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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Clivagens, conjuntura económica e comportamento eleitoral em Portugal: uma análise das legislativas de 1995 com dados agregados]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Clivagens]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[conjuntura económica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[comportamento eleitoral]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b><a name="top"></a>CLIVAGENS, CONJUNTURA ECON&Oacute;MICA E COMPORTAMENTO    ELEITORAL EM PORTUGAL</b></p> <B>     <P>Uma an&aacute;lise das legislativas de 1995 com dados agregados</P> </B>      <P><I>Andr&eacute; Freire</i><A HREF="#back"><I>*</I></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><U>Resumo</u> Este artigo analisa o impacte das estruturas de clivagem (centro-periferia; religiosidade-seculariza&ccedil;&atilde;o; urbano-rural; capital-trabalho) e&nbsp;da&nbsp;conjuntura econ&oacute;mica sobre os alinhamentos dos eleitores, nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas portuguesas de 1995. Em termos metodol&oacute;gicos, utilizou-se a an&aacute;lise de dados agregados, tomando como unidades de an&aacute;lise os 275 concelhos do&nbsp;Continente. </P>     <P><U>Palavras-chave</u> Clivagens; conjuntura econ&oacute;mica; comportamento eleitoral. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Introdu&ccedil;&atilde;o</P></B>      <P>Em maior ou menor grau, os actos eleitorais s&atilde;o sempre marcados por determinadas conjunturas sociais, econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas. Para as Ci&ecirc;ncias Sociais, o estudo das rela&ccedil;&otilde;es entre os sistemas sociais e os sistemas pol&iacute;tico-partid&aacute;rios, nomeadamente atrav&eacute;s dos processos eleitorais, passa n&atilde;o apenas por estudar os determinantes estruturais dos alinhamentos dos eleitores, mas tamb&eacute;m por analisar os efeitos dos diferentes elementos conjunturais sobre estes mesmos alinhamentos. Este artigo foi escrito antes de se terem realizado as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1999. A sua reformula&ccedil;&atilde;o, de molde a incorporar os resultados destas &uacute;ltimas, implicaria a produ&ccedil;&atilde;o de um artigo praticamente novo, desde logo porque toda a economia do texto teria de ser repensada; muitas das an&aacute;lises aqui desenvolvidas teriam de ser postas de parte. Por isso, e tendo em mente a import&acirc;ncia de estudar os factores estruturais e <I>conjunturais</I> que explicam os resultados em cada acto eleitoral particular, considerou-se pertinente publicar o artigo, mesmo sem incorporar os resultados da mais recente elei&ccedil;&atilde;o legislativa. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="top1"></a>Em 1995, o PS registou a sua maior vota&ccedil;&atilde;o    de sempre, em rela&ccedil;&atilde;o a todas as elei&ccedil;&otilde;es legislativas    anteriores: 43,7% dos votos (MAI/STAPE,1997: 11).<A HREF="#1"><SUP>1</SUP></A>    Comparando com 1991, o PSD perdeu bastantes votos, ficando-se pelos 34,1% (MAI/STAPE,    1997: 11). Em conjunto, os dois maiores partidos (PS e PSD) mantiveram uma percentagem    de quase 80%, ou seja, manteve-se a tend&ecirc;ncia bipartidarizante do sistema    pol&iacute;tico-partid&aacute;rio que se vem registado desde 1987. </P>     <P>A derrota do PSD, em 1995, tem de ser entendida, em primeiro lugar, no contexto    do desgaste que sofreu pela sua prolongada estada no poder executivo (10 anos).    Por outro lado, este partido concorreu &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de 1995    com uma nova lideran&ccedil;a (Fernando Nogueira), em resultado do abandono    de Cavaco Silva, que tinha representado uma &quot;mais-valia&quot; eleitoral    do PSD (Lima, 1995a: 42-46), apesar do decl&iacute;nio dos seus &iacute;ndices    de popularidade no final do mandato. <a name="top2"></a>A conjuntura econ&oacute;mica    recessiva, o aumento do desemprego e as dificuldades na gest&atilde;o eleitoral    das pol&iacute;ticas macroecon&oacute;micas<A HREF="#2"><SUP>2</SUP></A> (Tufte,    1994) ter&atilde;o tamb&eacute;m contribu&iacute;do para a derrota do PSD (Frain,    1998: 207-209). <a name="top3"></a>Em quarto lugar, algumas manifesta&ccedil;&otilde;es    de descontentamento e contesta&ccedil;&atilde;o social<A HREF="#3"><SUP>3</SUP></A>    foram respondidas com interven&ccedil;&otilde;es policiais bastante &quot;musculadas&quot;.    A forte mediatiza&ccedil;&atilde;o de alguns esc&acirc;ndalos envolvendo membros    do executivo ter&atilde;o tamb&eacute;m contribu&iacute;do para tal desgaste    (Frain, 1998: 210). </P>     <P><a name="top4"></a>Na oposi&ccedil;&atilde;o, o PS, liderado por Ant&oacute;nio    Guterres, ensaiou uma certa modera&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica com o    objectivo de captar o chamado &quot;eleitorado flutuante&quot;,<A HREF="#4"><SUP>4</SUP></A>    estrat&eacute;gia que se revelou bem sucedida (Goldey, 1997: 247). O CDS/PP,    sob a lideran&ccedil;a de Manuel Monteiro, apresentou-se como um partido de    direita renovado, populista e anti-federalista, tendo melhorado razoavelmente    o respectivo resultado: de 4,4% (1991) para 9, 0% (1995) (ver Robinson, 1996:    968-971). <a name="top5"></a>O PCP e seus aliados (CDU)<A HREF="#5"><SUP>5</SUP></A>    ter&atilde;o tentado, sobretudo, preservar os respectivos basti&otilde;es do    Sul do pa&iacute;s, tendo conseguido tal objectivo (Goldey, 1997: 247-248):    desceram apenas de 8,8% dos votos (1991) para 8,6% (1995). </P>     <P>Neste artigo, propomo-nos avaliar quais os factores sociais e econ&oacute;micos que melhor explicam os alinhamentos dos eleitores e a absten&ccedil;&atilde;o eleitoral nas legislativas de 1995. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Modelos te&oacute;ricos</P></B>      <P>Segundo o modelo das clivagens estruturais (Lipset e Rokkan, 1992), os alinhamentos dos eleitores dependem basicamente do respectivo posicionamento no sistema de clivagens. Esses diversos posicionamentos est&atilde;o associados a desiguais n&iacute;veis de recursos, diferentes interesses socioecon&oacute;micos e/ou valores socioculturais, que depois se traduzem (probabilisticamente) em diversos comportamentos eleitorais. Tanto mais quanto esses posicionamentos actuem no mesmo sentido, isto &eacute;, quanto os m&uacute;ltiplos grupos sociais a que o indiv&iacute;duo pertence sejam propensos a id&ecirc;ntico comportamento pol&iacute;tico. Por exemplo, se a posi&ccedil;&atilde;o de classe do indiv&iacute;duo o torna mais propenso a votar &agrave; esquerda, esse elemento ficar&aacute; refor&ccedil;ado se esse indiv&iacute;duo for tamb&eacute;m ateu. Pelo contr&aacute;rio, esse efeito da posi&ccedil;&atilde;o de classe ficar&aacute; esbatido se ele for fortemente religioso. </P>     <P>O referido modelo aponta para quatro clivagens b&aacute;sicas: centro-periferia; religiosidade-seculariza&ccedil;&atilde;o; urbano-rural e capital-trabalho. </P>     <P><a name="top6"></a>A clivagem centro-periferia ser&aacute; operacionalizada    atrav&eacute;s da oposi&ccedil;&atilde;o entre <I>os centros</I> mais ricos    (&iacute;ndice de rendimento e de desenvolvimento industrial),<A HREF="#6"><SUP>6</SUP></A>    mais educados (escolariza&ccedil;&atilde;o) e com uma estrutura de classes mais    modernizada (maior peso das frac&ccedil;&otilde;es de classe ligadas ao sector    terci&aacute;rio) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s &aacute;reas mais <I>perif&eacute;ricas</I>,    onde t&ecirc;mmaior peso as frac&ccedil;&otilde;es de classe ligadas ao sector    prim&aacute;rio e as popula&ccedil;&otilde;es com as maiores taxas de analfabetismo.    Em Portugal, o contraste entre os concelhos com mais jovens (centro) e os mais    envelhecidos (periferia)pode tamb&eacute;m ser considerado um elemento daquela    oposi&ccedil;&atilde;o, sobretudo enquanto elemento diferenciador das &aacute;reas    do litoral (centrais) quando comparadas as do interior (perif&eacute;ricas).  </P>     <P>Um elevado n&iacute;vel de recursos materiais e educacionais permite um maior    dom&iacute;nio do universo da pol&iacute;tica, das estrat&eacute;gias dos seus    actores e das mundivis&otilde;es associadas, quer devido &agrave; maior familiariedade    com conceptualiza&ccedil;&otilde;es abstractas e ao maior tempo dispon&iacute;vel,    quer devido &agrave; disponibilidade mental que resulta da satisfa&ccedil;&atilde;o    das necessidades materiais b&aacute;sicas; por outro lado, a um maior n&iacute;vel    de recursos corresponde geralmente uma interioriza&ccedil;&atilde;o subjectiva    desse estatuto, que se traduz num maior sentido de efic&aacute;cia pol&iacute;tica,    isto &eacute;, o indiv&iacute;duo considera que a sua ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    &eacute; importante e eficaz (Bourdieu, 1979: 463-541), por isso, participa    mais. Em suma, a um maior n&iacute;vel de recursos materiais e educacionais    est&aacute; geralmente associada uma maior integra&ccedil;&atilde;o social e    pol&iacute;tica (Lipset, 1987: 155-190). <a name="top7"></a>A clivagem centro-periferia    estar&aacute; mais ligada aos n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o (centro)    ou de absten&ccedil;&atilde;o (periferia) do que ao sentido de voto dos eleitores.<A HREF="#7"><SUP>7</SUP></A>    Isto &eacute;, n&atilde;o se nega que esta clivagem tenha tido um papel na forma&ccedil;&atilde;o    e consolida&ccedil;&atilde;o da nacionalidade portuguesa (ver Mattoso, 1993    e 1998), todavia, &eacute; duvidoso que, <I>per se</I>, tenha um impacte relevante    no sentido de voto dos eleitores: sabemos que as &aacute;reas perif&eacute;ricas    do Sul do pa&iacute;s, nomeadamente o Alentejo, t&ecirc;m sido tradicionalmente    mais &quot;progressistas&quot;; pelo contr&aacute;rio, as &aacute;reas perif&eacute;ricas    do Norte do pa&iacute;s t&ecirc;m sido tradicionalmente mais &quot;conservadoras&quot;.  </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Por seu turno, em Portugal, a clivagem religiosa remete para a oposi&ccedil;&atilde;o entre os <I>cat&oacute;licos praticantes</I> e os outros (<I>cat&oacute;licos n&atilde;o praticantes e secularizados</I>). O indicador utilizado &eacute; a percentagem de indiv&iacute;duos que frequentam semanalmente a missa (missalizantes). Historicamente, as posi&ccedil;&otilde;es da Igreja Cat&oacute;lica foram, em regra, politicamente conservadoras: apoio ao Estado Novo; apoio &agrave; reac&ccedil;&atilde;o contra a radicaliza&ccedil;&atilde;o do &quot;Processo Revolucion&aacute;rio em Curso&quot; (PREC), em 1975; oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; liberaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, etc. Por outro lado, a socializa&ccedil;&atilde;o religiosa implica, regra geral, uma vis&atilde;o do mundo tendencialmente legitimadora das desigualdades sociais e das institui&ccedil;&otilde;es tradicionais: o sistema de valores religioso assenta na cren&ccedil;a sobre a exist&ecirc;ncia de uma ordem natural, justa e com origem divina; nesta medida, constitui uma certa veleidade humana pretender transformar o mundo (ver Michelat e Simon, 1979: 28-29, e 1989: 301-305). Em oposi&ccedil;&atilde;o, o sistema de valores geralmente associado &agrave;s for&ccedil;as secularizantes assenta na cren&ccedil;a (iluminista) sobre a capacidade humana de construir um mundo melhor (Michelat e Simon, 1979: 29-33, e 1989: 301-305). Da&iacute; a maior propens&atilde;o destes &uacute;ltimos para aderir a partidos que d&atilde;o prioridade &agrave; mudan&ccedil;a social. Assim, a hip&oacute;tese &eacute; que os maiores n&iacute;veis de pr&aacute;tica religiosa estar&atilde;o ligados ao voto de direita e a seculariza&ccedil;&atilde;o ao voto de esquerda. </P>     <P>Quanto &agrave; clivagem urbano-rural, ser&aacute; operacionalizada como a oposi&ccedil;&atilde;o entre as zonas onde predomina o <I>habitat</I> <I>urbano</I> e aquelas onde prevalece o <I>habitat</I> <I>rural</I>. Pelo menos em Portugal, est&aacute; clivagem est&aacute; algo sobreposta com a do centro-periferia. Assim, parece-nos adequado formular a hip&oacute;tese de uma maior participa&ccedil;&atilde;o eleitoral nas zonas urbanas e de uma maior absten&ccedil;&atilde;o nas zonas rurais, evitando fazer quaisquer predi&ccedil;&otilde;es em termos de sentido de voto. </P>     <P>Por outro lado, os indiv&iacute;duos residentes em zonas urbanas, quer devido a maiores recursos educacionais, quer a uma maior circula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nesses meios, tender&atilde;o a ser mais vol&aacute;teis: &eacute; expect&aacute;vel que os indiv&iacute;duos mais instru&iacute;dos sejam menos leais aos partidos pol&iacute;ticos, sobretudo porque ter&atilde;o maior probabilidade de ter um estatuto social interm&eacute;dio e um maior n&iacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, elementos que os tornam mais propensos a oscilar o sentido de voto consoante as conjunturas (ver Franklin <I>et al.</I>, 1992). Adicionalmente, os indiv&iacute;duos mais jovens — geralmente mais numerosos fora das zonas rurais — quer devido a um estatuto social ainda pouco definido, quer a uma mais curta ou inexistente &quot;hist&oacute;ria&quot; pessoal de voto, tender&atilde;o a ter menores n&iacute;veis de identifica&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria (Campbell <I>et al.</I>, 1980: 146-167; 295-333, e Cabral, 1998a: 359-363). Consequentemente, ser&atilde;o tamb&eacute;m propensos a maior mobilidade eleitoral. </P>     <P><a name="top8"></a>S&atilde;o usados quatro tipos de indicadores de mobilidade    eleitoral: as <I>diferen&ccedil;as percentuais</I><A HREF="#8"><SUP>8</SUP></A>    (<I>varia&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas</I>) na absten&ccedil;&atilde;o    e no voto partid&aacute;rio, 1991/1995; <a name="top9"></a>as <I>taxas de varia&ccedil;&atilde;o</I><A HREF="#9"><SUP>9</SUP></A>    (<I>varia&ccedil;&otilde;es brutas</I>) na absten&ccedil;&atilde;o e voto partid&aacute;rio,    1991/1995; <a name="top10"></a>a <I>volatilidade total</I><A HREF="#10"><SUP>10</SUP></A>    (Pedersen, 1979: 3-6), que mede o total de transfer&ecirc;ncias l&iacute;quidas    entre todos os partidos que obtiveram votos, 1991/1995; <a name="top11"></a>a    <I>volatilidade de bloco</I><A HREF="#11"><SUP>11</SUP></A> (Bartolini e Mair,    1990: 20-22), que mede as transfer&ecirc;ncias l&iacute;quidas entre o &quot;bloco&quot;    de partidos de direita (CDS/PP, PSD, PDA, PG, PPM, PSN) e o &quot;bloco&quot;    de partidos de esquerda (CDU, PS, FER, PCTP, PRD, PSR, UDP), 1991/ 1995. </P>     <P>Por &uacute;ltimo, a clivagem capital-trabalho op&otilde;e os <I>propriet&aacute;rios</I> (burguesia e pequena burguesia), mais propensos, em tese, a votar &agrave; direita, e os <I>assalariados</I> (dos v&aacute;rios sectores de actividade), mais inclinados a votar &agrave; esquerda, em resultado de interesses econ&oacute;micos divergentes e de orienta&ccedil;&otilde;es valorativas associadas (ver Knutsen, 1998: 161-162 e 461-491). Contudo, as frac&ccedil;&otilde;es de classe associadas a um estatuto social interm&eacute;dio (Erikson e Goldthorpe, 1991: 43-44) t&ecirc;m posi&ccedil;&otilde;es mais afastadas de cada um dos p&oacute;los da clivagem, pelo que ter&atilde;o maior propens&atilde;o &agrave; mobilidade eleitoral (ver Franklin <I>et al.