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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Caracterização de uma população com risco acrescido de DPOC]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro de Saúde de Soares dos Reis/Oliveira do Douro Unidade de Saúde Familiar Camélias ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Smoking is the main risk factor for COPD, and it is estimated that 15-20% of smokers will develop the pathology. Characterising this risk population is an important step in improved diagnosis of COPD, an increasing primary care challenge. Aims: To determine the percentage of smokers identified in patients aged 45-65 years old in a health centre, and their characterisation; to determine possible relationships between respiratory symptoms and abnormal obstruction of the small airways and the other variables studied. Material and methods: Observational, analytical, cross-sectional study carried out in a Portuguese health centre. Population: smokers aged 45-65 years old who filled in a questionnaire and underwent spirometry. Statistical analysis was performed with SPSS v.13.0 (level of significance 0.05). Results: The sample was composed of 157 participants (31% &#9792; and 69% &#9794;); average age 53.85 years; average age at start of smoking 16.64 years; average tobacco consumption 37.78 pack-years. Respiratory symptoms were present in 68.8% of the individuals, and were more frequent in men, those who started smoking earlier and those with higher tobacco consumption (p < 0.05). Thirty percent had abnormal obstruction of the small airways, with this more frequent in older smokers and those with heavier tobacco consumption (p < 0.05). Discussion and conclusions: The underdiagnosis of smoking raises awareness of the importance of identifying this risk population and the need to implement preventative measures. These, in tandem with a better characterisation of this population, may contribute to the improved diagnosis and management of COPD.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença pulmonar obstrutiva crónica]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[primary care]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Caracterização de uma população com risco acrescido de DPOC</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Sandra Soares</b><sup><b>1</b></sup>, <b>Isabel Costa</b><sup><b>1</b></sup>,  <b>Ana Luísa Neves</b><sup><b>1</b></sup>, <b>Luciana Couto</b><sup><b>2</b></sup></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>1 Internato Médico de Medicina Geral e Familiar/<i>Resident, General Practice</i></p>      <p>2 Assistente Graduada de Medicina Geral e Familiar/<i>Consultantant, Specialist, General Practice</i></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspondência</a></b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdução: </b>O tabagismo é o principal factor de risco da DPOC, estimando-se que 15-20% dos fumadores a desenvolvam. A caracterização desta população de risco é um importante passo na melhoria do diagnóstico de DPOC, que é cada vez mais um desafio nos cuidados primários.</p>      <p><b>Objectivos: </b>Determinar a percentagem de fumadores identificados numa USF na população de utentes entre 45-65 anos e sua caracterização; determinar possíveis relações entre a presença de sintomatologia respiratória e as restantes variáveis; e entre a presença de alterações obstrutivas das pequenas vias aéreas e as restantes variáveis.</p>      <p><b>Material e métodos: </b>Estudo observacional, analítico, transversal, numa unidade de saúde familiar (USF) portuguesa. População: utentes fumadores entre os 45-65 anos, submetidos à aplicação de um questionário e realização de espirometria. A análise estatística foi realizada em SPSS v.13.0 (nível de significância de 0,05).</p>      <p><b>Resultados: </b>A amostra foi constituída por 157 indivíduos (31%  &#9792; e 69% &#9794; ); idade média de 53,85 anos; idade média de início de tabagismo de 16,64 anos; carga tabágica média de 37,78 UMA. Sintomatologia respiratória esteve presente em 68,8% dos indivíduos, sendo mais frequente nos homens, com iniciação tabágica mais precoce e maior carga tabágica (p&lt;0,05). Alterações obstrutivas das pequenas vias aéreas estavam presentes em 30%, sendo mais frequentes nos mais velhos e com maior carga tabágica (p&lt;0,05).