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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Técnicas de dilatação broncoscópica e aplicação tópica de mitomicina C no tratamento da estenose traqueal pós-entubação - A propósito de dois casos clínicos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Bronchoscopic dilation techniques and topical application of mitomycin-C in the treatment of tracheal stenosis post intubation - two case reports]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia  ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-21592010000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-21592010000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-21592010000100009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A estenose traqueal surge na sequência de agressões à mucosa traqueal (isquémicas, traumáticas ou outras). O tratamento das estenoses traqueais continua a representar um desafio em termos de técnicas endoscópicas e cirurgia, apesar de todos os recentes avanços nesta área. O processo de cicatrização e a reestenose são as principais causas de falência terapêutica. Os autores apresentam dois casos clínicos de doentes com estenose traqueal como consequência de entubação orotraqueal prolongada/traqueostomia, em que o tratamento foi bem sucedido com dilatação com broncoscopia rígida e laser, complementada por aplicação tópica de mitomicina C.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Tracheal stenosis follows any injury to the airway mucosa, such as ischaemic, traumatic and other injuries. The treatment of tracheal stenosis remains a challenging problem despite all the advances in endoscopic and surgical techniques. Scar formation and reestenosis are the main causes of treatment failure. The authors present two cases of successful treatment of a tracheal stenosis after tracheal injury from pro-longed oro-tracheal intubation / tracheostomy following dilatation with rigid broncoscope and laser therapy, associated with topical application of mitomycin C as an adjuvant treatment.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mitomicina C]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[estenoses traqueais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[broncoscopia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Técnicas de dilatação broncoscópica e aplicação tópica de mitomicina C    no tratamento da estenose traqueal pós-entubação &#8211; A propósito de dois    casos clínicos</b></p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Susana Ferreira¹,</b><b> Carla Nogueira¹</b><b>, Ana Oliveira²</b><b>,    Sofia Neves²</b><b>, José Almeida³</b><b>, João Moura e Sá</b><b><sup>4</sup></b></p>     <p >&nbsp;</p>      <p ><sup>1</sup> Interna Complementar de Pneumologia/<i>Pulmonology</i><i> resident</i></p>       <p ><sup>2</sup> Assistente Hospitalar de Pneumologia/<i>Pulmonology</i><i> resident</i></p>       <p ><sup>3</sup> Assistente Hospitalar Graduado      de Pneumologia/<i>Specialist</i><i>, Pulmonology consultant</i></p>        <p ><sup>4</sup> Chefe de Serviço de Pneumologia/<i>Head</i><i>, Pulmonology unit</i></p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia / Espinho EPE &#8211; Porto </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Directora: Dr.&ordf; B&aacute;rbara Parente</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspond&ecirc;ncia</a></b></p>     <p >&nbsp;</p>     <p >&nbsp;</p>       <p ><b>Resumo</b></p>      <p >A estenose traqueal surge na sequência de agressões à mucosa traqueal (isquémicas, traumáticas ou outras). </p>      <p >O tratamento das estenoses traqueais continua a representar um desafio em termos de técnicas endoscópicas e cirurgia, apesar de todos os recentes avanços nesta área. O processo de cicatrização e a reestenose são as principais causas de falência terapêutica.</p>      <p >Os autores apresentam dois casos clínicos de doentes com estenose traqueal como consequência de entubação orotraqueal prolongada/traqueostomia, em que o tratamento foi bem sucedido com dilatação com broncoscopia rígida e <i>laser, </i>complementada por aplicação tópica de mitomicina C.</p>         <p ><b>Palavras-chave: </b>Mitomicina C, estenoses traqueais, broncoscopia, terapêutica    com <i>laser.