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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pneumonia adquirida na comunidade numa unidade de cuidados intensivos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Community-acquired pneumonia (CAP) is the leading cause of sepsis in adult critical care. We present a retrospective study of patients admitted to a polyvalent intensive care unit with CAP from 1st June 2004 - 31st December 2006. We analysed 76 patients with a mean age of 62.88 (18.75) years. Mean APACHE II score was 24.88 (9.75). Mean SAPS II was 51.18 (18.05), with a predicted mortality of 47.27%. Aetiology was identified in 42.1% of the patients. Streptococcus pneumoniae was the most frequent aetiological agent, but the group of aetiological agents more frequently identified was Gram-negative enteric bacilli. Levofloxacine was the most frequently used antibiotic. The most frequently used antibiotherapy scheme was the association ceftriaxone - azithromicine. It was possible to evaluate suitability of treatment in 32 patients; 27 were on suitable antibiotherapy regimes. 66 patients (86.8%) were on respirators, with a median length of 4 days. The median length of stay was 5.3 days. ICU mortality was 36.8% and hospital mortality 55.26%. SAPS II, CRP (C-reactive protein), potassium and initial unsuitable antibiotherapy were related to mortality. After multivariate analysis, only SAPS II maintained statistical significance. Use of antibiotics should be judicious, taking the most frequent agents and their susceptibility into consideration.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Infecções adquiridas na comunidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Pneumonia adquirida na comunidade numa unidade de cuidados intensivos</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>M Raquel Marques</b><sup><b>1</b></sup>, <b>António Nunes</b><sup><b>2</b></sup>,  <b>Cristina Sousa</b><sup><b>3</b></sup>, <b>Fausto Moura</b><sup><b>2</b></sup>,  <b>João Gouveia</b><sup><b>2</b></sup>, <b>Armindo Ramos</b><sup><b>4</b></sup></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>1 Interna do internato Complementar de Medicina Interna/<i>Resident, Internal Medicine</i></p>      <p>2 Assistente de Medicina Interna, Intensivista/<i>Consultant, Internal Medicine, Intensive Care</i></p>      <p>3 Assistente Hospitalar Graduada de Gastrenterologia, Intensivista/<i>Consultant, Gastroenterology Specialist, Intensive Care</i></p>      <p>4 Assistente Hospitalar Graduado de Medicina Interna, Intensivista e Director da Unidade de Cuidados Intensivos Médico-Cirúrgicos/<i>Consultant, Internal Medicine Specialist, Intensive Care, Medical-Surgical Intensive Care Unit</i></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspondência</a></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      <p>A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é a principal causa de sépsis em cuidados intensivos de adultos.</p>      <p>Com o objectivo de caracterizar o quadro clínico de PAC em cuidados intensivos, tratamento e avaliação de factores prognósticos, com especial relevância para a antibioterapia, realizou-se um estudo retrospectivo dos doentes admitidos numa UCI polivalente com PAC, de 1 de Junho de 2004 a 31 de Dezembro de 2006. Analisaram-se 76 doentes com uma idade média de 62,88 (18,75) anos. O APACHE II médio de 24,88 (9,75) e o SAPS 2 médio era de 51,18 (18,05), com mortalidade prevista de 47,27%. O microrganismo responsável foi identificado em 42,1% dos casos. O agente etiológico mais comum foi o <i>Streptococcus pneumoniae</i>, mas o grupo de agentes etiológicos mais frequentemente identificados foi o dos bacilos entéricos gramnegativos.</p>      <p>A antibioterapia prévia mais usada foi a levofloxacina.</p>      <p>O esquema de antibioterapia mais usado na admissão foi a associação ceftriaxone com azitromicina. Em 32 doentes em que foi possível avaliar a adequação terapêutica, 27 estavam sob esquemas de antibioterapia adequados. Foram submetidos a ventilação mecânica 66 doentes (86,8%), com uma duração mediana de 4 dias. A demora mediana foi de 5,3 dias. A mortalidade na unidade foi de 36,8% e a hospitalar de 55,26%.</p>      <p>O índice SAPS 2, o valor de PCR, o potássio sérico e a antibioterapia inicial não adequada relacionaram-se com maior mortalidade. Após análise multivariada, apenas o índice SAPS II manteve significado estatístico.