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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco (FAT). Avaliação de uma intervenção preventiva]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Second hand smoke (SHS) exposure in children. An evaluation of a preventative measure]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Aims: To evaluate the effectiveness of the preventative programme “Smoke-free Homes” undertaken in 4th year children and their parents or guardians, aiming to reduce children’s exposure to second hand smoke (SHS) in the home. Material and methods: This was a pre- and post-test pre-experimental study, in students from 32 Braga district primary schools 2007/08. A self-administered and structured questionnaire was given out to 795 students in the classroom before and after the programme. In analysing data, we used the chi-squared test for the categorical variables. Results: The rate of children exposed to regular or occasional SHS due to living with at least one smoker dropped from 42.2% to 32.6% (p=0.001). The percentage of students, children of smokers who stated that their father smoked regularly or occasionally at home, dropped from 68.0% pre-test to 51.6% posttest (p=0.000). No significant reduction was seen in mothers. Conclusion: Based on the data, we can conclude that the “Smoke-free Homes” programme was effective in preventing smoking in the home, and therefore reducing the rate of children exposed to SHS by about 10%. However, it appears that about a third of children are still exposed, which highlights the need for further measures in this area. Healthcare professionals, particularly those working in Paediatrics, should advise parents to quit smoking, especially in the home.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Fumo passivo]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco (FAT). Avaliação de    uma </b><b>intervenção preventiva</b></p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>José Precioso<sup>1<a name="topc1"></a><a href="#c1">*</a>, </sup>Catarina    Samorinha<sup>2, </sup>José Manuel Calheiros<sup>3, </sup>Manuel Macedo<sup>4,    </sup>Henedina Antunes<sup>5, </sup>Hugo Campos<sup>6</sup></b></p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><sup>1</sup> Professor Auxiliar no Departamento de Metodologias da Educação, do Instituto    de Educação e Psicologia da Universidade do Minho/<i>Assistant Professor, Department    of</i></p>     <p ><i>Education Methodology, Institute of Education and Psychology, Universidade    do Minho</i></p>     <p ><sup>2</sup> Bolseira de Investigação no Departamento de Educação da Universidade do    Minho/<i>Research grant holder, Department of Education, Universidade do Minho</i></p>     <p ><sup>3</sup> Professor Catedrático na Escola de Ciências da Saúde, da Universidade da    Beira Interior/<i>Cathedratic Professor, School of Health Sciences, Universidade    da Beira Interior</i></p>     <p ><sup>4</sup> Médico Pneumologista no Hospital de S. Marcos, Braga/<i>Pulmonology Physician,    Hospital de S. Marcos, Braga</i></p>     <p ><sup>5</sup> Médica Pediatra no Hospital de S. Marcos, Braga/<i>Paediatic Physician,    Hospital de S. Marcos, Braga</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><sup>6</sup> Mestre no Instituto de Educação e Psicologia da Universidade    do Minho/<i>MD, Instituto de Educação e Psicologia, University of Minho</i></p>     <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Resumo</b></p>      <p ><b>Objectivo: </b>Avaliar a eficácia de uma intervenção preventiva, dirigida a alunos do 4.º ano de escolaridade e aos seus pais/encarregados de educação, com a finalidade de reduzir a exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco (FAT) no domicílio.</p>      <p ><b>Material e métodos: </b>Trata-se de um estudo pré-experimental, do tipo    pré-teste e pós-teste, com alunos pertencentes a 32 escolas do 1.º ciclo do    ensino básico, de cinco agrupamentos de escolas do concelho de Braga, no ano    lectivo 2007/08. Foi aplicado um questionário de autorrelato, em contexto de    sala de aula, antes e depois da intervenção. Na análise de dados, foi utilizado    o qui-quadrado, por se tratarem de variáveis de categoria.</p>      <p ><b>Resultados: </b>A prevalência de crianças expostas diária ou ocasionalmente    ao FAT, pelo facto de pelo menos um dos conviventes fumar em casa, desceu dos    42,2% para os 32,6% (p=0,001). A percentagem de  alunos, filhos de fumadores,    que percepcionam que o pai fuma diária ou ocasionalmente em casa baixou de 68,0%    no pré-teste para 51,6% no pós -teste (p=0,001). Em relação às mães, não houve    uma redução estatisticamente significativa.