</I>, 1992, e Cabral, 1998b: 407-414). </P>     <P>T&ecirc;m sido apontadas algumas insufici&ecirc;ncias a este modelo, nomeadamente a fraca capacidade para explicar as transfer&ecirc;ncias de voto, pois as altera&ccedil;&otilde;es estruturais n&atilde;o permitem, devido &agrave; sua natural lentid&atilde;o, dar conta desses fen&oacute;menos (Campbell <I>et al.</I>, 1966: 3-17, e Johnston, 1990). Por outro lado, apesar de afirmar que os ocupantes de determinadas posi&ccedil;&otilde;es na estrutura de clivagens s&atilde;o mais propensos &agrave; mobilidade eleitoral, tal perspectiva n&atilde;o permite explicar por que raz&atilde;o os indiv&iacute;duos nessas situa&ccedil;&otilde;es mudam o seu comportamento eleitoral entre determinado par de elei&ccedil;&otilde;es; por outras palavras, apenas podemos dizer que eles s&atilde;o mais propensos a mudar, mas n&atilde;o por que raz&atilde;o mudam. No sentido de superar tais limita&ccedil;&otilde;es, tem sido proposta a combina&ccedil;&atilde;o do modelo das clivagens com o &quot;modelo econ&oacute;mico&quot; do comportamento eleitoral (ver Downs, 1973; Kiweit, 1983; Johnston, 1990; Lewis-Beck, 1990; Anderson, 1995). </P>     <P>Quer seja em termos do resultado de uma determinada viv&ecirc;ncia pessoal (<I>voto ego&iacute;sta</I>) quer em resultado da avalia&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas nacionais (<I>voto sociotr&oacute;pico</I>), as quest&otilde;es do desemprego e da infla&ccedil;&atilde;o assumem especial relevo na vida dos indiv&iacute;duos (Kiweit, 1983: 14-26; Lewis-Beck, 1990: 33-51 e 81-94). </P>     <P>Em geral, os partidos de esquerda atribuem maior prioridade ao combate ao desemprego, enquanto os de direita concedem maior prioridade &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da estabilidade dos pre&ccedil;os. Assim, os eleitores mais atingidos pelo desemprego (<I>voto ego&iacute;sta</I>) ou que o percepcionam como um importante problema nacional (<I>voto sociotr&oacute;pico</I>), em determinada conjuntura, tender&atilde;o a votar mais nos partidos de esquerda. Pelo contr&aacute;rio, os indiv&iacute;duos que encaram a infla&ccedil;&atilde;o como um problema mais importante, em termos de condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas pessoais e/ou nacionais, tender&atilde;o a votar mais nos partidos de direita (<I>hip&oacute;tese das prioridades pol&iacute;ticas</I>) (Anderson, 1995: 89, e Kiweit, 1983: 7-14). </P>     <P>Por outro lado, no fim de cada mandato, o governo cessante e o(s) partido(s) que o apoia(m) — &quot;incumbentes&quot; —, tamb&eacute;m s&atilde;o julgados pelo desempenho da economia. Segundo a <I>hip&oacute;tese da responsabiliza&ccedil;&atilde;o</I> (Kiweit, 1983: 5-7, Lewis-Beck, 1990: 33-51 e 81-94, e Anderson, 1995: 89), os eleitores tender&atilde;o a penalizar os &quot;incumbentes&quot; em per&iacute;odos de mau desempenho da economia e a votar neles em per&iacute;odos de prosperidade econ&oacute;mica. </P>     <P><a name="top12"></a>Como indicadores da conjuntura econ&oacute;mica, utiliz&aacute;mos    a taxa de desemprego, em Outubro de 1995, e as taxas de varia&ccedil;&atilde;o    do desemprego e das remunera&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias mensais dos trabalhadores    por conta de outrem, de Outubro de 1994 a Outubro de 1995.<A HREF="#12"><SUP>12</SUP></A>  </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Assim, partimos da hip&oacute;tese de que nos concelhos onde se registam os    piores indicadores econ&oacute;micos (maiores n&iacute;veis de desemprego, pior    evolu&ccedil;&atilde;o do desemprego e das remunera&ccedil;&otilde;es) os eleitores    tender&atilde;o a penalizar o partido &quot;incumbente&quot; (PSD) (<I>hip&oacute;tese    da responsabiliza&ccedil;&atilde;o</I>). <a name="top13"></a>Por outro lado,    os indiv&iacute;duos mais fustigados pelo desemprego e/ou que atribuem grande    import&acirc;ncia<A HREF="#13"><SUP>13</SUP></A> a esse problema optar&atilde;o    preferencialmente pelos partidos (PS e CDU) que atribuem maior prioridade &agrave;    quest&atilde;o, em termos de pol&iacute;ticas macroecon&oacute;micas (<I>hip&oacute;tese    das prioridades pol&iacute;ticas</I>). </P>     <P>Em termos metodol&oacute;gicos, utiliz&aacute;mos a an&aacute;lise de dados    agregados, tamb&eacute;m conhecida por an&aacute;lise ecol&oacute;gica (Langbein    e Lichtman, 1978). Isto &eacute;, as unidades de an&aacute;lise s&atilde;o esp&aacute;cio-administrativas:    os concelhos. <a name="top14"></a>Assim, quer as vari&aacute;veis pol&iacute;ticas    (absten&ccedil;&atilde;o e vota&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias),<A HREF="#14"><SUP>14</SUP></A>    quer os indicadores das estruturas de clivagem e da conjuntura econ&oacute;mica    reportam-se a totais concelhios. Embora mantendo sempre a mesma unidade de an&aacute;lise,    ser&atilde;o usados diferentes espa&ccedil;os de refer&ecirc;ncia (ver Derivry    e Dogan, 1971): Continente, Regi&atilde;o Norte (Regi&atilde;o Norte e Regi&atilde;o    Centro) e Regi&atilde;o Sul (Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). </P>     <P>S&atilde;o conhecidos os riscos de &quot;fal&aacute;cia ecol&oacute;gica&quot; (King, 1997: 12-17), ou seja, os problemas que se colocam ao extrapolar para o comportamento individual as conclus&otilde;es retiradas a partir dos dados ecol&oacute;gicos (agrega&ccedil;&otilde;es de comportamentos individuais). Portanto, as extrapola&ccedil;&otilde;es para o comportamento individual t&ecirc;m um car&aacute;cter meramente aproximativo. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Resultados concelhios nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1995</P> </B>      <P><a name="top15"></a>No espa&ccedil;o continental, em termos de percentagens    m&eacute;dias concelhias, o PS (43,0%) teve mais 7,5% de votos do que o PSD    (35,5%)<A HREF="#15"><SUP>15</SUP></A> (ver <A HREF="#qd1">quadro 1</A>). Todavia,    na Regi&atilde;o Norte, foi o PSD (43,3%) que teve mais 2,7% dos votos que o    PS (40,6%). Assim, apenas na Regi&atilde;o Sul o Partido Socialista (46,4%)    teve uma m&eacute;dia concelhia superior ao PSD (24,3%): mais 22,1% dos votos.    Por outro lado, repare-se que a m&aacute;xima percentagem concelhia do PSD (71,1%,    na Regi&atilde;o Norte) foi razoavelmente maior (+9%) que o maior resultado    concelhio do PS (62,1%, na Regi&atilde;o Sul). Esta diferencia&ccedil;&atilde;o    Norte/Sul espelha bem a pertin&ecirc;ncia da divis&atilde;o efectuada, sobretudo    por se tratar de uma conjuntura desfavor&aacute;vel para o Partido Social-Democrata.  </P>     <P><a name="qd1"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="463" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 1</b> Distribui&ccedil;&atilde;o da absten&ccedil;&atilde;o        e voto partid&aacute;rio por regi&otilde;es, 1995 (percentagens)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a03q1.gif" width="442" height="370"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     <P>Portanto, apesar da derrota do PSD, o dom&iacute;nio do Partido Socialista (em termos de m&eacute;dias das percentagens concelhias) ficou circunscrito ao Sul do pa&iacute;s e, mesmo assim, nunca conseguiu alcan&ccedil;ar o grau de predom&iacute;nio que o PSD obteve nalguns concelhos do Norte. Contudo, &eacute; preciso introduzir algumas considera&ccedil;&otilde;es. Em primeiro lugar, a vantagem do PS em rela&ccedil;&atilde;o ao PSD, na Regi&atilde;o Sul, foi muito maior que a vantagem do PSD sobre o PS, na Regi&atilde;o Norte. Da&iacute; a primazia do Partido Socialista, ao n&iacute;vel do espa&ccedil;o continental. Por outro lado, ao tomarmos os concelhos como unidades de an&aacute;lise, temos de utilizar frequ&ecirc;ncias relativas (percentagens) para os poder comparar. Este procedimento impede, contudo, que se levem em conta as diferen&ccedil;as populacionais entre concelhos. Nomeadamente, se um partido tiver uma implanta&ccedil;&atilde;o mais urbana que rural (caso do PS), a m&eacute;dia das percentagens concelhias pode subestimar o seu peso efectivo na sua quota de votos. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O contraste Norte/Sul teve tamb&eacute;m tradu&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel dos outros dois partidos. O CDS/PP teve maiores vota&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias a Norte (9,5%) que a Sul (6,8%). Ao contr&aacute;rio, o PCP tem vota&ccedil;&otilde;es m&eacute;dias bastante maiores no Sul (17, 0%) do que no Norte (2,6%). </P>     <P>Portanto, nas elei&ccedil;&otilde;es de 1995, manteve-se a tradicional divis&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas entre o Norte (mais &quot;conservador&quot;) e o Sul (mais &quot;progressista&quot;) do territ&oacute;rio continental (para per&iacute;odos anteriores, ver Mattoso, 1993 e 1998; Cabral, 1992; Gaspar e Andr&eacute;, 1990; Gaspar <I>et al.</I>, 1990; Aguiar, 1994; Freire, 2000). Nesta situa&ccedil;&atilde;o, temos desde j&aacute; uma clara indica&ccedil;&atilde;o da actua&ccedil;&atilde;o da estrutura de clivagens na distribui&ccedil;&atilde;o espacial do voto partid&aacute;rio: sobretudo a clivagem religiosa e a de capital-trabalho, na sua dimens&atilde;o rural, ou seja, a maior religiosidade e a predomin&acirc;ncia da pequena burguesia agr&iacute;cola explicam o maior peso dos partidos de direita no Norte, mesmo numa conjuntura desfavor&aacute;vel. O partido no qual essa divis&atilde;o mais se fez sentir foi o PCP, ou seja, a elevada religiosidade e o peso dos camponeses t&ecirc;m limitado fortemente a sua implanta&ccedil;&atilde;o no Norte do pa&iacute;s. </P>     <P>Tamb&eacute;m as percentagens m&eacute;dias da absten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o    maiores a Norte (35,2%) que a Sul (32,6%), mas a diferen&ccedil;a &eacute; pequena:    2,6%. Estas diferen&ccedil;as, que tamb&eacute;m representam um tra&ccedil;o    de continuidade em rela&ccedil;&atilde;o a anteriores elei&ccedil;&otilde;es    (ver Gaspar e Andr&eacute;, 1990; Gaspar <I>et al.</I>, 1990; Aguiar, 1994;    Montargil, 1995; Freire, 1999), est&atilde;o relacionadas com o maior peso do    <I>habitat</I> rural no Norte do pa&iacute;s, assim como a presen&ccedil;a maiorit&aacute;ria    da pequena burguesia agr&iacute;cola. </P>     <P>Podemos constatar (<A HREF="#qd2">quadro 2</A>) que o Norte foi menos vol&aacute;til    que o Sul (m&eacute;dias de 19,4% e 22,4% do total de transfer&ecirc;ncias l&iacute;quidas,    respectivamente). Contudo, o peso da volatilidade de bloco na volatilidade total    foi maior no Norte (72,7%), que no Sul (69,1%), embora a diferen&ccedil;a seja    muito pequena. Portanto, no Norte do pa&iacute;s, a vit&oacute;ria do PS foi    conseguida quase exclusivamente &agrave; custa do PSD (volatilidade de bloco),    at&eacute; porque a CDU tem uma implanta&ccedil;&atilde;o muito reduzida na    regi&atilde;o; no Sul, na vit&oacute;ria do PS teve maior import&acirc;ncia    a capta&ccedil;&atilde;o de antigos eleitores da CDU (volatilidade dentro da    mesma &aacute;rea ideol&oacute;gica), ainda que, tamb&eacute;m na Regi&atilde;o    Meridional, o maior volume de transfer&ecirc;ncias tenha sido do PSD para o    Partido Socialista. Por outro lado, a atrac&ccedil;&atilde;o que o CDS/PP exerceu    sobre alguns dos eleitores antigos do PSD ter&aacute; sido identicamente repartida    entre o Norte e o Sul do pa&iacute;s. </P>     <P><a name="qd2"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="470" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 2</b> Ganhos e perdas l&iacute;quidas na absten&ccedil;&atilde;o        e voto partid&aacute;rio por regi&otilde;es, 1991/1995 (diferen&ccedil;as        percentuais)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a03q2.gif" width="448" height="417"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     <P>Em termos partid&aacute;rios, registe-se que o PS aumentou a sua percentagem de votos em todos os concelhos, com um m&aacute;ximo de +25,0% e um m&iacute;nimo de +7,8%. Todavia, em m&eacute;dia, cresceu mais a sul (+16,9%) que a norte (+14,8%). Ao contr&aacute;rio, o PSD registou perdas l&iacute;quidas em todos os concelhos do pa&iacute;s, com um m&aacute;ximo de -25,6% e um m&iacute;nimo de -7,5%, n&atilde;o existindo, em termos m&eacute;dios, diferen&ccedil;as inter-regionais nesta evolu&ccedil;&atilde;o. Em m&eacute;dia, o CDS/PP aumentou a sua percentagem de votos nas duas regi&otilde;es, embora um pouco mais a Norte (+4,0%) que a Sul (+3,8%). Todavia, este partido registou perdas l&iacute;quidas nalguns concelhos: m&aacute;ximo de -1,1%. O PCP (CDU) registou perdas l&iacute;quidas em todas as regi&otilde;es, embora um pouco mais a Sul (-0,4%) que a Norte (-0,2%). Todavia, as perdas m&eacute;dias s&atilde;o muito pequenas, sendo mais correcto falar-se de uma certa estabilidade na quota de votos da CDU. Ainda assim, o PCP teve algumas subidas not&aacute;veis no Sul (m&aacute;ximo de +8,5%). Esta evolu&ccedil;&atilde;o na quota de votos dos partidos, sobretudo no PS, PSD e CDS/PP, traduzir&aacute; a reac&ccedil;&atilde;o de alguns eleitores &agrave; conjuntura pol&iacute;tica descrita na primeira sec&ccedil;&atilde;o deste estudo. </P>     <P>Em m&eacute;dia, a absten&ccedil;&atilde;o cresceu 1,0%. Contudo, esse crescimento foi maior a Norte (1,3%) que a Sul (0,5%) fen&oacute;meno que poder&aacute; ter traduzido uma maior mobiliza&ccedil;&atilde;o do Sul do pa&iacute;s para alterar o <I>status quo</I>, contribuindo mais para a vit&oacute;ria do PS, ao passo que a Norte poder&aacute; ter significado uma via de sa&iacute;da para antigos eleitores do PSD, descontentes com a presta&ccedil;&atilde;o do partido (1991/1995), mas incapazes de se reverem nas alternativas partid&aacute;rias. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Transfer&ecirc;ncias de voto, 1991-1995</P></B>      <P>Antes de passar &agrave; an&aacute;lise propriamente dita, esclare&ccedil;a-se    que a interpreta&ccedil;&atilde;o das transfer&ecirc;ncias de voto com base    em dados agregados enferma de fortes limita&ccedil;&otilde;es. Em primeiro lugar,    quando analisamos as transfer&ecirc;ncias de voto entre os partidos, tais an&aacute;lises    n&atilde;o permitem levar em linha de conta a entrada de novos eleitores, isto    &eacute;., aqueles que atingiram recentemente a idade de votar; tal como n&atilde;o    permitem contabilizar a sa&iacute;da de eleitores do mercado eleitoral. Em segundo    lugar, as varia&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas n&atilde;o nos permitem contabilizar    as transfer&ecirc;ncias que se auto-anulam. Isto &eacute;, aqueles movimentos    de eleitores de um partido a outro (por exemplo, do PSD para o PS) que s&atilde;o    compensados por movimentos de eleitores em sentido inverso (por exemplo, do    PS para o PSD), pois tais fluxos n&atilde;o t&ecirc;m tradu&ccedil;&atilde;o    nas varia&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas do voto (para uma apresenta&ccedil;&atilde;o    mais detalhada deste problema, ver Freire, 2000, Sec&ccedil;&atilde;o VI.1).  </P>     <P>A observa&ccedil;&atilde;o do <A HREF="#qd3">quadro 3</A> permite-nos constatar    que a subida concelhia da percentagem de abstencionistas (1991 a 1995) coincidiu    com as maiores perdas do PSD (<I>r</I>=-0,16), ainda que ligeiramente. Portanto,    alguns dos cidad&atilde;os que votaram no PSD, em 1991, optaram pela absten&ccedil;&atilde;o,    em 1995. <a name="top16"></a>Isto &eacute;, apesar de descontentes com a presta&ccedil;&atilde;o    do partido, n&atilde;o ter&atilde;o encontrado nas diferentes alternativas uma    sa&iacute;da suficientemente atractiva e/ou foram incapazes de se transferir    para outros partidos por motivos de fidelidade ideol&oacute;gica.<A HREF="#16"><SUP>16</SUP></A>    Tamb&eacute;m o PS parece ter sido penalizado pela subida da absten&ccedil;&atilde;o    (<I>r</I>=-0,30). <a name="top17"></a>Todavia, esta correla&ccedil;&atilde;o    &eacute; ilus&oacute;ria: tendo em conta que o Partido Socialista aumentou a    percentagem de votos em todos os concelhos (ver <A HREF="#qd2">quadro 2</A>),    o que esta associa&ccedil;&atilde;o significa &eacute; que o PS cresceu menos    nos concelhos onde a absten&ccedil;&atilde;o mais subiu; por outro lado, quer    dizer que o Partido Socialista cresceu mais nos concelhos onde a absten&ccedil;&atilde;o    desceu,<A HREF="#17"><SUP>17</SUP></A> ou seja, a vit&oacute;ria deste partido    tamb&eacute;m assentou na mobiliza&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos que    se tinham abstido de votar em 1991. Os dois partidos mais pequenos tamb&eacute;m    n&atilde;o foram penalizados pela absten&ccedil;&atilde;o, antes pelo contr&aacute;rio,    ou seja, quer o CDS/PP (<I>r</I>=0,29) quer a CDU (<I>r</I>=0,18) aumentaram    as suas percentagens de votos nos concelhos onde a absten&ccedil;&atilde;o mais    subiu.</P>     <P><a name="qd3"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="512" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 3</b> Transfer&ecirc;ncias de voto, 1991/1995, no Continente        (correla&ccedil;&otilde;es entre as varia&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas        na absten&ccedil;&atilde;o e no voto partid&aacute;rio)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a03q3.gif" width="491" height="360"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     <P>A varia&ccedil;&atilde;o no voto do PSD (1991 a 1995) &eacute; a que apresenta    uma rela&ccedil;&atilde;o mais intensa com a volatilidade total (<I>r</I>=-0,84),    seguida da varia&ccedil;&atilde;o no voto do PS (<I>r</I>=0,76) e, com muito    menor intensidade, do CDS/PP (<I>r</I>=0,38). Pelo contr&aacute;rio, a varia&ccedil;&atilde;o    no voto da CDU n&atilde;o apresenta qualquer rela&ccedil;&atilde;o com a volatilidade    total (<I>r</I>=-0,06), traduzindo fielmente a fraca variabilidade no voto comunista    (ver <A HREF="#qd2">quadro 2</A>). Assim, verificamos que as maiores perdas    do PSD se registaram nos concelhos onde ocorreram maiores transfer&ecirc;ncias    de voto. Pelo contr&aacute;rio, os maiores ganhos do PS e do CDS/PP verificaram-se    nos concelhos onde houve maior volume de transfer&ecirc;ncias de voto. O valor    mais elevado dos coeficientes, no caso do PSD e do PS, indica-nos que o maior    volume de volatilidade se consubstanciou em transfer&ecirc;ncias de voto do    PSD para o PS, elemento ilustrado pela rela&ccedil;&atilde;o entre a varia&ccedil;&atilde;o    no voto partid&aacute;rio e a volatilidade de bloco: PSD, <I>r</I>=-0,68; PS,    <I>r</I>=0,89. Recorde-se que a volatilidade de bloco diz respeito &agrave;s    transfer&ecirc;ncias de voto entre os partidos de cada um dos blocos ideol&oacute;gicos.    Portanto, verificamos que os concelhos onde o PS mais cresceu foram aqueles    em que esse tipo de transfer&ecirc;ncias ocorreu em maior volume, tendo-se verificado    uma rela&ccedil;&atilde;o sim&eacute;trica no caso do PSD. Dado que estes s&atilde;o    os dois maiores partidos do sistema, podemos daqui concluir que este tipo de    volatilidade resultou, sobretudo, de transfer&ecirc;ncias de voto do PSD (direita)    para o PS (esquerda). Nas zonas onde tal aconteceu foi onde o CDS/PP menos cresceu    ou perdeu votos (<I>r</I>=-0,17), neste &uacute;ltimo caso tamb&eacute;m para    o PS. </P>     <P>A an&aacute;lise das transfer&ecirc;ncias entre cada par de partidos permite-nos    confirmar as rela&ccedil;&otilde;es detectadas com os dois tipos de volatilidade.    Todos os tr&ecirc;s partidos ter&atilde;o perdido votos para o PS: PSD, <I>r</I>=-0,49;    CDU, <I>r</I>=-0,31; CDS/PP, <I>r</I>=-0,27. <a name="top18"></a>Isto &eacute;,    tendo em conta que o PS aumentou a sua percentagem de votos em todos os concelhos    (ver <A HREF="#qd2">quadro 2</A>), verificamos que as descidas de qualquer dos    tr&ecirc;s partidos, mas sobretudo do PSD,<A HREF="#18"><SUP>18</SUP></A> est&atilde;o    associadas &agrave;s subidas do Partido Socialista. </P>     <P>Curiosamente, de acordo com os coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o, as descidas do PSD parecem estar mais fortemente associadas &agrave;s subidas do CDS/PP (<I>r</I>=-0,56) do que &agrave;s subidas do PS (<I>r</I>=-0,49). Todavia, a intensidade desta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; mais aparente que real, ou seja, o maior volume de transfer&ecirc;ncias de voto deu-se do PSD para o PS, mas o PSD perdeu uma percentagem de votos ainda maior nas zonas onde &quot;forneceu&quot; novos eleitores quer ao PS quer ao CDS/PP. Pelo contr&aacute;rio, o PS aumentou menos a sua percentagem de votos nos concelhos onde teve de dividir os &quot;tr&acirc;nsfugas&quot; do PSD com o CDS/PP. Assim se explica tamb&eacute;m que a intensidade das rela&ccedil;&otilde;es das varia&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas do PSD com os dois indicadores de volatilidade seja maior no caso da volatilidade total (VT/PSD, <I>r</I>=-0,84; VB/PSD, <I>r</I>=-0,68), enquanto no caso do PS o fen&oacute;meno &eacute; inverso (VT/PS, <I>r</I>=0,76; VB/PS, <I>r</I>=0,89). </P>     <P>Outro elemento curioso revela-nos que a CDU ter&aacute; tamb&eacute;m beneficiado das perdas do PSD (<I>r</I>=-0,20). Todavia, aumentou a sua vota&ccedil;&atilde;o em muito poucos concelhos e, portanto, essas transfer&ecirc;ncias ter&atilde;o sido residuais. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Destas an&aacute;lises pode concluir-se que o elevado volume de transfer&ecirc;ncias de voto na elei&ccedil;&atilde;o de 1995 (para uma contextualiza&ccedil;&atilde;o comparativa, ver Lobo, 1996: 1092) se consubstanciou sobretudo do PSD para o PS. Todavia, assim como o PSD ter&aacute; perdido votos para todos os outros tr&ecirc;s partidos, tamb&eacute;m o PS ter&aacute; ganho com as perdas de PSD, CDS/PP e CDU. Por outro lado, esta enorme fluidez do eleitorado releva uma certa desideologiza&ccedil;&atilde;o e aponta para um menor impacte das clivagens estruturais, pois est&aacute; sobretudo relacionada com um &quot;salto&quot; do &quot;bloco&quot; da direita para o &quot;bloco&quot; de esquerda (PS). </P>     <P>Por desideologiza&ccedil;&atilde;o entende-se a menor import&acirc;ncia relativa    do posicionamento ideol&oacute;gico dos eleitores na sua op&ccedil;&atilde;o    de voto. Este fen&oacute;meno traduz um menor impacte das lealdades pol&iacute;ticas    baseadas nas posi&ccedil;&otilde;es de classe e/ou religiosas na medida em que    h&aacute; uma conex&atilde;o de posicionamentos ideol&oacute;gicos e posicionamentos    nas estruturas de clivagem (ver Bartolini e Mair, 1990, e Franklin <I>et al.</I>,    1992). <a name="top19"></a>Todavia, esta desideologiza&ccedil;&atilde;o do eleitorado    poder&aacute; traduzir um mero ajustamento &agrave;s muta&ccedil;&otilde;es    na oferta partid&aacute;ria, isto &eacute;, os factores que levaram os eleitores    a mudar de &quot;bloco&quot; ideol&oacute;gico, entre 1991 e 1995, tanto podem    radicar em altera&ccedil;&otilde;es no perfil motivacional do eleitorado como    nalguma indiferencia&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica dos dois principais    partidos do sistema (PS e PSD),<A HREF="#19"><SUP>19</SUP></A> cuja converg&ecirc;ncia    pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica tendo vindo a crescer, sobretudo em mat&eacute;ria    europeia e, consequentemente, em termos de pol&iacute;ticas macroecon&oacute;micas.    Contudo, o pleno esclarecimento destes fen&oacute;menos s&oacute; poderia ser    feito com o recurso a dados individuais. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Mobilidade eleitoral em meio urbano e em meio rural</P> </B>      <P><a name="top20"></a>Em 1995, a taxa de varia&ccedil;&atilde;o<A HREF="#20"><SUP>20</SUP></A>    na absten&ccedil;&atilde;o <a name="top21"></a>foi maior nas zonas urbanas do    que nas rurais,<A HREF="#21"><SUP>21</SUP></A> sobretudo no Sul do pa&iacute;s    (<I>r</I>=0,39) (dados n&atilde;o apresentados). <a name="top22"></a>Tamb&eacute;m    a Norte a absten&ccedil;&atilde;o cresceu mais nas zonas urbanas (<I>r</I>=0,13),    embora em muito menor grau.<A HREF="#22"><SUP>22</SUP></A> </P>     <P>Estes dados apontam em sentido contr&aacute;rio ao das teorias cl&aacute;ssicas: tendo em conta que as zonas urbanas s&atilde;o tamb&eacute;m as mais escolarizadas e onde mais pesam as frac&ccedil;&otilde;es de classe associadas ao terci&aacute;rio, n&atilde;o se pode dizer que estejamos perante indiv&iacute;duos menos integrados social e profissionalmente (Lipset, 1987: 155-190) ou com menores recursos em capital cultural (Bourdieu, 1979: 463-541), mas precisamente o contr&aacute;rio; tamb&eacute;m n&atilde;o nos parece adequado invocar diferen&ccedil;as na socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica como elemento capaz de explicar esta evolu&ccedil;&atilde;o. Assim, &eacute; necess&aacute;rio propor outras hip&oacute;teses explicativas. </P>     <P>Em primeiro lugar, os maiores n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nas &aacute;reas urbanas poder&atilde;o explicar maiores varia&ccedil;&otilde;es na participa&ccedil;&atilde;o de acordo com as conjunturas, ou seja, uma absten&ccedil;&atilde;o mais pol&iacute;tica que estrutural. Isto &eacute;, uma absten&ccedil;&atilde;o que resulta mais de uma orienta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica dos eleitores perante determinadas conjunturas pol&iacute;ticas do que do &quot;isolamento social e geogr&aacute;fico&quot; (sobre a &quot;absten&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot; e a &quot;absten&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica&quot; ou estrutural, ver Memmi, 1985: 348-349, e Subileau, 1997; ver tamb&eacute;m Freire, 1999 e 2000: sec&ccedil;&otilde;es II. 1, V. 2 e V. 3). Em segundo lugar, podemos considerar que os maiores n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nas grandes cidades poder&atilde;o explicar crescentes n&iacute;veis de exig&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao sistema pol&iacute;tico-partid&aacute;rio e, por conseguinte, maiores n&iacute;veis de desafec&ccedil;&atilde;o (pelo menos conjuntural). </P>     <P><a name="top23"></a>A volatilidade total foi praticamente igual nas zonas urbanas    (<I>r</I>=0,02/Norte; <I>r</I>=0,05/Sul) e nas zonas rurais (<I>r</I>=-0,08/Norte;    <I>r</I>=0,05/Sul) de qualquer das duas regi&otilde;es.<A HREF="#23"><SUP>23</SUP></A>    Na pr&aacute;tica, o mesmo se pode dizer da volatilidade de bloco, pois apesar    de ter sido ligeiramente maior nas zonas rurais (<I>r</I>=0,13/Norte; <I>r</I>=0,20/Sul)    do que nas zonas urbanas (<I>r</I>=-0,15/Norte; <I>r</I>=-0,13/Sul), as correla&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o muito fracas. </P>     <P>Portanto, apesar de os eleitores urbanos serem, em regra, mais instru&iacute;dos/informados    e a estrutura de classes estar mais modernizada, ou seja, apesar de existir    menor propens&atilde;o para a &quot;fidelidade&quot; de voto, n&atilde;o se    pode dizer que os eleitores urbanos tenham sido mais vol&aacute;teis que os    rurais. <a name="top24"></a>Por outro lado, os residentes em <I>habitat</I>    rural, em regra menos instru&iacute;dos/informados e com posi&ccedil;&otilde;es    de classe mais definidas,<A HREF="#24"><SUP>24</SUP></A> logo potencialmente    menos propensos a alterar o sentido de voto de acordo com as conjunturas pol&iacute;ticas,    revelaram-se igualmente capazes de substanciais transfer&ecirc;ncias de voto.    Mais, a ligeira supremacia da volatilidade de bloco nas &aacute;reas rurais    revela que o maior volume de transfer&ecirc;ncias de voto foi, nesse tipo de    <I>habitat</I>, predominantemente do PSD para o PS. </P>     <P>Estas rela&ccedil;&otilde;es entre o <I>habitat</I> e a volatilidade eleitoral contrariam claramente a nossa hip&oacute;tese sobre um maior n&iacute;vel de volatilidade em meio urbano. Por um lado, tais resultados evidenciam claramente as limita&ccedil;&otilde;es estruturais da mudan&ccedil;a pol&iacute;tico-eleitoral (ver Heath <I>et al.