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<institution><![CDATA[,HUC - Hospitais Universitários de Coimbra Departamento de Ciências Pneumológicas e Alergológicas ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Silicosis is a diffuse interstitial fibronodular lung disease, caused by the inhalation of crystalline silica. We undertook a brief review of the topic, focusing on the most important aspects and performed a retrospective analysis of 84 patients admitted to the Pulmonology Ward of the Coimbra University Hospital over a 10-year period whose main or secondary diagnosis was silicosis. We also present the most relevant clinical features and the conclusions drawn from this review. The authors assess patients’ occupational history, changes in respiratory function study, the imaging findings and the associated complications.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Silicose]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Silicosis]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Silicose – Breve revisão e experiência de um serviço de pneumologia</b></p>     <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Cláudia Santos</b><b><sup>1</sup></b>,<b> Ana Norte</b><b><sup>1</sup></b>,<b>    Fátima Fradinho</b><b><sup>2</sup></b>,<b> Alexandra Catarino</b><b><sup>2</sup>,</b><b>    António Jorge Ferreira</b><b><sup>2</sup></b>, <b>Mário Loureiro</b><b><sup>3</sup>,    </b><b>M Fontes Baganha</b><b><sup>4</sup></b></p>      <p >&nbsp;</p>       <p ><sup>1</sup> Interna Complementar de Pneumologia/<i>Pulmonology</i><i> Resident</i></p>       <p ><sup>2</sup> Assistente Hospitalar de Pneumologia/<i>Pulmonology</i><i> Consultant</i></p>       <p ><sup>3</sup> Director do Serviço de Pneumologia      dos HUC/<i>Director, Pulmonology Ward,      HUC</i></p>       <p ><sup>4</sup> Director do Departamento de      Ciências Pneumológicas e Alergológicas      dos HUC/<i>Director, Pulmonology and Allergology Sciences Department, HUC</i></p>         <p >&nbsp;</p>     <p ><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspond&ecirc;ncia</a></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>     <p ><b>Resumo</b></p>      <p >A silicose é uma doença pulmonar, fibronodular intersticial difusa, causada pela inalação de sílica cristalina.</p>      <p >A propósito desta patologia procedeu-se a uma breve revisão do tema, focando os aspectos mais importantes e, posteriormente, à análise retrospectiva dos processos de 84 doentes internados no Serviço de Pneumologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), num período de 10 anos, cujo diagnósticoprincipal ou secundário foi silicose. Apresentam-se os aspectos clínicos mais relevantes, bem como as conclusões retiradas desta revisão.</p>      <p >Os autores destacam a história ocupacional dos doentes, as alterações do estudo funcional ventilatório, os achados imagiológicos e as complicações associadas.</p>      <p ><b>Palavra-chave: </b>Silicose.</p>           <p >&nbsp;</p>         <p ><b>Abstract</b></p>     <p >Silicosis is a diffuse interstitial fibronodular lung disease, caused by the    inhalation of crystalline silica. We undertook a brief review of the topic,    focusing on the most important aspects and performed a retrospective analysis    of 84 patients admitted to the Pulmonology Ward of the Coimbra University Hospital    over a 10-year period whose main or secondary diagnosis was silicosis. We also    present the most relevant clinical features and the conclusions drawn from this    review. </p>     <p >The authors assess patients&#8217; occupational history, changes in respiratory    function study, the imaging findings and the associated complications.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Key-word</b>: Silicosis.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Introdução</b></p>     <p >A silicose é uma doença ocupacional do pulmão, fibronodular intersticial difusa,    causada pela inalação de sílica cristalina (nas formas de quartzo – a mais frequente    – mas também cristobalite, tridimite, <i>stishovite</i><i> </i>e coesite)<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >A silicose é talvez a pneumoconiose mais antiga. Foi Visconti, em 1870, que    utilizou o termo <i>silicose </i>pela primeira vez, mas esta já tinha sido descrita    em múmias do antigo Egipto e Grécia<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>.    