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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Muçulmanos na margem: a nova presença islâmica em Portugal]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[minorias religiosas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[integração e marginalização]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[classes médias]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B><a name="top"></a>MU&Ccedil;ULMANOS NA MARGEM: A NOVA PRESEN&Ccedil;A ISL&Acirc;MICA    EM PORTUGAL</B> </p>   <I>      <p>Nina Clara Tiesler<sup><a href="#back">*</a></sup></p> </I>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <u>  </U>     <p><u>Resumo</u> A Europa comporta hoje cerca de 15 milh&otilde;es de mu&ccedil;ulmanos,    30 mil dos quais em Portugal. Durante as &uacute;ltimas d&eacute;cadas, os mu&ccedil;ulmanos    da Europa moderna revelaram capacidades not&aacute;veis na constru&ccedil;&atilde;o    de comunidades e nos processos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o. Ou seja,    adoptaram certos h&aacute;bitos e padr&otilde;es europeus, mantendo ao mesmo    tempo costumes e padr&otilde;es religiosos e culturais que diferem da cultura    dominante. Isso tamb&eacute;m se aplica aos mu&ccedil;ulmanos de Portugal. Trabalhando    alguns dos factores que afectaram a rela&ccedil;&atilde;o entre a minoria mu&ccedil;ulmana    e a sociedade dominante, tentarei desenhar uma imagem mais pormenorizada da    NPI em Portugal. </p> <u>  </U>     <p><u>Palavras-chave</u>Mu&ccedil;ulmanos, minorias religiosas, integra&ccedil;&atilde;o    e marginaliza&ccedil;&atilde;o, classes m&eacute;dias</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><a name="top1"></a>A primeira quest&atilde;o que surge de uma perspectiva de    compara&ccedil;&atilde;o com os europeus &eacute;: quais s&atilde;o as especificidades    da nova presen&ccedil;a isl&acirc;mica (NPI)<A HREF="#nota1"><SUP>1</SUP></A>    em<a name="top2"></a> Portugal?<A HREF="#nota2"><SUP>2</SUP></A> </p>      <p>O n&uacute;mero comparativamente mais alto de ismaelitas &eacute; um dos v&aacute;rios    pontos que transformam o bastante marginal caso portugu&ecirc;s num caso muito    interessante. Outro aspecto de interesse &eacute; a heran&ccedil;a hist&oacute;rica    de Al-Andaluz e da reconquista. Ela sugere a riqueza de uma compara&ccedil;&atilde;o    entre a actual situa&ccedil;&atilde;o de Portugal e a de Espanha. Os dois pa&iacute;ses    partilham experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas muito semelhantes com o Isl&atilde;o    — mas as consequ&ecirc;ncias nos dias de hoje s&atilde;o diferentes. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na verdade, ambos os temas mereciam uma apresenta&ccedil;&atilde;o distinta    e doravante s&oacute; ser&atilde;o mencionados em alguns aspectos cruciais.    Esta comunica&ccedil;&atilde;o concentra-se nos fen&oacute;menos mais patentes    sobre os mu&ccedil;ulmanos em Portugal: a composi&ccedil;&atilde;o, estrutura    e papel extraordin&aacute;rios da comunidade sunita em Lisboa chamam a aten&ccedil;&atilde;o    para a NPI em Portugal, a qual tem sido praticamente ignorada nos recentes estudos    comparativos sobre mu&ccedil;ulmanos na Europa. </p>      <p>Este &eacute; realmente o aspecto que confere especificidade ao caso portugu&ecirc;s.    &Agrave;&nbsp;semelhan&ccedil;a do que acontece noutros pa&iacute;ses da Europa,    os mu&ccedil;ulmanos em Portugal apresentam-se activos em quest&otilde;es sociais,    culturais e religiosas, mas contrariamente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o noutros    pa&iacute;ses europeus, aqui a nova constela&ccedil;&atilde;o sociocultural    n&atilde;o deixa ver aquilo com que a investiga&ccedil;&atilde;o social tem    que se defrontar: os campos nevr&aacute;lgicos comuns que se evidenciaram no    novo encontro entre mu&ccedil;ulmanos e n&atilde;o mu&ccedil;ulmanos nas seculares    e crist&atilde;s sociedades capitalistas europeias. Em Portugal, este encontro    parece n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o ter suscitado tens&otilde;es como n&atilde;o    atraiu especial aten&ccedil;&atilde;o. &Eacute; dif&iacute;cil encontrar um    pa&iacute;s ocidental em que a NPI — seja qual for o seu tamanho — seja t&atilde;o    consistentemente ignorada pela imprensa, investiga&ccedil;&atilde;o social,    negocia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ou di&aacute;logos interculturais/religiosos.    Ao analisar o fen&oacute;meno do Isl&atilde;o na actualidade portuguesa, perante    aquilo que vemos, a nossa curiosidade vai para o que n&atilde;o se v&ecirc;:    a aus&ecirc;ncia de manifesta&ccedil;&otilde;es contra a abertura de mesquitas,    de temas controversos no parlamento, na administra&ccedil;&atilde;o local ou    na imprensa, de oposi&ccedil;&atilde;o aos len&ccedil;os na cabe&ccedil;a, de    debates relativamente ao reconhecimento oficial ou padr&otilde;es de secularismo,    de discursos acad&eacute;micos sobre "anti mu&ccedil;ulmanismo", "islamofobia",    ou o papel do Isl&atilde;o nos processos de marginaliza&ccedil;&atilde;o social    e minorias &eacute;tnicas. H&aacute; que perguntar porqu&ecirc;. </p>      <p>&Agrave; primeira vista, a resposta radica no n&uacute;mero de imigrantes e    cidad&atilde;os mu&ccedil;ulmanos em Portugal, que &eacute; realmente muito    pequeno comparado com outras NPI. Isto explica que n&atilde;o haja um parlamento    ou conselho mu&ccedil;ulmano, como em Inglaterra, nem organiza&ccedil;&otilde;es    estudantis mu&ccedil;ulmanas, grupos femininos mu&ccedil;ulmanos e nenhuma negocia&ccedil;&atilde;o    sobre educa&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica em escolas p&uacute;blicas, como    existe na Alemanha, &Aacute;ustria, Espanha, Inglaterra, etc. Mas eu contesto    que o pequeno n&uacute;mero de mu&ccedil;ulmanos, que representam aqui a maior    minoria n&atilde;o crist&atilde;, seja a &uacute;nica explica&ccedil;&atilde;o    para esta t&atilde;o encorajadora situa&ccedil;&atilde;o portuguesa de coexist&ecirc;ncia    socioreligiosa. Penso que a verdadeira raz&atilde;o pode ser encontrada tanto    no desenvolvimento espec&iacute;fico portugu&ecirc;s sociocultural — do qual    a NPI foi uma parte integrante e uma consequ&ecirc;ncia — como nas condi&ccedil;&otilde;es    e capacidades espec&iacute;ficas da pr&oacute;pria presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana    em Portugal. Para evitar mal-entendidos &eacute; preciso notar que o sil&ecirc;ncio    que rodeia a minoria mu&ccedil;ulmana em Portugal n&atilde;o significa que ela    seja ignorada ou privilegiada. A minha tese &eacute; que ela foi negligenciada    em v&aacute;rios contextos e por v&aacute;rias raz&otilde;es. </p>      <p>Quais foram as circunst&acirc;ncias que provocaram esta marginaliza&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica? Qual o papel que desempenharam as principais partes envolvidas,    nomeadamente os grupos mu&ccedil;ulmanos, a imprensa, as pol&iacute;ticas de    minorias, as din&acirc;micas na esfera pol&iacute;tica e os outros grupos minorit&aacute;rios?    Trabalhando alguns dos factores que afectaram a rela&ccedil;&atilde;o entre    a minoria mu&ccedil;ulmana e a sociedade dominante, tentarei desenhar uma imagem    mais pormenorizada da NPI em Portugal. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>O <I>caso portugu&ecirc;s</I> numa perspectiva comparativa europeia</p> </B>      <p>S&oacute; em meados dos anos 80 os acad&eacute;micos come&ccedil;aram a ver    possibilidades v&aacute;lidas de pesquisar as quest&otilde;es levantadas pela    presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana na Europa. <a name="top3"></a>A princ&iacute;pio,    os estudos eram principalmente empreendidos por pa&iacute;ses com maior densidade    de popula&ccedil;&atilde;o imigrante, tal como a Fran&ccedil;a, a Inglaterra,    a Alemanha, os Pa&iacute;ses Baixos, a B&eacute;lgica e, por vezes, a Su&eacute;cia.<A HREF="#nota3"><SUP>3</SUP></A>    Em 1992, quando Nielsen apresentou o primeiro estudo comparativo completo sobre    mu&ccedil;ulmanos na Europa Ocidental, queixou-se da exist&ecirc;ncia de pouca    investiga&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana    no sul da Europa <a name="top4"></a>(Espanha, It&aacute;lia, Portugal, &Aacute;ustria    e Su&iacute;&ccedil;a).<A HREF="#nota4"><SUP>4</SUP></A> Durante a d&eacute;cada    de noventa, <a name="top5"></a>esta aus&ecirc;ncia de investiga&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica<A HREF="#nota5"><SUP>5</SUP></A> foi certamente colmatada relativamente    &agrave; NPI em todos estes pa&iacute;ses: mas NIP mais pequenas, tais como    as da<a name="top6"></a> Irlanda, Luxemburgo e Portugal, ainda n&atilde;o foram    inclu&iacute;das nos estudos comparativos.<A HREF="#nota6"><SUP>6</SUP></A>  </p> <I>      <p>Uma primeira aproxima&ccedil;&atilde;o</p> </I>       <p>A raz&atilde;o principal para esta falta substancial de investiga&ccedil;&atilde;o    relativamente &agrave; NPI em Portugal &eacute; seguramente o pequeno n&uacute;mero    de mu&ccedil;ulmanos. Existem hoje em Fran&ccedil;a entre 3 e 4 milh&otilde;es    de mu&ccedil;ulmanos, quase 7% da popula&ccedil;&atilde;o total. Entre 2 e 2,5    milh&otilde;es de mu&ccedil;ulmanos vivem na Alemanha (2,5% a 3%) e aproximadamente    1,5 milh&otilde;es na Gr&atilde;-Bretanha (2,6%). Mesmo os pa&iacute;ses que    t&ecirc;m uma popula&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana mais pequena, como a    Irlanda que tem 20 mil e o Luxemburgo que tem 10 mil, mostram uma percentagem    mais alta de mu&ccedil;ulmanos relativamente ao total da popula&ccedil;&atilde;o    (para comparar: Irlanda 0,6%; Luxemburgo 2,6%; e Portugal, no m&aacute;ximo    0,3% (Kettani, 1996: 15). </p>      <p>Outra raz&atilde;o tem que ver com a agenda acad&eacute;mica de Portugal. Cerca    de 10 anos ap&oacute;s a revolu&ccedil;&atilde;o e o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o,    a partir de meados dos anos 80, a investiga&ccedil;&atilde;o social em Portugal    come&ccedil;ou progressivamente a concentrar-se em novos temas de pesquisa provenientes    do enorme fluxo imigrat&oacute;rio. Havia outras coisas mais urgentes que a    NPI. Embora a presen&ccedil;a de grupos religiosos n&atilde;o crist&atilde;os    tivesse sido um fen&oacute;meno totalmente novo, desempenhava no m&aacute;ximo    um papel secund&aacute;rio nos estudos sobre grupos imigrantes etnicamente definidos,    que eram inseridos em projectos acad&eacute;micos por urg&ecirc;ncia de raz&otilde;es    socioecon&oacute;micas. E assim, a maioria dos estudos focou primeiro, e acima    de tudo, os cabo-verdianos, correspondentes ao maior grupo de imigra&ccedil;&atilde;o,    e outros grupos africanos, tais como os refugiados da guerra civil de Angola.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O primeiro e de longe o maior grupo de imigrantes mu&ccedil;ulmanos vem de    Mo&ccedil;ambique (a maioria de origem indiana) e da Guin&eacute;-Bissau. Na    sua maioria, os mu&ccedil;ulmanos de origem indiana tinham sido comerciantes    bem estabelecidos ou tinham pertencido a sectores laborais favorecidos em Mo&ccedil;ambique.    Vieram para Portugal gra&ccedil;as &agrave; africaniza&ccedil;&atilde;o e mais    tarde devido &agrave; guerra civil. As condi&ccedil;&otilde;es de integra&ccedil;&atilde;o    profissional eram melhores do que, por exemplo, as da maioria dos imigrantes    econ&oacute;micos de Cabo Verde. Obviamente os comerciantes resolveram muito    bem os obst&aacute;culos que tiveram de ultrapassar para se restabelecerem na    sua profiss&atilde;o. <a name="top7"></a>O perfil de imigrantes chegados posteriormente    da Guin&eacute;-Bissau mostra de novo uma percentagem not&aacute;vel de estudantes    (Saint-Maurice e Pena Pires, 1989), os quais em geral t&ecirc;m melhores capacidades    econ&oacute;micas e de integra&ccedil;&atilde;o do que os refugiados da guerra    civil de Angola, trabalhadores indiferenciados.<A HREF="#nota7"><SUP>7</SUP></A>  </p>      <p>Tanto quanto pude verificar, a maioria desses mu&ccedil;ulmanos em Portugal,    vindos da &Iacute;ndia e de Mo&ccedil;ambique, s&atilde;o oriundos da classe    m&eacute;dia (devido &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es e qualifica&ccedil;&otilde;es    laborais) e trabalham em actividades tradicionais e terci&aacute;rias modernas    (principalmente com&eacute;rcio e banca). Comparados com os imigrantes dos PALOP    na perspectiva da ocupa&ccedil;&atilde;o e emprego, os nacionais de Mo&ccedil;ambique    eram uma excep&ccedil;&atilde;o (Baganha, 1999). <a name="top8"></a>Aproximadamente    um ter&ccedil;o dos mu&ccedil;ulmanos em Portugal, principalmente as minorias    africanas e rec&eacute;m-chegados, vivem em pobreza econ&oacute;mica.<A HREF="#nota8"><SUP>8</SUP></A>    &Eacute; vis&iacute;vel que menos mu&ccedil;ulmanos de ascend&ecirc;ncia indiana    do que hindus vivem em bairros muito pobres de Lisboa. Enquanto as condi&ccedil;&otilde;es    de vida dos imigrantes econ&oacute;micos de pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos,    especialmente em fluxos de imigra&ccedil;&atilde;o recentes para Espanha e It&aacute;lia,    parecem muitas vezes problem&aacute;ticas e provocam tens&otilde;es, os grupos    heterog&eacute;neos de mu&ccedil;ulmanos, em Portugal, n&atilde;o puseram problemas    do ponto de vista socioecon&oacute;mico. <a name="top9"></a>At&eacute; hoje    os grupos mu&ccedil;ulmanos foram secundarizados em rela&ccedil;&atilde;o a    outras minorias, no dom&iacute;nio da pesquisa social.<A HREF="#nota9"><SUP>9</SUP></A>    Por raz&otilde;es compreens&iacute;veis, a actual situa&ccedil;&atilde;o em    Portugal chama mais a aten&ccedil;&atilde;o, por exemplo, para os ciganos e    timorenses. </p>      <p><a name="top10"></a>Mesmo assim, se se contarem todos os mu&ccedil;ulmanos    em Portugal, incluindo a heterog&eacute;nea comunidade sunita e os ismaelitas,    tem-se no m&aacute;ximo cerca de 38 mil (em compara&ccedil;&atilde;o, por exemplo,    com 12 mil hindus).<A HREF="#nota10"><SUP>10</SUP></A> Al&eacute;m disso, a    grande maioria deles vive em Lisboa e respectivos sub&uacute;rbios, principalmente    em certos bairros da periferia e na Baixa. <a name="top11"></a>Assim, &eacute;    certamente verdade que os mu&ccedil;ulmanos e o seu modo de vida s&atilde;o    vis&iacute;veis em Lisboa, tal como o s&atilde;o noutras metr&oacute;poles europeias.<A HREF="#nota11"><SUP>11</SUP></A>    Aparte a zona da Grande Lisboa, podemos tamb&eacute;m estudar com &ecirc;xito    a vida mu&ccedil;ulmana portuguesa em Loures, Vila Franca, Coimbra, Porto, Almada,    Portim&atilde;o e Faro. </p>      <p>Como noutros pa&iacute;ses da Europa Ocidental, a NPI em Portugal &eacute;    um fen&oacute;meno recente de imigra&ccedil;&atilde;o. De acordo com o seu tamanho,    as comunidades isl&acirc;micas portuguesas t&ecirc;m sido t&atilde;o bem sucedidas    como as suas cong&eacute;neres no resto da Europa em estabelecerem a sua rede    de rela&ccedil;&otilde;es e em se institucionalizarem. </p> <I>      <p>Que mais paralelos, diferen&ccedil;as e quest&otilde;es sobre a NPI portuguesa    se retiram de&nbsp;uma perspectiva comparativa europeia?