</p>      <p ><b>Conclusão: </b>O Programa Domicílios Sem Fumo terá sido eficaz em prevenir o consumo dos pais e outros conviventes em casa, tendo por isso ajudado a reduzir a prevalência de crianças expostas ao fumo ambiental. No entanto, verifica -se que ainda há cerca de um terço de crianças expostas, o que releva a necessidade de investimento em intervenções nesta área. Os profissionais de saúde, em especial os pediatras, devem aconselhar os pais a parar de fumar, sobretudo em casa.</p>      <p ><b>Palavras-chave: </b>Fumo passivo, prevenção do tabagismo, promoção da saúde,    educação para a saúde.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Second hand smoke (SHS) exposure in children. An evaluation of a preventative    measure</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Abstract</b></p>     <p ><b>Aims</b>: To evaluate the effectiveness of the preventative programme &#8220;Smoke-free    Homes&#8221; undertaken in 4th year children and their parents or guardians,    aiming to reduce children&#8217;s exposure to second hand smoke (SHS) in the    home. </p>     <p ><b>Material and methods</b>: This was a pre- and post-test pre-experimental    study, in students from 32 Braga district primary schools 2007/08. A self-administered    and structured questionnaire was given out to 795 students in the classroom    before and after the programme. In analysing data, we used the chi-squared test    for the categorical variables.</p>     <p ><b>Results</b>: The rate of children exposed to regular or occasional SHS    due to living with at least one smoker dropped from 42.2% to 32.6% (p=0.001).    The percentage of students, children of smokers who stated that their father    smoked regularly or occasionally at home, dropped from 68.0% pre-test to 51.6%    posttest (p=0.000). No significant reduction was seen in mothers. </p>     <p ><b>Conclusion</b>: Based on the data, we can conclude that the &#8220;Smoke-free    Homes&#8221; programme was effective in preventing smoking in the home, and    therefore reducing the rate of children exposed to SHS by about 10%. However,    it appears that about a third of children are still exposed, which highlights    the need for further measures in this area. Healthcare professionals, particularly    those working in Paediatrics, should advise parents to quit smoking, especially    in the home.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Second hand smoke, smoking prevention, health education.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Introdução</b></p>      <p >A exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco (FAT) está associada    a uma série de problemas para a sua saúde, que vão desde tosse, pieira e dispneia,    até um maior risco de infecções agudas das vias aéreas inferiores (bronquiolite    e pneumonia), infecções respiratórias de repetição, bem como indução e exacerbação    de asma<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >Apesar da gravidade para a saúde das crianças, os estudos mostram que existe uma elevada prevalência de crianças expostas ao FAT.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimava, em 1999, que cerca de metade    das crianças existentes no Mundo (700 milhões) respiravam ar contaminado pelo    fumo do tabaco, especialmente nas suas casas<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>.</p>      <p >Os principais responsáveis pela exposição das crianças ao fumo ambiental do    tabaco no domicílio são os pais. Um estudo de grande dimensão populacional (<i>Third    National Health and Nutrition Examination Survey&#8211;</i>NHANES -III), realizado    nos EUA entre 1988 e 1994, incluindo 11 728 crianças com idades compreendidas    entre os 2 meses e os 11 anos, mostrou que 38% foram expostas ao FAT, pelo facto    de os pais fumarem; 23% tinham sido expostas a tabagismo passivo durante a gestação    e 19% foram expostas a ambos (tabagismo gestacional e FAT)<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >Um estudo realizado em Inglaterra, nos anos de 1988 (n=1179) e 1996 (n=576),    em crianças com idades compreendidas entre os 11 e os 15 anos, mostrou que,    em 1988, 52% das crianças estavam expostas ao FAT no domicílio, tendo-se registado    uma ligeira redução deste valor em 1996, para os 45%<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.