</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>     <p ><b>Bronchoscopic dilation techniques and topical application of mitomycin-C    in the treatment of tracheal stenosis post intubation &#8211; two case reports</b></p>     <p ><b>Abstract</b></p>     <p >Tracheal stenosis follows any injury to the airway mucosa, such as ischaemic,    traumatic and other injuries. The treatment of tracheal stenosis remains a challenging    problem despite all the advances in endoscopic and surgical techniques. Scar    formation and reestenosis are the main causes of treatment failure. The authors    present two cases of successful treatment of a tracheal stenosis after tracheal    injury from pro-longed oro-tracheal intubation / tracheostomy following dilatation    with rigid broncoscope and laser therapy, associated with topical application    of mitomycin C as an adjuvant treatment.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Mitomycin C, tracheal stenosis, bronchoscopy, laser therapy.</p>     <p >&nbsp;</p>       <p ></p>      <p ><b>Introdução</b></p>        <p >As causas benignas mais frequentes de estenose traqueal são as lesões da mucosa    traqueal condicionadas maioritariamente por entubação orotraqueal (EOT) prolongada    e traqueostomia<a name="top1"></a><sup><a href="#1">1-4</a></sup> ou outros    traumatismos e doenças inflamatórias crónicas<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>.  </p>      <p >As estenoses pós-entubação prolongada ocorrem em cerca de 1-4% de todos os    doentes ventilados nas unidades de cuidados intensivos<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.    Estas estenoses traqueais sem tratamento apresentam uma morbilidade e mortalidade    consideráveis, uma vez que pequenas alterações no diâmetro das vias aéreas principais    podem condicionar alterações significativas no fluxo aéreo, com um compromisso    importante da via aérea.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Esta patologia representa um desafio em termos terapêuticos, com necessidade de cirurgias de reconstrução, quando possível, ou tratamento endoscópico com dilatações sucessivas e outras terapêuticas complementares, com destaque para o <i>laser. </i>A formação de cicatrizes, tecido de granulação e reestenose são as principais causas de falência terapêutica.</p>      <p >A mitomicina C é um fármaco em crescente uso como adjuvante da broncoscopia rígida e <i>laser </i>no tratamento das estenoses traqueais pós-entubação.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Caso clínico 1</b></p>      <p >Doente de 55 anos, doméstica, com estenose traqueal grave, após EOT prolongada e traqueostomia durante um mês, na sequência de tiroidectomia total por carcinoma medular da tiróide em Junho de 2006.</p>      <p >Evoluiu com quadro de dificuldade respiratória progressiva, com estridor inspiratório marcado.</p>      <p >Referenciada para broncoscopia rígida de  intervenção, após a cirurgia torácica considerar não haver condições técnicas para correcção cirúrgica.</p>      <p >Na primeira broncoscopia rígida, realizada em Novembro de 2006, observada    estenose traqueal complexa aproximadamente a 1 cm das cordas vocais, envolvendo    a parede da traqueia e ocupando três anéis traqueais, com abundante tecido de    granulação. O lúmen da traqueia apresentava-se reduzido a cerca de 25% do seu    calibre normal (Fig. 1).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a09f1.jpg" width="269" height="209"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Fig. 1</b> &#8211; Broncoscopia r&iacute;gida (Novembro 2006) &#8211; estenose    traqueal, com marcada redu&ccedil;&atilde;o do l&uacute;men a cerca de 25% do    total, envolvendo a parede da traqueia e ocupando tr&ecirc;s an&eacute;is traqueais,    com abundante tecido de granula&ccedil;&atilde;o</p>     <p >&nbsp;</p>      <p >Foi realizada dilatação mecânica com balão hidrostático e depois com os broncoscópios    rígidos de calibre 7,5 e 8,5 mm (Fig. 2). Após a dilatação, observa-se duplicação    do calibre da zona de estenose.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a09f2.jpg" width="269" height="210"></p>      
<p ><b>Fig. 2</b> &#8211; Broncoscopia r&iacute;gida (Novembro 2006) &#8211; Estenose    traqueal ap&oacute;s dilata&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica com bal&atilde;o    hidrost&aacute;tico e sucessivamente com o broncosc&oacute;pio r&iacute;gido    de 7,5 e 8,5 mm e laser na zona com maior tecido de granula&ccedil;&atilde;o.    Ap&oacute;s a dilata&ccedil;&atilde;o, estenose traqueal com cerca de 50% do    l&uacute;men</p>      <p >&nbsp;</p>    A doente manteve necessidade de realização de dilatações frequentes (mensais)  e terapêutica com <i>laser </i>Nd YAG nas zonas com mais tecido de granulação,  face à recorrência dos sintomas e reestenose. Nesta altura foi novamente proposta  para cirurgia torácica, mas, perante a exuberância do envolvimento da traqueia  e a proximidade das cordas vocais, não foi aceite, sendo decidido continuar com  terapêutica endoscópica.     <p >Em face das recidivas da estenose por extensa granulação, optou-se por efectuar    terapêutica tópica com mitomicina C em Junho de 2007 (Fig. 3). Esta terapêutica    foi aprovada pela comissão de ética da instituição. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a09f3.jpg" width="523" height="190"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Fig. 3</b> &#8211; Broncoscopia r&iacute;gida (Junho 2007): ap&oacute;s    dilata&ccedil;&atilde;o com broncosc&oacute;pio r&iacute;gido 8,5mm e laser,    franca melhoria do calibre traqueal (70% do normal). Aplica&ccedil;&atilde;o    de mitomicina C t&oacute;pica, com algod&atilde;o em estilete met&aacute;lico,    na zona de estenose traqueal e tecido de granula&ccedil;&atilde;o, seguida de    lavagem com algod&atilde;o embebido em sorofisiol&oacute;gico</p>     <p >&nbsp;</p>      <p >Foi utilizada solução tópica de mitomicina C na concentração de 0,4mg/ml. Efectuada aplicação tópica no local da estenose traqueal e tecido de granulação, com algodão envolvido em estilete metálico longo e embebido na solução de mitomicina C. A aplicação é feita com controlo visual de lupa terminal e durante 2 minutos.</p>      <p >Posteriormente, foram efectuadas lavagens com algodão humedecido em soro fisiológico    aplicado no mesmo estilete, para remover os possíveis restos do fármaco no local    da aplicação.</p>     <p >A doente teve redução franca do tecido de granulação e melhoria do grau de    estenose traqueal, ficando com lúmen da traqueia a cerca de 60% do normal e    com melhoria marcada dos sintomas de dificuldade respiratória, nomeadamente    do estridor. Constatado ainda um alargamento do tempo livre de sintomas, com    necessidade de nova broncoscopia em Novembro de 2007 (após 5 meses). Realizada    nova aplicação de mitomicina C nessa data, de acordo com o protocolo descrito.  </p>      <p >Desde essa altura, mantém-se em vigilância, realizando broncofibroscopias    de revisão semestrais, sem novo agravamento de sintomas e mantendo o lúmen da    traqueia com calibre de 60%, sem tecido de granulação (Fig. 4). Sem complicações    decorrentes da aplicação de mitomicina C durante todo o período de 18 meses    de vigilância.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a09f4.jpg" width="241" height="248"></p>     
<p ><b>Fig. 4</b> &#8211; Broncovideoscopia (Maio de 2008): franca melhoria da    estenose, l&uacute;men da traqueia com cerca de 60% do total, sem tecido de    granula&ccedil;&atilde;o. Franca melhoria dos sintomas, apenas com estridor    ligeiro com o esfor&ccedil;o</p>      <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Caso clínico 2</b></p>      <p >Doente de 81 anos, reformado de marceneiro, com estenose traqueal grave, após    entubação orotraqueal durante cerca de um mês, na sequência de hemicolectomia    por neoplasia do cólon em Agosto de 2006, complicada no pós-operatório por peritonite.</p>      <p >Após a alta hospitalar, no início de Outubro de 2006, evoluiu com um quadro de dificuldade respiratória progressiva, com estridor inspiratório, tendo sido reinternado através do serviço de urgência no final desse mês.</p>      <p >Na primeira broncoscopia rígida, realizada em Outubro de 2006, observada marcada    estenose traqueal, com lúmen da traqueia reduzido a 30% do normal, localizada    a 1 cm das cordas vocais, ocupando dois anéis traqueais e com abundante tecido    de granulação (Fig. 5). Foi realizada dilatação mecânica com broncoscópio rígido    de 6,5 mm e, posteriormente, de 7,5 e 8,5 mm. Efectuada terapêutica com <i>laser    </i>na zona de maior granulação.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a09f5.jpg" width="241" height="181"></p>     
<p ><b>Fig. 5</b> &#8211; Broncoscopia r&iacute;gida (Outubro 2006) &#8211; estenose    traqueal em anel fibroso, com abundante tecido de granula&ccedil;&atilde;o,    com redu&ccedil;&atilde;o do l&uacute;men a cerca de 30% do total, ocupando    dois an&eacute;is traqueais</p>     <p >&nbsp;</p>      <p >Após esta terapêutica, dilatação fácil com passagem sem dificuldade do broncoscópio rígido de 8,5 mm.</p>      <p >Após esta técnica, franca melhoria da dificuldade respiratória, já sem estridor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >No entanto, o doente evoluiu com recorrência dos sintomas e em broncoscopias    subsequentes foi constatada formação de abundante tecido de granulação e reestenose,    mantendo necessidade de novas dilatações. </p>      <p >Efectuada broncoscopia rígida para nova dilatação e terapêutica com mitomicina    C tópica em Março de 2008 (Fig. 6), de acordo com o protocolo já descrito.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a09f6.jpg" width="241" height="181"></p>     
