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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-21592010000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-21592010000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-21592010000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A varicela é uma doença infecto contagiosa comum na infância, ocorrendo pouco mais de 2% dos casos em adultos. Desde a década de 80 que a sua incidência nos adultos tem vindo a aumentar, dos quais apenas 7% são seronegativos¹. A pneumonia a Varicella zoster, se bem que rara, constitui a complicação mais grave e mais frequente no adulto. Os autores apresentam um caso clínico ilustrativo de pneumonia a Varicella zoster num adulto fumador e imunocompetente e fazem uma breve revisão teórica sobre o tema.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Varicella (chickenpox) is a common contagious infection of childhood, with fewer than 2% of the cases occurring in adults. Since the early 1980s the incidence of chickenpox in adults has been increasing and only 7% of them are seronegative for Varicella zoster antibodies. Pneumonia, although rare, is the most common and serious complication of chickenpox infection in adults. The authors present an illustrative case of varicella pneumonia in an immunocompetent adult with smoking habits and make a brief thematic review.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Pneumonia a <i>Varicella zoster</i></b></p>      <p >&nbsp;</p>      <p  ><b>Carla Ferreira Santos<sup>1</sup>, </b><b>Ana Gomes<sup>2</sup>,</b><b>    António Garrido<sup>3</sup>,</b><b> Ana Albuquerque<sup>4</sup>, </b><b>Eduardo    Melo<sup>4</sup>, </b><b>Inês Barros<sup>4</sup>, </b><b>António Marques<sup>5</sup>,</b><b>    José Pedro Saraiva<sup>6</sup></b></p>      <p  >&nbsp;</p>           <p  ><sup>1</sup> Interna do Complementar de Medicina Interna, Serviço Medicina    Interna </p>        <p  ><sup>2</sup> Especialista em Medicina Interna, Serviço Medicina Interna </p>        <p  ><sup>3</sup> Especialista em Medicina Interna, Serviço Medicina Interna </p>       <p  ><sup>4</sup> Assistente      Hospitalar Graduado em Medicina Interna, Intensivista, UCIP</p>       <p  ><sup>5</sup> Especialista      em Medicina Interna, Intensivista, UCIP</p>        <p  ><sup>6 </sup>Chefe de Serviço de Anestesiologia, Intensivista. Director de    Serviço de UCIP</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >Hospital de São Teotónio, EPE</p>       <p  >Avenida Rei Dom      Duarte</p>        <p  >3504-509 Viseu – Portugal</p>         <p >&nbsp;</p>     <p ><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspondência</a></b></p>     <p >&nbsp;</p>      <p  ><b>Resumo</b></p>      <p  >A varicela é uma doença infecto contagiosa comum na infância, ocorrendo pouco    mais de 2% dos casos em adultos. Desde a década de 80 que a sua incidência nos    adultos tem vindo a aumentar, dos quais apenas 7% são seronegativos<sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>.    A pneumonia a <i>Varicella zoster</i>, se bem que rara, constitui a complicação    mais grave e mais frequente no adulto. Os autores apresentam um caso clínico    ilustrativo de pneumonia a <i>Varicella zoster </i>num adulto fumador e imunocompetente    e fazem uma breve revisão teórica sobre o tema.</p>            <p  ><b></b><b>Palavras-chave: </b>Varicela, pneumonia, ARDS.</p>     <p  >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Varicella zoster pneumonia</b></p>     <p  ><b>Abstract</b></p>     <p  >Varicella (chickenpox) is a common contagious infection of childhood, with    fewer than 2% of the cases occurring in adults. Since the early 1980s the incidence    of chickenpox in adults has been increasing and only 7% of them are seronegative    for Varicella zoster antibodies. Pneumonia, although rare, is the most common    and serious complication of chickenpox infection in adults.</p>     <p  >The authors present an illustrative case of varicella   pneumonia in an immunocompetent adult with   smoking habits and make a brief thematic review.</p>      <p  ><b>Key-words</b>: Chickenpox, pneumonia, ARDS.</p>     <p  >&nbsp;</p>              <p  ><b>Introdução</b></p>      <p  >A varicela, doença altamente contagiosa, é a infecção primária causada pelo    vírus <i>Varicella zoster </i>(VVZ), um vírus ADN pertencente à família <i>Herpesviridae</i>.  </p>     <p  >A varicela no adulto associa-se a considerável morbi mortalidade. Das múltiplas    complicações da varicela, a pneumonia a VVZ (PV) é a complicação mais grave    e mais frequente nos adultos, sendo potencialmente fatal. As chaves no tratamento    da pneumonia a <i>Varicella zoster </i>passam pela precocidade do diagnóstico    e na instituição de terapia adequada. O aciclovir constitui o fármaco de 1.ª    linha, apesar da inexistência de evidência da sua eficácia. A corticoterapia    tem vindo a ser cada vez mais preconizada. Aquando da necessidade de suporte    ventilatório, a utilização de PEEP <i>(positive end-expiratory pressure) </i>elevado    é relevante.</p>      <p  >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Patogénese</b></p>      <p  >Os dados disponíveis sobre a fisiopatologia da varicela são limitados. Não    se sabe ao certo a porta de entrada do VVZ no nosso organismo – conjuntivas,    faringe ou pulmões –, após o que se segue um período de incubação médio de cerca    de 15 dias. O VVZ multiplica-se inicialmente nos gânglios regionais e cerca    de 4-6 dias depois ocorre a primeira viremia subclínica, durante a qual se verifica    disseminação visceral. O vírus passa então a replicar-se no sistema reticuloendotelial,    sobretudo a nível dos macrófagos<sup><a href="#1">1</a></sup>, ocorrendo a segunda    viremia, aproximadamente 14 dias após a infecção, com disseminação vírica à    mucosa da nasofaringe e à pele, manifestando-se sob a forma do típico exantema    maculopapulovesicular<a name="top10"></a><sup><a href="#10">10</a></sup>. O    VVZ transmite-se por gotículas da nasofaringe e, menos frequentemente, por contacto    directo a partir do líquido das vesículas de varicela e da zona<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>.    