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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aderência ao tratamento da asma]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Asthma is a very prevalent chronic disease in the general population, characterized by reversible obstruction of respiratory airways. Multiple studies demonstrate an improper control of the disease, and one of the main reasons for that is reduced adherence to treatment. Non-adherence can be classified as non intentional or intentional, and the causes can be related to the motivations, beliefs and knowledge of the patient or due to the therapeutic regimen. The reasons for non-adherence are non-comprehension of the treatment goals; non-comprehension of disease severity; fears related to drugs; psychological conditions such as depression; complexity of treatment regimen; difficulties with administration route, mainly inhaler. After recognizing these issues as cause of non-adherence, different approaches should be considered: set up a good physician -patient communication; promote asthma education; schedule regular appointments; simplify therapeutic regimen. It is important to promote adherence to achieve a good asthma control, and consequently a better quality of life and reduction of asthma associated costs.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Asma]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[aderência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Aderência ao tratamento da asma</b></p>     <p >&nbsp;</p>      <p ><b>André Filipe dos Santos Gonçalves</b><b><sup>1</sup></b></p>     <p ><sup>1</sup> Estudante do 6.º ano do curso de Medicina da Faculdade de Medicina    da Universidade do Porto/<i>6</i><i>th </i><i>year medical student</i></p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspond&ecirc;ncia</a></b></p>     <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Resumo</b></p>      <p >A asma é uma doença crónica muito prevalente na população, caracterizada por obstrução reversível das vias respiratórias. Vários estudos mostraram que há um controlo inadequado da doença, e uma das principais razões para isso é a falta de aderência à terapêutica.</p>      <p >A não aderência à terapêutica pode ser não intencional ou intencional, e as causas podem ser intrínsecas às motivações, crenças e conhecimentos dos doentes, ou inerentes ao próprio tratamento. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >As razões para a não aderência são: não compreensão dos objectivos da terapêutica; não compreensão da gravidade da doença; medo relacionado com o uso dos fármacos; factores psicológicos, como depressão; complexidade dos esquemas terapêuticos; e dificuldades associadas às vias de administração, principalmente a inalatória.</p>      <p >Reconhecendo estes factores como causa de não aderência, há estratégias que    devem ser consideradas: estabelecer uma boa comunicação médico-doente; educar    sobre a asma; planear o seguimento médico regular; simplificar o esquema terapêutico.</p>      <p >A promoção da aderência ao tratamento da asma é importante para conseguir um melhor controlo da doença, proporcionando uma melhor qualidade de vida ao doente e, simultaneamente, redução dos custos associados à doença.</p>      <p ><b>Palavras-chave: </b>Asma, tratamento, aderência.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Asthma treatment adherence</b></p>     <p ><b>Abstract</b></p>     <p >Asthma is a very prevalent chronic disease in the general population, characterized    by reversible obstruction of respiratory airways. Multiple studies demonstrate    an improper control of the disease, and one of the main reasons for that is    reduced adherence to treat ment. Non-adherence can be classified as nonintentional    or intentional, and the causes can be related to the motivations, beliefs and    knowledge of the patient or due to the therapeutic regimen.</p>     <p >The reasons for non-adherence are non-comprehension of the treatment goals;    non-comprehension of disease severity; fears related to drugs; psychological    conditions such as depression; complexity of treatment regimen; difficulties    with administration route, mainly inhaler.</p>     <p >After recognizing these issues as cause of non-adherence, different approaches    should be considered: set up a good physician -patient communication; promote    asthma education; schedule regular appointments; simplify therapeutic regimen.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >It is important to promote adherence to achieve a good asthma control, and    consequently a better quality of life and reduction of asthma associated costs.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Asthma, treatment, adherence.</p>     <p >&nbsp;</p>        <p ><i></i></p>      <p ><b>Introdução</b></p>      <p >A asma é uma doença inflamatória crónica associada a hiperreactividade das    vias aéreas, com episódios recorrentes de obstrução reversível das mesmas, causando    sibilância, dispneia, aperto torácico e tosse<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >A asma é uma das doenças crónicas mais prevalentes em todo o mundo, sendo    que a Europa Ocidental tem uma das prevalências mais altas: 13,0% entre as crianças    e 8,4% entre os adultos<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.