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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mau trato e negligência parental: contributos para a definição social dos conceitos]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Definição social]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[negligência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[   <B>     <p> <a name="top"></a>MAU TRATO E NEGLIG&Ecirc;NCIA PARENTAL</p>      <p>Contributos para a defini&ccedil;&atilde;o social dos conceitos</p> </B>         <p><I>Manuela Calheiros<a href="#back1">*</a> e Maria Benedicta Monteiro<sup><a href="#back2">**</a></sup></I></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><u>Resumo</u> Este estudo teve por objectivos: 1) a apreens&atilde;o dos significados    particulares dos conceitos de mau trato e de neglig&ecirc;ncia, a n&iacute;vel    do senso comum, a n&iacute;vel t&eacute;cnico e a n&iacute;vel jur&iacute;dico,    2) a identifica&ccedil;&atilde;o de alguns dos factores respons&aacute;veis    pela sua varia&ccedil;&atilde;o, e 3) a defini&ccedil;&atilde;o integrada do    conceito. Atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise de conte&uacute;do foram analisados    os corpus de 123 entrevistas, de 9 relat&oacute;rios t&eacute;cnicos e do articulado    relevante do direito portugu&ecirc;s que integravam ideias e representa&ccedil;&otilde;es    sobre mau trato e neglig&ecirc;ncia com crian&ccedil;as. A amostra dos sujeitos    da entrevista foi caracterizada em termos socioecon&oacute;micos e de experi&ecirc;ncia    profissional com crian&ccedil;as. Da an&aacute;lise do material resultaram 18    subcategorias de mau trato e neglig&ecirc;ncia descritivas das quatro categorias    principais em que o tema tem sido abordado na literatura. Uma an&aacute;lise    factorial de correspond&ecirc;ncias mostrou, n&atilde;o s&oacute; a sali&ecirc;ncia    das dimens&otilde;es de significado das pr&aacute;ticas parentais abusivas,    como a import&acirc;ncia do estatuto socioecon&oacute;mico e das perten&ccedil;as    institucionais dos definidores na acentua&ccedil;&atilde;o diferenciada daquelas    dimens&otilde;es. </p> <u>  </U>     <p><u>Palavras-chave</u> Defini&ccedil;&atilde;o social, mau trato, neglig&ecirc;ncia.  </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise da evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do mau trato mostra    que, s&oacute; a partir da publica&ccedil;&atilde;o do artigo "The battered-child    syndrome" (Kempe e outros, 1962) numa revista m&eacute;dica, &eacute; que se    come&ccedil;ou a manifestar interesse cient&iacute;fico por esta &aacute;rea,    sendo a quest&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o dos conceitos em estudo um    objecto de an&aacute;lise que s&oacute; aparece posteriormente. </p>      <p>Por volta da data da publica&ccedil;&atilde;o deste artigo, e at&eacute; aos    finais dos anos 70, a investiga&ccedil;&atilde;o estava centrada sobretudo nas    manifesta&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do mau trato, sendo este definido    quase exclusivamente a partir das sequelas f&iacute;sicas observadas nas crian&ccedil;as.  </p>      <p>No princ&iacute;pio dos anos 80, embora a investiga&ccedil;&atilde;o do mau    trato f&iacute;sico prevale&ccedil;a relativamente a outras formas de abuso,    aparecem as primeiras defini&ccedil;&otilde;es do mau trato psicol&oacute;gico    e da neglig&ecirc;ncia, e inicia-se a investiga&ccedil;&atilde;o sobre o construto    de mau trato, sobretudo nos meios t&eacute;cnico e institucional. </p>      <p>Por&eacute;m, &eacute; s&oacute; na d&eacute;cada de 90 que os investigadores    se apropriam da &aacute;rea da defini&ccedil;&atilde;o, at&eacute; a&iacute;    deixada aos t&eacute;cnicos, e come&ccedil;am a alertar a comunidade t&eacute;cnica    e cient&iacute;fica para a quest&atilde;o da operacionaliza&ccedil;&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o dos diferentes tipos de pr&aacute;ticas parentais    abusivas (McGee e Wolfe, 1991; Wolfe, 1991; Zigler e Hall, 1989). O mau trato    e a neglig&ecirc;ncia continuam, no entanto, a representar construtos que agregam    pouco consenso, quer entre t&eacute;cnicos quer entre investigadores, o que    tem dificultado a formula&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o do trabalho    nesta &aacute;rea. Para os pr&aacute;ticos, a defini&ccedil;&atilde;o de mau    trato e de neglig&ecirc;ncia afecta a maneira como os casos s&atilde;o classificados,    a decis&atilde;o de os referenciar e a tomada de decis&atilde;o sobre a interven&ccedil;&atilde;o.    No contexto de investiga&ccedil;&atilde;o, a inconsist&ecirc;ncia das defini&ccedil;&otilde;es    tem dificultado a revis&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o da literatura, assim    como a constitui&ccedil;&atilde;o das amostras, a avalia&ccedil;&atilde;o do    problema, o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es consistentes entre vari&aacute;veis    e a generaliza&ccedil;&atilde;o e compara&ccedil;&atilde;o de resultados. </p>      <p>O facto de s&oacute; recentemente se come&ccedil;arem a operacionalizar formas    espec&iacute;ficas e subtipos de mau trato e de neglig&ecirc;ncia (Manly e outros,    1994) tem, entretanto, contribu&iacute;do para que a investiga&ccedil;&atilde;o    sobre a defini&ccedil;&atilde;o destes subtipos seja, em termos conceptuais    e metodol&oacute;gicos, uma &aacute;rea pol&eacute;mica. As controv&eacute;rsias    assentam no facto de as defini&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas, quer sejam    legais, sociais ou m&eacute;dicas, serem vagas, n&atilde;o s&oacute; a n&iacute;vel    das categorias que as comp&otilde;em e das fronteiras que as limitam, como na    avalia&ccedil;&atilde;o da sua intencionalidade, e ainda nos crit&eacute;rios    espec&iacute;ficos relativamente ao que constitui os v&aacute;rios graus ou    tipos de perigo (Giovannoni, 1989; Knutson, 1995), n&atilde;o existindo at&eacute;    &agrave; data modelos integradores. </p>      <p>No &acirc;mbito da psicologia, dado que o tema tem sido abordado do ponto de    vista da psicologia do desenvolvimento, no que diz respeito &agrave; defini&ccedil;&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o dos construtos envolvidos, a investiga&ccedil;&atilde;o    que utiliza par&acirc;metros de desenvolvimento e que &eacute; utilizada para    fins acad&eacute;micos tem sido bastante questionada no que diz respeito &agrave;    utilidade e validade que pode ter na compreens&atilde;o do mau trato, tal como    &eacute; conceptualizado pelos pais, t&eacute;cnicos e institui&ccedil;&otilde;es    (Giovannoni, 1989). Segundo o autor, as defini&ccedil;&otilde;es dos investigadores    desenvolvimentistas s&atilde;o puras no sentido cient&iacute;fico, mas s&atilde;o    ineficazes e inapropriadas fora do contexto de investiga&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Neste sentido, e dado que o mau trato e a neglig&ecirc;ncia s&atilde;o conceptualizados    na literatura como ancorados pelos quadros espec&iacute;ficos em que s&atilde;o    definidos (institui&ccedil;&otilde;es, t&eacute;cnicos, senso comum e investigadores)    e em que se desenvolvem, inserimos o estudo no quadro da psicologia social do    desenvolvimento. </p>      <p>Em primeiro lugar, porque as diferentes defini&ccedil;&otilde;es e as dimens&otilde;es    em que o construto se organiza t&ecirc;m reflectido, n&atilde;o s&oacute; as    diversas fontes cient&iacute;ficas (m&eacute;dicas, psicol&oacute;gicas, legais,    etc.) e a sua evolu&ccedil;&atilde;o, como uma s&eacute;rie de outros factores:    o tempo hist&oacute;rico (Ari&egrave;s, 1960; 1962; Ari&eacute;s e Duby, 1990;    Badinter, s/d; Dubowitz e Newberger, 1989; Radbill, 1987), a cultura e legisla&ccedil;&atilde;o,    (Korbin, 1980; 1987), as diferentes disciplinas e institui&ccedil;&otilde;es    envolvidas (Giovannoni, 1989; Giovannoni e Becerra, 1979), assim como com os    pr&oacute;prios investigadores (Ammerman, 1990; Knutson, 1995; Wolfe e McGee,    1994). Por outro lado, uma vez que as defini&ccedil;&otilde;es do problema reflectem    o sistema conceptual dos indiv&iacute;duos, a compreens&atilde;o do mau trato    e da neglig&ecirc;ncia pressup&otilde;e a an&aacute;lise do processo e do estado    actual da negocia&ccedil;&atilde;o social desta realidade, bem como a import&acirc;ncia    dada aos actores sociais (popula&ccedil;&atilde;o, t&eacute;cnicos, institui&ccedil;&otilde;es)    nessa negocia&ccedil;&atilde;o (Moscovici e Hewstone, 1984), na sua defini&ccedil;&atilde;o,    na an&aacute;lise das suas causas, interven&ccedil;&atilde;o, preven&ccedil;&atilde;o,    etc., pois &eacute; a este processo negocial que se ir&atilde;o buscar posteriormente    as dimens&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio.  </p>      <p>Em segundo lugar, o contexto dominante em que o mau trato e a neglig&ecirc;ncia    se desenvolvem — interac&ccedil;&atilde;o pais-filhos — tem vindo a ser analisado    atrav&eacute;s dos quadros sociais em que o processo educativo decorre, integrando    os tr&ecirc;s sistemas principais de interac&ccedil;&atilde;o — pais, crian&ccedil;a,    meio, em diferentes n&iacute;veis de an&aacute;lise psico-sociais (Doise, 1982).  </p>      <p>Em suma, inerente &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es prevalece a no&ccedil;&atilde;o    de que o mau trato &eacute; um construto mais relativo do que absoluto, devido    ao facto de os padr&otilde;es comunit&aacute;rios sobre o que &eacute; educar    e quais os cuidados necess&aacute;rios a ter com as crian&ccedil;as reflectirem    as atitudes p&uacute;blicas, e diferentes pontos de vista entre diferentes grupos,    em rela&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; essencial para a crian&ccedil;a e o    que prejudica o seu bem-estar e futuro desenvolvimento (Giovannoni e Becerra,    1979). Desta forma, a defini&ccedil;&atilde;o e identifica&ccedil;&atilde;o    do mau trato e da neglig&ecirc;ncia inscrevem-se numa &aacute;rea indefinida    cujas fronteiras t&ecirc;m vindo a variar em fun&ccedil;&atilde;o dos valores    que regem os diferentes contextos em que o problema tem sido abordado. A literatura    dispon&iacute;vel que de seguida se apresenta &eacute; reflexo disso mesmo,    o que nos conduziu &agrave; sua an&aacute;lise tendo em considera&ccedil;&atilde;o    dois contextos — o contexto institucional e o contexto cultural. </p> <B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O contexto institucional</p> </B>     <p>Embora a refer&ecirc;ncia ao mau trato comece a aparecer nos finais do s&eacute;culo    XIX, altura em que nos Estados Unidos se reconhece, pela primeira vez, a exist&ecirc;ncia    do mau trato a crian&ccedil;as (Giovannoni, 1989; Zigler e Hall, 1989), &eacute;    ap&oacute;s a primeira guerra mundial que a comunidade internacional desperta    para a protec&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia. A&nbsp;necessidade de    garantir uma protec&ccedil;&atilde;o especial &agrave; crian&ccedil;a &eacute;    referida na Declara&ccedil;&atilde;o de Genebra sobre os Direitos da Crian&ccedil;a,    (aprovada pela Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es em 1924), contemplada na Declara&ccedil;&atilde;o    dos Direitos da Crian&ccedil;a de 1959 pela Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas (Conven&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;a, 1990). &Eacute;    neste contexto que diferentes pa&iacute;ses come&ccedil;am a definir os servi&ccedil;os    que da&iacute; em diante foram os respons&aacute;veis pela interven&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;fica no problema — servi&ccedil;os m&eacute;dicos, sociais, psicol&oacute;gicos    e jur&iacute;dicos (Radbill, 1987). </p>      <p>Uma vez que as <I>defini&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas</I> est&atilde;o    associadas aos objectivos institucionais, aos contextos e fun&ccedil;&otilde;es    dos diferentes t&eacute;cnicos envolvidos, actualmente s&atilde;o quatro as    perspectivas te&oacute;ricas mais relevantes sobre a defini&ccedil;&atilde;o    da crian&ccedil;a maltratada (Aber e Zigler, 1981; Giovannoni e Becerra, 1979)    neste dom&iacute;nio. Cada uma destas defini&ccedil;&otilde;es deriva de diferentes    teorias sobre as causas, as consequ&ecirc;ncias e a interven&ccedil;&atilde;o    no problema, e por isso divergem sobre que caracter&iacute;sticas devem ser    enfatizadas (Aber e Zigler, 1981). </p>      <p>Na primeira perspectiva a ser articulada — a perspectiva m&eacute;dica — o    objectivo da defini&ccedil;&atilde;o est&aacute; associado &agrave; necessidade    de se fazer um diagn&oacute;stico, sendo central a ideia de que o mau trato    &eacute; o sintoma de uma patologia dos pais. Assim, os diagn&oacute;sticos    m&eacute;dicos s&atilde;o relativamente objectivos no estabelecimento das fronteiras    da <I>doen&ccedil;a</I>, sendo no entanto menos claros no que se refere &agrave;    interven&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>A defini&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica &eacute; restrita e caracteriza-se    essencialmente pela inclus&atilde;o das consequ&ecirc;ncias dos actos parentais    para a crian&ccedil;a, sendo estas avaliadas pelas sev&iacute;cias que s&atilde;o    observadas e enquadradas numa determinada posologia. Relativamente aos factores    precipitadores, a defini&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica enquadra-se num modelo    etiol&oacute;gico que atribui import&acirc;ncia &agrave; psicopatologia parental    e &agrave; intencionalidade dos seus actos. </p>      <p>Na segunda perspectiva — a perspectiva sociol&oacute;gica — a defini&ccedil;&atilde;o    emerge, em parte como uma reac&ccedil;&atilde;o e cr&iacute;tica ao modelo m&eacute;dico    (Giovannoni e Becerra, 1979). O aspecto central da perspectiva sociol&oacute;gica    &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de que o mau trato e a neglig&ecirc;ncia implicam    um contexto e um julgamento social e por isso a defini&ccedil;&atilde;o inclui    os actos parentais que s&atilde;o considerados inapropriados pelas pr&aacute;ticas    e padr&otilde;es da comunidade. </p>      <p>As defini&ccedil;&otilde;es que decorrem desta perspectiva atribuem, assim,    import&acirc;ncia &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas parentais    e &agrave; eventual responsabilidade dos profissionais em decidirem quando &eacute;    que os pais devem ser rotulados como maltratantes e for&ccedil;ados a sofrerem    uma interven&ccedil;&atilde;o. Desta forma, as decis&otilde;es relativamente    aos aspectos da defini&ccedil;&atilde;o s&atilde;o melhor resolvidas atrav&eacute;s    do questionamento da opini&atilde;o p&uacute;blica e profissional sobre que    tipos de actos parentais devem ser considerados inaceit&aacute;veis. Segundo    esta tradi&ccedil;&atilde;o, a &ecirc;nfase dos actos parentais na defini&ccedil;&atilde;o,    ao contr&aacute;rio da anterior, pretende uma despatologiza&ccedil;&atilde;o    parental do mau trato e o exame sobre o papel da sociedade na perpetua&ccedil;&atilde;o    do mesmo. Al&eacute;m disso, nesta perspectiva, as defini&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o amplas e incluem um grande n&uacute;mero de ac&ccedil;&otilde;es    e de omiss&otilde;es parentais que podem diferentemente afectar a crian&ccedil;a.  </p>      <p>A terceira perspectiva a emergir foi a defini&ccedil;&atilde;o legal e o seu    objectivo &eacute; estabelecer padr&otilde;es claros em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es parentais que justifiquem a interven&ccedil;&atilde;o    do tribunal. A este n&iacute;vel constata-se contudo uma grande variabilidade    entre os pa&iacute;ses. </p>      <p>Em Portugal, a defini&ccedil;&atilde;o legal de mau trato pressup&otilde;e    objectivos e momentos de interven&ccedil;&atilde;o diferenciados, atrav&eacute;s    do <I>Direito da Fam&iacute;lia</I> (1995), da <I>Organiza&ccedil;&atilde;o    Tutelar de Menores</I> (1992) e do <I>C&oacute;digo Penal </I>(1996). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A defini&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica integra, no seu conjunto, n&atilde;o    s&oacute; as situa&ccedil;&otilde;es que possam causar perigo para a crian&ccedil;a    (actos parentais ou situa&ccedil;&otilde;es de vida), como os danos/consequ&ecirc;ncias    j&aacute; observados na crian&ccedil;a. No Direito da Fam&iacute;lia, (C&oacute;digo    Civil, 1995), ao definir-se o conte&uacute;do do poder paternal, refere-se especificamente    que aos pais compete, entre outras coisas, cuidar da seguran&ccedil;a e da sa&uacute;de    dos filhos, referindo expressamente o art. 1918.º que o tribunal pode actuar    quando a seguran&ccedil;a, a sa&uacute;de, a forma&ccedil;&atilde;o moral ou    a educa&ccedil;&atilde;o do menor se encontram em perigo. </p>      <p>A n&iacute;vel da Organiza&ccedil;&atilde;o Tutelar de Menores (OTM), aos tribunais    de menores cumpre aplicar medidas tutelares quando os menores (em princ&iacute;pio    dos 0 aos 18 anos) "sejam v&iacute;timas de maus tratos, de abandono ou desamparo    ou se encontrem em situa&ccedil;&otilde;es capazes de p&ocirc;r em perigo a    sua sa&uacute;de, seguran&ccedil;a, educa&ccedil;&atilde;o ou moralidade" (al&iacute;nea    a), art.