higher utility levels. As expected, those   who were in a severe stadium of the disease reported   lower mean utility levels than those who were in a less   severe stadium of the disease. Normative values for   the SF-6D were computed for patients with asthma   by gender, age, marital status, educational attainment   level, employment status, area of residence and average   monthly net income.   The preference-based measures used in this study distinguish   patient groups with asthma in terms of socio-   demographic groups. The normative values can   be used in economic evaluation and clinical studies as   they incorporate patients&#8217; preferences and translate   the value attributed to patients&#8217; health state.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Asthma, health related quality of life,   normative data, preference-based measures of health   related quality of life, SF-6D.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Introdução</b></p>     <p >As doenças obstrutivas respiratórias têm uma morbilidade e mortalidade importantes, com interferência na qualidade de vida dos doentes.</p>      <p >A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas, caracterizada por    episódios de obstrução brônquica reversível, desencadeados por factores alérgicos    (asma extrínseca) ou não alérgicos (asma intrínseca). Atinge essencialmente    crianças e jovens. O estudo ISAAC <i>(International Study of Asthma and Allergy    in Childhood) </i>verificou uma prevalência que variava entre 4,1 e 32,1%, em    diversos países, em crianças entre os 6 e os 7 anos, e uma prevalência que variava    entre 4,4 e 32,4% em crianças entre os 13 e os 14 anos<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >No estudo ECRHS <i>(European Community Respiratory Health Survey)</i>, em    adultos dos 20-44 anos, verificou-se uma prevalência global de asma de 4,5%1.    Em Portugal verificou-se uma prevalência global de asma em adultos de 4,5%.    Em relação à mortalidade, tem vindo a diminuir, estimando -se que, em 2002,    nos EUA, fosse de 1,5/100 000 habitantes.</p>      <p >Trata-se de uma doença com impacto económico e social muito grande, não só    pelo consumo de avultados recursos de saúde (medicamentos, consultas, recursos    aos serviços de urgência e internamentos), como pelas ausências ao trabalho    e à escola, pois afecta jovens em plena idade produtiva. Em 2000, o custo da    asma na União Europeia foi estimado em 21 biliões de euros e nos EUA, em 2004,    em 16 biliões de dólares. </p>      <p >Dado que se trata de uma doença com grande impacto económico e social e elevada    morbilidade, tem sido objecto de vários trabalhos de medição da qualidade de    vida relacionada com a saúde (QdVRS), tendo vindo a assistir -se a um crescimento    da utilização de medidas de utilidade baseadas nas preferências que possam ser    utilizadas no cálculo de <i>quality adjusted life years </i>(QALY) e em análises    custo-utilidade. São exemplos disso os trabalhos de Schermer e colegas<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>    e de Szende e colegas<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>. Tem-se    igualmente vindo a verificar o crescimento de estudos de comparação entre instrumentos    de medição de QdVRS de doentes com asma<sup><a href="#3">3-7</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Neste artigo é descrito um estudo cujo objectivo foi a medição da QdVRS de    doentes com asma e a apresentação de uma primeira aproximação aos valores normativos,    com base no SF-6D, para aquele tipo de doentes, para Portugal.</p>      <p >Pretendeu-se ainda averiguar a capacidade de medidas genéricas de medição    da QdVRS distinguirem grupos em termos de características sociodemográficas    e comparar a actuação dos instrumentos genéricos de medição da QdVRS EQ-5D e    SF-6D com os instrumentos específicos AQLQ(S) e ACQ.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Material e métodos</b></p>      <p >Os doentes que constituíram a amostra foram recrutados no Hospital Central    de Faro (HCF) por médicos pneumologistas que acederam a participar no estudo,    aprovado pela Comissão de Ética para a Saúde do HCF. O critério de inclusão    dos doentes foi terem um diagnóstico de asma. Numa consulta de rotina, foi-lhes    perguntado se desejavam participar no estudo, após se ter descrito e apresentado    os seus objectivos.