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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Esclerose tuberosa com envolvimento pulmonar]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho EPE Serviço de Pneumologia ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Tuberous sclerosis (TS) is a rare, sporadic or autosomal dominant disease characterized by the triad of seizures, mental retardation and angiofibromas. Lungs are rarely involved in TS, and pulmonary involvement is almost always found in females. We report the case of a 52 year-old female, nonsmoker, with a history of seizures in childhood and renal angiomyolipomas. She presented no complaints and her physical exam was normal. Chest CT performed for the evaluation of the disease detected thin-walled pulmonary cysts in both lungs. Lung function tests were normal. Cortical tubers and calcified subependymal nodules were seen in cerebral magnetic resonance. Tuberous sclerosis was diagnosed (lymphangioleiomyomatosis, cortical tubers, calcified subependymal nodules and angiomyiolipomas). The authors present this case because of its rarity and the existence of pulmonary involvement, while still asymptomatic.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Esclerose tuberosa com envolvimento pulmonar</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Susana Ferreira</b><sup><b>1</b></sup>, <b>Carla Nogueira</b><sup><b>1</b></sup>,  <b>Daniela Ferreira</b><sup><b>2</b></sup>, <b>Sofia Neves</b><sup><b>2</b></sup>,  <b>Natália Taveira</b><sup><b>3</b></sup></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup>Interna Complementar de Pneumologia</p>     <p><sup>2</sup>Assistente Hospitalar de Pneumologia</p>     <p><sup>3</sup>Assistente Hospitalar Graduada de Pneumologia CHVNG/Espinho EPE</p>     <p>Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho EPE - Portugal</p>     <p>Directora: Dr.ª Bárbara Parente</p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspondência</a></b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      <p>A esclerose tuberosa (ET) é uma doença rara, esporádica ou transmitida de forma autossómica dominante. Caracteriza-se pela tríade convulsões, atraso mental e angiofibromas faciais. O envolvimento pulmonar é raro e, quando ocorre, é mais frequente no sexo feminino. Os autores apresentam o caso de uma doente de 52 anos, não fumadora, com antecedentes conhecidos de epilepsia na infância e angiomiolipomas renais. Assintomática e sem alterações ao exame objectivo. Em tomografia do tórax realizada para avaliação da doença, foram detectadas formações microquísticas dispersas em ambos os campos pulmonares. Exame funcional respiratório normal. A ressonância magnética cerebral evidenciou tuberosidades corticais e nódulos subependimários calcificados. Concluiu–se pelo diagnóstico de ET (linfangioleiomiomatose, tuberosidades corticais, nódulos subependimários e angiomiolipomas renais). Os autores apresentam o caso pela raridade da doença e do envolvimento pulmonar, ainda que em fase assintomática.</p>      <p><b>Palavras-chave: </b>Angiomiolipoma, esclerose tuberosa, linfangioleiomiomatose.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Tuberous sclerosis with pulmonary involvment</b></p>      <p><b>Abstract</b></p>     <p>Tuberous sclerosis (TS) is a rare, sporadic or autosomal dominant disease characterized by the triad of seizures, mental retardation and angiofibromas. Lungs are rarely involved in TS, and pulmonary involvement is almost always found in females. We report the case of a 52 year-old female, nonsmoker, with a history of seizures in childhood and renal angiomyolipomas. She presented no complaints and her physical exam was normal. Chest CT performed for the evaluation of the disease detected thin-walled pulmonary cysts in both lungs. Lung function tests were normal. Cortical tubers and calcified subependymal nodules were seen in cerebral magnetic resonance. Tuberous sclerosis was diagnosed (lymphangioleiomyomatosis, cortical tubers, calcified subependymal nodules and angiomyiolipomas). The authors present this case because of its rarity and the existence of pulmonary involvement, while still asymptomatic.