<p ><b>Fig. 6</b> &#8211; Broncoscopia r&iacute;gida (Mar&ccedil;o 2008): ap&oacute;s    dilata&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica com broncosc&oacute;pio r&iacute;gido    8,5mm, aplica&ccedil;&atilde;o de mitomicina C, de acordo com a t&eacute;cnica    descrita, na zona de estenose traqueal e tecido de granula&ccedil;&atilde;o</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Desde essa data, mantém-se em vigilância, sem novo agravamento de sintomas    e mantendo o lúmen da traqueia com 70% do calibre normal, sem tecido de granulação    (Fig. 7).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a09f7.jpg" width="241" height="246"></p>     
<p ><b>Fig. 7</b> &#8211; Broncovideoscopia (Dezembro 2008): franca melhoria da    estenose traqueal com calibre de 70% do l&uacute;men normal da traqueia, sem    tecido de granula&ccedil;&atilde;o</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p >Sem complicações decorrentes da aplicação de mitomicina C decorridos 10 meses.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Discussão</b></p>      <p >O tratamento cirúrgico das estenoses traqueais graves após entubação traqueal continua a ser o tratamento de eleição.</p>      <p >Desde 1985, o tratamento broncoscópico das estenoses traqueais evoluiu de    forma considerável, sendo frequentemente utilizado, mesmo nas estenoses severas,    em substituição das cirurgias reconstrutivas, uma vez que apresenta menos complicações    e menor morbilidade<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup>. As técnicas    endoscópicas permitem ainda, se necessário, procedimentos repetidos com uma    maior tolerância do doente. Foram descritas várias técnicas endoscópicas, como    dilatação mecânica, microcauterização, crioterapia, <i>laser </i>CO2 e Nd-YAG    e colocação de próteses traqueais.</p>      <p >Estas técnicas apresentam algumas limitações e as taxas de sucesso referidas    na literatura rondam os 50%<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.    A necessidade de dilatações frequentes aumenta o risco de complicações e a colocação    de próteses traqueais no tratamento das estenoses também apresenta elevado número    de complicações.</p>      <p >Qualquer que seja a técnica utilizada, a causa mais frequente de falência terapêutica é a formação de tecido de granulação e reestenose.</p>      <p >Para prevenir este fenómeno, foram já testados vários agentes com capacidade    de modular o processo cicatricial e inibir a formação de cicatrizes <sup><a name="top10"></a><a href="#10">10-12</a></sup>.</p>      <p >Recentemente, a mitomicina C despertou atenção devido à sua potente acção    como inibidora da proliferação de fibroblastos e na modulação do processo cicatricial<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>,<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>.  </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A mitomicina C é um antibiótico isolado de <i>Streptomyces</i><i> caespitosus    </i>que apresenta propriedades antineoplásicas (agente alquilante) e antiproliferativas,    inibindo a proliferação dos fibroblastos, suprimindo a fibrose e a formação    de cicatrizes<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup>,<sup><a name="top15"></a><a href="#15">15</a></sup>.</p>      <p >Utilizada desde a década de 60 como agente de quimioterapia nos adenocarcinomas    gástricos, do pâncreas e da mama, entre outros<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup>.</p>      <p >A sua primeira utilização como agente antiproliferativo foi na área da oftalmologia,    no tratamento do <i>pterygium</i><sup><a name="top17"></a><a href="#17">17</a></sup>.</p>      <p >Existem vários estudos em animais que demonstraram os efeitos benéficos da    mitomicina C no tratamento das estenoses das vias aéreas<a name="top18"></a><sup><a href="#18">18-22</a></sup>.    A primeira utilização em humanos na prevenção de cicatriz traqueal após reconstrução    da traqueia foi descrita em 1998<sup><a name="top23"></a><a href="#23">23</a></sup>.    Actualmente já existe experiência com a utilização da mitomicina C no tratamento    das estenoses subglóticas, traqueais, brônquicas e esofágicas, entre outros<sup><a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>,<sup><a name="top25"></a><a href="#25">25</a></sup>.</p>      <p >Existem vários relatos de casos clínicos, alguns estudos retrospectivos e    outros prospectivos, mas poucos com grupos de controlo, a demonstrar os efeitos    benéficos da mitomicina C nas estenoses das vias aéreas <sup><a href="#9">9</a></sup>,<sup><a name="top26"></a><a href="#26">26-31</a></sup>.    