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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os novos nomes do racismo: especificação ou inflação conceptual?]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - ISCTE Departamento de Sociologia ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p><b><a name="top"></a>OS NOVOS NOMES DO RACISMO: ESPECIFICA&Ccedil;&Atilde;O    OU INFLA&Ccedil;&Atilde;O CONCEPTUAL? </b></p>     <p><I>Fernando Lu&iacute;s Machado</i><A HREF="#back">*</A> </p>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><U>Resumo</u> Boa parte da vasta produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica que a sociologia e outras ci&ecirc;ncias sociais t&ecirc;m dedicado, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, &agrave; problem&aacute;tica do racismo, especialmente no mundo anglo-sax&oacute;nico, ao procurar dar conta das muta&ccedil;&otilde;es de&nbsp;forma e conte&uacute;do que ele sofreu desde as suas primeiras formula&ccedil;&otilde;es e manifesta&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas, acaba por inflacion&aacute;-lo conceptualmente. Neste artigo, em&nbsp;que se analisa esse processo de infla&ccedil;&atilde;o conceptual, muitas vezes associado a&nbsp;uma extrema ideologiza&ccedil;&atilde;o e politiza&ccedil;&atilde;o do conceito, tenta fazer-se, ao mesmo tempo, a especifica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do racismo, em cada uma daquelas que, consensualmente, se reconhece serem as suas tr&ecirc;s dimens&otilde;es constitutivas: ideologia, preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o. </P>     <P><U>Palavras-chave</u> Racismo, ideologia, preconceito, discrimina&ccedil;&atilde;o. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P>Na generalidade dos pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia, seja nos maiores e mais antigos receptores de imigrantes, seja naqueles em que a imigra&ccedil;&atilde;o &eacute; mais recente e reduzida, o racismo tem-se mantido, ao longo das duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, na agenda social e pol&iacute;tica, embora com express&atilde;o vari&aacute;vel de pa&iacute;s para pa&iacute;s e com flutua&ccedil;&otilde;es de intensidade. </P>     <P>Em alguns casos, h&aacute; dele sinais bem evidentes e perigosos, como os actos de viol&ecirc;ncia contra imigrantes perpetrados por grupos assumidamente racistas, ou a express&atilde;o eleitoral alcan&ccedil;ada por partidos que assentam o seu discurso na hostilidade contra migrantes e minorias. Noutros, sem assumir esse grau de visibilidade e gravidade, o racismo n&atilde;o deixa de ter uma express&atilde;o social difusa, tal como a d&atilde;o a perceber atitudes de preconceito e rejei&ccedil;&atilde;o de alguns segmentos das popula&ccedil;&otilde;es aut&oacute;ctones, reveladas por estudos e sondagens de opini&atilde;o, ou epis&oacute;dios mais ou menos localizados de discrimina&ccedil;&atilde;o racial em diferentes dom&iacute;nios da vida quotidiana. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Sendo um fen&oacute;meno de dif&iacute;cil delimita&ccedil;&atilde;o e estudo, a pr&oacute;pria imprecis&atilde;o e elasticidade de muitas defini&ccedil;&otilde;es que dele v&ecirc;m sendo dadas contribuem para dificultar a sua objectiva&ccedil;&atilde;o, e para facilitar a sua j&aacute; de si f&aacute;cil ideologiza&ccedil;&atilde;o e politiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o faltam autores a dizer que o &acirc;mbito daquilo que cabe sob a designa&ccedil;&atilde;o de racismo &eacute; muito mais amplo do que acabou de se enunciar. Uma das mais demonstrativas provas de racismo seria, por exemplo, o facto de muitos migrantes fixados nos pa&iacute;ses europeus terem uma condi&ccedil;&atilde;o social mais desfavorecida do que a m&eacute;dia das respectivas popula&ccedil;&otilde;es receptoras; a adop&ccedil;&atilde;o por esses pa&iacute;ses de medidas reguladoras de novas entradas seria tamb&eacute;m uma forma de racismo; e seriam ainda racistas, embora subtis, aquelas representa&ccedil;&otilde;es e discursos comuns que se limitam a constatar as diferen&ccedil;as culturais das popula&ccedil;&otilde;es migrantes. </P>     <P>No limite, por ac&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o, quer ao n&iacute;vel das interac&ccedil;&otilde;es individuais e de grupo, quer ao n&iacute;vel institucional, tudo o que envolve a inser&ccedil;&atilde;o dessas popula&ccedil;&otilde;es nas sociedades receptoras seria, em suma, marcado pelo racismo e poderia, portanto, ser equacionado e analisado nesses termos. </P>     <P>Quando, h&aacute; mais de cinquenta anos atr&aacute;s, Merton dizia que &quot;a profecia que se cumpre por si pr&oacute;pria&quot; (Merton, 1968 [1949]: 515-531) explicava em grande parte a din&acirc;mica do conflito racial e &eacute;tnico nos EUA de ent&atilde;o, ele pr&oacute;prio estava a profetizar sobre os efeitos potenciais de boa parte dos discursos hoje correntes sobre o tema, sobretudo nos pr&oacute;prios EUA, mas, a partir da&iacute;, largamente difundidos na Europa e noutras partes do mundo. Se a realidade &eacute; t&atilde;o generalizadamente definida em termos raciais, incluindo pela sociologia e outras ci&ecirc;ncias sociais, ela n&atilde;o deixar&aacute; de tornar-se racial nalgumas das suas consequ&ecirc;ncias. </P>     <P>O objectivo deste artigo &eacute;, assim, a tentativa de especificar o conceito de racismo, analisando do mesmo passo a &quot;infla&ccedil;&atilde;o conceptual&quot; (Miles, 1989: 41-68) de que ele padece. Mesmo descontando os trabalhos que parecem subordinar a constru&ccedil;&atilde;o rigorosa de um objecto de estudo a interesses de luta ideol&oacute;gica e pol&iacute;tica imediata, com &oacute;bvio preju&iacute;zo de conhecimento, &eacute; verdade que a pr&oacute;pria plasticidade hist&oacute;rica do racismo favorece, tamb&eacute;m, essa produ&ccedil;&atilde;o de discursos inflacionados. As suas formas e gravidade variam no tempo e no espa&ccedil;o; t&ecirc;m protagonistas e grupos-alvo muito heterog&eacute;neos, grupos-alvo esses que, de resto, nem sempre s&atilde;o racialmente distintos, mas por vezes apenas racializados por constru&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica e cultural, como tem acontecido com os judeus; e revelam, finalmente, uma significativa capacidade de actualiza&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>Racismo enquanto ideologia e preconceito</P></B>      <P>&Eacute; relativamente consensual, na literatura sociol&oacute;gica e na de    outros dom&iacute;nios disciplinares, que se pode falar de racismo em tr&ecirc;s    dimens&otilde;es distintas, mas articuladas: racismo enquanto ideologia, racismo    enquanto preconceito e racismo enquanto pr&aacute;tica de discrimina&ccedil;&atilde;o.    J&aacute; quanto ao conte&uacute;do de cada uma dessas dimens&otilde;es e quanto    ao modo como &eacute; equacionada a articula&ccedil;&atilde;o entre elas o consenso    &eacute;, como veremos, bastante menor. </P>     <P><a name="top1"></a>Se s&oacute; bastante mais tarde a palavra racismo surgiu    e se fixou no vocabul&aacute;rio comum, mais precisamente na segunda e terceira    d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, &eacute; durante o s&eacute;culo XIX, em    especial na sua segunda metade, que se sistematiza, na Europa, a ideologia da    hierarquiza&ccedil;&atilde;o inelut&aacute;vel dos homens em fun&ccedil;&atilde;o    das perten&ccedil;as raciais.<A HREF="#1"><SUP>1</SUP></A> Autores franceses    como Arthur de Gobineau, que publica em 1852 um <I>Ensaio sobre a Desigualdade    das Ra&ccedil;as Humanas, </I>ou Georges Vacher de Lapouge, que no final do    s&eacute;culo escreve, entre outros t&iacute;tulos, <I>O Ariano e o Seu Papel    Social </I>(1899), s&atilde;o habitualmente dados como os principais sistematizadores    desse pensamento. <a name="top2"></a>As taxinomias raciais mais ou menos elaboradas,    com a respectiva atribui&ccedil;&atilde;o diferencial de qualidades culturais    e morais, ou o temor da degeneresc&ecirc;ncia das culturas ditas superiores    por via da miscigena&ccedil;&atilde;o racial s&atilde;o, entre outros, t&oacute;picos    fixados nesses trabalhos.<A HREF="#2"><SUP>2</SUP></A> </P>     <P>Mas a ideia de que as capacidades intelectuais e a cultura se transmitem de    forma heredit&aacute;ria e desigual de acordo com as ra&ccedil;as — ideia que    toma como indicador principal, embora n&atilde;o exclusivo, a cor da pele, com    o branco europeu do norte a ocupar o topo da hierarquia — &eacute; uma interpreta&ccedil;&atilde;o    sobre a diversidade humana amplamente partilhada no campo intelectual e cient&iacute;fico    europeu da &eacute;poca, e n&atilde;o o produto de alguns esp&iacute;ritos isolados.    <a name="top3"></a>Esta maneira de pensar, tamb&eacute;m designada por racialismo,    &eacute; o resultado &quot;de uma formid&aacute;vel converg&ecirc;ncia de todos    os campos do saber, com inumer&aacute;veis contribui&ccedil;&otilde;es de fil&oacute;sofos,    te&oacute;logos, anatomistas, fisiologistas, historiadores, fil&oacute;logos,    mas tamb&eacute;m de escritores, poetas e viajantes&quot;, numa Europa em que,    por todo o lado, h&aacute; quem &quot;se apaixone pela medi&ccedil;&atilde;o    dos cr&acirc;nios e dos ossos, a pigmenta&ccedil;&atilde;o da pele, a cor dos    olhos e dos cabelos&quot; (Wieviorka, 1991: 27, 29).<A HREF="#3"><SUP>3</SUP></A>  </P>     <P>Esta primeira configura&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica do racismo, habitualmente apelidada de &quot;racismo cient&iacute;fico&quot;, tem o contributo, como nota ainda Wieviorka, da pr&oacute;pria sociologia emergente. Se alguns escritos de Tocqueville e Weber sobre as rela&ccedil;&otilde;es raciais nos EUA permitem design&aacute;-los como &quot;primeiros soci&oacute;logos do racismo&quot;, outros seguem a tend&ecirc;ncia intelectual dominante de tomar a ra&ccedil;a como factor explicativo da cultura. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="top4"></a>Na <I>Sociological Society of London</I> debate-se, em ambiente    de amena pol&eacute;mica intelectual, o eugenismo, que Francis Galton advogava    como solu&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica para defender da decad&ecirc;ncia    gen&eacute;tica os mais dotados em termos raciais, mas tamb&eacute;m em termos    sociais, e nos Estados Unidos o <I>American Journal of Sociology</I> publica,    durante a primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, textos do mesmo Galton,    bem como um cap&iacute;tulo do j&aacute; citado livro de Vacher de Lapouge,    entre outros artigos na mesma linha de autores menos conhecidos (Wieviorka,    <I>op. cit.:</I> 28, 37).<A HREF="#4"><SUP>4</SUP></A> </P>     <P>A rela&ccedil;&atilde;o biun&iacute;voca entre estas ideias e os contextos pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos e sociais da &eacute;poca &eacute; bastante evidente. Por um lado, o interesse intelectual e cient&iacute;fico na classifica&ccedil;&atilde;o e hierarquiza&ccedil;&atilde;o das ra&ccedil;as e culturas humanas vai sendo alimentado pelo crescente contacto dos europeus com outros povos do mundo, racial e culturalmente muito diferentes de si pr&oacute;prios; por outro lado, o acolhimento pol&iacute;tico e a difus&atilde;o social dos produtos que resultam dessa actividade intelectual s&atilde;o tanto mais alargados quanto legitimam a consolida&ccedil;&atilde;o dos imp&eacute;rios coloniais europeus em curso e as rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o que a&iacute; se fortalecem. Do mesmo modo se pode compreender a r&aacute;pida adop&ccedil;&atilde;o das ideias racialistas nos EUA, que, n&atilde;o certamente por acaso, vir&atilde;o a tornar-se mais tarde o maior exportador mundial de categorias anal&iacute;ticas racializadas no campo das ci&ecirc;ncias sociais, especialmente na sociologia, aspecto a que se voltar&aacute; adiante. </P>     <P>&Eacute; este racismo de base biol&oacute;gica, a que corresponde, de resto, o sentido origin&aacute;rio e exclusivo da palavra, que a generalidade dos investigadores deste dom&iacute;nio considera estar a ser paulatinamente abandonado, nos &uacute;ltimos 23 anos, a favor de outras configura&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas. </P>     <P>O enorme impacto p&uacute;blico que, nos anos a seguir &agrave; 2.ª Guerra    Mundial, teve a revela&ccedil;&atilde;o do genoc&iacute;dio dos judeus pelos    nazis alem&atilde;es, justamente em nome de uma ideologia da superioridade e    da pureza racial, &eacute; tido como o principal contexto para o decl&iacute;nio    das explica&ccedil;&otilde;es pela ra&ccedil;a, tanto nos discursos mais elaborados    como nos discursos comuns. <a name="top5"></a>Na esfera intelectual, em particular,    a UNESCO contribui decisivamente para a cr&iacute;tica do racismo, convocando,    por diversas vezes, entre o in&iacute;cio dos anos 50 e meados dos anos 60,    comiss&otilde;es pluridisciplinares de reputados investigadores das &aacute;reas    naturais e sociais, com a incumb&ecirc;ncia de produzirem declara&ccedil;&otilde;es    conjuntas formais rejeitando, &agrave; luz do conhecimento cient&iacute;fico,    a ideia de hierarquiza&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos e das culturas    em fun&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas raciais.<A HREF="#5"><SUP>5</SUP></A>  </P>     <P>Segundo uma interpreta&ccedil;&atilde;o largamente partilhada, a nova configura&ccedil;&atilde;o    do racismo deixa cair, ou pelo menos coloca em segundo plano, a linguagem da    ra&ccedil;a, pondo em seu lugar a refer&ecirc;ncia &agrave;s diferen&ccedil;as    &eacute;tnicas e culturais. A tentativa de qualificar essa transi&ccedil;&atilde;o    ideol&oacute;gica d&aacute; azo, nos anos 70 e 80 do s&eacute;culo XX, a uma    verdadeira explos&atilde;o de novos conceitos, tanto nos EUA como na Europa.    <a name="top6"></a>Racismo simb&oacute;lico, racismo aversivo, racismo cultural,    racismo moderno, novo racismo, racismo diferencialista, racismo latente, s&atilde;o    todas elas categorias que procuram equacionar esse recuo das concep&ccedil;&otilde;es    mais prim&aacute;rias de base biol&oacute;gica e a sua substitui&ccedil;&atilde;o    por formas mais subtis de racismo.<A HREF="#6"><SUP>6</SUP></A></P>     <P>Pierre-Andr&eacute; Taguieff, um dos autores que em Fran&ccedil;a mais se tem dedicado ao tema, sintetiza em quatro pontos as caracter&iacute;sticas desse &quot;neo-racismo contempor&acirc;neo&quot;: passagem da ra&ccedil;a &agrave; cultura, com a substitui&ccedil;&atilde;o da ideia de pureza racial pela de identidade cultural aut&ecirc;ntica; da desigualdade &agrave; diferen&ccedil;a, em que o desprezo pelos &quot;inferiores&quot; d&aacute; lugar &agrave; obsess&atilde;o do contacto com eles; recurso a enunciados mais heter&oacute;filos do que heter&oacute;fobos, ou seja, a insist&ecirc;ncia no direito &agrave; diferen&ccedil;a da maioria face &agrave;s culturas minorit&aacute;rias; e uma express&atilde;o simb&oacute;lica e indirecta, mais do que directa e assumida (Taguieff, 1987: 14-16; 1991: 42-43). </P>     <P>Ainda antes de Taguieff, outro autor franc&ecirc;s de refer&ecirc;ncia neste campo, Albert Memmi, estabelecia a distin&ccedil;&atilde;o entre um racismo estrito, de fundamenta&ccedil;&atilde;o apenas biol&oacute;gica, e um racismo lato, &quot;de geometria vari&aacute;vel&quot;, que passa de bom grado ao lado da diferen&ccedil;a racial, e invoca &quot;a psicologia, a cultura, os costumes, as institui&ccedil;&otilde;es, a pr&oacute;pria metaf&iacute;sica&quot;, todas elas fornecendo &quot;o seu contingente de esc&acirc;ndalos&quot; (Memmi, 1993 [1982]: 71). Em nome da clarifica&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica, o autor prop&otilde;e, de resto, que se reserve o termo racismo para os casos em que a primazia &eacute; dada &agrave;s caracter&iacute;sticas biol&oacute;gicas, e o de heterofobia para os restantes (<I>idem</I>: 83-85). </P>     <P>A emerg&ecirc;ncia das novas formas de racismo &eacute; relacionada, tanto    em Fran&ccedil;a como no Reino Unido, com um trabalho de reelabora&ccedil;&atilde;o    ideol&oacute;gica nos c&iacute;rculos da direita mais conservadora, no final    dos anos 60 e nos anos 70, face &agrave; realidade da crescente imigra&ccedil;&atilde;o    e da diversidade &eacute;tnica a ela associada. Em Fran&ccedil;a, a partir de    certos clubes ou associa&ccedil;&otilde;es &quot;de pensamento&quot;, como o    <I>Grece</I> ou o <I>Club de l’Horloge</I>, e tendo como express&atilde;o pol&iacute;tica    a tem&aacute;tica da &quot;prefer&ecirc;ncia nacional&quot; advogada pela Frente    Nacional de Jean-Marie Le Pen (Taguieff, <I>op. cit.:</I> 49; Wieviorka, <I>op.    cit.:</I> 90); no Reino Unido, em alguns sectores do Partido Conservador, com    um discurso em tudo id&ecirc;ntico, j&aacute; n&atilde;o o da hierarquia das    ra&ccedil;as, que pode at&eacute; ser firmemente rejeitado, mas o de que &eacute;    natural cada povo gostar de &quot;viver entre os seus&quot; e o de que a imigra&ccedil;&atilde;o    amea&ccedil;a essa homogeneidade cultural nacional (Miles, 1989: 62-63). </P>     <P>&Eacute; assim que, nas actuais an&aacute;lises sobre o preconceito racial, a segunda das tr&ecirc;s dimens&otilde;es do racismo atr&aacute;s indicadas, se vai &agrave; procura da manifesta&ccedil;&atilde;o dessas novas faces do racismo nas representa&ccedil;&otilde;es comuns das popula&ccedil;&otilde;es ocidentais. </P>     <P>O estudo do preconceito, com sede privilegiada na psicologia social, constitui uma linha de investiga&ccedil;&atilde;o consistente e duradoura, que tem como refer&ecirc;ncias cl&aacute;ssicas a investiga&ccedil;&atilde;o de John Dollard, <I>Caste and Class in a Southern Town</I>, de 1937, a pesquisa dirigida por Theodor Adorno, intitulada <I>The Authoritarian Personality, </I>publicada em 1950, e de Gordon Allport, <I>The Nature of Prejudice</I>, de 1954, todas elas nos EUA. Hoje em dia, s&atilde;o as investiga&ccedil;&otilde;es dirigidas ou inspiradas por Thomas Pettigrew, tamb&eacute;m norte-americano, e cujos primeiros trabalhos remontam ainda aos anos 50, alguns em colabora&ccedil;&atilde;o com Allport, que marcam a agenda de pesquisa deste campo. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Para efeitos de operacionaliza&ccedil;&atilde;o de conceitos e investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, agora no contexto europeu, Pettigrew introduz a distin&ccedil;&atilde;o entre racismo flagrante e racismo subtil, o primeiro designando a configura&ccedil;&atilde;o tradicional de base biol&oacute;gica, o segundo com o objectivo de sintetizar num novo conceito o conjunto j&aacute; mencionado de designa&ccedil;&otilde;es entretanto propostas para captar os novos sentidos da ideologia racista (Pettigrew e Meertens, 1993; Meertens e Pettigrew, 1999; Pettigrew, 1999). Essa distin&ccedil;&atilde;o, bem como os procedimentos de pesquisa adoptados por Pettigrew, s&atilde;o retomados por Vala, Brito e Lopes (1999), no estudo que, como foi dito, inaugura a investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica sistem&aacute;tica sobre racismo no Portugal de hoje. </P>     <P>O pressuposto destes autores &eacute; o de que o senso comum, no contexto do abandono da ideia de ra&ccedil;a tanto pelo discurso cient&iacute;fico como pelos discursos pol&iacute;ticos e institucionais, vem deslocando &quot;a constru&ccedil;&atilde;o de teorias sociais sobre os grupos humanos, e as consequentes formas de categoriza&ccedil;&atilde;o racial, de ideias sobre a ra&ccedil;a para ideias sobre as diferen&ccedil;as culturais e &eacute;tnicas&quot;. A ideia de ra&ccedil;a n&atilde;o foi propriamente abandonada nos discursos quotidianos, dizem, mas &quot;hoje &eacute; mais f&aacute;cil exprimir diferen&ccedil;as culturais do que diferen&ccedil;as raciais&quot;, j&aacute; que a express&atilde;o de diferen&ccedil;as culturais n&atilde;o desafia abertamente a &quot;norma social da indesejabilidade do racismo&quot; (Vala, Brito e Lopes, <I>op. cit</I>. 