</p>      <p><b>Discussão e conclusões: </b>O subdiagnóstico do tabagismo é alarmante, alertando para a importância da identificação da população de risco e implementação de medidas preventivas direccionadas – que associadas à melhor caracterização desta população poderão contribuir para uma melhoria no diagnóstico e abordagem da DPOC</p>      <p><b>Palavras-chave: </b>Doença pulmonar obstrutiva crónica, tabagismo, cuidados primários.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Characterisation of a population at increased risk of COPD</b></p>      <p><b>Abstract</b></p>      <p><b>Introduction:</b> Smoking is the main risk factor for COPD, and it is estimated that 15-20% of smokers will develop the pathology. Characterising this risk population is an important step in improved diagnosis of COPD, an increasing primary care challenge.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Aims:</b> To determine the percentage of smokers identified in patients aged 45-65 years old in a health centre, and their characterisation; to determine possible relationships between respiratory symptoms and abnormal obstruction of the small airways and the other variables studied.</p>     <p><b>Material and methods:</b> Observational, analytical, cross-sectional study carried out in a Portuguese health centre. Population: smokers aged 45-65 years old who filled in a questionnaire and underwent spirometry. Statistical analysis was performed with SPSS v.13.0 (level of significance 0.05).</p>     <p><b>Results:</b> The sample was composed of 157 participants (31% &#9792; and    69% &#9794;); average age 53.85 years; average age at start of smoking 16.64    years; average tobacco consumption 37.78 pack-years. Respiratory symptoms were    present in 68.8% of the individuals, and were more frequent in men, those who    started smoking earlier and those with higher tobacco consumption (p < 0.05).    Thirty percent had abnormal obstruction of the small airways, with this more    frequent in older smokers and those with heavier tobacco consumption (p < 0.05).</p>     <p><b>Discussion and conclusions:</b> The underdiagnosis of smoking raises awareness of the importance of identifying this risk population and the need to implement preventative measures. These, in tandem with a better characterisation of this population, may contribute to the improved diagnosis and management of COPD.</p>      <p><b>Key-words:</b> Chronic obstructive pulmonary disease, smoking, primary care.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdução</b></p>      <p>A DPOC é uma causa importante de morbilidade e mortalidade em todo o mundo.</p>      <p>Prevê-se que em 2020 a DPOC seja a terceira causa de mortalidade a nível  mundial<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>.</p>      <p>A DPOC é definida actualmente pelas normas da <i>Global Iniciative for Chronic    Obstructive Lung Disease </i> (GOLD) como “uma doença evitável e tratável com    alguns efeitos extrapulmonares significativos que podem para a sua gravidade    em cada doente individualmente”. A limitação do fluxo aéreo, característica    da DPOC, começa por afectar as pequenas vias aéreas e é geralmente progressiva    e associada a uma resposta inflamatória anormal do pulmão a partículas ou gases    prejudiciais”<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta patologia    progride de forma insidiosa e silenciosa. Frequentemente, quando surgem os primeiros    sintomas, nomeadamente dispneia para exercícios médios, já ocorreu perda de    cerca de 50 % da capacidade pulmonar do indivíduo, pelo que é fundamental a    identificação precoce dos doentes com DPOC.</p>      <p>Estima-se que a prevalência da DPOC    nos adultos activos portugueses seja de cerca de 5,3%. A prevalência aumenta    com a idade, sendo mais elevada no sexo masculino No entanto, a prevalência    tem vindo a aumentar no sexo feminino, como consequência de Portugal se encontrar    actualmente na fase 2 da epidemia tabágica, caracterizada por um aumento progressivo    da prevalência do tabagismo no sexo feminino<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#4">4</a><a name="top4"></a></sup>.    No ano de 2005 foi criado um “Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Doença    Pulmonar Obstrutiva Crónica”, que considera a DPOC em Portugal um problema de    saúde pública<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>.