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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estarão diferentes as pneumonias agudas adquiridas na comunidade com internamento hospitalar em idade pediátrica na última década?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The past few years have seen a decline in community acquired pneumonia (CAP) in children in the western world, although this has gone hand-in-hand with more serious cases needing hospital admission. Our study characterises cases of CAP admitted to hospital and compares this data with a 2001 study. We collected data on 63 admissions over a six-month period. The majority were aged 0-2 years old. Chest X-ray showed consolidation/atelectasy in 58 (92.1%) and pleural effusion (PE) in 17 (27.0%), of which 11 were empyema (17.4% of all admissions). The bacterial agent was isolated in five cases: Streptococcus pyogenes (two, pleural fluid), Streptococcus pneumoniae (two, blood culture) and Haemophilus influenzae (one, blood culture). Sixty-one children (96.8%) were prescribed antibiotherapy. The median length of hospital stay was five days. Patients with PE were older, had a longer course of fever, higher inflammatory parameters, longer hospital stay and longer course of iv antibiotics. Compared to the prior study we found greater severity of CAP, with higher prevalence of PE and empyema. Nevertheless there was a shorter course of fever during hospital stay and shorter hospital stay. We also noticed less antibiotic prescription prior to admission and greater prescription of ampicillin during hospital stay. In the literature, the higher severity of CAP has been partially attributed to the emergence of more aggressive serotypes of Stretococcus pneumoniae not included in the heptavalent vaccine. There is therefore a greater interest in new vaccines containing them. Complicated CAP should be referred to centres specialising in its diagnosis and management.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Estarão diferentes as pneumonias agudas adquiridas na comunidade com internamento hospitalar em idade pediátrica na última década?</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Cláudia Calado</b><sup><b>1</b></sup>, <b>Pedro Nunes</b><sup><b>2</b></sup>,  <b>Luísa Pereira</b><sup><b>3</b></sup>, <b>Teresa Nunes</b><sup><b>3</b></sup>,  <b>Celeste Barreto</b><sup><b>3</b></sup>, <b>Teresa Bandeira</b><sup><b>3</b></sup></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>1 Hospital de Faro EPE. Serviço de Pediatria. Director: Dr. José Maio/<i>Hospital de Faro EPE. Paediatrics Unit. Director Dr. José Maio</i></p>      <p>2 Hospital Fernando da Fonseca. Serviço de Pediatria. Director: Dra Helena Carreiro/<i>Hospital Fernando da Fonseca. Paediatrics Unit. Director Dr. Helena Carreiro</i></p>      <p>3 Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte. Unidade de Pneumologia Pediátrica. Clínica Universitária de Pediatria. Departamento da Criança e da Família.</p>      <p>Director: Prof. Doutor J C Gomes Pedro/<i>Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte. Paediatric Pulmonology Unit. University Paediatrics Clinic. Child and Family Department. Director Prof. Doctor J C Gomes Pedro</i></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspondência</a></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      <p>Nos últimos anos tem sido descrita, no mundo ocidental, uma redução da incidência da pneumonia aguda da comunidade (PAC) nas crianças, parodoxalmente associada a maior gravidade dos casos internados. O presente estudo pretendeu caracterizar os casos de PAC internados e compará-los com um estudo anterior a 2001.</p>      <p>Recolhemos dados referentes a 63 internamentos, durante seis meses. Houve predomínio do grupo dos 0-2 anos.</p>      <p>Na radiografia torácica, em 58 casos (92,1%) detectou–se condensação/atelectasia e em 17 (27,0%) derrame pleural (DP). Onze dos DP corresponderam a empiema (17,4% dos internamentos). Isolou-se agente bacteriano em cinco casos: <i>Streptococcus pyogenes </i>(dois, líquido pleural), <i>Streptococcus pneumoniae </i>(dois, hemocultura) e <i>Haemophilus influenzae </i>(um, hemocultura). Foi prescrita antibioticoterapia em 61 (96,8%) crianças. A duração mediana de internamento foi de cinco dias. Constatou-se, nos casos de DP, idade superior, maior duração de febre, proteína C reactiva mais alta e maior duração de internamento e de antibioticoterapia endovenosa. Comparativamente com o estudo anterior, constatou-se haver maior gravidade dos casos internados, traduzida por maior incidência de DP e empiema; paradoxalmente, registou-se menor duração da febre em meio hospitalar e menor duração do internamento. No estudo actual houve menor prescrição antibiótica prévia à admissão e maior prescrição de ampicilina durante o internamento.