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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Da insolência à obediência: alterações nas atitudes dos despossuídos (1900-1945)]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[  <BASEFONT SIZE="3">     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> </FONT><FONT COLOR="#1f1a17"><B><a name="top"></a>DA    INSOL&#202;NCIA &#192; OBEDI&#202;NCIA</B> </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> <B>Altera&#231;&#245;es nas atitudes dos    despossu&#237;dos (1900-1945)</B> </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> <I>Eduardo Cintra Torres <a href="#back">*</a>    </I></FONT></P>     <BR> <FONT COLOR="#1f1a17"><B>&#147;Aquela onda de insol&#234;ncia&#148;</B> </FONT>    <BR>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A chegada do capitalismo aos campos e o    crescimento do operariado urbano motivaram atitudes de desafio por parte dos    despossu&#237;dos que observadores da &#233;poca e detentores do poder identificaram    como insol&#234;ncia. Privilegiando as fontes liter&#225;rias, descrevem-se    na primeira parte deste ensaio manifesta&#231;&#245;es dessa insol&#234;ncia    em Portugal; anotam-se as diferen&#231;as entre operariado e popula&#231;&#227;o    urbana, por um lado, e trabalhadores rurais, por outro lado, nas primeiras d&#233;cadas    do s&#233;culo XX;<a name="top1"></a> e, na segunda parte, verifica-se como,    perante o estabelecimento da ditadura e o &#147;apavorante&#148; desemprego,    os despossu&#237;dos abandonaram a luta pol&#237;tica e adoptaram estrat&#233;gias    individuais e colectivas que escondiam a insol&#234;ncia.<FONT COLOR="#1f1a17"><SUP><a href="#1">1</a></SUP></FONT>    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Escolheu-se como &#233;poca as primeiras    quatro d&#233;cadas do s&#233;culo XX, per&#237;odo em que a insol&#234;ncia    e depois a obedi&#234;ncia surgem em pleno nos comportamentos sociais espelhados    na literatura. S&#227;o atitudes que ocorrem longe do mundo pequeno da gest&#227;o    da pol&#237;tica nacional, sem calend&#225;rios ajustados nem consci&#234;ncia,    pelo que os factos mais relevantes a tomar como pano de fundo s&#227;o a &#147;domestica&#231;&#227;o&#148;    do mundo rural pelo poder liberal, a irrup&#231;&#227;o do proletariado nas    grandes cidades (a literatura consultada refere-se especialmente a Lisboa),    a vit&#243;ria da repress&#227;o sobre o movimento oper&#225;rio a partir de    1926 e a recess&#227;o econ&#243;mica sentida a partir de 1929. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Nas &#250;ltimas d&#233;cadas do s&#233;culo    XIX e no in&#237;cio do s&#233;culo XX a literatura regista formas populares    de resist&#234;ncia &#224;s novas rela&#231;&#245;es de propriedade e &#224;    afirma&#231;&#227;o do primado do regime judicial burgu&#234;s e liberal. Surgem    novas formas de resist&#234;ncia, apol&#237;ticas, quer individuais quer colectivas,    como &#147;a pregui&#231;a&#148;, que fora todavia estruturada politicamente    por Paul Lafargue, no muito divulgado <I>Direito &#224; Pregui&#231;a</I>, de    1880. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Para Lafargue, o amor dos prolet&#225;rios    ao trabalho era uma &#147;estranha loucura&#148;: &#147;Esta loucura consiste    no amor ao trabalho, na paix&#227;o moribunda pelo trabalho, levada ao extremo    aniquilamento das for&#231;as vitais do indiv&#237;duo e dos seus descendentes&#148;    (p. 15). O objectivo do seu premonit&#243;rio op&#250;sculo de propaganda era    o de combater, n&#227;o pelo direito ao trabalho, mas pelo direito dos oper&#225;rios    &#147;embrutecidos pelo trabalho, (que) produzem como man&#237;acos&#148; (p.    66), ao lazer e ao consumismo: &#147;&#233; preciso domar a extravagante paix&#227;o    dos oper&#225;rios pelo trabalho e obrig&#225;-los a consumir as mercadorias    que produzem&#148; (p. 48). </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A &#147;pregui&#231;a&#148; politizada,    resultante da consciencializa&#231;&#227;o individual ou colectiva de que era    poss&#237;vel mudar a ordem das coisas, &#233; um facto perscrut&#225;vel na    sociedade portuguesa a partir do in&#237;cio do s&#233;culo XX. A esta premeditada    indol&#234;ncia veio juntar-se a <I>irrever&#234;ncia</I> ou <I>insol&#234;ncia</I>    dos pobres face aos ricos, atitudes individuais inicialmente ressentidas por    representantes das classes possidentes como uma &#147;trai&#231;&#227;o&#148;    a uma ancestral rela&#231;&#227;o de confian&#231;a entre patr&#245;es e empregados.</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> &#201; o fim das &#147;fam&#237;lias&#148;,    conceptuais ou reais, englobando senhores e servi&#231;ais e empregados no campo,    ou industriais e seus oper&#225;rios. O patr&#227;o e o oper&#225;rio afastam-se,    sem regresso. Longe ficar&#225; o tempo em que a <I>Revista Universal Lisbonense</I>,    de 20 de Setembro de 1849, podia escrever: &#147;O maior amigo do oper&#225;rio    &#233; o fabricante e o maior amigo do fabricante &#233; o oper&#225;rio&#148;    (Mendes, 1994: 493). O<I> Chapeleiro</I>, em 1905, recordava aos leitores que    &#147;nos antigos tempos, o patr&#227;o e o oper&#225;rio viviam familiarmente&#148;    e que j&#225; n&#227;o podiam apreciar o patr&#227;o mesmo que este fosse amigo:    &#147;ser&#227;o muito boas pessoas individualmente falando, mas h&#225; sempre    enorme diferen&#231;a, a que vai entre o que explora e o que &#233; explorado&#148;.    Era diferente agora: &#147;O ego&#237;smo tudo modifica, fazendo desaparecer    todo o sentimento de bondade&#148; (<I>idem</I>: 275). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Em 1930, o fil&#243;sofo Ortega y Gasset    explicava o novo fen&#243;meno d&#146; <I>A Rebeli&#227;o das Massas</I>: &#147;as    massas exercitam hoje um repert&#243;rio vital que coincide, em grande parte,    com o que antes parecia reservado exclusivamente &#224;s minorias; (&#133;)    tornaram-se ind&#243;ceis frente &#224;s minorias; n&#227;o lhes obedecem, n&#227;o    as seguem, n&#227;o as respeitam, e, pelo contr&#225;rio, olham-nas de lado    e ocupam-lhes o lugar&#148; (p. 55). Nas primeiras d&#233;cadas do s&#233;culo    perdeu-se &#147;todo o respeito, toda a aten&#231;&#227;o&#148; para com o passado:    &#147;pela primeira vez encontramo-nos com uma &#233;poca que faz t&#225;bua    rasa de todo o classicismo, que n&#227;o reconhece, em nada pret&#233;rito,    um poss&#237;vel modelo ou uma poss&#237;vel norma&#148; (p. 67). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A mesma falta de &#147;todo o respeito&#148;    atribu&#237;a pela mesma altura Fernando Pessoa no <I>Livro do Desassossego</I>    ao &#147;empregado de com&#233;rcio&#148; Bernardo Soares: &#147;Perten&#231;o    a uma gera&#231;&#227;o &#151; ou antes a uma parte de gera&#231;&#227;o &#151;    que perdeu todo o respeito pelo passado e toda a cren&#231;a ou esperan&#231;a    no futuro. Vivemos por isso do presente com a gana e a fome de quem n&#227;o    tem outra casa&#148;. E Pessoa dizia que, se fosse oper&#225;rio ou de outra    classe desprotegida, seria anarquista: &#147;Ser&#237;amos anarquistas se tiv&#233;ssemos    nascido nas classes que a si pr&#243;prias chamam desprotegidas, ou em outras    quaisquer de onde se possa descer ou subir&#148; (Pessoa, 1998: 469-470 e 428).    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Tamb&#233;m para Ortega (1997) o homem-massa    vive a urg&#234;ncia do presente, n&#227;o tem projectos de futuro, &#147;&#233;    o homem cuja vida carece de projecto e que anda &#224; deriva&#148; (p. 78).    Ortega verificava que mudava a atitude das massas perante os direitos e as inven&#231;&#245;es    que o s&#233;culo XIX tinha posto &#224; disposi&#231;&#227;o de uma pequena    minoria: &#147;o que antes se considerara como um benef&#237;cio da sorte que    inspirava humilde gratid&#227;o para com o destino, converteu-se num direito    que n&#227;o se agradece, antes se exige. Desde 1900 come&#231;a tamb&#233;m    o oper&#225;rio a ampliar e a assegurar a sua vida. Sem embargo, tem que lutar    para consegui-lo&#148; (p. 83). Essas &#147;massas mimadas&#148; (p. 86) destroem    para garantir o que acham ser os seus direitos: &#147;nos motins que a escassez    provoca buscam as massas populares p&#227;o, e o meio que empregam para isso    &#233; destruir as padarias&#148; (p. 87). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A massa dos &#147;insolentes&#148; (p.    202) &#233; &#147;ind&#243;cil&#148;, &#147;mais forte que a de qualquer outra    &#233;poca, mas, ao contr&#225;rio da tradicional, herm&#233;tica sobre si mesma,    incapaz de ouvir algu&#233;m ou alguma coisa, crendo que se basta a si mesma&#148;    (pp. 92-93). &#147;O homem vulgar, antes dirigido, resolveu governar o mundo&#148;    (p. 118) e n&#227;o &#233; de estranhar que &#147;triunfe a viol&#234;ncia&#148;,    pois assentou-se num &#147;processo da viol&#234;ncia como norma&#148; (p. 135).</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Um factor essencial na insatisfa&#231;&#227;o    geral dos indiv&#237;duos foi a difus&#227;o da informa&#231;&#227;o, no caso    portugu&#234;s &#147;a <I>explos&#227;o de comunica&#231;&#245;es</I> que teve    lugar na sociedade portuguesa a partir de meados de 1880&#148;, como refere    Herm&#237;nio Martins (1998: 75). A explos&#227;o de t&#237;tulos de imprensa,    n&#227;o s&#243; em Lisboa e Porto como em dezenas de outras cidades e vilas    do pa&#237;s, exponenciava a informa&#231;&#227;o, o que s&#243; por si &#233;    gerador de insatisfa&#231;&#227;o, conforme j&#225; notava o original romancista    Thomas Love Peacock, em 1831, citando o jornal <I>Morning Chronicle</I>: &#148;O    descontentamento dos trabalhadores no nosso tempo &#233; mais uma prova da superior    informa&#231;&#227;o que eles det&#234;m do que da deteriora&#231;&#227;o&#148;    da sua condi&#231;&#227;o (p. 251). A imprensa foi uma arma utilizada eficazmente,    n&#227;o s&#243; pelos republicanos no poder como por todas as suas oposi&#231;&#245;es,    fossem mon&#225;rquicas, conservadoras ou anarco-sindicalistas. A imprensa era    insolente. </FONT></P>     <P ALIGN="CENTER"><FONT COLOR="#1f1a17"> * * * </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> No s&#233;culo XIX acelera-se a chegada    da &#147;cidade&#148; aos campos atrav&#233;s do caminho-de-ferro, da estrada    e do jornal. O liberalismo chegava com a privatiza&#231;&#227;o dos baldios    e florestas. E o estado burgu&#234;s chegava com a aplica&#231;&#227;o da justi&#231;a    que justificava essa nova propriedade privada do que fora comum. Com o seu aparelho    judicial e as suas leis, &#233; a burguesia que passa a gerir a contida viol&#234;ncia    do mundo campon&#234;s. A viol&#234;ncia alde&#227; ser&#225; domesticada durante    o s&#233;culo XIX (Vaquinhas, 2001), mas a insol&#234;ncia manter-se-&#225;,    ou at&#233; aumentar&#225;, com a mudan&#231;a das rela&#231;&#245;es sociais    e de trabalho. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Fornecendo ao estado os mancebos e os impostos,    este mundo rural n&#227;o precisara de pol&#237;cia. Fazia ele a gest&#227;o    dos conflitos violentos. &#201; o que diz um relat&#243;rio oficial de 1872    do distrito de Coimbra: &#147;a maior parte dos crimes praticados no distrito    (&#133;) n&#227;o v&#234;m ao conhecimento das autoridades, por n&#227;o haver    pol&#237;cia regularmente organizada, nem ainda nas terras principais do distrito&#148;    (Vaquinhas, 1995: 288). Em 1900, as guardas municipais empregavam 2100 homens    e a guarda fiscal cerca de 4700, mas no resto do pa&#237;s o governo n&#227;o    mantinha pol&#237;cia (Ramos, 1994: 96) </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Era a legisla&#231;&#227;o burguesa que    definia novos crimes, gerando a perplexidade dos prevaricadores. Contrariando    a tradi&#231;&#227;o, a lei originava descren&#231;a e inseguran&#231;a. A justi&#231;a    burguesa opunha-se &#224; justi&#231;a n&#227;o escrita que cimentava a vida    quotidiana e secular dos campos. Num tribunal de Coimbra, ap&#243;s a leitura    da senten&#231;a dum delito em que incorrera por ter lan&#231;ado gados em terra    alheia, uma Maria Ramalha gritara, &#147;em altas vozes&#148;, que &#147;a justi&#231;a    lhe <I>roubaba</I> a sua justi&#231;a&#148; (Vaquinhas, 1995: 123). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> As estat&#237;sticas apontam para o aumento    nesta &#233;poca do crime contra a propriedade &#151; aumentava a propriedade    privada e aumentava o interesse do aparelho judicial por este tipo de crimes.    Um estudioso escrevia em 1897 que o crime de sangue &#151; o crime que a aldeia    conhecia e &#147;geria&#148; &#151; ia diminuindo nas estat&#237;sticas, mas    que aumentava &#147;o crime de menor gravidade aparente, aquele que pouco a    pouco cai corroendo e desorganizando a sociedade (&#133;), calcando o dever,    a honra e a moral&#148; (Vaquinhas, 1995: 280).</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Os novos deveres, honra e moral da burguesia    infiltravam-se nos campos e faziam dos tribunais o novo local para a sua resolu&#231;&#227;o:    mas custou a imp&#244;-los. A popula&#231;&#227;o de Arzila, perto de Coimbra,    em 1899, expulsou selvaticamente dois representantes judiciais (&#224; pedrada    e com forquilhas, gritou: &#147;arrenquemos-lhes os test&#237;culos&#148;).    A popula&#231;&#227;o adulta foi levada, toda ela, ao tribunal. Os arguidos    recusaram-se a colaborar com o tribunal (Ramos, 1994: 88). Uma velha foi t&#227;o    cumpridora do pacto alde&#227;o que a todas as perguntas, incluindo as de nome,    idade, estado, naturalidade e resid&#234;ncia, respondeu apenas: &#147;N&#227;o    sei&#148;. &#147;A pobre da ignorante agarrou-se ao bord&#227;o do n&#227;o    sei, n&#227;o havendo meios de a afastar duma tal obstina&#231;&#227;o&#148;,    comentou <I>O Conimbricense, </I>assim interpretando como ignor&#226;ncia o    facto de a velha se recusar a participar no julgamento por uma entidade exterior    ao seu mundo rural (Vaquinhas, 1995: 439). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Com a &#147;pequena criminalidade&#148;    controlada pelo aparelho judicial (Vaquinhas, 1995: 290), com o aumento do policiamento    nos campos (a introdu&#231;&#227;o da Guarda Nacional Republicana no Alentejo    pelos governos do Partido Democr&#225;tico), com o aumento dos crimes contra    a propriedade (a tornarem necess&#225;rio o policiamento), a &#147;cidade&#148;    infiltra os seus costumes no mundo rural. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> D&#227;o-se, pois, dois choques: o dos    campos contra as normas de nacionaliza&#231;&#227;o da vida econ&#243;mica e    social e da progressiva impregna&#231;&#227;o de valores urbanos e o choque    dos pobres do mundo rural contra os ricos do mundo rural. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Os trabalhadores rurais criam, devido &#224;    &#147;invas&#227;o&#148; de valores urbanos, formas de resist&#234;ncia que    desembocam em alguma forma de contesta&#231;&#227;o pol&#237;tica, apesar da    falta de consist&#234;ncia te&#243;rica e apesar da personaliza&#231;&#227;o    da conflitualidade. Os conflitos s&#227;o personalizados no representante deste    ou daquele partido no tempo da monarquia, s&#227;o relacionados com a bipartidariza&#231;&#227;o    do per&#237;odo mon&#225;rquico, e n&#227;o se transformam em contesta&#231;&#227;o    republicana. Nem isso teria sentido, pois os republicanos representavam precisamente    os valores burgueses que os pobres dos campos poderiam querer contestar. Da&#237;    que os republicanos n&#227;o tenham conseguido penetrar no pa&#237;s rural,    &#224; excep&#231;&#227;o do mais aberto aos valores urbanos, no distrito de    Lisboa. O mundo rural resistia aos valores dos republicanos, n&#227;o por serem    republicanos mas por serem burgueses. A insol&#234;ncia rural defendia a tradi&#231;&#227;o.    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Mas na forma como os pobres dos campos    tratavam os seus superiores (patr&#245;es, propriet&#225;rios, agentes do poder),    o mundo rural n&#227;o foi diferente do urbano: o pobre substitu&#237;a o sil&#234;ncio    pela palavra de afrontamento. Desaparecia a rela&#231;&#227;o de mundos diferentes    que se toleram, como na rela&#231;&#227;o de Raul Brand&#227;o com o velho caseiro    (&#147;h&#225; oitenta anos que ele paga a renda&#148;), que aceita a mis&#233;ria    e contrariedade da vida: &#147;Olho para ele. Nunca nos pudemos entender, separa-nos    uma l&#233;gua de comprido. Eu pergunto, ele responde como se falasse do fundo    do po&#231;o&#148; (Brand&#227;o, 1966: 399). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Em 1909 um observador atento, Ant&#243;nio    de Oliveira Salazar, sabe que estar no fundo do po&#231;o n&#227;o significa    desaten&#231;&#227;o pelas novas realidades: &#147;O povo &#233; cego, o povo    n&#227;o v&#234;. Ou pelo contr&#225;rio, o povo v&#234; mas faz-se cego, o    povo ouve mas faz-se surdo&#148; (Salazar, 1997: 67). </FONT></P>     <P> </P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Faltava deixar de lado a cegueira e a surdez.    Raul Brand&#227;o descreve a mudan&#231;a de atitude na sua rela&#231;&#227;o    com o caseiro: &#147;H&#225; dias em que tenho medo. Ontem encontrei-o no caminho    e p&#244;s-se a olhar para mim com espanto, como se me visse pela primeira vez.    P&#244;s-se a olhar para mim como se deparasse com o meu verdadeiro ser de ego&#237;smo,    de homem que n&#227;o se atreve, de homem in&#250;til que sabe e n&#227;o se    atreve, e que Deus um dia vomita porque n&#227;o passa dum simulacro&#148; (Brand&#227;o,    1966: 400). </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Morre uma sociedade: &#147;Antigamente,    no Minho todas as mulheres do povo fiavam e eu ainda cheguei a conhecer algumas    senhoras que fiavam &#224; lareira, com as criadas. Hoje (1920) &#233; rar&#237;ssimo    encontrar-se uma mulher de roca &#224; cinta&#148; (<I>idem</I>: 457). As criadas    e as senhoras j&#225; n&#227;o se encontravam ao ser&#227;o. Desapareciam, &#147;e    isto dum dia para o outro, as bases duma exist&#234;ncia que parecia indestrut&#237;vel&#148;    (<I>ibidem</I>: 458). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Na mesma altura (1925-27), Brito Camacho    recordava os tempos da sua inf&#226;ncia alentejana, nos anos 80 do s&#233;culo    XIX: &#147;Naquele tempo ainda o lavrador era uma esp&#233;cie de patriarca,    respeitado de todos, querido do maior n&#250;mero, excepto quando abusava do    que Deus lhe dera, soberbo e ego&#237;sta, para fazer sentir aos pobres, com    dureza, os caprichos da fortuna&#148; (Camacho, 1988: 41). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Nas rela&#231;&#245;es entre os pobres    e a sua fam&#237;lia de propriet&#225;rio identifica o que se alterara desde    o tempo em que todos os pobres pediam esmola &#147;com respeito&#148; e &#147;rezavam    um padre-nosso e uma av&#233;-maria por inten&#231;&#227;o&#148; dos benfeitores:    &#147;os homens sobretudo, quase pediam trabalho como se pedia esmola, nos mesmos    termos de humildade respeitosa, e longe de invejarem a fortuna alheia, o que    desejavam era que os ricos fossem cada vez mais ricos, em termos que nunca lhes    faltassem com o trabalho na validez, e com a esmola na arruinada velhice &#151;    <I>Deus lhes acrescente o que t&#234;m para repartirem com os pobres</I>, e    o trabalho remunerado j&#225; eles o consideravam como que uma co-participa&#231;&#227;o,    a &#250;nica a que vagamente se reputavam com direito na simplicidade rudimentar,    primitiva, do seu esp&#237;rito!&#148; E Camacho assim termina esta mem&#243;ria:    &#147;A que infinita dist&#226;ncia este tempo me fica!&#148; (Camacho, 1988:    42). Era a mesma dist&#226;ncia que separava a <I>Revista Universal Lisbonense</I>    de 1849 do <I>Chapeleiro</I> de 1905. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ao mesmo tempo que se verifica a estrutura&#231;&#227;o    de descontentamentos atrav&#233;s do crescimento das organiza&#231;&#245;es    de trabalhadores (neste caso no Alentejo), desde o in&#237;cio do s&#233;culo,    mas principalmente ap&#243;s a Rep&#250;blica, verifica-se uma altera&#231;&#227;o    no relacionamento entre ricos e pobres, como se l&#234; em Brito Camacho. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Para Manuel Ribeiro, colaborador d&#146;<I>A    Batalha</I> e autor de romances favor&#225;veis &#224; Igreja, a revolta n&#227;o    era contra o latif&#250;ndio: &#147;A todos ro&#237;a uma ambi&#231;&#227;o:    ter. Ter terra, uma morada de casas, carro e parelha de bestas. Mas, por desgra&#231;a,    a terra ainda estava toda em regime latifundi&#225;rio&#148;. E, mesmo assim,    acrescentava em <I>Plan&#237;cie Her&#243;ica</I>, de 1927, &#147;ningu&#233;m    se insurgia. Tudo achava leg&#237;tima a posse: cada um &#233; senhor daquilo    que &#233; seu&#148; (p. 27). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Na ambi&#231;&#227;o de ter, os assalariados    opunham-se aos que j&#225; tinham. Exigiam, respondiam, assumiam o direito &#224;    palavra. Para a classe dos propriet&#225;rios e burgueses, habituados ao sil&#234;ncio    que Raul Brand&#227;o descobria no seu caseiro, a nova atitude definia-se como    &#147;falta de respeito&#148; e &#147;insol&#234;ncia&#148;.</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Em <I>O Homem que Perdeu o Passado</I>    (1932), de Assis Esperan&#231;a, um propriet&#225;rio rural queixa-se ao vizinho:    &#147;O fen&#243;meno da falta de respeito &#233; que me d&#243;i. Ainda sou    do tempo em que os criados se mostravam agradecidos a quem lhes mostrava trabalho,    que o mesmo &#233; dizer o seu e o sustento da fam&#237;lia. Agora &#233; v&#234;-los!    (&#133;) &#201; que chegam a detestar-nos. Invejosos, como se n&#243;s f&#244;ssemos    os culpados da vida que levam, o menos que se tornam &#233; manhosos. Eu, logo    que possa, (&#133;) arrendo as terras e vou viver para a cidade. Perdi a paci&#234;ncia,    compreende?, para os suportar, quando, pela ordem natural das coisas, deviam    ser eles a aturar-me. Estou pelo que perguntamos uns aos outros: para onde teria    ido a humildade de toda esta gente?&#148; (pp. 261-262). Desaparecera no tempo,    como escrevera Brito Camacho. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> E em 1943 Miguel Torga tamb&#233;m descobria    um povo rural que j&#225; n&#227;o era o que fora, e o mesmo conselho para o    propriet&#225;rio se tornar absentista poderia estar neste <I>O Senhor Ventura:    </I>&#147;hoje em dia fia tudo mais fino. O pessoal j&#225; tem os olhos mais    abertos, os gastos s&#227;o muitos, as terras est&#227;o cansadas&#133; Veja    se tira para as despesas, que j&#225; anda com muita sorte&#133;&#148; (p. 120).    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Com &#147;os olhos mais abertos&#148;,    o &#147;pessoal&#148; podia &#147;sofismar o seu contrato&#148;, como notava    Brito Camacho, comparando os anos 20 com a sua meninice: &#147;Os trabalhadores    rurais n&#227;o tinham organiza&#231;&#227;o corporativa, nem faziam ideia do    que isso fosse; procuravam, naturalmente, melhorar os seus sal&#225;rios, mas    quando se ajustavam, n&#227;o sofismavam o seu contrato, fazendo o que hoje    se chama a greve de bra&#231;os ca&#237;dos, e que consiste em n&#227;o trabalhar,    fingindo que se trabalha&#148; (Camacho, 1988: 67). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Este direito &#224; pregui&#231;a &#233;    de facto identificado por Camacho quando recorda o tio Rosa, criado e compadre    do seu pai: &#147;Fossem l&#225; dizer-lhe que a pregui&#231;a &#233; um protesto    leg&#237;timo contra a exiguidade dos sal&#225;rios, uma arma que o trabalho    tem de empregar contra o capital, n&#227;o podendo for&#231;&#225;-lo a uma    remunera&#231;&#227;o justa ou equitativa&#148; (<I>idem</I>: 42). &#147;Os    tempos, hoje, s&#227;o muito diferentes: os homens ganham muito mais e trabalham    menos, e por muito pouco que trabalhem ainda reputam ex&#237;guo o seu sal&#225;rio&#148;    (<I>ibidem</I>: 65). </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A mandriice era uma das formas de resist&#234;ncia    passiva ao poder, muito frequente, tamb&#233;m expressa no alheamento das elei&#231;&#245;es    &#151; que n&#227;o diziam respeito nem alteravam a vida do campo &#151;, nas    fugas ao fisco, &#224; escola e &#224; tropa. Era uma forma individual de resist&#234;ncia,    uma forma de &#147;luta&#148; que n&#227;o implicava organiza&#231;&#227;o,    um fen&#243;meno silencioso que se insinua na hist&#243;ria do povo portugu&#234;s    no s&#233;culo XX e se vai encontrando nos relatos liter&#225;rios e livros    de mem&#243;rias. Est&#225; por exemplo nesse chico-esperto que &#233; <I>O    Malhadinhas</I>, de Aquilino Ribeiro, escrito na fase final da &#147;sua&#148;    Rep&#250;blica: &#147;Raios partam o governo mailos governados, raios partam    tanto tributo com que a gente de bem tem de ustir para andar a&#237; meia d&#250;zia    de figur&#245;es, de costa direita, mais far&#243;fias que pitos cal&#231;udos!    Raios partam! O governo &#233; um corpo da guarda que nos defende ou &#233;    a quadrilha do olho vivo que n&#227;o faz sen&#227;o roubar? Quem lhe encomenda    o serm&#227;o?!&#148; (1994: 154). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Estar&#225; a insol&#234;ncia ligada &#224;    &#147;descatoliza&#231;&#227;o&#148;, que Oliveira Martins j&#225; mencionava    em rela&#231;&#227;o &#224;s classes m&#233;dias em 1885? (Ramos, 1994: 258)    A resposta das fontes liter&#225;rias &#233; afirmativa, mesmo que o censo de    1891 indicasse que 99,8% dos portugueses se declaravam cat&#243;licos, colocando    Portugal como o pa&#237;s mais cat&#243;lico da Europa (Carqueja, 1919: 88).</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O anticlericalismo n&#227;o era especificidade    do republicanismo, que fez sua bandeira desse movimento subterr&#226;neo da    sociedade. De facto, a reac&#231;&#227;o anticlerical e anticat&#243;lica n&#227;o    era monop&#243;lio dos ma&#231;ons e dos militantes. Eram frequentes os actos    de desrespeito &#224; Igreja e sua doutrina, com origem em todas as classes    sociais. A Igreja queixava-se da pouca assiduidade, principalmente dos homens,    &#224; missa e aos sacramentos, quer nas grandes cidades, quer no Sul do pa&#237;s.    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Em 1880 Camilo Castelo Branco descrevera    um grupo de oper&#225;rios portuenses que assiste &#224; sa&#237;da dum baile,    &#147;com a neblina do Douro, de madrugada&#148;. Depois da tirada dum oper&#225;rio    contra a &#147;corja de vadios&#148;, um &#147;velho magro&#148; murmura: &#147;E    dizem que h&#225; Deus!&#148; E outro: &#147;Para n&#243;s o que h&#225; &#233;    o diabo!&#148; (Lima, 1989: 193). Em 1903, &#233; tamb&#233;m no Porto que Jo&#227;o    Grave p&#245;e na boca de oper&#225;rios no enterro dum companheiro: &#147;&#151;    Deus se lembre da pobre vi&#250;va e dos filhos! &#151; Ora, Deus! &#151; acudiu    um companheiro. Que o leve o Diabo. Bem se importa esse figur&#227;o com a gente    pobre!&#148; (<I>idem</I>: 210). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A insol&#234;ncia e o abandono da religi&#227;o    aparecem igualmente ligados em <I>O Sal&#250;stio Nogueira</I>, de Teixeira    de Queir&#243;s (edi&#231;&#227;o de 1909), com ac&#231;&#227;o em Lisboa: &#147;De    manh&#227; cedo (Angelina) sa&#237;a com o fim de ir &#224; missa, na igreja    mais perto, que era a de S. Paulo. Quando se encontrava na rua populosa e na    igreja cheia de povo, sentia maior isola&#231;&#227;o do que estando s&#243;,    em casa! (&#133;) A rapaziada daquela hora, criados de servir e mar&#231;anos,    que, mesmo durante a missa, se conservavam &#224; porta da igreja fumando charutos    baratos, com ar janota e provocante, dirigiam-lhe cumprimentos, que ela repelia    timidamente, passando em sil&#234;ncio. Este contacto com uma multid&#227;o    insolente e irreligiosa rebaixava-a (&#133;)&#148; (Queir&#243;s, 1909: 54-55).    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Manuel Ribeiro, numa obra de 1919, escrevia    que os oper&#225;rios eram todos &#147;irreverentes e incr&#233;dulos&#148;    &#151; de novo ligando a insol&#234;ncia ao afastamento das igrejas. &#147;N&#227;o    se portam como crist&#227;os&#148;, acrescenta o personagem de <I>A Catedral</I>,    para perguntar: &#147;Que outra coisa h&#225; a esperar de gente desta, educada    sem religi&#227;o na atmosfera &#237;mpia das cidades?&#148; (p. 174). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Mas o fen&#243;meno tamb&#233;m surge na    literatura com enredo nas zonas rurais. Em <I>Plan&#237;cie</I> <I>Her&#243;ica</I>,    do mesmo Manuel Ribeiro, um personagem explica ao p&#225;roco por que n&#227;o    v&#227;o os homens &#224; missa: &#147;As mulheres &#233; que fazem isso p&#146;la    gente macha&#148;, diz um personagem a um p&#225;roco (Ribeiro, 1979: 94). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Aquilino &#233; conciso, em 1922, ao p&#244;r    na boca do <I>Malhadinha</I>s um <I>fait accomplit</I>: &#147;Os templos por    esse mundo est&#227;o &#224;s moscas&#148; (p. 153). Escrevendo sobre essa &#233;poca,    Aquilino referia em <I>O Arcanjo Negro</I>: &#147;o povo ao mesmo tempo descristianizava-se&#148;,    &#147;o alde&#227;o deixara de acreditar no Diabo e andava muito desconfiado    que n&#227;o era Deus que governava o mundo&#148; (Ribeiro, 1939-40: 155). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O escritor Manuel Laranjeira, depois de    um encontro em Agosto de 1908 com Miguel de Unamuno, que teimava em integrar    a religi&#227;o no seu edif&#237;cio filos&#243;fico, escrevia no seu <I>Di&#225;rio    &#205;ntimo </I>o que lhe parecia ser a evid&#234;ncia que escapava ao escritor    espanhol: &#147;A f&#233; morreu&#148; (Laranjeira, 1908: 271). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Teixeira de Pascoaes, em 1912, via no fen&#243;meno    uma contrariedade para a cria&#231;&#227;o do seu Portugal ut&#243;pico, ao    referir &#147;a cultura religiosa do Povo que se tem abastardado, num grosseiro    cepticismo&#148; (Pascoaes, 1993: 83). Em 1930, no <I>Livro do Desassossego</I>,    Fernando Pessoa dava assim in&#237;cio ao seu retrato interior: &#147;Nasci    em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a cren&#231;a em Deus,    pela mesma raz&#227;o que os seus maiores a haviam tido &#151; sem saber porqu&#234;&#148;    (p. 45). O operariado, classe sem passado nem devir, sabia porqu&#234;: &#147;Para    mim n&#227;o h&#225; depois&#148;, diz o Vagabundo de Manuel Laranjeira em <I>&#133;    Amanh&#227;</I> (Laranjeira, 1902: 90).</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="CENTER"><FONT COLOR="#1f1a17"> * * * </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Nas cidades, sede do poder pol&#237;tico,    econ&#243;mico e cultural da burguesia, sede tamb&#233;m duma nova classe, oper&#225;ria,    avessa ao paternalismo e &#224; moral e organiza&#231;&#227;o cat&#243;licas,    todos os fen&#243;menos que se encontravam nos campos eram mais patentes e transformavam-se    mesmo em factor de altera&#231;&#227;o da ordem das coisas ao adquirirem cariz    pol&#237;tico. A plebe das cidades tornou-se o &#147;bom povo republicano&#148;    e estava mobiliz&#225;vel para a viol&#234;ncia pol&#237;tica. Foi o que sucedeu    a partir de 1904 (Valente, 1974). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Mas a viol&#234;ncia da &#147;canalha&#148;,    como lhe chamava Francisco Homem Cristo em 1909 (Ramos, 1994: 266), era diferente    da que se manifestava nos campos. Esta visava manter o <I>status</I> <I>quo</I>,    criar a ordem com a desordem, sendo por isso uma viol&#234;ncia domesticada,    intramuros ou de aldeia para aldeia, sem p&#244;r em causa a ordem social, pelo    menos enquanto a justi&#231;a do estado n&#227;o quis ela mesma dirimir os conflitos.    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Na cidade, a viol&#234;ncia n&#227;o se    circunscrevia &#224; estrutura do grupo, antes se orientava contra outros grupos.    As folias do Carnaval na mudan&#231;a do s&#233;culo revelam essa diferen&#231;a.    Nos campos, e por d&#233;cadas futuras ainda, o Entrudo era um momento de transgress&#227;o    calendarizada, aceite por todos, uma catarse de puls&#245;es, a purga necess&#225;ria    ao regresso &#224; ordem, um momento de igualdade e de liberdade para todos,    aceite pelos poderosos. Na cidade, o Carnaval transformou-se numa forma de &#147;luta    de classes&#148;, com uma insol&#234;ncia e irrever&#234;ncia (e montras de    lojas partidas) que assustavam os burgueses. Os exageros do Carnaval urbano    foram regulamentados e domesticaram-se os festejos, com a cria&#231;&#227;o    dos desfiles (Ramos, 1994: 81-82). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Na capital, as rela&#231;&#245;es sociais    alteraram-se num &#225;pice. Nos primeiros anos do s&#233;culo XX, ainda era    poss&#237;vel a fidalguia misturar-se &#151; &#147;sem se misturar&#148; &#151;    com o povo das ruas na sua pr&#243;pria casa. &#201; o que relata a <I>Novela    do Amor Humilde</I>, de Norberto de Ara&#250;jo, com ac&#231;&#227;o cerca de    1906 no Arco de S. Vicente, &#147;com a sua fidalguia antiga, do tempo em que    ela sabia confundir-se com o povo, sem se misturar&#148;. O filho da fidalga    organiza um baile: &#147;juntou-se toda a gente do s&#237;tio. Era uma novidade.    (&#133;) No sal&#227;o do primeiro andar, (&#133;) reunira-se a fam&#237;lia    da casa, que improvisou tamb&#233;m o seu S. Jo&#227;o, e com ela os primos    Lapas, os Sampaios, as primas (da Rua de) de Buenos Aires, a Mariquinhas, que    ia casar, e a Leonor a dirigir tudo. Mas a certa altura os rapazes da casa fugiram    l&#225; para baixo, &#145;para os oper&#225;rios&#146;&#148; (Ara&#250;jo, 1927:    57-65). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O conv&#237;vio n&#227;o significava que    o povo era cego, apenas que se fingia cego. Em 1900, Malheiro Dias publica um    romance, <I>Filho das Ervas</I>, sobre a (im)possibilidade de um filho-fam&#237;lia    da alta burguesia lisboeta casar com uma costureirita de quem teve um filho.    A atitude das personagens femininas populares n&#227;o &#233; a insol&#234;ncia    mas o desalento e a aceita&#231;&#227;o: &#147;Os pobres como n&#243;s s&#243;    t&#234;m uma coisa a fazer: deixarem-se ir. Deixe-se ir, senhora Aninhas. Tudo    vai ter ao mesmo s&#237;tio&#148;. Esse s&#237;tio era a mis&#233;ria, a doen&#231;a,    o sofrimento e a morte (citado em Serr&#227;o, 1978: 73).</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Contudo, havia muitos pobres a n&#227;o    quererem deixar-se ir. As altera&#231;&#245;es sociais, a organiza&#231;&#227;o    sindical e, depois, a Grande Guerra e com ela a fome e as epidemias, tornavam    imposs&#237;vel o conv&#237;vio da <I>Novela do Amor Humilde </I>que j&#225;    o <I>Amanh&#227;</I> de Abel Botelho (1901; datado de 1895-6) atirara para o    dom&#237;nio da utopia. Em 1918, Raul Brand&#227;o descrevia o Porto pobre com    uma epidemia de tabardilho e acrescentava: &#147;a gente pobre das ruas atira    com o piolho a quem passa ou para dentro das casas, dizendo: Os ricos tamb&#233;m    h&#227;o-de morrer!&#148; (Brand&#227;o, 1966: 441-2). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Era assim no Porto, mas em Lisboa, recordava    Brand&#227;o, &#147;aqui h&#225; tempos, as galerias atiraram moedas de pobre    sobre os deputados, gritando-lhes: Parasitas! Parasitas!&#148; Agora, os pobres    odiavam os ricos: &#147;Os jornaleiros come&#231;aram a olhar com desconfian&#231;a    os ricos. Pulularam as f&#225;bricas que influ&#237;ram nos costumes, na dissolu&#231;&#227;o    e na propaganda do &#243;dio contra a classe exploradora. A carestia da vida    chegou a equilibrar-se com o aumento dos sal&#225;rios, mas os sentimentos j&#225;    n&#227;o se equilibravam&#148; (Brand&#227;o, 1966: 454-457). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> No inqu&#233;rito de 1909-10 &#224;s associa&#231;&#245;es    de trabalhadores, o chefe da Reparti&#231;&#227;o do Trabalho Industrial notava    a falta de estrutura&#231;&#227;o ideol&#243;gica das reivindica&#231;&#245;es    dos oper&#225;rios: &#147;v&#234;-se que as suas aspira&#231;&#245;es cabem    dentro de limites restritos&#148;, poucas respostas &#147;deixam transparecer    reivindica&#231;&#245;es sobre outra distribui&#231;&#227;o de riquezas, ou    sobre a socializa&#231;&#227;o dos meios de produ&#231;&#227;o&#148;, mas j&#225;    refere que h&#225; &#147;palavras escritas com fel e &#243;dio, com m&#225;    vontade manifesta&#148; (Cabral, 1977: 194). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Por mais que o burgu&#234;s se achasse    comiserando, de facto, os sentimentos j&#225; n&#227;o se equilibravam. Para    ele, o oper&#225;rio era indolente e insatisfeito, queria sempre mais. Era o    que dizia um industrial no romance <I>A Burguesinha</I> de A. M. Lopes do Rego    (1925): &#147;O oper&#225;rio, presentemente, &#233; o maior inimigo do industrial!&#133;    Por mais que se lhe fa&#231;a, por mais que se lhe d&#234;, nunca fica satisfeito!&#133;&#148;.    &#147;Segunda-feira pouco se faz&#133; (na f&#225;brica). A maior parte do pessoal    n&#227;o comparece&#133;&#148; (Rego, 1925: 151). </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> &#147;Isto de dirigir oper&#225;rios nos    tempos que correm &#233; tarefa muito ingrata!&#148;, dizia um personagem de    <I>A Catedral</I>, ao que o outro respondia: &#147;Ah, certamente, replicou    o arquitecto. E ent&#227;o os que tenho aqui!&#133; S&#227;o todos sindicalistas!&#148;    (Ribeiro, 1919: 173). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Quando reclamavam ao governo, os latifundi&#225;rios    alentejanos queixavam-se sempre &#224; cabe&#231;a dos &#147;altos sal&#225;rios&#148;    e da &#147;insol&#234;ncia&#148; dos trabalhadores; s&#243; depois mencionavam    a carestia ou a falta de adubos. E os industriais de Lisboa e da Margem Sul,    antes das defici&#234;ncias do com&#233;rcio, queixavam-se do car&#225;cter    pouco submisso da m&#227;o-de-obra como o principal motivo das &#147;dificuldades    da ind&#250;stria&#148; (Telo, 1977: 103). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A insol&#234;ncia surgia mais facilmente    nas cidades do que nos campos, mas uma particularidade favorecia-a tamb&#233;m    nos meios rurais: a emigra&#231;&#227;o. Os agricultores queixavam-se de, com    a emigra&#231;&#227;o em massa, terem de elevar os sal&#225;rios a uma popula&#231;&#227;o    trabalhadora menos abundante e, portanto, menos d&#243;cil.</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O &#147;povo republicano&#148; dividia-se    em bons e maus: os que defendiam a propriedade privada e os que a atacavam.    Em 1910, a plebe de Lisboa defendera os bancos. Em 1916-17 as grandes cidades    e muitas localidades de prov&#237;ncia registaram centenas de assaltos e saques    pela plebe, promovidos pelos anarco-sindicalistas. &#147;&#201; preciso distinguir&#148;,    escrevia em 1925 Santos Gra&#231;a, director do <I>Poveiro</I>, da P&#243;voa    de Varzim. &#147;A CGT e <I>A Batalha</I> n&#227;o s&#227;o elementos da Rep&#250;blica&#148;.    &#147;O povo republicano n&#227;o &#233; aquele que protesta contra a propriedade    individual, nem aquele que altera a ordem com atentados pessoais. O povo republicano    n&#227;o &#233; aquele que solta vivas &#224; revolu&#231;&#227;o social&#148;    (S&#225;, 1986: 218). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Era preciso pol&#237;cia, &#147;o anjo-da-guarda    da gente rica&#148;, (Laranjeira, <I>&#133;Amanh&#227;</I>: 89). No or&#231;amento    de 1910-1911, a seguran&#231;a p&#250;blica &#151; pol&#237;cias, guardas municipais,    etc. &#151; ficava com 1,7% das verbas do estado. Nos anos conturbados do p&#243;s-guerra,    o or&#231;amento de 1918-19 dava &#224;s pol&#237;cias 7,4% dos dinheiros do    estado e no ano seguinte 7,6%. A &#147;normaliza&#231;&#227;o&#148; das rela&#231;&#245;es    sociais faria baixar as verbas com a pol&#237;cia para 2,1% no or&#231;amento    de 1926-1927. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Tinha-se instalado a insol&#234;ncia. Almada    Negreiros contava em 1926 o que sentiu ao regressar a Portugal em 1922 depois    de dois anos: &#147;Lisboa modificou-se de tal maneira nos modos das gentes    que n&#227;o me foi dif&#237;cil verificar que aquela onda de insol&#234;ncia    que eu vira no estrangeiro entrara tamb&#233;m em Portugal como uma epidemia.    Uma epidemia que n&#227;o olhava as portas antes de entrar e tanto ia aos casebres    como a pal&#225;cios&#148; (Negreiros, 1993: 61). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Estava j&#225; longe o tempo do caseiro    que falava do fundo do po&#231;o ou dos pobres que se deixavam ir. Estaria j&#225;    longe, tamb&#233;m, o Almada chefe-de-fila da insol&#234;ncia futurista, que    desafiava a Lisboa pequena dos burgueses com provoca&#231;&#245;es art&#237;sticas    e em manifestos? O Almada dos futuristas que o conservador Homem-Cristo Filho    considerava, em 1916, &#147;fautores da desordem e da revolu&#231;&#227;o&#148;,    &#147;novos arautos da anarquia&#148;, &#147;iconoclastas impenitentes sem f&#233;    nem p&#225;tria&#148;, &#147;bastardos invejosos do g&#233;nio criador&#148;,    merecendo ser &#147;corridos &#224; gargalhada, quando inofensivos, a chicote,    quando insolentes e perigosos&#148;? Os pr&#243;prios artistas estavam diferentes.    Comparando a sua experi&#234;ncia dos anos 20 com a de antes da guerra, o pintor    D&#243;rdio Gomes manifesta-se desencantado: &#147;Havia qualquer coisa de mudado,    parecendo outro o ar, mais rarefeito, compenetradas as pessoas n&#227;o sei    por que ar solene e pouco confiante que j&#225; n&#227;o permitia ilus&#245;es    nem atrevimentos&#148; (Fran&#231;a, 1991: 60 e 102). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Eram muito poucos os que entendiam que,    encontrando-se as classes politicamente, poderiam diminuir-se conflitos. Esse    encontro, a n&#237;vel pol&#237;tico, significava a democracia, como conclu&#237;a    Pessoa nos textos pol&#237;ticos que escrevia para si mesmo. Para Almada, os    dirigentes das na&#231;&#245;es foram &#147;sucessivamente at&#233; hoje sendo    procurados nas camadas sociais cada vez mais pr&#243;ximas do povo&#148;, o    qual &#147;foi pouco a pouco perdendo o seu imposto aspecto de pitoresco e tomando    a sua nova apar&#234;ncia de participante social. &#201; quanto basta para deduzir    que dirigentes e dirigidos se encaminham uns para os outros&#148; (Negreiros,    1993: 31).</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Dirigentes e dirigidos, cidades e campos,    ricos e pobres, senhorios e caseiros, patr&#245;es e oper&#225;rios, agricultores    e assalariados: todos se encaminhavam uns para os outros, mas podia ser por    choques ou encontros. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> At&#233; os campos mudavam. O mesmo Aquilino    que em 1919 via os campos avessos a qualquer modernidade &#151; &#147;Com grande    consolo, depois de ver uns pa&#237;ses t&#227;o raivosos de progresso, vim topar    Lamego n&#227;o s&#243; n&#227;o eivado da no&#231;&#227;o do tempo mas refract&#225;rio    de todo &#224; febre moderna&#148;, escrevia em <I>A Via Sinuosa</I> (citado    em Serr&#227;o, 1978: 80) &#151;, notava a mudan&#231;a em 1931, em <I>Maria    Benigna</I>: &#147;Nos &#250;ltimos anos, com a vaga de progresso, macadame,    resinagem, f&#225;bricas de lactic&#237;nios, o autom&#243;vel de aluguer e    o <I>chauffeur</I> sedutor, a aldeia tem-se desmoralizado o seu tanto. Desmoralizado    no sentido teologal da palavra pelo que perdeu em rigidez e, sobretudo, em resist&#234;ncia    ao <I>sex-appeal</I>. Mas tem ganho a est&#233;tica f&#237;sica do campon&#234;s.    Existe hoje uma juventude donairosa e bem apresentada, como n&#227;o se via    h&#225; quinze, vinte anos&#148; (Ribeiro, 1983a: 145). E o<I> Malhadinhas</I>,    que chamava ao governo &#147;quadrilha do olho vivo&#148;, era o mesmo que achava    o mundo melhor: &#147;H&#225; menos atropelos, maior igualdade, menos a pata    do rico sobre o cacha&#231;o do pobre&#133;&#148; (Ribeiro, 1994: 154 e 16).    </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Era um pensamento positivo, desde que houvesse    compreens&#227;o. Mas o mais frequente era que se mantivessem os po&#231;os    de mist&#233;rio: &#147;Quem podia compreender aquela gente?&#148;, escrevia    M&#225;rio Dion&#237;sio num conto. &#147;Chegariam a pensar? (&#133;) Se fosse    provoca&#231;&#227;o, os outros poderiam gostar da gra&#231;a, parar o trabalho,    p&#244;r-se a olhar para ele com aqueles mesmos olhos que nem o Diabo entendia.    O tempo dos chap&#233;us na m&#227;o tinha passado na quinta. Tudo mudara desde    que o pai morrera, j&#225; l&#225; iam quinze anos. E agora estava s&#243;,    com todos contra ele naquela imensid&#227;o de terra. N&#227;o bastava a fam&#237;lia.    Tamb&#233;m aqueles brutos j&#225; se iam atrevendo a responder&#148;. &#147;Eram    po&#231;os de mist&#233;rio debaixo dos chap&#233;us imundos&#148; (Dion&#237;sio,    1997: 173). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Era preciso mudar alguma coisa: &#147;a    sociedade normal s&#243; pensa na ordem quando nela aparece a desordem&#148;,    escrevia Fernando Pessoa em 1915 (Pessoa, 1910-1919: 66-67). Tal n&#227;o era    poss&#237;vel com o regime republicano, que necessitava da &#147;rua&#148; para    se afirmar, como notava Fialho d&#146;Almeida em Dezembro de 1910: &#147;Estes    factos (&#133;) revelam j&#225; duma maneira terr&#237;vel, a criminosa soltura,    a destrambelhada fil&#225;ucia e a brutalidade insolente a que a turba-multa    chegou, num pa&#237;s que j&#225; n&#227;o tem para lhe opor, desgra&#231;adamente,    nem uma burguesia corajosa, nem um ex&#233;rcito disciplinado&#148; (p. 83).    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Durante anos, os insolentes continuariam    ainda &#147;senhores da rua&#148;, como os mi&#250;dos dos romances <I>Bairro    Exc&#234;ntrico</I> (Ribeiro, 1945: 30) e <I>Multid&#227;o</I> (Fatela, 1989:    216). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Depois de arrumada a casa no aparelho civil    e militar, o estado deitou m&#227;os &#224; obra para erradicar a insol&#234;ncia.    &#147;&#201; preciso limpar Lisboa&#148;, escrevia-se no editorial do boletim    do Governo Civil em Janeiro de 1931 (Fatela, 1989: 209). Era preciso fazer desaparecer    aquela &#147;qualquer coisa de hostil&#148; que um escritor, Jos&#233; Sousa    Gomes, via em 1937 no bairro popular de Alc&#226;ntara, lugar &#147;inquieto&#148;,    &#147;selvagem e dif&#237;cil&#148;. Era preciso o estado intervir nos bairros    populares porque, entre outras coisas, conforme dizia um relat&#243;rio oficial    de Daniel Barbosa em 1936, tinham &#147;esp&#237;rito de revolta, fermento de    indisciplina&#148; (Leit&#227;o, 1996: 28 e 33). </FONT></P> <FONT COLOR="#1f1a17"><B>O fim da &#147;altivez&#148;</B> </FONT>    <BR>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Coincidindo com o advento da Ditadura Militar,    a sociedade vive no final dos anos 20 e in&#237;cio da d&#233;cada de 30 uma    altera&#231;&#227;o no comportamento das classes trabalhadoras: aos movimentos    aguerridos, reivindicativos, insolentes, que nasciam do parto dif&#237;cil da    sociedade moderna, seguia-se um afastamento da pol&#237;tica e a diverg&#234;ncia    para outros interesses, como o futebol, concretizava-se o in&#237;cio da integra&#231;&#227;o    da classes populares na sociedade comandada pelas burguesias e, finalmente,    surgia uma inconsciente estrat&#233;gia de comportamento social que passava    por uma falsa humildade, um baixar de cabe&#231;as que afligia intelectuais.    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Chegara a vez de os burgueses se tornarem    atrevidos, insolentes, intolerantes: j&#225; n&#227;o podiam conviver com o    p&#233;-descal&#231;o, com o mendigo, com o prolet&#225;rio insolente, com esse    mundo social aculturado a que se chamava &#147;rua&#148;. Os burgueses queriam    a &#147;rua&#148; para si. Era preciso, portanto, limp&#225;-la, como exigia    o Governo Civil de Lisboa, em Janeiro de 1931. Quatro meses depois, em 4 de    Maio, chegou novo decreto regulando a repress&#227;o da mendicidade nas ruas.    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O novo regime, sa&#237;do do golpe militar    de 1926, correspondia aos anseios das classes burguesas urbanas de Lisboa, Porto    e Coimbra no que toca &#224; repress&#227;o e &#147;limpeza&#148; da &#147;rua&#148;.    De finais dos anos 20 ao ano da comemora&#231;&#227;o do &#147;Duplo Centen&#225;rio&#148;,    1940, a Ditadura Militar e o Estado Novo aplicaram meios policiais, escreveram    legisla&#231;&#227;o e desenvolveram institui&#231;&#245;es de cariz prisional,    como o albergue da Mitra, que serviam de armaz&#233;m de mendigos e vadios.    O relat&#243;rio da PSP para 1940 descreve Lisboa como uma &#147;cidade limpa&#148;,    parte integrante duma &#147;ordem nova&#148;. A mis&#233;ria mantinha-se, mas    era &#147;varrida&#148; para debaixo do tapete, para a Mitra (Fatela, 1989:    28). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Os mendigos e gente da &#147;rua&#148;    assustavam o burgu&#234;s e simbolizavam a insol&#234;ncia. A codifica&#231;&#227;o    legal do liberalismo desde o s&#233;culo XIX procurava combater a vadiagem,    mas a vit&#243;ria sobre os &#147;arruaceiros&#148;, ali&#225;s identificados    com a oposi&#231;&#227;o, s&#243; p&#244;de ser reivindicada pelo corporativismo    (<I>idem</I>: 181-6, 238). A proibi&#231;&#227;o do p&#233; descal&#231;o pelo    novo regime, mais do que uma medida profil&#225;ctica era um s&#237;mbolo de    um novo poder que queria quebrar o poder &#224; rua, &#224; insol&#234;ncia.    Uma brochura do Estado Novo sobre a assist&#234;ncia social inclu&#237;a os    vendedores ambulantes na lista dos &#147;parasitas&#148; que se serviam &#147;da    manha, insol&#234;ncia, amea&#231;a, viol&#234;ncia, etc. &#148;. A lista era    longa, alargando-se aos que &#147;mendigam, podendo trabalhar&#148;, os falsos    doentes, os &#147;pseudo &#145;despedidos&#146; permanentes de f&#225;bricas    e outros empregos&#148;, &#147;os desempregados que n&#227;o aceitam o trabalho    que se lhes proporciona, e alegam sempre as profiss&#245;es onde n&#227;o h&#225;    vagas, que ali&#225;s nunca exerceram&#148;, e ainda &#147;os garotos que abrem    as portas dos autom&#243;veis&#148;. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O controle da rua passou tamb&#233;m pela    cria&#231;&#227;o do Tribunal dos Pequenos Delitos, a que podemos chamar <I>tribunal    da insol&#234;ncia</I>: s&#243; existiu nas cidades de Lisboa, Porto e Coimbra    e visava combater os &#147;maus costumes de certas classes da popula&#231;&#227;o    da cidade&#148;: ofensas corporais, desobedi&#234;ncia, embriaguez, difama&#231;&#227;o,    cal&#250;nia e inj&#250;ria, ultraje &#224; moral p&#250;blica, vadiagem, mendicidade    e amea&#231;as (<I>ibidem</I>: 40). Os grupos sociais &#147;marginais&#148;,    como os mendigos e vadios, eram os &#250;ltimos a que chegava a repress&#227;o    contra a insol&#234;ncia.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Entre as classes trabalhadoras urbanas    a situa&#231;&#227;o alterara-se tamb&#233;m. Em 11 de Fevereiro de 1931, a    direc&#231;&#227;o da CGT, a central sindical anarco-sindicalista, n&#250;cleo    por excel&#234;ncia da insol&#234;ncia, atitude &#224; qual o anarquismo estava    t&#227;o intimamente associado, reconhecia que a &#147;altivez&#148; do proletariado    tinha desaparecido: &#147;V&#243;s sabeis que o proletariado, merc&#234; da    crise que se atravessa, tem deixado de pronunciar-se com altivez. N&#227;o se    tem agitado em qualquer sentido e o resultado &#233; que algumas das principais    regalias noutro tempo conquistadas est&#227;o-lhe sendo cerceadas. Novos factores    de mis&#233;ria t&#234;m surgido com os acontecimentos, que em pior situa&#231;&#227;o    t&#234;m colocado os trabalhadores, e n&#243;s sentimos que piores<B> </B>dias<B>    </B>vir&#227;o, tornando insol&#250;vel a mis&#233;ria e o abandono prolet&#225;rio,    se uma ac&#231;&#227;o en&#233;rgica de agita&#231;&#227;o colectiva n&#227;o    se fizer sentir, destinada a p&#244;r cobro a t&#227;o desgra&#231;ado estado    de coisas&#148;. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> &#147;Piores dias vir&#227;o&#148;, previa    ent&#227;o a CGT. De facto, o regime ditatorial preparava o cerco final aos    sindicatos livres e estabeleceria a partir da aprova&#231;&#227;o da Constitui&#231;&#227;o    de 1933 o edif&#237;cio do corporativismo, que considerava que os trabalhadores    viviam concertados com os patr&#245;es (tal como num industrialismo entretanto    desaparecido, como vimos) e estava-lhes vedada a reivindica&#231;&#227;o e a    greve (Patriarca, 1995, vol. I: 91). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A partir de 1926, com a repress&#227;o    do movimento sindical e oper&#225;rio, a censura e proibi&#231;&#227;o das suas    publica&#231;&#245;es, a pris&#227;o e deporta&#231;&#227;o dos seus dirigentes,    os trabalhadores estiveram &#224; merc&#234; da livre ac&#231;&#227;o do patronato.    Em Janeiro de 1933, os abusos de algum patronato eram reconhecidos at&#233;    por um industrial e dirigente da AIP, C&#233;sar da Silva Azevedo, referindo    que a fiscaliza&#231;&#227;o oficial aos locais de trabalho era pouca, quase    s&#243; em Lisboa, &#147;com intermit&#234;ncias&#148; no Porto e ausente no    resto do pa&#237;s, onde se verificava &#147;a liberdade de abusarem da docilidade    do operariado, impondo-lhe 10, 12 e mais horas de trabalho&#148; (Patriarca,    1995, vol. II: 356). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Em vez da insol&#234;ncia, eis agora a    &#147;docilidade do operariado&#148;. Se bem que seja em refer&#234;ncia a locais    menos urbanos do que as maiores cidades, esta &#147;docilidade&#148; &#233;    um sinal dos tempos, paralelo ao desaparecimento da &#147;altivez&#148; que    mencionava a CGT. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> De facto, al&#233;m da mudan&#231;a de    regime pol&#237;tico, que tamb&#233;m visava controlar e reprimir a insol&#234;ncia    das lutas oper&#225;rias e da rua, existia um factor fulcral para a mudan&#231;a    de comportamento social de indiv&#237;duos e grupos oper&#225;rios no final    dos anos 20 e in&#237;cio dos anos 30: a crise econ&#243;mica e o espectro do    desemprego. O j&#225; citado documento do Comit&#233; Confederal da CGT refere    que &#233; &#147;merc&#234; da crise que se atravessa&#148; que o operariado    &#147;tem deixado de pronunciar-se com altivez&#148;. O desemprego era &#147;apavorante&#148;.    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A rela&#231;&#227;o entre os dois factos    &#151; o desemprego e o fim da insol&#234;ncia &#151; foi captada por George    Orwell, antigo militante pol&#237;tico, quando em 1937 empreende uma &#147;viagem&#148;    &#224; vida dos oper&#225;rios e dos seus bairros em <I>Road to Wigan Pier.    </I>Vale a pena acompanh&#225;-lo nessa viagem, ao mesmo tempo colectiva e individual,    pelo que tem de paralelo com o percurso das classes trabalhadoras portuguesas.    </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> &#147;Quando eu tinha 17 ou 18 anos, escreveu    Orwell, era em simult&#226;neo um snobe e um revolucion&#225;rio. Eu era contra    toda a autoridade&#148;. A classe oper&#225;ria, depois da Grande Guerra, estava    num per&#237;odo de milit&#226;ncia. &#147;Olhando para tr&#225;s para esse    per&#237;odo, parece-me que passei metade do tempo a denunciar o sistema capitalista    e a outra metade enraivecido contra a insol&#234;ncia dos condutores de autocarros&#148;.    &#147;Por fim, desenvolvi uma teoria anarquista de que todo o governo &#233;    um mal&#148; (Orwell, 1989: 130-137).</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Mas isso era ap&#243;s a guerra e nos anos    20, acrescenta Orwell, &#147;porque uma mudan&#231;a est&#225; <I>realmente</I>    a ter lugar, n&#227;o h&#225; d&#250;vida nenhuma disso. A atitude das submersas    classes trabalhadoras &#233; profundamente diferente do que era h&#225; sete    ou oito anos&#148;, isto &#233;, antes da depress&#227;o iniciada em 1929 (p.    78). O &#243;dio de classes nas ruas desapareceu: &#147;antes da guerra havia    muito mais <I>abertamente</I> &#243;dio de classes do que h&#225; hoje. Nesses    dias, era muito f&#225;cil ser-se insultado s&#243; por se parecer um membro    das classes altas; hoje, por outro lado, &#233; mais f&#225;cil que se seja    bajulado. Qualquer pessoa com mais de 30 anos pode lembrar-se do tempo em que    era imposs&#237;vel uma pessoa bem vestida atravessar um bairro degradado sem    ser vaiada&#148; (p. 118). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Essa atitude mudou abissalmente, acrescentava:    &#147;na &#250;ltima d&#250;zia de anos as classes trabalhadoras inglesas tornaram-se    servis com uma rapidez bastante horrenda. Tinha de acontecer, porque a assustadora    arma do desemprego tem-nas intimidado. Antes da guerra, a sua posi&#231;&#227;o    econ&#243;mica era comparativamente forte, pois, embora n&#227;o houvesse esmola    que lhes ca&#237;sse em cima, n&#227;o havia muito desemprego e o poder do patronato    n&#227;o era t&#227;o &#243;bvio como agora&#148; (p. 118). &#147;As classes    trabalhadoras s&#227;o submissas onde costumavam ser abertamente hostis e a    ind&#250;stria de roupa barata do p&#243;s-guerra e o amaciamento geral dos    modos suavizaram a superf&#237;cie entre as classes. Mas sem d&#250;vida que    o sentimento essencial ainda l&#225; est&#225;&#148; (p. 123). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Orwell considerava que o fim da insol&#234;ncia    das classes trabalhadoras nos anos 30 constitu&#237;a um &#147;ajustamento psicol&#243;gico&#148;    necess&#225;rio perante as novas circunst&#226;ncias, pois manter um n&#237;vel    de milit&#226;ncia como no p&#243;s-guerra seria uma &#147;agonia e desespero&#148;    e poderia levar a &#147;f&#250;teis massacres e a um regime de repress&#227;o    selvagem&#148;. O desenvolvimento da sociedade de consumo no p&#243;s-guerra    tinha sido um ant&#237;doto &#224;s lutas oper&#225;rias: &#147;&#201; bem poss&#237;vel    que o peixe com batatas fritas, as meias de seda, o salm&#227;o em lata, o chocolate    barato (&#133;), o cinema, a r&#225;dio e ch&#225; forte e as apostas do futebol    tenham entre si evitado a revolu&#231;&#227;o&#148;. A sociedade de consumo    satisfazia a &#147;necessidade de paliativos baratos pelas massas semiesfomeadas&#148;    (p. 83). </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Em Portugal, a crise, o desemprego, estavam    tamb&#233;m na origem do fim da &#147;altivez&#148; do proletariado, juntamente    com o cerco aos sindicatos, a censura e a repress&#227;o &#151; quer dizer,    a derrota dos trabalhadores em toda a linha; era o que levava ao mesmo &#147;ajustamento    psicol&#243;gico&#148; que Orwell encontrava em Wigan Pier. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Houve neste per&#237;odo um afastamento    em massa dos trabalhadores das associa&#231;&#245;es de classe: os trabalhadores    fizeram o &#147;ajustamento psicol&#243;gico&#148; antes dos seus dirigentes.    Em vez dos sindicatos, os trabalhadores procuravam as tabernas, onde se jogava,    as associa&#231;&#245;es desportivas e os novos desportos, como o ciclismo e    o futebol, que deixam de ser actividades dos burgueses para se transformarem    nas mais populares das actividades de massas.</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A Volta a Portugal em Bicicleta come&#231;ou    em 1927 (em Fran&#231;a tinha come&#231;ado em 1903). A segunda Volta realizou-se    em 1931 e a terceira no ano seguinte. Quanto ao futebol, a sua popularidade    cresce enormemente nos anos 20. Num romance sobre militantes anarquistas, M&#225;rio    Domingues, do grupo de <I>A Batalha</I>, escrevia que no in&#237;cio dessa d&#233;cada    &#147;a mocidade, atra&#237;da pelo jogo da bola, desprezava&#148; as actividades    inspiradas pela viv&#234;ncia anarquista (Domingues, 1937: 166). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O PCP, na pol&#237;tica de &#147;entrismo&#148;    em organiza&#231;&#245;es onde as massas estivessem, conforme recomendava a    Internacional Comunista a partir de 1934, procurou neste per&#237;odo infiltrar-se    em grupos de futebol ou chegou mesmo a cri&#225;-los, como foi o caso do Sacavenense,    que proporcionava um enquadramento organizativo nas condi&#231;&#245;es da clandestinidade.    Esta era, entretanto, para os comunistas, a &#250;nica possibilidade de fuga    para a frente, pois &#224; repress&#227;o do regime juntava-se a estrat&#233;gia    do desinteresse por parte do operariado (Pereira, 1999: 186, 270). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O &#147;ajustamento psicol&#243;gico&#148;    dos trabalhadores passava pela nova forma de representa&#231;&#227;o da diferen&#231;a    de classes. Se antes era o insulto na rua, como observava Orwell, agora era    o servilismo: &#147;julga &#133; que deve a obedi&#234;ncia aos ricos e aos    doutores&#148;, diz Irene Lisboa, no in&#237;cio dos anos 40 de um lojista que    nem sabe lidar com os clientes (Lisboa, 1995: 198). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> &#147;O respeito medular, avassalante,    sem abalo&#148;, escrevia pela mesma altura Jos&#233; Gomes Ferreira. Respeito    &#147;por este mundo fixo e imut&#225;vel, eternamente assim no rolar das eras,    com senhores e mendigos, sol e teias de aranha, honra e aviltamento, brio e    opr&#243;brio, c&#233;u e inferno, privado de qualquer esperan&#231;a, mesmo    a mais remota, de aleluia de transforma&#231;&#227;o, ou do esgar&#231;ar duma    janela de inveja na alma daquela pobre mulher das sentinas, por onde entrasse,    em &#250;ltimo recurso, a lufada ben&#233;fica que destr&#243;i o bafio de apodrecer&#148;    (Ferreira, 1990: 127). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O novo posicionamento psicol&#243;gico    dos trabalhadores, menos combativo e radical, espelhou-se tamb&#233;m na actividade    sindical e reivindicativa. N&#227;o era s&#243; o novo regime a querer acabar    com &#147;o errado e criminoso princ&#237;pio marxista da luta de classes&#148;,    como escrevia um sindicalista que aderiu aos princ&#237;pios do corporativismo.    