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<journal-title><![CDATA[Sociologia, Problemas e Práticas]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Em busca de um lugar no mapa: reflexões sobre políticas culturais em cidades de pequena dimensão]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[políticas culturais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  <B>      <p><a name="top"></a>EM BUSCA DE UM LUGAR NO MAPA</p> </B> <B>      <p>Reflex&otilde;es sobre pol&iacute;ticas culturais em cidades de pequena dimens&atilde;o</p> </B><I>      <p>Jo&atilde;o Teixeira Lopes<a href="#back"><sup>*</sup></a></p> </I>     <p>&nbsp;</p>    <p><u>Resumo</u> Pretende-se, neste artigo, analisar as <I>condi&ccedil;&otilde;es</I>    em que emergem e se estruturam as pol&iacute;ticas culturais das cidades de    pequena dimens&atilde;o, num contexto em que a esfera cultural e simb&oacute;lica    adquire um papel relevante nas estrat&eacute;gias de competi&ccedil;&atilde;o    que animam os sistemas e hierarquias urbanos. Discute-se, igualmente, o papel    do poder local, sugerem-se vias alternativas, ponderam-se vantagens e desvantagens    da pequena escala e defende-se um forte impulso &agrave; cria&ccedil;&atilde;o    de condi&ccedil;&otilde;es de viabilidade das esferas p&uacute;blicas locais.  </p>      <p><u>Palavras-chave</u> Urbano; territ&oacute;rio; pol&iacute;ticas culturais.  </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <B>      <p>Pre&acirc;mbulo</p> </B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="top1"></a>Ao falarmos de pol&iacute;ticas culturais ou da import&acirc;ncia    do sector cultural na dinamiza&ccedil;&atilde;o de novas estrat&eacute;gias    de desenvolvimento para as cidades de pequena dimens&atilde;o, somos levados    a real&ccedil;ar a crescente centralidade dessas actividades nas pol&iacute;ticas    urban&iacute;sticas de "terceira gera&ccedil;&atilde;o", onde se valoriza, antes    de mais, o terci&aacute;rio de "forte valor estrat&eacute;gico" e as transforma&ccedil;&otilde;es    qualitativas operadas num conjunto de dom&iacute;nios de forte carga simb&oacute;lica.<A HREF="#nota1"><SUP>1</SUP></A>  </p>      <p><a name="top2"></a>Ali&aacute;s, num contexto de fort&iacute;ssima competi&ccedil;&atilde;o    entre cidades, o investimento na imagem de cidade ganha contornos decisivos    enquanto vantagem comparativa. As actividades culturais, n&atilde;o o esque&ccedil;amos,    podem "colocar no mapa" territ&oacute;rios esquecidos ou marginais, conferindo-lhes    um dinamismo capaz de os inserir no "territ&oacute;rio-rede" de subsistemas    urbanos em interac&ccedil;&atilde;o.<A HREF="#nota2"><SUP>2</SUP></A> </p>      <p>As novas pol&iacute;ticas urbanas t&ecirc;m vindo, pelo acumular de estudos    de caso, a rejeitar fatalismos anteriormente tidos como insuper&aacute;veis.    <a name="top3"></a>De facto, n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o existe uma identifica&ccedil;&atilde;o    autom&aacute;tica entre dimens&atilde;o populacional e dinamismo demogr&aacute;fico    e socioecon&oacute;mico, como a posi&ccedil;&atilde;o ocupada na hierarquia    do sistema urbano n&atilde;o corresponde, necessariamente, ao potencial de um    centro urbano.<A HREF="#nota3"><SUP>3</SUP></A> </p>      <p>Claro que h&aacute; dificuldades que n&atilde;o se podem escamotear. Desde    logo, a exist&ecirc;ncia de patamares m&iacute;nimos, quer do ponto de vista    demogr&aacute;fico (com especial incid&ecirc;ncia na capacidade de se formarem    audi&ecirc;ncias que legitimem, pelo lado dos poderes p&uacute;blicos, a introdu&ccedil;&atilde;o    de uma l&oacute;gica de mercado assistido ou, pelo lado dos privados, de rentabilidade),    quer do ponto de vista de infra-estruturas (equipamentos, espa&ccedil;os…),    quer de recursos humanos qualificados, quer, ainda, de recursos financeiros.  </p>      <p>No entanto, as actividades culturais est&atilde;o cada vez mais a desterritorializarem-se,    diluindo aos poucos a polariza&ccedil;&atilde;o exercida pelos grandes centros    urbanos. Ali&aacute;s, muitas das subfileiras inovadoras do campo cultural movimentam-se,    precisamente, no dom&iacute;nio das novas tecnologias da comunica&ccedil;&atilde;o,    de suporte electr&oacute;nico (o caso do multim&eacute;dia, em franca expans&atilde;o),    o que faz diminuir significativamente o impacto de contextos f&iacute;sicos    e territoriais espec&iacute;ficos. Por outro lado, as cidades de pequena dimens&atilde;o    que forem capazes de integrar a estrutura reticular do sistema urbano portugu&ecirc;s    encontrar&atilde;o certamente oportunidades de, mediante um <I>marketing territorial</I>    audaz e coerente, fazer passar a mensagem do seu investimento nos "mundos da    cultura", atraindo audi&ecirc;ncias e recursos ex&oacute;genos. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>O campo cultural como detonador de processos de desenvolvimento local</p> </B>      <p>Para algumas cidades de pequena dimens&atilde;o, a estrutura&ccedil;&atilde;o    de um campo cultural activo pode ser o elemento <I>decisivo </I>de uma estrat&eacute;gia    de desenvolvimento que n&atilde;o se limite &agrave; vis&atilde;o aut&aacute;rcica    do paradigma end&oacute;geno. De facto, ao contr&aacute;rio das vis&otilde;es    fatalistas de uma globaliza&ccedil;&atilde;o que apenas uniformiza em fun&ccedil;&atilde;o    dos interesses econ&oacute;micos dos centros dominantes (e que, para tal, constr&oacute;i    um megadiscurso hom&oacute;logo de legitima&ccedil;&atilde;o cultural e simb&oacute;lica,    difundido &agrave; mais larga escala), <a name="top4"></a>acreditamos na possibilidade    de cruzamentos e interpenetra&ccedil;&otilde;es resultantes de movimentos de    diversifica&ccedil;&atilde;o territorial e cultural.<A HREF="#nota4"><SUP>4</SUP></A>    Entre um modelo que reifica a perspectiva de "um centro que fala e periferias    que escutam", e um outro que se traduz por "v&aacute;rios centros e periferias    em di&aacute;logo", <a name="top5"></a>preferimos este &uacute;ltimo, ainda    que cientes das condi&ccedil;&otilde;es extremamente desiguais em que tal di&aacute;logo,    com dificuldade, se processa.