</p>     <p>Consideram-se    factores de risco para o desenvolvimento de DPOC as seguintes características:    idade &#8805; 40 anos, com história de tabagismo superior a 10 anos; actividade    profissional de risco respiratório comprovado, com exposição a poeiras e a produtos    químicos; tosse ou expectoração crónicas ou dispneia de esforço; deficiência    de alfa 1-antitripsina <sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.</p>      <p>Dos    factores de risco enunciados, o principal e mais importante é o tabagismo, estimando–se    que cerca de 15-20% dos fumadores desenvolvam DPOC. Atendendo-se à inexistência    de um tratamento que permita restaurar a função pulmonar, a resposta para prevenir    o desenvolvimento de DPOC grave consiste na identificação dos fumadores num    estádio precoce da doença<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>. De    acordo com dados obtidos pelos inquéritos nacionais de saúde (INS), a prevalência    total de consumo de tabaco em Portugal continental, na população inquirida com    15 ou mais anos, era de 20,2% em 2005/06. O consumo de tabaco continua a ter    maior prevalência no sexo masculino – 31,0% nos homens e 10,3% nas mulheres<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>.    Na faixa etária dos 45-64 anos, a prevalência de fumadores, em 2005/06, por    sexo, foi de 23,8% nos homens e de 5,3% nas mulheres<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.</p>      <p>O impacto da DPOC está a aumentar e, consequentemente, o desempenho diagnóstico    a nível dos cuidados primários é cada vez mais um desafio. A colheita da história    clínica e a realização do exame físico fornecem importante informação para o    diagnóstico de DPOC a nível dos cuidados primários, contudo têm um baixo valor    preditivo<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>.</p>      <p>Os doentes que apresentam    tosse crónica e produção de expectoração e têm história de exposição a factores    de risco devem ser examinados para avaliação da limitação das vias aéreas, mesmo    na ausência de dispneia<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>.</p>      <p>A medida    da função pulmonar com um espirómetro é essencial para o diagnóstico precoce    e rigoroso da DPOC. De acordo com a <i>American Thoracic Society </i>(ATS) e    a <i>European Respiratory Society </i>(ERS) a espirometria deve ser realizada    em todos os doentes com mais de 40 a 45 anos com história de tabagismo<sup><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></sup>.</p>      <p>A espirometria identifica, de uma forma precisa, a obstrução do fluxo de ar    e diferencia problemas obstrutivos (DPOC, asma), restritivos (pneumoconioses    e outras doenças que causam fibrose pulmonar; obesidade grave ou deformação    esquelética, como cifoescoliose; cirurgia prévia, como lobectomia ou pneumectomia;    edema pulmonar) e mistos (obstrução grave do fluxo de ar, como na DPOC avançada;    bronquiectasia grave e fibrose quística). As características espirométricas    de obstrução são: capacidade vital (CV) igual ou ligeiramente maior do que a    capacidade vital forçada (CVF), CVF 80% superior ao previsível, volume expiratório    forçado no 1.º segundo (VEF<sub>1</sub>) menor do que os 80% previsíveis e uma    relação VEF<sub>1</sub>/ CVF inferior a 70%.<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>    A presença de alterações obstrutivas nas pequenas vias aéreas é frequentemente    definida como um valor espirométrico de FEF 25 -75% &lt; 60%.</p>      <p>Relativamente    ao diagnóstico de DPOC, que implica a realização de uma prova de broncodilatação,    é feito na presença de uma relação volume expiratório forçado no 1.º segundo    (VEF1)/capacidade vital forçada (CVF) abaixo de 0,7 após a prova citada. A gravidade    da DPOC é estratificada pelo nível de VEF<sub>1</sub> como uma percentagem do    valor previsível.