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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Primary neuroendocrine tumours (carcinoid tumours) account for about 4% of anterior mediastinal tumours concerning thymus localization. They appear to have a male predilection (3:1 ratio) and occur mostly between 40 and 60 years of age. Classified primarily as thymomas, they have been considered a different group of thymic neoplasia since 1972. They can be biologically active, mostly associated with MEN-1 (19-25% of patients and more aggressive in these cases). As a locally invasive disease, with recurrence and metastasis in a high percentage of cases, it correlates with a poor prognosis. Staging is the most important determinant of survival. Encapsulated tumours diagnosed in early stages have an excellent prognosis, while locally invasive tumours in more advanced stages have a relatively poor prognosis as happens with thymomas. Complete surgical removal is the critical factor for long-term survival rates and the basis for treatment of all thymic tumours, independent of histologic type. As an important cause of death, especially in carcinoid tumours associated with MEN-1 and Cushing’s syndrome, some authors advocate the need for profilactic thymectomy in these patients.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[prognóstico]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Tumor carcinóide do timo &#8211; Caso clínico</b></p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Lina Carvalho</b><b><sup>1</sup>, </b><b>Luís Eugénio Fernandes</b><b><sup>2</sup>, </b><b>Filipe    Ferreira</b><b><sup>3</sup>, </b><b>Filipa Januário</b><b><sup>3</sup>, </b><b>Diogo Robles</b><b><sup>3</sup>,    </b><b>Inês Sanches</b><b><sup>3</sup>, </b><b>Edgar Vaz</b><b><sup>3</sup>, </b><b>Manuel Antunes</b><b><sup>2</sup></b></p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><sup>1</sup> Anatomia Patológica</p>     <p ><sup>2</sup> Cirurgia Cardiotorácica</p>     <p ><sup>3</sup> Alunos da disciplina de Oncologia &#8211; 6.º ano &#8211; Medicina &#8211; Faculdade de Medicina    da Universidade de Coimbra/<i>6</i><i>th </i><i>year Oncology medical students</i></p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspond&ecirc;ncia</a></b></p>     <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Resumo</b></p>      <p >Os tumores neuroendócrinos primários representam cerca de 4% do total dos    tumores do mediastino anterior, incluindo o timo, afectando mais homens que    mulheres numa razão de 3:1 e apresentando uma maior incidência entre os 40 e    os 60 anos. Antigamente classificados como timomas, desde 1972 são considerados    um grupo distinto de neoplasias tímicas, podendo ser biologicamente activos,    estando sobretudo associados à síndroma NEM-1 (19 a 25% dos doentes, sendo nestes    casos mais agressivos).</p>      <p >São descritos como tendo grande progressão local, recorrência e metástases    em elevada percentagem de casos, o que determina um mau prognóstico. O estadiamento    é o parâmetro mais importante para determinar a sobrevida. Tumores detectados    em fase precoce e capsulados associam-se a um excelente prognóstico, enquanto    em estádios avançados, localmente invasivos, têm prognóstico relativamente pobre.</p>      <p >A remoção cirúrgica completa, para todos os tumores tímicos, é a base da terapêutica    e o factor crítico para a sobrevivência a longo prazo, independentemente do    tipo histológico. São uma causa de morte importante, nomeadamente os tumores    associados a NEM-1 e síndroma de Cushing, e há autores que defendem a realização    de timectomia profiláctica nestes doentes.</p>      <p ><b>Palavras-chave: </b>Timo, carcinóide, prognóstico.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Thymic carcinoid &#8211; case report</b></p>     <p ><b>Abstract</b></p>     <p >Primary neuroendocrine tumours (carcinoid tumours) account for about 4% of    anterior mediastinal tumours concerning thymus localization. They appear to    have a male predilection (3:1 ratio) and occur mostly between 40 and 60 years    of age. Classified primarily as thymomas, they have been considered a different    group of thymic neoplasia since 1972. They can be biologically active, mostly    associated with MEN-1 (19-25% of patients and more aggressive in these cases).