</p>      <p >O tratamento da asma envolve dois tipos de fármacos: </p>      <p >– fármacos de controlo (por exemplo, corticosteróides inalatórios (ICS)),    que devem ser tomados diariamente para manter a asma sobre controlo, principalmente    pelo seu efeito anti-inflamatório;</p>      <p >– e fármacos para alívio rápido dos sintomas [como agonistas dos receptores    â2 adrenérgicos de curta duração de acção (SABA)] que devem ser usados nas exacerbações    para reverter a broncoconstrição e, assim, aliviar os sintomas<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A <i>Global Initiative For Asthma </i>(GINA)1 define 6 objectivos para um controlo adequado da asma:</p>      <p >1 – sintomas diários mínimos (&#8804;2 vezes/semana);</p>      <p >2 – ausência de limitações nas actividades diárias (incluindo exercício físico);</p>      <p >3 – ausência de sintomas nocturnos ou despertar causado pela asma;</p>      <p >4 – necessidade mínima de recurso a agonistas â2 (&#8804;2 vezes/semana);</p>      <p >5 – PEF (<i>peak expiratory flow</i>) normal ou próximo do normal;</p>      <p >6 – ausência de exacerbações. </p>      <p >Vários trabalhos<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>,<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>,<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>    mostraram que parte da população estudada tinha um nível inadequado de controlo    da asma, continuando a ter sintomas, ficando assim aquém dos objectivos propostos    pela GINA<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >Uma das principais razões para o controlo inadequado da asma é a deficiente    aderência ao tratamento por parte dos doentes<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.</p>      <p >Como ficou demonstrado em vários estudos, a não aderência à terapêutica na    asma está associada a pior controlo da doença e, consequentemente, a maior morbilidade    e mortalidade<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8-14</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Este trabalho tem como objectivo abordar razões que permitam compreender a aderência diminuída ao tratamento da asma e, a partir destas, expor estratégias e a sua eficácia para resolver este problema.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Aderência ao tratamento</b></p>      <p >Aderência ao tratamento (em inglês: <i>adherence</i>) é definida como a medida em que o comportamento do doente corresponde às recomendações concordadas com o prescritor.</p>      <p >Este termo foi implementado como alternativa ao vocábulo inglês <i>compliance    </i>numa tentativa de realçar a liberdade de decisão do doente em aderir às    recomendações médicas e de que o doente não deve ser culpabilizado pela falha    na aderência. No fundo, aderência expande a definição de <i>compliance </i>por    relevar a necessidade de concordância entre as duas partes, e não a imposição    de uma sobre a outra<sup><a name="top15"></a><a href="#15">15</a></sup>.</p>      <p >A não aderência ao tratamento na asma está bem documentada. As taxas de aderência    variam de menos de 30% até 70 -80%, com menos de 50% das crianças a aderirem    aos esquemas de medicação inalatória prescritos<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16-20</a></sup>.</p>      <p >Estes dados estão de acordo com os obtidos em grandes estudos sobre o controlo    da asma. No estudo AIRE (<i>Asthma Insights and Reality in Europe</i>)<sup><a href="#4">4</a></sup>,    realizado em 1999, verificou-se que apenas 63% dos asmáticos tinham usado medicação    de alívio rápido e 23% ICS. O estudo AIR (<i>Asthma Insights and Reality</i>)<sup><a href="#5">5</a></sup>,    de 2004, mostrou que o uso de ICS era de 26% na Europa Ocidental. O estudo INSPIRE    (<i>International Asthma Patient Insight Research</i>)<sup><a href="#6">6</a></sup>,    de 2006, mostrou que 74% dos doentes usavam diariamente SABA, apesar da prescrição    de medicação de controlo.</p>      <p >Na literatura, frequentemente classifica-se a não aderência em não intencional    e intencional<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>. Para além    do interesse de classificação, esta divisão é também importante para definir    as estratégias para ultrapassar a não aderência (ver à frente).</p>      <p >A não aderência não intencional ocorre quando o doente, apesar da sua intenção de tomar a medicação como prescrita, é impedido de o fazer. Como exemplos temos:</p>      <p >– não compreensão do esquema prescrito;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >– barreiras linguísticas;</p>      <p >– uso incorrecto do inalador<sup><a href="#21">21</a></sup>.</p>      <p >A não aderência intencional ocorre quando o doente decide não tomar a medicação ou tomá-la de forma diferente das recomendações, isto é, o doente compreende a terapêutica, mas não a segue. Como exemplos deste tipo de não aderência temos:</p>      <p >– crenças do doente (medicação desnecessária, ineficaz, receio de efeitos adversos);</p>      <p >– custos da terapêutica;</p>      <p >– esquecimento;</p>      <p >– <i>stress </i>e estilo de vida ocupado;</p>      <p >– esquemas terapêuticos complexos;</p>      <p >– factores psicológicos (por exemplo, depressão)<sup><a href="#21">21</a></sup>.  </p>      <p >De seguida serão explorados de forma mais detalhada os factores e barreiras que levam a uma aderência inadequada ao tratamento da asma. Os factores associados a não aderência serão agrupados em inerentes ao doen te e inerentes à terapêutica devido às especificidades de cada um destes grupos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Factores associados a não aderência inerentes ao doente </b></p>      <p ><b>&nbsp;</b></p>      <p ><b>Género</b></p>      <p >Há evidência na literatura a sugerir que o sexo feminino está associado a    menor aderência ao tratamento. Por exemplo, Williams <i>et al.</i><sup><a name="top22"></a><a href="#22">22</a></sup>,<sup><a name="top23"></a><a href="#23">23</a></sup>,    em dois estudos de 2007, mostraram que o sexo feminino é factor de risco para    não aderência ao tratamento da asma. Mas esta associação não é unânime. Por    exemplo, Naleway <i>et al.</i><sup><a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>,    num estudo de 2006, não encontraram diferenças de género na aderência.</p>      <p >Num estudo realizado com idosos verificou-se que o género não parece influenciar    a aderência depois dos 60 anos<sup><a name="top25"></a><a href="#25">25</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Raça</b></p>      <p >Os doentes de raça negra têm menor aderência à terapêutica da asma, e isto    mantém-se verdadeiro, mesmo após controlo para nível socioeconómico e outros    factores<sup><a href="#22">22</a></sup>,<sup><a href="#23">23</a></sup>,<sup><a name="top26"></a><a href="#26">26</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Nível socioeconómico</b></p>      <p >Não há unanimidade sobre a relação entre o nível socioeconómico e a aderência ao tratamento na asma.</p>      <p >Vários estudos mostram que baixo nível sócio económico está associado a não    aderência médica na asma<sup><a href="#22">22</a></sup>,<a name="top20"></a><sup><a href="#20">20</a></sup>,<sup><a name="top27"></a><a href="#27">27</a></sup>.</p>      <p >No contexto social, é de referir que uma família numerosa e um ambiente doméstico    caótico têm um impacto negativo na aderência à terapêutica<sup><a name="top28"></a><a href="#28">28</a></sup>.    Segundo Wamboldt <i>et al.</i><sup><a name="top29"></a><a href="#29">29</a></sup>,    níveis elevados de organização e coesão familiar aumentam a adesão da criança    à terapia, enquanto conflitos familiares e desaprovação estão associados a aderência    problemática.</p>      <p >Szilagyi <i>et al.</i><sup><a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup>    afirmaram, contudo, que em geral o estatuto socioeconómico não prediz claramente    as taxas de aderência. A aderência está apenas positivamente correlacionada    com o rendimento quando o doente paga pelo tratamento, e pode ser aumentada    oferecendo cuidados adequados grátis aos doen tes com baixo rendimento familiar.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Idade</b></p>      <p >Em crianças, vários estudos mostraram que com o aumento da idade há uma diminuição    da aderência. McQuaid <i>et al.</i><sup><a name="top31"></a><a href="#31">31</a></sup>    verificaram que a idade tinha uma associação negativa com aderência, numa amostra    de crianças com idades entre 8 e 17 anos. Labrecque <i>et al.</i><sup><a name="top32"></a><a href="#32">32</a></sup>    encontraram um uso apropriado mais alto da terapêutica entre as crianças mais    novas. Jónasson <i>et al.</i><sup><a name="top33"></a><a href="#33">33</a></sup>    verificaram que no grupo de crianças mais velhas havia menor aderência do que    no grupo de mais novas.</p>      <p >Em adultos, Horne e Weinman<sup><a name="top34"></a><a href="#34">34</a></sup>    constataram que o aumento da idade tinha uma associação positiva com aderência.    Contudo, num estudo com doentes idosos mostrou-se que indivíduos com mais de    60 anos têm menor aderência à medicação para a asma<sup><a href="#25">25</a></sup>.</p>      <p >Os factores supracitados são apenas correlações e não implicam necessariamente    uma relação causal. Mas ter presentes estas correlações pode ajudar o clínico    a identificar a não aderência como causa potencial de terapêutica ineficaz em    alguns doentes<sup><a href="#26">26</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Factores psicológicos </b></p>      <p >Depressão, sintomas depressivos e ansiedadepodem aumentar a não aderência    e, consequentemente, aumentar os sintomas e piorar a qualidade de vida<sup><a name="top36"></a><a href="#36">36-40</a></sup>.</p>      <p >Segundo Smith <i>et al.