</p>      <p >Aqueles que acederam a participar assinaram o consentimento informado. Foram    entregues aos doentes as versões portuguesas do SF-6D<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>,    do EQ-5D, de um instrumento específico de medição da QdVRS em doentes com asma    &#8211; o AQLQ(S) &#8211; e de um instrumento de medição do controlo da asma    &#8211; o ACQ &#8212;, tendo sido também colocadas questões de caracterização    dos indivíduos, como o estádio e antiguidade da doença, a terapêutica em curso,    as patologias associadas, e recolhidos dados referentes à espirometria. Os questionários    foram preenchidos pelos próprios doentes, embora estivesse uma técnica de cardiopneumologia    (que havia recebido formação previamente) disponível para auxiliar aqueles que    necessitassem de ajuda no preenchimento dos questionários. O estudo incluiu    também uma segunda aplicação dos questionários entre 6 a 12 meses depois da    primeira aplicação. Neste artigo são apenas utilizados os dados referentes à    primeira aplicação dos questionários. O período total de recolha de dados decorreu    entre Junho de 2005 e Março de 2007; os dados referentes à primeira aplicação    dos questionários relativos a 115 indivíduos com diagnóstico de asma foram recolhidos    entre Junho de 2005 e Novembro de 2006.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>EQ -5D</b></p>      <p >O EQ -5D é um instrumento genérico que descreve e valoriza a saúde dos indivíduos<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.    É composto por duas partes, contendo um sistema descritivo e uma escala visual    analógica<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>.</p>      <p >O sistema descritivo mede cinco dimensões de saúde (mobilidade, cuidados pessoais, actividades habituais, dor ou mal-estar e ansiedade ou depressão), cada uma delas com três níveis &#8211; sem problemas, alguns problemas, muitos problemas. A combinação de um nível em cada uma das cinco dimensões permite definir um estado de saúde de entre as 243 possíveis combinações.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Um subconjunto destes estados de saúde foi avaliado por uma amostra representativa    da população britânica usando a técnica de valoração <i>time trade-off </i><sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a></sup>,    tendo sido estimados modelos para calcular valores para todos os estados de    saúde (índice EQ-5D). Este índice assim obtido funciona como uma medida dos    resultados de saúde na avaliação clínica e económica<sup><a href="#11">11</a></sup>,    traduz as utilidades dos estados de saúde e permite o cálculo de QALY. Para    a medição da utilidade do estado de saúde do indivíduo, o questionário inclui    também uma escala analógica visual de pontuação &#8211; a EVAEQ-5D &#8211;,    sob a forma de um termómetro, em que se pretende que o indivíduo registe o valor    que atribui ao seu estado de saúde, numa escala analógica visual vertical e    graduada de 0 a 100.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>SF-6D</b></p>      <p >O SF-6D é um instrumento de medição de QdVRS baseado em preferências<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup>.    Trata-se de um instrumento relativamente recente derivado do SF -36 a partir    da conversão de onze <i>itens </i>daquele instrumento num sistema de classificação    dos estados de saúde com seis dimensões (função física, limitação no desempenho,    função social, dor física, saúde mental e vitalidade), com quatro a seis níveis    cada, que gera 18 000 estados de saúde diferentes.</p>      <p >Um subconjunto de 249 estados de saúde foi valorizado por uma amostra representativa    da população do Reino Unido, através de uma técnica de medição de utilidades,    o <i>standard gamble </i>(SG)<sup><a href="#13">13</a></sup>. Os valores atribuídos    pelos indivíduos aos estados de saúde permitiram estimar modelos econométricos,    a partir dos quais se atribuem pesos aos diferentes níveis das dimensões do    SF-6D, gerando-se valores para todos os estados de saúde definidos pelo SF-6D.    Estes valores dos estados de saúde constituem um índice &#8211; o índice SF-6D    &#8211; que pode ser visto como um valor contínuo numa escala de 0,30 a 1,00,    na qual 1,00 significa &#8220;saúde plena&#8221;<sup><a href="#13">13</a></sup>.    O SF-6D foi oficialmente traduzido para português, muito recentemente<sup><a href="#8">8</a></sup>,    tendo já sido determinado um sistema de valores em Portugal<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a><a href="#14"></a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>AQLQ(S)</b></p>      <p >O <i>asthma quality of life questionnaire </i>(AQLQ) é um questionário específico    de medição da qualidade de vida de doentes com asma, com fortes propriedades    de avaliação e discriminativas ao nível dos grupos<sup><a name="top15"></a><a href="#15">15</a></sup>,<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>.</p>      <p >Tem 32 questões relativas a 4 domínios (sintomas, limitações da actividade,    função emocional e exposição ambiental). É pedido aos doentes para recordarem    as suas experiências nas últimas duas semanas e para responderem a cada questão    numa escala de sete pontos (de &#8216;nenhuma limitação&#8217; a &#8216;grave    limitação&#8217;). Cinco das questões relativas às actividades são específicas    para cada doente, isto é, cada doente identifica e avalia cinco actividades    em que se encontra limitado por causa da asma<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a></sup>.    