</p>     <p >As a locally invasive disease, with recurrence and metastasis in a high percentage    of cases, it correlates with a poor prognosis. Staging is the most important    determinant of survival. Encapsulated tumours diagnosed in early stages have    an excellent prognosis, while locally invasive tumours in more advanced stages    have a relatively poor prognosis as happens with thymomas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Complete surgical removal is the critical factor for long-term survival rates    and the basis for treatment of all thymic tumours, independent of histologic    type. As an important cause of death, especially in carcinoid tumours associated    with MEN-1 and Cushing&#8217;s syndrome, some authors advocate the need for profilactic    thymectomy in these patients.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Thymus, carcinoid, prognosis.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Introdução</b></p>      <p >O timo localiza-se no mediastino anterior, deriva da 3.ª bolsa faringobraqueal    e começa a sua formação a partir da 6.ª semana <i>in utero</i>.</p>      <p >Histologicamente é constituído por túbulos epiteliais que se organizam em    lóbulos tímicos, formando o córtex e a medula. O córtex é rico em linfócitos    T e tem poucas células epiteliais, ao contrário da medula, onde predominam células    epiteliais. Ao longo destas zonas ocorre a maturação dos linfócitos T à medida    que estes migram do córtex para a medula. Esta determinação embrio nária vai    permitir entender a histogénese dos timomas<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.</p>      <p >Em 1999, a Organização Mundial de Saúde (OMS) actualizou a classificação dos    tumores do timo. A classificação dos timomas baseia-se na avaliação histológica    da componente neoplásica epitelial e quantidade relativa do componente linfocítico    não neoplásico<sup><a name="top15"></a><a href="#15">15</a></sup> (Quadro I),    sendo a sua aplicação consensual. Foi mantida na edição de 2004<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2-4</a></sup>.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro I</b> &#8211; Classifica&ccedil;&atilde;o histol&oacute;gica dos timomas    (WHO 2004)</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a13aq1.jpg" width="428" height="207"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p >Os carcinomas neuroendócrinos estão incluídos no grupo de tumores designado    por carcinoma tímico e abrangem os tipos histológicos seguintes: carcinoma neuroendócrino    bem diferenciado (carcinóide típico e atípico) e carcinoma neuroendócrino pouco    diferenciado (carcinoma neuroendócrino de células grandes e carcinoma neuroendócrino    de células pequenas) semelhando a classificação deste grupo de tumores no brônquio    e pulmão<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5-8</a><a href="#5"></a></sup>.</p>      <p >Na edição de 2004 foram também acrescentados os tipos histológicos seguintes    ao grupo do tumores epiteliais do timo:</p>          <p >&#8211; Tumor tímico epitelial combinado: neoplasia que tem pelo menos duas áreas distintas, cada uma correspondendo ao timoma e/ou carcinoma tímico, incluindo o carcinoma neuroendócrino (a combinação mais frequente é o tipo B2 e o B3, seguido do tipo B3 combinado com o carcinoma tímico das células escamosas);</p>      <p >&#8211; Timoma micronodular: 1% a 5% dos timomas é encapsulado e raramente está associado à miastenia <i>gravis</i>. Poderá estar associado ao tipo A;</p>      <p >&#8211; Timoma metaplásico bifásico: designado anteriormente como &#8220;timoma com estroma pseudosarcomatoso&#8221; e &#8220;carcinoma metaplásico de baixo grau&#8221;;</p>      <p >&#8211; Carcinoma e adenocarcinoma;</p>      <p >&#8211; Carcinoma com t<sup><a href="#15">15</a></sup>,<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>.</p>      <p >Os tumores do timo são raros, mas são os tumores do mediastino anterior mais    frequentes nos adultos (representam cerca de 50% das massas com esta localização)    e a maioria dos doentes está entre os 40-60 anos de idade. A etiologia continua    desconhecida e actualmente nenhuma anomalia cromossómica foi associada ao tipo    histológico específico de timoma ou carcinoma tímico. A incidência é semelhante    em ambos os sexos, embora alguns estudos mostrem uma ligeira predominância do    sexo masculino, nomeadamente do carcinoma tímico<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9-11</a></sup>.