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<institution><![CDATA[,Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - ISCTE Centro de Investigação de Estudos de Sociologia - CIES ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[  <B>      <p><a name="top"></a>CLASSES SOCIAIS NA EUROPA</p> </B><I>      <p>Ant&oacute;nio Firmino da Costa, Ros&aacute;rio Mauritti, Susana da Cruz Martins,    Fernando Lu&iacute;s Machado e Jo&atilde;o Ferreira de Almeida<a href="#back"><sup>*</sup></a></p> </I>     <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><u>Resumo</u> O actual contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o coloca novas    quest&otilde;es &agrave; an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es de classe.    Clarificando o posicionamento te&oacute;rico e as possibilidades operat&oacute;rias    da actual sociologia das classes sociais e da estratifica&ccedil;&atilde;o,    o presente artigo procura dar contributos para essa an&aacute;lise, procedendo    a um exame comparativo, no &acirc;mbito da Uni&atilde;o Europeia, de um conjunto    seleccionado de indicadores de recomposi&ccedil;&atilde;o social. Um dos principais    eixos da an&aacute;lise prende-se com o confronto entre par&acirc;metros nacionais    e globais de estrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de classe.  </p>      <p><u>Palavras-chave</u> Classes sociais, recomposi&ccedil;&otilde;es sociais,    globaliza&ccedil;&atilde;o, Uni&atilde;o Europeia. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <B>       <p>Introdu&ccedil;&atilde;o</p> </B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="top1"></a>O presente artigo pretende apresentar um conjunto de contributos,    sint&eacute;ticos mas integrados, para a an&aacute;lise dos processos de recomposi&ccedil;&atilde;o    das estruturas de classe actuais na Uni&atilde;o Europeia, com a preocupa&ccedil;&atilde;o    particular de situar a sociedade portuguesa nesse contexto.<A HREF="#nota1"><SUP>1</SUP></A>  </p>      <p>A escassez de trabalhos com este &acirc;mbito — em termos de escala e de problematiza&ccedil;&atilde;o    — constitui, por si s&oacute;, raz&atilde;o suficiente para sistematizar informa&ccedil;&atilde;o    emp&iacute;rica pertinente a tal respeito e para suscitar, a prop&oacute;sito    dela, um certo n&uacute;mero de hip&oacute;teses, de interroga&ccedil;&otilde;es    ou, mais modestamente, de simples chamadas de aten&ccedil;&atilde;o anal&iacute;ticas.    &Eacute; o que se faz aqui, de maneira necessariamente breve e parcelar, assumindo    que muitas dimens&otilde;es de an&aacute;lise adicionais seriam necess&aacute;rias    para uma abordagem mais satisfat&oacute;ria do tema. </p>      <p>A aus&ecirc;ncia dessas outras dimens&otilde;es, pelo menos em termos de refer&ecirc;ncias    emp&iacute;ricas de car&aacute;cter extensivo, deve-se a duas ordens de raz&otilde;es:    por um lado, muito simplesmente, &agrave; indisponibilidade dos indicadores    correspondentes; por outro lado, &agrave;s op&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico-anal&iacute;ticas    aqui tomadas, num texto em que se teria de ser sempre bastante restritivo nos    aspectos a seleccionar. </p>      <p>A indisponibilidade de indicadores tem v&aacute;rias causas, desde as que decorrem    de lacunas na produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica    institucional, ou de dificuldades no respectivo acesso, at&eacute; &agrave;s    que t&ecirc;m a ver com determinados aspectos da realidade social em quest&atilde;o.    S&atilde;o causas, ali&aacute;s, em certa medida interdependentes. Por exemplo,    muitas das actividades econ&oacute;micas informais e das situa&ccedil;&otilde;es    profissionais precarizadas n&atilde;o s&atilde;o facilmente suscept&iacute;veis    de registo extensivo, estandardizado e compar&aacute;vel, pelas pr&oacute;prias    caracter&iacute;sticas sociais de tais fen&oacute;menos e pelas orienta&ccedil;&otilde;es    que t&ecirc;m presidido &agrave; formata&ccedil;&atilde;o dos sistemas de indicadores    institucionais. </p>      <p>Quanto &agrave;s op&ccedil;&otilde;es de delimita&ccedil;&atilde;o selectiva    das dimens&otilde;es a contemplar de maneira central na an&aacute;lise, se tiveram    de atender &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es informativas assinaladas, seguiram    como principais crit&eacute;rios o de procurar alicer&ccedil;&aacute;-las em    fundamentos te&oacute;ricos s&oacute;lidos e o de faz&ecirc;-las corresponder    a uma potencialidade cognitiva elevada sobre o dom&iacute;nio substantivo em    investiga&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Quer isto dizer que n&atilde;o se d&aacute; conta aqui de tudo o que seria    importante analisar, mas tal n&atilde;o &eacute; raz&atilde;o para preferir    a ignor&acirc;ncia de algo que se pode conhecer. O&nbsp;que se analisa de seguida    n&atilde;o &eacute; uma parte ignor&aacute;vel ou menosprez&aacute;vel da realidade    social. Pelo contr&aacute;rio, ver-se-&aacute; que se trata de um conjunto de    vertentes nucleares de estrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    sociais contempor&acirc;neas, em torno das quais muitas outras se organizam    — o que n&atilde;o significa que estas se reduzam &agrave;quelas ou que delas    possam ser simplesmente deduzidas. </p> <B>       <p>&nbsp;</p>     <p>Algumas clarifica&ccedil;&otilde;es sobre a actual sociologia das classes sociais</p> </B>       <p>Ser&aacute; talvez necess&aacute;rio, perante a tend&ecirc;ncia recorrente    para argumentos menos pertinentes ou menos informados a este respeito, insistir    no ponto anterior. </p>      <p>A concep&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica de classes sociais aqui utilizada    <I>n&atilde;o</I> parte do princ&iacute;pio de que todas as facetas relevantes    da realidade social sejam redut&iacute;veis &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es    de classe ou necessariamente delas decorram, muito menos de maneira directa    e linear, sem media&ccedil;&otilde;es. E tamb&eacute;m <I>n&atilde;o</I> entende    que as rela&ccedil;&otilde;es de classe possam ser reduzidas, de modo aprior&iacute;stico    e imut&aacute;vel, a uma determinada dimens&atilde;o de estrutura&ccedil;&atilde;o    social, por mais relevante que ela seja, em concreto, neste ou naquele contexto.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas o que se acabou de afirmar, por sua vez, <I>n&atilde;o</I> significa, como    qualquer um pode compreender, que as condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia    das pessoas tenham deixado de ser condicionadas por rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas    de poderes e por distribui&ccedil;&otilde;es diferenciadas de recursos e oportunidades.    Nas sociedades actuais, os sistemas estruturados de desigualdades e distin&ccedil;&otilde;es    sociais n&atilde;o deixaram de ser, entre outros, elementos constitutivos fundamentais    dessas sociedades. A jusante, por seu turno, essas diferentes condi&ccedil;&otilde;es    de exist&ecirc;ncia continuam a estruturar, tamb&eacute;m diferencialmente,    os valores e os comportamentos dos actores sociais. </p>      <p>&Eacute; este duplo entendimento — no que rejeita e no que salvaguarda — que    preside &agrave; an&aacute;lise aqui apresentada, numa linha de elabora&ccedil;&atilde;o    conceptual e operat&oacute;ria, assim como de investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica,    desenvolvida ao longo de trabalhos de diversos &acirc;mbitos como, entre outros,    Almeida (1986), Costa (1987), Almeida, Costa e Machado (1988), Machado, Costa    e Almeida (1989), Costa, Machado e Almeida (1990), Almeida, Costa e Machado    (1994), Machado, &Aacute;vila e Costa (1995), Machado (1998), Machado e Costa    (1998), Costa (1999) ou Almeida, Capucha, Costa, Machado e Torres (2000). </p>      <p>No mesmo sentido geral, ali&aacute;s, v&atilde;o as concep&ccedil;&otilde;es    que podem ser encontradas na maior parte dos especialistas actuais neste dom&iacute;nio,    tais como s&atilde;o referenci&aacute;veis, nomeadamente, para mencionar apenas    algumas das obras mais significativas da &uacute;ltima d&eacute;cada, em Eder    (1993), Scott (1996), Bourdieu (1994, 1997), Marshall (1997), Wright (1997),    Levy, Joye, Guye e Kaufmann (1997) ou Milner (1999) — apesar das diferen&ccedil;as    nos respectivos quadros te&oacute;ricos ou nas terminologias por eles preferidas.  </p>      <p>As declara&ccedil;&otilde;es, periodicamente renascidas, sobre supostos "fins"    das rela&ccedil;&otilde;es de classe n&atilde;o revelam qualquer consist&ecirc;ncia    conceptual nem recolhem em sua corrobora&ccedil;&atilde;o qualquer tipo de verifica&ccedil;&atilde;o    emp&iacute;rica pertinente. Em v&aacute;rios casos, trata-se de ressurgimentos,    eventualmente sob novas express&otilde;es ret&oacute;ricas, de velhos reflexos    de preconceito ideol&oacute;gico ou profetismo social. Podem tamb&eacute;m decorrer    de uma atitude de "limpeza de imagem", por parte de alguns, preocupados acima    de tudo em dar sinal p&uacute;blico do seu afastamento de vers&otilde;es redutoras    ultrapassadas, das quais tinham sido antes porta-vozes veementes, em igual tom    de afirmatividade dogm&aacute;tica. </p>      <p>Esta atitude vem muitas vezes sintonizada, ali&aacute;s, com a constela&ccedil;&atilde;o    ideol&oacute;gica actual do "novo esp&iacute;rito do capitalismo", bem diagnosticada    em trabalho recente de Boltanski e Chiapello (1999), na qual a promo&ccedil;&atilde;o    da no&ccedil;&atilde;o de "redes" como met&aacute;fora omnipresente vai de par    com uma rejei&ccedil;&atilde;o aprior&iacute;stica e um esfor&ccedil;o de desconstru&ccedil;&atilde;o    a todo o custo das representa&ccedil;&otilde;es categoriais dos mais diversos    tipos — o que &eacute;, no m&iacute;nimo, epistemologicamente inconsequente.  </p>      <p>Tudo isto pode traduzir-se na procura apressada de "fins" para as mais variadas    coisas, n&atilde;o s&oacute; fim das classes mas tamb&eacute;m fim das ideologias,    fim da hist&oacute;ria, fim dos valores, fim da fam&iacute;lia, fim do trabalho,    fim do social, etc., etc. "Fins" estes que s&oacute; por absurdo, excesso de    voluntarismo terminol&oacute;gico ou reifica&ccedil;&atilde;o ing&eacute;nua    de vagas met&aacute;foras, se poderiam tomar como enunciados cognitivos caracterizadores    da realidade social contempor&acirc;nea. </p>      <p>Noutros casos ainda, de maneira mais s&eacute;ria, o questionamento das an&aacute;lises    de classes corresponde a uma necessidade efectiva de reconceptualiza&ccedil;&atilde;o    actualizada, mas realizada por vezes em moldes tribut&aacute;rios de algum desfasamento    em rela&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; hoje o "estado da arte" no dom&iacute;nio    especializado da sociologia das classes sociais e da estratifica&ccedil;&atilde;o,    supondo-a ainda presa de concep&ccedil;&otilde;es reducionistas e rigidificantes,    nela predominantemente ultrapassadas, ou ignorando algumas das aquisi&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas mais importantes nos desenvolvimentos recentes desta &aacute;rea    de investiga&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Seja como for, n&atilde;o s&oacute; a cr&iacute;tica apropriada &agrave; hipot&eacute;tica    perda de actualidade e pertin&ecirc;ncia das an&aacute;lises de classes est&aacute;    feita, nomeadamente em Lee e Turner (1996), Marshall (1997), Milner (1999) ou    Costa (1999), entre muitos outros, como essa actualidade e pertin&ecirc;ncia    s&atilde;o evidenciadas por m&uacute;ltiplos trabalhos que se t&ecirc;m vindo    a desenvolver directamente neste dom&iacute;nio ou em clara intersec&ccedil;&atilde;o    com ele — por exemplo, limitando a refer&ecirc;ncia a publica&ccedil;&otilde;es    portuguesas recentes, para al&eacute;m das dos autores deste texto, os de Gr&aacute;cio    (1997), Cabral (1998), Queiroz (1999), Pereira (1999), Pinto (2000) ou Estanque    (2000). </p>      <p>No conjunto, pouco haver&aacute; de mais fundamentado teoricamente e verificado    empiricamente, no campo da sociologia, do que serem as rela&ccedil;&otilde;es    assim&eacute;tricas de poderes e as distribui&ccedil;&otilde;es inigualit&aacute;rias    de recursos e oportunidades, ou, noutros termos, os sistemas estruturados de    desigualdades e distin&ccedil;&otilde;es sociais — ou, ainda, nas designa&ccedil;&otilde;es    mais usuais neste dom&iacute;nio, as estruturas de classe e as hierarquias de    estratifica&ccedil;&atilde;o — elementos constitutivos fundamentais das sociedades    contempor&acirc;neas. </p>      <p>Interessa, por conseguinte, tentar conhecer as configura&ccedil;&otilde;es    que eles assumem e as transforma&ccedil;&otilde;es por que passam, as dimens&otilde;es    mais relevantes que os estruturam e as modalidades em que estas se inter-relacionam,    os factores e as din&acirc;micas que os influenciam e os v&atilde;o reconfigurando,    as situa&ccedil;&otilde;es e os processos que, por sua vez, eles contribuem    para gerar. Mas s&oacute; &eacute; adequado faz&ecirc;-lo assumindo que as respostas    n&atilde;o est&atilde;o dadas de uma vez por todas em qualquer sede te&oacute;rica    aprior&iacute;stica, sendo necess&aacute;rio investigar, em cada caso, seja    ele de maior ou de menor amplitude, como &eacute; que estes aspectos se concretizam.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Interessa tamb&eacute;m analisar as articula&ccedil;&otilde;es que estes sistemas    de desigualdades e distin&ccedil;&otilde;es estabelecem com outros par&acirc;metros    da vida social e as maneiras como se interligam com os diversos campos espec&iacute;ficos    de rela&ccedil;&otilde;es sociais, em regime de maior ou menor autonomia rec&iacute;proca.    S&atilde;o quest&otilde;es a submeter igualmente a investiga&ccedil;&atilde;o,    atendendo aos referentes substantivos em causa. </p>      <p>Importa, enfim, investig&aacute;-los quanto ao grau e ao modo — vari&aacute;veis    — como condicionam e potenciam a exist&ecirc;ncia, o pensamento e a ac&ccedil;&atilde;o    dos protagonistas sociais, as suas pr&aacute;ticas individuais e as suas formas    de ac&ccedil;&atilde;o colectiva. Assim como, em sentido inverso, importa investigar    o grau e o modo — igualmente vari&aacute;veis — como a ac&ccedil;&atilde;o individual    e colectiva dos protagonistas sociais vai contribuindo para reproduzir ou transformar    as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas de poderes e as distribui&ccedil;&otilde;es    desiguais de recursos e oportunidades. </p>      <p>Tudo isto representa, assim, um dom&iacute;nio de problematiza&ccedil;&atilde;o    e um campo de pesquisa e n&atilde;o um qualquer eventual report&oacute;rio de    repostas pr&eacute;-fabricadas. &Eacute; precisamente esse o &acirc;mbito, por    excel&ecirc;ncia, da investiga&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica contempor&acirc;nea    sobre classes sociais e estratifica&ccedil;&atilde;o social. A sociologia tem    vindo a produzir uma importante acumula&ccedil;&atilde;o cognitiva neste dom&iacute;nio,    quanto a conhecimentos substantivos e quanto a instrumentos te&oacute;ricos    e operat&oacute;rios, sem que isso conduza, nos desenvolvimentos recentes, ao    enquistamento numa qualquer dogm&aacute;tica. Bem pelo contr&aacute;rio, tem    levado a uma capacidade progressivamente maior de desenhar e conduzir programas    de investiga&ccedil;&atilde;o amadurecidos. </p>      <p>N&atilde;o &eacute; evidentemente este o local oportuno para proceder ao exame    alargado das quest&otilde;es te&oacute;ricas, metodol&oacute;gicas e substantivas    mais importantes que se colocam hoje neste dom&iacute;nio. Quando muito, &eacute;    poss&iacute;vel assinalar alguns dos tra&ccedil;os fortes que balizam actualmente    este campo de investiga&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica, remetendo o leitor    interessado para tratamentos mais desenvolvidos (Costa, 1999: 208-225). Em jeito    de inventaria&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria, podem destacar-se: </p>      <p>1)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;uma focaliza&ccedil;&atilde;o nos <I>protagonistas    sociais</I> (na sua caracteriza&ccedil;&atilde;o em termos de composi&ccedil;&atilde;o    social) e nas <I>media&ccedil;&otilde;es</I> que estes estabelecem entre estrutura    e ac&ccedil;&atilde;o; ou, num registo mais operat&oacute;rio, a focaliza&ccedil;&atilde;o    em an&aacute;lises de tr&ecirc;s tipos e, muito em especial, na explora&ccedil;&atilde;o    das virtualidades cognitivas da articula&ccedil;&atilde;o entre elas — em concreto,    as an&aacute;lises dos efeitos das transforma&ccedil;&otilde;es estruturais    nas <I>recomposi&ccedil;&otilde;es sociais das popula&ccedil;&otilde;es</I>    (as classes sociais como "vari&aacute;veis dependentes"), as an&aacute;lises    dos efeitos destas &uacute;ltimas na pluralidade de pr&aacute;ticas e representa&ccedil;&otilde;es    observ&aacute;veis no quotidiano (as classes sociais como "vari&aacute;veis    independentes") e, ainda, as an&aacute;lises dos protagonistas e processos da    ac&ccedil;&atilde;o colectiva, nomeadamente naquilo que tenham a ver, como causa    e como efeito, com as referidas recomposi&ccedil;&otilde;es sociais; </p>      <p>2)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;uma concep&ccedil;&atilde;o <I>multidimensional</I>,    <I>estrutural</I> e<I> relacional</I>, procurando determinar, para cada configura&ccedil;&atilde;o    em estudo, quais os par&acirc;metros relevantes do espa&ccedil;o social das    classes e quais as articula&ccedil;&otilde;es que estabelecem entre si, atendendo    &agrave; prioridade conceptual das <I>posi&ccedil;&otilde;es relativas</I> sobre    as condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia intr&iacute;nsecas e das <I>rela&ccedil;&otilde;es    de classe</I> sobre os conjuntos sociais mais ou menos nitidamente delimit&aacute;veis    (estes &uacute;ltimos, conv&eacute;m insistir, n&atilde;o s&atilde;o entidades    fixas, teoricamente pressupostas, mas sim constru&ccedil;&otilde;es sociais    contingentes, acerca das quais se imp&otilde;e, em cada