</p>     <p>Na literatura, a maior gravidade das pneumonias internadas nos últimos anos tem sido associada à emergência de serotipos mais agressivos de <i>Stretococcus pneumoniae </i>não integrados na vacina heptavalente, assumindo interesse crescente a introdução de vacinas que os incluam. As pneumonias complicadas devem ser orientadas para centros de referência com experiência no seu diagnóstico e tratamento.</p>      <p><b>Palavras-chave: </b>Pneumonia, internamento, empiema, vacina, <i>Streptococcus pneumoniae.</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Are there any differences in the community acquired pneumonias admitted to hospital over the past decade?</b></p>      <p><b>Abstract</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The past few years have seen a decline in community acquired pneumonia (CAP) in children in the western world, although this has gone hand-in-hand with more serious cases needing hospital admission. Our study characterises cases of CAP admitted to hospital and compares this data with a 2001 study.</p>     <p>We collected data on 63 admissions over a six-month period. The majority were aged 0-2 years old. Chest X-ray showed consolidation/atelectasy in 58 (92.1%) and pleural effusion (PE) in 17 (27.0%), of which 11 were empyema (17.4% of all admissions). The bacterial agent was isolated in five cases: <i>Streptococcus pyogenes</i> (two, pleural fluid), <i>Streptococcus pneumoniae</i> (two, blood culture) and <i>Haemophilus influenzae</i> (one, blood culture). Sixty-one children (96.8%) were prescribed antibiotherapy. The median length of hospital stay was five days. Patients with PE were older, had a longer course of fever, higher inflammatory parameters, longer hospital stay and longer course of iv antibiotics. Compared to the prior study we found greater severity of CAP, with higher prevalence of PE and empyema. Nevertheless there was a shorter course of fever during hospital stay and shorter hospital stay. We also noticed less antibiotic prescription prior to admission and greater prescription of ampicillin during hospital stay.</p>     <p>In the literature, the higher severity of CAP has been partially attributed to the emergence of more aggressive serotypes of <i>Stretococcus pneumoniae</i> not included in the heptavalent vaccine. There is therefore a greater interest in new vaccines containing them. Complicated CAP should be referred to centres specialising in its diagnosis and management.</p>      <p><b>Key-words:</b> Pneumonia, hospital admission, empyema, vaccine, <i>Streptococcus pneumoniae</i>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdução</b></p>      <p>A pneumonia aguda da comunidade (PAC) continua a ser nos dias correntes causa    importante de morbilidade e mortalidade no grupo pediátrico, sobretudo nos países    não industrializados<sup><a href="#1">1-9</a><a name="top1"></a></sup>. A incidência    real é difícil de avaliar, uma vez que a maior parte dos dados epidemiológicos    disponíveis provêm de estudos limitados a populações de crianças diagnosticadas    e tratadas em meio hospitalar<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>.</p>        <p>Em estudos anteriores, a incidência da PAC nos países industrializados é avaliada    entre 1 a 40 casos/1000 crianças/ano<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#9">9-14</a><a name="top9"></a></sup>,    com uma diminuição nos últimos anos que tem sido atribuída à introdução da vacina    pneumocócica heptavalente (PnV)<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>,<a href="#15">15-18</a></sup><a name="top15"></a>.    Foi demonstrada eficácia da PnV na redução da incidência de pneumonia em 23%    nos dois primeiros anos de vida e 32% no primeiro ano<sup><a href="#16">16</a><a name="top16"></a></sup>.</p>         <p>A decisão terapêutica fundamenta-se na presunção da etiologia da pneumonia    (bacteriana <i>versus </i>viral). A determinação etiológica é, no entanto, difícil    quando baseada somente em critérios clínicos, epidemiológicos, radiológicos    e analíticos<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#6">6</a><a name="top6"></a>,<a href="#16">16</a><a name="top16"></a>,<a href="#19">19</a><a name="top19"></a></sup>,    cada um com baixa especificidade diagnóstica, pelo que têm sido descritos modelos    preditivos de etiologia combinando vários destes parâmetros<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a>,<a href="#11">11</a><a name="top11"></a></sup>.    O agente etiológico não é identificado em cerca de 50% dos casos de PAC internadas<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#9">9</a><a name="top9"></a>,<a href="#14">14</a><a name="top14"></a>,<a href="#16">16</a>,<a href="#19">19</a><a name="top19"></a></sup>,    o que pode ser explicado pela baixa rentabilidade diagnóstica dos exames culturais    não invasivos. Estudos epidemiológicos indicam que o <i>Streptococcus pneumoniae    </i>continua a ser o principal agente etiológico das PAC no grupo pediátrico<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a>,<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>,<a href="#16">16-28</a><a name="top22" id="top22"></a></sup>.    