</p>      <p>O uso da antibioterapia deve ser criterioso, tendo em conta os principais agentes e a sua susceptibilidade.</p>      <p><b>Palavras-chave: </b>Infecções adquiridas na comunidade, pneumonia, cuidados intensivos.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Community-acquired pneumonia in an intensive care unit</b></p>      <p><b>Abstract</b></p>      <p>Community-acquired pneumonia (CAP) is the leading cause of sepsis in adult critical care.</p>     <p>We present a retrospective study of patients admitted to a polyvalent intensive care unit with CAP from 1st June 2004 – 31st December 2006.</p>     <p>We analysed 76 patients with a mean age of 62.88 (18.75) years. Mean APACHE II score was 24.88 (9.75). Mean SAPS II was 51.18 (18.05), with a predicted mortality of 47.27%. Aetiology was identified in 42.1% of the patients. <i>Streptococcus pneumoniae</i> was the most frequent aetiological agent, but the group of aetiological agents more frequently identified was Gram-negative enteric bacilli.</p>     <p>Levofloxacine was the most frequently used antibiotic. The most frequently used antibiotherapy scheme was the association ceftriaxone – azithromicine. It was possible to evaluate suitability of treatment in 32 patients; 27 were on suitable antibiotherapy regimes. 66 patients (86.8%) were on respirators, with a median length of 4 days. The median length of stay was 5.3 days. ICU mortality was 36.8% and hospital mortality 55.26%.</p>     <p>SAPS II, CRP (C-reactive protein), potassium and initial unsuitable antibiotherapy were related to mortality. After multivariate analysis, only SAPS II maintained statistical significance.</p>     <p>Use of antibiotics should be judicious, taking the most frequent agents and their susceptibility into consideration.</p>      <p><b>Key-words:</b> Community-acquired infections, pneumonia, critical care.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdução</b></p>      <p>A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é a principal causa de sépsis em    cuidados intensivos de adultos, com uma mortalidade e morbilidade significativas.    Corresponde a 35,6 a 51,9 % dos doentes com sépsis grave<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#2">2</a><a name="top2"></a></sup>    a 49,2% dos doentes com choque séptico. No entanto, os estudos sobre PAC em    UCI são escassos em Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Objectivos</b></p>      <p>Caracterizar as PAC que motivaram internamento em unidade de cuidados intensivos, com ênfase nos resultados, clínica, laboratório, microbiologia, antibioterapia e sua repercussão na morbilidade e mortalidade.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Material e métodos</b></p>      <p>Estudo retrospectivo dos doentes admitidos numa UCI polivalente com PAC, de    1 de Junho de 2004 a 31 de Dezembro de 2006. Foram seleccionados doentes com    pneumonia na admissão hospitalar ou nas primeiras 48 horas, tendo -se excluído    aqueles com internamento hospitalar recente (&lt; 10 dias) e os doentes residentes    em lar/casa de repouso<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,   <a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.</p>      <p>Analisaram-se dados demográficos, índices de gravidade, dados laboratoriais    relevantes, antibioterapia e sua adequação, necessidade de ventilação mecânica    e sua duração, mortalidade e duração da estadia na UCI. Os dados foram tratados    em EXCEL e SPSS.</p>      <p>A etiologia foi classificada como provável se o exame cultural    de expectoração ou de secreções brônquicas (colhidas por aspirado traqueal)    revelasse um determinado agente bacteriológico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A etiologia foi considerada    definitiva se se verificasse um dos seguintes critérios: por hemocultura sem    foco extrapulmonar aparente; por aspirado transtorácico e fluido pleural; seroconversão    – um aumento de 4 vezes no título de IgG para <i>Chlamydia pneumoniae </i>(IgG&gt;1:512),    <i>Chlamydia psittaci </i>(IgG&gt;64), <i>Legionella pneumophila </i>&gt;1:128,    <i>Coxiella burnetii </i>&gt;1:80 e vírus respiratórios (i.e. vírus <i>influenza    </i>A e B, vírus <i>parainfluenza </i>1 a 3, VSR, adenovírus; um título de IgM    único aumentado para <i>C. pneumoniae </i>&gt;1:32, <i>C. burnetii </i>&gt;1:80    e <i>Mycoplasma pneumoniae </i>(qualquer título); um único título &gt;1:128    ou antigénio urinário positivo <i>L. pneumophila </i><sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup><i>.