</i><sup><a name="top37"></a><a href="#37">37</a></sup>,    doentes com sintomas depressivos tinham um risco cinco vezes maior de usar menos    de metade da medicação prescrita para a asma. Como razões possíveis para a fraca    aderência nesta população, apontaram: apatia, pessimismo, défice de atenção    e sensibilidade aumentada a efeitos laterais<sup><a href="#37">37</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Medos relacionados com a medicação</b></p>      <p >Quando se fizeram entrevistas de resposta aberta em asmáticos, verificou-se    que o medo dos efeitos laterais da medicação era uma razão importante para a    não aderência ao tratamento da asma<sup><a name="top41"></a><a href="#41">41</a></sup>.    Outras razões apontadas para não aderência foram: medo de dependência, medo    de perder a identidade, medo de serem rotulados como tendo uma doença crónica,    falta de confiança no médico prescritor e nas empresas farmacêuticas<sup><a href="#41">41</a></sup>.</p>      <p >Apesar de os ICS serem geralmente seguros quando usados nas doses recomendadas,    a verdade é que a preocupação dos doentes com os efeitos laterais destes fármacos    tem sido consistentemente associada a fraca aderência<sup><a href="#34">34</a></sup>,<a name="top42"></a><sup><a href="#42">42</a></sup>,<sup><a name="top43"></a><a href="#43">43</a></sup>.</p>      <p >Chambers <i>et al.</i><sup><a name="top44"></a><a href="#44">44</a></sup>    constataram que os doentes referiam como motivos para a não aderência a crença    de que os ICS eram desnecessários quando assintomáticos e a preocupação com    possíveis efeitos laterais. Horne e Weinman<sup><a name="top45"></a><a href="#45">45</a></sup>    mostraram, relativamente às taxas de aderência, que havia uma variação considerável    nas crenças dos doentes sobre a necessidade de ICS, e cerca de um terço tinha    preocupações importantes sobre os efeitos laterais dos ICS (não necessariamente    relacionadas com experiência real, mas antes com crenças sobre a relação entre    o uso regular e dependência ou outros efeitos laterais). Nesse mesmo estudo    mostrou-se também que os doentes com maiores dúvidas sobre a necessidade de    ICS, junto com a maioria das preocupações, tinham taxas mais altas de não aderência;    o contrário também era verdade<sup><a name="top45"></a><a href="#45">45</a></sup>.</p>      <p >Apesar desta evidência, Riekert <i>et al.</i><sup><a name="top46"></a><a href="#46">46</a></sup>    demonstram que os médicos tendem a subestimar os medos dos doentes relativamente    aos efeitos laterais e altas doses diárias. Face a estes dados, os clínicos    precisam de contrapor as dúvidas dos doentes sobre a necessidade do tratamento    e preocupações relacionadas com o mesmo<sup><a href="#15">15</a></sup>, de forma    a tentar melhorar a aderência ao tratamento (ver à frente).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >É de referir um estudo de 2007<sup><a href="#7">7</a></sup> que demonstrou    uma associação positiva entre o uso de ICS e aderência ao tratamento (indivíduos    usando ICS tinham probabilidade significativamente maior de manterem a aderência).    Isto mostra que os medos sobre os efeitos laterais dos ICS podem ser ultrapassados,    provavelmente pela percepção dos benefícios de tomar os medicamentos e pela    informação apropriada<sup><a href="#7">7</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Incompreensão dos objectivos do tratamento</b></p>      <p >Há dados a sugerir que alguns doentes simplesmente não acreditam que as medicações    de controlo na asma sejam úteis<sup><a href="#41">41</a></sup>. Isto pode ser    compreendido tendo em vista que as medicações de controlo não proporcionam alívio    imediato dos sintomas<a name="top35"></a><sup><a href="#35">35</a></sup>.</p>      <p >Esta falta de compreensão sobre a necessidade de tratamento a longo prazo    leva a aderência diminuída<sup><a name="top47"></a><a href="#47">47</a></sup>.    Por exemplo, Farber <i>et al.</i><sup><a name="top48"></a><a href="#48">48</a></sup>    verificaram que 23% dos pais não compreenderam o papel dos ICS, acreditando    que era para o tratamento dos sintomas após estes terem ocorrido, e não para    a sua prevenção – isto está associado a diminuição da aderência ao seu uso diário.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Gravidade da doença</b></p>      <p >Como ficou demonstrado em vários estudos, a percepção da gravidade da asma    pelo doente difere em muito da gravidade dos sintomas avaliada por critérios    objectivos. Por exemplo, no estudo AIRE<sup><a href="#4">4</a></sup>, 50% dos    doentes que referiam sintomas graves persistentes consideravam a sua asma completamente    ou bem controlada. Os estudos AIR<sup><a href="#5">5</a></sup> e INSPIRE<sup><a href="#6">6</a></sup>    apresentaram resultados sobreponíveis. Num outro estudo<sup><a name="top49"></a><a href="#49">49</a></sup>,    58% dos doentes, antes de lhes serem mostrados os objectivos das <i>guidelines    </i>GINA no tratamento da asma, referiam estar satisfeitos com o nível de tratamento    da asma; isto caiu para 33% após verem os objectivos do tratamento.</p>      <p >Segundo Williams <i>et al.</i>, doença menos grave está associada a maior    não aderência à terapêutica prescrita<sup><a href="#22">22</a></sup>, logo esta    discrepância entre a percepção e a gravidade da asma coloca uma barreira significativa    à aderência<sup><a href="#36">36</a></sup>; já que os doentes que se sentem    bem com a sua asma, preferem tomar a medicação com base nas necessidades, em    vez da medicação de controlo para prevenir os sintomas.