</I>, 1991, especialmente 200-224; Schmitt e Holmberg, 1998: 96 e 110-123; ver tamb&eacute;m Freire, 1998: 198-200), ou seja, evidenciam a necessidade de introduzir factores sociais, econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos, de conjuntura, para explicar a mudan&ccedil;a pol&iacute;tico-eleitoral. Por outro lado, ilustram uma clara &quot;nacionaliza&ccedil;&atilde;o&quot; da mudan&ccedil;a pol&iacute;tica, isto &eacute;, uma mudan&ccedil;a que atravessa igualmente o espa&ccedil;o nacional (continental), independentemente das diferen&ccedil;as socioestruturais entre as diferentes &aacute;reas. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <B>    <P>Conjuntura econ&oacute;mica e voto</P> </B>      <P>Sempre que se detecta uma rela&ccedil;&atilde;o entre o desemprego (ou outros    indicadores da conjuntura econ&oacute;mica) e a varia&ccedil;&atilde;o no apoio    a determinado partido de uma elei&ccedil;&atilde;o para outra, podemos perguntar    se n&atilde;o estamos perante uma rela&ccedil;&atilde;o esp&uacute;ria (ver    Kieweit, 1983: 27-35, e Lewis-Beck, 1990: 55-67). Isto &eacute;, supondo que    se detecta que as maiores subidas do voto na esquerda est&atilde;o associadas    aos concelhos onde se registam maiores n&iacute;veis de desemprego, podemos    perguntar-nos: revelando-se os assalariados mais suscept&iacute;veis de serem    atingidos pelo fen&oacute;meno do desemprego, n&atilde;o constituir&aacute;    a rela&ccedil;&atilde;o detectada um mero reflexo da estrutura de classes, ou    seja, um reflexo da maior incid&ecirc;ncia do desemprego em determinados grupos    sociais mais propensos a votar &agrave; esquerda? <a name="top25"></a>Para &quot;expurgar&quot;    tais efeitos analis&aacute;mos as <I>correla&ccedil;&otilde;es parciais</I>    entre a taxa de desemprego e as taxas de varia&ccedil;&atilde;o na absten&ccedil;&atilde;o    e voto partid&aacute;rio, de 1991 para 1995, controlando o peso concelhio dos    trabalhadores n&atilde;o manuais (sector terci&aacute;rio) e dos trabalhadores    manuais da ind&uacute;stria e agricultura.<A HREF="#25"><SUP>25</SUP></A> </P>     <P>No Continente (<A HREF="#qd4">quadro 4</A>), o desemprego parece ter penalizado    todos os partidos, salvo a CDU (<I>r</I>=-0,09), ou seja, as varia&ccedil;&otilde;es    brutas do voto no PS (<I>r</I>=-0,18), no PSD (<I>r</I>=-0,18) e no CDS/PP (<I>r</I>=-0,16)    est&atilde;o negativamente correlacionadas com as taxas de desemprego concelhias.    Percebe-se a penaliza&ccedil;&atilde;o dos partidos de direita &agrave; luz    da <I>hip&oacute;tese das prioridades pol&iacute;ticas </I>(CDS/PP e PSD) e    da<I> hip&oacute;tese da responsabiliza&ccedil;&atilde;o</I> (PSD). Isto &eacute;,    os eleitores mais atingidos pelo desemprego votaram menos naqueles partidos    que d&atilde;o menos prioridade ao problema: PSD e CDS/PP. No caso do PSD, tal    fen&oacute;meno pode tamb&eacute;m ser interpretado como uma penaliza&ccedil;&atilde;o    do partido &quot;incumbente&quot;, perante a sua gest&atilde;o do problema (de    1991 a 1995), mas j&aacute; n&atilde;o &eacute; t&atilde;o claro que n&atilde;o    haja beneficiados, ou seja, que nenhum partido apresente um crescimento do seu    voto nas zonas com maior desemprego. Este dado poder&aacute; estar relacionado    com o pr&oacute;prio indicador da varia&ccedil;&atilde;o no voto (taxas de varia&ccedil;&atilde;o).    Nesse contexto, as maiores taxas de crescimento do voto no PS ocorreram, muito    provavelmente, nas zonas onde tinha, &agrave; partida, menores resultados relativos:    concelhos menos fustigados pelo desemprego.</P>     <P><a name="qd4"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="519" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 4</b> Correla&ccedil;&otilde;es parciais entre conjuntura econ&oacute;mica        e mobilidade eleitoral 1991/1995, por regi&otilde;es</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a03q4.gif" width="498" height="317"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     <P>Aquela situa&ccedil;&atilde;o poder&aacute;, tamb&eacute;m, servir para elucidar o sentido das correla&ccedil;&otilde;es (PSD — <I>r</I>=0,18; PS — <I>r</I>=-0,19; CDU: <I>r</I>=-0,29) encontradas no Norte. Quer dizer, o PSD ter&aacute; perdido menos votos onde j&aacute; estava mais mal implantado, isto &eacute;, nas zonas de maior desemprego. O PS, por outro lado, ter&aacute; ganho menos votos nas zonas onde estava j&aacute; mais bem implantado, ou seja, nas de maior desemprego. A CDU ter&aacute; perdido mais votos nas zonas de maior desemprego, onde, &agrave; partida, estava mais bem implantada. </P>     <P>No Sul, os concelhos com mais desemprego foram aqueles onde o PSD perdeu mais votos (<I>r</I>=-0,39), sendo esta a mais forte correla&ccedil;&atilde;o encontrada. Id&ecirc;ntica penaliza&ccedil;&atilde;o atingiu o CDS/PP (<I>r</I>=-0,25), ou seja, este partido perdeu votos nas zonas com mais desemprego. Fen&oacute;menos interpret&aacute;veis quer &agrave; luz da <I>hip&oacute;tese da responsabiliza&ccedil;&atilde;o </I>(PSD), quer da <I>hip&oacute;tese das prioridades pol&iacute;ticas</I> (CDS/PP). </P>     <P>No espa&ccedil;o continental (<I>r</I>=-0,21) e na Regi&atilde;o Sul (<I>r</I>=-0,30), a absten&ccedil;&atilde;o desceu nos concelhos com mais desempregados. A extens&atilde;o do fen&oacute;meno do Sul para o espa&ccedil;o continental resultar&aacute; de as maiores taxas de desemprego se localizarem naquela regi&atilde;o, nomeadamente no Alentejo. &Eacute; curiosa a correla&ccedil;&atilde;o negativa entre maiores taxas de desemprego e descida da absten&ccedil;&atilde;o, tanto mais que as teorias tradicionais (Lipset, 1989: 162) apresentam os desempregados como indiv&iacute;duos socialmente desintegrados, logo menos participativos. Tal situa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; dever-se a uma maior incid&ecirc;ncia do desemprego em zonas onde predominam os partidos de esquerda e cuja doutrina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica est&aacute; associada a uma valoriza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o eleitoral e a uma politiza&ccedil;&atilde;o do desemprego. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>As correla&ccedil;&otilde;es entre as varia&ccedil;&otilde;es brutas na absten&ccedil;&atilde;o e no voto partid&aacute;rio com os outros indicadores da conjuntura econ&oacute;mica (&quot;taxa de varia&ccedil;&atilde;o no desemprego&quot; e &quot;taxa de varia&ccedil;&atilde;o nas remunera&ccedil;&otilde;es dos assalariados&quot;) n&atilde;o se revelaram significativas. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Clivagens, conjuntura econ&oacute;mica e comportamento eleitoral</P></B>      <P>Para avaliar o impacte da estrutura de clivagens e da conjuntura econ&oacute;mica (vari&aacute;veis independentes) nos alinhamentos eleitorais e na absten&ccedil;&atilde;o (vari&aacute;veis dependentes), usou-se a regress&atilde;o linear m&uacute;ltipla (m&eacute;todo dos m&iacute;nimos quadrados e m&eacute;todo <I>Enter</I>) (ver Carri&oacute;n, 1995: 371-456). Mas, dado o elevado n&uacute;mero de indicadores da estrutura de clivagens (20 vari&aacute;veis), reduziu-se a respectiva dimensionalidade atrav&eacute;s da an&aacute;lise de componentes principais (ACP), com rota&ccedil;&atilde;o ortogonal <I>Varimax</I> (ver Dunteman, 1989). As componentes extra&iacute;das foram usadas como indicadores comp&oacute;sitos da estrutura de clivagens na an&aacute;lise de regress&atilde;o. N&atilde;o introduzimos os indicadores da conjuntura econ&oacute;mica na ACP, porque pretendemos medir o seu impacte em separado. Estas an&aacute;lises foram levadas a cabo nos tr&ecirc;s espa&ccedil;os de refer&ecirc;ncia: Continente, Norte, e Sul. </P>     <P>No Continente (<A HREF="#qd5">quadro 5</A>), a primeira<I> Componente</I> pode    ser interpretada como c<I>entralidade e urbanidade</I>: <I>centralidade</I>    pelo peso (positivo) dos &iacute;ndices de rendimento e industrializa&ccedil;&atilde;o,    das frac&ccedil;&otilde;es mais modernas da estrutura de classes e da escolaridade;    <I>urbanidade</I> pelo peso (positivo) das vari&aacute;veis referentes ao <I>habitat</I>    urbano. A segunda<I> componente</I> pode ser designada como <I>terciariza&ccedil;&atilde;o    semiurbana e seculariza&ccedil;&atilde;o versus ruralidade</I>. <I>terciariza&ccedil;&atilde;o    semiurbana</I> porque as frac&ccedil;&otilde;es de classe associadas ao terci&aacute;rio    e o <I>habitat</I> semiurbano t&ecirc;m um elevado peso (positivo). Pelo contr&aacute;rio,    o <I>habitat</I> rural, a religiosidade (missalizantes) e a pequena burguesia    agr&iacute;cola t&ecirc;m um peso negativo. A terceira<I> componente</I> refere-se    &agrave; clivagem <I>envelhecimento versus juventude</I>. Registe-se a associa&ccedil;&atilde;o    positiva do analfabetismo com o p&oacute;lo &quot;envelhecimento&quot;. O quarto<I>    factor</I> pode ser intitulado <I>assalariamento </I>e<I> grande propriedade    agr&iacute;colas </I>(trabalhadores manuais do sector e dimens&atilde;o m&eacute;dia    das explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas com peso elevado). Tamb&eacute;m    o analfabetismo tem peso positivo na componente. Por fim, a quinta <I>dimens&atilde;o</I>    pode ser descrita como <I>trabalhadores industriais versus pequena burguesia    agr&iacute;cola</I>.</P>     <P><a name="qd5"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="494" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 5</b> Matriz factorial: estruturas de clivagem no Continente        (N = 275)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a03q5.gif" width="475" height="1030"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     <P>No Norte (<A HREF="#qd6">quadro 6</A>), a primeira<I> componente</I> pode ser    interpretada como <I>urbanidade e centralidade versus ruralidade e confessionalidade</I>:    as vari&aacute;veis referentes &agrave; <I>urbanidade, </I>e &agrave; <I>centralidade</I>    t&ecirc;m peso (positivo) elevado; com sinal contr&aacute;rio aparecem o <I>habitat</I>    rural, o analfabetismo, a pequena burguesia agr&iacute;cola e os missalizantes.    Na segunda<I> componente</I> temos o eixo <I>envelhecimento versus juventude</I>.    A terceira<I> dimens&atilde;o</I> pode ser intitulada <I>trabalhadores industriais    versus pequena burguesia agr&iacute;cola</I>. O quarto<I> factor</I> apenas    op&otilde;e dois tipos de <I>habitat</I> pelo que pode ser interpretado como    <I>semiurbano versus rural</I>, o primeiro com peso mais elevado (negativo).    A quinta <I>componente</I> pode ser designada como <I>assalariamento agr&iacute;cola    </I>(peso negativo).</P>     <P><a name="qd6"></a></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <table width="495" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 6</b> Matriz factorial: estruturas de clivagem, Norte (N = 162)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a03q6.gif" width="475" height="885"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     <P>No Sul (<A HREF="#qd7">quadro 7</A>), a primeira<I> componente</I> pode ser    interpretada como <I>envelhecimento e periferiza&ccedil;&atilde;o versus juventude    e centralidade</I>. <I>envelhecimento </I>e <I>periferiza&ccedil;&atilde;o</I>,    dado o peso (positivo) das vari&aacute;veis referentes &agrave; idade e ao analfabetismo.    Tamb&eacute;m o <I>habitat</I> rural e a estrutura de classes refor&ccedil;am    esse car&aacute;cter perif&eacute;rico; <I>centralidade</I> dado o peso da escolaridade,    das frac&ccedil;&otilde;es de classe associadas ao terci&aacute;rio e do <I>habitat</I>    urbano. A segunda<I> componente</I> ser&aacute; intitulada <I>centralidade </I>e<I>    urbanidade</I>. O terceiro<I> factor</I> pode ser descrito como <I>assalariamento    e grande propriedade agr&iacute;cola</I>. Na quarta<I> componente</I> temos    <I>trabalhadores industriais e religiosidade</I> (pesos negativos elevados).    A quinta<I> componente </I>pode ser interpretada como <I>semiurbanidade</I>    (peso negativo). </P>     <P><a name="qd7"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="496" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 7</b> Matriz factorial: estruturas de clivagem, Sul (N = 113)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a03q7.gif" width="475" height="873"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     <P>No Continente, as caracter&iacute;sticas sociol&oacute;gicas dos concelhos    permitem explicar 50% da varia&ccedil;&atilde;o interconcelhia nas percentagens    de abstencionistas (ver <A HREF="#qd8">quadro 8</A>). A an&aacute;lise regional    permite-nos verificar que tal situa&ccedil;&atilde;o se mant&eacute;m id&ecirc;ntica    a Norte (55%), mas n&atilde;o a Sul (14%).