º15.º. </p>      <p>Nas defini&ccedil;&otilde;es legais a intencionalidade e o car&aacute;cter    n&atilde;o acidental dos actos parentais s&atilde;o o crit&eacute;rio por excel&ecirc;ncia    de distin&ccedil;&atilde;o entre neglig&ecirc;ncia e mau trato. Segundo o art.    153.º do C&oacute;digo Penal (1996): </p>      <p>os pais de menores de 16 anos (…) ser&atilde;o punidos (…) quando, devido a    malvadez ou ego&iacute;smo, lhes infligirem maus tratos f&iacute;sicos, os tratem    cruelmente, n&atilde;o lhes prestem os cuidados de sa&uacute;de necess&aacute;rios    (…)". S&atilde;o tamb&eacute;m sujeitos a pena no caso de "empregarem as crian&ccedil;as    em actividades perigosas, proibidas ou desumanas, ou as sobrecarregarem, f&iacute;sica    ou intelectualmente, com trabalhos excessivos ou inadequados de forma a criar    danos na sa&uacute;de, no desenvolvimento intelectual, ou expondo-as a grave    perigo. </p>      <p>Da an&aacute;lise deste preceito podemos depreender que &eacute; elemento central    da defini&ccedil;&atilde;o um dolo espec&iacute;fico que decorre precisamente    do ego&iacute;smo ou da malvadez. </p>      <p>Por &uacute;ltimo, as conceptualiza&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea da psicologia    t&ecirc;m definido os construtos de mau trato e neglig&ecirc;ncia, ora atrav&eacute;s    do julgamento dos comportamentos parentais — actos e omiss&otilde;es — respectivamente    (Baily e Baily, 1986; McGee e Wolfe, 1991; Wolfe e McGee, 1994), quer a partir    dos efeitos resultantes destes comportamentos e omiss&otilde;es para a crian&ccedil;a    (psicol&oacute;gicos ou f&iacute;sicos) (Brassard e outros, 1987), quer ainda    com base nos efeitos decorrentes da interac&ccedil;&atilde;o entre a crian&ccedil;a,    os pais e a comunidade (Garbarino e outros, 1986; Giovannoni, 1989), e tem envolvido    tr&ecirc;s t&oacute;picos interrelacionados: 1) as dimens&otilde;es ou subtipos    em que se organizam as diferentes formas de mau trato; 2) os crit&eacute;rios    com que se fazem as defini&ccedil;&otilde;es (comportamento parental <I>versus</I>    as consequ&ecirc;ncias para a crian&ccedil;a); e 3) os objectivos que as pr&oacute;prias    defini&ccedil;&otilde;es servem — interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica ou    diagn&oacute;stico para decis&atilde;o judicial. </p>      <p>A literatura espec&iacute;fica que foca directamente a quest&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica tem origem em diferentes processos de investiga&ccedil;&atilde;o,    que apontam para uma s&eacute;rie de factores que influenciam as percep&ccedil;&otilde;es    e as defini&ccedil;&otilde;es do mau trato e neglig&ecirc;ncia. A an&aacute;lise    que aqui se efectua, &agrave; semelhan&ccedil;a das revis&otilde;es de literatura    que se debru&ccedil;am sobre esta quest&atilde;o, decorre dos estudos sobre    incid&ecirc;ncia (Giovannoni, 1989; Groeneveld e Giovannoni, 1977 [citados em    Giovannoni, 1989]), das investiga&ccedil;&otilde;es sobre as tomadas de decis&atilde;o    dos t&eacute;cnicos para referenciar situa&ccedil;&otilde;es (Barksdale, 1989;    Brosig e Kalichman, 1992a; 1992b), e ainda das investiga&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas    a defini&ccedil;&atilde;o (Almeida, Andr&eacute; e Almeida, 1999, Bilingsley    e outros, 1969; Giovannoni e Becerra, 1979), onde se analisam <I>factores situacionais    da fam&iacute;lia e da crian&ccedil;a</I> e <I>circunst&acirc;ncias associadas    ao mau trato e &agrave; neglig&ecirc;ncia</I>. </p>      <p>Os estudos sobre incid&ecirc;ncia do mau trato e neglig&ecirc;ncia nos Estados    Unidos denotam bem a varia&ccedil;&atilde;o que existe nas frequ&ecirc;ncias    de incid&ecirc;ncia e na consubstancia&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es    em fun&ccedil;&atilde;o dos diferentes referentes (Giovannoni, 1989), contextos    institucionais e fun&ccedil;&otilde;es dos servi&ccedil;os envolvidos (educa&ccedil;&atilde;o,    sa&uacute;de e legal). A&nbsp;incid&ecirc;ncia varia tamb&eacute;m em fun&ccedil;&atilde;o    de outros factores, como o facto de a zona ser rural, urbana ou suburbana. As    zonas rurais apresentam a incid&ecirc;ncia mais elevada de casos consubstanciados,    ao contr&aacute;rio das zonas suburbanas que apresentam a incid&ecirc;ncia mais    baixa, sabendo-se no entanto que o n&iacute;vel de recursos e servi&ccedil;os    de cada regi&atilde;o influencia por si s&oacute; o comportamento de relatar    (Giovannoni, 1989). Num estudo que realiz&aacute;mos conclu&iacute;mos que as    crian&ccedil;as que frequentam menos servi&ccedil;os da comunidade local, e    que por isso se encontram menos inseridas e protegidas pelas institui&ccedil;&otilde;es,    s&atilde;o aquelas que mais facilmente os t&eacute;cnicos referenciaram para    as institui&ccedil;&otilde;es de protec&ccedil;&atilde;o de menores (Calheiros,    1996). </p>      <p>Estes estudos, que questionam a incid&ecirc;ncia do mau trato e a quest&atilde;o    da referencia&ccedil;&atilde;o por parte dos t&eacute;cnicos, indicam que a    tend&ecirc;ncia para relatar a suspeita de mau trato &eacute; influenciada por    quest&otilde;es externas, tais como a avalia&ccedil;&atilde;o que os t&eacute;cnicos    fazem sobre a qualidade e a disponibilidade dos servi&ccedil;os de protec&ccedil;&atilde;o,    variando em fun&ccedil;&atilde;o das comunidades (De Angelis, 1990), e o evitamento    de problemas legais, a ambiguidade do estatuto legal, a terminologia, estatuto    e requerimentos legais (Brosig e Kalichman, 1992b). Por outro lado, relativamente    &agrave;s caracter&iacute;sticas dos t&eacute;cnicos, salientam-se o conhecimento    sobre as leis, os anos de experi&ecirc;ncia na profiss&atilde;o, a pr&aacute;tica    em lidar com casos de mau trato e as atitudes e experi&ecirc;ncias relacionadas    com fun&ccedil;&otilde;es oficiais anteriormente desempenhadas (Barksdale, 1989;    Brosig e Kalichman, 1992a; 1992b). </p>      <p>J&aacute; a um outro n&iacute;vel de an&aacute;lise, as investiga&ccedil;&otilde;es    que avaliam os efeitos da profiss&atilde;o e da institui&ccedil;&atilde;o sobre    as representa&ccedil;&otilde;es e defini&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas do    mau trato e da neglig&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o conclusivas    como as anteriores. O estudo de Giovannoni e Becerra (1979) &eacute; um dos    estudos mais importantes que foram desenvolvidos na &aacute;rea da defini&ccedil;&atilde;o    interprofissional (pediatras, advogados, assistentes sociais e pol&iacute;cias)    e de senso comum do mau trato e da neglig&ecirc;ncia. Os resultados indicam    um grau elevado de consist&ecirc;ncia entre os diferentes grupos. Todos concordaram    que o mau trato n&atilde;o &eacute; uma entidade &uacute;nica, sendo os actos    parentais agrupados de forma consistente em diferentes categorias. Al&eacute;m    disso, todos os grupos concordaram com o facto de os actos de mau trato e de    neglig&ecirc;ncia n&atilde;o serem igualmente graves no seu impacte na crian&ccedil;a.    Havia diferen&ccedil;as dentro e entre os grupos na avalia&ccedil;&atilde;o    do n&iacute;vel de gravidade atribu&iacute;do a cada um, no entanto havia acordo    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; hierarquia de gravidade: abuso f&iacute;sico,    abuso sexual, comportamentos parentais promotores de delinqu&ecirc;ncia, falta    de supervis&atilde;o, mau trato emocional, uso de droga e &aacute;lcool, n&atilde;o    responder &agrave;s necessidades f&iacute;sicas, neglig&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o    e c&oacute;digos de conduta parentais desviantes. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta an&aacute;lise sugere, no quadro da popula&ccedil;&atilde;o americana,    que os t&eacute;cnicos, na sua generalidade, n&atilde;o est&atilde;o tanto em    desacordo sobre as defini&ccedil;&otilde;es de mau trato nem sugerem o caos    da defini&ccedil;&atilde;o que parece deduzir-se dos estudos sobre incid&ecirc;ncia,    pois percebem as comunalidades entre diferentes tipos de ac&ccedil;&otilde;es    e concordam substancialmente com a gravidade relativa de cada uma das subcategorias    analisadas. Por isso, h&aacute; que distinguir os estudos sobre defini&ccedil;&atilde;o    a partir das incid&ecirc;ncias relatadas (Giovannoni, 1989; Groeneveld e Giovannoni,    1977 [citados em Giovannoni, 1989]), dos estudos espec&iacute;ficos sobre defini&ccedil;&atilde;o    (Bilingsley e outros, 1969; Giovannoni e Becerra, 1979). </p>      <p>Em Portugal a literatura sobre a defini&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica do    mau trato e da neglig&ecirc;ncia &eacute; ainda escassa. Contudo, com o objectivo    de construir uma tipologia de formas de abuso e de neglig&ecirc;ncia, Almeida    e colegas, em 1999, realizaram um estudo com profissionais da inf&acirc;ncia    na &aacute;rea da sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o social.    A sali&ecirc;ncia de diferentes formas de mau trato em fun&ccedil;&atilde;o    das profiss&otilde;es e das institui&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o s&oacute;    confirma a diversidade de defini&ccedil;&otilde;es como a import&acirc;ncia    que outro tipo de factores representam na constru&ccedil;&atilde;o destes construtos,    ou seja, o contexto envolvente. </p>      <p>As &aacute;reas da neglig&ecirc;ncia na sa&uacute;de, alimenta&ccedil;&atilde;o,    higiene e acompanhamento escolar s&atilde;o destacadas pelos t&eacute;cnicos    de servi&ccedil;o social; as rotinas do dia-a-dia da crian&ccedil;a s&atilde;o    valorizadas pelos educadores de inf&acirc;ncia e professores; enquanto que os    profissionais de sa&uacute;de, embora apresentem defini&ccedil;&otilde;es mais    amplas que os outros profissionais, parecem estar sobretudo preocupados com    as quest&otilde;es ligadas ao desenvolvimento peri e neo natal e com o abuso    sexual. </p>      <p>Quando se tomam os factores situacionais da fam&iacute;lia e da crian&ccedil;a    em considera&ccedil;&atilde;o, o que sobressai &eacute; o seguinte: embora o    g&eacute;nero da crian&ccedil;a n&atilde;o pare&ccedil;a influenciar, quer as    representa&ccedil;&otilde;es que os t&eacute;cnicos t&ecirc;m do mau trato e    da neglig&ecirc;ncia, quer a tend&ecirc;ncia para referenciarem as situa&ccedil;&otilde;es,    a idade da v&iacute;tima influencia (Calheiros, 1996; Giovannoni, 1989; Kalichman    e outros, 1990). No estudo de Kalichman e colegas, m&eacute;dicos e psic&oacute;logos    referiam uma mesma situa&ccedil;&atilde;o de mau trato com mais frequ&ecirc;ncia    quando esta dizia respeito a crian&ccedil;as com idades inferiores a sete anos    do que quando eram mais velhas. O estudo desenvolvido pelo <I>US Department    of Health and Human Services</I> em 1981 (Giovannoni, 1989), sobre os dados    relativos &agrave;s caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as conclui que a    idade das crian&ccedil;as e o tipo de mau trato definido eram as caracter&iacute;sticas    que mais distinguiam os grupos (casos relatados/n&atilde;o relatados): 60% das    crian&ccedil;as com menos de seis anos tinham sido assinaladas, enquanto 78%    das crian&ccedil;as entre os seis e 12 anos n&atilde;o o tinham sido. Menos    de 25% dos casos designados como mau trato emocional, neglig&ecirc;ncia emocional    ou neglig&ecirc;ncia educacional, tinham sido sinalizados. </p>      <p>Outra vari&aacute;vel que parece ser importante &eacute; a classe social e    o grupo &eacute;tnico da fam&iacute;lia e da crian&ccedil;a. Por exemplo, Newberger    (1983) relata um &iacute;ndice baixo de sinaliza&ccedil;&atilde;o de mau trato    nas fam&iacute;lias caucasianas de classe m&eacute;dia ou alta. No estudo de    Gelles em 1977, 5% dos m&eacute;dicos confirmam que a etnicidade fora t&atilde;o    importante no diagn&oacute;stico que definiam o mau trato baseando-se somente    neste crit&eacute;rio (cit. em Giovannoni, 1989). </p>      <p>A classifica&ccedil;&atilde;o racial e social da crian&ccedil;a aparece tamb&eacute;m    como um factor importante noutros estudos. Num estudo desenvolvido por Turbett    e O’Toole em 1980 (cit. em Giovannoni, 1989) com m&eacute;dicos, observou-se    que existia um efeito interactivo do estatuto socioecon&oacute;mico do educador,    do seu grupo de perten&ccedil;a &eacute;tnico e da gravidade do mau trato no    reconhecimento do mau trato: na presen&ccedil;a de danos graves, as crian&ccedil;as    afro-americanas eram duas vezes mais definidas como v&iacute;timas do que as    crian&ccedil;as caucasianas. Tamb&eacute;m as crian&ccedil;as de classes baixas    apresentavam frequ&ecirc;ncias mais elevadas de sinaliza&ccedil;&atilde;o, comparativamente    com as de classes altas. </p>      <p>Paralelamente, alguns autores referem o comportamento dos pais em rela&ccedil;&atilde;o    aos servi&ccedil;os como um aspecto que influencia as percep&ccedil;&otilde;es    do mau trato e da neglig&ecirc;ncia, embora os resultados sejam contradit&oacute;rios    no que diz respeito &agrave;s crian&ccedil;as (Calheiros, 1996; Giovannoni,    1989; Jensen e Nichls, 1984 [citados em Brosig e Kalichman , 1992b]). Enquanto    Jensen e Nichls (1984) referem que as crian&ccedil;as maltratadas e os pais    maltratantes caracterizados com problemas de rela&ccedil;&atilde;o com as institui&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o mais referenciados do que situa&ccedil;&otilde;es que envolvam pessoas    sem este tipo de problemas, Calheiros (1996), embora chegue &agrave; mesma conclus&atilde;o    relativamente &agrave; import&acirc;ncia da fraca inser&ccedil;&atilde;o dos    pais na comunidade como factor para referenciar as situa&ccedil;&otilde;es,    conclui que os t&eacute;cnicos tendencialmente referem mais &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es    de protec&ccedil;&atilde;o de menores as crian&ccedil;as que n&atilde;o apresentam    problemas de comportamento. </p>      <p>No estudo realizado por Almeida e colegas (1995), pode-se concluir que existem    caracter&iacute;sticas na fam&iacute;lia, como pobreza, monoparentalidade, sinais    de viol&ecirc;ncia familiar, n&uacute;mero de crian&ccedil;as em casa e consumos    excessivos (&aacute;lcool e drogas), que est&atilde;o associados &agrave;s crian&ccedil;as    maltratadas e negligenciadas sinalizadas a institui&ccedil;&otilde;es de protec&ccedil;&atilde;o    na &aacute;rea da grande Lisboa. </p>      <p>O tipo e a gravidade do mau trato (Zellman, 1990), a prova da ocorr&ecirc;ncia    deste (Kalichman e outros, 1990), e as circunst&acirc;ncias associadas ao mau    trato (Giovannoni, 1989) s&atilde;o o &uacute;ltimo grupo de factores aqui referenciados.  </p>      <p>Diferentes estudos referem o facto de o abuso sexual ser muito mais referenciado    do que o mau trato psicol&oacute;gico ou a neglig&ecirc;ncia (Nightingale e    Walker, 1986). No estudo de Zellman (1990) os sujeitos pontuaram as situa&ccedil;&otilde;es    de abuso sexual como sendo muito mais graves do que o mau trato f&iacute;sico,    o que conduzia a que fossem mais facilmente sinalizadas do que o mau trato f&iacute;sico.    No estudo de Giovannoni (1989), somente 25% do total da incid&ecirc;ncia eram    situa&ccedil;&otilde;es de mau trato emocional ou de neglig&ecirc;ncia. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Associadas a estas vari&aacute;veis, t&ecirc;m-se tamb&eacute;m estudado a    gravidade e a dura&ccedil;&atilde;o do mau trato e da neglig&ecirc;ncia. Green    e Hansen (1989) referem que os psic&oacute;logos incluiriam mais facilmente    o mau trato considerado grave nas suas defini&ccedil;&otilde;es. No estudo por    n&oacute;s desenvolvido, o tipo e gravidade do mau trato est&atilde;o firmemente    associados &agrave; sinaliza&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es    de protec&ccedil;&atilde;o de menores realizada pelos t&eacute;cnicos (Calheiros,    1996). O mau trato f&iacute;sico, que &eacute; considerado mais grave e que    produz maior evid&ecirc;ncia f&iacute;sica, &eacute; muito mais referenciado    do que o mau trato psicol&oacute;gico, que &eacute; fisicamente menos evidente.  </p>      <p>Finalmente, alguns estudos feitos com m&eacute;dicos, revistos por Giovanonni    (1989), indicam tamb&eacute;m que estes, ao fazerem um diagn&oacute;stico, s&atilde;o    influenciados pelas inten&ccedil;&otilde;es dos pais. Gelles [(1977), citado    por Giavanonni, 1989] conclui que 97% das situa&ccedil;&otilde;es de "m&aacute;    nutri&ccedil;&atilde;o" nas crian&ccedil;as &eacute; referida quando a situa&ccedil;&atilde;o    &eacute; percebida por parte dos m&eacute;dicos como intencional. Quando a mesma    situa&ccedil;&atilde;o &eacute; atribu&iacute;da &agrave; ignor&acirc;ncia dos    pais, somente 16% das situa&ccedil;&otilde;es foram classificadas como "m&aacute;    nutri&ccedil;&atilde;o". </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>O contexto cultural</p> </B>     <p>Segundo Giovannoni e Becerra (1979), entre as quest&otilde;es b&aacute;sicas    subjacentes &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a maltratada e    negligenciada encontram-se as quest&otilde;es relacionadas com valores, e muito    especialmente aquelas que provocam conflito de valores. Da&iacute; que as normas    sociais sejam cada vez mais usadas como uma estrat&eacute;gia para definir o    mau trato (Knutson, 1995). Com efeito, a literatura neste dom&iacute;nio (por    ex. Giovannoni, 1989; Giovannoni e Becerra, 1979; Korbin, 1987; Wolfe, 1991;    Zigler, 1980) descreve o mau trato e a neglig&ecirc;ncia num cont&iacute;nuo    de pr&aacute;ticas educativas, sendo este tipo de atitudes definidas como situando-se    em diferentes pontos ao longo de uma mesma linha hipot&eacute;tica de valores    educacionais (Zigler, 1980). </p>      <p>A varia&ccedil;&atilde;o cultural que existe ao n&iacute;vel das cren&ccedil;as    e das pr&aacute;ticas educativas (Goodnow e Collins, 1990) evidencia bem a n&atilde;o    exist&ecirc;ncia de normas universais sobre quais os cuidados que se devem ter    com as crian&ccedil;as ou sobre o que pode constituir mau trato e neglig&ecirc;ncia.    S&atilde;o exemplo disso os estudos de Dubanoski e Snyder (1980), que abordam    a san&ccedil;&atilde;o cultural do mau trato, e que demonstram que nas sociedades    (Havai e Samoa, por exemplo), onde existe uma maior toler&acirc;ncia ao mau    trato parental, ocorre uma frequ&ecirc;ncia maior daquele tipo de comportamentos.    Pelo contr&aacute;rio, os pais japoneses ou finlandeses, que n&atilde;o valorizam    educativamente a puni&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, apresentam valores mais    baixos (Belsky, 1980). </p>      <p>Ao n&iacute;vel das pr&aacute;ticas, s&atilde;o muitos os exemplos de pr&aacute;ticas    educativas tradicionais que suscitam conflitos interculturais e que revelam    a interfer&ecirc;ncia, n&atilde;o s&oacute; de valores educativos, como de objectivos    de socializa&ccedil;&atilde;o diferentes. Os rituais de inicia&ccedil;&atilde;o    juvenil como a circuncis&atilde;o, a clitoritomia ou a priva&ccedil;&atilde;o    de alimenta&ccedil;&atilde;o e de sono (Korbin, 1987), que ocorrem em muitas    partes do mundo, constituem um bom exemplo deste tipo de conflito intercultural.    Igualmente elucidativo pode ser o uso de algumas pr&aacute;ticas enraizadas    na cultura ocidental, as quais, aos olhos de outras culturas, parecem bastante    perigosas. &Eacute; exemplo disso a pr&aacute;tica de os beb&eacute;s, desde    muito cedo dormirem num quarto separados dos pais, enquanto no Havai (Korbin,    1980) ou no Jap&atilde;o (cit. em Korbin, 1987) o facto de as crian&ccedil;as    dormirem acompanhadas &eacute; uma pr&aacute;tica educativa importante na socializa&ccedil;&atilde;o,    assumindo um valor elevado na constru&ccedil;&atilde;o da interdepend&ecirc;ncia    dos membros da fam&iacute;lia. </p>      <p>Embora n&atilde;o existam normas universais sobre educa&ccedil;&atilde;o e    exista varia&ccedil;&atilde;o entre culturas nos valores educacionais e nas    pr&aacute;ticas disciplinares, a ideia de que o conceito de mau trato &eacute;    uma imposi&ccedil;&atilde;o dos valores dos t&eacute;cnicos e das classes mais    favorecidas &agrave;s classes sociais menos privilegiadas ou aos grupos minorit&aacute;rios,    representa uma forma simplista de equacionar esta quest&atilde;o. A revis&atilde;o    de literatura de Giovannoni (1989) refere um conjunto de estudos que demonstra    que o p&uacute;blico em geral &eacute; um definidor saliente do mau trato, pois    n&atilde;o s&oacute; a maior parte das den&uacute;ncias de actos consensuais    de mau trato tem origem no grande p&uacute;blico, como n&atilde;o se confirma    que exista uma grande toler&acirc;ncia a esse tipo de actos entre a popula&ccedil;&atilde;o    em geral, ou mesmo nas classes mais desfavorecidas e nos grupos &eacute;tnicos    minorit&aacute;rios. </p>      <p>De entre o conjunto de estudos cujos resultados apontam para a complexidade    e o car&aacute;cter pol&eacute;mico do impacte da classe social e da etnia nas    percep&ccedil;&otilde;es do mau trato destacam-se o de Giovannoni e Becerra    (1979) e o de Polansky e outros, (1981). </p>      <p>No estudo de Giovannoni e Becerra (1979), os sujeitos pontuaram todos os comportamentos    parentais com um n&iacute;vel mais elevado de gravidade do que os t&eacute;cnicos.    Os resultados indicam tamb&eacute;m que, embora o "senso comum" n&atilde;o tenha    sido t&atilde;o espec&iacute;fico na distin&ccedil;&atilde;o de alguns dos subtipos    de mau trato, (sobretudo, nos aspectos b&aacute;sicos do cuidado &agrave;s crian&ccedil;as    ao n&iacute;vel f&iacute;sico, educacional e emocional), como o foram os t&eacute;cnicos,    nas &aacute;reas de abuso sexual e f&iacute;sico, da falta de supervis&atilde;o    e do uso de drogas, os conceitos encontrados s&atilde;o bastante semelhantes.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados mais interessantes nesta popula&ccedil;&atilde;o foram, contudo, as    diferen&ccedil;as encontradas nas percep&ccedil;&otilde;es da gravidade relativa    dos diferentes tipos de mau trato ao n&iacute;vel da etnia e da classe social.    Em geral, nos Estados Unidos, os afro-americanos, independentemente da classe    social, atribu&iacute;ram maior import&acirc;ncia &agrave; supervis&atilde;o    e aos cuidados b&aacute;sicos &agrave; crian&ccedil;a do que os restantes grupos    e os hisp&acirc;nicos atribu&iacute;ram mais import&acirc;ncia ao abuso sexual    e &agrave; conduta sexual em geral. Entre os sujeitos brancos, aqueles que tinham    n&iacute;veis baixos de escolaridade e pertenciam a uma classe social pouco    diferenciada tamb&eacute;m pontuaram este tipo de mau trato como mais grave    para a crian&ccedil;a. </p>      <p>Polansky e outros (1981), com o objectivo de definirem um cont&iacute;nuo de    mau trato parental, desenvolveram, tamb&eacute;m nos EUA, um estudo com dois    grupos de m&atilde;es (oper&aacute;rias e classe m&eacute;dia) sobre atitudes    parentais adequadas, neglig&ecirc;ncia grave e mau trato. As compara&ccedil;&otilde;es    interclasses revelaram, contrariamente ao estudo anterior, similaridades entre    os dois grupos, ou seja, as avalia&ccedil;&otilde;es das m&atilde;es eram homog&eacute;neas    relativamente a elementos b&aacute;sicos de cuidado &agrave; crian&ccedil;a,    independentemente do seu n&iacute;vel educacional e de outros indicadores socioecon&oacute;micos.  </p>      <p>O problema da defini&ccedil;&atilde;o do mau trato e da neglig&ecirc;ncia n&atilde;o    se coloca somente no quadro das diferen&ccedil;as culturais nas pr&aacute;ticas    de educa&ccedil;&atilde;o, em que as mesmas pr&aacute;ticas podem ser vistas    como aceit&aacute;veis numa cultura e maltratantes ou negligentes quando observadas    por elementos de outras culturas. Giovannoni e Becerra (1979) consideram que    as defini&ccedil;&otilde;es devem advir sobretudo do que &eacute; consensualmente    aceite e n&atilde;o aceite, enquanto pr&aacute;tica educativa numa mesma sociedade.    Em todas as culturas, desde as mais indulgentes, nas quais a crian&ccedil;a    &eacute; raramente sujeita a puni&ccedil;&otilde;es, at&eacute; &agrave;s mais    punitivas, em que a crian&ccedil;a pode ser severamente punida por mau comportamento,    h&aacute; um cont&iacute;nuo de aceita&ccedil;&atilde;o parental e de crit&eacute;rios    para se definirem comportamentos que ultrapassam as fronteiras do que &eacute;    aceit&aacute;vel (Korbin, 1987). </p>      <p>No entanto, a linha que separa as pr&aacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o    aceit&aacute;veis das n&atilde;o aceit&aacute;veis &eacute; muito t&eacute;nue,    mesmo no interior da mesma cultura. As defini&ccedil;&otilde;es legais de abuso    f&iacute;sico assentam, na maioria dos pa&iacute;ses, em no&ccedil;&otilde;es    de disciplina "apropriada"/"inapropriada", n&atilde;o existindo consenso nas    interpreta&ccedil;&otilde;es destes conceitos (Wolfe, 1991) que sejam facilmente    traduzidas em padr&otilde;es comunit&aacute;rios de forma a constitu&iacute;rem    um guia. Apesar de haver pa&iacute;ses, como a Su&eacute;cia, onde se considera    a puni&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica &agrave; crian&ccedil;a como um crime,    isto n&atilde;o quer dizer que os suecos concordem quanto &agrave; fronteira    que separa o bater da disciplina aceit&aacute;vel (Belsky, 1980; Haeuser, 1982).  </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>Objectivos</p> </B>     <p>A quest&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o do mau trato e da neglig&ecirc;ncia    e os problemas da&iacute; decorrentes reflectem a necessidade de se analisarem    as diferen&ccedil;as e as comunalidades entre os v&aacute;rios definidores e    utilizadores dos conceitos com vista &agrave; sua valida&ccedil;&atilde;o. Desta    forma, este estudo representa a primeira fase de um estudo mais amplo que integra    dois vectores distintos, embora interligados: a <I>defini&ccedil;&atilde;o social</I>    destes conceitos numa amostra da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, que integre    as defini&ccedil;&otilde;es utilizadas pelas institui&ccedil;&otilde;es, pelos    t&eacute;cnicos e pela popula&ccedil;&atilde;o (senso comum), para posteriormente    se operar a sua valida&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, atrav&eacute;s da    constru&ccedil;&atilde;o e estudo de um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o    que contenha as dimens&otilde;es representacionais destes conceitos. </p>      <p>Mais especificamente, este estudo visou contribuir para: </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> A apreens&atilde;o dos significados particulares destes conceitos    pela popula&ccedil;&atilde;o, pelos t&eacute;cnicos de interven&ccedil;&atilde;o    comunit&aacute;ria e pelo direito portugu&ecirc;s, e a an&aacute;lise das diferen&ccedil;as    e comunalidades existentes entre os diferentes definidores.</p> <B>  </B>     <p><B>&middot; </b>A defini&ccedil;&atilde;o integrada dos conceitos a partir    das contribui&ccedil;&otilde;es destas tr&ecirc;s fontes de an&aacute;lise.  </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> A identifica&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es que organizam    o pensamento do senso comum e de alguns factores associados &agrave; variabilidade    desse pensamento (sexo, idade, profiss&atilde;o, escolaridade e experi&ecirc;ncia    profissional na &aacute;rea da inf&acirc;ncia), assim como a distin&ccedil;&atilde;o    que estes sujeitos fazem entre mau trato e neglig&ecirc;ncia. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>M&eacute;todo</p> </B><I>      <p>Sujeitos e procedimentos</p> </I>      <p>Para a an&aacute;lise do senso comum participaram no estudo 123 sujeitos constituindo    uma amostragem por conveni&ecirc;ncia. Os sujeitos, de ambos os sexos (37,4%    masculino e 62,6% feminino), eram residentes na regi&atilde;o de Lisboa. O <a href="#qd1">quadro    1</a> apresenta a distribui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos por idade, escolaridade    e profiss&atilde;o. </p>     <p><a name="qd1"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="565" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 1</b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Distribui&ccedil;&atilde;o dos        sujeitos por idade, escolaridade e profiss&atilde;o </td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a06q1.gif" width="546" height="222"></td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Do total dos sujeitos, 38 (30,9%) tinham contacto profissional com crian&ccedil;as    e 85 (69,1%) n&atilde;o tinham contacto profissional com crian&ccedil;as. Nenhum    dos inquiridos estava profissionalmente relacionado com servi&ccedil;os de mau    trato ou neglig&ecirc;ncia. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atrav&eacute;s de uma entrevista estruturada colocavam-se aos sujeitos quest&otilde;es    relativas &agrave; sua caracteriza&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica    e &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de mau trato e de neglig&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o    e interac&ccedil;&atilde;o entre pais e filhos. Tom&aacute;mos o mau trato e    neglig&ecirc;ncia como um axioma de partida, pois as preocupa&ccedil;&otilde;es    actuais de defini&ccedil;&atilde;o (por ex. McGee e Wolfe, 1991) est&atilde;o    centradas nas descri&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o s&oacute; dos conte&uacute;dos,    limites e fronteiras dos comportamentos e m&eacute;todos de disciplina fisicamente    abusivos — que pressup&otilde;em contacto f&iacute;sico —, mas come&ccedil;am    a integrar tamb&eacute;m as descri&ccedil;&otilde;es dos cuidados que se devem    ter com as crian&ccedil;as e quais as fronteiras de comportamentos parentais    e pr&aacute;ticas de disciplina n&atilde;o f&iacute;sica (emocional e verbal).    Al&eacute;m disso, os objectivos e par&acirc;metros dos m&eacute;todos disciplinares    n&atilde;o envolvem somente formas emocionais e f&iacute;sicas das ac&ccedil;&otilde;es/comportamentos    observ&aacute;veis nos pais. A parentalidade disfuncional passou tamb&eacute;m    a ser vista como a aus&ecirc;ncia de m&eacute;todos apropriados de estimular    a crian&ccedil;a e as omiss&otilde;es de comportamentos que manifestem sensibilidade,    orienta&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o ou seja, — a neglig&ecirc;ncia    —, embora esta &aacute;rea esteja menos desenvolvida e seja menos espec&iacute;fica    do que o mau trato. </p>      <p>As entrevistas tiveram a dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de dez minutos,    foram gravadas e posteriormente transcritas de forma a que se pudesse efectuar    a an&aacute;lise de conte&uacute;do. Dado que o material a analisar foi produzido    com vista &agrave; pesquisa que se prop&otilde;e realizar, o <I>corpus</I> de    an&aacute;lise relativo &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em geral foi constitu&iacute;do    por todo o material recolhido nas entrevistas. </p>      <p><a name="top1"></a>Para o estudo do senso t&eacute;cnico, numa primeira fase,    foram contactadas entidades, no sentido de se perceber quais as institui&ccedil;&otilde;es    hospitalares e de interven&ccedil;&atilde;o social e judicial que poderiam participar    no estudo.<A HREF="#nota1"><SUP>1</SUP></A> Numa segunda fase, atrav&eacute;s    das institui&ccedil;&otilde;es referenciadas, foram seleccionados para constitui&ccedil;&atilde;o    do <I>corpus</I> de an&aacute;lise nove relat&oacute;rios t&eacute;cnicos (<a name="top2"></a>seis    de institui&ccedil;&otilde;es hospitalares<A HREF="#nota2"><SUP>2</SUP></A>    e tr&ecirc;s de<a name="top3"></a> institui&ccedil;&otilde;es sociais)<A HREF="#nota3"><SUP>3</SUP></A>    que continham os registos relativos a 516 crian&ccedil;as maltratadas e negligenciadas    com idades compreendidas entre o nascimento e os 17 anos. </p>      <p>Para o estudo do senso legal no &acirc;mbito do direito portugu&ecirc;s foram    definidos como materiais de an&aacute;lise o Direito de Fam&iacute;lia (1995),    a Organiza&ccedil;&atilde;o Tutelar de Menores (1992) e o Direito Penal (1996).    Dentro de cada uma destas &aacute;reas do direito foram seleccionados os decretos-leis    que se referiam, quer a comportamentos parentais que levassem &agrave; interven&ccedil;&atilde;o    judicial e penal, quer &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de vida das crian&ccedil;as    suscept&iacute;veis de interven&ccedil;&atilde;o da OTM, no total de 25 artigos,    constituindo-se assim o <I>corpus</I> de an&aacute;lise do senso legal. </p>      <p>A t&eacute;cnica de base foi a <I>an&aacute;lise de conte&uacute;do</I>, considerando-se    os diferentes materiais recolhidos as <I>unidades de contexto</I> (entrevistas    &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, relat&oacute;rios t&eacute;cnicos e decretos-leis)    a partir das quais foram retidas as <I>unidades de registo</I> de acordo com    o crit&eacute;rio sem&acirc;ntico, ou seja, com as ideias subjacentes a cada    uma delas, e n&atilde;o, a partir de crit&eacute;rios te&oacute;ricos ou definidos    <I>a priori</I>. A partir destes conte&uacute;dos foi elaborado um esquema de    categoriza&ccedil;&atilde;o integrado em <I>subcategorias</I> e estas em <I>categorias    </I>(<a href="#fg1">figura 1</a>). </p>     <p><a name="fg1"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="502" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a06f1.gif" width="457" height="186"></td>   </tr>   <tr>     <td><b>Figura 1</b> - Esquema do plano de an&aacute;lise de conte&uacute;do</td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As unidades de registo obtidas atrav&eacute;s da an&aacute;lise de conte&uacute;do    das entrevistas deram origem a tr&ecirc;s tipos de tratamento de dados que visavam    quatro objectivos diferentes: em primeiro lugar, obter a classifica&ccedil;&atilde;o    dos conte&uacute;dos dessas unidades nas &aacute;reas de mau trato ou de neglig&ecirc;ncia,    de modo a distinguir os dois conceitos; em segundo lugar, distinguir diferentes    categorias, recorrendo ao processo de an&aacute;lise conceptual de McGee e Wolfe    (1991), no qual se faz, n&atilde;o s&oacute; a distin&ccedil;&atilde;o entre    actos (mau trato) e omiss&otilde;es (neglig&ecirc;ncia), como se diferencia    no mau trato, o mau trato psicol&oacute;gico em que os comportamentos s&atilde;o    verbais, do mau trato f&iacute;sico em que os comportamentos pressup&otilde;em    contacto f&iacute;sico; em terceiro lugar, construir as subcategorias para inclus&atilde;o    no question&aacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o de mau trato e neglig&ecirc;ncia;    e, por &uacute;ltimo, operar um tratamento estat&iacute;stico estrutural onde    se definiam as diferentes dimens&otilde;es de significado de mau trato e de    neglig&ecirc;ncia. </p>      <p>Na an&aacute;lise das categorias, e embora o modelo proposto por McGee e Wolfe    em 1991 refira tamb&eacute;m as circunst&acirc;ncias dos efeitos que os actos    parentais provocam, n&atilde;o consider&aacute;mos este aspecto no estudo. E    isto porque, como &eacute; referido na revis&atilde;o de literatura de Figueiredo    (1998), a delimita&ccedil;&atilde;o entre maus tratos f&iacute;sicos e psicol&oacute;gicos    a partir das consequ&ecirc;ncias para a crian&ccedil;a torna-se uma quest&atilde;o    meramente acad&eacute;mica, j&aacute; que, por vezes, os actos f&iacute;sicos    t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas, assim como os actos psicol&oacute;gicos    t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias f&iacute;sicas e estes ocorrem simultaneamente.