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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tumor maligno da bainha dos nervos periféricos do pulmão: A propósito de um caso clínico]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-21592010000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-21592010000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-21592010000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Os tumores malignos da bainha dos nervos periféricos correspondem a um grupo raro de sarcomas de tecidos moles que tendem a ocorrer em doentes com neurofibromatose tipo 1 ou vários anos após tratamentos de radioterapia. A sua localização torácica é uma entidade muito rara. A sintomatologia habitual deve-se ao efeito de massa exercido sobre os nervos, podendo persistir durante meses ou anos antes do diagnóstico. A escassez de doentes com este tipo de tumor faz com que a abordagem terapêutica ainda permaneça em debate, sendo a cirurgia o procedimento de eleição. O prognóstico destes doentes é mau dada a grande recorrência local e metastização. O caso clínico descrito serve de tema à discussão.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Malignant peripheral nerve sheath tumors comprehend a rare group of soft tissue sarcomas that tend to occur in patients with neurofibromatosis type 1 or several years after radiotherapy treatments. Its thoracic localization is a very unusual entity. The typical symptoms are due to nerve roots compression which can persist for several months or years before diagnosis. Due to very few patients with this type of tumor its therapeutic approach is still a matter of permanent debate, being surgery the main treatment. This tumor has a bad prognosis because of high local recurrence and metastasis. The clinical case we describe serves as a glimpse for discussion.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Tumor maligno da bainha dos nervos periféricos do pulmão: A propósito de    um caso clínico</b></p>      <p  >&nbsp;</p>     <p  ><b>N Serrano Marçal<sup>1</sup></b>, <b>E Teixeira<sup>2</sup></b>,<b> R    Sotto-Mayor<sup>3</sup></b>,<b> A Manique<sup>4</sup></b>, <b>P Campos<sup>5</sup></b>,<b>    J Cruz<sup>6</sup></b>,<b> M Mendes de Almeida<sup>7</sup></b>,<b> A Bugalho    de Almeida<sup>8</sup></b></p>      <p  >&nbsp;</p>          <p  ><sup>1</sup> Interno      do internato complementar de Pneumologia*</p>       <p  ><sup>2</sup> Assistente      hospitalar graduada de Pneumologia*</p>       <p  ><sup>3</sup> Chefe      de serviço de Pneumologia*</p>       <p  ><sup>4</sup> Assistente      hospitalar graduada de Pneumologia*</p>       <p  ><sup>5</sup> Assistente      hospitalar graduada de Radiologia&#8224;</p>       <p  ><sup>6</sup> Assistente      hospitalar graduado de Cirurgia Cardiotorácica&#8225;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><sup>7</sup> Assistente      hospitalar graduada de Anatomia Patológica§</p>        <p  ><sup>8</sup> Chefe de serviço de Pneumologia*</p>     <p  >&nbsp;</p>       <p  >* Serviço de      Pneumologia <sup>1</sup></p>       <p  >&#8224; Serviço de      Imagiologia Geral <sup>1</sup></p>        <p  >&#8225; Serviço de Cirurgia Cardio-Torácica</p>       <p  >§ Serviço de      Anatomia Patológica</p>       <p  >Hospital de Santa      Maria, CHLN, EPE, Lisboa</p>         <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Resumo</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Os tumores malignos da bainha dos nervos periféricos correspondem a um grupo    raro de sarcomas de tecidos moles que tendem a ocorrer em doentes com neurofibromatose    tipo 1 ou vários anos após tratamentos de radioterapia. A sua localização torácica    é uma entidade muito rara. A sintomatologia habitual deve-se ao efeito de massa    exercido sobre os nervos, podendo persistir durante meses ou anos antes do diagnóstico.    A escassez de doentes com este tipo de tumor faz com que a abordagem terapêutica    ainda permaneça em debate, sendo a cirurgia o procedimento de eleição. O prognóstico    destes doentes é mau dada a grande recorrência local e metastização. O caso    clínico descrito serve de tema à discussão.</p>      <p ><b>Palavras-chave: </b>Tumor maligno, bainha nervo periférico.