O contágio pode ocorrer de 1 a 2 dias antes do aparecimento do exantema até    48h após formação da última crosta<sup><a href="#7">7</a></sup>. </p>     <p  >A infecção primária é habitualmente ligeira e os sintomas duram cerca de    uma semana, conferindo imunização vitalícia<sup><a href="#7">7</a></sup>. A    disseminação pulmonar do VVZ, ocorrida aquando da segunda viremia, produz uma    pneumonite intersticial disseminada com consolidações hemorrágicas dispersas.    As alterações histopatológicas manifestam-se como uma florida reacção imune,    caracterizada por infiltrados intersticiais de células mononucleadas, edema    septal, destruição do endotélio capilar, necrose fibrinóide, preenchimento alveolar    por fluido proteináceo rico em eritrócitos e células mononucleadas. Os infiltrados    neutrofílicos são inespecíficos e sugestivos de sobreinfecção bacteriana.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Epidemiologia</b></p>      <p  >Apesar de apenas 7% dos adultos serem seronegativos<sup><a href="#1">1</a></sup>,    desde a década de 80 que a incidência da infecção em adultos tem vindo a aumentar,    a par do aumento de admissões hospitalares e da mortalidade. Embora ocorram    pouco mais de 2% dos casos em adultos, a doença é mais severa e as complicações    são 25 vezes mais frequentes do que nas crianças<sup><a href="#7">7</a></sup>,    particularmente as neurológicas e as respiratórias. </p>     <p  >A PV foi reconhecida como entidade clínica em 1942. Apesar de rara, é a complicação    mais frequente e mais grave da varicela nos adultos<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>,    apresentando uma incidência aproximadamente de 1 por cada 400 casos de infecção<sup><a href="#1">1</a></sup>,    ou seja, cerca de 25 vezes a das crianças. Entre 5 a 50% de todos os casos de    PV<sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>,<a name="top21"></a><sup><a href="#21">21</a></sup>    ocorrem em adultos previamente saudáveis, maioritariamente da 3.ª à 5.ª décadas    de vida. Consideram-se factores de risco para o desenvolvimento de pneumonia:    tabagismo<sup><a href="#7">7</a></sup>,<sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a name="top12"></a><a href="#12">12</a></sup>,<sup><a name="top17"></a><a href="#17">17</a></sup>,<sup><a href="#21">21</a></sup>,    gravidez (sobretudo 2.º e 3.º trimestres)1,<sup><a href="#7">7</a></sup>,<sup><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a href="#12">12</a></sup>,<sup><a href="#21">21</a></sup>,    compromisso imunológico<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>,<sup><a href="#11">11</a></sup>,<sup><a href="#21">21</a></sup>,    idade avançada<sup><a href="#10">10</a></sup>,<sup><a href="#21">21</a></sup>,    convívio próximo com o caso-índice<sup><a href="#1">1</a></sup>, sexo masculino<sup><a href="#11">11</a></sup>    e doença pulmonar crónica1,<sup><a href="#12">12</a></sup>,<sup><a href="#21">21</a></sup>.    Outras variáveis associadas ao desenvolvimento de PV foram: febre superior a    38,3.ºC<sup><a href="#17">17</a></sup>, lesões cutâneas em número superior a    10017 ou exantema cutâneo/hemorrágico severo<sup><a href="#21">21</a></sup>,    enantema da cavidade oral17, hepatite17 e migração de áreas de baixa prevalência    de VVZ7. A presença de mais que um factor de risco associa-se a progressão para    PV severa e constitui factor preditivo para admissão em UCI<sup><a href="#12">12</a></sup>.  </p>     <p  >O risco aumentado nos fumadores parece estar relacionado com o efeito do    tabaco sobre os macrófagos pulmonares, tornando estes indivíduos mais susceptíveis    à infecção pelo VVZ<sup><a href="#12">12</a></sup>. Alguns autores referem que,    em relação aos casos de varicela no adulto, cerca de 50% dos fumadores desenvolvem    pneumonia, em contraposição com 3% dos não fumadores<sup><a href="#3">3</a></sup>.  </p>     <p  >A incidência de pneumonia entre grávidas com varicela é de 9 a 40% e habitualmente    severa<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>.    A PV foi também reconhecida como relativamente comum em doentes imunocomprometidos    (Quadro I). Tem-se verificado maior incidência nos receptores de transplante    de medula óssea (até 50%) e nas crianças com neoplasias (até 20% na leucemia    e 32% nos tumores sólidos). </p>     <p  >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Quadro I </b>&#8211; Factores contribuintes de risco acrescido para desenvolvimento    de pneumonia a varicela</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12q1.jpg" width="270" height="220"></p>     
