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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desafios à universidade: comercialização da ciência e recomposição dos saberes académicos]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-65292000000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-65292000000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-65292000000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Assistimos à emergência de um novo modelo de desenvolvimento, assente num novo padrão de competitividade baseado na inovação, tese que tem arrastado consigo o debate sobre as relações entre universidade e indústria, leia-se ciência como factor produtivo. Se bem que a ciência e as suas aplicações sempre tenham alimentado o crescimento económico, os moldes em que se coloca hoje esta questão são completamente novos. Trata-se de imputar à universidade a assumpção de novas funções e a transformação das que lhe têm sido tradicionalmente atribuídas. Neste texto procuramos discutir esta questão numa perspectiva histórica, argumentando que a importância decisiva que a filosofia teve na fundação do modelo humboldtiano de universidade está a ceder o passo à teoria económica, num quadro de tecnocratização da política. A referência ao caso português procura mostrar a "espessura sociológica" que marca a diferença entre países e que resiste à importação dos modelos económicos.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <B>      <p><a name="top"></a>DESAFIOS &Agrave; UNIVERSIDADE</p>     <p>Comercializa&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e recomposi&ccedil;&atilde;o    dos saberes acad&eacute;micos</p> </B>     <p><I> Lu&iacute;sa Oliveira<a href="#back"><sup>*</sup></a></I> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><u>Resumo</u> Assistimos &agrave; emerg&ecirc;ncia de um novo modelo de desenvolvimento,    assente num novo padr&atilde;o de competitividade baseado na inova&ccedil;&atilde;o,    tese que tem arrastado consigo o debate sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre    universidade e ind&uacute;stria, leia-se ci&ecirc;ncia como factor produtivo.    Se bem que a ci&ecirc;ncia e as suas aplica&ccedil;&otilde;es sempre tenham    alimentado o crescimento econ&oacute;mico, os moldes em que se coloca hoje esta    quest&atilde;o s&atilde;o completamente novos. Trata-se de imputar &agrave;    universidade a assump&ccedil;&atilde;o de novas fun&ccedil;&otilde;es e a transforma&ccedil;&atilde;o    das que lhe t&ecirc;m sido tradicionalmente atribu&iacute;das. Neste texto procuramos    discutir esta quest&atilde;o numa perspectiva hist&oacute;rica, argumentando    que a import&acirc;ncia decisiva que a filosofia teve na funda&ccedil;&atilde;o    do modelo humboldtiano de universidade est&aacute; a ceder o passo &agrave;    teoria econ&oacute;mica, num quadro de tecnocratiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica.    A refer&ecirc;ncia ao caso portugu&ecirc;s procura mostrar a "espessura sociol&oacute;gica"    que marca a diferen&ccedil;a entre pa&iacute;ses e que resiste &agrave; importa&ccedil;&atilde;o    dos modelos econ&oacute;micos. </p>      <p><u>Palavras-chave</u> Universidades, comercializa&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia,    inova&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Introdu&ccedil;&atilde;o</p> </B>      <p><a name="top1"></a>Assistimos &agrave; emerg&ecirc;ncia de um novo modelo de    desenvolvimento, assente num novo padr&atilde;o de competitividade baseado na    inova&ccedil;&atilde;o, tese que tem arrastado consigo o debate sobre as rela&ccedil;&otilde;es    entre universidade e ind&uacute;stria, leia-se ci&ecirc;ncia como factor produtivo.<A HREF="#nota1"><SUP>1</SUP></A>    Se bem que a ci&ecirc;ncia e as suas aplica&ccedil;&otilde;es sempre tenham    alimentado o crescimento econ&oacute;mico, os moldes em que se coloca hoje esta    quest&atilde;o s&atilde;o completamente novos. Com efeito, ultrapassado o modelo    linear de difus&atilde;o do conhecimento em que tradicionalmente assentava a    liga&ccedil;&atilde;o entre a universidade e a esfera econ&oacute;mica, a universidade    passa para dentro do "actor-rede produtor de inova&ccedil;&atilde;o" (Callon,    1989), intervindo directamente no processo. </p>      <p>Trata-se de imputar &agrave; universidade uma responsabilidade directa na promo&ccedil;&atilde;o    competitiva do pa&iacute;s, o que implica a assump&ccedil;&atilde;o de novas    fun&ccedil;&otilde;es e a transforma&ccedil;&atilde;o das que lhe t&ecirc;m    sido tradicionalmente atribu&iacute;das (Etzkowitz e Peters, 1994). </p>      <p><a name="top2"></a>A Europa procura seguir este modelo, oriundo dos Estados    Unidos, cujas virtualidades residem essencialmente no sucesso econ&oacute;mico    proporcionado pela quantidade de inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas    e de novos mercados que a investiga&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica induz.<A HREF="#nota2"><SUP>2</SUP></A>    As universidades europeias est&atilde;o hoje perante um conjunto de desafios    que p&otilde;em em causa os seus modelos constru&iacute;dos ao longo de dois    s&eacute;culos de hist&oacute;ria e procuram adaptar-se ao novo contexto, segundo    as especificidades societais (Maurice, Sellier e Silvestre, 1982) que lhe s&atilde;o    pr&oacute;prias. Estamos ainda longe de poder descortinar o resultado deste    processo. </p>      <p>Neste texto come&ccedil;amos por relembrar a origem da "universidade moderna",    tamb&eacute;m conhecida como o modelo de Humboldt. Esta discuss&atilde;o traz    a lume o papel da ci&ecirc;ncia no desenvolvimento econ&oacute;mico e o modo    como a universidade integrou em si a fun&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o,    procurando manter-se independente perante o estado e o mercado. </p>      <p>Uma breve refer&ecirc;ncia ao desenvolvimento hist&oacute;rico da ci&ecirc;ncia    nos EUA junta algumas notas elucidativas sobre o que est&aacute; hoje em jogo    na transforma&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia enquanto institui&ccedil;&atilde;o    e nos desafios que se colocam &agrave; universidade. </p>      <p>Procuramos discutir a possibilidade de importa&ccedil;&atilde;o do modelo americano    e relativiz&aacute;-la, defendendo a ideia de que a import&acirc;ncia decisiva    que a filosofia teve na funda&ccedil;&atilde;o do modelo humboldtiano est&aacute;    a ceder o passo &agrave; teoria econ&oacute;mica, num quadro de tecnocratiza&ccedil;&atilde;o    da pol&iacute;tica (Habermas, 1973), e que h&aacute; um d&eacute;fice de discuss&atilde;o,    no seio da pr&oacute;pria academia, sobre este processo. A refer&ecirc;ncia    ao caso portugu&ecirc;s procura mostrar a "espessura sociol&oacute;gica" que    marca a diferen&ccedil;a entre pa&iacute;ses e que resiste &agrave; importa&ccedil;&atilde;o    dos modelos econ&oacute;micos. </p>      <p>Considera-se tamb&eacute;m que a quest&atilde;o da recomposi&ccedil;&atilde;o    dos saberes acad&eacute;micos s&oacute; tem sentido neste quadro geral de abordagem.  </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>As li&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria</p> </B><I>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A inven&ccedil;&atilde;o da "universidade moderna": fun&ccedil;&otilde;es e    saberes acad&eacute;micos</p> </I>      <p>Os desafios de mudan&ccedil;a que se colocam hoje &agrave; universidade e a    recomposi&ccedil;&atilde;o de saberes que exigem s&atilde;o, na sua ess&ecirc;ncia,    os mesmos que marcaram a emerg&ecirc;ncia da "universidade moderna", h&aacute;    cerca de 200 anos. </p>      <p>O modelo humboldtiano de universidade &eacute; a refer&ecirc;ncia cl&aacute;ssica    da "ideia de universidade moderna" (Renaut, 1995), consubstanciada na forma&ccedil;&atilde;o    da universidade de Berlim em 1810, que surge na sequ&ecirc;ncia da primeira    grande crise acad&eacute;mica, marcada pelo processo de laiciza&ccedil;&atilde;o    da universidade da Idade M&eacute;dia e que se traduziu pela transfer&ecirc;ncia    da depend&ecirc;ncia da igreja para a depend&ecirc;ncia do estado e pela emerg&ecirc;ncia    de um novo saber, a ci&ecirc;ncia. Este processo &eacute; tamb&eacute;m marcado    pela transforma&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es da universidade,    que se torna, a par do ensino, num lugar de produ&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia,    processo que alguns autores designam como primeira revolu&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica    (Etzkowitz, 1997). </p>      <p>Na &eacute;poca desencadeou-se na Alemanha um debate profundo em torno da pr&oacute;pria    concep&ccedil;&atilde;o de universidade e de ci&ecirc;ncia, debate em que a    filosofia alem&atilde; desempenhou um papel fundamental e donde surgiria a ideia    de <I>uni-versidade</I> —&nbsp;enquanto reuni&atilde;o de m&uacute;ltiplos saberes    tendo por base uma unidade org&acirc;nica — fundada na concep&ccedil;&atilde;o    de ci&ecirc;ncia como sistema (Renaut, 1995). </p>      <p>Um dos grandes temas desse debate foi justamente o da rela&ccedil;&atilde;o    entre a universidade e o estado, num quadro em que se procurava impedir que    este interferisse ou pressionasse no sentido da instrumentaliza&ccedil;&atilde;o    do saber. Temia-se que o estado, na prossecu&ccedil;&atilde;o dos seus interesses,    reduzisse a miss&atilde;o da universidade &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos    funcion&aacute;rios de que precisava para si pr&oacute;prio. &Eacute; assim    que, pela primeira vez, se coloca a quest&atilde;o do "saber desinteressado"    contra a profissionaliza&ccedil;&atilde;o, em nome da famosa liberdade acad&eacute;mica.    Colocada assim a quest&atilde;o da autonomia universit&aacute;ria, destacamos    aqui quatro pontos que nos parecem essenciais, quer pela relev&acirc;ncia que    tiveram na &eacute;poca, quer pela actualidade que t&ecirc;m para a discuss&atilde;o    sobre a actual crise universit&aacute;ria, ponto a partir do qual se deve, a    nosso ver, colocar o problema da recomposi&ccedil;&atilde;o dos saberes. </p>      <p>A primeira quest&atilde;o que vale a pena sublinhar &eacute; que, &agrave;    &eacute;poca, o problema da autonomia se desdobrava em dois grandes temas: a    autonomia interna e a autonomia externa. Os problemas colocados pela primeira    referiam-se &agrave; <I>rela&ccedil;&atilde;o entre ensino e investiga&ccedil;&atilde;o</I>.    A produ&ccedil;&atilde;o do saber e a sua transmiss&atilde;o s&atilde;o tarefas    distintas e n&atilde;o obedecem &agrave;s mesmas exig&ecirc;ncias; tratava-se    de discutir, na altura, em que medida uma se deve ou n&atilde;o subordinar &agrave;    outra, porqu&ecirc; e em que condi&ccedil;&otilde;es. A esta quest&atilde;o    cada pa&iacute;s deu uma resposta diferente, tendo desenvolvido traject&oacute;rias    pr&oacute;prias que marcam hoje as principais diferen&ccedil;as entre as universidades    e, de modo mais geral, a organiza&ccedil;&atilde;o dos chamados "sistema nacionais    de inova&ccedil;&atilde;o" (Lundvall, 1992; Nelson, 1993). </p>      <p>Actualmente esta quest&atilde;o aparece com a mesma prem&ecirc;ncia, a avaliar    pela import&acirc;ncia que as compara&ccedil;&otilde;es internacionais suscitam,    na tentativa de concluir sobre as vantagens e desvantagens de cada modelo. O    problema neste tipo de compara&ccedil;&otilde;es parece residir nos crit&eacute;rios    a partir dos quais se considera o que &eacute; "vantajoso", atendendo a que    prevalece a ideia de que o sistema deve obedecer a um princ&iacute;pio de racionalidade    econ&oacute;mica, quer dizer, a uma l&oacute;gica mercantil da ci&ecirc;ncia    (Fern&eacute;, 1993). </p>      <p>Que <I>tipo de saber cabe &agrave; universidade transmitir</I> &eacute; o segundo    tema que decorre naturalmente do primeiro. Mesmo considerando a investiga&ccedil;&atilde;o    em p&eacute; de igualdade com o ensino — entendida na altura como "investiga&ccedil;&atilde;o    pura e desinteressada" —, o saber a transmitir corresponderia mais a uma "alta    cultura especializada". Dando prioridade ao ensino, o saber seria "menos culto"    e mais profissionalizante. </p>      <p>Um outro tema, convocado para a discuss&atilde;o da autonomia interna, refere-se    &agrave;<I> rela&ccedil;&atilde;o entre disciplinas no seio da universidade</I>    e, por essa via, &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o interna, concretizada na    rela&ccedil;&atilde;o entre faculdades e universidade e das faculdades entre    si. Tratava-se de definir se a ci&ecirc;ncia se deveria desenvolver num quadro    de autonomia e especializa&ccedil;&atilde;o disciplinar ou, em alternativa,    procurar estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre disciplinas e esbater a especializa&ccedil;&atilde;o.  </p>      <p>A autonomia externa referia-se &agrave; <I>rela&ccedil;&atilde;o entre universidade    e estado</I>, quest&atilde;o que esteve presente em toda a hist&oacute;ria da    universidade moderna, embora os pressupostos em que essa discuss&atilde;o se    tem baseado n&atilde;o sejam sempre os mesmos. Ora se defende a autonomia em    nome da liberdade acad&eacute;mica assente no "saber desinteressado" ou, numa    l&oacute;gica liberal, com o argumento de que se trata de uma institui&ccedil;&atilde;o    da sociedade como as outras, com os seus pr&oacute;prios interesses, numa l&oacute;gica    de concorr&ecirc;ncia entre universidades. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas a hist&oacute;ria da universidade moderna n&atilde;o pode ser contada &agrave;    margem da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia (Cara&ccedil;a, 1999). Vem isto a    prop&oacute;sito da concilia&ccedil;&atilde;o entre "ci&ecirc;ncia pura" e as    necessidades da economia por altura da primeira revolu&ccedil;&atilde;o industrial,    o que, em tra&ccedil;os largos, corresponde &agrave; abertura da universidade    como lugar de produ&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia. As academias da ci&ecirc;ncia    tinham surgido muito antes, nos s&eacute;culos XVII e XVIII, um pouco por toda    a Europa, no quadro de uma filosofia em que se considerava que o progresso da    ci&ecirc;ncia dependia da utilidade que lhe pudesse ser dada. </p>      <p><a name="top3"></a>Leibnitz, primeiro presidente da Academia das Ci&ecirc;ncias    de Berlim em 1700, ficou conhecido na hist&oacute;ria da universidade justamente    porque distinguiu as "ci&ecirc;ncias puramente te&oacute;ricas" e a sua aplica&ccedil;&atilde;o    pr&aacute;tica e, neste quadro, desenvolveu esfor&ccedil;os significativos na    funda&ccedil;&atilde;o das Academias — fora das universidades — com base na    ideia de "ci&ecirc;ncias produtivas".<A HREF="#nota3"><SUP>3</SUP></A> </p>      <p>Segundo o autor, era preciso que "… na sociedade do conhecimento a actividade    cient&iacute;fica n&atilde;o fosse orientada por uma simples curiosidade ou    desejo de saber, por investiga&ccedil;&otilde;es in&uacute;teis, mas que se    orientasse sobretudo pela ‘utilidade’" (Leibniz, 1700, cit. por Renaut, 1995:    122). </p>      <p>Este movimento teria dado origem ainda &agrave;s "escolas especiais" (<I>Spezialschulen</I>)    e &agrave;s "escolas superiores profissionais" (<I>Fachhoschschulen</I>). </p>      <p>Neste quadro e a esta dist&acirc;ncia, poder&iacute;amos interrogar-nos sobre    os factores que, apesar de tudo, explicam a expans&atilde;o das universidades    at&eacute; aos nossos dias quando, podemos admitir, seria esper&aacute;vel que    se tivessem remetido a um papel de forma&ccedil;&atilde;o de elites, como aconteceu    em certos per&iacute;odos da hist&oacute;ria. A resposta parece encontrar-se    no modelo de universidade que, perante esta controv&eacute;rsia, Humboldt encontrou    — e n&atilde;o ser&aacute; por acaso, que o modelo humboldtiano influenciou    as universidades de quase todo o mundo, incluindo os EUA —, quando inventou    a Universidade de Berlim. Esta universidade surgiu simultaneamente contra a    ideia utilit&aacute;ria de ci&ecirc;ncia — de que as academias e "escolas superiores    e especiais" eram o exemplo — e contra o modelo das universidades eclesi&aacute;sticas    medievais. </p>      <p>O que &eacute; essencial reter para a quest&atilde;o que agora nos ocupa &eacute;    que, para Humboldt, tratar as universidades como escolas especializadas e dividir    a investiga&ccedil;&atilde;o em pura e aplicada seria uma enorme amea&ccedil;a    tanto para a universidade, como para a ci&ecirc;ncia. O sucesso de Humboldt    deve-se ao compromisso que foi capaz de estabelecer entre uma coisa e outra:    caberia &agrave;s universidades a investiga&ccedil;&atilde;o pura (no sentido    da procura da verdade), investiga&ccedil;&atilde;o que deveria incluir no entanto    uma componente pr&aacute;tica. No ensino, esta op&ccedil;&atilde;o teria tradu&ccedil;&atilde;o    na c&eacute;lebre f&oacute;rmula da "forma&ccedil;&atilde;o pela investiga&ccedil;&atilde;o".  </p>      <p>Desta complexa controv&eacute;rsia que, por raz&otilde;es &oacute;bvias, n&atilde;o    cabe aqui explorar, destacamos tr&ecirc;s aspectos que nos parecem essenciais    para o debate actual sobre a universidade, a saber: </p> <B>  </B>     <p><B>&middot; </b>uma diferen&ccedil;a essencial entre "ci&ecirc;ncia como    procura da verdade" e "ci&ecirc;ncia como procura de respostas aos interesses    econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos". Esta quest&atilde;o &eacute; fundamental    e n&atilde;o deve ser confundida, como frequentemente acontece, com investiga&ccedil;&atilde;o    fundamental <I>versus </I>investiga&ccedil;&atilde;o aplicada. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot; </b>o modelo de Humboldt permitiu uma concep&ccedil;&atilde;o    de universidade relativamente independente do estado, da economia e da sociedade,    &agrave; custa, &eacute; certo, de uma certa representa&ccedil;&atilde;o m&iacute;tica    da ci&ecirc;ncia que vingava naquela &eacute;poca; </p> <B> </B>      <p><B>&middot; </b>as implica&ccedil;&otilde;es de cada uma destas op&ccedil;&otilde;es    na natureza dos saberes que se produzem e transmitem e, logo, na recomposi&ccedil;&atilde;o    dos saberes acad&eacute;micos. <a name="top4"></a>Com efeito, a partir de uma    concep&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia "como procura da verdade", ficava impl&iacute;cito    que este "saber" n&atilde;o estava comprometido em formar "compet&ecirc;ncias    prontas a usar", segundo os interesses espec&iacute;ficos do mercado.<A HREF="#nota4"><SUP>4</SUP></A>    No projecto da Universidade de Berlim vingou a ideia de que as compet&ecirc;ncias    profissionais n&atilde;o decorrem directamente da esfera do saber cient&iacute;fico,    mas que s&atilde;o adquiridas por imita&ccedil;&atilde;o dos modelos tradicionais    do "saber-fazer". </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, a "procura da verdade" e a "forma&ccedil;&atilde;o pela investiga&ccedil;&atilde;o"    proporcionam uma vis&atilde;o global do mundo e uma forma&ccedil;&atilde;o integral    do Homem e n&atilde;o apenas uma profiss&atilde;o. <a name="top5"></a>Para Humboldt    as universidades tinham tamb&eacute;m como miss&atilde;o aquilo a que chamava    " educa&ccedil;&atilde;o moral da na&ccedil;&atilde;o".<A HREF="#nota5"><SUP>5</SUP></A>  </p> <I>      <p>O outro lado da hist&oacute;ria: a ci&ecirc;ncia no desenvolvimento econ&oacute;mico</p> </I>      <p><a name="top6"></a>Mas o papel da ci&ecirc;ncia no desenvolvimento n&atilde;o    &eacute; uma quest&atilde;o nova, independentemente do modo como cada pa&iacute;s    autonomizou e organizou as suas actividades de investiga&ccedil;&atilde;o e    lhes concedeu um papel maior ou menor dentro da universidade, com a Fran&ccedil;a    a constituir um caso extremo no contexto europeu.<A HREF="#nota6"><SUP>6</SUP></A>    Tomemos o exemplo americano, j&aacute; que &eacute; o modelo de refer&ecirc;ncia    actual para a Europa, tanto do ponto de vista do modelo de desenvolvimento,    como de inspira&ccedil;&atilde;o da teoria econ&oacute;mica. </p>      <p>O exemplo dos EUA </p>      <p>Como refere Cara&ccedil;a (1999), o s&eacute;culo XIX foi o s&eacute;culo da    mec&acirc;nica, do a&ccedil;o e do caminho-de-ferro, o seu s&iacute;mbolo foi    a m&aacute;quina, o conceito a mec&acirc;nica e os europeus pareciam ser os    senhores do mundo. Por analogia, poder&iacute;amos dizer que o s&eacute;culo    XXI parece desenhar-se como o s&eacute;culo da inform&aacute;tica, das telecomunica&ccedil;&otilde;es    e da biotecnologia, o seu s&iacute;mbolo &eacute; o computador, o conceito a    informa&ccedil;&atilde;o — "sociedade da informa&ccedil;&atilde;o" — e os americanos    parecem ser os senhores do mundo. Como cheg&aacute;mos aqui no que diz respeito    ao modelo de universidade e de desenvolvimento da ci&ecirc;ncia? </p>      <p>Historicamente, o modelo americano foi muito influenciado pelo modelo alem&atilde;o    de Humboldt. Antes disso, a influ&ecirc;ncia da igreja n&atilde;o &eacute; compar&aacute;vel    com a Europa (Peyrefitte, 1995). Os EUA tinham <I>colleges</I> &agrave; semelhan&ccedil;a    do modelo ingl&ecirc;s de Oxford e Cambridge e, sob a influ&ecirc;ncia de Benjamin    Franklin, prevalecia a ideia de uma "cultura &uacute;til" (Kerr, 1994). Como    em qualquer outro pa&iacute;s, o problema do financiamento da investiga&ccedil;&atilde;o    marcou decisivamente as vicissitudes hist&oacute;ricas do ensino superior. A    velha oposi&ccedil;&atilde;o entre investiga&ccedil;&atilde;o fundamental e    investiga&ccedil;&atilde;o aplicada aos interesses da economia remonta nos EUA    ao princ&iacute;pio do s&eacute;culo XX. Primeiro, e este aspecto &eacute; fundamental,    porque &eacute; sensivelmente nesta altura que emergem os primeiros laborat&oacute;rios    industriais nas grandes empresas de qu&iacute;mica e de electricidade. A primeira    guerra mundial ter&aacute; sido outro marco decisivo nesta mat&eacute;ria, altura    em que a ind&uacute;stria privada come&ccedil;ou tamb&eacute;m a financiar as    actividades de investiga&ccedil;&atilde;o universit&aacute;rias com alguma regularidade.    Segundo Robert Millikan, foi ent&atilde;o que, pela primeira vez na hist&oacute;ria,    "…o mundo foi capaz de perceber o que a ci&ecirc;ncia podia fazer…" (Geiger,    1988: 334). </p>      <p>Esta percep&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi, como se sabe, muito agrad&aacute;vel,    com os exemplos das armas qu&iacute;micas, os primeiros bombardeamentos a&eacute;reos,    os submarinos e depois o desastre de Hiroshima, que acabaram com o mito da neutralidade    da ci&ecirc;ncia e, de certo modo, a dessacralizaram. </p>      <p>No p&oacute;s-guerra, em todo o caso, o celebre relat&oacute;rio de Vannevar    Bush — conselheiro cient&iacute;fico do Presidente Roosevelt — <I>Science, the    Endless Frontier</I> (1945) —&nbsp;procura "lavar" a imagem da ci&ecirc;ncia,    tendo sido um marco decisivo, quer para o modo como esta se viria a desenvolver,    quer para a configura&ccedil;&atilde;o das universidades americanas. Com efeito,    defendia-se o financiamento da investiga&ccedil;&atilde;o fundamental, com o    argumento de que os grandes desenvolvimentos tecnol&oacute;gicos no per&iacute;odo    da guerra s&oacute; tinham sido poss&iacute;veis gra&ccedil;as ao anterior investimento    em investiga&ccedil;&atilde;o fundamental. Reconhecia-se tamb&eacute;m que,    dados os elevad&iacute;ssimos montantes financeiros que a investiga&ccedil;&atilde;o    fundamental exigia, s&oacute; o Governo teria condi&ccedil;&otilde;es para o    fazer. E foi com este objectivo que Bush prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o    da <I>National Science Foundation</I>. O governo assumiu assim o papel de financiar    a investiga&ccedil;&atilde;o considerada relevante para as necessidades nacionais,    institucionalizando uma responsabilidade tripartida entre o poder pol&iacute;tico,    militar e econ&oacute;mico, uma vez que as experi&ecirc;ncias da colabora&ccedil;&atilde;o    com o sector industrial tinham j&aacute; criado as suas ra&iacute;zes. Posteriormente,    no per&iacute;odo da guerra fria, o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e da tecnologia    acelerou a um n&iacute;vel sem precedentes. </p>      <p><a name="top7"></a>Este modelo, tal como o europeu — em vias de constru&ccedil;&atilde;o    — desenvolveu-se segundo uma traject&oacute;ria particular, societalmente confinada.    Como refere Geiger (1988), o que se chama agora correntemente "transfer&ecirc;ncia    tecnol&oacute;gica", j&aacute; era a miss&atilde;o do <I>National Research Council</I>    (NRC) na Am&eacute;rica dos anos 20.<A HREF="#nota7"><SUP>7</SUP></A> </p>      <p><a name="top8"></a>Nos anos 80 a ind&uacute;stria muda de estrat&eacute;gia    na sua rela&ccedil;&atilde;o com as universidades, passando a financiar projectos    de longo prazo, com contratos no valor de milhares de d&oacute;lares, havendo    mesmo exemplos de grandes empresas europeias que financiam actividades de investiga&ccedil;&atilde;o    nos EUA.<A HREF="#nota8"><SUP>8</SUP></A> Esta mudan&ccedil;a — que n&atilde;o    exclui o tipo de colabora&ccedil;&otilde;es anteriores, mais baseadas em coopera&ccedil;&otilde;es    limitadas no tempo, cons&oacute;rcios, troca de investigadores entre universidades    e ind&uacute;stria, etc. — teve grande impacte em todo o sistema de C&amp;T.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir de uma leitura mais global, esta nova atitude do lado da ind&uacute;stria    inclui-se numa estrat&eacute;gia empresarial de diminui&ccedil;&atilde;o de    custos como reac&ccedil;&atilde;o &agrave; crise dos anos 70 (Boyer, 1981) e    que se traduziu pela exterioriza&ccedil;&atilde;o de uma grande parte de actividades    at&eacute; ent&atilde;o desenvolvidas no interior das empresas.<a name="top9"></a>    Este processo traduziu-se num discurso assente em dois <I>slogans</I> de consciencializa&ccedil;&atilde;o    colectiva sobre as virtualidades econ&oacute;micas do <I>downsizing</I> e do    empreendedorismo, como componentes importantes do novo esp&iacute;rito do capitalismo    (Boltanski e Chiapello, 1999).