O AQLQ(S) é uma versão padronizada do AQLQ, onde as cinco actividades identificadas    por cada doente são substituídas por cinco actividades genéricas<sup><a name="top18"></a><a href="#18">18</a></sup>.</p>      <p >Este instrumento é também constituído por 32 <i>itens</i>, sendo as questões    apresentadas também sob a forma de uma escala com sete pontos. O AQLQ(S) contém    doze <i>itens </i>relativos aos sintomas, onze relativos a limitações da actividade,    cinco relativos à função emocional e quatro relativos à exposição ambiental<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>.    O valor global do AQLQ(S) é obtido através da média das respostas aos 32 <i>itens    </i>e os domínios são também obtidos a partir da média dos <i>itens </i>que    constituem cada domínio<sup><a href="#15">15</a></sup>,<sup><a href="#17">17</a></sup>,<sup><a name="top20"></a><a href="#20">20</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>ACQ</b></p>      <p >O <i>asthma control questionnaire </i>(ACQ) é um questionário pequeno que    mede o controlo da asma. Foi desenvolvido por Juniper e colegas<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>    com o propósito de suprir a falta de um questionário que medisse o controlo    da asma, por ser o controlo óptimo desta afecção o primeiro objectivo do tratamento,    de acordo com as linhas de orientação internacionais. O questionário original    é composto por sete <i>itens</i>, cinco dos quais são concernentes aos sintomas    e às limitações da actividade, um à percentagem de FEV1 prevista e outro à utilização    de broncodilatadores de curta duração<sup><a href="#21">21</a></sup>. Todas    as questões são apresentadas numa escala de sete pontos, de 0 a 6, onde 0 significa    um controlo bom e 6 um controlo fraco. Os <i>itens </i>têm o mesmo peso e o    valor final do ACQ é a média dos sete <i>itens</i>, encontrando-se também entre    0 (bom controlo) e 6 (controlo extremamente mau)<sup><a href="#19">19</a></sup>    <sup><a href="#21">21</a></sup>. O ACQ tem fortes propriedades discriminativas    e avaliadoras para a medição do controlo da asma nos adultos<sup><a href="#19">19</a></sup>,<sup><a href="#21">21</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Análise de dados</b></p>      <p >A caracterização da amostra foi feita através de uma análise descritiva. O    índice EQ-5D foi obtido através do algoritmo de cálculo proposto por Dolan<sup><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a href="#12">12</a></sup>    e o índice SF-6D determinado através do algoritmo obtido a partir do estudo    de valoração conduzido em Portugal para determinar os valores normativos do    SF-6D para a população portuguesa<sup><a href="#14">14</a></sup>.</p>      <p >Quanto ao AQLQ(S) e ao ACQ, foram calculados os quatro domínios do AQLQ(S),    o valor global do AQLQ(S)<sup><a href="#15">15</a></sup>,<sup><a href="#17">17</a></sup>,<sup><a href="#20">20</a></sup>    e o valor global do ACQ<sup><a href="#21">21</a></sup>. É de realçar que a obtenção    de valores para os domínios e para a medida global do AQLQ(S) próximos de 7    significam menores limitações provocadas pela asma.</p>      <p >Pelo contrário, quanto menor for o valor global do ACQ, melhor é o controlo da asma.</p>      <p >Com o objectivo de investigar o desempenho das medidas de utilidade e os valores globais do AQLQ(S) e do ACQ na medição da QdVRS dos doentes com asma, foram efectuados testes de hipóteses paramétricos (testes <i>t </i>e ANOVA) e não paramétricos (Kruskal Wallis). Estes foram utilizados em virtude da existência de heterocedasticidade e/ou pela não normalidade observada nalguns casos. A obtenção de medidas de estatística descritiva e o cálculo de coeficientes de correlação de Pearson permitiram comparar as medidas de utilidade entre si com os valores globais dos questionários específicos. As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas para níveis de significância inferiores a 10%.</p>      <p >A análise de dados foi realizada utilizando o programa estatístico SPSS, versão 15.0.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Resultados</b></p>      <p >Dos 115 indivíduos asmáticos que acederam a participar no estudo, a maioria    era do sexo feminino (70,2%), o que permite tomar a amostra como representativa    da população asmática, uma vez que segundo os dados do Inquérito Nacional de    Saúde (INS) 2005/2006, a maioria da população que respondeu sofrer de asma era    do sexo feminino<a name="top22"></a><sup><a href="#22">22</a></sup>.</p>      <p >No que diz respeito ao estado civil, verificou-se que 71,3% eram casados,    11,3% solteiros, 10,4% divorciados e apenas 7,0% viúvos. Quanto às habilitações    literárias, os indivíduos apresentavam na sua maioria um baixo nível de escolaridade.    De facto, apenas cerca de 24,0% tinha o ensino superior ou básico; 46,1% apenas    o ensino primário e quase 10,0% não sabia ler nem escrever.