</p>      <p >Segundo o último relatório do <i>Surgeon General </i>dos EUA, quase 22 milhões    (60%) das crianças americanas, com idades compreendidas entre os 3 e os 11 anos,    estão expostas ao FAT. De acordo com um estudo norte-americano realizado pela    OMS e pela CDC (<i>Center for Disease Control and Prevention</i>), que inquiriu    adolescentes entre os 13 e os 15 anos, pertencentes a 132 países, estima-se    que 43,9% desses adolescentes estejam expostos ao FAT no domicílio e 55,8% nos    espaços públicos<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>.</p>      <p >Um estudo realizado em Portugal, em 2002/2003 (em adolescentes a frequentar    o 7.º, 8.º e 9.º anos), numa amostra constituída por 1141 alunos de 12-15 anos    de idade, mostrou que 38% estavam expostos diária ou ocasionalmente ao fumo    ambiental do tabaco, pelo facto de os seus familiares mais próximos (pai, mãe    ou irmão) fumarem diária ou ocasionalmente em casa. Os dados deste estudo permitem    concluir, também, que o consumo de tabaco pelos pais e pelas mães, particularmente    no domicílio, é um factor microssocial de risco, relacionado com o consumo de    tabaco pelos filhos<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p >Num estudo realizado numa amostra de cerca de 525 alunos de Rio Tinto, constatou-se    que em 23,4% dos domicílios existe pelo menos um dos progenitores a fumar diária    ou ocasionalmente em casa<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>. Além    disso, verificou-se também que cerca de 51,2% das mães fumadoras fumavam diária    ou ocasionalmente em casa e que o mesmo acontecia com 56% dos pais.</p>      <p >A 1 de Janeiro de 2008 entrou em vigor, em Portugal, a lei 37/2007, de 14 de Agosto, de controlo do tabagismo, que regulamenta aspectos tão diferentes como a sensibilização e educação para a saúde, a proibição da publicidade a produtos de tabaco, a proibição da venda de tabaco a menores, etc. Esta lei tem como principal finalidade a prevenção do tabagismo e a protecção da exposição involuntária ao fumo do tabaco.</p>      <p >Nesse sentido, a lei contempla a proibição do consumo de tabaco nos locais de trabalho e recintos públicos fechados ou quase fechados, embora abra excepções que certamente diminuirão o seu impacte na concretização dos objectivos para que foi criada. O facto de a lei permitir que se possa fumar em alguns locais da restauração e similares faz com que ainda haja muitos clientes e sobretudo trabalhadores expostos ao fumo passivo. Não obstante as excepções contempladas, esta lei veio dar uma protecção considerável aos não fumadores relativamente à exposição involuntária ao fumo do tabaco.</p>      <p >No entanto, é preciso ir mais longe e desenvolver um conjunto de medidas legislativas, educativas e terapêuticas, entre outras, para proteger as crianças dos efeitos perniciosos do FAT. Todos os órgãos ou instituições que acolhem crianças, todos os profissionais de saúde, os professores, educadores e pais, entre outros, devem fazer esforços para reduzir a exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco em qualquer lugar e, em particular, no domicílio.</p>      <p >É urgente sensibilizar os pais fumadores para que pelo menos não fumem dentro de casa e não permitam que outros o façam. O objectivo é tornar os domicílios locais 100% livres de fumo. Neste contexto, foi desenvolvida uma intervenção preventiva, que procura proteger a saúde desta população vulnerável.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >O <b>Domicílios Sem Fumo </b>é um programa de prevenção da exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco inspirado numa intervenção desenvolvida pela <i>U.S. Environmental Protection Agency, </i>The ABCs of Secondhand Smoke. Tem como principal finalidade aumentar o número de pais/mães que não fumam e/ou não permitem que se fume em casa e no carro, capacitando os alunos a protegerem-se desta agressão, sendo estes os promotores da mudança de comportamento dos pais. O programa foi desenhado para ser aplicado em contexto escolar, na sala de aula, pelos professores, que receberam formação prévia para o efeito, e é constituído por cinco sessões:</p>      <p >1. Pequena abordagem aos perigos do fumo activo e passivo do tabaco (foi fornecida aos professores uma apresentação sobre o tema);</p>      <p >2. Elaboração, pelas crianças, de pequenos trabalhos (cartas, desdobráveis e funda mentalmente um dístico de não fumador) para a escola enviar aos pais fumadores;</p>      <p >3. Exercícios de <i>role -playing, </i>em grupos de dois alunos, nos quais um representa o papel de criança e outro de pai/mãe, onde a criança tenta convencer o pai ou mãe a não fumar em casa;</p>      <p >4. Envio de um desdobrável aos pais sobre fumo activo e passivo;</p>      <p >5. Assinatura de uma declaração entre pai e filho, em que o primeiro se compromete com a criação de um domicílio sem fumo.