</p>      <p >O subestimar da gravidade da doença conduz à falta de confiança na medicação    prescrita e, consequentemente, à redução da aderência<sup><a name="top50"></a><a href="#50">50</a><a href="#50"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Factores associados a não aderência inerentes à terapêutica</b></p>      <p ><b>&nbsp;</b></p>      <p ><b>Complexidade dos esquemas terapêuticos</b></p>      <p >A complexidade dos esquemas terapêuticos constitui uma barreira significativa    à aderência às medicações no tratamento da asma<sup><a href="#36">36</a></sup>.</p>      <p >A complexidade dos esquemas terapêuticos na asma depende de: 1) frequência    de administração; 2) número de fármacos prescritos; e 3) número de dispositivos    inaladores<a name="top51"></a><sup><a href="#51">51</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b><i>Frequência de administração</i></b></p>      <p >A aderência à terapêutica foi relacionada com a frequência com que os fármacos    têm que ser tomados, sendo maior a aderência para menor número de tomas diárias.    Coutts <i>et al.</i><sup><a name="top52"></a><a href="#52">52</a></sup> demonstraram,    com ICS, um aumento da taxa de aderência de 59 para 96,3% através da redução    do número de administrações diárias de 3 para 1 vez por dia.</p>      <p >Mann <i>et al.</i><sup><a name="top53"></a><a href="#53">53</a></sup> mostraram    que com 4x/dia a aderência era menor do que com 2×/dia Purucker <i>et al.</i><sup><a name="top54"></a><a href="#54">54</a></sup>,    contudo, referem não existir vantagem em termos de aderência entre ICS administrados    1×/dia e 2×/dia, havendo uma grande desvantagem com a monoterapia diária, pelo    que os autores desaconselharam o uso desta. Outro estudo corrobora esta ideia,    afirmando que, apesar de a aderência ser menor para esquemas mais complexos,    a não aderência significativa mantém-se mesmo quando a frequência de administração    é diminuída<sup><a name="top55"></a><a href="#55">55</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >É de referir que, apesar de a terapêutica administrada 1×/dia promover a aderência,    o controlo da asma a longo termo geralmente é pior do que para os doentes com    2×/dia<sup><a name="top56"></a><a href="#56">56</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b><i>Tipo de fármacos</i></b></p>      <p >A aderência aos ICS é geralmente pior do que aos broncodilatadores (agonistas    â2 adrenérgicos), como ficou bem patente nos estudos AIRE, AIR e INSPIRE<sup><a href="#4">4</a></sup>,<sup><a href="#5">5</a></sup>,<sup><a href="#6">6</a></sup>.</p>      <p >Isto foi atribuído à ausência de alívio imediato ou de efeito perceptível    com os ICS, em comparação com SABA<sup><a name="top57"></a><a href="#57">57</a></sup>.    O estudo INSPIRE<sup><a href="#6">6</a></sup> mostrou mesmo que, apesar de a    maioria dos doentes reconhecer os sinais precoces de exacerbação, a resposta    mais comum aos sinais era aumentar o uso de agonista â2 de curta duração de    acção (apesar da terapêutica de controlo prescrita), com os ICS a serem usados    num nível muito menor e apenas quando os sintomas eram graves.</p>      <p >Milgrom <i>et al.</i><sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup> verificaram    que a medicação era tomada na altura certa como prescrito mais vezes com agonistas    â2 adrenérgicos que com ICS. Bender <i>et al.</i><sup><a name="top58"></a><a href="#58">58</a></sup>    também encontraram maior aderência com agonistas â2 adrenérgicos do que com    ICS. Deve-se notar que nestes estudos os agonistas â2 adrenérgicos eram provavelmente    SABA, embora os fármacos não tenham sido identificadas – não está claro se seriam    encontrados resultados similares se a aderência com ICS fosse comparada com    LABA (agonistas dos receptores â2 adrenérgicos de longa duração de acção).</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b><i>Número de dispositivos inaladores</i></b></p>      <p >A evidência sugere que a preferência por um inalador específico conduz a melhoria    da aderência à terapêutica<sup><a name="top59"></a><a href="#59">59</a></sup>,<sup><a name="top60"></a><a href="#60">60</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Dificuldades com as vias de administração</b></p>      <p >A via de administração preferencial na grande maioria dos doentes asmáticos    assintomáticos é a inalatória devido a: eficácia, baixo risco de efeitos laterais    e actividade local da medicação<sup><a href="#1">1</a></sup>. Contudo, os doentes    preferem a administração por via oral à via inalatória na asma<sup><a name="top61"></a><a href="#61">61-65</a></sup>.</p>      <p >Kelloway <i>et al.</i><sup><a href="#61">61</a></sup> mostraram uma melhor    aderência com administração por via oral (teofilina) do que com fármacos inalatórios    (ICS), com número semelhante de administrações diárias.</p>      <p >Outros estudos<sup><a name="top63"></a><a href="#63">63-65</a></sup>, comparando    aderência dos doentes à terapêutica oral <i>versus </i>inalatória, encontraram    resultados sobreponíveis.