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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As sociedades periféricas na recontextualização da economia mundial]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Globalização]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  <b><a name="top"></a>AS SOCIEDADES PERIF&Eacute;RICAS NA&nbsp;RECONTEXTUALIZA&Ccedil;&Atilde;O  DA&nbsp;ECONOMIA MUNDIAL </b>      <P><I>Ant&oacute;nio Maria Martins</i><A HREF="#back"><I>*</I></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><U>Resumo</u> Na actualidade torna-se dif&iacute;cil as forma&ccedil;&otilde;es sociais perif&eacute;ricas escaparem &agrave; l&oacute;gica de globaliza&ccedil;&atilde;o e, como consequ&ecirc;ncia, agravam-se as&nbsp;dificuldades de o seu desenvolvimento ocorrer de forma harmoniosa e&nbsp;sustentada. Esta situa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser minorada na medida em que elas saibam manter as l&oacute;gicas de produ&ccedil;&atilde;o e troca tradicionais existentes, articulando-as com a&nbsp;l&oacute;gica global de forma controlada. &Eacute; evidente que este processo n&atilde;o se encontra facilitado tanto pelas imposi&ccedil;&otilde;es das l&oacute;gicas globais e regionais como pela possibilidade de o estado-na&ccedil;&atilde;o ser obrigado a alienar parte da sua soberania, ficando por isso, e n&atilde;o s&oacute;, enfraquecido nas negocia&ccedil;&otilde;es que ocorrerem com os&nbsp;outros estados e, sobretudo, com as organiza&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas internacionais bastante libertas de impedimentos legais &agrave; expans&atilde;o das suas actividades. </P>     <P><U>Palavras-chave</u> Globaliza&ccedil;&atilde;o, depend&ecirc;ncia, estado-na&ccedil;&atilde;o, l&oacute;gicas econ&oacute;micas. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Da internacionaliza&ccedil;&atilde;o &agrave; mundializa&ccedil;&atilde;o da vida econ&oacute;mica e&nbsp;ao&nbsp;surgimento de v&aacute;rios p&oacute;los hegem&oacute;nicos</P> </B>      <P>O capitalismo como sistema mundial desenvolveu-se associado &agrave; economia    industrial, e a Inglaterra assumiu-se, at&eacute; &agrave; Primeira Guerra Mundial,    como pa&iacute;s dominante ao n&iacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o industrial    e do volume do com&eacute;rcio mundial, hegemonizando, mesmo, todo o processo    (Murteira, 1979, 63). A seguir &agrave; crise da d&eacute;cada de 20, per&iacute;odo    em que se verificou uma diminui&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio internacional,    s&atilde;o os EUA a assumirem a posi&ccedil;&atilde;o dominante da vida econ&oacute;mica    internacional (Murteira, 1979, 66). <a name="top1"></a>Esta passagem &eacute;    acompanhada da transnacionaliza&ccedil;&atilde;o do capital atrav&eacute;s da    exporta&ccedil;&atilde;o das filiais de grandes empresas para pa&iacute;ses    onde as condi&ccedil;&otilde;es de rendibilidade do capital fossem superiores.<A HREF="#1"><SUP>1</SUP></A>A    hegemoniza&ccedil;&atilde;o da economia pelos EUA teve o seu apogeu na d&eacute;cada    de 60, fase da maturidade do capitalismo internacional, que se caracterizou    pelo dom&iacute;nio dos monop&oacute;lios, por um certo autoritarismo e pela    cria&ccedil;&atilde;o de estados de depend&ecirc;ncia (Sunkel <I>et al.</I>,    1970; Santos, 1970: 48), <a name="top2"></a>assumindo mesmo a forma do que viria    a ser designado por &quot;imperialismo econ&oacute;mico&quot; (Roxborough, 1981:    60-72).<A HREF="#2"><SUP>2</SUP></A> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Esta situa&ccedil;&atilde;o ocorreu marcada pelo &quot;uniformismo dicot&oacute;mico&quot; (Masine, 1993: 390) entre uma economia planificada a leste e uma economia de mercado a ocidente, a que correspondeu um sistema pol&iacute;tico centralizado, no primeiro caso, e parlamentar no segundo. A internacionaliza&ccedil;&atilde;o da vida econ&oacute;mica, pol&iacute;tica, ideol&oacute;gica e social processou-se, neste per&iacute;odo, condicionada por estas posi&ccedil;&otilde;es diferenciadas e contradit&oacute;rias, mas ambas de forma hegem&oacute;nica. </P>     <P>O per&iacute;odo a partir da d&eacute;cada de 70 foi marcado, de acordo com    John Naisbitt (1988: 69-78), por um conjunto de altera&ccedil;&otilde;es com    enorme significado: enfraquecimento da posi&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica    dos EUA e a emerg&ecirc;ncia de novas pot&ecirc;ncias econ&oacute;micas que    configuram uma tripolariza&ccedil;&atilde;o (EUA, Jap&atilde;o e Europa); <a name="top3"></a>o    surgir de novos pa&iacute;ses industrializados (Singapura, Hong Kong, Taiwan,    Formosa, Coreia do Sul, Brasil (…);<A HREF="#3"><SUP>3</SUP></A>modifica&ccedil;&otilde;es    na pol&iacute;tica econ&oacute;mica chinesa quer pela adop&ccedil;&atilde;o    das regras da economia capitalista, quer pela sua abertura ao mercado internacional;    tend&ecirc;ncia para a dilui&ccedil;&atilde;o do sistema dicot&oacute;mico entre    o Leste e o Ocidente (Bertrand, 1992: 63; Mateus <I>et al.