<p  >&nbsp;</p>     <p  >A varicela é particularmente severa em indivíduos imunocomprometidos, para    os quais o risco de disseminação visceral é elevado (30 a 50%), encontrando-se    significativamente aumentada nos casos de doença de enxerto <i>vs </i>hospedeiro.    O risco para PV é também superior. O período de contágionestes doentes prolonga-se    várias semanas<sup><a href="#10">10</a></sup> e a cura demora até o triplo do    tempo. O melhor factor preditivo de disseminação pulmonar encontrado foi a contagem    absoluta de linfócitos (CAL) aquando da infecção, ocorrendo em 48% dos doentes    com CAL inferior a 500 células/&#956;L e em 21% dos que apresentavam CAL superior    a 500 células/&#956;L. Com o declínio da CAL, o risco para PV aumenta, atingindo    os 71% para CAL inferior a 100 células/&#956;L. Em conformidade, o risco de    mortalidade passou de 7% nos casos com CAL superior a 500 células/ &#956;L para    29% naqueles com CAL inferior a 100 células/&#956;L. </p>     <p  >Relativamente à mortalidade, à PV no adulto não tratada está associada uma    pesada taxa de 10 a 30%<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a href="#11">11</a></sup>,    sendo mais elevada nos imunocomprometidos e nas grávidas (entre 30 e 40%<sup><a href="#2">2</a></sup>),    chegando mesmo a atingir os 50% se falência respiratória com necessidade de    ventilação mecânica invasiva (VMI)<sup><a href="#11">11</a></sup>. A idade superior    a 65 anos, o compromisso do estado imunológico e a falência renal aguda parecem    favorecer o aumento da mortalidade por PV. </p>     <p  >A mortalidade por PV, antes da introdução do aciclovir, variava entre 7 e    19%<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#12">12</a></sup>. Contudo, tem-se    verificado uma diminuição da mortalidade por PV (de 19% nas décadas de 60-70    para 6% na de 901<sup><a href="#1">1</a></sup>). Esta melhoria parece estar    relacionada não somente com a disponibilidade e instituição precoce do anti-vírico,    bem como com a maior experiência por parte dos profissionais de saúde, com a    maior precocidade do diagnóstico e com o melhor suporte respiratório nas UCI.</p>     <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Clínica</b></p>      <p  >Na maioria dos casos, o exantema característico estabelece o diagnóstico    clínico, frequentemente em associação com história recente de exposição. O diagnóstico    diferencial de varicela passa por: reacções alérgicas (síndroma de Stevens-Johnson),    zona generalizada, infecções por herpes <i>simplex </i>ou enterovírus, rickettsiose    vesiculosa, pitiríase liquenóide e varioliforme aguda e psoríase <i>gutata.    </i></p>     <p  >O diagnóstico de PV é dificultado pela baixa frequência de sintomatologia    típica (10<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup> a 25%<sup><a href="#1">1</a></sup>    dos doentes). Constituem sinais precoces de risco para desenvolvimento de pneumonia    a erupção continuada de novas lesões, a persistência da febre e a ocorrência    de tosse de novo<sup><a href="#3">3</a></sup>. Febre, tosse, dispneia/taquipneia,    toracalgia pleurítica e hemoptises são apanágio de infecção pulmonar severa.    Em 50 a 75% dos doentes, a pneumonia é acompanhada ou precedida em 1 a 2 dias    por dor abdominal ou dorsolombar severa e por vezes persistente, tipo neuropático,    de origem vírica ou imunológica. O exame objectivo pode revelar adicionalmente    alteração do estado mental, sinais de dificuldade respiratória, crepitações    bibasais e inevitavelmente o exantema característico, uma vez que a pneumonia    se estabelece cerca de 1 a 6 dias após o mesmo e só muito raramente antes. As    vesículas geralmente visualizam-se também no palato e vias respiratórias superiores,    mediante laringoscopia.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Exames complementares de diagnóstico</b></p>      <p  >Analiticamente, é frequente encontrar-se trombocitopenia moderada, hiponatremia    e elevação das transaminases<sup><a href="#7">7</a></sup>, das enzimas musculares    e da amilase. Menos frequentemente, pode verificar-se disfunção renal. </p>     <p  >O VVZ pode ser identificado mediante cultura (requer 3 a 5 dias), indirectamente    por PCR ou testes antigénicos rápidos de imunofluorescência indirecta (resultados    em 1-2h). Os testes serológicos permitem obter resultados mais tardios, sendo    o FAMA <i>(fluorescent antibody to membrane antigen) </i>tido como <i>gold standard.    </i>Podem ocorrer reacções cruzadas com o vírus herpes simplex tipo 1 (VHS1),    indicativo de homologia de sequência de aminoácidos da glicoproteina B do invólucro    vírico<sup><a href="#10">10</a></sup>. A ocorrência de reacções cruzadas com    o VHS1, a não definição do tempo para seroconversão e o facto de a inexistência    de anticorpos não excluir infecção podem condicionar dificuldades na interpretação    dos testes serológicos. </p>     <p  >A realização/monitorização da oximetria é um procedimento muito importante    no reconhecimento precoce de PV, uma vez que a hipoxemia precede frequentemente    a dispneia e os achados radiológicos<sup><a href="#12">12</a></sup>, constituindo    um sinal de alerta para gravidade clínica. A gasometria arterial evidencia frequentemente    insuficiência respiratória tipo 1 com normocápnia<sup><a href="#7">7</a></sup>.  </p>     <p  >A radiografia do tórax deve ser realizada a todos os adultos com varicela<sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>.    Em 1965, num estabelecimento militar norte-americano, 16% dos indivíduos com    varicela apresentavam alterações radiológicas<sup><a href="#1">1</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>,<sup><a href="#21">21</a></sup>,    dos quais apenas ¼ se encontravam sintomáticos. Pode revelar infiltrado reticulonodular    difuso, mas poupando os vértices. Inicialmente, os nódulos apresentam diâmetros    de 2 a 5 mm e são mais facilmente visualizados à periferia ou no perfil. Com    a progressão da doença, os nódulos aumentam e coalescem, resultando em infiltrados    extensos. Nos casos ligeiros, os infiltrados podem resolver em 3 a 5 dias, enquanto    nas formas disseminadas e severas podem persistir durante várias semanas. São    achados pouco frequentes nas fases iniciais: derrame pleural, adenopatias hilares    e pneumotórax. O diagnóstico diferencial coloca-se com as diversas causas de    infiltrados reticulonodulares (Quadro II). A extensão das alterações radiológicas    não tem correlação directa com a severidade da morbilidade pulmonar (PaO2/FiO2),    mas parece reflectir a intensidade do exantema<sup><a href="#7">7</a></sup>.  </p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><b>Quadro II</b> &#8211; Causas principais de Infi ltrado reticulo nodular    &#8211; diagn&oacute;stico radiol&oacute;gico diferencial com PV </p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12q2.jpg" width="268" height="301"></p>     