O sindicalismo cat&#243;lico posicionou-se de forma a convencer os oper&#225;rios    de que &#147;as greves e as viol&#234;ncias s&#227;o processos velhos e revelhos    que j&#225; deram tudo o que tinham para dar como os pr&#243;prios socialistas    reconhecem&#148;, conforme escrevia em 1932 <I>A Voz dos Trabalhadores. </I>&#147;Para    a classe oper&#225;ria ver satisfeitas as suas justas reivindica&#231;&#245;es&#148;,    era &#147;preciso mudar de processos&#148;, abandonando &#147;a greve a prop&#243;sito    de tudo e de nada, o insulto, os berros, as cal&#250;nias&#148; (Patriarca,    1995, vol. I: 208). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Mesmo em empresas no cora&#231;&#227;o    das lutas oper&#225;rias, como a Carris, em Lisboa, surgem sindicalistas de    novo tipo, que, apresentando-se de esquerda, se pretendem todavia &#147;libertos    de todas as paix&#245;es, alheios &#224; desordem, estranhos a viol&#234;ncias,    amigos do respeito m&#250;tuo, da disciplina e da lealdade&#148; (<I>idem</I>:    264). Os dirigentes da Associa&#231;&#227;o de Classe dos Empregados da Carris,    eleitos em 1930, afirmam que ir&#227;o &#147;ordeiramente junto das inst&#226;ncias    superiores&#148; para satisfazerem reivindica&#231;&#245;es. Eis uma atitude    muito diferente da que nem uma d&#233;cada antes caracterizava as lutas na empresa.    Em Janeiro daquele ano, o jornal dos trabalhadores da Carris, <I>O El&#233;ctrico</I>,    prometia: &#147;n&#227;o ser&#225; um jornal violento de frases &#145;bomb&#225;sticas&#146;    que nada dizem e de nada servem. Ser&#225; um jornal sereno, calmo, tratando    os assuntos que dizem respeito &#224; classe sem escusados exageros que a ningu&#233;m    aproveitam, n&#227;o deixando, todavia, de ser firme e claro nas opini&#245;es    expendidas&#148; (Patriarca, 1995, vol. I: 64). E o &#147;&#243;rg&#227;o independente    dos empregados de com&#233;rcio de Portugal&#148;, <I>Ac&#231;&#227;o</I>, opunha-se    aos &#147;combates aguerridos, fl&#226;mulas rubras ao vento, toques estridentes    de belo clarim!&#148; e declarava que tinha inten&#231;&#245;es &#147;pac&#237;ficas&#148;    mas n&#227;o pusil&#226;nimes: queria conquistar regalias &#147;palmo a palmo&#148;,    pois &#147;tudo se poderia conseguir amigavelmente, sem sofismas, numa transig&#234;ncia    m&#250;tua, ordeira, em que os medianeiros poriam a consci&#234;ncia, a justi&#231;a    e a raz&#227;o ao servi&#231;o dum acordo com que todos teriam a lucrar. Bem    sabemos que &#233; quase imposs&#237;vel uma sincera alian&#231;a entre o capital    e o trabalho. Mas com um pouco de boa vontade, tudo se realizaria&#148; (Patriarca,    1995, vol. I: 61).</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> A partir de 1930, as &#147;representa&#231;&#245;es&#148;    come&#231;am a substituir as greves como forma de reivindica&#231;&#227;o: a    &#147;representa&#231;&#227;o&#148; corresponde &#147;&#224; obedi&#234;ncia    aos ricos e aos doutores&#148; de que falava Irene Lisboa. &#201; a mais cordial    das formas de uma associa&#231;&#227;o <I>pedir </I>alguma coisa &#224;s autoridades    locais ou centrais. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Um dirigente da FAO, a central sindical    do Partido Socialista, que defendia a colabora&#231;&#227;o reformista com o    estado, escrevia em 1930 que &#147;todas as classes o seguem (o reformismo),    sem se preocuparem se ele transforma ou n&#227;o o sistema capitalista, ou se    entorpece a sua ac&#231;&#227;o combativa. O que elas desejam, em primeiro lugar,    &#233; melhorar a sua situa&#231;&#227;o econ&#243;mica, e em segundo, que n&#227;o    lhes exijam muitos sacrif&#237;cios&#148;. Numa confer&#234;ncia do PSP em 1931    recomenda-se a &#147;todos os militantes oper&#225;rios que embora n&#227;o    estejam filiados no Partido Socialista, aceitem a luta de classes no campo legal&#148;.    A atitude reformista dos socialistas atingiu o seu extremo em 1933, quando o    Secret&#225;rio-Geral da FAO participa, em 1933, na Confer&#234;ncia Internacional    do Trabalho, como a FAO sempre fizera, mas na companhia de Pedro Teot&#243;nio    Pereira, o subsecret&#225;rio de estado de Salazar (<I>ibidem</I>: 80, 116,    201). </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O Estado Novo criava regras em todas as    manifesta&#231;&#245;es da vida organizada (&#147;estamos num pa&#237;s que    &#233; preciso organizar de alto a baixo, porque o pouco que parece n&#227;o    estar desorganizado, est&#225; t&#227;o desorganizado como o resto&#148;, dizia    Salazar, em 1933) e estabelecia at&#233; uma nova disciplina social e pol&#237;tica    nas conven&#231;&#245;es de trabalho contra a insol&#234;ncia: perdiam direito    ao emprego os oper&#225;rios que difamassem, injuriassem ou agredissem os seus    superiores hier&#225;rquicos, os que promovessem o descr&#233;dito dos industriais,    dos gr&#233;mios ou dos sindicatos nacionais, que inutilizassem propositadamente    a produ&#231;&#227;o e os que fossem privados pelos tribunais dos seus direitos    sociais e pol&#237;ticos. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O corporativismo serviu para o Estado Novo    organizar na sua estrutura o movimento sindical, impedindo-o de se manifestar    fora das suas comiss&#245;es tripartidas. Durante alguns anos, a f&#243;rmula    resultou. Em alguns casos, o governo defendeu algumas reivindica&#231;&#245;es    m&#237;nimas contra um patronato que estava &#224; vontade num regime que, desde    1926, reprimia como queria o movimento sindical. Chegava-se ao ponto de um relat&#243;rio    da PDPS, antecessora da PVDE e da PIDE, referir, em 1934, que os abusos de muitos    patr&#245;es na zona do Ave, &#147;pela maneira por que tratam os oper&#225;rios,    s&#227;o os principais incitadores &#224; revolta&#148;, e um relat&#243;rio    dos Servi&#231;os de Ac&#231;&#227;o Social do Estado Novo falar, no mesmo ano,    de uma &#147;ofensiva patronal&#148; e &#147;concluir com raz&#227;o e com justi&#231;a    que na maioria dos casos o trabalhador, o desprotegido de tudo e de todos, tem    raz&#227;o&#148;. Em 1940, ao lado dos &#147;prolet&#225;rios irreverentes&#148;    j&#225; surgia como personagem do romance <I>Ansiedade</I>, de Joaquim Pa&#231;o    d&#146;Arcos, &#147;o patr&#227;o insolente&#148; (pp. 68, 103).</FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Assim, &#233; compreens&#237;vel a estrat&#233;gia    de apagamento dos trabalhadores. Durante alguns anos, a pol&#237;tica corporativa    do Estado Novo, em conjunto com a implac&#225;vel pol&#237;tica repressiva dos    movimentos sindicais da oposi&#231;&#227;o anarco-sindicalista e comunista,    teve &#234;xito. Os trabalhadores acomodavam-se para sobreviverem. Mas, como    dizia Orwell, o &#147;sentimento essencial ainda l&#225; estava&#148; (Orwell,    1989: 123). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Quando irrompeu a Segunda Guerra Mundial,    optando Salazar pela protec&#231;&#227;o aberta do patronato e desleixando o    abastecimento de alimentos, o que provocou as &#250;ltimas fomes do s&#233;culo,    o &#147;sentimento essencial&#148; irrompeu em lutas abertas, algumas espont&#226;neas    (sem organiza&#231;&#227;o pol&#237;tica por tr&#225;s) e a insol&#234;ncia    regressou &#224;s ruas. Em 6 de Novembro de 1941, &#147;uma grande multid&#227;o    de oper&#225;rios de ambos os sexos&#148; chega &#224; frente da C&#226;mara    Municipal da Covilh&#227; &#147;em grande algazarra e atitude hostil&#148;.    O movimento era totalmente inesperado. A PVDE, em relat&#243;rio, notava que    era a velha insol&#234;ncia que vinha ao de cima: &#147;a cidade da Covilh&#227;    &#233; um meio&#148; em que &#147;talvez devido a influ&#234;ncia do passado,    os oper&#225;rios &#145;querem conquistar&#146; e n&#227;o que lhes &#145;ofere&#231;am&#146;&#148;.    E propunha uma solu&#231;&#227;o: &#147;s&#243; com uma repress&#227;o en&#233;rgica,    como a que se est&#225; fazendo, ser&#225; poss&#237;vel normalizar a situa&#231;&#227;o&#148;    (Patriarca, 1995, vol. II: 578). O <I>Correio da Estremadura </I>de 25 de Maio    de 1943 reacordava um velho espectro ao falar da necessidade do &#147;combate    &#224; pregui&#231;a&#148;, a qual era motivo de persegui&#231;&#227;o num despacho    do subsecret&#225;rio das Corpora&#231;&#245;es do mesmo m&#234;s destinado    a manter ou aumentar as jornadas de trabalho (Rosas, 1995: 402). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Depois da Covilh&#227;, os movimentos espont&#226;neos,    e mais tarde organizados pelo PCP, surgiram nas zonas industriais de Lisboa    e em redor. O movimento grevista, com altos e baixos nas suas reivindica&#231;&#245;es    imediatas, teve, por&#233;m, um aspecto pol&#237;tico crucial: com a repress&#227;o    policial violenta, entregue ao militar que chefiara as opera&#231;&#245;es portuguesas    na Guerra Civil de Espanha em prol de Franco, com a quebra da pol&#237;tica    dialogante que o Estado Novo simulara criar, a fachada do corporativismo ca&#237;a    e a natureza do regime ficava a nu. A ira popular contra a escassez de alimentos    e os baixos sal&#225;rios poderia j&#225; n&#227;o resultar da &#147;insol&#234;ncia&#148;    incentivada pelos anarco-sindicalistas das primeiras d&#233;cadas do s&#233;culo,    mas estava agora em condi&#231;&#245;es de ser transformada em oposi&#231;&#227;o    pol&#237;tica ao regime. No campo sindical, o corporativismo terminava com a    conclus&#227;o da Segunda Guerra Mundial. A luta de classes, cujo &#147;fim&#148;    Salazar anunciava com a Constitui&#231;&#227;o de 1933, saltava-lhe &#224; porta    de casa e juntava-se &#224; luta pol&#237;tica contra o regime. </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> O sentimento essencial estava l&#225;,    estava. Fernando Namora, <I>Casa da Malta, </I>1945: &#147;O lavrador vinha    muitas vezes oferecer trabalho e trazia uma caneca de vinho para beberem; as    suas gargalhadas parvas atordoavam os ouvidos. Ele falava que o povo devia ser    tratado a chicote, que era madra&#231;o; disparatava com todos os nomes que    lhe apetecia dizer. Um qualquer, de uma vez, num rompante, mostrara-lhe nas    trombas um cabrito esfolado e, de sangue a esquentar-lhe a cabe&#231;a, dissera:    &#145;Um dia a gente faz-te assim mesmo!&#145;&#148; (Namora, 1998: 103). </FONT></P>     <P ALIGN="LEFT">&nbsp;</P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> <B>Nota</B></FONT></P>     <P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> <a name="1"></a><a href="#top1">1</a> Partes    abreviadas deste ensaio foram publicadas em dois volumes da obra de divulga&#231;&#227;o    hist&#243;rica <I>O S&#233;culo do Povo Portugu&#234;s,</I> (vols. 2 e 4), Alfragide,    Ediclube, 2001. </FONT></P>     <BR> <FONT COLOR="#1f1a17"><B>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</B> </FONT>    ]]></body>