A emergência de estirpes do agente resistentes à penicilina e cefalosporinas    nos últimos anos<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#5">5</a><a name="top5"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#17">17</a><a name="top17"></a>,<a href="#20">20</a><a name="top20"></a>,<a href="#23">23</a><a name="top23"></a>,<a href="#24">24</a><a name="top24"></a>,<a href="#26">26-32</a><a name="top26"></a></sup>    tem merecido a preocupação de clínicos e microbiologistas. Estudos efectuados    em Portugal apontam, em oposição, para uma diminuição da prevalência de estirpes    resistentes à penicilina isoladas no grupo pediátrico, coincidente com a introdução    da PnV<sup><a href="#33">33</a><a name="top33"></a>,<a href="#34">34</a><a name="top34"></a></sup>.</p>        <p>Apesar da redução da incidência das PAC, o número de internamentos tem aumentado<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup>,    sendo descritos casos com maior gravidade e maior incidência de complicações    associadas<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#35">35-40</a><a name="top35"></a></sup>.    A explicação para a maior gravidade das pneumonias internadas não está determinada<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#39">39</a><a name="top39"></a></sup>,    não parecendo haver relação com a ocorrência de microrganismos resistentes à    antibioticoterapia<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#40">40</a><a name="top40"></a></sup>.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O aumento em prevalência de estirpes agressivas de <i>Streptococcus pneumoniae    </i>no grupo pediátrico não contempladas na PnV desde a introdução da mesma    – sustentada em vários estudos, incluindo alguns efectuados em Portugal<sup><a href="#33">33</a><a name="top33"></a>,<a href="#41">41</a><a name="top41"></a></sup>–    tem sido postulada como hipótese explicativa<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#37">37</a><a name="top37"></a>,<a href="#40">40</a><a name="top40"></a>,<a href="#42">42</a><a name="top42"></a></sup>,    carecendo ainda de estudos multicêntricos dirigidos.</p>        <p>O presente estudo pretendeu    caracterizar os casos de PAC internados numa unidade de pneumologia pediátrica    de um hospital terciário e a comparação dos dados com aqueles referentes a um    estudo desenvolvido da mesma unidade num tempo anterior ao ano de 2001<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Doentes e métodos</b></p>      <p>Foi conduzido um estudo retrospectivo transversal de análise dos processos    clínicos de crianças internadas na Unidade de Pneumologia Pediátrica do hospital    terciário Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte, com o diagnóstico de    PAC, durante um período de 6 meses (Outubro de 2007 a Março de 2008).</p>      <p>Foram    excluídas do estudo crianças com doenças neuromusculares e fibrose quística.</p>  Definimos PAC como a ocorrência de febre  e/ou sintomas e sinais agudos do tracto    respiratório inferior associados a infiltrados parenquimatosos na radiografia    do tórax, sendo o diagnóstico feito nas primeiras 48 horas de internamento e    na ausência de internamento nos 7 dias prévios. Considerámos o diagnóstico de    empiema na presença de derrame pleural (DP) com pH inferior a 7,21 e/ ou isolamento    de agente bacteriológico e/ /ou formação de septos e loculações visualizados    por ecografia torácica. Considerou–se PAC complicada quando na presença de abcesso,    necrotização ou DP.</p>      <p>Recolhemos os dados dos processos clínicos referentes à    demografia, comorbilidades, antecedentes familiares, clínica, exames laboratoriais,    imagem, terapêutica e evolução.</p>      <p>Foram considerados para análise comparativa    com o presente estudo os dados incluídos no estudo efectuado em crianças com    diagnóstico de PAC internadas na mesma unidade hospitalar, durante o período    de Janeiro de 1996 a Dezembro de 2000<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>.</p>      <p>A análise estatística foi conduzida com recurso ao programa SPSS 15© para o    Windows. As variáveis contínuas foram analisadas recorrendo aos testes t, Mann–Whitney    U, One Way ANOVA e teste de Kruskal-Wallis. Para a análise das variáveis categóricas    foram utilizados os testes ÷2 e teste exacto de Fisher. Todos os testes foram    efectuados com duas caudas, sendo considerado como estatisticamente significativo    um valor de p&lt;0,05.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados</b></p>      <p>Foram analisados os processos clínicos de 63 crianças internadas com o diagnóstico de PAC e cumprindo os critérios de inclusão, correspondente a 22% do total de internamentos na unidade durante o período de seis meses. Destas crianças, 30 (47,6%) eram do sexo masculino e 33 (52,4%) do sexo feminino. A idade variou entre um mês e 12 anos, com mediana de 24 meses. De acordo com o grupo etário, 32 (50,8%) tinham entre 0-2 anos, 17 (27,0%) 2-4 anos,  9 (14,3%) 4-6 anos, 1 (1,6%) 6-8 anos, 0 8-10 anos e 4 (6,3%) &#8805; 10 anos.