</p>      <p >Os autores apresentam um caso de carcinóide tímico e abordam o comportamento clínico desta entidade com base na literatura disponível, estabelecendo uma comparação com os restantes tumores do timo.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>      <p ><b>Caso clínico</b></p>      <p >Doente do sexo masculino, com 37 anos, admitido nos Hospitais da Universidade de Coimbra em Julho de 2006 devido a desconforto retroesternal recente, sem história de tosse, expectoração, dispneia ou queixas constitucionais. Tinha antecedentes pessoais de amigdalectomia aos 9 anos, esteatose hepática e litíase renal esquerda (detectados por ecografia abdominal em 2006). Sem alergias conhecidas, o doente tinha cessado hábitos tabágicos (30 UMA) um ano antes e referia consumo moderado de álcool. Apresentava um bom estado geral, sem alterações ao exame físico.</p>      <p >Na recolha analítica observou-se hemoglobina de 20,4 g/dl (N=14-18 g/dl) e    VS de 37 mm/h (N&lt;15 mm/h). A radiografia torácica (Rx tórax) mostrou uma    massa de contorno regular e bem definido, com procidência no bordo esquerdo    do mediastino, a nível da janela aortopulmonar. A tomografia axial computorizada    torácica (TACt) revelou uma massa de tecidos moles no mediastino anterior, de    localização justaaórtica, bem delimitada e de contornos ligeiramente polilobulados,    com cerca de 4,7×3,7 cm, com plano de clivagem com as estruturas adjacentes,    sofrendo realce periférico após contraste intravenoso, não se detectando adenopatias    mediastino-hilares (Fig. 1). A broncofibroscopia, provas de função respiratória    e ECG não revelaram alterações.<b><a name="topf1"></a></b></p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a13af1.jpg" width="538" height="292"></p>     
<p ><b><a href="#f1">Fig. 1</a></b> &#8211; A: corte da TACt pr&eacute;-operat&oacute;ria;    B: caracteriza&ccedil;&atilde;o da localiza&ccedil;&atilde;o intrat&iacute;mica    da neoplasia pela CK 19 e negatividade das c&eacute;lulas neopl&aacute;sicas,    CK19 X 40; C: padr&otilde;es trabecular e s&oacute;lido, HE X 100; D: marca&ccedil;&atilde;o    granular da cromogranina citoplasm&aacute;tica (TTF-1 negativa), cromogranina    X 200; E: mitose vis&iacute;vel, HE X 200; F: &iacute;ndice proliferativo superior    a 10%, Ki 67 X 200</p>      <p >&nbsp;</p>     <p >Cerca de três semanas depois do episódio clínico, o doente foi submetido a    intervenção cirúrgica para excisão da massa mediastínica, por esternotomia mediana,    com dissecção da loca tímica, sem complicações intra ou pós-operatórias.</p>     <p >A peça operatória consistia numa formação nodular com 46 g de peso e 6,5×3,5×3,8 cm de dimensões, envolvida por uma fina cápsula brilhante e acinzentada, com áreas suspeitas de invasão. O padrão histológico correspondia a um tumor carcinóide com padrão sólido e trabecular, intratímico e sem invasão da cápsula do órgão, áreas extensas de necrose e índice mitótico superior a 10% (Ki 67).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Por imunoistoquímica, as células neoplásicas mostraram positividade citoplasmática    para cromogranina e queratina (Fig. 1). Três gânglios linfáticos mediastínicos    não apresentavam metástases, permitindo classificar este carcinoma neuroendócrino    bem diferenciado no estádio I da classificação de Masaoka (T1 N0 Mx).</p>      <p >No período pós-operatório foram realizados doseamentos hormonais: ACTH e PTH    normais; cortisol sérico de 26,0 &#956;g/dl (N= 5-25 &#956;g/dl) e cortisol    urinário de 139 &#956;g/24h em 3150cc (N = 10-80 &#956;g/24h).</p>      <p >O cintigrama com pentetreótido-In111 (receptores de somatostatina) não mostrou    lesões; no entanto, havia dois pequenos focos de valorização duvidosa no andar    médio do mediastino posterior, pelo que um mês após a cirurgia realizou radioterapia    adjuvante em 28 fracções de 180 cGy, numa dose total de 50,40Gy (fotões de 18    MV). Durante este tratamento surgiu eritema da pele irradiada e disfagia discreta    para sólidos. Após o término da radioterapia adjuvante, decidiu-se pela não    realização de quimioterapia. Aos 6 meses de pós-operatório, foi realizada uma    ressonância agnética nuclear torácica (RMNt), onde se observou no lobo superior    do pulmão esquerdo (segmento ápico-posterior) uma área de hipersinal ligeiro,    compatível com processo inflamatório em resolução ou processo fibrótico residual.