</p> </I>       <p>No discurso sobre mu&ccedil;ulmanos na Europa, usamos o conceito <I>nova presen&ccedil;a    isl&acirc;mica</I> para abranger o fen&oacute;meno hist&oacute;rico recente    de uma popula&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana em constante crescimento e as    suas express&otilde;es culturais multifacetadas nos pa&iacute;ses que, durante    a guerra fria, compunham a "Europa livre". Este conceito aponta para o facto    de n&atilde;o estarmos a tratar de uma primeira e &uacute;nica presen&ccedil;a    isl&acirc;mica na Europa. Pelo contr&aacute;rio, ajuda a distinguir as <I>novas</I>    culturas mu&ccedil;ulmanas nas sociedades europeias da <I>presen&ccedil;a tradicional    isl&acirc;mica </I>na Europa Oriental e do Sul(por exemplo, nos Balc&atilde;s),    por um lado, e da <I>presen&ccedil;a isl&acirc;mica hist&oacute;rica </I>na    Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, por outro. Esta &uacute;ltima, os oito s&eacute;culos    de Al-Andaluz, pertence &agrave; hist&oacute;ria medieval e deixou uma rica    heran&ccedil;a cultural — mas nenhuma popula&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana.    Em meados do <I>curto s&eacute;culo XX</I> (<I>short twentieth century</I>)    (1914-1989), a imigra&ccedil;&atilde;o intensificou-se por raz&otilde;es diplom&aacute;ticas    e objectivos educacionais, bem como devido aos processos de descoloniza&ccedil;&atilde;o    e &agrave;s migra&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas dos pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos.    Estes processos iniciaram o que se tornou uma presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana    vasta em toda a Europa de hoje. </p>      <p>Al&eacute;m disso, o termo tem algumas conota&ccedil;&otilde;es reveladoras,    que apontam para caracter&iacute;sticas b&aacute;sicas do nosso tema. Falamos    numa <I>presen&ccedil;a</I> isl&acirc;mica, porque os mu&ccedil;ulmanos e o    seu modo de vida se tornaram vis&iacute;veis e representam uma din&acirc;mica    sociopol&iacute;tica e um factor cultural nas sociedades europeias. O que est&aacute;    actualmente <I>presente</I> na Europa s&atilde;o formas divergentes do quotidiano    mu&ccedil;ulmano e os processos de desenvolvimento em curso de culturas isl&acirc;micas    em diferentes ambientes <I>novos</I>. Raz&atilde;o porque mal se pode falar    de "<I>o</I> Isl&atilde;o na Europa", porque nem <I>Isl&atilde;o</I> nem <I>Europa</I>    podem ser vistos como corpos monol&iacute;ticos. </p>      <p>O outro aspecto <I>novo</I> das culturas isl&acirc;micas na Europa moderna    tem o seu exemplo vivo na NPI portuguesa. A heran&ccedil;a cultural &aacute;rabe    da presen&ccedil;a isl&acirc;mica hist&oacute;rica &eacute; bastante vis&iacute;vel    na arquitectura e na linguagem, por exemplo, mas a presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana    no Portugal de hoje n&atilde;o tem qualquer liga&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica    com a anterior popula&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana. </p>      <p>Finalmente chamamos-lhe <I>nova</I> pela raz&atilde;o v&aacute;lida de que    as actuais organiza&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas e grupos mu&ccedil;ulmanos    aqui se constitu&iacute;ram apenas em resultado da imigra&ccedil;&atilde;o.    Isto &eacute; crucial, porque aparte muito poucas excep&ccedil;&otilde;es, a    imigra&ccedil;&atilde;o para a Europa resultou de decis&otilde;es individuais,    que n&atilde;o foram tomadas por raz&otilde;es religiosas, por exemplo, por    objectivos mission&aacute;rios. Imigrantes mu&ccedil;ulmanos conheceram-se pela    primeira vez nos seus novos ambientes. Nos seus esfor&ccedil;os para estabelecer,    pelo menos, um m&iacute;nimo de infra-estruturas culturais/religiosas, tiveram    que escolher formas europeias de organiza&ccedil;&atilde;o da comunidade (tais    como "associa&ccedil;&otilde;es"), que s&atilde;o, dada a sua estrutura hier&aacute;rquica,    muitos estranhas aos contextos tradicionais isl&acirc;micos. </p> <I>      <p>Os factores que facilitaram a integra&ccedil;&atilde;o</p> </I>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os mu&ccedil;ulmanos em Portugal adaptaram-se facilmente. Tais como outras    NPI (da Gr&atilde;-Bretanha, Fran&ccedil;a e Holanda) que imigraram para a metr&oacute;pole    na sequ&ecirc;ncia da descoloniza&ccedil;&atilde;o, poucos problemas de l&iacute;ngua    tiveram que enfrentar. Tamb&eacute;m n&atilde;o lhes faltaram pelo menos alguns    irm&atilde;os de f&eacute;, j&aacute; anteriormente estabelecidos na metr&oacute;pole    por raz&otilde;es educativas ou diplom&aacute;ticas. Esses imigrantes mu&ccedil;ulmanos    iniciais eram normalmente da classe m&eacute;dia (educada) e assim pertencentes    &agrave; elite com capacidades econ&oacute;micas, sociais e intelectuais para    remover obst&aacute;culos burocr&aacute;ticos, no in&iacute;cio dos processos    de institucionaliza&ccedil;&atilde;o. Os mu&ccedil;ulmanos que vieram para Portugal    depois de Abril de 1974 encontraram alguns imigrantes mu&ccedil;ulmanos anteriores    que j&aacute; tinham vindo no final dos anos 50, princ&iacute;pios dos anos    60, para obter uma educa&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria. </p>      <p>Um dos principais problemas com que as NPI multifacetadas doutros pa&iacute;ses    t&ecirc;m que se debater actualmente &eacute; a elei&ccedil;&atilde;o de uma    pessoa ou o estabelecimento de uma organiza&ccedil;&atilde;o que represente    e sirva como eixo principal das comunidades mu&ccedil;ulmanas a n&iacute;vel    nacional. Este &eacute; um requisito pr&eacute;vio para as negocia&ccedil;&otilde;es    dos grupos mu&ccedil;ulmanos com institui&ccedil;&otilde;es governamentais,    sobre quest&otilde;es como o desenvolvimento de infra-estruturas culturais,    religiosas, isl&acirc;micas e para a conquista do reconhecimento pela pr&oacute;pria    comunidade. Estas quest&otilde;es incluem, por exemplo, o seu reconhecimento    oficial como comunidade religiosa, a concess&atilde;o de direitos f&uacute;nebres,    de feriados isl&acirc;micos, de prescri&ccedil;&otilde;es diet&eacute;ticas    em locais de emprego, escolas, hospitais e pris&otilde;es e a introdu&ccedil;&atilde;o    de educa&ccedil;&atilde;o religiosa isl&acirc;mica nas escolas p&uacute;blicas.    Dado que diferentes grupos de v&aacute;rios pa&iacute;ses de origem, frequentemente,    representam varia&ccedil;&otilde;es religiosas e culturais divergentes do Isl&atilde;o,    o desenvolvimento de organiza&ccedil;&otilde;es coordenadoras representativas    constitui obviamente um processo demorado e complicado. </p>      <p>Os pa&iacute;ses, tais como Portugal, onde a maioria da NPI provem da mesma    origem (o caso dos turcos na Alemanha, dos indo-paquistaneses na Gr&atilde;-Bretanha    e dos magrebinos em Fran&ccedil;a, por exemplo), tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o    excepcionais neste aspecto. Nestes contextos, os variados grupos, principalmente    organizados em comunidades locais de origem homog&eacute;nea, lutam frequentemente    com as mesmas quest&otilde;es controversas com que lutavam ou com que os seus    parentes ainda lutam, nos pa&iacute;ses que deixaram para tr&aacute;s. </p>      <p>Devido &agrave; sua pequena popula&ccedil;&atilde;o, a NPI portuguesa n&atilde;o    revela o padr&atilde;o das comunidades locais. Al&eacute;m do grupo maiorit&aacute;rio    de origem indiana, a Comunidade Isl&acirc;mica de Lisboa (CIL) parece hoje ser    quase um microcosmo do chamado <I>mundo isl&acirc;mico</I>. Fluxos mais pequenos    e movimentos migrat&oacute;rios individuais, durante os finais dos anos 80 e    nos anos 90, incluindo migra&ccedil;&otilde;es secund&aacute;rias oriundas de    Fran&ccedil;a e de Espanha, levaram &agrave; reuni&atilde;o de mu&ccedil;ulmanos    de v&aacute;rios pa&iacute;ses subsarianos, norte-africanos, &aacute;rabes e    alguns sul-asi&aacute;ticos, na mesquita central. Embora as comunidades fora    de Lisboa estejam organizadas independentemente e tenham edificado as suas pr&oacute;prias    associa&ccedil;&otilde;es, a CIL, gra&ccedil;as ao seu tamanho, e por causa    da elite mu&ccedil;ulmana portuguesa que nela participa, desempenha um papel    central. Embora este papel representativo n&atilde;o esteja formalmente registado,    &eacute; principalmente a CIL que gere as rela&ccedil;&otilde;es com n&atilde;o    mu&ccedil;ulmanos, independentemente das preocupa&ccedil;&otilde;es que jornalistas,    pol&iacute;ticos e quaisquer organiza&ccedil;&otilde;es religiosas e seculares    lhe trazem. A pol&iacute;tica da auto-estimada comunidade (representada pelos    mu&ccedil;ulmanos portugueses de origem indo-paquistanesa) n&atilde;o &eacute;    de nenhuma forma hostil, perante o seu meio ambiente. D&atilde;o entrevistas    pacientemente sempre que lhes pedem coment&aacute;rios sobre acontecimentos    e crises internacionais, de alguma forma ligados ao mundo isl&acirc;mico. Utilizam    esta aten&ccedil;&atilde;o para explicar a sua religi&atilde;o e acentuar a    sua nega&ccedil;&atilde;o — e demarca&ccedil;&atilde;o — de movimentos pol&iacute;ticos    extremistas. Embora seja necess&aacute;rio assumir que dentro da comunidade    os desacordos sobre v&aacute;rias quest&otilde;es pertencem &agrave; rotina    di&aacute;ria, a elite de "figuras-de-integra&ccedil;&atilde;o" trata, geralmente,    de evitar que as lutas internas se tornem p&uacute;blicas. Uma luta fratricida    intensa sobre a elei&ccedil;&atilde;o para a presid&ecirc;ncia da CIL, em meados    dos anos 80, foi uma excep&ccedil;&atilde;o. Foi a &uacute;nica vez que a comunidade    mu&ccedil;ulmana realmente atraiu publicidade negativa sobre si pr&oacute;pria.  </p>      <p>O n&uacute;mero de mu&ccedil;ulmanos em crescimento constante &eacute; visto    como um dos fen&oacute;menos mais significativos da Europa moderna (Antes, 1994:    46), especialmente num per&iacute;odo em que a Europa procura definir o que    &eacute; conhecido como a sua "identidade cultural". Infelizmente, as raz&otilde;es    para uma maior aten&ccedil;&atilde;o derivam frequentemente de meandros lament&aacute;veis    da pol&iacute;tica e da religi&atilde;o e de uma equaliza&ccedil;&atilde;o indiferenciada    dos chamados fundamentalistas, movimentos pol&iacute;ticos com culturas isl&acirc;micas    multifacetadas <I>per se. </I>Os cidad&atilde;os locais s&atilde;o incitados    por extremistas a resistir &agrave; crescente presen&ccedil;a cultural do Isl&atilde;o    no seu seio. Percep&ccedil;&otilde;es generalizadas de "o outro/o estranho"    e historiografias tendenciosas perpetuam estes preconceitos. Acima de tudo os    <I>media</I> desempenham um papel importante. E assim, em seguida apresentaremos    uma avalia&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana nos <I>media</I>    portugueses e a fun&ccedil;&atilde;o destes &uacute;ltimos. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>Mu&ccedil;ulmanos e sociedade portuguesa: chegada, forma&ccedil;&atilde;o,    integra&ccedil;&atilde;o e&nbsp;sua presen&ccedil;a nos <I>media</I></p> </B>     <p>O fen&oacute;meno ainda muito recente da nova presen&ccedil;a isl&acirc;mica    na costa ocidental da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica foi desencadeado na viragem    hist&oacute;rica do Portugal de hoje: a partir do ano de 1974, quando o regime    de Salazar/Caetano finalmente caiu e as antigas col&oacute;nias ganharam a sua    independ&ecirc;ncia. </p>      <p><a name="top12"></a>A sociedade portuguesa come&ccedil;ou a experimentar uma    mudan&ccedil;a dr&aacute;stica. Esta mudan&ccedil;a fundamental na paisagem    pol&iacute;tica, social e demogr&aacute;fica come&ccedil;ou com a revolu&ccedil;&atilde;o,    que desencadeou a transi&ccedil;&atilde;o de um sistema autorit&aacute;rio para    a democracia,<A HREF="#nota12"><SUP>12</SUP></A> e com a h&aacute; muito devida    independ&ecirc;ncia das col&oacute;nias africanas, <a name="top13"></a>que iniciaram    o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o.<A HREF="#nota13"><SUP>13</SUP></A>  </p> <I>      <p>O contexto hist&oacute;rico-social da chegada de mu&ccedil;umanos</p> </I>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o foi apenas a rigidez do sistema e do ambiente que come&ccedil;ou    a mudar rapidamente. <a name="top14"></a>Aproximadamente meio milh&atilde;o    dos chamados <I>retornados</I> regressou ao seu pa&iacute;s natal.<A HREF="#nota14"><SUP>14</SUP></A>    As consequ&ecirc;ncias das mudan&ccedil;as dr&aacute;sticas em ambas as &aacute;reas    (PALOP e metr&oacute;pole) foi que a na&ccedil;&atilde;o portuguesa (por um    curto per&iacute;odo) passou rapidamente de um pa&iacute;s de <I>emigra&ccedil;&atilde;o</I>    para um pa&iacute;s de<I> imigra&ccedil;&atilde;o. </I>Isto mudou v&aacute;rios    aspectos fundamentais da sua autopercep&ccedil;&atilde;o. Ap&oacute;s ter travado    uma batalha perdida nas col&oacute;nias africanas, o papel do imp&eacute;rio    colonial perdera-se para sempre e as palavras program&aacute;ticas de Salazar,    "orgulhosamente s&oacute;s", tornaram-se obsoletas. Como se sabe, aquela frase    famosa pagou outrora tributo ao conceito pol&iacute;tico de Estado Novo, reflectindo    o isolamento de Portugal, pelo menos da Europa, em mat&eacute;ria de assuntos    econ&oacute;micos e externos. Aparte os desenvolvimentos pol&iacute;ticos internos,    as altera&ccedil;&otilde;es &agrave; autopercep&ccedil;&atilde;o de Portugal    iniciaram-se na viragem da perspectiva autoformada "pancontinental" para o desejo    de integra&ccedil;&atilde;o na Europa, e de novos conceitos para uma pol&iacute;tica    externa nova. <I>Post festum, </I>a frase "orgulhosamente s&oacute;s" tornou-se    obsoleta por outra raz&atilde;o: </p>      <p><a name="top15"></a>Tal como meio milh&atilde;o dos <I>retornados, </I>cerca    de 30 a 45 mil indiv&iacute;duos n&atilde;o portugueses abandonaram as ex-col&oacute;nias,    durante os primeiros anos p&oacute;s-revolucion&aacute;rios, e instalaram-se    nas grandes cidades portuguesas principalmente nas zonas de Lisboa e Porto.<A HREF="#nota15"><SUP>15</SUP></A>  </p>      <p>A situa&ccedil;&atilde;o e condi&ccedil;&otilde;es de vida eram totalmente    intoler&aacute;veis nos PALOP — e n&atilde;o apenas para o povo portugu&ecirc;s.    Anos de guerra pela independ&ecirc;ncia e a s&uacute;bita aus&ecirc;ncia das    antigas estruturas administrativas portuguesas, levaram a uma acentuada deteriora&ccedil;&atilde;o    de um <I>status quo</I> j&aacute; dificilmente toler&aacute;vel. Angola e Mo&ccedil;ambique    ca&iacute;ram na guerra civil. </p> <I>      <p>Uma nova diversidade religiosa e cultural</p> </I>       <p>Tal como se verificara uns anos antes em Fran&ccedil;a, na Gr&atilde;-Bretanha,    na Holanda e na Alemanha, a imigra&ccedil;&atilde;o — causada pela descoloniza&ccedil;&atilde;o    e/ou pela migra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica — mudou as constela&ccedil;&otilde;es    religiosoculturais dos pa&iacute;ses europeus. Iniciada pelo processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o,    a paisagem religiosa e cultural de um Portugal muito cat&oacute;lico mudou —    fen&oacute;meno mais vis&iacute;vel em Lisboa e seus sub&uacute;rbios. </p>      <p>Ao mesmo tempo, quando se lan&ccedil;aram as pedras fundadoras do pluralismo    pol&iacute;tico e da consolida&ccedil;&atilde;o da democracia, os pa&iacute;ses    da Europa Ocidental de emigra&ccedil;&atilde;o por excel&ecirc;ncia "perderam"    a sua enorme homogeneidade religiosa e cultural — o que foi mais vis&iacute;vel    em Lisboa e seus arredores. </p>      <p><a name="top16"></a>A filia&ccedil;&atilde;o religiosa e o passado cultural    dos imigrantes dos PALOP s&atilde;o diversificados: religi&otilde;es (locais)    africanas, paganismo e cultos sincretistas, catolicismo de influ&ecirc;ncia    romana e formas africanas, uma pequena percentagem de protestantismo, formas    diferentes de Isl&atilde;o afro-cultural (incluindo grupos sufi), Isl&atilde;o    sunita de antiga origem indiana, ismaelismo e hindu&iacute;smo.