</p>      <p >Embora a média de idades dos indivíduos ascendesse a 49 anos (DP=16,9), a    amostra era relativamente jovem, uma vez que a maior parte dos indivíduos tinha    30 anos e cerca de 40,0% menos de 44 anos. Na realidade, um quarto dos indivíduos    tinha até 36 anos. É de referir que estas características se aproximam da realidade    portuguesa, uma vez que em Portugal, segundo dados do último INS, cerca de 45%    dos indivíduos com menos de 45 anos sofre de asma<sup><a href="#22">22</a></sup>.    Perto de 57,0% dos indivíduos estavam empregados; 3,5% desempregados e 31,3%    aposentados//reformados. Os restantes eram domésticas. Dos indivíduos que estavam    empregados, a maioria desempenhava funções de administrativos, pessoal dos serviços    ou vendedores, ou eram agricultores, operários ou trabalhadores não qualificados    (83,1%), o que não é de estranhar, atendendo ao baixo nível de habilitações    literárias da amostra. Cerca de 75,0% dos indivíduos residiam em zonas urbanas    ou semi-urbanas e a maioria auferia um baixo rendimento médio mensal líquido:    cerca de 26,0% ganhava menos de 500&euro; e aproximadamente 46,0% auferia um    rendimento entre 500 e 1999&euro;. Quase todos os indivíduos viviam acompanhados    (91,3%) e em casa própria (73,9%). No Quadro I encontra-se uma caracterização    sumária da amostra.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro I</b> &#8211; Caracteriza&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria da amostra</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q1.jpg" width="646" height="218"></p>     
<p >&nbsp;</p>      <p >Os doentes que constituíram a amostra estavam na sua maioria nos estádios II e III da doença (cerca de 76,0%), embora 17,0% ainda se encontrasse no estádio I. De notar que 7,1% dos indivíduos se encontrava no estádio IV. No que diz respeito à antiguidade da doença, foi perguntado aos indivíduos quando lhes tinha sido feito o primeiro diagnóstico de asma. As suas respostas indicaram que a asma foi diagnosticada entre 1985 e 1999 à maior parte dos indivíduos (42,1%) e há menos de 10 anos a 26,3%. Curiosamente, no que diz respeito ao ano da primeira consulta de pneumologia, mais de metade dos indivíduos foram à primeira consulta depois do ano 2000. Apenas 44,1% foram à primeira consulta antes do ano 2000, embora a 73,7% dos indivíduos a asma tivesse sido diagnosticada antes desse ano. Aquando da consulta, foram aferidas as medidas FEV1 e FVC (espirometria), tendo-se verificado que, em média, os indivíduos apresentavam valores de 81,6 na FEV1 e 98,9 na FVC, resultando numa FEV1/FVC média de 69,5. É de realçar que um quarto dos indivíduos teve valores da FEV1 iguais ou inferiores a 64 e que um quarto apresentou valores da FVC iguais ou superiores a 111. Quando questionados quanto à existência de uma doença associada à asma, 75,7% responderam que tinham pelo menos uma doença. Desses, 43,7% referiram sofrer de rinite, 33,3% de hipertensão arterial, 12,6% de rinoconjuntivite, 8,0% de sinopatia e a mesma percentagem de polipose nasal e de rinossinusite.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>         <p ><b>Qualidade de vida relacionada com a saúde</b></p>      <p >Nos Quadros II e III estão registadas as respostas dos indivíduos às dimensões    do S-6D e do EQ-5D. As respostas dos indivíduos às dimensões do SF-6D (Quadro    II) demonstram a não existência de problemas significativos em nenhuma das dimensões,    excepto na função física. De facto, a moda das restantes dimensões situa-se    no primeiro nível, existindo poucos indivíduos nos últimos níveis. Apenas na    função física os indivíduos apresentam limitações moderadas, uma vez que, para    62,2%, a sua saúde os limita de subir vários lanços de escada ou andar mais    de 1 km.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro II</b> &#8211; Distribui&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es do    SF-6D (%)</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q2.jpg" width="620" height="163"></p>      
<p >&nbsp;</p>     <p >Os resultados do Quadro III corroboram os resultados anteriormente alcançados    para o SF-6D. De facto, a maior parte dos indivíduos referiram não ter problemas    nas dimensões do EQ-5D, sendo que apenas na dimensão mobilidade existem cerca    de 29,0% a afirmarem ter alguns problemas em andar. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro III</b> &#8211; Distribui&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es    do EQ-5D (%)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q3.jpg" width="616" height="133"></p>     
<p >&nbsp;</p>         <p >No Quadro IV são apresentadas algumas medidas descritivas do SF-6D e do EQ-5D.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro IV</b> &#8211; Medidas descritivas dos valores de utilidade gerados    pelo SF-6D e pelo EQ-5D e da EVAEQ-5D</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q4.jpg" width="615" height="115"></p>     