141, 73). </P>     <P>O racismo &eacute;, ent&atilde;o, definido como uma &quot;configura&ccedil;&atilde;o multidimensional de cren&ccedil;as, emo&ccedil;&otilde;es e orienta&ccedil;&otilde;es comportamentais&quot;, alinhadas em dois eixos estruturantes, um relativo &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o e inferioriza&ccedil;&atilde;o racial e outro relativo &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o e inferioriza&ccedil;&atilde;o cultural. Os resultados obtidos nos v&aacute;rios pa&iacute;ses onde o estudo foi realizado mostram que a express&atilde;o de preconceitos se faz hoje mais pela nega&ccedil;&atilde;o de tra&ccedil;os positivos do que pela atribui&ccedil;&atilde;o de tra&ccedil;os negativos a um grupo-alvo, ou seja, s&atilde;o atribu&iacute;dos mais tra&ccedil;os positivos ao endogrupo do que ao exogrupo (favoritismo endogrupal), mas n&atilde;o necessariamente mais tra&ccedil;os negativos ao exogrupo do que ao endogrupo (derroga&ccedil;&atilde;o exogrupal). Em suma, em todas as amostras inquiridas, incluindo a portuguesa, a ades&atilde;o ao racismo subtil &eacute; maior do que a ades&atilde;o ao racismo flagrante, n&atilde;o deixando os dois, no entanto, de estar muito correlacionados (<I>idem</I>: 14-15, 77, 171-195). </P>     <P>&Eacute; justamente a prop&oacute;sito dos resultados deste estudo comparativo,    e na medida em que ele tem o m&eacute;rito de as colocar no terreno emp&iacute;rico,    que importa fazer um primeiro conjunto de coment&aacute;rios quanto &agrave;s    novas defini&ccedil;&otilde;es de racismo e aos riscos de infla&ccedil;&atilde;o    conceptual a elas associados. </P>     <P>&Eacute; verdade que o preconceito racista, como outras formas de preconceito, tem uma grande maleabilidade e criatividade. A alquimia moral de que falava Merton, pela qual o &quot;intragrupo transforma facilmente a virtude em v&iacute;cio e o v&iacute;cio em virtude, conforme as necessidades de ocasi&atilde;o&quot; <I>(op. cit</I>.: 522), significa justamente que os preconceituosos se agarram ao que for preciso para visarem o grupo tomado como alvo. &Eacute; nesse mesmo sentido que Sartre, no ensaio que dedicou ao anti-semitismo, dizia que &quot;se o judeu n&atilde;o existisse, o anti-semita invent&aacute;-lo-ia&quot; (Sartre, 1999 [1954]: 14). </P>     <P>Mas, dito isto, deve perguntar-se se &eacute; ainda de racismo que se trata quando os membros de uma popula&ccedil;&atilde;o maiorit&aacute;ria se referem mais positivamente &agrave; sua cultura do que &agrave; de determinada minoria, quando n&atilde;o chegam sequer a qualificar negativamente essa minoria, limitando-se a considerar os seus pr&oacute;prios tra&ccedil;os culturais prefer&iacute;veis face aos dela. A ser assim, deixaria de haver qualquer diferen&ccedil;a entre racismo e etnocentrismo. </P>     <P>Ora, a fus&atilde;o dos dois conceitos est&aacute; longe de ser consensual.    Claude L&eacute;vi-Strauss, por exemplo, op&otilde;e-se firmemente a essa possibilidade,    dizendo que n&atilde;o se pode confundir o racismo, doutrina falsa que &quot;pretende    ver nas caracter&iacute;sticas intelectuais e morais atribu&iacute;das a um    conjunto de indiv&iacute;duos (…) o efeito necess&aacute;rio de um patrim&oacute;nio    gen&eacute;tico comum&quot;, com a atitude de indiv&iacute;duos ou grupos cuja    fidelidade a certos valores os torna parcial ou totalmente insens&iacute;veis    a outros valores". <a name="top7"></a>Essa &quot;incomunicabilidade relativa    n&atilde;o autoriza naturalmente a opress&atilde;o ou destrui&ccedil;&atilde;o    dos valores que se rejeita e dos seus representantes, mas, mantida nesses limites,    nada tem de revoltante&quot; (1983: 15).<A HREF="#7"><SUP>7</SUP></A> </P>     <P>Confrontado com o mesmo problema, Jo&atilde;o de Pina-Cabral n&atilde;o manifesta tal oposi&ccedil;&atilde;o. Dado que, nas novas formas de preconceito, as caracter&iacute;sticas fenot&iacute;picas representam apenas um entre v&aacute;rios factores de classifica&ccedil;&atilde;o, seria prefer&iacute;vel adoptar, em vez de racismo, &quot;express&otilde;es mais abrangentes do g&eacute;nero de ‘etnocentrismo’ ou ‘discrimina&ccedil;&atilde;o e preconceito &eacute;tnico’&quot;. O conceito de racismo, segundo o autor, p&otilde;e uma &ecirc;nfase excessiva na diferencia&ccedil;&atilde;o fenot&iacute;pica como princ&iacute;pio classificat&oacute;rio dominante, o que, se &eacute; verdade &quot;em contextos radicados na tradi&ccedil;&atilde;o anglo-americana&quot;, n&atilde;o o &eacute; em tantos outros contextos a n&iacute;vel mundial, &quot;onde o preconceito e a discrimina&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m grassam, incluindo os lus&oacute;fonos&quot; (1998: 24). Uma terceira posi&ccedil;&atilde;o, distinta de qualquer das anteriores, &eacute; a daqueles que falam de &quot;etnicismo&quot; para designar essas novas formas de preconceito, n&atilde;o deixando, contudo, de o incluir num conceito alargado de racismo (Essed, 1991: 287-288; Dijk, 1993: 5, 23). </P>     <P>Sem negar que h&aacute; uma faixa de sobreposi&ccedil;&atilde;o entre os dois    fen&oacute;menos, e n&atilde;o entrando aqui na discuss&atilde;o aprofundada    do problema, pode, de qualquer modo, dizer-se que a fus&atilde;o do etnocentrismo    e do racismo, ou a substitui&ccedil;&atilde;o do segundo conceito pelo primeiro,    &eacute; precipitada. Se isso permite dar conta daquilo que os dois t&ecirc;m    em comum, perde-se de vista o que eles t&ecirc;m de diferente, e que justificou    a evolu&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma dos dois conceitos. <a name="top8"></a>N&atilde;o    ser&aacute; tamb&eacute;m por mera inova&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica,    seja o referido &quot;etnicismo&quot; ou ainda &quot;etnismo&quot; ou &quot;etismo&quot;,    que a quest&atilde;o se resolver&aacute;.<A HREF="#8"><SUP>8</SUP></A> </P>     <P>Considerar a autovaloriza&ccedil;&atilde;o cultural de um determinado grupo    maiorit&aacute;rio como uma forma de racismo torna-se ainda mais discut&iacute;vel    quando se tem em conta o tipo de indicadores utilizados para a sua &quot;medi&ccedil;&atilde;o&quot;    emp&iacute;rica. A operacionaliza&ccedil;&atilde;o proposta por Pettigrew, e    seguida em Portugal por Vala, Brito e Lopes, inclui na &quot;escala de racismo    subtil&quot; itens que s&oacute; por extrema amplia&ccedil;&atilde;o do conceito    se podem considerar indicadores de preconceito racial. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Assim, &agrave;s perguntas sobre se a religi&atilde;o, a l&iacute;ngua, ou mesmo os valores incutidos aos filhos por determinada minoria (no caso do estudo portugu&ecirc;s, &quot;os negros&quot;), s&atilde;o muito semelhantes ou muito diferentes dos da popula&ccedil;&atilde;o maiorit&aacute;ria (Pettigrew <I>et al</I>., 1993: 112-113; Meertens e Pettigrew, 1999: 28-29; Vala, Brito e Lopes, 1999: 176), quando essa diferen&ccedil;a &eacute; uma quest&atilde;o factual, as respostas obtidas, quaisquer que sejam, n&atilde;o podem tomar-se como sin&oacute;nimo de preconceito, mas apenas como indicativas de conhecimento ou desconhecimento de factos objectivos. Perguntar, por outro lado, com que frequ&ecirc;ncia se sente simpatia ou admira&ccedil;&atilde;o por essa mesma minoria tamb&eacute;m n&atilde;o parece uma boa maneira de medir preconceitos. Se a manifesta&ccedil;&atilde;o de antipatia para com uma minoria globalmente considerada poder&aacute; ser sinal de racismo, j&aacute; n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel dizer-se que s&oacute; n&atilde;o h&aacute; racismo se forem expressas, de forma igualmente global, simpatia e admira&ccedil;&atilde;o frequentes face a ela. </P>     <P>Pettigrew e Meertens n&atilde;o deixam de reconhecer a limita&ccedil;&atilde;o destes indicadores, afirmando que &quot;os turcos e os norte-africanos, por exemplo, t&ecirc;m uma religi&atilde;o e falam uma l&iacute;ngua realmente diferentes das da maior parte dos europeus&quot;. O contra-argumento segundo o qual, apesar disso, &quot;os sujeitos que obt&ecirc;m valores mais altos na escala do racismo subtil consideram sistematicamente essas diferen&ccedil;as como sendo maiores do que as reconhecidas pelos outros sujeitos&quot;, o que, portanto, validaria esses indicadores, n&atilde;o &eacute; convincente (1993: 113-114). Deste modo, quando os mesmos autores se questionam, no t&iacute;tulo de um dos trabalhos j&aacute; citados, se &quot;Ser&aacute; o racismo subtil mesmo racismo?&quot; (1999: 11-29), n&atilde;o se pode deixar de manifestar reservas perante a resposta positiva inequ&iacute;voca a que chegam, tendo em conta a operacionaliza&ccedil;&atilde;o e os indicadores usados. </P>     <P>O mesmo problema de infla&ccedil;&atilde;o conceptual do racismo, na sua dimens&atilde;o representacional, pode encontrar-se, numa modalidade ainda mais flagrante, dir-se-ia, nos trabalhos de outro autor contempor&acirc;neo influente neste dom&iacute;nio, o holand&ecirc;s Teun van Dijk (1987, 1993). Dijk parte do pressuposto, que partilha com muitos outros autores, e que ser&aacute; questionado mais &agrave; frente, de que, tanto os EUA como os pa&iacute;ses europeus ocidentais receptores de imigrantes constituem, acima de tudo, sociedades de domina&ccedil;&atilde;o racial, em que um grupo maiorit&aacute;rio branco domina, a todos os n&iacute;veis da exist&ecirc;ncia colectiva, uma ou mais minorias &eacute;tnicas e raciais totalmente subordinadas. </P>     <P>Nesse quadro, o preconceito &quot;n&atilde;o &eacute; apenas uma atitude individual    de certas pessoas (preconceituosas), mas uma forma de cogni&ccedil;&atilde;o    social estruturalmente fundada&quot; (Dijk, 1987: 391), destinada a legitimar    essas rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o global, e que conhece    uma reprodu&ccedil;&atilde;o alargada atrav&eacute;s de todo o tipo de discursos.    Estruturas de poder e domina&ccedil;&atilde;o, cogni&ccedil;&atilde;o social    e discurso constituem, por outras palavras, o modelo articulado que o autor    adopta para analisar o racismo. Tanto o racismo flagrante como o subtil, este    &uacute;ltimo reconhecido tamb&eacute;m como a sua forma predominante, permeiam,    em sentido descendente, &quot;todos os n&iacute;veis sociais e pessoais das    nossas sociedades: desde as decis&otilde;es, ac&ccedil;&otilde;es e discursos    dos corpos legislativos e governamentais, passando pelos de v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es,    na educa&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o, <I>media</I>, sa&uacute;de,    pol&iacute;cia, tribunais e ag&ecirc;ncias sociais, at&eacute; &agrave; conversa&ccedil;&atilde;o,    pensamento e interac&ccedil;&atilde;o quotidianos&quot; (<I>idem</I>: 15). </P>     <P><a name="top9"></a>A comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e interpessoal    dos preconceitos racistas — &eacute; esse o objecto emp&iacute;rico do autor    —, faz-se atrav&eacute;s de uma multiplicidade de discursos correntes no seio    da maioria dominante branca, discursos que servem para reproduzir esses preconceitos.<A HREF="#9"><SUP>9</SUP></A>    Inclui a&iacute; a conversa&ccedil;&atilde;o entre pais e filhos; entre vizinhos,    amigos e nos grupos de pares; em filmes e programas de televis&atilde;o, romances    e notici&aacute;rios, propaganda pol&iacute;tica e relat&oacute;rios de investiga&ccedil;&atilde;o    acad&eacute;micos. Fundamental em todos esses discursos, &quot;embora cuidadosamente    impl&iacute;cito, &eacute; o par escondido superioridade/inferioridade&quot;    (<I>idem</I>: 384, 386). </P>     <P>No segundo dos trabalhos citados, Dijk desenvolve largamente a ideia, sugerida j&aacute; no primeiro estudo, segundo a qual os conte&uacute;dos da conversa&ccedil;&atilde;o corrente entre os membros comuns das maiorias brancas acerca das minorias invocam, em grande medida, discursos institucionais produzidos e postos a circular a partir de patamares mais elevados na estrutura social, e que funcionam como legitima&ccedil;&atilde;o desses conte&uacute;dos. S&atilde;o, concretamente, as elites pol&iacute;ticas, educativas, universit&aacute;rias, empresariais e dos <I>media, </I>quem contribui para a reprodu&ccedil;&atilde;o do preconceito, pr&eacute;-formulando persuasivamente o consenso dominante em mat&eacute;ria &eacute;tnica e as formas populares de racismo. Diz ainda o autor que, circunscrevendo o racismo &agrave;s ideologias e pr&aacute;ticas expl&iacute;citas, intencionais e flagrantes da extrema-direita, essas elites adoptam &quot;uma defini&ccedil;&atilde;o de racismo que convenientemente as exclui como parte do problema&quot; (1993: 8-9). </P>     <P>Particularmente visadas por Dijk s&atilde;o as chamadas elites acad&eacute;micas.    No primeiro estudo j&aacute; afirmava que, hoje em dia, e de forma muito mais    subtil e indirecta do que no passado, s&atilde;o &quot;pressupostos e objectivos    racistas que inspiram muito do trabalho acad&eacute;mico (de brancos) sobre    grupos &eacute;tnicos e rela&ccedil;&otilde;es raciais, com a nega&ccedil;&atilde;o,    por exemplo, da natureza estrutural do racismo nas nossas sociedades&quot; (1987:    15). <a name="top10"></a>No estudo subsequente, analisa, como alegada prova    da reprodu&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria de discursos racistas, diferentes    manuais de sociologia em l&iacute;ngua inglesa, entre os quais o conhecido <I>Sociology</I>    de Giddens, sobre o qual diz &quot;ter uma perspectiva branca e n&atilde;o sublinhar    nem analisar suficientemente o papel da domina&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica    europeia, da desigualdade e do racismo nas rela&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas    (1993: 177).&quot;<A HREF="#10"><SUP>10</SUP></A> </P>     <P>Perante defini&ccedil;&otilde;es e operacionaliza&ccedil;&otilde;es com esta    latitude, especialmente no caso de Dijk, mas tamb&eacute;m no de Pettigrew,    s&oacute; pode concluir-se que o racismo enquanto preconceito &eacute; uma fatalidade,    ou seja, n&atilde;o pode n&atilde;o haver preconceitos racistas. Mais do que    ser conceptualmente especificado, o racismo &eacute; aqui objecto de generaliza&ccedil;&atilde;o    conceptual, a um ponto em que toda a representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica    da distintividade &eacute;tnica e racial — desde o seu mero reconhecimento de    facto, passando pelos estere&oacute;tipos mais ou menos in&oacute;cuos que sobre    ela se produzem, at&eacute; &agrave;s express&otilde;es mais expl&iacute;citas    e agressivas contra ela —, &eacute; virtualmente sin&oacute;nimo de preconceito.    O preconceito seria, assim, t&atilde;o inevit&aacute;vel quanto o &eacute;,    no pr&oacute;prio funcionamento cognitivo humano, a produ&ccedil;&atilde;o de    estere&oacute;tipos, como forma de reduzir a imensa variedade de informa&ccedil;&atilde;o    social relativa a grupos sociais (Garcia-Marques, 1999: 130-131). </P>     <P>No caso particular de van Dijk, h&aacute;, al&eacute;m do mais, um modelo circular e fechado de an&aacute;lise do racismo, que em si mesmo coloca as perguntas e d&aacute; as respostas, limitando-se a pesquisa emp&iacute;rica a confirm&aacute;-las. Se o racismo, como diz o autor, &eacute; estrutural e atravessa todas as inst&acirc;ncias institucionais e pessoais na sociedade, ent&atilde;o ele estar&aacute; em todos os pensamentos e em todos os discursos. Como em todos os discursos h&aacute; preconceitos raciais, e empiricamente consegue encontr&aacute;-los por mais escondidos que estejam, ent&atilde;o o racismo &eacute; estrutural. </P>     <P>Outra quest&atilde;o suscitada pelas formula&ccedil;&otilde;es de Pettigrew    e Dijk &eacute; a que tem a ver com o significado atribu&iacute;do ao decl&iacute;nio    do chamado racismo flagrante. <a name="top11"></a>Preocupados em identificar    e classificar as formas mais subtis e ocultas do racismo contempor&acirc;neo,    os autores citados, e muitos outros, parecem subavaliar a import&acirc;ncia    que tem a conten&ccedil;&atilde;o social das formas mais prim&aacute;rias de    racismo do ponto vista do seu combate, ou, se se quiser, do ponto de vista do    chamado anti-racismo.<A HREF="#11"><SUP>11</SUP></A> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Entre o racismo flagrante e o subtil h&aacute;, segundo estas interpreta&ccedil;&otilde;es, uma diferen&ccedil;a de natureza, mas n&atilde;o de grau. No entanto, n&atilde;o ser&aacute; o racismo subtil menos racista do que o flagrante? A san&ccedil;&atilde;o social externa e a autoconten&ccedil;&atilde;o a que est&aacute; submetido o racismo flagrante n&atilde;o significam, justamente, que a express&atilde;o do racismo &eacute; menor do que naqueles contextos hist&oacute;ricos em que, tanto as representa&ccedil;&otilde;es como as pr&aacute;ticas racistas tinham ou t&ecirc;m pouca ou nenhuma conten&ccedil;&atilde;o e penaliza&ccedil;&atilde;o social? </P>     <P>Apesar da defini&ccedil;&atilde;o t&atilde;o lata que adopta, &eacute; o pr&oacute;prio Pettigrew e, em sintonia com ele, Vala, Brito e Lopes, quem chama a aten&ccedil;&atilde;o para o car&aacute;cter antinormativo do racismo nas sociedades ocidentais contempor&acirc;neas, ou melhor, para a normatividade social anti-racista que hoje caracteriza essas sociedades. O grau de enraizamento social da norma anti-racista &eacute; atestado pela pr&oacute;pria ideia de racismo subtil, j&aacute; que, de acordo com os autores, ele torna-se subtil justamente para n&atilde;o contrariar essa norma, o que n&atilde;o deixa de mostrar qu&atilde;o efectiva ela &eacute;. Pettigrew chega mesmo a distinguir &quot;igualit&aacute;rios&quot;, &quot;racistas subtis&quot; e &quot;fan&aacute;ticos&quot; (ou racistas flagrantes), de acordo com a influ&ecirc;ncia social obtida por essa norma: os &quot;igualit&aacute;rios&quot; internalizam-na completamente, os subtis acatam-na ou conformam-se com ela, embora n&atilde;o deixem de exprimir preconceitos n&atilde;o flagrantes, e os &quot;fan&aacute;ticos&quot; desafiam-na activa e publicamente (Pettigrew e Meertens, 1993: 122-126; Vala, Brito e Lopes, <I>op. cit.:</I> 170-174). </P>     <P>Ora, se &eacute; importante investigar que &quot;mecanismos psico-sociol&oacute;gicos    alimentam o racismo em contextos sociais em que este &eacute; antinormativo,    e que express&otilde;es subtis, n&atilde;o antinormativas, assume hoje o racismo&quot;    (Vala <I>et al.,</I> <I>idem</I>: 18), n&atilde;o ser&aacute; menos importante    sublinhar que h&aacute; aqui uma diferen&ccedil;a de natureza, mas tamb&eacute;m    de grau, por compara&ccedil;&atilde;o com os contextos em que o racismo n&atilde;o    era ou n&atilde;o &eacute; antinormativo. Como notava Fontette, j&aacute; h&aacute;    bastante tempo, &quot;o verdadeiro racista n&atilde;o tem vergonha&quot; e a    &quot;c&eacute;lebre f&oacute;rmula ‘eu n&atilde;o sou racista, mas’ &eacute;    suscept&iacute;vel de v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es, a menos desfavor&aacute;vel    das quais &eacute; a de que aquele que a pronuncia revela, por isso mesmo, sentimentos    de que se envergonha e que n&atilde;o ousa manifestar enquanto tais&quot; (Fontette,    1981: 122). </P>     <P>No entanto, Teun van Dijk e outros autores desvalorizam largamente os valores e as normas que, no quadro das culturas ocidentais contempor&acirc;neas, condenam firmemente o racismo. Referindo-se a esta quest&atilde;o, Dijk diz que, de acordo com os resultados das suas pesquisas, as pessoas em geral n&atilde;o aprenderam a contradizer o pensamento racista e raramente o contradizem, ao passo que os <I>media</I> n&atilde;o fornecem contra-informa&ccedil;&atilde;o que possa ser usada para o combater. Esses valores e normas gerais poder&atilde;o ser, quando muito, &quot;inconsistentes com o racismo&quot;, mas o que realmente sobressai &eacute; que &quot;uma das mais not&aacute;veis propriedades de uma sociedade racista &eacute; que ela n&atilde;o &eacute; anti-racista&quot; (Dijk, 1987: 394). </P>     <P><a name="top12"></a>Na mesma linha, Philomena Essed, autora, tal como Dijk,    de pesquisas comparativas entre a Holanda e os EUA, mas cujos resultados considera    serem v&aacute;lidos para outras sociedades &quot;dominadas por brancos&quot;,    afirma que o valor da toler&acirc;ncia, tido pela sociedade holandesa como um    dos seus tra&ccedil;os culturais mais marcantes, &eacute; problem&aacute;tico    quando aplicado a rela&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas entre grupos.<A HREF="#12"><SUP>12</SUP></A>    A toler&acirc;ncia, diz, &quot;pressup&otilde;e que um grupo tem o poder de    ser tolerante e que os outros ter&atilde;o de esperar para ver se v&atilde;o    ser rejeitados ou tolerados. Por isso, a toler&acirc;ncia cultural &eacute;,    essencialmente, uma forma de controlo cultural&quot; (1991: viii, 210-211).  </P>     <P>Posi&ccedil;&atilde;o do mesmo tipo &eacute;, ainda, a de Ponterotto e Pedersen, para quem as modernas formas de racismo subtil prevalecem mesmo entre aqueles norte-americanos que &quot;possuem valores fortemente igualit&aacute;rios, simpatizam com as v&iacute;timas de injusti&ccedil;as passadas, apoiam pol&iacute;ticas de promo&ccedil;&atilde;o da igualdade racial e se v&ecirc;em a si pr&oacute;prios como n&atilde;o preconceituosos e como n&atilde;o tendo pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias (<I>op. cit.:</I> 17). </P>     <P>Neste ponto j&aacute; n&atilde;o estamos s&oacute; perante um problema de generaliza&ccedil;&atilde;o do conceito de racismo a uma escala que o deixa praticamente sem pr&eacute;stimo, em que tudo se igualiza, desde o preconceito racista mais flagrante at&eacute; ao valor da toler&acirc;ncia e o apoio a pol&iacute;ticas de igualdade racial. Mais do que isso, h&aacute; aqui meras posi&ccedil;&otilde;es de princ&iacute;pio, em que parece j&aacute; n&atilde;o interessar muito a constitui&ccedil;&atilde;o do racismo enquanto objecto de reflex&atilde;o e pesquisa sociol&oacute;gica, mas, antes disso, ou at&eacute; em vez disso, constitu&iacute;-lo em campo de luta ideol&oacute;gica e pol&iacute;tica, a partir do mundo acad&eacute;mico. Declarar, por princ&iacute;pio, que tudo &eacute; racismo tem exactamente o mesmo valor, neste quadro, que declarar, tamb&eacute;m por princ&iacute;pio, exactamente o contr&aacute;rio. </P>     <P>O modo como &eacute; interpretada a rela&ccedil;&atilde;o inversamente proporcional    entre escolaridade e preconceito, habitualmente confirmada pela pesquisa emp&iacute;rica,    ilustra bem essa posi&ccedil;&atilde;o. <a name="top13"></a>Mais do que real&ccedil;ar    a import&acirc;ncia da escolaridade na redu&ccedil;&atilde;o de estere&oacute;tipos    e preconceitos, prefere-se defender que ela proporciona mais consci&ecirc;ncia    das subtilezas das normas e valores prevalecentes, e que os mais escolarizados,    quando os contextos o favorecem, s&atilde;o pouco menos racistas, nas ideias    e nas pr&aacute;ticas, do que as outras pessoas (Dijk, 1987: 394).<A HREF="#13"><SUP>13</SUP></A>  </P>     <P>A discuss&atilde;o sobre os contornos conceptuais do racismo, enquanto fen&oacute;meno    representacional, n&atilde;o poderia completar-se sem refer&ecirc;ncia ao conceito    de racializa&ccedil;&atilde;o, de uso corrente na sociologia de l&iacute;ngua    inglesa. Aquele que &eacute; o seu principal proponente actual, Robert Miles,    distingue-o inequivocamente, por um lado, de racismo e, por outro lado, de racismo    institucional, conceito que ser&aacute; comentado adiante e que, tamb&eacute;m    no mundo anglo-sax&oacute;nico, &eacute; habitualmente tido como alternativa    vantajosa ao de discrimina&ccedil;&atilde;o racial. </P>     <P>Fala-se de racializa&ccedil;&atilde;o para designar o processo simb&oacute;lico que consiste na atribui&ccedil;&atilde;o de &quot;significado social a certas caracter&iacute;sticas biol&oacute;gicas (normalmente fenot&iacute;picas), na base das quais aqueles que delas s&atilde;o portadores s&atilde;o designados como uma colectividade distinta&quot; (Miles, 1989: 74). Trata-se, por outras palavras, de um processo de categoriza&ccedil;&atilde;o social a partir de tra&ccedil;os de distintividade racial de determinadas popula&ccedil;&otilde;es, e que se traduz na utiliza&ccedil;&atilde;o generalizada da no&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a para mencionar ou descrever essas popula&ccedil;&otilde;es, mesmo em casos em que a diferen&ccedil;a fenot&iacute;pica &eacute; apenas imaginada (Miles, 1996: 306-307). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="top14"></a>O que, para o autor, distingue racializa&ccedil;&atilde;o    de racismo &eacute; que o racismo &eacute; um caso particular de racializa&ccedil;&atilde;o,    envolvendo uma avalia&ccedil;&atilde;o explicitamente negativa de categorias    imutavelmente definidas em termos biol&oacute;gicos ou culturais.<A HREF="#14"><SUP>14</SUP></A>    Essa avalia&ccedil;&atilde;o negativa n&atilde;o est&aacute;, no entanto, necessariamente    presente em todos os processos de categoriza&ccedil;&atilde;o racial. Em muitos    discursos contempor&acirc;neos nos EUA e na Europa, diz ainda Miles, e no caso    europeu estar&aacute; certamente a referir-se mais ao Reino Unido do que a qualquer    outro pa&iacute;s, &quot;categorias como ‘branco’ e ‘preto’ s&atilde;o utilizadas    para etiquetar indiv&iacute;duos e, por consequ&ecirc;ncia, para constituir    grupos, mas frequentemente na aus&ecirc;ncia formal do discurso da ‘ra&ccedil;a’&quot;    (1989: 75, 79). </P>     <P>Trata-se, pode dizer-se, de um conceito largamente tribut&aacute;rio da perspectiva weberiana sobre a orienta&ccedil;&atilde;o subjectiva da ac&ccedil;&atilde;o social e a constitui&ccedil;&atilde;o, por essa via, de identidades colectivas. Era, de resto, em termos muito pr&oacute;ximos destes que o pr&oacute;prio Weber se referia j&aacute; ao significado da &quot;perten&ccedil;a racial&quot;, dizendo que ela &quot;n&atilde;o conduz a uma ‘comunidade’ a n&atilde;o ser que seja sentida subjectivamente como uma caracter&iacute;stica comum&quot; (1995 [1922]: 124). Foi tamb&eacute;m para evidenciar como a distintividade racial se torna objecto de categoriza&ccedil;&atilde;o social que Roger Bastide chegou a propor a no&ccedil;&atilde;o de &quot;ra&ccedil;as sociol&oacute;gicas&quot; e sublinhou a sua grande variabilidade entre pa&iacute;ses e contextos hist&oacute;ricos. Justamente por as perten&ccedil;as raciais serem constru&iacute;das socialmente &eacute; que um mulato claro &eacute; definido como branco no Brasil e como negro nos EUA (Bastide, 1973: 34). </P>     <P>Se a racializa&ccedil;&atilde;o, nos termos estritos em que Miles a define, n&atilde;o &eacute;, com efeito, sin&oacute;nimo de racismo, coloca-se a quest&atilde;o de saber se a fronteira que separa uma e outro n&atilde;o ser&aacute;, no entanto, mais difusa do que a defini&ccedil;&atilde;o deixa crer, e se n&atilde;o se passar&aacute; facilmente da categoriza&ccedil;&atilde;o racial meramente descritiva para a constitui&ccedil;&atilde;o de estere&oacute;tipos e preconceitos raciais propriamente ditos. </P>     <P>Tomando, desde logo, a interac&ccedil;&atilde;o social quotidiana entre indiv&iacute;duos    racialmente diferenciados, pode dizer-se que ela d&aacute; lugar a um processo    cruzado de categoriza&ccedil;&atilde;o, fundado na pr&oacute;pria visibilidade    imediata dessa diferen&ccedil;a, que n&atilde;o implica, de facto, necessariamente    preconceitos raciais. Sendo certo que em todas as situa&ccedil;&otilde;es de    interac&ccedil;&atilde;o as pessoas envolvidas procedem a uma categoriza&ccedil;&atilde;o    autom&aacute;tica do vis&iacute;vel, nos casos em que essas pessoas s&atilde;o    fenotipicamente diferentes, essa mesma diferen&ccedil;a fenot&iacute;pica sobrepor-se-&aacute;,    muitas vezes, enquanto crit&eacute;rio de classifica&ccedil;&atilde;o, a todas    as outras caracter&iacute;sticas distintivas igualmente apreens&iacute;veis    a olho nu, como, por exemplo, o sexo ou a idade. A cor da pele, em particular,    sendo o mais vis&iacute;vel de todos os tra&ccedil;os fenot&iacute;picos, e    o que se oferece de maneira mais directa e inquestion&aacute;vel &agrave; percep&ccedil;&atilde;o    de um observador comum, constitui-se facilmente em principal crit&eacute;rio    de categoriza&ccedil;&atilde;o social. </P>     <P>N&atilde;o deve esquecer-se, no entanto, que, no curso dessas pr&aacute;ticas classificat&oacute;rias autom&aacute;ticas e rec&iacute;procas, se pode transformar facilmente uma caracter&iacute;stica entre muitas outras daqueles que s&atilde;o observados, como seja a cor da pele, em eixo organizador da pr&oacute;pria pr&aacute;tica de observa&ccedil;&atilde;o, deixando a categoriza&ccedil;&atilde;o racial de ter uma fun&ccedil;&atilde;o apenas descritiva, para passar a ser um princ&iacute;pio de explica&ccedil;&atilde;o de tudo o que se observa, e abrindo caminho, portanto, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de estere&oacute;tipos e preconceitos raciais. </P>     <P>Mais do que das interac&ccedil;&otilde;es informais quotidianas &eacute;, contudo,    da racializa&ccedil;&atilde;o produzida em sede institucional que adv&ecirc;m    os maiores contributos para que a fronteira t&eacute;nue entre a mera categoriza&ccedil;&atilde;o    racial e o preconceito seja transposta. <a name="top15"></a>Particularmente    nos EUA e na Inglaterra, e n&atilde;o &eacute; por acaso que o conceito em an&aacute;lise    &eacute; da&iacute; oriundo, h&aacute; m&uacute;ltiplas inst&acirc;ncias institucionais    de racializa&ccedil;&atilde;o, fortemente articuladas entre si, que constituem    um poderoso factor de estrutura&ccedil;&atilde;o do pensamento e dos discursos    comuns a este respeito.<A HREF="#15"><SUP>15</SUP></A> </P>     <P>Entre os lugares permanentes de produ&ccedil;&atilde;o institucional de categorias e discursos racializados contam-se: o campo pol&iacute;tico, tanto do lado das autoridades governativas a todos os n&iacute;veis de decis&atilde;o, como do lado do associativismo e da ac&ccedil;&atilde;o colectiva das minorias &eacute;tnicas e raciais; o campo jur&iacute;dico, particularmente o legislativo; os aparelhos estat&iacute;sticos oficiais; e as pr&oacute;prias ci&ecirc;ncias sociais, nomeadamente a sociologia. Em todos esses dom&iacute;nios, termos como ra&ccedil;a e rela&ccedil;&otilde;es raciais, negro ou branco, fazem parte da terminologia formal de uso corrente. </P>     <P>&Eacute;, ali&aacute;s, not&oacute;rio, nas formula&ccedil;&otilde;es de Miles, que o cuidado em distinguir racializa&ccedil;&atilde;o de racismo tem a ver, tamb&eacute;m, com a necessidade de salvaguardar a posi&ccedil;&atilde;o daqueles que, sendo historicamente as principais v&iacute;timas de preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o, adoptam, como linguagem pol&iacute;tica e bandeiras de mobiliza&ccedil;&atilde;o (desde o <I>Black Power</I> dos anos 60 at&eacute; &agrave; actualidade), essas mesmas categorias racializadas, categorias que, afinal, coincidem, em larga medida, com as usadas nos discursos racistas propriamente ditos. </P>     <P>Al&eacute;m de contribuir para uma cristaliza&ccedil;&atilde;o de designa&ccedil;&otilde;es que indirectamente favorece o pensamento racista, a racializa&ccedil;&atilde;o dos discursos dos l&iacute;deres e organiza&ccedil;&otilde;es de minorias, em particular, tem o problema adicional e mais imediato das condi&ccedil;&otilde;es de efic&aacute;cia. No&ccedil;&otilde;es como &quot;unidade negra&quot;, &quot;luta dos negros&quot; ou &quot;resist&ecirc;ncia negra&quot; conhecem frequentemente problemas de operacionaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, j&aacute; que simplificam ao extremo realidades que s&atilde;o complexas e multidimensionais, acabando por ser muito menos mobilizadoras do que era esperado. </P>     <P>A ideia, por exemplo, de que seria parte integrante do &quot;movimento negro&quot; o protesto p&uacute;blico dos asi&aacute;ticos mu&ccedil;ulmanos fixados em Inglaterra, por ocasi&atilde;o da publica&ccedil;&atilde;o do livro <I>Vers&iacute;culos Sat&acirc;nicos</I> de Salman Rushdie, em 1988, &eacute; apenas um caso limite de um processo de reifica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de categorias raciais, que conhece muitas outras express&otilde;es e que, como nota o pr&oacute;prio Miles, &quot;reproduz a dicotomia racista subsistente como uma imagem de espelho&quot; (Miles, 1993a: 3-4) </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Algo de hom&oacute;logo se passa com a racializa&ccedil;&atilde;o dos instrumentos    estat&iacute;sticos. <a name="top16"></a>Embora se possam invocar alguns argumentos    a seu favor, o uso oficial de estat&iacute;sticas raciais, n&atilde;o s&oacute;    tende a refor&ccedil;ar significativamente a linguagem da ra&ccedil;a nos discursos    informais e institucionais, como tem efic&aacute;cia duvidosa do ponto de vista    da pr&oacute;pria caracteriza&ccedil;&atilde;o da realidade, uma vez que &eacute;    virtualmente imposs&iacute;vel produzir sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o    que sejam, simultaneamente, consensuais, rigorosos, exaustivos e capazes de    dar conta da permanente flutua&ccedil;&atilde;o das auto-identifica&ccedil;&otilde;es    &eacute;tnicas e raciais.<A HREF="#16"><SUP>16</SUP></A> </P>     <P>No recenseamento norte-americano de 1990, por exemplo, os 9, 8 milh&otilde;es de respostas registadas na categoria &quot;outros&quot; d&atilde;o um bom testemunho da falibilidade do sistema de classifica&ccedil;&atilde;o adoptado e podem ser lidos como uma &quot;rejei&ccedil;&atilde;o de facto&quot; dessa classifica&ccedil;&atilde;o (Berghe, 1993: 248). Nenhum sistema de classifica&ccedil;&atilde;o racial poderia, t&atilde;o pouco, dar sentido &uacute;til &agrave;s 136 respostas diferentes que uma pergunta do mesmo tipo obteve no recenseamento brasileiro de 1980 (Vieira, R. M., 1995: 235), caso, ali&aacute;s, bem demonstrativo de um pensamento comum n&atilde;o racializado. </P>     <P>No que toca, finalmente, &agrave; racializa&ccedil;&atilde;o do discurso sociol&oacute;gico, o uso generalizado de categorias anal&iacute;ticas como &quot;ra&ccedil;a&quot;, &quot;rela&ccedil;&otilde;es raciais&quot; ou &quot;linha de cor&quot;, &eacute; um processo de longa dura&ccedil;&atilde;o, iniciado nos EUA com a Escola de Chicago, nos anos 20, estendido mais tarde &agrave; sociologia inglesa, a partir do momento em que o Reino Unido come&ccedil;ou a receber imigrantes extra-europeus, e que se prolonga at&eacute; aos dias de hoje, nos dois pa&iacute;ses. Se, particularmente no caso norte-americano, e face &agrave;s circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas conhecidas, era praticamente inevit&aacute;vel que essas no&ccedil;&otilde;es entrassem na teoria sociol&oacute;gica, a sua posterior cristaliza&ccedil;&atilde;o na sociologia anglo-sax&oacute;nica em geral acabou por ter os mesmos efeitos negativos de outros discursos institucionais racializados. </P>     <P>Na medida em que se confirmam e refor&ccedil;am reciprocamente, e estruturam de forma decisiva o pensamento comum, esses v&aacute;rios discursos, sociologia inclu&iacute;da, geram um efeito de coro, em que todas as rela&ccedil;&otilde;es sociais envolvendo indiv&iacute;duos e grupos racialmente diferentes s&atilde;o entendidas, exclusiva ou principalmente, como rela&ccedil;&otilde;es raciais; ou seja, eles funcionam tendencialmente, para usar de novo a c&eacute;lebre formula&ccedil;&atilde;o de Merton, como uma profecia que se cumpre por si pr&oacute;pria. Ao definir-se t&atilde;o generalizadamente a realidade em termos raciais, s&atilde;o os pr&oacute;prios contextos do racismo que s&atilde;o alimentados. </P>     <P>Desde os anos 80, a atribui&ccedil;&atilde;o de estatuto anal&iacute;tico a    no&ccedil;&otilde;es como ra&ccedil;a ou rela&ccedil;&otilde;es raciais tem    sido objecto de cr&iacute;ticas crescentes, dentro da pr&oacute;pria sociologia    de l&iacute;ngua inglesa, estando em curso um debate sobre o assunto, no qual    se tem destacado o pr&oacute;prio Robert Miles. Na sua perspectiva, &quot;os    cientistas sociais prolongaram, perversamente, a vida de uma ideia [a de ra&ccedil;a]    que devia ter sido expl&iacute;cita e consistentemente confinada ao caixote    de lixo dos termos analiticamente in&uacute;teis&quot;; em vez de se explicar    como &eacute; que a ideia de ra&ccedil;a se torna objecto de um processo de    constru&ccedil;&atilde;o social, ela &eacute; tomada como &quot;um facto social    explicativo de outros factos sociais&quot; (Miles, 1989: 72-73). <a name="top17"></a>N&atilde;o    se demarcando do senso comum racializado, ou confirmando-o mesmo de forma expl&iacute;cita,    a utiliza&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica da no&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a,    diz ainda Miles, acaba por apoiar, indirectamente, a pr&oacute;pria ideologia    racista (Miles, 1993a: 47).<A HREF="#17"><SUP>17</SUP></A> </P>     <P>&Eacute; na sequ&ecirc;ncia destas cr&iacute;ticas que Miles defende, ent&atilde;o,    o abandono daquela no&ccedil;&atilde;o e prop&otilde;e, como alternativa, o    mencionado conjunto tripartido de conceitos formado por racismo, entendido como    ideologia e preconceito da superioridade/inferioridade de base biol&oacute;gica    e/ou cultural, racializa&ccedil;&atilde;o e racismo institucional. Nessa alternativa,    e deixando de lado para j&aacute; os problemas que envolvem a ideia de racismo    institucional, ficam, no entanto, por discutir as rela&ccedil;&otilde;es de    proximidade entre racismo e racializa&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, se parte    daquilo que &eacute; tomado somente por racializa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    &eacute; j&aacute; uma forma de preconceito racial propriamente dito. </P>     <P>Independentemente de significar s&oacute; racializa&ccedil;&atilde;o, no sentido que lhe &eacute; dado por Miles, ou de ser mais do que isso, a perman&ecirc;ncia de representa&ccedil;&otilde;es sociais, espont&acirc;neas e elaboradas, que tomam como base a distintividade racial, deve ser salientada em contraponto &agrave; &ecirc;nfase que as novas defini&ccedil;&otilde;es de racismo colocam na ideia de que os conte&uacute;dos da ideologia e do preconceito racistas s&atilde;o cada vez mais culturais e cada vez menos raciais. Mesmo nos casos em que n&atilde;o se exclui da defini&ccedil;&atilde;o do novo racismo a componente especificamente racial (Vala, Brito e Lopes, 1999), ela n&atilde;o deixa de ser colocada em segundo plano face &agrave; dimens&atilde;o &eacute;tnico-cultural. Ora, sem negar import&acirc;ncia a essa nova configura&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica que &eacute; o racismo &quot;culturalizado&quot; e subtil, o que se pode concluir da persist&ecirc;ncia de tantos discursos racializados, especialmente no mundo anglo-sax&oacute;nico, mas certamente n&atilde;o s&oacute; a&iacute;, &eacute; que os conte&uacute;dos propriamente raciais da ideologia e do preconceito racistas est&atilde;o longe de estar esgotados. </P>     <P>Dir-se-ia, assim, para encerrar este ponto, que, se nas actuais defini&ccedil;&otilde;es de racismo h&aacute;, por um lado, um problema de infla&ccedil;&atilde;o conceptual, alargando-se a aplica&ccedil;&atilde;o do conceito a dom&iacute;nios que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o os seus, por outro lado, h&aacute; um problema de esvaziamento conceptual, j&aacute; que parece subestimar-se a persist&ecirc;ncia de maneiras de pensar que continuam a ter como primeira refer&ecirc;ncia as caracter&iacute;sticas raciais de determinadas popula&ccedil;&otilde;es. A posi&ccedil;&atilde;o de Collette Guillaumin (1993: 149-151), segundo a qual o racismo banal ou comum &eacute;, afinal, um sincretismo, em que n&atilde;o se faz distin&ccedil;&atilde;o entre o som&aacute;tico e o simb&oacute;lico, entre o biol&oacute;gico e o cultural, constitui provavelmente a abordagem mais equilibrada da quest&atilde;o, valendo a pena que a actual pesquisa emp&iacute;rica pudesse prosseguir. </P>     <P><a name="top18"></a>Ainda que a ideia de hierarquiza&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;as,    caracter&iacute;stica da ideologia racista cl&aacute;ssica, tenha sido abandonada,    como se viu, pelas formula&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas mais recentes,    faz sentido continuar a reter essa ideia na defini&ccedil;&atilde;o de racismo    enquanto preconceito comum, alargando-a, &eacute; certo, &agrave; hierarquiza&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m de diferen&ccedil;as &eacute;tnico-culturais.<A HREF="#18"><SUP>18</SUP></A>    O que cabe dentro dos limites do preconceito racial &eacute; essa cren&ccedil;a    numa rela&ccedil;&atilde;o de superioridade e inferioridade entre categorias    raciais e culturais diferentes, e a consequente avalia&ccedil;&atilde;o negativa,    preconcebida e sistem&aacute;tica, dos considerados inferiores. </P>     <P>Estender a defini&ccedil;&atilde;o do conceito &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o    por cada uma dessas categorias dos seus tra&ccedil;os culturais distintivos,    ou mesmo &agrave; mera percep&ccedil;&atilde;o social cruzada das suas diferen&ccedil;as,    apenas lhe retira utilidade anal&iacute;tica. Al&eacute;m de se chamar racismo    a algo que n&atilde;o o &eacute;, deixa-se na sombra, ou tende a subavaliar-se,    o que nas representa&ccedil;&otilde;es e discursos quotidianos h&aacute; de    racismo flagrante.