<A HREF="#nota16"><SUP>16</SUP></A>    Os mu&ccedil;ulmanos sunitas africanos <a name="top17"></a>vieram da Guin&eacute;-Bissau.<A HREF="#nota17"><SUP>17</SUP></A>    Outros mu&ccedil;ulmanos africanos emigraram para Portugal <a name="top18"></a>vindos    de Mo&ccedil;ambique.<A HREF="#nota18"><SUP>18</SUP></A> Embora haja muitos    mu&ccedil;ulmanos sunitas da &Aacute;frica Oriental e ismaelitas (um ramo xia),    ambos de origem indiana, Mo&ccedil;ambique foi o ponto de partida da maioria    dos mu&ccedil;ulmanos que vivem actualmente em Portugal. </p>      <p><a name="top19"></a>Por v&aacute;rias raz&otilde;es, o estudo da nova presen&ccedil;a    isl&acirc;mica na Europa debate-se com o problema geral de reunir dados num&eacute;ricos    fi&aacute;veis, o que &eacute; verdade tanto para cidad&atilde;os mu&ccedil;ulmanos,    como para imigrantes que vivem em Portugal.<A HREF="#nota19"><SUP>19</SUP></A>    Somos for&ccedil;ados a trabalhar com base em diferentes c&aacute;lculos de    n&uacute;meros de casos desconhecidos de imigrantes e com uma imigra&ccedil;&atilde;o    ainda em movimento — e fluxos de emigra&ccedil;&atilde;o. <a name="top20"></a>Al&eacute;m    disso, a maioria das estat&iacute;sticas dispon&iacute;veis sobre imigra&ccedil;&atilde;o,    bem como os resultados das campanhas de legaliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o    documentam dados de filia&ccedil;&atilde;o religiosa, como o recenseamento nacional    portugu&ecirc;s normalmente faz.<A HREF="#nota20"><SUP>20</SUP></A> Contudo,    parece que apenas uma percentagem n&atilde;o representativa de imigrantes participou    nesses recenseamentos. <a name="top21"></a>Para al&eacute;m de dados documentados    de benefici&aacute;rios de apoios financeiros, participantes em programas educacionais,    casamentos, funerais e os n&uacute;meros de eleitores nas assembleias gerais,    as pr&oacute;prias comunidades mu&ccedil;ulmanas apenas podem estimar o n&uacute;mero    dos seus membros.<A HREF="#nota21"><SUP>21</SUP></A>S&atilde;o elas, acima de    tudo, quem pode apresentar a vis&atilde;o geral mais realista, por isso a grande    maioria dos artigos de jornal assenta nessa vis&atilde;o.<a name="top22"></a>    Dado que as comunidades s&atilde;o do ponto de vista econ&oacute;mico inteiramente    aut&oacute;nomas do estado e que nas negocia&ccedil;&otilde;es legais n&atilde;o    beneficiar&atilde;o de qualquer vantagem pela sua mais elevada representa&ccedil;&atilde;o    proporcional, n&atilde;o h&aacute; verdadeira raz&atilde;o para que elas declarem    o seu n&uacute;mero por excesso ou por defeito.<A HREF="#nota22"><SUP>22</SUP></A>Al&eacute;m    disso, at&eacute; certo ponto, todos os dados num&eacute;ricos se baseiam em    c&aacute;lculos e n&atilde;o cont&ecirc;m informa&ccedil;&atilde;o clara sobre    a pr&aacute;tica religiosa di&aacute;ria de indiv&iacute;duos mu&ccedil;ulmanos    a viver em Portugal. </p> <I>      <p>Integra&ccedil;&atilde;o da comunidade isl&acirc;mica em&nbsp;Portugal</p> </I>      <p>O xiismo &eacute; quase exclusivamente representado por um ramo especial, chamado    <I>Shia Imami Nizari Muslims</I> (Mu&ccedil;ulmanos Xia Imami Nizari), seguidores    do seu l&iacute;der carism&aacute;tico Aga Khan, que &eacute; igualmente uma    autoridade em assuntos seculares. <a name="top23"></a>A comunidade ismaelita    re&uacute;ne entre 6 e 8 mil membros,<A HREF="#nota23"><SUP>23</SUP></A>normalmente    de origem indiana (principalmente do Gujarate), que se fixaram sobretudo em    Lisboa e, em menor parte, no Porto. Estes est&atilde;o intimamente ligados &agrave;s    suas comunidades cong&eacute;neres no Canad&aacute;, Gr&atilde;-Bretanha e Espanha,    e parecem integrar-se muito bem. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maioria dos membros da actual comunidade em Portugal j&aacute; se conhecia    na comunidade ismaelita em Mo&ccedil;ambique. A migra&ccedil;&atilde;o colectiva    &eacute; uma excep&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria para grupos mu&ccedil;ulmanos    na Europa, mas uma caracter&iacute;stica dos ismaelitas, com uma comunidade    global que ronda os 15 milh&otilde;es de pessoas. Al&eacute;m de n&atilde;o    terem uma p&aacute;tria, a sua hist&oacute;ria, onde a expuls&atilde;o e a discrimina&ccedil;&atilde;o    ocorreram regularmente, explica a sua familiaridade com a migra&ccedil;&atilde;o.    As redes de Aga Khan funcionam muito bem, como organiza&ccedil;&otilde;es, incluindo    servi&ccedil;os de sa&uacute;de e de educa&ccedil;&atilde;o na &Aacute;sia,    &Aacute;frica e M&eacute;dio Oriente, a Universidade Aga Khan e Faculdades de    Ci&ecirc;ncias de Sa&uacute;de. A <I>Funda&ccedil;&atilde;o Aga Khan</I>, que    tamb&eacute;m tem uma depend&ecirc;ncia em Lisboa, &eacute; igualmente bem conhecida    e respeitada pelos seus &ecirc;xitos no desenvolvimento de projectos de ajuda    e pelo seu apoio &agrave; arquitectura isl&acirc;mica moderna. </p>      <p>Os dois princ&iacute;pios fundamentais, introduzidos pelo seu l&iacute;der    espiritual e im&atilde;, Aga Khan, que os ismaelitas t&ecirc;m sempre de cumprir,    diz muito sobre a sua capacidade para se integrarem e cooperarem com a migra&ccedil;&atilde;o.    A primeira e mais importante &eacute; a obriga&ccedil;&atilde;o religiosa para    com o Isl&atilde;o e para com o im&atilde;. A segunda &eacute; a lealdade para    com o pa&iacute;s onde vivem, e para com qualquer governo respons&aacute;vel    pela seguran&ccedil;a e bem-estar da comunidade ismaelita. Os ismaelitas t&ecirc;m    uma rela&ccedil;&atilde;o &uacute;nica com Aga Khan. Seguem as indica&ccedil;&otilde;es    directas que o pr&iacute;ncipe Karim Aga Khan IV forneceu atrav&eacute;s de    discursos e mandamentos. De acordo com o seu novo meio-ambiente e contextos    sociais, os grupos ismaelitas seguiram os conceitos dos seus l&iacute;deres    de "ocidentaliza&ccedil;&atilde;o" (como na &Iacute;ndia sob dom&iacute;nio    brit&acirc;nico e hoje em qualquer sociedade ocidental), de "des-indianiza&ccedil;&atilde;o"    (no Uganda, Qu&eacute;nia, Mo&ccedil;ambique) e, em termos de espiritualidade,    uma mais recente "re-islamiza&ccedil;&atilde;o". Geralmente, praticam uma forma    de f&eacute; que &eacute; reconhecidamente diferente de outras formas de islamismo.    A sua forma de islamismo busca um equil&iacute;brio entre o espiritual e o material.  </p>      <p>A palavra "Isl&atilde;o" significa paz, que para eles quer dizer paz de esp&iacute;rito,    mas tamb&eacute;m a compreens&atilde;o entre os homens e o seu bem-estar material.    A educa&ccedil;&atilde;o e o acesso a bons empregos tamb&eacute;m desempenham    um papel fundamental. Nos anos 80 e no princ&iacute;pio dos anos 90, a maioria    das lojas de fotoc&oacute;pias em Lisboa pertencia a fam&iacute;lias ismaelitas.    A ideia de v&aacute;rias fam&iacute;lias com quem falei em Lisboa era integrar    os seus filhos rapidamente em qualquer forma poss&iacute;vel de emprego (comerciante,    empregado) e criar os recursos financeiros necess&aacute;rias para dar uma educa&ccedil;&atilde;o    superior &agrave;s suas filhas. Escolher uma profiss&atilde;o respeitada foi    considerado mais importante para as mulheres. Em finais dos anos 90, foi constru&iacute;do    em Lisboa o imponente <I>Centro Ismaeli</I> (na Rua Abranches Ferr&atilde;o,    desenhado pelo arquitecto Raj Rewal, em coopera&ccedil;&atilde;o com o arquitecto    portugu&ecirc;s Frederico Valsassina). Espelhando o conceito de integra&ccedil;&atilde;o    ismaelita, o centro assimila em si pr&oacute;prio estilos arquitect&oacute;nicos    e influ&ecirc;ncias do Mosteiro dos Jer&oacute;nimos de Lisboa, do Fatehpur    Sikri da &Iacute;ndia e do Alhambra em Espanha. Sempre que o pr&iacute;ncipe    Aga Khan visita Portugal, como j&aacute; fez duas vezes desde que os ismaelitas    aqui vivem, as autoridades portuguesas tratam o acontecimento como uma esp&eacute;cie    de recep&ccedil;&atilde;o estatal. Tal como outros mu&ccedil;ulmanos sunitas    e, por vezes, os xia, a imprensa portuguesa distingue sempre o extraordin&aacute;rio    grupo xia de outros seguidores da f&eacute; isl&acirc;mica. </p> <I>      <p>Integra&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o das elites locais:    a CIL</p> </I>      <p>Os primeiros mu&ccedil;ulmanos que se fixaram em Portugal nos anos 50 eram    sunitas de Mo&ccedil;ambique: estudantes solteiros de fam&iacute;lias de origem    indiana, que s&oacute; se conheceram em Lisboa. Os mu&ccedil;ulmanos mais conhecidos,    que dominam as comiss&otilde;es avan&ccedil;adas da CIL at&eacute; aos dias    de hoje, t&ecirc;m sido esses primeiros imigrantes. Suleyman Valy Mamede, que    chegou a Lisboa em 1953, tornou-se o fundador da comunidade e a figura-de-integra&ccedil;&atilde;o    mais importante. Este escritor erudito, com diversas obras sobre assuntos isl&acirc;micos    e professor universit&aacute;rio, &eacute; conhecido como "O&nbsp;Pai da Mesquita".    Foi presidente da CIL durante dezassete anos. Tamb&eacute;m dirigiu a importante    ag&ecirc;ncia portuguesa de not&iacute;cias, ANOP, que foi igualmente encerrada    no final da sua direc&ccedil;&atilde;o. <a name="top24"></a>Al&eacute;m disso,    Mamede foi membro activo do PSD.<A HREF="#nota24"><SUP>24</SUP></A> Houve quem    dissesse que, gra&ccedil;as ao seu envolvimento, o PSD tinha sido o mediador    privilegiado na inicia&ccedil;&atilde;o de contactos diplom&aacute;ticos sobre    assuntos externos com os pa&iacute;ses &aacute;rabes, ap&oacute;s 1974. De facto,    em 1979, por ocasi&atilde;o do lan&ccedil;amento da primeira pedra da mesquita    central, o <I>Expresso</I> titulava o respectivo artigo: "Constru&ccedil;&atilde;o    da mesquita de Lisboa poder&aacute; estimular aproxima&ccedil;&atilde;o entre    Portugal e o mundo &aacute;rabe" (<I>Expresso</I>, 03-02-1979). Este foi o primeiro    artigo de jornal sobre a comunidade isl&acirc;mica portuguesa, depois de Abril    de 1974, que consegui encontrar nos arquivos de Lisboa. E considero not&aacute;vel    que descreva, acima de tudo, as vantagens presum&iacute;veis para Portugal (muito    dependente do petr&oacute;leo) derivadas da presen&ccedil;a isl&acirc;mica.    Valy Mamede, presidente da CIL nessa altura, foi o protagonista da luta (acima    referida) sobre as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 1985 na CIL. As principais    pessoas envolvidas estavam ligadas a um pequeno grupo de primeiros imigrantes    mu&ccedil;ulmanos. Mussa Omar, um cirurgi&atilde;o, come&ccedil;ou por ter uma    ac&ccedil;&atilde;o decisiva no apoio ao opositor de Mamede (Isaac Cassimo Sem&aacute;)    e finalmente tornou-se ele pr&oacute;prio candidato.<a name="top25"></a> Como    compromisso, que se tornara urgente para acalmar a situa&ccedil;&atilde;o, um    dos outros "pioneiros", Abdool Karim Vakil, director de um banco, passou a candidato    principal e presidente.<A HREF="#nota25"><SUP>25</SUP></A> Vakil guardou algumas    fotografias dos primeiros tempos da vida isl&acirc;mica em Portugal, nos anos    60, quando 15 ou 20 mu&ccedil;ulmanos se juntavam em sua casa para rezar em    conjunto: "Quando era ocasi&atilde;o de festas, o Ramad&atilde;o por exemplo,    and&aacute;vamos &agrave; procura de outros mu&ccedil;ulmanos para fazerem connosco    as ora&ccedil;&otilde;es" (<I>Expresso Revista</I>, 11-03-1989). <a name="top26"></a>Em    1968, quando a Comunidade Isl&acirc;mica de Lisboa (sunita) foi fundada, tinha    apenas 25 ou 30 membros.<A HREF="#nota26"><SUP>26</SUP></A> Aparte a falta de    locais de ora&ccedil;&atilde;o (pelo menos provis&oacute;rios),<a name="top27"></a>    a elite isl&acirc;mica teve de enfrentar outros problemas, no tempo do Estado    Novo.<A HREF="#nota27"><SUP>27</SUP></A> Valy Mamede foi chamado &agrave; PIDE    19 vezes. O Governo Civil de Lisboa pediu-lhe umas 18 vezes para entregar certos    documentos legais, relativos aos tratados relacionados com a funda&ccedil;&atilde;o    da CIL. Como nessa altura Portugal ainda tinha um imp&eacute;rio colonial, o    estabelecimento de uma comunidade isl&acirc;mica na metr&oacute;pole era obviamente    considerado problem&aacute;tico pelo governo, numa altura em que o colonialismo    tinha um car&aacute;cter duvidoso para a maioria dos pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos    afectados. </p>      <p><a name="top28"></a>A partir de Abril de 1974, o n&uacute;mero calculado de    mu&ccedil;ulmanos sunitas a viver em Portugal situava-se entre os 4 e os 6 mil.<A HREF="#nota28"><SUP>28</SUP></A>    O embaixador do Egipto convidou os seus irm&atilde;os de f&eacute; a usar as    caves das suas resid&ecirc;ncias como local de ora&ccedil;&atilde;o. Em 1979,    o governo de Mota Pinto ofereceu uma parte do pal&aacute;cio do Pr&iacute;ncipe    Real &agrave; comunidade, para instalar uma mesquita provis&oacute;ria. Os mu&ccedil;ulmanos    que n&atilde;o viviam perto destes locais continuaram a reunir-se em pens&otilde;es    e casas privadas. Embora a primeira peti&ccedil;&atilde;o para o terreno (perto    da Pra&ccedil;a de Espanha, no Bairro Azul) para a constru&ccedil;&atilde;o    da mesquita central estivesse pronta em 1966, os planos concretos de constru&ccedil;&atilde;o    s&oacute; puderam come&ccedil;ar em 1978, quando a licen&ccedil;a de constru&ccedil;&atilde;o    foi finalmente concedida. Os construtores e empreiteiros portugueses e o arquitecto    Il&iacute;dio Monteiro, tamb&eacute;m portugu&ecirc;s, receberam a encomenda    do ambicioso empreendimento, que s&oacute; p&ocirc;de ser concretizado com o    apoio financeiro de pa&iacute;ses isl&acirc;micos. O <I>Centro Isl&acirc;mico    de Portugal</I>, criado pelo embaixador de Marrocos, era uma coopera&ccedil;&atilde;o    de todos os representantes diplom&aacute;ticos dos pa&iacute;ses isl&acirc;micos    em Portugal. Foi fundado em 1976 para apoiar a CIL no processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o.    Tal como noutros pa&iacute;ses europeus, onde se constru&iacute;ram mesquitas,    a Ar&aacute;bia Saudita, com a sua contribui&ccedil;&atilde;o de um milh&atilde;o    de d&oacute;lares, foi o principal financiador. Segundo uma lista publicada    no di&aacute;rio <I>A Capital</I> (28-03-1985), com base numa declara&ccedil;&atilde;o    de Mamede, o Kuwait fez a segunda maior doa&ccedil;&atilde;o com 550 mil d&oacute;lares,    seguido da L&iacute;bia (200 mil d&oacute;lares), dos Emiratos &Aacute;rabes    Unidos e do Sultanato de Oman (ambos com 100 mil d&oacute;lares), do Ir&atilde;o    ($50 mil) e do Iraque ($40 mil). Diversos outros pa&iacute;ses, como o Paquist&atilde;o,    o Egipto, a Jord&acirc;nia e o L&iacute;bano, doaram quantias mais pequenas.    Uma consequ&ecirc;ncia existencial da luta publicamente fratricida para a presid&ecirc;ncia    da comunidade foi que os principais investidores pararam com as suas contribui&ccedil;&otilde;es.    Mesmo hoje, sectores da mesquita central est&atilde;o ainda por terminar segundo    o projecto inicial. A situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica da CIL deteriorou-se,    mas agora &eacute; independente. </p>      <p><a name="top29"></a>Durante os anos 80, o n&uacute;mero de mu&ccedil;ulmanos    em Portugal aumentou para 15 mil,<A HREF="#nota29"><SUP>29</SUP></A> e nos anos    90 aumentou para 20 a 30 mil<a name="top30"></a> (Kettani, 1996: 15).