Também Hipócrates a descreveu ao observar dificuldade respiratória nos escavadores    de metal e foi descrita no século XVI nos mineiros da Boémia e nos cortadores    de pedra no século XVIII.</p>      <p >É a principal causa de invalidez entre as doenças respiratórias ocupacionais.    Em 2001, o <i>European</i><i> Occupational Disease Statistics </i>(EODS) classificou-a    como a sexta doença respiratória ocupacional mais frequente<a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >Em Portugal é a patologia respiratória mais notificada.</p>      <p >É uma patologia rara antes dos 50 anos de idade e é mais comum no sexo masculino    devido ao tipo de profissão exercida<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.</p>      <p >A sílica é um componente <i>major </i>da crosta terrestre, pelo que qualquer    ocupação que perturbe a crosta terrestre ou exponha o trabalhador ao uso ou    processamento de rochas ou areia que contenham sílica tem riscos potenciais<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.</p>      <p >São actividades de risco a extracção e o trabalho em rochas, como granito    e pedras em geral, mineração (ouro, arsénio, estanho, pedras preciosas, carvão),    pedreiras e túneis, perfuração de poços, indústrias de cerâmica, materiais de    construção, borracha, fabrico de vidro e fertilizantes (rocha fosfática), fundições    e produção de talco, decapagem com jacto de areia, rebarbação, polimento de    metais e minerais com abrasivos que contêm sílica, actividades de manutenção    e limpeza de fornos, moinhos e filtros, entre outras<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>.    Entre 1994 e 2000 foram descritos nove casos de silicose em técnicos de laboratório    dentário nos EUA<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>, porque alguns    dos materiais e métodos utilizados podem gerar pó com cristais de sílica.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A apresentação clínica desta patologia depende essencialmente da intensidade    e da duração da exposição<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>. Assim,    a silicose pode tomar as formas de silicose aguda ou silicoproteinose, silicose    acelerada e silicose crónica – simples ou complicada, de acordo com os achados    radiológicos.</p>      <p >A silicose aguda ou silicoproteinose, assim designada devido à semelhança    histológica com a proteinose alveolar, desenvolve-se entre alguns meses a 5    anos após exposição maciça a sílica livre – sobretudo nos trabalhadores de decapagem    com jacto de areia<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.</p>      <p >A evolução é habitualmente fulminante, com tosse, dispneia rapidamente progressiva,    perda ponderal, insuficiência respiratória e morte precoce (a sobrevida é de    cerca de 10 anos<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>). A sintomatologia    pode mesmo preceder os achados radiográficos. Do ponto de vista histopatológico,    encontra-se habitualmente lesão de pneumócitos tipo I, alveolite linfocítica    (com predomínio de linfócitos CD8)<sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>,    exsudato no lúmen alveolar constituído por material lipoproteináceo PAS+ (semelhante    à proteinose alveolar), pneumócitos tipo II hipertróficos e aumento da produção    de fosfolípidos, nomeadamente o dipalmitol lecitina<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>.    A telerradiografia torácica evidencia um padrão de infiltrado alveolar bilateral,    com distribuição difusa e, na tomografia computorizada de alta resolução (TCAR)    do tórax, opacidades em vidro despolido, espessamento septal e imagens de condensação    com distribuição geográfica ou regional<sup><a href="#12">12</a></sup>.</p>      <p >A silicose acelerada é clinicamente aparente 5 a 10 anos após a primeira exposição a concentrações pesadas de sílica. É clínica, histológica e imagiologicamente semelhante à forma de silicose crónica, diferenciando-se apenas pelo desenvolvimento mais rápido.