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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Televisão do público: um estudo sobre a realidade portuguesa]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[  <b><a name="top"></a>TELEVIS&Atilde;O DO P&Uacute;BLICO: UM ESTUDO SOBRE A REALIDADE  PORTUGUESA </b>      <P><I>Ana Paula Fernandes</i><A HREF="#back"><I>*</I></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><U>Resumo</u> Programar em televis&atilde;o, na actualidade, significa uma t&eacute;cnica e um discurso que visa &quot;produzir p&uacute;blicos&quot; para os anunciantes. No presente artigo procura-se reflectir sobre a l&oacute;gica de funcionamento da televis&atilde;o portuguesa, no&nbsp;per&iacute;odo entre 1993 e 1997, a partir dos conceitos: &quot;estrat&eacute;gia de programa&ccedil;&atilde;o&quot; e&nbsp;&quot;audi&ecirc;ncia televisiva&quot; — modelos distintos ou similares na TV p&uacute;blica e privada? Estes conceitos s&atilde;o operacionalizados mediante a an&aacute;lise da grelha de&nbsp;programas, entrevistas realizadas a pessoas afectas &agrave; &aacute;rea da programa&ccedil;&atilde;o, na&nbsp;RTP, SIC e TVI, bem como a observa&ccedil;&atilde;o dos dados fornecidos pela audimetria. Pretende-se estudar as&nbsp;rela&ccedil;&otilde;es entre estrat&eacute;gias de programa&ccedil;&atilde;o, publicidade e&nbsp;audi&ecirc;ncias. </P>     <P><U>Palavras-chave</u>Programa&ccedil;&atilde;o, publicidade, audi&ecirc;ncias. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Introdu&ccedil;&atilde;o</P></B>      <P>No &acirc;mbito do monop&oacute;lio da televis&atilde;o p&uacute;blica, os programas eram definidos em fun&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s objectivos comunicacionais: educar, informar e distrair; os g&eacute;neros televisivos eram bem definidos e a audi&ecirc;ncia era vista como um colectivo passivo. A prolifera&ccedil;&atilde;o das esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o e das grelhas de programas transformou o conte&uacute;do da televis&atilde;o, em termos de oferta, e a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico passando a distrair, informar e educar. Esta transforma&ccedil;&atilde;o marca ent&atilde;o a passagem da &quot;velha&quot; televis&atilde;o (paleotelevis&atilde;o) &agrave; &quot;neotelevis&atilde;o&quot; (Missika, J., Wolton, D., 1983). A rela&ccedil;&atilde;o entre emissor e receptor assume um car&aacute;cter bidireccional em que a programa&ccedil;&atilde;o representa uma grelha muito precisa de encontro, uma agenda que visa distribuir momentos de interesse. Assim, o telespectador pode ter acesso a qualquer momento do dia a programas diferentes. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A recess&atilde;o econ&oacute;mica, que usualmente se considera ter sido vivida durante os anos de liberaliza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o em Portugal, teve repercuss&otilde;es no campo da comunica&ccedil;&atilde;o social, resultando que os patroc&iacute;nios e a publicidade se tornem vitais para a viabilidade econ&oacute;mica das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, estabelecendo-se um jogo de for&ccedil;as em termos de audi&ecirc;ncias televisivas que passa a ser mediado pelo investimentopublicit&aacute;rio. O poder econ&oacute;mico imp&otilde;e uma nova l&oacute;gica &agrave; programa&ccedil;&atilde;o televisiva, a qual assenta em programas que permitem gerar maiores n&iacute;veis de audi&ecirc;ncia e, por conseguinte, mais receitas. Esta situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia relativamente &agrave; publicidade tende a ser associada &agrave; concorr&ecirc;ncia directa entre os canais, conduzindo a que, apesar dos elevados custos da publicidade televisiva em Portugal, o n&uacute;mero de anunciantes tenha sobrevivido &agrave; crise econ&oacute;mica. </P>     <P>Neste &acirc;mbito, a grelha de programas simboliza um meio de &quot;ac&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica&quot; das esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o e constitui um instrumento de fideliza&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, na medida em que procura articular o tempo social dos telespectadores (lazer) e o tempo televisivo (programas difundidos), apoiando-se nos dados da audi&ecirc;ncia e nos estudos sociol&oacute;gicos (associados &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do tempo de lazer, disponibilidade dos indiv&iacute;duos, etc.). </P>     <P>Atrav&eacute;s da medi&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias a no&ccedil;&atilde;o de &quot;grande p&uacute;blico&quot; emerge como uma representa&ccedil;&atilde;o, uma orienta&ccedil;&atilde;o, uma conquista, um conceito quantitativo. Assim, a audi&ecirc;ncia constitui uma reac&ccedil;&atilde;o &agrave; oferta de programas e n&atilde;o &agrave; procura do p&uacute;blico, reflectindo a representa&ccedil;&atilde;o de todos os p&uacute;blicos. </P>     <P>Uma esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o n&atilde;o s&oacute; procura    apresentar uma boa oferta de produtos/programas, para assegurar uma audi&ecirc;ncia,    mas, igualmente integrar no seu projecto editorial, de uma forma harmoniosa,    a sua grelha de programas. Esta, al&eacute;m de ser uma t&eacute;cnica comercial,    &eacute; tamb&eacute;m, uma forma de fixar um &quot;macro&quot; discurso, ou    seja, ela representa a identidade da esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o.    &Eacute; precisamente este discurso, enquanto cultura (transmiss&atilde;o de    valores) que se procura captar atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise dos produtos    (g&eacute;neros televisivos) oferecidos. <a name="top1"></a>Trata-se de indagar    as grandes tend&ecirc;ncias da televis&atilde;o portuguesa no seu conjunto e    do percurso de evolu&ccedil;&atilde;o de cada canal,<A HREF="#1"><SUP>1</SUP></A>    no per&iacute;odo que compreende 1993 e 1997. </P>     <P>O g&eacute;nero televisivo representa uma nomenclatura, utilizada pelas esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o, que apresenta uma defini&ccedil;&atilde;o extensiva, ou seja, tem um estatuto de reconhecimento e apela a certos conte&uacute;dos. Uma das suas caracter&iacute;sticas &eacute; a de comportar mudan&ccedil;as constantes na sua agrega&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos. A fun&ccedil;&atilde;o comunicativa do g&eacute;nero televisivo est&aacute; associada a quatro indicadores: os sistemas de aten&ccedil;&atilde;o dos espectadores, os h&aacute;bitos de recep&ccedil;&atilde;o, a import&acirc;ncia atribu&iacute;da ao programa e os crit&eacute;rios de programa&ccedil;&atilde;o (nomeadamente o hor&aacute;rio fixo da maior parte dos programas). </P>     <P><a name="top2"></a>Conhecendo a audi&ecirc;ncia da sua esta&ccedil;&atilde;o    de televis&atilde;o, o programador planeia e organiza a distribui&ccedil;&atilde;o    dos programas, nos quatro per&iacute;odos do dia (<I>day time, acess to prime    time, prime time, late night</I>).<A HREF="#2"><SUP>2</SUP></A> </P>     <P>As mudan&ccedil;as ocorridas no cen&aacute;rio televisivo da Europa ocidental, de desregulamenta&ccedil;&atilde;o e de pol&iacute;ticas de privatiza&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o correlacionadas com a crise do paradigma da &quot;audi&ecirc;ncia como p&uacute;blico&quot; do servi&ccedil;o p&uacute;blico de televis&atilde;o. Maximizar a audi&ecirc;ncia tornou-se um interesse expl&iacute;cito para as televis&otilde;es, p&uacute;blicas e privadas, resultado do sistema comercial competitivo que se instaurou entre as esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o. Deste modo, a &quot;audi&ecirc;ncia como p&uacute;blico&quot; transformou-se na &quot;audi&ecirc;ncia como mercado&quot;. Todavia, h&aacute; que referir que este processo de muta&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tico n&atilde;o foi pac&iacute;fico, ou seja, fez-se acompanhar de muitas tens&otilde;es e dificuldades, nas organiza&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o p&uacute;blico, em termos de uma nova rela&ccedil;&atilde;o com a audi&ecirc;ncia. </P>     <P>Mas afinal o que &eacute; a &quot;audi&ecirc;ncia&quot;? Ang define-a como &quot;(…) um conjunto de espectadores, um grupo de indiv&iacute;duos reunidos para receberem mensagens enviadas por outros. A audi&ecirc;ncia ser&aacute; ent&atilde;o sin&oacute;nimo do somat&oacute;rio total das pessoas que fazem parte desse grupo. Por outras palavras, representa um colectivo taxon&oacute;mico, ou seja, uma entidade que re&uacute;ne indiv&iacute;duos n&atilde;o relacionados entre si, mas que formam um grupo em fun&ccedil;&atilde;o de uma caracter&iacute;stica comum — serem espectadores&quot; (Ang, 1996: 33). A autora defende que uma imagem fotogr&aacute;fica da audi&ecirc;ncia total &eacute; imposs&iacute;vel. Os dados das audi&ecirc;ncias proporcionam apenas uma constru&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o unificada da &quot;audi&ecirc;ncia televisiva&quot;, tomando como ponto de partida, um conceito taxon&oacute;mico colectivo. Qualquer representa&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia televisiva&quot;d&aacute;-nos uma imagem fict&iacute;cia n&atilde;o no sentido de ser falsa, mas fabricada (…)&quot; (idem, p. 35). A quest&atilde;o agora reside em saber que vantagens esta defini&ccedil;&atilde;o proporciona &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es na conquista da audi&ecirc;ncia. A autora salienta o facto de que o mais importante n&atilde;o &eacute; definir a &quot;audi&ecirc;ncia televisiva&quot; como um colectivo taxon&oacute;mico, mas, analisar o que esta defini&ccedil;&atilde;o significa em termos de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento &uacute;til e estrat&eacute;gico. H&aacute; que ter em conta que na &quot;audi&ecirc;ncia televisiva&quot; algumas pessoas s&atilde;o consideradas, outras n&atilde;o. </P>     <P>Por conseguinte, dois conceitos s&atilde;o fundamentais na l&oacute;gica da televis&atilde;o comercial: a audi&ecirc;ncia como &quot;mercadoria&quot; e a programa&ccedil;&atilde;o como uma estrat&eacute;gia que visa captar a m&aacute;xima audi&ecirc;ncia poss&iacute;vel. Partindo do discurso dos programadores, analisa-se o funcionamento estrutural da realidade da televis&atilde;o comercial portuguesa para posteriormente evidenciar as fragilidades do sistema televisivo, comparar alguns indicadores e compreender o seu significado sociol&oacute;gico. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Metodologia</P></B>      <P>Com o objectivo de analisar se a televis&atilde;o actual transmite uma &quot;nova&quot; cultura e uma &quot;nova&quot; imagem do p&uacute;blico, esta investiga&ccedil;&atilde;o operacionalizou os conceitos de &quot;programar&quot; e de &quot;audi&ecirc;ncia televisiva&quot; mediante a utiliza&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo de estudosde caso ou an&aacute;lise intensiva e a aplica&ccedil;&atilde;o de duas t&eacute;cnicas de an&aacute;lise (documental e entrevistas). </P>     <P>Na esfera da an&aacute;lise documental, observa-se, com base numa amostra de dez semanas, a grelha de programas extra&iacute;da da revista <I>TV Guia</I> em que se analisa qual o g&eacute;nero televisivo dominante em cada per&iacute;odo do dia, considerando, a divis&atilde;o das 24 horas sugeridas pela autora, Dominique Mehl (<I>op. cit</I>): <I>Day time, access to prime time, prime time e late night</I>. </P>     <P>Assim, o quadro temporal considerado no estudo situa-se entre 1993 e 1997 (anual), tendo-se entrevistados respons&aacute;veis dos principais canais televisivos: RTP, SIC e TVI. </P>     <P>Na an&aacute;lise de conte&uacute;do/tem&aacute;tica, a codifica&ccedil;&atilde;o    teve em conta a unidade de registo (g&eacute;nero televisivo)que corresponde    a uma categoriza&ccedil;&atilde;o (segundo duas classifica&ccedil;&otilde;es)    e contagem frequencial (n&uacute;mero de vezes que os g&eacute;neros televisivos    surgem nos quatro per&iacute;odos do dia definidos). Assim, procedeu-se a uma    primeira classifica&ccedil;&atilde;o dos programas em g&eacute;nero televisivo,    come&ccedil;ando por utilizar uma classifica&ccedil;&atilde;o do Nelson Traquina    (Traquina, 1997) e posteriormente da AGB Portugal (respectivamente, a primeira    e a segunda classifica&ccedil;&atilde;o do <A HREF="#qd1">quadro 1</A>), com    algumas adapta&ccedil;&otilde;es e tendo em conta a aporia de classificar um    programa s&oacute; pelo t&iacute;tulo. </P>     <P><a name="qd1"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="465" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 1</b> Unidades de registo segundo o g&eacute;nero televisivo</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07q1.gif" width="446" height="498"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P> <B>     <P>As tend&ecirc;ncias televisivas entre 1993 e 1997</P> </B>      <P>A Europa configurou historicamente um modelo televisivo orientado para o ideal de servi&ccedil;o p&uacute;blico. A filosofia deste servi&ccedil;o assenta em informar, formar e distrair. Todavia, no decurso da d&eacute;cada de 80, este panorama do sistema televisivo europeu, sofreu profundas transforma&ccedil;&otilde;es motivadas pelas novas tecnologias que atribuem &agrave; informa&ccedil;&atilde;o um papel central e de &quot;mercadoria&quot;. Ora o p&uacute;blico de televis&atilde;o passa a ser visto como consumidor e &quot;mercadoria&quot; que &eacute; &quot;vendida&quot; aos anunciantes em troca de receitas. Neste cen&aacute;rio, estabelece-se um sistema misto de modelos de televis&atilde;o p&uacute;blico e privado, alicer&ccedil;ados na lei do mercado. Por conseguinte, o advento da televis&atilde;o privada implementou uma nova filosofia de programa&ccedil;&atilde;o e forma de conceber os programas, com vista a obten&ccedil;&atilde;o de mais audi&ecirc;ncias e receitas publicit&aacute;rias. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Segundo os dados da Sabatina, referentes ao per&iacute;odo entre 1986 e 1997, o investimento da publicidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social tem vindo a aumentar, sobretudo na televis&atilde;o. No que diz respeito ao crescimento real do investimento publicit&aacute;rio (valores brutos investidos a pre&ccedil;os correntes verifica-se uma varia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 21,3% entre 1987 e 1997, que tem vindo a diminuir significativamente, ou seja, a varia&ccedil;&atilde;o em 1987 era de 58,3% e a partir de 1994 at&eacute; 1997 apresenta valores na ordem dos 6,0%. Todavia, em termos de crescimento real registou-se um valor negativo em 1995 (-2,9%). Em 1996, h&aacute; uma melhoria significativa (relativamente ao valor negativo) do crescimento real do investimento de 5, 1% e, em 1997, de 5,8%. Entre 1994 e 1997, o ano de 1995 foi o que obteve um investimento inferior (55, 0%). Ao comparar a evolu&ccedil;&atilde;o do investimento publicit&aacute;rio entre 1996 e 1997 conclui-se que h&aacute; uma supera&ccedil;&atilde;o evidente. O ano de 1997 &eacute; o que regista mais inser&ccedil;&otilde;es, com destaque para o m&ecirc;s que antecede o Natal, Novembro. </P>     <P>Ao longo de 1997, a SIC foi o canal televisivo que conseguiu captar mais anunciantes em regime de &quot;exclusividade&quot; (tendo em conta que a esta&ccedil;&atilde;o de Carnaxide liderou as audi&ecirc;ncias todo o ano, sendo Abril o m&ecirc;s em que obteve o <I>share</I> mais elevado, 51,5%), ainda que, em menor escala a RTP, (com um <I>share</I> que n&atilde;o ultrapassou os 34,5%) e a TVI (14% de <I>share</I>), que optam, contrariamente &agrave; SIC (diversidade), por anunciantes com campanhas institucionais. Trata-se de uma estrat&eacute;gia de <I>marketing</I> alicer&ccedil;ada numa quest&atilde;o or&ccedil;amental. Nem sempre as fracas audi&ecirc;ncias de um canal determinam a escolha dos anunciantes, ou seja, as audi&ecirc;ncias regionais parecem aliciar os investidores. A satura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o publicit&aacute;rio, na televis&atilde;o, peculiarmente, no hor&aacute;rio nobre, acarreta dois tipos de fen&oacute;menos: por um lado, o reduzido n&iacute;vel de penetra&ccedil;&atilde;o da publicidade; por outro, o aparecimento de formas alternativas de difundir a publicidade, que s&atilde;o menos agressivas. As solu&ccedil;&otilde;es encontradas geram um fen&oacute;meno publicit&aacute;rio mais agressivo, que se pauta por excessivos blocos publicit&aacute;rios, patroc&iacute;nios, programas com sorteios, produtos dentro dos programas, o <I>teleshopping</I>, entre outras (C&aacute;dima, 1997: 38). </P>     <P>A satura&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria da televis&atilde;o ficou acima dos 20,0% em 1997, sendo a TVI, o &uacute;nico canal que aumentou os seus valores entre Novembro de 96 e Novembro de 97. No ano de 1998, Janeiro e Agosto representaram dois per&iacute;odos de abrandamento publicit&aacute;rio em que a SIC obteve grande parte desse investimento (cerca de 49, 0%). A RTP1 mant&eacute;m os valores de investimento ao longo do ano, a TVI em terceiro lugar. De Abril para Maio, a SIC passa de 50,0% para 49, 0%, a RTP1 mant&eacute;m os 33, 0% e a TVI sobe de 17, 0% para 18, 0%. No que diz respeito ao pre&ccedil;o m&eacute;dio por minuto (em escudos) a SIC mostra ser o canal em Maio de 98 com maior pre&ccedil;o por minuto (804.000$00), seguindo-se a RTP1 (600.000$00) e a TVI sobe de 17, 0% para 18, 0%. Numa an&aacute;lise de segunda a domingo numa divis&atilde;o do dia em seis per&iacute;odos (manh&atilde;, almo&ccedil;o, tarde, <I>pr&eacute;-prime-time, prime-time</I> e noite), verifica-se em termos de dura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o publicit&aacute;rio (em minutos) segundo quatro intervalos (menos de 7,5 minutos; de 7,5 a 12 minutos; de 12 a 20 minutos e mais de 20 minutos), que no m&ecirc;s de Maio de 1998 (do dia 8 ao dia 25) a SIC foi o canal com menos tempo. A RTP1 nos dias 18 e 19 evidencia mais satura&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria no<I> pr&eacute;-prime-time</I>. </P>     <P>Sem d&uacute;vida que, com a televis&atilde;o privada, a publicidade assume um papel primordial, uma vez que ela constitui o motor da economia dos grupos de comunica&ccedil;&atilde;o (que s&atilde;o empresas associadas). Deste modo, captar o investimento publicit&aacute;rio torna-se uma prioridade da televis&atilde;o comercial, pelo que os programas que cativam a audi&ecirc;ncia, no hor&aacute;rio de maior &iacute;ndice, s&atilde;o escolhidos segundo o perfil do p&uacute;blico dispon&iacute;vel neste hor&aacute;rio e de acordo com o facto de a fam&iacute;lia estar reunida: &quot;(…) s&atilde;o estes programas de grande consumo, dirigidos quase em exclusivo aos estratos sociais de menor poder aquisitivo e de n&iacute;vel cultural reduzido — o grande p&uacute;blico —, que, de um modo geral, preenchem os espa&ccedil;os nobres das diferentes grelhas de programas, p&uacute;blicas e privadas, constituindo a quase totalidade da oferta televisiva dos diferentes canais&quot; (C&aacute;dima, 1997: 38). </P>     <P>Em termos comparativos da curva de consumo televisivo entre os dias de semana e o fim-de-semana, verifica-se que existem dois grandes per&iacute;odos: a hora de almo&ccedil;o (13,2%) e <I>pr&eacute;-prime-time </I>(12,3% mais 27,2%). Durante a manh&atilde;, a RTP1 e a SIC disputam a lideran&ccedil;a, com a RTP1 a emitir &quot;Um-D&oacute;-Li-T&aacute;&quot;, &quot;Banqueira do Povo&quot;, &quot;Pra&ccedil;a da Alegria&quot;, &quot;Culin&aacute;ria&quot; e o &quot;Jornal da Tarde&quot;. A SIC, nesta faixa hor&aacute;ria, emite o &quot;Buer&eacute;r&eacute;&quot;, &quot;Receitas do Dia&quot;, &quot;Botica&quot;, &quot;Baila Comigo&quot; e o &quot;Primeiro Jornal&quot;. A partir da hora do almo&ccedil;o, o &quot;Juiz Decide&quot;, &quot;F&aacute;tima Lopes&quot; e &quot;Buer&eacute;r&eacute;&quot; d&atilde;o a lideran&ccedil;a &agrave; SIC. O per&iacute;odo da tarde &eacute; repartido entre a SIC e a RTP1, com a programa&ccedil;&atilde;o neste m&ecirc;s a verificar-se diversificada. Do <I>pr&eacute;-prime-time</I> at&eacute; ao final da noite, pertence &agrave; SIC, com as novelas <I>Vidas Cruzadas</I> e <I>Por Amor</I> a terem um forte contributo. Quanto &agrave; TVI manteve-se mais constante neste m&ecirc;s (Maio 98), sendo o per&iacute;odo da noite o ponto onde as suas audi&ecirc;ncias s&atilde;o mais elevadas (com o &quot;Directo XXI&quot;, os filmes e as s&eacute;ries de fic&ccedil;&atilde;o). Ao fim-de-semana, a SIC tem um &iacute;ndice de audi&ecirc;ncia mais elevado no per&iacute;odo da manh&atilde;, com os programas infantis (&quot;Buer&eacute;r&eacute;&quot;, &quot;Hulk&quot;, &quot;Power Rangers&quot;, &quot;Dragon Ball Z&quot;). A hora de almo&ccedil;o &eacute; dividida entre a SIC e a RTP1 com o Primeiro Jornal e o Jornal da Tarde, respectivamente. Ap&oacute;s a hora do almo&ccedil;o, a RTP apresenta s&eacute;ries mais fortes (&quot;Top +&quot;, &quot;Made in Portugal&quot;). A partir deste per&iacute;odo, a SIC coloca-se &agrave; frente at&eacute; ao final da emiss&atilde;o, s&oacute; se aproximando as curvas no &quot;Telejornal&quot; (RTP1) e &quot;Jornal da Noite&quot; (SIC). No per&iacute;odo da tarde, a SIC apresenta &quot;Walker&quot;, &quot;Os Imortais&quot;, &quot;Sess&atilde;o Aventura&quot; e &quot;Chiado Terrasse&quot;. &Agrave; noite, a lideran&ccedil;a &eacute; da SIC. </P>     <P>No que concerne ao <I>share</I> de audi&ecirc;ncia por partes do dia, verifica-se    que a SIC lidera em todos os per&iacute;odos hor&aacute;rios, disputando essa    lideran&ccedil;a com a RTP1 &agrave; hora do almo&ccedil;o. Em Mar&ccedil;o    de 1998, a SIC regista o seu <I>share</I> mais elevado no per&iacute;odo <I>prime-time</I>.    Relativamente a Mar&ccedil;o de 1997, o canal de Carnaxide sobe o seu <I>share</I>    nos per&iacute;odos da &quot;tarde&quot; e <I>prime-time</I>, descendo nas restantes    faixas hor&aacute;rias. A RTP1 apresenta o seu valor mais alto na hora do almo&ccedil;o,    descendo em rela&ccedil;&atilde;o a per&iacute;odo hom&oacute;logo em <I>pr&eacute;-prime-time</I>,    <I>prime-time</I> e &quot;madrugada&quot;, e nas restantes partes do dia. A    RTP1 volta neste m&ecirc;s (Maio de 98) a recuperar a lideran&ccedil;a &agrave;    hora de almo&ccedil;o. A TVI apresenta o seu maior valor em <I>p&oacute;s-prime-time</I>.    Comparando com Mar&ccedil;o de 97, sobe em todas as faixas hor&aacute;rias,    &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da &quot;tarde&quot;. &Eacute; durante a &quot;madrugada&quot;    que a RTP2 atinge o seu melhor valor de <I>share</I> (12,3%), ultrapassando    mesmo a TVI (11,5%). <a name="top3"></a>Relativamente a Mar&ccedil;o de 97,    desce nos per&iacute;odos da &quot;manh&atilde;&quot;, &quot;almo&ccedil;o&quot;    e &quot;tarde&quot;, subindo em <I>pr&eacute;-prime-time</I>, <I>prime-time</I>,    <I>p&oacute;s-prime-time</I> e &quot;madrugada&quot;, onde verifica uma subida    de oito pontos percentuais.<A HREF="#3"><SUP>3</SUP></A> </P>     <P>O tipo de publicidade emitida no segundo trimestre de 1998 evidencia na RTP1 47,8% de publicidade normal, 26,5% de publicidade especial (pe&ccedil;as de divulga&ccedil;&atilde;o, telecompra ou audiotexto), 20,1% de <I>spots</I> de autopromo&ccedil;&atilde;o do canal e 5,6% de patroc&iacute;nios. A SIC surge com valores inferiores no que diz respeito aos patrocinadores (4,2%), 33,4% nas autopromo&ccedil;&otilde;es (n&uacute;mero bastante superior ao da RTP1), 21,2% de publicidade especial e 41,3% de publicidade normal. Na TVI destaca-se a publicidade especial, com valores superiores aos da SIC e RTP1 (29, 1%) e para as autopromo&ccedil;&otilde;es (29,4%). A RTP2, onde a publicidade comercial n&atilde;o &eacute; permitida, os blocos de an&uacute;ncios de divulga&ccedil;&atilde;o (publicidade especial) representam 40,1% do total dos <I>spots</I>, enquanto as autopromo&ccedil;&otilde;es abrangem 59,8%. </P>     <P>Os dados relativos ao <I>share</I> comercial anual (audi&ecirc;ncias da publicidade), por canal, expressam o dom&iacute;nio da RTP1, nos anos de 1993 e 1994, sendo que a SIC, assegura a lideran&ccedil;a a partir de Maio de 1995. A RTP2 mitigou progressivamente o seu <I>share</I> comercial de 1993 para 1997. A TVI n&atilde;o apresenta subidas nem descidas significativas do seu <I>share</I>. Isto significa que a publicidade transmitida pela SIC tem mais audi&ecirc;ncia do que aquela que &eacute; veiculada atrav&eacute;s da RTP1. Todavia, apesar de estar &agrave; frente da sua principal concorrente, desde Fevereiro de 1998 tem vindo a perder (30,0%) para a RTP1 (em Junho de 98 apresentava valores que ultrapassam os 40,0%, segundo dados da Carat, no <I>Media Regular</I> <I>Analysis</I>). A TVI, que em Junho de 1997 tinha valores de 12,4%, ap&oacute;s algumas oscila&ccedil;&otilde;es no sentido descendente chega a Junho de 1998 com 10,4%. </P>     <P>Em fun&ccedil;&atilde;o dos dados das audi&ecirc;ncias, os programadores definem as suas pol&iacute;ticas/filosofias de programa&ccedil;&atilde;o, tomando em considera&ccedil;&atilde;o os dois tipos de vari&aacute;veis (ligadas aos eventos/programas e &agrave;s audi&ecirc;ncias) e um leque de possibilidades estrat&eacute;gicas de distribui&ccedil;&atilde;o dos programas ao longo do dia e da semana, num determinado hor&aacute;rio. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Organiza&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica da grelha de programas</P></B>      <P>A partir da an&aacute;lise semanal da grelha de programas dos quatro canais da televis&atilde;o generalista portuguesa verifica-se que a RTP1, a SIC e a TVI t&ecirc;m uma &quot;grelha federativa&quot; e a RTP2 uma &quot;grelha comp&oacute;sita&quot;. Este tipo de programa&ccedil;&atilde;o federativa apresenta as seguintes caracter&iacute;sticas: cada faixa hor&aacute;ria tem a sua miss&atilde;o — durante o dia destina-se &agrave;s pessoas inactivas, nomeadamente mulheres e estudantes; a partir das 18 horas, a programa&ccedil;&atilde;o destina-se a todos elementos da fam&iacute;lia, apresentando emiss&otilde;es para distrair e atenuar o fadiga de um dia de trabalho; entre as 20. 