</i></p>       <p>A    antibioterapia foi considerada adequada se o agente isolado era susceptível    à antibioterapia em curso.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resultados</b></p>      <p>Os internamentos por pneumonias adquiridas na comunidade corresponderam a 11,8% do total de internamentos (644). Analisaram-se 76 doentes com uma idade média de 62,88 (18,75) anos, 26,3 % do sexo feminino e 73,7% do sexo masculino.</p>      <p>As síndromas de admissão mais frequentes foram: insuficiência respiratória aguda (41), insuficiência respiratória crónica agudizada (20), choque séptico (9), edema pulmonar cardiogénico (5).</p>      <p>A gravidade de doença era grande, com APACHE II médio de 24,88 (9,75), SAPS 2 médio de 51,18 (18,05), a que correspondia mortalidade prevista de 47,27%.</p>      <p>Todos os doentes apresentavam comorbilidades, com número médio de 4 e máximo de 6. As comorbilidades mais frequentes foram: cardiopatia isquémica (15), DPOC (13), infecção VIH (11), diabetes <i>mellitus </i>(11), doença oncológica (11), tabagismo (9), alcoolismo (6) e insuficiência cardíaca (5).</p>      <p>Dos 76 doentes com PAC, isolou-se microrganismo responsável em 42,1% (32/76) (Quadro I). Em 57,9% (44/76) não foi possível isolar microrganismo.</p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Quadro I</b> - Positividade dos exames culturais, serologias e antigenúrias efectuadas</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a03q1.gif">      
<p>&nbsp;</p>     <p>O agente etiológico mais identificado foi o <i>Streptococcus pneumoniae</i>, mas o grupo de agentes etiológicos mais frequentemente identificados foi o dos bacilos entéricos gram negativos (Quadro II).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Quadro II</b> - Agentes etiológicos</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a03q2.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Houve 20 agentes prováveis e 12 etiologias definitivas que corresponderam aos seguintes microrganismos – <i>Streptococcus pneumoniae, Salmonella enteritidis, Stenotrophomonas maltophilia, Burkholderia cepacia, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, Pneumocystis jirovecii, Legionella e Mycoplasma pneumoniae</i>. Os 4 doentes em que se isolou <i>Pneumocystis jirovecii </i>tinham infecção VIH/SIDA.</p>      <p>A maioria dos doentes, 52 (68,4%) vinha sob antibioterapia prévia à admissão na UCI. Em  67,3% (35) destes a antibioterapia foi alterada na admissão. A antibioterapia prévia mais usada foi a levofloxacina. O esquema de antibioterapia mais usado na admissão foi a associação ceftriaxone com azitromicina (Quadro III). Nos 32 doentes em que foi possível avaliar a adequação terapêutica, 27 (6 da antibioterapia prévia) tinham esquemas de antibioterapia adequados, e em 4 destes (14,8%) houve descalação (2 da antibioterapia prévia), 5 não eram adequados. Em 44 doentes não foi possível isolar agente.</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro III</b> - Principais esquemas de antibioterapia prévia e na admissão</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a03q3.gif">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>A grande maioria dos doentes, 66 (86,8%), foi ventilada, com uma duração mediana de 4 [1-10] dias.</p>      <p>As principais complicações foram: pneumonia nosocomial (10), reentubação (9), ARDS (7), insuficiência renal aguda (5) e  pneumotórax (2) (Quadro IV).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro IV</b> - Principais complicações</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a03q4.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A demora mediana foi de 5,3 [2,6 – 11,7] dias. A mortalidade na unidade foi de 36,8% (28 doentes). A mortalidade hospitalar foi de 55,26% (42 doentes).</p>      <p>Para avaliar o impacto de algumas variáveis descritas na literatura como associadas ao prognóstico dos doentes com PAC na nossa população, efectuou-se análise univariada, cujo resultado consta do Quadro V. Na análise univariada, o índice SAPS 2 relacionou-se com uma maior mortalidade, de forma muito mais significativa do que o APACHE II<i>. </i>Também o valor de PCR e o de potássio se relacionaram, com significado estatístico, com maior mortalidade.  