<A HREF="#nota5"><SUP>5</SUP></A> &Eacute; poss&iacute;vel,    nos dias que correm, "furar" a hierarquia dos sistemas urbanos e estabelecer    parcerias estrat&eacute;gicas com agentes e institui&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricos    de outros pa&iacute;ses, criando redes de itiner&acirc;ncia de produ&ccedil;&otilde;es    culturais (espect&aacute;culos, exposi&ccedil;&otilde;es…), promovendo o interc&acirc;mbio    de criadores e t&eacute;cnicos e organizando, em momentos excepcionais, grandes    festivais culturais que, n&atilde;o raramente, ganham projec&ccedil;&atilde;o    regional ou mesmo nacional. </p>      <p>N&atilde;o ignoramos, no entanto, como refere Pedro Costa, que a pequena escala    se torna um pesado obst&aacute;culo quando os campos culturais, e em particular    a esfera da cria&ccedil;&atilde;o/produ&ccedil;&atilde;o, dependem das <a name="top6"></a>"condi&ccedil;&otilde;es    locativas e tecnol&oacute;gicas (acesso aos meios de produ&ccedil;&atilde;o    e <I>inputs </I>requeridos e a recursos humanos qualificados)".<A HREF="#nota6"><SUP>6</SUP></A>    Ainda assim, h&aacute; actividades, como anteriormente referimos, que desprezam    as inser&ccedil;&otilde;es territoriais, descentralizando-se ou desterritorializando-se.    As pequenas cidades podem estruturar os seus campos culturais em fun&ccedil;&atilde;o    de uma ou outra especificidade que, sendo competitiva, contribuir&aacute; para    a localiza&ccedil;&atilde;o de infra-estruturas, equipamentos e recursos, mesmo    que se alimente de uma procura parcialmente externa. Dito de outro modo, poder&atilde;o    constituir pequenos meios inovadores altamente atractivos para segmentos, ainda    que relativamente restritos, dos mundos da cultura. </p>      <p><a name="top7"></a>Al&eacute;m do mais, a pequena escala tem uma vantagem adicional,    ao permitir redes de comunica&ccedil;&atilde;o informais, flex&iacute;veis e    &aacute;geis, desburocratizando processos de decis&atilde;o e densificando os    contactos entre os agentes culturais, tornando o seu trabalho mais colectivo,    tend&ecirc;ncia que caracteriza crescentemente os "mundos da arte".<A HREF="#nota7"><SUP>7</SUP></A>  </p> <B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O poder local e os campos culturais</p> </B>       <p>O poder local desempenha um papel preponderante, enquanto elemento animador    e regulador dos processos de mudan&ccedil;a. Cabe-lhe, antes de mais, assumir    as responsabilidades de servi&ccedil;o p&uacute;blico da cultura, criando as    condi&ccedil;&otilde;es de um mercado assistido de base local. Mas, para al&eacute;m    disso, as autarquias s&atilde;o as entidades privilegiadas para organizarem    e gerirem o "jogo" local de rela&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, a rede de    agentes directa ou indirectamente envolvidos, os seus interesses e os seus conflitos.  </p>      <p>As cidades de pequena dimens&atilde;o carregam consigo uma caracter&iacute;stica    de efeitos ambivalentes. A sua dimens&atilde;o demogr&aacute;fica, favor&aacute;vel    ao interconhecimento, permite tanto arranjos e concerta&ccedil;&otilde;es felizes    em torno da defini&ccedil;&atilde;o de uma identidade local e de projectos estruturantes,    como conflitos dificilmente san&aacute;veis entre agentes e institui&ccedil;&otilde;es    que lutam por palcos de protagonismo e pelo monop&oacute;lio de recursos escassos.    De igual modo, o forte intervencionismo do poder local, legitimado, em boa parte,    pela debilidade da sociedade civil ou pela exiguidade do sector privado implicado    na produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o culturais, cria redes    clientelares e mesmo efeitos perversos de imposi&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria    de segmentos particulares de gosto. <a name="top8"></a>N&atilde;o raras vezes,    a pol&iacute;tica cultural da autarquia, reflectindo o <I>presidencialismo municipalista</I>,    &eacute; o reflexo pouco subtil do gosto do seu respons&aacute;vel m&aacute;ximo.<A HREF="#nota8"><SUP>8</SUP></A>  </p>      <p>Um estudo de caso, tendo por unidade de observa&ccedil;&atilde;o a cidade de    Mirandela, mostra como a relativa paralisia do sector associativo e a inexist&ecirc;ncia    de pequenas empresas, ou mesmo de cooperativas ou grupos informais ligados &agrave;    produ&ccedil;&atilde;o cultural, concentra a actividade cultural numa tr&iacute;ade    omnipresente — a C&acirc;mara Municipal, o Centro Cultural (edif&iacute;cio    polivalente, administrado pela autarquia e onde est&atilde;o sediados um pequeno    audit&oacute;rio, a biblioteca e o museu municipais) e a <a name="top9" id="top9"></a>Escola    Profissional de Arte e M&uacute;sica.<A HREF="#nota9"><SUP>9</SUP></A> N&atilde;o    deixa de ser interessante verificar, ali&aacute;s, uma curiosa defini&ccedil;&atilde;o    de categorias: as despesas com cultura (note-se bem: <I>cultura</I>) s&atilde;o    na sua maior parte absorvidas por gastos com transportes e infra-estruturas    escolares! Para al&eacute;m do suporte financeiro a associa&ccedil;&otilde;es,    constata-se a inexist&ecirc;ncia de apoios a manifesta&ccedil;&otilde;es culturais    propriamente ditas. <a name="top10"></a>Ali&aacute;s, &eacute; o pr&oacute;prio    edil a assumir, em entrevista, que, devido "aos or&ccedil;amentos baixos das    c&acirc;maras, o que fica para tr&aacute;s &eacute; a cultura".<A HREF="#nota10"><SUP>10</SUP></A>  </p>      <p>No entanto, &eacute; poss&iacute;vel encontrar exemplos de sinal contr&aacute;rio.    