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <B>     <P>Racismo enquanto pr&aacute;tica social</P> </B>     <P>Nenhuma discuss&atilde;o do conceito de racismo pode estar completa sem se considerar a terceira das suas dimens&otilde;es enunciadas no princ&iacute;pio, ou seja, o racismo enquanto pr&aacute;tica de discrimina&ccedil;&atilde;o. Se bem que, na acep&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria, racismo se referisse apenas &agrave; ideologia da hierarquiza&ccedil;&atilde;o racial das capacidades e compet&ecirc;ncias humanas, o conceito foi-se progressivamente alargando de forma a designar igualmente, quer o preconceito racial, quer a discrimina&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos ou grupos em fun&ccedil;&atilde;o da sua distintividade racial e/ou &eacute;tnica. </P>     <P>Os problemas de delimita&ccedil;&atilde;o e especifica&ccedil;&atilde;o conceptual, que vimos colocarem-se no plano do racismo-ideologia e do racismo-preconceito, p&otilde;em-se de maneira ainda mais not&oacute;ria quando se trata de definir racismo como pr&aacute;tica. &Agrave; tend&ecirc;ncia igualmente forte para a infla&ccedil;&atilde;o conceptual soma-se agora uma maior discrep&acirc;ncia entre defini&ccedil;&otilde;es. Se, quando se fala de ideologia e preconceito raciais, a generalidade dos autores est&aacute; de acordo quanto &agrave; exist&ecirc;ncia de um novo racismo de tipo subtil e culturalizado, quando passamos para o campo dos comportamentos sociais verificamos que se est&aacute; longe de qualquer consenso te&oacute;rico. </P>     <P>Para al&eacute;m de defini&ccedil;&otilde;es diferentes do que s&atilde;o ou n&atilde;o pr&aacute;ticas racistas, h&aacute; concep&ccedil;&otilde;es largamente discordantes quanto ao pr&oacute;prio modo como as tr&ecirc;s dimens&otilde;es do racismo se articulam entre si. H&aacute; quem entenda a ideologia e o preconceito raciais como meros instrumentos simb&oacute;licos de legitima&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o historicamente situadas, sejam elas de tipo esclavagista, colonialista ou capitalista; h&aacute; quem considere que pr&aacute;ticas, por um lado, e dimens&otilde;es simb&oacute;licas, por outro, t&ecirc;m autonomia de express&atilde;o, podendo manifestar-se umas sem que as outras estejam presentes; h&aacute;, ainda, quem adopte defini&ccedil;&otilde;es t&atilde;o &quot;estruturais&quot; que a quest&atilde;o da eventual autonomia das dimens&otilde;es constitutivas do racismo nem sequer se coloca. </P>     <P>A principal linha de clivagem te&oacute;rica na defini&ccedil;&atilde;o do racismo enquanto pr&aacute;tica &eacute; introduzida pela ideia de racismo institucional, surgida nos EUA nos anos 60, e adoptada generalizadamente pela sociologia de l&iacute;ngua inglesa at&eacute; &agrave; actualidade. Mais do que falar em discrimina&ccedil;&atilde;o racial, praticada por indiv&iacute;duos ou grupos concretos, em circunst&acirc;ncias determinadas, contra outros indiv&iacute;duos ou grupos concretos, o conceito de racismo institucional desloca o centro da defini&ccedil;&atilde;o do plano individual/grupal para o plano do sistema ou da estrutura social como um todo. </P>     <P><a name="top19"></a>Na sua formula&ccedil;&atilde;o inicial, proposta pelos    activistas negros norte-americanos do movimento <I>Black Power</I>, Stokely    Carmichael e Charles Hamilton, o racismo institucional era definido por oposi&ccedil;&atilde;o    ao chamado racismo individual.<A HREF="#19"><SUP>19</SUP></A> Este &uacute;ltimo    designava actos de discrimina&ccedil;&atilde;o declarada por parte de determinados    indiv&iacute;duos ou grupos isolados contra pessoas racialmente distintas. Mais    importante do que essa modalidade de racismo seria, no entanto, segundo os autores,    o racismo encoberto e difuso, inscrito na generalidade das institui&ccedil;&otilde;es    sociais, as quais, por ac&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o, contribuem para    manter um grupo racialmente definido, neste caso a popula&ccedil;&atilde;o negra    dos EUA, numa posi&ccedil;&atilde;o de exclus&atilde;o e subordina&ccedil;&atilde;o    social (Miles, 1989: 50-51). </P>     <P>Na medida em que o grupo em causa conhe&ccedil;a, historicamente, um quadro de desfavorecimento social continuado, isso s&oacute; pode resultar de din&acirc;micas estruturais mais amplas do que os meros actos racistas individuais, e s&atilde;o essas din&acirc;micas que o conceito de racismo institucional pretende descrever. Numa fase em que os estudiosos do racismo estavam ocupados, essencialmente, com a investiga&ccedil;&atilde;o sobre os preconceitos raciais, numa perspectiva sobretudo psicossociol&oacute;gica, o conceito de racismo institucional teve forte impacto acad&eacute;mico, al&eacute;m de pol&iacute;tico, entrando a partir da&iacute; na terminologia corrente da sociologia anglo-sax&oacute;nica (Miles, <I>op. cit.:</I> 51). </P>     <P>Com alguma oscila&ccedil;&atilde;o no sentido dado &agrave; palavra institucional, que pode designar mais estritamente organiza&ccedil;&otilde;es, ou mais latamente estruturas sociais, a defini&ccedil;&atilde;o hoje usada n&atilde;o difere, no essencial, da estabelecida nos anos 60. Na fonte de refer&ecirc;ncia neste dom&iacute;nio, que &eacute; o <I>Dictionary of Race and Ethnic Relations </I>(Cashmore, 1996a), pode ler-se que racismo institucional designa &quot;as opera&ccedil;&otilde;es an&oacute;nimas de discrimina&ccedil;&atilde;o em organiza&ccedil;&otilde;es, profiss&otilde;es ou mesmo em sociedades como um todo&quot;. Elas s&atilde;o an&oacute;nimas na medida em que os indiv&iacute;duos podem negar a acusa&ccedil;&atilde;o de racismo e ilibarem-se a si pr&oacute;prios de responsabilidades. No entanto, diz-se ainda, &quot;se um padr&atilde;o de exclus&atilde;o persiste, ent&atilde;o as causas t&ecirc;m de ser procuradas nas institui&ccedil;&otilde;es de que esses indiv&iacute;duos fazem parte, nos pressupostos n&atilde;o expressos sobre os quais essas institui&ccedil;&otilde;es baseiam as suas pr&aacute;ticas e nos princ&iacute;pios n&atilde;o questionados que elas possam usar&quot; (Cashmore, 1996b: 169). </P>     <P>N&atilde;o se trata, portanto, estritamente de discrimina&ccedil;&atilde;o racial, que &eacute; o sentido mais corrente que o racismo enquanto pr&aacute;tica tem fora do mundo de l&iacute;ngua inglesa. Racismo institucional &eacute; mais do que isso. Como se pode ler ainda no citado dicion&aacute;rio, que, de resto, dedica apenas uma pequena entrada ao conceito de discrimina&ccedil;&atilde;o racial, o uso deste termo &quot;diminuiu em anos mais recentes, &agrave; medida que racismo e racismo institucional passaram a ser correntemente usados para designar tanto pensamentos como ac&ccedil;&otilde;es&quot; (Cashmore, 1996c: 305-306). Por outras palavras, discrimina&ccedil;&atilde;o racial &eacute;, para os que adoptam a perspectiva do racismo institucional, um conceito demasiado fraco e parcelar, que n&atilde;o capta a raiz do problema. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil perceber que se est&aacute;, uma vez mais,    perante uma defini&ccedil;&atilde;o em que o risco de infla&ccedil;&atilde;o    conceptual &eacute; muito alto. <a name="top20"></a>Mesmo um autor como Robert    Miles, que, embora de forma mais restrita, n&atilde;o deixa de usar o conceito    de racismo institucional, alerta para o sentido inflacionado que o uso corrente    do conceito geralmente tem na literatura sociol&oacute;gica.<A HREF="#20"><SUP>20</SUP></A>    Na aus&ecirc;ncia de uma especifica&ccedil;&atilde;o rigorosa da ideia de racismo    institucional, diz Miles, o que se tem &eacute; um conceito teleol&oacute;gico    de racismo, em que a sociedade &eacute; global e intrinsecamente racista e n&atilde;o    pode, portanto, haver nenhuma ac&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o o seja, excepto    talvez a revolu&ccedil;&atilde;o, desde que &quot;n&atilde;o seja feita por    brancos&quot;. <a name="top21"></a>O conceito pressup&otilde;e, assim, aquilo    que devia ser demonstrado, em cada caso particular (Miles, 1989: 56).<A HREF="#21"><SUP>21</SUP></A>  </P>     <P>H&aacute;, no entanto, quem ache a pr&oacute;pria ideia de racismo institucional    ainda insuficiente para explicar a produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o    da desigualdade racial, e considere especialmente enganadora a distin&ccedil;&atilde;o    entre racismo institucional e racismo individual. A j&aacute; citada Philomena    Essed, por exemplo, prop&otilde;e, em alternativa a esse par, o conceito de    racismo quotidiano, no sentido de atravessar as fronteiras entre as abordagens    estrutural e interaccionista do racismo, e de ligar os detalhes das micro-experi&ecirc;ncias    ao contexto estrutural e ideol&oacute;gico em que elas tomam forma (Essed, 1991:    288). </P>     <P>Falar em ser-se ou n&atilde;o racista, diz a autora, simplifica o problema. Embora sejam indiv&iacute;duos os agentes do racismo, &quot;o que interessa s&atilde;o as pr&aacute;ticas e respectivas implica&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o a psique desses indiv&iacute;duos&quot; (<I>idem</I>: viii). N&atilde;o &eacute; s&oacute; nos contextos institucionais, por um lado, e nos preconceitos dos indiv&iacute;duos, por outro, que o racismo se manifesta. Ele est&aacute; inscrito na pr&oacute;pria multiplicidade dos contextos quotidianos, onde o racismo, mais do que se configurar como acontecimento ou conjunto de acontecimentos isolados e singulares, se constitui como &quot;um complexo de pr&aacute;ticas cumulativas&quot;, que &quot;se tornam parte do que &eacute; visto como ‘normal’ pelo grupo dominante&quot; (<I>idem</I>: 288). </P>     <P>A defini&ccedil;&atilde;o maximalista de Essed &eacute; tamb&eacute;m, recorde-se, a de Teun van Dijk, para quem, como vimos, o racismo atravessa todos os n&iacute;veis institucionais e pessoais da sociedade. J&aacute; n&atilde;o se trata, portanto, de localizar o racismo nas institui&ccedil;&otilde;es ou nos comportamentos e discursos individuais e grupais, mas sim de o considerar encravado na pr&oacute;pria estrutura global da sociedade (Dijk, 1987). </P>     <P>Chegamos assim a um ponto em que o racismo &eacute; um sistema sem actores, um processo sem protagonistas. S&atilde;o as sociedades que s&atilde;o racistas, independentemente de os indiv&iacute;duos terem ou n&atilde;o preconceitos, discriminarem racialmente ou n&atilde;o. Dito por outras palavras, todos s&atilde;o &quot;objectivamente&quot; racistas, embora ningu&eacute;m seja individualmente respons&aacute;vel ou responsabiliz&aacute;vel por esse facto. Este hiperestruturalismo, que parece reentrar na sociologia pelo lado das quest&otilde;es &eacute;tnicas e raciais depois de ter sido centrifugado, j&aacute; h&aacute; bastante tempo, pela an&aacute;lise de classes, &eacute; obviamente insustent&aacute;vel. Segundo estas formula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o pode, na pr&aacute;tica, n&atilde;o haver racismo, seja no plano da ideologia e dos preconceitos, como vimos anteriormente, seja agora no plano das pr&aacute;ticas sociais. </P>     <P><a name="top22"></a>Importa n&atilde;o confundir esta perspectiva com o problema    da poss&iacute;vel solu&ccedil;&atilde;o de continuidade entre preconceito e    discrimina&ccedil;&atilde;o, que Merton colocava nos anos 40, referindo-se &agrave;s    situa&ccedil;&otilde;es, empiricamente determin&aacute;veis, em que, mesmo sem    serem preconceituosos, alguns indiv&iacute;duos podem praticar a discrimina&ccedil;&atilde;o    racial.<A HREF="#22"><SUP>22</SUP></A> Michel Wieviorka, cujo modelo de an&aacute;lise    ser&aacute; comentado mais &agrave; frente, encontra um la&ccedil;o pr&oacute;ximo    entre a interpreta&ccedil;&atilde;o maximalista do racismo institucional, que    rejeita, e essa formula&ccedil;&atilde;o mertoniana, dizendo que ambas dissociam    o actor do sistema (Wieviorka, 1991: 123). </P>     <P>Trata-se, contudo, de ideias muito diferentes. Quando Merton diz que se pode discriminar racialmente mesmo sem preconceitos, n&atilde;o &eacute; por considerar que o racismo est&aacute; no sistema social como um todo, independentemente dos indiv&iacute;duos. Ele est&aacute; a referir-se, antes, a contextos localizados de interac&ccedil;&atilde;o em que isso acontece por press&atilde;o social imediata, como &eacute; o caso do comerciante branco que n&atilde;o atende negros no seu estabelecimento, n&atilde;o porque tenha preconceitos, mas porque entende que os seus clientes n&atilde;o o aceitariam. Merton est&aacute;, portanto, a chamar a aten&ccedil;&atilde;o para processos sociais espec&iacute;ficos e n&atilde;o a qualificar <I>a priori</I> a sociedade como racista. </P>     <P>Mas o que torna mais evidente que n&atilde;o se est&aacute; a falar da mesma    coisa &eacute; o facto de o modelo mertoniano incluir possibilidades que os    defensores da vers&atilde;o mais radical do conceito de racismo institucional    nunca subscreveriam. A tipologia de Merton, que visava denunciar atropelos &agrave;    norma &quot;oficial&quot; norte-americana do igualitarismo, cruza a dimens&atilde;o    das atitudes e a das pr&aacute;ticas, sendo que, na primeira dimens&atilde;o,    pode ou n&atilde;o haver preconceito e, na segunda, pode ou n&atilde;o haver    discrimina&ccedil;&atilde;o. <a name="top23"></a>Resultam da&iacute; quatro    perfis-tipo, que Merton designa por liberais absolutos (n&atilde;o t&ecirc;m    preconceitos nem discriminam), liberais relativos (t&ecirc;m preconceitos, mas    n&atilde;o discriminam), n&atilde;o liberais relativos (n&atilde;o t&ecirc;m    preconceitos, mas discriminam) e n&atilde;o liberais absolutos (t&ecirc;m preconceitos    e discriminam).<A HREF="#23"><SUP>23</SUP></A> </P>     <P>Ora, para aqueles que entendem o racismo como estando fatalmente inscrito nas institui&ccedil;&otilde;es e no sistema social como um todo, s&oacute; existem n&atilde;o liberais, absolutos ou relativos. N&atilde;o ter preconceitos nem discriminar, ou ter preconceitos mas n&atilde;o discriminar, s&atilde;o hip&oacute;teses que n&atilde;o colocam, uma vez que essas hip&oacute;teses decorrem de uma perspectiva te&oacute;rica que n&atilde;o define o racismo como intr&iacute;nseco ao &quot;sistema&quot;, mas antes como um complexo de atitudes e comportamentos contextualizado hist&oacute;rica e socialmente. </P>     <P>O j&aacute; citado mecanismo da profecia autocriadora descreve justamente processos em que preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o se alimentam reciprocamente, sustentados por &quot;factos&quot; que s&atilde;o produto de uma situa&ccedil;&atilde;o falsamente definida como real. O&nbsp;exemplo dos oper&aacute;rios negros impedidos pelos seus pares brancos de se sindicalizarem, com o argumento de serem fura-greves, mas que, pelo contr&aacute;rio, s&oacute; acabam por se tornar fura-greves porque n&atilde;o lhes &eacute; permitido aderir a sindicatos, &eacute; um dos que ilustra melhor a circularidade desse jogo de alimenta&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca e a perversidade das suas consequ&ecirc;ncias (Merton, 1968 [1949]: 518-519). Como refere Peter Berger, nesta mesma &oacute;ptica, &quot;a coisa mais terr&iacute;vel que o preconceito pode fazer a um ser humano &eacute; fazer com que ele tenda a tornar-se aquilo que a imagem preconceituosa diz que ele &eacute;&quot; (1986 [1963]: 116). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Mas a abordagem mertoniana sublinha igualmente as situa&ccedil;&otilde;es, relativamente comuns, em que, mesmo existindo preconceito, n&atilde;o acontecem pr&aacute;ticas de discrimina&ccedil;&atilde;o. Merton n&atilde;o est&aacute;, de resto, sozinho neste ponto. Robert Miles, no quadro da cr&iacute;tica ao entendimento maximalista de racismo, retoma este problema, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para a complexidade das inter-rela&ccedil;&otilde;es entre cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas e entre consequ&ecirc;ncias pretendidas e n&atilde;o pretendidas da ac&ccedil;&atilde;o social. N&atilde;o havendo uma conex&atilde;o l&oacute;gica entre ideias e ac&ccedil;&otilde;es, acrescenta, &quot;uma an&aacute;lise da preval&ecirc;ncia de cren&ccedil;as racistas pode revelar-se um guia muito pouco fi&aacute;vel da extens&atilde;o de comportamentos discriminat&oacute;rios, e vice-versa&quot; (Miles, 1989: 60). </P>     <P>O que a descontinuidade entre preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o revela, acima de tudo, &eacute; a import&acirc;ncia decisiva, quer dos controlos sociais externos, quer do autocontrolo socialmente incorporado, que penalizam, n&atilde;o s&oacute; os preconceitos enquanto tais, mas, mais ainda, a sua convers&atilde;o em pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias. </P>     <P>Merton assinalava-o j&aacute; com clareza, dizendo que a profecia autocriadora    no campo racial s&oacute; funciona &quot;na aus&ecirc;ncia de controlos institucionais    deliberados&quot;, acrescentando que, &quot;apesar dos ensinamentos de psic&oacute;logos    amadores, o p&acirc;nico e a cega agress&atilde;o racial n&atilde;o est&atilde;o    arraigados na natureza humana&quot;, mas s&atilde;o tipos de conduta &quot;em    grande parte produzidos pela estrutura modific&aacute;vel da sociedade&quot;    (Merton, <I>op. cit.:</I> 530-531). Outros autores aprofundaram, depois, a an&aacute;lise    das rela&ccedil;&otilde;es entre preconceito, discrimina&ccedil;&atilde;o e    controlo social, mostrando que esse controlo &eacute; importante para prevenir    a transforma&ccedil;&atilde;o de preconceitos em discrimina&ccedil;&atilde;o,    mas tamb&eacute;m para prevenir a possibilidade desta &uacute;ltima degenerar    em viol&ecirc;ncia racial (Simpson e Yinger, 1965: 13-16). </P>     <P>Reencontramos, assim, a quest&atilde;o da normatividade social anti-racista, bem como a sua subestima&ccedil;&atilde;o pelas defini&ccedil;&otilde;es inflacionadas de racismo, agora no plano das pr&aacute;ticas. A incorpora&ccedil;&atilde;o dessa norma pelas sociedades ocidentais contempor&acirc;neas, solidamente traduzida em termos pol&iacute;ticos, legais e culturais, n&atilde;o pode ser descartada da especifica&ccedil;&atilde;o conceptual do racismo, como se n&atilde;o existisse. </P>     <P>O que ela significa, usando ainda os termos estritos da tipologia mertoniana, &eacute; que nessas sociedades predominam os liberais, absolutos ou relativos, em propor&ccedil;&atilde;o certamente muito maior do que na sociedade norte-americana dos anos 30 e 40 sobre a qual Merton escreveu. N&atilde;o o ter em conta, ou subvaloriz&aacute;-lo, &eacute; n&atilde;o perceber a diferen&ccedil;a que vai de uma sociedade onde a discrimina&ccedil;&atilde;o racial era legalmente apoiada para outra em que ela &eacute; culturalmente penalizada e punida pela lei. </P>     <P>Um dos principais, sen&atilde;o mesmo o principal argumento invocado por aqueles que defendem que as pr&aacute;ticas racistas v&atilde;o para al&eacute;m de actos individuais ou grupais de discrimina&ccedil;&atilde;o e devem ser procuradas no pr&oacute;prio edif&iacute;cio institucional da sociedade, &eacute; o do desfavorecimento socioecon&oacute;mico de muitas minorias &eacute;tnicas e raciais nos pa&iacute;ses ocidentais. Essa condi&ccedil;&atilde;o desfavorecida seria a melhor prova da l&oacute;gica institucional e estrutural do racismo, produzindo e reproduzindo desigualdades, segundo crit&eacute;rios de perten&ccedil;a racial ou &eacute;tnica. Dito de outro modo, seria o racismo o primeiro factor respons&aacute;vel pelo perfil de classe globalmente desprivilegiado dessas minorias. </P>     <P>N&atilde;o estando em causa que h&aacute;, nesses pa&iacute;ses, minorias cujos contrastes sociais &quot;para baixo&quot; com as popula&ccedil;&otilde;es envolventes s&atilde;o um facto facilmente comprov&aacute;vel, o que falha naquele argumento &eacute; que, por um lado, abstrai da diferencia&ccedil;&atilde;o classista intra e inter-minorias, incluindo as chamadas &quot;minorias interm&eacute;dias&quot; (Ward, 1996); por outro lado, confunde frequentemente discrimina&ccedil;&atilde;o social, no sentido de desigualdade de oportunidades em fun&ccedil;&atilde;o da perten&ccedil;a de classe, com discrimina&ccedil;&atilde;o racial. Esta segunda falha &eacute;, de resto, a que gera em grande parte a primeira, uma vez que a perspectiva do racismo institucional &eacute; quase sempre cega &agrave;s classes, vendo apenas a quest&atilde;o racial, entendida como dimens&atilde;o exclusiva da din&acirc;mica das desigualdades. </P>     <P>Vejamos o caso norte-americano, tomado, consciente ou inconscientemente, como    arqu&eacute;tipo em muitas interpreta&ccedil;&otilde;es deste tipo, quer no    espa&ccedil;o europeu, quer noutras partes do mundo. No final da segunda d&eacute;cada    do s&eacute;culo XX, Park dizia j&aacute; que, se na sua origem as rela&ccedil;&otilde;es    raciais no sul dos EUA podiam ser representadas por uma linha de cor horizontal,    com os brancos em cima e os negros em baixo, com &quot;o desenvolvimento de    classes industriais e profissionais na ra&ccedil;a negra, a distin&ccedil;&atilde;o    entre as ra&ccedil;as tende a tomar a forma de uma linha vertical&quot; (Park    citado por Wieviorka, 1991: 46). <a name="top24"></a>Na d&eacute;cada seguinte,    Warner retoma e especifica essa ideia, representando graficamente a linha de    cor como uma diagonal que separa duas estratifica&ccedil;&otilde;es sociais    completas, uma branca e outra negra, embora a classe alta negra se situe abaixo    da classe m&eacute;dia branca (<I>idem</I>: 47).