</I>, 1995: 29). </P>     <P>Na tripolariza&ccedil;&atilde;o a que nos referimos, e de acordo com an&aacute;lise prospectiva feita por G&eacute;rard Lafay em <I>Industrie mondiale: trois sc&egrave;narios pour l´an 2000, </I>tanto os EUA como a Europa ir&atilde;o perder peso em todos os sectores industriais a favor da &Aacute;sia desenvolvida, liderada pelo Jap&atilde;o. Este, apesar de alguns limites no campo militar e dos recursos naturais e das rela&ccedil;&otilde;es conflituosas com os EUA (Ishara, 1991), apresenta enormes potencialidades no campo econ&oacute;mico e tecnol&oacute;gico e orientado para a globaliza&ccedil;&atilde;o. </P>     <P><a name="top4"></a>N&atilde;o &eacute; apenas ao n&iacute;vel macroecon&oacute;mico    que as altera&ccedil;&otilde;es se processaram. Ao n&iacute;vel microecon&oacute;mico    t&ecirc;m ocorrido modifica&ccedil;&otilde;es de redimensionamento das empresas    e da forma como s&atilde;o controladas e geridas.<A HREF="#4"><SUP>4</SUP></A><a name="top5"></a>A    economia internacional tem vindo, assim, a assumir novas configura&ccedil;&otilde;es    no sentido da unidade/universalidade<A HREF="#5"><SUP>5</SUP></A> e da diversidade    (Masine, 1993: 390). Diversidade que resulta de factores hist&oacute;ricos,    culturais, das aspira&ccedil;&otilde;es dos povos ou que &eacute; a pr&oacute;pria    natureza do capitalismo que engendra: &quot;A flexibilidade do pr&oacute;prio    sistema reconhece &agrave;s perspectivas mais particularizantes uma autonomia    de ac&ccedil;&atilde;o (…) cujos contornos s&atilde;o de extrema import&acirc;ncia    para o entendimento da din&acirc;mica sist&eacute;mica de transforma&ccedil;&atilde;o&quot;    (Fortuna, 1987: 165). </P>     <P>N&atilde;o obstante estas diferencia&ccedil;&otilde;es criadoras de heterogeneidades, o sistema econ&oacute;mico capitalista expande-se e intensifica-se. &Eacute; o que Riccardo Petrella (1990: 29-43) designa por &quot;mundializa&ccedil;&atilde;o da economia&quot;: &quot;A mundializa&ccedil;&atilde;o da economia &eacute; um novo fen&oacute;meno nascente que representa uma nova fase na organiza&ccedil;&atilde;o do capitalismo industrial e financeiro avan&ccedil;ado em rela&ccedil;&atilde;o aos processos j&aacute; em vias de internacionaliza&ccedil;&atilde;o e de multinacionaliza&ccedil;&atilde;o&quot;. </P>     <P>Neste sentido, a economia mundial tende cada vez mais a configurar-se como um sistema caracterizado pela(o): expans&atilde;o-universaliza&ccedil;&atilde;o; aumento da integra&ccedil;&atilde;o entre as partes; dilui&ccedil;&atilde;o de impedimentos, normativos ou geogr&aacute;ficos; altera&ccedil;&atilde;o das suas estruturas e das suas regras de funcionamento. A par destas altera&ccedil;&otilde;es, os centros reguladores da vida econ&oacute;mica tendem a deslocar-se para estruturas supranacionais, com o consequente enfraquecimento do estado-na&ccedil;&atilde;o. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Mundializa&ccedil;&atilde;o e novas formas de competi&ccedil;&atilde;o e de depend&ecirc;ncia</P> </B>      <P>As altera&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o a ocorrer na mundializa&ccedil;&atilde;o    da economia n&atilde;o s&atilde;o apenas de quantidade, ligadas &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o    de novos espa&ccedil;os pelo efeito da globaliza&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m    de altera&ccedil;&otilde;es qualitativas ao n&iacute;vel da estrutura, das regras    de funcionamento e dos suportes normativos. Se as rela&ccedil;&otilde;es internacionais,    caracter&iacute;sticas da sociedade industrial, foram rela&ccedil;&otilde;es    de depend&ecirc;ncia ou de interdepend&ecirc;ncia, hoje, as tend&ecirc;ncias    v&atilde;o no sentido da integra&ccedil;&atilde;o da economia mundial, facto    que se apresenta como um processo &quot;irrevers&iacute;vel&quot; (Bertrand,    1992: 63). <a name="top6"></a>Assiste-se a um crescimento cont&iacute;nuo do    com&eacute;rcio externo, total e de todos os pa&iacute;ses, liberaliza-se a    circula&ccedil;&atilde;o de bens, mercadorias e capitais, intra e entre blocos    econ&oacute;micos.<A HREF="#6"><SUP>6</SUP></A>Estes blocos emergentes tendem    n&atilde;o s&oacute; para o intensificar da integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica,    mas tamb&eacute;m para a unifica&ccedil;&atilde;o: monet&aacute;ria, pol&iacute;tica    e social, como &eacute; o caso da Uni&atilde;o Europeia. A integra&ccedil;&atilde;o    econ&oacute;mica caracteriza-se, pois, pelo desenvolvimento de interconex&otilde;es    entre redes de produ&ccedil;&atilde;o, de informa&ccedil;&atilde;o e financiamento,    e pelo aumento da velocidade de circula&ccedil;&atilde;o de saberes, tecnologias    e capitais em redor de p&oacute;los cada vez mais diversificados (Smouts, 1993:    517). </P>     <P>Estas mudan&ccedil;as imprimem altera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel macroecon&oacute;mico, no que interferem na estrutura do capitalismo internacional (Smouts, 1993: 523), como ao n&iacute;vel das estrat&eacute;gias de concorr&ecirc;ncia, da organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, do trabalho, das novas tecnologias e dos requisitos em conhecimentos detidos pela for&ccedil;a do trabalho. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="top7"></a>Na mesma linha dos sectores produtivo e comercial, tamb&eacute;m    o capital financeiro est&aacute; a mundializar-se, isto &eacute;, a deixar de    conhecer fronteiras e de ter &quot;p&aacute;tria&quot;<A HREF="#7"><SUP>7</SUP></A>    e de ser controlado pelos bancos centrais<I>: </I>&quot;(…) o dinheiro (…) tornou-se    transnacional e deixou de poder ser controlado pelos estados-na&ccedil;&atilde;o    ou mesmo atrav&eacute;s das suas actua&ccedil;&otilde;es conjuntas&quot; (Drucker,    1993: 143). </P>     <P>Na senda da maximiza&ccedil;&atilde;o dos lucros, o capital financeiro desloca-se intra e entre mercados financeiros, provocando altera&ccedil;&otilde;es nas economias e na estabilidade das pr&oacute;prias moedas (Toffler, 1984: 226). Esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; agravada pela passagem da moeda tradicional &agrave; moeda electr&oacute;nica, possibilitando uma enorme mobilidade e quase inexist&ecirc;ncia de tempos na sua circula&ccedil;&atilde;o. D&aacute;-se uma certa emancipa&ccedil;&atilde;o do capital financeiro relativamente ao sector produtivo e comercial, passando ele a ser a pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia do &quot;jogo&quot; e a gerar, por si s&oacute;, mais lucros ou preju&iacute;zos do que o sistema produtivo (Toffler, 1984: 228; Amaro, 1990: 12). </P>     <P>Ao n&iacute;vel da informa&ccedil;&atilde;o, o processo de mundializa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais acentuado n&atilde;o apenas na ainda dominante comunica&ccedil;&atilde;o de massas, ligada ao <I>marketing</I> publicit&aacute;rio e de propaganda, mas tamb&eacute;m pela sua diversifica&ccedil;&atilde;o, para atender a grupos espec&iacute;ficos, e, ainda, pela sua selectividade com base nas escolhas dos sujeitos utilizadores: &quot;(…) a informa&ccedil;&atilde;o, no bom e no mau sentido, tornou-se verdadeiramente transnacional e ficou totalmente fora do controlo de qualquer na&ccedil;&atilde;o&quot; (Drucker, 1993: 144). </P>     <P>Mundializam-se tamb&eacute;m as disfuncionalidades ligadas ao consumo de drogas, &agrave;s doen&ccedil;as contagiosas, &agrave; polui&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, ao terrorismo internacional, condicionando a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas supranacionais n&atilde;o sujeitas ao controlo por parte de qualquer estado-na&ccedil;&atilde;o (Bertrand, 1992: 65; Drucker, 1993: 146). A mundializa&ccedil;&atilde;o dos diferentes aspectos referidos apresenta-se com capacidades destrutivas de identidades nacionais e, sobretudo, culturais. </P>     <P>A utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito de mundializa&ccedil;&atilde;o da economia e o aparente fim dos dualismos cl&aacute;ssicos ao n&iacute;vel econ&oacute;mico, pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico n&atilde;o alteram as dicotomias aos diferentes n&iacute;veis que desde sempre estiveram presentes na vida das sociedades. </P>     <P>Como temos vindo a referir, a economia capitalista, nas suas diferentes componentes, est&aacute; em processo de mundializa&ccedil;&atilde;o e de ocupa&ccedil;&atilde;o de todos os espa&ccedil;os no seu interior. Esta din&acirc;mica realiza-se atrav&eacute;s de elementos dissemelhantes (quer ao n&iacute;vel das realidades &quot;macro&quot;, quer &quot;micro&quot;), configurando a realidade emergente novas dicotomias, de que resulta a transfigura&ccedil;&atilde;o das realidades existentes. </P>     <P>A n&iacute;vel macroecon&oacute;mico, pode detectar-se a forma&ccedil;&atilde;o de grandes blocos econ&oacute;micos que vir&atilde;o a aglutinar conjuntos de pa&iacute;ses lim&iacute;trofes hegemonizando um dado espa&ccedil;o econ&oacute;mico e geogr&aacute;fico (Drucker, 1993: 149). Neste contexto, s&atilde;o previs&iacute;veis duas l&oacute;gicas: uma, regionalizada, onde a circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias e de capitais tender&aacute; a liberalizar-se; outra, global, na qual a circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias e capitais, apesar de se intensificar, vai estar cada vez mais dependente da reciprocidade. Isto pelo facto de n&atilde;o ser previs&iacute;vel a forma&ccedil;&atilde;o de apenas um bloco que consiga impor as suas regras aos outros estados, como tem sido pr&aacute;tica na fase de maturidade do capitalismo internacional: &quot;Jamais um &uacute;nico pa&iacute;s dominar&aacute; o mundo da mesma maneira que os EUA o fizeram ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial&quot; (Naisbitt, 1988: 71). </P>     <P>Resta saber em que sentido evoluir&aacute; o princ&iacute;pio da depend&ecirc;ncia e da exist&ecirc;ncia de pa&iacute;ses desenvolvidos e subdesenvolvidos. Pela exposi&ccedil;&atilde;o que temos vindo a fazer, pode parecer que caminhamos no sentido do esbater destas dicotomias que t&ecirc;m polarizado os pa&iacute;ses sob diferentes formas. Contudo, se retomarmos os princ&iacute;pios essenciais referidos, essa evid&ecirc;ncia n&atilde;o se verifica porque, por um lado, n&atilde;o foi dito que a l&oacute;gica capitalista e da sua reprodu&ccedil;&atilde;o tenha sido