</p>      <p >Actualmente, 2009, o doente é vigiado em consultas de oncologia médica e radioterapia, não apresentando alterações clínicas ou imagiológicas.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Discussão</b></p>      <p >Os tumores neuroendócrinos do timo são tumores pouco frequentes, representando    até 4% do total dos tumores do mediastino anterior e menos de 1,8% do conjunto    de tumores neuroendócrinos<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>.    Antigamente classificados como timomas, desde 1972 que são considerados um grupo    distinto de neoplasias tímicas<sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>.    São neoplasias que afectam mais o homem que a mulher, numa razão 3:1, com maior    incidência entre os 40 e os 60 anos. O caso clínico apresentado diz respeito    a um doente do sexo masculino de 37 anos, aproximando-se desta maneira do pico    de incidência<a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>,<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>.</p>      <p >A apresentação clínica mais frequente diz respeito a manifestações relacionadas    com efeito de massa local (tumores entre 6 -20cm de maior diâmetro), sendo os    sintomas mais comuns a dor ou desconforto torácico, tosse, dispneia ou síndroma    da veia cava superior. Podem estar associados a síndroma de neoplasias endócrinas    múltiplas tipo 1 (NEM-1) em aproximadamente 19-25% dos doentes<sup><a name="top17"></a><a href="#17">17</a></sup>,    tendo estes casos comportamento mais agressivo. Podem ser biologicamente activos    (33%), segregando um conjunto de hormonas, entre as quais se destaca a ACTH    (estando associado a síndroma de Cushing<sup><a href="#13">13</a></sup>,<sup><a name="top21"></a><a href="#21">21</a></sup>),    por vezes também a produção de HAD<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>    e PTH<sup><a name="top16"></a><a href="#16">16</a></sup> e já foram reportados    casos de secreção de calcitonina e ß-HCG<sup><a href="#16">16</a></sup>.</p>      <p >Não estão no entanto relacionados com a síndroma carcinóide ou miastenia <i>gravis</i>,    ao contrário de outros tumores tímicos. Aproximadamente 30% dos casos são assintomáticos    na altura do diagnóstico, sendo encontrados acidentalmente através da realização    de RX tórax<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup> ou TACt. A apresentação    clínica do caso actual enquadra-se nas manifestações devidas a efeito de massa    local, nomeadamente sob a forma de desconforto retro-esternal recente. Embora    a associação com a síndroma de Cushing seja frequente<sup><a href="#21">21</a></sup>,    o caso presente não demonstrou clínica sugestiva<sup><a href="#14">14-16</a></sup>.</p>      <p >O diagnóstico clínico de um tumor tímico é feito essencialmente por meios    imagiológicos: no RX do tórax identifica-se uma massa lobulada e mais de 90%    dos casos estão localizados ao mediastino anterior<sup><a href="#9">9</a></sup>,    não permitindo estabelecer diagnóstico diferencial entre os diferentes tipos    histológicos; a TACt permite localizar a neoplasia com maior precisão anatómica,    a sua relação com as estruturas adjacentes e características que possam fazer    suspeitar de malignidade. No caso, a radiografia do tórax e a TAC torácica identificaram    uma massa mediastínica com plano de clivagem com as estruturas adjacentes. Para    diagnóstico também podemos recorrer à medicina nuclear e a doseamentos hormonais,    uma vez que os carcinóides tímicos estão frequentemente associados a NEM-1 e    a síndromas paraneoplásicas, nomeadamente com manifestações do síndroma de Cushing,    como já referido. O doente não apresentava alterações significativas no cintigrama    com pentetreótido-In111, tendo no entanto aumento dos níveis séricos e urinários    de cortisol<sup><a href="#17">17-19</a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >À observação macroscópica, o carcinóide tímico apresenta-se como uma massa    acinzentada com ou sem focos de necrose<a name="top10"></a><sup><a href="#10">10</a></sup>.    