A antibioterapia inicial não adequada relacionou-se com maior mortalidade, com <i>odds ratio </i>de 11,43 IC 95% (1,085-120,42). Não havia diferença estatisticamente significativa nas médias de idade, APACHE II, valores de admissão de hemoglobina, leucócitos, plaquetas, creatinina, ureia, bilirrubina. A positividade de hemoculturas não se relacionou com maior mortalidade.</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro V</b> - Análise univariada de variáveis prognósticas</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a03q5.gif">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>As variáveis com significado estatístico na análise univariada foram incluídas na análise logística multivariada (Quadro VI). Nesta análise, apenas o SAPS II manteve significado estatístico – p= 0,021, com OR= 2,8 (2,73-2.91), verificando-se uma forte tendência para o aumento da mortalidade com a não adequação da antibioterapia.</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro VI</b> - Análise multivariada de variáveis com significado estatístico na análise univariada</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a03q6.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>O tempo de internamento dos sobreviventes na UCI está relacionado com a gravidade de doença – SAPS II (p=0,000), da resposta inflamatória – n.º de leucócitos (p=0,036), PCR (p=0,022) e com o INR (p=0,004) (Quadro VII).</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro VII</b> - Regressão dependente da demora média (variáveis com significado estatístico)</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a03q7.gif">      
<p>&nbsp;</p>     <p>A insuficiência respiratória com necessidade de ventilação mecânica foi a principal razão de admissão dos doentes. A análise do tempo de ventilação (sem dados de oximetria) mostrou que este dependeu de número de leucócitos (p=0,021), o INR (p=0,014) e o SAPS II (p=0,000) (Quadro VIII).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro VIII</b> - Regressão dependente do tempo médio de ventilação mecânica (variáveis com significado estatístico)</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a03q8.gif">      
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Discussão</b></p>      <p>A prevalência das PAC na nossa unidade de cuidados intensivos correspondeu    a cerca do dobro de outras séries<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a>,<a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>.</p>      <p>Alguns pontos merecem discussão: a gravidade e carga de trabalho destes doentes,    a elevada percentagem de bacilos gram negativos, a importância da antibioterapia    inicial no resultado final.</p>      <p>A mortalidade hospitalar foi mais elevada do que    anteriormente descrito num estudo de 6 UCI portuguesas (38%)<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></sup>,    mas a gravidade de doença é francamente elevada. Os doentes admitidos tinham    índices de gravidade superiores aos das séries analisadas<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>,    com maior presença de comorbilidades do que outras séries<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>.</p>      <p>Infelizmente, os dados na admissão hospitalar não eram completos, não permitindo    o cálculo de <i>scores </i>específicos, como CURB65<sup><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></sup>    e/ou <i>score </i>de Fine<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup>.    Este facto não permite a comparação com outras séries e poderá indicar uma ausência    de estratificação formal da gravidade destes doentes, ao contrário do recomendado    por diversas sociedades.</p>      <p>Sabe-se que a comorbilidade pulmonar predispõe para    pneumonia devido a bacilos entéricos gram negativos e <i>Pseudomonas aeruginosa</i>,    provavelmente devido a colonização prévia na DPOC (e/ou bronquiectasias)<sup><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></sup>.</p>      <p>O <i>Streptococcus pneumoniae </i>foi o microrganismo mais frequentemente isolado;    no entanto, ao contrário do que é classicamente descrito na literatura, houve    uma preponderância do grupo dos bacilos entéricos gram negativos. Este predomínio    é provavelmente explicado pelo número significativo de comorbilidades, uma vez    que excluímos à partida doentes com contacto recente com instituições de saúde,    incluindo lares e casas de repouso. Não dispomos de dados para determinar se    alguns destes doentes correspondem a casos de pneumonia associada a cuidados    de saúde, como definido por Niederman e outros<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.    