<p >&nbsp;</p>      <p >Em termos médios, os valores da EVAEQ-5D são significativamente inferiores    aos dos restantes instrumentos de medição, sendo que os indivíduos reportam,    em média, valores semelhantes no SF-6D e no EQ-5D.</p>      <p >De facto, 50,0% atribui ao seu estado de saúde uma utilidade igual ou superior    a 0,85 no EQ-5D e a 0,86 no SF-6D, enquanto a mesma percentagem de indivíduos    valoriza o seu estado de saúde em 0,60 na EVAEQ-5D, valor bastante inferior    ao indicado nos outros instrumentos, indiciando que os indivíduos têm tendência    a indicar valores sistematicamente inferiores na EVAEQ-5D. No Quadro V são apresentadas    as medidas descritivas relativas aos quatro domínios do AQLQ(S) e ao valor global    do AQLQ(S) e do ACQ. Os valores médios encontrados para os domínios e para o    valor global do AQLQ(S) aproximam-se de 4,0, o que indica um grau moderado de    limitações provoca das pela asma. Estes resultados não são de estranhar, uma    vez que se havia verificado que 57,2% dos indivíduos se encontravam nos estádios    I e II da asma. </p>     <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Quadro V</b> &#8211; Medidas descritivas dos dom&iacute;nios do AQLQ(S)    e dos valores globais do AQLQ(S) e do ACQ</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q5.jpg" width="618" height="188"></p>     
<p >&nbsp;</p>      <p >No entanto, no que diz respeito à exposição ambiental, 50,0% apresentam limitações    severas. Quanto ao ACQ, as respostas dos indivíduos traduziram-se num valor    médio que indica um controlo relativo da asma. No entanto, importa salientar    que 50,0% dos indivíduos revelaram um controlo fraco da doença. </p>         <p >Com o objectivo de investigar o desempenho do SF-6D na medição da QdVRS dos    doentes com asma, foram efectuados testes de hipóteses, cujos resultados estão    registados nos Quadros VI e VII. Apresentam-se também as relações existentes    entre o índice EQ-5D, a EVAEQ-5D e as características sociodemográficas dos    indivíduos, por forma a verificar se os resultados se aproximam dos encontrados    para o SF-6D. A informação contida no Quadro VI evidencia a existência de diferenças    significativas entre homens e mulheres em termos de utilidade dos estados de    saúde, com as mulheres a reportarem piores níveis de utilidade.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro VI</b> &#8211; Rela&ccedil;&otilde;es entre o &iacute;ndice SF-6D,    o &iacute;ndice EQ-5D, a EVAEQ-5D e as caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas    dos indiv&iacute;duos</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q6.jpg" width="588" height="632"></p>     
<p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro VII</b> &#8211; Rela&ccedil;&otilde;es entre o &iacute;ndice SF-6D,    o &iacute;ndice EQ-5D, a EVAEQ-5D e as caracter&iacute;sticas do est&aacute;dio    da Asma</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q7.jpg" width="585" height="514"></p>      
<p >&nbsp;</p>     <p >São também os mais idosos os que reportam níveis de utilidade mais baixos.</p>      <p >Verifica-se que os mais jovens e os indivíduos solteiros reportam maiores    níveis de utilidade, sendo estas diferenças estatisticamente significativas.    É, ainda, de referir que existem diferenças significativas na utilidade dos    estados de saúde entre indivíduos com habilitações literárias mais elevadas    e com habilitações literárias mais baixas, sendo que, em média, os indivíduos    com o ensino superior apresentam níveis de utilidade superiores aos dos com    ensino secundário, primário e/ou aos que não sabem ler nem escrever. A situação    profissional também condiciona os níveis de utilidade medidos pelo SF-6D: os    aposentados/reformados e as domésticas reportaram níveis de utilidade inferiores    aos reportados pelos empregados e pelos desempregados, sendo essas diferenças    significativas.</p>         <p >Os indivíduos que vivem acompanhados também reportaram, em média, valores    superiores de utilidade, embora essas diferenças não sejam significativas. O    rendimento médio mensal líquido é outro factor condicionante dos níveis de utilidade,    uma vez que os indivíduos que auferem rendimentos iguais ou superiores a 2000&euro;    indicaram níveis médios de utilidade superiores aos indivíduos com mais baixos    rendimentos, sendo essas diferenças estatisticamente significativas.</p>        <p >Os indivíduos que se encontram num estádio mais avançado da doença reportaram,    como era de esperar, níveis médios de utilidade inferiores aos que se encontravam    num estádio menos grave da doença, sendo essas diferenças estatisticamente significativas    (Quadro VII). Não obstante, não se verificaram diferenças estatisticamente significativas    em termos de utilidades consoante o ano do primeiro diagnóstico, ano da primeira    consulta, as medidas de espirometria FEV1 e FVC e a existência de uma doença    associada.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro VIII</b> &#8211; Rela&ccedil;&otilde;es entre os valores globais    do AQLQ(S) e do ACQ e as caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas dos    indiv&iacute;duos</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q8.jpg" width="586" height="641"></p>     