</P>     <P><a name="qd8"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="75%" border="0" cellpadding="5" cellspacing="5">   <tr>     <td><b>Quadro 8</b> Estruturas de clivagem, conjuntura econ&oacute;mica, absten&ccedil;&atilde;o        e voto partid&aacute;rio, 1995</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a03q8.gif" width="580" height="1084"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="top26"></a>No Continente, a absten&ccedil;&atilde;o &eacute;, principalmente,    explic&aacute;vel pelo peso concelhio da pequena burguesia agr&iacute;cola (factor    5),<A HREF="#26"><SUP>26</SUP></A> mas tamb&eacute;m o <I>habitat</I> rural    e a religiosidade (factor 2), associada a maior absten&ccedil;&atilde;o, e a    centralidade e urbanidade (factor 1), associadas por sua vez a maior participa&ccedil;&atilde;o,    t&ecirc;m betas estatisticamente significativos. Na Regi&atilde;o Norte, mant&ecirc;m-se    as maiores taxas de absten&ccedil;&atilde;o nos concelhos onde abunda a pequena    burguesia agr&iacute;cola (factor 3), o <I>habitat</I> rural e a religiosidade    (factores 1 e 4). No Sul, as vari&aacute;veis explicativas mais importantes    s&atilde;o o assalariamento e a grande propriedade agr&iacute;cola (factor 3),    associadas a uma maior participa&ccedil;&atilde;o, e a taxa de desemprego, relacionada    com maior absten&ccedil;&atilde;o. </P>     <P>Esclare&ccedil;a-se que a associa&ccedil;&atilde;o positiva entre a religiosidade e a absten&ccedil;&atilde;o eleitoral &eacute; esp&uacute;ria, isto &eacute;, deve-se &agrave; estreita associa&ccedil;&atilde;o positiva entre a percentagem de missalizantes, de pequena burguesia agr&iacute;cola e de popula&ccedil;&atilde;o residente em <I>habitat</I> rural. Todavia, controlando os efeitos destas duas &uacute;ltimas vari&aacute;veis atrav&eacute;s das correla&ccedil;&otilde;es parciais, verific&aacute;mos que, em 1995, um maior n&iacute;vel de religiosidade esteve ligado a uma menor absten&ccedil;&atilde;o eleitoral: <I>r</I>=-0,12/Continente. Os sistemas de valores associados &agrave;s igrejas, nomeadamente crist&atilde;s, apontam para o respeito e a defer&ecirc;ncia perante a autoridade tradicional, &agrave; ordem social estabelecida e &agrave;s suas institui&ccedil;&otilde;es, nomeadamente o estado (ver Borg, 1998, pp. 444-445). Nesta linha, sendo o voto considerado um acto socialmente recomendado e um dever c&iacute;vico, &eacute; expect&aacute;vel que quanto maior for a integra&ccedil;&atilde;o religiosa dos indiv&iacute;duos, maior seja o seu n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o eleitoral; esta hip&oacute;tese tem registado sustenta&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica (ver Borg, 1998, p. 445 e 448-459; ver tamb&eacute;m Mayer &amp; Perrineau, 1992, p. 31; ver tamb&eacute;m Cabral, 1998a: 367-372). </P>     <P>Da diferencia&ccedil;&atilde;o Norte/Sul decorrem importantes conclus&otilde;es,    que representam alguma continuidade com o per&iacute;odo 1985-1991 (ver Freire,    1999). A Norte, a absten&ccedil;&atilde;o &eacute; explic&aacute;vel pelo d&eacute;fice    de recursos educacionais (baixa instru&ccedil;&atilde;o/analfabetismo) e pelo    isolamento social (envelhecimento; camponeses) e geogr&aacute;fico que caracterizam    esse espa&ccedil;o rural. Todavia, os concelhos rurais do Sul do pa&iacute;s    (cujos tra&ccedil;os predominantes s&atilde;o a grande propriedade agr&iacute;cola    e os trabalhadores manuais do sector) s&atilde;o igualmente caracterizados por    menores n&iacute;veis de instru&ccedil;&atilde;o e por maior envelhecimento    (ver factor 1 e 3, <A HREF="#qd7">quadro 7</A>), mas s&atilde;o os concelhos    mais participativos da regi&atilde;o. </P>     <P>Assim, as estruturas sociais caracter&iacute;sticas dos diferentes espa&ccedil;os rurais revelam-se mais importantes do que o <I>habitat</I>: no Norte, os camponeses, n&atilde;o dependentes de patr&otilde;es, associam mais as oscila&ccedil;&otilde;es nas suas actividades econ&oacute;micas com as conting&ecirc;ncias da natureza, n&atilde;o ligando tanto a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &agrave; defesa dos seus interesses (ver Pinto, 1982); pelo contr&aacute;rio, os assalariados agr&iacute;colas do Sul est&atilde;o dependentes do patronato e, por isso, valorizam mais a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica como forma de defender as suas posi&ccedil;&otilde;es. H&aacute; ainda outro elemento determinante no Sul: a socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica efectuada pelos partidos de esquerda, especialmente o PCP, leva os seus militantes e simpatizantes a valorizarem mais a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (sobre esta mat&eacute;ria, ver Cabral, 1995: 197). Portanto, temos de concluir que os recursos em &quot;capital cultural&quot; (Bourdieu, 1979: 463-541) n&atilde;o s&atilde;o determinantes para explicar a absten&ccedil;&atilde;o eleitoral, ou seja, a socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (ver Lipset, 1989: 171, e Mayer e Perrineau, 1992: 33-38) pode inverter completamente as propens&otilde;es sociol&oacute;gicas para o abstencionismo. Quanto &agrave; liga&ccedil;&atilde;o do desemprego com a absten&ccedil;&atilde;o, no Sul, essa rela&ccedil;&atilde;o estar&aacute; associada a uma maior desintegra&ccedil;&atilde;o social (Lipset, 1989: 162), cujo resultado &eacute; uma maior apatia pol&iacute;tica e/ou um desencanto com a oferta pol&iacute;tico-partid&aacute;ria em termos da sua efic&aacute;cia na resolu&ccedil;&atilde;o do problema do desemprego. </P>     <P>Em termos de vari&acirc;ncia explicada pelas estruturas de clivagem e pela    conjuntura econ&oacute;mica, constata-se que, no espa&ccedil;o continental,    o PS (31%) e o CDS/PP (38%) s&atilde;o os partidos cujas vota&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o menos explic&aacute;veis pelas caracter&iacute;sticas sociol&oacute;gicas    e econ&oacute;micas dos concelhos. Perfil oposto t&ecirc;m o PSD (73%) e a CDU    (65%). <a name="top27"></a>Se estiv&eacute;ssemos a trabalhar com dados individuais,    dir&iacute;amos que os dois primeiros partidos t&ecirc;m um perfil <I>catch-all    </I>(Kircheimer, 1990), ou seja, cujos eleitores s&atilde;o identicamente recrutados    em todos os grupos sociais,<A HREF="#27"><SUP>27</SUP></A> ao contr&aacute;rio    do PSD e da CDU. </P>     <P>Todavia, dados individuais sobre os grupos de simpatia partid&aacute;ria (Cabral, 1995 e 1998b) apontam em sentido algo diverso: o perfil sociol&oacute;gico dos simpatizantes &eacute; mais polarizado no CDS/PP e na CDU do que nos dois maiores partidos (PS e PSD); no que respeita aos dois grandes, o PS &eacute; bastante menos polarizado que o PSD, tal como revelam os nossos dados. Ali&aacute;s, dada a dimens&atilde;o eleitoral do PS e do PSD, &eacute; quase estatisticamente inevit&aacute;vel que estes partidos tenham um eleitorado menos polarizado que os dois mais pequenos (CDS/PP e CDU). Mais, apesar de a implanta&ccedil;&atilde;o concelhia do CDS/PP, em 1995, estar fracamente relacionada com as caracter&iacute;sticas sociol&oacute;gicas dos concelhos, em cada uma dessas unidades o partido recruta os seus eleitores, preferencialmente, nos estratos sociais mais favorecidos. Portanto, teremos de manter as nossas conclus&otilde;es ao n&iacute;vel dos dados agregados, ou seja, em 1995, houve partidos cuja implanta&ccedil;&atilde;o espacial esteve muito ligada &agrave;s caracter&iacute;sticas sociais dos concelhos (PSD e CDU), fen&oacute;meno que n&atilde;o se verificou noutros (PS e CDS/PP). </P>     <P>No caso da CDU, &eacute; conhecida a sua predominante implanta&ccedil;&atilde;o no Sul do pa&iacute;s, quer no Alentejo, quer nas zonas semiurbanas (ver Freire, 2000: sec&ccedil;&atilde;o V. 4. 3). A concentra&ccedil;&atilde;o espacial do voto no PCP &eacute;, ali&aacute;s, um tra&ccedil;o comum a muitos outros partidos comunistas europeus, predominantemente associados a determinados &quot;enclaves&quot; socioespaciais (ver Lane e Ersson, 1999: 116-117). Em 1995, este tra&ccedil;o do PCP manteve-se em todos os espa&ccedil;os de refer&ecirc;ncia, embora tenha sido mais reduzido a Norte, onde as vota&ccedil;&otilde;es na CDU s&atilde;o generalizadamente baixas. </P>     <P>O perfil de implanta&ccedil;&atilde;o do PS (1995) &eacute; um tra&ccedil;o que perdura desde os tempos da transi&ccedil;&atilde;o para a democracia, ou seja, o Partido Socialista tem tido sempre uma implanta&ccedil;&atilde;o espacial bastante uniforme (ver Gaspar e Andr&eacute;, 1989; ver tamb&eacute;m Freire, 2000: sec&ccedil;&atilde;o V. 4. 4). Tal fen&oacute;meno &eacute; explic&aacute;vel pela posi&ccedil;&atilde;o charneira assumida pelo PS na transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica (Cruz, 1995: 135-137): no per&iacute;odo de radicaliza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria, &quot;Ver&atilde;o Quente&quot; (1975), impediu a hegemoniza&ccedil;&atilde;o do PCP e a marginaliza&ccedil;&atilde;o dos partidos de direita (PSD e CDS/PP); ap&oacute;s o 25 de Novembro, impediu que os partidos de direita exclu&iacute;ssem o PCP do sistema democr&aacute;tico. Nesse contexto, afirmou-se como p&oacute;lo aglutinador contra as pretens&otilde;es hegem&oacute;nicas do PCP, no Sul, e como p&oacute;lo aglutinador contra as pretens&otilde;es hegem&oacute;nicas da direita, no Norte. </P>     <P>Em 1995, o fraco perfil sociol&oacute;gico do CDS/PP esteve relacionado com a evolu&ccedil;&atilde;o do partido, 1987/1995: a &quot;absor&ccedil;&atilde;o&quot; pelo PSD, em 1987 e 1991, e o crescimento predominantemente urbano, em 1995, ter&aacute; vindo esbater a sua maior implanta&ccedil;&atilde;o rural anterior (ver Freire, 2000: sec&ccedil;&atilde;o V. 4. 1). Contudo, no Sul do pa&iacute;s, o CDS/PP t&ecirc;m um perfil socioespacial bastante vincado (58%), tra&ccedil;o que traduz, provavelmente, a sua muito fraca implanta&ccedil;&atilde;o no Alentejo. </P>     <P>Ao n&iacute;vel do Continente, o PSD tem sempre tido uma implanta&ccedil;&atilde;o concelhia muito vincada, bastante maior no Norte que no Sul, sobretudo nas zonas rurais da Regi&atilde;o Setentrional (ver Aguiar, 1994; Freire, 2000: sec&ccedil;&atilde;o V. 4. 2). Este tra&ccedil;o est&aacute; ligado &agrave;s ra&iacute;zes hist&oacute;rico-sociol&oacute;gicas do conservadorismo nos distritos do Norte e Centro interiores: por exemplo, nesses distritos, a Uni&atilde;o Nacional registava sempre resultados superiores &agrave;s m&eacute;dias de votos que tinha no Continente (Cruz, 1988: 220). Por outro lado, a situa&ccedil;&atilde;o do PSD resulta da posi&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica que alcan&ccedil;ou entre o eleitorado conservador, durante a fase de transi&ccedil;&atilde;o para a democracia: num cen&aacute;rio de forte &quot;esquerdiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica&quot;, este partido apresentou-se como o concorrente com maiores probabilidades de &ecirc;xito, &agrave; direita do PS. Se tomarmos cada um dos espa&ccedil;os de refer&ecirc;ncia <I>per se</I>, verifica-se que, em 1995, o PSD tem uma implanta&ccedil;&atilde;o socioespacial bastante mais definida na Regi&atilde;o Sul (68%) do que na Regi&atilde;o Norte (43%), isto &eacute;, em 1995, o Partido Social-Democrata teve uma distribui&ccedil;&atilde;o das suas vota&ccedil;&otilde;es muito mais equilibrada na Regi&atilde;o Norte do que na Regi&atilde;o Sul. Nesta &uacute;ltima, os contrastes entre vota&ccedil;&otilde;es altas e baixas tiveram um perfil sociol&oacute;gico mais vincado. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="top28"></a>No Continente, em 1995, o CDS/PP esteve mais bem implantado    nos concelhos com mais jovens (factor 3) (ver <A HREF="#qd8">quadro 8</A>);<A HREF="#28"><SUP>28</SUP></A>    <a name="top29"></a>teve menores vota&ccedil;&otilde;es nos concelhos onde predomina    a grande propriedade agr&iacute;cola e os trabalhadores rurais (factor 4);<A HREF="#29"><SUP>29</SUP></A>    teve maiores vota&ccedil;&otilde;es nos concelhos rurais e com maior religiosidade    (factor 2), assim como nas &aacute;reas onde predomina a pequena burguesia agr&iacute;cola    (factor 5). Por &uacute;ltimo, nas zonas de maior desemprego (taxa de desemprego,    1995), o partido teve piores vota&ccedil;&otilde;es. Portanto, em 1995, as clivagens    religiosa e classista foram claramente relevantes para explicar as vota&ccedil;&otilde;es    no CDS/PP: quando aumenta o peso concelhio dos missalizantes (p&oacute;lo religioso)    e da pequena burguesia agr&iacute;cola (p&oacute;lo da propriedade/capital),    o partido aumenta a suas vota&ccedil;&otilde;es. Quanto &agrave; influ&ecirc;ncia    do <I>habitat</I> rural, predominantemente situado no Norte, pensamos que ele    traduz mais a influ&ecirc;ncia associada da religiosidade e da estrutura de    classes. </P>     <P>A forte associa&ccedil;&atilde;o das vota&ccedil;&otilde;es no CDS/PP com a estrutura demogr&aacute;fica dos concelhos (jovens/factor 3) parece contradit&oacute;ria com a sua maior implanta&ccedil;&atilde;o rural/pequena burguesia agr&iacute;cola, pois as &aacute;reas com estas caracter&iacute;sticas s&atilde;o, em geral, mais envelhecidas. A explica&ccedil;&atilde;o &eacute; dupla: por um lado, resulta de uma estrutura demogr&aacute;fica mais jovem no Norte do pa&iacute;s (ver Machado e Costa, 1998: 22-23), onde o CDS/PP tem estado sempre mais bem implantado; por outro lado, em cada regi&atilde;o (Norte e Sul), os concelhos com mais jovens situam-se no litoral (&aacute;reas urbanas e semi-urbanas). No Sul, o CDS/PP teve um perfil marcadamente urbano, em 1995, elemento que refor&ccedil;a a associa&ccedil;&atilde;o das vota&ccedil;&otilde;es no partido ao maior peso concelhio dos jovens. Quanto ao desemprego, pensamos que a rela&ccedil;&atilde;o negativa com as vota&ccedil;&otilde;es no CDS/PP &eacute; interpret&aacute;vel &agrave; luz da <I>hip&oacute;tese das prioridades pol&iacute;ticas</I>. </P>     <P>Em 1995, no Continente, o perfil socioecon&oacute;mico da implanta&ccedil;&atilde;o concelhia do PSD foi perfeitamente id&ecirc;ntico ao do CDS/PP, salvo na import&acirc;ncia relativa de cada um dos elementos da estrutura de clivagens e na rela&ccedil;&atilde;o negativa do PSD com os concelhos mais centrais e urbanos (factor 1). Sublinhe-se que este representa um tra&ccedil;o de continuidade em rela&ccedil;&atilde;o a anteriores elei&ccedil;&otilde;es, 1983-1991 (ver Freire, 2000: sec&ccedil;&otilde;es V. 4.1, V. 4.2 e conclus&otilde;es). Portanto, podemos manter para o PSD as interpreta&ccedil;&otilde;es que fizemos para o CDS/PP, salvo no caso do desemprego. Isto &eacute;, no caso do PSD, essa rela&ccedil;&atilde;o pode ser tamb&eacute;m interpretada &agrave; luz da <I>hip&oacute;tese da responsabiliza&ccedil;&atilde;o</I>. </P>     <P>Passando &agrave; an&aacute;lise do impacte da estrutura de clivagens nos dois partidos convencionalmente situados &agrave; esquerda (PS e PCP), no Continente, o primeiro tra&ccedil;o que ressalta &eacute; a perfeita simetria do sinal dos coeficientes (betas) relativamente ao que se passava &agrave; direita. Ou seja, em 1995, as caracter&iacute;sticas socioecon&oacute;micas do eleitorado dos dois partidos de esquerda foram perfeitamente sim&eacute;tricas &agrave;s do eleitorado dos dois de direita. Estes tra&ccedil;os representam um elemento de continuidade relativamente a anteriores elei&ccedil;&otilde;es, 1983-1991, salvo algumas singularidades do PS, que se t&ecirc;m vindo a esbater desde 1991 (ver Freire, 2000: sec&ccedil;&otilde;es V. 4.3, V. 4.4 e conclus&otilde;es). </P>     <P>No caso da CDU, o elemento mais importante &eacute; sua maior implanta&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas terciarizadas/semiurbanas e secularizadas (factor 2); teve, tamb&eacute;m, melhores resultados nos concelhos caracterizados pela grande propriedade agr&iacute;cola e assalariamento associado (factor 4); teve mais votos nos concelhos mais envelhecidos (factor 3); teve maiores vota&ccedil;&otilde;es nas zonas com mais desemprego (taxa de desemprego 1995) e nas zonas com mais trabalhadores industriais ou com menos pequena burguesia agr&iacute;cola (factor 5). </P>     <P>O Partido Socialista teve id&ecirc;ntico perfil socioecon&oacute;mico na sua implanta&ccedil;&atilde;o concelhia: mais votos nas &aacute;reas terciarizadas/semiurbanas/secularizadas (factor 2), nos concelhos com mais idosos (factor 3), com mais desemprego (taxa de desemprego, 1995) e nas &aacute;reas mais centrais e urbanizadas (factor 1). </P>     <P>Das diferen&ccedil;as entre PS e CDU merece destaque a aus&ecirc;ncia da grande propriedade agr&iacute;cola e do assalariamento associado, no PS, assim como a import&acirc;ncia dos grandes centros urbanos na base eleitoral do Partido Socialista, ausente na CDU. Sublinhe-se tamb&eacute;m que o desemprego tem mais impacte no PS que na CDU. </P>     <P>Portanto, em 1995, quer num quer noutro caso, regista-se uma clara actua&ccedil;&atilde;o    da estrutura de clivagens: o p&oacute;lo secular, no que respeita &agrave; clivagem    religiosa, e o p&oacute;lo do trabalho, no concerne &agrave; clivagem classista.    