M&eacute;rtola granjeou um enorme capital de prest&iacute;gio que ultrapassou    mesmo as fronteiras nacionais, associando de forma inovadora a descoberta e    a preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio com a forma&ccedil;&atilde;o    cultural dos mun&iacute;cipes, em particular dos jovens, e o est&iacute;mulo    aos meios art&iacute;sticos locais, num contexto de defesa do ecossistema e    da qualidade ambiental. De certa forma, logrou subverter as rela&ccedil;&otilde;es    verticais das hierarquias do sistema urbano nacional, lan&ccedil;ando directamente    pontes &agrave; escala global, numa utiliza&ccedil;&atilde;o ecl&eacute;tica    mas programada de valores materialistas (a preocupa&ccedil;&atilde;o com a seguran&ccedil;a    econ&oacute;mica e o emprego das popula&ccedil;&otilde;es) e p&oacute;s-materialistas    (a defesa da qualidade de vida, a &ecirc;nfase no est&eacute;tico e na cultura).    Claro que, para que esta particular constela&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias    e valores surtisse efeito, tornou-se necess&aacute;rio atrair recursos humanos    altamente qualificados, fixando-os na regi&atilde;o, objectivo assumido pela    autarquia. Entretanto, a aposta na forma&ccedil;&atilde;o dos jovens revela-se    crucial, j&aacute; que, devido ao seu efeito multiplicador, propicia, a m&eacute;dio    e longo prazos, em &iacute;ntima associa&ccedil;&atilde;o com o progresso dos    n&iacute;veis de escolaridade, um novo perfil de necessidades, aspira&ccedil;&otilde;es,    atitudes e comportamentos. De qualquer modo, desde cedo se gerou um consenso    t&aacute;cito, que atravessou quase todos os sectores da popula&ccedil;&atilde;o,    no sentido de uma redefini&ccedil;&atilde;o da identidade cultural local em    fun&ccedil;&atilde;o do novo modelo de desenvolvimento. </p>      <p>Alguns estudos mais recentes permitem-nos um olhar panor&acirc;mico sobre as    evolu&ccedil;&otilde;es actuais do sector da cultura no poder local. E, convenhamos,    as tend&ecirc;ncias n&atilde;o s&atilde;o animadoras. <a name="top11"></a>Segundo    a equipa da Comiss&atilde;o Coordenadora da Regi&atilde;o Norte, liderada pelo    soci&oacute;logo Jos&eacute; Maria Cabral Ferreira, "h&aacute; muitos munic&iacute;pios    que n&atilde;o chegam a atribuir 1% do or&ccedil;amento a cultura", o que se    reflecte, nos casos mais graves, em valores <I>per capita</I> claramente inferiores    a um conto por habitante gasto em cultura.<A HREF="#nota11"><SUP>11</SUP></A>    Ali&aacute;s, ao desagregarem as categorias or&ccedil;amentais, logo os autores    se aperceberam de que quase metade das verbas s&atilde;o investidas no desporto.    Por outro lado &eacute; not&oacute;rio, do ponto de vista simb&oacute;lico,    que o trabalho no sector da cultura n&atilde;o &eacute; significativamente valorizado    pelos principais respons&aacute;veis aut&aacute;rquicos. Finalmente, existe    uma certa oposi&ccedil;&atilde;o entre litoral e interior: ali, as despesas    aumentam e as actividades culturais diversificam-se, escapando &agrave; constela&ccedil;&atilde;o    folcl&oacute;rico-gastron&oacute;mica; no interior, escasseiam os investimentos    e afloram as concep&ccedil;&otilde;es tradicionalistas. Se considerarmos, embora    com alguma inexactid&atilde;o e margem de erro, que uma boa parte das cidades    interm&eacute;dias se situa na faixa litoral, e que, paralelamente, as cidades    de pequena dimens&atilde;o proliferam no interior, compreenderemos melhor o    conjunto da quest&atilde;o. Ali&aacute;s, nestas &uacute;ltimas, constata-se    frequentemente uma descoincid&ecirc;ncia entre os n&uacute;meros relativos &agrave;s    despesas com cultura e as representa&ccedil;&otilde;es que os autarcas fazem    da sua pr&oacute;pria ac&ccedil;&atilde;o, como se <I>imaginassem</I> que efectivamente    gastaram mais dinheiro com o sector cultural… </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Dificuldades inerentes &agrave;s cidades de pequena dimens&atilde;o: de    novo a territorialidade</b></p>       <p>Os dados constru&iacute;dos por Pedro Costa provam, com particular clarivid&ecirc;ncia,    que se verifica uma brutal concentra&ccedil;&atilde;o de equipamentos e p&uacute;blicos    nas duas &aacute;reas metropolitanas, com especial destaque para a Grande Lisboa:    <a name="top12"></a>"a NUT Grande Lisboa, por si s&oacute;, tem sempre mais    de 50% das actividades, chegando a atingir um valor superior a 60% dos visitantes    de museus e quase 3/4 da tiragem anual da imprensa".<A HREF="#nota12"><SUP>12</SUP></A>    Seguem-se, a consider&aacute;vel dist&acirc;ncia, o grande Porto e as NUT III    onde est&atilde;o inseridas cidades de m&eacute;dia dimens&atilde;o. A mesma    tend&ecirc;ncia, incontorn&aacute;vel, est&aacute; presente na distribui&ccedil;&atilde;o    territorial de estabelecimentos e pessoal ao servi&ccedil;o na fileira da cultura.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para o autor n&atilde;o existem d&uacute;vidas de que os meios urbanos favorecem,    de forma intensa, a localiza&ccedil;&atilde;o, em particular, das esferas da    cria&ccedil;&atilde;o/produ&ccedil;&atilde;o e da recep&ccedil;&atilde;o/consumo.    &Eacute; todo um ambiente onde se cruzam e refor&ccedil;am, muitas vezes em    c&iacute;rculo, uma multiplicidade de factores. </p>      <p>&Agrave;s cidades de pequena dimens&atilde;o faltam limiares m&iacute;nimos    de oferta e de procura, economias de escala, diversifica&ccedil;&atilde;o e    especializa&ccedil;&atilde;o de mercados (t&atilde;o necess&aacute;rios &agrave;    acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel e ao ciclo breve dos produtos num contexto    produtivo p&oacute;s-fordista), bem como um universo de valores e pr&aacute;ticas    centrados na procura de consumos culturais mundanos e em estrat&eacute;gias    auto-identit&aacute;rias, de apresenta&ccedil;&atilde;o de si e de valoriza&ccedil;&atilde;o    de estilos de vida pr&oacute;prios de um individualismo expressivo e relacional.    