substitu&iacute;da e, por outro, foi reafirmado que esta passagem est&aacute; a ocorrer sobretudo nos pa&iacute;ses onde o capitalismo se desenvolveu e que t&ecirc;m condicionado e continuam a condicionar a economia mundial. Neste sentido, &eacute; previs&iacute;vel que se processem altera&ccedil;&otilde;es de fundo na l&oacute;gica de funcionamento da economia capitalista, sendo dif&iacute;cil, todavia, que elas alterem, de forma substantiva, as rela&ccedil;&otilde;es de depend&ecirc;ncia. Neste momento, as actividades que caracterizaram a sociedade industrial est&atilde;o a desenvolver-se nos pa&iacute;ses do Sul (dependentes e subdesenvolvidos), enquanto os do Norte desenvolvem o saber, a informa&ccedil;&atilde;o e as tecnologias de ponta: &quot;&Eacute; demasiadamente tarde para retomar a nossa supremacia na ind&uacute;stria, porque deix&aacute;mos de ser uma economia industrial. (…) Devemos abdicar das nossas antigas tarefas na ind&uacute;stria e empreender as tarefas do futuro&quot; (Naisbitt, 1988: 70, 72). A passagem da sociedade industrial para a sociedade da informa&ccedil;&atilde;o permitiu aos EUA retomar o dom&iacute;nio econ&oacute;mico nos anos 90 que estava a perder nos anos 80 para o Jap&atilde;o. </P>     <P>O que parece estar a verificar-se &eacute; a emerg&ecirc;ncia de uma nova divis&atilde;o internacional do trabalho, na qual os pa&iacute;ses, de acordo com o seu posicionamento em blocos, ir&atilde;o ocupar novas posi&ccedil;&otilde;es e alterar a sua estrutura de produ&ccedil;&atilde;o quer pela mudan&ccedil;a de actividades, quer pela moderniza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e dos processos de trabalho e de funcionamento. Este facto pode n&atilde;o implicar que a sua posi&ccedil;&atilde;o relativa, quanto a indicadores de bem-estar, se altere substancialmente. </P>     <P>Na actual fase de transi&ccedil;&atilde;o da sociedade moderna, muitas das actividades desenvolvidas pelos pa&iacute;ses centrais est&atilde;o a ser substitu&iacute;das por novas actividades caracter&iacute;sticas da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o e do saber, e a deslocar-se para outros pa&iacute;ses, em especial para os que possuem melhores condi&ccedil;&otilde;es em recursos t&eacute;cnicos e humanos e onde o custo da m&atilde;o-de-obra &eacute; mais atractivo. Torna-se, por conseguinte, dif&iacute;cil definir se uma actividade &eacute; central ou perif&eacute;rica: &quot;Uma actividade que &eacute; central num dado momento pode tornar-se perif&eacute;rica no momento seguinte e vice-versa&quot; (Fortuna, 1993: 62). A tend&ecirc;ncia &eacute; para que a cria&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o de um produto ocorra nos pa&iacute;ses do centro e se desloque para as periferias logo que alcance a maturidade e a sua produ&ccedil;&atilde;o dependa de m&atilde;o-de-obra intensiva. Este processo &eacute; condicionador de depend&ecirc;ncias t&eacute;cnicas e de recursos humanos e implica, regra geral, a cria&ccedil;&atilde;o de problemas, particularmente ambientais. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <B>    <P>Tend&ecirc;ncias para a cria&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os supranacionais: enfraquecimento do&nbsp;estado-na&ccedil;&atilde;o</P> </B>      <P><a name="top8"></a>A sociedade industrial desenvolveu-se sob a &eacute;gide    de uma superestrutura configurada no estado, a que correspondia, ou se fazia    corresponder,<A HREF="#8"><SUP>8</SUP></A>uma na&ccedil;&atilde;o circunscrita    a um territ&oacute;rio bem delimitado (Baechler, 1995: 87-91). As finalidades    atribu&iacute;das ao estado-na&ccedil;&atilde;o, nas sociedades modernas, s&atilde;o    essencialmente as de garantir a soberania, manter a ordem e promover o bem-estar    dos cidad&atilde;os. <a name="top9"></a>Estas atribui&ccedil;&otilde;es, e o    seu desempenho, t&ecirc;m dado origem a outras designa&ccedil;&otilde;es de    estado,<A HREF="#9"><SUP>9</SUP></A> com as quais n&atilde;o nos ocuparemos    aqui. </P>     <P>A evolu&ccedil;&atilde;o do estado-na&ccedil;&atilde;o que hoje conhecemos processou-se em articula&ccedil;&atilde;o estreita com o modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, permitindo que este se desenvolvesse de forma articulada dentro de fronteiras est&aacute;veis e em ambientes sist&eacute;micos normalizados. Em paralelo com esta evolu&ccedil;&atilde;o e fortalecimento m&uacute;tuo, o mercado desenvolveu-se e surgiram ideologias nacionalistas, enfatizou-se a na&ccedil;&atilde;o e desenvolveram-se s&iacute;mbolos ligados &agrave; arte, &agrave; m&uacute;sica, &agrave; literatura e &agrave; cultura (Toffler, 1984: 7). Neste contexto, o controlo interno e das rela&ccedil;&otilde;es internacionais passava pelas defini&ccedil;&otilde;es exclusivas dos estados-na&ccedil;&atilde;o, sendo diminuto o exerc&iacute;cio do poder por outras organiza&ccedil;&otilde;es, mesmo das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais (Rom&atilde;o, 1989: 235). </P>     <P>Do ponto de vista hist&oacute;rico, o estado-na&ccedil;&atilde;o desencadeou ou foi suporte de ac&ccedil;&otilde;es conducentes &agrave; sua expans&atilde;o quer sob a forma de