</p>          <p >&nbsp;</p>              <p ><b>Malignant peripheral nerve sheath tumors: A case report</b></p>     <p ><b>Abstract</b></p>     <p >Malignant peripheral nerve sheath tumors comprehend a rare group of soft tissue    sarcomas that tend to occur in patients with neurofibromatosis type 1 or several    years after radiotherapy treatments. Its thoracic localization is a very unusual    entity. The typical symptoms are due to nerve roots compression which can persist    for several months or years before diagnosis. Due to very few patients with    this type of tumor its therapeutic approach is still a matter of permanent debate,    being surgery the main treatment. This tumor has a bad prognosis because of    high local recurrence and metastasis. The clinical case we describe   serves as a glimpse for discussion.</p>     <p ><b>Key-words</b>: Malignant tumour, peripheral nerve sheath.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p  ><b>Introdução</b></p>      <p >Os sarcomas correspondem a um grupo heterogéneo de neoplasias, dos quais os    tumores malignos da bainha dos nervos periféricos (MPNST) fazem parte. Outrora    também conhecidos como schwannomas malignos, neurofibrossarcomas, sarcomas neurogéneos    ou neurilemomas malignos, a actual designação de MPNST parece ser a que maior    consenso reúne na comunidade médica<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.    Tal deve-se ao facto de a célula de origem destes tumores não estar ainda completamente    esclarecida, admitindo-se contudo que a maioria advém das células de Schwann<sup><a href="#1">1</a></sup>,<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup>.    Estes tumores tendem a ocorrer sobretudo nas extremidades e só muito raramente    ocorrem na cavidade torácica<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Dada a particularidade destas neoplasias, sobretudo  a nível torácico, com    consequente limitação na obtenção de estudos com dados significativos referentes    à sua abordagem, apresentamos o presente caso clínico para motivar a discussão    sobre estes tumores e a actuação clínica mais adequada ao seu tratamento.</p>      <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Caso clínico</b></p>      <p >JRM, sexo masculino, raça negra, 31 anos, camionista, natural do Brasil e    residente em Portugal há oito anos. Encontrava-se assintomático até quatro meses    antes do internamento no serviço, altura em que iniciou queixas de perda ponderal    (cerca de 10 kg) e cansaço. Cerca de duas semanas antes, referiu o aparecimento    de tosse seca de agravamento progressivo, odinofagia, disfonia e toracalgia    posterior esquerda, contínua, sem relação com os movimentos respiratórios e    que aliviava em decúbito lateral esquerdo. Negava outros sintomas. Automedicou-se    com diclofenac, paracetamol, ambroxol e amoxicilina sem melhoria, motivo pelo    que recorreu ao serviço de urgência do nosso hospital. </p>     <p >Como antecedentes pessoais há apenas a referir que se tratava de um não fumador,    sem hábitos toxicofílicos e não utilizava qualquer terapêutica farmacológica    regular. </p>     <p >O exame objectivo revelava um doente com bom estado geral, vigil, acianótico,    eupneico, hemodinamicamente estável, apirético e com uma saturação de oxigénio    em ar ambiente de 95%. Não apresentava adenomegalias palpáveis e as mucosas    eram coradas e hidratadas. A auscultação cardíaca não apresentava alterações.    Da avaliação do tórax ressaltava a abolição das vibrações vocais e macicez na    percussão do hemitórax esquerdo e na auscultação pulmonar o murmúrio vesicular    estava abolido também à esquerda e não eram audíveis ruídos adventícios. A avaliação    do abdómen e membros era normal. Analiticamente mostrava uma discreta anemia    (Hb=11,8 g/dL) normocítica mas hipocrómica (HGM=26,8 pg) e aumento dos parâmetros    inflamatórios (VS=67 mm; PCR=5,7 mg/dL), ainda que sem leucocitose. A gasometria    arterial em ar ambiente era normal e a radiografia do tórax (Fig. 1) demonstrava    uma volumosa massa com preenchimento de praticamente todo o campo pulmonar esquerdo,    condicionando desvio do mediastino para a direita e uma obliteração do seio    costo frénico esquerdo sugestiva de derrame pleural. Ainda no serviço de urgência    realizou ecografia torácica que demonstrou moderado derrame pleural à esquerda,    com aspectos sugestivos de loculação. O doente ficou internado para estudo.  </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f1.jpg" width="435" height="220">  </p>     