</p>      <p >A silicose crónica é a forma de apresentação mais comum<sup><a href="#12">12</a></sup>    e é clinicamente aparente cerca de 15 anos após a primeira exposição à sílica    livre, com doses baixas de partículas.</p>      <p >Tem uma evolução insidiosa, sendo inicialmente assintomática, tendo os doentes uma sobrevida média de 40 anos10. A silicose crónica simples cursa habitualmente com dispneia de esforço progressiva e tosse crónica, inicialmente seca e posteriormente com expectoração.</p>      <p >A silicose crónica complicada está associada a sintomatologia mais grave.</p>      <p >Do ponto de vista histológico, a silicose crónica simples exprime-se por nódulos    silicóticos, constituídos por camadas concêntricas de tecido conjuntivo, apresentando    uma zona central acelular, com partículas de sílica livre e colagénio maduro    de evolução hialina (esta zona central pode necrosar ou calcificar), uma zona    intermédia com fibroblastos e colagénio, e uma zona periférica, local de alargamento    activo do nódulo e de inflamação, constituída por macrófagos, fibroblastos e    sílica livre. Os nódulos localizam-se habitualmente no interstício, sobretudo    nas regiões posteriores dos lobos superiores, em redor dos bronquíolos respiratórios    e vasos, nas regiões subpleurais, na pleura visceral e nos gânglios linfáticos<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>.</p>      <p >Radiologicamente, caracteriza-se por infiltrado micronodular (nódulos de 1    a 10 mm – classificação <i>International</i><i> Labor Office </i>p, q ou r)    b pulmonares superiores, com adenopatias hichronic lares e mediastínicas (calcificação    em casca de ovo em 5% dos casos<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>).</p>      <p >A silicose crónica complicada caracteriza-se pela coalescência dos nódulos    com formação de grandes massas conglomeradas, designando-se então por fibrose    maciça progressiva (FMP). Pode haver calcificação amorfa, os nódulos podem cavitar    ou complicar com pneumotórax. Quando as massas são unilaterais é muito difícil    o diagnóstico diferencial com lesões neoplásicas<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Os doentes podem, numa fase inicial, não apresentar alterações funcionais ventilatórias.</p>      <p >À medida que a doença progride, as alterações podem ser obstrutivas, restritivas    ou mistas<sup><a href="#10">10</a></sup>. Nas formas agudas verifica–se um predomínio    do padrão ventilatório restritivo e nas formas crónicas o padrão obstrutivo.</p>      <p >O padrão obstrutivo é muito mais frequente entre indivíduos com exposição    à sílica e, concomitantemente, ao tabaco<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup>.</p>      <p >Nas formas evoluídas salienta-se ainda diminuição da difusão alveolocapilar pelo CO e diminuição da <i>compliance</i><i> </i>pulmonar.</p>      <p >O diagnóstico de silicose é baseado na história de exposição à sílica, implicando    uma cuidadosa anamnese profissional, e nas alterações radiográficas já referidas,    excluindo outras patologias que a podem mimetizar<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup>.</p>      <p >Raramente é necessário recorrer à biópsia pulmonar para o diagnóstico.</p>      <p >As complicações mais habituais da silicose são a infecção por micobactérias tuberculosas e não tuberculosas, doenças do tecido conjuntivo (esclerose sistémica progressiva, artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistémico), insuficiência renal crónica, neoplasia pulmonar, DPOC, <i>cor pulmonale</i>, bolhas e pneumotórax espontâneo.</p>      <p >Não existe terapêutica específica para a silicose, devendo apostar-se na prevenção    das complicações, na eliminação da exposição continuada à poeira de sílica –    salientando-se no entanto que, uma vez instaurada a silicose, o afastamento    dos locais de trabalho não impede a evolução do processo pneumoconiótico<sup><a href="#10">10</a></sup>    – e no controlo da insuficiência respiratória crónica. Têm sido propostos vários    fármacos e procedimentos, como a lavagem pulmonar total, que, apesar de promissores,    necessitam de mais investigação.