</p>      <p >Contudo, nestes estudos – ao contrário do estudo de Kelloway <i>et al.</i><sup><a href="#61">61</a></sup>    – havia algum confundimento dos resultados entre a via de administração e a    frequência de administração, já que as drogas inalatórias tinham uma maior frequência    de administração (o que como já vimos está associado a menor taxa de aderência).</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Dificuldade em usar medicamentos por via inalatória</b></p>      <p >Os doentes têm problemas em aderir à terapêutica de controlo com dispositivos    inalatórios<sup><a href="#35">35</a></sup>.</p>      <p >O treino inadequado da técnica inalatória leva à diminuição da aderência<sup><a href="#47">47</a></sup>    – se os doentes não dominarem a técnica inalatória, isto é, se a técnica não    for realizada correctamente, a medicação não vai ser eficaz, e isto leva a baixa    aderência<sup><a name="top66"></a><a href="#66">66</a></sup>,<sup><a name="top67"></a><a href="#67">67</a></sup>.    A incapacidade de coordenar a inalação e accionamento do <i>metered dose inhaler    </i>(MDI) e a incapacidade de inspirar com força suficiente o <i>dry powder    inhaler </i>(DPI) são exemplos de dificuldades associadas aos inaladores<a name="top68"></a><sup><a href="#68">68</a></sup>.</p>      <p >Apesar de o <i> </i>parecer simples com o uso de MDI, muitos doentes não têm    a coordenação necessária entre accionar e começar uma inspiração lenta<sup><a href="#67">67</a></sup>.    Os DPI podem remover a necessidade de coordenação mão-respiração necessária    para os MDI, pois são accionados pela respiração.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Há estudos a mostrar que o uso de DPI está associado a melhoria da aderência    em comparação com o MDI-padrão<sup><a name="top69"></a><a href="#69">69</a></sup>,    contudo um estudo realizado por Melani <i>et al.</i><sup><a name="top70"></a><a href="#70">70</a></sup>    encontrou percentagens similares de uso reduzido pelos doentes de MDI em comparação    com DPI.</p>      <p >O uso de espaçadores para os MDI convencionais optimiza a entrega do fármaco    e diminui a complexidade da inalação da medicação<sup><a name="top71"></a><a href="#71">71</a></sup>.</p>      <p >O uso destes dispositivos melhora a aderência em adultos, mas não em crianças<sup><a name="top72"></a><a href="#72">72</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Necessidade de automonitorização</b></p>      <p >A automonitorização é um componente necessário à terapia da asma, sendo recomendado    o uso de PEF em casa para monitorizar o tratamento da asma<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >Ohm <i>et al.</i><sup><a name="top73"></a><a href="#73">73</a></sup> mostraram    que doentes com variações superiores a 20% nas suas medições de <i>peak flow    </i>tinham maior probabilidade de aderirem à terapêutica. Uma razão possível    para isso é que os doentes com maior variabilidade na função respiratória lembrar-se-iam    disto quando anotassem valores anormais no diário. Uma outra razão é que maior    variabilidade é um marcador de doença mais grave, a qual está associada a aderência    aumentada (ver antes).</p>      <p >Alguns doentes não têm simplesmente capacidade de monitorizar os sintomas,    tomar a medicação de alívio sintomático e ajustar as doses de medicação de controlo    quando necessário<sup><a href="#36">36</a></sup>. Isto conduz a não aderência    não intencional.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Estratégias para aumentar a aderência</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >De seguida serão apresentadas estratégias que se podem implementar para tentar aumentar a aderência ao tratamento e as que oferecem melhores resultados e melhor razão custo-benefício.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Comunicação</b></p>      <p >Uma boa comunicação com o doente parece ser essencial para melhorar a aderência    à terapêutica da asma<sup><a href="#35">35</a></sup>. Com uma boa comunicação,    os profissionais de saúde podem ser capazes de identificar melhor os problemas    com a aderência, identificar razões para a não aderência, e procurar soluções    apropriadas.</p>      <p >Lewis e Fink<sup><a name="top75"></a><a href="#75">75</a></sup> defendem que    os profissionais de saúde devem ser capazes de ajudar o doente a compreender    a doença e a incentivar o <i>self-management</i>. Devem endereçar e tentar corrigir    as crenças dos doentes que podem diminuir a aderência, como as dúvidas sobre    a necessidade de medicação e preocupação sobre os efeitos adversos e dependência<sup><a href="#75">75</a></sup>.    Os médicos devem questionar activamente os doentes sobre as crenças da doença    e tratamento, pois apesar das crenças governarem atitudes em relação à terapia,    estas crenças não são fundamentadas e podem ser alteradas através da educação    e negociação, conduzindo a uma melhor compreensão da asma, que pode promover    comportamentos mais adequados e eficazes<sup><a href="#45">45</a></sup>.