<p ><b>Fig. 1</b> &#8211; Telerradiografi a de t&oacute;rax PA (A) e perfi l (B)    &agrave; data do internamento</p>     <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >No internamento foi submetido a toracocentese com saída de cerca 500 ml de    líquido hemático velho. As características do líquido pleural eram compatíveis    com exsudado com predomínio de neutrófilos e tinha um pH de 7,032, motivo pelo    que ficou com drenagem pleural contínua. Os exames bacteriológicos, micológicos    e micobacteriológicos do líquido pleural foram negativos e o exame anatomopatológico    mostrou-se negativo para células neoplásicas. </p>     <p >Realizou tomografia computorizada (TC) do tórax (Fig. 2) que revelou uma volumosa    massa ocupando a metade superior do hemitórax esquerdo com captação heterogénea    de contraste, não se visualizando o brônquio lobar superior nem o ramo esquerdo    da artéria pulmonar; colapso parcial do LIE; derrame pleural à esquerda; desvio    do mediastino para a direita; adenopatias em localização pré-traqueal e paracardíaca    anterior. Posteriormente realizou uma broncofibroscopia, onde se evidenciava    na árvore brônquica esquerda um esporão do lobo superior alargado, segmento    apicoposterior diminuído de calibre e segmento anterior com uma massa gelatinosa.    Na biópsia brônquica documentou-se neoplasia fusocelular de padrão neural. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f2.jpg" width="374" height="394"></p>     
<p ><b>Fig. 2</b> &#8211; TC de t&oacute;rax &agrave; data do internamento</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Dos vários marcadores tumorais pedidos (á -fetoproteína, â2 -microglobulina,    NSE, CA 15.3, CA 19.9, CEA, CYFRA -21 e SCC) apenas o NSE se encontrava aumentado    (25,7 ug/L; VR&lt;16,3 ug/L). </p>     <p >No decurso da marcha diagnóstica assistiu-se a um agravamento rápido do estado    clínico, caracterizado por toracalgia refractária à terapêutica médica e aparecimento    de dispneia em repouso, de agravamento progressivo. Radiologicamente apresentava    um aumento do volume da massa, com maior desvio con-tralateral do mediastino    (Fig. 3). Não havia evidência de doença extratorácica. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f3.jpg" width="183" height="157"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Fig. 3</b> &#8211; Telerradiografia de t&oacute;rax PA duas semanas ap&oacute;s    o internamento</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Por apresentar este agravamento clínico e imagiológico e se tratar de um doente    jovem e sem diagnóstico definitivo, foi, em reunião multidisciplinar, proposto    a cirurgia. Foi submetido a uma toracotomia esquerda de urgência, verificando    -se que o lobo superior e segmentos do lobo inferior estavam destruídos pelo    tumor (Fig. 4). </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f4.jpg" width="370" height="138"></p>     
<p ><b>Fig. 4</b> &#8211; Destrui&ccedil;&atilde;o pulmonar pelo tumor (A). Massa    tumoral ressecada (B)</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Verificava-se hemorragia activa ao nível dos ramos apicais da artéria pulmonar,    que se laquearam. Decidiu-se no procedimento por uma pneumectomia esquerda.    Laqueação da artéria pulmonar esquerda e encerramento do brônquio principal.    As veias pulmonares esquerdas estavam invadidas pelo tumor, tendo-se procedido    à abertura do pericárdio, isolamento das veias pulmonares e clampagem da aurícula    esquerda (AE). Ressecção em bloco das veias e parte da AE, que foi encerrada    com &#8220;prolene 5:0&#8221; (Fig. 5). </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f5.jpg" width="182" height="129"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Fig. 5</b> &#8211; Encerramento das veias pulmonares superior e inferior    a n&iacute;vel da AE</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Finalmente, foram ressecados parcialmente o pericárdio e a pleura parietal,    permitindo que do ponto de vista cirúrgico a ressecção tumoral fosse considerada    completa (Fig. 6). </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f6.jpg" width="298" height="214"></p>     
<p ><b>Fig. 6</b> &#8211; Aspecto final p&oacute;s-pneumectomia radical com ressec&ccedil;&atilde;o    parcial do peric&aacute;rdio e pleura parietal</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >O estudo morfológico da peça ressecada mostrou uma proliferação fusocelular,    com padrão fasciculado (Fig. 7) e diferenciação neural, isto é, alternância    abrupta entre áreas celulares e áreas mixóides (Fig. 8). Presença de necrose    e 16 mitoses/10 CGA. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f7.jpg" width="270" height="216"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Fig. 7</b> &#8211; Neoplasia fusocelular, padr&atilde;o fasciculado. H&amp;E    x 400</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f8.jpg" width="270" height="215"></p>     