No entanto, esta diferença de prevalência dos microrganismos entre as populações    de cuidados intensivos e enfermaria está de acordo com outras séries que analisaram    a PAC grave<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a>,   <a href="#12">12</a><a name="top12"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,   <a href="#14">14</a><a name="top14"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De salientar também que o segundo agente etiológico mais identificado – <i>Klebsiella    pneumoniae </i>– também é muito frequentemente causador de PAC grave noutras    séries<sup><a href="#15">15</a><a name="top15"></a></sup>. Em estudos de prevalência    europeus<sup><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></sup>, <i>S. aureus, Legionella    </i>e bacilos entéricos gram-negativos são raros na doença abordada fora do    hospital, mas mostram um padrão de aumento progressivo na sua frequência com    a crescente gravidade da doença.</p>     <p>Os exames culturais apresentaram rentabilidade    moderada provavelmente pelo facto de a maioria dos doentes estar sob antibioterapia    prévia. Provavelmente também o facto de o microrganismo causador ser eventualmente    difícil de identificar pelos métodos convencionais, tal como as bactérias anaeróbias    ou outros ainda não identificados podem contribuir para essa falência. No entanto    a maioria desses casos parecem ser pneumonias a <i>Streptococcus pneumoniae    </i>não isolados<sup><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></sup>. Os doentes    falecidos apresentavam na admissão maior gravidade de doença. Na análise univariada    e multivariada, o índice SAPS 2 relacionou-se com uma maior mortalidade, tal    como esperado<sup><a href="#15">15</a><a name="top15"></a></sup>, de forma mais    significativa do que o APACHE II<i>. </i>A não adequação de antibioterapia apresentou    também significado estatístico na análise univariada. A intensidade da resposta    inflamatória (avaliada pela PCR) e o potássio relacionaram-se com significado    estatístico com maior mortalidade, mas apenas na análise univariada, não mantendo    valor prognóstico na análise multivariada, o que está de acordo com outros autores<sup><a href="#16">16</a><a name="top16"></a></sup>.    As pneumonias bacteriémicas são apontadas como de maior gravidade<sup><a href="#15">15</a><a name="top15"></a></sup>;    no entanto, a positividade de hemoculturas não se relacionou com maior mortalidade    nesta série, ao contrário do que tem sido observado.</p>      <p>A descalação terapêutica,    muito em voga, foi praticada apenas em quatro casos de antibioterapia adequada.    O tempo até obtenção de resultados e a boa resposta clínica dos doentes foram    a principal causa de não aplicação deste princípio, no entanto não dispomos    de dados concretos que nos permitam esclarecer este ponto. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Conclusões</b></p>      <p>A PAC é uma patologia relativamente frequente em cuidados intensivos, com uma mortalidade elevada e importante consumo de recursos.</p>      <p>O uso da antibioterapia deve ser criterioso, tendo em conta os principais agentes e a sua susceptibilidade, o que nos deve fazer reflectir acerca da adaptação das opções de antibioterapia empírica ao contexto epidemiológico em que estamos inseridos.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bibliografia</b></p>      <p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Laterre PF, <i>et al </i>for the PROWESS    Clinical Evaluation Committee. Severe community-acquired pneumonia as a cause    of severe sepsis: Data from the PROWESS study; Crit Care Med 2005; 33(5):952-961.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>. Moreno RP, Metnitz B, Adler L, Hoechtl    A, Bauer P, Metnitz PG. Sepsis mortality prediction based on predisposition,    infection and response. Intensive Care Med 2008; 34(3):496-504. Epub 2007 Dec.</p>      <!-- ref --><p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>. Recomendações de abordagem diagnóstica    e terapêutica da pneumonia da comunidade em adultos imunocompetentes. Rev Port    Pneumol 2003; IX(5):435-461.