</p>      <p >Os doentes com pensamentos positivos sobre a sua medicação aderem mais provavelmente    à terapêutica da asma<sup><a href="#7">7</a></sup>. Isto sugere que proporcionar    ao doente boa informação sobre os riscos e benefícios das medicações de controlo,    como ICS, pode conduzir a aderência melhorada à terapêutica.</p>      <p >Existe uma correlação significativa entre a crença dos doentes que têm uma    doença grave e melhor aderência aos ICS<sup><a name="top74"></a><a href="#74">74</a></sup>.    Desta forma, Ulrik <i>et al.</i><sup><a href="#74">74</a></sup> postularam que    o facto de os clínicos comunicarem a opinião da gravidade da doença aos seus    doentes é uma forma eficaz que pode aumentar a aderência.</p>      <p >A incompreensão de como tomar a medicação de controlo constitui uma barreira    à aderência<sup><a href="#41">41</a></sup>.</p>      <p >Por isso, uma forma particular de melhorar a comunicação é incorporar um plano de acção para a asma (um conjunto de instruções específico e detalhado que é dado aos doentes após revisão meticulosa) que dá instruções sobre automonitorização, administração de medicação de controlo e quando usar medicação de alívio sintomático.</p>      <p >Van der Palen <i>et al.</i><sup><a name="top76"></a><a href="#76">76</a></sup>    constataram que a aderência à terapêutica melhorou após sessões de educação    e <i>guidelines </i>escritas sobre como ajustar o plano terapêutico. Mas, fornecer    informação clara, apesar de essencial, não é suficiente para garantir a aderência<sup><a name="top77"></a><a href="#77">77</a></sup>.    Brown<sup><a name="top78"></a><a href="#78">78</a></sup> sugere que alterar    o comportamento de doentes e médicos ao longo do tempo, em particular motivando    aqueles a envolverem -se activamente no tratamento da sua asma, pode ser a chave    para uma aderência óptima.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Educação para a asma</b></p>      <p >A carga da não aderência não intencional pode ser revertida com melhor educação    dos doentes, mas continua a ser problemático pôr em prática esta medida<sup><a name="top79"></a><a href="#79">79</a></sup>.</p>      <p >Segundo Janson <i>et al.</i><sup><a name="top80"></a><a href="#80">80</a></sup>,    um simples programade educação para a asma pode melhorar significativamente    a aderência ao tratamento, e isto correlacionou-se com melhores resultados clínicos.    Gallefoss e Bakke<sup><a name="top81"></a><a href="#81">81</a></sup> também    mostraram que a aderência a ICS era maior entre os doentes que participaram    em sessões de educação.</p>      <p >Côté <i>et al.</i><sup><a name="top82"></a><a href="#82">82</a></sup> defendem que, apesar dos programas de educação aumentarem a aderência ao tratamento a curto prazo, não resultaram em alteração no que diz respeito à morbilidade.</p>      <p >Contudo, este estudo não nega os benefícios dos programas de educação em alguns grupos. De igual forma, Bernard–Bonnin <i>et al.</i><sup><a name="top83"></a><a href="#83">83</a></sup> mostram que os programas de educação para a asma geralmente não resultam em alterações significativas da morbilidade.</p>      <p >A educação do doente permanece um componente importante do tratamento abrangente    da asma, mas provavelmente só provoca alterações no grupo daqueles para o qual    a falta de informação é a razão primária da não aderência<sup><a href="#83">83</a></sup>.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Alertas audiovisuais</b></p>      <p >Uma das razões da não aderência é o esquecimentopor parte do doente.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Charles <i>et al.</i><sup><a name="top84"></a><a href="#84">84</a></sup> mostraram que um alarme sonoro e visual colocado no MDI melhorava significativamente a aderência à terapêutica com ICS. Contudo, não existem actualmente inaladores com alarme sonoro ou visual disponíveis no mercado.</p>      <p >Como alternativa, pode-se considerar associar o uso do inalador com a medicação    de controlo a outra actividade que seja feita aproximadamente com a mesma frequência    (p.e., usar o ICS logo após escovar os dentes de manhã e à noite; isto tem ainda    a vantagem de estimular a aderência à recomendação de lavar os dentes logo após    usar ICS).</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Agendar proactivamente as consultas médicas</b></p>      <p >Doentes que visitam regularmente o médico têm maior probabilidade de aderirem    à medicação da asma<sup><a href="#7">7</a></sup>. Isto pode dever-se a constante    encorajamento ou reforço. As recomendações actuais preconizam um seguimento    trimestral<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >Um estudo<sup><a name="top85"></a><a href="#85">85</a></sup> comparou três    grupos de doentes que recorreram ao serviço de urgência por crise de asma: doentes    com cuidados habituais; doentes com medicações e transporte grátis; doentes    com seguimento médico programado. O único grupo que mostrou melhoria da aderência    ao tratamento foi aquele com visitas médicas regulares.</p>      <p >Esta evidência é suportada por outro estudo, já referido, que aponta como    únicos preditores de aumento da aderência ao tratamento: consultas regulares;    e pensamentos positivos sobre a medicação<sup><a href="#7">7</a></sup>.