30 e as 21 horas, as emiss&otilde;es destinam-se aos pais e procuram satisfazer todas as pessoas; o fim da noite apresenta programas mais instrutivos/culturais, mas que nem as crian&ccedil;as nem as pessoas que trabalham podem assistir; estandardiza&ccedil;&atilde;o dos formatos que varia segundo a &eacute;poca e o g&eacute;nero; e a diminui&ccedil;&atilde;o de alguns g&eacute;neros televisivos, nomeadamente o document&aacute;rio (&eacute; reagrupado nos magazines). A programa&ccedil;&atilde;o comp&oacute;sita cultiva todos os g&eacute;neros. </P>     <P>A televis&atilde;o comercial procura obter o m&aacute;ximo de audi&ecirc;ncia ao longo do dia, numa &oacute;ptica de homogeneidade do &quot;grande p&uacute;blico&quot;. Neste sentido, cada emiss&atilde;o &eacute; preparada de modo a evitar a perda de qualquer frac&ccedil;&atilde;o da sua audi&ecirc;ncia potencial. A programa&ccedil;&atilde;o federativa &eacute; o tipo de orienta&ccedil;&atilde;o seguida por este modelo de televis&atilde;o. Por outro lado, a programa&ccedil;&atilde;o comp&oacute;sita estriba-se numa concep&ccedil;&atilde;o de heterogeneidade do grande p&uacute;blico. Assim, a finalidade n&atilde;o &eacute; satisfazer todos ao mesmo tempo, mas atender a todos os p&uacute;blicos, em temas diferentes, g&eacute;neros diferentes e em momentos diferentes (substitui-se a hora de grande audi&ecirc;ncia pela hora de melhor audi&ecirc;ncia (Mehl, D., 1992). No entanto, este tipo de grelha n&atilde;o &eacute; completamente oposta &agrave; anterior, os calend&aacute;rios da semana e do fim-de-semana repetem-se, segundo o mesmo hor&aacute;rio, e as noites seguem uma periodicidade semanal e mensal. O dia &eacute; dividido em quatro faixas hor&aacute;rias designadas da seguinte forma: <I>day time</I>, <I>acess prime-time</I>, <I>prime-time</I> e <I>late night</I>. </P>     <P>Nos tr&ecirc;s primeiros anos de televis&atilde;o privada em Portugal, a tend&ecirc;ncia ao n&iacute;vel das estrat&eacute;gias de programa&ccedil;&atilde;o incidia na concorr&ecirc;ncia por mimetismo. Posteriormente, a contraprograma&ccedil;&atilde;oparecia ser o instrumento eleito para disputar as audi&ecirc;ncias, sobretudo entre os canais, RTP1 e SIC. Veja-se o exemplo do <I>prime-time</I> em que a RTP1 transmite um jogo de futebol (que tem uma ampla audi&ecirc;ncia masculina) e em contraprograma&ccedil;&atilde;o a SIC defende-se com a telenovela (uma audi&ecirc;ncia feminina fiel a este tipo de g&eacute;nero). A concorr&ecirc;ncia entre os canais contribuiu para o desenvolvimento de algumas estrat&eacute;gias de programa&ccedil;&atilde;o alicer&ccedil;adas nas audi&ecirc;ncias dos programas. </P>     <P>Neste sentido, Webster e Litchy destacam as mais conhecidas: <I>lead-in, hammocking </I>e<I> block programming</I>. O designado <I>lead-in</I> &quot;estipula que as audi&ecirc;ncias de um programa t&ecirc;m um grande impacte no programa seguinte&quot;. (<I>idem</I>, p. 38). Isto significa que, se o primeiro programa tiver uma grande audi&ecirc;ncia, o segundo beneficiar&aacute; disso. Se, pelo contr&aacute;rio, o primeiro programa tiver pouca audi&ecirc;ncia o programa seguinte ter&aacute; o mesmo resultado. Novamente, estamos diante do &quot;efeito de heran&ccedil;a&quot;, que tamb&eacute;m se manifesta nas outras duas estrat&eacute;gias, o <I>hammocking, tent-poling</I> e o <I>block programming</I>. </P>     <P>Na estrat&eacute;gia <I>hammocking</I>, o segundo programa beneficia do primeiro e do terceiro, ou seja, coloca-se um programa com fraco &iacute;ndice de audi&ecirc;ncia entre dois programas com boas audi&ecirc;ncias, para que os telespectadores que esperam o terceiro programa assistam ao segundo. Este tipo de estrat&eacute;gia verifica-se na SIC, no hor&aacute;rio nobre, quando coloca a seguir ao &quot;Jornal da Noite&quot;, uma <I>sitcom</I> portuguesa, como os &quot;Malucos do Riso&quot; ou o &quot;Bom Bai&atilde;o&quot;, etc. antes da telenovela brasileira. </P>     <P>A estrat&eacute;gia do <I>tent-poling</I> &eacute; menos poderosa e baseia-se no seguinte: um programa com grande audi&ecirc;ncia &eacute; colocado entre dois com menos receptividade junto ao p&uacute;blico, com vista a que o primeiro beneficie dos telespectadores que esperam o segundo, que, por sua vez, conduz (<I>lead-in</I>) ao terceiro. </P>     <P>No <I>block programming</I> emite-se uma sequ&ecirc;ncia de programas do mesmo g&eacute;nero televisivo, o que significa que, se os telespectadores gostam de um determinado g&eacute;nero televisivo, talvez vejam outros programas do mesmo g&eacute;nero. Este tipo de estrat&eacute;gia varia em fun&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o e das mudan&ccedil;as da audi&ecirc;ncia dispon&iacute;vel. Pode dar-se o exemplo da semana de 2 a 8 de Julho de 1994, o caso da TVI, que, durante a semana, emite tr&ecirc;s novelas sul-americanas seguidas: &agrave;s 17.35 <I>Top&aacute;zio</I>, &agrave;s 17. 55 <I>Morena Clara</I> e &agrave;s 18. 20 <I>Estrela</I>. Outro exemplo, encontra-se na semana de 1 a 7 de Outubro de 1994, na RTP1, durante a semana, &agrave;s 17.20 a novela <I>A Hist&oacute;ria de Ana Raio e Z&eacute; Trov&atilde;o</I> e &agrave;s 18. 20 <I>Na Paz dos Anjos</I>. As s&eacute;ries s&atilde;o tamb&eacute;m g&eacute;neros emitidos sequencialmente, sobretudo no per&iacute;odo da tarde (entre as 14 e as 20 horas). Por exemplo, actualmente, a SIC apresenta das 17 &agrave;s 20 horas tr&ecirc;s novelas brasileiras. </P>     <P>Como refere um respons&aacute;vel da TVI: </P>     <P>At&eacute; &agrave; entrada da televis&atilde;o privada, a televis&atilde;o p&uacute;blica concebia a programa&ccedil;&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o do gosto das pessoas que estavam &agrave; frente da esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o (…) n&atilde;o havia a preocupa&ccedil;&atilde;o de saber se correspondia ao gosto generalizado dos Portugueses. A preocupa&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o p&uacute;blica era a de ter as melhores s&eacute;ries do mercado, que marcaram uma &eacute;poca (americanas e europeias). O surgimento das televis&otilde;es privadas veio preencher o que faltava no mercado, dependendo muito as suas op&ccedil;&otilde;es de programas dos seus or&ccedil;amentos. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Para um representante da RTP: </P>     <P>O conceito de programa&ccedil;&atilde;o define-se por um trabalho equilibrado que visa atingir o m&aacute;ximo de p&uacute;blico poss&iacute;vel, quer para a televis&atilde;o p&uacute;blica, quer para a televis&atilde;o privada. Com o fim do monop&oacute;lio, o que mudou foi a mentalidade subjacente ao conceito de programa&ccedil;&atilde;o, ou seja, como n&atilde;o havia concorr&ecirc;ncia, alguns crit&eacute;rios n&atilde;o eram t&atilde;o valorizados. </P>     <P>E clarificando esta ideia de mudan&ccedil;a de mentalidade, acrescenta: </P>     <P>O conceito de programa&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo do monop&oacute;lio era a defini&ccedil;&atilde;o de uma actividade tranquila com um <I>timing</I> completamente diferente, n&atilde;o existindo determinados tipos de press&otilde;es que nos obrigam a correr atr&aacute;s de fen&oacute;menos que em regime de monop&oacute;lio n&atilde;o existiam (a qualidade da oferta era de n&iacute;vel superior), citando os concursos que apelavam &agrave; cultura geral, como &quot;A Filha da Corn&eacute;lia&quot;, &quot;Retrato de Fam&iacute;lia&quot;). O programador tinha um papel formativo, paternalista. A diversifica&ccedil;&atilde;o conduziu a uma especializa&ccedil;&atilde;o: A SIC tem uma programa&ccedil;&atilde;o claramente especializada em programas populares, a lei deles &eacute; a lei do mercado (…) Existe um factor predominante nesse canal, que os atira para uma natureza de programa&ccedil;&atilde;o, &eacute; a liga&ccedil;&atilde;o &agrave; Globo. </P>     <P>Na SIC, como reconhece um dos elementos da direc&ccedil;&atilde;o deste canal: </P>     <P>O programador tem uma grande responsabilidade na medida em que tem de atrair audi&ecirc;ncias, que significam mais investimento publicit&aacute;rio e, por consequ&ecirc;ncia, receitas para a televis&atilde;o. </P>     <P>Por conseguinte, os representantes das tr&ecirc;s televis&otilde;es admitem que o programador assume um papel diferente com a entrada dos operadores privados e que acompanha as mudan&ccedil;as ocorridas no cen&aacute;rio televisivo impostas essencialmente pelo <I>factor tempo</I>, ou seja, planear e organizar o que vai ser emitido &eacute; uma tarefa anual (relativa &agrave; verba a disponibilizar na compra de programas), semanal (fideliza&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico ao longo da semana) e di&aacute;ria (varia consoante as exig&ecirc;ncias dos anunciantes e dos estudos de audi&ecirc;ncia que d&atilde;o conta do visionamento minuto a minuto). </P>     <P>Neste contexto, a grelha de programas surge como uma interac&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos factores que agem sobre o conjunto com perspectivas diferentes, compostas de elementos r&iacute;gidos e flex&iacute;veis. A audi&ecirc;ncia, o custo e a imagem s&atilde;o tr&ecirc;s crit&eacute;rios de selec&ccedil;&atilde;o dos programas tidos em conta pela RTP, SIC e TVI. Dos tr&ecirc;s factores, a imagem &eacute; o mais importante na medida em que coloca em causa crit&eacute;rios de mercado, de optimiza&ccedil;&atilde;o do <I>stock</I>, de equil&iacute;brio comercial, para as esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o. Outros crit&eacute;rios s&atilde;o igualmente relevantes: o crit&eacute;rio econ&oacute;mico (o or&ccedil;amento estabelecido por ano, em cada televis&atilde;o, limita as escolhas dos programas); a variedade do quadro temporal (a especificidade do Ver&atilde;o e os cinco primeiros dias da semana e o fim-de-semana), a procura do ajustamento entre o g&eacute;nero do programa e o hor&aacute;rio da sua difus&atilde;o (este par&acirc;metro &eacute; fundamental na medida em que o g&eacute;nero implica custos e selecciona um certo p&uacute;blico, colocando, por isso, problemas espec&iacute;ficos de disponibilidade ou de produ&ccedil;&atilde;o, o hor&aacute;rio corresponde a um dado uso do tempo social, pressup&otilde;e certas modalidades de consumo, h&aacute;bitos, individuais ou colectivos); a especificidade da linha editorial (vontade de distin&ccedil;&atilde;o de uma televis&atilde;o relativamente &agrave;s restantes); o formato da &quot;exaustividade&quot; (normalmente existente no <I>prime-time</I>, uma vez que este per&iacute;odo de grande audi&ecirc;ncia n&atilde;o tem um p&uacute;blico espec&iacute;fico, devendo a noite ser composta por um pouco de tudo, desde o filme, a informa&ccedil;&atilde;o, a fic&ccedil;&atilde;o, entre outros); diferen&ccedil;as entre a programa&ccedil;&atilde;o durante o dia e a noite (fora do <I>prime-time</I> a programa&ccedil;&atilde;o &eacute; destinada a p&uacute;blicos espec&iacute;ficos, dispon&iacute;veis a determinadas horas); oferta de uma programa&ccedil;&atilde;o de conjunto (organiza&ccedil;&atilde;o da sequ&ecirc;ncia das emiss&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da &quot;n&atilde;o ruptura com o p&uacute;blico&quot;); a oferta das outras televis&otilde;es (uma estrat&eacute;gia de programa&ccedil;&atilde;o de competi&ccedil;&atilde;o ou de diversifica&ccedil;&atilde;o). </P>     <P>A grelha de programas, nos quatro canais, principalmente, a RTP1, a SIC e a TVI, obedece a dois crit&eacute;rios fundamentais: o econ&oacute;mico e os estudos de audi&ecirc;ncia. Estes &uacute;ltimos condicionam a pr&oacute;pria estrutura da grelha (distribui&ccedil;&atilde;o dos programas pelo per&iacute;odo do dia), que assume um car&aacute;cter flex&iacute;vel, ou seja, o hor&aacute;rio em que os programas s&atilde;o emitidos pode alterar-se no pr&oacute;prio dia, bem como um programa que tem poucas audi&ecirc;ncias pode ser suspensa a sua emiss&atilde;o, ou muda-se o hor&aacute;rio ou o dia. Nas outras duas esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o passa-se o mesmo, mas com algumas diferen&ccedil;as. Assim, por exemplo, no caso da TVI, que quis ser uma televis&atilde;o generalista, elaborando &quot;uma grelha t&atilde;o completa quanto poss&iacute;vel (sa&uacute;de, viagens, telenovela portuguesa, programa sobre fados, etc.), em que a programa&ccedil;&atilde;o nacional tinha um grande peso e era muito cara&quot;. Todavia, ao longo destes cinco anos as suas estrat&eacute;gias de programa&ccedil;&atilde;o foram-se modificando em fun&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento dispon&iacute;vel, ou seja, independentemente das audi&ecirc;ncias houve que repensar as estrat&eacute;gias de programa&ccedil;&atilde;o, tendo em conta a sobreviv&ecirc;ncia desta esta&ccedil;&atilde;o. Passaram-se a emitir menos programas em l&iacute;ngua nacional e um acr&eacute;scimo das s&eacute;ries e filmes americanos. </P>     <P>Na RTP, o contrato de concess&atilde;o de servi&ccedil;o p&uacute;blico e a necessidade de obter receitas atrav&eacute;s da publicidade determinam a elabora&ccedil;&atilde;o da grelha, ou seja, a televis&atilde;o p&uacute;blica &quot;tem uma personalidade dupla&quot;, como refere o respons&aacute;vel deste canal, e &quot;tem de gerir estes dois eixos, o que n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil e por vezes ingrata, pois as pessoas n&atilde;o est&atilde;o dispostas a ver programas educativos, culturais, preferem programas populares&quot;. Como foca outro entrevistado, quadro superior desta empresa, &quot;apesar de ter dois canais, a RTP tem de pensar em todos os p&uacute;blicos. Al&eacute;m do mais, a RTP2 n&atilde;o &eacute; um canal comercial e a sua programa&ccedil;&atilde;o destina-se a uma minoria (que n&atilde;o anda atr&aacute;s de audi&ecirc;ncias, mas pretende-se o m&aacute;ximo das minorias&quot;. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Na perspectiva de Guy Lochard e Henri Boyer, compreender o funcionamento da televis&atilde;o, torna relevante perceber a dupla fun&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica da actividade de programa&ccedil;&atilde;o: m&eacute;todo de exposi&ccedil;&atilde;o de materiais simb&oacute;licos (mensagens) e enquanto actividade publicit&aacute;ria construir um discurso global composto por diferentes componentes. Assim, do ponto de vista profissional, a programa&ccedil;&atilde;o &eacute; definida por estes autores como uma planifica&ccedil;&atilde;o quer para a televis&atilde;o comercial (dependente do investimento publicit&aacute;rio), quer para a televis&atilde;o p&uacute;blica (que beneficia de outros recursos). Neste contexto, &quot;(…) o papel de um programador &eacute; organizar os programas de forma a que coincidam com os interesses dos indiv&iacute;duos. O seu trabalho assemelha-se ao de um <I>media-planner</I> numa ag&ecirc;ncia de publicidade&quot; (Lochard e Boyer, 1995: 95). O programador deve ter em conta os par&acirc;metros temporais, assegurar a adequa&ccedil;&atilde;o entre as emiss&otilde;es e os telespectadores no sentido de cativar audi&ecirc;ncias que permitam &agrave; esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o estabelecer uma opera&ccedil;&atilde;o de transac&ccedil;&atilde;o comercial com os anunciantes. Francisco Rui C&aacute;dima escrevia em 1990: &quot;A fun&ccedil;&atilde;o do programador &eacute;, por isso, essencial. Mas, caso n&atilde;o haja garantias legais e de financiamento para a manuten&ccedil;&atilde;o de um verdadeiro servi&ccedil;o p&uacute;blico de televis&atilde;o, &eacute; &oacute;bvio que rapidamente se constatar&aacute; a contamina&ccedil;&atilde;o do sistema&quot; (C&aacute;dima, 1990a). Na realidade, o que se verifica &eacute; que &eacute; esta &quot;contamina&ccedil;&atilde;o do sistema&quot; que gera a concorr&ecirc;ncia entre os canais. Isto leva &agrave; discuss&atilde;o de duas quest&otilde;es essenciais acerca do conceito do que &eacute; o servi&ccedil;o p&uacute;blico e de como &eacute; que deve ser financiado (pelo estado ou pelos telespectadores mediante a taxa de pagamento do visionamento de televis&atilde;o). </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Com a televis&atilde;o privada: uma &quot;nova&quot; cultura televisiva</P></B>      <P>Na rela&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o com o p&uacute;blico, a dimens&atilde;o do quotidiano na oferta televisiva, designada por &quot;pacto comunicativo&quot;, torna o acontecimento mais pr&oacute;ximo do telespectador. Deste modo, a grelha de programas acompanha os ritmos quotidianos do espectador. Esta articula&ccedil;&atilde;o do quotidiano na &quot;neotelevis&atilde;o&quot; tem no centro quatro tipos de modelos comunicativos entre a televis&atilde;o e o p&uacute;blico: o espect&aacute;culo (televis&atilde;o das novidades), a aprendizagem (televis&atilde;o de aprendizagem), o comercial (televis&atilde;o comercial) e a hospitalidade (televis&atilde;o de anima&ccedil;&atilde;o/emo&ccedil;&atilde;o e de servi&ccedil;o p&uacute;blico). A televis&atilde;o privada, como a SIC e a TVI, caracteriza-se fundamentalmente pelas suas vertentes do espect&aacute;culo e da comercializa&ccedil;&atilde;o. A RTP tem de articular a componente cultural/pedag&oacute;gica com a comercial. A perda da audi&ecirc;ncia da televis&atilde;o estatal para os operadores privados, sobretudo a SIC, conduz a que a componente comercial se evidencie em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cultural, suscitando alguma pol&eacute;mica acerca da sua presta&ccedil;&atilde;o enquanto servi&ccedil;o p&uacute;blico. </P>     <P>Os g&eacute;neros televisivos representam o conte&uacute;do a que se refere um determinado programa. Assim, por exemplo, a fic&ccedil;&atilde;o inclui a telenovela, o filme, a s&eacute;rie, ou seja, uma representa&ccedil;&atilde;o da realidade. Este tipo de g&eacute;nero identifica situa&ccedil;&otilde;es reais (como a droga, a sida, a pobreza e a riqueza, etc.), sob a forma de simulacro, bem como valores culturais da sociedade (os filmes americanos representam a viol&ecirc;ncia desta sociedade). </P>     <P><a name="top4"></a>A principal aporia encontrada, numa primeira classifica&ccedil;&atilde;o    dos programas por g&eacute;nero, foi o da fronteira (limite) e da hibridez do    conte&uacute;do dos programas, que se procurou solucionar atrav&eacute;s dos    pequenos textos que acompanham a grelha de programas da revista <I>TV Guia</I>    por outro lado, com a utiliza&ccedil;&atilde;o da categoria &quot;outros&quot;.<A HREF="#4"><SUP>4</SUP></A>    Partindo de uma classifica&ccedil;&atilde;o desagregada, chegou-se a um conjunto    de programas associados pelos conte&uacute;dos da tipologia da empresa AGB Portugal.  </P>     <P>Numa leitura anual e semanal da oferta televisiva entre 1993-97, pode afirmar-se que as duas grandes &aacute;reas, ao n&iacute;vel dos conte&uacute;dos televisivos, t&ecirc;m sido a fic&ccedil;&atilde;o (sobretudo as s&eacute;ries e as telenovelas) e a informa&ccedil;&atilde;o (notici&aacute;rios di&aacute;rios, meteorologia, informa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, debates, etc.). Nas entrevistas realizadas com as pessoas afectas &agrave; &aacute;rea da programa&ccedil;&atilde;o, em cada uma das esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o, foi poss&iacute;vel perceber que o or&ccedil;amento dispon&iacute;vel para os investimentos ao n&iacute;vel da programa&ccedil;&atilde;o suscitam uma maior aposta neste tipo de g&eacute;neros. Todavia, a produ&ccedil;&atilde;o nacional tem vindo a ser incentivada pela RTP (tal como prev&ecirc; o Contrato de Servi&ccedil;o P&uacute;blico) e pela SIC, ambas na defesa da l&iacute;ngua nacional (com <I>sitcoms</I>, como &quot;Malucos do Riso&quot;, &quot;O Bom Bai&atilde;o&quot;, &quot;Os Trapalh&otilde;es em Portugal&quot;, &quot;A Mulher do Senhor Ministro&quot;; com recreativos/concursos, como &quot;Assalto &agrave; Televis&atilde;o&quot;, &quot;Furor&quot;, etc.). Actualmente, no <I>prime-time</I>, a seguir &agrave;s not&iacute;cias, a RTP1 apresenta a telenovela portuguesa, a SIC a telenovela brasileira e a TVI (o notici&aacute;rio, &quot;Directo XXI&quot;, &quot;vai para o ar&quot;, &agrave;s 21 horas), a fic&ccedil;&atilde;o (primeiro o epis&oacute;dio de uma s&eacute;rie e depois um filme). </P>     <P>Numa an&aacute;lise do perfil de cada canal, em termos de grandes g&eacute;neros (g&eacute;neros televisivos agregados), verifica-se que na RTP1 a fic&ccedil;&atilde;o teve o seu auge como g&eacute;nero mais emitido em 1994, tendo vindo a diminuir (mas, com a nova direc&ccedil;&atilde;o de programas, desde Mar&ccedil;o de 1998, com Maria Elisa, a fic&ccedil;&atilde;o volta a ser a grande aposta na grelha de Outono-Inverno de 98). Em 1997, a RTP2 deixa de emitir publicidade e passa a incidir a sua programa&ccedil;&atilde;o na fic&ccedil;&atilde;o e cultura/conhecimento. A publicidade e os programas juvenis t&ecirc;m vindo a aumentar e a TVI &eacute; o canal que opta claramente pela fic&ccedil;&atilde;o (americana). Entre a grelha de Ver&atilde;o e de Outono, a diversidade de g&eacute;neros televisivos marca a programa&ccedil;&atilde;o dos tr&ecirc;s canais comerciais a partir de 1995, isto &eacute;, al&eacute;m da fic&ccedil;&atilde;o e da informa&ccedil;&atilde;o, as variedades/divertimento, a cultura/conhecimento e o desporto surgem no fim da noite. O <I>prime-time</I> caracteriza-se pela sequ&ecirc;ncia informa&ccedil;&atilde;o, fic&ccedil;&atilde;o e variedades/divertimento (a partir de Outubro de 1994). Este per&iacute;odo da noite (de grande audi&ecirc;ncia) e o fim-de-semana apresentam programas com g&eacute;neros televisivos diferentes, com vista a agradar toda a fam&iacute;lia. </P>     <P>A no&ccedil;&atilde;o de cultura enquanto transmiss&atilde;o de valores e promo&ccedil;&atilde;o    de uma ideologia conduz a uma reflex&atilde;o sobre o conte&uacute;do da fic&ccedil;&atilde;o    e da informa&ccedil;&atilde;o que representam &aacute;reas de destaque na programa&ccedil;&atilde;o    e evidenciam as mudan&ccedil;as ocorridas no cen&aacute;rio televisivo. Ao n&iacute;vel    da fic&ccedil;&atilde;o destacam-se as telenovelas, as s&eacute;ries e as <I>sitcoms</I>,    que representam situa&ccedil;&otilde;es vividas na realidade ou que poderiam    vir a acontecer. A tend&ecirc;ncia da &quot;nova&quot; televis&atilde;o &eacute;    a aproxima&ccedil;&atilde;o ao quotidiano e o est&iacute;mulo da imagina&ccedil;&atilde;o    (s&eacute;ries como &quot;Ficheiros Secretos&quot;, &quot;Profiler&quot;, etc.).  </P>     <P>Como se pode observar no <A HREF="#qd2">quadro 2</A>, na semana de 3 a 9 de    Julho de 1993 destacam-se as s&eacute;ries nos quatro canais (sobretudo no fim-de-semana),    como por exemplo: &quot;Maktub, a Lei do Deserto&quot; (RTP1), &quot;Tequila    &amp; Bonetti&quot; (RTP1), &quot;Beverly Hills&quot; (RTP1), &quot;A Menina    do Futuro&quot; (RTP1), &quot;Cl&iacute;nica Veterin&aacute;ria&quot; (RTP2),    &quot;Hemingway&quot; (RTP2), &quot;De Pai para Filho&quot; (RTP2), &quot;O    Livro da Selva&quot; (SIC), &quot;Os Meninos de Coro&quot; (SIC), &quot;P&aacute;ssaros    de Fogo&quot; (SIC), &quot;Passo a Passo&quot; (SIC), &quot;Um Planeta, uma    Fam&iacute;lia&quot; (SIC), &quot;Tarzan&quot; (SIC), &quot;National Geographic&quot;    (SIC), &quot;Falso Suspeito&quot; (SIC), &quot;Benny Hill&quot; (SIC), &quot;As    Hist&oacute;rias mais Bonitas&quot; (TVI), &quot;Lassie&quot; (TVI), &quot;O    Marido da Embaixadora&quot; (TVI), etc. Em termos de telenovelas a RTP1 emitia    <I>Beb&eacute; a Bordo</I> (&agrave; hora do almo&ccedil;o), <I>A Banqueira    do Povo</I> (ao fim do dia), <I>Pedra sobre Pedra</I> (&agrave; noite, a seguir    ao telejornal), durante a semana. Aos fins-de-semana a novela da RTP1 &eacute;    a <I>Despedida de Solteira</I>. A RTP2 emitia &agrave; noite, <I>O Sorriso do    Lagarto</I>. A SIC, no que diz respeito a telenovelas emitia ao fim do dia <I>Roque    Santeiro</I> e <I>Renascer</I>. As telenovelas da TVI s&atilde;o: <I>Telhados    de Vidro</I> e <I>L&aacute;grimas</I>. Nos programas informativos (sobretudo    <I>talk shows</I>) evidenciam-se &quot;Internacional SIC&quot; (SIC), &quot;Ter&ccedil;a    &agrave; Noite&quot; (SIC), &quot;Carlos Cruz — Quarta-feira&quot; (RTP2), &quot;Pra&ccedil;a    P&uacute;blica&quot; (SIC) e &quot;Sexualidades&quot; (RTP2). A seguir &agrave;    telenovela surgem os concursos (como a &quot;Amiga Olga&quot; da TVI, &quot;Minas    e Armadilhas&quot; e &quot;Labirinto&quot; da SIC) ou <I>sitcoms</I> (&quot;Isto…    s&oacute; V&iacute;deo, na RTP1, &quot;Marina, Marina, na RTP1, &quot;C&acirc;mara    Indiscreta&quot;, na RTP1).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="qd2"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="492" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 2</b> Oferta televisiva, 1993-1995</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07q2.gif" width="474" height="841"></td>   </tr> </table>     