<p  >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >A tomografia computorizada (TC) torácica permite a visualização de nódulos    isolados, nódulos com imagem em vidro despolido circundante, imagens em vidro    despolido isoladas e lesões coalescentes. Sugere-se a sua realização para avaliação    do envolvimento pulmonar em doentes com varicela e sintomas respiratórios, mas    sem alterações na radiologia convencional<sup><a name="top14"></a><a href="#14">14</a></sup>.    A broncoscopia permite observação de lesões vesiculares brônquicas. O lavado    bronco broncoalveolar apresenta aumento de contagem absoluta de linfócitos e    diminuição da relaçãoCD4/CD8 <sup><a href="#6">6</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Tratamento</b></p>      <p  >Perante um doente com sinais de dificuldade respiratória, deve instituir-se    imediatamente oxigenoterapia de alto débito e mantê-lo sob vigilância clínica    e oximetria de pulso contínua. As opções terapêuticas no caso de falência respiratória    incluem ventilação mecânica não invasiva (pressão positiva contínua – CPAP ou    binível – BIPAP) e VMI<sup><a href="#7">7</a></sup>. Alguns autores advogam    que a frequência respiratória na admissão pode ter valor preditivo para a necessidade    de suporte ventilatório. Os doentes submetidos a VMI beneficiam de PEEP elevada    e, eventualmente, de <i>prone position </i>para optimização da função diafragmática    e da relação V/Q. Numa série de 7 doentes com falência respiratória refractária,    a modalidade de ventilação convencional, foi instituída oxigenação por membrana    extracorpórea, com boa resposta em 5 doentes<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup>.  </p>     <p  >Dada a elevada prevalência de infecções bacterianas secundárias, os antibióticos    são frequentemente utilizados de acordo com o estado imunológico do doente e    com a estirpe e sensibilidade identificadas. A aplicação tópica de clorhexidina    pode reduzir a colonização cutânea por microrganismos Gram positivos<sup><a href="#7">7</a></sup>.    O aciclovir é de uso mandatório em doentes com risco de doença severa (imunocomprometidos,    recém-nascidos de mães com varicela no periparto) e/ou complicações. É recomendado    o seu uso no caso de indivíduos com idade superior a 13 anos, crianças com mais    de 1 ano com patologia crónica (pulmonar ou cutânea) e em utilizadores crónicos    de salicilatos<sup><a href="#10">10</a></sup>. O aciclovir demonstrou reduzir    a mortalidade em indivíduos com varicela complicada por pneumonia, quer em imunocompetentes,    quer em imunocomprometidos e grávidas<sup><a href="#7">7</a></sup>,<sup><a name="top13"></a><a href="#13">13</a></sup>.    Tem maior eficácia se administrado por via intravenosa e nas primeiras 72h de    doença<sup><a href="#10">10</a></sup> ou nas primeiras 24h de exantema<sup><a href="#7">7</a></sup>,    associando-se a melhoria clínica (desaparecimento da febre e taquipneia), da    oxigenação e a uma mais rápida resolução da pneumonia. Para o tratamento da    pneumonia, a via de administração preferida é a intravenosa<sup><a href="#3">3</a></sup>,    na dose de 5-15 mg/kg cada 8h, durante 7-10 dias. Embora menos sensível ao aciclovir    que o VHS, o VVZ é inibido para concentrações séricas do aciclovir de 0,08 a    1,2mg/L, sobejamente alcançadas pelas doses preconizadas. A dose deve ser ajustada    na insuficiência renal, devido à potencial nefrotoxicidade. </p>     <p  >Outros efeitos secundários importantes são o desenvolvimento de flebites    nos locais de infusão, disfunção neurológica (desorientação, tremores) e elevação    das transaminases. A resistência do VVZ ao aciclovir é pouco frequente, tendo    sido relatada sobretudo entre doentes infectados pelo VIH, podendo utilizar-se    em alternativa o foscanert por via intravenosa. Os pró-fármacos do aciclovir    (valaciclovir e famciclovir) apresentam biodisponibilidde oral acrescida de    60 e 80%, respectivamente, em comparação com o aciclovir. Uma vez que as concentrações    mínimas inibitórias para o VVZ não são alcançadas com a administração do aciclovir    por via oral, no ambulatório é preferível a utilização do valaciclovir (pró    -fármaco disponível em Portugal), 1g cada 8 horas durante 7-10 dias. </p>     <p  >A utilização de corticosteróides como coadjuvantes no tratamento da PV, se    bem que controversa, é advogada pela maioria dos autores. Os corticóides exercem    modulação da resposta inflamatória intrapulmonar e têm demonstrado sucesso noutras    doenças infecciosas e não infecciosas (tuberculose pulmonar miliar, <i>Pneumocystis    jirovecii</i>, vasculite, aspiração de conteúdo gástrico, fase fibroproliferativa    do ARDS), limitando a deterioração da função respiratória<sup><a href="#11">11</a></sup>.    Num estudo retrospectivo e prospectivo envolvendo 15 doentes com PV, em que    a 6 deles foi administrado 200mg de hidrocortisona intravenosa cada 6h durante    48h, com início nas primeiras 24h de admissão na UCI, verificou-se diminuição    da duração do internamento (quer na UCI, quer hospitalar) e da mortalidade.    