</p>      <p >A transplantação pulmonar constitui uma opção potencial para o estádio final desta patologia e deverá ser seriamente considerada em contexto clínico apropriado.</p>      <p >A prevenção é fundamental e abrange não só o controlo da fonte de poluição, com modificação do processo de produção de modo a gerar menos poeira e eventual alteração da forma do produto que contém sílica (substituir pó por suspensão líquida), passando pela melhor ventilação do local de trabalho, a modificação da conduta de trabalho e as medidas pessoais. De realçar que todas as tentativas deverão ser feitas para evitar ou minimizar a exposição por outros meios antes de recorrer ao equipamento de protecção respiratória individual, uma vez que uma máscara, por exemplo, pode ser desconfortável para o trabalhador, sobretudo em ambientes muito quentes, e este tende a removê-la.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Objectivo</b></p>      <p >Com este estudo pretendeu-se caracterizar os casos de silicose internados no Serviço de Pneumologia dos HUC durante 10 anos.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Material e métodos</b></p>      <p >Procedeu-se à análise retrospectiva de processos de doentes internados entre    1996 e 2006, cujo diagnóstico principal ou secundário foi de silicose.</p>      <p >Avaliou-se o sexo, a idade, o motivo de internamento, os hábitos tabágicos, a história ocupacional, o tipo de silicose, o estudo funcional ventilatório, as alterações imagiológicas, os métodos diagnósticos invasivos utilizados e o grau de incapacidade profissional.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Resultados</b></p>      <p >Neste período de 10 anos foram internados, no Serviço de Pneumologia dos HUC    84 doentes com diagnóstico principal ou secundário de silicose. A população    de doentes, com idades compreendidas entre os 26 e os 90 anos (média de 69,1    anos), era constituída por 82 indivíduos do sexo masculino e 2 do sexo feminino    (Quadro I).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro I</b> &#8211; Caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06q1.jpg" width="272" height="90"></p>     
<p >&nbsp;</p>      <p >Quanto ao motivo de internamento, 48 doentes foram internados por infecção respiratória, 7 por insuficiência respiratória crónica agudizada e 6 por pneumotórax espontâneo.</p>      <p >Dos restantes, 6 foram internados para realização de biópsia transtorácica,    5 para estudo de nódulo pulmonar, 4 admitidos para reavaliação da doença, 3    por silicotuberculose, 3 por hemoptises e 2 por derrame pleural (Fig. 1). No    que respeita aos hábitos tabágicos, 32 doentes eram ex -fumadores e 15 fumadores.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f1.jpg" width="575" height="171"></p>     
<p ><b>Fig. 1</b> &#8211; Motivo de internamento</p>     <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A carga tabágica média era de 37,6 UMA. Vinte e cinco doentes eram não fumadores    e em 12 não eram referidos os hábitos tabágicos (Fig. 2).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f2.jpg" width="516" height="150"></p>     
<p ><b>Fig. 2</b> &#8211; H&aacute;bitos tab&aacute;gicos</p>              <p >&nbsp;</p>              <p >A história ocupacional dos doentes era variada: mineiros (22 doentes – 13    dos quais nas minas da Panasqueira), trabalhadores da indústria cerâmica (18),    de pedreiras de granito (9), abertura de poços (9), construção civil (7), decapagem    com jacto de areia (3), fábrica de moagem (2) e outras menos relevantes (14).    A duração de exposição foi, em média, de 26 anos (Fig. 3).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f3.jpg" width="552" height="197"></p>     
<p ><b>Fig. 3</b> &#8211; Hist&oacute;ria ocupacional</p>     <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A forma de silicose mais frequente foi a silicose crónica simples (55 doentes);    25 doentes apresentavam silicose crónica complicada e em 4 o diagnóstico de    silicose foi um achado histológico (Fig. 4).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f4.jpg" width="530" height="132"></p>     