<A HREF="#nota30"><SUP>30</SUP></A>  </p>      <p>A primeira mesquita foi constru&iacute;da em 1982 no Laranjeiro (<I>Comunidade    Isl&acirc;mica do Sul do Tejo</I>), seguida, um ano depois, pela pequena mas    impressionante mesquita <I>Aicha Siddika</I>, em Odivelas. Geralmente, as reac&ccedil;&otilde;es    de curiosidade de ocasionais n&atilde;o mu&ccedil;ulmanos, habitantes das zonas    junto aos locais de culto, foram bastante descontra&iacute;das. A excep&ccedil;&atilde;o    a esta regra ocorreu durante a inaugura&ccedil;&atilde;o em Odivelas. Um grupo    de jovens manifestou violentamente a sua intoler&acirc;ncia, o que levou os    mu&ccedil;ulmanos a convid&aacute;-los imediatamente para a mesquita, para um    debate educativo. Isto resolveu o problema. Hoje, os mu&ccedil;ulmanos dizem    que s&atilde;o respeitados pela comunidade circundante e que &agrave;s vezes    at&eacute; recebem apoios dos seus vizinhos. </p>      <p>Em 1985, a grande mesquita central de Lisboa abriu finalmente as portas. Em    1991, foi inaugurada uma mesquita em Coimbra, no bairro de Santa Apol&oacute;nia,    onde cerca de 15 fam&iacute;lias e uma centena de estudantes mu&ccedil;ulmanos    se juntam para orar. <a name="top31"></a>Representantes das institui&ccedil;&otilde;es    governamentais portuguesas sempre aceitaram os convites para participar nas    cerim&oacute;nias. Mais de 10 mesquitas provis&oacute;rias<A HREF="#nota31"><SUP>31</SUP></A>    e locais de culto est&atilde;o espalhados<a name="top32"></a> por Lisboa e pelo    pa&iacute;s.<A HREF="#nota32"><SUP>32</SUP></A> Tr&ecirc;s casas <a name="top33"></a>para    a cultura e educa&ccedil;&atilde;o isl&acirc;micas s&atilde;o bem frequentadas    por mu&ccedil;ulmanos adultos e especialmente por crian&ccedil;as.<A HREF="#nota33"><SUP>33</SUP></A>    A (conservadora) "voz isl&acirc;mica em Portugal", o jornal <I>Al-Furq&aacute;n</I>,    editado desde 1981, tamb&eacute;m publica monografias e panfletos sobre assuntos    isl&acirc;micos e, mais recentemente, organizou feiras de livros. Em 1989, Valy    Mamede fundou o <I>Centro Portugu&ecirc;s de Estudos Isl&acirc;micos</I>, independente,    em Lisboa, e existe ainda uma associa&ccedil;&atilde;o para a educa&ccedil;&atilde;o    isl&acirc;mica. </p>      <p><a name="top34"></a>Pode encontrar-se o Cor&atilde;o na tradu&ccedil;&atilde;o    portuguesa,<A HREF="#nota34"><SUP>34</SUP></A> bem como cassetes de v&iacute;deo    sobre a hist&oacute;ria, a cultura e o culto do islamismo. Animadas discuss&otilde;es    sobre t&oacute;picos, como as rela&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s-mu&ccedil;ulmanas    no presente e na hist&oacute;ria, a educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as    no novo mil&eacute;nio e as mulheres no Isl&atilde;o, efectuam-se entre mu&ccedil;ulmanos    (e n&atilde;o mu&ccedil;ulmanos) no <I><a name="top35"></a>F&oacute;rum Isl&acirc;mico</I>    da internet.<A HREF="#nota35"><SUP>35</SUP></A> Uma portuguesa convertida ao    islamismo decidiu conceber uma bela p&aacute;gina para as suas irm&atilde;s    de f&eacute;. Chama-se <I>Jardim de Aisha</I> e pretende ser um local de discuss&atilde;o    de quest&otilde;es isl&acirc;micas e femininas. No local de perguntas sobre    a convers&atilde;o ao islamismo, as hist&oacute;rias pessoais e experi&ecirc;ncias    individuais da maioria dos jovens portugueses convertidos est&atilde;o sempre    abertas a discuss&atilde;o. A convers&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m um t&oacute;pico    na sec&ccedil;&atilde;o "Perguntas ao im&atilde;", onde o j&aacute; referido    te&oacute;logo da CIL responde principalmente a mu&ccedil;ulmanos de l&iacute;ngua    portuguesa, que lhe enviam as perguntas de Portugal, Brasil e por vezes mesmo    da Gr&atilde; Bretanha, e que gostam de fazer contactos aqui com os seus irm&atilde;os    e irm&atilde;s de f&eacute;. Gra&ccedil;as &agrave; l&iacute;ngua portuguesa    partilhada e &agrave;s novas tecnologias, aumentou nos &uacute;ltimos anos a    liga&ccedil;&atilde;o entre mu&ccedil;ulmanos portugueses e brasileiros. O que    &eacute; interessante, pois aqueles n&atilde;o partilham nem uma experi&ecirc;ncia    hist&oacute;rica semelhante, nem os mesmos costumes tradicionais regionais,    ou descendentes. <a name="top36"></a>Ao contr&aacute;rio da portuguesa NPI,    a maioria dos mu&ccedil;ulmanos brasileiros de hoje &eacute; do M&eacute;dio    Oriente (al-Ahari, 1999).<A HREF="#nota36"><SUP>36</SUP></A> Os <I>chats</I>    da internet, bem como a visita de um im&atilde; brasileiro a Lisboa, em 1995,    que tamb&eacute;m participou num <I>talk-show</I> televisivo (<I>P&uacute;blico</I>,    09-02-1995), fornecem as provas desta nova interac&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As crian&ccedil;as mu&ccedil;ulmanas frequentam aulas isl&acirc;micas depois    da escola. Comerciantes mu&ccedil;ulmanos re&uacute;nem-se durante o dia nas    traseiras das suas lojas, para realizar as suas ora&ccedil;&otilde;es. O sonho    e orgulho das fam&iacute;lias e comunidades mu&ccedil;ulmanas &eacute; enviar    ao estrangeiro pelo menos um dos seus filhos com um curso, para receber uma    boa educa&ccedil;&atilde;o em estudos isl&acirc;micos. <a name="top37"></a>No    caso de, devido a uma melhor situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, os pais    mu&ccedil;ulmanos terem a possibilidade de enviar os seus filhos para estudar    no estrangeiro, a Gr&atilde;-Bretanha parece ser o local preferido (ver <I>Expresso    Revista</I>, 11-03-1989).<A HREF="#nota37"><SUP>37</SUP></A> Al&eacute;m do    facto de, na Europa, a Gr&atilde;-Bretanha oferecer a mais vasta escala de objectivos    educacionais isl&acirc;micos, uma explica&ccedil;&atilde;o deste fen&oacute;meno    pode ser que a NPI na Gr&atilde; Bretanha, bem como em Portugal, &eacute; principalmente    representada por mu&ccedil;ulmanos de origem indo-paquistanesa. Mesmo assim,    &eacute; interessante observar que uma minoria mu&ccedil;ulmana a viver em pa&iacute;ses    europeus prefere outro pa&iacute;s europeu ao mundo &aacute;rabe, para uma educa&ccedil;&atilde;o    isl&acirc;mica de alto n&iacute;vel — um facto que levanta outra quest&atilde;o    relativamente &agrave; autopercep&ccedil;&atilde;o da minoria isl&acirc;mica    europeia e &agrave; sua fixa&ccedil;&atilde;o num novo ambiente. Os la&ccedil;os    com a Gr&atilde;-Bretanha, que se notam no caso dos sunitas portugueses de origem    indiana, s&atilde;o ainda maiores entre os ismaelitas portugueses e as suas    comunidades irm&atilde;s brit&acirc;nicas. Os estudos ismaelitas est&atilde;o    bem enraizados na Gr&atilde;-Bretanha, mas aqui a liga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    &eacute; apenas uma ponte para uma educa&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica mais    elevada, mas tamb&eacute;m um elo directo entre as pr&oacute;prias comunidades.<a name="top38"></a>    Entre a classe m&eacute;dia ismaelita portuguesa, os casamentos com ismaelitas    brit&acirc;nicos n&atilde;o s&atilde;o invulgares.<A HREF="#nota38"><SUP>38</SUP></A>  </p> <I>      <p>A comunidade isl&acirc;mica portuguesa e os media</p> </I>      <p><a name="top39"></a>As comunidades isl&acirc;micas parecem funcionar como uma    &acirc;ncora para os imigrantes de ascend&ecirc;ncia mu&ccedil;ulmana. Seguindo    a escala de deveres e a experi&ecirc;ncia di&aacute;ria do im&atilde; (te&oacute;logo)    da mesquita central de Lisboa, Sheik Munir, este desenvolvimento j&aacute; afectou    a pr&aacute;tica das institui&ccedil;&otilde;es governamentais portuguesas,    relacionadas com os imigrantes.<A HREF="#nota39"><SUP>39</SUP></A> Tal como    &eacute; do conhecimento do te&oacute;logo (de origem indiana e erudito da escola    hanafi), os mu&ccedil;ulmanos que acabam de chegar s&atilde;o normalmente enviados    &agrave; mesquita. A situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e social de muitos    imigrantes mu&ccedil;ulmanos, especialmente das minorias africanas e rec&eacute;m-chegados,    &eacute; muitas vezes alarmante. Para estas pessoas, tornou-se elementar a integra&ccedil;&atilde;o    nas suas comunidades isl&acirc;micas, devido &agrave;s capacidades sociais destas,    embora atrav&eacute;s de modestos apoios financeiros proporcionados pelo sistema    de caridade isl&acirc;mico <I>zakat</I>, oferecido &agrave;s fam&iacute;lias    em situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica. </p>      <p>No que diz respeito ao apoio financeiro e social, o maior desafio para as comunidades    isl&acirc;micas em Portugal foi, sem d&uacute;vida, o enorme esfor&ccedil;o    que estas fizeram para ajudar os refugiados mu&ccedil;ulmanos da B&oacute;snia,    que chegaram a Portugal em 1992. Apoiada inicialmente pela <I>Liga Isl&acirc;mica    Mundial</I>, a CIL tomou a seu cargo a responsabilidade de acolher aproximadamente    trinta fam&iacute;lias (incluindo o pagamento de rendas). Tendo em conta a fraca    aten&ccedil;&atilde;o que a NPI recebera at&eacute; ent&atilde;o da imprensa,    o caso dos mu&ccedil;ulmanos da B&oacute;snia representava algo de novo e excepcional.    Isto foi deixado bem claro num artigo publicado pelo <I>P&uacute;blico</I> (10-12-1992),    com o t&iacute;tulo: "A hora da Comunidade Isl&acirc;mica". Os refugiados foram    trazidos para Portugal no decurso de uma ac&ccedil;&atilde;o de aux&iacute;lio    de uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental de estudantes, que    teve inicialmente de contar com apoios privados. Devido a problemas que surgiram    entre as fam&iacute;lias b&oacute;snias ap&oacute;s alguns meses de apoio privado,    a ac&ccedil;&atilde;o de aux&iacute;lio dos estudantes foi mais tarde criticada    pela falta de perspectiva&ccedil;&atilde;o do problema a longo prazo. Ningu&eacute;m    sabia por quanto tempo as fam&iacute;lias teriam de ficar ou por quanto tempo    necessitariam do apoio compreensivo. Tanto quanto sei, o governo n&atilde;o    lhes deu autoriza&ccedil;&atilde;o para trabalhar. Em Outubro de 1993, a CIL    teve de admitir que os seus recursos se tinham esgotado. Em meados de Novembro    do mesmo ano, teve de cancelar o apoio financeiro a 47 dos 107 refugiados b&oacute;snios.    Contudo, continuava a ter a aten&ccedil;&atilde;o da imprensa devido aos refugiados,    mas os artigos amig&aacute;veis sobre a ac&ccedil;&atilde;o da CIL mudavam agora    de tom: "Mu&ccedil;ulmanos de Lisboa retiram apoio aos B&oacute;snios" (<I>P&uacute;blico</I>,    16-10-1993). A extraordin&aacute;ria aten&ccedil;&atilde;o dada &agrave; NPI    durante este per&iacute;odo, bem como a conclus&atilde;o bastante injusta do    caso, podem ser vistas como excepcionais. </p>      <p><a name="top40"></a>Entre Fevereiro de 1991 e Agosto de 1996, o <I>P&uacute;blico</I>,    por exemplo, publicou vinte e seis artigos que mencionavam as comunidades isl&acirc;micas    locais, onze dos quais abordando exclusivamente quest&otilde;es relacionadas    com as comunidades isl&acirc;micas portuguesas.<A HREF="#nota40"><SUP>40</SUP></A>    Como regra geral, nos &uacute;ltimos dez anos, pelo menos dois dos jornais portugueses    publicaram artigos sobre a NPI, por ocasi&atilde;o do in&iacute;cio (ou do final)    do Ramad&atilde;o. <a name="top41"></a>Normalmente, apresentavam uma an&aacute;lise    breve da presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana (o n&uacute;mero e origem dos mu&ccedil;ulmanos,    as suas institui&ccedil;&otilde;es, etc.) e uma explica&ccedil;&atilde;o sobre    a festa isl&acirc;mica, baseada numa declara&ccedil;&atilde;o de um im&atilde;    portugu&ecirc;s, normalmente o Xeque Munir.<A HREF="#nota41"><SUP>41</SUP></A>  </p>      <p><a name="top42"></a>Quando certos acontecimentos pol&iacute;ticos, considerados    como quest&otilde;es isl&acirc;micas, colocavam o "Isl&atilde;o" no topo das    agendas p&uacute;blicas internacionais, a imprensa pedia aos principais representantes    da comunidade isl&acirc;mica portuguesa que comentassem e explicassem a complexa    rela&ccedil;&atilde;o entre quest&otilde;es pol&iacute;ticas e religiosas e    o respectivo ponto de vista dos mu&ccedil;ulmanos portugueses.<A HREF="#nota42"><SUP>42</SUP></A>  </p>      <p>Como em outros pa&iacute;ses europeus, os mu&ccedil;ulmanos religiosamente    activos em Portugal n&atilde;o abandonam nem fazem qualquer tentativa para ocultar    os costumes culturais que os afastam da sociedade dominante. N&atilde;o obstante,    a caracter&iacute;stica mais not&aacute;vel da NPI em Portugal &eacute; o seu    sil&ecirc;ncio e o sil&ecirc;ncio em torno dela. Mas isto n&atilde;o significa    que a presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana tenha sido ignorada pela imprensa nem    que os mu&ccedil;ulmanos tenham sido conscientemente exclu&iacute;dos de actividades    sociais e debates p&uacute;blicos, nem t&atilde;o-pouco que as autoridades isl&acirc;micas    portuguesas n&atilde;o tenham sido respeitadas pelos representantes do estado    portugu&ecirc;s. </p> <I>      <p>A presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana na arena p&uacute;blica portuguesa</p> </I>      <p>Durante anos, alguns professores pediram regularmente aos im&atilde;s das mesquitas    locais que dessem aulas sobre o Isl&atilde;o. Os alunos foram sempre bem-vindos.    <a name="top43"></a>Em v&aacute;rias ocasi&otilde;es, por exemplo, na abertura    de cerim&oacute;nias ou anivers&aacute;rios de institui&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas,    os (principais) representantes do estado (como M&aacute;rio Soares, durante    a sua presid&ecirc;ncia) tomaram parte nas festividades.<A HREF="#nota43"><SUP>43</SUP></A>  </p>      <p>Juntamente com outras minorias religiosas, ainda que em segundo plano, os mu&ccedil;ulmanos    portugueses participaram em debates sobre liberdade religiosa e t&oacute;picos    com ela relacionados. Em todas as negocia&ccedil;&otilde;es legais ou debates    sobre os direitos das minorias religiosas em Portugal, os grupos protestantes    e as organiza&ccedil;&otilde;es de apoio desempenharam o papel principal. A    partir do in&iacute;cio dos anos 90, os debates sobre a reforma da lei de liberdade    religiosa, que em aspectos cruciais prov&eacute;m da era do Estado Novo, tornaram-se    quest&otilde;es focadas pela imprensa. <a name="top44"></a>Em 1996, a Comiss&atilde;o    de Reforma da Lei de Liberdade Religiosa do governo (CRLLR) convidou todas as    profiss&otilde;es de f&eacute; e associa&ccedil;&otilde;es religiosas registadas    na lista do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, para apresentar propostas e    declara&ccedil;&otilde;es para a reforma da lei (<I>P&uacute;blico</I>, 21-07-1996).<A HREF="#nota44"><SUP>44</SUP></A>    Com a excep&ccedil;&atilde;o da igreja cat&oacute;lica romana, que n&atilde;o    demonstrou grande interesse, os que responderam puderam ser divididos em tr&ecirc;s    grupos principais: igrejas protestantes e pentecostais (tais como a Assembleia    de Deus, de origem brasileira), religi&otilde;es n&atilde;o crist&atilde;s tradicionais    (Isl&atilde;o, Budismo, Hindu&iacute;smo e Juda&iacute;smo) e novos movimentos    religiosos (NMR).<a name="top45"></a> Segundo a classifica&ccedil;&atilde;o    da perspectiva portuguesa, a maioria destes &uacute;ltimos s&atilde;o denomina&ccedil;&otilde;es    protestantes e/ou proclamam ra&iacute;zes crist&atilde;s, tais como as TestemunhasdeJeov&aacute;,    a Igreja Man&aacute; ou a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Juntamente    com a comunidade judaica,<A HREF="#nota45"><SUP>45</SUP></A> os mu&ccedil;ulmanos    portugueses organizaram a <a name="top46"></a>alian&ccedil;a das religi&otilde;es    n&atilde;o crist&atilde;s.<A HREF="#nota46"><SUP>46</SUP></A> Devido &agrave;    grande converg&ecirc;ncia das suas solicita&ccedil;&otilde;es, os judeus e os    mu&ccedil;ulmanos portugueses tiveram novamente a ocasi&atilde;o de demonstrar    a sua<a name="top47"></a> prontid&atilde;o para trabalharem juntos.<A HREF="#nota47"><SUP>47</SUP></A>    Embora as minorias protestantes tenham, aparentemente, sido a raz&atilde;o para    a renova&ccedil;&atilde;o deste debate em Portugal, <a name="top48"></a>o tema    tornou-se mais complexo com o aparecimento dos NMR.