megaestados, quer sob a forma de imp&eacute;rios, sem que, em ambos os casos, se tenha conseguido a cria&ccedil;&atilde;o de homogeneidades pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e sociais coerentes, e desde logo sem transcenderem de forma duradoura o estado-na&ccedil;&atilde;o. </P>     <P><a name="top10"></a>Decorrente da articula&ccedil;&atilde;o dos elementos referidos,    o estado-na&ccedil;&atilde;o apresentou-se como o agente aglutinador das pr&aacute;ticas    econ&oacute;micas, pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicas e administrativas, jur&iacute;dicas,    sociais e culturais que se territorializaram<A HREF="#10"><SUP>10</SUP></A>num    dado espa&ccedil;o geogr&aacute;fico delimitado por fronteiras, das quais o    estado era o garante. As altera&ccedil;&otilde;es que se t&ecirc;m vindo a operar,    aos diferentes n&iacute;veis, no interior de um dado espa&ccedil;o territorial    e no seu exterior apresentam-se com for&ccedil;a suficiente para provocar altera&ccedil;&otilde;es    no estado-na&ccedil;&atilde;o quer atrav&eacute;s da transfer&ecirc;ncia de    poderes para institui&ccedil;&otilde;es supranacionais, quer porque as dimens&otilde;es    que lhe deram consist&ecirc;ncia deixaram de se confinar a esses mesmos espa&ccedil;os    e tendem, como temos vindo a referir, a mundializar-se: &quot;A hist&oacute;ria    da humanidade conhece j&aacute; m&uacute;ltiplas formas territoriais (as cidades-estado,    (…) os feudos, (…) as tribos, o ch&atilde;o (…), mas a mais recente, como se    sabe, &eacute; o estado-na&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o    nenhuma para pensar que, ao contr&aacute;rio das outras, ele tenha …vida eterna&quot;<I>    (</I>Amaro, 1990: 11). </P>     <P>A l&oacute;gica da globaliza&ccedil;&atilde;o das economias nacionais, bem assim como das tecnologias, do saber, da informa&ccedil;&atilde;o e da cultura, e ainda das disfuncionalidades ligadas ao ambiente, ao terrorismo internacional, ao n&atilde;o cumprimento dos direitos humanos, &agrave;s doen&ccedil;as infecto-contagiosas, etc., s&atilde;o os elementos que mais se evidenciam no desgaste e enfraquecimento do estado-na&ccedil;&atilde;o (Reich, 1993; Kennedy, 1993). Por conseguinte, o estado-na&ccedil;&atilde;o deixa de ser capaz de dar respostas &agrave;s necessidades evidenciadas pelo processo descrito quer como regulador das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, particularmente ao n&iacute;vel da cria&ccedil;&atilde;o de regras que normalizam as rela&ccedil;&otilde;es comerciais e de garantia da sua aplica&ccedil;&atilde;o, quer porque as disfuncionalidades, ao ultrapassarem as barreiras nacionais, implicam pol&iacute;ticas globais e de aplica&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, quer ainda como forma de normalizar as pr&aacute;ticas sociais e culturais no interior do seu espa&ccedil;o territorial (Santos, 1994: 130): &quot;De facto o estado-na&ccedil;&atilde;o vai perdendo progressivamente controlo sobre vari&aacute;veis t&atilde;o importantes como: a moeda, a infla&ccedil;&atilde;o<I>, </I>as taxas de c&acirc;mbio, os movimentos de capitais, as taxas de juro, as formas culturais, as identidades regionais e locais, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, etc.&quot; (Amaro, 1990: 15). </P>     <P>A polui&ccedil;&atilde;o, tanto como o dinheiro ou a informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem fronteiras (…), as florestas na Escandin&aacute;via, (…) est&atilde;o a ser destru&iacute;das pela polui&ccedil;&atilde;o produzida na Esc&oacute;cia, na B&eacute;lgica e na Alemanha (…). Assim a economia do saber exige unidades econ&oacute;micas substancialmente maiores do que as de um estado-na&ccedil;&atilde;o, razoavelmente grande (Drucker, 1993: 146-151). </P>     <P>Assiste-se, assim, a uma desterritorializa&ccedil;&atilde;o da vida econ&oacute;mica,    pol&iacute;tica, jur&iacute;dica, cultural da informa&ccedil;&atilde;o e a uma    consequente dilui&ccedil;&atilde;o das fronteiras nacionais, que se tornar&atilde;o    cada vez mais artificiais. <a name="top11"></a>Ao mesmo tempo, &eacute; de esperar    que o papel das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais (BM, FMI, ONU, GATT,    OMS, OTAN, por exemplo) aumente<A HREF="#11"><SUP>11</SUP></A>e possa vir a    dar origem a megaorganiza&ccedil;&otilde;es (com poderes refor&ccedil;ados)    ou at&eacute; mesmo a estados-transnacionais (Murteira, 1989: 28). </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Manuten&ccedil;&atilde;o de l&oacute;gicas econ&oacute;micas duais de forma articulada</P></B>      <P>O processo at&eacute; aqui descrito aponta, por um lado, para uma universaliza&ccedil;&atilde;o da economia capitalista e, por outro, para a emancipa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os regionais, com assinal&aacute;vel poder nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Nestes espa&ccedil;os, a homogeneiza&ccedil;&atilde;o, a perda de poder pelas diferentes unidades pol&iacute;ticas e a livre circula&ccedil;&atilde;o de recursos materiais e humanos tender&atilde;o a ser incrementados. A estas duas l&oacute;gicas poderemos acrescentar ainda