Ocorreu também uma mais rápida recuperação radiológica e das trocas gasosas,    bem como menor número de complicações<sup><a href="#11">11</a></sup>. Os corticóides    parece modificarem a resposta inflamatória que o vírus desencadeia sobre o parênquima    pulmonar quando administrados precocemente<sup><a href="#11">11</a></sup>. Há    necessidade de realizar estudos randomizados para aferir o grau de evidência    da utilidade dos corticosteróides na PV.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Profilaxia</b></p>      <p  >O VVZ tem baixa variabilidade molecular, só tendo sido identificados três    genótipos <i>major </i>até à data<sup><a href="#10">10</a></sup>, já todos completamente    sequenciados. A vacina, de vírus vivo atenuado, é cerca de 80 -85% eficaz contra    a doença de uma forma geral e altamente eficaz (&gt; 95%) na prevenção de casos    graves<sup><a href="#10">10</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  > Em Portugal não está incluída no Plano Nacional de Vacinação, existindo    no mercado duas formulações da vacina disponíveis. A Sociedade Portuguesa de    Pediatria recomenda a vacinação de crianças com idade superior a 2 anos e doença    crónica (fibrose quística, diabetes, etc.) e de adolescentes não imunes e advoga    a realização de estudos custo/benefício para a vacinação universal. </p>     <p  >Com a implementação em 1995 do programa de vacinação na infância nos EUA,    a mortalidade relacionada com a varicela sofreu uma quebra dramática (de 0,41/1    000 000 para 0,14/1 000 000 habitantes, p&lt;0,001)<sup><a name="top9"></a><a href="#9">9</a></sup>,    verificando-se concomitantemente redução da incidência da doença, complicações    e admissões hospitalares<sup><a href="#10">10</a></sup>,<sup><a name="top18"></a><a href="#18">18</a></sup>,<sup><a name="top19"></a><a href="#19">19</a></sup>.    Contudo, a maioria das mortes que continuam a ocorrer são entre indivíduos sem    factores de alto risco e elegíveis para vacinação<sup><a href="#9">9</a></sup>.    A vacina está contraindicada nos indivíduos imunossuprimidos e nas grávidas.    Na Europa tem aprovação para indivíduos imunocomprometidos com mais de 1200    linfócitos/&#956;L<sup><a href="#10">10</a></sup>. A vacina também tem eficácia    na pós-exposição, prevenindo e modificando a varicela em cerca de 96% dos indivíduos    expostos, se administrada nas primeiras 72h, ou em 67% dos casos se administrada    nos primeiros 5 dias<sup><a href="#10">10</a></sup>. </p>     <p  >A imunização passiva com a IGVZ (imunoglobulina anti-varicela <i>zoster</i>)    reduz a incidência de varicela clínica em 50% dos doentes quando administrada    nas primeiras 72 a 96h de exposição, ao prevenir a progressão da doença antes    da primeira viremia. Os restantes 50% apresentam formas ligeiras ou subclínicas.    Contudo, em pequena percentagem de doentes imunocomprometidos, pode ocorrer    pneumonia, devendo este subgrupo ser tratado com aciclovir<sup><a href="#3">3</a></sup>.    A IGVZ está indicada para grávidas, recém-nascidos cujas mães contraíram varicela    até 7 dias antes a 2 dias após o parto, indivíduos imunocomprometidos e para    profissionais de saúde não imunes após exposição ocupacional. Um estudo japonês    de 1993, não controlado e não randomizado, sugere que a administração de aciclovir    entre o 7.º e o 9.º dias do período de incubação previne a varicela<sup><a href="#3">3</a></sup>.  </p>     <p  >Existem poucos estudos em doentes imunocomprometidas, mas a implementação    de aciclovir em altas doses em associação com a IGVZ ou isoladamente (janela    temporal para administração IGVZ ultrapassada) pode ter a sua utilidade neste    grupo de alto risco.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Complicações e sequelas pulmonares</b></p>      <p  >As infecções bacterianas ou sépsis devido a sobreinfecção pulmonar ou cutânea    ocorrem em 25-50% dos doentes com PV<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>.    Os cocos Gram-positivos (sobretudo, <i>Streptococcus </i>â-hemolíticos do grupo    A e <i>Staphylococcus aureus</i>) são os agentes etiológicos principais nos    doentes com contagem de neutrófilos superior a 500/&#956;L. Aquando de neutropenia    (&lt;500/&#956;L), o risco de infecção aumenta, nomeadamente por bacilos entéricos    Gram-negativos e fungos. </p>     <p  >Nos doentes ventilados verifica-se maior risco de infecções nosocomiais<sup><a href="#3">3</a></sup>    e de desenvolvimento de pneumomediastino e pneumotórax<sup><a href="#3">3</a></sup>.    A hemorragia pulmonar, complicação tardia, resulta da lesão difusa e necrose    focal de grandes vasos, frequentemente acompanhada de coagulação intravascular    disseminada<sup><a href="#3">3</a></sup>. Do conjunto de sequelas pulmonares    descritas em indivíduos com passado de PV, os defeitos de difusão de CO<sup><a href="#3">3</a></sup>,    a diminuição da tolerância ao exercício<sup><a href="#3">3</a></sup> e o desenvolvimento    de padrão restritivo<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>    são as que cursam com maior incapacidade, porém apresentam evolução favorável.    Podem ainda manter-se durante anos nódulos de tecidos moles<sup><a href="#7">7</a></sup>    e, decorridos 2 anos, é frequente a observação de microcalcificações pulmonares    miliares residuais, com cerca de 2-3mm<sup><a href="#3">3</a></sup>,<sup><a href="#7">7</a></sup>,    em radiografia do tórax.