<p >&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Apenas no caso da FEV1/FVC se verificaram diferenças: os indivíduos que tiveram valores até 55 reportaram maiores níveis de utilidade do que os restantes, sendo essas diferenças estatisticamente significativas.</p>      <p >Os resultados obtidos e descritos no Quadro VIII confirmam os encontrados    para as medidas de utilidade: os homens reportaram um grau menor de limitações    provocadas pela asma e maior controlo da doença. O mesmo se passou relativamente    à idade: os jovens também reportaram um grau menor de limitações provocadas    pela asma e maior controlo da doença do que os mais velhos.</p>     <p >No que diz respeito ao estado civil, são os indivíduos solteiros e os casados    que indicam um grau menor de limitações provocadas pela asma e maior controlo    da doença, relativamente aos divorciados/separados e viúvos. Existem diferenças    significativas entre indivíduos com habilitações literárias mais elevadas e    indivíduos com habilitações literárias mais baixas, sendo que, em média, os    indivíduos com o ensino superior apresentam um grau menor de limitações provocadas    pela asma e maior controlo da doença, do que os indivíduos com ensino secundário,    primário e/ou os que não sabem ler nem escrever.</p>     <p >Em traços gerais, pode afirmar-se que os indivíduos empregados e os que vivem    acompanhados apresentam também um grau menor de limitações provocadas pela asma    e maior controlo da doença do que os indivíduos aposentados/reformados e do    que os que vivem sozinhos, respectivamente. Pode-se ainda afirmar que auferir    um rendimento mais baixo leva a um maior grau de limitações provocadas pela    asma e a um menor controlo da doença.</p>      <p >A observação do Quadro IX permitiu verificar que os indivíduos que se encontram    num estádio mais avançado da doença reportaram um maior grau de limitações provocadas    pela asma e a um menor controlo da doença do que os que se encontravam num estádio    menos grave da doença, sendo essas diferenças estatisticamente significativas.    Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas em termos de utilidades    consoante o ano do primeiro diagnóstico, ano da primeira consulta, FEV1/FVC    e a existência de uma doença associada. No caso das medidas de espirometria    FEV 1 e FVC verificaram&#8211;se diferenças estatisticamente significativas.    Por um lado, os indivíduos que tiveram uma FEV1 entre 75 e 99 reportaram um    maior controlo da asma do que os que tiveram uma FEV1 inferior a 75. Por outro    lado, aqueles que atingiram uma FVC superior a 94 possuíam um menor grau de    limitações provocadas pela asma do que aqueles que atingiram uma FVC inferior    a 94. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro IX</b> &#8211; Rela&ccedil;&otilde;es entre os valores globais do    AQLQ(S) e do ACQ e as caracter&iacute;sticas do est&aacute;dio da asma</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q9.jpg" width="585" height="524"></p>     
<p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro X</b> &#8211; Medidas descritivas do &iacute;ndice SF-6D por g&eacute;nero    e classes et&aacute;rias</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q10.jpg" width="589" height="353"></p>      
<p >&nbsp;</p>     <p >Em termos gerais, pode-se afirmar que os resultados descritos para o EQ-5D    e para os questionários específicos AQLQ(S) e ACQ validam, de certa forma, os    resultados alcançados para o SF-6D.</p>        <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Aproximação aos valores normativos</b></p>      <p >Nos Quadros XI e XII são apresentadas as primeiras aproximações aos valores    normativos dos doentes com asma aferidos pelo SF-6D, organizados de acordo com    os valores normativos da população aferidos pelo EQ-5D referentes à Arménia,    Bélgica, Canadá, Finlândia, Alemanha, Eslovénia, Espanha, Grécia, Hungria, Japão,    Países Baixos, Nova Zelândia, Reino Unido, Suécia, Zimbabué<sup><a name="top23"></a><a href="#23">23</a></sup>    e Reino Unido<sup><a href="#11">11</a></sup>.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro XI </b>&#8211; Medidas descritivas do &iacute;ndice SF-6D por outras    caracter&iacute;sticas demogr&aacute;ficas</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q11.jpg" width="591" height="380"></p>     
<p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Quadro XII</b> &#8211; Coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o linear    de Pearson entre o SF-6D, o EQ-5D, a EVAEQ-5D, os dom&iacute;nios do AQLQ(S)   e os valores globais do AQLQ(S) e do ACQ</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a02q12.jpg" width="592" height="303"></p>      