</p>      <p >O objectivo principal desta investigação é avaliar a eficácia deste programa de intervenção preventiva, dirigida a pais e encarregados de educação, com a finalidade de proteger as crianças da exposição ao fumo ambiental do tabaco no domicílio.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Material e métodos</b></p>      <p >O estudo foi realizado com alunos do 4.º ano de 32 escolas do 1.º ciclo do    ensino básico, integradas em cinco agrupamentos de escolas do concelho de Braga,    no ano lectivo de 2007/2008. Trata-se de um estudo pré-experimental, com dois    momentos de avaliação (antes e depois da implementação do programa). No primeiro    momento de avaliação, o grupo era constituído por 795 alunos (de uma população    de cerca de 2000 alunos) e, no segundo momento, por 737. As escolas que integraram    o estudo foram as que manifestaram interesse em participar no programa, após    uma reunião realizada para a apresentação deste. Os coordenadores da educação    para a saúde dos agrupamentos de escolas envolvidos participaram numa sessão    de formação sobre a implementação do programa e sua avaliação, onde receberam    os materiais necessários (questionários, desdobráveis, declaração de compromisso).    Foi pedida autorização à Direcção Regional de Educação do Norte &#8211; delegação    de Braga, para a aplicação do questionário aos alunos. Na primeira fase, os    alunos preencheram o questionário (pré-teste) em contexto de sala de aula. Seguidamente,    procedeu-se à aplicação do programa <b>Domicílios sem Fumo </b>pelos professores    das turmas. No final (cerca de dois meses depois, variando no entanto de escola    para escola), o mesmo questionário foi aplicado como pós-teste. Foi utilizado    um questionário de autorrelato, utilizado noutros estudos por Precioso, Calheiros    e Macedo (20056). É constituído por questões relativas aos dados demográficos    (sexo e idade) e oito questões de escolha múltipla, que visam avaliar a prevalência    de fumadores nos pais, a prevalência de pais, irmãos ou outros conviventes fumadores    no domicílio, a atitude das crianças perante o fumo passivo e o consumo de tabaco,    e o consumo de tabaco nas crianças e a sua intenção de fumar.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Os dados recolhidos foram introduzidos e tratados através do programa de análise estatística Statistical Package of Social Sciences (versão 15.0 para Windows). As comparações entre momentos foram feitas utilizando o teste do qui-quadrado, por se tratarem de variáveis de categoria. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Resultados</b></p>      <p ><b>Amostra</b></p>      <p >No primeiro momento de avaliação, dos 795 alunos que preencheram o questionário, 48,6% é do sexo feminino e 51,4% do sexo masculino.</p>      <p >A média de idades é de 9,14 anos + 0,65 anos. No segundo momento de avalia    ção houve uma mortalidade da amostra de 7,3% (N=58), ficando esta constituída    por 737 participantes, dos quais 47% são do sexo feminino e 53% do sexo masculino.    A média de idades é de 9,63 anos + 0,70 anos (Quadro I).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro I</b> &#8211; Caracteriza&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica da amostra</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a03q1.jpg" width="587" height="168"></p>      
<p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Consumo de tabaco nos pais</b></p>      <p >No primeiro momento de avaliação, 15,5% dos alunos percepcionavam que a mãe fumava e 37,0% que o pai era fumador. Constata-se que no pós-teste essas percentagens não se alteraram significativamente (15,9% para as mães e 35,3% para os pais), ou seja, não existem diferenças estatisticamente significativas entre o pré e o pós-teste relativamente à prevalência de mães (p=0,886) e pais fumadores (p=0.511) (Quadro II).</p>      <p >&nbsp;</p>         <p ><b>Quadro II</b> &#8211; Preval&ecirc;ncia de m&atilde;es e pais fumadores    declarada pelos alunos da amostra</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a03q2.jpg" width="584" height="121"></p>      