<A HREF="#24"><SUP>24</SUP></A>  </P>     <P>A no&ccedil;&atilde;o de linha de cor, mesmo que cada vez mais vertical, era    a forma de traduzir analiticamente uma l&oacute;gica continuada de segrega&ccedil;&atilde;o    racial, que tendia a manter separadas as duas estratifica&ccedil;&otilde;es.    <a name="top25"></a>Foi essa l&oacute;gica, de resto, que levou v&aacute;rios    autores a importar o conceito de casta para o estudo das rela&ccedil;&otilde;es    sociais entre brancos e negros, nessa &eacute;poca, e muitos outros a negar    que a ideia de <I>melting pot</I> fosse a met&aacute;fora adequada para descrever    o processo de constru&ccedil;&atilde;o da sociedade americana.<A HREF="#25"><SUP>25</SUP></A>    <a name="top26"></a>Contudo, apesar da segrega&ccedil;&atilde;o, o percurso    da popula&ccedil;&atilde;o negra nas d&eacute;cadas seguintes foi, efectivamente,    de progressiva diferencia&ccedil;&atilde;o classista interna, mais nos contextos    urbanos do norte, mas tamb&eacute;m no sul ex-esclavagista (Simpson e Yinger,    1965: 246-259).<A HREF="#26"><SUP>26</SUP></A> </P>     <P>Nos anos 60 e 70, sob o impulso democratizador trazido pela luta dos movimentos negros pela igualdade de direitos e consequentes medidas legais e pol&iacute;ticas anti-discrimina&ccedil;&atilde;o, a dist&acirc;ncia entre brancos e negros, apesar de se manter significativa, reduziu-se consideravelmente, em termos econ&oacute;micos, sociais e pol&iacute;ticos, embora mais depressa numas dimens&otilde;es do que noutras (Farley, 1984: 194-206). Neste novo quadro, &eacute; a pr&oacute;pria ideia de uma linha de cor, mesmo que vertical, a deixar de fazer sentido, j&aacute; que a pr&aacute;tica de discrimina&ccedil;&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o racial deixa de fazer parte do ordenamento jur&iacute;dico das rela&ccedil;&otilde;es sociais. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Particularmente marcantes, a este respeito, foram os trabalhos de William Julius Wilson, especialmente o livro <I>The Declining Significance of Race</I>, publicado em 1978. Perante sinais de que a diferencia&ccedil;&atilde;o classista interna da popula&ccedil;&atilde;o negra se parecia polarizar cada vez mais entre, por um lado, uma classe m&eacute;dia e uma classe alta em crescimento consolidado e, por outro lado, uma subclasse cada vez mais exclu&iacute;da e guetizada, Wilson rejeita firmemente que a situa&ccedil;&atilde;o dessa subclasse possa ser explicada pelo factor racial, ou seja, que ela possa ser entendida como consequ&ecirc;ncia de racismo institucional. </P>     <P>Se, na ocasi&atilde;o em que se formaram, os guetos negros foram, sem d&uacute;vida,    a tradu&ccedil;&atilde;o espacial de uma l&oacute;gica de discrimina&ccedil;&atilde;o    racial fortemente enraizada na sociedade norte-americana durante d&eacute;cadas,    a partir dos anos 70 do s&eacute;culo XX a reprodu&ccedil;&atilde;o da pobreza    e da exclus&atilde;o social nessas zonas, classificadas como hiperguetos (Wacquant    e Wilson, 1993), pouco ou nada tem j&aacute; a ver com rela&ccedil;&otilde;es    raciais. <a name="top27"></a>A subclasse negra dos hiperguetos n&atilde;o &eacute;    produto da discrimina&ccedil;&atilde;o racial, mas de factores como a segmenta&ccedil;&atilde;o    do mercado de trabalho, refor&ccedil;ados pelos m&uacute;ltiplos efeitos de    auto-reprodu&ccedil;&atilde;o que uma vida social t&atilde;o guetizada tende    a gerar.<A HREF="#27"><SUP>27</SUP></A> O&nbsp;problema n&atilde;o &eacute;    o racismo, mas a exclus&atilde;o socioecon&oacute;mica. Se n&atilde;o fosse    assim, n&atilde;o se compreenderia a exist&ecirc;ncia de classes m&eacute;dias    e altas em crescimento, ou seja, de uma divis&atilde;o estrutural da popula&ccedil;&atilde;o    negra (Wilson citado por Wieviorka, 1991: 113-116). </P>     <P>Vale a pena dizer que a abordagem de Wilson (que tem a &quot;agravante&quot; de ser ele pr&oacute;prio negro) suscitou cr&iacute;ticas generalizadas, por vezes violentas, da parte dos muitos seguidores da perspectiva at&eacute; a&iacute; dominante, que tudo tendia a interpretar em termos estritamente raciais, fazendo total economia de outros processos e dimens&otilde;es das desigualdades. </P>     <P>Os mais brandos afirmam que ele n&atilde;o d&aacute; devida conta da &quot;discrimina&ccedil;&atilde;o    sofrida pelos afro-americanos de classe m&eacute;dia e, mais importante do que    isso, que negligencia a dimens&atilde;o da experi&ecirc;ncia e a constru&ccedil;&atilde;o    racial do outro&quot; (Schutte, 1995: 338), ou que o seu livro &eacute;, quanto    ao racismo, &quot;a mais not&aacute;vel das m&aacute;s interpreta&ccedil;&otilde;es    bem intencionadas&quot; (Bowser, 1995: xii). </P>     <P><a name="top28"></a>Os mais radicais dizem que a sua an&aacute;lise &eacute;    uma &quot;vers&atilde;o menos reaccion&aacute;ria&quot; da &quot;ideologia da    subclasse&quot;, que s&oacute; serve para legitimar, nos EUA como no Reino Unido,    um estado minimalista, a impossibilidade da seguran&ccedil;a social e o controlo    social sobre as minorias negras (Keith e Cross, 1993: 11-13), ou que Wilson    est&aacute; para os anos 80 como Park esteve para os anos 40, ambos camuflando    o racismo, e que o reconhecimento profissional e p&uacute;blico alcan&ccedil;ado    pelo seu trabalho se deveu, sobretudo, &agrave; &quot;conformidade com as ideologias    dominantes&quot; (Stanfield II e Dennis, 1993: 5-6).<A HREF="#28"><SUP>28</SUP>    </A></P>     <P>A subavalia&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas classistas e da sua import&acirc;ncia para a especifica&ccedil;&atilde;o rigorosa do que &eacute; ou n&atilde;o racismo &eacute; particularmente vis&iacute;vel em alguns autores, cujas perspectivas de an&aacute;lise revelam uma verdadeira obsess&atilde;o com a quest&atilde;o racial. </P>     <P>Num estudo comparativo sobre a situa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es    negras nos EUA e no Reino Unido, Stephen Small, embora reconhe&ccedil;a plenamente    o crescimento do n&uacute;mero de negros em posi&ccedil;&otilde;es de classe    m&eacute;dia e alta, passa rapidamente por cima do que isso significa do ponto    de vista da redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades raciais, para perguntar    se esse aumento &eacute; &quot;uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o ou uma maldi&ccedil;&atilde;o&quot;    e se &quot;ajuda ou impede o progresso de outros negros no sentido da igualdade&quot;.    <a name="top29"></a>Ignorando, aparentemente, que esse mesmo crescimento &eacute;    a melhor resposta &agrave;s quest&otilde;es que coloca, o autor continua perguntando    at&eacute; que ponto os negros de classe m&eacute;dia, com base numa &quot;identidade    comum racializada&quot;, contribuir&atilde;o para a luta mais global travada    pelos oper&aacute;rios negros e pelos negros desempregados, pagando o &quot;Imposto    Negro&quot;, ou se agem, prim&aacute;ria ou exclusivamente, em termos de interesses    de classe (Small, 1994: 110-113).<A HREF="#29"><SUP>29</SUP></A> </P>     <P>Dir-se-ia, portanto, que algo n&atilde;o est&aacute; bem na realidade social, quando os negros, ao contr&aacute;rio do que seria normal e desej&aacute;vel para o autor, n&atilde;o agem em termos exclusivamente raciais, antes se orientando por outras perten&ccedil;as e refer&ecirc;ncias. O&nbsp;equ&iacute;voco da formula&ccedil;&atilde;o de Small, quanto a uma alian&ccedil;a racial dos negros independentemente da respectiva condi&ccedil;&atilde;o de classe, fica &agrave; vista se a aplicarmos, segundo a mesma l&oacute;gica racializante, aos brancos: ser&aacute; que a classe m&eacute;dia e a classe alta brancas estar&atilde;o interessadas em contribuir para a luta mais global dos oper&aacute;rios e dos desempregados brancos pela igualdade? </P>     <P>Outro exemplo desta forma de pensar totalmente racializada e cega &agrave;s classes, pode encontrar-se, para um contexto hist&oacute;rico e social muito diferente, num conjunto de trabalhos recentes sobre os negros na sociedade brasileira (Heringer, 1995; Guimar&atilde;es, 1995; Vieira, 1995). O objecto central desses trabalhos &eacute; o das condi&ccedil;&otilde;es de consolida&ccedil;&atilde;o e actua&ccedil;&atilde;o do movimento anti-racista no Brasil, tido como um pa&iacute;s onde o racismo &eacute; &quot;a maior das trag&eacute;dias&quot; e, &quot;hoje mais do que nunca, impede o progresso e o desenvolvimento social da maioria negra brasileira&quot; (Vieira, <I>op. cit.:</I> 227). </P>     <P>A racializa&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise come&ccedil;a logo com a pr&oacute;pria    ideia de uma &quot;maioria negra brasileira&quot;. Contestando os 46% de negros    contabilizados pelos recenseamentos oficiais, Vieira afirma que os &quot;brasileiros-africanos&quot;    s&atilde;o, de facto, entre 68% a 75%, na medida em que se devem a&iacute; incluir    todos aqueles que t&ecirc;m ascend&ecirc;ncia africana (<I>idem</I>: 227, nota    1). Trata-se, portanto, da invers&atilde;o completa da cl&aacute;ssica imagem    da &quot;gota de sangue&quot; usada por Roger Bastide para marcar a diferen&ccedil;a    entre as sociedades norte-americana e brasileira, e segundo a qual, nos EUA,    uma pessoa com uma gota de sangue africano &eacute; considerada negra, enquanto    no Brasil uma gota de sangue branco basta para se ser considerado branco (Bastide,    1973: 16-18). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Numa postura fortemente americanizada, que transp&otilde;e, de forma artificial, perspectivas e categorias anal&iacute;ticas entre experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas totalmente diferentes, defende-se que o anti-racismo no Brasil deve passar pela autoconsci&ecirc;ncia racial dos negros, apoiada na &quot;cultura africana-brasileira do candombl&eacute;, da capoeira e dos afox&eacute;s&quot;, mas tamb&eacute;m no legado &quot;negro-atl&acirc;ntico&quot; formado pelo &quot;movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, a renascen&ccedil;a cultural caribenha e a luta contra o <I>apartheid</I> na &Aacute;frica do Sul&quot; (Guimar&atilde;es, <I>op. cit.:</I> 224). Os brasileiros-africanos deviam tomar como exemplo, em particular, o processo de desmantelamento do ex-regime racista sul-africano, j&aacute; que ele mostra o que &quot;uma maioria negra persistente pode fazer&quot; (Vieira, <I>op. cit.:</I> 235). </P>     <P>O que perturba estas considera&ccedil;&otilde;es, e os pr&oacute;prios reconhecem-no, embora a contragosto, &eacute; justamente o factor classe social, ou seja, o facto de aquilo que atribuem exclusivamente a pr&aacute;ticas racistas generalizadas se dever, em grande medida, a processos de discrimina&ccedil;&atilde;o social e n&atilde;o racial. Como nota um deles, &quot;o maior problema do movimento negro na luta contra o racismo no Brasil &eacute; que muitos negros n&atilde;o entendem que a sua situa&ccedil;&atilde;o desfavor&aacute;vel &eacute; devida &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o, desigualdade e preconceito raciais&quot;, dos quais &eacute; &quot;dif&iacute;cil dar conta no meio do que parece ser uma pobreza universal&quot; (Heringer, <I>op. cit.:</I> 204-205). Mais expl&iacute;citas ainda s&atilde;o as palavras de Vieira, quando diz que muitos brasileiros acreditam em duas &quot;teorias ultrapassadas&quot;, a da harmonia racial e a de que a desigualdade dos negros se deve apenas a factores de classe, especialmente &quot;aqueles poucos que conhecem mobilidade social, sobretudo atrav&eacute;s da m&uacute;sica e do desporto&quot; (<I>op. cit.:</I> 234-235). </P>     <P>Trata-se de perspectivas de an&aacute;lise que padecem, em suma, de dois males. Por um lado, ao subscreverem uma vers&atilde;o brasileira da dita &quot;morte das classes&quot; —&nbsp;decretada mais habitualmente noutros pontos do planeta (Pakulski e Waters, 1996) —, descartam um factor que continua a ser central na estrutura&ccedil;&atilde;o da desigualdade nas sociedades contempor&acirc;neas, com ou sem diversidade racial; por outro lado, aplicam a uma experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica radicalmente diferente categorias anal&iacute;ticas racializadas que, mesmo na sua sede norte-americana de produ&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m, como vimos atr&aacute;s, evidentes limita&ccedil;&otilde;es. </P>     <P>Dir-se-ia que, diferentemente do exemplo norte-americano, o quadro racial brasileiro est&aacute; muito pr&oacute;ximo do que pode chamar-se, glosando Merton, uma profecia autocriadora invertida, ou seja, se as pessoas n&atilde;o definem as situa&ccedil;&otilde;es como raciais elas tendem a n&atilde;o se tornar raciais na suas consequ&ecirc;ncias. </P>     <P>O problema da transposi&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica de categorias e perspectivas    de an&aacute;lise entre espa&ccedil;os e tempos muito diferentes n&atilde;o    se coloca, ali&aacute;s, apenas para um caso t&atilde;o singular como o brasileiro.    Podemos perguntar at&eacute; que ponto essa transposi&ccedil;&atilde;o &eacute;    v&aacute;lida, mesmo entre a experi&ecirc;ncia norte-americana e a europeia.    Para um autor como Miles, por exemplo, essa importa&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica    tem interesse muito reduzido: &quot;um conceito de racismo formulado por refer&ecirc;ncia    a um &uacute;nico exemplo hist&oacute;rico (os EUA) e acriticamente aplicado    a outro (Reino Unido) tem um grau de especificidade que limita seriamente o    seu alcance anal&iacute;tico&quot; (Miles, 1989: 60). </P>     <P>N&atilde;o podem, por isso, deixar de soar estranhas ideias como a de &quot;comunidade negra na di&aacute;spora&quot;, que alegadamente aproximaria os negros norte-americanos, os do Reino Unido e muitos outros pelo mundo (Small, 1994: 208); ou altamente question&aacute;veis teses como a de que as diferentes express&otilde;es hist&oacute;ricas e nacionais do racismo (Brasil, EUA, &Aacute;frica do Sul, Reino Unido, Europa Ocidental, Cara&iacute;bas) est&atilde;o num processo de converg&ecirc;ncia porque &quot;as formas de organiza&ccedil;&atilde;o social e econ&oacute;mica que o racismo suporta&quot; v&atilde;o tamb&eacute;m convergindo num &quot;sistema econ&oacute;mico mundial p&oacute;s-moderno&quot; (Bowser, 1995: 299). </P>     <P>No que respeita ainda &agrave; articula&ccedil;&atilde;o entre desigualdades de classe e desigualdades raciais, importa dizer que n&atilde;o se defende aqui a total redu&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica das segundas &agrave;s primeiras, o que representaria, afinal, a mera invers&atilde;o das perspectivas que acab&aacute;mos de criticar. Trata-se de duas dimens&otilde;es de an&aacute;lise aut&oacute;nomas, que se podem combinar entre si de mais do que uma maneira. A dupla desvantagem, racial e de classe, &eacute; uma delas. Os migrantes africanos inseridos nos segmentos prec&aacute;rios do mercado de trabalho em Portugal, por exemplo, ter&atilde;o uma condi&ccedil;&atilde;o ainda mais desfavorecida do que os portugueses com id&ecirc;ntica localiza&ccedil;&atilde;o laboral, na medida em que sejam v&iacute;timas de discrimina&ccedil;&atilde;o racial, o que acontece com alguma frequ&ecirc;ncia, em termos de sal&aacute;rios, hor&aacute;rios ou noutras condi&ccedil;&otilde;es de exerc&iacute;cio da actividade profissional. </P>     <P>N&atilde;o se pode &eacute; presumir que o facto de os migrantes africanos terem essa localiza&ccedil;&atilde;o profissional &eacute;, em si mesmo, sin&oacute;nimo de discrimina&ccedil;&atilde;o racial ou de racismo institucional no mercado de trabalho. A ser assim, ficaria por explicar porque &eacute; que tantos portugueses partilham essa situa&ccedil;&atilde;o, porque &eacute; que outros migrantes africanos ocupam posi&ccedil;&otilde;es profissionais de classe m&eacute;dia, para n&atilde;o falar dos casos em que a sobre-explora&ccedil;&atilde;o laboral &eacute; imposta, n&atilde;o por portugueses, mas por outros migrantes africanos, mais antigos e com posi&ccedil;&otilde;es de poder no mercado informal de trabalho. </P>     <P>Como refere ainda Miles, nesta mesma linha, e a prop&oacute;sito do caso ingl&ecirc;s, &quot;se o racismo &eacute; definido como uma prerrogativa dos brancos e como a consequ&ecirc;ncia de todas as ac&ccedil;&otilde;es que suportam a subordina&ccedil;&atilde;o dos negros, n&atilde;o &eacute; claro como se poderia conceptualizar a situa&ccedil;&atilde;o duradoura de desvantagem econ&oacute;mica dos assalariados negros (muitas vezes mulheres) das pequenas mas crescentes burguesia e pequena burguesia negras no Reino Unido&quot; (Miles, 1989: 55). Do mesmo modo, seria necess&aacute;rio explicar porque &eacute; que, &quot;apesar de um n&iacute;vel similar de tratamento discriminat&oacute;rio, certos segmentos da popula&ccedil;&atilde;o asi&aacute;tica t&ecirc;m taxas de desemprego muito baixas (mais baixas do que a da popula&ccedil;&atilde;o aut&oacute;ctone) e certos segmentos da popula&ccedil;&atilde;o caribenha t&ecirc;m n&iacute;veis de desemprego muito elevados&quot; (<I>idem</I>: 56). </P>     <P>Em s&iacute;ntese, o desfavorecimento social de membros de minorias &eacute;tnicas    ou raciais n&atilde;o &eacute; necessariamente consequ&ecirc;ncia de racismo,    e a medida em que pode ou n&atilde;o s&ecirc;-lo &eacute; uma quest&atilde;o    de pesquisa emp&iacute;rica e n&atilde;o um pressuposto te&oacute;rico. A crescente    diferencia&ccedil;&atilde;o classista interna dessas minorias desmente, por    si pr&oacute;pria, qualquer rela&ccedil;&atilde;o linear entre racismo e condi&ccedil;&atilde;o    de classe, mostrando, pelo contr&aacute;rio, cada vez maior descoincid&ecirc;ncia    entre linhas de diferencia&ccedil;&atilde;o social e linhas de diferencia&ccedil;&atilde;o    &eacute;tnico-racial. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Deixando de lado o caso norte-americano, onde, mesmo para a minoria negra, essa descoincid&ecirc;ncia se come&ccedil;ou a desenhar h&aacute; mais tempo, pode dizer-se, para o caso europeu, que o exemplo dos pa&iacute;ses onde a migra&ccedil;&atilde;o tem j&aacute; algumas d&eacute;cadas mostra justamente que a composi&ccedil;&atilde;o classista das popula&ccedil;&otilde;es migrantes se vai tornando mais heterog&eacute;nea &agrave; medida que se prolonga o tempo de resid&ecirc;ncia e se sucedem as gera&ccedil;&otilde;es ou, dito de outra forma, &agrave; medida que essas popula&ccedil;&otilde;es se v&atilde;o tornando elas pr&oacute;prias mais aut&oacute;ctones. </P>     <P>Sem pretender entrar aqui na discuss&atilde;o sobre as causas hist&oacute;ricas da forma&ccedil;&atilde;o do racismo enquanto padr&atilde;o ideol&oacute;gico e de comportamento, importa ainda dizer que a progressiva diferencia&ccedil;&atilde;o classista das minorias &eacute;tnicas e raciais no mundo ocidental — a que poder&iacute;amos somar tamb&eacute;m, noutro plano, a sua progressiva miscigena&ccedil;&atilde;o com as popula&ccedil;&otilde;es aut&oacute;ctones —, p&otilde;e em causa aquele que &eacute;, provavelmente, o seu princ&iacute;pio de explica&ccedil;&atilde;o mais corrente, a saber, a ideia de que &eacute; o capitalismo que engendra o racismo e de que este desempenha, no quadro das sociedades capitalistas, a fun&ccedil;&atilde;o precisa de legitimar ideologicamente a sobreexplora&ccedil;&atilde;o de minorias &eacute;tnicas e raciais pelas classes dominantes. </P>     <P><a name="top30"></a>Essa &eacute; a tese de autores actuais, como Wallerstein,    para quem o racismo &eacute; a &quot;f&oacute;rmula m&aacute;gica&quot; que    favorece os objectivos de maximiza&ccedil;&atilde;o da acumula&ccedil;&atilde;o    do capital e, ao mesmo tempo, de minimiza&ccedil;&atilde;o dos custos que ela    implica (1988: 48), mas que tem reconhecidamente como fundador o trabalho de    Oliver Cox, quarenta anos antes.