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0873-2159201000020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Macfarlane JT, Boswell T, Douglas G,    Finch R, Holmes W, Honeybourne D, Lim WS, Marriott R, Nathwani D, Saul P, Woodhead    M, Wyatt J. BTS Guidelines of the management of community acquired pneumonia    in adults. Thorax 2001; 56(suppl 4):1-64. </p>      <p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>. American Thoracic Society Documents.    Guidelines for the management of adults with hospital-acquired, ventilator-associated    and health care-associated pnemonia. Am J Respir Crit Care Med 2005; 171:388-341.</p>      <p><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Apostolidou E, Laparidou S, Damianidis    G, Goudis C, Konstantinidou A, Saratseno M. Communityacquired pneumonia treated    on the ICU. Critical Care 2006; 10:S1, P72.</p>      <p><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>. Woodhead M, Welch CA, Harrison DA, Bellingan    G, Ayres JG. Community-acquired pneumonia on the intensive care unit: secondary    analysis of 17,869 cases in the ICNARC Case Mix Programme Database; Critical    Care 2006; 10(Suppl 2):S1</p>      <p><a href="#top8">8</a><a name="8"></a>. Carneiro A, Paiva JA, Sarmento A, Amaro    P, Silva E, Estrada H. Pneumonia grave adquirida na comunidade em cuidados intensivos.    Apresentação nas Jornadas de Medicina Intensiva da Primavera, Porto 2001.</p>      <p><a href="#top9">9</a><a name="9"></a>. Lim WS, <i>et al. </i>Defining community    acquired pneumonia severity on presentation to hospital: an international derivation     and validation study. Thorax 2003; 58(5):377-382</p>      <p><a href="#top10">10</a><a name="10"></a>. Stone RA, Obrosky DS, Singer DE,    Kapoor WN, Fine MJ. Propensity score adjustment for pretreatment differences    between hospitalized and ambulatory patients with community-acquired pneumonia.    Pneumonia patient outcomes research team (PORT) investigators. Med Care 1995;    33(4 Suppl):AS56-66.</p>      <p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>. Ruiz M, Ewig S, Marcos MA, Martinez    JA, Arancibia F, Mensa J, Torres A. Etiology of community–acquired pneumonia:    impact of age, comorbidity, and severity. Am J Respir Crit Care Med 1999; 160:397-405.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top12">12</a><a name="12"></a>. M. Woodhead. Community-acquired pneumonia    in Europe: causative pathogens and resistance patterns Eur Respir J 2002; 20(Suppl.    36):20-27.</p>      <p><a href="#top13">13</a><a name="13"></a>. Dahmash NS, Chowdhury MNH. Re-evaluation    of pneumonia requiring admission to an intensive care unit: a prospective study.    Thorax 1994; 49:71-76 </p>      <p><a href="#top14">14</a><a name="14"></a>. Feldman C, Ross S, Mahomed AG, Omar    J, Smith C. The aetiology of severe community-acquired pneumonia and its impact    on initial, empiric, antimicrobial chemotherapy. Respir Med 1995; 89:187-192.</p>      <p><a href="#top15">15</a><a name="15"></a>. Paganin F, Lilienthal F, Bourdin    A, Lugagne N, Tixier F, Genin R, Yvin J-L. Severe community–acquired pneumonia:    assessment of microbial aetiology as mortality factor. Eur Respir J 2004; 24:779-785.</p>      <p><a href="#top16">16</a><a name="16"></a>. Silvestre J, Póvoa P, Coelho L, Almeida    E, Moreira P,  Fernandes A, Mealha R, Sabino H. Is C-reactive protein a good    prognostic marker in septic patients? Intensive Care Med 2009; 35(5):909-913.    Epub 2009 Jan 24.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c1"></a><a href="#topc1">Correspondência</a></b></p>      <p>Unidade de Cuidados Intensivos Médico-Cirúrgicos</p>      <p>Hospital Pulido Valente</p>      <p>Director: Dr Armindo Ramos</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alameda das Linhas de Torres,117</p>      <p>1769-001 Lisboa</p>      <p><i>e-mail: </i><a href="mailto:mraquelmarques@gmail.com">mraquelmarques@gmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Recebido para publicação/<i>received for publication:</i>09.06.22</p>     <p>Aceite para publicação/<i>accepted for publication:</i>09.07.24</p>       ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Recomendações de abordagem diagnóstica e terapêutica da pneumonia da comunidade em adultos imunocompetentes.]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Port Pneumol]]></source>
<year>2003</year>
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<page-range>435-461</page-range></nlm-citation>
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