</p>      <p>Quanto aos antecedentes familiares, em dois casos (3,2%) havia história de doença pulmonar e em 16 (25,4%) de atopia. Dos 34 casos em que eram conhecidos os hábitos tabágicos dos progenitores, em 14 (41,2%) estavam presentes e em 20 (58,9%) ausentes. Relativamente aos antecedentes pessoais patológicos investigados, oito crianças (12,7%) tinham história de doença pulmonar: duas de sibilância recorrente, uma de asma e uma de bronquiectasias. Duas (3,2%) tinham imunodeficiência confirmada ou suspeitada. Obteve–se informação acerca do estado vacinal com PnV em 19 crianças, tendo sido efectuada em 13 (68,4%).</p>      <p>Todas as crianças internadas tiveram febre no curso da doença, com uma duração mediana de 4 dias (1-21). A duração mediana de febre antes da admissão foi de dois dias (1-15) e durante o internamento de um dia (0-20). Em 40 crianças (63,5%) houve registo de sinais de dificuldade respiratória.</p>      <p>Todas as crianças efectuaram radiografia do tórax na admissão. Em 58 casos (92,1%) verificou-se  padrão de condensação/atelectasia, em 17 (27,0%) DP e em um (1,6%) imagem de necrotização. A avaliação imagiológica e/ou analítica confirmou tratarem-se de empiemas 11 dos 17 DP (17,5% dos internamentos).</p>      <p>A avaliação analítica na admissão hospitalar revelou leucócitos &gt;15 000×106/L em 41 (65,1%) dos casos, com valor médio (±DP) de 24 623,1 ± 7958,2×106/L. Uma criança apresentava leucopenia (3900×106/L). O valor mediano de proteína C reactiva (mg/dL) foi de 16,3 (mínimo 0,7; máximo 54,3), sendo em 44 crianças (69,9%) superior a cinco.</p>      <p>Foi isolado agente bacteriano em cinco casos (7,9%), três dos quais em hemocultura (dois <i>Streptococcus pneumoniae </i>e um <i>Haemophilus influenzae</i>) e dois no líquido pleural (<i>Streptococcus pyogenes</i>). A rentabilidade diagnóstica do exame cultural do líquido pleural foi de 11,8% e a da hemocultura de 5,8%. As duas crianças com infecção por <i>Streptococcus pneumoniae </i>tinham esquema vacinal com PnV completo, não tendo sido possível a serogrupagem dos agentes.</p>      <p>Em nove crianças (14,3%) tinha sido instituída antibioticoterapia antes da admissão, com uma duração mediana de cinco dias. Durante o internamento foi prescrito antibiótico em 61 (96,8%) casos, com duração mediana de quatro dias por via endovenosa. Foi prescrito na admissão o seguinte esquema antibiótico: ampicilina em 47 (77,0%) casos, amoxicilina e ácido clavulânico em sete (11,5%), ceftriaxone em quatro (6,6%), cefuroxima em um (1,6%) e eritromicina noutro (1,6%).</p>      <p>Em 11 crianças (17,5%) o esquema de antibioticoterapia foi alterado durante o internamento. Vinte e sete (42,9%) necessitaram de oxigenioterapia, com uma duração mediana de cinco dias. Duas (3,2%) foram submetidas a ventilação mecânica, com duração mediana de cinco dias.</p>      <p>O internamento teve uma duração mediana  de cinco dias (1-25).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi isolado agente (<i>Streptococcus pyogenes</i>) no líquido pleural em dois dos 11 casos de empiema. Dos restantes nove em que não foi isolado agente, quatro tinham antibioticoterapia instituída previamente. O empiema foi abordado com atitude expectante (sem intervenção) em um caso (9,1%), com colocação de dreno torácico em três (27,3%), instilação de agente fibrinolítico (estreptocinase) em dois (18,2%) e cirurgia (toracoscopia ou toracotomia) em cinco (45,4%). A duração mediana de febre durante o internamento, de acordo com abordagem, foi a seguinte: atitude expectante oito dias, dreno torácico três dias, fibrinolíticos 5,5 dias e intervenção cirúrgica seis dias. A duração mediana do internamento, em relação à mesma variável, foi: atitude expectante 13 dias, dreno torácico 11, fibrinolíticos 10,5 e intervenção cirúrgica 23.</p>      <p>A análise estatística comparativa dos casos de DP com aqueles sem DP (Quadro I) demonstrou idade superior das crianças no primeiro grupo (p&#8804;0,001). As crianças com DP tiveram maior duração de febre no curso da doença (p&#8804;0,001) e durante o internamento (p&#8804;0,001), não havendo diferença estatisticamente significativa para a maior duração de febre antes da admissão (p=0,135). No grupo com DP houve maior frequência de instituição de antibioticoterapia prévia à admissão, apesar de a diferença não atingir significado estatístico (p=0,052). O valor de proteína C reactiva foi superior nas crianças com DP (p&#8804;0,001); não se observou diferença significativa para o número de leucócitos (p=0,606).</p>       <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro I</b> – Comparação de dados clínicos entre crianças com derrame pleural e sem derrame pleural</p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a07q1.gif">      