</p>      <p>Este trabalho consiste na caracterização de uma população    com risco acrescido de DPOC, tendo como objectivos principais:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>a) Determinação    da percentagem de fumadores identificados numa USF (unidade de saúde familiar)    na população de utentes com idade compreendida entre 45-65 anos;</p>      <p>b) Caracterização    da população quanto ao sexo, idade, índice de massa corporal (IMC), risco respiratório    profissional, idade de início do tabagismo, carga tabágica, sintomatologia respiratória    e presença de alterações obstrutivas das pequenas vias aéreas;</p>      <p>c) Determinação    de uma possível relação entre a presença de sintomatologia respiratória e o    sexo, idade, IMC, profissão, idade de início do tabagismo, carga tabágica e    presença de alterações obstrutivas das pequenas vias aéreas;</p>      <p>d) Determinação    de uma possível relação entre a presença de alterações obstrutivas das pequenas    vias aéreas no exame espirométrico e o sexo, idade, IMC, risco respiratório    profissional, idade de início do tabagismo, carga tabágica e sintomatologia    respiratória. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Material e métodos</b></p>      <p>Foi efectuado um estudo observacional, analítico, transversal, de Julho de 2008 a Dezembro de 2008, na USF Camélias (Centro de Saúde Soares dos Reis e Oliveira do Douro). A população de estudo foi constituída pelos utentes da USF com idades compreendidas entre 45-65 anos, nascidos entre 01/01/1943 e 31/12/1963 (N= 4116).</p>      <p>A amostra do estudo foi constituída pelos utentes fumadores da USF Camélias com idades compreendidas entre os 45-65 anos, identificados através da consulta do processo clínico electrónico SAM (Sistema de Apoio ao Médico®) durante o período de Julho e Agosto de 2008 (N=217).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Métodos de recolha de informação</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os utentes fumadores identificados foram convidados a dirigirem-se à USF durante o mês de Outubro. Numa primeira fase o convite foi dirigido por via bilhete-postal e numa segunda fase por chamada telefónica. Durante uma entrevista pessoal, as investigadoras previamente treinadas aplicaram um questionário desenvolvido pelas próprias. Foi esclarecida a natureza e o objectivo do estudo e garantida a confidencialidade dos dados.</p>      <p>A avaliação estaturoponderal dos doentes foi realizada com a balança mecânica de plataforma marca Jofre (modelo 6, Portugal), com capacidade máxima de 110 kgs e resolução de 100 g e antropómetro metálico marca Jofre (modelo 6, Portugal), com resolução de 1 mm. As determinações foram realizadas com os indivíduos vestidos com roupas leves e descalços, seguindo as técnicas recomendadas por Lohman <i>et al. </i></p>     <p>A função pulmonar foi avaliada através de exame espirométrico realizado por técnicos para tal treinados, com o aparelho Micro-Lab 3500®, sem realização de broncodilatação prévia.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Variáveis</b></p>      <p>As variáveis estudadas foram: sexo, idade, IMC, idade de início do tabagismo, carga tabágica, sintomatologia respiratória, risco profissional para doenças respiratórias, antecedentes pessoais e familiares de patologia respiratória e presença de alterações obstrutivas nas pequenas vias aéreas na espirometria.</p>      <p>Foram estudadas oito variáveis nominais dicotómicas relativas a sintomas respiratórios: tosse frequente, afectação da tosse pelas alterações climáticas, expectoração frequente, expectoração matinal frequente, tosse com expectoração independente da presença de infecção respiratória, pieira frequente, dispneia frequente e astenia frequente, sendo a presença dos sintomas considerada frequente se estes estivessem presentes pelo menos uma vez por semana.</p>      <p>Considerou-se existente risco profissional para doenças respiratórias sempre que os indivíduos tivessem trabalhado pelo menos uma vez na vida em actividades com exposição a poeiras orgânicas, inorgânicas e/ou agentes químicos.</p>      <p>A variável presença de alterações obstrutivas nas pequenas vias aéreas foi definida como um valor espirométrico de FEF 25-75% &lt; 60%.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Tratamento de dados</b></p>      <p>Os dados recolhidos foram codificados e registados em base de dados informática recorrendo ao software <i>Microsoft Excel</i>® e tratados com o software SPSS  (<i>Statistical Package for the Social Sciences</i>), versão 13.0®.</p>      <p>Foram determinados resultados referentes à estatística descritiva e inferencial.</p>      <p>Utilizou-se o teste de ÷2 para comparação de proporções e o teste t-student para comparação de médias, tendo sido adoptado um nível de significância de 0,05.