<p >&nbsp;</p>         <p ><b>Consumo de tabaco no domicílio, na amostra total</b></p>      <p >Pelos dados do Quadro III e da Fig. 1, podemos constatar que, no pré-teste,    14,2% das crianças relatou que pelo menos um dos conviventes (pai, mãe, irmão    ou outro) era fumador diário, no domicílio, e que 28,0% fumava ocasionalmente    em casa. Assim, aproximadamente 42,2% das/os alunas/os estavam expostas ao FAT,    diária ou ocasionalmente, pelo facto de pelo menos um dos conviventes fumar    em casa. No pós-teste, a percentagem de crianças que declara que pelo menos    um dos conviventes fuma diariamente, no domicílio, desceu para 8,5% e, ocasionalmente,    caiu para os 24%. Podemos constatar que a prevalência de crianças expostas diária    ou ocasionalmente ao FAT, pelo facto de pelo menos um dos conviventes fumar    em casa, desceu dos 42,2% para os 32,6%, sendo os resultados estatisticamente    significativos (p=0,000). Quanto ao consumo de tabaco no domicílio, relativamente    à amostra total, observamos que, no pré-teste, 5,1% dos alunos declarou que    a mãe fumava diariamente em casa e 6,3% referiu que o faziam ocasionalmente,    ou seja, 11,4% dos alunos percepcionava que a mãe fumava, diária ou ocasionalmente,    no domicílio. No pós-teste, verificou-se que a percentagem de alunos que declara    que a mãe fuma diariamente em casa baixou para 3,2% e a percentagem de mães    que fumam ocasionalmente aumentou para 6,8%, não sendo estas diferenças estatisticamente    significativas.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro III</b> &#8211; Preval&ecirc;ncia de fumadores regulares e ocasionais    no domic&iacute;lio declarada pelos alunos da amostra, no pr&eacute; e no p&oacute;s-teste.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a03q3.jpg" width="725" height="167"></p>     
<p >&nbsp;</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a03f1.jpg" width="497" height="204"></p>     
<p ><b>Fig. 1</b> &#8211; Preval&ecirc;ncia de conviventes (pai, m&atilde;e, irm&atilde;o    e/ou outro) fumadores regulares e ocasionais no domic&iacute;lio, na amostra    total, declarada pelos alunos, no pr&eacute; e no p&oacute;s-teste</p>        <p ></p>      <p >Não se registaram diferenças estatisticamente significativas entre a prevalência    de mães fumadoras, no domicílio, antes e depois da aplicação da intervenção    (p=0,191).</p>      <p >Em relação aos pais, 9,2% dos alunos referiu que eles fumavam diariamente em casa e 16,6% ocasionalmente. No pós-teste, a per centagem de alunos/as que declara que o pai fuma diária ou ocasionalmente foi de, respectivamente, 5,6 e 13,2%, sendo estas diferenças estatisticamente significativas (p=0,003).</p>      <p >&nbsp;</p>         <p ><b>Consumo de tabaco no domicílio, entre os pais fumadores</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Analisando apenas os dados dos filhos de pais e mães fumadores/as, constatamos    que, relativamente às mães, no pré-teste, 32,2% dos filhos de mães fumadoras    percepcionava que esta fumava diariamente em casa e 34,8% o fazia ocasionalmente,    ou seja, 67,0% dos alunos filhos de mães fumadoras relatava que a mãe fumava    diária ou ocasionalmente em casa. No pós-teste, constatou-se que 20,2% dos alunos    filhos de mães fumadoras referem que as suas mães fumam diariamente em casa    e 42,2%, ocasionalmente, ou seja, 62,4% dos alunos filhos de mães fumadoras    percepciona que a mãe fuma diária ou ocasionalmente em casa (Quadro IV e Fig.    2). Houve, assim, uma redução da percentagem de mães que fumam diariamente no    domicílio e um aumento da percentagem de mães que o fazem ocasionalmente, não    sendo estas diferenças estatisticamente significativas (p=0,126).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro IV</b> &#8211; Preval&ecirc;ncia de pais e m&atilde;es fumadores,    que fumam no domic&iacute;lio, declarada pelos alunos</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a03q4.jpg" width="602" height="130"></p>     
<p >&nbsp;</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a03f2.jpg" width="509" height="238"></p>     
<p ><b>Fig. 2</b> &#8211; Preval&ecirc;ncia de m&atilde;es fumadoras, que fumam    no domic&iacute;lio, declarada pelos alunos no pr&eacute; e no p&oacute;s-teste</p>      <p > </p>      <p >Em relação aos pais, no pré teste, 25,0% dos alunos filhos de pais fumadores    referia que estes fumavam diariamente em casa e 43,7% o faziam ocasionalmente,    ou seja, cerca de 68,7% dos alunos filhos de pais fumadores percepcionava que    o pai fumava diária ou ocasionalmente em casa. No pós-teste, a percentagem dos    alunos que percepciona que o pai fuma diariamente em casa desceu para os 15,8%    e, ocasionalmente, baixou para os 35,8%. Assim, a percentagem de alunos filhos    de fumadores que percepciona que o pai fuma diária ou ocasionalmente em casa    baixou de 68,0% no pré-teste para 51,6% no pós-teste, sendo as diferenças estatisticamente    significativas (p=0,000) (Quadro IV e Fig. 3).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a03f3.jpg" width="510" height="239"></p>     