<A HREF="#nota9"><SUP>9</SUP></A> </p>      <p>Em paralelo, a emerg&ecirc;ncia de novas ind&uacute;strias de alta tecnologia,    como as telecomunica&ccedil;&otilde;es, a inform&aacute;tica e a biotecnologia    — os chamados sectores baseados na ci&ecirc;ncia, por oposi&ccedil;&atilde;o    aos sectores tradicionais — como pilares do desenvolvimento econ&oacute;mico    do s&eacute;culo XXI, transformam a concep&ccedil;&atilde;o tradicional de ci&ecirc;ncia    (Gibbons e outros, 1994) — e com ela a universidade —, como condi&ccedil;&atilde;o    necess&aacute;ria ao novo modo de desenvolvimento. </p>      <p>&Eacute; neste quadro que Etzkowitz (1997) defende a ideia de que a transi&ccedil;&atilde;o    que a universidade atravessa se traduz, n&atilde;o numa crise — como o indicador    dos cortes or&ccedil;amentais poderia induzir —, mas numa revolu&ccedil;&atilde;o:    a segunda revolu&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica. A primeira ocorreu quando    a universidade assumiu, paralelamente ao ensino, a fun&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o,    transformando-se numa institui&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o.    A segunda caracteriza-se pela institucionaliza&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o    econ&oacute;mica das universidades — o desenvolvimento econ&oacute;mico passa    a fazer parte da sua miss&atilde;o — num processo em que os actores envolvidos    v&atilde;o adaptando ou ajustando as suas posi&ccedil;&otilde;es &agrave;s novas    oportunidades e constrangimentos institucionais: "canalizar os fluxos de conhecimento    para novas fontes de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, tornou-se uma    tarefa da academia, mudando a estrutura e a fun&ccedil;&atilde;o da universidade.    " (Etzkowitz e&nbsp;Leydesdorff, 1997: 1). </p>      <p>Esta revolu&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica tem, tamb&eacute;m internamente,    v&aacute;rias consequ&ecirc;ncias: na estrutura e organiza&ccedil;&atilde;o    interna da universidade, na transforma&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia enquanto    tal, nos modos de financiamento, na concep&ccedil;&atilde;o do saber cient&iacute;fico,    no perfil dos investigadores e, em consequ&ecirc;ncia, no que se ensina. Fala-se    em universidade empreendedora e em docentes-empres&aacute;rios. </p>      <p>Interessa-nos reter aqui a ideia de transforma&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia,    principalmente no que se refere aos efeitos no "saber", na medida em que se    passa do saber cient&iacute;fico, segundo a concep&ccedil;&atilde;o tradicional    de ci&ecirc;ncia, para um outro tipo de saber cient&iacute;fico, inerente &agrave;    nova ci&ecirc;ncia. </p> <B>      <p>Da ci&ecirc;ncia tradicional a uma nova concep&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia:    recomposi&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es e dos saberes acad&eacute;micos</p> </B>      <p>Segundo alguns autores est&aacute; em curso um novo modo de produzir ci&ecirc;ncia    (Gibbons e outros, 1994). Neste processo as universidades deixam de ser o lugar    privilegiado de produ&ccedil;&atilde;o do saber cient&iacute;fico e esta mudan&ccedil;a    significa, simultaneamente, que esse saber se produz com outros actores e institui&ccedil;&otilde;es    e de um modo diferente. Este processo desencadeia um conjunto de desafios &agrave;s    universidades, no sentido em que lhes exige uma mudan&ccedil;a estrutural (Santos,    1994) e, naturalmente, uma recomposi&ccedil;&atilde;o profunda dos saberes acad&eacute;micos.  </p>      <p><a name="top10"></a>As raz&otilde;es hist&oacute;ricas que explicam esta situa&ccedil;&atilde;o    t&ecirc;m origem no pr&oacute;prio modelo da ci&ecirc;ncia tradicional<A HREF="#nota10"><SUP>10</SUP></A>    " atrav&eacute;s de um processo de <I>especializa&ccedil;&atilde;o</I> no dom&iacute;nio    cognitivo, de <I>profissionaliza&ccedil;&atilde;o</I> no dom&iacute;nio social    e de <I>institucionaliza&ccedil;&atilde;o</I> no dom&iacute;nio pol&iacute;tico"    <a name="top11"></a>(Gibbons e outros, 1994).<A HREF="#nota11"><SUP>11</SUP></A>    Definiu-se assim, ao longo do tempo, um padr&atilde;o para a ci&ecirc;ncia-institui&ccedil;&atilde;o    que exclu&iacute;a tudo o que, de algum modo, a amea&ccedil;ava. As principais    consequ&ecirc;ncias deste processo s&atilde;o a estrutura&ccedil;&atilde;o do    conhecimento cient&iacute;fico em disciplinas, uma certa concep&ccedil;&atilde;o    de ci&ecirc;ncia e de cientista, um conjunto de normas sociais que regulam este    sistema e a identifica&ccedil;&atilde;o de lugares/institui&ccedil;&otilde;es    que participam na constru&ccedil;&atilde;o e funcionamento do edif&iacute;cio    cient&iacute;fico. </p>      <p>As bases de sustenta&ccedil;&atilde;o deste modelo teriam vindo a ser destru&iacute;das    ao longo do tempo, fundamentalmente devido &agrave; massifica&ccedil;&atilde;o    do ensino e &agrave; apropria&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o    pelas universidades, na medida em que um n&uacute;mero crescente de indiv&iacute;duos    tornou poss&iacute;vel uma dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento acad&eacute;mico    pela sociedade, constituindo o suporte de um novo modo de produ&ccedil;&atilde;o    do saber que j&aacute; n&atilde;o se confina ao mundo acad&eacute;mico: est&aacute;    nos laborat&oacute;rios p&uacute;blicos, na ind&uacute;stria, nas empresas,    em centros de investiga&ccedil;&atilde;o ou nos gabinetes de consultoria, enfim,    onde quer que aqueles indiv&iacute;duos desenvolvam a sua actividade. </p>      <p>Uma outra raz&atilde;o, igualmente importante, deve-se &agrave; emerg&ecirc;ncia    das novas tecnologias — telecomunica&ccedil;&otilde;es e inform&aacute;tica    —, que permitem a liga&ccedil;&atilde;o entre todos esses (novos) lugares onde    o saber se produz, saber que j&aacute; n&atilde;o est&aacute; sujeito &agrave;s    normas cognitivas e sociais do modelo convencional. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que est&aacute; em causa &eacute;, portanto, uma transforma&ccedil;&atilde;o    da ci&ecirc;ncia enquanto institui&ccedil;&atilde;o e uma reconvers&atilde;o    profissional dos docentes/cientistas — induzida tamb&eacute;m por esta via —,    enquanto protagonistas principais deste processo. </p>      <p>Este novo saber existe, &eacute; economicamente &uacute;til, mas n&atilde;o    tem bases de legitima&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, tem dificuldades em ser    socialmente reconhecido. Para distinguir estes dois modos de produ&ccedil;&atilde;o    do saber e &agrave; falta de terminologia espec&iacute;fica, Gibbons e outros    usam a designa&ccedil;&atilde;o de modo 1 e modo 2 de produ&ccedil;&atilde;o    do saber, para se referirem respectivamente ao modelo convencional de funcionamento    da ci&ecirc;ncia e ao modelo emergente. O primeiro refere-se ao que geralmente    &eacute; designado por conhecimento cient&iacute;fico e pode definir-se muito    sinteticamente, segundo o autor, como o conjunto de normas cognitivas e sociais    que devem ser seguidas na produ&ccedil;&atilde;o, legitima&ccedil;&atilde;o    e difus&atilde;o do saber. </p>      <p>Os seus protagonistas s&atilde;o designados como cientistas, designa&ccedil;&atilde;o    que j&aacute; n&atilde;o se aplica ao modo 2, n&atilde;o querendo isto dizer,    sublinham os autores, que n&atilde;o cumpram as regras do m&eacute;todo cient&iacute;fico.    As diferen&ccedil;as entre o modo 1 e o modo 2 de produ&ccedil;&atilde;o da    ci&ecirc;ncia sintetizam-se no <a href="#qd1">quadro 1</a>. </p>     <p><a name="qd1"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="557" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 1</b>&nbsp;Vectores de mudan&ccedil;a na transforma&ccedil;&atilde;o        do saber cient&iacute;fico </td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a04q1.gif" width="538" height="359"></td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>      <p><a name="top12"></a>Aceitar este modelo, a que alguns autores j&aacute; chamam    "ci&ecirc;ncia p&oacute;s-acad&eacute;mica" (Ziman, 1999), significa reconhecer    n&atilde;o s&oacute; uma necessidade de recomposi&ccedil;&atilde;o dos tradicionais    saberes acad&eacute;micos, como tamb&eacute;m a de uma mudan&ccedil;a de identidade    profissional dos docentes universit&aacute;rios.<A HREF="#nota12"><SUP>12</SUP></A>  </p>      <p>Se admitirmos, por outro lado, como Etzkowitz e Peters (1997) que ao aceitar    um papel econ&oacute;mico a universidade fica parecida com uma corpora&ccedil;&atilde;o    de neg&oacute;cios, com actividades empresariais e de <I>marketing</I>, para    al&eacute;m das fun&ccedil;&otilde;es tradicionais de investiga&ccedil;&atilde;o    e ensino, teremos que concluir que, para al&eacute;m das mudan&ccedil;as nos    saberes inerentes ao novo modo de produzir ci&ecirc;ncia, a universidade tem    ainda que endogeneizar um conjunto de novos saberes e compet&ecirc;ncias associadas    &agrave;s mudan&ccedil;as organizacionais e de gest&atilde;o que um tal modelo    engendra. </p> <B>      <p>O papel da teoria econ&oacute;mica na ideia de comercializa&ccedil;&atilde;o    da ci&ecirc;ncia</p> </B>      <p><a name="top13"></a>Relativizando a experi&ecirc;ncia americana &agrave; especificidade    societal que lhe &eacute; pr&oacute;pria e o optimismo liberal de Etzkowitz,    que a Europa procura agora seguir em nome da "globaliza&ccedil;&atilde;o" e    da "competitividade",<A HREF="#nota13"><SUP>13</SUP></A> parece-nos mais realista    considerar que chegamos ao s&eacute;culo XXI a bra&ccedil;os com uma crise acad&eacute;mica,    em que a universidade procura, melhor ou pior, construir uma nova identidade    num mundo onde a import&acirc;ncia decisiva da filosofia — na discuss&atilde;o    que daria origem ao modelo fundador da universidade de Humboldt — cede o passo    &agrave; teoria econ&oacute;mica e &agrave; tecnocratiza&ccedil;&atilde;o da    pol&iacute;tica (Habermas, 1973). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="top14"></a>Este parece ser um caso evidente em que " a teoria econ&oacute;mica,    no sentido lato do termo, trabalha, influencia e d&aacute; forma &agrave; realidade    econ&oacute;mica, em vez de observar como &eacute; que ela funciona" (Callon,    1994: 51).<A HREF="#nota14"><SUP>14</SUP></A> </p>      <p><a name="top15"></a>A divulga&ccedil;&atilde;o dos "casos de boas pr&aacute;ticas",    por exemplo, ou das virtualidades do modelo americano,<A HREF="#nota15"><SUP>15</SUP></A>    assim como a importa&ccedil;&atilde;o acr&iacute;tica de <a name="top16"></a>teorias    produzidas noutros contextos,<A HREF="#nota16"><SUP>16</SUP></A> acaba por influenciar    o modo como os actores sociais — da ind&uacute;stria e do meio acad&eacute;mico    — percebem a situa&ccedil;&atilde;o, definem os seus pr&oacute;prios interesses,    formulam as suas estrat&eacute;gias, lutam pela legitimidade e configuram o    modo como as institui&ccedil;&otilde;es funcionam, mas a partir do seu pr&oacute;prio    contexto. </p>      <p>Tudo come&ccedil;ou quando a primeira revolu&ccedil;&atilde;o industrial tornou    claro, a dada altura, que o "progresso t&eacute;cnico" tinha uma import&acirc;ncia    decisiva na cria&ccedil;&atilde;o de riqueza, atrav&eacute;s do seu impacte    directo na produtividade do trabalho, no emprego, na cria&ccedil;&atilde;o de    novos produtos e mercados, etc. J&aacute; Marx tinha chamado a aten&ccedil;&atilde;o    para a import&acirc;ncia da ci&ecirc;ncia e da t&eacute;cnica no desenvolvimento    do capitalismo. Mas foi Kuznets, em 1930, o primeiro economista a considerar    que o tra&ccedil;o distintivo das sociedades industriais &eacute; o seu sucesso    na aplica&ccedil;&atilde;o do conhecimento resultante da actividade cient&iacute;fica    &agrave; esfera econ&oacute;mica. </p>      <p>Schumpeter (1935) &eacute; o economista que mais longe vai neste dom&iacute;nio,    quando considera a "inova&ccedil;&atilde;o" como chave da explica&ccedil;&atilde;o    sobre o modo como o sistema capitalista gera incessantemente a energia que o    transforma. No entanto, a crise do in&iacute;cio dos anos 30, simbolicamente    marcada com o <I>crash </I>da Bolsa de Nova Iorque em 1929, mobilizou a aten&ccedil;&atilde;o    dos economistas para o problema do desemprego e dos modelos macroecon&oacute;micos    do equil&iacute;brio, e Schumpeter foi durante muito tempo um autor marginal    na economia. </p>      <p>Em 1982 Rosenberg vem chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos colegas para o facto    de "que excluir a inova&ccedil;&atilde;o no produto do progresso t&eacute;cnico,    era o mesmo que representar Hamlet sem o pr&iacute;ncipe". No rescaldo da crise    econ&oacute;mica dos anos 70 assistiu-se, de facto, a uma esp&eacute;cie de    reabilita&ccedil;&atilde;o de Schumpeter, um pouco na expectativa de que a crise    fosse realmente "uma destrui&ccedil;&atilde;o criadora". Os chamados neo schumpeterianos    dedicam-se ent&atilde;o a uma an&aacute;lise do impacte da inova&ccedil;&atilde;o    no crescimento econ&oacute;mico. Neste quadro, a "inova&ccedil;&atilde;o" adquire    um lugar central, assim como todos os factores que possam influenciar a sua    produ&ccedil;&atilde;o. A ci&ecirc;ncia e a universidade entram neste debate    como factores de import&acirc;ncia decisiva. A chamada teoria dos "sistemas    nacionais de inova&ccedil;&atilde;o" (Nelson, 1993 e Lundvall, 1992) marca um    passo decisivo nesta mat&eacute;ria. A perspectiva conhecida por <I>tripple-helix</I>    (Etzkowitz e Leysdorf, 1997) vai ainda mais longe. </p>      <p><a name="top17"></a>Basta lermos atentamente os documentos oficiais sobre a    quest&atilde;o, incluindo os da OCDE, para nos darmos conta at&eacute; onde    vai o papel da teoria econ&oacute;mica na defini&ccedil;&atilde;o de regras    e das pol&iacute;ticas de C&amp;T, da pol&iacute;tica de ensino e industrial.