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resultados</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Percentagem de fumadores identificados</b></p>      <p>Num total de 4116 indivíduos, 217 (5,3%) utentes estavam assinalados como fumadores (7,3% do sexo masculino e 3,6% do sexo feminino).</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Caracterização da amostra</b></p>      <p>A taxa de resposta foi de 72,4% (n = 157).</p>     <p>Todos os participantes responderam ao questionário, não tendo colaborado de forma satisfatória na realização da espirometria dois indivíduos.</p>      <p>A amostra foi constituída por 49 indivíduos do sexo feminino (31,2%) e por 108 indivíduos do sexo masculino (68,8%), com idade média de 53,85 anos. O IMC médio foi de 25,75 kg/m2. A idade média de início de tabagismo foi de 16,64 anos. A carga tabágica média foi de 37,78 UMA (unidades maço ano), sendo mais elevada no sexo masculino – 42,49 UMA vs 27,37 UMA (Quadro I).</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro I</b> – Caracterização da amostra relativamente a variáveis sociodemográficas, antecedentes respiratórios e presença de alterações obstrutivas à espirometria</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a04q1.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A presença de pelo menos um dos sintomas respiratórios averiguados foi encontrada em 68,8% da população estudada. O sintoma mais frequente foi a pieira frequente (40,1%), seguida da astenia e expectoração frequentes (35,7 e 32,5%, respectivamente) (Fig. 1). Risco profissional respiratório estava presente em 41 indivíduos (26,1%). Antecedentes pessoais de patologia respiratória estavam presentes em 21,0% e antecedentes familiares de patologia respiratória em 23,6% dos indivíduos (Quadro I).</p>       <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a04f1.gif">      
<p><b>Fig. 1</b> – Caracterização da amostra relativamente à sintomatologia respiratória</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Dos participantes que realizaram o exame espirométrico de forma satisfatória (n=155), 30% dos indivíduos apresentaram alterações obstrutivas nas pequenas vias aéreas.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Factores associados à presença de sintomatologia respiratória</b></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro II</b> – Determinação das relações estatisticamente significativas entre sintomatologia respiratória  e as restantes variáveis</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a04q2.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>A frequência de cada um dos sintomas respiratórios avaliados é mais elevada nos indivíduos com uma maior carga tabágica (p &lt; 0,05) (Quadro II).</p>       <p>A frequência de expectoração matinal é significativamente mais elevada nos indivíduos com uma idade de inciação tabágica mais baixa (p &lt;0,05). Verificou-se que existe uma relação estatisticamente significativa entre a presença dos sintomas respiratórios, expectoração matinal e dispneia e o sexo masculino (p&lt;0,05), no entanto não foi encontrada qualquer relação entre os outros sintomas respiratórios avaliados e o sexo (Quadro II).</p>      <p>A presença de risco profissional respiratório, a idade e o IMC não apresentam nenhuma relação estatística com uma maior frequência de sintomatologia.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Factores associados à presença de alterações obstrutivas</b></p>      <p>Os indivíduos com alterações obstrutivas apresentaram uma carga tabágica média superior (p&lt;0,05) e eram mais velhos, em média. Verificou-se não  existir associação estatisticamente significativa entre a presença de alterações obstrutivas e as variáveis risco profissional (p=0,56), sexo (p=0,86) e idade de iniciação tabágica (p=0,35). Os indivíduos com alterações obstrutivas tinham em média um IMC inferior aos indivíduos sem estas alterações (p&lt;0,05) (Quadro III).</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro III</b> – Determinação das relações estatisticamente significativas entre a presença de alterações obstrutivas das pequenas vias aéreas e as restantes variáveis</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a04q3.gif">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Quanto à associação entre a presença de alterações obstrutivas nas pequenas vias aéreas e a presença de sintomatologia respiratória, verificou-se que as alterações são mais frequentes nos indivíduos que referiam frequentemente tosse, dispneia, astenia ou pieira (p&lt;0,05). Os restantes sintomas respiratórios não apresentavam nenhuma relação estatisticamente significativa com a presença de alterações obstrutivas (Quadro III).