<p ><b>Fig. 3</b> &#8211; Preval&ecirc;ncia pais fumadores, que fumam no domic&iacute;lio,    declarada pelos alunos, no pr&eacute; e no p&oacute;s-teste</p>        <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Conclusões</b></p>      <p >Com base nos dados apresentados, podemos inferir que a aplicação do programa Domicílios sem Fumo foi eficaz na redução da prevalência de crianças expostas ao fumo ambiental do tabaco, pelo facto de um dos conviventes (pai, mãe, irmãos ou outros) fumar no domicílio, tendo contribuído para reduzir a prevalência de crianças expostas ao fumo ambiental em cerca de 10%. A intervenção teve um impacto visível na redução do consumo de tabaco pelos pais, no domicílio, onde é de salientar uma redução significativa, e terá promovido uma modificação dos hábitos tabágicos das mães nesse espaço, o que denotou um comportamento de evitar fumar em casa, passando de fumadoras diárias para fumadoras ocasionais e, outras, para não fumadoras.</p>      <p >Contudo, relativamente ao consumo de tabaco por parte dos pais, podemos concluir que o programa Domicílios sem Fumo não teve efeitos a esse nível, constatando -se que a prevalência de pais/mães fumadores/as não se alterou após a sua aplicação.</p>      <p >É importante referir que um próximo estudo deverá contemplar a introdução    de um grupo de controlo, pois a sua ausência impede-nos de atribuir a redução    do consumo de tabaco no domicílio exclusivamente ao programa, não controlando    outras variáveis que possam ter tido influência, em particular a introdução    da lei de controlo do tabagismo e toda a discussão em volta das consequências    à exposição ao fumo passivo.</p>      <p >Verifica-se que, nesta amostra, há ainda cerca de um terço de crianças expostas ao fumo ambiental do tabaco, o que, tendo em conta os riscos para a saúde das crianças relacionados com a exposição passiva ao fumo do tabaco, demonstra que continua a ser necessário tomar medidas de saúde pública para a protecção desta população particularmente vulnerável, e revela a necessidade de investir em intervenções nesta área. Tendo sido eficaz, sobretudo na alteração do comportamento dos pais fumadores, no domicílio, este programa deve ser revisto e melhorado, no sentido de incrementar os ganhos obtidos e poder expandir a sua aplicação a outras escolas.</p>      <p >A via mais eficaz de proteger as crianças da exposição ao fumo passivo no    domicílio é promover a cessação do tabagismo nos pais ou pelo menos sensibilizá-los    para não fumarem em casa. <b>Os pais devem ser o &#8220;alvo&#8221; principal    das acções de prevenção e tratamento do tabagismo.</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >É indispensável que a escola, mas também os médicos (médicos de família, médicos    de trabalho, cardiologistas, pneumologistas, obstetras, pediatras, enfermeiros    e psicólogos) se envolvam no tratamento da dependência tabágica, como já o fazem    relativamente ao controlo de outros factores de risco para a saúde<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>.    No caso concreto das crianças, os pediatras devem questionar os pais sobre os    hábitos tabágicos, o consumo de tabaco no domicílio, e em que condições, e recomendar    aos/às fumadores/as que parem de fumar e sobretudo que não fumem em casa, pois    é uma forma de infligir maus tratos à criança.</p>      <p >A escola tem, contudo, um papel importante na prevenção do consumo de tabaco    pelos pais no que se refere ao consumo domiciliário. A mensagem a enviar aos    pais é a de que não devem fumar pelo menos na presença dos filhos, jamais o    devem fazer em casa, pelos prejuízos que causam aos conviventes, e às crianças    em particular, e que devem ter uma atitude negativa em relação ao possível consumo    pelos filhos. É importante também que os acompanhem nas suas actividades e que    controlem o dinheiro que lhes dão. Esta mensagem pode ser passada igualmente    pelos próprios alunos (filhos ou educandos) através do seu envolvimento em campanhas    organizadas na escola, por exemplo no âmbito da disciplina de Formação Cívica    ou na Área de Projecto. É também uma forma de ensinar os alunos a participar    na vida social e comunitária.