<p>&nbsp;</p>     <p>As crianças com DP tiveram maior duração do internamento (p&#8804;0,001) e maior duração de antibioticoterapia endovenosa (p&#8804;0,001).</p>      <p>Na comparação estatística entre o presente estudo e o decorrido entre 1996-2000 (Quadro II), não foram encontradas diferenças na distribuição da idade ou no sexo das crianças.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro II</b> – Comparação de dados clínicos entre as crianças internadas no estudo actual com as internadas no estudo decorrido entre 1996-2000<sup>1</sup></p> <img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a07q2.gif">      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No estudo prévio uma maior proporção de crianças cumpria antibioticoterapia na altura da admissão (p=0,008). A ocorrência de febre foi mais prevalente na actualidade (p=0,018).</p>      <p>Relativamente à radiografia torácica efectuada na admissão, a proporção de crianças com sinais de condensação/atelectasia e de DP foi estatisticamente superior no estudo actual (p=0,013 e p&#8804;0,001, respectivamente). A incidência de empiema foi também significativamente mais alta na actualidade (p&#8804;0,001).</p>      <p>Na avaliação analítica, foram constatados valores superiores no presente trabalho em relação ao número de leucócitos (p&#8804;0,001) e de proteína C reactiva (p=0,002). O esquema de antibioticoterapia instituído apresentou diferenças entre os estudos, com prescrição mais frequente de ampicilina no actual (p&#8804;0,001) e de amoxicilina e ácido clavulânico no anterior (p=0,003); não foram encontradas diferenças na prescrição de macrólidos ou de cefalosporinas. Registou-se maior  taxa de isolamento bacteriano no presente estudo, embora sem significância estatística (p=0,167). A duração da febre durante o internamento e a duração do mesmo foram mais prolongadas no trabalho anterior (p&#8804;0,001 para ambas as análises). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Discussão</b></p>      <p>O advento de novas vacinas nos países industrializados, em concreto a introdução    da PnV (em muitos países já integrante do plano nacional de vacinação, em Portugal    disponível no mercado desde Junho de 2001), tem condicionado alterações na epidemiologia    da PAC<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a>,<a href="#15">15</a><a name="top15"></a>,<a href="#17">17</a><a name="top17"></a>,<a href="#18">18</a><a name="top18"></a>,<a href="#33">33</a><a name="top33"></a></sup>,    com evidência de tendência decrescente da doença documentada em vários estudos<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>,<a href="#15">15-18</a><a name="top15"></a></sup>.    Paradoxalmente, tem-se assistido a um aumento no número de internamentos por    pneumonia em idade pediátrica<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup>,    assim como a maior gravidade dos casos internados, com maior registo de complicações<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#35">35-40</a><a name="top35"></a></sup>.    Permanece por explicar a razão para o aumento da gravidade das pneumonias, postulando–se    causas hipotéticas inerentes ao hospedeiro, ao agente e/ou ao ambiente<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#39">39</a><a name="top39"></a></sup>.    Tem sido, em parte, atribuído a uma alteração nos serotipos de <i>Streptococcus    pneumoniae </i>causadores da doença, com emergência de serotipos mais agressivos    (sobretudo os serotipos 1 e 3), não incluídos na PnV<sup><a href="#17">17</a><a name="top17"></a>,<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#33">33</a><a name="top33"></a>,<a href="#35">35</a><a name="top35"></a>,<a href="#37">37</a><a name="top37"></a>,<a href="#40">40</a><a name="top40"></a>,<a href="#41">41</a><a name="top41"></a>,<a href="#43">43</a><a name="top43"></a></sup>.</p>        <p>Em Portugal foi já documentada em estudos multicêntricos a alteração na prevalência    dos serotipos do agente desde a introdução da vacina, com aumento dos não incluídos    e simultânea diminuição dos incluídos<sup><a href="#33">33</a><a name="top33"></a>,<a href="#41">41</a><a name="top41"></a></sup>.    O aparecimento de um maior número de estirpes de <i>Streptococcus pneumoniae    </i>resistentes à penicilina e a outros agentes antimicrobianos (nomeadamente    às cefalosporinas)<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#5">5</a><a name="top5"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#17">17</a><a name="top17"></a>,<a href="#20">20</a><a name="top20"></a>,<a href="#23">23</a><a name="top23"></a>,<a href="#24">24</a><a name="top24"></a>,<a href="#26">26-32</a><a name="top26"></a></sup>    foi também colocada como hipótese explicativa, mas tem sido rejeitada por vários    estudos<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a></sup>,    nos quais também se demonstra a eficácia da terapêutica com penicilina e outros    â-lactâmicos nas estirpes com sensibilidade intermédia e em algumas com resistência    à penicilina<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#6">6</a><a name="top6"></a>,<a href="#23">23</a><a name="top23"></a>,<a href="#29">29</a><a name="top29"></a></sup>.