</p>      <p  >&nbsp;</p>      <p  ><b>Caso clínico</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >Indivíduo de 38 anos, sexo masculino, fumador (15 UMA), recorre ao serviço    de urgência em 14/02/2006 por quadro, com três dias de evolução, composto por    epigastralgia, odinofagia e exantema. A apresentação cutânea consiste em lesões    papulares localizadas ao tronco com subsequente distribuição centrífuga e generalização,    com evolução simultânea para vesículas. É admitido o diagnóstico de varicela,    sendo medicado com omeprazol e ebastina para o ambulatório. Dois dias depois    é reencaminhado ao SU por agravamento das lesões cutâneas e disfonia ligeira,    havendo ainda referência a tosse seca e sudorese nocturna. </p>     <p  >Ao exame objectivo apresentava-se com normal estado mental, corado, hidratado,    anictérico, eupneico, febril (temperatura axilar = 38,5.ºC), normotenso, com    placas brancas destacáveis na mucosa da cavidade orofaríngea compatíveis com    candidíase, sem alterações auscultatórias cardio pulmonares e com exantema maculopapulovesicular    generalizado. Analiticamente apresentava trombocitopenia moderada (86 000 ×    109/L), hipoprotrombinemia (70%), citólise hepática com TGO de 560 UI/L e TGP    698 UI/L, LDH de 2042 UI/L e PCR de 0,4 mg/dL. A radiografia do tórax revela    um infiltrado micronodular bilateral. O doente é internado no serviço de Medicina    Interna, admitindo-se candidíase orofaríngea e exantema a esclarecer, instituindo-se    terapêutica com fluconazol. </p>     <p  >No primeiro dia de internamento (D1) verificam-se baixos valores da oximetria    de pulso, com evidência de insuficiência respiratória tipo I (pH 7,422, pCO2    34 mmHg, pO2 50,8 mmHg, HCO3 22,6 mMol/L, SpO2 87,1%). Inicia-se oxigenoterapia    suplementar com FiO2 de 50%, com boa resposta gasimétrica. Por apresentar serologia    compatível com infecção aguda por citomegalovírus (CMV), admite-se infecção    diseminada a CMV e institui-se terapia com Ganciclovir e profilaxia de sobre    infecção bacteriana com flucloxacilina. As serologias para VIH, VHB, VHC e VDRL    resultam negativas. </p>     <p  >Ao D2, apresenta agravamento clínico e radiológico, com exantema mais exuberante    (Figs. 1-4). Este caracteriza-se por lesões em diversas fases de evolução (pápulas    eritematosas, vesículas claras, vesículas com conteúdo turvo, vesículas com    umbilicação central, vesículas com zona central necrótica e pústulas), algumas    com 1 cm de maior diâmetro, localizado preferencialmente à face, pescoço e couro    cabeludo e com preservação das plantas e palmas. Adicionalmente, desenvolve    edema periorbitário bilateral e dos tecidos moles do pescoço; adenomegalias    submandibulares, laterocervicais e cervicais posteriores fusiformes, elásticas    e dolorosas; febre elevada; taquipneia e fervores crepitantes bibasais à auscultação    pulmonar. </p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12f1.jpg" width="256" height="344"></p>     
<p  ><b>Fig. 1</b> &#8211; Edema periorbit&aacute;rio bilateral e dos tecidos    moles do pesco&ccedil;o</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12f2.jpg" width="213" height="212"></p>     
<p  ><b>Fig. 2</b> &#8211; Enantema da cavidade oral</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12f3.jpg" width="273" height="188"></p>     
<p  ><b>Fig. 3</b></p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12f4.jpg" width="260" height="185"></p>     
<p  ><b> Figs. 3 e 4</b> &#8211; Exantema exuberante com les&otilde;es em diversas    fases de evolu&ccedil;&atilde;o (p&aacute;pulas eritematosas, ves&iacute;culas    claras, ves&iacute;culas com conte&uacute;do turvo, ves&iacute;culas com umbilica&ccedil;&atilde;o    central, ves&iacute;culas com zona central necr&oacute;tica e p&uacute;stulas),    algumas com 1 cm de maior di&acirc;metro. Localizado preferencialmente &agrave;    face, pesco&ccedil;o e couro cabeludo e com preserva&ccedil;&atilde;o das plantas    e palmas</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  >A radiografia torácica revela agravamento do infiltrado reticulonodular bilateral    (Fig. 5). Perante insuficiência respiratória, hipoxemia com necessidades crescentes    de oxigenoterapia  suplementar, o doente é admitido na UCIP. É conectado a prótese    ventilatória, na modalidade de volume controlado e com necessidade de PEEP elevado    – 10 cmH2O e FiO2 de 80%, para uma PaO2/FiO2 de 205 mmHg. Admitida <b>Pneumonia    a </b><b><i>Varicella zoster, </i></b>institui-se aciclovir 10 mg/kg ev 8/8h    e prednisolona 60mg oral id. </p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12f5.jpg" width="296" height="261"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Fig. 5</b> &#8211; Radiografia do t&oacute;rax &#8211; Infiltrado intersticial    difuso bilateral com padr&atilde;o nodular</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  >Realiza endoscopia digestiva alta e ecografia cervical constatando-se  espectivamente    <b>esofagogastroduodenite erosiva</b>, com lesões sugestivas de atingimento    esofágico por VVZ (excluindo-se lesões por cândida) e <b>adenite das glândulas    salivares, adenopatias </b>e <b>celulite do pescoço. </b></p>     <p  >Ao D4, objectiva-se agravamento da relação PaO2/FiO2 para 160 mmHg, pelo    que se admite ARDS primário. Posteriormente, verifica-se evolução favorável    do quadro clínico, com diminuição progressiva da temperatura central, inicialmente    de 41.ºC; resolução do edema cervical; regressão parcial do exantema, controlo    da sobreinfecção bacteriana cutânea com ácido fusídico e iodopovidona; melhoria    do infiltrado radiológico e da relação PaO2/FiO2, permitindo o desmame do ventilador    a partir do D6 e extubação com sucesso ao D7. Manteve estabilidade eléctrica    e hemodinâmica, bem como função renal e natremia normais. As serologias para    VVZ, CMV e HSV1+2 foram positivas e compatíveis com infecção recente. Ao D7    regressa à enfermaria de medicina onde tem como intercorrência <b>pneumonia    nosocomial necrotizante do LID sem agente isolado </b>tratada com piperacilina+tazobactam    (Fig. 6). Tem alta após 25 dias de internamento, mantendo condensação radiológica    com cavitação central em resolução.</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12f6.jpg" width="239" height="186"></p>     