</p>      <p><b>Key-words:</b> Tuberous sclerosis, lymphangioleiomyomatosis, angiomyolipoma.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdução</b></p>      <p>A esclerose tuberosa (ET) foi reconhecida pela primeira vez em 1880 por Bourneville,    que descreveu as manifestações neurológicas da doença e, daí, a denominação    de doença de Bourneville<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>. A    tríade característica da doença, convulsões, atraso mental e angiofibromas faciais,    foi descrita em 1908 por Vogt<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></sup>.</p>        <p>É uma doença rara, esporádica ou transmitida de forma autossómica dominante,    multissistémica, que se caracteriza pelo crescimento de tumores benignos hamartomatosos    localizados em múltiplos órgãos. Os órgãos mais frequentemente envolvidos são    rim, cérebro, pele, pulmão e coração.</p>        <p>Foram identificadas duas alterações genéticas:    uma mutação no braço longo do cromossoma 9 (conhecida como <i>TSC1– tuberous    sclerosis complex 1</i>) e outra no braço curto do cromossoma 16 (conhecida    como TSC2 <i>– tuberous sclerosis complex 2</i>), presentes em cerca de 80%    dos casos<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>.</p>        <p>Afecta igualmente    ambos os sexos, sem predisposição por raça, e pode surgir em qualquer idade,    diferindo no entanto as manifestações da doença de acordo com a idade de apresentação.    A incidência é de cerca de 1:6000<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></sup>.</p>         <p>O diagnóstico é clínico e baseado nos critérios revistos pela <i>Tuberous Sclerosis    Alliance </i>(TS Alliance) e pelo <i>National Institutes of Health </i>(NIH)    em 1998 (Quadro I)<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a href="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a12q1.gif" target="_blank">Quadro I</a></b> &#8211; Crit&eacute;rios    de diagn&oacute;stico da esclerose tuberosa revistos pela <i>Tuberous Sclerosis    Alliance</i> (TS Alliance) e pelo <i>National Institutes of Health </i>(NIH)    em 1998</p>        
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Considera-se definitivo o diagnóstico de ET na presença de dois critérios <i>major    </i>ou um <i>major </i>e dois <i>minor. </i>O diagnóstico é provável na presença    de um critério <i>major </i>e um <i>minor</i>. A ET é considerada possível na    presença de um critério <i>major </i>ou dois ou mais critérios <i>minor</i>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Relato de caso</b></p>      <p>Os autores apresentam o caso de uma doente de 52 anos, não fumadora, com antecedentes    conhecidos de epilepsia na infância, pré-eclampsia e angiomiolipomas renais    diagnosticados desde a adolescência, mantendo vigilância em consulta de urologia.    Sem novas crises de epilepsia desde os 16 anos. Sem hábitos medicamentosos.    Sem antecedentes familiares relevantes.</p>         <p>Referenciada à consulta de Pneumologia na sequência de alterações na TAC (tomografia    axial computorizada) torácica, realizada para avaliação da doença, que evidenciou    área em vidro despolido no lobo superior esquerdo e inúmeras formações microquísticas    dispersas por ambos os campos pulmonares (Fig. 1). Assintomática e sem alterações    ao exame objectivo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a12f1.gif" width="452" height="406"></p>     