</p>      <p >As associações de pais devem ajudar a escola nos seus esforços preventivos, organizando jornadas de sensibilização para os pais dos alunos. O programa Domicílios sem fumo é promissor no que respeita à protecção das crianças no domicílio. Tratando-se de um programa simples, e de fácil implementação, deve ser melhorado, com vista a uma implementação generalizada e mais eficaz. </p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Agradecimentos</b></p>      <p >Ao Dr. João Rodrigues, da equipa de apoio às escolas de Alto Cávado</p>      <p >A todos/as Srs/as. professores/as que colaboraram na implementação do projecto.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Bibliografia</b></p>      <p ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. USDHHS. The health consequences of    involuntary exposure to tobacco smoke: A report of the Surgeon General. Atlanta,    GA: U.S. Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control    and Prevention, Coordinating Center for Health Promotion, National Center for    Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Office on Smoking and Health.    2006. Retirado da internet em 12-07-2007, <a href="http://www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/sgr/sgr_2006/index.htm" target="_blank">http://www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/sgr/sgr_2006/index.htm</a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. OMS. International consultation on    environmental tobacco smoke and child health. 1999. Retirado da internet em    02-11-2007, <a href="http://www.who.int/tobacco/research/en/ets_report.pdf" target="_blank">http://www.who.int/tobacco/research/en/ets_report.pdf</a></p>      <!-- ref --><p ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Lieu, J, Feinstein A. Effect of gestational    and passive smoke exposure on ear infections in children. Archives of Pediatriatic    and Adolescent Medicine 2002; 156:147-154.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0873-2159201000010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p ><a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Jarvis MJ, Goddard E, Higgins V, Feyerabend    C, Bryant A, Cook DG. Children&#8217;s exposure to passive smoking in England    since the 1980s: cotinine evidence from population surveys. Brit Med J 2000;    321:343-345.</p>      <p ><a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. The GTSS Collaborative Group. A cross    country comparison of exposure to secondhand smoke among young. Tobacco Control    2006; 14(II):ii4-ii19.</p>      <p ><a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Precioso J, Calheiros J, Macedo M.    Exposición de niños a la contaminación ambiental por humo del tabaco en el domicilio.    Un estudio transversal en Portugal. Prevención del Tabaquismo 2005; 7(3):85-90.</p>      <p ><a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Hugo C. Exposição das crianças ao fumo    do tabaco no domicilio: implicações para a prevenção. Braga: Universidade do    Minho. Tese de Mestrado em Educação, Área de Especialização de Educação para    a Saúde. 2008. Disponível em <a href="http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/8209" target="_blank">http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/8209</a>.</p>      <p ><a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Ministério da Saúde. Tratamento do    Uso e da Dependência do Tabaco: Normas de actuação clínica. Lisboa: Ministério    da Saúde 2002.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><a name="c1"></a><a href="#topc1">*</a>e-mail: <a href="mailto:precioso@iep.uminho.pt">precioso@iep.uminho.pt</a></p>     <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication</i>: 08.11.14  </p>     <p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication: 09.06.08</i></p>     <p >&nbsp;</p>         ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Lieu]]></surname>
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<surname><![CDATA[Feinstein]]></surname>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Effect of gestational and passive smoke exposure on ear infections in children]]></article-title>
<source><![CDATA[Archives of Pediatriatic and Adolescent Medicine]]></source>
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<page-range>147-154</page-range></nlm-citation>
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