caso, investigar o grau    de estrutura&ccedil;&atilde;o e os contornos espec&iacute;ficos); </p>      <p>3)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;uma orienta&ccedil;&atilde;o forte no sentido de    integrar <I>elabora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica</I> aprofundada com <I>investiga&ccedil;&atilde;o    emp&iacute;rica</I> rigorosa; integra&ccedil;&atilde;o para a qual se recorre,    entre outros procedimentos, tanto aos estudos de caso intensivos como aos inqu&eacute;ritos    extensivos, tanto &agrave; <I>an&aacute;lise multivariada</I> como &agrave;    constru&ccedil;&atilde;o cuidadosa de <I>sistemas de indicadores</I> com grande    densidade dimensional (designadamente indicadores socioprofissionais e indicadores    socioeducacionais, para as sociedades contempor&acirc;neas), suscept&iacute;veis    de proporcionar a operacionaliza&ccedil;&atilde;o de diversos quadros conceptuais,    em parte diferenciados, mas tamb&eacute;m com importantes sobreposi&ccedil;&otilde;es    quanto a &aacute;reas de problematiza&ccedil;&atilde;o e referentes substantivos;  </p>      <p>4)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;uma tend&ecirc;ncia para a integra&ccedil;&atilde;o    reflectida e criativa de refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas com origens distintas,    num dom&iacute;nio de problematiza&ccedil;&atilde;o que se desdobra em diferentes    <I>n&iacute;veis de an&aacute;lise</I> (de &acirc;mbitos mais ou menos amplos)    e em diversos tipos de<I> objectos de estudo</I> preferenciais; contam-se entre    estes, nomeadamente, as estruturas de classes, os processos de mobilidade e    fechamento social, as inst&acirc;ncias e os processos de forma&ccedil;&atilde;o    de classes, as hierarquias simb&oacute;licas de posi&ccedil;&atilde;o social,    assim como as articula&ccedil;&otilde;es (vari&aacute;veis) das classes com    os campos diferenciados de rela&ccedil;&otilde;es sociais, com as estrat&eacute;gias    sociais e as formas de ac&ccedil;&atilde;o colectiva, incluindo as que se estruturam    em movimentos sociais, com as pr&aacute;ticas e representa&ccedil;&otilde;es    quotidianas, com as identidades culturais e os estilos de vida. </p>      <p>A an&aacute;lise de que este artigo se ocupa n&atilde;o abrange, claro est&aacute;,    todo este dom&iacute;nio de problematiza&ccedil;&atilde;o. Mas procura t&ecirc;-lo    sempre presente, como pano de fundo, na abordagem do objecto espec&iacute;fico    de que se ocupa. </p>      <p>Definido de maneira mais precisa, o objecto de estudo centra-se aqui na <I>recomposi&ccedil;&atilde;o    das estruturas de classes observ&aacute;veis na Uni&atilde;o Europeia</I>, tais    como podem ser caracterizadas a partir de <I>um conjunto limitado mas crucial    de indicadores socioprofissionais e socioeducacionais</I>, e problematizando    a pertin&ecirc;ncia actual, perante os processos de globaliza&ccedil;&atilde;o    contempor&acirc;neos, das <I>unidades geogr&aacute;ficas de an&aacute;lise nacionais    e supranacionais</I> neste g&eacute;nero de investiga&ccedil;&otilde;es. D&aacute;-se    particular aten&ccedil;&atilde;o ao posicionamento da realidade social portuguesa    no referido contexto europeu. </p> <B>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise de classes em contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o</p> </B>       <p>A an&aacute;lise dos processos contempor&acirc;neos de globaliza&ccedil;&atilde;o    tem incidido sobre um conjunto de aspectos, nomeadamente econ&oacute;micos e    tecnol&oacute;gicos, pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos, comunicacionais    e culturais, ambientais e migrat&oacute;rios, institucionais e militares. Quais    as repercuss&otilde;es destes processos em termos de classes sociais? E de que    modos estas os influenciam? </p>      <p>Em certo sentido, logo desde as primeiras propostas de teoriza&ccedil;&atilde;o    relevantes, as an&aacute;lises sobre classes sociais equacionaram-nas a v&aacute;rios    n&iacute;veis — e em particular, no que aqui est&aacute; mais directamente em    causa, como contendo, de modo n&atilde;o trivial, importantes dimens&otilde;es    tanto nacionais como transnacionais. Na obra de Marx isso &eacute; not&oacute;rio,    nomeadamente quando se refere &agrave; emerg&ecirc;ncia do capitalismo, aos    processos do seu desenvolvimento e &agrave; ac&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria    do proletariado — como se encontra expresso, de maneira muito clara, por exemplo,    em Marx e Engels (1848, 1969) ou Marx (1867, 1977). Mais tarde, para mencionar    apenas outro dos marcos fundadores deste dom&iacute;nio anal&iacute;tico, apareceram    com a sociologia emp&iacute;rica de matriz funcionalista, tendo-se tornado refer&ecirc;ncia    obrigat&oacute;ria, os estudos comparativos internacionais de composi&ccedil;&atilde;o    estrutural e mobilidade social, como os de Lipset e Zetterberg (1956, 1967)    ou de Mayer (1964, 1967), entre muitos outros. </p>      <p>De modo mais geral, a necessidade de considerar diversos n&iacute;veis anal&iacute;ticos    e de prestar particular aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s respectivas articula&ccedil;&otilde;es,    mesmo quando, como &eacute; corrente, os objectos de estudo se situam privilegiadamente    num deles, representa um pressuposto te&oacute;rico partilhado pelas principais    orienta&ccedil;&otilde;es paradigm&aacute;ticas que incidem neste dom&iacute;nio    de problematiza&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o. Em termos operat&oacute;rios,    isto tem tradu&ccedil;&atilde;o, entre outros aspectos, nas escalas espaciais    e nas amplitudes temporais adoptadas. </p>      <p>Mas o equacionamento dos n&iacute;veis de an&aacute;lise pertinentes para a    investiga&ccedil;&atilde;o de determinados objectos de estudo &eacute;, antes    de mais, um problema de ordem substantiva, relativo portanto &agrave;s dimens&otilde;es    conceptuais fundamentais que esses objectos de estudo integram, de acordo com    a perspectiva anal&iacute;tica adoptada. N&atilde;o se reduz nem se confunde,    pois, com a delimita&ccedil;&atilde;o de unidades de observa&ccedil;&atilde;o,    nomeadamente das unidades geogr&aacute;ficas de recolha sistem&aacute;tica de    informa&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, por mais importante que esta &uacute;ltima    opera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m seja. Por exemplo, h&aacute; diversos trabalhos    neste dom&iacute;nio cuja pesquisa observacional &eacute; conduzida sobretudo    a escalas locais ou regionais, mas que se reportam a objectos de estudo, no    sentido conceptual, implicando (tamb&eacute;m) estruturas e din&acirc;micas    cuja constitui&ccedil;&atilde;o remete para n&iacute;veis mais amplos — como    acontece, entre muitos outros, nos estudos de caso locais de Pinto (1985), Almeida    (1986), Almeida (1993), Costa (1999) e Estanque (2000), ou nas an&aacute;lises    extensivas operacionalizadas &agrave; escala do concelho para o conjunto do    territ&oacute;rio nacional de Ferr&atilde;o (1982; 1985). </p>      <p>O quadro nacional-estatal tem constitu&iacute;do o horizonte de refer&ecirc;ncia    principal de boa parte das pesquisas sobre classes sociais, pelo menos como    unidade geogr&aacute;fica de an&aacute;lise emp&iacute;rica. H&aacute;, por    um lado, raz&otilde;es te&oacute;rico-substantivas pertinentes para isso, se    se considerar que, em grande medida, as estruturas, institui&ccedil;&otilde;es    e processos que contribuem para a forma&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es    de classe se t&ecirc;m estabelecido no contexto dos estados nacionais, em conson&acirc;ncia    com o car&aacute;cter crucial destes na configura&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es    sociais da modernidade, em sentido amplo, incluindo o per&iacute;odo contempor&acirc;neo.  </p>      <p>Mas h&aacute; tamb&eacute;m, por outro lado, um conjunto de problemas aqui    implicados. A opera&ccedil;&atilde;o de pesquisa que consiste em tomar o quadro    social nacional-estatal como unidade geogr&aacute;fica de observa&ccedil;&atilde;o    — nomeadamente em casos de an&aacute;lises extensivas de tipo quantitativo —    nem sempre &eacute; acompanhada de uma problematiza&ccedil;&atilde;o da respectiva    rela&ccedil;&atilde;o com o objecto de estudo em sentido conceptual, e submetida    teoricamente a esta. O contexto nacional-estatal tende assim a ser "naturalizado"    e "absolutizado", como se n&atilde;o fosse necess&aacute;rio averiguar se &eacute;    pertinente, ou suficiente, para a an&aacute;lise dos fen&oacute;menos em estudo,    ou como se os seus modos de rela&ccedil;&atilde;o com outros n&iacute;veis de    estrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais n&atilde;o fossem    historicamente vari&aacute;veis. Se este &eacute; um problema a ter sempre em    conta, coloca-se ainda com mais acuidade em contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o.  </p>      <p>N&atilde;o s&atilde;o muitas as an&aacute;lises que se tenham debru&ccedil;ado    de maneira directa e aprofundada sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre "classes    sociais" e "globaliza&ccedil;&atilde;o" — ou, dito de outro modo, sobre como    &eacute; que as rela&ccedil;&otilde;es sociais de classe se reconfiguram e se    repercutem socialmente no &acirc;mbito dos processos contempor&acirc;neos que    se t&ecirc;m vindo a subsumir sob o termo de globaliza&ccedil;&atilde;o. Em    todo o caso, &eacute; poss&iacute;vel localizar dois tipos de contributos relevantes.  </p>      <p>O primeiro tipo tem a ver com contributos n&atilde;o pertencentes ao dom&iacute;nio    especializado das an&aacute;lises de classes, mas que, ao ocuparem-se do estudo    de processos contempor&acirc;neos de mudan&ccedil;a social &agrave; escala planet&aacute;ria,    enfrentam um certo n&uacute;mero de processos com incid&ecirc;ncia importante    nas rela&ccedil;&otilde;es de classe. Entre outras, s&atilde;o particularmente    interessantes as an&aacute;lises de tend&ecirc;ncias para a constitui&ccedil;&atilde;o    de rela&ccedil;&otilde;es de classe a n&iacute;vel mundial, e mesmo, em certa    medida, de novas classes, ou classes reconstitu&iacute;das em novos moldes,    de &acirc;mbito global. Encontram-se em diversas pesquisas ou ensaios, alguns    bem conhecidos. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; o caso, por exemplo, das refer&ecirc;ncias de Reich (1991, 1993) &agrave;    condi&ccedil;&atilde;o eminentemente cosmopolita dos "analistas simb&oacute;licos",    na nova segmenta&ccedil;&atilde;o socioprofissional prevalecente a n&iacute;vel    mundial. &Eacute; o caso das anota&ccedil;&otilde;es do Grupo de Lisboa (1994)    sobre as "novas elites globalizadas" constitu&iacute;das por c&iacute;rculos    de investidores, gestores e t&eacute;cnicos de empresas multinacionais, funcion&aacute;rios    e peritos de institui&ccedil;&otilde;es supranacionais e de organiza&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o governamentais, de jornalistas, cientistas e outros "viajantes globais".    &Eacute; o caso, tamb&eacute;m, de an&aacute;lises como a de Portes (1999) sobre    a crescente import&acirc;ncia das "comunidades transnacionais", envolvendo fluxos    de empres&aacute;rios e trabalhadores entre diversos pa&iacute;ses ou continentes,    ou como a de Peixoto (1999) sobre a actual "mobilidade internacional dos quadros".    Isto para j&aacute; n&atilde;o falar das extensas an&aacute;lises de Castells    (1996; 1997; 1998), para quem se verifica, na "sociedade de rede" da "era de    informa&ccedil;&atilde;o", uma efectiva e intensa interdepend&ecirc;ncia global    que atravessa e dinamiza os processos de recomposi&ccedil;&atilde;o das estruturas    do emprego e de transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de classe    a n&iacute;vel mundial, reconfigurando os sistemas de clivagens sociais. Para    ele n&atilde;o se pode no entanto falar por ora de uma for&ccedil;a de trabalho    global, excepto em rela&ccedil;&atilde;o a um conjunto restrito mas crescente    de quadros, t&eacute;cnicos e cientistas. </p>      <p>Pelo seu lado, na sociologia das classes sociais contempor&acirc;nea, alguns    trabalhos t&ecirc;m tamb&eacute;m fornecido contributos valiosos. &Eacute; o    caso, nomeadamente, de pesquisas importantes, com elevado n&iacute;vel de elabora&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica e metodol&oacute;gica, nas quais se procede a estudos comparativos,    de &acirc;mbito alargado, entre diversas sociedades nacionais. De entre elas,    podem destacar-se as de Erikson e Goldthorpe (1993), de Esping-Andersen (1993)    ou de Wright (1997). Correspondem a problematiza&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas,    solu&ccedil;&otilde;es operat&oacute;rias e horizontes emp&iacute;ricos diferentes    entre si, mas qualquer delas acabou por constituir-se em refer&ecirc;ncia decisiva    na &aacute;rea. </p>      <p>Acontece que essas pesquisas — tomando como objectos de estudo aspectos como    as estruturas de classe, as din&acirc;micas de mobilidade social, os processos    de recomposi&ccedil;&atilde;o social ou os quadros de valores e representa&ccedil;&otilde;es    — debru&ccedil;am-se, com maior ou menor desenvolvimento, sobre repercuss&otilde;es    de processos constitu&iacute;dos &agrave; escala global na reconfigura&ccedil;&atilde;o    das estruturas, culturas e pr&aacute;ticas de classe, tais como elas ocorrem    a n&iacute;vel de diversas sociedades nacionais. Mas n&atilde;o &eacute; de    modo nenhum l&iacute;quido que a actual an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es    de classe possa ficar por a&iacute;. </p>      <p>Que sentido fazem ainda, em contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o, as an&aacute;lises    de classes a n&iacute;vel nacional? Que articula&ccedil;&otilde;es se podem    estabelecer entre estas e as an&aacute;lises de classes a n&iacute;veis supranacionais?  </p>      <p>Como salientam Breen e Rottman (1998), est&atilde;o a&iacute; problemas suscept&iacute;veis    de debate te&oacute;rico e de investiga&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica. Os    desenvolvimentos que se seguem, centrados na an&aacute;lise substantiva de estruturas    de classe e processos de recomposi&ccedil;&atilde;o social na Uni&atilde;o Europeia,    poder&atilde;o contribuir para o respectivo exame, mesmo que de maneira circunscrita    e explorat&oacute;ria. </p> <B>       <p>&nbsp;</p>     <p>Par&acirc;metros de recomposi&ccedil;&atilde;o social na Uni&atilde;o Europeia</p> </B>       <p>As rela&ccedil;&otilde;es estruturais e os processos de recomposi&ccedil;&atilde;o    social aqui em an&aacute;lise ocorrem num contexto <I>sui generis</I>, o espa&ccedil;o    de integra&ccedil;&atilde;o supranacional que se designa hoje por Uni&atilde;o    Europeia. Uma das suas particularidades &eacute; que se trata de "um universo    em expans&atilde;o". Actualmente a Uni&atilde;o Europeia tem uma popula&ccedil;&atilde;o    que ronda os 370 milh&otilde;es de habitantes. Tomando como refer&ecirc;ncia    o per&iacute;odo que vem desde 1986, ano da inser&ccedil;&atilde;o de Portugal    neste espa&ccedil;o, verifica-se que o acr&eacute;scimo populacional entretanto    verificado se ficou a dever sobretudo &agrave; ades&atilde;o de tr&ecirc;s novos    pa&iacute;ses (&Aacute;ustria, Finl&acirc;ndia e Su&eacute;cia) e &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o    na Alemanha da antiga RDA. </p>      <p>Pelo seu lado, o crescimento demogr&aacute;fico (saldos natural e migrat&oacute;rio)    nos doze pa&iacute;ses membros em 1986 foi comparativamente bastante pequeno,    embora em quase todos eles a popula&ccedil;&atilde;o tenha aumentado um pouco    (<a href="#qd1">quadro 1</a>). Deste &uacute;ltimo ponto de vista, Portugal    apresenta-se como excep&ccedil;&atilde;o, com um pequeno decr&eacute;scimo,    se bem que marginal. A reduzida taxa de natalidade neste per&iacute;odo (Almeida,    Capucha, Costa, Machado e Torres, 2000) e a persist&ecirc;ncia dos movimentos    de emigra&ccedil;&atilde;o, por vezes subavaliados mas efectivos (Baganha e    Peixoto, 1997; Peixoto, 1999), foram dois factores desta estagna&ccedil;&atilde;o    populacional, mal contrabalan&ccedil;ados por outras duas tend&ecirc;ncias:    o aumento gradual da esperan&ccedil;a de vida e a crescente recep&ccedil;&atilde;o    de imigrantes, tendo estes, no entanto, um peso relativo ainda bastante reduzido    no conjunto da popula&ccedil;&atilde;o (Machado, 1997; Machado, 1999; Pires,    1999). </p>     <p><a name="qd1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro1</b> Indicadores de recomposi&ccedil;&atilde;o social na Uni&atilde;o        Europeia,1986-1998 (em percentagens)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a01q1.gif" width="564" height="762"></td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A estrutura et&aacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o da UE envelheceu um pouco    na base e no topo, isto &eacute;, a percentagem de crian&ccedil;as e jovens    com menos de 15 anos diminuiu e a de pessoas com 65 e mais anos aumentou. Observa-se,    por outro lado, a estabilidade da faixa populacional compreendida entre 15 e    64 anos. </p>      <p>As diferen&ccedil;as a este respeito entre os diversos pa&iacute;ses n&atilde;o    podem ser menosprezadas. As tend&ecirc;ncias de envelhecimento na base e no    topo da estrutura et&aacute;ria ocorrem mais acentuadamente neste per&iacute;odo    em Portugal, assim como nos outros pa&iacute;ses da Europa do Sul (e em certa    medida na Irlanda), ao contr&aacute;rio da relativa estabilidade verificada    nos restantes. Portugal &eacute; tamb&eacute;m um dos poucos pa&iacute;ses em    que a faixa et&aacute;ria "central" (15-64 anos) regista acr&eacute;scimos percentuais    significativos, acompanhado nalguma medida pela Espanha e, sobretudo, pela Irlanda.  </p>      <p>S&atilde;o diferen&ccedil;as que correspondem a conhecidos fen&oacute;menos,    nomeadamente de entrada mais tardia destes pa&iacute;ses do Sul europeu em processo    de decr&eacute;scimo r&aacute;pido e acentuado das taxas de natalidade, numa    altura em que os pa&iacute;ses da Europa atl&acirc;ntica e setentrional come&ccedil;avam,    neste dom&iacute;nio, a estabilizar nos patamares entretanto atingidos, ou mesmo    a registar ligeiros acr&eacute;scimos. Isto, ao mesmo tempo que, em v&aacute;rios    deles, a incorpora&ccedil;&atilde;o de imigrantes atingia pesos percentuais    bastante superiores aos verificados nos pa&iacute;ses da Europa meridional.  </p>      <p>T&atilde;o ou mais importante, quanto aos par&acirc;metros fundamentais que    balizam os processos de recomposi&ccedil;&atilde;o social na Uni&atilde;o Europeia    desde meados da d&eacute;cada de 80 at&eacute; &agrave; actualidade, &eacute;    a evolu&ccedil;&atilde;o das taxas de actividade. Os dados do <a href="#qd1">quadro    1</a> a este respeito s&atilde;o relativos &agrave;s taxas de actividade na    faixa populacional dos 15 aos 64 anos, a qual &eacute; hoje correntemente considerada    como a "popula&ccedil;&atilde;o potencialmente activa" do ponto de vista profissional.  </p>      <p>Note-se, de passagem, que tal assun&ccedil;&atilde;o tem vindo a ser, cada    vez mais, submetida a questionamento, na sequ&ecirc;ncia, precisamente, de processos    de recomposi&ccedil;&atilde;o social que se encontram hoje na ordem do dia.    Com efeito, entre os mais novos, est&aacute; em causa o prolongamento da escolariza&ccedil;&atilde;o    inicial e, de modo mais geral, o alongamento dos processos de transi&ccedil;&atilde;o    para a vida adulta, ali&aacute;s com variantes nacionais percept&iacute;veis    no contexto europeu (Lewis, Smithson, Brannen, Guerreiro, Kugelberg, Nilsen,    e O’Connor, 1999). Entre os mais velhos, pelo seu lado, verificam-se actualmente    tend&ecirc;ncias de sinal contr&aacute;rio, tais como, nuns casos, a antecipa&ccedil;&atilde;o    da sa&iacute;da da actividade profissional, em geral compulsiva, e, noutros    casos, o respectivo adiamento, parte dele sob a press&atilde;o da necessidade    material, mas cada vez mais, tamb&eacute;m, enquanto manifesta&ccedil;&atilde;o    assumida de vontade de prolongamento activo de viv&ecirc;ncia pessoal e estatuto    social plenos, numa popula&ccedil;&atilde;o com vida mais longa e saud&aacute;vel    do que nas gera&ccedil;&otilde;es anteriores. </p>      <p>Em todo o caso, a faixa et&aacute;ria dos 15 aos 64 anos &eacute;, sem d&uacute;vida,    a mais importante para o &acirc;ngulo de an&aacute;lise que de momento aqui    importa desenvolver. &Eacute; tamb&eacute;m aquela para a qual s&atilde;o mais    seguros os indicadores comparativos dispon&iacute;veis. Al&eacute;m disso, em    registo metodol&oacute;gico, permite que as diferen&ccedil;as de estrutura demogr&aacute;fica    atr&aacute;s assinaladas n&atilde;o interfiram nas compara&ccedil;&otilde;es    entre pa&iacute;ses. </p>      <p>Como evoluiu ent&atilde;o, nesta faixa et&aacute;ria, a reparti&ccedil;&atilde;o    entre popula&ccedil;&atilde;o profissionalmente activa e popula&ccedil;&atilde;o    profissionalmente inactiva? O <a href="#qd1">quadro 1</a> evidencia, a este    respeito, v&aacute;rios tra&ccedil;os importantes. De entre eles destaca-se    o facto de, na Uni&atilde;o Europeia, a taxa de actividade crescer um pouco,    mas na conflu&ecirc;ncia de dois processos de sentido inverso: alguma diminui&ccedil;&atilde;o    da taxa de actividade masculina e aumento mais do que compensat&oacute;rio da    taxa de actividade feminina. A diferen&ccedil;a entre ambas &eacute; agora de    20 pontos percentuais quando, menos de d&eacute;cada e meia antes, era de 30.    &Eacute; a acentua&ccedil;&atilde;o de um processo de recomposi&ccedil;&atilde;o    social do maior alcance e da mais ampla repercuss&atilde;o em praticamente todos    os planos da vida social: o da aquisi&ccedil;&atilde;o alargada por parte das    mulheres de um elemento essencial do estatuto social de cidadania plena nas    sociedades contempor&acirc;neas, o estatuto profissional. </p>      <p>S&oacute; por caricatura ou distor&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica levada    ao limite se pode subvalorizar a import&acirc;ncia do trabalho — ou, em termos    sociol&oacute;gicos talvez mais precisos, da esfera profissional — nos modos    de vida e nas configura&ccedil;&otilde;es de sociedade actuais. Basta reparar    em aspectos, por demais conhecidos, como as rela&ccedil;&otilde;es entre qualifica&ccedil;&otilde;es    profissionais e estilos de vida ou entre desemprego e exclus&atilde;o social,    como a centralidade das pol&iacute;ticas de emprego no debate p&uacute;blico,    nas prioridades de governa&ccedil;&atilde;o e nas estrat&eacute;gias de competitividade    internacionais contempor&acirc;neas, ou como as exig&ecirc;ncias crescentes    de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal enquanto horizonte de expectativas na vida    profissional. O processo de inser&ccedil;&atilde;o alargada das mulheres na    esfera profissional constitui precisamente mais um destes aspectos, porventura    dos de maior relevo actual. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas se esta &eacute; uma tend&ecirc;ncia geral na Uni&atilde;o Europeia, observam-se    igualmente contrastes nacionais acentuados. Ali&aacute;s, se h&aacute; algumas    varia&ccedil;&otilde;es nas taxas de actividade masculina, as principais diferen&ccedil;as    registam-se nas taxas de actividade feminina. Entre pa&iacute;ses escandinavos    como a Dinamarca, a Su&eacute;cia ou a Finl&acirc;ndia, de um lado, e pa&iacute;ses    mediterr&acirc;nicos como a It&aacute;lia, a Espanha ou a Gr&eacute;cia, do    outro, a dist&acirc;ncia chega a quase 30 pontos percentuais a favor dos primeiros.    Em meados da d&eacute;cada de 80, o fosso ainda era maior, tendo a subida da&iacute;    para c&aacute; sido muito mais intensa na Espanha do que na It&aacute;lia, com    a Gr&eacute;cia entre elas, apesar de as taxas permanecerem comparativamente    baixas em qualquer destes pa&iacute;ses. </p>      <p>Pr&oacute;ximo destes &eacute; o caso da Irlanda, com uma taxa de actividade    feminina &agrave; partida muito reduzida e tend&ecirc;ncia de crescimento recente    bastante forte. A B&eacute;lgica, com taxas igualmente em aumento substancial,    n&atilde;o atingiu valores muito diferentes da Irlanda, apesar de ter partido    de situa&ccedil;&atilde;o mais favor&aacute;vel. Verificou-se, do mesmo modo,    crescimento significativo da presen&ccedil;a feminina na esfera profissional    em pa&iacute;ses onde ela j&aacute; era relativamente alta (como o Reino Unido    ou a Fran&ccedil;a) e sobretudo onde tinha valores interm&eacute;dios (como    nos casos da Holanda e da Alemanha). </p>      <p>Vale a pena destacar, neste contexto, a "excepcionalidade portuguesa", onde    a taxa de actividade feminina era, j&aacute; em 1986, mais elevada do que os    valores m&eacute;dios europeus, muito acima das dos outros pa&iacute;ses da    Europa do Sul, em princ&iacute;pio mais pr&oacute;ximos em termos socioecon&oacute;micos    e socioculturais. Para isso ter&atilde;o contribu&iacute;do os processos de    emigra&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o militar dos homens nas d&eacute;cadas    de 60 e 70, combinando-se mais recentemente a prem&ecirc;ncia de necessidades    de consumo b&aacute;sico perante padr&otilde;es de vida em muta&ccedil;&atilde;o    com din&acirc;micas de procura de autonomia e emancipa&ccedil;&atilde;o pessoais    por parte das mulheres (Almeida, Capucha, Costa, Machado e Torres, 2000). </p>      <p>O crescimento continuou intenso da&iacute; para c&aacute;, estando a taxa de    actividade feminina em Portugal, no final da d&eacute;cada de 90, pr&oacute;xima    da de pa&iacute;ses como a Alemanha, &Aacute;ustria, Fran&ccedil;a e Holanda.    S&oacute; os pa&iacute;ses n&oacute;rdicos e, em certa medida, o Reino Unido,    se situam num patamar um tanto superior. A maior incid&ecirc;ncia de profissionaliza&ccedil;&atilde;o    das mulheres portuguesas torna-se ainda mais not&oacute;ria se se atender a    que predomina largamente o trabalho a tempo inteiro, em compara&ccedil;&atilde;o    com as propor&ccedil;&otilde;es elevadas de tempo parcial na maioria dos pa&iacute;ses    com taxas de actividade feminina mais alta, e se se atender tamb&eacute;m ao    valor comparativamente muito elevado que a actividade profissional a tempo inteiro    assume entre as mulheres portuguesas com filhos menores (Almeida, Guerreiro,    Lobo, Torres e Wall, 1998). </p>      <p>Este percurso r&aacute;pido por alguns dos par&acirc;metros b&aacute;sicos    dos processos de recomposi&ccedil;&atilde;o social na Uni&atilde;o Europeia    n&atilde;o poderia deixar de fazer uma primeira refer&ecirc;ncia aos n&iacute;veis    de escolaridade. A educa&ccedil;&atilde;o formal &eacute; hoje um dos elementos    mais decisivos, tanto de organiza&ccedil;&atilde;o dos quotidianos e dos trajectos    de vida pessoais como de configura&ccedil;&atilde;o das sociedades e dos seus    processos de desenvolvimento. Constitui, actualmente, do mesmo modo, um dos    mais importantes eixos segundo os quais se hierarquizam as distribui&ccedil;&otilde;es    desiguais de poderes, recursos e oportunidades, a n&iacute;vel pessoal e a n&iacute;vel    societal. </p>      <p>Os processos de recomposi&ccedil;&atilde;o social — nomeadamente no que t&ecirc;m    a ver com mobilidade social, qualifica&ccedil;&atilde;o profissional, capacita&ccedil;&atilde;o    cultural e muta&ccedil;&atilde;o dos estilos de vida — t&ecirc;m sido em grande    medida impulsionados pelas din&acirc;micas de alargamento da escolariza&ccedil;&atilde;o,    quanto &agrave; amplitude dos universos sociais abrangidos e quanto aos n&iacute;veis    de escolariza&ccedil;&atilde;o atingidos. Do mesmo passo, estas din&acirc;micas    n&atilde;o deixaram de arrastar consigo novas subalterniza&ccedil;&otilde;es    ou mesmo novas exclus&otilde;es sociais. </p>      <p>No <a href="#qd1">quadro 1</a> toma-se como indicador simples a aquisi&ccedil;&atilde;o,    pela popula&ccedil;&atilde;o entre os 25 e os 64 anos, de pelo menos um grau    equivalente ao ensino secund&aacute;rio, cada vez mais considerado como requisito    minimamente ajustado aos horizontes contempor&acirc;neos de uma sociedade da    informa&ccedil;&atilde;o e do conhecimento. A m&eacute;dia europeia de escolariza&ccedil;&atilde;o    secund&aacute;ria e superior, nesta faixa et&aacute;ria, &eacute; relativamente    elevada, tendo passado de um pouco mais de 50%, no princ&iacute;pio da d&eacute;cada    de 90, para quase 60%, &agrave; medida que a d&eacute;cada se aproximava do    fim. </p>      <p>Mas as desigualdades entre pa&iacute;ses europeus s&atilde;o, neste plano,    muito acentuadas. No terceiro quartel da d&eacute;cada de 90, a situa&ccedil;&atilde;o    variava entre percentagens de 80% e 70%, em pa&iacute;ses como a Alemanha, Dinamarca,    Su&eacute;cia, &Aacute;ustria e Finl&acirc;ndia, passando por outros com valores    entre os 65% e os 55%, casos da Holanda, Fran&ccedil;a, B&eacute;lgica ou Reino    Unido, at&eacute; outros que ainda n&atilde;o ultrapassavam os 50%, descendo    da&iacute; at&eacute; a alguns pontos acima dos 30%, nos quais se incluem a    Irlanda, Luxemburgo, Gr&eacute;cia, It&aacute;lia e Espanha. Continuando por    ordem decrescente, abaixo s&oacute; surge um pa&iacute;s, Portugal, ainda pouco    acima dos 20%. </p>      <p>Entre os extremos a diferen&ccedil;a &eacute; abissal: vai dos 80% (Alemanha)    aos 22% (Portugal). Nas outras dimens&otilde;es acima examinadas, apesar das    diferen&ccedil;as, poder-se-ia ainda assim considerar estar-se perante estruturas    demogr&aacute;ficas convergentes e n&iacute;veis de profissionaliza&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o muito dissemelhantes. Mesmo para as taxas de actividade feminina,    onde os perfis s&atilde;o mais diferenciados, o intervalo entre os valores m&aacute;ximo    (Dinamarca) e m&iacute;nimo (It&aacute;lia) n&atilde;o passa dos 30 pontos percentuais.    Mas quanto aos n&iacute;veis de escolaridade os contrastes s&atilde;o enormes.  </p>      <p>A quest&atilde;o &eacute; tanto mais importante quanto &eacute; em grande medida    neste dom&iacute;nio que se jogam hoje as estrat&eacute;gias de competitividade    e as pol&iacute;ticas de desenvolvimento — o que tem implica&ccedil;&otilde;es    fortes a n&iacute;vel das sociedades nacionais (no que elas t&ecirc;m de unidades    diferenciadas) e, por consequ&ecirc;ncia, nas rela&ccedil;&otilde;es que estabelecem    entre si. De outro ponto de vista, &eacute; tamb&eacute;m um dos par&acirc;metros    mais decisivos segundo os quais se posicionam, em termos de hierarquias de capacidades,    de oportunidades e at&eacute;, tendencialmente, de qualidade de vida, as pessoas    e os segmentos populacionais que integram a Uni&atilde;o Europeia, tomada no    seu conjunto, enquanto unidade agregada supranacional. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Acresce ainda que, no per&iacute;odo considerado, Portugal foi dos pa&iacute;ses    em que menos aumentou a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o adulta com estes    graus de escolaridade, apesar do crescimento r&aacute;pido do n&uacute;mero    de alunos matriculados nesses n&iacute;veis de ensino. No entanto, como se v&ecirc;,    tal crescimento ainda n&atilde;o produziu efeitos de recupera&ccedil;&atilde;o    significativa das dist&acirc;ncias que separam as taxas de escolariza&ccedil;&atilde;o    secund&aacute;ria e superior da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa relativamente    &agrave;s m&eacute;dias europeias. A maioria dos outros membros da Uni&atilde;o    Europeia n&atilde;o permaneceu est&aacute;tica, ali&aacute;s, a este respeito.    Pa&iacute;ses que, no per&iacute;odo considerado, partiam igualmente de n&iacute;veis    baixos, embora n&atilde;o tanto, como a It&aacute;lia, Irlanda, Espanha, Gr&eacute;cia    ou Luxemburgo, aumentaram bastante mais. Mesmo a B&eacute;lgica ou o Reino Unido,    em que os n&iacute;veis anteriores eram claramente mais altos, registaram subidas    bem maiores no per&iacute;odo em causa. </p>      <p>Resta mencionar que, na Uni&atilde;o Europeia como um todo, as percentagens    de escolaridade secund&aacute;ria e superior s&atilde;o um pouco mais elevadas    nos homens do que nas mulheres, embora essa assimetria tenha vindo a atenuar-se.    Mas tamb&eacute;m aqui as diferen&ccedil;as nacionais s&atilde;o significativas.    Segundo os dados recolhidos para o <a href="#qd1">quadro 1</a>, na Su&eacute;cia,    Finl&acirc;ndia e Irlanda, estes n&iacute;veis de escolariza&ccedil;&atilde;o    registam percentagens mais elevadas nas mulheres do que nos homens. </p>      <p>Em Portugal, as percentagens s&atilde;o praticamente id&ecirc;nticas, tendendo    as mulheres a passar para a frente, sobretudo por for&ccedil;a da frequ&ecirc;ncia    do ensino superior, com cerca de mais 20% de mulheres do que de homens no terceiro    quartel da d&eacute;cada de 90 (PNUD, 2000). Em pa&iacute;ses como a B&eacute;lgica,    Dinamarca, Espanha, Fran&ccedil;a, Gr&eacute;cia, It&aacute;lia e Luxemburgo,    as mulheres ainda apresentam percentagens alguns pontos mais baixas do que os    homens, mas a tend&ecirc;ncia de aproxima&ccedil;&atilde;o &eacute; clara. Noutros    casos, finalmente, como os da Alemanha, &Aacute;ustria, Holanda e Reino Unido,    as assimetrias s&atilde;o ainda bastante fortes em desfavor das mulheres. </p> <B>       <p>&nbsp;</p>     <p>Lugares de classe e recomposi&ccedil;&otilde;es socioprofissionais</p> </B>       <p>A partir deste primeiro panorama, os processos de recomposi&ccedil;&atilde;o    social na Uni&atilde;o Europeia tornam-se suscept&iacute;veis de an&aacute;lise    um pouco mais fina, sendo o recurso aos indicadores socioprofissionais de classe    de grande utilidade. Com efeito, estes indicadores permitem combinar de maneira    sint&eacute;tica diversas dimens&otilde;es essenciais de estrutura&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es sociais de classe contempor&acirc;neas. </p>      <p>O indicador socioprofissional aqui utilizado (<a href="#qd2">quadro 2</a>),    integra, como vari&aacute;veis principais, a profiss&atilde;o e a situa&ccedil;&atilde;o    na profiss&atilde;o. <a name="top2"></a>Al&eacute;m disso, de maneira complementar,    inclui informa&ccedil;&atilde;o relativa a aspectos da condi&ccedil;&atilde;o    perante o trabalho, da qualifica&ccedil;&atilde;o profissional, da posi&ccedil;&atilde;o    hier&aacute;rquica e do sector de actividade.<A HREF="#nota2"><SUP>2</SUP></A>    Do modo como foi constru&iacute;do, isto &eacute;, com as dimens&otilde;es de    an&aacute;lise que agrega e com a tipologia classificat&oacute;ria em que se    desdobra, consegue dar tradu&ccedil;&atilde;o operat&oacute;ria a distin&ccedil;&otilde;es    conceptuais teoricamente nucleares neste dom&iacute;nio e, ao mesmo tempo, corresponder    &agrave;s configura&ccedil;&otilde;es emp&iacute;ricas mais importantes na actualidade,    em termos de escalas de grande amplitude societal. Por outro lado, pode tomar    como dados de base os que est&atilde;o hoje correntemente dispon&iacute;veis    nas estat&iacute;sticas institucionais. </p>     <p><a name="qd2"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="75%" border="0">   <tr>     <td height="39"><strong>Quadro 2</strong> Recomposi&ccedil;&otilde;es socioprofissionais        na Uni&atilde;o Europeia, 1986-1997 (em percentagens)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a01q2.gif" width="672" height="716"></td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Al&eacute;m disso, esse indicador socioprofissional possibilita a operacionaliza&ccedil;&atilde;o    de quest&otilde;es controversas no debate entre diversos quadros te&oacute;ricos    relevantes no &acirc;mbito deste campo de investiga&ccedil;&atilde;o. <a name="top3"></a>Ali&aacute;s,    os pontos de contacto com outras tipologias classificat&oacute;rias, como as    de Goldthorpe (Erickson e Goldthorpe, 1993), Esping-Andersen (1993) ou Wright    (1997), s&atilde;o facilmente identific&aacute;veis, assim como n&atilde;o custar&aacute;    reconhecer as vantagens conceptuais e operat&oacute;rias do presente sistema    de categorias, aqui retomado na sequ&ecirc;ncia de v&aacute;rios trabalhos anteriores    (Almeida, Costa e Machado, 1994; Machado, &Aacute;vila e Costa, 1995; Benavente,    Rosa, Costa e &Aacute;vila, 1996; Machado e Costa, 1998; Machado, 1998; Costa,    1999; Almeida, Capucha, Costa, Machado e Torres, 2000).