<p ><b>Fig. 4</b> &#8211; Forma de silicose</p>     <p >&nbsp;</p>      <p >O estudo funcional ventilatório, realizado em 58 doentes, mostrou alterações    em 56 deles, com padrão do tipo obstrutivo em 36, restritivo em 8 e misto em    12 (Fig. 5).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f5.jpg" width="524" height="138"></p>     
<p ><b>Fig. 5</b> &#8211; Estudo funcional ventilat&oacute;rio</p>          <p >&nbsp;</p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A telerradiografia torácica evidenciou várias alterações: micronodulação (48),    padrão intersticial (10), fibrose (10), fibrose maciça progressiva (8), alterações    parenquimatosas inespecíficas (6), gânglios calcificados (6), pneumotórax (6),    nódulo pulmonar (4) e sequelas de tuberculose (3) (Fig. 6).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f6.jpg" width="403" height="282"></p>     
<p ><b>Fig. 6</b> &#8211; Altera&ccedil;&otilde;es da telerradiografia do t&oacute;rax</p>     <p >&nbsp;</p>      <p >A tomografia computorizada (TC) do tórax, realizada em 58 doentes, evidenciou    micronodulação (26 doentes), gânglios calcificados (23), FMP (18), enfisema    (10), bolhas (9) e nódulo pulmonar (7) (Fig. 7).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f7.jpg" width="412" height="237"></p>     
<p ><b>Fig. 7</b> &#8211; Altera&ccedil;&otilde;es da TC do t&oacute;rax</p>     <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Foi efectuada biópsia pulmonar em 16 doentes, 4 dos quais já com diagnóstico    conhecido de silicose, apresentando no entanto alterações imagiológicas <i>de    novo </i>que necessitavam de esclarecimento. Desses 4 doentes, apenas em um    foi demonstrada uma lesão cicatricial, sendo que nos restantes as alterações    imagiológicas eram devidas à silicose. Nos restantes 12, o resultado histológico    foi de nódulo silicótico em 4, que apresentavam nódulo pulmonar para esclarecimento    e de silicose com partículas birrefringentes, e antracose nos restantes 8 (Fig.    8).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f8.jpg" width="396" height="227"></p>     
<p ><b>Fig. 8</b> &#8211; Resultados da bi&oacute;psia pulmonar</p>     <p >&nbsp;</p>      <p >Os doentes apresentavam à data do internamento várias comorbilidades, como:    insuficiência respiratória crónica agudizada (29 doentes), tuberculose pulmonar    prévia ou presentemente em actividade (28), DPOC (27), neoplasia pulmonar (7),    pneumotórax (6), <i>cor pulmonale </i>(6), infecção pulmonar por <i>Aspergillus</i><i>    </i>(2), insuficiência renal crónica (1), esclerose sistémica (1) e <i>Mycobacterium</i><i>    avium </i>(1) (Fig. 9).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f9.jpg" width="377" height="261"></p>     
<p ><b>Fig. 9</b> &#8211; Comorbilidades</p>     <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Durante o internamento, 28 doentes vieram a falecer.</p>     <p >A incapacidade profissional era referida em 25 doentes: 4 com 100% de incapacidade    para a actividade profissional, 4 com 80%, 3 com 60%, 2 com 70% e em 12 o grau    de incapacidade atribuído era inferior a 50% (Fig. 10).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a06f10.jpg" width="382" height="102"></p>     
<p ><b>Fig. 10</b> &#8211; Grau de incapacidade profissional</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Discussão</b></p>      <p >Nesta série, tal como na literatura revista<sup><a href="#4">4</a></sup>,    verificou-se um predomínio de doentes do sexo masculino (82), sendo a idade    média de 69,1 anos, o que também está de acordo com o descrito, isto é, a silicose    é uma patologia rara antes dos 50 anos<sup><a href="#4">4</a></sup>.</p>      <p >Verificou-se que a maioria dos doentes era constituída por fumadores e ex–fumadores    (47 doentes no total). Apesar de na literatura não ser descrita relação directa    entre silicose e tabagismo, é referida uma diferença na resposta de fumadores    e ex-fumadores à exposição a mineração de rochas duras.