O volume e densidade populacionais, como j&aacute; faziam notar, embora de forma    determinista, os te&oacute;ricos da Escola de Chicago, estimulam a diversidade    subcultural (ainda que, por vezes, ela surja sob o manto di&aacute;fano de uma    certa aura ilus&oacute;ria, bem patente no discurso publicit&aacute;rio), bem    como o leque de alternativas poss&iacute;veis que encontram suporte adequado    num determinado tipo de economia, da qual o melhor exemplo ser&aacute; a<a name="top13"></a>    <I>economia da noite,</I><A HREF="#nota13"><SUP>13</SUP></A> intimamente associada    ao nomadismo cultural dos urbanitas e &agrave;s ecl&eacute;ticas redes de sociabilidade    da cultura de sa&iacute;das das <a name="top14"></a>cidades p&oacute;s-industriais.<A HREF="#nota14"><SUP>14</SUP></A>    Nestas pequenas cidades s&atilde;o ainda muito magros os contigentes das "novas    classes m&eacute;dias urbanas", abarcando os quadros superiores, os profissionais    t&eacute;cnicos e de enquadramento interm&eacute;dios, as profiss&otilde;es    cient&iacute;ficas, intelectuais e art&iacute;sticas. Em alguns casos h&aacute;    ainda um peso relativamente elevado das profiss&otilde;es agr&iacute;colas,    do pequeno com&eacute;rcio independente e dos assalariados pouco qualificados.  </p>      <p><a name="top15"></a>Em suma, constata-se uma viragem na hierarquia dos factores    locativos em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; economia <I>soft</I>, adquirindo    proemin&ecirc;ncia o monop&oacute;lio da informa&ccedil;&atilde;o especializada,    da pesquisa e da qualifica&ccedil;&atilde;o, elementos escassos nos pequenos    centros.<A HREF="#nota15"><SUP>15</SUP></A> </p>      <p>De qualquer maneira, parece-nos apressado ou redutor postular um qualquer tipo    de impossibilidade de desenvolvimento dos "mundos da cultura" em cidades de    pequena dimens&atilde;o. N&atilde;o existe, ali&aacute;s, como diversos autores    o t&ecirc;m demonstrado, uma rela&ccedil;&atilde;o determinista inequ&iacute;voca    entre dimens&atilde;o e densidade populacional e n&iacute;vel de pujan&ccedil;a    cultural. <a name="top16"></a>Um estudo recente aponta um sentido positivo na    rela&ccedil;&atilde;o entre os munic&iacute;pios de pequena dimens&atilde;o    e o investimento no sector da cultura.<A HREF="#nota16"><SUP>16</SUP></A> De    facto, &eacute; nos pequenos centros que se verifica a taxa de varia&ccedil;&atilde;o    mais positiva em despesas com a cultura no <a name="top17"></a>per&iacute;odo    1986-97.<A HREF="#nota17"><SUP>17</SUP></A> </p>      <p>Ainda assim, s&atilde;o claramente os concelhos de m&eacute;dia dimens&atilde;o    a revelar uma franca aposta no sector da cultura, a que n&atilde;o ser&aacute;    alheio, por um lado, o est&iacute;mulo que resulta de um ambiente de feroz competitividade    entre cidades e, por outro, o facto de partirem j&aacute; de limiares satisfat&oacute;rios    de oferta e de procura. N&atilde;o deixa de ser curioso, no entanto, que os    munic&iacute;pios de pequena dimens&atilde;o gastem preferencialmente em "recintos    culturais". Por outras palavras, denota-se a preocupa&ccedil;&atilde;o de partir    de "baixo", isto &eacute;, de uma rede m&iacute;nima de infra-estruturas e equipamentos    culturais, aquilo a que poder&iacute;amos chamar o grau zero do desenvolvimento    do campo cultural local. No entanto, como bem refere Jos&eacute; Maria Cabral    Ferreira, a obsess&atilde;o na edifica&ccedil;&atilde;o de recintos com fins    culturais torna-se por vezes um alibi para descurar outras &aacute;reas e formular    uma aut&ecirc;ntica pol&iacute;tica cultural: <a name="top18"></a>"Da&iacute;    o contraste verificado: concelhos onde existem espa&ccedil;os, equipamento,    a materialidade de algum servi&ccedil;o, de algum acontecimento (musical, pl&aacute;stico…)    e contudo a vida cultural estagna; concelhos em que as car&ecirc;ncias s&atilde;o    muitas (de recursos materiais) e contudo h&aacute; uma vida cultural interessante    e sustentada, mediante o recurso a instrumentos subsidi&aacute;rios (uma Igreja    em vez de um audit&oacute;rio, um quartel em vez de uma galeria…)".<A HREF="#nota18"><SUP>18</SUP></A>  </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>Primeiro passo: a formula&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica cultural</p> </B>       <p>Confunde-se, ami&uacute;de, uma pol&iacute;tica cultural com um invent&aacute;rio    de iniciativas e projectos. Esquece-se, com facilidade, que importa, antes de    mais, optar, tendo em conta um conjunto de cen&aacute;rios existentes. E que    essas op&ccedil;&otilde;es, em termos territoriais, jamais poder&atilde;o ser    feitas numa representa&ccedil;&atilde;o de auto-isolamento. O territ&oacute;rio    funciona em rede e as cidades, grandes, m&eacute;dias ou pequenas, competem    entre si. </p>      <p>Uma pol&iacute;tica cultural para uma cidade de pequena dimens&atilde;o implica,    pois, previamente, "uma atitude pol&iacute;tica para a cultura", sabendo-se    que <a name="top19"></a>"esta dificilmente existir&aacute; se n&atilde;o houver    uma verdadeira formula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica global".<A HREF="#nota19"><SUP>19</SUP></A>    Por outras palavras, imp&otilde;e-se a ideia de projecto, com a defini&ccedil;&atilde;o    de objectivos, meios dispon&iacute;veis e cen&aacute;rios de resultados esperados,    com a necess&aacute;ria flexibilidade para rectificar, mediante processos auto    e hetero-avaliativos, as estrat&eacute;gias seguidas. Assim entendida, a pol&iacute;tica    cultural desempenha um papel decisivo na <I>legibilidade </I>ou <I>imaginabilidade</I>    da cidade, importando um conceito j&aacute; antigo que remete para <a name="top20"></a>"aquela    qualidade de um objecto f&iacute;sico que lhe d&aacute; uma grande probabilidade    de evocar uma imagem forte num dado observador".<A HREF="#nota20"><SUP>20</SUP></A>    Reside aqui, provavelmente, o n&oacute; g&oacute;rdio da quest&atilde;o no que    se refere &agrave;s cidades de pequena dimens&atilde;o: uma pol&iacute;tica    cultural activa poder&aacute; ser um contributo insubstitu&iacute;vel para que    n&atilde;o se apague a imagem de cidade no contexto de grande competi&ccedil;&atilde;o    interurbana. A cidade leg&iacute;vel &eacute; uma urbe com identidade, distinta,    facilmente percept&iacute;vel. </p>      <p>O grande problema reside, a nosso ver, numa perspectiva que tende a assemelhar    a cultura a um conjunto de objectos sacralizados num paradigma fixista de tradi&ccedil;&atilde;o.    