<p ><b>Fig. 8</b> &#8211; Diferencia&ccedil;&atilde;o neural. H&amp;E &times;    400</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Observou-se imunorreactividade intensa e difusa para vimentina (Fig. 9) e    positividade focal para S100 e EMA (Fig. 10). Negatividade para CD99, MNF116,    CK7, calretinina, LCA, AML, CD34, miogenina e desmina. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f9.jpg" width="269" height="216"></p>     
<p ><b>Fig. 9 </b>&#8211; Positividade intensa e difusa para vimentina</p>     <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f10.jpg" width="270" height="215"></p>     
<p ><b>Fig. 10</b> &#8211; Imagem onde se evidencia o marcador neural S100 focalmente    positivo</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Os estudos de biologia molecular, realizados no Instituto Português de Oncologia    de Francisco Gentil, em Lisboa, não revelaram alterações diagnósticas, nomeadamente    a análise por FISH não revelou rearranjo dos genes EWS e SYT e a análise por    CGH revelou a presença das seguintes alterações cromossómicas: ganho total do    cromossoma 19 e ganhos parciais das regiões 13q21.2, 17q11.2-q12, 22q11.2, 22q13.1-q13.3.    Considerou-se que se tratava de um sarcoma com padrão morfológico e fenotípico    compatível com tumor maligno da bainha dos nervos periféricos. Do ponto de vista    microscópico, havia igualmente infiltração da pleura parietal por tecido de    neoplasia do mesmo tipo. </p>     <p >Perante o diagnóstico de sarcoma de subtipo MPNST em estádio anatómico III    B e fisiológico com <i>performance status </i>1 (ECOG), com tumor totalmente    ressecado, o doente foi submetido a 4 ciclos de quimioterapia (QT) adjuvante    com doxorrubicina e ifosfamida. O tratamento foi bem tolerado, tendo tido como    efeitos secundários alopecia de grau 1 e episódios autolimitados de náuseas    grau 1, que cederam à terapêutica antiemética. Como intercorrência há a referir    que ao 8.º dia após o último ciclo o doente esteve internado três dias por neutropenia    grau 4 associada a diarreia líquida. Foi medicado com G-CSF e terapêutica sintomática,    com resolução do quadro clínico. </p>     <p >Posteriormente, e coincidindo com o reaparecimento de toracalgia à esquerda,    realiza RM torácica, que demonstra loca pós-pneumectomia expandida por líquido    não puro, e à periferia apical e lateral da cavidade observavam-se nódulos sólidos    inferiores a 1 cm e que captavam o contraste injectado (Fig. 11). </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f11.jpg" width="512" height="201"></p>     
<p ><b>Fig. 11</b> &#8211; RM tor&aacute;cica onde se evidenciam n&oacute;dulos    &agrave; periferia</p>     <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Iniciou tratamentos de radioterapia torácica externa com dose total de 66    Gy em 33 fracções, com melhoria da sintomatologia. A RM torácica de controlo    documentou uma importante melhoria, quer do volume de líquido, quer em relação    aos nódulos pleurais (Fig. 12). </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a11f12.jpg" width="461" height="262"></p>     
<p ><b>Fig. 12</b> &#8211; RM tor&aacute;cica realizada antes (A) e ap&oacute;s    (B) tratamentos de radioterapia</p>     <p >&nbsp;</p>     <p >Actualmente o doente encontra-se em seguimento em consulta há 18 meses, estando    assintomático.</p>     <p >&nbsp;</p>      <p  ><b>Discussão</b></p>      <p >Segundo dados epidemiológicos dos EUA, a incidência dos tumores malignos da    bainha dos nervos periféricos na população em geral é de 0,001%, o que corresponde    entre 5 a 10% do total de sarcomas de tecidos moles diagnosticados anualmente<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>.    Na maioria das séries verifica-se uma incidência igual nos dois sexos; contudo,    em alguns estudos parece haver um ligeiro predomínio nas mulheres<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#4">4</a></sup>.    A idade de diagnóstico varia entre os 20 e os 50 anos, sendo que, nos doentes    com neurofibromatose tipo 1, também conhecida como doença de von Recklinghausen,    estes tumores geralmente são diagnosticados mais cedo<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#4">4</a></sup>,<sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>.  </p>     <p >São conhecidos dois factores de risco para este tipo de tumor. O primeiro    é a presença de neurofibromatose de tipo 1 (NF1), uma vez que têm um risco 4600    vezes maior de contrair estes tumores quando comparados com a população em geral<sup><a href="#4">4</a></sup>.    