</p>      <p >O facto de ter um seguimento regular também facilita a comunicação, melhora a educação do doente, ou seja, ajuda a modificar muitos dos factores de risco para a não aderência.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Terapêutica combinada</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Simplificar a prescrição usando terapêutica que combina ICS e LABA no mesmo    dispositivo é superior em termos de aderência a usar estes agentes separadamente    – os doentes que usavam terapêutica combinada tinham uma taxa de aderência duas    vezes superior à dos que usavam os fármacos separadamente ao fim de um ano<sup><a name="top86"></a><a href="#86">86</a></sup>.</p>      <p >Stoloff <i>et al.<a name="top87"></a></i><sup><a href="#87">87</a></sup> corroboraram    que a combinação de dois fármacos numa única formulação para inalação leva a    uma duplicação da taxa de aderência. O mesmo foi encontrado por O’Connor <i>et    al.</i><sup><a name="top88"></a><a href="#88">88</a></sup>.</p>      <p >Usar dispositivos que combinem classes diferentes de fármacos facilita a toma de todas as medicações prescritas, aumentando deste modo especialmente a aderência aos ICS, que geralmente é inferior aos agonistas â2 adrenérgicos (ver antes).</p>      <p >Num estudo de Bosley <i>et al.</i><sup><a name="top89"></a><a href="#89">89</a></sup>    não se verificou uma maior aderência nos doentes usando formulações de combinação,    mas estes resultados podem dever-se a terem usado SABA, que requerem uso mais    frequente por dia do que agentes de longa duração – e, como já se mostrou, com    maior frequência de administração é menor a aderência.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Conclusão</b></p>      <p >Vários estudos mostraram uma elevada frequência de não aderência à terapêutica    da asma, o que resulta em mau controlo da doença, e, consequentemente, em aumentos    da morbilidade e mortalidade.</p>      <p >São várias as causas que permitem explicar essa aderência reduzida ao tratamento, como: não compreensão pelo doente da necessidade da medicação, medos relativamente aos efeitos laterais, questões psicológicas, não percepção da gravidade da doença, dificuldades com a adaptação aos esquemas terapêuticos complexos e aos dispositivos inaladores.</p>      <p >A demonstração destes factores como causa de não aderência releva a necessidade de estabelecer uma boa comunicação com o doente, informando-o sobre a gravidade da sua doença, a importância da medicação e a importância da monitorização e seguimento. Para além de melhorarem a comunicação, os clínicos devem ainda esforçar-se por simplificarem a prescrição e por incentivarem os doentes a serem seguidos regularmente, marcando nova consulta a cada visita.</p>      <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Agradecimentos</b></p>      <p >O autor agradece ao Prof. Dr. José Agostinho Marques Lopes, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, pela orientação do trabalho.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Bibliografia</b></p>      <p ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Global Strategy for Asthma Management    and Prevention (GINA); updated 2008. <a href="http://www.ginasthma.org" target="_blank">www.ginasthma.org</a>    (acedido em Fevereiro 2009).</p>      <p ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. The International Study of Asthma and    Allergies in Childhood (ISAAC Steering Committee). Worldwide variations in the    prevalence of asthma symptoms: the International Study of Asthma and Allergies    in Childhood (ISAAC). Eur Respir J 1998; 12:315-335.</p>      <p ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. European Community Respiratory Health    Survey. Variations in the prevalence of respiratory symptoms, self-reported    asthma attacks, and use of asthma medication in the European Community Respiratory    Health Survey (ECRHS). Eur Respir J 1996; 9:687-695.</p>      <p ><a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Rabe KF, Vermeire PA, Soriano JB, Maier    WC. Clinical management of asthma in 1999: the Asthma Insights and Reality in    Europe (AIRE) study. Eur Respir J 2000; 16:802-807.</p>      <p ><a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. Rabe KF, Adachi M, Lai CKW, Soriano    JB, Vermeire PA, Weiss KB, Weiss ST Worldwide severity and control of asthma    in children and adults: the global asthma insights and reality surveys. J Aller    Clin Immunol 2004; 114:40-47.</p>      <p ><a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Partridge MR, van der Molen T, Myrseth    SE, Busse WW. Attitudes and actions of asthma patients on regular maintenance    therapy: the INSPIRE study. BMC Pulm Med 2006; 13:6-13.</p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p >e-mail: <a href="mailto:and_go_@hotmail.com">and_go_@hotmail.com</a></p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication</i>: 09.06.08  </p>     <p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication</i>: 09.07.17</p>      <p >&nbsp;</p>         ]]></body><back>
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