</p>        <p>No presente estudo, a baixa taxa de identificação de agente bacteriano (7,9%),    inferior à descrita na literatura<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#16">16</a><a name="top16"></a></sup>,    poderá dever-se ao não recurso a outros métodos de diagnóstico para além de    exames culturais (sangue e líquido pleural), como serologia e pesquisa de antigénios    capsulares. A rentabilidade diagnóstica da hemocultura (5,8%) está de acordo    com o descrito na literatura<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#19">19</a><a name="top19"></a></sup>.    A rentabilidade do exame cultural do líquido pleural (18,2%), por sua vez, foi    mais baixa do que o esperado<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#16">16</a><a name="top16"></a>,<a href="#27">27</a><a name="top27"></a>,<a href="#36">36</a><a name="top36"></a>,<a href="#37">37</a><a name="top37"></a></sup>,    o que pode em parte ser explicado por cerca de 50% das crianças sem isolamento    de agente estarem já medicadas com antibiótico por altura da colheita. Num estudo    multicêntrico recente efectuado no Reino Unido<sup><a href="#44">44</a><a name="top44"></a></sup>,    o isolamento de agente no LP foi sobreponível (17%), tendo sido colocada idêntica    hipótese explicativa para a baixa prevalência. Não foram considerados para o    estudo os resultados culturais da expectoração, pela sua comprovada baixa especificidade<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a>,<a href="#4">4</a><a name="top4"></a>,<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>,<a href="#12">12</a><a name="top12"></a></sup>.</p>        <p>As elevadas incidências de DP (27,0%) e de empiema (17,5%) nas PAC internadas,    superiorà constatada em estudos recentes (15 -16% para o derrame pleural e 0,6    -3% para o empiema) <sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#35">35</a><a name="top35"></a>,<a href="#37">37</a><a name="top37"></a>,<a href="#39">39</a><a name="top39"></a></sup>,    devem ser interpretadas com precaução, dado corresponderem aos internamentos    decorrentes numa unidade de pneumologia pediátrica de um hospital terciário,    destino de referenciação de várias outras entidades hospitalares. As pneumonias    complicadas com derrame ocorreram em crianças mais velhas, dado que está de    acordo com um estudo recente<sup><a href="#28">28</a><a name="top28"></a></sup>,    mas em desacordo com outros mais remotos<sup><a href="#36">36</a><a name="top36"></a></sup>.    Não foi comprovada a associação demonstrada em estudos anteriores com a instituição    de antibioticoterapia prévia ao internamento<sup><a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#35">35</a><a name="top35"></a></sup>,    apesar de a proporção de crianças previamente medicadas ser maior no grupo com    PAC complicada. Concordantes com a literatura estão os parâmetros clínicos associados    a maior gravidade da doença nas PAC com derrame, como a maior duração de febre    durante o internamento, maior duração de antibioticoterapia endovenosa e maior    duração do internamento<sup><a href="#28">28</a><a name="top28"></a></sup>.    No presente estudo foram demonstrados valores mais altos de proteína C reactiva,    sem diferença estatística para os valores de leucócitos, dados concordantes    com os de estudos recentes<sup><a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,<a href="#35">35</a><a name="top35"></a></sup>.    O agente isolado nos dois casos de DP, <i>Streptococcus pyogenes</i>, tem sido    descrito como um dos principais patogénicos na pneumonia complicada com empiema,    apesar de com menor prevalência do que o <i>Streptococcus pneumoniae</i>, o    primeiro agente etiológico associado<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#16">16</a><a name="top16"></a>,<a href="#27">27</a><a name="top27"></a>,<a href="#36">36</a><a name="top36"></a>,<a href="#37">37</a><a name="top37"></a>,<a href="#39">39</a><a name="top39"></a>,<a href="#44">44</a><a name="top44"></a></sup>.</p>        <p>Outras bactérias frequentemente implicadas no derrame complicado são o <i>Staphylococcus    aureus </i>e o <i>Haemophilus influenzae</i>, sendo que a ordem de prevalência    entre os agentes varia amplamente entre os estudos<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#16">16</a><a name="top16"></a>,<a href="#27">27</a><a name="top27"></a>,<a href="#36">36</a><a name="top36"></a>,<a href="#37">37</a><a name="top37"></a>,<a href="#39">39</a><a name="top39"></a>,<a href="#44">44</a><a name="top44"></a></sup>.