Em microscopia apresenta mais vulgarmente um padrão organóide, possível microcalcificação,    vascularização marcada e pode estar presente invasão linfática e vascular. Por    imunoistoquímica, as células tumorais mostram positividade para citoqueratinas    de baixo peso molecular (CAM 5,2), em 100% dos casos, queratinas de largo espectro    (88%) e para marcadores neuroendócrinos como a cromogranina A (75% dos casos),    sinaptofisina (72%), Leu 7/CD 57 (68%) e enolase neuronioespecífica (NSE) em    raros casos<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a href="#8">8</a></sup>.    No caso clínico reportado o tumor apresentava-se como uma massa capsulada acinzentada,    com áreas sugestivas de necrose e histologicamente com um padrão sólido e trabecular,    sem invasão da cápsula tímica. A marcação imunoistoquímica mostrou positividade    para queratina MNF116 e cromogranina no citoplasma das células neoplásicas,    características de tumor carcinóide com qualquer localização.</p>      <p >Foram identificas mitoses em HE em número superior a 2 por 10 HPF (campos    de grande ampliação) e o índice mitótico era superior a 10% pela marcação da    histona nuclear Ki 67 (<a name="f1"></a><a href="#topf1">Fig. 1</a>). Desta    forma, a neoplasia foi classificada como carcinoma neuroendócrino bem diferenciado    &#8211; carcinóide atípico do timo. A caracterização histológica dos tumores    neuroendócrinos do timo e recomendações para a sua classificação acompanham    os conhecimentos para os tumores neuroendócrinos do pulmão e do aparelho digestivo<sup><a name="top20"></a><a href="#20">20-23</a></sup>.</p>     <p >Os tumores tímicos podem ser estadiados por vários sistemas, nomeadamente    pelo sistema TNM ou pelos critérios de Masaoka. O sistema de Masaoka<sup><a href="#5">5</a></sup>    (Quadro II) corresponde a uma classificação histoclínica com base no grau de    invasão local e à distância<sup><a href="#12">12</a></sup> e é mais utilizada    do que o estadiamento TNM.</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro II</b> &#8211; Classifica&ccedil;&atilde;o de Masaoka</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n1/16n1a13aq2.jpg" width="429" height="143"></p>     
<p >&nbsp;</p>      <p >Classifica os tumores em 4 estádios (I &#8211; IV): no estádio I o tumor está completamente capsulado e microscopicamente não apresenta invasão da cápsula; no estádio II já há invasão da cápsula, tecido adiposo mediastínico e/ou pleura mediastínica, mas não dos órgãos vizinhos (pericárdio e coração, grandes vasos ou pulmão); caso isso ocorra será classificado no estádio III; no estádio IV ocorre disseminação metastática por via linfática ou hematogénica.</p>      <p >Segundo estes critérios, o tumor em estudo foi classificado no estádio I.    Segundo o sistema TNM, caracteriza-se como T1 (sem invasão da cápsula ou envolvimento    de tecidos adjacentes), N0 (sem metástases dos nódulos linfáticos) e M0 (pois    nos exames realizados não foram confirmadas metástases à distância)<sup><a href="#17">17</a></sup>,<sup><a name="top24"></a><a href="#24">24</a></sup>,<sup><a name="top25"></a><a href="#25">25</a></sup>.</p>      <p >Num estudo genético recente demonstrou-se alterações cromossómicas específicas que não foram observadas em tumores carcinóides com outras localizações (aparelho digestivo, esporádicos ou associados a NEM-1).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >O facto de não terem sido detectadas alterações cromossómicas em 11q13 suporta    a distinção entre este tumor e o grupo de tumores que se integram no NEM-1,    onde estão expressas em 36% dos casos<sup><a name="top18"></a><a href="#18">18</a></sup>,<sup><a href="#19">19</a></sup>.    Consequentemente, deve ser considerada a existência de um mecanismo citogenético    distinto no desenvolvimento do carcinóide tímico, comparativamente aos outros    carcinóides.</p>      <p >No caso clínico descrito, o doente não apresentava outras neoplasias, daí    que se tenha optado por não fazer o seu estudo citogenético<sup><a href="#14">14</a></sup>,<a name="top26"></a><sup><a href="#26">26-28</a></sup></p>      <p >O diagnóstico diferencial do carcinóide tímico é feito com outros tumores    mediastínicos primários, nomeadamente o timoma, o paraganglioma, o linfoma,    adenoma/carcinoma da paratiróide e carcinoma medular da tiróide. A diferenciação    mais difícil e importante prende-se com o timoma, principalmente o carcinoma    de células escamosas//epidermóide do timo em pequenas amostras de tecido biopsado,    sendo ambos positivos para a queratina de adesão celular CAM 5,2. Os timomas    não expressam marcadores neuroendócrinos como a cromogranina ou a sinaptofisina<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.    