<A HREF="#nota48"><SUP>48</SUP></A>  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Devido ao seu enorme crescimento depois de 1974, as igrejas evang&eacute;licas,    denomina&ccedil;&otilde;es de protestantismo e NMR em Portugal, atra&iacute;ram    muito mais a aten&ccedil;&atilde;o do que os grupos minorit&aacute;rios n&atilde;o    crist&atilde;os, como os hindus, os ismaelitas e os mu&ccedil;ulmanos sunitas.    O facto de estas minorias religiosas crist&atilde;s (mas n&atilde;o cat&oacute;licas)    terem atra&iacute;do um n&uacute;mero significativo de adeptos portugueses,    tornou-os muito presentes na esfera p&uacute;blica portuguesa. <a name="top49"></a>Foram    tamb&eacute;m objecto de estudos conduzidos por eruditos e institutos de pesquisa,    de alguma forma ligados &agrave; igreja cat&oacute;lica romana dominante ou    &agrave;s pr&oacute;prias institui&ccedil;&otilde;es protestantes.<A HREF="#nota49"><SUP>49</SUP></A>    Se examinarmos os artigos de jornais portugueses publicados durante os &uacute;ltimos    vinte anos, podemos afirmar que as minorias religiosas n&atilde;o crist&atilde;s    (sobretudo os mu&ccedil;ulmanos e os hindus) n&atilde;o produziram, em geral,    temas controversos na imprensa. Al&eacute;m disso, penso que &eacute; seguro    presumir que n&atilde;o tiveram qualquer impacte significativo na sociedade    portuguesa, exceptuando o facto de estarem representados na "popula&ccedil;&atilde;o    imigrante". <a name="top50"></a>Com efeito, entre as minorias religiosas, (apenas)    a IURD provocou aquilo a que se pode chamar um verdadeiro esc&acirc;ndalo na    esfera p&uacute;blica, no in&iacute;cio dos anos 90.<A HREF="#nota50"><SUP>50</SUP></A>  </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>Conclus&atilde;o: a marginaliza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica inconsciente    da presen&ccedil;a mu&ccedil;ulmana portuguesa</p> </B>      <p>Quando falo do <I>sil&ecirc;ncio que rodeia as NPI em Portugal </I>como a caracter&iacute;stica    que as define, a observa&ccedil;&atilde;o &eacute; feita atrav&eacute;s de uma    perspectiva comparativa europeia. <a name="top51"></a>Nos pa&iacute;ses europeus    em que a percentagem de mu&ccedil;ulmanos que se tornam cidad&atilde;os &eacute;    mais elevada, os partidos pol&iacute;ticos come&ccedil;aram a interessar-se    pelo voto mu&ccedil;ulmano.<A HREF="#nota51"><SUP>51</SUP></A> Durante as campanhas    eleitorais em Portugal n&atilde;o &eacute; invulgar os candidatos e a imprensa    focarem-se num certo "grupo" de eleitores. Antes do in&iacute;cio das elei&ccedil;&otilde;es    legislativas de 1995, decorreu um debate sobre "Os crist&atilde;os na actual    situa&ccedil;&atilde;o sociopol&iacute;tica portuguesa", no Centro Cultural    de Bel&eacute;m. O <I>P&uacute;blico</I> (20-09-1995) publicou um artigo sobre    "O Voto esbatido dos cat&oacute;licos" e outro, "O partido do cigano" (<I>P&uacute;blico</I>,    22-09-1995). <a name="top52"></a>Embora cerca de 70% dos mu&ccedil;ulmanos em    Portugal sejam cidad&atilde;os portugueses, capazes de influenciar potencialmente    as elei&ccedil;&otilde;es aut&aacute;rquicas no distrito da Grande Lisboa, n&atilde;o    consegui encontrar um &uacute;nico artigo que abordasse o eleitorado mu&ccedil;ulmano    portugu&ecirc;s.<A HREF="#nota52"><SUP>52</SUP></A> </p>      <p>Como referi acima, a NPI iniciou recentemente debates em v&aacute;rios outros    pa&iacute;ses europeus sobre a educa&ccedil;&atilde;o religiosa isl&acirc;mica    em escolas p&uacute;blicas. Entre Outubro e Dezembro de 1999, uma s&eacute;rie    controversa de debates no <I>P&uacute;blico</I>, sobre o tema da educa&ccedil;&atilde;o    religiosa em escolas prim&aacute;rias e secund&aacute;rias portuguesas, suscitou    um n&uacute;mero surpreendente de cartas ao director. A quest&atilde;o era se    o monop&oacute;lio tradicional da igreja cat&oacute;lica Romana na instru&ccedil;&atilde;o    de temas religiosos e morais seria ainda uma solu&ccedil;&atilde;o apropriada    e razo&aacute;vel, numa era secular em que a percentagem de alunos cat&oacute;licos    decresce constantemente. Os opositores propuseram aulas "seculares" sobre &eacute;tica    e hist&oacute;ria da religi&atilde;o. Estes reformadores defenderam que a solu&ccedil;&atilde;o    actual estava a criar diversas formas de discrimina&ccedil;&atilde;o contra    crian&ccedil;as e jovens sem convic&ccedil;&otilde;es religiosas (<I>P&uacute;blico</I>,    06-12-1999). O facto de esta discrimina&ccedil;&atilde;o afectar tamb&eacute;m    alunos com convic&ccedil;&otilde;es religiosas n&atilde;o crist&atilde;s, como    as segundas gera&ccedil;&otilde;es de mu&ccedil;ulmanos e hindus, n&atilde;o    foi de todo mencionado. </p>      <p>Durante os &uacute;ltimos vinte e cinco anos, a NPI portuguesa, vis&iacute;vel    e geralmente respeitada, foi, na sua maioria, ignorada em quest&otilde;es sociopol&iacute;ticas    portuguesas. Embora a <I>presen&ccedil;a isl&acirc;mica hist&oacute;rica</I>    da &eacute;poca medieval tenha ocasionalmente sido mencionada por representantes    governamentais, tanto mu&ccedil;ulmanos como portugueses, a actual <I>inven&ccedil;&atilde;o    de uma tradi&ccedil;&atilde;o</I> (<I>invention of tradition</I>, como diz Eric    Hobsbawm) luso-isl&acirc;mica nunca foi t&atilde;o longe como em Espanha, durante    a &uacute;ltima d&eacute;cada. <a name="top53"></a>Em 1992, num tratado entre    mu&ccedil;ulmanos e o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a espanhol, isl&acirc;micos    e mu&ccedil;ulmanos foram descritos como uma parte crucial do desenvolvimento    hist&oacute;rico da "identidade nacional" espanhola.<A HREF="#nota53"><SUP>53</SUP></A>    De forma oposta, o im&atilde; da CIL tinha constantemente de acalmar alunos    mu&ccedil;ulmanos confusos (que tinham nascido em Portugal e eram portugueses),    quando lhes ensinavam na escola que os mu&ccedil;ulmanos era os inimigos do    povo portugu&ecirc;s. </p>      <p>Em 1996, quando a comemora&ccedil;&atilde;o oficial das cerim&oacute;nias do    500.º anivers&aacute;rio da expuls&atilde;o dos judeus foi celebrada em diversas    institui&ccedil;&otilde;es (governamentais) portuguesas, a expuls&atilde;o dos    mu&ccedil;ulmanos em 1496 n&atilde;o foi mencionada. Os mu&ccedil;ulmanos n&atilde;o    foram convidados. Significativamente, aqueles que acusavam o estado portugu&ecirc;s    de "discrimina&ccedil;&atilde;o contra os mu&ccedil;ulmanos" n&atilde;o eram    os pr&oacute;prios mu&ccedil;ulmanos, mas aAcademia de Altos Estudos Ibero-&Aacute;rabes    (<I>P&uacute;blico</I>, 10-12-1996). Enquanto as ag&ecirc;ncias de turismo espanholas    promovem actualmente visitas ao "Al-Andaluz" e convidam os turistas a "descobrir    a Espanha isl&acirc;mica", os postais portugueses (do sul), que mostram "chamin&eacute;s    t&iacute;picas portuguesas", ignoram o facto de que estas chamin&eacute;s em    forma de minarete reproduzem aspectos t&iacute;picos da arquitectura isl&acirc;mica.  </p>      <p>O &uacute;ltimo exemplo que aqui deixo sobre aquilo a que se poderia chamar    a marginaliza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da NPI em Portugal, demonstra    que este fen&oacute;meno prov&eacute;m mais de uma consci&ecirc;ncia selectiva    sociohist&oacute;rica do que de uma discrimina&ccedil;&atilde;o consciente.    Com isto est&aacute; relacionada uma s&eacute;rie documental, transmitida pelo    canal de televis&atilde;o p&uacute;blica, RTP 1. Por ocasi&atilde;o do final    do s&eacute;culo XX, v&aacute;rios autores co-produziram a "Cr&oacute;nica do    S&eacute;culo" portuguesa. N&atilde;o foi surpreendente verificar a inexist&ecirc;ncia    de refer&ecirc;ncias &agrave; recente presen&ccedil;a hist&oacute;rica de <I>novas</I>    minorias n&atilde;o cat&oacute;licas e de <I>novos</I> grupos mu&ccedil;ulmanos.  </p>      <p>Uma vez que apresentei j&aacute; os argumentos que defendem a tese principal    deste artigo, nomeadamente que a minoria mu&ccedil;ulmana em Portugal foi simplesmente    ignorada, concluirei agora com algumas observa&ccedil;&otilde;es sobre as diversas    raz&otilde;es que a isto levaram e o contexto em que ocorreram. </p>      <p>Focarei, em primeiro lugar, os desenvolvimentos sociohist&oacute;ricos espec&iacute;ficos    de Portugal e, em segundo lugar, as aptid&otilde;es e condi&ccedil;&otilde;es    espec&iacute;ficas da pr&oacute;pria comunidade mu&ccedil;ulmana portuguesa.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A falta de aten&ccedil;&atilde;o dada aos mu&ccedil;ulmanos que chegaram a    Portugal deve-se em parte &agrave; turbul&ecirc;ncia geral dos anos p&oacute;s-revolucion&aacute;rios.    Fazendo parte do enorme fluxo de imigra&ccedil;&atilde;o dos PALOP, os mu&ccedil;ulmanos    (e hindus), maioritariamente de ascend&ecirc;ncia indiana, que vieram de Mo&ccedil;ambique,    ficaram em segundo lugar, atr&aacute;s do n&uacute;mero muito mais elevado de    imigrantes africanos. No grupo multifacetado de imigrantes africanos negros,    a percentagem de mu&ccedil;ulmanos era muito baixa. Como minoria dentro de uma    comunidade minorit&aacute;ria maior, a NPI multi&eacute;tnica foi ignorada quando    a pesquisa pol&iacute;tica e social de minorias se centrou primariamente nos    imigrantes cabo-verdianos ou, como &eacute; agora o caso, se concentra na presen&ccedil;a    bastante tradicional dos ciganos. </p>      <p><a name="top54"></a>Como mencionou o jornal isl&acirc;mico portugu&ecirc;s,    <I>Al Furq&aacute;n</I>, num artigo de 1998, a taxa de crimes (e suic&iacute;dio)    entre mu&ccedil;ulmanos portugueses era m&iacute;nima.<A HREF="#nota54"><SUP>54</SUP></A>  </p>      <p>Com a nova diversidade de religi&otilde;es e de minorias religiosas, que aumentou    enormemente e de forma s&uacute;bita depois de Abril de 1974, foi dada muito    mais aten&ccedil;&atilde;o (e verificaram-se mais convers&otilde;es) &agrave;s    denomina&ccedil;&otilde;es protestantes (tais como as igrejas pentecostais brasileiras),    aos novos movimentos religiosos (por exemplo, a <I>scientology</I>), aos cultos    esot&eacute;ricos e &agrave;s escolas de pensamento asi&aacute;ticas. Em contraste    com a situa&ccedil;&atilde;o noutros pa&iacute;ses europeus, os protagonistas    principais da emancipa&ccedil;&atilde;o das minorias religiosas no contexto    portugu&ecirc;s n&atilde;o s&atilde;o os mu&ccedil;ulmanos, mas os protestantes.  </p>      <p>A pesquisa acad&eacute;mica em outros pa&iacute;ses europeus d&aacute; agora    com frequ&ecirc;ncia demasiada &ecirc;nfase ao alegado "factor religioso", sobretudo    no que diz respeito a grupos imigrantes com passado mu&ccedil;ulmano. Mas na    maioria dos estudos portugueses sobre grupos de imigrantes, a prefer&ecirc;ncia    vai para a perspectiva de "etnicidade". Exceptuando algumas excep&ccedil;&otilde;es,    a forma como a imprensa portuguesa tratou a "quest&atilde;o isl&acirc;mica"    durante os &uacute;ltimos vinte anos foi delicada e justa. </p>      <p>Al&eacute;m disso, a pr&oacute;pria NPI demonstrou um potencial e uma capacidade    not&aacute;veis, o que, numa perspectiva comparativa europeia sobre minorias    mu&ccedil;ulmanas, desempenhou um papel importante nos processos de integra&ccedil;&atilde;o.  </p>      <p>Devido &agrave; principal causa da migra&ccedil;&atilde;o, o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o,    a esmagadora maioria de imigrantes mu&ccedil;ulmanos estava j&aacute; familiarizada    com a l&iacute;ngua portuguesa ao chegar. Uma vez que este &eacute; um factor    crucial para a integra&ccedil;&atilde;o, eles n&atilde;o tiveram de enfrentar    o problema fundamental de obter a cidadania ou um estatuto legal tempor&aacute;rio    e renov&aacute;vel. O facto de terem imigrado de uma antiga col&oacute;nia foi    outra raz&atilde;o que fez com que os mu&ccedil;ulmanos que chegaram a Portugal,    como parte dos enormes fluxos de imigra&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-revolucion&aacute;rios,    tenham tido a vantagem de encontrar mu&ccedil;ulmanos que se haviam instalado    anteriormente na metr&oacute;pole por raz&otilde;es educacionais. Esta elite    de primeiros imigrantes possu&iacute;a as capacidades intelectuais e sociais,    bem como as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas, necess&aacute;rias &agrave;    constru&ccedil;&atilde;o de uma infra-estrutura religiosa e cultural. Desde    o in&iacute;cio, os primeiros a chegar tomaram parte nas comiss&otilde;es dirigentes    das comunidades isl&acirc;micas, enquanto, ao mesmo tempo, se integravam com    &ecirc;xito em profiss&otilde;es de alto n&iacute;vel e faziam amigos &iacute;ntimos    entre a elite pol&iacute;tica portuguesa. </p>      <p>A maioria dos mu&ccedil;ulmanos em Portugal, nomeadamente os de origem indiana,    estava estabelecida em profiss&otilde;es do sector terci&aacute;rio em Mo&ccedil;ambique.    Tiveram bastante facilidade em voltar a estabelecer-se nas suas profiss&otilde;es    (comerciantes, na sua maioria) em Portugal. </p>      <p>Quando consideramos a situa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios novos grupos    mu&ccedil;ulmanos em outros pa&iacute;ses da Europa, &eacute; imediatamente    vis&iacute;vel que muitos dos problemas que os mu&ccedil;ulmanos tiveram de    enfrentar no seu novo meio ambiente derivavam do facto de lhes faltar a experi&ecirc;ncia    de viver como minoria numa sociedade dominante culturalmente diferente. Devido    ao facto de ser j&aacute; uma minoria, tanto em Mo&ccedil;ambique como na Guin&eacute;-Bissau,    a grande maioria da NPI em Portugal tinha j&aacute; esta experi&ecirc;ncia de    minoria ao chegar. Devido ao facto de os mu&ccedil;ulmanos terem chegado mais    de dez anos mais tarde a Portugal do que a outros pa&iacute;ses europeus, tiveram    oportunidade de aprender com as experi&ecirc;ncias de outros mu&ccedil;ulmanos,    que haviam chegado mais cedo &agrave; Europa. </p>      <p>At&eacute; aos nossos dias, a pol&iacute;tica da comunidade isl&acirc;mica    tem sido maioritariamente n&atilde;o pol&iacute;tica e a sua atitude muito amig&aacute;vel    para com o meio em que est&aacute; inserida. Embora tenham tido (e continuem    a ter) de lidar com lutas internas, as figuras de integra&ccedil;&atilde;o das    comunidades em geral puderam garantir que a sua imagem na esfera p&uacute;blica    portuguesa permanecesse positiva. Alguns membros especulam que isto possa vir    a mudar, se os &aacute;rabes politicamente activos se unissem &agrave; (pequena    minoria &aacute;rabe da) CIL. Em todo o caso, esta &eacute; uma quest&atilde;o    que fica definitivamente em aberto. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Notas</p> </B>     <p><A NAME="nota1"></A><a href="#top1">1</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desde que    Tomas Gerholm e Ingve Lithman (orgs.) (1998) publicaram o seu volume <I>The    New Islamic Presence in Western Europe</I>, Londres/Nova Iorque, a no&ccedil;&atilde;o    "nova presen&ccedil;a isl&acirc;mica" &eacute; frequentemente usada nos discursos    sobre os mu&ccedil;ulmanos da Europa. </p>      <p><A NAME="nota2"></A><a href="#top2">2</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Este texto    corresponde a uma vers&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o com o mesmo t&iacute;tulo    apresentada ao IV Congresso Portugu&ecirc;s de Sociologia, em Coimbra, em 17-19    de Abril. Aqui cumpro a agrad&aacute;vel tarefa de exprimir os meus agradecimentos    aos que me ajudaram de v&aacute;rias formas durante o trabalho de campo e na    prepara&ccedil;&atilde;o e finaliza&ccedil;&atilde;o desta apresenta&ccedil;&atilde;o:    Margarida Silva Dias, Cl&aacute;udia Brito, Sara David Lopes, Lu&iacute;s Rosa,    Franz-Wilhelm Heimer, Armando Marques Guedes, John Abromeit e a Funda&ccedil;&atilde;o    Heinrich B&ouml;ll (Berlim). </p>      <p><A NAME="nota3"></A><a href="#top3">3</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver por ex.:    Gerholm e Lithman, 1988; Shadid e van Koningsveld, 1991. </p>      <p><A NAME="nota4"></A><a href="#top4">4</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;"Foi necess&aacute;rio    omitir Espanha e Portugal, ambos pela mesma raz&atilde;o" (Nielsen, 1992: 87).  </p>      <p><A NAME="nota5"></A><a href="#top5">5</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Deparei com    alguns estudos de casos sobre assuntos relacionados directa ou indirectamente    com mu&ccedil;ulmanos em Portugal, realizados por acad&eacute;micos e estudantes    portugueses segundo diferentes abordagens. Relativamente aos mu&ccedil;ulmanos    sunitas e &agrave; Comunidade Isl&acirc;mica ver: Francisco, 1991; Pedroso,    1991; Pimentel, 1993; Frias, 1995; Gadit, 1996. Concentrados na comunidade ismaelita:    Lopes, 1988 e Coxilha, 1995. </p>      <p><A NAME="nota6"></A><a href="#top6">6</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver por ex.:    Abulmaham, 1995; Nonnemann, Niblock e Szajkowski, 1996; Shadid e van Koningsveld,    1996a e 1996b; Vertovec e Peach 1997. </p>      <p><A NAME="nota7"></A><a href="#top7">7</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para informa&ccedil;&atilde;o    mais pormenorizada sobre imigrantes da Guin&eacute;-Bissau veja-se, por exemplo,    Machado, 1998. </p>      <p><A NAME="nota8"></A><a href="#top8">8</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora n&atilde;o    possa cit&aacute;-lo, &eacute; necess&aacute;rio mencionar que os observadores    do mercado laboral (informal) notaram que recentemente trabalham mais homens    paquistaneses na constru&ccedil;&atilde;o civil, independentemente das suas    habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias. Para informa&ccedil;&atilde;o    mais pormenorizada sobre os perfis dos imigrantes dos PALOP, ver Malheiros,    1996. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota9"></A><a href="#top9">9</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pode tamb&eacute;m    ter tido o seu papel o facto de a paisagem acad&eacute;mica portuguesa dificilmente    incluir disciplinas cuja abordagem se concentra intensa ou exclusivamente em    religi&otilde;es n&atilde;o crist&atilde;s (a Antropologia das Religi&otilde;es    &eacute; uma excep&ccedil;&atilde;o). As cadeiras acad&eacute;micas que naturalmente    tinham um interesse especial pelos assuntos mu&ccedil;ulmanos, tais como Estudos    Isl&acirc;micos n&atilde;o existiam. </p>      <p><A NAME="nota10"></A><a href="#top10">10</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em 1991    o l&iacute;der da comunidade hindu, Kantilal Jamnadas Saujani, calcula em 8    mil o n&uacute;mero de membros da comunidade (<I>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</I>,    24-08-1991). Oito anos mais tarde o n&uacute;mero aumentou para 12 mil (Bastos    e Bastos, 1999a). A vasta maioria dos hindus a viver em Portugal veio de Mo&ccedil;ambique    na sequ&ecirc;ncia da descoloniza&ccedil;&atilde;o e pressionados pela guerra    civil. Tendo a maioria a cidadania mo&ccedil;ambicana, viveram l&aacute; tr&ecirc;s    ou quatro gera&ccedil;&otilde;es. Os principais pontos de partida de gera&ccedil;&otilde;es    anteriores tinham sido Gujarate (Porbander, Rajkot e Surat) e Diu. Para informa&ccedil;&atilde;o    pormenorizada sobre os hindus em Portugal ver a bibliografia em Bastos e Bastos,    1999b. </p>      <p><A NAME="nota11"></A><a href="#top11">11</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A presen&ccedil;a    mu&ccedil;ulmana, por exemplo, em Berlim, Paris e Marselha, Londres e Bradford,    excede evidentemente em muito aquela que &eacute; vis&iacute;vel em Lisboa.  </p>      <p><A NAME="nota12"></A><a href="#top12">12</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;At&eacute;    ao momento, a transi&ccedil;&atilde;o de um regime autorit&aacute;rio para a    democracia &eacute; uma controv&eacute;rsia discutida. Manuel von Rahden (Rahden,    1997: 213) indica que os livros portugueses de hist&oacute;ria s&oacute; come&ccedil;aram    a tratar o tema h&aacute; poucos anos, em suplemento assim da vasta variedade    de literatura revolucion&aacute;ria (que apresenta principalmente abordagens    pol&iacute;ticas e n&atilde;o acad&eacute;micas) e de mem&oacute;rias subjectivas    com sondagens orientadas para os factos. Ver Ferreira (1994), Medina (1990)    e Reis (1992). Embora a historiografia alem&atilde; n&atilde;o trate deste assunto,    toda uma s&eacute;rie de investiga&ccedil;&otilde;es sobre hist&oacute;ria portuguesa    contempor&acirc;nea existe na &aacute;rea anglo-sax&oacute;nica. O <I>Bibliographical    Essay</I> feito por Maxwell (1995: 201-217) apresenta uma investiga&ccedil;&atilde;o    completa. </p>      <p><A NAME="nota13"></A><a href="#top13">13</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Este processo    foi mais tarde seriamente descrito com a no&ccedil;&atilde;o do "desastre da    descoloniza&ccedil;&atilde;o" (Bornhorst, 1997: 261) e as primeiras fases da    transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, os anos revolucion&aacute;rios de 1974-76,    como um caos pol&iacute;tico. </p>      <p><A NAME="nota14"></A><a href="#top14">14</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nos actuais    estudos acad&eacute;micos realizados em Portugal, j&aacute; n&atilde;o se aplica    o termo "retornado". Porque n&atilde;o &eacute; considerado como uma categoria    e isso torna-o problem&aacute;tico. Este termo apareceu pela primeira vez em    Abril de 1974 com o auge do fluxo emigrat&oacute;rio dos PALOP. No seu significado    inicial o termo "retornado" foi utilizado para designar os reemigrantes portugueses    dos PALOP, n&atilde;o se aplicando aos portugueses que regressavam doutras origens.    O seu significado literal &eacute; "regressado a casa", repatriado, e assim    a no&ccedil;&atilde;o inevitavelmente acarreta a conota&ccedil;&atilde;o do    "regresso" excluindo uma experi&ecirc;ncia crucial da emigra&ccedil;&atilde;o:    apenas 60% dos "retornados" nasceram em Portugal (Pena Pires, e Maranh&atilde;o    e outros, 1984, 1987: 38). A no&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m tem uma conota&ccedil;&atilde;o    ideol&oacute;gica. Como usualmente se refere, devido &agrave; perda de privil&eacute;gios    os retornados parecem n&atilde;o ter nenhum interesse no processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o.    Deste modo, s&atilde;o vistos como "conservadores". Para al&eacute;m disto,    a no&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o inclui nenhuma informa&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;fica sobre a nacionalidade de origem. Apesar de tudo a express&atilde;o    difundiu-se rapidamente no discurso corrente do quotidiano. </p>      <p><A NAME="nota15"></A><a href="#top15">15</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Segundo    o Recenseamento Geral da Popula&ccedil;&atilde;o de 1981, residiriam em Portugal    45.222 indiv&iacute;duos com nacionalidade angolana (19.567), caboverdiana (18.557),    guineense (1126), mo&ccedil;ambicana (4425) e s&atilde;otomense (1547). No mesmo    ano, por&eacute;m, apenas 27287 estrangeiros com aquelas nacionalidades tinham    a sua resid&ecirc;ncia legalizada, segundo as estat&iacute;sticas do Servi&ccedil;o    de Estrangeiros do Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna    (Esteves, 1991: 38). Uma vez ultrapassado o per&iacute;odo cr&iacute;tico da    descoloniza&ccedil;&atilde;o, surge um novo padr&atilde;o de migra&ccedil;&otilde;es    internacionais entre os PALOP e Portugal. Para encontrar mais informa&ccedil;&otilde;es    sobre a imigra&ccedil;&atilde;o dos PALOP nesta altura, veja-se Saint-Maurice    e Pena Pires, 1989: "Em primeiro lugar, no campo das migra&ccedil;&otilde;es    laborais n&atilde;o s&oacute; se intensificam as correntes j&aacute; existentes,    nomeadamente a partir de Cabo Verde, como se constituem progressivamente fluxos    com origem noutros pa&iacute;ses, em especial a Guin&eacute;-Bissau e S&atilde;o    Tom&eacute;. Em segundo lugar, cristalizam-se fluxos migrat&oacute;rios de menor    amplitude, envolvendo refugiados pol&iacute;ticos que procuravam escapar aos    efeitos das situa&ccedil;&otilde;es de guerra civil em Angola e Mo&ccedil;ambique.    Finalmente, institucionaliza-se progressivamente um fluxo de estudantes dos    PALOP, que v&ecirc;m frequentar o ensino secund&aacute;rio e superior em Portugal,    com uma dimens&atilde;o particularmente significativa no caso da Guin&eacute;-Bissau.    " </p>      <p><A NAME="nota16"></A><a href="#top16">16</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os recenseamentos    nacionais nos PALOP, realizados em 1980 e 1981, deram uma pista sobre as constela&ccedil;&otilde;es    religiosas nos pa&iacute;ses de partida, ap&oacute;s os enormes fluxos migrat&oacute;rios    para Portugal. Gra&ccedil;as ao facto de a vasta maioria de emigrantes em 1974    ter sido de reemigrantes portugueses (incluindo segundas gera&ccedil;&otilde;es),    pode presumir-se que a propor&ccedil;&atilde;o de filia&ccedil;&otilde;es religiosas    da popula&ccedil;&atilde;o africana n&atilde;o mudou significativamente entre    1974 e 1981. A percentagem que falta para os 100 indica a de diversos cultos    religiosos africanos. O tamanho num&eacute;rico da popula&ccedil;&atilde;o total    e o ano do recenseamento segue-se ao nome do pa&iacute;s respectivo: Guin&eacute;-Bissau    (793.000; 1980): 35% mu&ccedil;ulmanos (13% dos quais mandingo), 5% cat&oacute;licos;    Cabo Verde (296.000; 1980): 98% cat&oacute;licos, 2% protestantes; S&atilde;o    Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe (95.000; 1981): 55% cat&oacute;licos, 3% protestantes;    Angola (7.078.000; 1980): 35% cat&oacute;licos, 12% protestantes; Mo&ccedil;ambique    (12.130.000; 1980): 12-15% mu&ccedil;ulmanos, 12-15% crist&atilde;os, predominantemente    cat&oacute;licos. (Hofmeister e Sch&ouml;nborn, 1985) </p>      <p><A NAME="nota17"></A><a href="#top17">17</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mais de    um ter&ccedil;o da actual popula&ccedil;&atilde;o total da Guin&eacute;-Bissau    &eacute; mu&ccedil;ulmana sunita, com liga&ccedil;&otilde;es &agrave; escola    da lei isl&acirc;mica Maliki, a maioria de origem fulani e mandingo (Heine,    1996: 137). </p>      <p><A NAME="nota18"></A><a href="#top18">18</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em Mo&ccedil;ambique,    14% da actual popula&ccedil;&atilde;o &eacute; sunita da escola da lei isl&acirc;mica    ShafiiIn, principalmente pertencente ao grupo bantu central Yao (Heine, 1996:    138). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota19"></A><a href="#top19">19</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nielsen    acrescentou, no seu estudo, uma "nota sobre as estat&iacute;sticas" de quase    duas p&aacute;ginas, discutindo as raz&otilde;es de e os obst&aacute;culos criados    por este problema. Ele sublinha que &eacute; &oacute;bvio, para os observadores    de alguma forma familiarizados com o assunto, que um dos aspectos mais incertos    neste estudo dos mu&ccedil;ulmanos na Europa &eacute; a natureza dos dados estat&iacute;sticos    (Nielsen, 1992: 167). </p>      <p><A NAME="nota20"></A><a href="#top20">20</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O recenseamento    de 1981 continha uma pergunta sobre religi&atilde;o. As categorias poss&iacute;veis    eram: cat&oacute;licos, ortodoxos, protestantes, outros crist&atilde;os, judeus,    mu&ccedil;ulmanos, outros n&atilde;o crist&atilde;os, sem religi&atilde;o. Devido    &agrave; pr&aacute;tica secular noutros pa&iacute;ses europeus, apenas em poucos    casos os recenseamentos governamentais incluem uma pergunta sobre religi&atilde;o:    na Rep&uacute;blica Federal da Alemanha, nos Pa&iacute;ses Baixos, na Su&iacute;&ccedil;a    e na Irlanda do Norte. Como o intervalo m&iacute;nimo entre recenseamentos tem    tend&ecirc;ncia a ser de 10 anos, Nielsen salienta que a sua utilidade &eacute;    m&iacute;nima (Nielsen, 1992: 167). Em 1998, associa&ccedil;&otilde;es brit&acirc;nicas    de mu&ccedil;ulmanos, sikhs e hindus negociavam a documenta&ccedil;&atilde;o    de filia&ccedil;&atilde;o religiosa para o pr&oacute;ximo recenseamento nacional    (<I>The Muslim News, </I>10/98). </p>      <p><A NAME="nota21"></A><a href="#top21">21</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora    a forma organizativa das comunidades isl&acirc;micas siga o padr&atilde;o de    associa&ccedil;&otilde;es, com a sua hierarquia democraticamente eleita, ningu&eacute;m    tem de assinar a sua filia&ccedil;&atilde;o. Do ponto de vista mu&ccedil;ulmano    (e n&atilde;o s&oacute; portugu&ecirc;s), todos s&atilde;o vistos como membros    da comunidade isl&acirc;mica desde que tenham uma origem mu&ccedil;ulmana e/ou    se declarem como tal. Hoje, em Portugal, a propor&ccedil;&atilde;o de participantes    activos, calculada segundo a participa&ccedil;&atilde;o nas ora&ccedil;&otilde;es    de sexta-feira e em celebra&ccedil;&otilde;es religiosas especiais (por exemplo,    o fim do Ramad&atilde;o), &eacute; aproximadamente de 10%, o que corresponde    &agrave; respectiva m&eacute;dia europeia. </p>      <p><A NAME="nota22"></A><a href="#top22">22</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O oposto    ocorre, at&eacute; certo ponto, na Noruega e, claramente, na Su&eacute;cia:    a igreja protestante &eacute; parte estabelecida do estado sueco. Contudo, Sander    salienta que a legisla&ccedil;&atilde;o permite que os fundos estatais sejam    atribu&iacute;dos para reconhecimento de religi&otilde;es n&atilde;o estatais,    basicamente em propor&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;meros de fi&eacute;is que    servem. A&nbsp;quantidade de dinheiro a ser atribu&iacute;da &eacute; fixada    de forma a que o aumento de atribui&ccedil;&atilde;o a uma religi&atilde;o seja    &agrave; custa de todos os outros participantes. Nestas circunst&acirc;ncias,    o tamanho da popula&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana &eacute; tema de contesta&ccedil;&atilde;o    (Sander, 1997). </p>      <p><A NAME="nota23"></A><a href="#top23">23</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Expresso    Revista</I>, 05-03-1983 </p>      <p><A NAME="nota24"></A><a href="#top24">24</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Durante    o per&iacute;odo de S&aacute; Carneiro, Mamede foi vice-presidente do Gabinete    de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais do PSD </p>      <p><A NAME="nota25"></A><a href="#top25">25</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Num comunicado,    a lista de oposi&ccedil;&atilde;o acusou Mamede de pretender ser "presidente    vital&iacute;cio" da Comunidade Isl&acirc;mica, classificando-o de "ditador".    Por outro lado, a constru&ccedil;&atilde;o da mesquita de Lisboa e as suas obras    s&atilde;o alvo de insinua&ccedil;&otilde;es que associam o nome do actual presidente    a alegadas ilegalidades. Para o pr&oacute;prio, entretanto, o grupo que se lhe    op&otilde;e "n&atilde;o passa de um grupo de mi&uacute;dos que decidiu, depois    de ver alguns telejornais, imitar os senhores e brincar aos pol&iacute;ticos".    