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente ao corpo de an&aacute;lise t&eacute;cnico, como pretend&iacute;amos    observar a relev&acirc;ncia das diferentes descri&ccedil;&otilde;es/defini&ccedil;&otilde;es    de mau trato e neglig&ecirc;ncia reveladas pelos servi&ccedil;os na caracteriza&ccedil;&atilde;o    das situa&ccedil;&otilde;es, e quer&iacute;amos p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia    a categoriza&ccedil;&atilde;o de que s&atilde;o objecto estes mesmos conte&uacute;dos,    fizemos uma an&aacute;lise de conte&uacute;do, tal como na parte anterior, recorrendo    &agrave; quantifica&ccedil;&atilde;o do material recolhido atrav&eacute;s da    an&aacute;lise de ocorr&ecirc;ncias e da an&aacute;lise avaliativa (Vala, 1986).    O material relativo &agrave; defini&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dico-normativa    foi somente submetido &agrave; categoriza&ccedil;&atilde;o por ju&iacute;zes.</p>  <B>     <p>&nbsp;</p>     <p>Resultados</p> </B>      <p><I>Unidades de registo</i>. Na defini&ccedil;&atilde;o de senso comum, o trabalho    explorat&oacute;rio sobre o <I>corpus</I> de an&aacute;lise das entrevistas    deu origem a 41 unidades de registo. </p>      <p>Na defini&ccedil;&atilde;o do senso t&eacute;cnico, na an&aacute;lise dos relat&oacute;rios    foram encontradas 51 unidades de registo, das quais 38 (72,6%) j&aacute; tinham    sido referidas pela popula&ccedil;&atilde;o; 13 unidades de registo (27,4%)    s&atilde;o diferentes. </p>      <p>Na defini&ccedil;&atilde;o do senso legal, dada a pouca especificidade descritiva    das tr&ecirc;s &aacute;reas dodireito, da an&aacute;lise s&oacute; foi efectuada    a partir da fase das subcategorias j&aacute; encontradas a partir dos outros    <I>corpus </I>analisados. </p>      <p>Para obter um <I>sistema integrado de categoriza&ccedil;&atilde;o</I> a partir    das tr&ecirc;s fontes de informa&ccedil;&atilde;o utilizadas — os leigos, os    t&eacute;cnicos e os juristas — utilizaram-se, na totalidade, 54 unidades de    registo: 38 s&atilde;o comuns ao estudo da popula&ccedil;&atilde;o e dos relat&oacute;rios    t&eacute;cnicos, 3 foram constitu&iacute;das com o material recolhido exclusivamente    na entrevista &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e 13 s&atilde;o oriundas exclusivamente    dos relat&oacute;rios t&eacute;cnicos. As 54 unidades de registo, ainda que    de uma forma vaga, s&atilde;o referidas no material jur&iacute;dico analisado  </p>      <p><I>Subcategorias</i>. O sistema de categoriza&ccedil;&atilde;o foi criado com    base nas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas do material recolhido. Desta    forma foram criadas 18 subcategorias onde foram inclu&iacute;das as unidades    de registo observadas no estudo da popula&ccedil;&atilde;o, na an&aacute;lise    dos relat&oacute;rios t&eacute;cnicos e material oriundo dos decretos-leis.  </p>      <p>Este processo de inclus&atilde;o foi efectuado por quatro ju&iacute;zes (dois    psic&oacute;logos e duas psic&oacute;logas, com experi&ecirc;ncia na &aacute;rea    educacional), para controlo da fidelidade da categoriza&ccedil;&atilde;o e codifica&ccedil;&atilde;o    propostas. O &iacute;ndice de fidelidade foi calculado dividindo o n&uacute;mero    de acordos entre ju&iacute;zes pelo total de categoriza&ccedil;&otilde;es efectuadas.    O&nbsp;n&iacute;vel de concord&acirc;ncia entre ju&iacute;zes apresenta um valor    m&eacute;dio de 82%, variando entre 67% e 100% (anexo 1). </p>      <p><I>Categorias</i>. Das 54 unidades de registo constru&iacute;das com o material    recolhido nas tr&ecirc;s an&aacute;lises anteriores, e partindo da distin&ccedil;&atilde;o    realizada pelos sujeitos (popula&ccedil;&atilde;o e t&eacute;cnicos) entre mau    trato, neglig&ecirc;ncia, abuso sexual e trabalho infantil, classificaram-se    22 unidades de registo como mau trato (p &lt;0,05), 24 unidades de registo como    neglig&ecirc;ncia (p &lt;0,05), 2 unidades em que n&atilde;o h&aacute; uma distin&ccedil;&atilde;o    clara entre as duas categorias, 3 unidades como abuso sexual (p &lt;0,05), e    3 unidades como trabalho infantil (p &lt;0,05). Desta forma, com as 18 subcategorias    (ver c&eacute;lulas do <a href="#qd3">quadro 3</a>) constru&iacute;das com o    material recolhido nas tr&ecirc;s an&aacute;lises anteriores, partindo da adapta&ccedil;&atilde;o    do modelo de categoriza&ccedil;&atilde;o de McGee e Wolfe (1991), criaram-se    4 categorias tendo em considera&ccedil;&atilde;o os comportamentos e omiss&otilde;es    parentais, obtendo-se assim uma defini&ccedil;&atilde;o integrada de mau trato    e neglig&ecirc;ncia: mau trato f&iacute;sico (3 subcategorias), em que os pais    atrav&eacute;s de actos fisicamente violentos implementam m&eacute;todos e t&eacute;cnicas    de educa&ccedil;&atilde;o coercivas/punitivas, recorrem &agrave; viol&ecirc;ncia    e agress&atilde;o f&iacute;sica com os filhos, integrando tamb&eacute;m o consumo    de &aacute;lcool e de medicamentos inapropriados; mau trato psicol&oacute;gico    (4 subcategorias), que engloba indicadores relativos ao abandono ou &agrave;    rela&ccedil;&atilde;o afectiva, socializa&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&atilde;o    verbal desajustada com a crian&ccedil;a; neglig&ecirc;ncia f&iacute;sica (7    subcategorias), que diz respeito &agrave; falta de provis&atilde;o nas &aacute;reas    do bem-estar f&iacute;sico, da alimenta&ccedil;&atilde;o, higiene, sa&uacute;de    e falta de supervis&atilde;o na &aacute;rea da seguran&ccedil;a; neglig&ecirc;ncia    psicol&oacute;gica (2 subcategorias), refere-se a indicadores de falta de supervis&atilde;o    da vida di&aacute;ria e escolar da crian&ccedil;a. O&nbsp;abuso sexual (1 subcategoria)    e trabalho infantil (1 subcategoria) foram categorizados no mau trato f&iacute;sico    e psicol&oacute;gico. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <table width="542" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>      <td><b>Quadro 2</b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sistema integrado de categoriza&ccedil;&atilde;o        do mau trato e neglig&ecirc;ncia</td>   </tr>   <tr>      <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a06q2.gif" width="508" height="99"></td>   </tr>   <tr>     <td>Fonte: adapta&ccedil;&atilde;o do modelo de categoriza&ccedil;&atilde;o        de McGee e Wolfe</td>   </tr> </table>     
<p><a name="qd3"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="447" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 3&nbsp;</b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Subcategorias submetidas &agrave;        AFCM</td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a06q3.gif" width="505" height="118"></td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Retidos os significados particulares de mau trato e neglig&ecirc;ncia existentes    nos tr&ecirc;s contextos de an&aacute;lise em que t&ecirc;m sido ancorados estes    conceitos e obtida uma defini&ccedil;&atilde;o integrada destes construtos,    pretende-se agora dar seguimento ao terceiro objectivo desta investiga&ccedil;&atilde;o,    ou seja, a <I>identifica&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es que organizam    o pensamento do senso-comum e a an&aacute;lise de alguns factores dos sujeitos</I>    (sexo, idade, profiss&atilde;o, escolaridade e experi&ecirc;ncia profissional    com crian&ccedil;as) associados &agrave; variabilidade desse pensamento. </p>      <p>Para se estudarem as rela&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis tomadas    como independentes recorremos ao teste c<SUP>2</SUP>. &Agrave; excep&ccedil;&atilde;o    das vari&aacute;veis sexo e profiss&atilde;o<B>, </B>as restantes vari&aacute;veis    (idade, habilita&ccedil;&otilde;es e contacto profissional com crian&ccedil;as)    est&atilde;o relacionadas entre si (p£0,05) o que pode conduzir a que fiquem    confundidos os eventuais efeitos destas sobre as vari&aacute;veis dependentes.    A discuss&atilde;o dos resultados ter&aacute; em conta esta situa&ccedil;&atilde;o.  </p>      <p><a name="top4"></a>Das dezasseis subcategorias,<A HREF="#nota4"><SUP>4</SUP></A>.    anteriormente referenciadas, as catorze enunciadas no <a href="#qd3">quadro    3</a> foram submetidas a uma an&aacute;lise factorial de <a name="top5"></a>correspond&ecirc;ncias    m&uacute;ltiplas.<A HREF="#nota5"><SUP>5</SUP></A> </p>      <p>A AFCM extraiu quatro factores respons&aacute;veis por 47,42% da in&eacute;rcia    total, como se pode ver no <a href="#qd4">quadro 4</a>. </p>     <p><a name="qd4"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="521" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>     <td><b>Quadro 4</b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Valor pr&oacute;prio e percentagem        de in&eacute;rcia dos quatro primeiros factores </td>   </tr>   <tr>     <td><img src="/img/revistas/spp/n34/34a06q4.gif" width="507" height="81"></td>   </tr> </table>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Projectados no plano, os dois primeiros eixos, com as subcategorias que os    definem e as vari&aacute;veis ilustrativas que enquadram, apresentam-se na <a href="#fg2">figura    2</a>. </p>     <p><a name="fg2"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="577" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>      <td width="473">    <div align="center"><img src="/img/revistas/spp/n34/34a06f2.gif" width="399" height="252"></div></td>   </tr>   <tr>      <td><font size="2">Legenda: subcategorias que contribuem para a defini&ccedil;&atilde;o        dos factores: prf1, quadros m&eacute;dios e superiores; ct-s, contacto com        crian&ccedil;as; supe, curso m&eacute;dio/superior; =&lt; 45, 36 a 45 anos;        prf2, empregados do sector p&uacute;blico; ct-n, sem contacto com crian&ccedil;as;        home, masculino; =&gt;46, +46 anos; prf3, oper&aacute;rio especializado/semiespecializado;        4cla, at&eacute; &agrave; 4&ordf; classe; mulh, feminino; prf4, trabalhadores        n&atilde;o qualificados; 9&ordm; ano, 6&ordm; a 9&ordm; ano; =&lt;25, at&eacute;        25 anos; prf5, n&atilde;o activos; 12&ordm; ano, 10&ordm; a 12&ordm; ano;=&lt;35,        26 a 35 anos.</font></td>   </tr>   <tr>     <td height="40"><b>Figura 2 </b>- Projec&ccedil;&atilde;o factorial dos eixos        1 e 2</td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O primeiro eixo (horizontal) engloba as subcategorias de neglig&ecirc;ncia    "acompanhamento da sa&uacute;de", "acompanhamento escolar", "alimenta&ccedil;&atilde;o"    e "apar&ecirc;ncia e bem estar f&iacute;sico", definindo uma dimens&atilde;o    que indica falhas parentais nas respostas &agrave;s necessidades f&iacute;sicas    das crian&ccedil;as e de desenvolvimento escolar. Ou seja, uma dimens&atilde;o    que simboliza &aacute;reas essenciais do acompanhamento di&aacute;rio e cuidados    parentais para o desenvolvimento f&iacute;sico e intelectual das crian&ccedil;as.  </p>      <p><a name="top6"></a>Relativamente ao posicionamento das vari&aacute;veis dos    sujeitos nesta agrega&ccedil;&atilde;o, as vari&aacute;veis idade, escolaridade    e profiss&atilde;o parecem ser as mais claramente relacionadas com este factor.<A HREF="#nota6"><SUP>6</SUP></A>    Assim, os sujeitos com idades compreendidas entre os 26 e os 35 anos, que t&ecirc;m    um n&iacute;vel de escolaridade m&eacute;dio baixo (6.º-9.º ano) e que s&atilde;o    empregados do sector p&uacute;blico, s&atilde;o os que especificamente salientam    a dimens&atilde;o da neglig&ecirc;ncia assim entendida.</p>     <p>O segundo eixo (vertical) define uma &aacute;rea integrada por comportamentos    parentais marcadamente antinormativos como o "trabalho infantil" e o "abuso    sexual" por oposi&ccedil;&atilde;o a "abandono". Assim, este factor de mau trato    sugere uma dimens&atilde;o em que os adultos n&atilde;o demonstram o m&iacute;nimo    grau de cuidados com a integra&ccedil;&atilde;o educativa, social e afectiva    das crian&ccedil;as tendo em considera&ccedil;&atilde;o as expectativas sociais    actuais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia. Ou seja, uma parentalidade    moral e legalmente abusiva <I>versus</I> aband&oacute;nica. </p>      <p>Os sujeitos que privilegiam o primeiro p&oacute;lo — trabalho infantil/abuso    sexual — t&ecirc;m idades entre os 36 e 45 anos, t&ecirc;m escolaridade entre    o 9.º e 12.º anos e est&atilde;o inseridos profissionalmente no primeiro grupo.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os sujeitos que privilegiam o segundo p&oacute;lo deste factor — abandono —    pertencem ao grupo et&aacute;rio dos mais velhos, t&ecirc;m n&iacute;veis de    escolaridade mais baixos e trabalham como oper&aacute;rios especializados. </p>      <p>Analisemos agora os factores 3 e 4 representados na <a href="#fg3">figura 3</a>,    assim como a projec&ccedil;&atilde;o sobre eles das vari&aacute;veis ilustrativas.  </p>     <p><a name="fg3"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <table width="577" border="0" cellspacing="5" cellpadding="5" align="center">   <tr>      <td width="603">    <div align="center"><img src="/img/revistas/spp/n34/34a06f3.gif" width="455" height="250"></div></td>   </tr>   <tr>      <td height="104"><font size="2">Legenda: designa&ccedil;&atilde;o das subcategorias        que contribuem para a defini&ccedil;&atilde;o dos factores: prf1, quadros        m&eacute;dios e superiores; ct-s, contacto com crian&ccedil;as; supe, curso        m&eacute;dio/superior; =&lt; 45, 36 a 45 anos; prf2, empregados do sector        p&uacute;blico; ct-n, sem contacto com crian&ccedil;as; home, masculino;        =&gt;46, +46 anos; prf3, oper&aacute;rios especializados/semiespecializados;        4cla, at&eacute; &agrave; 4&ordf; classe; mulh, feminino; prf4, trabalhadores        n&atilde;o qualificados; 9&ordm; ano, 6&ordm; a 9&ordm; ano; =&lt;25, at&eacute;        25 anos; prf5, n&atilde;o activos; 12&ordm; ano, 10&ordm; a 12&ordm; ano;=&lt;35,        26 a 35 anos.</font></td>   </tr>   <tr>     <td height="34"><b>Figura 3</b> - Projec&ccedil;&atilde;o factorial dos eixos        3 e 4</td>   </tr> </table>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O terceiro eixo (horizontal) op&otilde;e as subcategorias "abandono" e "socializa&ccedil;&atilde;o    inadequada" &agrave; subcategoria "interac&ccedil;&atilde;o verbal agressiva",    constituindo-se assim como uma dimens&atilde;o de mau trato psicol&oacute;gico.    Nesta dimens&atilde;o ficam contrastados actos de abandono familiar efectivo    e uma educa&ccedil;&atilde;o sociomoral em que n&atilde;o existe controlo, podendo    levar a crian&ccedil;a a comportamentos anti-sociais, criminais ou destrutivos    para os outros e para si pr&oacute;pria, com um padr&atilde;o de interac&ccedil;&atilde;o    agressiva verbal que desvaloriza a crian&ccedil;a. Ou seja, uma educa&ccedil;&atilde;o    "selvagem <I>versus</I> intrusiva". </p>      <p><FONT SIZE=2></FONT> &Agrave; percep&ccedil;&atilde;o desta dimens&atilde;o    de mau trato psicol&oacute;gico na sua vertente de educa&ccedil;&atilde;o sociomoral    desenquadrada est&atilde;o associados os sujeitos com idades entre os 36 e os    45 anos, com habilita&ccedil;&otilde;es e n&iacute;vel profissional superiores,    e que t&ecirc;m contacto profissional com crian&ccedil;as. &Agrave; vertente    crian&ccedil;a controlada por um padr&atilde;o de interac&ccedil;&atilde;o verbal    violenta e amea&ccedil;adora est&atilde;o associados os sujeitos do n&iacute;vel    et&aacute;rio mais jovem, com escolaridade entre o 9.º e 12.