<p><b>Fig. 1</b> &#8211;TAC (tomografi a axial computorizada) tor&aacute;cica    evidenciando &aacute;rea em vidro despolido no lobo superior esquerdo e forma&ccedil;&otilde;es    microqu&iacute;sticas dispersas pelos dois pulm&otilde;es</p>     <p>&nbsp; </p>     <p>Apresentava anemia normocítica normocrómica, velocidade de sedimentação de    15mm na 1.ª hora, marcadores víricos e serologias negativos, função hepática    e renal e estudo imunológico sem alterações. Estudo funcional respiratório com    FVC (<i>forced vital capacity</i>) de 2,61 L (95,4% prev); FEV1 (<i>forced expiratory    volume 1 second</i>) de 2,44 L (105% prev); IT (índice de Tiffenau) de 93,5%;    TLC (<i>total lung capacity</i>) 98,8%; VR (volume residual) 112,4%; VR/TLC    113,7%. Difusão do monóxido de carbono normal (92% prev). Gases do sangue arterial    (FiO<sub>2</sub> 21%): pH 7,412; pO<sub>2</sub> 80,4; pCO<sub>2</sub> 34,5;    HCO<sub>3</sub> 19,7; sO<sub>2</sub> 96,6%. Broncofibroscopia sem alterações,    com microbiologia e citologias para células malignas negativas no lavado brônquico.    Repete TAC  abdominal, mantendo os angiomiolipomas renais já conhecidos (Fig.    2). Realizou ressonância magnética cerebral que demonstrou tuberosidades corticais,    em localização frontal paramediana e temporal posterior direitas e nódulos subependimários    calcificados nos ventrículos laterais (Fig. 3).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a12f2.gif" width="300" height="300"></p>     
<p><b>Fig. 2</b> &#8211; TAC (tomografi a axial computorizada) abdominal evidenciando    angiomiolipomas renais bilaterais</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/pne/v16n2/16n2a12f3.gif" width="579" height="216"></p>     
<p><b>Fig. 3</b> &#8211; RM (resson&acirc;ncia magn&eacute;tica) cerebral - tuberosidades    corticais e n&oacute;dulos subependim&aacute;rios</p>         <p>&nbsp;</p>     <p>Concluiu-se pelo diagnóstico de ET de acordo com as recomendações diagnósticas    da TS Alliance e do NIH <sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>: linfangioleiomiomatose,    tuberosidades corticais, nódulos subependimários e angiomiolipomas renais.</p>        <p>A doente mantém-se em vigilância e assintomática, sem novas alterações    radiológicas.</p>      <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discussão</b></p>      <p>Na ET, as alterações cutâneas e neurológicas são as manifestações mais comuns,    respectivamente 95 e 90% dos doentes<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a>,<a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>.</p>        <p>As manifestações neurológicas podem traduzir-se por convulsões, alterações psiquiátricas    e comportamentais, alterações do desenvolvimento ou atraso mental e dependem    essencialmente do tamanho e localização das tuberosidades corticais, nódulos    su-bependimários e astrocitomas de células gigantes subependimários. As tuberosidades    corticais não apresentam localização preferencial por nenhum lobo. Os nódulos    subependimários encontram-se na parede lateral dos ventrículos e, em 5 -10%    dos casos, podem degenerar em astrocitomas de células gigantes.</p>        <p>As manifestações    cutâneas mais comuns são os angiofibromas faciais, máculas hipomelanocíticas,    fibromas ungueais, periungueais ou gengivais e placas de <i>shagreen </i>(zonas    de pele descolorada mais espessa e áspera no dorso, particularmente na região    lombossagrada). Esta doente não apresentava nenhuma alteração cutânea.</p>        <p>As alterações    renais são o terceiro achado clínico mais frequente e podem ocorrer como angiomiolipomas    renais (&gt;80% dos doentes com ET)7, quistos renais simples, rins poliquísticos    e carcinoma de células renais. Os angiomiolipomas renais habitualmente são múliplos    e bilaterais. A presença de sintomas, como dor, náuseas ou vómitos, está geralmente    associada aos tumores com dimensões superiores a 4cm. O risco de hemorragia    devido à formação de aneurismas também está aumentado nos tumores de maior diâmetro.