<A HREF="#nota17"><SUP>17</SUP></A>    Esta quest&atilde;o &eacute;, no m&iacute;nimo, paradoxal, num quadro em que    a "nova ci&ecirc;ncia" se quer pluridisciplinar. O "poder da ci&ecirc;ncia",    o " poder na ci&ecirc;ncia" e o "poder com a ci&ecirc;ncia", que Cara&ccedil;a    (1999) distingue, para efeitos de simplifica&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica,    n&atilde;o existem separados na realidade. Com efeito, os conselheiros cient&iacute;ficos    pr&oacute;ximos do poder pol&iacute;tico e econ&oacute;mico e a import&acirc;ncia    que nos nossos dias &eacute; dada &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave; tecnologia,    como o autor diz — para se referir ao "valor social" da ci&ecirc;ncia — s&atilde;o    um marco caracter&iacute;stico da nossa &eacute;poca. </p>      <p>Uma an&aacute;lise preliminar das pol&iacute;ticas europeias neste dom&iacute;nio    mostra-nos que essas mesmas pol&iacute;ticas procuram desenhar uma universidade    que deve assumir, para al&eacute;m do ensino e da investiga&ccedil;&atilde;o,    uma fun&ccedil;&atilde;o no crescimento econ&oacute;mico, procurando ir muito    mais longe que o modelo de profissionaliza&ccedil;&atilde;o contra o qual a    "ideia de universidade moderna" se tinha fundado. De Humboldt fica a ideia de    universidade como lugar de produ&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o,    o que muda &eacute; a natureza da investiga&ccedil;&atilde;o e o c&eacute;lebre    princ&iacute;pio da "liberdade acad&eacute;mica". </p> <B>      <p>A necessidade de uma leitura hist&oacute;rica e sociol&oacute;gica:    <BR>   o exemplo de Portugal</p> </B>      <p>Neste ponto procuramos chamar a aten&ccedil;&atilde;o para que a realidade    econ&oacute;mica est&aacute; imbu&iacute;da (<I>embedded</I>), no sentido de    Granovetter (1973), de uma componente sociol&oacute;gica, historicamente constru&iacute;da.    Esta espessura sociol&oacute;gica, chamemos-lhe assim, invis&iacute;vel para    a teoria econ&oacute;mica, oferece resist&ecirc;ncia &agrave; importa&ccedil;&atilde;o    de modelos econ&oacute;micos, ou outros, que lhe s&atilde;o estranhos. <a name="top18"></a>Esta    resist&ecirc;ncia, maior ou menor consoante o grau de estranheza, pode rejeitar    esses modelos, assimil&aacute;-los ou adapt&aacute;-los.<A HREF="#nota18"><SUP>18</SUP></A>  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados negativos da avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, por    exemplo, n&atilde;o raras vezes se devem a uma certa cegueira em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; realidade sociol&oacute;gica, na sua concep&ccedil;&atilde;o. </p> <I>      <p>As vicissitudes da hist&oacute;ria e o modelo portugu&ecirc;s de universidade</p> </I>      <p>Em Portugal a discuss&atilde;o sobre a "moderniza&ccedil;&atilde;o da universidade    &agrave; maneira de Humboldt" coloca-se em termos diferentes. Se moderniza&ccedil;&atilde;o    houve, consistiu na laiciza&ccedil;&atilde;o do sistema com a expuls&atilde;o    dos jesu&iacute;tas e a "reforma de Pombal" nos finais do s&eacute;culo XVIII.    O modelo portugu&ecirc;s de modernidade seguiu mais de perto a "ideia napole&oacute;nica    de universidade", no sentido em que era uma institui&ccedil;&atilde;o fortemente    centralizada, dependendo directamente do estado mon&aacute;rquico constitucional    e mais vocacionada para um ensino profissionalizante (Cruzeiro, 1990). A&nbsp;I&nbsp;Rep&uacute;blica    n&atilde;o durou o suficiente para implementar reformas estruturais, o regime    de Salazar atrofiou o sistema de ensino e manteve a universidade fechada sobre    si pr&oacute;pria e reservada &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de elites. </p>      <p>&Eacute; verdade que o n&uacute;mero de estudantes matriculados no ensino superior    n&atilde;o deixou de crescer nos anos 50 e 60, tendo-se levantado o problema    do congestionamento das quatro &uacute;nicas universidades ent&atilde;o existentes    no pa&iacute;s (duas em Lisboa, uma em Coimbra e outra no Porto). A crise universit&aacute;ria    portuguesa neste per&iacute;odo tinha, no entanto, caracter&iacute;sticas bem    particulares. Sedas Nunes argumentava, num texto datado de 1969, que n&atilde;o    se podia confundir o congestionamento das escolas com massifica&ccedil;&atilde;o,    e procurava demonstrar que se tratava antes de um problema de democratiza&ccedil;&atilde;o    do ensino: </p>      <p>o n&uacute;mero de estudantes, comparado com a popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s,    e a taxa de escolariza&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria das correspondentes    classes de idade eram dos mais baixos, n&atilde;o s&oacute; da Europa, mas do    mundo (tirando as na&ccedil;&otilde;es extremamente subdesenvolvidas).    <BR>   (Sedas Nunes, 1969) </p>      <p>Segundo o mesmo autor, o ensino superior era muito selectivo e elitista, uma    vez que cerca de 4/5 dos estudantes provinham de cerca de apenas um d&eacute;cimo    das fam&iacute;lias. Em 1960 a taxa de escolariza&ccedil;&atilde;o do ensino    superior era de 1,6% (Peixoto, 1989), o que significa que nem sequer 2 em cada    100 jovens portugueses com idades entre os 18 e os 24 anos frequentavam este    grau de ensino (Vieira, 1995). </p>      <p>N&atilde;o entrando em pormenores, vale a pena sublinhar que, por um lado,    &agrave; data, Portugal era um pa&iacute;s de caracter&iacute;sticas ainda marcadamente    rurais, expressas numa estrutura de classes ligadas ao campo e pouco prop&iacute;cias    a estrat&eacute;gias de mobilidade social baseadas no investimento educativo    (Vieira, 1995) e, por outro, o n&iacute;vel m&eacute;dio de vida de grande parte    das fam&iacute;lias n&atilde;o podia suportar os custos inerentes a esse investimento.  </p>      <p>Assim, no in&iacute;cio dos anos 70, a discuss&atilde;o centrava-se n&atilde;o    tanto na necessidade de aplicar filtros administrativos &agrave; entrada do    sistema, de tipo <I>numerus clausus</I>, mas na falta de recursos econ&oacute;micos    que obrigava a que uma grande parte dos jovens fosse obrigada a entrar cedo    no mercado de trabalho. N&atilde;o existiam portanto universidades destinadas    &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de elites, como por exemplo as <I>Grands &Eacute;coles</I>    francesas, porque o acesso &agrave; universidade era, desde logo, limitado pelas    condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas das fam&iacute;lias. </p>      <p>&Eacute; entre os anos de 1974/1977 que se d&aacute; o grande salto, passando    o n&uacute;mero de estudantes matriculados no ensino superior de 56.910 para    86.119, a que se segue um per&iacute;odo relativamente irregular de crescimento    at&eacute; 1985, com a curva sempre ascendente at&eacute; aos nossos dias. Para    alguns autores, &eacute; a partir de 1985 que se pode falar com rigor em massifica&ccedil;&atilde;o    do ensino superior. O n&uacute;mero de indiv&iacute;duos a frequentar este grau    de ensino relativamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em idade normal de    frequ&ecirc;ncia (18-22 anos) passa de 18% em 1990 para 37% em 1995 (OCDE, 1997).  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seguindo ainda Sedas Nunes na sua an&aacute;lise da crise acad&eacute;mica    dos anos 60, as universidades eram institui&ccedil;&otilde;es enquistadas na    sua in&eacute;rcia quase estrutural perante o meio envolvente, "continuando    a produzir licenciados que correspondiam a exig&ecirc;ncias sociais em decl&iacute;nio,    n&atilde;o preparando, por outro lado, investigadores e especialistas, que a    vida moderna carecia de maneira rapidamente progressiva" (Sedas Nunes, 1969).    Esta situa&ccedil;&atilde;o, contudo, n&atilde;o tinha nada a ver com uma l&oacute;gica    de ensino entre uma cultura mais ampla/mais especializada, uma vez que a quest&atilde;o    da investiga&ccedil;&atilde;o praticamente nem se colocava. O que se tinha era    uma universidade de voca&ccedil;&atilde;o profissionalizante com os <I>curricula</I>    desactualizados. </p>      <p><a name="top19"></a>Em 1973 a reforma Veiga Sim&atilde;o veio dar os primeiros    passos para a democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino, advogando a expans&atilde;o    e diversifica&ccedil;&atilde;o do ensino b&aacute;sico<A HREF="#nota19"><SUP>19</SUP></A>    e secund&aacute;rio e a introdu&ccedil;&atilde;o de um "ensino superior de curta    dura&ccedil;&atilde;o", baseada nos institutos polit&eacute;cnico e nas escolas    normais superiores espalhadas por todo o pa&iacute;s e que confeririam o bacharelato.    Esta reforma, fortemente inspirada na teoria do capital humano e legitimada    pelas sugest&otilde;es dos relat&oacute;rios da OCDE (Amaral, 1998), n&atilde;o    viria a ser completamente levada &agrave; pr&aacute;tica, uma vez que a revolu&ccedil;&atilde;o    de 1974 e a Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa, aprovada    pouco tempo depois — num ambiente pol&iacute;tico que proclamava encaminhar-se    para uma sociedade socialista —, definiam regras que levavam a uma democratiza&ccedil;&atilde;o    do ensino que ia muito mais longe do que Veiga Sim&atilde;o propunha. <a name="top20"></a>Em    todo o caso, foram ainda criadas novas universidades,<A HREF="#nota20"><SUP>20</SUP></A>    institutos universit&aacute;rios,<a name="top21"></a> institutos polit&eacute;cnicos<A HREF="#nota21"><SUP>21</SUP></A>    e escolas normais superiores destinadas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de professores    do ensino b&aacute;sico (Braga da Cruz e E. Cruzeiro, 1995). Previa-se ainda    a cria&ccedil;&atilde;o do<I> numerus clausus</I>, como meio de controlar a    crescente procura de ensino universit&aacute;rio e aprovou-se a implementa&ccedil;&atilde;o    da Universidade Cat&oacute;lica, a primeira universidade privada no pa&iacute;s.    Parecia desenhar-se um modelo estratificado de ensino superior, faltando para    isso definir mais claramente a miss&atilde;o de cada um destes tipos de institui&ccedil;&otilde;es,    dado que a investiga&ccedil;&atilde;o, como elemento diferenciador, continuava    fora do &acirc;mbito da universidade. </p>      <p>Em 1986 foi homologada a Lei de Bases de Sistema Educativo, ano que marca tamb&eacute;m    a entrada de Portugal na UE, passo que vir&aacute; a introduzir reformas estruturais    profundas em todo o sistema. Esta lei vem acentuar o car&aacute;cter dual do    ensino superior e atribuir um papel econ&oacute;mico tanto a universidades como    a polit&eacute;cnicos. </p>      <p>Grandes tens&otilde;es entre os n&iacute;veis m&eacute;dio e superior t&ecirc;m    marcado a hist&oacute;ria do ensino em Portugal desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo    (Gr&aacute;cio, 1998). A lei 61/78 viria a eliminar algumas caracter&iacute;sticas    do polit&eacute;cnico como ensino interm&eacute;dio, elevando-o ao n&iacute;vel    do superior. </p>      <p>Em s&iacute;ntese, o ensino superior, por raz&otilde;es hist&oacute;ricas particulares,    democratizou-se bastante mais tarde quem em qualquer pa&iacute;s europeu e do    que nos Estados Unidos e manteve-se vocacionado para o ensino profissionalizante.    A discuss&atilde;o do modelo alem&atilde;o, americano ou mesmo franc&ecirc;s,    n&atilde;o faz qualquer esp&eacute;cie de sentido no caso portugu&ecirc;s. </p>      <p>Quanto &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre ensino e investiga&ccedil;&atilde;o,    foi tamb&eacute;m um dos temas abordados no &acirc;mbito da discuss&atilde;o    sobre a crise universit&aacute;ria na d&eacute;cada de 60. Dias Agudo referia    a este prop&oacute;sito que: </p>      <p>a investiga&ccedil;&atilde;o ligada ao ensino vive, em Portugal, sobretudo    da dedica&ccedil;&atilde;o de alguns professores… a estrutura universit&aacute;ria    era pouco apropriada &agrave;s exig&ecirc;ncias da pesquisa cient&iacute;fica.    A verba que o pa&iacute;s destinava a I&amp;D era manifestamente insuficiente    — 0,3% do produto nacional bruto em 1964 —, assim como a percentagem dessa verba    consagrada &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o para o ensino superior que, nesse    mesmo ano, foi apenas de 8% do total destinado &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o.    (Dias Agudo, 1969: 127) </p>      <p>O Instituto de Alta Cultura, fundado em 1929, esfor&ccedil;ou-se por estimular    a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, criando v&aacute;rios centros    de investiga&ccedil;&atilde;o e enviando bolseiros para o estrangeiro, ac&ccedil;&atilde;o    que, ainda segundo Dias Agudo, teria sido bem mais proveitosa se, em simult&acirc;neo,    se tivessem remodelado as estruturas universit&aacute;rias, que estavam organizadas    em departamentos demasiado estanques, sem liga&ccedil;&atilde;o entre si, mesmo    dentro da mesma escola. </p>      <p>Calculava-se a exist&ecirc;ncia, naquela &eacute;poca, de cerca de uma centena    de "equipas" a fazer investiga&ccedil;&atilde;o em que, mais de metade, possu&iacute;a    apenas 1 ou 2 investigadores a tempo completo. Um conjunto de outros factores    contribu&iacute;ram fortemente para a quase aus&ecirc;ncia de investiga&ccedil;&atilde;o    no ensino superior, nomeadamente a falta de pessoal t&eacute;cnico auxiliar,    deficiente apetrechamento de oficinas, laborat&oacute;rios e bibliotecas, e    a pesada sobrecarga docente dos professores — fazendo com que os assistentes    tivessem poucas possibilidades de fazer o doutoramento num per&iacute;odo de    tempo razo&aacute;vel —, os baixos sal&aacute;rios fazendo com que: </p>      <p>a nossa produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica ainda dependesse muito do    esp&iacute;rito de dedica&ccedil;&atilde;o de um ou outro professor… com preju&iacute;zo    do ensino que a universidade devia ministrar e do papel que lhe devia caber    na forma&ccedil;&atilde;o de investigadores de que o pa&iacute;s tanto necessita    para o seu desenvolvimento econ&oacute;mico e social. (Dias Agudo, 1969) </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim se alimentava um div&oacute;rcio entre ensino e investiga&ccedil;&atilde;o    nas universidades, e se acentuava a ideia do modelo napole&oacute;nico, com    a diferen&ccedil;a que a Fran&ccedil;a fundava, em 1920, o Centre Nationale    de Recherche Scientifique (CNRS), a quem confiava um papel — e um or&ccedil;amento    — de import&acirc;ncia fundamental no desenvolvimento cient&iacute;fico do pa&iacute;s,    &agrave; margem da universidade. </p>      <p><a name="top22"></a>Em Portugal, a investiga&ccedil;&atilde;o ia-se fazendo    basicamente nos centros implementados pelo Instituto de Alta cultura, com recursos    bastante escassos, e posteriormente no INIC, que viria a desaparecer em 1992.<A HREF="#nota22"><SUP>22</SUP></A>  </p>      <p>Ao mesmo tempo, a fragilidade do desenvolvimento industrial e a pr&oacute;pria    especializa&ccedil;&atilde;o sectorial da ind&uacute;stria contribu&iacute;am    para alimentar este div&oacute;rcio com: </p>      <p>a ind&uacute;stria a mostrar um desinteresse quase completo pela investiga&ccedil;&atilde;o    feita pelas universidades… e com a legisla&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o facilitar    a colabora&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre as escolas superiores e os n&uacute;cleos    de investiga&ccedil;&atilde;o dos organismos do estado" (Dias Agudo, 1969) </p>      <p>Este dado &eacute; fundamental para se perceber toda a problem&aacute;tica    actual da rela&ccedil;&atilde;o universidade-ind&uacute;stria e, provavelmente,    do modo como o nosso sistema universit&aacute;rio e cient&iacute;fico se foi    construindo ao longo do tempo. </p>      <p><a name="top23"></a>Se a situa&ccedil;&atilde;o no final dos anos 60 era esta    e ainda que a Reforma de Veiga Sim&atilde;o tivesse sido uma oportunidade estrat&eacute;gica    para introduzir outro modelo de organiza&ccedil;&atilde;o de tipo humboldtiano,<A HREF="#nota23"><SUP>23</SUP></A>    o ambiente criado com a revolu&ccedil;&atilde;o de 74 e a explos&atilde;o no    ensino superior que se lhe seguiu, colocaram na lista de preocupa&ccedil;&otilde;es    do governo outras prioridades. </p>      <p>Segundo Gago (1995), s&oacute; nos anos 80 se afirma em Portugal uma universidade    de investiga&ccedil;&atilde;o, a partir de um conjunto de leis das quais as    mais importantes s&atilde;o as que se referem ao <a name="top24"></a>estatuto    da carreira docente universit&aacute;ria<A HREF="#nota24"><SUP>24</SUP></A>    e do <a name="top25"></a>polit&eacute;cnico,<A HREF="#nota25"><SUP>25</SUP></A>    que confere obrigatoriedade de investiga&ccedil;&atilde;o nas atribui&ccedil;&otilde;es    do docente universit&aacute;rio. </p>      <p>Em s&iacute;ntese, para al&eacute;m de um atraso de 200 anos, tratou-se de    uma transforma&ccedil;&atilde;o ditada pela lei, com algumas dificuldades de    implanta&ccedil;&atilde;o no terreno, quer por efeitos de uma cultura fortemente    enraizada, quer pela escassez de recursos financeiros (Ruivo, 1995). &Eacute;    que, se os docentes passam a ser obrigados a fazer investiga&ccedil;&atilde;o,    as universidades n&atilde;o tinham infra-estruturas capazes, nem or&ccedil;amentos    que viabilizassem aquela l&oacute;gica, quer pelas dificuldades inerentes ao    desenvolvimento do pa&iacute;s — o que se traduzia num or&ccedil;amento p&uacute;blico    muito limitado para a investiga&ccedil;&atilde;o e para o ensino superior —,    quer porque a especializa&ccedil;&atilde;o produtiva (Salavisa, 1999) continuava    a n&atilde;o ser prop&iacute;cia a um interesse nas actividades de C&amp;T por    parte da ind&uacute;stria. </p>      <p>O d.-l. n.º 66 de 1980 vem permitir a organiza&ccedil;&atilde;o das universidades    em departamentos, estabelecendo ainda como objectivo o desempenho das fun&ccedil;&otilde;es    de ensino, investiga&ccedil;&atilde;o e presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os    &agrave; comunidade. Podemos dizer que, do ponto de vista institucional, este    decreto abre a possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o das universidades    portuguesas naquilo a que Etzkovitz (1990 e 1997) chama segunda revolu&ccedil;&atilde;o    acad&eacute;mica, n&atilde;o fosse a falta de resposta — e este &eacute; um    dado fundamental — do lado da ind&uacute;stria (Salavisa e outros, 2000). </p>      <p>A aplica&ccedil;&atilde;o desta legisla&ccedil;&atilde;o teve impactes muito    distintos, com maior dificuldade de concretiza&ccedil;&atilde;o nas universidades    mais antigas, cujas estruturas de organiza&ccedil;&atilde;o e cultura interna    se sedimentaram ao longo de d&eacute;cadas, sen&atilde;o de s&eacute;culos.    H&aacute; portanto uma grande diferen&ccedil;a na apropria&ccedil;&atilde;o    destas medidas de pol&iacute;tica entre as universidades mais antigas e as que    surgiram a partir da d&eacute;cada de 70, variando tamb&eacute;m segundo os    dom&iacute;nios cient&iacute;ficos (Gago, 1995). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em todo o caso, e a aceitarmos a interpreta&ccedil;&atilde;o de Etzkowitz,    poder&iacute;amos concluir que <I>a universidade portuguesa est&aacute; a procurar    fazer de uma s&oacute; vez o que o resto do mundo ocidental fez em duas revolu&ccedil;&otilde;es    espa&ccedil;adas por dois s&eacute;culos de hist&oacute;ria. Ou seja, estamos    a viver ao mesmo tempo a primeira e a segunda revolu&ccedil;&atilde;o acad&eacute;micas    e, nesse sentido, um gigantesco processo de aprendizagem colectiva e de recomposi&ccedil;&atilde;o    de saberes</I>. </p> <I>      <p>A vers&atilde;o portuguesa da "universidade de investiga&ccedil;&atilde;o"</p> </I>      <p>E &eacute; neste quadro que chegamos a uma vers&atilde;o <I>sui generis</I>    de "universidade de investiga&ccedil;&atilde;o". <a name="top26"></a>Com efeito,    na d&eacute;cada de 80, os professores, confrontados com a obrigatoriedade de    fazer investiga&ccedil;&atilde;o — at&eacute; para efeitos de progress&atilde;o    na carreira — e, nalguns casos, fortemente motivados para este dom&iacute;nio    de actividade, tomaram a iniciativa de fundar centros de investiga&ccedil;&atilde;o    ditos universit&aacute;rios, mas que t&ecirc;m autonomia cient&iacute;fica,    administrativa e financeira, mesmo que funcionem dentro das instala&ccedil;&otilde;es    universit&aacute;rias,<A HREF="#nota26"><SUP>26</SUP></A> e que concorrem no    mercado com empresas de consultoria na angaria&ccedil;&atilde;o de projectos    de investiga&ccedil;&atilde;o para se autofinanciarem. <a name="top27"></a>Estas    institui&ccedil;&otilde;es aparecem nas estat&iacute;sticas do sistema de C&amp;T    com a designa&ccedil;&atilde;o de "institui&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos",    designa&ccedil;&atilde;o onde cabe tamb&eacute;m outro tipo de institui&ccedil;&otilde;es    com car&aacute;cter, origem e objectivos diferentes, nomeadamente todas as institui&ccedil;&otilde;es    de intermedia&ccedil;&atilde;o que surgiram como medidas no &acirc;mbito do    Programa de Moderniza&ccedil;&atilde;o da Ind&uacute;stria Portuguesa (PEDIP)    e do Programa Ci&ecirc;ncia mais dirigido para as institui&ccedil;&otilde;es    de C&amp;T, que contaram com financiamentos comunit&aacute;rios, e ainda funda&ccedil;&otilde;es.<A HREF="#nota27"><SUP>27</SUP></A>    Isto quer dizer que, em Portugal, boa parte das fun&ccedil;&otilde;es, incumbidas    &agrave;s universidades, de investiga&ccedil;&atilde;o, presta&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os &agrave; comunidade e mesmo de forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua    de quadros, est&atilde;o a cargo destas institui&ccedil;&otilde;es, funcionando    ainda em muitos casos como institui&ccedil;&otilde;es de acolhimento de estudantes    de mestrado e doutoramento, cujos graus s&atilde;o, posteriormente, conferidos    pela universidade. </p>      <p>S&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es com um car&aacute;cter h&iacute;brido,    na medida em que, tendo la&ccedil;os muito fortes com as universidades, principalmente    pelo facto de terem nascido da iniciativa de acad&eacute;micos e de manterem    protocolos de coopera&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter muito variado, consoante    os casos, s&atilde;o na realidade institui&ccedil;&otilde;es independentes das    universidades. <a name="top28"></a>Este fen&oacute;meno, que constitui um tra&ccedil;o    espec&iacute;fico da organiza&ccedil;&atilde;o do sistema de C&amp;T em Portugal,    &eacute; referido num relat&oacute;rio da OCDE que conclui que, perante a burocratiza&ccedil;&atilde;o    das institui&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias,<A HREF="#nota28"><SUP>28</SUP></A>    "a comunidade C&amp;T portuguesa encontrou uma resposta eficaz: as institui&ccedil;&otilde;es    sem fins lucrativos… estas institui&ccedil;&otilde;es est&atilde;o em vias de    se multiplicar a uma velocidade acelerada. A tal ponto que Portugal &eacute;,    de longe, o pa&iacute;s da OCDE caracterizado pela percentagem de C&amp;T executada    pelas ISFL mais elevada da zona: 12,4% em 1990, contra 6,4 % da Isl&acirc;ndia,    4,1% no Jap&atilde;o, 4% na Gr&atilde;-Bretanha, 3,9% na B&eacute;lgica, 3,1%    nos EUA e 2,2% nos Pa&iacute;ses Baixos (em todos os outros pa&iacute;ses, esta    percentagem &eacute; inferior a 1,5%)" (OCDE, 1993). </p>      <p>Tanto quanto sabemos, n&atilde;o existe informa&ccedil;&atilde;o pormenorizada    sobre este fen&oacute;meno, mas &eacute; relativamente consensual a ideia de    que estamos a assistir a uma divis&atilde;o funcional das actividades universit&aacute;rias,    em que as fun&ccedil;&otilde;es docentes e pedag&oacute;gica tendem a centrar-se    nos departamentos e faculdades e as actividades de I&amp;D em Centros e Institutos    que, embora ligados &agrave; universidade, podem ter autonomia administrativa,    cient&iacute;fica e financeira, ou apenas uma ou duas delas. Trata-se portanto    de um modelo h&iacute;brido em que aparentemente as universidades endogeneizaram    as novas fun&ccedil;&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o e de presta&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os ao exterior, abandonando, sem grandes sobressaltos, a sua    "torre de marfim de institui&ccedil;&otilde;es de elite", fechadas sobre si    pr&oacute;prias, mas o que na realidade se passa &eacute; que, provavelmente,    se encontrou um modelo organizacional <I>sui generis</I>, com institui&ccedil;&otilde;es    independentes das universidades que desempenham grande parte das novas fun&ccedil;&otilde;es    que lhes s&atilde;o atribu&iacute;das. </p>      <p>Esta &eacute; a nossa vers&atilde;o do modelo de Humboldt e &eacute; &agrave;    luz deste modelo que nos parece oportuno retomar as quest&otilde;es que enunci&aacute;mos    no in&iacute;cio: que rela&ccedil;&atilde;o entre ensino e investiga&ccedil;&atilde;o?    