Neste &uacute;ltimo caso, para al&eacute;m da maior implanta&ccedil;&atilde;o    dos partidos de esquerda nas &aacute;reas com mais trabalhadores manuais da    ind&uacute;stria (e da agricultura, s&oacute; para a CDU), por oposi&ccedil;&atilde;o    &agrave;s zonas de pequena propriedade agr&iacute;cola, sublinhe-se tamb&eacute;m    a associa&ccedil;&atilde;o aos trabalhadores manuais do terci&aacute;rio por    via do factor 2 (ver <A HREF="#qd5">quadros 5</A> e <A HREF="#qd8">8</A>) e,    s&oacute; para o PS, &agrave; nova burguesia assalariada por via do factor 1    (ver <A HREF="#qd5">quadros 5</A> e <A HREF="#qd8">8</A>). Ali&aacute;s, estes    dados demonstram que a esquerda recruta os seus eleitores principalmente entre    os assalariados do terci&aacute;rio — import&acirc;ncia relativa do factor 2,    situa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m registada em an&aacute;lises com dados    individuais (ver Cabral, 1998b: 407-410). Quanto ao impacte positivo do desemprego    no voto PS e CDU, essa rela&ccedil;&atilde;o pode ser interpretada tanto &agrave;    luz da <I>hip&oacute;tese das prioridades pol&iacute;ticas</I> (partidos de    esquerda beneficiados pelo desemprego), como da<I> hip&oacute;tese da responsabiliza&ccedil;&atilde;o</I>    (oposi&ccedil;&atilde;o beneficiada pelo desemprego). </P>     <P>Quanto &agrave; associa&ccedil;&atilde;o entre desemprego e voto pode levantar-se a d&uacute;vida sobre se estamos perante uma rela&ccedil;&atilde;o esp&uacute;ria. Por um lado, o desemprego atinge mais os grupos socioprofissionais assalariados e com menores recursos econ&oacute;micos, cuja posi&ccedil;&atilde;o na estrutura social os impele, <I>ceteris paribus</I>, a votarem mais &agrave; esquerda. Portanto, podemos considerar que o que verdadeiramente explica a correla&ccedil;&atilde;o entre desemprego e sentido de voto &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o de classe dos desempregados, n&atilde;o a sua desintegra&ccedil;&atilde;o socioprofissional. Por outro lado, as maiores taxas de desemprego localizam-se sobretudo no Alentejo e nas &aacute;reas urbanas e semiurbanas do Norte e Sul do pa&iacute;s. Tradicionalmente, tais &aacute;reas votam mais &agrave; esquerda. Da&iacute; que Villaverde Cabral (1997: 10) tenha argumentado que as atitudes pol&iacute;ticas dos desempregados portugueses (maior propens&atilde;o para votar &agrave; esquerda) precedem a situa&ccedil;&atilde;o de &quot;exclus&atilde;o&quot; do mercado de trabalho, ou seja, essas atitudes pol&iacute;ticas n&atilde;o se deveriam tanto &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de desemprego, como &agrave; situa&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria de classe e &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. O problema do car&aacute;cter esp&uacute;rio da rela&ccedil;&atilde;o entre desemprego e voto n&atilde;o &eacute; exclusivamente portugu&ecirc;s (ver Kieweit, 1983: 27-35; Lewis-Beck, 1990: 55-67; Tufte, 1994: 83-88). Todavia, a utiliza&ccedil;&atilde;o da regress&atilde;o m&uacute;ltipla permite-nos afastar tal possibilidade, ou seja, testamos o impacte de cada uma das vari&aacute;veis independentes, mantendo constantes todas as outras. Portanto, a rela&ccedil;&atilde;o detectada mant&eacute;m-se significativa apesar de mantermos controlados os indicadores da estrutura de classes e do <I>habitat</I>. Mais, a este t&iacute;tulo &eacute; significativo verificar que, ao contr&aacute;rio do que se regista com as correla&ccedil;&otilde;es bivariadas, em 1995, o desemprego teve maior impacte no PS que na CDU. </P>     <P>Vejamos o que nos permitem adiantar as an&aacute;lises regionais. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A Norte, em 1995, o car&aacute;cter urbano do apoio eleitoral ao PS &eacute; mais forte (factor 1) do que no Continente (factor 1) e estende-se &agrave; CDU. Por outro lado, o assalariamento agr&iacute;cola reverte a favor do PS (factor 5), mas n&atilde;o da CDU, evidenciando a especificidade deste elemento na Regi&atilde;o Norte, isto &eacute;, pela sua combina&ccedil;&atilde;o com a pequena/m&eacute;dia propriedade agr&iacute;cola e com a religiosidade. Por fim, o desemprego apenas teve um impacte (negativo) significativo no CDS/PP (taxa de desemprego, 1995). </P>     <P>A Sul, o car&aacute;cter jovem, central e urbano dos concelhos apenas teve    impacte (positivo) significativo no CDS/PP (factores 1 e 2). <a name="top30"></a>Apenas    a CDU aparece mais bem implantada nas &aacute;reas semiurbanas (factor 5),<A HREF="#30"><SUP>30</SUP></A>    ao contr&aacute;rio do que se passa com todos os outros partidos. &Agrave; esquerda,    o desemprego apenas beneficiou o PS (taxa de desemprego, 1995), prejudicando    os partidos de direita. Em termos de conjuntura econ&oacute;mica, h&aacute;    um elemento novo: o efeito da taxa de varia&ccedil;&atilde;o no desemprego (1994/95).    Todavia, actua ao contr&aacute;rio do previsto: o PSD est&aacute; mais bem implantado    onde o desemprego mais cresceu, ao contr&aacute;rio do que se passa no PS. Este    elemento &eacute; dificilmente interpret&aacute;vel com os dados dispon&iacute;veis.  </P>     <P>Estas diferen&ccedil;as regionais evidenciam que o impacte da clivagem (societal)    urbano-rural na clivagem (pol&iacute;tica) esquerda-direita tem mais a ver com    a religiosidade e a estrutura de classes do que com o <I>habitat</I>. Isto &eacute;,    em 1995, a maior implanta&ccedil;&atilde;o da esquerda nas &aacute;reas urbanas    (PS: Continente e Norte; CDU: Norte) e/ou semiurbanas (PS: Continente e Norte;    CDU: Continente e Norte) tem mais a ver com a seculariza&ccedil;&atilde;o desses    concelhos (ver factores 1 e 2/Continente e factor 1/Norte, <A HREF="#qd5">quadros    5</A>, <A HREF="#qd6">6</A> e <A HREF="#qd8">8</A>) e com o contraste que representam    perante um espa&ccedil;o rural campon&ecirc;s e religioso, mais &quot;hostil&quot;    &agrave; esquerda. A comprov&aacute;-lo est&aacute; a fraca import&acirc;ncia    da religiosidade na Regi&atilde;o Sul (apenas aparece no quinto factor; ver    <A HREF="#qd7">quadro 7</A>), n&atilde;o associada a qualquer tipo de <I>habitat</I>.    Da&iacute; que, na Regi&atilde;o Sul, n&atilde;o haja rela&ccedil;&atilde;o    entre o <I>habitat</I> urbano e a implanta&ccedil;&atilde;o relativa da esquerda    (PS e CDU) e o Partido Socialista apare&ccedil;a com menor implanta&ccedil;&atilde;o    relativa no <I>habitat</I> semiurbano. Quanto &agrave;s zonas rurais, tamb&eacute;m    a&iacute; a religiosidade e a presen&ccedil;a da pequena burguesia agr&iacute;cola    explicam o conservadorismo pol&iacute;tico (maior implanta&ccedil;&atilde;o    relativa do CDS/PP e do PSD), pois, quando s&atilde;o os trabalhadores manuais    do sector agr&iacute;cola que predominam, o alinhamento &eacute; claramente    &agrave; esquerda: CDU/Continente e Sul; PS/Norte. </P>     <P>Quanto ao impacte da taxa de desemprego, tra&ccedil;o quase exclusivo da Regi&atilde;o Sul, tal fen&oacute;meno pode ser interpretado segundo dois eixos: no Sul, o seu impacte traduz uma maior politiza&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno; no Norte, a retaguarda constitu&iacute;da pela pequena propriedade agr&iacute;cola permite amortecer os efeitos (sociais e pol&iacute;ticos) do desemprego. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Conclus&otilde;es</P></B>      <P>Em Portugal, as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1995 ficaram marcadas por uma conjuntura espec&iacute;fica, que levou a uma vit&oacute;ria do PS sem precedentes em anteriores elei&ccedil;&otilde;es parlamentares. Portanto, algumas das rela&ccedil;&atilde;o entre as estruturas de clivagem e o voto no PS est&atilde;o mais fortalecidas ou enfraquecidas em resultado dessa conjuntura (cf. Freire, 2000). Fen&oacute;meno id&ecirc;ntico se passou com o PSD, partido que perdeu mais votos nesta elei&ccedil;&atilde;o. </P>     <P>As transfer&ecirc;ncias de voto ficaram marcadas, sobretudo, pelas transfer&ecirc;ncias do PSD para o PS, da&iacute; as fortes correla&ccedil;&otilde;es negativas e positivas, respectivamente, com os &iacute;ndices de volatilidade. Todavia, as perdas do PSD tamb&eacute;m &quot;alimentaram&quot; o CDS e fizeram crescer o contingente de abstencionistas. Por outro lado, o Partido Socialista beneficiou desta maior absten&ccedil;&atilde;o nas hostes do PSD, bem como da mobiliza&ccedil;&atilde;o de alguns dos indiv&iacute;duos que se tinham abstido em 1991. </P>     <P>O meio urbano n&atilde;o se revelou mais vol&aacute;til do que o meio rural, ao contr&aacute;rio do que prev&iacute;amos, ou seja, as transfer&ecirc;ncias de voto foram igualmente elevadas em meio urbano e rural. Este elemento revelou uma forte &quot;nacionaliza&ccedil;&atilde;o&quot; da vit&oacute;ria do PS, bem como as limita&ccedil;&otilde;es das explica&ccedil;&otilde;es estruturais da mudan&ccedil;a eleitoral. </P>     <P>No Sul, registou-se um maior crescimento (bruto) da absten&ccedil;&atilde;o em meio urbano, evidenciando o cont&iacute;nuo avolumar de uma &quot;absten&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot; (ver Freire, 1999) e o decl&iacute;nio da import&acirc;ncia do eixo urbano/rural para explicar a participa&ccedil;&atilde;o eleitoral. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O desemprego revelou-se um bom preditor da mudan&ccedil;a pol&iacute;tica, nomeadamente no PSD: no Sul do pa&iacute;s, este partido teve as maiores perdas brutas nos concelhos com mais desemprego. </P>     <P>A estrutura de clivagens revelou-se um bom preditor dos alinhamentos eleitorais e da absten&ccedil;&atilde;o, &agrave; semelhan&ccedil;a de anteriores elei&ccedil;&otilde;es (ver Gaspar e Andr&eacute;, 1989; Gaspar e Andr&eacute;, 1990; Gaspar <I>et al.</I>, 1990; Freire, 2000) e a absten&ccedil;&atilde;o teve maior incid&ecirc;ncia nas zonas rurais, mais envelhecidas e menos escolarizadas. Todavia, &agrave; semelhan&ccedil;a do per&iacute;odo 1985-1991 (ver Freire, 2000), tal fen&oacute;meno s&oacute; actuou no Norte. No Sul, a estrutura de classes e a socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica revelaram-se elementos capazes de inverter as propens&otilde;es sociol&oacute;gicas para o abstencionismo. </P>     <P>Quanto ao voto partid&aacute;rio, a clivagem esquerda-direita foi claramente devedora quer da clivagem classista quer da religiosa, mas tamb&eacute;m do impacte do desemprego. A clivagem urbano-rural, tal como no caso da absten&ccedil;&atilde;o, teve um efeito sobre os alinhamentos dos eleitores mediado pela estrutura de classes e pela religiosidade, da&iacute; os seus impactes diferenciais no Norte e no Sul. Portanto, a divis&atilde;o Norte/Sul recobre algumas das clivagens tradicionais (Lipset e Rokkan, 1992: 161-259) no plano espacial. Isto &eacute;, existe uma clara divis&atilde;o entre o Norte e o Sul do pa&iacute;s quer em termos de participa&ccedil;&atilde;o eleitoral (menor a Norte), quer ainda em termos de orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (maior conservadorismo a Norte); quer em termos dos efeitos da clivagem urbano-rural. Mas essa divis&atilde;o espacial apenas traduz uma diferencial implanta&ccedil;&atilde;o territorial da estrutura de classes e da pr&aacute;tica religiosa. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Ap&ecirc;ndice</P></B>      <P><I><B>Tipologia de classes sociais </b></i><I>(adapta&ccedil;&atilde;o do esquema de Erikson e Goldthorpe, 1991)</I> </P>     <P><I>Burguesia</i>: grande patronato (mais de nove trabalhadores), quadros dirigentes de grandes empresas e organiza&ccedil;&otilde;es (mais de nove empregados e/ou subordinados) e profiss&otilde;es liberais (t&eacute;cnicas e cientificas).    <BR> <I>Nova burguesia assalariada</I>: profiss&otilde;es cient&iacute;ficas, t&eacute;cnicas e de enquadramento interm&eacute;dio; quadros dirigentes em pequenas empresas e organiza&ccedil;&otilde;es (menos de dez empregados e/ou subordinados).    <BR> <I>Trabalhadores n&atilde;o manuais</I>: empregados administrativos, do com&eacute;rcio e servi&ccedil;os, assalariados.    <BR> <I>Pequena burguesia </I>(n&atilde;o agr&iacute;cola): pequenos patr&otilde;es (menos de dez empregados) e trabalhadores independentes do sector secund&aacute;rio e terci&aacute;rio.    ]]></body>