<P>&nbsp;</P>     <P>Na semana de 2 a 8 de Outubro de 1993, as s&eacute;ries permanecem em destaque, tal como acontecia em Julho, assim como os concursos (&quot;Palavra Puxa Palavra&quot;, &quot;Entre Fam&iacute;lias&quot;, &quot;A Roda da Sorte&quot;, RTP1, &quot;Chuva de Estrelas&quot;, da SIC), a informa&ccedil;&atilde;o (&quot;Entrevista de Maria Elisa&quot;, &quot;Rep&oacute;rteres&quot;, &quot;Raios e Coriscos&quot;, da RTP1, &quot;Conversas Curtas&quot;, &quot;Tost&otilde;es e Milh&otilde;es&quot;, &quot;Casos de Pol&iacute;cia&quot;, da SIC) e recreativos (&quot;Parab&eacute;ns&quot;, &quot;Cuidado com as Imita&ccedil;&otilde;es&quot;, &quot;Sozinhos em Casa&quot;, RTP1). </P>     <P>Em 1994, na semana de 2 a 8 de Julho, como &eacute; t&iacute;pico na grelha de Ver&atilde;o, as s&eacute;ries e os filmes predominam na programa&ccedil;&atilde;o dos quatro canais, algumas delas j&aacute; emitidas em anos anteriores na RTP, como, por exemplo: <I>Uma Casa na Pradaria</I>, <I>Dempsey</I> e <I>Makepeace</I>, <I>Modelo e Detective</I> e <I>Alf</I>. A TVI &eacute; o canal que passa mais estas s&eacute;ries j&aacute; emitidas. Todavia, h&aacute; que salientar que neste ano de forte concorr&ecirc;ncia entre os tr&ecirc;s canais comerciais (RTP1, SIC e TVI), os concursos e os programas recreativos se destacam em n&uacute;mero. Assim, na RTP1 a aposta assenta nos recreativos como &eacute; o caso dos programas &quot;Parab&eacute;ns&quot;, &quot;Eu Tenho Dois Amores com Marco Paulo&quot;, &quot;Isto s&oacute;…V&iacute;deo! II&quot; e &quot;Jogos sem Fronteiras&quot;. Em termos de concursos existem o &quot;S&oacute;…Riso&quot; e &quot;Com a Verdade m&#146;Enganas&quot;. A SIC opta pelos concursos: &quot;Labirinto&quot;, &quot;Ca&ccedil;a ao Tesouro&quot;, &quot;Minas e Armadilhas&quot; e &quot;Mini-Chuva de Estrelas&quot;. Este canal introduz o g&eacute;nero <I>reality show</I>, com programas como &quot;Perdoa-me&quot;, &quot;Cenas de um Casamento&quot; e o &quot;Juiz Decide&quot;. Al&eacute;m disso, encontram-se na grelha desta esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o o g&eacute;nero pornografia (<I>Playboy</I>), o <I>talk show</I> (&quot;Pra&ccedil;a P&uacute;blica&quot;) e os &quot;Casos de Pol&iacute;cia&quot;. </P>     <P>Neste ano, a RTP1 ainda emitia novelas brasileiras como por exemplo, <I>Fera Ferida</I>, <I>A hist&oacute;ria de Ana Raio e Z&eacute; Trov&atilde;o</I> e <I>Perigosas peruas</I> e a RTP2, <I>Amaz&oacute;nia</I> e a <I>A Dama de Rosa</I>. A SIC apresentava as novelas <I>Para&iacute;so</I>, <I>Sass&aacute; Mutema</I> e <I>Mulheres de Areia</I>. Na TVI, as novelas sul-americanas s&atilde;o a sua aposta, chegando a emitir tr&ecirc;s seguidas, durante a semana: <I>Top&aacute;zio</I>, <I>Morena Clara</I> e <I>Estrela</I>. As s&eacute;ries juvenis s&atilde;o outra das apostas, deste canal: <I>As Aventuras do Cavalo Preto</I>, <I>A Casa do Tio Carlos</I>, <I>Uma Casa na Pradaria</I>, <I>Alf</I> e <I>Mar&eacute;s Vivas</I>. O &uacute;nico concurso que surge na sua grelha &eacute; o &quot;Queridos Inimigos&quot;. </P>     <P>Na semana de 1 a 7 de Julho de 1995, a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; o g&eacute;nero que se destaca em conjunto com a fic&ccedil;&atilde;o, nomeadamente na TVI; a semana de 30 de Setembro a 6 de Outubro, a RTP 1 e a SIC competem em termos de fic&ccedil;&atilde;o (14), mas, na informa&ccedil;&atilde;o, a TVI aproxima-se da RTP 1. </P>     <P>Em 1996, na semana de 29 de Junho a 5 de Julho, de novo a fic&ccedil;&atilde;o,    na SIC (20 programas nesta &aacute;rea sobressaem no global dos quatro per&iacute;odos    do dia); a semana de 5 a 11 de Outubro permanece igual &agrave; de Julho, para    a SIC (aposta na fic&ccedil;&atilde;o), enquanto a RTP 1 opta pela informa&ccedil;&atilde;o    como tend&ecirc;ncia dominante (cf. <A HREF="#qd3">quadro 3</A>).</P>     <P><a name="qd3"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="491" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 3</b> Oferta televisiva, 1996-1997</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07q3.gif" width="470" height="659"></td>   </tr> </table>     
]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P>Em 1997, na semana de 5 a 11 de Julho, a informa&ccedil;&atilde;o assume relevo na RTP1 (25 programas de teor informativo) e a fic&ccedil;&atilde;o, na TVI (23 programas) e SIC (20 programas); na semana de 4 a 10 de Outubro de 1997, a SIC opta pela fic&ccedil;&atilde;o (23 programas) e a RTP 1 pela informa&ccedil;&atilde;o (20 programas). </P>     <P>Considerando como amostra os meses de Julho e Outubro de 1993 a 1997, em termos    de caracteriza&ccedil;&atilde;o de filmes emitidos nos quatro canais, verifica-se    que o Ver&atilde;o &eacute; esta&ccedil;&atilde;o do ano que emite este g&eacute;nero    com mais frequ&ecirc;ncia (sobretudo a RTP1). </P>     <P>A informa&ccedil;&atilde;o assume um lugar importante na grelha de programas da RTP1 (a partir de 1995). Os g&eacute;neros televisivos integrados na categoria variedades/divertimento assumem relev&acirc;ncia at&eacute; 1996, no &acirc;mbito duma competi&ccedil;&atilde;o desenfreada entre a RTP1 e a SIC, que se aproximavam quanto &agrave; quantidade de programas neste dom&iacute;nio. Todavia, a partir de 1997 (j&aacute; adquirida a estabilidade de audi&ecirc;ncias da SIC), h&aacute; um decr&eacute;scimo a favor da televis&atilde;o de Carnaxide, ou seja, este canal &quot;especializa-se&quot; na vertente do entretenimento: &quot; (…) o terreno do entretenimento &eacute; (…) o verdadeiro terreno onde se defrontam, na actualidade, os interesses que se desenvolvem em torno de neg&oacute;cios multimilion&aacute;rios&quot; (Silva, 1998: 105). O melhor exemplo s&atilde;o os espect&aacute;culos desportivos, os montantes envolvidos no basquetebol americano da NBA ou no futebol. Em Portugal, pode dar-se o exemplo do programa &quot;Os Donos da Bola&quot;, as &quot;telenovelas&quot; e os <I>talk shows</I>. </P>     <P>Segundo a cr&iacute;tica televisiva patente na imprensa portuguesa, no decurso deste per&iacute;odo em an&aacute;lise a tend&ecirc;ncia da televis&atilde;o nacional parece pactuar com o que &eacute; <I>kitch</I> (no sentido de um baixo n&iacute;vel cultural) para ganhar as audi&ecirc;ncias. A quest&atilde;o que se coloca &eacute; a de saber se est&atilde;o a nivelar os gostos &quot;por baixo&quot; ou, pelo contr&aacute;rio, se est&aacute; a corresponder &agrave;s necessidades de divertimento (com programas como o &quot;Big Show SIC&quot; ou &quot;Chuva de Estrelas&quot;). Ora trata-se de uma estrat&eacute;gia comercial que tem resultado, talvez por ter deixado de se pautar por padr&otilde;es culturais &quot;elevados&quot; para alcan&ccedil;ar novos segmentos do p&uacute;blico, que correspondem &agrave; maioria popular urbana e suburbana. Esta nova estrat&eacute;gia, que visa o &quot;grande p&uacute;blico&quot;, conduz a que n&atilde;o exista uma sincroniza&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s sequ&ecirc;ncias de programa&ccedil;&atilde;o de um determinado canal, porque os programas s&atilde;o emitidos em diferentes hor&aacute;rios, substitu&iacute;dos consoante o resultado do &iacute;ndice de audi&ecirc;ncias do dia anterior. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>A audi&ecirc;ncia como &quot;mercadoria&quot;</P></B>      <P>O autor Michel Souchon defende que n&atilde;o h&aacute; um p&uacute;blico para o programador, mas p&uacute;blicos diversos, nos quais se destacam dois grupos: um de longa dura&ccedil;&atilde;o e um que v&ecirc; pouca televis&atilde;o. O primeiro v&ecirc; televis&atilde;o para se informar, distrair, saber not&iacute;cias do que se passa no mundo, pois n&atilde;o disp&otilde;e de outros meios de lazer, de cultura e de informa&ccedil;&atilde;o. O p&uacute;blico que v&ecirc; pouca televis&atilde;o atribui a esta, uma fun&ccedil;&atilde;o acess&oacute;ria (como &eacute; o caso dos jovens que saem muito, principalmente nas cidades onde h&aacute; alternativas culturais e desportivas). </P>     <P>De facto, nas entrevistas realizadas nas esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o portuguesas, verificou-se que existe consenso no que concerne a este conceito de p&uacute;blico de televis&atilde;o: n&atilde;o existe um p&uacute;blico, mas v&aacute;rios, nomeadamente segundo a faixa et&aacute;ria e a classe social. Como refere um entrevistado da RTP: </P>     <P>O retrato da televis&atilde;o aponta para uma fragmenta&ccedil;&atilde;o que conduz a nichos de mercado. Contudo, n&atilde;o se pode deixar de falar de uma corrente maiorit&aacute;ria, como acontece com o Mundial de Futebol, que se trata de um evento dirigido a um segmento espec&iacute;fico do lar, mas acaba por haver uma imposi&ccedil;&atilde;o para todo o lar ver (…) cada vez mais os telespectadores t&ecirc;m op&ccedil;&otilde;es diferentes em termos de oferta. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>No que diz respeito &agrave; quest&atilde;o do p&uacute;blico-alvo da RTP, um dos seus representantes da RTP refere: </P>     <P>O <I>target </I>da RTPs&atilde;o os jovens pois extrapolam para as outras faixas et&aacute;rias. Todavia, trata-se de um p&uacute;blico dif&iacute;cil (no sentido de cativar). </P>     <P>Este entrevistado menciona o facto de o p&uacute;blico &quot;jovem&quot; ser o mais inst&aacute;vel, porque encontra outras alternativas de lazer al&eacute;m da televis&atilde;o. O impacte das novas tecnologias representa uma dessas alternativas, mas outras poder&atilde;o, ser por exemplo, a ida ao caf&eacute; com os amigos. </P>     <P>O p&uacute;blico da RTP &eacute; rural e velho. O objectivo desta esta&ccedil;&atilde;o &eacute; reconquistar o p&uacute;blico urbano, &agrave; volta dos 40 anos, homem ou mulher. </P>     <P>Na TVI, um representante deste canal afirma que existem v&aacute;rios p&uacute;blicos: </P>     <P>Os que v&ecirc;m alguns programas de TV esporadicamente e o p&uacute;blico mais jovem, que gosta de saber o que h&aacute; de mais actual e que assiste a s&eacute;ries paranormais. Este &uacute;ltimo, representa uma nova gera&ccedil;&atilde;o que adv&eacute;m das muta&ccedil;&otilde;es verificadas na sociedade da informa&ccedil;&atilde;o, com o advento das novas tecnologias. O p&uacute;blico da TVI &eacute; constitu&iacute;do por pessoas entre os 15 e os 40 anos, que a acompanham com mais assiduidade e das classes altas (A, B, C1). </P>     <P>Quanto &agrave; SIC, mais uma vez os estudos de audi&ecirc;ncia (tal como na RTP e na TVI) revelam que p&uacute;blico, desde Maio de 1995, tem visto mais programas deste canal. Por conseguinte, com base nesses dados, o respons&aacute;vel da SIC refere: </P>     <P>&Eacute; um p&uacute;blico diferente em tr&ecirc;s per&iacute;odos do dia: de manh&atilde;, s&atilde;o as crian&ccedil;as dos quatro aos 14 anos; &agrave; tarde e ao fim da noite, as donas de casa, com excep&ccedil;&atilde;o do hor&aacute;rio nobre em que todos os segmentos et&aacute;rios, profissionais, etc, constituem a audi&ecirc;ncia desta esta&ccedil;&atilde;o. O interesse da designada &quot;classe popular&quot; pela SIC explica-se pela aposta que este canal faz em defesa da l&iacute;ngua nacional, em programas de divertimento onde a componente espect&aacute;culo &eacute; importante. </P>     <P>Ao n&iacute;vel desta dimens&atilde;o de constru&ccedil;&atilde;o do conceito de audi&ecirc;ncia, podem extrair-se duas ila&ccedil;&otilde;es: a idade e a disponibilidade/predisposi&ccedil;&atilde;o representam indicadores que explicam a pr&aacute;tica de visionamento da televis&atilde;o ao longo do dia. Todavia, h&aacute; que considerar que, na actualidade, o p&uacute;blico &eacute; visto como audi&ecirc;ncia e que, segundo os estudos desenvolvidos nesta &aacute;rea, varia ao longo do dia, ou seja, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia para uma <I>fragmenta&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico de massas</I>. Assim, consoante a audi&ecirc;ncia dispon&iacute;vel em determinado per&iacute;odo do dia, a programa&ccedil;&atilde;o incide numa determinada &aacute;rea. </P>     <P>Segundo Dominique Mehl, &eacute; poss&iacute;vel distinguir sete modelos que caracterizam a atitude dos programadores relativamente &agrave; imagem que t&ecirc;m do p&uacute;blico e que permite a operacionaliza&ccedil;&atilde;o do conceito de &quot;audi&ecirc;ncia televisiva&quot; definido por Ien Ang (fict&iacute;cia): </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>- modelo audim&eacute;trico: </i>os programas visam o m&aacute;ximo de audi&ecirc;ncia e de uma forma intuitiva os programadores concebem uma imagem do grande p&uacute;blico alicer&ccedil;ada na interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados da audi&ecirc;ncia obtidos no dia anterior;     <BR> - <I>modelo popular</I>: os programas procuram ser acess&iacute;veis, em termos de n&iacute;vel de estudos e cultural, a um vasto p&uacute;blico e os programadores concebem o grande p&uacute;blico como uma personagem simb&oacute;lica;     <BR> -<I>modelo pela proximidade</I>: o profissional da programa&ccedil;&atilde;o v&ecirc; os seus programas e os dos outros canais, na companhia de uma frac&ccedil;&atilde;o do seu p&uacute;blico;     <BR> -<I> modelo imagin&aacute;rio</I>: os programadores reconhecem o facto de n&atilde;o terem uma imagem do seu p&uacute;blico, mas uma representa&ccedil;&atilde;o;     <BR> - <I>modelo profissional</I>: a concep&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o assenta no que os outros canais emitem;     <BR> - <I>modelo pelos cr&iacute;ticos</I>: o universo de outros m&eacute;dia constitui o alicerce da grelha de programa&ccedil;&atilde;o;     <BR> - <I>modelo indiferen&ccedil;a</I>: apenas tem em conta a