Trata-se, afinal, da museologiza&ccedil;&atilde;o dos usos, artefactos e costumes;    trata-se, igualmente, em uma concep&ccedil;&atilde;o de cultura popular baseada    na cren&ccedil;a de uma "ess&ecirc;ncia", "aura" ou "alma" incorrupt&iacute;veis,    avessas a qualquer processo inovador. As novas configura&ccedil;&otilde;es urbanas,    tamb&eacute;m patentes, embora com idiossincrasias, nas pequenas cidades, revelam-se    necessariamente mais orientadas para um perfil mundano, l&uacute;dico, convivial    e diversificado, em boa parte devido &agrave; visibilidade dos grupos juvenis    que, entretanto, beneficiam do alargamento do per&iacute;odo de morat&oacute;ria    que lhes adv&eacute;m do prolongamento da escolaridade e do adiamento da entrada    na vida adulta. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, podemos falar de um… </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>… segundo passo: a cria&ccedil;&atilde;o de meios inovadores</p> </B>      <p>Augusto Santos Silva, autor de an&aacute;lises comparativas sobre pol&iacute;ticas    e pr&aacute;ticas culturais em v&aacute;rias cidades, assinala obst&aacute;culos    que remetem, uma vez mais, para o poder pol&iacute;tico institu&iacute;do: "a    generalidade dos autarcas tem grande dificuldade em entender, de forma n&atilde;o    instrumental, a natureza e o alcance das manifesta&ccedil;&otilde;es que resultam    destes ambientes urbanos e se concretizam em participa&ccedil;&atilde;o, interac&ccedil;&atilde;o    e express&atilde;o cultural (…) j&aacute; sabem que &eacute; preciso, por exemplo,    diversificar os programas das festas concelhias (…) <a name="top21"></a>Mas    t&ecirc;m avan&ccedil;ado bastante menos no plano de uma leitura mais sociopol&iacute;tica    das ra&iacute;zes e do significado das novas possibilidades e express&otilde;es    urbanas, na sua articula&ccedil;&atilde;o com os desafios e as oportunidades    de evitar a degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es e dos modos    de vida nas cidades de hoje e melhorar, nelas, o grau e as formas de coes&atilde;o    social".<A HREF="#nota21"><SUP>21</SUP></A> </p>      <p>Ora, uma altera&ccedil;&atilde;o de atitude pol&iacute;tica dos detentores    de cargos p&uacute;blicos resultar&aacute;, a nosso ver, n&atilde;o tanto de    uma valoriza&ccedil;&atilde;o expressiva da cultura ou de uma cren&ccedil;a    nas suas potencialidades intr&iacute;nsecas, mas antes da crescente possibilidade    de demonstra&ccedil;&atilde;o dos seus efeitos nas estruturas econ&oacute;micas    locais. Falamos, em concreto, da atrac&ccedil;&atilde;o de segmentos qualificados    da popula&ccedil;&atilde;o activa, da cria&ccedil;&atilde;o de emprego <a name="top22"></a>(e    o emprego, no sector cultural, tem um efeito multiplicador, como referem v&aacute;rios    economistas),<A HREF="#nota22"><SUP>22</SUP></A> do incremento do turismo cultural    (com consequ&ecirc;ncias ben&eacute;ficas na instala&ccedil;&atilde;o de hot&eacute;is    e empresas de transporte) <a name="top23"></a>ou mesmo da capta&ccedil;&atilde;o    de algum investimento externo.<A HREF="#nota23"><SUP>23</SUP></A> </p>      <p>Alguns centros urbanos de pequena dimens&atilde;o (Montemor-o-Novo constitui    um excelente exemplo) t&ecirc;m tentado criar ocasi&otilde;es de mudan&ccedil;a,    preparando, com anteced&ecirc;ncia, e recorrendo a c&iacute;rculos qualificados    de discuss&atilde;o, programas ousados de anima&ccedil;&atilde;o cultural. Outros    munic&iacute;pios experimentam, com obst&aacute;culos e retrocessos, di&aacute;logos    entre a tradi&ccedil;&atilde;o e a modernidade, fazendo apelo a leituras n&atilde;o    essencialistas das ra&iacute;zes culturais. Trata-se, por vezes, de processos    armadilhados, em particular quando se pretende, sem pr&eacute;via sensibilidade    sociol&oacute;gica, aproximar express&otilde;es art&iacute;sticas de vanguarda    das camadas populares, como se essa aproxima&ccedil;&atilde;o se fizesse por    mero contacto ou cont&aacute;gio com o dom m&aacute;gico impregnado nas obras,    ou com o "choque" cat&aacute;rtico atrav&eacute;s do qual prop&otilde;em (imp&otilde;em?)    uma nova vis&atilde;o do est&eacute;tico e do mundo. <a name="top24"></a>N&atilde;o    raras vezes, por aus&ecirc;ncia de um trabalho de forma&ccedil;&atilde;o de    p&uacute;blicos que desenvolva os pr&oacute;prios mecanismos de incorpora&ccedil;&atilde;o    de predisposi&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas, assiste-se ao explodir de    reac&ccedil;&otilde;es de iconoclasmo contempor&acirc;neo, como as relatadas    por Idalina Conde a prop&oacute;sito das Bienais de Vila Nova de Cerveira.<A HREF="#nota24"><SUP>24</SUP></A>  </p>      <p>Assim, a aposta na diversifica&ccedil;&atilde;o de actividades, g&eacute;neros    e formas culturais, para al&eacute;m da matriz historicamente definida como    local ou "aut&oacute;ctone", deve caminhar a par com a renova&ccedil;&atilde;o    dos repert&oacute;rios das popula&ccedil;&otilde;es, o que se consegue, parcialmente,    pela oportunidade de contacto recorrente e contextualizado com uma pluralidade    de produ&ccedil;&otilde;es culturais mas, n&atilde;o menos importante, com programas    de forma&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blicos capazes de aproximarem autor, obra    e receptor, desinibindo, dessacralizando, familiarizando, sem intuitos de paternalismo    etnoc&ecirc;ntrico de quem vai explicar a verdade sobre o que est&aacute; em    aprecia&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>A cria&ccedil;&atilde;o de meios inovadores ter&aacute;, ent&atilde;o, em particular    nas cidades de pequena dimens&atilde;o mais afastadas dos grandes circuitos    das culturas contempor&acirc;neas, de saber lidar, cuidadosamente, com a tens&atilde;o    modernidade/tradi&ccedil;&atilde;o sem pretender que uma se dissolva artificial    e arbitrariamente na outra e aproveitando, inclusivamente, criativas imbrica&ccedil;&otilde;es.  </p>      <p>Claro est&aacute; que todo o esfor&ccedil;o ser&aacute; em v&atilde;o se n&atilde;o    existir uma rede m&iacute;nima de equipamentos, em particular recintos culturais.    <a name="top25"></a>Mas, certamente t&atilde;o importante quanto a sua constru&ccedil;&atilde;o,    &eacute; o modelo de gest&atilde;o adoptado. Merece destaque o papel extremamente    din&acirc;mico de algumas bibliotecas da rede p&uacute;blica em cidades de pequena    dimens&atilde;o, funcionando, simultaneamente, como local de forma&ccedil;&atilde;o,    anima&ccedil;&atilde;o e mesmo produ&ccedil;&atilde;o cultural, com <I>ateliers</I>    v&aacute;rios, <I>workshops</I>, leituras dramatizadas, debates e encontros    com criadores, videoteca, ludoteca, sala de internet, audit&oacute;rio para    espect&aacute;culos, etc.<A HREF="#nota25"><SUP>25</SUP></A> </p>      <p>Certamente que, subjacente a um determinado equipamento, deve existir um programa    de anima&ccedil;&atilde;o, a come&ccedil;ar pelo pr&oacute;prio projecto de    arquitectura (&eacute; fundamental conceber os espa&ccedil;os f&iacute;sicos    e os edif&iacute;cios como cen&aacute;rios de interac&ccedil;&atilde;o que,    necessariamente, condicionam a experi&ecirc;ncia social, constrangendo-a e/ou    potenciando-a) e prolongando-se no modelo de gest&atilde;o, que requer t&eacute;cnicos    adequados. Da&iacute; a necessidade de as cidades de pequena dimens&atilde;o    dominarem bem os circuitos e os organismos da forma&ccedil;&atilde;o, para neles    integrarem os seus t&eacute;cnicos ou mesmo para criarem os seus pr&oacute;prios    programas. Esta &ecirc;nfase na forma&ccedil;&atilde;o justifica-se ainda enquanto    estrat&eacute;gia de requalifica&ccedil;&atilde;o do movimento associativo,    fazendo-o sair da penumbra onde por vezes se encontra, abrindo-o &agrave;s novas    causas, incitando-o a intervir no espa&ccedil;o p&uacute;blico e a opinar sobre    a (re)constru&ccedil;&atilde;o da identidade da cidade. O movimento associativo    necessita, n&atilde;o s&oacute; de quadros dirigentes mais jovens, mas igualmente    de um contacto estreito com novos instrumentos de gest&atilde;o e de acesso    &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. </p> <B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Um salto no futuro</p> </B>      <p>Acabamos de mencionar um ponto fundamental. Nada justifica, a nosso ver, que    o desenvolvimento cultural das micr&oacute;poles tenha de seguir um qualquer    modelo de cariz evolucionista, calcorreando os passos que outros, supostamente    mais avan&ccedil;ados e no caminho da verdade, j&aacute; percorreram. <a name="top26"></a>Trata-se    de defender caminhos originais assentes na manipula&ccedil;&atilde;o criativa,    a favor das periferias, das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o:    estabelecer pontes no ciberespa&ccedil;o, conhecer experi&ecirc;ncias com poder    ilustrativo (exercitando o que Boaventura de Sousa Santos apelida de <I>teoria    da tradu&ccedil;&atilde;o</I>), conquistar parcerias.<A HREF="#nota26"><SUP>26</SUP></A>    Nada impede, se burocracias ou outros entraves (muitas vezes de tipo "bairrista"    ou paroquial) travam a interac&ccedil;&atilde;o com os territorialmente mais    pr&oacute;ximos, que se definam, por exemplo, circuitos de itiner&acirc;ncia    art&iacute;stica com cidades de pequena dimens&atilde;o de outros pa&iacute;ses.  </p>      <p>Mas ir&iacute;amos mais longe e propor&iacute;amos o alargamento r&aacute;pido    do programa das <I>cidades digitais</I> &agrave;s urbes de pequena dimens&atilde;o,    com as agendas culturais dispon&iacute;veis <I>on-line</I> e abertas &agrave;    incorpora&ccedil;&atilde;o de sugest&otilde;es, cr&iacute;ticas ou coment&aacute;rios    (o que s&oacute; seria poss&iacute;vel mediante a multiplica&ccedil;&atilde;o    de postos de acesso &agrave; internet em locais p&uacute;blicos, como por exemplo    as juntas de freguesia, as escolas, as associa&ccedil;&otilde;es e as bibliotecas)    e com a <a name="top27"></a>cria&ccedil;&atilde;o de canais tem&aacute;ticos    de discuss&atilde;o sobre a pr&oacute;pria identidade e imagem da cidade.<A HREF="#nota27"><SUP>27</SUP></A>    A cria&ccedil;&atilde;o de <I>sites</I> interactivos sobre a oferta da cidade    (longe da l&oacute;gica panflet&aacute;ria, tosca e paneg&iacute;rica dos "antigos"    folhetos tur&iacute;sticos) poderia, igualmente, alargar os horizontes, as procuras    e as l&oacute;gicas do turismo cultural local. </p>      <p>O salto, para muitos, pode parecer mortal. Mas as regras do jogo "local/global"    n&atilde;o implicam, fatalmente, o apagamento dos mais fracos. Podem oferecer,    pelo contr&aacute;rio, se habilmente manipuladas, um conjunto de ousadas e irrecus&aacute;veis    oportunidades para a implanta&ccedil;&atilde;o de novas escalas capazes de baralhar    as hierarquias tradicionais dos sistemas urbanos nacionais. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>De novo, uma quest&atilde;o (de) pol&iacute;tica…</p> </B>      <p><a name="top28"></a>Se o multiculturalismo, a segmenta&ccedil;&atilde;o de    mercados culturais diversificados e a liminaridade que permitem a afirma&ccedil;&atilde;o    das "margens culturais" e das suas marcas transgressoras n&atilde;o fazem parte    das agendas culturais e pol&iacute;ticas de boa parte das cidades de pequena    dimens&atilde;o;<A HREF="#nota28"><SUP>28</SUP></A> se a debilidade demogr&aacute;fica    de certos grupos da estrutura social n&atilde;o permite a afirma&ccedil;&atilde;o    de "meios inovadores" consistentes e atractivos, a quest&atilde;o deve ser remetida,    uma vez mais, para o que Jim McGuigan apelida de <I><a name="top29"></a>"condi&ccedil;&otilde;es    da cultura".</I><A HREF="#nota29"><SUP>29</SUP></A> Estas constituem o &acirc;ngulo    de an&aacute;lise privilegiado das pol&iacute;ticas culturais, j&aacute; que    implicam os contextos <I><a name="top30"></a>"</I>materiais e, tamb&eacute;m,    as determina&ccedil;&otilde;es discursivas no tempo e no espa&ccedil;o da produ&ccedil;&atilde;o    cultural e do consumo<I>".