º anos e que s&atilde;o    oper&aacute;rios especializados. </p>      <p>Por &uacute;ltimo, o quarto factor (vertical) op&otilde;e comportamentos parentais    cuja socializa&ccedil;&atilde;o promove o desvio, fisicamente agressivos/coercivos    e anti-normativos (filhos como fonte de trabalho) a pr&aacute;ticas parentais    de socializa&ccedil;&atilde;o em que as crian&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o    inseridas num contexto educativo regular, a escola. Uma dimens&atilde;o que    design&aacute;mos como "desvio <I>versus</I> anomia". </p>      <p>Associados ao primeiro p&oacute;lo encontram-se os sujeitos com cursos superiores    e quadros de empresas, enquanto ao segundo est&atilde;o associados os mais velhos    com escolaridade m&eacute;dia baixa e profiss&otilde;es sem qualifica&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;fica. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em s&iacute;ntese, e apesar dos poss&iacute;veis efeitos exercidos pelas associa&ccedil;&otilde;es    que foram encontradas ao n&iacute;vel das diferentes vari&aacute;veis independentes,    parece podermos afirmar o seguinte: </p>      <p>Os sujeitos com idades entre os 36 e os 45 anos com forma&ccedil;&atilde;o    superior, que profissionalmente exercem as suas fun&ccedil;&otilde;es como quadros    de empresa e da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e que t&ecirc;m contacto    profissional com crian&ccedil;as, est&atilde;o mais associados &agrave; defini&ccedil;&atilde;o    de mau trato do que da neglig&ecirc;ncia. </p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s dimens&otilde;es de mau trato encontradas,    estes sujeitos aparecem associados sobretudo &agrave; imagem do mau trato definida    por comportamentos parentais e familiares considerados graves e marcadamente    antinormativos como o abuso sexual, o abandono, a socializa&ccedil;&atilde;o    inadequada e a coer&ccedil;&atilde;o e puni&ccedil;&atilde;o f&iacute;sicas.  </p>      <p>Os sujeitos mais velhos e mais novos, com profiss&otilde;es e n&iacute;veis    de escolaridade m&eacute;dios baixos est&atilde;o mais associados &agrave; defini&ccedil;&atilde;o    da neglig&ecirc;ncia no acompanhamento di&aacute;rio, e quando referenciam o    mau trato focalizam-se em aspectos relacionados com a rela&ccedil;&atilde;o    e a interac&ccedil;&atilde;o quotidiana dos pais com as crian&ccedil;as. </p>      <p>Ou seja, os primeiros atribuem import&acirc;ncia a actos parentais graves e    menos frequentes, enquanto os segundos est&atilde;o mais associados &agrave;    defini&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de acompanhamento, supervis&atilde;o    e educa&ccedil;&atilde;o no dia-a-dia das crian&ccedil;as. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>Conclus&otilde;es</p> </B>     <p>No conjunto, as an&aacute;lises de conte&uacute;do realizadas fizeram sobressair    algumas comunalidades e particularismos que passamos a apresentar, e forneceram    algumas respostas relativamente aos problemas de defini&ccedil;&atilde;o levantados    na revis&atilde;o de literatura. Al&eacute;m disso contribu&iacute;ram tamb&eacute;m    para levantar alguns problemas relativamente &agrave; forma como este tema &eacute;    abordado pela comunidade t&eacute;cnica em Portugal. </p>      <p>A apreens&atilde;o dos significados de mau trato e neglig&ecirc;ncia obtida    nas tr&ecirc;s fontes de informa&ccedil;&atilde;o resultou em 18 subcategorias    que se organizaram em quatro categorias distintas, obtendo-se desta forma uma    defini&ccedil;&atilde;o integrada de mau trato (actos) e neglig&ecirc;ncia (omiss&otilde;es)    que integra os seguintes conte&uacute;dos: </p>      <p>O mau trato psicol&oacute;gico, definido poractos conscientes dos pais na rela&ccedil;&atilde;o    afectiva e na socializa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a que n&atilde;o favorecem    as necessidades de desenvolvimento emocional, social e intelectual, incluindo    interac&ccedil;&otilde;es verbais agressivas, actos de abandono declarado e    umasocializa&ccedil;&atilde;o inadequada atrav&eacute;s de modelos inadequados,    refor&ccedil;o do desvio ou evitamento social. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O mau trato f&iacute;sico, que engloba m&eacute;todos de educa&ccedil;&atilde;o    coercivos/punitivos atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas    disciplinares (f&iacute;sicas) inadequadas e violentas, a agress&atilde;o e    viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e o consumo de &aacute;lcool e medicamentos. </p>      <p>A neglig&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, definida por omiss&otilde;es dos adultos    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; supervis&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o    da vida di&aacute;ria e actividade escolar da crian&ccedil;a. </p>      <p>A neglig&ecirc;ncia f&iacute;sica engloba a falta de supervis&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; seguran&ccedil;a e falta de provis&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s necessidades de desenvolvimento f&iacute;sico da crian&ccedil;a relacionadas    com a apar&ecirc;ncia e bem-estar, higiene, alimenta&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de.  </p>      <p>Dado que se pretende construir um question&aacute;rio que reflicta o cont&iacute;nuo    de pr&aacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o parental que s&atilde;o vistas    como abusivas na nossa cultura, ou que ultrapassam as fronteiras do que &eacute;    aceit&aacute;vel, e que de futuro seja aplicado pelos diferentes t&eacute;cnicos    que avaliam e interv&ecirc;m no problema, tivemos em considera&ccedil;&atilde;o    a inclus&atilde;o de &aacute;reas e indicadores que, mesmo n&atilde;o sendo    comuns aos tr&ecirc;s grupos de definidores, serviriam objectivos espec&iacute;ficos    de cada val&ecirc;ncia profissional. Est&atilde;o neste caso as subcategorias    "problemas de sa&uacute;de" e "problemas de desenvolvimento psicomotor" definidas    exclusivamente pelos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de, corroborando estas subcategorias    os resultados obtidos por Almeida e colegas (1999). </p>      <p>Da an&aacute;lise da origem dos indicadores ressalta, por um lado, a homogeneidade    entre as defini&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e do senso comum e, por outro,    a import&acirc;ncia atribu&iacute;da pelos t&eacute;cnicos &agrave; neglig&ecirc;ncia    f&iacute;sica na sa&uacute;de e &agrave;s suas consequ&ecirc;ncias para a crian&ccedil;a,    dimens&atilde;o e crit&eacute;rios que n&atilde;o aparecem representados nas    percep&ccedil;&otilde;es da neglig&ecirc;ncia pelo senso comum. </p>      <p>Todas as &aacute;reas definidas foram encontradas, ainda que duma forma vaga    e pouco descriminada, nos c&oacute;digos do direito portugu&ecirc;s que referem    o problema, quer ao n&iacute;vel da fam&iacute;lia, quer da crian&ccedil;a.  </p>      <p>O facto de 38 indicadores serem comuns a todas as defini&ccedil;&otilde;es    indica-nos que a variabilidade entre os definidores e diferentes contextos (cultural    e institucional) de defini&ccedil;&atilde;o &eacute; pouco acentuada. A variabilidade    observada (16 indicadores n&atilde;o comuns) pode ser facilmente justificada    pelo facto de as defini&ccedil;&otilde;es servirem diferentes objectivos institucionais    e de interven&ccedil;&atilde;o. Elas servem para definir o estatuto de depend&ecirc;ncia    das crian&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o aos adultos, servem, no &acirc;mbito    do direito criminal, para definir uma ac&ccedil;&atilde;o crime para fins de    prossecu&ccedil;&atilde;o, e servem tamb&eacute;m para definir os requisitos    necess&aacute;rios a uma interven&ccedil;&atilde;o social ou judicial numa dada    situa&ccedil;&atilde;o de mau trato ou neglig&ecirc;ncia. No entanto, sendo    os actores familiares os mesmos, e o acto &uacute;nico, se n&atilde;o se utilizar    um instrumento que englobe uma defini&ccedil;&atilde;o conjunta, esta dispers&atilde;o    pode conduzir ao desfasamento nas avalia&ccedil;&otilde;es e medidas, desfasamento    que resultar&aacute; da diferen&ccedil;a de perspectiva dos diversos servi&ccedil;os    e da descontinuidade das decis&otilde;es (Epif&acirc;nio e Farinha, 1987 [citados    em Epif&acirc;nio e Farinha, 1992]). </p>      <p>Relativamente ao estatuto vago que &eacute; atribu&iacute;do &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es,    ele foi mais not&oacute;rio &agrave; medida que caminh&aacute;vamos na explora&ccedil;&atilde;o    dos conte&uacute;dos das defini&ccedil;&otilde;es do senso comum para os relat&oacute;rios    t&eacute;cnicos e para o direito portugu&ecirc;s. Ou seja, as defini&ccedil;&otilde;es    do senso comum foram aquelas que, n&atilde;o s&oacute; apareceram duma forma    mais homog&eacute;nea, como se manifestaram mais precisas na distin&ccedil;&atilde;o    entre mau trato e neglig&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, centram-se sobretudo    nos factos e n&atilde;o nas causas ou nas consequ&ecirc;ncias para a crian&ccedil;a.  </p>      <p>Relativamente aos relat&oacute;rios t&eacute;cnicos, embora se constate homogeneidade    nas defini&ccedil;&otilde;es (todos procuram definir as causas, a situa&ccedil;&atilde;o    observada e as consequ&ecirc;ncias) e estas sejam mais espec&iacute;ficas (contribuem    com 13 indicadores novos em rela&ccedil;&atilde;o ao senso comum), parece-nos    que a quest&atilde;o se coloca sobretudo entre as diferentes profiss&otilde;es    e institui&ccedil;&otilde;es (servi&ccedil;o social <I>versus</I> m&eacute;dicas).    As dimens&otilde;es categorizadas pela &aacute;rea de interven&ccedil;&atilde;o    social est&atilde;o mais pr&oacute;ximas das do senso comum. Os 38 indicadores    comuns &agrave; defini&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e da popula&ccedil;&atilde;o    parecem-nos advir da defini&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos de servi&ccedil;o    social e educa&ccedil;&atilde;o, enquanto que os indicadores da neglig&ecirc;ncia    f&iacute;sica t&ecirc;m a sua origem nas defini&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas.  </p>      <p>Duma forma geral, as defini&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito das institui&ccedil;&otilde;es    de interven&ccedil;&atilde;o social manifestam maior preocupa&ccedil;&atilde;o    com as causas e descrevem as situa&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o    aos limites m&aacute;ximos do desenvolvimento ideal das crian&ccedil;as. Por    sua vez, os m&eacute;dicos preocupam-se sobretudo com as sequelas f&iacute;sicas    observadas, ou seja, a observa&ccedil;&atilde;o das consequ&ecirc;ncias dos    actos parentais para as crian&ccedil;as. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A defini&ccedil;&atilde;o do direito, sobretudo nos aspectos da neglig&ecirc;ncia    e do mau trato psicol&oacute;gico, foi a que apresentou a no&ccedil;&atilde;o    mais vaga do problema, o que pode conduzir a imprecis&otilde;es na defini&ccedil;&atilde;o    de graus de perigo (direito de fam&iacute;lia e de menores). Sendo mais precisa    e espec&iacute;fica ao n&iacute;vel do direito penal, sobretudo na defini&ccedil;&atilde;o    de mau trato f&iacute;sico e outro tipo de comportamentos gravemente abusivos,    persiste com o problema da defini&ccedil;&atilde;o e discrimina&ccedil;&atilde;o    entre a intencionalidade, acidente e poder de correc&ccedil;&atilde;o. Dado    que constitui o &oacute;rg&atilde;o m&aacute;ximo de decis&atilde;o, quer ao    n&iacute;vel da avalia&ccedil;&atilde;o, quer da interven&ccedil;&atilde;o,    pensamos que as normas por que se rege deveriam apresentar uma maior correspond&ecirc;ncia    com o pensamento dominante (senso comum e t&eacute;cnicos) para, em nome do    poder p&uacute;blico, poder julgar este tipo de actos abusivos, o que, de facto,    n&atilde;o acontece. </p>      <p>Ao n&iacute;vel da defini&ccedil;&atilde;o do senso comum, tal como Giovannoni    (1989) demonstra na sua revis&atilde;o de literatura, n&oacute;s confirmamos    tamb&eacute;m que o p&uacute;blico em geral n&atilde;o s&oacute; &eacute; um    definidor saliente do mau trato como n&atilde;o se confirma a ideia de que existe    uma grande toler&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao mau trato e &agrave;    neglig&ecirc;ncia entre a popula&ccedil;&atilde;o em geral, mesmo nas classes    mais desfavorecidas. </p>      <p>Em primeiro lugar, h&aacute; a evidenciar o facto de todos os universos recenseados    revelarem pouca variabilidade interna. Ou seja, considerando, quer os grupos    de sujeitos, quer dentro de cada grupo, os indiv&iacute;duos que os comp&otilde;em    recorrem a descri&ccedil;&otilde;es semelhantes, o que indica uma partilha social    de significados sobre os conceitos de mau trato e neglig&ecirc;ncia. </p>      <p>Em segundo lugar, se tivermos em considera&ccedil;&atilde;o o n&uacute;mero    m&eacute;dio de refer&ecirc;ncias produzidas por cada grupo, estas tamb&eacute;m    n&atilde;o variam muito entre os diferentes grupos. </p>      <p>Em terceiro lugar, no que diz respeito &agrave; sali&ecirc;ncia dos conte&uacute;dos    definidos, parece podermos concluir que as categorias de mau trato s&atilde;o    mais referenciadas do que as de neglig&ecirc;ncia, sendo o mau trato f&iacute;sico    a &aacute;rea mais saliente e identificadora das pr&aacute;ticas educativas    parentais abusivas. Contudo, n&atilde;o podemos deixar de referir que a esta    defini&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica de mau trato se associa tamb&eacute;m    a import&acirc;ncia dada aos aspectos relacionais e emocionais da rela&ccedil;&atilde;o    pais-filhos, ou seja, o mau trato psicol&oacute;gico. Ali&aacute;s, este estudo    &eacute; revelador da centralidade que as atitudes educacionais do quotidiano    na rela&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&atilde;o pais-filhos come&ccedil;am    a ter, contrariando a ideia de mau trato definida exclusivamente por comportamentos    parentais que, embora espor&aacute;dicos, s&atilde;o considerados pela nossa    sociedade como verdadeiramente antinormativos. </p>      <p>Outro aspecto que nos parece relevante nesta an&aacute;lise &eacute; a import&acirc;ncia    atribu&iacute;da pelos sujeitos, n&atilde;o tanto a actos que em termos sociais    s&atilde;o definidos como marcadamente antinormativos e menos frequentes (abuso    sexual, trabalho infantil, abandono), mas mais a aspectos relacionados com o    acompanhamento, cuidados e rela&ccedil;&atilde;o, atitudes que fazem parte das    pr&aacute;ticas quotidianas da educa&ccedil;&atilde;o parental. </p>      <p>Relativamente &agrave;s dimens&otilde;es em que se organiza o pensamento dos    sujeitos, e conforme se tinha hipotetizado, a constru&ccedil;&atilde;o das ideias    sobre mau trato e neglig&ecirc;ncia varia em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel    de escolaridade, profiss&atilde;o e experi&ecirc;ncia profissional com crian&ccedil;as.  </p>      <p>No entanto, uma orienta&ccedil;&atilde;o semelhante aos resultados obtidos    por Giovanonni e Becerra (1979), em que os sujeitos com n&iacute;veis educacionais    e profissionais mais elevados perfilhariam uma defini&ccedil;&atilde;o baseada    na falta de cuidados nos aspectos b&aacute;sicos de acompanhamento e de educa&ccedil;&atilde;o,    enquanto que os outros deveriam atribuir mais import&acirc;ncia &agrave;s &aacute;reas    mais violentamente abusivas, n&atilde;o se confirma. </p>      <p>As nossas conclus&otilde;es apontam, sim, para uma clivagem entre estes dois    grupos de sujeitos, mas no sentido contr&aacute;rio &agrave;quele que foi encontrado    por aqueles autores. A defini&ccedil;&atilde;o da neglig&ecirc;ncia &eacute;    sobretudo partilhada pelos sujeitos com n&iacute;vel educacional e profissional    m&eacute;dio baixo, enquanto a defini&ccedil;&atilde;o de mau trato &eacute;    partilhada pelos sujeitos de n&iacute;vel educacional e profissional superior    e que t&ecirc;m contacto profissional com crian&ccedil;as (professores, curadores    de menores, t&eacute;cnicos de servi&ccedil;o social, etc.). Ou seja, os primeiros    est&atilde;o mais associados &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es    de falta de acompanhamento e de supervis&atilde;o e a uma educa&ccedil;&atilde;o    cujo problema central parece ser a aus&ecirc;ncia de uma organiza&ccedil;&atilde;o    do dia-a-dia da crian&ccedil;a. Mesmo quando se associam &agrave; defini&ccedil;&atilde;o    das dimens&otilde;es de mau trato, focalizam-se nas &aacute;reas relacionadas    com a rela&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&atilde;o pais-filhos. Os segundos,    talvez porque no contexto socioecon&oacute;mico e cultural em que est&atilde;o    inseridos, duma forma geral, as pessoas garantam o cumprimento destas quest&otilde;es    b&aacute;sicas de rela&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, ensino, alimenta&ccedil;&atilde;o,    etc., aparecem mais associados &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de actos parentais    considerados mais graves, antinormativos e intencionais. Al&eacute;m disso,    na nossa cultura, os padr&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o negligente parecem    estar ainda, para este grupo, muito associados ao n&iacute;vel s&oacute;cioecon&oacute;mico    e cultural das fam&iacute;lias, persistindo ainda uma certa desculpabiliza&ccedil;&atilde;o/aceita&ccedil;&atilde;o    deste tipo de atitudes. Pelo contr&aacute;rio, os actos parentais manifestamente    maltratantes, possivelmente, n&atilde;o s&oacute; os consideraram marcadamente    antinormativos, como lhes atribuem mais facilmente uma intencionalidade. </p>      <p>V&aacute;rios problemas ainda persistem, contudo. Em Portugal (Amaro, 1986),    embora as leis actuais j&aacute; n&atilde;o se refiram ao poder de correc&ccedil;&atilde;o,    continua a existir um direito de correc&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;do no    "poder dever" da educa&ccedil;&atilde;o, sendo o seu conte&uacute;do dependente    duma interpreta&ccedil;&atilde;o ampla desse direito, pois n&atilde;o se determinou    a proibi&ccedil;&atilde;o do castigo corporal (como sucede na Su&eacute;cia),    nem a respectiva viola&ccedil;&atilde;o corresponde necessariamente a uma san&ccedil;&atilde;o.  