uma terceira de car&aacute;cter local que reputamos de grande import&acirc;ncia, especialmente nas forma&ccedil;&otilde;es sociais perif&eacute;ricas e mais dependentes. </P>     <P>Estas l&oacute;gicas locais s&atilde;o resultantes quer das necessidades cl&aacute;ssicas de reprodu&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as produtivas utilizadas pelo capitalismo a baixo custo, quer da manifesta&ccedil;&atilde;o de formas de produ&ccedil;&atilde;o ou formas culturais localizadas, quer ainda da manuten&ccedil;&atilde;o de sistemas produtivos e socioculturais est&aacute;veis com capacidade para proporcionar estabilidade pol&iacute;tica e social e interferir positivamente nos per&iacute;odos de crise da economia mundial ou regional, sempre poss&iacute;veis dada a sua natureza e a forte interdepend&ecirc;ncia que se verifica entre as partes: &quot;O local &eacute; assim, em certo sentido, o outro lado da mundializa&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias produtivas no quadro da divis&atilde;o internacional do trabalho, mas n&atilde;o &eacute;, atente-se, uma entidade desprovida de qualidade (…)&quot; (Reis, 1992: 62). </P>     <P>Rog&eacute;rio Roque Amaro (1990: 14) refere que estas l&oacute;gicas locais se t&ecirc;m evidenciado devido a v&aacute;rios factores: &agrave; crise do estado-na&ccedil;&atilde;o e &agrave; necessidade de dar solu&ccedil;&otilde;es a v&aacute;rias disfuncionalidades; ao surgimento de pequenas empresas; &agrave; tend&ecirc;ncia para a regionaliza&ccedil;&atilde;o do poder pol&iacute;tico; ao enfraquecimento do modo de produ&ccedil;&atilde;o fordista; ao surgir de novas estrat&eacute;gias das empresas transnacionais; e, por &uacute;ltimo, o evidenciar da emancipa&ccedil;&atilde;o de culturas localizadas: &quot;Podemos, portanto, dizer que os &uacute;ltimos anos viram emergir ou ressurgir l&oacute;gicas territoriais de v&aacute;rios sentidos transnacionais, supranacionais e infranacionais&quot; (…) (Amaro, 1990: 15). </P>     <P>No mesmo sentido que os autores anteriormente referidos, Peter Drucker (1993: 147-156) afirma que estamos a ser marcados por tr&ecirc;s dimens&otilde;es: transnacionaliza&ccedil;&atilde;o, regionaliza&ccedil;&atilde;o e dilui&ccedil;&atilde;o de homogeneidades culturais e o evidenciar da diversidade cultural e do individualismo, ambos libertos de comportamentos sociais normalizados e padronizados de acordo com regras preestabelecidas e ou condicionados pelos centros de decis&atilde;o. </P>     <P>Temos, assim, um conjunto de processos que permitem o surgir e o desenvolvimento de l&oacute;gicas locais que em muitos casos se encontravam em estado latente. </P>     <P>A possibilidade do desenvolvimento das l&oacute;gicas locais para l&aacute; dos aspectos j&aacute; referidos resulta, em nosso entender da mundializa&ccedil;&atilde;o da economia capitalista sem necessidade de desenvolver lutas localizadas pela ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os; da transfer&ecirc;ncia do poder pol&iacute;tico e de decis&atilde;o aos diferentes n&iacute;veis, particularmente econ&oacute;mico, para &oacute;rg&atilde;os supranacionais; do evidenciar de novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica distinta daquelas que definiram o estado-na&ccedil;&atilde;o; da exist&ecirc;ncia de culturas, modos de organiza&ccedil;&atilde;o das actividades sociais e econ&oacute;micas milenares anuladas pela imposi&ccedil;&atilde;o do centro nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais especialmente durante toda a sociedade industrial e moderna. </P>     <P>Em nosso entender, a exist&ecirc;ncia destas duas l&oacute;gicas (local com a regional-universal) de forma articulada apresenta-se como bastante positiva para a manuten&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brios sociais, particularmente em per&iacute;odos de crise, quer como produtor de bens prim&aacute;rios para o mercado interno, quer, e sobretudo, como amortecedor das disfuncionalidades geradas pelas crises que afectam a economia capitalista. A manuten&ccedil;&atilde;o da economia camponesa assume um enorme significado porque permite a produ&ccedil;&atilde;o de bens em regime familiar e a baixos custos de produ&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o os pr&oacute;prios oper&aacute;rios da ind&uacute;stria (oper&aacute;rios camponeses ou semiproletariado) e os funcion&aacute;rios dos servi&ccedil;os que desenvolvem a produ&ccedil;&atilde;o desses bens em regime de acumula&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es. O Jap&atilde;o apresentou-se como um caso paradigm&aacute;tico ao conseguir articular com sucesso as formas mais modernas de produzir utilizadas no mundo ocidental com os m&eacute;todos de gest&atilde;o t&iacute;picos do Jap&atilde;o tradicional. Consegue, igualmente, manter intactas as formas tradicionais de produzir, t&iacute;picas da economia camponesa, &eacute; o que Michio Morishima (1988: 520) designa de economia japonesa a duas velocidades. </P>     <P>O desenvolvimento social, econ&oacute;mico e humano a partir do local seria obtido por um conjunto de aspectos que importa referir: recupera&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es