As taxas de sucesso relatado variam entre 75 e 85% no tratamento das estenoses    traqueais recidivantes, sem relato de efeitos secundários significativos<sup><a href="#9">9</a></sup>,<sup><a name="top27"></a><a href="#27">27</a></sup>,<sup><a name="top28"></a><a href="#28">28</a></sup>,<sup><a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup>.</p>      <p >O mecanismo exacto através do qual a mitomicina C exerce a sua actividade    antiproliferativa não está bem esclarecido, mas foi demonstrado em estudos <i>in</i><i>    vivo </i>e <i>in</i><i> vitro</i><sup><a href="#14">14</a></sup>,<sup><a href="#15">15</a></sup>.</p>      <p >Não existem actualmente dados consensuais no que respeita às doses ideais,    duração ou frequência da aplicação. As doses utilizadas nas estenoses traqueais    são equivalentes às utilizadas em oftalmologia (estudos randomizados em humanos),    sendo muito inferiores às utilizadas em estudos animais (concentrações de 2-10    mg/ml). Relativamente à duração da aplicação, os estudos publicados variam entre    1 a 5 minutos.</p>      <p >Nos dois casos clínicos apresentados, a concentração utilizada (0,4mg/ml)    e a duração da aplicação (2 minutos) foram escolhidas pelos relatos prévios    na literatura<sup><a href="#9">9</a></sup>,<sup><a href="#13">13</a></sup>.    Esta dose foi eficaz e não foram observados até à data efeitos secundários no    seguimento dos doentes.</p>      <p >A maioria dos estudos não reportou efeitos secundários significativos com    a aplicação tópica de mitomicina C, à excepção de um estudo que reportou obstrução    da via aérea principal em 4 de 85 casos<sup><a name="top32"></a><a href="#32">32</a></sup>.    No entanto, este estudo apresenta algumas limitações. É um estudo retrospectivo,    em dois dos doentes com complicações foram utilizadas doses muito elevadas de    mitomicina C (10mg/ml) e um dos outros doentes apresentava insuficiência renal    terminal, que poderia ter limitado a eliminação do fármaco e foi entubado orotraquealmente    durante 2 horas após a aplicação da mitomicina C<sup><a href="#32">32</a></sup>.</p>      <p >É necessário, no entanto, ter em consideração os efeitos a longo prazo da utilização da mitomicina C, sendo necessários mais trabalhos que permitam compreender melhor o mecanismo de acção deste fármaco e a sua segurança a longo prazo.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Conclusão</b></p>      <p >O tratamento cirúrgico das estenoses traqueais pós-entubação continua a ser a técnica de eleição. Contudo, nos casos em que esta não é possível ou é tecnicamente difícil, o recurso às técnicas de dilatação broncoscópicas tem tido, nalguns casos, boa resposta.</p>      <p >No entanto, pode por vezes induzir maior reacção cicatricial, formação de    granulação e reestenose. A associação às técnicas de dilatação broncoscópica    de um agente modulador do processo cicatricial, como a mitomicina C, parece    ser eficaz e segura nos casos de estenoses traqueais de difícil resolução.</p>     <p >&nbsp;</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Bibliografia</b></p>      <p ><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Whited RE. A prospective study of laryngotracheal    sequelae in longterm intubation. Laryngoscope 1984; 94(3):367-377.</p>      <!-- ref --><p ><a href="#top1">2</a>. Epstein SK. Late complications of tracheostomy. Respir    Care 2005; 50:542-549.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0873-2159201000010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p ><a href="#top1">3</a>. Sue RD, Susanto I. Long -term complications of artificial    airways. Clin Chest Med 2003;24(3):457-471.</p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p ><b><a name="c1"></a><a href="#topc1">Correspond&ecirc;ncia</a></b>: </p>     <p >Susana Alves Ferreira </p>     <p >Rua Concei&ccedil;&atilde;o Fernandes &#8211; Vilar de Andorinho </p>     <p >4430-502 Vila Nova de Gaia, </p>     <p >Portugal </p>     <p >Telefone: 00351912767155 </p>     <p >e-mail: <a href="mailto:susalvesferreira@gmail.com">susalvesferreira@gmail.com</a></p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication</i>: 09.03.31  </p>     <p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication</i>: 09.06.08</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>         ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Epstein]]></surname>
<given-names><![CDATA[SK]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Late complications of tracheostomy]]></article-title>
<source><![CDATA[Respir Care]]></source>
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<page-range>542-549</page-range></nlm-citation>
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