<p  ><b>Fig. 6</b> &#8211; Radiografia do t&oacute;rax &#8211; Condensa&ccedil;&atilde;o    pneum&oacute;nica &agrave; base do pulm&atilde;o direito, com cavita&ccedil;&atilde;o    central e n&iacute;vel</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  > Na primeira consulta de seguimento é medicado com amoxicilina+ácido clavulânico    por tosse produtiva. </p>     <p  >Na segunda consulta, 23 dias após a alta, é reinternado por suspeita de <b>tuberculose    pulmonar </b>no contexto de febrícula e tosse produtiva arrastadas, com referência    a toracalgia pleurítica na base direita com três dias de evolução. Durante o    segundo internamento, realizou-se TC torácica que revelou uma massa sólida de    morfologia triangular e base externa nos segmentos posteriores do LID compatível    com consolidação parenquimatosa escavada e abcedada ou lesão tumoral necrosada    (Fig. 7); broncofibroscopia com observação de grande quantidade de secreções    grumosas nas árvores brônquicas, resultando a pesquisa de células neoplásicas    negativa e o exame de amostra de biópsia transbrônquica revelando processo inflamatório    intenso, misto, sem especificidade; BATT, cujo exame revelou parênquima pulmonar    com lesão inflamatória crónica, transitando para área de condensação e ausência    de características histomorfológicas de tuberculose e de lesão neoplásica; e    diversas culturas, não se conseguindo qualquer isolamento microbiológico, nomeadamente    de fungos ou micobactérias. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12f7.jpg" width="318" height="229"></p>     
<p  ><b>Fig. 7</b> &#8211; TAC tor&aacute;cica &#8211; Nos segmentos posteriores    do LID, observa-se uma massa s&oacute;lida de morfologia triangular de base    externa, com limites irregulares. Apresenta realce heterog&eacute;neo com contraste,    &aacute;reas centrais hipodensas e ar no seu interior, medindo 8x6 cm. As altera&ccedil;&otilde;es    descritas poder&atilde;o corresponder a consolida&ccedil;&atilde;o parenquimatosa    escavada e abcedada ou a les&atilde;o tumoral necrosada</p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  >É diagnosticada <b>pneumonia escavada do LID sem agente isolado</b>, após    exclusão de tuberculose e neoplasia pulmonares, apresentando boa evolução clínica,    analítica e radiológica, mediante tratamento com vancomicina em perfusão contínua.  </p>     <p  >Durante o seguimento, manteve-se assintomático, com fibrose residual radiológica    (Fig. 8), mas sem outras sequelas. Em Outubro de 2006, tem alta da consulta    de Medicina Interna. </p>     <p  >&nbsp;</p>     <p  ><img src="/img/revistas/pne/v16n3/16n3a12f8.jpg" width="208" height="227"></p>     
<p  ><b>Fig. 8</b> &#8211; Radiografia do t&oacute;rax &#8211; Fibrose residual    bilateral, sobretudo ao campo pulmonar inferior direito</p>     <p  >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Discussão</b></p>     <p  >No caso apresentado o doente contraiu a infecção em Fevereiro, em concordância    com o pico de incidência da varicela no final do Inverno, não tendo sido identificada    a fonte de contágio. Os factores de risco encontrados para desenvolvimento de    PV foram apenas o sexo masculino e o tabagismo. No entanto, também apresentou    outras variáveis para as quais se encontra estabelecido na literatura algum    grau de associação a PV: febre elevada, exantema cutâneo grave com mais de 100    lesões, enantema da cavidade orofaríngea e hepatite. Analiticamente verificou-se    ainda trombocitopenia moderada sem diátase hemorrágica. O facto de as serologias    para VVZ, CMV e VHS1+2 terem sido positivas e compatíveis com infecção recente,    é seguramente o resultado da ocorrência de reacções cruzadas entre os diversos    herpesvírus. </p>     <p  >Realizou-se com sucesso profilaxia da sobreinfecção bacteriana cutânea, tendo    ocorrido sobre infecção pulmonar, que pode acontecer em até 50% dos doentes    com PV, favorecida neste caso pelo suporte ventilatório invasivo. Esta intercorrência    prolongou significativamente o internamento hospitalar e obrigou a segundo reinternamento    por reinfecção da cavitação pulmonar. Não se verificaram outras complicações    da varicela e foi realizado estudo com exclusão de neoplasia ou compromisso    da imunidade celular, nomeadamente serologia para o VIH. </p>     <p  >O aciclovir foi neste caso instituído tardiamente (7.º dia de exantema e    4.º dia de sintomas respiratórios), devido à assunção prévia de infecção disseminada    por CMV, diagnosticada pela respectiva serologia, que interpretamos <i>a posteriori    </i>como reacção cruzada. Contudo, e apesar de o risco de morte neste doente    ser cerca de 50%, verificou-se evolução favorável. </p>     <p  >A utilização de corticóides parece-nos valorizável, tendo favorecido a boa    evolução da PV, bem como a extubação com sucesso ao fim de 5 dias, apesar do    desenvolvimento de ARDS.</p>      <p >&nbsp;</p>      <p ><b>Conclusões</b></p>      <p  >As chaves no tratamento da PV passam pela precocidade no diagnóstico e na    instituição de terapia adequada. O diagnóstico é habitualmente clínico e eventualmente    induzido por história de exposição. Em todos os doentes com varicela deve ser    investigada a existência de factores de risco para complicações, designadamente    para PV. No doente com varicela, deve-se estar atento à possibilidade de múltiplas    complicações, enfatizando a necessidade de vigilância clínica apertada. A probabilidade    de desenvolvimento de falência respiratória com necessidade de ventilação mecânica    é difícil de estabelecer no início da doença. A qualquer doente adulto assintomático    com varicela deve realizar-se radiografia torácica e oximetria/gasometria arterial.    