Mamede considerou o seu detractor "totalmente desligado da vida activa da Comunidade"    (<I>O Jornal</I>, 28-04-1984). Esta era a primeira vez (e quase &uacute;nica    em p&uacute;blico) que a ac&ccedil;&atilde;o de Valy Mamede &agrave; frente    da CIL era contestada deste modo e, igualmente, a primeira vez que durante a    sua presid&ecirc;ncia se apresentava uma lista opositora. Durante vinte anos,    a realiza&ccedil;&atilde;o de uma mesquita representativa no cora&ccedil;&atilde;o    de Lisboa foi obra de Mamede. Em Janeiro de 1985, ele garantiu que se demitiria    do seu cargo, logo ap&oacute;s inaugurar, em 29 de Mar&ccedil;o seguinte, a    mesquita de Lisboa (<I>Expresso</I>, 26-01-1985). </p>      <p><A NAME="nota26"></A><a href="#top26">26</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Expresso    Revista</I>, 11-03-1989. </p>      <p><A NAME="nota27"></A><a href="#top27">27</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os que    participam nas comiss&otilde;es dirigentes da CIL est&atilde;o quase exclusivamente    muito bem posicionados nos sectores profissionais portugueses e a sua maioria    tem algumas rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Mussa Omar, por exemplo,    &eacute; bem conhecido pela assist&ecirc;ncia normalmente prestada em v&aacute;rias    embaixadas de pa&iacute;ses isl&acirc;micos. O presidente da assembleia geral    da CIL, Karim Bouabdellah, &eacute; tamb&eacute;m presidente da assembleia geral    da C&acirc;mara de Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria &Aacute;rabe Portuguesa    (<I>Expresso</I>, 27-04-1985). </p>      <p><A NAME="nota28"></A><a href="#top28">28</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Expresso</I>,    03-02-1979: 6000. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica: Recenseamento Geral    da Popula&ccedil;&atilde;o, Census 1981: 4335; Census 1991: 9134. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota29"></A><a href="#top29">29</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>A Capital</I>,    28-03-1985: 15.000. <I>Expresso Revista</I>, 11-03-1989: 15.000. </p>      <p><A NAME="nota30"></A><a href="#top30">30</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Kettani,    1996: Table 1.1. Muslims in the EEC in 1991, (Portugal: 20.000). <I>P&uacute;blico</I>,    08-12-1999: 25 a 30.000. </p>      <p><A NAME="nota31"></A><a href="#top31">31</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Baseado    em <I>data</I> de 1991, Kettani (1996: 19) compara&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero    de mesquitas em pa&iacute;ses da CEE. H&aacute; nove anos, o n&uacute;mero total    de mesquitas (edif&iacute;cios representativos, mesquitas provis&oacute;rias    e locais de culto) nestes 15 pa&iacute;ses europeus era de 4845. Por exemplo:    Fran&ccedil;a 1500, Alemanha 1000, Inglaterra 600, Irlanda 5, Luxemburgo 10,    Portugal 20. </p>      <p><A NAME="nota32"></A><a href="#top32">32</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os locais    de culto situam-se em Portela, P&oacute;voa de St. Adri&atilde;o, Forte da Casa,    Colina do Sol, St. Ant&oacute;nio de Cavaleiros, Vialonga, Carnaxide, Sacav&eacute;m,    &Eacute;vora, Porto, Palmela. As moradas e contactos constam de uma lista em:    <A HREF="http://www.alfurqan.pt/mesq.htm">http: //www.alfurqan.pt/mesq.htm</A>  </p>      <p><A NAME="nota33"></A><a href="#top33">33</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;S&atilde;o    concretamente, o Darul ‘Ulum Al Islamiyat de Palmela, o Madressa Ahle Sunny    Jamat do Laranjeiro e o Darul ‘Ulum Kadria-Ashrafia de Odivelas. </p>      <p><A NAME="nota34"></A><a href="#top34">34</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>O Alcor&atilde;o</I>    (1980), tradu&ccedil;&atilde;o directa do &aacute;rabe e anota&ccedil;&otilde;es    de Jos&eacute; Pedro Machado, Lisboa, Junta de Investiga&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas    do Ultramar. </p>      <p><A NAME="nota35"></A><a href="#top35">35</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<A HREF="http://www.aliasoft.com/forumislam">http://www.aliasoft.com/forumislam</A>  </p>      <p><A NAME="nota36"></A><a href="#top36">36</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A maioria    dos primeiros mu&ccedil;ulmanos no Brasil era de origem africana, concentrada    principalmente na &aacute;rea do estado da Ba&iacute;a. Com os Yoruba e os Hausa,    os mu&ccedil;ulmanos formavam a maioria dos escravos do Brasil. </p>      <p><A NAME="nota37"></A><a href="#top37">37</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Muitos    mu&ccedil;ulmanos brit&acirc;nicos (bem como muitas das comunidades de minorias    sunitas que vivem fora do mundo &aacute;rabe) escolhem ir para a famosa Universidade    de Al-Azhar, no Cairo, tida como uma grande universidade isl&acirc;mica e, na    verdade, uma autoridade religiosa para os sunitas. Mesmo assim, a tend&ecirc;ncia    &oacute;bvia dos grupos mu&ccedil;ulmanos europeus, quanto &agrave; educa&ccedil;&atilde;o    isl&acirc;mica, &eacute; estabelecer e elevar as respectivas institui&ccedil;&otilde;es    na Europa, por duas raz&otilde;es: primeiro, a experi&ecirc;ncia da emigra&ccedil;&atilde;o    demonstrou que os pr&oacute;prios te&oacute;logos respons&aacute;veis necessitam    de ser experientes na vida quotidiana e nas suas complica&ccedil;&otilde;es    espec&iacute;ficas perante o novo ambiente, para poderem responder &agrave;s    novas perguntas que surgem; em segundo lugar, a educa&ccedil;&atilde;o profissional    de professores mu&ccedil;ulmanos torna-se crucial para o objectivo de criar    uma educa&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica nas escolas prim&aacute;rias e secund&aacute;rias    europeias. Curiosamente, e por raz&otilde;es sociohist&oacute;ricas diferentes,    o elo entre mu&ccedil;ulmanos luso-brit&acirc;nicos para fins educacionais decorre    em paralelo com o seu secular e mais tradicional equivalente luso-brit&acirc;nico.    Tanto quanto sei, a Gr&atilde;-Bretanha &eacute; um local de educa&ccedil;&atilde;o    superior muito popular na escolha dos portugueses (n&atilde;o mu&ccedil;ulmanos).  </p>      <p><A NAME="nota38"></A><a href="#top38">38</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O mesmo    se aplica, obviamente, no caso dos hindus portugueses (ver publica&ccedil;&otilde;es    recentes de Susana Bastos). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota39"></A><a href="#top39">39</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O &oacute;rg&atilde;o    administrativo do Alto Comiss&aacute;rio para as Migra&ccedil;&otilde;es e Minorias    &Eacute;tnicas informa sobre moradas onde os imigrantes se podem dirigir. </p>      <p><A NAME="nota40"></A><a href="#top40">40</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pouco tempo    antes, a frequ&ecirc;ncia havia sido um pouco maior, no decurso da Segunda Guerra    do Golfo. Entre 1979 e 1991, o seman&aacute;rio <I>Expresso</I> e a respectiva    <I>Revista</I> dirigiram a aten&ccedil;&atilde;o para a NIP, pelo menos dez    vezes, dedicando-lhe v&aacute;rios artigos de fundo. Outros jornais di&aacute;rios,    como o <I>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</I> e <I>A Capital</I>, mostravam    uma frequ&ecirc;ncia de artigos ligeiramente menor sobre mu&ccedil;ulmanos em    Portugal do que o <I>P&uacute;blico</I>. (Esta &eacute; uma boa ocasi&atilde;o    para apresentar com agrado os meus agradecimentos ao pessoal da sec&ccedil;&atilde;o    editorial e dos arquivos do <I>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</I> e do <I>P&uacute;blico</I>,    pelo acesso e pela ajuda. Um agradecimento especial para Ant&oacute;nio Marujo    e Jo&atilde;o T&atilde;.) </p>      <p><A NAME="nota41"></A><a href="#top41">41</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ver, por    exemplo, <I>A Capital</I>, 20-03-1991 e o <I>P&uacute;blico</I>, 08-12-1999.  </p>      <p><A NAME="nota42"></A><a href="#top42">42</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A imprensa    portuguesa, que tinha como alvo uma clientela de classe m&eacute;dia (instru&iacute;da),    convidava ocasionalmente as principais "figuras de integra&ccedil;&atilde;o"    das comunidades isl&acirc;micas portuguesas, para escrever sobre quest&otilde;es    relacionadas com o Isl&atilde;o. Ver, por exemplo, <I>Expresso</I> <I>Revista</I>,    05-01-1980, "O Isl&atilde;o de Komeini n&atilde;o &eacute; o da maioria. Suleiman    Valy Mamede, presidente da comunidade isl&acirc;mica de Lisboa, tra&ccedil;a    a g&eacute;nese do Isl&atilde;o e a sua influ&ecirc;ncia futura", ou <I>Di&aacute;rio    de Not&iacute;cias</I>, 22-06-1990, "O Isl&atilde;o e a Europa", escrito tamb&eacute;m    por Suleiman Valy Mamede. Outros jornais, que t&ecirc;m como alvo leitores da    classe trabalhadora, citam tamb&eacute;m os representantes mu&ccedil;ulmanos    e, ocasionalmente, convidam-nos para entrevistas. Isto aconteceu sobretudo durante    a Segunda Guerra do Golfo. Como exemplo, ver a entrevista de o <I>Correio da    Manh&atilde;</I> (CM), 09-02-1991, "Suleiman Valy Mamede (isl&acirc;mico): ‘Guerras    santas’ est&atilde;o ultrapassadas". (Em 1995, quando Mamede morreu, com 59    anos, v&aacute;rios jornais dedicaram-lhe um obitu&aacute;rio. Ver, por exemplo,    <I>O Independente</I>, 31-03-1995 e a <I>Capital</I>, 29-03-1995). </p>      <p><A NAME="nota43"></A><a href="#top43">43</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No dia    11 de Novembro de 1995, a mesquita de Lisboa comemorou o seu 10.º anivers&aacute;rio.    Na celebra&ccedil;&atilde;o encontraram-se representantes das comunidades isl&acirc;mica,    judaica, cat&oacute;lica, hindu e ismaelita. O Presidente da Rep&uacute;blica,    partidos pol&iacute;ticos, embaixadores e c&acirc;maras municipais, todos estiveram    presentes. (<I>P&uacute;blico</I>, 12-11-1995). </p>      <p><A NAME="nota44"></A><a href="#top44">44</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;210 de    399 organiza&ccedil;&otilde;es responderam e apresentaram as suas propostas    &agrave; comiss&atilde;o. </p>      <p><A NAME="nota45"></A><a href="#top45">45</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A comunidade    judaica de Portugal &eacute; pequena mas influente (Briesemeister, 1997: 291).    A popula&ccedil;&atilde;o judaica portuguesa constitui uma das mais pequenas    comunidades judaicas da Europa. Ronda, hoje em dia, aproximadamente os 400 membros,    e est&aacute; organizada em quatro comunidades: Lisboa (a Sinagoga foi inaugurada    em 1902), Porto, Belmonte e Portim&atilde;o (Studemund-Hal&eacute;vy, 1997:    299). Devido ao facto de existir uma vasta literatura acad&eacute;mica sobre    Judeus em Portugal (tanto no passado como no presente), f&aacute;cil de encontrar    em ingl&ecirc;s, franc&ecirc;s, espanhol e portugu&ecirc;s, decidi aqui n&atilde;o    fazer mais aprecia&ccedil;&otilde;es. </p>      <p><A NAME="nota46"></A><a href="#top46">46</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Al&eacute;m    da amizade pessoal entre os presidentes das comunidades isl&acirc;mica e judaica,    Joshua Rua e Abdool Karim Vakil, estas comunidades portuguesas haviam j&aacute;    demonstrado a sua solidariedade em outras quest&otilde;es. Por exemplo, numa    altura em que os mu&ccedil;ulmanos n&atilde;o tinham ainda a possibilidade de    praticar abates rituais, a comunidade judaica ofereceu-se para os deixar usar    as suas instala&ccedil;&otilde;es (<I>O Seman&aacute;rio</I>, 28-10-1989). At&eacute;    1982, era o rabi judeu Abra&atilde;o Assor quem realizava os abates rituais    para as comunidades isl&acirc;micas (<I>A Capital</I>, 11-03-1992b). Em 1992,    tr&ecirc;s talhos isl&acirc;micos no distrito da Grande Lisboa come&ccedil;aram    a oferecer a carne <I>halal </I>(termo ar&aacute;bico para: puro e correcto)    em Alvalade, Odivelas e Laranjeiro (<I>A Capital</I>, 11-03-1992a). </p>      <p><A NAME="nota47"></A><a href="#top47">47</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As solicita&ccedil;&otilde;es    formuladas nas suas propostas inclu&iacute;am, por exemplo, os t&oacute;picos    dos feriados religiosos (sexta-feira para os mu&ccedil;ulmanos, s&aacute;bado    para os judeus), a aceita&ccedil;&atilde;o formal do ritual do abate (que, na    pr&aacute;tica, j&aacute; existe) e a respectiva alimenta&ccedil;&atilde;o em    hospitais, escolas, etc. </p>      <p><A NAME="nota48"></A><a href="#top48">48</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No que    respeita aos NMR, nos anos 80 e 90 o mesmo tamb&eacute;m aconteceu em alguns    outros pa&iacute;ses da Europa. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota49"></A><a href="#top49">49</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Centro    de Estudos S&oacute;cio-Pastorais (CESP) (Lisboa, Universidade Cat&oacute;lica),    por exemplo, foi fundado no final dos anos 80, para instaurar a pesquisa no    campo da Sociologia da Religi&atilde;o, concentrando-se maioritariamente em    minorias crist&atilde;s e no fen&oacute;meno da convers&atilde;o. </p>      <p><A NAME="nota50"></A><a href="#top50">50</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em 1991,    quando assisti a algumas sess&otilde;es de sexta-feira da IURD, no antigo cinema    Alvalade (em Lisboa), as ora&ccedil;&otilde;es e os discursos centravam-se maioritariamente    na cura de doen&ccedil;as alegadamente causadas pelo dem&oacute;nio — da&iacute;    os c&acirc;nticos e as ora&ccedil;&otilde;es para o "exorcismo" serem realizadas    primeiro. A grande maioria da audi&ecirc;ncia parecia ser constitu&iacute;da    por pessoas da classe baixa trabalhadora, de diferentes origens &eacute;tnicas.    No final da sess&atilde;o, os participantes fizeram fila para fazer donativos.    Numa altura em que a Igreja era j&aacute; vista como uma seita criminosa, as    not&iacute;cias sobre a deten&ccedil;&atilde;o do dirigente da IURD no Brasil    afectaram de tal forma o p&uacute;blico portugu&ecirc;s, que se verificaram    motins &agrave; porta de alguns edif&iacute;cios da IURD, em v&aacute;rias cidades.  </p>      <p><A NAME="nota51"></A><a href="#top51">51</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isto acontece    sobretudo nos pa&iacute;ses europeus onde a NPI resultou maioritariamente de    processos de descoloniza&ccedil;&atilde;o, tais como o Reino Unido (66,7%) e    a Fran&ccedil;a (62,5%). Contrariamente, em outros pa&iacute;ses onde a NPI    &eacute; o resultado da migra&ccedil;&atilde;o laboral, a percentagem de mu&ccedil;ulmanos    que possui a respectiva cidadania nacional &eacute; geralmente muito mais baixa:    &Aacute;ustria 25,0%, Espanha 22,9%, Su&eacute;cia 20,0%, Dinamarca 20,0%, Irlanda    20,0%, Pa&iacute;ses Baixos 13,3%, It&aacute;lia 12,5%, Noruega 10,0%, Luxemburgo    10,0%, B&eacute;lgica 6,7%, Alemanha 4,0% (Kettani 1996: 15). </p>      <p><A NAME="nota52"></A><a href="#top52">52</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Enquanto    Kettani (1996: 15) estimava a percentagem de cidad&atilde;os mu&ccedil;ulmanos    em Portugal em 1991 em 50%, um artigo do <I>P&uacute;blico</I> de 1992 mencionava    que esta rondava os 70% (<I>P&uacute;blico</I>, 29-02-1992). </p>      <p><A NAME="nota53"></A><a href="#top53">53</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&Eacute;    um facto que a <I>presen&ccedil;a hist&oacute;rica isl&acirc;mica</I> tenha    influenciado de forma crucial as culturas espanholas, e, como Garaudy (1981)    fez notar, o Isl&atilde;o devia ser considerado como um dos tr&ecirc;s pilares    da cultura europeia. N&atilde;o obstante, esta proclama&ccedil;&atilde;o no    tratado hispano-mu&ccedil;ulmano pode ser interpretada como uma inven&ccedil;&atilde;o    da tradi&ccedil;&atilde;o, pois s&oacute; surgiu por ocasi&atilde;o da nova    constela&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica, no decurso do estabelecimento    da NPI espanhola. No per&iacute;odo do processo moderno espanhol de forma&ccedil;&atilde;o    de na&ccedil;&atilde;o, a percep&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas    com o Isl&atilde;o foi bastante negativa. </p>      <p><A NAME="nota54"></A><a href="#top54">54</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<A HREF="http://www.alfurqan.pt/art1998/artigo2.htm">http://www.alfurqan.pt/art1998/artigo2.htm</A>  </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</p> </B>       <!