<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Comparação entre medidas</b></p>      <p >Com o intuito de analisar a concordância entre as medidas de utilidade, os domínios do AQLQ(S) e os valores globais do AQLQ(S) e do ACQ, foram calculados coeficientes de correlação de Pearson, cujos resultados se encontram no Quadro XII.</p>      <p >Como era expectável, e como já havia acontecido para outras doenças estudadas    (e.g., a artrite reumatóide<sup><a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>    e as cataratas<a name="top25"></a><sup><a href="#25">25</a></sup>), as medidas    de utilidade estão directa e fortemente correlacionadas entre si, o que significa    que as respostas dos indivíduos às três medidas variam no mesmo sentido e se    encontram grandemente associadas. Também os domínios do AQLQ(S) e os valores    globais do  AQLQ(S) se encontram directa e moderada/fortemente correlacionadas    entre si e com as medidas de utilidade, o que significa que uma melhoria em    alguma destas áreas levará a um aumento da utilidade dos estados de saúde dos    doentes e, portanto, a uma melhoria da QdVRS. Por outro lado, verifica-se a    existência de correlações fortes e inversas entre o valor global do ACQ e as    restantes medidas, como era esperado. </p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Conclusão</b></p>      <p >Neste estudo foi analisada a QdVRS de doen tes com asma e foi apresentada uma primeira aproximação aos valores normativos, com base no SF-6D, para doentes com aquela doença.</p>      <p >Os resultados obtidos evidenciam uma elevada influência das características demográficas e clínicas, como o género, a idade, o estado civil, o nível de habilitações, a situação profissional, o local de residência, o estádio e o controlo da doença na QdVRS dos doentes com asma.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Factores como as limitações na actividade, os sintomas, a função emocional    e a exposição ambiental são também condicionantes importantes da QdVRS desses    doentes. Estes resultados encontram-se em consonância com os obtidos por outros    investigadores<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a name="top26"></a><a href="#26">26-30</a></sup>.</p>      <p >Os resultados obtidos demonstram que as medidas de utilidade baseadas em preferências utilizadas neste estudo discriminam adequadamente os doentes de acordo com a gravidade da doença e com os grupos sociodemográficos.</p>      <p >Estes resultados estão de acordo com a literatura, em que os instrumentos    de QdVRS utilizados provaram ter um bom desempenho na medição da QdVRS na asma<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a href="#5">5</a></sup>,<sup><a name="top31"></a><a href="#31">31</a></sup>,<sup><a name="top32"></a><a href="#32">32</a></sup>.    Os questionários específicos AQLQ(S) e o ACQ mostraram igualmente a sua capacidade    de discriminação dos indivíduos no que diz respeito ao grau de limitações provocadas    pela asma e ao controlo da asma, tal como aconteceu noutras investigações<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>,<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>,<sup><a href="#19">19</a></sup>,<sup><a name="top29"></a><a href="#29">29</a></sup>,<sup><a href="#31">31</a></sup>.</p>      <p >O interesse e utilidade dos resultados apresentados neste trabalho de investigação    advêm da importância e da necessidade da existência de valores normativos de    instrumentos de medição de preferências e de perfis de saúde para a população    em geral<sup><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a href="#23">23</a></sup>,<sup><a name="top33"></a><a href="#33">33-37</a></sup>    e para doentes com asma<sup><a href="#29">29</a></sup>,<sup><a name="top38"></a><a href="#38">38</a></sup>,<a name="top39"></a><sup><a href="#39">39</a></sup>,    em particular.</p>      <p >Os valores obtidos podem ser considerados uma primeira aproximação aos valores    normativos do SF-6D para doentes com asma, por três motivos. Primeiro, porque    o algoritmo utilizado no cálculo desses valores se baseou nos resultados do    sistema de valores do SF-6D para Portugal<sup><a href="#14">14</a></sup>, em    que se utilizou como técnica de medição de utilidades o SG, considerado o padrão-de-ouro    da medição de utilidades em saúde, já que se baseia nos axiomas da teoria da    utilidade esperada<sup><a name="top40"></a><a href="#40">40-42</a></sup>. Segundo,    porque se estudou uma amostra de doentes com asma, o que permite conhecer efectivamente    os níveis de utilidade de indivíduos com esta doença, e não uma amostra da população    em geral, a partir da qual se faz inferência para este tipo de subpopulação    específica.</p>      <p >De facto, para muitos autores, na medição de valores dos estados de saúde,    o ideal é medir as utilidades dos doentes que efectivamente se encontram nesses    estados<sup><a name="top41"></a><a href="#41">41-44</a><a href="#41"></a></sup>.</p>      <p >Terceiro, porque a amostra utilizada, embora não seja probabilística, pode ser considerada como representativa da população em estudo.