<body><![CDATA[<BR> <I>Pequena burguesia agr&iacute;cola</I>: pequenos patr&otilde;es (menos de dez empregados) e trabalhadores independentes sector prim&aacute;rio.    <BR> <I>Trabalhadores manuais I</I>: trabalhadores assalariados do sector secund&aacute;rio.    <BR> <I>Trabalhadores manuais II</I>: trabalhadores assalariados do sector prim&aacute;rio. </P> <I>    <P>&Iacute;ndices</P></I>      <P><I>&Iacute;ndice de desenvolvimento industrial: </i>indicador comp&oacute;sito que agrega as vari&aacute;veis n&uacute;mero de estabelecimentos em actividade, pessoas ao servi&ccedil;o e valor acrescentado bruto. Ver Marktest, 1998.    <BR> <I>&Iacute;ndice de rendimento (&quot;sales index&quot;): </I>indicador comp&oacute;sito que pondera o &iacute;ndice de rendimento (impostos, consumo de energia, parque autom&oacute;vel, bancos e com&eacute;rcio retalhista) pelo &iacute;ndice de popula&ccedil;&atilde;o, com um peso respectivo de 80% e 20%. Ver Marktest, 1998. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Notas</P></B>      <P><A NAME="1" id="1"></A><a href="#top1">1</a> Este artigo beneficiou dos coment&aacute;rios    cr&iacute;ticos do Professor Doutor Manuel Villaverde Cabral, a quem desejo    expressar aqui os meus agradecimentos. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="2" id="2"></A><a href="#top2">2</a> Dado o compromisso com a Uni&atilde;o    Econ&oacute;mica e Monet&aacute;ria, nomeadamente em termos de crit&eacute;rios    de converg&ecirc;ncia. </P>     <P><A NAME="3" id="3"></A><a href="#top3">3</a> Caso das ind&uacute;strias vidreiras    da Marinha Grande e do bloqueio da Ponte 25 de Abril, por exemplo. </P>     <P><A NAME="4" id="4"></A><a href="#top4">4</a> Isto &eacute;, aquele que revela    menor fidelidade ideol&oacute;gica, oscilando o seu sentido de voto ao sabor    das conjunturas pol&iacute;ticas. As nossas hip&oacute;teses sobre os grupos    sociais potencialmente mais vol&aacute;teis, em termos de comportamento eleitoral,    avan&ccedil;am com uma tentativa (provis&oacute;ria) de caracteriza&ccedil;&atilde;o    sociocultural desse &quot;eleitorado flutuante&quot; e dos factores explicativos    da sua maior volatilidade. </P>     <P><A NAME="5" id="5"></A><a href="#top5">5</a> Doravante, por facilidade de express&atilde;o,    utilizaremos indistintamente as designa&ccedil;&otilde;es PCP e aliados, PCP    ou CDU. </P>     <P><A NAME="6" id="6"></A><a href="#top6">6</a> Para uma apresenta&ccedil;&atilde;o    detalhada destes dois &iacute;ndices e da tipologia de classes sociais, veja-se    o Ap&ecirc;ndice. </P>     <P><A NAME="7" id="7"></A><a href="#top7">7</a> A absten&ccedil;&atilde;o foi    sempre medida a partir dos dados da contabilidade oficial: STAPE/MAI. </P>     <P><A NAME="8" id="8"></A><a href="#top8">8</a> DPi = Pi_t — Pi_t-1. Em que Pi_t    &eacute; a percentagem de abstencionistas ou de votantes em determinado partido    i , na elei&ccedil;&atilde;o actual (1995), e Pi_t-1 &eacute; a percentagem    de abstencionistas ou de votantes no partido i , na elei&ccedil;&atilde;o anterior    (1991). </P>     <P><A NAME="9" id="9"></A><a href="#top9">9</a> DE = (Et — Et-1/ Et-1) X 100.    Em que Et &eacute; o n&uacute;mero de abstencionistas ou de votantes em determinado    partido no ano t (1995) e Et-1 &eacute; o n&uacute;mero de abstencionistas ou    de votantes em determinado partido no ano t-1 (1991). </P>     <P><A NAME="10" id="10"></A><a href="#top10">10</a> VT = S ½Pi_t — Pi_t-1½/2,    i = 1 a n. Em que o n &eacute; o n&uacute;mero de partidos que concorreram &agrave;s    elei&ccedil;&otilde;es (na elei&ccedil;&atilde;o t, 1995, e/ou na elei&ccedil;&atilde;o    t-1, 1991). Pi &eacute; a percentagem de votos no partido i na elei&ccedil;&atilde;o    do per&iacute;odo t (e t-1). </P>     <P><A NAME="11" id="11"></A><a href="#top11">11</a> VB = (½P(iV + jV + kV)½(+    ½P(lV + mV + nV)½)/2. Em que ½ P(iV + jV + kV) ½ representa a mudan&ccedil;a    l&iacute;quida, em m&oacute;dulo, de todos os partidos (i, j, k) pertencentes    a determinado bloco ideol&oacute;gico (p. ex., esquerda) e ½ P(lV + mV + nV)    ½ representa a mudan&ccedil;a l&iacute;quida, em m&oacute;dulo, de todos os    partidos (l,m,n) pertencentes ao outro bloco ideol&oacute;gico (p. ex., direita).  </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="12" id="12"></A><a href="#top12">12</a> Tom&aacute;mos como per&iacute;odo    de refer&ecirc;ncia o ano anterior &agrave; elei&ccedil;&atilde;o, pois os eleitores    t&ecirc;m &quot;mem&oacute;ria curta&quot; (Kieweit, 1983: p. 38). </P>     <P><A NAME="13" id="13"></A><a href="#top13">13</a> A interpreta&ccedil;&atilde;o    sobre este elemento subjectivo tem de ser meramente inferida dos dados, pois    n&atilde;o trabalhamos com informa&ccedil;&atilde;o atitudinal. Por isso, tem    um car&aacute;cter especulativo e carece de comprova&ccedil;&atilde;o por outros    meios. </P>     <P><A NAME="14" id="14"></A><a href="#top14">14</a> Em termos de partidos, apenas    consideramos os quatro maiores: CDS/PP; CDU; PS; PSD, salvo nos &iacute;ndices    de volatilidade. </P>     <P><A NAME="15" id="15"></A><a href="#top15">15</a> As diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o    aos resultados apresentados no cap&iacute;tulo anterior devem-se &agrave;s diversas    bases de refer&ecirc;ncia. Anteriormente, apresent&aacute;mos os dados referentes    &agrave;s percentagens de votos de cada partido (PS e PSD) no total de votantes    (continente, regi&otilde;es aut&oacute;nomas e c&iacute;rculos eleitorais fora    de Portugal). No quadro que estamos a comentar, os valores base s&atilde;o aferidos    em cada concelho do Continente e, portanto, no conjunto circunscrevem-se apenas    ao espa&ccedil;o continental. </P>     <P><A NAME="16" id="16"></A><a href="#top16">16</a> Esta interpreta&ccedil;&atilde;o    &eacute; algo especulativa, pois n&atilde;o dispomos de dados atitudinais sobre    as motiva&ccedil;&otilde;es dos abstencionistas. Esta &eacute; uma das limita&ccedil;&otilde;es    da an&aacute;lise ecol&oacute;gica. </P>     <P><A NAME="17" id="17"></A><a href="#top17">17</a> No conjunto dos 275 concelhos    do Continente, 53 (19,3%) tiveram uma descida l&iacute;quida da percentagem    de abstencionistas, com varia&ccedil;&otilde;es entre cerca de -0,9% e -6,4%.  </P>     <P><A NAME="18" id="18"></A><a href="#top18">18</a> Que teve perdas l&iacute;quidas    em todos os concelhos (ver <a href="#qd2">quadro 2</a>). </P>     <P><A NAME="19" id="19"></A><a href="#top19">19</a> Para uma an&aacute;lise de    fen&oacute;menos semelhantes na Gr&atilde;-Bretanha, ver o nosso coment&aacute;rio    ao trabalho de Anthony Heath e da sua equipa (Freire, 1998). </P>     <P><A NAME="20" id="20"></A><a href="#top20">20</a> As diferen&ccedil;as nas percentagens    de abstencionistas e de votantes de cada um dos partidos, de uma elei&ccedil;&atilde;o    a outra, s&atilde;o os indicadores mais adequados para analisar as transfer&ecirc;ncias    de voto: s&oacute; assim podem detectar-se as correspond&ecirc;ncias entre perdas    l&iacute;quidas de uns e ganhos l&iacute;quidos de outros. Mas, para analisar    os correlatos estruturais da mobilidade eleitoral (urbano/rural), as taxas de    varia&ccedil;&atilde;o poder&atilde;o considerar-se mais adequadas, j&aacute;    que aferem o que mudou na absten&ccedil;&atilde;o ou no voto em determinado    partido relativamente aos resultados que tinha registado na elei&ccedil;&atilde;o    anterior, na unidade de an&aacute;lise em causa. Os dados pol&iacute;ticos foram    elaborados a partir de STAPE/MAI, 1991 e 1995a. </P>     <P><A NAME="21" id="21"></A><a href="#top21">21</a> Estamos a utilizar as percentagens    de popula&ccedil;&atilde;o residente em cada tipo de habitat, ou seja, uma vari&aacute;vel    quantitativa e cont&iacute;nua: rural — % pop. (residente) isolada ou em localidades    c/ &lt; 2.000 habitantes.; semiurbano — % popula&ccedil;&atilde;o residente    em localidades c/ ³ 2.000 e c/ ( 10.000 habitantes; urbano — % residente em    localidades com ³ 10.000 habitantes. Dados elaborados a partir de Virtual Sin,    1995. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="22" id="22"></A><a href="#top22">22</a> Recorde-se que quando nos    referimos &agrave; Regi&atilde;o Sul e &agrave; Regi&atilde;o Norte estamos    a usar estas unidades espaciais como espa&ccedil;os de refer&ecirc;ncia, mantendo    sempre os concelhos como unidades de an&aacute;lise (N=113 e N=162, respectivamente)    . </P>     <P><A NAME="23" id="23"></A><a href="#top23">23</a> No conjunto do Continente    h&aacute; uma correla&ccedil;&atilde;o negativa (<I>r</I>= -0,18) entre o habitat    rural e a volatilidade total. Esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; explic&aacute;vel    pelo maior peso desse habitat, a Norte, regi&atilde;o em que a volatilidade    foi menor (ver <a href="#qd2">quadro 2</a>). </P>     <P><A NAME="24" id="24"></A><a href="#top24">24</a> Isto &eacute;, nas zonas rurais    apresentam menor peso as frac&ccedil;&otilde;es de classe que t&ecirc;m associado    um estatuto social interm&eacute;dio, nomeadamente a nova burguesia assalariada    e os trabalhadores n&atilde;o manuais. </P>     <P><A NAME="25" id="25"></A><a href="#top25">25</a> N&atilde;o inclu&iacute;mos    a vari&aacute;vel nova burguesia assalariada como vari&aacute;vel de controlo    porque, apesar de se tratar de assalariados, s&atilde;o menos afectados pelas    situa&ccedil;&otilde;es de desemprego e pelas oscila&ccedil;&otilde;es nas remunera&ccedil;&otilde;es.  </P>     <P><a name="26" id="26"></a><a href="#top26">26</a> A hierarquiza&ccedil;&atilde;o    da import&acirc;ncia explicativa de cada uma das vari&aacute;veis faz-se atrav&eacute;s    da an&aacute;lise dos betas: quanto maior o valor absoluto do beta, maior a    import&acirc;ncia explicativa da vari&aacute;vel independente associada. Os    betas s&atilde;o interpretados como mudan&ccedil;as em unidades de desvio-padr&atilde;o    na vari&aacute;vel dependente, Y, associados &agrave; mudan&ccedil;a de uma    unidade de desvio-padr&atilde;o na vari&aacute;vel independente, X, mantendo    constantes todas as outras vari&aacute;veis independentes (Carri&oacute;n, 1995:    397-398). Tomemos como exemplo a absten&ccedil;&atilde;o no Continente: o desvio-padr&atilde;o    da absten&ccedil;&atilde;o foi de 5,09 (vari&aacute;vel dependente); os factores    (vari&aacute;veis independentes) s&atilde;o indicadores comp&oacute;sitos estandardizados,    ou seja, m&eacute;dia 0 e desvio-padr&atilde;o 1. Assim, para o primeiro factor    (F1/beta: -0,151), centralidade e urbanidade, o acr&eacute;scimo de uma unidade    de desvio-padr&atilde;o (1) traduz-se num decr&eacute;scimo de -0,76859 na absten&ccedil;&atilde;o    (-0,151*5,09). O sinal do beta indica-nos a proximidade do fen&oacute;meno da    absten&ccedil;&atilde;o com cada um dos p&oacute;los da clivagem (factor): o    sinal negativo do coeficiente associado ao factor 1 indica-nos que quando crescem    os valores dos indicadores referentes &agrave; centralidade e urbanidade desce    a absten&ccedil;&atilde;o. Os factores referem-se a estruturas de clivagem,    estando cada um dos p&oacute;los dessas clivagens assinalados com um sinal positivo    (+) ou negativo (-), que reflectem aquele que tinham as vari&aacute;veis com    maiores satura&ccedil;&otilde;es factoriais, positivas e negativas (ver <a href="#qd5">quadros    5</a>, <a href="#qd6">6</a> e <a href="#qd7">7</a>). Na an&aacute;lise dos betas,    deve ter-se em considera&ccedil;&atilde;o que o respectivo sinal exprime o sentido    da sua associa&ccedil;&atilde;o a cada um dos p&oacute;los da clivagem. Por    exemplo, se o beta tiver sinal negativo, significa que a absten&ccedil;&atilde;o    est&aacute; positivamente associada ao p&oacute;lo &quot;negativo&quot; da clivagem.  </P>     <P><A NAME="27" id="27"></A><a href="#top27">27</a> Sublinhe-se que a defini&ccedil;&atilde;o    de partido <I>catch-all</I> n&atilde;o se resume ao tipo de eleitorado (ver    Kircheimer, 1990). </P>     <P><A NAME="28" id="28"></A><a href="#top28">28</a> Sublinhe-se que todas as nossas    an&aacute;lises se referem a maiores ou menores implanta&ccedil;&otilde;es relativas    dos diferentes partidos quer nos diferentes tipos de <I>habitat</I> quer nos    diferentes grupos sociodemogr&aacute;ficos e socioculturais. </P>     <P><A NAME="29" id="29"></A><a href="#top29">29</a> Sublinhe-se que, para qualquer    dos partidos, dizemos &quot;mais&quot; ou &quot;menos&quot; &quot;votos&quot;    apenas por facilidade de express&atilde;o. Mas, estamos sempre a referir-nos    a valores relativos, isto &eacute;, maiores ou menores percentagens de votos.  </P>     <P><A NAME="30" id="30"></A><a href="#top30">30</a> N&atilde;o significa que a    CDU tenha sido o maior partido nas zonas semiurbanas (m&eacute;dia de 18,9%),    mas apenas que registou a&iacute;, a sua maior implanta&ccedil;&atilde;o relativa    comparando com os outros tipos de <I>habitat</I> (urbano: 14,2% ; rural: 15,3%).    Por outro lado, o maior partido nas &aacute;reas semiurbanas do Sul (PS: 45,5%)    tem maior implanta&ccedil;&atilde;o relativa nas zonas rurais (48%) e urbanas    (47%) dessa regi&atilde;o. </P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <B>    <P>Fontes n&atilde;o impressas ou peri&oacute;dicas</P></B>      <P>Antunes, Lu&iacute;s Marinho(1995), &quot;Inqu&eacute;rito &agrave; pr&aacute;tica religiosa dominical em 1991", <I>in</I> Montargil, F., <I>Determinantes Sociais da Absten&ccedil;&atilde;o Eleitoral (An&aacute;lise da Elei&ccedil;&atilde;o Legislativa de 1991)</I>, tese de licenciatura, policopiado, Lisboa, ISCTE (registo magn&eacute;tico). </P>     <P>Instituto de Emprego e Forma&ccedil;&atilde;o Profissional (1994 e 1995), <I>Estat&iacute;sticas Mensais do Emprego</I>, Lisboa, IEFP (registo magn&eacute;tico). </P>     <P>Marktest (1998), <I>Sales Index — An&aacute;lise do Poder de Compra Regional 1998</I>, Lisboa, Marktest. (registo magn&eacute;tico). </P>     <P>Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna/STAPE (1991), <I>1991: Elei&ccedil;&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica</I>, Lisboa, STAPE/MAI (registo magn&eacute;tico). </P>     <P>Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna/STAPE (1995a), <I>1995: Elei&ccedil;&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica</I>, Lisboa, STAPE/MAI (registo magn&eacute;tico). </P>     <P>Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna/STAPE (1995b), <I>Atlas Eleitoral: Constituinte e Legislativas 1975 a 1991</I>, Lisboa, STAPE/MAI. </P>     <P>Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna/STAPE (1997), <I>Atlas Eleitoral: Elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia da Rep&uacute;blica 1995 e Elei&ccedil;&otilde;es para as Assembleias Legislativas Regionais dos A&ccedil;ores e da Madeira</I>, Lisboa, STAPE/MAI. </P>     <P>Minist&eacute;rio do Trabalho e da Solidariedade/Departamento de Estat&iacute;stica (1994), <I>Indicadores Regionais de Emprego</I>, Lisboa, MESS/DE (18 volumes distritais). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Minist&eacute;rio do Trabalho e da Solidariedade/Departamento de Estat&iacute;stica (1994 e 1995), <I>Remunera&ccedil;&otilde;es M&eacute;dias Mensais dos Trabalhadores por Conta de Outrem</I>, Lisboa, MESS/DE (registo magn&eacute;tico). </P>     <P>Virtual Sin (1996), <I>Global Data Report</I> (registo magn&eacute;tico). </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</P></B>      <!-- ref --><P>Aguiar, J. (1994), &quot;Partidos, elei&ccedil;&otilde;es, din&acirc;mica pol&iacute;tica (1975-1991)&quot;, <I>An&aacute;lise Social</I>, n.º 125-126, pp. 171-236. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0873-6529200000010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Anderson, C. (1995), <I>Blaming the Government: Citizens and the Economy in Five European Democracies</I>, Armonk, M. E. Sharpe. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0873-6529200000010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Borg, S. (1998 (1995(), &quot;Electoral participation&quot;, <I>in</I> van Deth, J. W. e Scarbrough, E. (orgs.), <I>Beliefs in Government 4: The Impact of Values</I>, Oxford, Oxford University Press, pp. 441-460. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0873-6529200000010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Bourdieu, P. (1979), <I>La Distinction.,</I> Paris, Ed. Minuit. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0873-6529200000010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Bartolini, S., e Mair, P. (1990), <I>Ideology, Competition and Electoral Availability</I>, Cambridge, Cambridge University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0873-6529200000010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cabral, M. V. (1992), &quot; Portugal e a Europa: diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as&quot;,    <I>An&aacute;lise Social</I>, n.<SUP>os</SUP> 118/119, pp. 943-954. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0873-6529200000010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cabral, M. V. (1995), &quot;Grupos de simpatia partid&aacute;ria em Portugal: perfil sociogr&aacute;fico e atitudes sociais&quot;, <I>An&aacute;lise Social</I>, n.º 130, pp. 175-206. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0873-6529200000010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cabral, M. V. (1997), &quot;The political economy of the Portuguese labour market&quot;, comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no col&oacute;quio Unemployment&#146;s effects: Southern European Experience in Comparative Perspective, Princeton, 14-15 de Novembro de 1997. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0873-6529200000010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cabral, M. V. (1998a), &quot;Atitudes pol&iacute;ticas e simpatias partid&aacute;rias dos jovens portugueses&quot;, <I>in</I> Cabral, M. V. e Pais, J. M. (coord.) <I>Jovens Portugueses de hoje</I>, Oeiras, Celta, pp. 359-383. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0873-6529200000010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cabral, M. V. (1998b), &quot;Mobilidade social e atitudes de classe em Portugal&quot;, <I>An&aacute;lise Social</I>, n. <SUP>os</SUP> 146/147, pp. 381-414 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0873-6529200000010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Campbell, A. <I>et al.</I> (1980 (1960(), <I>The American Voter</I>, Chicago, Midway Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0873-6529200000010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Carri&oacute;n, J. J. S. (1995), <I>Manual de An&aacute;lisis de Datos</I>, Madrid, Alianza Universidad. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0873-6529200000010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cruz, M. B. (1988), <I>O Partido e o Estado no Salazarismo</I>, Lisboa, Presen&ccedil;a. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0873-6529200000010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cruz, M. B. (1995), <I>Institui&ccedil;&otilde;es Pol&iacute;ticas e Processos Sociais</I>, Lisboa, Bertrand. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0873-6529200000010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Derivry, D., e Dogan, M. (1971), &quot;Unit&eacute; d&#146;analyse et espace de r&eacute;f&eacute;rence en &eacute;cologie politique. Le canton et le departement fran&ccedil;ais&quot;, <I>Revue Fran&ccedil;aise de Science Politique</I>, Vol. XXI, n.º 3, pp. 517-570. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0873-6529200000010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Downs, A. (1973 (1957(), <I>Teoria Economica de la Democracia</I>, Madrid, Aguilar. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0873-6529200000010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Dunteman, G. H. (1989), <I>Principal Components Analysis</I>, Newbury Park, Sage. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0873-6529200000010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Erikson, R. e Goldthorpe, J. H. (1991), <I>The Constant Flux. A Study of Class Mobility in Industrial Societies</I>, Oxford, Claredon Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0873-6529200000010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Frain, M. (1998), <I>PPD/PSD e a Consolida&ccedil;&atilde;o do Regime Democr&aacute;tico</I>, Lisboa, Ed. Not&iacute;cias. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0873-6529200000010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Franklin, M. N., <I>et al. </I>(1992), <I>Electoral Change — Responses to Evolving Social and Attitudinal Structures in Western Countries</I>, Cambridge, Cambridge University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0873-6529200000010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Freire, A. (1998), &quot;&quot;Flutua&ccedil;&otilde;es sem tend&ecirc;ncia": uma revis&atilde;o das teses sobre a evolu&ccedil;&atilde;o recente do comportamento eleitoral dos Brit&acirc;nicos", <I>An&aacute;lise Social</I>, Vol. XXXIII, n.º&nbsp;145, pp. 189-202 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0873-6529200000010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Freire, A. (1999), &quot;A evolu&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o e da absten&ccedil;&atilde;o dos Portugueses em elei&ccedil;&otilde;es legislativas, 1975-1995", Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no Col&oacute;quio Comemorativo dos 20 anos da Revista Cr&iacute;tica de Ci&ecirc;ncias Sociais, Coimbra, Abril de 1999, e no Col&oacute;quio Internacional Cidadania, Integra&ccedil;&atilde;o Social e Globaliza&ccedil;&atilde;o, ISCTE, Maio de 1999. (a sair proximamente na revista <I>An&aacute;lise Social</I>). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0873-6529200000010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Freire, A. (2000), <I>Mudan&ccedil;a Social e Pol&iacute;tica em Portugal, 1983-1995: Uma An&aacute;lise Ecol&oacute;gica da Evolu&ccedil;&atilde;o do Comportamento Eleitoral em Elei&ccedil;&otilde;es Legislativas</I>, tese de mestrado, Lisboa, ICS. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0873-6529200000010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Gaspar, J., e Andr&eacute;, I. (1989), &quot;Portugal-geografia eleitoral: 1975 e 1987", <I>in</I> Coelho, M&aacute;rio B. (coord.), <I>Portugal — O Sistema Pol&iacute;tico e Constitucional 1974/1987</I>, Lisboa, ICS, pp. 257-278. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0873-6529200000010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Gaspar, J., e Andr&eacute;, I. (1990), <I>Geografia Eleitoral I: Colect&acirc;nea de Textos</I>, Lisboa, CEG/UL. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0873-6529200000010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Gaspar, J., <I>et al. </I>(1990), <I>Geografia Eleitoral II: Colect&acirc;nea de Textos</I>, Lisboa, CEG/UL. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000223&pid=S0873-6529200000010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Goldey, D. B. (1997), &quot;The portuguese general election of October 1995 and presidential election of January 1996", in <I>Electoral Studies</I>, Vol. 16, n.º 2, pp. 245-253. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0873-6529200000010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Heath, A., <I>et al.</I> (1991), <I>Understanding Political Change — The British Voter 1964-1987</I>, Oxford, Pergamon Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0873-6529200000010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Johnston, R. J. (1990), &quot;Lipset and Rokkan revisited: electoral cleavages, electoral geography, and electoral strategy in Great Britain&quot;, <I>in</I> Johnston, R. J., <I>et al. </I>(orgs.) <I>Developments in Electoral Geography</I>, Londres, Routledge, pp. 121-142. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0873-6529200000010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Kiewiet, D. R. (1983), <I>Macroeconomics e Micropolitics. The Electoral Effects of Economic Issues</I>, Chicago, Chicago University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0873-6529200000010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>King, G. (1997), <I>A Solution to the Ecological Inference Problem: Reconstructing Individual Behavior from Aggregate Data</I>, Princeton, Princeton University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0873-6529200000010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Kircheimer, O. (1990, 1.ª ed. 1966), &quot;The catch-all party&quot;, <I>in</I> Mair, P. (org.), <I>The West European Party System</I>, Oxford, Oxford University Press, pp. 50-60. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0873-6529200000010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Knutsen, O. (1998 (1995(), &quot;Left-right materialist value orientations&quot;, &quot;Party choice&quot;, <I>in</I> Van Deth, J. W. e E. Scarbrough (orgs.), <I>Beliefs in Government 4 The Impact of Values</I>, Oxford, Oxford University Press, pp. 160- 197, 461-491. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0873-6529200000010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Lane, J. -E., Ersson, S. (1999), <I>Politics and Society in Western Europe</I>, Londres, Sage. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000231&pid=S0873-6529200000010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Langbein, L. I., e Lichtman, A. J. (1978), <I>Ecological Inference</I>, Newbury Park, Sage. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0873-6529200000010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Lewis-Beck (1990 (1988(), <I>Economics and Elections</I>, Michigan, Michigan University Press &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000233&pid=S0873-6529200000010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Lima, J. A. (1995a), &quot;O que vale o PSD sem Cavaco&quot;, <I>Expresso-r</I>evista, s. d., pp. 42-45. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000234&pid=S0873-6529200000010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Lima, J. A. (1995b), &quot;Elei&ccedil;&otilde;es 95", <I>Expresso-</I>revista, 7 de Outubro, pp. 30-40. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000235&pid=S0873-6529200000010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Lipset, S. M. (1989 (1957(), <I>El Hombre Pol&iacute;tico: Las Bases Sociales de la Pol&iacute;tica</I>, Madrid, Tecnos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000236&pid=S0873-6529200000010000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Lipset, S. M., e Rokkan, S. (1992 (1967(), &quot;Estruturas de clivagem, sistemas partid&aacute;rios e alinhamentos dos eleitores&quot;, <I>in</I> Lipset, S. M. (1992), <I>Consenso e Conflito</I>, Lisboa, Gradiva, pp. 161-259. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000237&pid=S0873-6529200000010000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Lobo, M. C. (1996), &quot;A evolu&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio portugu&ecirc;s &agrave; luz de mudan&ccedil;as econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas (1976-1991)&quot;, <I>An&aacute;lise Social</I>, Vol. XXXI, n.º 139, pp. 1085-1117. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000238&pid=S0873-6529200000010000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Machado, F. L., e Costa, A. F. (1998), &quot;Processos de uma modernidade inacabada&quot;, <I>in</I> Viegas, J. M., e Costa, A. 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(1998), <I>A Identidade Nacional</I>, Lisboa, Gradiva. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000241&pid=S0873-6529200000010000300044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Mayer, N., e Perrineau, P. (1992), <I>Les Comportements Politiques</I>, Paris, Armand Colin. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000242&pid=S0873-6529200000010000300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Memmi, D. (1985), &quot;L&#146;engagement politique&quot;, <I>in</I> Grawitz, M., e Leca, J. (orgs.), <I>Trait&eacute; de Science Politique</I>, Vol. 3, Paris, PUF, pp. 310-342. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000243&pid=S0873-6529200000010000300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Michelat, G., e Simon, M. (1979), <I>Classe, Religion et Comportement Politique</I>, Paris, PFNSP. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000244&pid=S0873-6529200000010000300047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Michelat, G., e Simon, M. 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(1979), &quot;The dynamics of european party systems: changing patterns of electoral volatiliy&quot;, <I>European Journal of Political Research</I>, Vol. 7, n.º 1, pp. 1-26. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000246&pid=S0873-6529200000010000300049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pinto, J. M. (1982), &quot;Religiosidade, conservadorismo e apatia pol&iacute;tica do campesinato em Portugal&quot;, <I>An&aacute;lise Social</I>, n.º 70, pp. 107-136. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000247&pid=S0873-6529200000010000300050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Robinson, R. A. H. (1996), &quot;Do CDS ao CDS/PP: o Partido do Centro Democr&aacute;tico Social e o seu papel na pol&iacute;tica portuguesa&quot; <I>An&aacute;lise Social</I>, Vol. XXXI, pp. 951-974. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000248&pid=S0873-6529200000010000300051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Schmitt, H. e S. Homberg (1998 (1995(), &quot;Poltical parties in decline?&quot; <I>in</I> Klingemann, H. -D. e Fuchs, D. (orgs.), <I>Beliefs in Government 5: Citizens and the State</I>, Oxford, Oxford University Press, pp. 95-133. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000249&pid=S0873-6529200000010000300052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Subileau, F. (1997), &quot;L&#146;abstentionnisme: apolitisme ou strat&eacute;gie?&quot;, <I>in</I> Mayer, N. (dir.), <I>Les Mod&egrave;les Explicatifs du Vote</I>, Paris, L&#146;Harmattan, pp. 245-267. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000250&pid=S0873-6529200000010000300053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Tufte, E. R. (1994, 1.ª ed. 1978), <I>Political Control of the Economy</I>, Princeton, Princeton University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000251&pid=S0873-6529200000010000300054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>&nbsp;</P>     ]]></body>
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