<A HREF="#nota3"><SUP>3</SUP></A>  </p>      <p>Podem referir-se, muito brevemente, algumas dessas vantagens. Por compara&ccedil;&atilde;o    com o de Goldthorpe, este modelo tem o car&aacute;cter de uma segmenta&ccedil;&atilde;o    tipol&oacute;gica teoricamente alicer&ccedil;ada, e n&atilde;o meramente descritiva.    Vem permitir, assim, remiss&otilde;es dos resultados emp&iacute;ricos para an&aacute;lises    situadas em planos mais abstractos de problematiza&ccedil;&atilde;o e, em termos    operat&oacute;rios, admite agrega&ccedil;&otilde;es destinadas &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o    do efeito relativo e dos modos de articula&ccedil;&atilde;o de um conjunto de    dimens&otilde;es de fundo das rela&ccedil;&otilde;es de classe, dimens&otilde;es    essas analiticamente distingu&iacute;veis, mas &agrave;s quais as categorias    de Goldthorpe s&atilde;o em boa medida opacas. </p>      <p>Quanto &agrave; compara&ccedil;&atilde;o com a tipologia de Esping-Andersen,    as vantagens radicam basicamente na multidimensionalidade do indicador socioprofissional    que aqui se utiliza, e tamb&eacute;m, de algum modo, na n&atilde;o associa&ccedil;&atilde;o    aprior&iacute;stica de certas categorias a configura&ccedil;&otilde;es separadas    e datadas das estruturas de classes contempor&acirc;neas. Se, no primeiro aspecto,    os ganhos s&atilde;o de ordem semelhante aos que se podem obter perante as classifica&ccedil;&otilde;es    de Goldthorpe, no segundo est&atilde;o em permitir analisar as articula&ccedil;&otilde;es    de conjunto das categorias socioprofissionais, atendendo &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es    de conte&uacute;do substantivo e de posi&ccedil;&atilde;o relativa pelas quais    essas categorias podem passar sob efeito das evolu&ccedil;&otilde;es de vectores    econ&oacute;micos, tecnol&oacute;gicos, institucionais e culturais estruturantes    das sociedades contempor&acirc;neas. </p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s propostas de Wright, as vantagens da tipologia    aqui utilizada t&ecirc;m a ver, sobretudo, com uma maior desagrega&ccedil;&atilde;o    das categorias assalariadas de base, quest&atilde;o importante em v&aacute;rios    planos. No plano te&oacute;rico, possibilita a inclus&atilde;o de dimens&otilde;es    de an&aacute;lise por esse autor descuradas. No plano emp&iacute;rico, atende    a din&acirc;micas hoje em muitos aspectos claramente diferenciadas entre os    assalariados de base da ind&uacute;stria e dos servi&ccedil;os. E, no plano    operat&oacute;rio, evita categorias com efectivos completamente desproporcionados    entre si, o que, quando acontece, como com as de Wright, para al&eacute;m de    conduzir na pr&aacute;tica a trabalhar com escalas diferentes num mesmo conjunto    classificat&oacute;rio, torna problem&aacute;ticas, em an&aacute;lises quantitativas,    as opera&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas. </p>      <p>A mesma l&oacute;gica de constru&ccedil;&atilde;o do indicador socioprofissional    de classe de que se faz uso neste texto pode aplicar-se a diferentes unidades    de an&aacute;lise (individual ou familiar, nomeadamente), pode abranger situa&ccedil;&otilde;es    de pluriactividade e pode traduzir-se em maiores desdobramentos ou maiores agrega&ccedil;&otilde;es    categoriais, consoante o objecto de estudo e o n&iacute;vel de an&aacute;lise.  </p>      <p>No caso presente, o indicador poss&iacute;vel, a partir das fontes estat&iacute;sticas    institucionais, sofre de v&aacute;rias restri&ccedil;&otilde;es: &eacute; um    indicador individual (n&atilde;o permite estabelecer rela&ccedil;&otilde;es    entre membros dos grupos dom&eacute;sticos), sincr&oacute;nico (n&atilde;o fornece    indica&ccedil;&otilde;es sobre traject&oacute;rias pessoais de mobilidade social),    relativo &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o profissional principal (n&atilde;o    capta as situa&ccedil;&otilde;es de pluriactividade) e deixa de fora uma parte    n&atilde;o afer&iacute;vel da economia informal. Al&eacute;m disso, esta vers&atilde;o    da tipologia classificat&oacute;ria &eacute; muito agregada, em sete categorias    apenas. Cada uma delas abrange, inevitavelmente, grande diversidade interna.    Mas possibilita, do mesmo passo, uma an&aacute;lise de conjunto vi&aacute;vel    &agrave; escala pretendida. Tudo est&aacute; em dotar as categorias de conte&uacute;do    conceptual pertinente e control&aacute;vel. Em estudos diferentes deste, a desagrega&ccedil;&atilde;o    poder&aacute; e dever&aacute; ser maior, assim como noutros convir&aacute; um    grau ainda superior de agrega&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Os indicadores socioprofissionais, este inclu&iacute;do, n&atilde;o recobrem    toda a amplitude dimensional que as rela&ccedil;&otilde;es de classe podem conter.    Mas nem por isso deixam de operacionalizar aspectos decisivos dessas rela&ccedil;&otilde;es.    Recorde-se que os dados apresentados abrangem uma grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o    adulta, como se viu no ponto anterior. N&atilde;o representam, pois, informa&ccedil;&atilde;o    respeitante apenas a uma qualquer hipot&eacute;tica minoria, de import&acirc;ncia    secund&aacute;ria no tecido social ou em processo de extin&ccedil;&atilde;o,    como pretendem fazer crer algumas teses apressadas sobre o "fim do emprego".  </p>      <p>O aspecto porventura mais saliente, para a Uni&atilde;o Europeia como um todo,    &eacute; o aumento r&aacute;pido e significativo, verificado entre meados dos    anos 80 e o terceiro quartel da d&eacute;cada de 90, do peso percentual atingido    pelas duas categorias melhor posicionadas na estrutura social: os "empres&aacute;rios,    dirigentes e profissionais liberais", situados no topo das distribui&ccedil;&otilde;es    sociais de recursos, poderes e <I>status</I>, e os "profissionais t&eacute;cnicos    e de enquadramento", basicamente as novas classes m&eacute;dias assalariadas,    dotadas de n&iacute;veis significativos de qualifica&ccedil;&otilde;es (t&eacute;cnicas,    cient&iacute;ficas e culturais) e/ou ocupando lugares interm&eacute;dios nas    hierarquias organizacionais. Em conjunto, representam agora quase 30% da popula&ccedil;&atilde;o    com actividade profissional. Em meados da d&eacute;cada anterior pouco passavam    dos 20%. </p>      <p>Na primeira dessas categorias, o acr&eacute;scimo (da ordem dos 8% para a dos    14%) tem sobretudo a ver com a prolifera&ccedil;&atilde;o de pequenas e m&eacute;dias    empresas, correspondente &agrave;s din&acirc;micas de reorganiza&ccedil;&atilde;o    das unidades empresariais nos anos 80 e 90: focagem e externaliza&ccedil;&atilde;o,    concentra&ccedil;&atilde;o e subcontrata&ccedil;&atilde;o, nova empresarialidade    tecnol&oacute;gica e auto-emprego de recurso. Em todos os pa&iacute;ses o acr&eacute;scimo    foi intenso, mantendo-se aproximadamente as posi&ccedil;&otilde;es relativas,    com um m&aacute;ximo no Reino Unido (quase 20%) e um m&iacute;nimo no Luxemburgo    (perto de 10%). Portugal quase triplicou o peso percentual desta categoria,    atingindo os 11,5%. Outra evolu&ccedil;&atilde;o importante, a n&iacute;vel    da Uni&atilde;o Europeia e de cada um dos pa&iacute;ses, deu-se na rela&ccedil;&atilde;o    entre homens e mulheres. &Eacute; uma categoria ainda muito maioritariamente    masculina (os homens s&atilde;o mais do dobro das mulheres), mas importa sublinhar    que a dist&acirc;ncia se encurtou de maneira vis&iacute;vel (na data anterior    a rela&ccedil;&atilde;o era cerca de quatro para uma). </p>      <p>Na segunda das categorias referidas, a dos profissionais t&eacute;cnicos e    de enquadramento, a subida de 10 pontos percentuais (da ordem dos 14% para a    dos 24%) acompanha as tend&ecirc;ncias de fundo da chamada sociedade da informa&ccedil;&atilde;o    e do conhecimento, com incorpora&ccedil;&atilde;o crescente de tecnicidade —    operat&oacute;ria e relacional, simb&oacute;lica e anal&iacute;tica — numa parte    significativa das actividades econ&oacute;micas e dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos.    Acompanha igualmente outra tend&ecirc;ncia pesada, relativa &agrave; expans&atilde;o    dos "consumos qualitativos": l&uacute;dicos e culturais, est&eacute;ticos e    desportivos, de educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, entre outros. As duas    tend&ecirc;ncias t&ecirc;m, ali&aacute;s, conex&otilde;es fortes entre si. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O peso relativo destes profissionais qualificados parece ser particularmente    sintom&aacute;tico dos n&iacute;veis de moderniza&ccedil;&atilde;o das estruturas    sociais e das capacidades competitivas das popula&ccedil;&otilde;es num mundo    de crescente interdepend&ecirc;ncia global. Noutros termos, tende a traduzir    o respectivo posicionamento relativo, mais ou menos favor&aacute;vel, conseguido    perante os processos interligados de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    e de globaliza&ccedil;&atilde;o, no contexto dos quais a redistribui&ccedil;&atilde;o    das actividades profissionais — dos segmentos mais qualificados e remunerados,    como estes, por um lado, e dos que o s&atilde;o bastante menos, por outro —    se faz em termos planet&aacute;rios, cada vez com maior intensidade e de forma    muito polarizada. </p>      <p>Os dados de recomposi&ccedil;&atilde;o socioprofissional apresentados no <a href="#qd2">quadro    2</a> evidenciam os modos relativamente privilegiados de inser&ccedil;&atilde;o    da Uni&atilde;o Europeia neste contexto mundial. Mostram tamb&eacute;m que,    no seu interior, a situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; longe de ser homog&eacute;nea.    Entre a Su&eacute;cia, Dinamarca, Finl&acirc;ndia, Alemanha, Holanda e Luxemburgo,    com cerca de 30% de profissionais t&eacute;cnicos e de enquadramento, e os menos    de 15% da Gr&eacute;cia e Portugal, a dist&acirc;ncia &eacute; muito grande.    A Espanha, It&aacute;lia e Irlanda est&atilde;o um pouco acima, aproximando-se    dos 20%, patamar j&aacute; alcan&ccedil;ado pelo Reino Unido ou pela &Aacute;ustria.    A B&eacute;lgica e a Fran&ccedil;a ultrapassam um pouco os 25%. </p>      <p>Portugal, no per&iacute;odo considerado, parte dos n&iacute;veis mais baixos    e duplica o peso relativo da categoria, subindo cerca de 7 pontos percentuais    (da ordem dos 7% para a dos 14%). A Espanha, saindo aproximadamente do mesmo    n&iacute;vel, sobe bastante mais; e a Gr&eacute;cia, come&ccedil;ando melhor,    atinge apenas situa&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica &agrave; portuguesa. Na    maioria dos outros pa&iacute;ses, pelo menos at&eacute; onde &eacute; poss&iacute;vel    fazer compara&ccedil;&otilde;es diacr&oacute;nicas, os acr&eacute;scimos variam    entre cerca de 5 pontos percentuais e, em bastantes casos, perto de 10, ou mesmo    bastante acima. S&atilde;o subidas tanto mais significativas quanto se reportam    a casos em que os pesos relativos de partida eram j&aacute;, na altura, bastante    elevados. <a name="top4"></a>Destacam-se aqui exemplos como os da B&eacute;lgica,    Fran&ccedil;a ou Holanda, e, mais ainda, Luxemburgo e Alemanha.<A HREF="#nota4"><SUP>4</SUP></A>  </p>      <p>Os profissionais t&eacute;cnicos e de enquadramento s&atilde;o uma das categorias    socioprofissionais em que a presen&ccedil;a de ambos os sexos &eacute; mais    equilibrada. J&aacute; na d&eacute;cada de 80 a diferen&ccedil;a n&atilde;o    era enorme e aproxima-se agora de valores parit&aacute;rios, no conjunto da    Uni&atilde;o Europeia. As din&acirc;micas de escolariza&ccedil;&atilde;o feminina    contribuem decisivamente para este processo, numa categoria socioprofissional    em que, cada vez mais, a deten&ccedil;&atilde;o de n&iacute;veis elevados de    educa&ccedil;&atilde;o formal &eacute; condi&ccedil;&atilde;o de acesso. Em    pa&iacute;ses como a Dinamarca, Finl&acirc;ndia e Su&eacute;cia verifica-se    mesmo, no terceiro quartel dos anos 90, uma presen&ccedil;a feminina maiorit&aacute;ria,    no que s&atilde;o acompanhados de resto por Portugal, possivelmente numa manifesta&ccedil;&atilde;o    mais da "excepcionalidade" atr&aacute;s referida. </p>      <p>O outro conjunto mais importante na estrutura dos lugares de classe da Uni&atilde;o    Europeia, tal como &eacute; poss&iacute;vel capt&aacute;-la atrav&eacute;s de    indicadores socioprofissionais com as caracter&iacute;sticas deste, &eacute;    constitu&iacute;do tamb&eacute;m por duas categorias, a dos "oper&aacute;rios    industriais" e a dos "empregados executantes". S&atilde;o ambas formadas por    assalariados de base, sem qualifica&ccedil;&otilde;es elevadas nem poderes hier&aacute;rquicos    significativos. Os primeiros desempenham tarefas de produ&ccedil;&atilde;o fabril,    oficinal, de estaleiro e de transporte; os segundos ocupam-se de actividades    administrativas, comerciais, de seguran&ccedil;a e de servi&ccedil;os pessoais    variados. </p>      <p>H&aacute; v&aacute;rias objec&ccedil;&otilde;es fortes &agrave; conhecida proposta    de Wright (1997) a este respeito, de indistin&ccedil;&atilde;o destas duas categorias    num amplo "proletariado" actual. Com efeito, elas evidenciam atributos bastante    distintos entre si: quanto &agrave; especifica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica    do trabalho que executam, quanto ao contexto relacional em que o desenvolvem,    quanto &agrave;s carreiras profissionais prov&aacute;veis, quanto a tend&ecirc;ncias    pesadas da sua evolu&ccedil;&atilde;o quantitativa, quanto &agrave; composi&ccedil;&atilde;o    por sexos dos efectivos de cada uma e ainda quanto &agrave;s suas auto-imagens    de classe. Isto, n&atilde;o obstante a partilha de uma mesma condi&ccedil;&atilde;o    assalariada de base e os la&ccedil;os sociais que as interligam no quotidiano    profissional e extraprofissional. Torna-se, pois, analiticamente mais produtivo,    poder-se examin&aacute;-las em separado, sempre que isso seja pertinente, n&atilde;o    perdendo assim de vista aspectos significativos dos processos contempor&acirc;neos    de estrutura&ccedil;&atilde;o social. &Eacute; sempre poss&iacute;vel agreg&aacute;-las    quanto ao que nelas se inscreva de condi&ccedil;&atilde;o comum. </p>      <p>No per&iacute;odo em an&aacute;lise, o conjunto das duas categorias passa,    na Uni&atilde;o Europeia, de perto de dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o    profissionalmente activa para pouco mais de metade. Ainda &eacute;, de longe,    o segmento mais numeroso das pessoas com actividade profissional. Mas o decr&eacute;scimo    &eacute; muito significativo. </p>      <p>Mais especificamente, os oper&aacute;rios passam de quase 30% para pouco mais    de 23%, o que corresponde a processos conhecidos, tanto de intensifica&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica da produ&ccedil;&atilde;o industrial como de transfer&ecirc;ncia    de unidades fabris para &aacute;reas do globo em industrializa&ccedil;&atilde;o    recente, com custos de m&atilde;o-de-obra — directos e indirectos — muito mais    baixos. Claro est&aacute; que as varia&ccedil;&otilde;es nacionais n&atilde;o    podem, tamb&eacute;m aqui, ser menosprezadas. H&aacute; uma diferen&ccedil;a    efectiva entre os mais de 25% de oper&aacute;rios no tecido socioprofissional    de pa&iacute;ses como a Alemanha, &Aacute;ustria, Espanha ou Portugal, num extremo,    e os menos de 20% da Holanda, Reino Unido e Gr&eacute;cia, no outro. </p>      <p>Estas diferen&ccedil;as, em todo o caso, n&atilde;o podem ser tomadas como    indicadores lineares de n&iacute;veis de desenvolvimento das estruturas sociais.    Basta reparar nos dois subconjuntos de pa&iacute;ses acima assinalados, com    as suas heterogeneidades internas, para dar conta de que o que est&aacute; em    causa &eacute; algo de mais complexo. O que se passa &eacute; a combina&ccedil;&atilde;o    de tend&ecirc;ncias gerais, manifestando-se em termos de conjunto a n&iacute;vel    da Uni&atilde;o Europeia — em concreto, uma diminui&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica    do peso relativo do operariado industrial —, com especificidades nacionais,    respeitantes quer aos padr&otilde;es de especializa&ccedil;&atilde;o produtiva,    quer aos graus de moderniza&ccedil;&atilde;o do tecido econ&oacute;mico prevalecentes    em cada pa&iacute;s. Nem a omiss&atilde;o aprior&iacute;stica, na an&aacute;lise,    daquelas tend&ecirc;ncias globais, nem a destas especificidades nacionais, conduzem    a resultados cognitivos esclarecedores. </p>      <p>A descida do peso relativo dos empregados executantes &eacute; porventura mais    surpreendente ou, pelo menos, tem sido menos analisada. Teses variadas, relativas    a uma nova proletariza&ccedil;&atilde;o alargada nos pa&iacute;ses europeus,    desta vez pela expans&atilde;o crescente de um "proletariado p&oacute;s-industrial",    terciarizado e feminizado, n&atilde;o se viram completamente confirmadas nesta    &uacute;ltima d&eacute;cada, pelo menos nas suas vers&otilde;es mais correntes.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; certo que a categoria socioprofissional dos empregados executantes    — assalariados de base dos escrit&oacute;rios, com&eacute;rcio e servi&ccedil;os    — esteve em crescimento at&eacute; h&aacute; pouco tempo na generalidade dos    pa&iacute;ses da actual Uni&atilde;o Europeia (o que de algum modo justifica    a proposta de teses como as referidas), tendo atingido, em todos estes pa&iacute;ses,    uma das posi&ccedil;&otilde;es maiorit&aacute;rias na estrutura social, quase    a par ou mesmo acima do operariado industrial. Ao contr&aacute;rio deste, no    entanto, constituiu-se como categoria socioprofissional de dominante feminina.    