</p>      <p >Com efeito, as características da amostra de doentes com asma assemelham-se    às de outros estudos<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a href="#26">26-30</a></sup>.    Por outro lado, o método de recolha de dados utilizado é frequentemente usado    em estudos desta natureza<sup><a href="#3">3</a></sup>,<a name="top28"></a><sup><a href="#28">28</a></sup>,<sup><a href="#29">29</a><a href="#29"></a></sup>.</p>      <p >É, ainda, de referir que os resultados obtidos com a comparação dos instrumentos    genéricos indicaram uma correlação forte/moderada e directa entre eles, o que    está de acordo com os resultados de McTaggart-Cowan e colegas<sup><a href="#5">5</a></sup>    e de Szende e colegas<sup><a href="#3">3</a></sup> e com os obtidos noutras    investigações realizadas em Portugal com outras doenças<sup><a href="#24">24</a></sup>,<sup><a href="#25">25</a></sup>.    As medidas específicas também se encontram directa e moderada/fortemente correlacionadas    entre si e com as medidas de utilidade, o que significa que uma melhoria em    alguma das áreas cobertas pelos questionários específicos levará a um aumento    da utilidade dos estados de saúde dos doentes e, portanto, a uma melhoria da    QdVRS, como acontece no trabalho de McTaggart-Cowan e colegas<sup><a href="#5">5</a></sup>.    Quanto ao valor global do ACQ, encontra-se forte e inversamente correlacionado    com as medidas de utilidade, o AQLQ(S) e os quatro domínios do AQLQ(S), como    era esperado. Estes resultados corroboram os de outros investigadores<sup><a href="#19">19</a></sup>,<sup><a href="#26">26</a></sup>.</p>      <p >Portugal deverá estimular a realização de mais estudos de medição da QdVRS,    à semelhança do que já é feito noutros países da União Europeia<sup><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a href="#23">23</a></sup>,<sup><a name="top35"></a><a href="#35">35</a></sup>,<sup><a name="top37"></a><a href="#37">37</a></sup>,<sup><a name="top45"></a><a href="#45">45-47</a></sup>.    De facto, nestes países reconhece-se a importância de estudos desta natureza,    cujos resultados são incorporados em estudos de avaliação económica e contribuem    para a definição de prioridades nas políticas nacionais de saúde.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Agradecimentos</b></p>      <p >Os autores agradecem aos médicos pneumologistas Dra. Fernanda Nascimento, Dra. Isabel Ruivo, Dr. Isidro Guirado e Dr. José Romero e às técnicas de cardiopneumologia Dra. Ana Santos, Dra. Elisabete Patrício e Dra. Patrícia Filipe, que recolheram os dados utilizados neste estudo. Sem eles não teria sido possível fazer este trabalho. Lara N. Ferreira foi beneficiária de uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (SFRH/BD/25697/2005), entre Janeiro de 2006 e Fevereiro de 2009.</p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Bibliografia</b></p>        <!-- ref --><p ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Plácido JL. A asma a nível nacional    e mundial: Perspectivas actuais e tendências de evolução. Rev Por Clín Geral    2004; 20:583-587.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0873-2159201000010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Schermer T, Thoonem B, Van den Boom    G, Akkermans R, Grol R, Folgering H, <i>et al. </i>Randomized controlled economic    evaluation of asthma self&#8211;management in primary health care. Am J Respir    Crit Care Med 2002; 166:1062-1072.</p>      <p ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Szende A, Svensson K, Ståhl E, Mészáros    A, Berta G. Psychometric and utility-based measures of health status of asthmatic    patients with different disease control level. Pharmacoeconomics 2004; 22(8):537-547.</p>      <p ><a href="#top3">4</a>. Juniper E, Norman G, Cox F, Roberts J. Comparison of    the standard gamble, rating scale, AQLQ and SF -36 for measuring quality of    life in asthma. Eur Respir J 2001; 18:38-44.</p>      <p ><a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. McTaggart-Cowan H, Marra C, Yang Y,    Brazier J, Kopec J, FitzGerald J, <i>et al. </i>The validity of generic and    condition -specific preference -based instruments: the ability to discriminate    asthma control status. Quality of Life Research 2008; 17:453-462.</p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p >Telefone: +351 289800114 </p>     <p >Fax: +351 289888404 </p>     <p >E-mail: <a href="mailto:Lnferrei@ualg.pt">Lnferrei@ualg.pt</a></p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication: 09.05.08    </i> </p>     <p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication: 09.06.23</i></p>     <p >&nbsp;</p>         ]]></body><back>
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<nlm-citation citation-type="journal">
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<surname><![CDATA[Plácido]]></surname>
<given-names><![CDATA[JL]]></given-names>
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