</p>      <p >Relativamente à história ocupacional, verificou-se correspondência entre as    exposições e ocupações referidas e as ocupações mais frequentemente associadas    à silicose, nomeadamente a mineração, a indústria cerâmica, as pedreiras e a    abertura de poços. De realçar o elevado número de doentes que trabalharam nas    minas da Panasqueira, localizadas na serra do Açor, concelho da Covilhã. Destas    minas são extraídos cacitrite, de onde provém o estanho, calcopirite, que dá    o cobre, e a volframite, que tem múltiplas aplicações.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A silicose crónica simples foi a forma mais frequentemente encontrada, o que está de acordo com os dados da literatura. Curiosamente, nenhum dos trabalhadores de decapagem com jacto de areia (3) desenvolveram silicose aguda, forma frequentemente associada a esta exposição, o que poderá eventualmente ser explicado pela susceptibilidade individual.</p>      <p >As alterações da função ventilatória foram variadas, padrões ventilatórios obstrutivos, restritivos e mistos. É conhecido e está descrito este leque de padrões associados à silicose.</p>      <p >Dos doentes com síndroma ventilatória obstrutiva, a maioria apresentava uma silicose crónica simples. Dos 8 doentes com síndroma restritiva, 4 apresentavam silicose crónica simples e os outros 4 FMP.</p>      <p >Verificou-se um predomínio imagiológico do padrão de micronodulação (descrito    na radiografia do tórax em 48 doentes e na TC do tórax em 26). É também de valorizar    a fibrose maciça progressiva, encontrada na radiografia em 8 doentes e na TC    do tórax em 18. Estas diferenças explicam-se pelo facto de a TC do tórax ser    mais sensível do que a radiografia simples do tórax na detecção de silicose,    melhorando a detecção de nódulos iniciais, coalescência de nódulos e enfisema    induzido pela sílica<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>,<sup><a name="top17"></a><a href="#17">17</a></sup>.</p>      <p >A biópsia pulmonar no diagnóstico da silicose só tem interesse quando este    não pode ser feito clinicamente, sendo necessária para excluir outros diagnósticos.    Nos 16 doentes que a realizaram, a biópsia mostrou nódulos silicóticos em 4.    A biópsia pulmonar foi efectuada sobretudo nos casos de existência de nódulos    pulmonares, sendo maioritariamente efectuada biópsia transtorácica. Deve ter-se    em conta o facto de que alguns doentes internados tinham o diagnóstico de silicose    já estabelecido.</p>      <p >A associação entre silicose e tuberculose pulmonar há muito que foi reconhecida,    sendo que o risco de um doente com silicose desenvolver tuberculose é 2,8 a    39 vezes mais elevado do que na população em geral<sup><a name="top18"></a><a href="#18">18</a></sup>.</p>      <p >Tem sido atribuída, pelo menos em parte, ao compromisso da função macrofágica    alveolar pela sílica cristalina inalada<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.    A quimioprofilaxia da tuberculose nos doentes com silicose é muito importante,    estando recomendada quando a prova de Mantoux tem uma induração igual ou superior    a 10 mm, após exclusão de tuberculose activa.</p>      <p >Nesta série, 28 doentes tinham antecedentes de tuberculose pulmonar, sendo que 3 deles ainda se encontravam a fazer tratamento antibacilar à data do internamento.</p>      <p >A associação entre exposição à sílica, silicose e neoplasia pulmonar tem sido    uma área de controvérsia. Em 1997 a Agência Internacional para Pesquisa contra    o Cancro classificou a sílica cristalina como carcinogénio (Grupo 1), baseada    na evidência “suficiente” da carcinogenicidade em animais de laboratório e na    evidência “limitada” da carcinogenicidade em humanos<sup><a href="#9">9</a></sup>.    Em 2000, o Programa Toxicológico Nacional dos EUA classificou a sílica como    carcinogénio pulmonar, estando ainda por esclarecer os mecanismos patogénicos    desta associação e se é necessário existir silicose ou apenas exposição à sílica    para o aumento do risco de neoplasia pulmonar<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>.    Na série analisada, 7 doentes apresentaram neoplasia pulmonar, sendo que 4 deles    eram carcinomas epidermóides e 3 adenocarcinomas. Na literatura revista, parece    existir uma correlação entre FMP, adenopatias hilares e profusão dos pequenos    nódulos pneumoconióticos relativamente ao tamanho do tumor à data da sua detecção<a name="top20"></a><sup><a href="#20">20</a></sup>.    