Foi atrav&eacute;s dela que, em grande parte, se processou a entrada maci&ccedil;a    das mulheres na esfera profissional. </p>      <p>Mas, pelo menos desde a d&eacute;cada de 90, a tend&ecirc;ncia de conjunto    come&ccedil;ou a inverter-se, como algum tempo antes tinha acontecido com o    operariado industrial. Ali&aacute;s, em pa&iacute;ses como Portugal e Gr&eacute;cia,    onde a expans&atilde;o dos empregados executantes &eacute; mais recente, ainda    se verificou um certo crescimento no per&iacute;odo em an&aacute;lise, correspondente    sobretudo a uma intensifica&ccedil;&atilde;o do processo de feminiza&ccedil;&atilde;o    da categoria. Na Espanha, pelo seu lado, uma estabiliza&ccedil;&atilde;o aparente    dos empregados executantes esconde tamb&eacute;m uma feminiza&ccedil;&atilde;o    interna. Em quase todos os outros pa&iacute;ses, o movimento &eacute; de descida,    nalguns casos bastante forte, como na Alemanha, Fran&ccedil;a, Holanda, Luxemburgo    ou Reino Unido. Nestes casos, mesmo a componente feminina, maiorit&aacute;ria,    come&ccedil;a a diminuir, dando o tom geral &agrave; Uni&atilde;o Europeia.    Uma excep&ccedil;&atilde;o &eacute; a Dinamarca, com um certo acr&eacute;scimo    do peso relativo da categoria em causa, devido &agrave; sua componente feminina.  </p>      <p>No conjunto, estas tend&ecirc;ncias parecem apontar para a conflu&ecirc;ncia    de dois processos importantes. Do lado do tecido econ&oacute;mico, tudo indica    que, tamb&eacute;m nos servi&ccedil;os, embora de maneira internamente diferenciada    e gradual, tenha finalmente come&ccedil;ado a assistir-se a acr&eacute;scimos    significativos de produtividade, acompanhando a introdu&ccedil;&atilde;o das    novas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o. Do lado do tecido social, como    j&aacute; se viu atr&aacute;s, o aumento dos n&iacute;veis de qualifica&ccedil;&atilde;o    escolar das popula&ccedil;&otilde;es foi tamb&eacute;m bastante intenso. </p>      <p>Os dois processos convergem, na maior parte dos pa&iacute;ses europeus, numa    reorganiza&ccedil;&atilde;o da divis&atilde;o social do trabalho, em direc&ccedil;&atilde;o    a taxas crescentes, na popula&ccedil;&atilde;o activa, de profissionais de n&iacute;veis    m&eacute;dios ou elevados de qualifica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute;    na produ&ccedil;&atilde;o fabril mas tamb&eacute;m nas fun&ccedil;&otilde;es    administrativas, nas actividades comerciais, nos servi&ccedil;os prestados &agrave;s    empresas, nos servi&ccedil;os pessoais e nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos,    com correspondente perda de peso percentual dos empregados executantes. Tudo    isto acontece em graus diferentes, consoante os sectores e os pa&iacute;ses,    e acarreta, ali&aacute;s, do outro lado da moeda, desvaloriza&ccedil;&atilde;o    relativa de segmentos mais ou menos extensos das actividades assalariadas de    base, nos servi&ccedil;os como na ind&uacute;stria. </p>      <p>Poder&aacute; estar tamb&eacute;m interligado com estes um processo adicional,    o de relocaliza&ccedil;&atilde;o, noutras regi&otilde;es do globo, de tarefas    executantes dos servi&ccedil;os, com remunera&ccedil;&otilde;es muito abaixo    das praticadas na Uni&atilde;o Europeia, mesmo nos pa&iacute;ses que, como Portugal,    t&ecirc;m n&iacute;veis de rendimento dos trabalhadores consideravelmente inferiores    &agrave; m&eacute;dia europeia. </p>      <p>Apesar de esta relocaliza&ccedil;&atilde;o ser, &agrave; partida, bastante    menos generaliz&aacute;vel do que no caso da produ&ccedil;&atilde;o industrial,    devido ao car&aacute;cter face-a-face de muitos servi&ccedil;os, verifica-se    que uma parte crescente deles pode ser prestada &agrave; dist&acirc;ncia, com    apoio nos dispositivos tecnol&oacute;gicos baseados na inform&aacute;tica e    nas telecomunica&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o tarefas comandadas e encomendadas    a partir de zonas mais desenvolvidas do planeta, nomeadamente o espa&ccedil;o    europeu, onde tendem a concentrar-se componentes destes servi&ccedil;os mais    intensas em concep&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e est&eacute;tica, assim    como em fun&ccedil;&otilde;es de coordena&ccedil;&atilde;o. &Eacute; muito dif&iacute;cil    avaliar o grau em que tal processo ser&aacute; j&aacute; respons&aacute;vel    por parte do retrocesso percentual dos empregados executantes europeus, no essencial    a favor dos profissionais t&eacute;cnicos e de enquadramento, mas a tend&ecirc;ncia    est&aacute; inscrita nas din&acirc;micas de globaliza&ccedil;&atilde;o actualmente    observ&aacute;veis. </p>      <p>Ali&aacute;s, um processo paralelo a este, integrante da mesma l&oacute;gica    global, &eacute; a relocaliza&ccedil;&atilde;o de sentido inverso, atrav&eacute;s    da mobilidade internacional de for&ccedil;a-de-trabalho proveniente de pa&iacute;ses    menos desenvolvidos, com inser&ccedil;&atilde;o de parte significativa dos e    das imigrantes em segmentos pouco qualificados, prec&aacute;rios e mal remunerados    do trabalho dispon&iacute;vel, nomeadamente do emprego executante dos servi&ccedil;os.  </p>      <p>Ao contr&aacute;rio dos anteriores, este &uacute;ltimo processo poderia contrariar,    em alguma medida, a diminui&ccedil;&atilde;o do peso relativo dos empregados    executantes. Mas, nomeadamente em casos como Portugal, n&atilde;o s&oacute;    a import&acirc;ncia percentual destes imigrantes no conjunto da popula&ccedil;&atilde;o    activa, apesar de crescente, permanece bastante reduzida, como parte deles,    colocada em situa&ccedil;&otilde;es muito vulner&aacute;veis de trabalho informal,    torna-se invis&iacute;vel &agrave; informa&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica    institucional. Seja como for, &agrave; escala da Uni&atilde;o Europeia, o facto    de, apesar deste fluxo imigrat&oacute;rio, ser n&iacute;tida a descida proporcional    dos empregados executantes, vem sublinhar ainda mais o car&aacute;cter estrutural    dessa tend&ecirc;ncia. </p>      <p><a name="top5"></a>Quanto aos "trabalhadores independentes", desenvolvendo    actividade por conta pr&oacute;pria nos sectores secund&aacute;rio e terci&aacute;rio,<A HREF="#nota5"><SUP>5</SUP></A>    apesar de uma significativa persist&ecirc;ncia intersticial na estrutura socioecon&oacute;mica    (Freire, 1995; Wright, 1997), n&atilde;o deixam de, no per&iacute;odo em estudo,    parecer estar em queda proporcional na Uni&atilde;o Europeia, ao contr&aacute;rio    do que tem sido convic&ccedil;&atilde;o frequente. No conjunto, ficam aqu&eacute;m    dos 5% da popula&ccedil;&atilde;o activa. A situa&ccedil;&atilde;o varia bastante,    no entanto, de pa&iacute;s para pa&iacute;s. Destacam-se, com taxas da ordem    dos 10%, a Gr&eacute;cia e a It&aacute;lia. A seguir, em torno dos 7%, aparecem    Portugal, Espanha e &Aacute;ustria. </p>      <p>Falta mencionar que os "assalariados agr&iacute;colas" se tornaram completamente    residuais no espa&ccedil;o da Uni&atilde;o Europeia. Os "agricultores independentes"    tamb&eacute;m atingiram n&iacute;veis de peso percentual no conjunto da popula&ccedil;&atilde;o    activa bastante reduzidos, embora isso n&atilde;o signifique que tenham passado    a ser socialmente insignificantes, longe disso, em termos econ&oacute;micos,    pol&iacute;ticos, sociais e ambientais. A situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    &eacute; igual em todos os pa&iacute;ses, salientando-se o peso relativo que    os agricultores independentes ainda t&ecirc;m na Gr&eacute;cia, um tanto menos    em Portugal e, de certo modo, na Irlanda. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ali&aacute;s, em pa&iacute;ses como estes, n&atilde;o se pode fazer justi&ccedil;a    &agrave; import&acirc;ncia efectiva da actividade agr&iacute;cola no plano social,    mesmo que n&atilde;o tanto no plano econ&oacute;mico, se n&atilde;o se atender    &agrave; larga mancha de pluriactividade envolvendo liga&ccedil;&atilde;o complementar    &agrave; agricultura. &Eacute; um aspecto n&atilde;o capt&aacute;vel por indicadores    que se baseiam apenas na profiss&atilde;o principal, como o aqui utilizado.    Os dados estat&iacute;sticos relativos a actividades profissionais complementares,    sobretudo com incid&ecirc;ncia comparativa, ou n&atilde;o existem, ou s&atilde;o    pouco fi&aacute;veis. Mas os estudos de caso monogr&aacute;ficos s&atilde;o    elucidativos a esse respeito (por exemplo, para Portugal: Pinto, 1985; Almeida,    1986; Silva, 1994; Silva, 1998). </p> <B>       <p>&nbsp;</p>     <p>Forma&ccedil;&atilde;o de classes e recomposi&ccedil;&otilde;es socioeducacionais</p> </B>       <p>A educa&ccedil;&atilde;o formal &eacute; hoje um dos elementos fulcrais tanto    da organiza&ccedil;&atilde;o dos quotidianos e dos trajectos de vida pessoais    como da configura&ccedil;&atilde;o das sociedades e dos seus processos de desenvolvimento.    Constitui, do mesmo modo, um dos eixos actualmente decisivos de estrutura&ccedil;&atilde;o    das distribui&ccedil;&otilde;es desiguais de recursos, poderes e oportunidades,    condicionando e capacitando diferentemente as pessoas para a vida social e contribuindo,    de maneira cada vez mais acentuada, para a estrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de classe. </p>      <p>A distin&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica — operada, ali&aacute;s, por diversos    paradigmas te&oacute;ricos — entre os lugares nas estruturas de classes ou nos    sistemas de estratifica&ccedil;&atilde;o, por um lado, e as distribui&ccedil;&otilde;es    das pessoas por esses lugares, por outro lado, n&atilde;o pode ser tomada sen&atilde;o    como um expediente anal&iacute;tico, um "par&ecirc;ntese metodol&oacute;gico"    (para retomar um conceito processual de Giddens), destinado a viabilizar a concentra&ccedil;&atilde;o    anal&iacute;tica em aspectos espec&iacute;ficos dos objectos de estudo, mas    na condi&ccedil;&atilde;o de se ter sempre bem presente o car&aacute;cter provis&oacute;rio    da distin&ccedil;&atilde;o. Algumas abordagens, hoje ultrapassadas, reificaram    os termos da polaridade, tendendo a absolutizar redutoramente um deles, fossem    as estruturas sociais, fossem os processos de mobilidade. Em contraponto, tornou-se    h&aacute; j&aacute; bastante tempo aquisi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica integrante    da sociologia das classes sociais e da estratifica&ccedil;&atilde;o o reconhecimento    de que os dois aspectos se interligam substancialmente no &acirc;mago mesmo    da constitui&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de classe. </p>      <p>Nenhum aspecto ilustra hoje melhor essa articula&ccedil;&atilde;o entre estruturas    de lugares de classe e processos de forma&ccedil;&atilde;o das classes — no    que nestes &uacute;ltimos respeita, especificamente, &agrave;s principais inst&acirc;ncias    e din&acirc;micas que limitam e habilitam as pessoas no acesso a diferentes    posi&ccedil;&otilde;es relativas no espa&ccedil;o social — do que a aquisi&ccedil;&atilde;o    de forma&ccedil;&atilde;o escolar e a obten&ccedil;&atilde;o dos respectivos    certificados. Os graus de escolaridade n&atilde;o s&atilde;o, evidentemente,    o &uacute;nico recurso socialmente relevante distribu&iacute;do desigualmente    nas sociedades contempor&acirc;neas. Mas tornaram-se um dos mais importantes    e, possivelmente, daqueles que t&ecirc;m vindo a provocar impacte mais profundo    e mais alargado nas reconfigura&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o social. </p>      <p>&Eacute; tamb&eacute;m um dos dom&iacute;nios em que se observam, com clareza,    quer a import&acirc;ncia crescente dos processos transversais que hoje ocorrem    a n&iacute;vel mundial, em contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o, quer a presen&ccedil;a    persistente das diferen&ccedil;as nacionais, se bem que elas pr&oacute;prias    igualmente em transforma&ccedil;&atilde;o. Entre estas salientam-se tanto os    diferentes padr&otilde;es socioculturais que se v&atilde;o estabelecendo nas    diversas sociedades (com as suas sedimenta&ccedil;&otilde;es de longo prazo    e as suas muta&ccedil;&otilde;es mais ou menos r&aacute;pidas), como o impacte    das diferentes configura&ccedil;&otilde;es institucionais e das diferentes pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas de &acirc;mbito estatal — duplo conjunto de factores este, ali&aacute;s,    acerca do qual est&aacute; ainda por esclarecer, de maneira satisfat&oacute;ria,    qual o peso relativo de cada um e quais os modos de articula&ccedil;&atilde;o    entre ambos nos processos de desenvolvimento por que t&ecirc;m passado os diversos    pa&iacute;ses. </p>     <p><a name="qd3"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="75%" border="0">   <tr>     <td><strong>Quadro 3 </strong>Recomposi&ccedil;&otilde;es socioeducacionais        na Uni&atilde;o Europeia, 1992-1997 (em percentagens)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a01q3.gif" width="744" height="733"></td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seja como for, os dados que se apresentam no <a href="#qd3">quadro 3</a> s&atilde;o    esclarecedores acerca dos efeitos simult&acirc;neos, neste dom&iacute;nio, das    din&acirc;micas partilhadas a n&iacute;vel da Uni&atilde;o Europeia como um    todo e das configura&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, institucionais e    socioculturais, das diversas sociedades nacionais-estatais dela integrantes.    N&atilde;o fazem mais, ali&aacute;s, do que tratar com pormenor adicional (em    termos de escal&otilde;es et&aacute;rios e de graus de ensino) a informa&ccedil;&atilde;o    que, a este respeito, consta do <a href="#qd1">quadro 1</a>. Seria redundante,    pois, retomar aqui toda a an&aacute;lise feita atr&aacute;s a prop&oacute;sito    dessa informa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Entre a primeira e a segunda metade da d&eacute;cada de 90, a popula&ccedil;&atilde;o    europeia, na faixa et&aacute;ria dos 25 aos 64 anos, aumentou os n&iacute;veis    de escolaridade de maneira que se pode considerar significativa, tendo em conta    o curto per&iacute;odo analisado. Tanto os valores do n&iacute;vel secund&aacute;rio    como os do n&iacute;vel superior cresceram 2 ou mais pontos percentuais cada    um. O que quer dizer que, hoje, quase 20% da popula&ccedil;&atilde;o adulta    da Uni&atilde;o Europeia tem o ensino superior, perto de 40% o ensino secund&aacute;rio    e cerca de 40% o ensino b&aacute;sico. </p>      <p>Na faixa et&aacute;ria mais nova considerada, entre os 25 e os 34 anos, esses    valores s&atilde;o mais avan&ccedil;ados: aproximadamente 22% para o superior    e 46% para o secund&aacute;rio; s&oacute; 32% tinham escolaridade inferior,    no fundamental o ensino b&aacute;sico. A melhoria gradual dos n&iacute;veis    de escolariza&ccedil;&atilde;o fica evidente comparando esta distribui&ccedil;&atilde;o    com as dos dois escal&otilde;es et&aacute;rios imediatamente mais velhos. Por    exemplo, tomando como compara&ccedil;&atilde;o o escal&atilde;o dos 45 aos 54    anos, verifica-se que a percentagem dos que alcan&ccedil;aram o ensino superior    subiu quase 4 pontos percentuais e a dos que atingiram o ensino secund&aacute;rio    cresceu &agrave; volta de 11 pontos. </p>      <p>As diferen&ccedil;as entre os diversos pa&iacute;ses s&atilde;o muitos grandes,    neste plano, traduzindo percursos hist&oacute;ricos, padr&otilde;es socioculturais    e pol&iacute;ticas de ensino de car&aacute;cter bastante diferenciado. T&ecirc;m,    por outro lado, implica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o menos relevantes no presente    imediato e no futuro a m&eacute;dio prazo, nomeadamente em termos de posicionamento    relativo perante um contexto de sociedade da informa&ccedil;&atilde;o e do conhecimento.    Implica&ccedil;&otilde;es importantes, tamb&eacute;m, s&atilde;o as que daqui    decorrem quanto aos diferentes perfis de composi&ccedil;&atilde;o social nos    pa&iacute;ses respectivos. </p>      <p>Assim, as principais variantes na escolariza&ccedil;&atilde;o actual dos pa&iacute;ses    da Uni&atilde;o Europeia, a par dos patamares atingidos pelos valores agregados    do ensino secund&aacute;rio com o ensino superior, atr&aacute;s analisados (ver    <a href="#qd1">quadro 1</a>), encontram-se na propor&ccedil;&atilde;o relativa    destes dois n&iacute;veis de ensino. &Eacute; de ter em conta, no entanto, que    os graus de ensino s&atilde;o cumulativos, havendo sempre valores impl&iacute;citos    de ensino secund&aacute;rio subsumidos nos do ensino superior. </p>      <p>Quer nos casos em que o conjunto das percentagens de ensino superior e ensino    secund&aacute;rio s&atilde;o das mais altas, quer naqueles em que estes valores    s&atilde;o interm&eacute;dios, as propor&ccedil;&otilde;es relativas desses    dois graus n&atilde;o s&atilde;o sempre id&ecirc;nticas, em correla&ccedil;&atilde;o    com estruturas econ&oacute;micas, sistemas de ensino-forma&ccedil;&atilde;o    e perfis culturais de atribui&ccedil;&atilde;o de <I>status</I> bastante vari&aacute;veis.  </p>      <p>Um caso extremo, por exemplo, &eacute; o da &Aacute;ustria, com fort&iacute;ssima    forma&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel secund&aacute;rio e taxas relativamente    pequenas de ensino superior. Exemplo inverso &eacute; o da B&eacute;lgica, com    n&iacute;veis de ensino superior dos mais elevados, mas com percentagens de    ensino secund&aacute;rio abaixo da m&eacute;dia europeia. Os dois graus de escolaridade    s&atilde;o em simult&acirc;neo dos mais altos em pa&iacute;ses como a Alemanha,    Dinamarca e Su&eacute;cia, e ainda, em certa medida, como a Finl&acirc;ndia    e a Holanda. Um pouco abaixo, as propor&ccedil;&otilde;es relativas no Reino    Unido e na Fran&ccedil;a s&atilde;o de sentido inverso, o primeiro com valores    mais elevados do que a segunda no ensino superior mas acontecendo o contr&aacute;rio    quanto ao ensino secund&aacute;rio. </p>      <p>Nos pa&iacute;ses com mais baixos perfis de escolariza&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; homog&eacute;nea. Destes, a Irlanda &eacute;    o que maiores valores apresenta, no conjunto, e dos que t&ecirc;m tamb&eacute;m    percentagens mais pr&oacute;ximas nos dois n&iacute;veis, secund&aacute;rio    e superior. A Espanha apresenta valores mais altos no superior do que no secund&aacute;rio,    acontecendo o contr&aacute;rio com a Gr&eacute;cia e, sobretudo, com a It&aacute;lia.    