</p>        <p>As alterações cardíacas manifestam-se em cerca de 50-60% dos doentes com ET,    habitualmente durante a gestação ou no primeiro ano de vida, e habitualmente    sob a forma de rabdomiomas, podendo causar sintomas essencialmente por obstrução    ao fluxo ou por alterações do ritmo. No entanto, a maioria são assintomáticos    e acabam por regredir espontaneamente nos primeiros anos de vida<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a>,<a href="#9">9</a><a name="top9"></a></sup>.</p>        <p>As alterações oftalmológicas são referidas em 50 a 80% dos doentes, dependendo    das séries<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a>,<a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup>.</p>        <p>A alteração pulmonar mais frequente é a linfangioleiomiomatose (LAM). Surge    quase exclusivamente no sexo feminino a partir da terceira ou quarta décadas    de vida. O envolvimento pulmonar, previamente considerado uma manifestação rara,    com uma prevalência inferior a 3% <sup><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></sup>,    pensa-se actualmente poder ter uma maior prevalência.</p>        <p>Um estudo recente que    rastreou por TAC torácico mulheres com ET sem sintomas pulmonares demonstrou    alterações císticas em cerca de 40%<sup><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></sup>.</p>        <p>Na LAM, as células musculares lisas sofrem uma proliferação anormal, comprometendo    os bronquíolos, linfáticos e capilares. A elasticidade pulmonar vai reduzindo,    com consequente diminuição da capacidade vital e aumento do volume residual.    A LAM traduz-se pela presença de cistos nos pulmões, únicos ou múltiplos, variando    de dimensões entre alguns milímetros até vários centímetros. A maior parte dos    doentes manifesta-se com dispneia, pneumotórax, hemoptises ou, mais raramente,    quilotórax.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A tríade clínica completa é incomum em doentes com envolvimento    pulmonar, como aconteceu com esta doente.</p>        <p>No caso clínico apresentado não se    observaram manifestações de todos os órgãos normalmente envolvidos na doença.    Houve predomínio de envolvimento renal, neurológico e pulmonar.</p>        <p>A ET condiciona    uma diminuição da sobrevida, sendo a doença renal e os tumores cerebrais as    principais causas de morte. O prognóstico dos doentes com envolvimento pulmonar    sintomático é reservado, sendo frequente a doença progressiva com insuficiência    respiratória<i>. </i>No entanto, actualmente sabe-se que existem formas variadas    da doença, algumas mais frustres e com um curso clínico mais favorável, como    é o caso desta doente, até à data.</p>        <p>A ET deve ser encarada como uma doença crónica    multissistémica, sendo os objectivos do tratamento a melhor qualidade de vida    possível com o menor número de complicações e efeitos secundários.</p>        <p>Deve ser    fornecido o tratamento de acordo com os sintomas, nomeadamente medicação anticonvulsiva    e tratamento cirúrgico, se possível.</p>        <p>Até à data não existe nenhum tratamento    eficaz para a LAM ou ET, à excepção do transplante pulmonar na fase terminal    da doença. Devido à maior prevalência da LAM na mulher em idade reprodutiva,    pensa-se que os estrogénios possam ter um papel na progressão da doença, pelo    que alguns doentes recebem tratamento hormonal (progesterona), apesar de não    ter sido demonstrado de forma conclusiva o seu benefício<sup><a href="#13">13</a><a name="top13"></a>,<a href="#14">14</a><a name="top14"></a></sup>.</p>        <p>Novas terapêuticas, como a rapamicina, apresentam já os primeiros resultados    positivos. São necessários, no entanto, mais estudos para se confirmar eficácia    e segurança<sup><a href="#15">15</a><a name="top15"></a></sup>.</p>        <p>A resposta aos    diferentes tratamentos testados é variável de doente para doente e nenhum tratamento    demonstrou eficácia em todos os doentes com LAM. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bibliografia</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>. Bourneville DM. Scléreuse tubéreuse    des circonvolutions cérébrales. Idiotie et épilepsie hémiplégiques. Bulletin    de la Société médicale des hôpitaux de Paris 1884; 81-91.