-- ref --><p>Abulmaham, Monserrat (org.) (1995), <I>Comunidades Isl&aacute;micas en Europa</I>,    Madrid, Editorial Trotta. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0873-6529200000030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Al-Ahari, Muhammed Abdullah (1999), "The caribbean and latin America", em David    Westerlund e Ingvar Svanberg (org.), <I>Islam Outside the Arab World</I>, Richmond,    Curzon Press, pp. 443-61. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0873-6529200000030000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Antes, Peter (1994), "Islam in Europe", em Sean Gill, Gavin D´Costa e Ursula    King (orgs.), <I>Religion in Europe: Comtemporary Perspectives</I>, Kampen,    Kok Pharos, pp. 46-67. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0873-6529200000030000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baganha, Maria Ioannis (1999), "Legal status and employment opportunities:    immigrants in the Portuguese labor market", <I>Oficina do CES</I>, 139, Coimbra.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0873-6529200000030000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bastos, Susana T. P. e Jos&eacute; G. P. Bastos (1999a), "Unity within plurality    of a tricontinental Indian diaspora: from social unity to the identity strategies    of a group of hindu-gujaratis of Diu, Mozambique and Lisbon", Comunica&ccedil;&atilde;o    ao <I>Third International Meeting of Lusotopie, Portuguese Speaking Space in    Asia: Asians in Portuguese Speaking Space</I>, Universidade de Goa, Fevereiro    de 1999, (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0873-6529200000030000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bastos, Susana T. P. e Jos&eacute; G. P. Bastos (1999b), <I>Portugal Multicultural:    Situa&ccedil;&atilde;o e Estrat&eacute;gias Identit&aacute;rias das Minorias    &Eacute;tnicas</I>, Lisboa, Fim de S&eacute;culo Edi&ccedil;&otilde;es. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0873-6529200000030000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bornhorst, Fabian (1997), "Der internationale kontext der demokratisierung    in Portugal: die aussenpolitik eines kleinen landes mit grosser geschichte am    rande europas", em D. Briesemeister e A. Sch&ouml;nberger (orgs.), <I>Portugal    Heute: Politik, Wirtschaft</I>, Kultur, Frankfurt am Main, Vervuert, S., pp.    247-88. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0873-6529200000030000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Briesemeister, Dirk (1997), "Die katholische kirche in Portugal", em D. Briesemeister    e A. Sch&ouml;nberger, pp. 288-98. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0873-6529200000030000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Esteves, Maria do C&eacute;u (org.) (1991), <I>Portugal, Pa&iacute;s de Imigra&ccedil;&atilde;o</I>,    Lisboa, Instituto de Estudos para o Desenvolvimento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0873-6529200000030000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Coxilha, M. R. Galheto (1995), <I>A Dial&eacute;ctica da Identidade: Um Estudo    Realizado sobre a Comunidade Ismaelita Radicada em Lisboa</I>, Lisboa, FCSH/Universidade    Nova de Lisboa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0873-6529200000030000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ferreira, Jos&eacute; Medeiros (1994), "Portugal em transe (1974-1985)", em    Jos&eacute; Mattoso (org.) <I>Hist&oacute;ria de Portugal</I>, VIII, Lisboa,    C&iacute;rculo de Leitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0873-6529200000030000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Francisco, Ana Maria Gameiro (1991), <I>Uma Comunidade Isl&acirc;mica em Portugal:    Um Olhar Sobre a Comunidade do Laranjeiro Tendo Como Ponto de Partida a Sua    Mesquita</I>, Lisboa, FCSH/Universidade Nova de Lisboa, (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0873-6529200000030000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Frias, S&oacute;nia I. Gir&atilde;o (1995), <I>Contribui&ccedil;&atilde;o Para    o Estudo de Processo de Adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; Mudan&ccedil;a: O Caso    de Duas Mulheres da Regi&atilde;o de Lisboa</I>, Lisboa, UA (tese de mestrado,    policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0873-6529200000030000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gadit, Rosemina Faruk (1996), <I>O Namoro e o Noivado: Quadro Referencial para    um Modelo Comportamental Feminino</I>, Lisboa, FCSH/Universidade Nova de Lisboa,    (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0873-6529200000030000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Garaudy, Roger (1981), <I>Promesses de L´Islam</I>, Paris. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0873-6529200000030000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gerholm, Tomas, e Yngve Georg Lithman (org.) (1988), <I>The New Islamic Presence    in Western Europe</I>, Londres, Mansell. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0873-6529200000030000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Heine, Peter (1996), "Das verbreitungsgebiet der islamischen religion: zahlen    und informationen zur situation in der gegenwart", em Werner Ende e Udo Steinbach    (org.), <I>Der Islam in der Gegenwart</I> (1.ª ed. 1984), Munique, C. H. Beck,    pp. 129-48. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0873-6529200000030000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hofmeister, Rolf e Mathias Sch&ouml;nborn (org.) (1985), <I>Politisches Lexikon    Afrika, </I>Munique, C. H. Beck. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0873-6529200000030000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kettani, M. Ali (1996), "Challenges to the organization of muslim communities    in Western Europe: the political dimension", em W. A. R Shadid, . e P. S. van    Koningsveld (1996b), pp. 14-35. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0873-6529200000030000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lopes, Maria Celeste Mateus das Neves de Canelas (1988), <I>A Comunidade Ismaelita    de Lisboa: Comportamentos Econ&oacute;micos e Poss&iacute;vel Incid&ecirc;ncia    Religiosa na Esfera Econ&oacute;mica</I>, Lisboa, FCSH/Universidade Nova de    Lisboa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0873-6529200000030000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, Fernando Lu&iacute;s (1998), "Da Guin&eacute;-Bissau a Portugal: luso-guineenses    e imigrantes", <I>Sociologia, Problemas e Pr&aacute;ticas</I>, 26, pp. 9-56.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0873-6529200000030000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Malheiros, Jorge Maca&iacute;sta (1996), <I>Imigrantes na Regi&atilde;o de    Lisboa</I>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Colibri. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0873-6529200000030000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Maxwell, Kenneth (1995), <I>The Making of Portuguese Democracy</I>, Cambridge,    Cambridge University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0873-6529200000030000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Medina, Jo&atilde;o (org.) (1990), <I>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de    Portugal: Das Invas&otilde;es Francesas aos Nossos Dias</I>, 4, Sacav&eacute;m,    Multilar. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0873-6529200000030000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nielsen, J&oslash;rgen S. (1992), <I>Muslims in Western Europe</I>, Edinburgh,    Edinburgh University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0873-6529200000030000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nonnemann, Gerd, Tim Niblock e Bogdan Szajkowski, (orgs.) (1996), <I>Muslim    Communities in the New Europe</I>, Reading, Ithaca Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0873-6529200000030000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pedroso, Maria Lu&iacute;sa dos Santos (1991), <I>A Mulher na Comunidade Isl&acirc;mica    de Lisboa</I>, Lisboa, FCSH/Universidade Nova de Lisboa, (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0873-6529200000030000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pimentel, Isabel do Nascimento (1993), <I>Na "Outra Margem": Uma Abordagem    &agrave;s Representa&ccedil;&otilde;es Sociais Identit&aacute;rias dos Marroquinos</I>,    Lisboa, FCSH/Universidade Nova de Lisboa, (policopiado). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0873-6529200000030000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pena Pires, Rui e outros (1984, 1987), <I>Os Retornados: Um Estudo Sociogr&aacute;fico</I>,    Lisboa, Instituto de Estudos para o Desenvolvimento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0873-6529200000030000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ramadan, Tariq (1999), <I>To Be a European Muslim</I>, Leicester, The Islamic    Foundation. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0873-6529200000030000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Reis, Ant&oacute;nio (org.) (1992), <I>Portugal Contempor&acirc;neo</I>, IV,    Lisboa, Publica&ccedil;&otilde;es Alfa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0873-6529200000030000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rahden, Manuel von (1997), "Portugiesische zeitgeschichte: von der nelkenrevolution    bis zum Jahr 1997", in Jos&eacute; Mattoso (org.) <I>Hist&oacute;ria de Portugal</I>,    VIII, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0873-6529200000030000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Saint-Maurice, A. e R. Pena Pires (1989), "Descoloniza&ccedil;&atilde;o e migra&ccedil;&otilde;es:    os imigrantes dos PALOP em Portugal", <I>Revista Internacional de Estudos Africanos</I>,    10-11, pp. 203-26. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0873-6529200000030000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sander, &Aring;ke (1997), "To what extent is the Swedish Muslim religious?",    em Steven Vertovec e Ceri Peach, pp. 179-210. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0873-6529200000030000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Shadid, W. A. R., e P. S. van Koningsveld (org.) (1991), <I>The Integration    of Islam and Hinduism in Western Europe, Kampen</I>, Kok Pharos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0873-6529200000030000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Shadid, W. A. R., e P. S. van Koningsveld (orgs.) (1996a), <I>Muslims in the    Margin; Political Responses to the Presence of Islam in Western Europe</I>,    Kampen, Kok Pharos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0873-6529200000030000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Shadid, W. A. R., e P. S. van Koningsveld (orgs.) (1996b), <I>Political Participation    and Identities of Muslims in Non-Muslim States, </I>Kampen, Kok Pharos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0873-6529200000030000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Studemund-Hal&eacute;vy, Micha&euml;l (1997), "Zwischen r&uuml;ckkehr und neuanfang:    juden in Portugal", em D. Briesemeister e A. Sch&ouml;nberger, (1997), 299-316.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0873-6529200000030000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vertovec, Steven e Ceri Peach (org.) (1997), <I>Islam in Europe: The Politics    of Religion and Community</I>, Londres, Macmillan. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0873-6529200000030000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Jornais</p> </B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>The Muslim News</i>, "News and views of muslims in the United Kingdom",    <a href="mailto:ahmed.versi@muslimnews.co.uk">ahmed.versi@muslimnews.co.uk</a>  </p> <I>      <p>A Capital</p> </I>       <p>"Comunidade isl&acirc;mica: elementos m&iacute;sticos em nova mesquita", 28-03-1985,    pp. 21, 23-7. </p>      <p>"T&acirc;mara e past&eacute;is de farinha quebram jejum de 14 horas", 20-03-1991,    p. 9. </p>      <p>"Torah e Alcor&atilde;o pro&iacute;bem porco", 11-03-1992a. </p>      <p>"Judeus e mu&ccedil;ulmanos de Lisboa unidos pela lei do est&ocirc;mago", 11-03-1992b,    pp. 12-13. </p>      <p>"Fundador da Comunidade Isl&acirc;mica Suleyman Valy Mamede morre com 59 anos",    29-03-1995. </p>      <p><I>Correio da Manh&atilde;, </i>"Suleiman Valy Mamede (isl&acirc;mico): ‘guerras    santas’ est&atilde;o ultrapassadas", 09-02-1991. </p> <I>      <p>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias (DN)</p> </I>       <p>"O Isl&atilde;o e a Europa", 22-06-1990. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>"Comunidade hindu mant&eacute;m forte identidade", 24-08-1991, pp. 16-17. </p> <I>      <p>Expresso</p> </I>       <p>"Constru&ccedil;&atilde;o de mesquita em Lisboa poder&aacute; estimular aproxima&ccedil;&atilde;o    entre Portugal e o mundo &aacute;rabe", 03-02-1979, pp. 1-5. </p>      <p>"Cemit&eacute;rio e mesquita dividem mu&ccedil;ulmanos de Lisboa", 26-01-1985,    p. 6. </p>      <p>"Elei&ccedil;&otilde;es decisivas antes do Ramad&atilde;o", 27-04-1985, 6.  </p> <I>      <p>Expresso Revista</p> </I>       <p>"O Isl&atilde;o de Khomeini n&atilde;o &eacute; o da maioria. Suleiman Valy    Mamede, presidente da Comunidade Isl&acirc;mica de Lisboa, tra&ccedil;a a g&eacute;nese    do Isl&atilde;o e sua influ&ecirc;ncia futura", 05.01.1980, pp. 27 e seg. </p>      <p>"Aga Khan: a outra face do Isl&atilde;o", 05-03-1983, p. 17. </p>      <p>"A face portuguesa do Isl&atilde;o", 11-03-1989, pp. 18-22. </p> <I>      <p>O Independente</p> </I>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>"Obitu&aacute;rio: Suleiman Valy Mamede: senhor mesquita", 31-03-1995, p. 59.  </p> <I>      <p>P&uacute;blico</p> </I>       <p>"Mesquita de Coimbra &eacute; inaugurada hoje", 29-02-1992. </p>      <p>"Alcolhimento dos refugiados b&oacute;snios: A hora da Comunidade Isl&acirc;mica",    10-12-1992. </p>      <p>"Debate religioso no ‘Acontece’": TV2 22h30, 09-02-1995. </p>      <p>"O voto esbatido dos cat&oacute;licos", 20-09-1995. </p>      <p>"O ‘partido do cigano’", 22-09-1995. </p>      <p>"X. anivers&aacute;rio da mesquita de Lisboa convida comunidades religiosas    em Portugal: um templo para os homens de paz", 12-11-1995. </p>      <p>"Para que uns n&atilde;o sejam mais iguais que os outros", 21-07-1996. </p>      <p>"Estado portugu&ecirc;s acusado de ‘discriminar´mu&ccedil;ulmanos: ‘mouros    forros´ esquecidos", 10-12-1996, p. 9. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>"Aulas de relig&atilde;o e moral: em jeito de conclus&atilde;o", 06-12-1999.  </p>      <p>"Ramad&atilde;o come&ccedil;a logo &agrave; tarde em Portugal", 08-12-1999  </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><a name="back"></a><a href="#top"><sup>*</sup></a>Nina Clara Tiesler. Mestre    em Letras, desenvolve doutoramento em Filosofia, no&nbsp;Departamento de Estudos    das Religi&otilde;es e do Instituto de Sociologia da&nbsp;Universidade de Hannover.    <A HREF="mailto:ninaclaratiesler@aol.com">NinaClaraTiesler@aol.com</A> </p>      ]]></body><back>
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