O doente com alterações radiológicas ligeiras e com normal saturação de O2 pode    ter alta medicado com valaciclovir, devendo ser reavaliado dentro de 24 a 48h.    Os doentes que apresentem qualquer grau de hipoxemia devem ser admitidos com    monitorização da SpO2 contínua. </p>     <p  >O aciclovir constitui o fármaco de primeira linha, devendo ser iniciado de    imediato, se possível nas primeiras 24h de exantema ou nas primeiras 72h de    doença. A profilaxia de sobre infecção bacteriana cutânea deve ser universal.    A utilização de corticoterapia e, nos doentes com suporte ventilatório, de PEEP    elevado, parecem-nos relevantes.</p>      <p >&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><b>Bibliografia</b></p>      <p  ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Mohsen AH and McKendrick M. Varicella pneumonia in adults. Eur Resp J    2003; 21:886-891.</p>      <p  ><a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Hockberger RS and Rothstein RJ. Varicella Pneumonia in adults: A spectrum    of disease. Annals of Emergency Medicine 1986; 15:117-120.</p>      <!-- ref --><p  ><a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Feldman S. Varicella-zoster pneumonitis. Chest 1994; 106:22-27.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0873-2159201000030001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p  >4. Ong EL, Mulvenna P, Webb KA. Varicella-zoster infection in adults with    cystic fibrosis: role of acyclovir. Scand J Infect Dis 1991; 23:283-285.</p>      <p  >5. MacDonald NE, Morris RF, Beaudry PH. Varicella in children with cystic    fibrosis. Pediatric Infect Dis J 1987; 6:414-416.</p>      <p  ><a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Shirai T, <i>et al</i>. Varicella pneumonia in a healthy adult presenting with severe respiratory failure. Internal Medicine 1996; 35(4):315 -318.</p>      <p  ><a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Nee PA, Edrich PJ. Chickenpox pneumonia: case report and literature review. J Accid Emerg Med 1999; 16:147 -154. </p>      <p  ><a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Lee WA, Kolla S, Schreiner RL, <i>et al. </i>Prolonged extracorporeal life support (ECLS) for varicella pneumonia. Crit Care Med 1997; 25:977 -82.</p>      <p  ><a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. Huong QN, Aisha OJ, Jane FS. Decline in mortality due to varicella after implementation of varicella vaccination in the United States. NEJM 2005; 352:450-458.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  ><a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Heininger U, Seward JF. Varicella. Lancet 2006; 368:13651376</p>      <p  ><a name="11"></a><a href="#top11">11</a>. Mer M, Richards GA. Corticosteroids in life–threatening varicella pneumonia.    Chest 1998; 114:426-431.</p>      <p  ><a name="12"></a><a href="#top12">12</a>. Jones AM, Thomas N, Wilkins EGL. Outcome of varicella pneumonitis in    immunocompetent adults requiring  treatment in a high dependency unit. J Infect    2001; 43:135-139.</p>      <p  ><a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. Enders G, Miller E. Varicella and herpes zoster in pregnancy and the newborn. Varicella zoster virus: Basic virology and clinical management. Cambridge: Cambridge University Press, 2000</p>      <p  ><a name="14"></a><a href="#top14">14</a>. Kim JS, <i>et al. </i>High -resolution CT findings of varicella-zoster    pneumonia. AJR 999;172:113-116. </p>      <p  >15. Gnann JW. Varicella-zoster virus: Atypical Presentations and unsual complications. JID 2002;186:S91-S98.</p>      <p  >16. Dahan E, <i>et al. </i>Varicella zoster infection and pulmonary complications.    Euro J Intern Med 2005;16:449-450.</p>      <p  ><a name="17"></a><a href="#top17">17</a>. Dehecq C, <i>et al. </i>Retrospective study of 106 cases of varicella in immunocompetent adults. Parameters associated with varicella pneumonia. Med Mal Infect. 2008 Dec 16.</p>      <p  ><a name="18"></a><a href="#top18">18</a>. Reynolds MA, <i>et al. </i>Epidemiology of varicella hospitalizations    in the United States, 1995-2005. JID 2008;197:S120 -S126. </p>      <p  ><a name="19"></a><a href="#top19">19</a>. Chaves S, <i>et al. </i>Varicella disease among vaccinated persons: clinical    and epidemiological characteristics, 1997 -2005. JID 2008; 197:S127-S131.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p  >20. Whitley RJ. Varicella -zoster virus. <i>In: </i>Mandell GL, Bennett JE,    Dolin R. Principles and practice of infectious diseases, 6th edition. Infectious    Diseases and Their Etiologic Agents 133:1780-1786.</p>         <p  ><a name="21"></a><a href="#top21">21</a>. Dizon MN, Matfin G. Fever and dyspnoea in a young man with rash. Postgrad    Med J 1999;75:251-253</p>     <p  >&nbsp;</p>           <p  ><b><a name="c1"></a><a href="#topc1">Correspondência</a>:</b></p>       <p  >Dr.ª Carla Ferreira      Santos</p>       <p  >Urbanização Quinta      das Mesuras, Lote 9, 3.º Esq</p>        <p  >3500-225 Viseu</p>       <p  >Tel: 966 831      650</p>        <p  >e-mail:<i> </i><a href="mailto:cfsantos@sapo.pt">cfsantos@sapo.pt</a></p>         <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Recebido para publica&ccedil;&atilde;o/<i>received for publication</i>: 09.03.26  </p>     <p >Aceite para publica&ccedil;&atilde;o/<i>accepted for publication</i>: 09.10.27</p>         ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Feldman]]></surname>
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