</p>      <p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>. Vogt H. Zur Diagnostik der tuberösen    Sklerose. Zeitschrift für die Erforschung und Behandlung des jugendlichen Schwachsinns    auf wissenschaftlicher Grundlage, Jena 1908; 2: 1-16.</p>      <p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>. Cheadle JP, Reeve MP, Sampson JR, Kwiatkowski    DJ. Molecular genetic advances in tuberous sclerosis. Hum Genet 2000; 107(2):97-114.</p>      <p><a href="#top4">4</a><a name="4"></a>. Behrman RE, Kliegman RM, Jenson HB.    <i>In: </i>Nelson, Tratado de pediatria. 17 ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2005;    589(2):2139.</p>      <p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a>. Roach ES, Gomez MR, Northrup H. Tuberous    sclerosis complex consensus conference: revised clinical diagnostic criteria.    J Child Neurol 1998; 13(12):624-28.</p>      <p><a href="#top6">6</a><a name="6"></a>. Sogut A, Ozmen M, Sencer S, Cali&#351;kan    M, Aydinli N, Ertu&#287;rul T, <i>et al. </i>Clinical features of tuberous sclerosis    cases. Turk J Pediatr 2002; 44(2):98 -101. </p>      <p><a href="#top7">7</a><a name="7"></a>. Smith HC, Watson GH, Patel RG, Super    M. Cardiac rhabdomyomata in tuberous sclerosis: their course and diagnostic    value. Arch Dis Child 1989; 64:196 -200.</p>      <p><a href="#top8">8</a><a name="8"></a>. Webb DW, Thomas RD, Osborne JP. Cardiac    rhabdomyomas and their association with tuberous sclerosis. Arch Dis Child 1993;    68(3):367-370.</p>      <p><a href="#top9">9</a><a name="9"></a>. Bjornsson J, Henske EP, Bernestein J.    Renal manifestations. <i>In: </i>Gomez MR, Sampson JR (Eds.). Tuberous sclerosis    complex, 3th edition, Whittemore, New York: Oxford University Press1999, 181-193.</p>      <p><a href="#top10">10</a><a name="10"></a>. Kiribuchi K, Uchida Y, Fukuyama Y,    <i>et al. </i>High incidence of fundus hamartomas and clinical significance    of a fundus score in tuberous sclerosis. Brain Dev 1986; 8(5):509-17.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a>. Castro M, Shepherd CW, Gomez MR,    Lie JT, Ryu JH. Pulmonary tuberous sclerosis. Chest 1995; 107(1):189-195.</p>      <p><a href="#top12">12</a><a name="12"></a>. Moss J, Avila NA, Barnes PM, Litzenberger    RA, Bechtle J, Brooks PG, <i>et al. </i>Prevalence and clinical characteristics    of lymphangioleiomyomatosis in patients with tuberous sclerosis complex. Am    J Respir Crit Care Med 2001; 164(4): 669-671.</p>      <p><a href="#top13">13</a><a name="13"></a>. Denoo X, Hermans G, Degives R, Foidart    JM. Successful treatment of pulmonary lymphangioleiomyomatosis with progestins.    Chest 1999; 115:276-279.</p>      <p><a href="#top14">14</a><a name="14"></a>. Chu SC, Horiba K, Usuki J, Avila    NA, Chen CC, Travis WD, <i>et al. </i>Comprehensive evaluation of 35 patients    with lymphangioleiomyomatosis. Chest 1999; 115:1041-1052.</p>      <!-- ref --><p><a href="#top15">15</a><a name="15"></a>. Yates JR. Tuberous sclerosis. Eur    J Hum Genet 2006; 14(10): 1065-1073.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0873-2159201000020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="c1"></a><a href="#topc1">Correspondência:</a></b></p>     <p>Susana Alves Ferreira</p>     <p>Rua Conceição Fernandes</p>     <p>Vilar de Andorinho</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>4430-502 Vila Nova de Gaia, Portugal</p>     <p>Telefone: 00351912767155</p>     <p><i>e-mail:</i> <a href="mailto:susalvesferreira@gmail.com">susalvesferreira@gmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Recebido para publicação/<i>received for publication:</i>09.03.31</p>     <p>Aceite para publicação/<i>accepted for publication:</i>09.08.06</p>       ]]></body><back>
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