Que tipo de saber cabe &agrave; universidade transmitir? Qual a rela&ccedil;&atilde;o    entre disciplinas no seio da universidade? Em que medida a autonomia relativamente    ao estado implica uma depend&ecirc;ncia do mercado e quais as consequ&ecirc;ncias    deste processo? </p> <B>      <p>Paradoxos e equ&iacute;vocos na universidade: contributos para um debate sobre    o futuro da universidade em Portugal</p> </B><I>      <p>Equ&iacute;voco 1: a rela&ccedil;&atilde;o ensino-investiga&ccedil;&atilde;o</p> </I>      <p>Teoricamente a rela&ccedil;&atilde;o ensino-investiga&ccedil;&atilde;o tem    a virtualidade de fazer progredir a ci&ecirc;ncia, a forma&ccedil;&atilde;o    cont&iacute;nua e a actualiza&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos do docente,    fazendo assim da universidade o lugar, por excel&ecirc;ncia, de produ&ccedil;&atilde;o,    ensino e aprendizagem do saber cient&iacute;fico. <a name="top29"></a>Mas este    "ciclo virtuoso" pressup&otilde;e uma concep&ccedil;&atilde;o de conhecimento    desinteressado — leia-se independente dos interesses econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos    —, &agrave; maneira de Humboldt, o que &eacute; contradit&oacute;rio com a forma&ccedil;&atilde;o    profissionalizante de "banda estreita" que parece dominar o esp&iacute;rito    actual das universidades portuguesas.<A HREF="#nota29"><SUP>29</SUP></A> Por    outro lado, no cen&aacute;rio de uma investiga&ccedil;&atilde;o conduzida pelos    interesses do mercado — admitindo que este existe —, a necess&aacute;ria forma&ccedil;&atilde;o    geral de base deixa de ter espa&ccedil;o e corre-se o risco de formarmos "quadros    superiores especilizados cidad&atilde;os funcionais ignorantes". </p>      <p><a name="top30"></a>Esta contradi&ccedil;&atilde;o (Santos, 1994) faz com que    grande parte dos docentes leccione cadeiras cujo conte&uacute;do est&aacute;    desligado das suas actividades de investiga&ccedil;&atilde;o, o que, para al&eacute;m    da sobrecarga de trabalho, se reflecte na qualidade do ensino e da investiga&ccedil;&atilde;o.<A HREF="#nota30"><SUP>30</SUP></A>    O ciclo torna-se ent&atilde;o vicioso, na medida em que est&aacute; na base    das controv&eacute;rsias cr&iacute;ticas &agrave; universidade e que t&ecirc;m    origem neste equ&iacute;voco que conv&eacute;m esclarecer, sob pena de estarmos    a usar as mesmas palavras para falarmos de coisas distintas quando nos referimos,    por exemplo, &agrave; qualidade de ensino ou &agrave;s expectativas, porventura    infundadas, que se geram nos docentes, nos alunos, nas fam&iacute;lias, nas    empresas e na sociedade em geral. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta &eacute;, a nosso ver, uma quest&atilde;o de fundo que n&atilde;o pode    ser deixada ao livre arb&iacute;trio da "m&atilde;o inv&iacute;sivel" do mercado    dos estabelecimentos do ensino superior, a coberto da autonomia universit&aacute;ria.  </p> <I>      <p>Equ&iacute;voco 2: que tipo de saber deve a universidade transmitir?</p> </I>      <p>A resposta a esta quest&atilde;o depende naturalmente do que design&aacute;mos    como " equ&iacute;voco 1". </p>      <p>Num contexto de massifica&ccedil;&atilde;o do ensino superior, a par de um    grave problema de desemprego na Europa, a tenta&ccedil;&atilde;o de equiparar    as universidades a "escolas profissionalizantes", que produzem compet&ecirc;ncias    "prontas a usar" pelo mercado, para favorecer a integra&ccedil;&atilde;o profissional    dos licenciados, &eacute; compreens&iacute;vel. <I>Mas, se a "nova ideia de    universidade" &eacute; essa, ent&atilde;o todo o sistema deve ser reorganizado    em conformidade</I>. Esse princ&iacute;pio &eacute; contradit&oacute;rio, por    exemplo, com uma "universidade de investiga&ccedil;&atilde;o" e com uma "forma&ccedil;&atilde;o    pela investiga&ccedil;&atilde;o" — s&oacute; poss&iacute;vel aos n&iacute;veis    de p&oacute;s-licenciatura — e ainda mais contradit&oacute;rio com as exig&ecirc;ncias    que s&atilde;o feitas &agrave; actual carreira docente universit&aacute;ria.    Acresce que este modelo pressup&otilde;e, no caso de Portugal, que a esfera    econ&oacute;mica se transforme no sentido de poder comprar os "produtos da universidade"    — sejam eles indiv&iacute;duos licenciados ou saber formalizado em textos ou    prot&oacute;tipos —, quest&atilde;o que n&atilde;o desenvolveremos aqui. </p> <I>      <p>Equ&iacute;voco 3: sobre o problema da multidisciplinaridade</p> </I>      <p>Parece ser consensual, pelos menos ao n&iacute;vel do discurso, que a multidisciplinaridade    &eacute; o caminho para o desenvolvimento da chamada ci&ecirc;ncia p&oacute;s-acad&eacute;mica.    Alguns programas de C&amp;T europeus procuram j&aacute; induzir uma l&oacute;gica    deste tipo. Ora, a admitir que a universidade &eacute; um lugar importante de    produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico — mesmo que n&atilde;o    tenha o monop&oacute;lio —, a assump&ccedil;&atilde;o daquele princ&iacute;pio    levada &agrave;s &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias implica uma revolu&ccedil;&atilde;o    na organiza&ccedil;&atilde;o interna da universidade, sabendo que as faculdades    e os departamentos surgiram exactamente na sequ&ecirc;ncia de uma organiza&ccedil;&atilde;o    disciplinar e especializada do conhecimento. A coer&ecirc;ncia deste modelo    implica tamb&eacute;m que a organiza&ccedil;&atilde;o dos cursos, a divis&atilde;o    em licenciaturas cada vez mais especializadas e a pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o    da carreira docente estejam feitas com base na ideia de especializa&ccedil;&atilde;o    disciplinar. </p>      <p>Fazendo t&aacute;bua rasa de tudo isto, a quest&atilde;o de multidisciplinaridade    aparece geralmente associada &agrave; ideia de forma&ccedil;&atilde;o de equipas    compostas de m&uacute;ltiplas especializa&ccedil;&otilde;es, flex&iacute;veis    e tempor&aacute;rias, &agrave; maneira de Gibbons (1994). Assumir esta posi&ccedil;&atilde;o    &eacute; ignorar o que a sociologia do trabalho e das organiza&ccedil;&otilde;es    tem demonstrado at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o: as culturas e identidades    profissionais (Sainsaulieu, 1977; Dubar, 1991; Oliveira, 1998), as rela&ccedil;&otilde;es    de poder e estrat&eacute;gias de afirma&ccedil;&atilde;o no seio das organiza&ccedil;&otilde;es    (Crozier e Fiedberg, 1977; Sainsaulieu, 1987) e entre disciplinas (Serres, 1996;    Cara&ccedil;a, 1999). </p>      <p>&Eacute; por isso que as experi&ecirc;ncias deste tipo s&atilde;o, geralmente,    mal sucedidas. </p> <I>      <p>Equ&iacute;voco 4: autonomia perante o estado versus depend&ecirc;ncia do mercado</p> </I>      <p>Esta quest&atilde;o est&aacute; intimamente ligada com as anteriores e, naturalmente,    com a clarifica&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o da universidade. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em primeiro lugar, sublinhemos que a "ci&ecirc;ncia como procura da verdade",    a que tamb&eacute;m se chama investiga&ccedil;&atilde;o fundamental, n&atilde;o    deve ser confundida, como correntemente acontece, com investiga&ccedil;&atilde;o    fundamental por oposi&ccedil;&atilde;o a investiga&ccedil;&atilde;o aplicada.    A investiga&ccedil;&atilde;o fundamental pode e deve ter uma componente aplicada,    sob pena de a ci&ecirc;ncia se tornar pura ret&oacute;rica. O que &eacute; essencial    nesta controv&eacute;rsia &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o dos objectivos    da pr&oacute;pria investiga&ccedil;&atilde;o, ou seja, termos um modelo de ci&ecirc;ncia    "como procura da verdade" — e &eacute; neste sentido que &eacute; desinteressada    —, ou uma ci&ecirc;ncia como "procura de resposta aos interesses econ&oacute;micos    e pol&iacute;ticos". &Eacute; esta divis&atilde;o que no passado marcou a diferen&ccedil;a    entre: </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> investiga&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica, feita nas    universidades; </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> investiga&ccedil;&atilde;o industrial, feita nas empresas;  </p> <B>  </B>     <p><B>&middot; </b>investiga&ccedil;&atilde;o de apoio &agrave; tomada de    decis&atilde;o pol&iacute;tica, feita nas institui&ccedil;&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o    que funcionam dentro da esfera pol&iacute;tica (gabinetes de estudos e institutos    associados a minist&eacute;rios). </p>      <p>Na ci&ecirc;ncia "p&oacute;s-acad&eacute;mica" esta diferen&ccedil;a tende    a diluir-se. Ora a ci&ecirc;ncia tradicional, apesar das vicissitudes do percurso,    teve um papel ineg&aacute;vel na promo&ccedil;&atilde;o e legitima&ccedil;&atilde;o    de uma cultura cr&iacute;tica, n&atilde;o rejeitando a sua base experimental.  </p>      <p>Esta &eacute; uma quest&atilde;o da maior import&acirc;ncia, na medida em que    extravasa largamente o &acirc;mbito da universidade para se tornar numa quest&atilde;o    de civiliza&ccedil;&atilde;o, mas que convoca os acad&eacute;micos, como elite    intelectual e protagonistas importantes neste processo, a pronunciarem-se sobre    o assunto. </p>      <p>Se a sobreviv&ecirc;ncia da ci&ecirc;ncia depende cada vez mais dos clientes,    sejam eles institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas ou empresas privadas,    corre seriamente o risco de se tornar, tamb&eacute;m ela, uma <I>ci&ecirc;ncia    politicamente correcta</I>. Esta &eacute; uma quest&atilde;o que deve ser inclu&iacute;da    na problematiza&ccedil;&atilde;o da "sociedade do risco" (Beck, 1992), j&aacute;    que as consequ&ecirc;ncias de um cen&aacute;rio deste tipo poderiam ser tr&aacute;gicas    se acreditarmos, como diz Cara&ccedil;a (1999), que a ci&ecirc;ncia funcionou    sempre como um meio indispens&aacute;vel para a constru&ccedil;&atilde;o de    uma vis&atilde;o do mundo. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Notas</p> </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota1"></A><a href="#top1">1</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para uma explicita&ccedil;&atilde;o    em linguagem sociol&oacute;gica desta tese oriunda da economia, e suas implica&ccedil;&otilde;es    na recomposi&ccedil;&atilde;o dos saberes, cf. Luisa Oliveira e Raul Lopes (orgs.)    (1996), <I>Estudo socioecon&oacute;mico da Marinha Grande e &Aacute;rea Envolvente:    Avalia&ccedil;&atilde;o de Potencialidades</I><B>, </B>Lisboa, Ed. IEFP. </p>      <p><A NAME="nota2"></A><a href="#top2">2</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entende-se    por inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica um novo produto (final ou interm&eacute;dio)    comercializ&aacute;vel, isto &eacute;, n&atilde;o basta ser "uma novidade" se    n&atilde;o se puder transformar em mercadoria. Para uma discuss&atilde;o do    conceito de inova&ccedil;&atilde;o, cf. Lu&iacute;sa Oliveira (2000), <I>Para    uma Abordagem Sociol&oacute;gica do Conceito de Inova&ccedil;&atilde;o. Relat&oacute;rio    para a Funda&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia</I>, Lisboa. </p>      <p><A NAME="nota3"></A><a href="#top3">3</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para uma discuss&atilde;o    do conceito de "investiga&ccedil;&atilde;o industrial", cf. Bowker, Geof, "    O desenvolvimento da investiga&ccedil;&atilde;o industrial", em Serres, Michel,    (org), (1996), <I>Elementos Para uma Hist&oacute;ria das Ci&ecirc;ncias III,    de Pasteur ao Computador</I>, Lisboa, Ed. Terramar. </p>      <p><A NAME="nota4"></A><a href="#top4">4</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ali&aacute;s,    o Jap&atilde;o parece ter compreendido e resolvido satisfatoriamente esse problema,    atrav&eacute;s de uma "pol&iacute;tica de recrutamento e gest&atilde;o dos recursos    humanos" pelas empresas, adequada a um certo tipo de rela&ccedil;&atilde;o entre    universidade e ind&uacute;stria. Cf. in Jolivet, Muriel (1985), <I>L’Universit&eacute;    au Service de l’&Eacute;conomie Japonaise</I>, Paris, Ed. Economica. </p>      <p><A NAME="nota5"></A><a href="#top5">5</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para uma distin&ccedil;&atilde;o    entre educa&ccedil;&atilde;o e ensino ver Rodrigues, Maria Jo&atilde;o, (1991),    <I>Competitividade e Recursos Humanos</I>, Lisboa, Ed. D. Quixote. </p>      <p><A NAME="nota6"></A><a href="#top6">6</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Modelo que    mereceu o nome de "modelo napole&oacute;nico" para acentuar essa mesma especificidade.  </p>      <p><A NAME="nota7"></A><a href="#top7">7</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O NCR coordenou    a mobiliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia durante a primeira guerra e continuou    no per&iacute;odo de paz como uma esp&eacute;cie de institui&ccedil;&atilde;o    de intermedia&ccedil;&atilde;o com o objectivo de desenvolver uma coopera&ccedil;&atilde;o    estreita entre ind&uacute;stria e ci&ecirc;ncia acad&eacute;mica. </p>      <p><A NAME="nota8"></A><a href="#top8">8</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&Eacute; o    caso, por exemplo, de uma empresa alem&atilde; do sector qu&iacute;mico que,    entre 1981 e 1991, financiou, em 70 milh&otilde;es de d&oacute;lares, o Hospital    Geral de Massachussets em Boston. </p>      <p><A NAME="nota9"></A><a href="#top9">9</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quer dizer,    as empresas, para reduzirem os custos, diminuem o emprego, quer por via dos    despedimentos, quer pelo trav&atilde;o ao recrutamento. O desemprego, assim    gerado, deve solucionar-se pela transforma&ccedil;&atilde;o dos desempregados    em empreendedores e os jovens devem tamb&eacute;m criar o seu pr&oacute;prio    emprego. &Eacute; com base nesta filosofia que se fala em universidades empresariais    e docentes empreendedores. </p>      <p><A NAME="nota10"></A><a href="#top10">10</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Usamos    esta designa&ccedil;&atilde;o para distinguir da "nova ci&ecirc;ncia", &agrave;    falta de melhor designa&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota11"></A><a href="#top11">11</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O sublinhado    &eacute; nosso. </p>      <p><A NAME="nota12"></A><a href="#top12">12</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para uma    defini&ccedil;&atilde;o de identidade profissional no quadro da quest&atilde;o    da recomposi&ccedil;&atilde;o de saberes, cf. Lu&iacute;sa Oliveira (1998),    <I>Inser&ccedil;&atilde;o Profissional</I>, Lisboa, Ed. Cosmos. </p>      <p><A NAME="nota13"></A><a href="#top13">13</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Num movimento    inverso ao que se desenvolveu no tempo de Homboldt, em que os americanos vinham    &agrave; Europa copiar o modelo de Berlim. </p>      <p><A NAME="nota14"></A><a href="#top14">14</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Evidentemente    que este racioc&iacute;nio tamb&eacute;m se aplica a outras disciplinas, quest&atilde;o    que nos levaria a uma discuss&atilde;o epistemol&oacute;gica que n&atilde;o    cabe no &acirc;mbito deste texto. A l&iacute;ngua inglesa &eacute; bastante    clara, ao distinguir <I>economics</I> (teoria econ&oacute;mica) e <I>economy</I>    (a economia real). </p>      <p><A NAME="nota15"></A><a href="#top15">15</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver entrevista    de Philippe Busquin, comiss&aacute;rio europeu da investiga&ccedil;&atilde;o,    "A Europa tem de voltar a ser atractiva", jornal P&uacute;blico de 6 de Mar&ccedil;o    de 2000 </p>      <p><A NAME="nota16"></A><a href="#top16">16</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para uma    tentativa de leitura da situa&ccedil;&atilde;o portuguesa a partir da perspectiva    da <I>Triple-Helix</I>, cf. Lu&iacute;sa Oliveira (1999), "Societal coherence    and the new ways of production of knowledge: the case of Portugal", C<I>omunica&ccedil;&atilde;o    &agrave; IV European Sociological Conference "Will Europe work?", </I>Amesterd&atilde;o.  </p>      <p><A NAME="nota17"></A><a href="#top17">17</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Veja-se,    a t&iacute;tulo de exemplo, Bengt Lundval e Susana Borras (1997), <I>The Globalization    of Learning Economy: Implications for Innovation Policy: </I>Repport Based on    the Preliminary Conclusions from Several Projects under the TSER Programme,    DGXII. </p>      <p><A NAME="nota18"></A><a href="#top18">18</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tipologia    inspirada em Rodrigues, Maria Jo&atilde;o (1988), <I>O Sistema de Emprego em    Portugal, Crise e Muta&ccedil;&otilde;es</I>, Lisboa, D. Quixote. </p>      <p><A NAME="nota19"></A><a href="#top19">19</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A escolaridade    obrigat&oacute;ria era, nesta altura, apenas de 4 anos. </p>      <p><A NAME="nota20"></A><a href="#top20">20</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Universidade    Nova de Lisboa, Universidade do Minho e Universidade de Aveiro e v&aacute;rios    institutos superiores em &Eacute;vora e nos A&ccedil;ores que deram, posteriormente,    origem a universidades. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota21"></A><a href="#top21">21</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Instituto    Polit&eacute;cnico da Covilh&atilde; e o Instituto Polit&eacute;cnico de Vila    Real que tamb&eacute;m deram origem a universidades. </p>      <p><A NAME="nota22"></A><a href="#top22">22</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para um    desenvolvimento deste tema, cf. Lu&iacute;sa Oliveira (org.), (1999), <I>Monograph    of National Higher Education and Research Systems: </I>Relat&oacute;rio no &Acirc;mbito    do Projecto "Innovation et Syst&egrave;mes d’Enseignment Sup&eacute;rieur, Programa    TSER, DG XII </p>      <p><A NAME="nota23"></A><a href="#top23">23</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como se    chegou a tentar na Universidade Nova de Lisboa, cf. Gago, 1995. </p>      <p><A NAME="nota24"></A><a href="#top24">24</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;D. -l.    n.º 448/79, lei n.º 19/80. </p>      <p><A NAME="nota25"></A><a href="#top25">25</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;D. -l.    n.º 185/81. </p>      <p><A NAME="nota26"></A><a href="#top26">26</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O que lhes    permite uma maior flexibilidade de funcionamento j&aacute; que se v&ecirc;em    livres do peso burocr&aacute;tico da organiza&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria    a que est&atilde;o ligados por via do ensino ou de actividades de gest&atilde;o.  </p>      <p><A NAME="nota27"></A><a href="#top27">27</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nomeadamente    a Funda&ccedil;&atilde;o Gulbenkian da Ci&ecirc;ncia, a Funda&ccedil;&atilde;o    Luso-Americana para o Desenvolvimento e a Funda&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento    dos Meios Nacionais de C&aacute;lculo Cient&iacute;fico. </p>      <p><A NAME="nota28"></A><a href="#top28">28</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Num relat&oacute;rio    da OCDE, datado de 1993, sobre a an&aacute;lise das pol&iacute;ticas portuguesas    de ci&ecirc;ncia e tecnologia. </p>      <p><A NAME="nota29"></A><a href="#top29">29</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&Eacute;    significativo que, na avalia&ccedil;&atilde;o do ensino superior, um dos indicadores    que tem sido referido como importante seja a informa&ccedil;&atilde;o relativa    &agrave; inser&ccedil;&atilde;o profissional dos diplomados, o que algumas universidades    j&aacute; tomaram a iniciativa de fazer. Isto &eacute;, a universidade tem uma    avalia&ccedil;&atilde;o tanto mais positiva quanto mais for capaz de produzir    compet&ecirc;ncias &agrave; medida do nosso mercado de trabalho. </p>      <p><A NAME="nota30"></A><a href="#top30">30</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A aus&ecirc;ncia    de estudos nesta mat&eacute;ria &eacute;, no m&iacute;nimo, surpreendente. Sobre    esta quest&atilde;o, ver nomeadamente Alestalo &amp; Peltola, 2000, sobre o    caso da Finl&acirc;ndia que, segundo Busquin, &eacute; o pa&iacute;s europeu    com melhor liga&ccedil;&atilde;o entre universidades e empresas. Cf. entrevista    ao jornal <I>P&uacute;blico</I> j&aacute; citada. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <B>      <p>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</p> </B>      <!-- ref --><p>AA.VV. (1969), "An&aacute;lise do ensino superior em Portugal", <I>An&aacute;lise    Social</I>, (artigos policopiados). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0873-6529200000030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>AA.VV. (1998), <I>C&amp;T e Inova&ccedil;&atilde;o em Portugal: Situa&ccedil;&atilde;o    e Perspectivas</I>, CISEP, Lisboa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0873-6529200000030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Alestalo, Marja e Ulla Peltola (2000), "Universities responding to the pressure    to commercialize their knowledge production", <I>University of Helsinki</I>,    (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0873-6529200000030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amaral, Alberto (org) (1998), <I>TSER/Heine Project. National Level Case Study:    Portugal</I>, Porto(policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0873-6529200000030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Beck, Ulrich (1992), <I>Risk Society: Towards a New Modernity</I>, Londres,    Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0873-6529200000030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Boltanski, Luc e &Egrave;ve Chiapello (1999), <I>Le Nouvel Esprit du Capitalisme</I>,    Paris, Ed. Gallimard. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0873-6529200000030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Boyer, Robert (1981), "Les transformations du rapport salarial dans la crise:    une interpr&eacute;tation de ses aspects sociaux et &eacute;conomiques", <I>Critiques    de L’&Eacute;conomie Politique, </I>15 e 16. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0873-6529200000030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Callon, Michel (1989), <I>La Science et Ses R&eacute;seaux</I>, Paris, Ed.    La D&eacute;couverte. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0873-6529200000030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Callon, Michel (1994), "Four models for the dynamics of science", (policopiado).  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0873-6529200000030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cara&ccedil;a, Jo&atilde;o (1999), <I>Science et Communication</I>, Paris,    PUF. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0873-6529200000030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cara&ccedil;a, Jo&atilde;o (org.) (1993), <I>Study of the Impact of Community    Programmes on the Portuguese S&amp;T Potential, a Report to The Commission of    The European Communities, </I>Lisboa, JINCT<I>.</I> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0873-6529200000030000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cara&ccedil;a Jo&atilde;o (1993), <I>Do Saber ao Fazer: porqu&ecirc; Organizar    a Ci&ecirc;ncia</I>, Lisboa, Gradiva. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0873-6529200000030000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Concei&ccedil;&atilde;o, Cristina (1998), "Compara&ccedil;&otilde;es internacionais    dos indicadores de C&amp;T: o caso portugu&ecirc;s", Lisboa, Din&acirc;mia/ISCTE.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0873-6529200000030000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Concei&ccedil;&atilde;o, Pedro, Manuel Heitor e Pedro Oliveira (1998), "University:    base technology licensing in the knowledge economy", <I>Technovation</I>, (18)    10. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0873-6529200000030000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cordeiro, Jo&atilde;o Pedro (1998), "<I>Rela&ccedil;&otilde;es universidade-ind&uacute;stria    em Portugal, a partir da an&aacute;lise do jornal Expresso</I>", Lisboa, Din&acirc;mia/ISCTE.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0873-6529200000030000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Crozier, M e E. Fiedberg (1977), <I>L’Acteur et le Syst&egrave;me</I>, Paris,    Ed. du Seuil. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0873-6529200000030000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cruz, Manuel Braga e Eduarda Cruzeiro (orgs.) (1995), <I>O Desenvolvimento    do Ensino Superior em Portugal: Situa&ccedil;&atilde;o e Problemas de Acesso</I>,    Lisboa, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0873-6529200000030000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cruzeiro, Eduarda (1990), <I>Action Symbolique et Formation Scolaire, l’Universit&eacute;    de Coimbra et sa Facult&eacute; de Droit dans la Seconde Moiti&eacute; du XIX    si&eacute;cle</I>, Th&egrave;se pour le doctorat de Sociologie, Paris, EHESS,    (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0873-6529200000030000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dias Agudo, F. R. (1969), "As universidades portuguesas e a investiga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica e t&eacute;cnica", <I>An&aacute;lise Social</I>, (V-VI) 20-21,    pp. 127-144. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0873-6529200000030000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Duarte, Teresa (1998), "Pol&iacute;ticas de ensino superior em Portugal: algumas    notas", Lisboa, INOFOR (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0873-6529200000030000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dubar, Claude (1991), <I>La Socialisation: Construction des Identit&eacute;s    Sociales et Professionnelles</I>, Paris, Armand Colin. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0873-6529200000030000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Etzkowitz e Peters, L. (1991), "Profit from knowledge: organizational innovations    and normative change in American universities", <I>Minerva</I>, 29, pp. 133-166.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0873-6529200000030000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Etzkowitz e Leysdorf (1997), <I>Universities and the Global Knowledge Economy,    A Triple Helix of University-Industry-Government</I>, Londres, Ed. Pinter. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0873-6529200000030000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fern&eacute;, Georges (org.) (1993<I>), Science, Pouvoir et Argent: La Recherche    Entre March&eacute; et Politique, </I>Paris, Ed. Autrement. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0873-6529200000030000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gabinete do Gestor do PEDIP (1993), <I>PEDIP, Relat&oacute;rio de Execu&ccedil;&atilde;o    1988-1992</I>, (I, II e III), Gabinete do Gestor do PEDIP/MIE. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0873-6529200000030000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gago, Mariano (org.) (1995), <I>Prospectiva do Ensino Superior em Portugal</I>,    Lisboa, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S0873-6529200000030000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Geiger, Roger (1988), "Milking the sacred cow: research and the quest for useful    knowledge in American university since 1920", <I>Science, Technology &amp; Human    Values, </I>(13), 3 e 4, Sage Publications. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0873-6529200000030000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gibbons e outros (1994), <I>The New Production of Knowledge: the Dynamics of    Science and Research in Comtemporary Societies</I>, Londres, Sage publications.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0873-6529200000030000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Godinho, Manuel Mira (1986), <I>University-Industry: Relations, in Portugal</I>,    Londres, Imperial College, Department of Social and Economic Studies, (policopiado).  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0873-6529200000030000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Godinho, Manuel Mira e Jo&atilde;o Cara&ccedil;a (1988), "Inova&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica e difus&atilde;o no contexto de economias de desenvolvimento    interm&eacute;dio", <I>An&aacute;lise Social</I>, (XXIV), 103/104. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0873-6529200000030000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gr&aacute;cio, S&eacute;rgio (1998), <I>Ensinos T&eacute;cnicos e Pol&iacute;tica    em Portugal 1910/1990</I>, Lisboa, Instituto Piaget. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0873-6529200000030000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Granovetter, M. (1973), "The strength of weak ties", <I>American Journal of    Sociology</I>, 78, pp. 1360-1380. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S0873-6529200000030000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Habermas, Jurgen (1993), <I>T&eacute;cnica e Ci&ecirc;ncia como Ideologia</I>,    Lisboa, edi&ccedil;&otilde;es 70. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0873-6529200000030000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jolivet, Muriel (1985), <I>L’Universit&eacute; au Service de l’&Eacute;conomie    Japonaise</I>, Paris, Ed. Economica. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0873-6529200000030000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kerr, Clark (1994), <I>The Uses of the University, </I>Cambridge, Harvard University    Press (4.ª edi&ccedil;&atilde;o). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0873-6529200000030000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lopes, Helena e, Lu&iacute;sa Oliveira (1995), <I>Continuum entre o Ensino    Obrigat&oacute;rio, a Forma&ccedil;&atilde;o Inicial e Cont&iacute;nua e a Educa&ccedil;&atilde;o    de Adultos</I>, Lisboa, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0873-6529200000030000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lundval, Bengt e Susana Borras (1997), <I>The Globalization of Learning Economy:    Implications for Innovation Policy</I>, DGXII (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0873-6529200000030000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lundvall, Bengt-&Acirc;ke (1992), <I>National Systems of Innovation</I>, Londres,    Pinter Publishers. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0873-6529200000030000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Maurice, Marc, Fran&ccedil;ois Sellier e Jean-Jacques Silvestre (1982), <I>Politique    d’&Eacute;ducation et Organisation Industrielle en France et en Allemagne</I>,    Paris, PUF. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0873-6529200000030000500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Minist&eacute;rio da Ind&uacute;stria e Energia (1993), <I>Avalia&ccedil;&atilde;o    do PEDIP</I>, Lisboa, MIE/Gabinete do Gestor do PEDIP. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0873-6529200000030000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Minist&eacute;rio do Planeamento e Administra&ccedil;&atilde;o do Territ&oacute;rio    (1995), <I>Guide to R&amp;D in Portugal</I>, Lisboa, Secretaria de Estado da    Ci&ecirc;ncia e Tecnologia / MPAT. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0873-6529200000030000500041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Moreno, C. (1994), <I>As Empresas em Portugal: o Esfor&ccedil;o de Inova&ccedil;&atilde;o    Tecnol&oacute;gica e a Participa&ccedil;&atilde;o em Programas Comunit&aacute;rios</I>,    Lisboa, (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0873-6529200000030000500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>MPAT (1990), <I>Programa CI&Ecirc;NCIA: Cria&ccedil;&atilde;o de Infraestruturas    Nacionais de Ci&ecirc;ncia</I>, <I>Investiga&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento</I>,    Lisboa, Secretaria de Estado da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0873-6529200000030000500043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Murteira, M&aacute;rio (1987), "1965-1985: fim de um imp&eacute;rio, come&ccedil;o    de qu&ecirc;?", <I>Economia e Socialismo.</I> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0873-6529200000030000500044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nelson, Richard (1993), <I>National Innovation Systems, a Comparative Analysis</I>,    Oxford, Oxford University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0873-6529200000030000500045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>OCDE(1995), <I>La Formation a la Recherche, Aujoud’hui et Demain</I>, Paris,    OCDE. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000221&pid=S0873-6529200000030000500046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>OCT (1997), <I>Principais Indicadores de C&amp;T em Portugal 1988-95</I>, Lisboa,    OCT/MCT. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0873-6529200000030000500047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>OCDE (1993), <I>Politiques Nationales de la Science et de la Technologie, Portugal</I>,    Paris, OCDE. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000223&pid=S0873-6529200000030000500048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>OCDE (1997), <I>Education at a Glance: OECD Indicators</I>, Paris OCDE. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0873-6529200000030000500049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oliveira, Lu&iacute;sa e Raul Lopes (orgs) (1996), <I>Estudo Socioecon&oacute;mico    da Marinha Grande e &Aacute;rea Envolvente: Avalia&ccedil;&atilde;o de Potencialidades</I>,    Lisboa, IEFP. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0873-6529200000030000500050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oliveira, Lu&iacute;sa (1998), "Dirigentes da ind&uacute;stria e competitividade",    em Isabel Salavisa (org.), <I>Traject&oacute;rias Competitivas na Ind&uacute;stria    Portuguesa: Factores, Infra-Estruturas e Comportamentos Empresariais</I>, (II),    Lisboa, Din&acirc;mia/AIP. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0873-6529200000030000500051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oliveira, Lu&iacute;sa (1999), "Societal coherence and the new ways of production    of knowledge: the case of Portugal", Comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; <I>IV    European Sociological Conference "Will Europe work?"</I>, Amesterd&atilde;o.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0873-6529200000030000500052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oliveira, Lu&iacute;sa (org.) (1999), <I>Monograph of National Higher Education    and Research Systems</I>, Relat&oacute;rio no &acirc;mbito do projecto Inova&ccedil;&atilde;o    e Sistemas de Ensino Superior, Programa TSER, DGXII. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0873-6529200000030000500053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oliveira, Lu&iacute;sa (2000), <I>Para uma Abordagem Sociol&oacute;gica do    Conceito de Inova&ccedil;&atilde;o</I>, Relat&oacute;rio para a Funda&ccedil;&atilde;o    para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia, Lisboa, FCT. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0873-6529200000030000500054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peyrefitte, Alain (1995), <I>A Sociedade da Confian&ccedil;a</I>, Lisboa, Instituto    Piaget. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0873-6529200000030000500055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Renaut, Alain (1995), <I>Les R&eacute;volutions de l’Universit&eacute;: Essai    sur la Modernisation de la Culture</I>, Paris, Calmann-L&eacute;vy. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000231&pid=S0873-6529200000030000500056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rosenberg, Nathan (1985), <I>Inside the Black Box: Technology and Economics</I>,    Cambridge, Cambridge University Press (primeiras edi&ccedil;&otilde;es em 1982,    1983, 1984). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0873-6529200000030000500057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ruivo, Beatriz (1995), <I>Science Policies in Portugal in International Perspective:    1967-1987</I>, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000233&pid=S0873-6529200000030000500058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sainsaulieu, Renaud (1977), <I>L’Identit&eacute; au Travail: les Effets Culturels    de L’Organisation</I>, Paris, Presses de la Fondation Nationalle des Sciences    Politiques, . &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000234&pid=S0873-6529200000030000500059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sainsaulieu, Renaud (1987), <I>Sociologie de l’Organisation et de L’Entreprise</I>,    Paris, Presses de la Fondation Nationalle des Sciences Politiques. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000235&pid=S0873-6529200000030000500060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Salavisa, Isabel (1999), "Competitiveness, catching up and technological diffusion:    the case of Portugal", em Manuel Mira Godinho e Jo&atilde;o Cara&ccedil;a (orgs),    <I>O Futuro Tecnol&oacute;gico: Perspectivas para a Inova&ccedil;&atilde;o em    Portugal</I>, Oeiras, Celta Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000236&pid=S0873-6529200000030000500061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Salavisa, Isabel (org.) (no prelo), <I>Traject&oacute;rias Competitivas na    Ind&uacute;stria Portuguesa: Factores, Infra-estruturas e Comportamentos Empresariais</I>.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000237&pid=S0873-6529200000030000500062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Serres, Michel (org.) (1996), <I>Elementos para uma Hist&oacute;ria das Ci&ecirc;ncias    III: de Pasteur ao Computador</I>, Lisboa, Ed. Terramar. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000238&pid=S0873-6529200000030000500063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Santos, Boaventura de Sousa (1994), <I>Pela M&atilde;o de Alice: o Social e    o Pol&iacute;tico na P&oacute;s-Modernidade</I>, Porto, Ed. Afrontamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000239&pid=S0873-6529200000030000500064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vieira, M. (1995), "Transforma&ccedil;&otilde;es recentes do ensino superior",    <I>An&aacute;lise Social</I>, (Vol. XXX), 131/132. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000240&pid=S0873-6529200000030000500065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ziman, John (1999), "Ethos and ethics in post-academic science: modes, roles    and norms in a pluralistic culture", <I>Comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; IV    European Sociological Conference "Will Europe work?"</I>, Amesterd&atilde;o.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000241&pid=S0873-6529200000030000500066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><a name="back"></a><a href="#top"><sup>*</sup></a>Lu&iacute;sa Oliveira, docente    do ISCTE, investigadora no DIN&Acirc;MIA.    <BR>   <I>E-mail</I>: <A HREF="mailto:luisa.oliveira@iscte.pt">luisa.oliveira@iscte.pt    </A></p>      ]]></body><back>
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