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais raramente são isolados patogénicos, como <i>Pseudomonas aeruginosa</i>,    espécies de micobactérias, <i>Mycoplasma pneumoniae, Klebsiella,  Enterobacter,    Proteus, Salmonella, Yersinia </i>e anaeróbios<sup><a href="#39">39</a><a name="top39"></a>,<a href="#44">44</a><a name="top44"></a></sup>.</p>        <p>A abordagem terapêutica do empiema continua a ser controversa e extensamente    debatida na literatura mais actual<sup><a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#30">30</a><a name="top30"></a>,<a href="#36">36</a><a name="top36"></a>,<a href="#38">38</a><a name="top38"></a>,<a href="#44">44-46</a><a name="top44"></a></sup>,tendo    sido objecto recente de revisão na unidade do presente estudo. Na presente série,    os empiemas tratados com desbridamento cirúrgico (quer por toracotomia quer    por toracoscopia) tiveram uma duração de internamento superior à dos tratados    com dreno e com instilação de fibrinolíticos.</p>        <p>Correspondendo a uma série pequena,    esta constatação não merece análise crítica e pode ser interpretada como resultado    de uma maior gravidade dos casos de empiema tratados cirurgicamente. Relembra-se    a indicação já descrita na literatura<sup><a href="#44">44</a><a name="top44"></a></sup>    de referenciação dos casos de empiema para centros terciários com experiência    na sua abordagem diagnóstica e terapêutica.</p>        <p>A análise comparativa do presente    estudo com o realizado na mesma unidade no perío do 1996-2000<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>    permite constatar diferenças significativas relativas à gravidade das pneumonias,    a atitudes terapêuticas e à evolução das PAC. A incidência de internamento por    PAC foi significativamente superior no estudo actual (10,5 internamentos por    mês comparando com 5,2 internamentos por mês no estudo anterior); no entanto,    deve ser salvaguardado o facto de o presente estudo incluir um período de 6    meses em que, epidemiologicamente, a pneumonia tem maior incidência, em oposição    ao estudo prévio que decorreu num período de tempo significativamente superior    e incluindo as quatro estações de vários anos.</p>        <p>Constata-se, à semelhança dos    recentes relatos da literatura<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a>,<a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#21">21</a><a name="top21"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#35">35-39</a><a name="top35"></a></sup>,    uma maior gravidade das pneumonias internadas no estudo actual, com valor mais    alto de proteína C reactiva e significativamente maior incidência de DP (9,7%    <i>vs </i>27,0%) e de empiema (1,6% <i>vs </i>17,5%). Assumiu também diferença    estatística o valor de proteína C reactiva, superior no estudo actual.</p>        <p>Ao contrário    do que seria esperado face à maior gravidade das PAC no estudo actual, comparativamente    ao anterior, a evolução clínica foi mais favorável no primeiro, traduzida por    menor duração da febre durante o internamento e por menor duração deste.</p>        <p>Foram    ainda encontradas diferenças na abordagem das PAC internadas, constatando-se    no presente estudo maior frequência de prescrição de ampicilina e da associação    de amoxicilina e ácido clavulânico, o que está de acordo com a tendência actual    de prescrição, sem relação com piores resultados<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a>,<a href="#16">16</a><a name="top16"></a>,<a href="#18">18</a><a name="top18"></a>,<a href="#19">19</a><a name="top19"></a>,<a href="#24">24</a><a name="top24"></a>,<a href="#28">28</a><a name="top28"></a>,<a href="#45">45</a><a name="top45"></a></sup>.    Estas constatações podem suscitar a hipótese de que as PAC são tratadas de modo    mais eficaz na actualidade.</p>        <p>Adicionalmente, pode especular-se que a análise    crítica efectuada no estudo anterior, em que uma percentagem não desprezível    de casos foi considerada presumivelmente de etiologia viral, influenciou a tendência    actual de internamento por PAC na mesma unidade, com uma redução no internamento    de PAC em crianças com menor gravidade clínica. Estudos efectuados em pneumonias    e outras doenças respiratórias agudas sugerem que existe uma aprendizagem feita    com base em auditorias, com reflexos na actuação clínica<sup><a href="#47">47-51</a><a name="top47"></a></sup>.</p>       <p>O    estabelecimento de normas orientadoras de diagnóstico e terapêutica das PAC    e das PAC complicadas<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a>,<a href="#44">44</a><a name="top44"></a>,<a href="#46">46</a><a name="top46"></a>,<a href="#52">52</a><a name="top52"></a></sup>    tem condicionado uma uniformização de atitudes nos centros hospitalares dos    vários países, apesar das necessárias diferenças relativas às características    epidemiológicas próprias de determinadas regiões. As modificações constantes    na epidemiologia da doença obrigam à realização continuada de estudos multicêntricos    e de revisões sistemáticas baseadas nos mesmos, de modo a assegurar uma continuada    adequação de procedimentos.