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Discussão e conclusões</b></p>      <p>A percentagem de fumadores identificados por sexo na população estudada (7,3%    nos homens, 3,6% nas mulheres) é bastante inferior à percentagem de fumadores    para esta faixa etária descrita na literatura consultada<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>.    Segundo o alto comissariado da saúde, para a faixa etária dos 45-64 anos, a    percentagem de fumadores em 2005/2006, por sexo, foi de 23,8% nos homens e de    5,3% nas mulheres<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>. Este facto    alerta para a necessidade de maior sensibilização da classe médica quanto à    problemática do tabagismo, sendo que a primeira etapa do combate ao tabagismo    passa pela identificação e abordagem dos fumadores e pelo seu aconselhamento<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></sup>.    Na presente amostra, o tabagismo é também mais frequente no sexo masculino,    achado concordante com os dados encontrados na literatura consultada<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.    Relativamente à carga tabágica média encontrada para o sexo masculino (42,49    UMA), esta foi bastante superior em comparação com a encontrada num estudo de    uma população de fumadores do sexo masculino com idades compreendidas entre    os 40 e os 65 anos realizado na Holanda (24,7 UMA)<sup><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No estudo das relações entre a sintomatologia respiratória e as restantes variáveis,    conclui-se que a primeira é mais frequente no sexo masculino, nos indivíduos    com iniciação tabágica mais precoce e naqueles com maior carga tabágica. Na    relação encontrada entre o sexo e alguns dos sintomas respiratórios estudados,    a variável sexo pode representar uma variável de confundimento, dada a maior    prevalência de fumadores do sexo masculino. Em virtude das lacunas existentes    relativamente a estudos realizados nesta faixa etária da população fumadora,    são poucas as comparações possíveis, limitando dessa forma a discussão dos resultados    apresentados.</p>      <p>Relativamente ao estudo das relações com a variável presença de    alterações das vias aéreas, conclui-se que esta última é significativamente    mais frequente nos indivíduos mais velhos, com carga tabágica mais elevada,    e que referiam tosse, dispneia, pieira e astenia frequentes. Estas relações    são suportadas e concordantes com a evidência científica actual – a relação    encontrada entre a presença de alterações obstrutivas e a idade está estabelecida    e suportada pela literatura existente, e a carga tabágica tem sido também relacionada    em vários estudos com a sintomatologia respiratória e com a presença de alterações    obstrutivas. Múltiplos estudos realçam o efeito dosedependente da carga tabágica    sobre o declínio da função pulmonar.</p>      <p>No presente estudo, a presença de alterações    das pequenas vias aéreas foi mais frequente nos indivíduos com menor IMC, um    achado que discorda de uma relação recentemente descrita entre a DPOC e a obesidade,    segundo a qual a alteração da expressão e secreção de factores inflamatórios    na obesidade induzirá um estado inflamatório sistémico que poderá estar envolvido    na patogénese da DPOC<sup><a href="#13">13</a><a name="top13"></a></sup>. Estudos    adicionais e metodologicamente mais adequados deverão ser conduzidos, tendo    em vista um esclarecimento da relação entre estas duas variáveis.</p>      <p>Apesar das    possíveis limitações do estudo, nomeadamente ao nível da adopção de uma população    de estudo pertencente a uma USF (limitando-a aos indivíduos com médico de família    e pelo menos uma visita médica – <i>viés de selecção</i>) e da utilização de    um questionário aplicado pelos autores (<i>viés de informação</i>), esta é a    primeira avaliação dirigida à caracterização de uma população portuguesa com    risco acrescido de DPOC, o que poderá abrir novos caminhos a estudos nesta área.</p>      <p>A constatação do subdiagnóstico do tabagismo e um melhor conhecimento das características    desta população de risco alerta para a importância da sua identificação precoce    e permite delinear estratégias para a organização e implementação de medidas    preventivas direccionadas a este grupo específico.