Além disso, 50 a 60% dos MPNST ocorre em doentes com NF1. O segundo factor de    risco conhecido são os tratamentos prévios de RT, sendo, nestes doentes, em    regra diagnosticados após 15 anos do tratamento inicial<sup><a href="#2">2</a></sup>.    A frequência da localização não varia com a existência ou não de NF14. Tal como    nos restantes tumores neurogénicos, estes podem ocorrer em todo o tórax; no    entanto, são encontrados habitualmente no mediastino posterior, no ângulo costovertebral<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Os MPNST tendem a surgir como uma massa cujo aumento de dimensões é progressivo,    a que se associam frequentemente sintomas, como dor e défices neurológicos sensoriais    ou motores, secundários à compressão de um nervo<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#4">4</a></sup>,<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.    Estes sintomas tendem a persistir durante meses ou anos<sup><a href="#5">5</a></sup>.  </p>     <p >Em termos imagiológicos, a ressonância magnética é o exame de eleição, uma    vez que tem a capacidade de distinguir os tumores de tecidos moles neurogénicos    dos não neurogénicos<sup><a href="#1">1</a></sup>. No entanto, apesar de existirem    algumas características que sugiram malignidade, este método tem limitações    na sua distinção<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a name="top8"></a><a href="#8">8</a></sup>.    A tomografia computorizada mostra especial importância quando estes tumores    têm localização retroperitoneal e na procura de metástases<sup><a href="#2">2</a></sup>.    A tomografia de emissão de positrões (PET scan) poderá ter um papel na detecção    da transformação maligna dos neurofibromas<sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>     <p > A terapêutica destes tumores continua a ser sobretudo cirúrgica<sup><a href="#5">5</a></sup>.    A ressecção cirúrgica radical com margens livres de doença é o procedimento    de escolha<sup><a href="#1">1</a></sup>. Esta vai depender sobretudo da sua    localização, na medida em que este procedimento é possível em 95% dos tumores    nas extremidades, mas apenas em 20% dos que apresentam localização paraespinhal<sup><a href="#2">2</a></sup>.    A RT é usada cada vez mais, dada a grande recorrência local destes tumores;    no entanto, apesar de aumentar o tempo livre de doença, ainda é controverso    se tem impacto significativo nas taxas de sobrevida a longo prazo<sup><a href="#2">2</a></sup>.    Tal como a maioria dos sarcomas de tecidos moles, também os MPNST são tipicamente    resistentes à QT. Apesar dos escassos dados publicados, a QT encontra-se geralmente    indicada em crianças e jovens adultos com tumores com mais de 5 cm, irressecáveis    ou com metástases na altura do diagnóstico<sup><a href="#1">1</a></sup>. Os    tratamentos de primeira linha baseiam-se sobretudo em esquemas de doxorrubicina    e ifosfamida, enquanto os de segunda linha, muito mais indefinidos, estão descritos    com gemcitabina/docetaxel ou carboplatina/etoposido<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>.</p>     <p >Os MPNST, comparativamente aos restantes sarcomas de tecidos moles, têm uma    taxa de recorrência local maior, ocorrendo em cerca de 20-40% após a ressecção    cirúrgica<sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></sup>,<sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a><a href="#12"></a></sup>.    Destes, 75% ocorrem nos primeiros dois anos de seguimento da doença<sup><a href="#12">12</a></sup>.    Os principais factores de risco de recorrência local são a existência de margens    de ressecção positivas e a sua localização (cabeça e pescoço)<sup><a href="#11">11</a></sup>.    A metastização é frequente e é feita principalmente por via hematogénea<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup>.    Esta ocorre sobretudo para os pulmões e, por ordem decrescente de frequência,    para os tecidos moles, osso, fígado, cavidade abdominal, glândulas suprarrenais,    diafragma, mediastino, cérebro, ovários, rins e retroperitoneu<sup><a href="#4">4</a></sup>.  </p>     <p >A sobrevida global aos 5 anos é pequena, variando desde os 12,8% aos 16%,    dependendo do estudo em causa<sup><a href="#4">4</a></sup>. Os factores de mau    prognóstico são: localização do tumor (cabeça, pescoço e tronco), a sua dimensão,    diferenciação histológica, margens cirúrgicas positivas e a presença de NF1<sup><a href="#1">1</a></sup>.  </p>     <p >O caso clínico que descrevemos corresponde a uma situação muito rara de um    grande tumor maligno da bainha dos nervos periféricos de localização torácica    sem antecedentes de NF1 e sem ter realizado tratamentos prévios de RT. Além    disso, a sua localização torácica torna-o uma entidade ainda mais rara. A sua    apresentação clínica e idade de aparecimento é a descrita para este tipo de    tumor, sendo o quadro de dor muito provavelmente secundário a compressão nervosa.    O doente foi ubmetido a ressecção tumoral total com intuito <i>life-saving</i>,    na medida em que o rápido rescimento da massa comprometia as estruturas vizinhas,    condicionando dor e dispneia, e, desta forma, foi possível caracterizá-lo histologicamente.    Uma vez que se trata de um tumor esporádico, sem antecedentes de NF1, a sua    caracterização histológica foi difícil e demorada. Dada a sua grande dimensão,    foi submetido a QT com o esquema habitual para os sarcomas e, posteriormente,    RT. Finalmente, o prognóstico deste doente é mau, dado o subtipo histológico    do sarcoma, a sua localização e a sua grande dimensão &#8211; sem dúvida o mais    importante factor de prognóstico.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p  ><b>Bibliografia</b></p>      <p  ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Grobmyer S, Reith J, Shahlaee A, Bush C, Hochwald S. Malignant peripheral    nerve sheath tumor: molecular pathogenesis and current management considerations.    J Surg Oncol 2008; 97(4):340-349.</p>      <p  ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Gupta G, Maniker A. Malignant peripheral nerve sheath tumors. Neurosurg Focus 2007; 22(6):E12.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Shimizu J, <i>et al. </i>A case of intrathoracic giant malignant peripheral    nerve sheath tumor in neurofibromatosis type I (von Recklinghausen&#8217;s disease).    Ann Thorac Cardiovasc Surg 2008; 14(1):42-47.</p>      <p  ><a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Ducatman B, Scheithauer B, Piepgras D, Reiman H, Ilstrup D. Malignant    peripheral nerve sheath tumors: a clinicopathologic study of 120 cases. Cancer    1986; 57: 2006-2021.</p>      <p  ><a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. Strollo D, Rosado-de-Christenson M, Jett J. Primary mediastinal tumors    part II: Tumors of the middle and posterior mediastinum. Chest 1997; 112(5):1344-1357.  </p>      <p  ><a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Roviaro G, Montorsi M, Varoli F, Binda R, Cecchetto A. Primary pulmonary    tumours of neurogenic origin. Thorax 1983; 38:942-945</p>      <!-- ref --><p  ><a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Korf B. Malignancy in neurofibromatosis type 1. The Oncologist 2000; 5:477-485.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0873-2159201000030001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p  ><a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Gladish G, Sabloff B, Munden R, Truong M, Erasmus J, Chasen M. Primary    thoracic sarcomas. Radio-Graphics 2002; 22:621-637.</p>      <p  ><a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. Steins M, Serve H, Zulhsdorf M, <i>et al. </i>Carboplatin/ etoposide induces    remission of metastasised malignant peripheral nerve sheath tumours (malignant    schwannoma) refractory to first-line therapy. Oncol Rep 2002; 9:627-630.</p>      <p  ><a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Vauthey J, Woodruff J, Brennan M. Extremity malignant peripheral nerve    sheath tumors (neurogenic sarcomas): A 10 -year experience. Ann Surg Oncol 1995;    2:126-131. </p>      <p  ><a name="11"></a><a href="#top11">11</a>. Anghileri M, Miceli R, Fiore M, <i>et al. </i>Malignant peripheral nerve    sheath tumors: Prognostic factors and  survival in a series of patients treated    at a single institution. Cancer 2006; 107:1065-1074.</p>      <p  ><a name="12"></a><a href="#top12">12</a>. Ramanathan R, Thomas J. Malignant peripheral nerve sheath tumours associated    with von Recklinghausen&#8217;s neurofibromatosis. Eur J Surg Oncol 1999; 25:190-193.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. Wanebo J, Malik J, Vandenberg S, Wanebo H, Driesen N, Persing J. Malignant    peripheral nerve sheath  tumors: a clinicopathologic study of 28 cases. Cancer    1993; 71(4):1247-1253.</p>        <p>&nbsp;</p>        <p ><b>Correspondência</b></p>        <p  >e-mail:<a href="mailto:nelsonmarcal@gmail.com">nelsonmarcal@gmail.com</a></p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication</i>: 09.09.02  </p>     <p  >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication</i>: 09.10.08</p>            ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Korf]]></surname>
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