satisfa&ccedil;&atilde;o do programador, se coincidir com a do da p&uacute;blico, melhor. </P>     <P>Esta representa&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;nciaassenta na hibridez de modelos, propostos por Dominique Mehl, que se distinguem segundo os canais. Assim, na RTP1 encontra-se um cruzamento entre o modelo audim&eacute;trico e imagin&aacute;rio, o que significa que os programas s&atilde;o concebidos com base nos estudos de audi&ecirc;ncia, mas tendo em conta a miss&atilde;o de servi&ccedil;o p&uacute;blico. Ou seja, a audimetria serve de conhecimento do p&uacute;blico dispon&iacute;vel nos diferentes per&iacute;odos do dia, o que representa uma imagem fict&iacute;cia, constru&iacute;da com base nos dados estat&iacute;sticos. A RTP2, sendo um canal n&atilde;o comercial, destina-se a um p&uacute;blico espec&iacute;fico, uma minoria, cujo o resultado em termos de audi&ecirc;ncias n&atilde;o contribui para a determina&ccedil;&atilde;o da sua grelha de programas, conforme afirmam os entrevistados, quadros superiores da RTP. </P>     <P>No que diz respeito &agrave;s televis&otilde;es privadas, a SIC combina o modelo audim&eacute;trico com o modelo popular e imagin&aacute;rio, e a TVI assenta a sua programa&ccedil;&atilde;o nos modelos audim&eacute;trico e imagin&aacute;rio. Na realidade, &quot;a audi&ecirc;ncia televisiva &eacute; uma categoria social e institucionalmente produzida&quot; (Ang, 1991: 3) na medida em que as institui&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o produzem <I>invisible fictions</I> da audi&ecirc;ncia, ou seja, a partir do grau epistemol&oacute;gico (constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento acerca da audi&ecirc;ncia), esta elabora&ccedil;&atilde;o torna-se poss&iacute;vel atrav&eacute;s da agrega&ccedil;&atilde;o de todas as pessoas que supostamente pertencem a uma categoria <I>taxonomic collective</I>. A medi&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias, sobretudo na televis&atilde;o comercial, serve de instrumento fundamental para tal constru&ccedil;&atilde;o do conceito. </P>     <P>O motivo econ&oacute;mico est&aacute; subjacente &agrave; maximiza&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia, representando o princ&iacute;pio basilar da televis&atilde;o comercial. Deste modo, o dia-a-dia destas esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o incide na tradu&ccedil;&atilde;o do objectivo de alcan&ccedil;ar o <I>rating</I> mais elevado atrav&eacute;s da programa&ccedil;&atilde;o. Tanto na televis&atilde;o p&uacute;blica, como na privada, as audi&ecirc;ncias surgem como mercado e n&atilde;o como p&uacute;blico, salvo algumas excep&ccedil;&otilde;es, como, por exemplo, a RTP2, que &eacute; um canal generalista, mas n&atilde;o comercial destinado a um p&uacute;blico minorit&aacute;rio. Como refere Ien Ang, &quot;nenhuma representa&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia nos d&aacute; acesso directo &agrave; audi&ecirc;ncia actual&quot; (<I>idem</I>, p. 34). Isto significa que a representa&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia &eacute; ficcional, n&atilde;o correspondendo &agrave; actual audi&ecirc;ncia, isto porque esta constru&ccedil;&atilde;o implica uma categoriza&ccedil;&atilde;o em que algumas pessoas s&atilde;o consideradas como parte integrante desse p&uacute;blico que v&ecirc; televis&atilde;o e outras n&atilde;o. Esta situa&ccedil;&atilde;o verifica-se tanto na televis&atilde;o privada como na p&uacute;blica. O discurso dos <I>ratings </I>enquanto objecto de conhecimento, da &quot;audi&ecirc;ncia televisiva&quot; n&atilde;o constitui uma representa&ccedil;&atilde;o transparente das audi&ecirc;ncias actuais, o que significa que as descri&ccedil;&otilde;es do discurso dos <I>ratings </I>permitem &quot;dar forma&quot; a um certo perfil do p&uacute;blico enquanto entidade fict&iacute;cia (objectiva). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <B>    <P>A audimetria: o &quot;term&oacute;metro&quot; do consumo televisivo</P></B>      <P>No desenvolvimento das estrat&eacute;gias de programa&ccedil;&atilde;o a implementar com o objectivo de fidelizar o p&uacute;blico, torna-se relevante, antes de mais, conhecer esse mesmo p&uacute;blico. Os estudos de audi&ecirc;ncia representam, como j&aacute; foi referido, a fonte mais utilizada pelas esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o. Neste contexto, as empresas que se dedicam a este tipo de recolha de informa&ccedil;&atilde;o ganham relevo no cen&aacute;rio do advento da televis&atilde;o privada e, por conseguinte, na era da concorr&ecirc;ncia. </P>     <P>No &acirc;mbito do conceito de &quot;neotelevis&atilde;o&quot;, a dimens&atilde;o ideol&oacute;gica da programa&ccedil;&atilde;o permite distinguir duas vertentes, como refere Michel Souchon: 1) o resultado da programa&ccedil;&atilde;o televisiva em termos de oferta e a pesquisa, de como os programadores procuram assegurar o seu p&uacute;blico; 2) partindo do p&uacute;blico, procurar o que deve ser a grelha de programa&ccedil;&atilde;o e quais as emiss&otilde;es a produzir (Souchon, 1990). Este autor define a programa&ccedil;&atilde;o como uma arte de encontro entre o p&uacute;blico e as emiss&otilde;es. Para uma televis&atilde;o centrada na oferta ou na procura, o conhecimento do p&uacute;blico e das suas reac&ccedil;&otilde;es &eacute; crucial. &Eacute; nesta perspectiva que os estudos de audi&ecirc;ncia se apresentam como um elemento-chave para as televis&otilde;es comerciais, constituem um indicador de quantas pessoas viram/tiveram contacto com um canal/programa. </P>     <P>O <I>share</I> &eacute; uma das t&eacute;cnicas da audimetria e mede a dimens&atilde;o    da audi&ecirc;ncia em termos percentuais, num determinado per&iacute;odo. <a name="top5"></a>Assim,    entre 1993 e 1997, o <I>share</I> m&eacute;dio anual nos quatro canais da televis&atilde;o    portuguesa expressam um decr&eacute;scimo na RTP1 e na RTP2, como revelam os    dados da AGB Portugal nas <a href="#figs">figuras em anexo</a>.<A HREF="#5"><SUP>5</SUP></A>    A SIC apresenta um processo inverso, ou seja, uma subida substancial de 1993    para 1997. No caso da TVI, manteve-se em crescimento desde o in&iacute;cio da    sua actividade at&eacute; 1994, mas a partir deste ano verificou-se uma descida    ligeira relativamente ao valor conseguido em 1994 (14,7%). Nos dois canais da    RTP, a descida foi mais acentuada nos anos entre 1993, 1994 e 1995. </P>     <P>Os <I>ratings</I> expressam a dimens&atilde;o da audi&ecirc;ncia como uma percentagem do total da popula&ccedil;&atilde;o (medi&ccedil;&atilde;o em minutos). Assim, o seu c&aacute;lculo assenta na divis&atilde;o da audi&ecirc;ncia do canal/programa pela audi&ecirc;ncia potencial (que pode variar). </P>     <P>Segundo os dados da AGB Portugal, em termos de audi&ecirc;ncia m&eacute;dia di&aacute;ria (<I>rating</I>), em 1993, a RTP1 detinha um valor mais elevado que os restantes canais, sendo os meses de Janeiro (8,4%), Fevereiro (8,5%), Mar&ccedil;o (8,5%) e Abril (8,5%) os que apresentam valores mais elevados. Na SIC e na TVI, os valores mais elevados encontram-se no m&ecirc;s de Dezembro. Em 1994, a RTP1 continua a liderar em termos de audi&ecirc;ncia di&aacute;ria, sobretudo no m&ecirc;s de Janeiro, e, em 1995, tem uma audi&ecirc;ncia m&eacute;dia di&aacute;ria elevada nos meses de Fevereiro e Mar&ccedil;o, sendo que, em Maio, a SIC ultrapassa e permanece na lideran&ccedil;a at&eacute; 1997. </P>     <P>Estes dados relativos &agrave; audi&ecirc;ncia m&eacute;dia di&aacute;ria complementam-se com os concernentes ao tempo despendido a ver televis&atilde;o e a penetra&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia di&aacute;ria de cada canal. S&oacute; atrav&eacute;s da leitura conjunta destes indicadores &eacute; que se pode interpretar o <I>share</I> de cada canal. </P>     <P>O tempo m&eacute;dio despendido a ver televis&atilde;o tem vindo a aumentar    desde 1993 para 1997, como se verifica na <a href="#fig3">figura 3</a> do anexo    1. </P>     <P>Procurando tra&ccedil;ar o perfil do p&uacute;blico de televis&atilde;o, com base nos dados das audi&ecirc;ncias da AGB Portugal por sexo, exceptuando a RTP 2 devido ao desporto, s&atilde;o mais as mulheres que v&ecirc;m televis&atilde;o nas tr&ecirc;s esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Em termos et&aacute;rios, a RTP1 tem uma audi&ecirc;ncia com mais de 64 anos, a RTP2 um p&uacute;blico entre os 55 e os 64 anos; a SIC, entre os 25 e 34 anos e dos 55 aos 64 anos; a TVI, dos quatro aos 14 anos e dos 55 aos 64 anos. Em termos globais, a televis&atilde;o &eacute; vista pelas pessoas com mais de 55 anos. </P>     <P>Quanto &agrave; classe social, nos quatro canais predomina a C1 e C2. A classe social A/B (alta, m&eacute;dia alta) prefere a RTP2, dada a sua programa&ccedil;&atilde;o cultural. A classe D (baixa) opta pela RTP1, essencialmente a partir de 1995. No contexto global, s&atilde;o as consideradas classes C1, C2 e D que v&ecirc;em mais televis&atilde;o, sem varia&ccedil;&otilde;es expressivas em termos de evolu&ccedil;&atilde;o anual. </P>     <P>O indicador regi&atilde;o geogr&aacute;fica sugere que a RTP1 e RTP2 s&atilde;o vistas pelo Litoral e Interior; a SIC na Grande Lisboa e Interior; a TVI no Litoral Interior e Grande Lisboa (em termos globais de visionamento &eacute; o Litoral e o Interior). </P>     <P>O perfil das audi&ecirc;ncias &eacute; um conjunto de informa&ccedil;&atilde;o relevante na defini&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o publicit&aacute;rio, uma vez que os anunciantes t&ecirc;m p&uacute;blicos-alvos para os seus produtos. Consoante o perfil das audi&ecirc;ncias de cada canal e o cruzamento destes indicadores (sexo, idade, classe social) com os diferentes per&iacute;odos hor&aacute;rios, localizam-se os diferentes p&uacute;blicos. Para alguns autores, o indicador &quot;disponibilidade para ver televis&atilde;o&quot; &eacute; explicado pelo facto de a audi&ecirc;ncia dispon&iacute;vel nem sempre poder ver televis&atilde;o, isto porque h&aacute; tarefas que n&atilde;o permitem conciliar, tais como: aspirar, conversar com os amigos, estudar, etc. Por outro lado, as audi&ecirc;ncias televisivas variam segundo os diferentes per&iacute;odos do dia. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Conclus&atilde;o</P></B>      <P>A evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e econ&oacute;mica torna relevante reflectir sobre a economia do audiovisual, alicer&ccedil;ada sobretudo nas receitas publicit&aacute;rias. Por conseguinte, o funcionamento estrutural da televis&atilde;o comercial organiza-se em torno daquilo que assegura a sua viabilidade econ&oacute;mica enquanto empresa de comunica&ccedil;&atilde;o social: a publicidade. Nesta &oacute;ptica, a programa&ccedil;&atilde;o constitui um instrumento que visa captar e fidelizar o p&uacute;blico, o qual, enquanto consumidor de programas e de publicidade, &eacute; fundamentalmente encarado como &quot;audi&ecirc;ncia/mercadoria&quot;. Quanto mais audi&ecirc;ncias tem um canal, mais constitui a prefer&ecirc;ncia dos anunciantes. Isto significa que planear uma programa&ccedil;&atilde;o que suscite o interesse do p&uacute;blico se torna uma tarefa nem sempre f&aacute;cil, uma vez que muitas vezes se investe num determinado programa que acaba por captar poucas audi&ecirc;ncias e tem de ser retirado da grelha. </P>     <P>Assim, a quest&atilde;o que se coloca &eacute; de &quot;como resolvem os programadores este ‘problema&#146; das suas ‘grelhas&#146;? Simples: importando, nomeadamente dos Estados Unidos a pre&ccedil;os cerca de 30 vezes inferiores aos custos de produ&ccedil;&atilde;o…, mas, para al&eacute;m disso, adoptando a estrat&eacute;gia da repeti&ccedil;&atilde;o frequente de programas e, sobretudo, produzindo o que falta a baixos custos e necessariamente com reduzida qualidade&quot; (C&aacute;dima, 1990b: 185), cerca de 35% a 55% da programa&ccedil;&atilde;o de fic&ccedil;&atilde;o &eacute; importada dos EUA, nomeadamente, s&eacute;ries e filmes. </P>     <P>No novo cen&aacute;rio televisivo opera-se uma reorganiza&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o marcada por tr&ecirc;s tend&ecirc;ncias: 1) o telejornal tornou-se mais personalizado na apresenta&ccedil;&atilde;o e numa enfatiza&ccedil;&atilde;o do directo; 2) evidencia-se a prolifera&ccedil;&atilde;o de programas especializados em cultura, pol&iacute;tica, economia, medicina, ci&ecirc;ncia, ecologia, etc.; 3) a espectaculariza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, procede-se a uma recupera&ccedil;&atilde;o da grande reportagem, que se fica a dever aos canais privados, que apresentam um aspecto sensacionalista (temas de grande impacte junto do p&uacute;blico, como, por exemplo, a sida, a droga, etc.); o &quot;casamento&quot; da informa&ccedil;&atilde;o com certas formas tradicionais de espect&aacute;culo, dando lugar ao nascimento de um novo g&eacute;nero — <I>infoshow</I> (participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico em est&uacute;dio, sondagens em directo, variedades, jogos, entrevistas, debate, etc.); o &quot;casamento&quot; com a fic&ccedil;&atilde;o mediante a adop&ccedil;&atilde;o de algumas caracter&iacute;sticas do g&eacute;nero policial (procura de pessoas perdidas, desaparecidas, refugiadas, com ajuda dos telespectadores); e o conceito de novos programas — televerdade. Como &eacute; que surge este novo conceito? </P>     <P>O modelo de televis&atilde;o mensageira (pedag&oacute;gico) em que o p&uacute;blico assumia uma postura de escuta, de aprendizagem, deu lugar a uma televis&atilde;o relacional: &quot;Compreens&atilde;o, coniv&ecirc;ncia cumplicidade, a comunh&atilde;o entre emissores e receptores constituem o cerne deste modelo&quot; (Mehl, 1996: 196). O <I>talk show</I> e o <I>reality show</I> s&atilde;o dois g&eacute;neros que caracterizam a &quot;nova&quot; televis&atilde;o em que coabitam os diferentes pactos comunicativos que asseguram o triunfo da &quot;televis&atilde;o dos animadores&quot;. Ao lado da televis&atilde;o mensageira e da televis&atilde;o relacional encontra-se a televis&atilde;o actriz, ou seja, a sua capacidade de intervir no campo social, procurando solucionar problemas do cidad&atilde;o an&oacute;nimo (reconcilia&ccedil;&atilde;o conjugal, reencontro de pessoas, etc.), assente num dispositivo interactivo em que o apresentador tem um papel de conciliador e o p&uacute;blico n&atilde;o se limita a ver e ouvir como reage (a afectividade, o lado emocional das pessoas representam os alicerces do <I>reality show</I>). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Neste novo cen&aacute;rio comunicativo da televis&atilde;o, o espa&ccedil;o p&uacute;blico, que se apoiava sobre os saberes, opini&otilde;es, cren&ccedil;as ou refer&ecirc;ncias a sistemas de pensamento actualmente funda-se na experi&ecirc;ncia v&aacute;lida das emo&ccedil;&otilde;es, valorizando a singularidade: &quot;A televis&atilde;o da intimidade promete uma nova forma de debate social. Longe de obedecer apenas aos caprichos dos <I>scores</I> da audimetria, apela a uma evolu&ccedil;&atilde;o mais geral. As sociedades complexas e de mudan&ccedil;a r&aacute;pida s&atilde;o (…) cada vez menos as sociedades de troca (…) (<I>idem</I>, p. 229). Por conseguinte, o espa&ccedil;o p&uacute;blico transforma-se mediante a nova articula&ccedil;&atilde;o entre privado e p&uacute;blico. A televis&atilde;o da intimidade privatiza o espa&ccedil;o p&uacute;blico e torna p&uacute;blico o espa&ccedil;o privado. </P>     <P>Neste contexto das novas tend&ecirc;ncias do audiovisual, pioneiras na Am&eacute;rica, a l&oacute;gica de programa&ccedil;&atilde;o alicer&ccedil;a-se numa estrat&eacute;gia comercial em que a"ditadura damaioria" coarcta a diversidade de escolha de programas, observando-se uma concentra&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias e uniformiza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos no sentido de conservar os telespectadores, a oferta dos canais p&uacute;blicos e privados &eacute; praticamente an&aacute;loga, numa depend&ecirc;ncia das receitas publicit&aacute;rias. </P>     <P>Os efeitos da televis&atilde;o comercial suscitam novas pol&iacute;ticas da    comunica&ccedil;&atilde;o, num apelo &agrave; reformula&ccedil;&atilde;o do    servi&ccedil;o p&uacute;blico e uma efectiva actua&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os    de regula&ccedil;&atilde;o. Na perspectiva de Manuel Jos&eacute; Lopes da Silva,    os crit&eacute;rios de audimetria promovem um n&iacute;vel inferior na qualidade    da programa&ccedil;&atilde;o televisiva, que d&aacute; origem &agrave; &quot;cultura    de lixo&quot;, a qual vem preencher o espa&ccedil;o pertencente aos antigos    servi&ccedil;os p&uacute;blicos, com o objectivo de promover o lucro (Silva,    1995: 252). Assim, o que se a figura como uma situa&ccedil;&atilde;o delicada    &eacute; que as pol&iacute;ticas deste tipo de comunica&ccedil;&atilde;o incidem    em tr&ecirc;s &aacute;reas da actividade econ&oacute;mica: a produ&ccedil;&atilde;o,    a distribui&ccedil;&atilde;o e o consumo. &quot;A proposta cultural mais importante    que o servi&ccedil;o p&uacute;blico deve fazer &eacute; sem d&uacute;vida a    de adop&ccedil;&atilde;o duma atitude n&atilde;o consumista e consciente, como    ant&iacute;doto &agrave;s propostas dos canais comerciais&quot; (<I>idem</I>,    p. 253). </P>     <P>No campo da programa&ccedil;&atilde;o, a televis&atilde;o procura explorar novos hor&aacute;rios, a utiliza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de contraprograma&ccedil;&atilde;o, a considera&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es custo/audi&ecirc;ncia por g&eacute;nero de programa. A grande diferen&ccedil;a na actual estrat&eacute;gia de programa&ccedil;&atilde;o das televis&otilde;es p&uacute;blicas consiste em obter uma &oacute;ptima rela&ccedil;&atilde;o entre investimento financeiro e compra de programas. </P>     <P>Al&eacute;m do fen&oacute;meno pol&iacute;tico de desregulamenta&ccedil;&atilde;o, ou seja, de liberaliza&ccedil;&atilde;o da actividade televisiva, que permitiu o fim do monop&oacute;lio da televis&atilde;o p&uacute;blica e, por conseguinte, o advento da televis&atilde;o privada, o cen&aacute;rio da economia do audiovisual acompanhou este processo de mudan&ccedil;a, que, como vimos, ocasionou altera&ccedil;&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o com o p&uacute;blico. Do ponto de vista do quadro econ&oacute;mico, quatro caracter&iacute;sticas se indigitam ao servi&ccedil;o televisivo: a <I>indivisibilidade da produ&ccedil;&atilde;o</I>, ou seja, &quot;a quantidade de servi&ccedil;o consumido por um indiv&iacute;duo n&atilde;o exclui o consumo de outros&quot;; a <I>divisibilidade limitada do consumo</I>, &quot;quando aumenta o n&uacute;mero de telespectadores os custos por utilizador s&atilde;o decrescentes, visto que os custos totais em determinadas condi&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o constantes&quot;; a <I>deteriora&ccedil;&atilde;o da qualidade de servi&ccedil;o</I>, que resulta da competi&ccedil;&atilde;o entre canais com o objectivo de obter o m&aacute;ximo de lucro atrav&eacute;s do aumento do custo dos programas e da minimiza&ccedil;&atilde;o de custos, que se reflecte em duas estrat&eacute;gias, uma direccionada para o <I>prime-time, </I>com uma programa&ccedil;&atilde;o populista, outra para o resto do tempo, com uma programa&ccedil;&atilde;o residual e econ&oacute;mica; os <I>efeitos externos de consumo</I>, &quot;existe uma certa ditadura da maioria sobre a minoria, porque os programadores tendem a beneficiar as maiores audi&ecirc;ncias&quot; (Braumann, 1995: 239). </P>     <P>Com o objectivo de &quot;produzir p&uacute;blicos&quot;, a televis&atilde;o comercial incita a procura do p&uacute;blico em programas de fic&ccedil;&atilde;o, de informa&ccedil;&atilde;o e de entretenimento. Como refere Pierre Bourdieu: &quot;Sobre a televis&atilde;o, os n&iacute;veis de audi&ecirc;ncia exercem um efeito muito particular: retraduzem-se sob a forma da press&atilde;o de urg&ecirc;ncia. (…) A concorr&ecirc;ncia entre as televis&otilde;es assume a forma de uma concorr&ecirc;ncia temporal pelo <I>scoop</I>, pelo primeiro lugar na linha de chegada&quot; (Bourdieu, 1997: 25). A posi&ccedil;&atilde;o deste autor perante este sistema de medi&ccedil;&atilde;o &eacute; de que &quot;podemos e devemos lutar contra os n&iacute;veis de audi&ecirc;ncia em nome da democracia. &Eacute; algo que parece bastante paradoxal, porque as pessoas que defendem o reinado dos n&iacute;veis de audi&ecirc;ncia pretendem que nada pode ser mais democr&aacute;tico do que isso mesmo (…), que &eacute; preciso deixarmos &agrave;s pessoas a liberdade de julgarem, de escolherem&quot; (<I>idem</I>, p. 74). Por conseguinte, Bourdieu critica este sistema das audi&ecirc;ncias na medida em que contribui para coagir o consumidor segundo a lei do mercado, o que contraria o princ&iacute;pio democr&aacute;tico da liberdade de escolha. </P>     <P>Pierre Sorlin considera que &quot;os dados recolhidos pelos m&eacute;dia para &quot;fotografar" o seu p&uacute;blico n&atilde;o s&atilde;o relevantes para a investiga&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica, n&atilde;o por serem incorrectos, mas porque a sua fun&ccedil;&atilde;o &eacute; responder a quest&otilde;es comerciais e n&atilde;o sociol&oacute;gicas" (Sorlin, 1997: 41). Na perspectiva deste autor, o consumo &eacute; determinado pelo contexto em que ocorre, pelo que s&oacute; se poder&aacute; compreender o comportamento das audi&ecirc;ncias atrav&eacute;s da an&aacute;lise das suas pr&aacute;ticas. As audi&ecirc;ncias &quot;pecam&quot; por n&atilde;o darem mais informa&ccedil;&atilde;o do que a que est&aacute; inclu&iacute;da nas suas premissas. </P>     <P>No entanto, recorrer apenas aos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia n&atilde;o permite prever as tend&ecirc;ncias que correspondem ao agrado dos telespectadores porque &quot;tudo o que &eacute; poss&iacute;vel recolher, eventualmente, s&atilde;o indica&ccedil;&otilde;es sobre as prefer&ecirc;ncias dos telespectadores relativamente aos programas que lhes s&atilde;o oferecidos. Esses n&uacute;meros n&atilde;o nos dizem o que devemos ou podemos propor, e os programadores tamb&eacute;m n&atilde;o podem saber que escolhas fariam os telespectadores perante outras propostas&quot; (Popper e Condry, 1995: 19). Os estudos de audi&ecirc;ncia expressam a ideia de que a &uacute;nica explica&ccedil;&atilde;o para o visionamento da televis&atilde;o &eacute; o princ&iacute;pio da disponibilidade, consoante os hor&aacute;rios. Assim, parafraseando Lorenzo Vilches, &quot;a coincid&ecirc;ncia entre a disponibilidade dos espectadores e a oferta do programa &eacute; a base de toda a estrat&eacute;gia de programa&ccedil;&atilde;o&quot; (Vilches, 1996: 183). </P>     <P>Na mesma perspectiva cr&iacute;tica de uma &quot;sociologia das audi&ecirc;ncias&quot;, Francisco Rui C&aacute;dima considera que &agrave; &quot;audimetria (…) n&atilde;o interessa saber quais os interesses ou as expectativas do telespectador. N&atilde;o interessa saber, em rigor quais os seus principais gostos, quais os programas preferidos por a, b ou c. A &uacute;nica coisa que os <I>people-meters</I> ‘sabem&#146; &eacute; ver ‘quem&#146; v&ecirc; o ‘qu&ecirc;&#146; na programa&ccedil;&atilde;o. A partir da&iacute;, os programadores tiram conclus&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o dessa resposta &agrave; oferta televisiva — e n&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o das expectativas do p&uacute;blico. Uma esp&eacute;cie de autismo sociom&eacute;trico&quot; (C&aacute;dima, 1996: 58). Ainda, na opini&atilde;o deste autor, est&aacute; a chegar um momento em que &eacute; indiferen&ccedil;a na escolha de um determinado canal &eacute; de tal maneira grande que os estudos de audi&ecirc;ncia representar&atilde;o apenas mais um indicador. Ora esta indiferencia&ccedil;&atilde;o j&aacute; se verifica no plano da segmenta&ccedil;&atilde;o dos p&uacute;blicos. O que sucede, e que &eacute; importante salientar, &eacute; que n&atilde;o existem &quot;p&uacute;blicos espec&iacute;ficos&quot;, mas &quot;grande p&uacute;blico&quot;. Embora se considere (e as pessoas entrevistadas na televis&atilde;o referiram esta quest&atilde;o da segmenta&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico) que existem v&aacute;rios p&uacute;blicos, C&aacute;dima alerta que teorias recentes t&ecirc;m desmentido &quot;esta quase verdade consagrada&quot;. </P>     <P>Na televis&atilde;o, o p&uacute;blico espec&iacute;fico &eacute; &quot;recrutado&quot; na audi&ecirc;ncia do &quot;grande p&uacute;blico&quot; ou <I>heavy viewers </I>(por exemplo, o p&uacute;blico da telenovela, dos concursos, dos jogos de futebol, etc.). A diferencia&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blicos resulta do comportamento da audi&ecirc;ncia relativamente a partes da programa&ccedil;&atilde;o, diferencia&ccedil;&atilde;o que, ao longo do dia, se realiza mediante o tempo dispon&iacute;vel e a predisposi&ccedil;&atilde;o para ver televis&atilde;o. Nesta perspectiva, C&aacute;dima reconhece cinco categorias na designada &quot;audi&ecirc;ncia potencial&quot;: os que n&atilde;o v&ecirc;em televis&atilde;o (jovens activos com outros interesses para al&eacute;m da televis&atilde;o), o p&uacute;blico da manh&atilde; e da hora do almo&ccedil;o, o audit&oacute;rio de fim de tarde e os <I>heavy viewers</I> (v&ecirc;em televis&atilde;o apenas &agrave; noite). Estas categorias conferem uma contradi&ccedil;&atilde;o &agrave; televis&atilde;o generalista, ou seja, mesmo nos programas destinados a um p&uacute;blico minorit&aacute;rio &eacute; a maioria que os v&ecirc;. Deste modo, o autor considera que a programa&ccedil;&atilde;o se caracteriza por m&oacute;dulos assentes nas emo&ccedil;&otilde;es (produ&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blicos) e numa estrat&eacute;gia de fragmenta&ccedil;&atilde;o em segmentos segundo o g&eacute;nero televisivo. As audi&ecirc;ncias permanecem no erro de que o p&uacute;blico quer ver os programas que lhe d&atilde;o. &quot;No fundo, trata-se de realizar o conceito: a televis&atilde;o &eacute; sem d&uacute;vida, em primeiro lugar, uma m&aacute;quina de produ&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncias, uma m&aacute;quina de produ&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blicos&quot; (<I>idem</I>, p. 85). A ultrapassagem da SIC, em Maio de 95, segundo C&aacute;dima, &quot;marcava assim um momento hist&oacute;rico na paisagem audiovisual portuguesa. Por um lado, porque tal veio fazer repensar o que &eacute; o servi&ccedil;o p&uacute;blico de televis&atilde;o em Portugal (…), por outro lado, porque o feito da SIC, em dois anos e meio de vida, n&atilde;o encontra paralelo em nenhum outro sistema audiovisual&quot; (<I>idem</I>, p. 88). Quanto &agrave; RTP1, apesar do apoio estatal, registou em 1994, um d&eacute;fice de duas dezenas de milh&otilde;es de contos e uma impot&ecirc;ncia perante a fun&ccedil;&atilde;o de autolegitima&ccedil;&atilde;o do campo pol&iacute;tico. &Agrave; TVI depararam-se dificuldades na conquista e fideliza&ccedil;&atilde;o das novas audi&ecirc;ncias. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Pode concluir-se que o in&iacute;cio da televis&atilde;o privada teve repercuss&otilde;es    negativas no que se refere &agrave; concorr&ecirc;ncia directa entre os canais,    quanto &agrave; qualidade da oferta televisiva e &agrave; dura&ccedil;&atilde;o    das emiss&otilde;es, que se traduziu numa conquista desenfreada pelo &iacute;ndice    de audi&ecirc;ncias mais elevado, mas, por outro lado, houve uma melhoria significativa    na diversifica&ccedil;&atilde;o da oferta, desde o aparecimento de novos g&eacute;neros    televisivos ao campo da informa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; precisamente no campo    da informa&ccedil;&atilde;o preconizada pelos servi&ccedil;os p&uacute;blicos,    nas d&eacute;cadas de monop&oacute;lio do estado, que este novo-espa&ccedil;o-tempo    tem reflexos acentuados, ou seja, h&aacute; um claro distanciamento da informa&ccedil;&atilde;o    relativamente &agrave; depend&ecirc;ncia da for&ccedil;a pol&iacute;tica dominante    ao n&iacute;vel de tr&ecirc;s vectores: a origem e a selec&ccedil;&atilde;o    da informa&ccedil;&atilde;o; o alinhamento e o formato do discurso informativo    e as condi&ccedil;&otilde;es de enuncia&ccedil;&atilde;o e manifesta&ccedil;&atilde;o.  </P>     <P>&nbsp;</P> <B>     <P>Anexo 1</P> </B>      <P><a name="figs"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07f1.gif" width="575" height="282"></td>   </tr>   <tr>     <td>           
<p><b>Figura 1</b> - Share (percentagem)</p>           <p>Fonte: AGB Portugal</p> </td>   </tr> </table>     <P>&nbsp;</P> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07f2.gif" width="575" height="277"></td>   </tr>   <tr>     <td>           
<p><b>Figura 2</b> - Audi&ecirc;ncia m&eacute;dia di&aacute;ria (<i>rating          %</i>)</p>           <p>Fonte: AGB Portugal</p> </td>   </tr> </table>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="fig3"></a></P>     <P>&nbsp;</P> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07f3.gif" width="575" height="261"></td>   </tr>   <tr>     <td>           
<p><b>Figura 3</b> - Tempo m&eacute;dio despendido a ver televis&atilde;o          (minutos)</p>           <p>Fonte: AGB Portugal</p> </td>   </tr> </table>     <P>&nbsp;</P> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07f4.gif" width="575" height="265"></td>   </tr>   <tr>     <td height="67">            
<p><b>Figura 4</b> - Ver televis&atilde;o por sexo (percentagem)</p>           <p>Fonte: AGB Portugal</p> </td>   </tr> </table>     <P>&nbsp;</P> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07f5.gif" width="575" height="272"></td>   </tr>   <tr>     <td>           
<p><b>Figura 5</b> - Ver televis&atilde;o por faixas et&aacute;rias (percentagem)</p>           <p>Fonte: AGB Portugal</p> </td>   </tr> </table>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07f6.gif" width="575" height="263"></td>   </tr>   <tr>     <td>           
<p><b>Figura 6</b> - Ver televis&atilde;o por classes sociais (percentagem)</p>           <p>Fonte: AGB Portugal</p> </td>   </tr> </table>     <P>&nbsp;</P> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n32/32a07f7.gif" width="575" height="269"></td>   </tr>   <tr>     <td>           
<p><b>Figura 7</b> - Ver televis&atilde;o por regi&atilde;o geogr&aacute;fica          (percentagem)</p>           <p>Fonte: AGB Portugal</p> </td>   </tr> </table>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Notas</P></B>      <P><A NAME="1" id="1"></A><a href="#top1">1</a> Este artigo retoma, com algumas    altera&ccedil;&otilde;es, alguns cap&iacute;tulos da tese de mestrado intitulada    &quot;Tele...vis&atilde;o do P&uacute;blico - um estudo sobre a realidade portuguesa&quot;,    realizada no &acirc;mbito do Mestrado em Comunica&ccedil;&atilde;o, Cultura    e Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o do ISCTE (financiada por uma Bolsa    de Mestrado do Programa PRAXIS XXI da Funda&ccedil;&atilde;o Para a Ci&ecirc;ncia    e Tecnologia). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="2" id="2"></A><a href="#top2">2</a> &quot;Hor&aacute;rio diurno, acesso    ao hor&aacute;rio nobre, hor&aacute;rio nobre, hor&aacute;rio final da noite    (depois das 22h.) </P>     <P><A NAME="3" id="3"></A><a href="#top3">3</a> Dados extra&iacute;dos da Revista    do Jornal Briefing, <I>Marketing e Publicidade</I>, n.º 3, Julho/Agosto de 1998.  </P>     <P><A NAME="4" id="4"></A><a href="#top4">4</a> Na categoria &quot;Outros&quot;    incluem-se programas dif&iacute;ceis de classificar apenas pelo t&iacute;tulo    e que podem n&atilde;o pertencer &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o de g&eacute;neros    propostas, ou seja, poder&aacute; haver um g&eacute;nero que n&atilde;o foi    mencionado. </P>     <P><A NAME="5" id="5"></A><a href="#top5">5</a> Estes indicadores s&atilde;o calculados    com base numa amostra estratificada desproporcional. Devido &agrave; heterogeneidade    de comportamentos de consumo, e com o objectivo de reduzir o erro amostral global,    em vez de se ampliar a amostra total, a Marktest opta pelo processo <I>over-sampling</I>    aplicando um &iacute;ndice de pondera&ccedil;&atilde;o aos grupos que apresentam    maior heterogeneidade, de forma a que cada grupo contribua para os resultados    globais segundo o seu peso real, e n&atilde;o segundo o seu peso amostral. A    f&oacute;rmula de obten&ccedil;&atilde;o dos ponderadores &eacute; a seguinte:    Pond =% Ni &nbsp;(corresponde a um segmento do Universo)/ %n2 (amostra desproporcional).    Relativamente aos indicadores sexo, idade, classe social e regi&atilde;o geogr&aacute;fica    s&atilde;o calculados tomando a seguinte f&oacute;rmula: adh%=rat% do programa    na amostra x: &quot;n.º de &iacute;ndiv&iacute;duos do alvo / rat% do programa    no universo x&quot;. Os resultados correspondentes d&atilde;o-nos o &quot;&iacute;ndice    de ades&atilde;o&quot;. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</P></B>      <!-- ref --><P>Ang, I. (1996), <I>Desperately Seeking the Audience</I>, Londres, Routledge. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0873-6529200000010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Bourdieu, Pierre (1997), <I>Sobre a Televis&atilde;o, </I>Oeiras, Celta. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0873-6529200000010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Braumann, Pedro Jorge (1995), &quot;Economia do audiovisual: o p&uacute;blico e o privado&quot;, <I>Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; Linguagens, </I>Lisboa, Cosmos, n.º 21-22, pp. 237-246. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0873-6529200000010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>C&aacute;dima, Francisco Rui (1996), <I>O Fen&oacute;meno Televisivo, </I>Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0873-6529200000010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>C&aacute;dima, Francisco Rui (1990a), &quot;A televis&atilde;o que nos espera&quot;, <I>Revista do Jornal Expresso</I>, 17 de Novembro. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0873-6529200000010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>C&aacute;dima, Francisco Rui, (1997) <I>Estrat&eacute;gias e Discursos da Publicidade, </I>Lisboa, Vega. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0873-6529200000010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>C&aacute;dima, Francisco Rui (1990b), &quot;Televis&atilde;o — anos 90", <I>Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; Linguagens</I>, Lisboa, UNL, n.º 8, pp. 181-186. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0873-6529200000010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Lochard, G. e H Boyer (1995<I>), Notre &Eacute;cran Quotidien — Une Radiographie du T&eacute;l&eacute;visuel</I>, Paris, Dunod. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0873-6529200000010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Mehl, Dominique (1992), <I>La Fen&ecirc;tre et le Miroir — La T&eacute;l&eacute;vision et ses Programmes</I>, Paris, &Eacute;ditions Payot. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0873-6529200000010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Mehl, Dominique (1996), <I>La T&eacute;l&eacute;vision de L&#146;Intimit&eacute;, </I>Paris, Seuil. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0873-6529200000010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Missika, J. Louis, e Wolton, D. (1983), <I>La Folle du Logis — la t&eacute;l&eacute;vision dans les soci&eacute;t&eacute;s d&eacute;mocratiques, </I>Paris, Gallimard. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0873-6529200000010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Paracuellos, Jean-Charles (1993), <I>La T&eacute;l&eacute;vision — Clefs d&#146;une &Eacute;conomie Invisible, </I>Paris, La Documentation Fran&ccedil;aise. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0873-6529200000010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pereira, Francisco (1998), &quot;Caderno Indicadores de Media&quot;, revista <I>Marketing e Publicidade, </I>n.º 3, Julho/Agosto. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0873-6529200000010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Popper, K., e Condry, J. (1995), <I>Televis&atilde;o: Um Perigo Para a Democracia, </I>Lisboa, Gradiva. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0873-6529200000010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Silva, Francisco (1998), <I>Narrativa Nova - Dialogando com a Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o, </I>Lisboa, Caminho. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0873-6529200000010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Silva, M. J. Lopes (1995), &quot;Novas pol&iacute;ticas da comunica&ccedil;&atilde;o&quot;, <I>Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; Linguagens, </I>Lisboa, Cosmos, n.º21-22. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0873-6529200000010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Sorlin, Pierre (1997), <I>Mass Media, </I>Oeiras, Celta. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0873-6529200000010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Souchon, Michel (1990), &quot;Les programmateurs et leurs repr&eacute;sentations du public&quot;, <I>R&eacute;seaux, </I>n.º 39, Janvier, pp. 93-105. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0873-6529200000010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Traquina, N&eacute;son (1997), <I>Big Show Media — Viagem pelo Mundo do Audiovisual Portugu&ecirc;s</I>, Lisboa, Editorial Not&iacute;cias. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0873-6529200000010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Vilches, Lorenzo (1996), <I>La Televisi&oacute;n — Los Efectos del Bien y del Mal</I>, Barcelona, Ediciones Paid&oacute;s. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0873-6529200000010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Webster, J. G., e Lichty, L. W. (1991), <I>Rating Analysis — Theory and Practice, </I>Londres, Lawrence Erlbaum Associates, Publishers. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0873-6529200000010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="back"></A><a href="#top"><sup>*</sup></a>Ana Paula Menezes Fernandes.    Licenciada em Sociologia (ISCTE). A&nbsp;correspond&ecirc;ncia pode ser enviada    para o endere&ccedil;o <a href="mailto:ana.menezes@mail.iefp.pt">ana.menezes@mail.IEFP.pt</a>    ou Direc&ccedil;&atilde;o de Servi&ccedil;os de Estudos do IEFP, Rua de Xabregas    n.º 52, 1949-003 Lisboa. </P>      ]]></body><back>
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