<A HREF="#30"><SUP>30</SUP></A> A&iacute;, Cox    criticava, por um lado, a aplica&ccedil;&atilde;o do conceito de casta ao estudo    das rela&ccedil;&otilde;es raciais nos EUA, feita por Lloyd Warner ou John Dollard,    por exemplo, e, por outro lado, usava a teoria das classes sociais, na sua vers&atilde;o    marxista estrita, para explicar o preconceito racial. Este seria, assim, uma    &quot;atitude social propagada pela classe exploradora com o objectivo de estigmatizar    um determinado grupo como inferior, de modo a que a explora&ccedil;&atilde;o,    quer do pr&oacute;prio grupo, quer dos seus recursos, ou de ambos, possa ser    justificada&quot; (citado por Miles, 1993a: 32). </P>     <P>Outros autores, j&aacute; citados, como van Dijk (1993: 283-292) ou Bowser (1995: 285-309), retomam o argumento, numa vers&atilde;o ainda mais linear. Seriam agora as elites dominantes brancas que, como forma de legitimarem a sua domina&ccedil;&atilde;o, segregariam e reproduziriam o racismo, de cima para baixo, moldando as representa&ccedil;&otilde;es e discursos da grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o, em sociedades onde, a julgar pelo modelo te&oacute;rico impl&iacute;cito nos trabalhos referidos, para al&eacute;m de s&oacute; haver elites e massa, existiria um rigoroso tra&ccedil;o horizontal a separar maioria e minorias. </P>     <P>Poder&iacute;amos ainda filiar nesta linha de explica&ccedil;&atilde;o a conhecida    formula&ccedil;&atilde;o de Pierre Bourdieu segundo a qual n&atilde;o h&aacute;    um racismo, mas racismos, tantos quantos &quot;os grupos que t&ecirc;m necessidade    de se justificarem existir como existem, o que &eacute; a fun&ccedil;&atilde;o    invariante dos racismos&quot;. O racismo propriamente dito, defende Bourdieu,    n&atilde;o se distingue, na sua l&oacute;gica fundamental, do chamado &quot;racismo    da intelig&ecirc;ncia&quot;, pr&oacute;prio de uma classe dominante cuja reprodu&ccedil;&atilde;o    depende, em parte, da transmiss&atilde;o de um capital cultural, herdado e incorporado,    e por isso aparentemente natural e inato (1980: 264), nem das justifica&ccedil;&otilde;es    constru&iacute;das em torno de outras formas de domina&ccedil;&atilde;o. </P>     <P>&Eacute; claro que n&atilde;o se pode desligar analiticamente o racismo, enquanto    ideologia, preconceito ou pr&aacute;tica, das rela&ccedil;&otilde;es de poder    que se estabelecem em cada sociedade concreta. Historicamente, o colonialismo,    a sociedade segregacionista do sul dos EUA at&eacute; meados do s&eacute;culo    XX ou o regime de <I>apartheid</I> sul-africano, s&atilde;o exemplos que mostram    como o racismo foi uma articula&ccedil;&atilde;o coerente entre constru&ccedil;&otilde;es    simb&oacute;licas e pr&aacute;ticas sociais, reciprocamente alimentadas entre    si e traduzidas na efectiva subordina&ccedil;&atilde;o social, cultural e pol&iacute;tica    de grupos racialmente definidos. <a name="top31"></a>Nessa medida, a formula&ccedil;&atilde;o    de Bourdieu, em particular, sem o simplismo e com maior alcance anal&iacute;tico    do que as anteriormente citadas, &eacute; certeira, pelo menos em parte.<A HREF="#31"><SUP>31</SUP></A>  </P>     <P>O que j&aacute; n&atilde;o se pode dizer &eacute; que esse princ&iacute;pio explicativo se aplica &agrave; situa&ccedil;&atilde;o das minorias &eacute;tnicas e raciais nas sociedades ocidentais contempor&acirc;neas, justamente porque, na generalidade dos casos, essas minorias est&atilde;o longe de constituir agregados homog&eacute;neos em posi&ccedil;&otilde;es socialmente subordinadas. Al&eacute;m das j&aacute; mencionadas minorias interm&eacute;dias — frequentemente constitu&iacute;das por migrantes de origem asi&aacute;tica com capital econ&oacute;mico suficiente para trabalharem por conta pr&oacute;pria —, as minorias negras t&ecirc;m-se, como vimos, diferenciado progressivamente nas v&aacute;rias dimens&otilde;es constitutivas das condi&ccedil;&otilde;es de classe. Se as rela&ccedil;&otilde;es de poder nos diversos dom&iacute;nios da vida social n&atilde;o se estruturam de acordo com linhas raciais, ou seja, se, do ponto de vista classista, h&aacute; nas minorias, como na maioria, dominados e dominantes, a explica&ccedil;&atilde;o do racismo como justifica&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica de uma domina&ccedil;&atilde;o de classe deixa de fazer sentido. </P>     <P>Mesmo que n&atilde;o se esteja de acordo em catalogar como &quot;populismo te&oacute;rico&quot; as posi&ccedil;&otilde;es que v&ecirc;em no racismo &quot;a ideologia espont&acirc;nea dos dominantes&quot;, em contraposi&ccedil;&atilde;o ao &quot;povo bom e inocente&quot; que n&atilde;o &eacute; portador sen&atilde;o de &quot;um racismo segundo&quot; (Taguieff, 1991: 28-29), h&aacute;, al&eacute;m do mais, que reconhecer, em diversas circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas, n&atilde;o s&oacute; um mas v&aacute;rios protagonistas de classe do racismo, n&atilde;o se cingindo, portanto, apenas ao racismo dos dominantes. </P>     <P>O racismo das classes populares &eacute; um deles. Identificado em diversos pa&iacute;ses europeus na actualidade (Wieviorka, 1991b; Dijk, 1987: 387), Portugal inclu&iacute;do (Vala, Brito e Lopes, 1999: 186, 196), &eacute; uma variante de racismo que, salvaguardada a dist&acirc;ncia hist&oacute;rica e social, era j&aacute; apontada, com contornos particulares, por Max Weber para os estados do sul dos EUA, durante o s&eacute;culo XIX. Na &eacute;poca da escravatura, dizia Weber, os brancos pobres (<I>poor white trash</I>) eram &quot;os verdadeiros portadores da antipatia racial — totalmente estranha aos donos das planta&ccedil;&otilde;es — porque a sua honra social dependia directamente da desclassifica&ccedil;&atilde;o dos Negros&quot; (1995 [1922]: 133-134). Autores como Myrdal (cit. em Wieviorka: 1991: 53-54) ou Parsons (1975: 77) retomaram e refor&ccedil;aram, ao longo do s&eacute;culo XX, o diagn&oacute;stico weberiano. </P>     <P>O outro &eacute; o racismo pequeno-burgu&ecirc;s e das classes m&eacute;dias,    em geral. Pierre Bourdieu, no in&iacute;cio dos anos 80, menciona-o como um    racismo de tipo elementar, vulgar, de ressentimento (<I>op. cit</I>.: 267),    e Michel Wieviorka, mais tarde, fala de uma deriva das camadas m&eacute;dias,    nas quais se abre espa&ccedil;o para sentimentos racistas, face a uma imigra&ccedil;&atilde;o    &quot;percebida como amea&ccedil;a &eacute;tnica e religiosa (1991: 179). Ainda    em Fran&ccedil;a, mas em tempos mais recuados, &eacute; tamb&eacute;m nos sectores    sociais interm&eacute;dios que Jean-Paul Sartre localiza os protagonistas do    anti-semitismo. Ao contr&aacute;rio do meio oper&aacute;rio, onde &quot;quase    n&atilde;o se encontra anti-semitismo", diz Sartre, a maioria dos anti-semitas    est&aacute; &quot;nas classes m&eacute;dias, ou seja, entre os homens que t&ecirc;m    um n&iacute;vel de vida igual ou superior ao dos judeus&quot; (1999 [1954]:    41-42). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O que se pode concluir destes exemplos, que se reportam a contextos hist&oacute;ricos    e sociais muito diferentes, mas sempre em sociedades capitalistas, n&atilde;o    &eacute;, obviamente, que todas as classes sociais s&atilde;o racistas, mas    que os protagonistas do racismo podem estar nos mais variados lugares da estrutura    social. Eles servem para mostrar que, assim como n&atilde;o h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o    linear e exclusiva entre capitalismo e racismo, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute;    poss&iacute;vel estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o &uacute;nica entre classes    dominantes e ideologias ou pr&aacute;ticas racistas. <a name="top32"></a>Trata-se    de um princ&iacute;pio de explica&ccedil;&atilde;o que tem demasiadas excep&ccedil;&otilde;es    para fazer regra, quer no passado, quer, sobretudo, nas sociedades contempor&acirc;neas.<A HREF="#32"><SUP>32</SUP>    </A></P>     <P>Dadas as limita&ccedil;&otilde;es da argumenta&ccedil;&atilde;o dos que defendem o que se considerou serem defini&ccedil;&otilde;es inflacionadas de racismo, ser&aacute; caso para dizer, ent&atilde;o, que o racismo enquanto pr&aacute;tica se cinge sempre a comportamentos individuais e de grupo e que nunca alcan&ccedil;a express&atilde;o institucional? </P>     <P>N&atilde;o est&aacute; em causa que a discrimina&ccedil;&atilde;o racial, para al&eacute;m de actos individuais mais ou menos isolados, possa inscrever-se nas orienta&ccedil;&otilde;es de determinadas institui&ccedil;&otilde;es e, por essa via, condicionar de forma difusa e indirecta as pr&aacute;ticas de v&aacute;rios dos seus agentes. Apesar dos valores culturais e das normas legais anti-racistas que prevalecem nas sociedades ocidentais em geral, escolas, empresas, for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, entre outros, podem, de facto, em determinadas circunst&acirc;ncias, ser lugar de pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias. N&atilde;o &eacute; por isso, no entanto, que se deve considerar racista o pr&oacute;prio conjunto da organiza&ccedil;&atilde;o social, como fazem os defensores do conceito de racismo institucional. </P>     <P>Mas a melhor resposta &agrave; quest&atilde;o colocada acima &eacute; a que decorre de algumas propostas de Michel Wieviorka (1991), que, sem cair no maximalismo da ideia de racismo institucional, chama a aten&ccedil;&atilde;o para as circunst&acirc;ncias em que o racismo pode ser objecto de processos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o e, desse modo, atingir uma gravidade social que transcende a dos meros actos isolados. A refer&ecirc;ncia a essas propostas finalizar&aacute; a especifica&ccedil;&atilde;o que aqui se procurou fazer do conceito de racismo nas suas tr&ecirc;s dimens&otilde;es constitutivas, ou seja, ideologia, preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o. </P>     <P><a name="top33"></a>Wieviorka identifica, por um lado, o que chama &quot;formas    elementares de racismo&quot;, a saber, preconceito, discrimina&ccedil;&atilde;o,    segrega&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia, e, por outro lado, e esse &eacute;    o ponto que interessa destacar, distingue quatro n&iacute;veis de express&atilde;o    poss&iacute;vel do racismo, n&atilde;o necessariamente sempre presentes — infra-racismo,    racismo fragmentado, racismo pol&iacute;tico e racismo de estado (1991: 83-85).<A HREF="#33"><SUP>33</SUP></A>  </P>     <P>No primeiro n&iacute;vel, o do infra-racismo, observa-se a presen&ccedil;a    de doutrinas, a difus&atilde;o de preconceitos e opini&otilde;es, mais xen&oacute;fobos    do que propriamente racistas, pode haver viol&ecirc;ncia, mas apenas pontual,    e as pr&aacute;ticas de discrimina&ccedil;&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o    t&ecirc;m tamb&eacute;m car&aacute;cter localizado. Todas estas formas elementares    aparecem, al&eacute;m disso, largamente desarticuladas umas das outras. No segundo    n&iacute;vel, embora ainda fragmentado, o racismo tem uma express&atilde;o mais    clara e afirmativa. As ideologias racistas est&atilde;o mais difundidas e t&ecirc;m    mais meios de difus&atilde;o, a viol&ecirc;ncia &eacute; mais frequente, a discrimina&ccedil;&atilde;o    e a segrega&ccedil;&atilde;o mais marcadas, sem que, no entanto, se possa falar    de articula&ccedil;&atilde;o entre essas v&aacute;rias formas elementares de    racismo. </P>     <P>Uma mudan&ccedil;a qualitativa opera-se quando o racismo passa para o n&iacute;vel pol&iacute;tico, ou seja, quando ele se torna o princ&iacute;pio de ac&ccedil;&atilde;o de uma for&ccedil;a pol&iacute;tica. Nesse est&aacute;dio, essa for&ccedil;a pol&iacute;tica &quot;capitaliza as opini&otilde;es e os preconceitos, mas tamb&eacute;m os orienta e desenvolve; reclama-se de elementos doutrin&aacute;rios, que deixam de estar marginalizados; dota-se de intelectuais org&acirc;nicos; inscreve-se numa tradi&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, ou funda-a, ao mesmo tempo que apela no sentido de medidas concretas de discrimina&ccedil;&atilde;o ou de um projecto de segrega&ccedil;&atilde;o racial&quot;. </P>     <P>O &uacute;ltimo e quarto n&iacute;vel, finalmente, &eacute; aquele em que o pr&oacute;prio estado se organiza a partir de orienta&ccedil;&otilde;es racistas, em que os que o dirigem tudo submetem a essas orienta&ccedil;&otilde;es: &quot;a ci&ecirc;ncia, a t&eacute;cnica, as institui&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m a economia, os valores morais e religiosos, o passado hist&oacute;rico, a expans&atilde;o militar&quot;, desenvolvendo &quot;pol&iacute;ticas e programas de exclus&atilde;o, destrui&ccedil;&atilde;o ou discrimina&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a&quot;. O nazismo na Alemanha ou o <I>apartheid</I> sul-africano s&atilde;o exemplos hist&oacute;ricos desse racismo estatal, que &eacute;, portanto, um &quot;racismo total&quot;. (<I>op cit.:</I> 85) </P>     <P>&Eacute; justamente nesse salto de um plano n&atilde;o-pol&iacute;tico, o dos dois primeiros n&iacute;veis, para um plano pol&iacute;tico, o dos dois &uacute;ltimos, que o racismo assume formas institucionalizadas, n&atilde;o se reduzindo apenas a ac&ccedil;&otilde;es de indiv&iacute;duos, grupos ou institui&ccedil;&otilde;es isoladas, mas configurando-se como um fen&oacute;meno de propor&ccedil;&otilde;es mais graves, por via da interven&ccedil;&atilde;o de &quot;agentes de institucionaliza&ccedil;&atilde;o activa&quot;. O&nbsp;mais inquietante numa sociedade, diz ent&atilde;o Wieviorka, n&atilde;o &eacute; a exist&ecirc;ncia de um racismo difuso, mesmo que solidamente constitu&iacute;do, mas a exist&ecirc;ncia de actores pol&iacute;ticos suscept&iacute;veis de fazer o racismo passar a linha que faz dele &quot;uma for&ccedil;a de mobiliza&ccedil;&atilde;o colectiva, capaz, por ela pr&oacute;pria, eventualmente, de ir at&eacute; ao poder de estado&quot; (<I>idem</I>: 89). </P>     <P>Al&eacute;m de estabelecer com rigor as condi&ccedil;&otilde;es em que ele pode tornar-se objecto de institucionaliza&ccedil;&atilde;o, este modelo anal&iacute;tico permite tamb&eacute;m especificar o problema da articula&ccedil;&atilde;o entre as dimens&otilde;es representacionais do racismo e o racismo como pr&aacute;tica. S&oacute; quando o racismo se torna pol&iacute;tico, pela ac&ccedil;&atilde;o desses agentes de institucionaliza&ccedil;&atilde;o activa, &eacute; que ideologia, preconceito e discrimina&ccedil;&atilde;o racial tendem a convergir num padr&atilde;o articulado, que pode encontrar protagonistas nos mais variados sectores da sociedade. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Noutras circunst&acirc;ncias, as que correspondem aos dois primeiros n&iacute;veis identificados por Wieviorka, o infra-racismo e o racismo fragmentado, h&aacute;, no entanto, solu&ccedil;&atilde;o de continuidade entre aquelas tr&ecirc;s dimens&otilde;es, algo que as defini&ccedil;&otilde;es inflacionadas discutidas atr&aacute;s n&atilde;o concebem. Para estas, ou h&aacute; sempre estreita articula&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca entre ideologia, preconceito e pr&aacute;tica, ou, ent&atilde;o, o racismo est&aacute; t&atilde;o profundamente inscrito na sociedade que esse problema nem sequer &eacute; equacionado, sendo certo que toda a gente, excepto as minorias em quest&atilde;o, &eacute; protagonista do racismo. </P>     <P>Resta dizer que o modelo proposto por Wieviorka, embora visivelmente marcado pela experi&ecirc;ncia da sociedade francesa e, particularmente, pela express&atilde;o pol&iacute;tica que a&iacute; atingiu um partido como a Frente Nacional, tem uma validade mais geral como quadro de refer&ecirc;ncia para o estudo sociol&oacute;gico do racismo nas sociedades contempor&acirc;neas. Sendo este um fen&oacute;meno indesejado e conden&aacute;vel a todos os t&iacute;tulos, n&atilde;o h&aacute;, contudo, nenhuma raz&atilde;o para lhe dar um tratamento diferente do que deve ter qualquer outro que a sociologia tome como objecto. Mais do que de ideologiza&ccedil;&atilde;o e infla&ccedil;&atilde;o de conceitos, em suma, a compreens&atilde;o sociol&oacute;gica do racismo precisa de especifica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica rigorosas. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>     <P>Notas</P> </B>     <P><A NAME="1" id="1"></A><a href="#top1">1</a> Ver Taguieff (1987: 130-138) e    Miles (1993b: 160-161). </P>     <P><A NAME="2" id="2"></A><a href="#top2">2</a> S&iacute;nteses das ideias e elementos    biogr&aacute;ficos sobre estes e outros autores na mesma linha de pensamento    podem ser encontrados em Fontette (1981: 43-72) e Taguieff (1987: 299-307; 338-347).  </P>     <P><A NAME="3" id="3"></A><a href="#top3">3</a> Alguns elementos de s&iacute;ntese    sobre o pensamento racialista europeu em diferentes dom&iacute;nios do saber,    nos s&eacute;culos XVIII e XIX, podem encontrar-se em Marques (1995) e Dias    (1995); sobre o mesmo processo, nos dom&iacute;nios particulares da biologia    e da antropologia f&iacute;sica, ver Vieira (1995). </P>     <P><A NAME="4" id="4"></A><a href="#top4">4</a> Sobre Francis Galton e o eugenismo    ver Shipman (1994: 100-109). Em termos mais globais, o trabalho de Shipman faz    uma apresenta&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o detalhadas sobre o caminho    percorrido pelo conceito de ra&ccedil;a no dom&iacute;nio das ci&ecirc;ncias    naturais. Para uma identifica&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica de alguns dos    termos dessa discuss&atilde;o, em particular na biologia e na antropologia,    ver AA.VV. (1997), <I>O que &eacute; a Ra&ccedil;a? Um Debate entre a Antropologia    e a Biologia, </I>Lisboa, Espa&ccedil;o Oikos, . </P>     <P><A NAME="5" id="5"></A><a href="#top5">5</a> elabora&ccedil;&atilde;o dessas    declara&ccedil;&otilde;es, particularmente a primeira, de 1950, n&atilde;o esteve    isenta de pol&eacute;mica cient&iacute;fica. A cr&iacute;tica de bi&oacute;logos    e antrop&oacute;logos f&iacute;sicos, de que ela confundia ra&ccedil;a enquanto    facto biol&oacute;gico e ra&ccedil;a enquanto fen&oacute;meno sociol&oacute;gico,    levou &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o de uma segunda comiss&atilde;o de peritos,    que produziu outra declara&ccedil;&atilde;o, logo em 1951. Ver sobre isto P.    van den Berghe (1996) e Shipman (1994: 141-153), esta &uacute;ltima relatando    tamb&eacute;m epis&oacute;dios de conflitualidade pessoal e de reputa&ccedil;&atilde;o    profissional em torno do trabalho dessas comiss&otilde;es. Os textos integrais    das declara&ccedil;&otilde;es, a composi&ccedil;&atilde;o das comiss&otilde;es,    bem como artigos individuais de alguns dos cientistas que participaram directamente    na sua elabora&ccedil;&atilde;o, ou que para isso foram consultados, encontram-se    em AA.VV. (1970), <I>Ra&ccedil;a e Ci&ecirc;ncia</I>, S&atilde;o Paulo, Editora    Perspectiva, 2 volumes. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="6" id="6"></A><a href="#top6">6</a> Para inventaria&ccedil;&atilde;o    e coment&aacute;rios a esses conceitos, e respectivas refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas,    ver Pettigrew e Meertens (1993), Wieviorka (1991: 90-91), Miles (1989: 62-66),    Ponterotto <I>et al</I>. (1993: 16-19). Pierre Bourdieu assinala tamb&eacute;m    essa muta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, dizendo que actualmente &quot;a    puls&atilde;o racista n&atilde;o pode mais exprimir-se sen&atilde;o sob formas    altamente eufemizadas&quot; (1980: 265). </P>     <P><A NAME="7" id="7"></A><a href="#top7">7</a> Claude L&eacute;vi-Strauss &eacute;    um dos poucos cientistas sociais que foi convidado, por mais de uma vez, a dar    o seu contributo especializado nas j&aacute; referidas iniciativas da UNESCO    de luta contra o racismo. O ensaio &quot;Ra&ccedil;a e Hist&oacute;ria&quot;    (L&eacute;vi-Strauss, 1980), publicado pela primeira vez em 1952, por solicita&ccedil;&atilde;o    daquela institui&ccedil;&atilde;o, foi seguido, duas d&eacute;cadas depois,    por um outro texto, &quot;Ra&ccedil;a e Cultura&quot; (L&eacute;vi-Strauss,    1983: 21-48) apresentado na confer&ecirc;ncia inaugural do <I>Ano Internacional    de Luta contra o Racismo, </I>em 1971. Al&eacute;m de criticar o j&aacute; mencionado    &quot;abuso de linguagem&quot; na defini&ccedil;&atilde;o de racismo, nesse    segundo trabalho o autor chamava a aten&ccedil;&atilde;o que, para lutar contra    o racismo, n&atilde;o chegava repetir sempre os &quot;mesmos argumentos contra    a velha antropologia f&iacute;sica, as suas medi&ccedil;&otilde;es de esqueletos,    as suas aferi&ccedil;&otilde;es de cores de pele, olhos ou cabelo&quot;, e que    essa luta pressupunha um &quot;di&aacute;logo largamente aberto com a gen&eacute;tica    das popula&ccedil;&otilde;es&quot;, argumenta&ccedil;&atilde;o que lhe valeu,    como conta o pr&oacute;prio, fortes cr&iacute;ticas e antipatias (<I>op. cit.,    </I>1983: 13-16). Algumas dessas cr&iacute;ticas, e respectivas refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas, podem ser encontradas em Taguieff (1987: 81-82, 246-248).  </P>     <P><A NAME="8" id="8"></A><a href="#top8">8</a> Sobre os termos &quot;etnismo&quot;    e &quot;etismo&quot; ver Taguieff (1991: 46). </P>     <P><A NAME="9" id="9"></A><a href="#top9">9</a> Importa assinalar que, no plano    metodol&oacute;gico, o trabalho de Dijk n&atilde;o est&aacute; tamb&eacute;m    isento de vulnerabilidades. A sua evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica n&atilde;o    &eacute; constitu&iacute;da pelas m&uacute;ltiplas formas de comunica&ccedil;&atilde;o    interpessoal quotidiana propriamente ditas, mas sim por entrevistas, feitas    na Calif&oacute;rnia e na Holanda, &quot;t&atilde;o naturais e informais quanto    poss&iacute;vel, mas que nos permitiam controlar parcialmente os ‘t&oacute;picos    &eacute;tnicos’ que quer&iacute;amos analisar&quot;. Apesar do car&aacute;cter    indirecto e muito mediado da sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica,    Dijk afirma que essas entrevistas &quot;s&atilde;o suficientemente semelhantes    &agrave;s conversas espont&acirc;neas para permitir conclus&otilde;es acerca    da natureza da conversa&ccedil;&atilde;o do dia-a-dia sobre grupos &eacute;tnicos    minorit&aacute;rios&quot; (<I>idem</I>: 18). </P>     <P><A NAME="10" id="10"></A><a href="#top10">10</a> A estrat&eacute;gia argumentativa    que consiste em descartar a investiga&ccedil;&atilde;o feita por colegas por    n&atilde;o ser suficientemente cr&iacute;tica ou radical n&atilde;o tem, como    &eacute; evidente, nada de cient&iacute;fico, al&eacute;m de que &eacute; muito    pouco &eacute;tica e deontol&oacute;gica. Trata-se, no entanto, de um expediente    relativamente comum neste dom&iacute;nio de trabalho, sobretudo nos EUA. Stanfield    II e Dennis (1993), por exemplo, na introdu&ccedil;&atilde;o a um volume onde    re&uacute;nem diferentes contributos tendo em vista a &quot;inova&ccedil;&atilde;o    metodol&oacute;gica&quot; no estudo das quest&otilde;es de ra&ccedil;a e etnicidade,    n&atilde;o hesitam em desqualificar alguns trabalhos marcantes de soci&oacute;logos    norte-americanos, cl&aacute;ssicos e contempor&acirc;neos, com o argumento de    que o reconhecimento profissional e p&uacute;blico que obtiveram se deve &quot;mais    &agrave; sua conformidade com as ideologias dominantes do que a qualquer pertin&ecirc;ncia    metodol&oacute;gica&quot;. Se as metodologias tradicionais forem devidamente    repensadas e revistas, e se se desenharem e aplicarem outras novas, acrescentam,    &quot;come&ccedil;aremos a ver as quest&otilde;es &eacute;tnicas e raciais tal    como elas s&atilde;o na realidade&quot;. Os resultados podem n&atilde;o ser    agrad&aacute;veis, dizem ainda, &quot;mas ao menos estaremos a dizer a verdade&quot;    (1993: 6-7). &Eacute; contra este tipo de ambiente acad&eacute;mico que Pierre    van den Berghe (1993), um dos autores inclu&iacute;dos num volume de testemunhos    biogr&aacute;ficos sobre a pesquisa cl&aacute;ssica em rela&ccedil;&otilde;es    raciais nos EUA, organizado pelo mesmo Stanfield II (1993), reage vivamente:    &quot;a psicopatologia da culpa racial americana tem consequ&ecirc;ncias devastadoras    para o discurso intelectual, bem como para as rela&ccedil;&otilde;es sociais    em geral. O facto, por exemplo, de a interpreta&ccedil;&atilde;o do que cada    um diz estar contaminada pela pigmenta&ccedil;&atilde;o de quem o diz impede    a liberdade de discurso, ou seja, afecta o pr&oacute;prio fundamento daquilo    que &eacute; a universidade&quot; (237). </P>     <P><A NAME="11" id="11"></A><a href="#top11">11</a> Sobre a tem&aacute;tica do    anti-racismo numa &quot;perspectiva mundial&quot; ver Bowser (1995). V&aacute;rios    estudos sobre o tema no contexto ingl&ecirc;s podem ser encontrados em Braham,    Rattansi e Skellington (1992). Para uma desenvolvida an&aacute;lise cr&iacute;tica    dos discursos anti-racistas, nomeadamente sobre os seus pontos de converg&ecirc;ncia    com as novas formas de racismo cultural, ver Taguieff (1987). </P>     <P><A NAME="12" id="12"></A><a href="#top12">12</a> A Holanda &eacute; justamente    um dos pa&iacute;ses que, de acordo com os estudos de Pettigrew e Meertens,    tem uma norma anti-racismo flagrante &quot;mais forte e mais profundamente estabelecida&quot;    (<I>op. cit., </I>1993: 125). </P>     <P><A NAME="13" id="13"></A><a href="#top13">13</a> Vala, Brito e Lopes concluem,    no estudo j&aacute; citado, que h&aacute; uma correla&ccedil;&atilde;o negativa    entre grau de escolaridade e racismo flagrante, mas que essa correla&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o se verifica no caso do racismo subtil (<I>op. cit., </I>189). Esse    resultado, a que se junta um outro, segundo o qual uma escolaridade alta, combinada    com conservadorismo pol&iacute;tico, facilita a ades&atilde;o ao racismo mais    tradicional, leva os autores a dizer que se deve matizar essa correla&ccedil;&atilde;o    negativa entre as duas vari&aacute;veis comprovada por v&aacute;rios outros    estudos (<I>idem</I>: 150). Deve notar-se, no entanto, relativamente ao primeiro    dos dois resultados citados, que ele n&atilde;o poder&aacute; deixar de reflectir,    pelo menos em parte, o problema da inadequa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios    dos indicadores usados na &quot;escala de racismo subtil&quot;, como foi dito    anteriormente. Para um estudo recente, na regi&atilde;o de Lisboa, em que mais    uma vez se confirma a rela&ccedil;&atilde;o inversamente proporcional entre    informa&ccedil;&atilde;o e preconceito racial, no seio de uma popula&ccedil;&atilde;o    estudantil, ver Dias, Ferrer e Rigla (1997). </P>     <P><A NAME="14" id="14"></A><a href="#top14">14</a> Robert Miles, que atribui    o primeiro uso do conceito a Frantz Fanon, embora com um significado diferente    do actual, diz que ele &eacute; usado por alguns autores, como Michael Banton,    para designar o modo como as teorias de classifica&ccedil;&atilde;o das ra&ccedil;as    do s&eacute;culo XIX foram utilizadas para categorizar popula&ccedil;&otilde;es.    Na medida em que o conte&uacute;do ideol&oacute;gico da no&ccedil;&atilde;o    coincide com esse &quot;racismo cient&iacute;fico&quot;, racializa&ccedil;&atilde;o    &eacute; sin&oacute;nimo de racismo. Num sentido mais lato de categoriza&ccedil;&atilde;o    social corrente, racializa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o significa, no entanto,    necessariamente racismo (1989: 73-74; 1996: 307-308). </P>     <P><A NAME="15" id="15"></A><a href="#top15">15</a> Vale a pena fazer tamb&eacute;m    aqui men&ccedil;&atilde;o ao tipo particular de discurso racializante, simultaneamente    intelectual, liter&aacute;rio e pol&iacute;tico, que foi, especialmente no mundo    franc&oacute;fono, o do movimento da Negritude, liderado, a partir do final    dos anos 30, pelo poeta Aim&eacute; C&eacute;saire, oriundo da Martinica, e    pelo tamb&eacute;m poeta, pol&iacute;tico e, mais tarde, presidente do Senegal,    Leopold Senghor. O objectivo era a redescoberta e valoriza&ccedil;&atilde;o    dos &quot;valores africanos&quot;, como forma de contrariar a imagem negativa    que o racismo dava dos negros. A principal cr&iacute;tica dirigida a esse movimento    foi, justamente, a de que ele se limitava apenas a inverter os termos desse    racismo branco. Jean-Paul Sartre, em particular, no ensaio que serviu de pref&aacute;cio    &agrave; <I>Anthologie de la Nouvelle Po&eacute;sie N&egrave;gre et Malgache</I>,    publicada por Senghor em 1948, questionou expressamente o &quot;racismo anti-racista&quot;    da Negritude, o que causou grande consterna&ccedil;&atilde;o junto dos l&iacute;deres    do movimento. Sobre estas e outras refer&ecirc;ncias ao tema ver Carrilho (1975,    especialmente pp. 170-176). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="16" id="16"></A><a href="#top16">16</a> Para uma apresenta&ccedil;&atilde;o    e discuss&atilde;o dos argumentos a favor e contra o uso de estat&iacute;sticas    raciais ver Gordon (1992). </P>     <P><A NAME="17" id="17"></A><a href="#top17">17</a> A cr&iacute;tica que Miles    faz ao paradigma das &quot;rela&ccedil;&otilde;es raciais&quot; e aos seus efeitos    perversos de alimenta&ccedil;&atilde;o do racismo, outros fazem-na a prop&oacute;sito    da utiliza&ccedil;&atilde;o pelas ci&ecirc;ncias sociais de conceitos como etnia    e grupo &eacute;tnico, vistos como meros substitutos eufemizados da no&ccedil;&atilde;o    de ra&ccedil;a. Assim, seria no quadro da generaliza&ccedil;&atilde;o desses    conceitos nos discursos cient&iacute;ficos, mas tamb&eacute;m noutros discursos    institucionais, que o pensamento racista se deslocaria progressivamente de &quot;ideias    sobre a ‘ra&ccedil;a’ para ideias sobre as diferen&ccedil;as culturais e &eacute;tnicas&quot;    (Vala, Brito e Lopes, 1999: 137-141). </P>     <P><A NAME="18" id="18"></A><a href="#top18">18</a> A passagem para os preconceitos    comuns das elabora&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas racistas mais subtis    n&atilde;o &eacute; algo que se possa dar por adquirido. Como nota Pierre Bourdieu,    no texto j&aacute; citado, as formas altamente eufemizadas do novo racismo tornam-no    quase &quot;irreconhec&iacute;vel&quot; e deixam os &quot;novos racistas&quot;    com um problema de comunica&ccedil;&atilde;o da sua mensagem (<I>op. cit.: </I>265).  </P>     <P><A NAME="19" id="19"></A><a href="#top19">19</a> O livro de Carmichael e Hamilton    intitula-se justamente <I>Black Power: The Politics of Liberation in America,    </I>e foi publicado em 1967. </P>     <P><A NAME="20" id="20"></A><a href="#top20">20</a> Miles reserva o conceito de    racismo institucional, num sentido mais estrito, para designar dois tipos de    circunst&acirc;ncias. Por um lado, aquelas em que certas pr&aacute;ticas de    exclus&atilde;o, anteriormente justificadas por discursos racistas, deixam de    o ser, de forma expl&iacute;cita; por outro lado, aquelas em que &quot;discursos    explicitamente racistas s&atilde;o modificados, de forma a eliminar o conte&uacute;do    racista expl&iacute;cito, mas em que outras palavras transportam o sentido origin&aacute;rio&quot;    (1989: 84-85). Em qualquer dos casos, Miles toma como exemplo a legisla&ccedil;&atilde;o    brit&acirc;nica sobre estrangeiros e a sua evolu&ccedil;&atilde;o ao longo do    s&eacute;culo XX. Trata-se, contudo, de uma defini&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o    &eacute; clara, que n&atilde;o &eacute; ilustrada por outros exemplos, e sobre    a qual, al&eacute;m disso, Miles n&atilde;o aprofunda muito a argumenta&ccedil;&atilde;o.  </P>     <P><A NAME="21" id="21"></A><a href="#top21">21</a> Um exemplo paradigm&aacute;tico    de infla&ccedil;&atilde;o conceptual &eacute; tomar-se como ilustra&ccedil;&atilde;o    inequ&iacute;voca de racismo institucional (Cashmore, 1996b) o caso das oito    associa&ccedil;&otilde;es ambientalistas norte-americanas acusadas, em 1990,    por um grupo de activistas de direitos civis, de serem racistas nas suas pr&aacute;ticas    de recrutamento, uma vez que, entre os seus respons&aacute;veis e t&eacute;cnicos,    havia um n&uacute;mero muito baixo de negros, latinos e membros de outros grupos    minorit&aacute;rios. </P>     <P><A NAME="22" id="22"></A><a href="#top22">22</a> O texto em quest&atilde;o    intitula-se &quot;Discrimination and the american creed&quot; e foi publicado,    em 1948, numa colect&acirc;nea organizada por R. M. MacIver, <I>Discrimination    and National Welfare</I>, Nova Iorque, Harper and Brothers, pp. 66-126. Uma    r&aacute;pida s&iacute;ntese do conte&uacute;do deste trabalho pode ser encontrada    em Crothers (1994: 97-98). </P>     <P><A NAME="23" id="23"></A><a href="#top23">23</a> Outros autores, como Allport    ou Klineberg, retomaram, mais tarde, a tipologia mertoniana (cf. Taguieff, 1987:    252-253). </P>     <P><A NAME="24" id="24"></A><a href="#top24">24</a> Os trabalhos referidos s&atilde;o    os seguintes: Robert E. Park (1982), &quot;The basis of race prejudice<I>&quot;,    The American Negro, The Annals of the American Academy of Political and Social    Sciences</I>, vol. 140; W. Lloyd Warner (1936), &quot;American caste and class&quot;,    <I>American Journal of Sociology</I>, vol. 42, n.º2. </P>     <P><A NAME="25" id="25"></A><a href="#top25">25</a> Vale a pena dizer que essas    n&atilde;o foram, no entanto, as primeiras cr&iacute;ticas de que a no&ccedil;&atilde;o    de <I>melting pot</I> foi alvo. Os primeiros a atac&aacute;-la, e sobretudo    o processo que ela designava, foram, nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo    XX, figuras proeminentes dos meios racistas e eugenistas norte-americanos. Preocupava-os    a chegada de cada vez mais imigrantes europeus, j&aacute; n&atilde;o exclusivamente    membros da &quot;ra&ccedil;a n&oacute;rdica&quot;, mas sim italianos &quot;predispostos    a crimes de viol&ecirc;ncia pessoal&quot; ou gregos e s&eacute;rvios &quot;desmazelados&quot;,    que amea&ccedil;avam de degenera&ccedil;&atilde;o racial e cultural a sociedade    norte-americana (cf. Shipman, 1994: 111-114). Se a cr&iacute;tica posterior    da ideia de <I>melting pot</I> tem como argumento um d&eacute;fice de integra&ccedil;&atilde;o    (o da popula&ccedil;&atilde;o negra), a cr&iacute;tica inicial, como se v&ecirc;,    toma como argumento o excesso de integra&ccedil;&atilde;o. Se o tristemente    c&eacute;lebre genoc&iacute;dio dos judeus pelos nazis alem&atilde;es n&atilde;o    bastasse, este exemplo serve tamb&eacute;m para mostrar que, ao contr&aacute;rio    do que as defini&ccedil;&otilde;es e os estudos sobre o tema foram estabelecendo    especialmente na sociologia de l&iacute;ngua inglesa, o racismo n&atilde;o &eacute;    um fen&oacute;meno apenas de brancos contra negros. Robert Miles, chamando justamente    a aten&ccedil;&atilde;o para a forma como a infla&ccedil;&atilde;o conceptual    do racismo foi acompanhada por este &quot;estreitamento do seu campo de aplica&ccedil;&atilde;o&quot;,    refere, na mesma linha, que os migrantes irlandeses em Inglaterra, no s&eacute;culo    XIX, eram tamb&eacute;m definidos como uma &quot;ra&ccedil;a inferior&quot;(1989:    52, 60). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="26" id="26"></A><a href="#top26">26</a> O livro de E. Franklin Frazier,    <I>The Black Bourgeoisie: the Rise of the New Middle Class</I>, publicado em    1957, em Nova Iorque, pela editora Free Press, &eacute; o primeiro trabalho    exclusivamente dedicado &agrave; an&aacute;lise da diferencia&ccedil;&atilde;o    classista interna da popula&ccedil;&atilde;o negra norte-americana. </P>     <P><A NAME="27" id="27"></A><a href="#top27">27</a> Vale a pena acrescentar aqui    que, nos anos 80, o conceito foi objecto de grande politiza&ccedil;&atilde;o,    em particular com a sua apropria&ccedil;&atilde;o pelos discursos da direita    mais liberal, que passou a tom&aacute;-lo como sin&oacute;nimo de depend&ecirc;ncia    cr&oacute;nica e usufruto indevido das presta&ccedil;&otilde;es sociais do estado-provid&ecirc;ncia.    Por essa raz&atilde;o, &quot;alguns autores de esquerda recusam-se agora a usar    o conceito, n&atilde;o com base no facto de n&atilde;o descrever uma realidade,    mas devido &agrave; associa&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita com cr&iacute;ticas    de direita &agrave; previd&ecirc;ncia social&quot; (cf. Giddens, 1997: 126-129).  </P>     <P><A NAME="28" id="28"></A><a href="#top28">28</a> Para cr&iacute;ticas adicionais    e circunstanciadas a Wilson, nomeadamente ao seu alegado papel de justifica&ccedil;&atilde;o    do fim das medidas de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva dos negros, ver Steinberg    (1997). Numa fase posterior, Wilson parece, no entanto, ter visto a sua reputa&ccedil;&atilde;o    mudar, mesmo nos c&iacute;rculos que antes o condenavam. Depois de ter sido    violentamente criticado pela Associa&ccedil;&atilde;o dos Soci&oacute;logos    Negros Norte-Americanos, nos finais dos anos 70, esta outorgou-lhe, no princ&iacute;pio    dos anos 90, a sua mais alta distin&ccedil;&atilde;o (cf. Wieviorka, op. cit.:    116). </P>     <P><A NAME="29" id="29"></A><a href="#top29">29</a> O &quot;Imposto Negro&quot;    (&quot;<I>Black Tax</I>&quot;), segundo as pr&oacute;prias palavras de Small,    &quot;refere-se &agrave; ideia de que os negros com sucesso deviam contribuir    em dinheiro ou em esp&eacute;cie para ajudar pessoas negras menos bem sucedidas;    que deviam pagar um ‘imposto’ que beneficiasse directamente os negros pobres&quot;    (<I>op. cit.: </I>218). </P>     <P><A NAME="30" id="30"></A><a href="#top30">30</a> (1948), <I>Caste, Class and    Race: A Study in Social Dynamics</I>, Nova Iorque, Doubleday. </P>     <P><A NAME="31" id="31"></A><a href="#top31">31</a> Se tem o m&eacute;rito de    identificar um fundo comum a v&aacute;rios tipos de domina&ccedil;&atilde;o,    a posi&ccedil;&atilde;o de Bourdieu n&atilde;o deixa, no entanto, de representar    uma forma de infla&ccedil;&atilde;o e, ao mesmo tempo, de dilui&ccedil;&atilde;o    conceptual. O racismo propriamente dito deixaria de se distinguir de um &quot;racismo&quot;    de classe ou de um &quot;racismo&quot; de g&eacute;nero, por exemplo. Jos&eacute;    Madureira Pinto considera-a &quot;uma posi&ccedil;&atilde;o extremada&quot;    (1994: 137) e Pierre-Andr&eacute; Taguieff, referindo-se especificamente ao    contexto franc&ecirc;s da d&eacute;cada de 70 e citando Bourdieu, entre outros    autores, critica, mais genericamente, a tend&ecirc;ncia de raciza&ccedil;&atilde;o    de m&uacute;ltiplas categorias sociais nos discursos correntes: &quot;jovens,    idosos, desempregados, homossexuais, mulheres, patr&otilde;es, judeus, pol&iacute;cias,    seriam categoriz&aacute;veis ‘como ra&ccedil;as’ ou ‘como’ equivalentes de ‘ra&ccedil;as’&quot;    (1987: 54-55). </P>     <P><A NAME="32" id="32"></A><a href="#top32">32</a> Importa ainda n&atilde;o esquecer    que as explica&ccedil;&otilde;es do racismo como produto do capitalismo, e como    justifica&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica para a sobreexplora&ccedil;&atilde;o    econ&oacute;mica de determinadas minorias &eacute;tnicas ou raciais, deixam    de fora todos aqueles casos em que racismo coincide com exterm&iacute;nio dos    que dele s&atilde;o alvo, como aconteceu com o genoc&iacute;dio dos judeus pelos    nazis alem&atilde;es. </P>     <P><A NAME="33" id="33"></A><a href="#top33">33</a> &Eacute; de referir que tamb&eacute;m    para o conceito de viol&ecirc;ncia n&atilde;o faltam exemplos de defini&ccedil;&otilde;es    inflacionadas. Assim, a defini&ccedil;&atilde;o corrente, que designa ac&ccedil;&otilde;es    de ataque f&iacute;sico aberto a indiv&iacute;duos, grupos e/ou aos seus bens,    &eacute; contestada por alguns autores por ser, ao mesmo tempo, demasiado restrita    e demasiado lata. Tomando como refer&ecirc;ncia a sociedade inglesa, Barry Troyna    (1996: 154-156) acha essa defini&ccedil;&atilde;o demasiado restrita por n&atilde;o    considerar outras formas de viol&ecirc;ncia, mais subtis mas &quot;n&atilde;o    menos intimidat&oacute;rias&quot;, como &quot;o <I>graffiti </I>ou outros insultos    escritos, o abuso verbal, o desrespeito face a diferen&ccedil;as em termos de    m&uacute;sica, alimenta&ccedil;&atilde;o, vestu&aacute;rio ou costumes, a m&aacute;    pronuncia&ccedil;&atilde;o deliberada de nomes ou a imita&ccedil;&atilde;o do    sotaque&quot;. Considera-a, por outro lado, demasiado lata porque trata por    igual os ataques raciais, independentemente da cor das v&iacute;timas e dos    agressores. Troyna entende que os ataques de brancos a negros n&atilde;o se    podem equiparar aos que t&ecirc;m sentido contr&aacute;rio, ou aos que ocorrem    entre membros de minorias diferentes, porque os primeiros fazem parte de uma    &quot;ideologia coerente de opress&atilde;o&quot;, e designar todos por igual    significa n&atilde;o reconhecer a &quot;assimetria de rela&ccedil;&otilde;es&quot;    entre brancos e negros. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P> <B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</P> </B>     <!-- ref --><P>AA.VV. (1970), <I>Ra&ccedil;a e Ci&ecirc;ncia</I>, 2 volumes, S&atilde;o Paulo, Editora Perspectiva. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0873-6529200000020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>AA.VV. (1997), <I>O Que &Eacute; a Ra&ccedil;a? Um Debate entre a Antropologia e a Biologia</I>, Lisboa, Espa&ccedil;o Oikos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0873-6529200000020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Bastide, Roger (1973), <I>El Pr&oacute;jimo y el Extra&ntilde;o: El Encuentro de las Civilizaciones</I>, Buenos Aires, Amorrortu Editores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0873-6529200000020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Berger, Peter L. (1986 [1963]), <I>Perspectivas Sociol&oacute;gicas</I>, Petr&oacute;polis, Vozes. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0873-6529200000020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Berghe, Pierre van den (1993), &quot;A francophone african encounters the theory and practice of american race relations&quot;, <I>in</I> John H. Stanfield II, <I>A History of Race Relations Research: First-Generation Recolections</I>, Londres, Sage Publications, pp. 233-254. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0873-6529200000020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Berghe, Pierre van den (1996), &quot;UNESCO&quot;, <I>in</I> Ellis Cashmore, <I>Dictionary of Race and Ethnic Relations</I>, Londres, Routledge, pp. 369-371. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0873-6529200000020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Bourdieu, Pierre (1980), &quot;Le racisme de l’intelligence&quot;, in <I>Questions de Sociologie</I>, Paris, Les &Eacute;ditions de Minuit. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0873-6529200000020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Bowser, Benjamin P. (org.) (1995), <I>Racism and Anti-Racism in World Perspective</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0873-6529200000020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Braham, Peter, Ali Rattansi e Richard Skellington (1992), <I>Racism and Anti-Racism: Inequalities, Opportunities and Policies, </I>Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0873-6529200000020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Carrilho, Maria (1975), <I>Sociologia da Negritude</I>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es 70. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0873-6529200000020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cashmore, Ellis (1996a), <I>Dictionary of Race and Ethnic Relations</I>, Londres, Routledge. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0873-6529200000020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cashmore, Ellis (1996b), &quot;Institutional racism&quot;, <I>in</I> Ellis Cashmore, <I>Dictionary of Race and Ethnic Relations</I>, Londres, Routledge, pp. 169-172. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0873-6529200000020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Cashmore, Ellis (1996c), &quot;Racial discrimination&quot;, <I>in</I> Ellis Cashmore, <I>Dictionary of Race and Ethnic Relations</I>, Londres, Routledge, pp. 305-306. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0873-6529200000020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Dias, Jill R. (1995), &quot;Um contributo oitocentista para a divulga&ccedil;&atilde;o em Portugal do debate europeu sobre a Ra&ccedil;a&quot;, <I>Ethnologia</I>, 3-4, pp. 121-137. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0873-6529200000020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Dias, Maria do Ros&aacute;rio, Jordi Garc&eacute;s Ferrer e Francisco R&oacute;denas Rigla (1997), &quot;Investiga&ccedil;&atilde;o transcultural sobre atitudes face aos imigrantes: estudo piloto de Lisboa&quot;, <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, 25, pp. 139-153. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0873-6529200000020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Dijk, Teun van (1987), <I>Communicating Racism: Ethnic Prejudice in Thought and Talk</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0873-6529200000020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Dijk, Teun van (1993), <I>Elite Discourse and Racism</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0873-6529200000020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Essed, Philomena (1991), <I>Understanding Everyday Racism: An Interdisciplinay Theory</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0873-6529200000020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Farley, Reynolds (1984), <I>Blacks and Whites: Narrowing the Gap?</I>, Cambridge (Mass.), Harvard University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0873-6529200000020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Fontette, Fran&ccedil;ois de (1981), <I>Le Racisme</I>, Paris, Presses Universitaires de France. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0873-6529200000020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Garcia-Marques, Leonel (1999), &quot;O estudo dos estere&oacute;tipos e as novas an&aacute;lises do racismo: ser&atilde;o os efeitos dos estere&oacute;tipos inevit&aacute;veis?&quot;, <I>in</I> Jorge Vala (org.) <I>Novos&nbsp;Racismos: Perspectivas Comparativas</I>, Oeiras, Celta Editora, pp. 121-131. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0873-6529200000020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Giddens, Anthony (1997), <I>Para Al&eacute;m da Esquerda e da Direita</I>, Oeiras, Celta. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0873-6529200000020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Gordon, Paul (1992), &quot;The racialization of statistics&quot;, <I>in</I> Richard Skellington e Paulette Morris, <I>&quot;Race&quot; in Britain Today</I>, Londres, Sage Publications, pp. 15-34. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0873-6529200000020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Guillaumin, Collette (1993), &quot;La ‘diff&eacute;rence culturelle’&quot;, <I>in</I> Michel Wieviorka (org.), <I>Racisme et Modernit&eacute;</I>, Paris, &Eacute;ditions la D&eacute;couverte, pp. 149-151. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0873-6529200000020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Guimar&atilde;es, Ant&oacute;nio S&eacute;rgio Alfredo (1995), &quot;Racism and anti-racism in Brazil: a postmodern perspective&quot;, <I>in</I> Benjamin P. Bowser (org.), <I>Racism and Anti-Racism in World Perspective</I>, Londres, Sage Publications, pp. 208-226. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0873-6529200000020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Heringer, Rosana (1995), &quot;Introduction to the analysis of racism and anti-racism in Brezil&quot;, <I>in</I> Benjamin P. Bowfer (org.) <I>Racism and Anti-Racism in World Perspective</I>, Londres, Sage Publications, pp. 203-207. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0873-6529200000020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Keith, Michael e Malcolm Cross, &quot;Racism and the postmodern city&quot;, <I>in</I> Malcolm Cross e Michael Keith (orgs.), <I>Racism, the City and the State</I>, Londres, Routledge, pp. 1-30. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0873-6529200000020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>L&eacute;vi-Strauss, Claude (1980 [1952]), <I>Ra&ccedil;a e Hist&oacute;ria</I>, Lisboa, Editorial Presen&ccedil;a. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0873-6529200000020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>L&eacute;vi-Strauss, Claude (1983), <I>Le Regard Eloign&eacute;</I>, Paris, Plon. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0873-6529200000020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Memmi, Albert (1993), <I>O Racismo</I>, Lisboa, Editorial Caminho. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000223&pid=S0873-6529200000020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Meertens, Roel e Thomas F. Pettigrew (1999), &quot;Ser&aacute; o racismo subtil mesmo racismo?&quot;, in Jorge Vala (org.), <I>Novos Racismos: Perspectivas Comparativas</I>, Oeiras, Celta, pp. 11-29. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0873-6529200000020000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Merton, Robert K. (1968 [1949]), <I>Sociologia: Teoria e Estrutura</I>, S&atilde;o Paulo, Editora Mestre Jou. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0873-6529200000020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Miles, Robert (1989), <I>Racism</I>, Londres, Routledge. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0873-6529200000020000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Miles, Robert (1993a), <I>Racism after ‘Race Relations’</I>, Londres, Routledge. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0873-6529200000020000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Miles, Robert (1993b), &quot;Racisme institutionnel et rapports de classe: une relation probl&eacute;matique&quot;, <I>in</I> Michel Wieviorka (org.), <I>Racisme et Modernit&eacute;</I>, Paris, &Eacute;ditions la D&eacute;couverte, pp. 159-189. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0873-6529200000020000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Miles, Robert (1996), &quot;Racialization&quot;, <I>in</I> Ellis Cashmore, <I>Dictionary of Race and Ethnic Relations</I>, Londres, Routledge, pp. 306-308. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0873-6529200000020000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pakulski, Jiam e Malcolm Waters (1996), <I>The Death of Classe</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0873-6529200000020000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Parsons, Talcott (1975), &quot;Some theoretical considerations on the nature and trends of change of ethnicity&quot;, <I>in</I> Nathan Glazer e Daniel P. Moynihan (orgs.), <I>Ethnicity: Theory and Experience</I>, Cambridge, Massachusetts, Harvard University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000231&pid=S0873-6529200000020000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pettigrew, Thomas F. e R. W. Meertens (1993), &quot;Le racisme voil&eacute;: dimensions et mesure&quot;, <I>in</I> Michel Wieviorka (org.), <I>Racisme et Modernit&eacute;</I>, Paris, &Eacute;ditions la D&eacute;couverte, pp. 209-226. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0873-6529200000020000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pettigrew, Thomas F. (1999), &quot;A sistematiza&ccedil;&atilde;o dos preditores do racismo: uma perspectiva emp&iacute;rica&quot;, <I>in</I> Jorge Vala (org.), <I>Novos Racismos: Perspectivas Comparativas</I>, Oeiras, Celta, pp. 79-101. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000233&pid=S0873-6529200000020000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pina-Cabral, Jo&atilde;o de (1998), &quot;Racismo ou etnocentrismo?&quot;, <I>in</I> Henrique Gomes Ara&uacute;jo, Paula Mota Santos e Paulo Castro Seixas (orgs.), <I>N&oacute;s e os Outros: a Exclus&atilde;o Social em Portugal e na Europa</I>, Porto, Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, pp. 19-26. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000234&pid=S0873-6529200000020000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pinto, Jos&eacute; Madureira (1994), <I>Propostas para o Ensino das Ci&ecirc;ncias Sociais</I>, Porto, Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000235&pid=S0873-6529200000020000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Ponterotto, Joseph G. e Paul B. Pederson (1993), <I>Preventing Prejudice: A Guide for Counselors and Educators</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000236&pid=S0873-6529200000020000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Sartre, Jean-Paul (1999 [1954]), <I>R&eacute;flexions sur la Question Juive</I>, Paris, &Eacute;ditions Gallimard. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000237&pid=S0873-6529200000020000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Schutte, Gerhard (1995), <I>What Racists Believe: Race Relations in South Africa and the United States</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000238&pid=S0873-6529200000020000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Shipman, Pat (1994), <I>A Evolu&ccedil;&atilde;o do Racismo</I>, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000239&pid=S0873-6529200000020000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Simpson, George Eaton e J. Milton Yinger (1965), <I>Racial and Cultural Minorities: An Analysis of Prejudice and Discrimination</I>, Nova Iorque, Harper &amp; Row. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000240&pid=S0873-6529200000020000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Small, Stephen (1994), <I>Racialised Barriers: The Black Experience in the United States and England in the 1980s</I>, Londres, Routledge. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000241&pid=S0873-6529200000020000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Stanfield II, John H. (1993), <I>A History of Race Relations Research: First-Generation Recolections</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000242&pid=S0873-6529200000020000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Stanfield II, John H., Dennis e Rutledge M. (orgs.) (1993), <I>Race and Ethnicity in Research Methods</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000243&pid=S0873-6529200000020000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Steinberg, Stephen (1997), &quot;The liberal retreat from race since the Civil Rights Act&quot;, <I>in</I> Montserrat Guibernau e John Rex (orgs.), <I>The Ethniciy Reader: Nationalism, Multiculturalism and Migration</I>, Cambridge, Polity Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000244&pid=S0873-6529200000020000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Taguieff, Pierre-Andr&eacute; (1987), <I>La Force du Pr&eacute;jug&eacute;: Essai sur le Racisme et ses Doubles</I>, Paris, &Eacute;ditions la D&eacute;couverte. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000245&pid=S0873-6529200000020000200052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Taguieff, Pierre-Andr&eacute; (1991), &quot;Les m&eacute;tamorphoses id&eacute;ologiques du racisme et la crise de l’antiracisme&quot;, <I>in</I> Pierre-Andr&eacute; Taguieff (org.), <I>Face au Racisme. Tome II. Analyses, Hypoth&egrave;ses, Perspectives</I>, Paris, &Eacute;ditions la D&eacute;couverte. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000246&pid=S0873-6529200000020000200053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Troyna, Barry (1996), &quot;Harassment: racial and racist&quot;, <I>in</I> Ellis Cashmore, <I>Dictionary of Race and Ethnic Relations</I>, Londres, Routledge, pp. 154-156. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000247&pid=S0873-6529200000020000200054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Vala, Jorge (org.) (1999), <I>Novos Racismos: Perspectivas Comparativas</I>, Oeiras, Celta. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000248&pid=S0873-6529200000020000200055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Vala, Jorge, Rodrigo Brito e Diniz Lopes (1999), <I>Express&otilde;es dos Racismos em Portugal</I>, Lisboa, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000249&pid=S0873-6529200000020000200056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Vieira, A. Bracinha (1995), &quot;Racismo e teoria&quot;, <I>Ethnologia</I>, 3-4, pp. 23-38. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000250&pid=S0873-6529200000020000200057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Vieira, Ros&acirc;ngela Maria (1995), &quot;Black resistance in Brazil: a matter of necessity&quot;, <I>in</I> Benjamin P. Bowser (org.), <I>Racism and Anti-Racism in World Perspective</I>, Londres, Sage Publications, pp. 227-240. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000251&pid=S0873-6529200000020000200058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Ward, Robin (1996), &quot;Middleman minority&quot;, <I>in</I> Ellis Cashmore, <I>Dictionaire of Race and Ethnic Relations</I>, Londres, Routledge, Chicago, University of Chicago Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000252&pid=S0873-6529200000020000200059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wacquant, Lo&iuml;c J. D. e William J. Wilson (1993), &quot;The cost of racial and class exclusion in the inner city&quot;, <I>in</I> William Julius Wilson (org.), <I>The Ghetto Underclass: Social Science Perspectives</I>, Newbury Park, California, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000253&pid=S0873-6529200000020000200060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wallerstein, Immanuel (1988), &quot;Universalisme, racisme, sexisme: les tensions ideologiques du capitalisme&quot;, <I>in</I> &Eacute;tienne Balibar e Immanuel Wallerstein, <I>Race, Nation, Classe: Les Identit&eacute;s Ambigu&euml;s</I>, Paris, &Eacute;ditions La D&eacute;couverte. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000254&pid=S0873-6529200000020000200061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Weber, Max (1995 [1922]), <I>Economie et Soci&eacute;t&eacute;</I> (2.º vol.), Paris, Plon. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000255&pid=S0873-6529200000020000200062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wieviorka, Michel (1991a), <I>L’Espace du Racisme</I>, Paris, Seuil. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000256&pid=S0873-6529200000020000200063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wieviorka, Michel (1991b), &quot;L'expansion du racisme populaire&quot;, in Pierre-Andr&eacute; Taguiess, <I>Face au Racisme: Analyse, Hypoth&eacute;se, Perspective</I>, Paris, ed. La D&eacute;couverte. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000257&pid=S0873-6529200000020000200064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wieviorka, Michel (org.) (1993), <I>Racisme et Modernit&eacute;</I>, Paris, &Eacute;ditions La D&eacute;couverte. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000258&pid=S0873-6529200000020000200065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wilson, William Julius (1978), <I>The Diclining Significance of Race</I>, Newbury Park, California, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000259&pid=S0873-6529200000020000200066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wilson, William Julius (org.) (1993), <I>The Ghetto Underclass: Social Science Perspectives</I>, Newbury Park, California, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000260&pid=S0873-6529200000020000200067&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="back"></A><a href="#top"><sup>*</sup></a>Fernando Lu&iacute;s Machado.    Soci&oacute;logo. Investigador do CIES/docente do&nbsp;departamento de Sociologia    do ISCTE. Qualquer correspond&ecirc;ncia pode ser enviada para o ISCTE: Av.    das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa, ou pelo <I>e-mail</I> <a href="mailto:fernando.machado@mail.iscte.pt">fernando.machado@mail.iscte.pt</a>  </P>      ]]></body><back>
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