</I><A HREF="#nota30"><SUP>30</SUP></A> Dito de outra    forma, importa perceber as modalidades de cria&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o    cultural das obras e mensagens culturais. Adquire aqui papel decisivo a margem    de manobra dos agentes culturais locais, bem como as representa&ccedil;&otilde;es    simb&oacute;licas dos actores pol&iacute;ticos e o grau em que a interioriza&ccedil;&atilde;o    da centralidade das actividades culturais estrutura o seu <I>habitus </I>e,    consequentemente, as suas pr&aacute;ticas e decis&otilde;es. No entanto, n&atilde;o    menos importante, urge propiciar, mesmo por impulsos externos de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas, a estrutura&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es que    alimentem uma press&atilde;o social que force a diversifica&ccedil;&atilde;o    e a qualidade do circuito cultural local. </p>      <p>Trata-se, uma vez mais, de defender a emerg&ecirc;ncia de esferas p&uacute;blicas    locais onde a produ&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o e consumo culturais    se assumam com a dignidade pr&oacute;pria dos temas geradores de discuss&atilde;o,    conflito e clarifica&ccedil;&atilde;o. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Notas</p> </B>       <p><A NAME="nota1"></A><a href="#top1">1</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Jo&atilde;o    Ferr&atilde;o, Eduardo Brito Henriques e Ant&oacute;nio Oliveira das Neves (1994),    "Repensar as cidades de m&eacute;dia dimens&atilde;o", <I>An&aacute;lise Social</I>,    129, pp. 1142-1144. </p>      <p><A NAME="nota2"></A><a href="#top2">2</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Idem</I>,    <I>ibidem</I>, p. 1132. </p>      <p><A NAME="nota3"></A><a href="#top3">3</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Idem</I>,    <I>ibidem</I>, 1133. </p>      <!-- ref --><p><A NAME="nota4"></A><a href="#top4">4</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Rog&eacute;rio    Roque Amaro (1991), "L&oacute;gicas de espacializa&ccedil;&atilde;o da economia    portuguesa", <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, 10, pp. 161-182.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0873-6529200000030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><A NAME="nota5"></A><a href="#top5">5</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Jo&atilde;o    Teixeira Lopes (1994), "Estruturas espaciais e pr&aacute;ticas sociais: a inexistente    op&ccedil;&atilde;o entre o local e o global", <I>Sociologia: Revista da Faculdade    de Letras</I>, IV. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0873-6529200000030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><A NAME="nota6"></A><a href="#top6">6</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Pedro    Costa (1999), "Efeito de ‘meio’ e desenvolvimento urbano: o caso da fileira    da cultura", <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, 29, p. 132. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0873-6529200000030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><A NAME="nota7"></A><a href="#top7">7</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Howard    Becker (1982), <I>Art Worlds</I>, Berkeley, University of California Press.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0873-6529200000030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><A NAME="nota8"></A><a href="#top8">8</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Juan Mozzicafreddo    e outros(1990), "O grau zero do poder local", <I>A Sociologia e a Sociedade    Portuguesa na Viragem do S&eacute;culo</I>, Lisboa, Editorial Fragmentos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0873-6529200000030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><A NAME="nota9"></A><a href="#top9">9</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Sofia    Alexandra Cruz (1999), "Um retrato de desenvolvimento singular", em AA.VV.,    <I>O Lugar da Leitura na Oferta Cultural Concelhia: Os Casos de Mirandela e    Guimar&atilde;es</I>, Lisboa, Instituto Portugu&ecirc;s do Livrose das Bibliotecas/Observat&oacute;rio    das Actividades Culturais. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0873-6529200000030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><A NAME="nota10"></A><a href="#top10">10</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Citado    em Sofia Alexandra Cruz, <I>op. cit.,</I> p. 37. </p>      <!-- ref --><p><A NAME="nota11"></A><a href="#top11">11</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Jos&eacute;    Maria Cabral Ferreira (org.) (1999), <I>O Sector da Cultura nas C&acirc;maras    Municipais da Regi&atilde;o Norte</I>, Porto, Comiss&atilde;o de Coordena&ccedil;&atilde;o    da Regi&atilde;o Norte, p. 34. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0873-6529200000030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><A NAME="nota12"></A><a href="#top12">12</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Pedro    Costa, art. cit., p. 133. </p>      <!-- ref --><p><A NAME="nota13"></A><a href="#top13">13</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Maria    do Carmo Cab&ecirc;do Sanches e Humberto Martins (1999), "Tra&ccedil;os nocturnos:    percursos juvenis na noite do Bairro Alto", em Jos&eacute; Machado Pais (org.),    <I>Tra&ccedil;os e Riscos de Vida</I>, Porto, Ambar. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0873-6529200000030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><A NAME="nota14"></A><a href="#top14">14</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Jo&atilde;o    Teixeira Lopes (2000), <I>A Cidade e a Cultura</I>, Porto, Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0873-6529200000030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><A NAME="nota15"></A><a href="#top15">15</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Jolanta    Dziembowska-Kowalska e Rolf H. Funck (1999), "Cultural activities: source of    competitiveness and prosperity in urban regions", <I>Urban Studies</I>, 36 (8).  