Dos 7 doentes referidos, apenas 2 tinham silicose crónica complicada (FMP).</p>      <p >Dados epidemiológicos das últimas décadas são relativamente conclusivos de    que a sílica também está implicada no desenvolvimento de doença renal e de doenças    auto-imunes, como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistémico e esclerodermia.    O dano renal pode resultar de toxicidade directa das partículas de sílica, deposição    no rim de complexos imunes (IgA) ou de mecanismos auto-imunes<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Uma revisão de 2005 estimou em 8800 o número de mortes por silicose em todo    o mundo<sup><a href="#21">21</a></sup>.</p>      <p >Os 28 doentes deste estudo que faleceram apresentavam sobretudo falência cardiorrespiratória, insuficiência respiratória global com acidose respiratória e acidemia, estádios terminais de neoplasia pulmonar ou infecção respiratória em idade avançada.</p>      <p >A silicose, como doença ocupacional respiratória, associa-se à atribuição    de um grau de incapacidade profissional para efeitos de reforma, sendo o exame    da função respiratória factor essencial na determinação da invalidez respiratória<sup><a href="#10">10</a></sup>.    Na série analisada, a incapacidade era referida em 25 doentes, apresentando    a maioria (12) incapacidade inferior a 50%.</p>      <p >Em Portugal, no distrito do Porto, foi efectuado um estudo em 2005, respeitante às doenças profissionais, sendo a silicose a patologia mais notificada, correspondendo a 85% das doenças do aparelho respiratório declaradas. Resta saber se a elevada proporção de casos de silicose declarados é devida a falta de adopção de medidas preventivas nos locais de trabalho silicogénicos ou devida a maior notificação desta patologia por parte dos profissionais de saúde.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Conclusão</b></p>      <p>A silicose é a principal causa de invalidez entre as doenças respiratórias    ocupacionais. O seu diagnóstico requer uma anamnese ocupacional cuidadosa, associada    a alterações radiológicas características. Qualquer ocupação que implique contacto    com a crosta terrestre ou que exponha o trabalhador a poeiras de sílica pode    estar implicada. É necessário alto índice de suspeição, sobretudo em locais    de trabalho poluídos. Esta doença associa-se a complicações importantes que    podem conduzir à morte e não tem tratamento específico. A aposta deve ser feita    na prevenção, sobretudo nos locais de trabalho, monitorizando a qualidade do    ar e a concentração de poeira.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Bibliografia/Bibliography</b></p>      <p ><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Gibbs AR. Occupational Lung Disease.    Spencer’s pathology of the lung. Fifth Edition. Chapter 15:461 -506.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>. Corn J. Historical aspects of industrial    hygienesilicosis. Am Ind Hyg Assoc J 1980; 41:125 -132.</p>      <p ><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>. <a href="http://www.europa.eu.int/comm/eurostat/" target="_blank">www.europa.eu.int/comm/eurostat/</a></p>      <!-- ref --><p ><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Gurney JW. Silicosis-Coal worker pneumoconiosis.    Diagnostic imaging – Chest. Chapter I:42-44.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0873-2159201000010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p ><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>. Weissman DN, Banks DE. Silicosis. Interstitial    lung disease. Schwarz. King. Fourth Edition. Chapter 15:387-398.</p>      <p ><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Araújo AT, Raymundo ME. Doenças ocupacionais    do pulmão. Pneumologia na Prática Clínica. M Freitas e Costa. Capítulo XX:689-744.</p>      <p ><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>. Roselman KD, Pechter E. Silicosis in    dental laboratory technicians – Five States, 1994 -2000. CDC Surveillance Summaries    (March 12). MMW 2004; 53:197-295.