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclusões</b></p>      <p>Na última década tem sido documentada maior gravidade das pneumonias internadas, associada a maior taxa de complicações. Não tendo sido estabelecida uma justificação para esta alteração na epidemiologia da doença, tem sido apontada como possível causa a emergência de serotipos do <i>Streptococcus pneumoniae </i>não contemplados na PnV. A  futura introdução no mercado das vacinas 9 –valente e 13 -valente, que integram serotipos considerados agressivos e responsáveis por um número significativo de pneumonias complicadas, assume maior relevância, devendo merecer a atenção dos clínicos. Apesar da maior gravidade descrita, o presente estudo sugere uma mais favorável evolução das PAC internadas, com menor duração dos sintomas e do internamento. Dada a potencial gravidade dos casos de DP no grupo pediátrico e a controvérsia que se mantém em relação à eficácia e morbilidade associadas às várias técnicas, sugere-se o seu tratamento em centros de referência.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Agradecimento</b></p>      <p>O nosso sincero agradecimento à Dra. Sofia Quintas, pela sua colaboração, sem a qual este trabalho não teria sido possível.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bibliografia</b></p>      <!-- ref --><p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Quintas S, Boto A, Pereira L, Barreto,    C, Lito L. Pneumonia aguda da comunidade na criança – Decisão terapêutica. Acta    Pediatr Port 2002; 33(2):85-92&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0873-2159201000020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>. Sociedade Portuguesa de Pediatria –    Secção de Pneumologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Pneumonia adquirida    na comunidade. Orientações para actuação em pediatria. Acta Pediatr Port 2007;    38(2):90-92.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0873-2159201000020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>. Martin FC, Torrecilla BL, Artigao FB,    Miguel MJG, G´mez MIJ, Santos, JA, Echevarría M. Incremento de la incidencia    de neumonía bacteriana entre 2001 y 2004. An Pediatr (Barc) 2008; 68(2):99-102.</p>      <p><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Chiang WC, Teoh OH, Chong CY, Goh A,    Tang JPL, Chay OM. Epidemiology, clinical characteristics and antimicrobial    resistance patterns of communityacquired pneumonia in 1702 hospitalized children    in Singapore. Respirology 2007; 12:254-261.</p>      <p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>. Nasrin D, Collignon PJ, Wilson EJ, Pilotto    LS,Douglas RM. Antibiotic resistance in <i>Streptococcus pneumoniae </i>isolated    from children. J Paediatr Child Health 1999; 35:558-561</p>      <p><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Moreno L, Krishnan JA, Duran P, Ferrero    F. Development and validation of a clinical prediction rule to distinguish bacterial    from viral pneumonia in children. Pediatric Pneumology 2006; 41:331-337.</p>      <p><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>. Dowell SF, Kupronis BA, Zell ER, Shay    DK. Mortality from pneumonia in children in the United States 1939 through 1996.    N Eng J Med 2000; 342(19):1399-1407.</p>      <p><a href="#top1">8</a><a name="1"></a>. Grafakou O, Moustaki M, Tsolia M, Kavazarakis    E, Mathioudakis J, Fretzayas A, Nicolaidou P, Karpathios T. Can chest X-ray    predict pneumonia severity? Pediatric Pneumology 2004; 38:465-469.</p>      <p><a href="#top9">9</a><a name="9"></a>. Naranjo OR, Marco JA. Pneumonia awarness    year, 2004: scientific impact through publications in archivos de bronconeumologia.    Arch Bronconeumol 2006; 2(10):541-552. </p>      <p><a href="#top10">10</a><a name="10"></a>. Campana MB, Reigosa BA, Ruiz SJ,    Olavarría FE, Granero MAM. Está aumentando la incidência de derrames pleurales    paraneumónicos? An Pediatr(Barc) 2008;68(2):92-98.</p>      <p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>. Solas VP. Aspectos clinicoepidemiológicos    de la neumonia neumocócica. Diagnóstico diferencial. An Pediatr 2003; 1(2):14-17.</p>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>Cláudia Calado</p>      <p>Hospital de Faro EPE. Serviço de Pediatria</p>      <p>Rua Penedo Leão</p>      <p>8000 Faro</p>      <p><i>e-mail: </i><a href="mailto:claudiasilvacalado@hotmail.com">claudiasilvacalado@hotmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publicação/<i>received for publication:</i> 09.03.31</p>     <p>Aceite para publicação/<i>accepted for publication:</i> 09.07.23</p>      ]]></body><back>
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