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0873-6529200000030000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><A NAME="nota16"></A><a href="#top16">16</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Jos&eacute;    Soares Neves (2000), <I>Despesas dos Munic&iacute;pios com Cultura</I>, Lisboa,    Observat&oacute;rio das Actividades Culturais. </p>      <p><A NAME="nota17"></A><a href="#top17">17</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Idem</I>,    <I>ibidem</I>, p. 46. </p>      <p><A NAME="nota18"></A><a href="#top18">18</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jos&eacute;    Maria Cabral Ferreira (org.), <I>op. cit.,</I> p. 69. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota19"></A><a href="#top19">19</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Idem</I>,    <I>ibidem</I>, p. 68. </p>      <!-- ref --><p><A NAME="nota20"></A><a href="#top20">20</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Kevin    Lynch (1990), <I>A Imagem da Cidade</I>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es 70, p.    20. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0873-6529200000030000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><A NAME="nota21"></A><a href="#top21">21</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Augusto    Santos Silva (1995), "Pol&iacute;ticas culturais municipais e anima&ccedil;&atilde;o    do espa&ccedil;o urbano: uma an&aacute;lise de seis cidades portuguesas", em    Maria de Lourdes Lima dos Santos (org.), <I>Cultura &amp; Economia</I>, Lisboa,    ICS, p. 262. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0873-6529200000030000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><A NAME="nota22"></A><a href="#top22">22</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver David    Pratley <I>op. cit</I>, "The role of culture in local economic development",    em Maria de Lourdes Lima dos Santos, <I>op. cit.,</I> p. 250. </p>      <p><A NAME="nota23"></A><a href="#top23">23</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;H&aacute;    quem considere que os factores locativos provenientes da fileira cultural s&atilde;o    de cariz <I>soft</I>, ao contr&aacute;rio de outros que, exercendo efeitos directos    na obten&ccedil;&atilde;o de lucros e sendo "determinados atrav&eacute;s da    interven&ccedil;&atilde;o directa do mercado", s&atilde;o apelidados de <I>hard</I>.    No entanto, os seus efeitos, apesar de serem mais dif&iacute;ceis de medir e    quantificar, t&ecirc;m sido tudo menos <I>suaves</I>, contribuindo intensamente    para tornar as &aacute;reas urbanas atractivas, criando "novas oportunidades    de investimento". Ver Jolanta Dziembowska-kowalska e Rolf H. Funck, <I>art.    cit.,</I> p. 1389. </p>      <!-- ref --><p><A NAME="nota24"></A><a href="#top24">24</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Idalina    Conde (1987), "O sentido do desentendimento nas Bienais de Cerveira: arte, artistas    e p&uacute;blicos", <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, 2. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0873-6529200000030000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><A NAME="nota25"></A><a href="#top25">25</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A colec&ccedil;&atilde;o    de estudos de caso promovida e publicada (j&aacute; existem duas s&eacute;ries)    em parceria pelo Observat&oacute;rio das Actividades Culturais e pelo Instituto    Portugu&ecirc;s do Livro e das Bibliotecas fornece, a esse respeito, excelentes    ilustra&ccedil;&otilde;es. </p>      <!-- ref --><p><A NAME="nota26"></A><a href="#top26">26</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;"Da&iacute;    a necessidade da <I>teoria da tradu&ccedil;&atilde;o</I> como parte integrante    da teoria cr&iacute;tica p&oacute;s-moderna. &Eacute; por via da tradu&ccedil;&atilde;o    e do que eu designo por hermen&ecirc;utica diat&oacute;pica que uma necessidade,    uma aspira&ccedil;&atilde;o, uma pr&aacute;tica numa dada cultura pode ser tornada    compreens&iacute;vel e intelig&iacute;vel para outra cultura", em Boaventura    de Sousa Santos (2000), <I>A Cr&iacute;tica da Raz&atilde;o Indolente</I>, Porto,    Afrontamento, p. 30. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0873-6529200000030000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><A NAME="nota27"></A><a href="#top27">27</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Este programa    das <I>cidades digitais</I> &eacute; extremamente inovador; tendo tido a cidade    de Aveiro como uma das pioneiras, resultou da parceria entre a universidade    local, a autarquia e a Portugal Telecom, S. A.; ver www. aveiro-digital. pt  </p>      <!-- ref --><p><A NAME="nota28"></A><a href="#top28">28</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Pedro    Costa, "Centros e margens: Produ&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;ticas culturais    na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa", <I>An&aacute;lise Social</I>, 154,    pp. 957-983. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0873-6529200000030000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><A NAME="nota29"></A><a href="#top29">29</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver Jim    McGuigan (1996), <I>Culture and the Public Sphere</I>, Londres, Routledge, p.    22 e seguintes. </p>      <p><A NAME="nota30"></A><a href="#top30">30</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <I>Idem</I>,    <I>ibidem</I>, p. 22. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><a name="back"></a><a href="#top"><sup>*</sup></a>Jo&atilde;o Teixeira Lopes.    Soci&oacute;logo, Universidade do Porto.    <BR>   <I>E-mail</I>: <A HREF="mailto:jmteixeiralopes@mail.telepac.pt">jmteixeiralopes@mail.telepac.pt</A>.  </p>      ]]></body><back>
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