culturais tradicionais existentes que garantam o equil&iacute;brio dos indiv&iacute;duos e dos grupos prim&aacute;rios, mas numa perspectiva din&acirc;mica; desenvolvimento das formas tradicionais de produ&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o social, aceitando-se a inova&ccedil;&atilde;o e as tecnologias exteriores desde que se integrem nos processos existentes; incremento das trocas com o exterior desde que inseridas num processo que garanta o equil&iacute;brio local e a paridade nesse sistema de trocas. </P>     <P>Um processo de desenvolvimento auto-sustentado, em que os elementos antes descritos ter&atilde;o de estar presentes, permitir&aacute; a exist&ecirc;ncia de equil&iacute;brios pessoais, econ&oacute;micos e sociais mesmo em tempo de crise da economia mundial, regional e sobretudo nacional; a coes&atilde;o social e pol&iacute;tica; e, sobretudo, permitir&aacute; criar os alicerces para um desenvolvimento integrado do ponto de vista econ&oacute;mico, social e humano. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Notas</P></B>      <P><A NAME="1" id="1"></A><a href="#top1">1</a> Referimo-nos &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    cl&aacute;ssicas: exist&ecirc;ncia de mat&eacute;rias-primas, proximidade dos    consumidores, exist&ecirc;ncia de capital financeiro e, sobretudo, da exist&ecirc;ncia    de for&ccedil;a de trabalho d&oacute;cil e barata. </P>     <P><A NAME="2" id="2"></A><a href="#top2">2</a> Caracterizava-se pelo dom&iacute;nio    de monop&oacute;lios, pelo dom&iacute;nio do capital financeiro, pela exporta&ccedil;&atilde;o    de capital e n&atilde;o de mercadorias, pela forma&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lios    internacionais e pela divis&atilde;o do mundo entre v&aacute;rias potencias    econ&oacute;micas (Roxborough, 1981: 61). </P>     <P><A NAME="3" id="3"></A><a href="#top3">3</a> Segundo Boaventura de Sousa Santos    (1994: 250), est&aacute; a assistir-se a uma desloca&ccedil;&atilde;o da economia    mundial para a &Aacute;sia centrada no Jap&atilde;o e na semiperiferia (Coreia    do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura). </P>     <P><A NAME="4" id="4"></A><a href="#top4">4</a> A situa&ccedil;&atilde;o de transnacionaliza&ccedil;&atilde;o    em que grandes empresas, sediadas num dado pa&iacute;s, instalam as suas filiais    noutros pa&iacute;ses, controlando todo o processo, tem vindo a dar lugar ao    surgimento de novas empresas multinacionais, de capitais mistos, e com autonomia    crescente, relativamente &agrave; empresa-m&atilde;e. </P>     <P><A NAME="5" id="5"></A><a href="#top5">5</a> &quot;Universalidade&quot;, no    sentido geogr&aacute;fico e da destrui&ccedil;&atilde;o de outras formas econ&oacute;micas;    &quot;unidade&quot;, porque, n&atilde;o obstante terem ocorrido profundas altera&ccedil;&otilde;es    nos v&aacute;rios sistemas, a economia capitalista tem-se redimensionado e adaptado    &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es, mantendo a sua coer&ecirc;ncia no essencial.  </P>     <P><A NAME="6" id="6"></A><a href="#top6">6</a> Referimo-nos a realidades em diferentes    fases de concretiza&ccedil;&atilde;o: UE; Nafta, Mercosul; Asean, &quot;Singapura,    Tail&acirc;ndia, Mal&aacute;sia, Indon&eacute;sia e Filipinas&quot;, e APEC    (coopera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica &Aacute;sia Pac&iacute;fico), que    compreender&aacute;, num futuro n&atilde;o distante, os &quot;EUA, Canad&aacute;,    China, Tail&acirc;ndia, Mal&aacute;sia, Singapura, Indon&eacute;sia, Austr&aacute;lia,    Nova Zel&acirc;ndia, Jap&atilde;o, Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Filipinas,    Brunei e Nova Guin&eacute;&quot; e que formar&atilde;o uma zona de com&eacute;rcio    livre de grandes dimens&otilde;es. </P>     <P><A NAME="7" id="7"></A><a href="#top7">7</a> N&atilde;o obstante existir o    ditado, j&aacute; antigo, de que o &quot;dinheiro n&atilde;o tem p&aacute;tria&quot;,    &eacute; um facto que sempre existiu um forte controlo monet&aacute;rio, associando-se    a moeda e o seu valor a quest&otilde;es de soberania nacional, sendo mesmo vista    como objecto legitimador do estado-na&ccedil;&atilde;o. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="8" id="8"></A><a href="#top8">8</a> Quando esta correspond&ecirc;ncia    n&atilde;o se verificava de facto, o processo pol&iacute;tico, econ&oacute;mico,    social e cultural era hegemonizado por um grupo, n&atilde;o sendo permitido    &agrave;s minorias o desempenho de qualquer ac&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria    ao que previamente estava definido. </P>     <P><A NAME="9" id="9"></A><a href="#top9">9</a> Referimo-nos, principalmente,    ao estado-provid&ecirc;ncia. Trata-se de um estado cuja principal caracter&iacute;stica    &eacute; a de intervir ou controlar os mecanismos reguladores da vida econ&oacute;mica    e social. </P>     <P><A NAME="10" id="10"></A><a href="#top10">10</a> O conceito de &quot;territorializa&ccedil;&atilde;o&quot;    aqui referido identifica-se com o conceito de &quot;territ&oacute;rio&quot;,    utilizado por Rog&eacute;rio Roque Amaro (1990: &nbsp;9), e entendido como &quot;espa&ccedil;o    apropriado, organizado e reconhecido de um ponto de vista pol&iacute;tico, social    e ideol&oacute;gico, por uma popula&ccedil;&atilde;o que com ele se identifica    e nele pretende exercer a sua autonomia&quot;. </P>     <P><A NAME="11" id="11"></A><a href="#top11">11</a> O que n&atilde;o impede que    as influ&ecirc;ncias dos estados-na&ccedil;&atilde;o, particularmente dos mais    fortes, n&atilde;o se fa&ccedil;am sentir, de forma determinante, sobre as pol&iacute;ticas    desenvolvidas por estas organiza&ccedil;&otilde;es. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</P></B>      <!-- ref --><P>Amaro, Rog&eacute;rio Roque (1990), &quot;A Europa das integra&ccedil;&otilde;es e das desintegra&ccedil;&otilde;es e o caso portugu&ecirc;s&quot;, <I>Economia e Sociedade, </I>n.º 1, Novembro, pp. 7-22. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0873-6529200000010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Baechler, Jean (1995), &quot;Grupos de sociabilidade&quot;, <I>in</I> Boudon, Raymond (org.), <I>Tratado de Sociologia, </I>Porto, ASA, pp. 57-95. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0873-6529200000010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Bertrand, Maurice (1992), &quot;L&#146;int&eacute;gration europ&eacute;enne dans une perspective mondiale&quot;, <I>Revue Internationale des Sciences Sociales, </I>n.º 131, pp. 57-66. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0873-6529200000010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Bonturi, Marcos, e Fukasaku, Kiichiro (1993), &quot;Analyse empirique de la mondialisation et des &eacute;changes intra-entreprise&quot;, <I>Revue &Eacute;conomique de l´OCDE, </I>n.º 20, Printemps, pp. 165-179. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0873-6529200000010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Drucker, Peter (1993), <I>Post-Capitalist Society</I>, Nova Iorque, Harper Collins Publishers. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0873-6529200000010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Fortuna, Carlos (1987), &quot;Desenvolvimento e sociologia hist&oacute;rica: acerca da teoria do sistema mundial capitalista e da semiperiferia&quot;, <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas, </I>n.º 3, pp. 161-195. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0873-6529200000010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Fortuna, Carlos (1993), &quot;Desenvolvimento por um Fio: Portugal colonial, os t&ecirc;xteis de algod&atilde;o e a economia mundo&quot;, <I>in</I> Santos, Boaventura de Sousa (org.), <I>Portugal: Um Retrato Singular, </I>Porto, Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0873-6529200000010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Kennedy, Paul (1993), <I>Preparing for the Twenty-First Century, </I>Londres, Harper Colins. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0873-6529200000010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Masine, Eleonora Barbieri (1993), &quot;La orospective et les tendences &agrave; l&#146;unit&eacute; et &agrave; la diversit&eacute;&quot;, <I>Revue Internationale des Sciences Sociales, </I>n.º 137, Agosto, pp. 387-396. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0873-6529200000010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Mateus, Augusto <I>et al.</I> (1995), <I>Portugal XXI — Cen&aacute;rios de Desenvolvimento, </I>Lisboa, Bertrand. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0873-6529200000010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Morishima, Michio (1988), &quot;Economie et culture: aspects de la modernisation du Japon&quot;, <I>Revue Internationale de Sciences Sociales, </I>UNESCO, n.º 118, Novembro, pp. 514-522. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0873-6529200000010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Murteira, M&aacute;rio (1979), <I>Desenvolvimento, Subdesenvolvimento e o Caso Portugu&ecirc;s, </I>Lisboa, Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: 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(1970), <I>Subdesarrollo Latinoamericano y la Teoria del Desarrollo, </I>M&eacute;xico, Siglo Veintiuno. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0873-6529200000010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Toffler, Alvin (1984), <I>A Terceira Vaga, </I>Lisboa, Livros do Brasil. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0873-6529200000010000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wallerstein, I. (1974), <I>The Modern System</I>, Nova Iorque, Academic Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0873-6529200000010000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><A NAME="back"></A><sup><a href="#top">*</a></sup>Ant&oacute;nio Maria Martins.    Soci&oacute;logo — Docente da Universidade de Aveiro. Departamento de Ci&ecirc;ncias    da Educa&ccedil;&atilde;o — Univ. de Aveiro, 3810-193 Aveiro - Portugal. Tel.:    234 370 629; Fax. 234 370 640; <I>E-mail</I> <a href="mailto:amartins@dce.ua.pt">Amartins@dce.ua.pt</a>.  </P>      ]]></body><back>
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