</p>      <p>Estas medidas, associadas    à melhoria da acessibilidade dos utentes fumadores a consultas de cessação tabágica,    poderão concorrer para uma melhoria  da <i>performance </i>clínica ao nível    da prevenção, diagnóstico e acompanhamento da DPOC.       <p>&nbsp;</p>      <p><b>Agradecimentos</b></p>      <p>Este estudo contou com a colaboração e apoio da GlaxoSmithKline®, sob a forma de apoio técnico na realização do exame espirométrico.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Bibliografia</b></p>      <p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Stratelis G, Jakobsson P, Molstad S,    Zetterstrom O.Early detection of COPD in primary care: screening by invitation    of smokers aged 40 to 55 years. British Journal of General Practice 2004; 54:201-206.</p>      <p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>. Global Initiative for Chronic Obstructive    Lung Disease. Global strategy for the diagnosis, management, and prevention    of chronic obstructive pulmonary disease. Update 2007. Executive summary. Available    at: <a href="http://www.goldcopd.com/" target="_blank">www.golcopd.com</a>.</p>      <!-- ref --><p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>. Fraga S, Sousa S, Santos AC <i>et al.    </i>Tabagismo em Portugal. Arquivos de Medicina 2005; 5-6 (19), 207-229.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0873-2159201000020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Monteiro AB, Neves AL, Marques MM, Lopes    C. Hábitos tabágicos em estudantes universitários do Porto. Arquivos de Medicina    2004; 18(3): 98-102.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0873-2159201000020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>. Direcção-Geral de Saúde. Programa Nacional    de Prevenção e Controlo da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. Lisboa: Direcção-Geral    de Saúde; 2005.</p>      <p><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Direcção-Geral de Saúde. Programa-tipo    de actuação em cessação tabágica. Lisboa: Direcção-Geral de Saúde, 2007.</p>      <p><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>. Ministério da Saúde, Alto Comissariado    da Saúde, Health Strategies in Portugal. The National Health Plan 2004-2010.</p>      <p>8. Schneider A, Dinant GJ, Maag I, Gantner    L, Meyer JF and Szecsenyi. The added value of C-reactive protein to clinical    signs and symptoms in patients with obstructive airway disease: results of a    diagnostic study in primary care. BMC Family Practice 2006, 7:28.</p>      <p><a href="#top9">9</a><a name="9"></a>. COPD Guidelines. American Thoracic Society    and European Respiratory Society 2004. Disponível online em <a href="http://www.thoracic.org/sections/copd/" target="_blank">http://www.thoracic.org/sections/copd/</a>,    último acesso em 16/02/2009.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>10. Booker R. Vital DPOC. Londres: Class    Publising Ltd 2005.</p>      <p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>. Geijer RMM, Sachs APE, Hoes AW, Salomé    PL, Lammers JJ, Verheij TJM. Prevalence of undetected persistent airflow obstruction    in male smokers 40-65 years old. Fam. Pract 22:485-489, 2005.</p>      <p>12. Lindberg A. Chronic obstructive pulmonary    disease (COPD): Prevalence, incidence, decline in lung function and risk factors.    The Obstructive Lung Disease in Northern Sweden Studies Thesis VI. 2004.</p>      <p><a href="#top13">13</a><a name="13"></a>. Franssen <i>et al. </i>Obesity and    the lung: obesity and COPD. Thorax 2008; 63: 1110 -1117.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c1"></a><a href="#topc1">Correspondência</a></b></p>     <p>Unidade de Saúde Familiar Camélias</p>      <p>Centro de Saúde de Soares dos Reis/Oliveira do Douro, Unidade de Soares dos Reis</p>      <p>Coordenador: Dr.José Varandas</p>      <p>Rua João de Deus, 98 / 106 – Mafamude</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>4410-182 Vila Nova de Gaia</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publicação/<i>received for publication:</i>09.03.25</p>     <p>Aceite para publicação/<i>accepted for publication:</i>09.08.06</p>      ]]></body><back>
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