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Considerando-se a "vitimiza&ccedil;&atilde;o" da crian&ccedil;a (Brassard e    outros, 1987; Garbarino e outros, 1986), ou os actos parentais, independentemente    das consequ&ecirc;ncias para a crian&ccedil;a (Mash e Wolfe, 1991; Wolfe e McGee,    1994), mais importantes do que o car&aacute;cter intencional dos seus comportamentos    (conceito determinante, mas de dif&iacute;cil defini&ccedil;&atilde;o), a quest&atilde;o    parece continuar a ser a de se saber at&eacute; onde pode ir o castigo como    m&eacute;todo disciplinar, e o que se deve considerar j&aacute; maus tratos.    Por outro lado, hoje em dia p&otilde;e-se muito em quest&atilde;o a linha separadora    entre acidente e mau trato, dado que muitos dos "acidentes" ou agress&otilde;es    ditas involunt&aacute;rias resultam de neglig&ecirc;ncia ou mau trato (Peterson    e Brown, 1994). </p>      <p>Um outro aspecto a referir, relativamente &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es    utilizadas, prende-se com o facto de os diferentes contextos de an&aacute;lise    do problema utilizarem categorias gerais que circunscrevem situa&ccedil;&otilde;es    agrupadas (ex: nem sempre se distingue o mau trato f&iacute;sico do psicol&oacute;gico    ou a neglig&ecirc;ncia do mau trato f&iacute;sico). Dada a pouca evid&ecirc;ncia    de que o mau trato &eacute; uma vari&aacute;vel homog&eacute;nea, j&aacute;    que existem tipos e graus diferentes de mau trato e a sua etiologia &eacute;    difusa, havendo v&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis que antecedem    e conduzem a resultados com graus de gravidade diferentes (Milner, 1992), ent&atilde;o,    no seguimento desta an&aacute;lise e com a constru&ccedil;&atilde;o de um instrumento    de avalia&ccedil;&atilde;o que contemple as diversas &aacute;reas, o julgamento    poder&aacute; ser efectuado relativamente a um padr&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o    cont&iacute;nuo, mais do que em rela&ccedil;&atilde;o a ac&ccedil;&otilde;es    ou categorias espec&iacute;ficas. </p>      <p>Relativamente aos graus e tipos de perigo, em Portugal, um dos pressupostos    da aplica&ccedil;&atilde;o da medida de inibi&ccedil;&atilde;o ou redu&ccedil;&atilde;o    do poder paternal &eacute; a exist&ecirc;ncia de "um perigo para a seguran&ccedil;a,    a sa&uacute;de, forma&ccedil;&atilde;o moral ou a educa&ccedil;&atilde;o da    crian&ccedil;a" (art. 1918.º do c&oacute;digo civil). </p>      <p>Como foi poss&iacute;vel constatar e como reconhece Duarte (1989), a defini&ccedil;&atilde;o    da no&ccedil;&atilde;o de perigo est&aacute; ainda por fazer, pelo que s&oacute;    &eacute; poss&iacute;vel fixar alguns crit&eacute;rios de delimita&ccedil;&atilde;o,    como " … tenha como limite m&aacute;ximo uma perigosidade", "o risco que as    condi&ccedil;&otilde;es de vida do menor sofre deve ter um car&aacute;cter real",    e n&atilde;o tanto "um perigo meramente eventual", mas "n&atilde;o &eacute;    necess&aacute;rio que seja particularmente grave" (cit. em BMJ 418, 1992: 298).    Estas no&ccedil;&otilde;es podem, no entanto, representar uma variabilidade    enorme, quer em fun&ccedil;&atilde;o das pessoas que avaliam, quer em fun&ccedil;&atilde;o    da crian&ccedil;a (idade, caracter&iacute;sticas, n&iacute;vel de desenvolvimento,    etc.). Dada a liberdade de aprecia&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel    que o contorno deste conceito se revele bastante flex&iacute;vel e dif&iacute;cil    de precisar e de aplicar. Ali&aacute;s, segundo a mesma autora, o pr&oacute;prio    conceito de gravidade &eacute; vari&aacute;vel em fun&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio    menor, tendo, pois, de se afastar um crit&eacute;rio puramente objectivo. Neste    sentido, e dado que cada vez mais o problema &eacute; discutido interdisciplinarmente,    este estudo representa um contributo para a discuss&atilde;o t&eacute;cnica    na medida em que possibilita a sua aplica&ccedil;&atilde;o por diferentes disciplinas.  </p>      <p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o ao perigo, ou melhor, aos diferentes tipos de    perigo, a nossa lei n&atilde;o distingue entre "perigo para a seguran&ccedil;a,    sa&uacute;de ou forma&ccedil;&atilde;o moral" e "perigo para a educa&ccedil;&atilde;o",    ao contr&aacute;rio do que acontece noutros pa&iacute;ses (Fran&ccedil;a, por    exemplo), em que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a &aacute;rea em que judicialmente    se &eacute; menos exigente, por ser mais ampla e estar mais dependente das liberdades    individuais e familiares, apresentando-se o perigo para a seguran&ccedil;a,    a sa&uacute;de ou a forma&ccedil;&atilde;o moral com maior objectividade (BMJ    418, 1992). Contudo, com a adop&ccedil;&atilde;o, no nosso pa&iacute;s, da escolaridade    obrigat&oacute;ria at&eacute; ao 9.º ano, e a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de    <I>curricula </I>alternativos para crian&ccedil;as com insucesso escolar e ambientes    familiares pouco integradores, este torna-se actualmente um dos maiores problemas    de integra&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as em risco. </p> <B>      <p>&nbsp;</p>     <p>Anexo 1</p> </B><I>      <p>Subcategorias e unidades de registo obtidas nas tr&ecirc;s fontes de an&aacute;lise</p> </I>      <p>(1)<B>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</B><I>Rela&ccedil;&atilde;o/ Interac&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o verbal</I>. Actos conscientes dos pais, na rela&ccedil;&atilde;o    com a crian&ccedil;a, que n&atilde;o favorecem as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias    para o seu desenvolvimento emocional e intelectual. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º CC, 1915; &nbsp;OTM,    15 (art.º referente a todas as subcategorias dado ser definido "pelos deveres    para com o filho"); CP, 153. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> "esperam de mais da crian&ccedil;a", "n&atilde;o reconhecem    as dificuldades", "de aprendizagem", "de controlo", "que s&atilde;o crian&ccedil;as",    "exigem muito", "n&atilde;o as levam a servi&ccedil;os que possam melhorar as    suas condi&ccedil;&otilde;es", " n&atilde;o as ajudam quando est&atilde;o com    alguma dificuldade", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 62; t&eacute;cnicos,    5. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "n&atilde;o estimulam", "n&atilde;o lhes ensinam a ser respons&aacute;veis",    "n&atilde;o d&atilde;o autonomia", "n&atilde;o p&otilde;em a crian&ccedil;a    na escola", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 25; t&eacute;cnicos,    5. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "interac&ccedil;&otilde;es negativas", "aus&ecirc;ncia de contacto",    " n&atilde;o gostam da crian&ccedil;a", "s&atilde;o imprevis&iacute;veis", "    a crian&ccedil;a &eacute; bode expiat&oacute;rio", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 45; t&eacute;cnicos,    8.</p>      <p>(2)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Interac&ccedil;&atilde;o verbal agressiva com    a crian&ccedil;a</I>. Actos dos pais que incluem agress&atilde;o verbal directa    com a crian&ccedil;a. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º OTM, 15; CP, 153. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "ralham constantemente", "chamam nomes", "depreciam", "diminuem"    a crian&ccedil;a, etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 42; t&eacute;cnicos,    2. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot; </b>" amea&ccedil;am verbalmente a crian&ccedil;a", "aterrorizam-na",    "metem medo", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 41;    t&eacute;cnicos, 2. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "n&atilde;o as deixam falar", "dar opini&otilde;es", "dar ideias",    "participar nas coisas da fam&iacute;lia", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 18; t&eacute;cnicos,    2.</p>      <p>(3)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Abandono familiar</I>. Actos de abandono declarado    e n&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es de separa&ccedil;&atilde;o em que os pais    ou familiares continuam a mostrar interesse e preocupa&ccedil;&atilde;o pelas    crian&ccedil;as. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º CC, 1913; OTM, 15; CP,    138. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot; </b>"a m&atilde;e n&atilde;o quer saber dela", "a m&atilde;e abandonou-a",    "a m&atilde;e nunca mais aparecer", "ser entregues a institui&ccedil;&otilde;es",    "n&atilde;o mandarem dinheiro", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 11; t&eacute;cnicos,    4. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "o pai n&atilde;o quer saber dela", "o pai abandonou-a", "o    pai nunca mais aparecer", "ser entregues a institui&ccedil;&otilde;es", "n&atilde;o    mandarem dinheiro", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 11; t&eacute;cnicos,    4. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> "os pais morrerem e a fam&iacute;lia n&atilde;o querer saber",    "os pais d&atilde;o-se mal com os av&oacute;s e estes nem conhecerem os netos",    "os pais serem drogados e a fam&iacute;lia n&atilde;o tomar conta da situa&ccedil;&atilde;o",    etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 4; t&eacute;cnicos,    4.</p>      <p>(4)<I>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Socializa&ccedil;&atilde;o inadequada. </I>Actos    dos adultos que n&atilde;o favorecem um bom desenvolvimento social da crian&ccedil;a,    atrav&eacute;s de modelos inadequados, refor&ccedil;o do desvio ou evitamento    social. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º CC, 1885 e 1918; OTM,    13 e 15; CP, 153. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "mandam-na roubar" "drogam-se diante dela", "incitam-na &agrave;    viol&ecirc;ncia", "acham piada a comportamentos de m&aacute; educa&ccedil;&atilde;o",    etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 32; t&eacute;cnicos,    2. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "evitam que ela conviva com outras crian&ccedil;as", "pro&iacute;bem-na    de ter rela&ccedil;&otilde;es de amizade", "acham que ela n&atilde;o &eacute;    capaz de ter amigos", "fazem-na acreditar que ningu&eacute;m gosta dela", etc.  </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o 15; t&eacute;cnicos,    2. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "vivem num meio familiar pouco organizado", "ambiente prom&iacute;scuo",    "fam&iacute;lia violenta", "observa viol&ecirc;ncia", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 22; t&eacute;cnicos,    3.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(5)<I>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;M&eacute;todos de educa&ccedil;&atilde;o coercivos/    punitivos. </I>Utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas disciplinares (f&iacute;sicas)    inadequadas e violentas com a inten&ccedil;&atilde;o de educar. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º OTM, 15; CP, 153. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot; </b>" batem na crian&ccedil;a para a educar", "perdem o controlo    com o seu comportamento", "escalada de viol&ecirc;ncia para endireitarem os    filhos", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 30. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "castigos violentos", "fechar no quarto durante muito tempo",    "os pais para educarem os filhos fazem coisas muito m&aacute;s", "fechar a luz",    "obrigar a estudar durante toda a noite", etc.</p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o 48; t&eacute;cnicos,    1. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> " amarrar a crian&ccedil;a a uma cadeira porque &eacute; muito    irrequieta", "prend&ecirc;-la a uma mesa para n&atilde;o lhe acontecer nada",    "obrigar a ficar deitada" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 8; t&eacute;cnicos,    1.</p>      <p>(6)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Agress&atilde;o e viol&ecirc;ncia f&iacute;sica</I><B>.    </B>Actos dos pais em que existe contacto f&iacute;sico violento sem a inten&ccedil;&atilde;o    de disciplinar, mas que podem pressupor uma certa intencionalidade. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º OTM, 15 e 142; CP, 153.  </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> "espancam a crian&ccedil;a", "a crian&ccedil;a ficar marcada",    "sinais de dentadas", "marcas de cintos", "beliscaduras", "socos", "pontap&eacute;s",    "bofet&otilde;es", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 108;    t&eacute;cnicos, 6. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "queimam a crian&ccedil;a", "p&otilde;em-na em &aacute;gua    a ferver", "qiemam-na com cigarros", "aparelhos el&eacute;ctricos", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 8; t&eacute;cnicos,    1. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> " puxam", "sacodem violentamente a crian&ccedil;a", "abanam    a crian&ccedil;a" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 26; t&eacute;cnicos,    5.</p>      <p>(7)<I>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Consumo de &aacute;lcool e medicamentos</I>.    Os pais d&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a &aacute;lcool e medicamentos inapropriados,    ou facilitam o consumo de produtos nocivos. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º 13; OTM, 15 e 142; CP,    153 e 131. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "consumo de &aacute;lcool", "medicamentos estragados", "medicamentos    inapropriados", "dar drogas", "crian&ccedil;a beber vinho", "dar comprimidos    &agrave; crian&ccedil;a para esta dormir". </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 9; t&eacute;cnicos,    2. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> "intoxica&ccedil;&atilde;o(&otilde;es) provocada(s)", "deixar    &agrave; vista da crian&ccedil;a medicamentos ou outros produtos nocivos de    forma a que esta os venha a ingerir" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 2. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "intoxica&ccedil;&atilde;o(&otilde;es) volunt&aacute;ria(s)",    "adulto d&aacute; medicamentos em excesso &agrave; crian&ccedil;a" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo t&eacute;cnicos, 2.</p>      <p>(8)<I>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Alimenta&ccedil;&atilde;o. </I>Actos dos pais    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, intencionais, que    podem ter consequ&ecirc;ncias f&iacute;sicas graves para a crian&ccedil;a. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º CC, 1878; OTM, 15 e    142; CP, 153 </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "privam a crian&ccedil;a de alimenta&ccedil;&atilde;o", " passar    um dia sem comer", "a crian&ccedil;a tem fome e os pais n&atilde;o lhe d&atilde;o    de comer", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 22; t&eacute;cnicos,    4. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "n&atilde;o alimentam a crian&ccedil;a ao ponto desta adoecer",    "porque n&atilde;o comem ter atrasos de crescimento", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 5; t&eacute;cnicos,    4. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> "apertar o nariz da crian&ccedil;a para que ela coma", "a crian&ccedil;a    tem que engolir o vomitado", "n&atilde;o dar de beber propositadamente" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 3.</p>      <p>(9)<I>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Abuso sexual</I>. Diferentes formas de molesta&ccedil;&atilde;o    sexual. Nas crian&ccedil;as estas pr&aacute;ticas, quando pagas, s&atilde;o    consideradas abuso e n&atilde;o trabalho. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º 201; CP 204 e 207; OTM,    13. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "viola&ccedil;&atilde;o sexual", " rela&ccedil;&otilde;es sexuais",    " pr&aacute;ticas sexuais aberrantes", "abuso sexual", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 20; t&eacute;cnicos,    5. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "exploram a crian&ccedil;a como prazer", "utilizam a crian&ccedil;a    para fins pornogr&aacute;ficos" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 2. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "consentem que os filhos v&atilde;o para a prostitui&ccedil;&atilde;o",    "colocam a crian&ccedil;a na prostitui&ccedil;&atilde;o" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 6; t&eacute;cnicos,    3. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(10)<I>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Trabalho infantil/mendicidade</I><B>. </B>Qualquer    forma de trabalho fomentada pelos pais, remunerado ou n&atilde;o, mas que seja    excessivo para a crian&ccedil;a ou que a prive de frequentar a escolaridade    obrigat&oacute;ria (9.º ano). </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º OTM, 13; CP, 153. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "colocam a crian&ccedil;a a trabalhar fora de casa", "exercer    uma actividade profissional", "trabalho infantil" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 6; t&eacute;cnicos,    3. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "p&otilde;em a crian&ccedil;a a tomar conta dos irm&atilde;os    e n&atilde;o vai &agrave; escola", "realizar trabalhos excessivos", "trabalhos    perigosos para a sua idade" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 3; t&eacute;cnicos,    2. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> " mendicidade" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 6; t&eacute;cnicos,    2. </p>      <p>(11)<I>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Apar&ecirc;ncia e bem estar f&iacute;sico. </I>Omiss&otilde;es    dos pais relacionadas com a apar&ecirc;ncia e bem-estar f&iacute;sico da crian&ccedil;a.  </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º OTM, 15. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> "n&atilde;o cuidam do vestu&aacute;rio da crian&ccedil;a",    "roupa suja", "uso de roupa pouco adequada para a &eacute;poca", "roupa muito    grande ou muito pequena", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 20; t&eacute;cnicos,    6. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b>"negligenciam a higiene de corpo da crian&ccedil;a", "n&atilde;o    d&atilde;o banho", "apar&ecirc;ncia de suja", "raramente lavada", "mau cheiro",    etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 33; t&eacute;cnicos,    6. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> " negligenciam os cuidados di&aacute;rios", "a crian&ccedil;a    n&atilde;o se sentir confort&aacute;vel", "a crian&ccedil;a n&atilde;o tem um    lugar apropriado para dormir", "algumas das refei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o    s&atilde;o completas", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 51; t&eacute;cnicos,    5. </p>      <p>(12)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Acompanhamento na sa&uacute;de</I>. Omiss&otilde;es    dos pais, em que n&atilde;o se faz preven&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de,    n&atilde;o se t&ecirc;m os cuidados necess&aacute;rios &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o    da sa&uacute;de, ou em que a crian&ccedil;a n&atilde;o &eacute; tratada quando    est&aacute; doente. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º CC, 1878, 885, 1918.  </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "n&atilde;o fazem a vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de da crian&ccedil;a",    "falta &agrave;s consultas de rotina", "n&atilde;o aplica&ccedil;&atilde;o de    vacinas", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 43; t&eacute;cnicos,    7. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> "n&atilde;o tratam a crian&ccedil;a quando est&aacute; doente",    "falta aos tratamentos", "falta de actua&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 32; t&eacute;cnicos,    7. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "a crian&ccedil;a vai a consultas m&eacute;dicas ou &eacute;    sujeita a internamentos sucessivos de urg&ecirc;ncia", "neglig&ecirc;ncia no    acompanhamento da sa&uacute;de adoecendo com frequ&ecirc;ncia" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 6. </p>      <p>(13)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Seguran&ccedil;a</I>. A crian&ccedil;a por falta    de seguran&ccedil;a sofre acidentes com sequelas de gravidade vari&aacute;vel.  </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º CC, 1978. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "n&atilde;o h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a    necess&aacute;rias", "n&atilde;o h&aacute; protec&ccedil;&atilde;o de pequenos    acidentes", "ingest&atilde;o de medicamentos que foram deixados &agrave; m&atilde;o    da crian&ccedil;a", "queimaduras por falta de seguran&ccedil;a", "fracturas    ou les&otilde;es por descuido" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 25; t&eacute;cnicos,    1. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> acidente(s) grave(s) com sequelas irrepar&aacute;veis por falta    de seguran&ccedil;a, atropelamento </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 1. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> intoxica&ccedil;&atilde;o(&otilde;es) acidental(ais) de medicamentos    ou produtos nocivos, os adultos deixaram os medicamentos acess&iacute;veis &agrave;    crian&ccedil;a </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 1.</p>      <p>(14)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Acompanhamento di&aacute;rio da crian&ccedil;a</I>.    Omiss&otilde;es dos adultos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o    da vida di&aacute;ria da crian&ccedil;a e nas suas actividades parentais. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º OTM, 15. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "as crian&ccedil;as s&atilde;o deixadas ao Deus-dar&aacute;",    "as crian&ccedil;as n&atilde;o frequentarem o col&eacute;gio e ficarem sozinhas    em casa", "as crian&ccedil;as ficarem sozinhas durante o dia" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 71; t&eacute;cnicos,    2. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "n&atilde;o se interessam pelo que a crian&ccedil;a faz durante    o dia", "n&atilde;o acompanham o dia a dia da crian&ccedil;a", "desinteresse    sobre a organiza&ccedil;&atilde;o da sua vida di&aacute;ria", "n&atilde;o querem    saber com quem a crian&ccedil;a anda", " n&atilde;o existem regras" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 56; t&eacute;cnicos,    2. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "n&atilde;o t&ecirc;m actividades de estimula&ccedil;&atilde;o    com a crian&ccedil;a", "n&atilde;o brincam", "n&atilde;o fazem jogos, passeios",    "a crian&ccedil;a passa tempo exagerado ao computador, TV", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 35; t&eacute;cnicos,    2.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(15)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Acompanhamento da vida escolar</I>. Omiss&otilde;es    dos pais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escola e actividade escolar da crian&ccedil;a.  </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º CC, 1878 e 1885; OTM,    15; CP, </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> " n&atilde;o mandam a crian&ccedil;a &agrave; escola", "a crian&ccedil;a    falta muito &agrave; escola" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 5; t&eacute;cnicos,    4. </p>      <p>"n&atilde;o controlam os hor&aacute;rios", "n&atilde;o querem saber das notas",    "n&atilde;o controlam as faltas", " n&atilde;o se preocupam com os comportamentos    na escola" </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 33; t&eacute;cnicos,    1. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> "n&atilde;o fazem o acompanhamento da aprendizagem da crian&ccedil;a",    "dos trabalhos de casa", "do material escolar", etc. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 16; t&eacute;cnicos,    1.</p>      <p>(16)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Falta de higiene/problemas de sa&uacute;de</I>.    Omiss&otilde;es em que, por falta de higiene, podem ocorrer problemas de pele,    ou em que j&aacute; se observam esses problemas. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º OTM, 15. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> portadora de parasitas com frequ&ecirc;ncia (com picadas no    corpo) </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: popula&ccedil;&atilde;o, 7; t&eacute;cnicos,    3. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> doen&ccedil;as de pele provocadas por sujidade </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 3. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> les&otilde;es cut&acirc;neas infectadas por falta de higiene  </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 3.</p>      <p>(17)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Problemas de desenvolvimento psico-motor</I>.    Problemas de desenvolvimento f&iacute;sico, sobretudo em crian&ccedil;as mais    jovens (dos 0 aos 3/4 anos). </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º CC, 1885; OTM, 15. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> d&eacute;fices de desenvolvimento f&iacute;sico/motor </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 3. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> deficiente progresso estato-ponderal (debilidade f&iacute;sica)  </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 4. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> falta de progress&atilde;o no peso, desajustamento entre o    peso esperado e o apresentado </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 4.</p>      <p>(18)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<I>Problemas de sa&uacute;de</I>. Consequ&ecirc;ncias    na crian&ccedil;a que descrevem a exist&ecirc;ncia de problemas de sa&uacute;de    j&aacute; observados. </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Direito portugu&ecirc;s: art.º OTM, 15. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> m&aacute; nutri&ccedil;&atilde;o </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 6. </p> <B>  </B>     <p><B>&middot;</b> intoxica&ccedil;&otilde;es alimentares com frequ&ecirc;ncia  </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 3. </p> <B>  </B>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&middot;</b> problemas de gastroenterite (diarreias), infec&ccedil;&otilde;es    respirat&oacute;rias com frequ&ecirc;ncia </p>      <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unidades de registo: t&eacute;cnicos, 3.</p>      <p>Nota: Recorda-se que as fontes de an&aacute;lise s&atilde;o o direito portugu&ecirc;s,    entrevistas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e relat&oacute;rios t&eacute;cnicos.    Popula&ccedil;&atilde;o N=123, e relat&oacute;rio N=9.1) art.º referente a todas    as subcategorias dado ser definido "pelos deveres para com o filho". </p>      <p>Legenda: (CC) C&oacute;digo Civil; (OTM) Organiza&ccedil;&atilde;o Tutelar    de Menores; (CP) C&oacute;digo Penal. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <B>      <p>Notas</p> </B>      <p><A NAME="nota1"></A><a href="#top1">1</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sec&ccedil;&atilde;o    de Pediatria Social da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Instituto de Apoio    &agrave; Crian&ccedil;a e Centro de Estudos Judici&aacute;rios, entidades que    no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90 tinham come&ccedil;ado a sensibilizar    a comunidade t&eacute;cnica para o problema das crian&ccedil;as maltratadas    e negligenciadas. </p>      <p><A NAME="nota2"></A><a href="#top2">2</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Hospital Pedi&aacute;trico    de Coimbra, Servi&ccedil;o Pedi&aacute;trico do Hospital de Vila Franca de Xira,    Servi&ccedil;o Pedi&aacute;trico do Hospital de Set&uacute;bal, Servi&ccedil;o    Pedi&aacute;trico do Hospital de Santa Maria, Hospital Infantil de S&atilde;o    Roque, Servi&ccedil;o de Sa&uacute;de Comunit&aacute;rio. </p>      <p><A NAME="nota3"></A><a href="#top3">3</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Centro de    Estudos Judici&aacute;rios, Santa Casa da Miseric&oacute;rdia de Lisboa, Projecto    de Apoio &agrave; Fam&iacute;lia e Crian&ccedil;a. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><A NAME="nota4"></A><a href="#top4">4</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Embora tivessem    sido obtidas 18 subcategorias, duas foram constru&iacute;das exclusivamente    com unidades de registo obtidas nos relat&oacute;rios t&eacute;cnicos. </p>      <p><A NAME="nota5"></A><a href="#top5">5</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Utiliza&ccedil;&atilde;o    do programa Spad-n. </p>      <p><A NAME="nota6"></A><a href="#top6">6</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma vez que,    como atr&aacute;s se viu, estas vari&aacute;veis se encontram correlacionadas.  </p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <B>      <p>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</p> </B>      <!-- ref --><p>Aber, J. L. e E. Zigler (1981), "Developmental considerations in the definition    of child maltreatment", em R. Rizley e Cicchetti (orgs.), <I>Developmental Approaches    to Child Maltreatment</I>, S&atilde;o Francisco, Jossey-Bass, pp. 1-29. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000329&pid=S0873-6529200000030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Almeida, A. N., Andr&eacute;, I. M. e Almeida, H. N. (1995), <I>Os Maus Tratos    &agrave;s Crian&ccedil;as em Portugal: Relat&oacute;rio Final</I> (1.ª fase),    Lisboa, Centro de Estudos Judici&aacute;rios. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000330&pid=S0873-6529200000030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Almeida, A. N., Andr&eacute;, I. M. e Almeida, H. N. (1999), "Sombras e marcas:    os maus tratos &agrave;s crian&ccedil;as na fam&iacute;lia", <I>An&aacute;lise    Social</I>, XXXIV (150), pp. 91-121. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000331&pid=S0873-6529200000030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amaro, F. (1986), <I>Crian&ccedil;as Maltratadas, Negligenciadas ou Praticando    a Mendicidade: II</I>, Cadernos do CEJ, Lisboa, Gabinete de Estudos Jur&iacute;dico-Sociais,    Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000332&pid=S0873-6529200000030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ammerman, R. T. (1990), "Etiological models of child maltreatment", <I>Behavior    Modification</I>, 14 (3), pp. 230-254. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000333&pid=S0873-6529200000030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ari&egrave;s, P. (1960/sd), <I>A Crian&ccedil;a e a Vida Familiar no Antigo    Regime</I>, Lisboa, Rel&oacute;gio d’&Aacute;gua. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000334&pid=S0873-6529200000030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ari&egrave;s, P. (1962), <I>Centuries of Childhood: A Social History of Family    Life</I>, Nova Iorque, Alfred A. Knopf. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000335&pid=S0873-6529200000030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ari&egrave;s, P. e G. Duby (1990), <I>Hist&oacute;ria da Vida Privada</I>,    Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000336&pid=S0873-6529200000030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Badinter, E. (s/d), <I>O Amor Incerto: Hist&oacute;ria do Amor Maternal do    S&eacute;c. XVII ao S&eacute;c. XX</I>, Lisboa, Rel&oacute;gio d’&Aacute;gua.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000337&pid=S0873-6529200000030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baily, T. F. e W. F. Baily (1986), <I>Operational Definitions of Child Emotional    Maltreatment: Final Report </I>(EM Project), Augusta, Bureau of Social Services,    Maine Department of Human Services. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000338&pid=S0873-6529200000030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Barksdale, C. (1989), "Child abuse reporting: a clinical dilemma?",<I> Social    Work</I>, 59, pp. 170-182. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000339&pid=S0873-6529200000030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Belsky, J. (1980), "Child maltreatment: an ecological integration", <I>American    Psychologist</I>, 35, pp. 320-335. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000340&pid=S0873-6529200000030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Billingsley, A., J. M. Gionannoni e M. E. Purvine (1969), <I>Studies in Child    Protective Services</I>, mimeografado. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000341&pid=S0873-6529200000030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brassard, M. R., R. B. Germain e S. N. Hart (1987), <I>Psychological Maltreatment    of Children and Youth</I>, Nova Iorque, Pergamon Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000342&pid=S0873-6529200000030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brosig, C. L. e S. C. Kalichman (1992a), "Child abuse reporting decisions:    effects of statutory wording of reporting requirements", <I>Professional Psychology</I>:    <I>Research and Practice</I>, 23 (6), pp. 486-492. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000343&pid=S0873-6529200000030000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Brosig, C. L. e S. C. Kalichman (1992b), "Clinician’s reporting of suspected    child abuse: a review of the empirical literature", <I>Clinical Psychology Review</I>,    12, pp.&nbsp;155-168. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000344&pid=S0873-6529200000030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Calheiros, M. M. (1996), <I>Defini&ccedil;&atilde;o, Avalia&ccedil;&atilde;o    e Factores Psico-Sociais do Mau Trato e da Neglig&ecirc;ncia a Crian&ccedil;as    na Fam&iacute;lia</I>, disserta&ccedil;&atilde;o de tese de mestrado em Psicologia    Social e Organizacional, Lisboa, ISCTE. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000345&pid=S0873-6529200000030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Canha, J. (1987), "Crian&ccedil;a maltratada: revis&atilde;o casu&iacute;stica    do Hospital Pedi&aacute;trico de Coimbra, em <I>A Crian&ccedil;a Maltratada</I>,    Lisboa, Sec&ccedil;&atilde;o de Pediatria Social da Sociedade Protuguesa de    Pediatria. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000346&pid=S0873-6529200000030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Christoffel, K. K., P. C. Scheidt, P. F. Agran, J. F. Kraus, E. McLoughlin    e J. A. Paulson (1992), <I>Standard Definitions for Childhood Injury Research</I>,    Washington, DC, US Department of Health and Human Services. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000347&pid=S0873-6529200000030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><I>C&oacute;digo Civil</i> (1995), Coimbra, Coimbra Editora. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000348&pid=S0873-6529200000030000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><I>C&oacute;digo Penal Portugu&ecirc;s </i>(1996), Coimbra, Coimbra Editora.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000349&pid=S0873-6529200000030000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><I>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa</i> (1976), Lisboa,    Imprensa Nacional Casa da Moeda. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000350&pid=S0873-6529200000030000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>De Angelis, T. (1990), "Panel calls child abuse a ‘national emergency’", <I>APA    Monitor</I>, pp. 18-19. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000351&pid=S0873-6529200000030000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Doise, W. (1982), <I>L’&Eacute;xplication em Psychologie Sociale</I>, VI, Paris,    PUF. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000352&pid=S0873-6529200000030000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dubanoski, R., e K. Snyder (1980), "Patterns of child abuse and neglect in    Japanese and Samoan-Americans", <I>Child Abuse and Neglect: International J.</I>,    4 (4), pp. 217-15. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000353&pid=S0873-6529200000030000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dubowitz, H. e E. Newberger (1989), "Pediatrics and child abuse", em D. Cicchetti    e V. Carlson (orgs.), <I>Child Maltreatment: Theory and Research on the Causes    and Consequences of Child Abuse and Neglect</I>, Nova Iorque, Cambridge University    Press, pp. 76-94. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000354&pid=S0873-6529200000030000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Epif&acirc;nio, L. M. e H. L. Farinha (1992), <I>Organiza&ccedil;&atilde;o    Tutelar de Menores: Contributo para uma Vis&atilde;o Interdisciplinar do Direito    de Menores e da Fam&iacute;lia</I>, Coimbra, Livraria Almedina. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000355&pid=S0873-6529200000030000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fernandes, M. J. (1987), <I>Viol&ecirc;ncia Sobre a Crian&ccedil;a no Seio    da Fam&iacute;lia</I>, Lisboa, Grupo de Estudos da Crian&ccedil;a Maltratada    do Servi&ccedil;o de Pediatria do Hospital de St.ª Maria. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000356&pid=S0873-6529200000030000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Figueiredo, B. (1998), "Maus tratos &agrave; crian&ccedil;a e ao adolescente    (I): situa&ccedil;&atilde;o e enquadramento da problem&aacute;tica", <I>Psicologia:    Teoria, Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica</I>, 3, pp. 5-20. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000357&pid=S0873-6529200000030000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Garbarino, J., Guttmann, E. e J. Seeley (1986), <I>The Psychologically Battered    Child, </I>Joney, Bass Publishers. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000358&pid=S0873-6529200000030000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Giovannoni, J. (1989), "Definitional issues in child maltreatment", em Dante    Cicchetti, e Vicki Carlson (orgs.),<I> Child Maltreatment: Theory And Research    on The Causes and Consequences of Child Abuse and Neglect</I>, Nova Iorque,    Cambridge University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000359&pid=S0873-6529200000030000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Giovannoni, J. M. e R. M. Becerra (1979), <I>Defining Child Abuse</I>, Nova    Iorque, Free Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000360&pid=S0873-6529200000030000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Goodnow, J. e A. Collins (1990), <I>Development According to Parents: The Nature,    Sources and Consequences of Parents’ Ideas</I>, Lawrence Erlbaum Associates    Ltd., Publishers. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000361&pid=S0873-6529200000030000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Green, S. L. e J. C. Hansen (1989), "Ethical dellemas faced by family therapists",    <I>Journal of Merital and Family Therapy</I>, 15, pp. 149-158. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000362&pid=S0873-6529200000030000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Haeuser, A. (1982), <I>Sweden’s Law Prohibiting Physical Punishment of Children,    Milwaukee</I>, Wisc., Region V Resource Center on Child Abuse and Neglect. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000363&pid=S0873-6529200000030000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Instituto de Apoio &agrave; Crian&ccedil;a (1990), "Conven&ccedil;&atilde;o    sobre os direitos da crian&ccedil;a", <I>Cadernos IAC</I>, 1, Lisboa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000364&pid=S0873-6529200000030000700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Inter-Di&aacute;lodos (1994), "Situa&ccedil;&otilde;es sinalizadas pela linha    de emerg&ecirc;ncia crian&ccedil;a maltratada", <I>Boletim do PAFAC</I>, Projecto    de Apoio &agrave; Fam&iacute;lia e &agrave; Crian&ccedil;a. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000365&pid=S0873-6529200000030000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kalichman, S. C., M. E. Craig e D. Follingstad (1990), "Professional’s adherence    to mandatory child abuse reporting laws: effects of responsability attribution,    confidence ratings, and situational factors", <I>Child Abuse and Neglect</I>,    14, pp. 68-77. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000366&pid=S0873-6529200000030000700038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kempe, C. H., F. N. Silverman, B. F. Steele, W. Droegemueller e H. K. Silver    (1962), "The battered child syndrome", <I>Journal of the American Medical Association</I>,    181: pp. 4-11. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000367&pid=S0873-6529200000030000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Knutson, J. F. (1995), "Psychological characteristics of maltreated children:    putative risk factors and consequences", <I>Annual Review Psychol.</I>, 46,    pp. 401-31. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000368&pid=S0873-6529200000030000700040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Korbin, E. J. (1987), "Child abuse and neglect: the cultural context", em R.    H. Helfer e R. S. Kempe (orgs.), <I>The Battered Child, Chicago</I>, the University    of Chicago Press (4.ª&nbsp;edi&ccedil;&atilde;o revista e acrescentada). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000369&pid=S0873-6529200000030000700041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Korbin, J. E. (1980), "The cross-cultural context of child abuse and neglect",    em C. H. Kempe e R. E. Helfner (orgs.), <I>The Battered Child</I>, pp. 21-35    (3.ª edi&ccedil;&atilde;o). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000370&pid=S0873-6529200000030000700042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Manly, J. T., D. Cicchetti e D. Barnett (1994), "The impact of subtype, frequency,    chronicity, and severity of child maltreament on social competence and behavior    problems", <I>Development and Psychopathology</I>, 6, pp. 121-143. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000371&pid=S0873-6529200000030000700043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mash, E. J. e D. Wolfe (1991), "Methodological issues in research on physical    child abuse", <I>Criminal Justice and Behavior</I>, 18 (1), pp. 8-29. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000372&pid=S0873-6529200000030000700044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>McGee, R. A. e D. M. Wolfe (1991), "Psychological maltreatment: towards an    operational definition, <I>Development and Psychopathology</I>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000373&pid=S0873-6529200000030000700045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Milner, J. S. (1992), "Measuring parental personality characteristics and psychopathology    in child maltreatment research", em R. Starr e D. Wolfe (org.), <I>Longitudinal    Study of Child Maltreatment</I>, Nova Iorque, Guilford. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000374&pid=S0873-6529200000030000700046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (1992), Pareceres sobre "Poder paternal",    "Direitos da crian&ccedil;a", "Interesse do menor", "Tratamento m&eacute;dico",    "Internamento hospitalar", "Acto m&eacute;dico", "Abuso de direito", "Conflito    de deveres", <I>Boletim do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a</I>, 418, pp.    285-316. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000375&pid=S0873-6529200000030000700047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Monteiro, M. B. e M. M. Calheiros, (no prelo), "The characteristics of child    abuse as determinants on professionals in designating situations to child protective    services or research samples", <I>Child Abuse and Neglect: The International    Journal</I>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000376&pid=S0873-6529200000030000700048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Moscovici, S. e Hewstone, M. (1984), "De la science au sens commum", em Moscovici    (org.), <I>Psychologie Sociale</I>, Paris, PUF. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000377&pid=S0873-6529200000030000700049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Newberger, E. H. (1983), "The helping hand strikes again: Unintended consequences    of child abuse reporting", <I>Journal of Clinical Child Psychology</I>, 12,    pp. 307-311. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000378&pid=S0873-6529200000030000700050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nightingale, N. e Walker E. (1986), "Identification and reporting of child    maltreatment by Ehad Start Personal: attitudes and experiences", <I>Child Abuse    and Neglect</I>, 10, pp.191-199. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000379&pid=S0873-6529200000030000700051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oliveira, M. A. e M. C. Fernandes (1986), <I>A Crian&ccedil;a Maltratada: Sua    Rela&ccedil;&atilde;o com Internamentos Prolongados ou Repetidos</I>, Servi&ccedil;o    de Pediatria do Hospital de Vila Franca de Xira. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000380&pid=S0873-6529200000030000700052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Organiza&ccedil;&atilde;o Tutelar de Menores (1992), "Contributo para uma vis&atilde;o    interdisciplinar do Direito de menores e da fam&iacute;lia", <I>Decreto-Lei    n.º 314/78</I>, Coimbra, Livraria Almedina. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000381&pid=S0873-6529200000030000700053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peterson, L. e D. Brown (1994), "Integrating child injury and abuse-neglect    research: common histories, etiologies, and solutions", <I>Psychological Bulletin</I>,    116 (2), pp.&nbsp;293-315. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000382&pid=S0873-6529200000030000700054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Polansky, N. A., M. A. Chalmers, E. Buttenwiser e D. P. Williams (1981), <I>Damaged    Parents; An Anatomy of Child Neglect</I>, Chicago, University of Chicago Press.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000383&pid=S0873-6529200000030000700055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Radbill, S. X. (1987), "Children in a world of violence: a history of child    abuse", em H. R. Helfer e R. S. Kempe (orgs.), <I>The Battered Child, Chicago</I>,    University of Chicago Press (4.ª edi&ccedil;&atilde;o revista e acrescentada).  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000384&pid=S0873-6529200000030000700056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rendeiro, M., J. Balseiro, L. Meira, M. Fais, D. Rego e B. Estrela, (1987),    "Internamento hospitalar em crian&ccedil;as maltratadas por neglig&ecirc;ncia",    em <I>A Crian&ccedil;a Maltratada</I>, Lisboa, Sec&ccedil;&atilde;o de Pediatria    Social da Sociedade Portuguesa de Pediatria. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000385&pid=S0873-6529200000030000700057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Teles, L. C. e E. F. Marques (1987), "Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo    epidemiol&oacute;gico da crian&ccedil;a maltratada", em <I>A Crian&ccedil;a    Maltratada</I>, Lisboa, Sec&ccedil;&atilde;o de Pediatria Social da Sociedade    Portuguesa de Pediatria. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000386&pid=S0873-6529200000030000700058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vala, J. (1986), "A an&aacute;lise de conte&uacute;do", em A. S. Silva e J.    M. Pinto, (orgs.), <I>Metodologia das Ci&ecirc;ncias Sociais</I>, cap. IV, Lisboa,    Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento, pp. 101-128 (6.ª ed.). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000387&pid=S0873-6529200000030000700059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wolfe, D. A. (1991), <I>Preventing Physical and Emotional Abuse of Children</I>,    Nova Iorque, The Guilford Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000388&pid=S0873-6529200000030000700060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wolfe, D. A. e R. McGee (1994), "Dimentions of child maltreatment and their    relationship to adolescent adjustment", <I>Development Psychopathology, </I>6,    pp. 165-181. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000389&pid=S0873-6529200000030000700061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zellman, G. (1990), "Report decision-making patterns among mandated child abuse    reporters", <I>Child Abuse and Neglect</I>, 14, pp. 325-336. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000390&pid=S0873-6529200000030000700062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zigler, E. (1980), "Controlling child abuse: do we have knowledge and/or the    will?", em G. Gerbner, C. Ross e E. Zigler (orgs.), <I>Child abuse: An agenda    for Action</I>, Nova Iorque, Oxford University Press, pp. 3-34. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000391&pid=S0873-6529200000030000700063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zigler, E. e W. N. Hall (1989), "Physical child abuse in America: past, present,    and future", em Dante Cicchetti e Vicki Carlson (orgs.), <I>Child Maltreatment:    Theory and Research on the Causes and Consequences of Child Abuse and Neglect</I>,    Nova Iorque, Cambridge University Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000392&pid=S0873-6529200000030000700064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><sup><a name="back1" id="back1"></a><a href="#top">*</a></sup>Manuela Calheiros.    Assistente de Psicologia Social no ISCTE, Departamento de Psicologia Social    e das Organiza&ccedil;&otilde;es. <I>E-mail</I>: <A HREF="mailto:maria.calheiros@iscte.pt">Maria.Calheiros@iscte.pt</A></p>     <p> <a name="back2"></a><a href="#top">**</a>Maria Benedicta Monteiro. Professora    Catedr&aacute;tica de Psicologia Social no ISCTE, Departamento de Psicologia    Social e das Organiza&ccedil;&otilde;es. <I>E-mail</I>: <A HREF="mailto:mbbm@iscte.pt">mbbm@iscte.pt</A>  </p>      ]]></body><back>
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