Os paragangliomas mediastínicos têm positividade celular para os marcadores    neuroendócrinos e não apresentam a citoqueratina CAM 5,2; os tumores da paratiróide    têm secreção celular PAS positiva; no carcinoma medular da tiróide, as células    têm positividade citoplasmática para calcitonina e para o CEA (antigénio carcinoembrionário)<sup><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a name="top29"></a><a href="#29">29</a></sup>,<sup><a name="top30"></a><a href="#30">30</a></sup></p>          <p >A cirurgia continua a ser a principal medida terapêutica preconizada para    o tratamento de todos os rumores do timo, onde se incluem os tumores neuroendócrinos.    O objectivo é a ressecção completa de todo o tumor, incluindo zonas de invasão    local e metástases regionais. O doente poderá também beneficiar de terapêutica    regional ou sistémica adicional, rádio ou quimioterapia adjuvante, considerada    nas situações em que a cirúrgica não está indicada, como nos casos de doença    metastática generalizada ou quando a invasão de estruturas vitais torna a ressecção    curativa inviável. Tendo em conta que estes tumores apresentam radiossensibilidade    razoável, a radioterapia é utilizada sobretudo para controlo local da doença    e melhoria sintomatológica, apresentando excelentes resultados, nomeadamente    na síndroma de Cushing. É uma forma de tratamento muitas vezes preconizada,    sendo normalmente utilizadas doses de 50-60Gy, e poderá ser aplicada em regime    pós-operatório, eliminando assim a necessidade de operar num campo irradiado,    optimizando ainda o efeito biológico por evitar a interrupção da irradiação.    A aplicabilidade da quimioterapia nestes tumores é discutível, visto ainda não    ter sido encontrado um regime satisfatório, aplicando-se os conhecimentos adquiridos    para outras localizações Vários fármacos foram administrados, como a cisplatina    (utilizada no carcinoma tímico) e também o 5-fluorouracilo, a estreptozocina    e o &#945;-interferão (agentes utilizados com sucesso nos tumores neuroendócrinos    intestinais), sem benefícios significativos. No presente caso efectuou-se timectomia    total através de esternotomia mediana associada a radioterapia pós-operatória    (28 sessões com dose total de 50,40 Gy), tratamento que se enquadra nos padrões    vigentes<sup><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a name="top31"></a><a href="#31">31-33</a></sup>.</p>      <p >Tratando-se de uma doença com grande progressão local possível, recidiva e    metastização em elevada percentagem de casos, apresenta um mau prognóstico geral.</p>      <p >A ressecção cirúrgica incompleta, a presença de síndroma de Cushing<sup><a href="#16">16</a></sup>    ou NEM-1<sup><a href="#20">20</a></sup>, recidiva após a químio e radioterapia    e presença de metástases são factores associados a pior prognóstico. O estadiamento    é a condicionante mais importante para de 28% e 10% aos 5 e 10 anos, respectivamente<sup><a href="#8">8</a></sup>.</p>      <p >São uma causa de morte importante, nomeadamente nos casos associados a NEM-1    e síndroma de Cushing, e existem autores que defendem a realização de timectomia    profiláctica nestes doentes<sup><a href="#17">17</a></sup>. No presente caso    existem indicadores que apontam para um bom prognóstico, como seja o facto de    ter sido realizada uma cirurgia com ressecção total da neoplasia e não estar    associada a síndroma de Cushing<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>,<sup><a href="#13">13</a></sup>,<sup><a href="#14">14</a></sup>,<sup><a href="#26">26</a></sup>,<a name="top34"></a><sup><a href="#34">34</a></sup>.</p>      <p >Pode concluir-se que os tumores neuroendócrinos do timo têm uma baixa incidência,    relativamente a outras neoplasias do timo, mas são tumores malignos de mau prognóstico    e, por isso, devem ser diferenciados dos restantes tumores mediastínicos anteriores    e estabelecer a sua origem primária. O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica    total, com possível terapêutica adjuvante de radioterapia e/ou quimioterapia.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Bibliografia</b></p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication: 09.07.08</i></p>      <p >&nbsp;</p>         ]]></body><back>
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