</p>      <p ><a href="#top8">8</a><a name="8"></a>. Abú -Shams K, Fanlo P, Lorente MP.    Silicosis. An Sist Sanit Navar 2005; 28 (Supl 1):83-89.</p>      <p ><a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. Petsonk EL, Parker JE. Coal workers’    lung diseases and silicosis. Fishman’s pulmonary diseases and disorders; Fourth    Edition; Vol one; Part V; Chapter 57:974-979.</p>      <p ><a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Robalo Cordeiro AJA, Robalo Cordeiro    C. Exposição pulmonar profissional. Pneumoconioses. Am biente e aparelho respiratório.    M João Marques Gomes, R Sotto-Mayor (Eds.). Tratado de pneumologia. Sociedade    Portuguesa de Pneumologia. Vol. II. Cap.N:1407-1420.</p>      <p ><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>. Robalo Cordeiro AJA, Leite ACP,    Santos Rosa MA, <i>et al. </i>Reacção precoce à agressão pela sílica. Via Pneumol    1990; 1:35-52.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><a href="#top12">12</a><a name="12"></a>. Filho MT, Santos UP. Silicose. J    Bras Pneumol 2006; 32 (Supl 1):41-47.</p>      <p ><a href="#top13">13</a><a name="13"></a>. Marchiori E. Ferreira A, <i>et al.    </i>Conglomerated masses of silicosis in sandblasters: High-resolution CT findings.    Eur J Radiol 2006; 59:56-59.</p>      <p ><a href="#top14">14</a><a name="14"></a>. Hertzberg VS, Rosenman KD, <i>et    al. </i>Effect of Occupational silica exposure on pulmonary function. Chest    2002; 122:721-728.</p>      <p ><a href="#top15">15</a><a name="15"></a>. Marchiori E, Dantas MCH, Nobre LF.    Silicose: Correlação da tomografia computadorizada de alta resolução com a anatomopatologia.    Radiol Bras 2001; 34(1):1-6.</p>      <p ><a href="#top16">16</a><a name="16"></a>. Mosiewicz J, Myslinsky W. Diagnostic    value of high resolutions computed tomography in the assessment of nodular changes    in pneumoconiosis in foundry workers in Lublin. Ann Agric Environ Med 2004;    11:279-284.</p>      <p ><a href="#top17">17</a><a name="17"></a>. Lopes AJ, Mogami R, <i>et al. </i>High    -resolution computedtomography in silicosis: correlation with chest radiography    and pulmonary function tests. J Bras Pneumol 2008; 34 (5):264-272.</p>      <p ><a href="#top18">18</a><a name="18"></a>. Barboza CE, Winter DH, <i>et al.    </i>Tuberculosis and silicosis: epidemiology, diagnosis and chemoprophylaxis.    J Bras Pneumol 2008; 34(11):961 -968.</p>      <p ><a href="#top19">19</a><a name="19"></a>. Erren TC, Glende CB, <i>et al. </i>Is    exposure to silica associated with lung cancer in the absence of silicosis?    A meta-analytical approach to an important public health question. Int Arch    Occup Environ Health. Springer 2008.</p>      <p ><a href="#top20">20</a><a name="20"></a>. Arakawa H, Shida H, <i>et al. </i>Pulmonary    malignancy in silicosis: Factors associated with radiographic detection. Europ    J Radiol 2009; 69:80-86.</p>      <p ><a href="#top21">21</a><a name="21"></a>. Steenland K. One agent, many diseases:    Exposureresponse data and comparative risks of different outcomes following    silica exposure. 2005 Wiley-Liss, Inc.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>     <p ><b><a name="c1"></a><a href="#topc1">Correspond&ecirc;ncia</a></b></p>     <p >Departamento de Ci&ecirc;ncias Pneumol&oacute;gicas e Alergol&oacute;gicas    dos Hospitais da Universidade de Coimbra </p>     <p >Av. Bissaya Barreto e Praceta Prof. Mota Pinto </p>     <p >3000-075 Coimbra </p>     <p >email: <a href="mailto:claudiaraimundo80@gmail.com">claudiaraimundo80@gmail.com</a></p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication: 09.05.04</i></p>     <p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication: 09.07.08</i></p>      <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>         ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Gurney]]></surname>
<given-names><![CDATA[JW]]></given-names>
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<source><![CDATA[Silicosis-Coal worker pneumoconiosis. Diagnostic imaging - Chest]]></source>
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<page-range>42-44</page-range></nlm-citation>
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