Portugal tem percentagens aproximadamente iguais para estes dois graus de ensino,    sendo desse ponto de vista mais parecido com a Irlanda, mas com metade ou menos    das percentagens. Em concreto: 11% no superior e 11% no secund&aacute;rio, o    que significa 78% da popula&ccedil;&atilde;o considerada com, no m&aacute;ximo,    o ensino b&aacute;sico completo. Comparando com a m&eacute;dia europeia de,    aproximadamente, 19%, 39% e 42%, respectivamente, a dist&acirc;ncia &eacute;    enorme. Isto para j&aacute; n&atilde;o falar do que se passa relativamente a    v&aacute;rios pa&iacute;ses do centro e do norte da Europa. </p>      <p>Mesmo em confronto com a Espanha ou com a Gr&eacute;cia, as dist&acirc;ncias    s&atilde;o significativas. Tanto mais quanto, no per&iacute;odo de refer&ecirc;ncia,    a percentagem de popula&ccedil;&atilde;o portuguesa entre os 25 e os 64 anos    com ensino superior s&oacute; subiu meio ponto percentual, enquanto na Espanha    subiu 6 pontos e na Gr&eacute;cia mais de 3. Quanto ao ensino secund&aacute;rio,    Portugal aumentou perto de 2 pontos percentuais, enquanto na Espanha o aumento    foi de 3 e na Gr&eacute;cia quase de 6. S&atilde;o discrep&acirc;ncias crescentes,    pelo menos por enquanto, o que &eacute; corroborado pelo facto de, em rela&ccedil;&atilde;o    a estes dois pa&iacute;ses, as dist&acirc;ncias a que se encontra Portugal serem    ainda maiores no escal&atilde;o et&aacute;rio mais novo (25-34 anos), apesar    de, internamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, aqueles valores    terem, num intervalo de vinte anos (isto &eacute;, comparando com o escal&atilde;o    et&aacute;rio dos 45 aos 54 anos), quase triplicado quanto ao ensino secund&aacute;rio    e aumentado em cerca de 50% quanto ao ensino superior. </p>      <p>Algumas consequ&ecirc;ncias s&atilde;o evidentes, no que respeita &agrave;    forma&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de classe na Uni&atilde;o Europeia    e &agrave; posi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa nelas.    Come&ccedil;ando por este &uacute;ltimo aspecto, uma dessas consequ&ecirc;ncias    &eacute; que a composi&ccedil;&atilde;o social que se vem formando em Portugal    tende a assumir perfis bastante mais desqualificados, do ponto de vista das    compet&ecirc;ncias cognitivas e dos recursos profissionais, do que na maioria    dos restantes pa&iacute;ses, se n&atilde;o mesmo em todos eles, pelo menos at&eacute;    ao terceiro quartel da d&eacute;cada de 90. Outra &eacute; que, em pa&iacute;ses    como Portugal, a estrutura de classes tende a constituir-se de maneira muito    mais polarizada do que naqueles em que prevalecem distribui&ccedil;&otilde;es    mais avan&ccedil;adas de recursos educativos. Consequ&ecirc;ncia ainda, ligada    &agrave;s anteriores, &eacute; que, considerando desta vez, n&atilde;o os diversos    pa&iacute;ses, mas sim a Uni&atilde;o Europeia como um todo, a maioria da popula&ccedil;&atilde;o    portuguesa tende a concentrar-se nos lugares mais subalternos e desfavorecidos    desse espa&ccedil;o social integrado — se bem que isso n&atilde;o aconte&ccedil;a    com toda ela, como &eacute; &oacute;bvio. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num outro plano, com implica&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de car&aacute;cter    geral, o que mais uma vez se verifica, agora com a an&aacute;lise destes indicadores    socioeducacionais, &eacute; que, nos processos actuais de forma&ccedil;&atilde;o    de rela&ccedil;&otilde;es de classe observ&aacute;veis na Uni&atilde;o Europeia,    se combinam duas ordens de factores. Uns t&ecirc;m a ver com din&acirc;micas    globais, de incid&ecirc;ncia transnacional, e traduzem-se no facto incontorn&aacute;vel    de que a forma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de classe passa hoje,    em larga medida, por intensos processos de qualifica&ccedil;&atilde;o escolar    — incluindo, importa n&atilde;o esquecer, o &oacute;nus redobrado que, neste    contexto, passa a recair sobre as situa&ccedil;&otilde;es de subqualifica&ccedil;&atilde;o    escolar ou mesmo de exclus&atilde;o dessas qualifica&ccedil;&otilde;es. </p>      <p>Outros, n&atilde;o menos significativos, s&atilde;o factores relativos aos    impactes de estruturas sociais e culturais espec&iacute;ficas aos diversos pa&iacute;ses,    bem como de institui&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nacionais    diferenciadas, na forma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de classe.    A&nbsp;medida em que essas estruturas, institui&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas    se inscrevem no &acirc;mbito de regula&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios estados    nacionais est&aacute; em muta&ccedil;&atilde;o mas permanece significativa,    resultando nas diferen&ccedil;as bem marcantes entre pa&iacute;ses evidenciadas    por estes indicadores, mesmo t&atilde;o simples e parcelares como os que tem    sido poss&iacute;vel aqui utilizar. </p>      <p>Esta sobreposi&ccedil;&atilde;o de factores manifesta-se tamb&eacute;m, ali&aacute;s,    na composi&ccedil;&atilde;o socioeducacional por sexos. O processo de escolariza&ccedil;&atilde;o    feminina, partindo de n&iacute;veis inferiores &agrave;s taxas masculinas mas    tendendo a ultrapass&aacute;-las, &eacute; relativamente transversal ao espa&ccedil;o    europeu, como se viu. Mas tamb&eacute;m aqui as varia&ccedil;&otilde;es nacionais    se mostram bastante significativas. Mesmo considerando apenas a faixa et&aacute;ria    mais jovem, o <a href="#qd3">quadro 3</a> evidencia padr&otilde;es distintos,    desde casos em que as percentagens relativas ao ensino superior s&atilde;o claramente    mais elevadas nas mulheres (como na Su&eacute;cia, Dinamarca ou Finl&acirc;ndia,    B&eacute;lgica ou Fran&ccedil;a, Gr&eacute;cia ou Portugal), ou daqueles em    que isso acontece tanto no secund&aacute;rio como no superior (Irlanda, Espanha,    It&aacute;lia), ou ainda apenas no secund&aacute;rio (&Aacute;ustria, Holanda),    at&eacute; aos casos em que as taxas do sexo feminino s&atilde;o nitidamente    mais baixas no superior (Alemanha), no secund&aacute;rio (B&eacute;lgica) ou    em ambos (Reino Unido, Luxemburgo). </p> <B>       <p>&nbsp;</p>     <p>Novas desigualdades?</p> </B>       <p>Uma das quest&otilde;es mais discutidas, neste dom&iacute;nio, ao longo da    &uacute;ltima d&eacute;cada, &eacute; o surgimento de novas desigualdades sociais,    em sobreposi&ccedil;&atilde;o ou mesmo em substitui&ccedil;&atilde;o das "antigas",    entendendo-se por estas as de "classe". Como ter&aacute; j&aacute; ficado claro,    h&aacute; aqui um duplo equ&iacute;voco, conceptual e factual. </p>      <p>No plano conceptual, isso significa entender a an&aacute;lise de classes de    maneira ultrapassada, como um qualquer modelo explicativo unidimensional e redutor,    ou mesmo como um simples sistema de categorias r&iacute;gidas e inalteradas.    Ora, a an&aacute;lise de classes, em vez de propor respostas pr&eacute;-fabricadas,    faz do tema das desigualdades, distin&ccedil;&otilde;es e diferen&ccedil;as    sociais um campo de problematiza&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o.  </p>      <p>Procura, nomeadamente, investigar que rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas    de poderes e que distribui&ccedil;&otilde;es desiguais de recursos tendem a    configurar-se em cada contexto, segundo que par&acirc;metros, com que peso relativo    rec&iacute;proco e atrav&eacute;s de que modos de interinflu&ecirc;ncia entre    eles, procurando tamb&eacute;m analisar causas e efeitos, assim como as articula&ccedil;&otilde;es    com outros dom&iacute;nios e outras dimens&otilde;es do relacionamento social.    Pode-se sempre fazer isto sem recorrer &agrave; terminologia de "classes" ou    de "estratifica&ccedil;&atilde;o", embora seja em geral vantajoso na produ&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica utilizar vocabul&aacute;rios conceptuais comunic&aacute;veis    e produtivos. O que ser&aacute; certamente negativo, em todo o caso, &eacute;    prescindir n&atilde;o s&oacute; da terminologia mas tamb&eacute;m do conhecimento    especializado desenvolvido, testado e acumulado neste dom&iacute;nio. </p>      <p>No plano factual, o que acontece &eacute; que muitas das supostas novas desigualdades    n&atilde;o s&atilde;o nada novas e muitas das hipoteticamente desaparecidas    antigas desigualdades est&atilde;o bem presentes hoje em dia muito embora tenham    mudado, evidentemente, em maior ou menor grau, de conte&uacute;do e implica&ccedil;&otilde;es.    As hierarquias de <I>status</I>, as distin&ccedil;&otilde;es associadas a diferentes    estilos de vida, as desigualdades sociais entre homens e mulheres, a import&acirc;ncia    das clivagens &eacute;tnicas, a autonomia relativa e os modos de constitui&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;ficos das formas de ac&ccedil;&atilde;o colectiva perante as categorias    de condi&ccedil;&otilde;es sociais de exist&ecirc;ncia — tudo isso s&oacute;    por caricatura se pode considerar emerg&ecirc;ncia recente. Basta relembrar,    por exemplo, as contribui&ccedil;&otilde;es fundadoras de Max Weber (1922, 1978)    a respeito de muitos destes aspectos. No mundo actual assumem configura&ccedil;&otilde;es    diferentes e import&acirc;ncias diversas de outras anteriores? &Eacute; o que    interessa precisamente investigar, em vez de apenas postular. A quest&atilde;o    est&aacute; em aferir como, em que medida e segundo que modalidades &eacute;    que tal acontece, em vez de fechar prematuramente a an&aacute;lise com uma qualquer    generalidade aprior&iacute;stica. </p>      <p>Por outro lado, indicadores como os que se t&ecirc;m vindo a analisar, entre    v&aacute;rios outros poss&iacute;veis, bem como m&uacute;ltiplos estudos em    produ&ccedil;&atilde;o permanente, mostram bem que as desigualdades associadas    a categorias socioprofissionais ou a forma&ccedil;&otilde;es escolares, por    exemplo, est&atilde;o longe de ter desaparecido da paisagem social contempor&acirc;nea    ou deixado de produzir efeitos marcantes na vida das pessoas e na organiza&ccedil;&atilde;o    das sociedades. Basta olhar as diferen&ccedil;as de oportunidades, de rendimentos,    de possibilidades de consumo ou de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, ou ent&atilde;o    as diferen&ccedil;as de sensibilidades, prefer&ecirc;ncias e estilos que lhes    est&atilde;o associadas, n&atilde;o como monocausalidade determinista mas como    alguns dos factores, mais ou menos decisivos, de tend&ecirc;ncias identific&aacute;veis    em campos estruturados de possibilidades. Que reconfigura&ccedil;&otilde;es    est&atilde;o em curso nestes aspectos? &Eacute; tamb&eacute;m isso que importa    investigar, em vez de, mais uma vez, os elidir aprioristicamente do horizonte    de observa&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; sabido como s&atilde;o hoje importantes as fragmenta&ccedil;&otilde;es    do tecido social, as polariza&ccedil;&otilde;es de rendimentos, os processos    de exclus&atilde;o social, as precariza&ccedil;&otilde;es profissionais, as    oscila&ccedil;&otilde;es de traject&oacute;ria de vida. S&atilde;o fen&oacute;menos    que ganham actualmente novos contornos, os quais carecem de pesquisa. Mas s&oacute;    quem n&atilde;o tenha um m&iacute;nimo de perspectiva hist&oacute;rica ignorar&aacute;    que, poucas d&eacute;cadas atr&aacute;s, em Portugal mas n&atilde;o s&oacute;,    a pobreza era end&eacute;mica e as polariza&ccedil;&otilde;es de rendimentos    abissais, na generalidade o assalariamento era prec&aacute;rio e as traject&oacute;rias    de vida estavam maci&ccedil;amente sujeitas &agrave;s conting&ecirc;ncias da    emigra&ccedil;&atilde;o e das reconvers&otilde;es rurais-urbanas. Conv&eacute;m,    pois, investigar novas configura&ccedil;&otilde;es, mas sem tomar as imediatamente    anteriores por mundos quase eternos que de repente teriam desabado. Pelo contr&aacute;rio,    essas situa&ccedil;&otilde;es sociais de refer&ecirc;ncia comparativa n&atilde;o    passaram, muitas vezes, de etapas com dura&ccedil;&atilde;o relativamente curta.  </p>      <p>A absolutiza&ccedil;&atilde;o como definitivos de processos em grande medida    conjunturais tem levado a generalizar excessivamente, por exemplo, a respeito    do problema do desemprego. S&atilde;o conhecidos pretensiosos edif&iacute;cios    te&oacute;rico-especulativos constru&iacute;dos, nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas,    sobre a inevitabilidade do fim do emprego. Ora n&atilde;o s&oacute; o trabalho    assalariado de car&aacute;cter minimamente formalizado estava efectivamente    a aumentar de forma acentuada em termos mundiais (um dos aspectos da globaliza&ccedil;&atilde;o),    como nos pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia se assistia &agrave; entrada    em larga escala da popula&ccedil;&atilde;o feminina na esfera profissional —    fen&oacute;meno socioculturalmente t&atilde;o irrevers&iacute;vel quanto o pode    ser qualquer processo social. Isto para j&aacute; n&atilde;o falar da diminui&ccedil;&atilde;o    significativa das taxas de desemprego no final da d&eacute;cada de 90, designadamente    na Uni&atilde;o Europeia. </p>      <p>Certo &eacute; que, tamb&eacute;m a este respeito, se combinam tend&ecirc;ncias    globais, partilhadas, com situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas e percursos    muito diversificados, tanto em termos nacionais como sectoriais, tal como se    combinam oscila&ccedil;&otilde;es de conjuntura com articula&ccedil;&otilde;es    fortemente estruturadas. O que interessa, do ponto de vista cognitivo, &eacute;    analisar essas combina&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o postular simplifica&ccedil;&otilde;es.    Os <a href="#qd4">quadros 4</a>, <a href="#qd5">5</a> e <a href="#qd6">6</a>    cont&ecirc;m indicadores que permitem ilustrar estas combina&ccedil;&otilde;es    multidimensionais. </p>     <p><a name="qd4"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="580" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 4&nbsp;</b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desemprego, emprego a tempo parcial        e contratos a prazo na popula&ccedil;&atilde;o dos 15 aos 64 anos, Uni&atilde;o        Europeia, 1998 (em percentagens) </td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a01q4.gif" width="558" height="464"></td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>      <p>&Eacute; poss&iacute;vel observar por exemplo, no <a href="#qd4">quadro 4</a>,    as importantes diferen&ccedil;as de desemprego nos diversos pa&iacute;ses em    1998, apesar da imers&atilde;o comum tanto nos processos de globaliza&ccedil;&atilde;o    e inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica como no quadro institucional da    Uni&atilde;o Europeia.<a name="top6"></a> Dos mais de 11% de desempregados em    Espanha, no total da popula&ccedil;&atilde;o dos 15 aos 64 anos, aos menos de    2% no Luxemburgo, as diferen&ccedil;as nacionais n&atilde;o se podem considerar    insignificantes.<A HREF="#nota6"><SUP>6</SUP></A> Em muitos pa&iacute;ses o    desemprego feminino era maior que o masculino, mas noutros passava-se o inverso.    Em quase todos o desemprego jovem era maior do que a m&eacute;dia, mas nuns    casos muito acima e noutros nem tanto. Al&eacute;m disso, em diversos pa&iacute;ses    o desemprego de longa dura&ccedil;&atilde;o era mais de metade do total de desemprego,    mas havia casos em que n&atilde;o passava de um ter&ccedil;o ou menos. </p>      <p>Se o desemprego, apesar das diferen&ccedil;as de n&iacute;vel entre os diversos    pa&iacute;ses, oscila com as conjunturas de maneira mais ou menos sincronizada    em grande parte deles, j&aacute; o trabalho a tempo parcial aparece mais enraizado    em padr&otilde;es nacionais, sexuais e et&aacute;rios relativamente persistentes,    se bem que n&atilde;o imut&aacute;veis. </p>      <p>&Eacute; poss&iacute;vel, assim, verificar que o trabalho a tempo parcial &eacute;    muito mais feminino do que masculino, no conjunto da Uni&atilde;o Europeia;    que varia entre menos de 10% do conjunto de empregados nos pa&iacute;ses da    Europa do Sul at&eacute; quase 40% de toda a popula&ccedil;&atilde;o empregada    na Holanda, passando por valores tamb&eacute;m bastante altos em pa&iacute;ses    como a Dinamarca, Su&eacute;cia e Reino Unido, ou interm&eacute;dios na generalidade    dos outros; e que se est&aacute; perante l&oacute;gicas sociais claramente diferenciadas    quando, de um lado, o emprego a tempo parcial &eacute; em grande medida caracter&iacute;stico    de uma fase de juventude, como na Finl&acirc;ndia, Dinamarca ou Holanda, ou    pelo menos assume nessa faixa et&aacute;ria maior import&acirc;ncia percentual,    como na maioria dos pa&iacute;ses europeus, e, de outro lado, predomina entre    os mais velhos, como em Portugal, &Aacute;ustria e Alemanha. </p>      <p>A percentagem de contratados a prazo &eacute; igualmente bastante vari&aacute;vel,    mais alta do que a m&eacute;dia europeia em pa&iacute;ses com percentagens de    desempregados tamb&eacute;m elevadas, como a Finl&acirc;ndia e sobretudo a Espanha,    mas tamb&eacute;m mais alta em Portugal, onde os n&iacute;veis de desemprego    s&atilde;o comparativamente baixos. S&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es que representam    combinat&oacute;rias diferentes de factores de precariedade no mercado de trabalho,    correlativas, ali&aacute;s, de modalidades e qualidades diferenciadas na presta&ccedil;&atilde;o    estatal de seguran&ccedil;a social. Os casos de taxas de contratos a prazo claramente    abaixo da m&eacute;dia europeia — &Aacute;ustria e B&eacute;lgica, Irlanda e    It&aacute;lia, Luxemburgo e Reino Unido — n&atilde;o remetem tamb&eacute;m para    situa&ccedil;&otilde;es homog&eacute;neas entre si. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas se estes indicadores, em si mesmos, nos valores que apresentam, remetem    tanto para processos oscilat&oacute;rios em larga medida conjunturais como para    vincadas particularidades nacionais de tecido sociocultural e de regula&ccedil;&atilde;o    institucional, j&aacute; as rela&ccedil;&otilde;es que estabelecem com par&acirc;metros    fundamentais de caracteriza&ccedil;&atilde;o social, como os analisados em pontos    anteriores, se revelam fortemente estruturadas e acentuadamente transversais.    Pondo a quest&atilde;o de outro modo, muitas vezes esses indicadores percebem-se    melhor analisando as respectivas articula&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o raro    bem identific&aacute;veis, com dimens&otilde;es que se revelam, nas sociedades    contempor&acirc;neas, profundamente organizadoras, no espa&ccedil;o e no tempo,    das rela&ccedil;&otilde;es sociais. S&atilde;o destas exemplo privilegiado,    como se viu atr&aacute;s, as dimens&otilde;es socioprofissionais e socioeducacionais.  </p>      <p>A t&iacute;tulo de ilustra&ccedil;&atilde;o, apenas, basta ver como as taxas    de desemprego, mesmo nas conjunturas do passado pr&oacute;ximo em que atingiram    valores muito elevados, est&atilde;o estruturalmente associadas aos n&iacute;veis    educacionais. O <a href="#qd5">quadro 5</a>, com dados de 1997, mostra que a    rela&ccedil;&atilde;o &eacute; sistem&aacute;tica: quanto maior o grau de ensino,    menor a taxa de desemprego. Isto tanto para a Uni&atilde;o Europeia no seu conjunto    como para os diversos pa&iacute;ses, tanto para escal&otilde;es et&aacute;rios    muito amplos como s&oacute; para os mais jovens, tanto para os homens como para    as mulheres, e variando gradualmente no mesmo sentido ao longo dos diversos    n&iacute;veis educacionais. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="qd5" id="qd5"></a></p> <table width="75%" border="0">   <tr>     <td height="47"><strong>Quadro 5 </strong>Taxas de desemprego segundo o n&iacute;vel        educacional, Uni&atilde;o Europeia, em 1997 (em percentagens)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a01q5.gif" width="639" height="460"></td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>      <p>&Eacute; claro que h&aacute; padr&otilde;es algo diferentes e pequenas excep&ccedil;&otilde;es.    H&aacute; pa&iacute;ses em que as taxas de desemprego registam maior quebra    na passagem das pessoas com ensino b&aacute;sico para as que atingiram o secund&aacute;rio,    mantendo-se depois relativamente estabilizadas, enquanto noutros, pelo contr&aacute;rio,    o ganho principal de empregabilidade acontece na passagem do secund&aacute;rio    para o superior. Noutros, ainda, os valores v&atilde;o sempre variando regularmente,    de grau para grau de ensino. &Eacute;&nbsp;esta, ali&aacute;s, a rela&ccedil;&atilde;o    que se estabelece na Uni&atilde;o Europeia tomada como um todo. </p>      <p>As caracter&iacute;sticas de cada pa&iacute;s, quanto aos respectivos tecidos    econ&oacute;micos, sistemas de ensino-forma&ccedil;&atilde;o e percursos de    escolariza&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es, ajudam a perceber    as variantes, ou mesmo as excep&ccedil;&otilde;es pontuais. Uma destas ocorre,    ali&aacute;s, em Portugal, com um pico mais elevado de taxa de desemprego no    segmento com o ensino secund&aacute;rio. Traduz-se aqui o perfil muito pouco    profissionalizante que este tem vindo a assumir no pa&iacute;s, bem como a import&acirc;ncia    ainda nele vigente das actividades econ&oacute;micas que fazem apelo a trabalhadores    com baixos n&iacute;veis de qualifica&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>No conjunto o padr&atilde;o &eacute; clar&iacute;ssimo, n&atilde;o s&oacute;    no seu registo emp&iacute;rico, mas tamb&eacute;m na sua inteligiblidade anal&iacute;tica,    como ter&aacute; ficado suficientemente esclarecido ao longo das considera&ccedil;&otilde;es    feitas anteriormente acerca da crescente import&acirc;ncia profissional dos    recursos educacionais nas sociedades contempor&acirc;neas. De novo ressalta    a imbrica&ccedil;&atilde;o de dimens&otilde;es altamente estruturantes das rela&ccedil;&otilde;es    de classe actuais, como as de ordem socioprofissional e socioeducacional. </p>     <p><a name="qd6"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="75%" border="0">   <tr>     <td height="34"><strong>Quadro 6 </strong>Condi&ccedil;&atilde;o perante o        trabalho segundo o n&iacute;vel educaional na popula&ccedil;&atilde;o dos        25 aos 59 anos, Uni&atilde;o Europeia, 1997 (em percentagens)</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a01q6.gif" width="745" height="425"></td>   </tr> </table>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Os dados do <a href="#qd6">quadro 6</a> corroboram esta an&aacute;lise e permitem    ampli&aacute;-la. As rela&ccedil;&otilde;es examinadas valem para o confronto,    n&atilde;o s&oacute; da popula&ccedil;&atilde;o empregada com a desempregada,    mas tamb&eacute;m destes dois segmentos com o da popula&ccedil;&atilde;o inactiva.    Tamb&eacute;m neste aspecto se podem observar particularismos nacionais, mas    no quadro de um padr&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es global muito bem definido:    entre os empregados os perfis de escolaridade tendem a ser melhores do que entre    os desempregados, e os perfis de escolaridade dos inactivos s&atilde;o em regra    ainda mais fracos. </p>      <p>Ali&aacute;s, considerando em particular as taxas de escolariza&ccedil;&atilde;o    no ensino superior, o posicionamento relativo destes dois &uacute;ltimos segmentos    da popula&ccedil;&atilde;o adulta (desempregados e inactivos) regista enorme    regularidade: a &uacute;nica excep&ccedil;&atilde;o surge na Su&eacute;cia,    suscitando, como em tantos outros casos, possibilidades de focagem anal&iacute;tica    de grande interesse, mas que est&atilde;o aqui, como &eacute; &oacute;bvio,    fora de alcance e de oportunidade. </p>      <p>Note-se apenas, quanto a Portugal, que a grande diferen&ccedil;a, nas percentagens    relativas ao ensino superior, se manifesta entre os empregados e todos os restantes,    aparecendo a popula&ccedil;&atilde;o desempregada com perfil semelhante ao da    popula&ccedil;&atilde;o inactiva. Quanto &agrave;s percentagens relativas ao    ensino secund&aacute;rio, as maiores proximidades s&atilde;o, pelo contr&aacute;rio,    entre empregados e desempregados — o que aponta quer para clivagens de exclus&atilde;o    dif&iacute;ceis de superar, quer para fluxos de circula&ccedil;&atilde;o tendencialmente    facilitados, consoante o posicionamento nas distribui&ccedil;&otilde;es desiguais    de recursos escolares. </p> <B>       <p>&nbsp;</p>     <p>Conclus&atilde;o</p> </B>       <p>A discuss&atilde;o a que aqui se procedeu, centrada na an&aacute;lise das tend&ecirc;ncias    actuais de reconfigura&ccedil;&atilde;o das estruturas de classes na Uni&atilde;o    Europeia, n&atilde;o p&ocirc;de deixar de aflorar, se bem que apenas de passagem,    um certo n&uacute;mero de quest&otilde;es de ordem geral, hoje em dia relevantes    no &acirc;mbito da sociologia das classes sociais e da estratifica&ccedil;&atilde;o.    Em especial, foi necess&aacute;rio fazer refer&ecirc;ncia &agrave; quest&atilde;o    substantiva da globaliza&ccedil;&atilde;o, &agrave; quest&atilde;o te&oacute;rica    do alcance actual da an&aacute;lise de classes, &agrave; quest&atilde;o metodol&oacute;gica    das unidades de an&aacute;lise pertinentes, &agrave; quest&atilde;o operat&oacute;ria    das tipologias classificat&oacute;rias e dos indicadores, &agrave; quest&atilde;o    t&eacute;cnica das fontes de informa&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Quanto ao objecto de investiga&ccedil;&atilde;o propriamente dito, muitos indicadores    adicionais poderiam ser convocados para uma abordagem mais completa dos temas    a que se reporta. Seria evidentemente muito interessante faz&ecirc;-lo, quer    no sentido da elucida&ccedil;&atilde;o mais fina dos aspectos atr&aacute;s examinados    das rela&ccedil;&otilde;es de classe, quer no da incorpora&ccedil;&atilde;o    na an&aacute;lise de outros aspectos, n&atilde;o menos importantes, incidindo    sobre fen&oacute;menos sociais presentemente relevantes, mas n&atilde;o tratados    neste texto, ou nele apenas aflorados. Entre estes podem destacar-se, a t&iacute;tulo    ilustrativo, aspectos como os da exclus&atilde;o social e do exacerbamento da    competi&ccedil;&atilde;o, da intensifica&ccedil;&atilde;o cognitiva e das conex&otilde;es    em rede, das homogeneiza&ccedil;&otilde;es e fragmenta&ccedil;&otilde;es concomitantes    dos estilos de vida, do cosmopolitismo e do fundamentalismo nas suas formas    actuais. </p>      <p>Ter&aacute; sido poss&iacute;vel, por&eacute;m, clarificar o que se colocava    aqui como quest&atilde;o principal. Em contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o,    h&aacute; tend&ecirc;ncias de estrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de classe que se configuram de maneira largamente transnacional, em particular    a n&iacute;vel de espa&ccedil;os sociais alargados em crescente integra&ccedil;&atilde;o,    como &eacute; o caso da Uni&atilde;o Europeia (Bradshaw e Wallace, 1996; Waters,    1999). No entanto, em simult&acirc;neo, as sociedades nacionais-estatais est&atilde;o    longe de se ter dilu&iacute;do, mesmo neste espa&ccedil;o integrado. As configura&ccedil;&otilde;es    institucionais, os modos de regula&ccedil;&atilde;o estatal, os tecidos econ&oacute;micos    e os padr&otilde;es socioculturais, nas suas especificidades nacionais, produzem    tamb&eacute;m efeitos decisivos nessa estrutura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    de classe. </p>      <p>A persist&ecirc;ncia e o peso destes &uacute;ltimos factores, muitas vezes    descartados com excessiva ligeireza da an&aacute;lise desde que a globaliza&ccedil;&atilde;o    entrou na ordem do dia cient&iacute;fica e medi&aacute;tica, t&ecirc;m sido,    ali&aacute;s, objecto de importantes contributos recentes, no &acirc;mbito das    ci&ecirc;ncias sociais, como, por exemplo, os de Mozzicafreddo (1997), Smith    (1995, 1999), Esping-Andersen (1999), Ferrara, Hemerijck e Rhodes (2000). Tais    contributos, embora desenvolvidos segundo perspectivas variadas, convergem na    evidencia&ccedil;&atilde;o do referido tipo de efeitos. Estes, por sua vez,    n&atilde;o se concretizam ao abrigo dos processos de globaliza&ccedil;&atilde;o,    mas em m&uacute;ltiplas modalidades de interliga&ccedil;&atilde;o com eles,    cuja an&aacute;lise aprofundada e sistem&aacute;tica apenas se come&ccedil;a    a esbo&ccedil;ar. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trabalhando os indicadores referidos com base nos principais recursos te&oacute;ricos    e operat&oacute;rios que t&ecirc;m vindo a ser desenvolvidos pela sociologia    das classes sociais e da estratifica&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea, e    procurando elaborar de maneira cuidadosa a informa&ccedil;&atilde;o capt&aacute;vel    atrav&eacute;s deles, foi poss&iacute;vel lan&ccedil;ar alguma luz sobre como,    na Uni&atilde;o Europeia, se articulam duas vertentes fundamentais da forma&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es de classe: a constitui&ccedil;&atilde;o de "lugares    de classe", na medida sobretudo em que ela est&aacute; ligada a din&acirc;micas    estruturantes do tecido econ&oacute;mico-organizacional, e a constitui&ccedil;&atilde;o    de "classes de agentes", cada vez mais tribut&aacute;ria dos sistemas de educa&ccedil;&atilde;o/forma&ccedil;&atilde;o.  </p>      <p>Ambos os processos, sem deixarem de comportar l&oacute;gicas sociais espec&iacute;ficas,    est&atilde;o, como se viu, profundamente interligados, confluindo designadamente    nas recomposi&ccedil;&otilde;es das categorias socioprofissionais. Sublinhe-se,    todavia, que nestas recomposi&ccedil;&otilde;es interv&ecirc;m tamb&eacute;m    outros factores, aqui n&atilde;o directamente analisados, relativos &agrave;s    l&oacute;gicas sociopol&iacute;ticas da ac&ccedil;&atilde;o colectiva e &agrave;s    l&oacute;gicas simb&oacute;licas das classifica&ccedil;&otilde;es sociais. </p>      <p>Que ajustamentos e desajustamentos se verificam entre aqueles processos? De    momento, a an&aacute;lise realizada chama sobretudo a aten&ccedil;&atilde;o    para que as din&acirc;micas observ&aacute;veis na Uni&atilde;o Europeia s&atilde;o    de car&aacute;cter fortemente transnacional no que respeita &agrave;s reconfigura&ccedil;&otilde;es    estruturais dos "lugares de classe", e mais dependentes dos quadros de regula&ccedil;&atilde;o    nacionais-estatais quanto &agrave;s recomposi&ccedil;&otilde;es sociais associadas    &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de "classes de agentes" — para usar um par terminol&oacute;gico    que peca por formalismo mas tem a virtude da concis&atilde;o. Seria evidentemente    redutor isolar os planos e descurar as imbrica&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas.    Al&eacute;m de que se trata, como &eacute; sempre verdade, de processos em aberto,    sujeitos a tens&otilde;es fortes e a possibilidades de mudan&ccedil;a significativa    em intervalos de tempo relativamente curtos. A an&aacute;lise sociol&oacute;gica    respectiva est&aacute;, a este prop&oacute;sito, a dar os primeiros passos.  </p> <B>       <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Notas</p> </B>       <p><A NAME="nota1"></A><a href="#top1">1</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O presente    artigo resulta do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o "A moderniza&ccedil;&atilde;o    das estruturas sociais", coordenado por Jo&atilde;o Ferreira de Almeida, realizado    por uma equipa do CIES e apoiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia    e a Tecnologia (programa Praxis XXI). Uma primeira an&aacute;lise da informa&ccedil;&atilde;o    emp&iacute;rica aqui apresentada foi objecto da comunica&ccedil;&atilde;o de    Jo&atilde;o Ferreira de Almeida, "Duas fotografias comparadas", ao 4º Congresso    Portugu&ecirc;s de Sociologia (APS, Coimbra, Abril de 2000). </p>      <p><A NAME="nota2"></A><a href="#top2">2</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para uma especifica&ccedil;&atilde;o    pormenorizada do modo de constru&ccedil;&atilde;o deste indicador, e de outros    relacionados, pode consultar-se Costa (1999: 226-245). </p>      <p><A NAME="nota3"></A><a href="#top3">3</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ali&aacute;s    outros autores com contributos recentes na &aacute;rea, sem aderirem ponto por    ponto a estas propostas nem referirem expressamente os trabalhos aqui mencionados,    acabam, eventualmente por influ&ecirc;ncia delas, por apresentar e utilizar    tipologias classificat&oacute;rias muito pr&oacute;ximas (Cabral, 1998). </p>      <p><A NAME="nota4"></A><a href="#top4">4</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No caso da    Alemanha a compara&ccedil;&atilde;o diacr&oacute;nica &eacute; menos precisa,    uma vez que os dados de 1986 referem-se apenas &agrave; antiga Alemanha ocidental    e os de 1997 &agrave; Alemanha unificada. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota5"></A><a href="#top5">5</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N&atilde;o    se incluem aqui os profissionais liberais de qualifica&ccedil;&atilde;o, rendimento    e <I>status</I> elevados, exercendo actividade por conta pr&oacute;pria, considerados    parte da categoria "empres&aacute;rios, dirigentes e profissionais liberais",    atr&aacute;s analisada. </p>      <p><A NAME="nota6"></A><a href="#top6">6</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os valores    de desemprego referidos no <a href="#qd4">quadro 4</a> s&atilde;o as percentagens    de desempregados no total da popula&ccedil;&atilde;o dos 15 aos 64 anos e n&atilde;o    as taxas de desemprego, como habitualmente consideradas, as quais se calculam    como percentagens de desempregados por rela&ccedil;&atilde;o apenas &agrave;    popula&ccedil;&atilde;o activa. O indicador aqui utilizado tem, nas compara&ccedil;&otilde;es    internacionais, a vantagem anal&iacute;tica de n&atilde;o depender da taxa de    actividade, ela pr&oacute;pria bastante vari&aacute;vel de pa&iacute;s para    pa&iacute;s, e a vantagem operat&oacute;ria de, combinado com as taxas de actividade    (<a href="#qd1">quadro 1</a>), permitir reconstituir directamente a decomposi&ccedil;&atilde;o    da popula&ccedil;&atilde;o nos tr&ecirc;s subconjuntos de empregados, desempregados    e inactivos. Tem tamb&eacute;m desvantagens, mas s&atilde;o provavelmente cada    vez menos importantes, &agrave; medida que as fronteiras entre popula&ccedil;&atilde;o    activa e inactiva v&atilde;o ficando menos r&iacute;gidas. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <B>       <p>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</p> </B>       <!-- ref --><p>Almeida, Ana Nunes de (1993), <I>A F&aacute;brica e a Fam&iacute;lia: Fam&iacute;lias    Oper&aacute;rias no Barreiro</I>, Barreiro, C&acirc;mara Municipal do Barreiro.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0873-6529200000030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Almeida, Ana Nunes de, Maria das Dores Guerreiro, Cristina Lobo, An&aacute;lia    Torres, e Karin Wall (1998), "Rela&ccedil;&otilde;es familiares: mudan&ccedil;a    e diversidade", em Jos&eacute; Manuel Leite Viegas e Ant&oacute;nio Firmino    da Costa (orgs.), <I>Portugal, que Modernidade?</I>, Oeiras, Celta Editora.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0873-6529200000030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Almeida, Jo&atilde;o Ferreira de (1986), <I>Classes Sociais nos Campos: Camponeses    Parciais numa Regi&atilde;o do Noroeste</I>, Lisboa, Instituto de Ci&ecirc;ncias    Sociais da Universidade de Lisboa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0873-6529200000030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Almeida, Jo&atilde;o Ferreira de, Ant&oacute;nio Firmino da Costa e Fernando    Lu&iacute;s Machado (1988), "Fam&iacute;lias, estudantes e universidade: pain&eacute;is    de observa&ccedil;&atilde;o sociogr&aacute;fica", <I>Sociologia, Problemas e    Pr&aacute;ticas</I>, 4. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0873-6529200000030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Almeida, Jo&atilde;o Ferreira de, Ant&oacute;nio Firmino da Costa e Fernando    Lu&iacute;s Machado (1994), "Recomposi&ccedil;&atilde;o socioprofissional e    novos protagonismos", em Ant&oacute;nio Reis (org.), <I>Portugal, 20 Anos de    Democracia</I>, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0873-6529200000030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Almeida, Jo&atilde;o Ferreira de, Lu&iacute;s Capucha, Ant&oacute;nio Firmino    da Costa, Fernando Lu&iacute;s Machado e An&aacute;lia Torres (2000), "A sociedade",    em Ant&oacute;nio Reis (org.), <I>Portugal, Anos 2000: Retrato de um Pa&iacute;s    em Mudan&ccedil;a</I>, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores e Comissariado de    Portugal para a Expo 2000 Han&ocirc;ver. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0873-6529200000030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baganha, Maria Ioannis e Jo&atilde;o Peixoto (1997), "Trends in the 90’s: the    Portuguese migratory experience", em Maria Ioannis Baganha (org.), <I>Immigration    in Southern Europe</I>, Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0873-6529200000030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Benavente, Ana, Alexandre Rosa, Ant&oacute;nio Firmino da Costa e Patr&iacute;cia    &Aacute;vila (1996), <I>A&nbsp;Literacia em Portugal: Resultados de uma Pesquisa    Extensiva e Monogr&aacute;fica</I>, Lisboa, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste    Gulbenkian. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0873-6529200000030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Boltanski, Luc e &Egrave;ve Chiapello (1999), <I>Le Nouvel Esprit du Capitalisme</I>,    Paris, Gallimard. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0873-6529200000030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bourdieu, Pierre (1994, 1997), "Espa&ccedil;o social e espa&ccedil;o simb&oacute;lico",    em Pierre Bourdieu, <I>Raz&otilde;es Pr&aacute;ticas: Sobre a Teoria da Ac&ccedil;&atilde;o</I>,    Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0873-6529200000030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bradshaw, York W. e Michael Wallace (1996), <I>Global Inequalities</I>, Thousand    Oaks (Cal.), Pine Forge Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0873-6529200000030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Breen, Richard e David B. Rottman (1998), "Is the national state the appropriate    geographical unit for class analysis?", <I>Sociology</I>, 32 (1). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0873-6529200000030000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cabral, Manuel Villaverde (1998), "Mobilidade social e atitudes de classe em    Portugal", <I>An&aacute;lise Social</I>, 146/147. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0873-6529200000030000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Castells, Manuel (1996), <I>The Rise of the Network Society</I> <I>(The Information    Age: Economy, Society and Culture</I>, I), Malden (Mass.), Blackwell. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0873-6529200000030000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Castells, Manuel (1997), <I>The Power of Identity</I> <I>(The Information Age:    Economy, Society and Culture</I>, II), Malden (Mass.), Blackwell. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0873-6529200000030000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Castells, Manuel (1998), <I>End of Millenium (The Information Age: Economy,    Society and Culture</I>, III), Malden (Mass.), Blackwell. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0873-6529200000030000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Costa, Ant&oacute;nio Firmino da (1987), "Novos contributos para velhas quest&otilde;es    da teoria das classes sociais", <I>An&aacute;lise Social</I>, 98. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0873-6529200000030000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Costa, Ant&oacute;nio Firmino da (1999), <I>Sociedade de Bairro: Din&acirc;micas    Sociais da Identidade Cultural</I>, Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0873-6529200000030000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Costa, Ant&oacute;nio Firmino da, Fernando Lu&iacute;s Machado e Jo&atilde;o    Ferreira de Almeida (1990), "Estudantes e amigos: traject&oacute;rias de classe    e redes de sociabilidade", <I>An&aacute;lise Social</I>, 105/106. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0873-6529200000030000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Eder, Klaus (1993), <I>The New Politics of Class: Social Movements and Cultural    Dynamics in Advanced Societies</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0873-6529200000030000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Erikson, Robert e John H. Goldthorpe (1993), <I>The Constant Flux: A Study    of Class Mobility in Industrial Societies</I>, Oxford, Clarendon Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0873-6529200000030000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Esping-Andersen, Gosta (org.) (1993), <I>Changing Classes: Stratification and    Mobility in Post-Industrial Societies</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0873-6529200000030000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Esping-Andersen, Gosta (1999), <I>Social Foundations of Postindustrial Economies</I>,    Oxford, Oxford University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0873-6529200000030000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Estanque, El&iacute;sio (2000), <I>Entre a F&aacute;brica e a Comunidade: Subjectividades    e Pr&aacute;ticas de Classe no Operariado do Cal&ccedil;ado</I>, Porto, Afrontamento.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0873-6529200000030000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ferr&atilde;o, Jo&atilde;o (1982), "Evolu&ccedil;&atilde;o e estrutura regional    das classes sociais em Portugal (1960-70)", <I>Finisterra</I>, 34. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0873-6529200000030000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ferr&atilde;o, Jo&atilde;o (1985), "Recomposi&ccedil;&atilde;o social e estruturas    regionais de classes (1970-1981)", <I>An&aacute;lise Social</I>, 87/88/89. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000223&pid=S0873-6529200000030000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ferrera, Maurizio, Anton Hemerijck e Martin Rhodes (2000), <I>The Future of    Social Europe: Recasting Work and Welfare in the New Economy</I>, Oeiras, Celta    Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0873-6529200000030000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Freire, Jo&atilde;o (1995), <I>O Trabalho Independente em Portugal</I>, Lisboa,    CIES/ISCTE. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0873-6529200000030000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gr&aacute;cio, Rui (1997), <I>Din&acirc;micas da Escolariza&ccedil;&atilde;o    e das Oportunidades Individuais</I>, Lisboa, Educa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0873-6529200000030000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Grupo de Lisboa (1994), <I>Limites &agrave; Competi&ccedil;&atilde;o</I>, Mem    Martins, Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0873-6529200000030000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lee, David J. e Bryan S. Turner (orgs.) (1996), <I>Conflicts About Class: Debating    Inequality in Late Industrialism</I>, Harlow (UK), Longman. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0873-6529200000030000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Levy, Ren&eacute;, Dominique Joye, Olivier Guye e Vincent Kaufmann (1997),    <I>Tous &Eacute;gaux? De la Stratification aux Repr&eacute;sentations</I>, Zurique,    &Eacute;ditions Seismo. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0873-6529200000030000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lewis, Suzan, Janet Smithson, Julia Brannen, Maria das Dores Guerreiro, Clarissa    Kugelberg, Ann Nilsen e Pat O’Connor (1999), <I>Futuros em Suspenso: Jovens    Europeus Falam Acerca da Concilia&ccedil;&atilde;o entre Trabalho e Fam&iacute;lia</I>,    Lisboa, ISCTE/Comiss&atilde;o Europeia (DGV). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0873-6529200000030000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lipset, Seymour Martin e Hans L. Zetterberg (1956, 1967), "A theory of social    mobility", em Reinhard Bendix e Seymour Martin Lipset (orgs.), <I>Class, Status,    and Power: Social Stratification in Comparative Perspective</I>, Londres, Routledge    and Kegan Paul (2.ª edi&ccedil;&atilde;o). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000231&pid=S0873-6529200000030000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, Fernando Lu&iacute;s (1997), "Contornos e especificidades da imigra&ccedil;&atilde;o    em Portugal", <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, 24. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0873-6529200000030000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, Fernando Lu&iacute;s (1998), "Da Guin&eacute;-Bissau a Portugal: luso-guineenses    e imigrantes", <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, 26. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000233&pid=S0873-6529200000030000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, Fernando Lu&iacute;s (1999), "Imigrantes e estrutura social", <I>Sociologia,    Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, 29. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000234&pid=S0873-6529200000030000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, Fernando Lu&iacute;s, Ant&oacute;nio Firmino da Costa e Jo&atilde;o    Ferreira de Almeida (1989), "Identidades e orienta&ccedil;&otilde;es dos estudantes:    classes, converg&ecirc;ncias, especificidades", <I>Revista Cr&iacute;tica de    Ci&ecirc;ncias Sociais</I>, 27/28. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000235&pid=S0873-6529200000030000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, Fernando Lu&iacute;s, Patr&iacute;cia &Aacute;vila e Ant&oacute;nio    Firmino da Costa (1995), "Origens sociais e estratifica&ccedil;&atilde;o dos    cientistas", em Jorge Correia Jesu&iacute;no e outros, <I>A Comunidade Cient&iacute;fica    Portuguesa nos Finais do S&eacute;culo XX</I>, Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000236&pid=S0873-6529200000030000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, Fernando Lu&iacute;s e Ant&oacute;nio Firmino da Costa (1998), "Processos    de uma modernidade inacabada: mudan&ccedil;as estruturais e mobilidade social",    em Jos&eacute; Manuel Leite Viegas e Ant&oacute;nio Firmino da Costa (orgs.),    <I>Portugal, que Modernidade?</I>, Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000237&pid=S0873-6529200000030000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marshall, Gordon (1997), <I>Repositioning Class: Social Inequality in Industrial    Societies</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000238&pid=S0873-6529200000030000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marx, Karl (1867, 1977), <I>Le Capital: Critique de L’&Eacute;conomie Politique    (Livre Premier: Le D&eacute;veloppement de la Production Capitaliste)</I>, Paris,    &Eacute;ditons Sociales. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000239&pid=S0873-6529200000030000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marx, Karl e Friedrich Engels (1848, 1969), <I>Manifesto of the Communist Party</I>,    em Lewis S. Feuer (org.), <I>Marx and Engels: Basic Writings on Politics and    Philosophy</I>, Douglas (Isle of Man), Fontana. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000240&pid=S0873-6529200000030000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mayer, Kurt B. (1964, 1967), "Social stratification in two equalitarian societies:    Australia and the United States", em Reinhard Bendix e Seymour Martin Lipset    (orgs.), <I>Class, Status, and Power: Social Stratification in Comparative Perspective</I>,    Londres, Routledge and Kegan Paul (2.ª edi&ccedil;&atilde;o). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000241&pid=S0873-6529200000030000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Milner, Andrew (1999), <I>Class</I>, Londres, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000242&pid=S0873-6529200000030000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mozzicafreddo, Juan (1997), <I>Estado-Provid&ecirc;ncia e Cidadania em Portugal</I>,    Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000243&pid=S0873-6529200000030000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pereira, Virg&iacute;lio Borges (1999), <I>Os Vincados Padr&otilde;es do Tecido    Social: Uma An&aacute;lise das Viv&ecirc;ncias Quotidianas de uma Freguesia    Industrializada do Vale do Ave</I>, Porto, Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000244&pid=S0873-6529200000030000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peixoto, Jo&atilde;o (1999), "A emigra&ccedil;&atilde;o", em Francisco Bethencourt    e Kirti Chaudhuri (orgs.), <I>Hist&oacute;ria da Expans&atilde;o Portuguesa</I>,    V, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000245&pid=S0873-6529200000030000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peixoto, Jo&atilde;o (1999), <I>A Mobilidade Internacional dos Quadros: Migra&ccedil;&otilde;es    Internacionais, Quadros e Empresas Transnacionais em Portugal</I>, Oeiras, Celta    Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000246&pid=S0873-6529200000030000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pinto, Jos&eacute; Madureira (1985), <I>Estruturas Sociais e Pr&aacute;ticas    Simb&oacute;lico-Ideol&oacute;gicas nos Campos: Elementos de Teoria e de Pesquisa    Emp&iacute;rica</I>, Porto, Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000247&pid=S0873-6529200000030000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pinto, Jos&eacute; Madureira (2000), "Flexibilidade, seguran&ccedil;a e identidades    s&oacute;cio-profissionais", <I>Cadernos de Ci&ecirc;ncias Sociais</I>, 19/20.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000248&pid=S0873-6529200000030000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pires, Rui Pena (1999), "A imigra&ccedil;&atilde;o", em Francisco Bethencourt    e Kirti Chaudhuri (orgs.), <I>Hist&oacute;ria da Expans&atilde;o Portuguesa</I>,    Volume V, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000249&pid=S0873-6529200000030000200052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>PNUD (2000), <I>Relat&oacute;rio do Desenvolvimento Humano</I>, Lisboa, Trinova.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000250&pid=S0873-6529200000030000200053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Portes, Alejandro (1999), <I>Migra&ccedil;&otilde;es Internacionais: Origens,    Tipos e Modos de Incorpora&ccedil;&atilde;o</I>, Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000251&pid=S0873-6529200000030000200054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Queiroz, Maria Cid&aacute;lia (1999), <I>Trabalho e Trabalhadores na Constru&ccedil;&atilde;o    Civil: Contributos para a An&aacute;lise dos Lugares e das Identidades de Classe</I>    (tese de doutoramento), Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000252&pid=S0873-6529200000030000200055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Reich, Robert B. (1991, 1993), <I>O Trabalho das Na&ccedil;&otilde;es</I>,    Lisboa, Quetzal. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000253&pid=S0873-6529200000030000200056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Scott, John (1996), <I>Stratification and Power: Structures of Class, Status    and Command</I>, Cambridge, Polity Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000254&pid=S0873-6529200000030000200057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silva, Augusto Santos (1994), <I>Tempos Cruzados: Um Estudo Interpretativo    da Cultura Popular</I>, Porto, Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000255&pid=S0873-6529200000030000200058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silva, Manuel Carlos (1998), <I>Resistir e Adaptar-se: Constrangimentos e Estrat&eacute;gias    Camponesas no Noroeste de Portugal</I>, Porto, Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000256&pid=S0873-6529200000030000200059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Smith, Anthony D. (1995, 1999), <I>Na&ccedil;&otilde;es e Nacionalismo numa    Era Global</I>, Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000257&pid=S0873-6529200000030000200060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Waters, Malcolm (1995, 1999), <I>Globaliza&ccedil;&atilde;o</I>, Oeiras, Celta    Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000258&pid=S0873-6529200000030000200061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Weber, Max (1922, 1978), <I>Economy and Society</I> (2 vols.), Berkeley, University    of California Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000259&pid=S0873-6529200000030000200062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wright, Erik Olin (1997), <I>Class Counts: Comparative Studies in Class Analysis</I>,    Cambridge, Cambridge University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000260&pid=S0873-6529200000030000200063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="back"></a><a href="#top"><sup>*</sup></a>Ant&oacute;nio Firmino da    Costa, Fernando Lu&iacute;s Machado e Jo&atilde;o Ferreira de Almeida s&atilde;o    soci&oacute;logos, professores do ISCTE e investigadores do CIES. Ros&aacute;rio    Mauritti e&nbsp;Susana Martins s&atilde;o soci&oacute;logas e investigadoras    do CIES. Contactos por <I>e-mail</I>: <A HREF="mailto:antonio.costa@iscte.pt">antonio.costa@iscte.pt</A>;    <A HREF="mailto:fernando.machado@iscte.pt">fernando.machado@iscte.pt</A>; <A HREF="mailto:ferreira.almeida@iscte.pt">ferreira.almeida@iscte.pt</A>;    <A HREF="mailto:rosario.mauritti@iscte.pt">rosario.mauritti@iscte.pt</A>; <A HREF="mailto:susana.martins@iscte.pt%20%0A%0A">susana.martins@iscte.pt    </A></p>       ]]></body><back>
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