<body><![CDATA[<BR>     <!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Almeida, Fialho d&#146; (1920), <I>Saibam    Quantos&#133; (Cartas e Artigos Pol&#237;ticos)</I>, Lisboa, Livraria Cl&#225;ssica    Editora, 3.&#170; ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0873-6529200200010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ara&#250;jo, Norberto de (1919), <I>Varanda    dos Meus Amores, </I>Lisboa, Aillaud e Bertrand, s. d. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0873-6529200200010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ara&#250;jo, Norberto de (1925, 1927),    <I>Novela do Amor Humilde</I>, Lisboa, Aillaud e Bertrand, 2.&#170; ed. revista.    </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0873-6529200200010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Botelho, Abel (1901), <I>Amanh&#227;</I>,    Porto, Livraria Chardron. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0873-6529200200010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Brand&#227;o, Raul (1966), &#147;Mem&#243;rias<I>,    </I>III&#148;, <I>Obras Completas</I>, I, Lisboa, Jornal do F&#244;ro. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0873-6529200200010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Cabral, Manuel Villaverde (1979, 1988),    <I>Portugal na Alvorada do S&#233;culo XX</I>, Lisboa, Ed. Presen&#231;a, 2.&#170;    ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0873-6529200200010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Cabral, Manuel Villaverde (1977), <I>O    Operariado nas V&#233;speras da Rep&#250;blica (1909-1910) </I>seguido<I> </I>de    extracto<I>s </I>da <I>&#147;Inquiri&#231;&#227;o pelas associa&#231;&#245;es    de classe sobre a situa&#231;&#227;o do operariado&#148; (1909-1910)</I>, Lisboa,    Ed. Presen&#231;a. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0873-6529200200010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Camacho, Brito (1988), <I>Mem&#243;rias    e Narrativas Alentejanas</I>, prefaciadas e seleccionadas por &#211;scar Lopes,    Lisboa, Guimar&#227;es Editores. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0873-6529200200010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Carqueja, Bento (1919), <I>O Povo Portuguez</I>,    Porto, Livraria Chardron. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0873-6529200200010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> D&#146;Arcos, Joaquim Pa&#231;o (1940,    1987), <I>Ansiedade</I>, Lisboa, Guimar&#227;es Editores, 7.&#170; ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0873-6529200200010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Dion&#237;sio, M&#225;rio (1944, 1997),    <I>O Dia Cinzento</I>, Mem Martins, Publica&#231;&#245;es Europa-Am&#233;rica.    </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0873-6529200200010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Domingues, M&#225;rio (1937), <I>Uma Luz    na Escurid&#227;o</I>, Lisboa, Ag&#234;ncia Editorial Brasileira. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0873-6529200200010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Esperan&#231;a, Assis (1932, 1947), &#147;O    Homem que perdeu o passado&#148;, em <I>O Dil&#250;vio</I>, Lisboa, Guimar&#227;es    Ed., 2.&#170; ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0873-6529200200010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Fatela, Jo&#227;o (1989), <I>O Sangue e    a Rua: Elementos para uma Antropologia da Viol&#234;ncia em Portugal (1926-1946)</I>,    Lisboa, Publica&#231;&#245;es Dom Quixote. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0873-6529200200010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ferreira, Jos&#233; Gomes (1950, 1990),    <I>O Mundo dos Outros</I>, Lisboa, Publica&#231;&#245;es Dom Quixote, 8.&#170;    ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0873-6529200200010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Fran&#231;a, Jos&#233;-Augusto (1991),    <I>A Arte em Portugal no S&#233;culo XX (1911-1961)</I>, Venda Nova, Bertrand    Ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0873-6529200200010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Guedes, Maria Estela (org.) (1990), <I>&#192;    Sombra de Orfeu</I>, Lisboa, Guimar&#227;es Ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0873-6529200200010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Lafargue, Paul (1880, 1971), <I>O Direito    &#224; Pregui&#231;a, </I>Lisboa, Publica&#231;&#245;es Dom Quixote. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0873-6529200200010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Laranjeira, Manuel, &#147;&#133;Amanh&#227;&#148;    (1902), in <I>Obras</I>, Volume I, Porto, Edi&#231;&#245;es Asa, 1993. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0873-6529200200010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Laranjeira, Manuel, &#147;Di&#225;rio &#205;ntimo&#148;    (1908), in <I>Obras</I>, Volume I, Porto, Edi&#231;&#245;es Asa, 1993. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0873-6529200200010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Leit&#227;o, Cl&#225;udia (1996), &#147;A    Alc&#226;ntara Oper&#225;ria dos Anos Trinta&#148;, <I>Hist&#243;ria</I>, Junho,    n.&#186; 21 (nova s&#233;rie)</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0873-6529200200010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Lima, Isabel Pires de (1989), &#147;Selec&#231;&#227;o    e pref&#225;cio&#148;, em <I>Trajectos: O Porto na Mem&#243;ria Naturalista</I>,    Lisboa, Guimar&#227;es Editores. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0873-6529200200010000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Lisboa, Irene (1939-40, 1995), <I>Esta    Cidade!</I>, Lisboa, Ed. Presen&#231;a. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0873-6529200200010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Martins, Herm&#237;nio (1968-71, 1998),    <I>Classe, </I>Status<I> e Poder</I>, Lisboa, Imprensa de Ci&#234;ncias Sociais.    </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0873-6529200200010000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Mendes, J. Amado (1994), &#147;As camadas    populares urbanas e a emerg&#234;ncia do proletariado industrial&#148;, em Jos&#233;    Mattoso (org.), <I>O Liberalismo (1807-1890)</I>, <I>Hist&#243;ria de Portugal</I>,    vol. V, Lisboa, C&#237;rculo de Leitores. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0873-6529200200010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> M&#243;nica, Maria Filomena (1982), <I>A    Forma&#231;&#227;o da Classe Oper&#225;ria Portuguesa: Antologia da Imprensa    Oper&#225;ria (1850-1934)</I>, Lisboa, Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian.    </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0873-6529200200010000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Namora, Fernando (1945, 1998), <I>Casa    da Malta</I>, Mem Martins, Publica&#231;&#245;es Europa-Am&#233;rica, 16.&#170;    ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0873-6529200200010000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Negreiros, Almada (1993), &#147;Textos    de interven&#231;&#227;o&#148;, <I>Obras Completas</I>, vol. VI, Lisboa, IN-CM.    </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0873-6529200200010000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Nogueira, Franco (1977), <I>Os Tempos &#193;ureos    (1928-1936)</I>, <I>Salazar, </I>vol. II, Coimbra, Atl&#226;ntida Ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0873-6529200200010000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ortega y Gasset, Jos&#233; (1930-38, 1997),    <I>La Rebelion de las Masas</I>, Madrid, Alianza Ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0873-6529200200010000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Orwell, George (1937, 1989), <I>Road to    Wigan Pier</I>, Londres, Penguin Books. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0873-6529200200010000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Pascoais, Teixeira de (1912, 1993), <I>Arte    de Ser Portugu&#234;s</I>, Lisboa, Ass&#237;rio &amp; Alvim,    <BR>   2.&#170; ed. </FONT></P>     <!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Patriarca, F&#225;tima (1995), <I>A Quest&#227;o    Social no Salazarismo: 1930-1947</I>, 2 vols., Lisboa, IN-CM. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0873-6529200200010000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Peacock, Thomas Love (1831, 1986), <I>Crotchet    Castle</I>, Londres, Penguin Classics. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0873-6529200200010000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Pereira, Jos&#233; Pacheco (1999), &#147;&#146;Daniel&#146;:    o jovem revolucion&#225;rio (1913-1941)&#148;, em <I>&#193;lvaro Cunhal: Uma    Biografia Pol&#237;tica</I>, vol. 1, Lisboa, Temas e Debates. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0873-6529200200010000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Pessoa, Fernando (1910-1919), <I>P&#225;ginas    de Pensamento Pol&#237;tico-1, 1910-1919</I>, Mem Martins, Publica&#231;&#245;es    Europa-Am&#233;rica, s. d. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0873-6529200200010000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Pessoa, Fernando (1998), <I>Livro do Desassossego</I>,    Lisboa, Ass&#237;rio &amp; Alvim, edi&#231;&#227;o Richard Zenith. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0873-6529200200010000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Pessoa, Fernando (1986), <I>Obra Po&#233;tica</I>,    Rio de Janeiro, Ed. Nova Aguilar<I>.</I> </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0873-6529200200010000800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Queir&#243;s, Teixeira de (1909), <I>O    Sal&#250;stio Nogueira, </I>nova edi&#231;&#227;o totalmente refundida, Lisboa,    Parceria A. M. Pereira. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0873-6529200200010000800039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ramos, Rui (1994), &#147;A segunda funda&#231;&#227;o    (1890-1926)&#148;<I>, </I>em Jos&#233; Mattoso (org<I>.), Hist&#243;ria de Portugal,    </I>vol. VI, Lisboa, C&#237;rculo de Leitores. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0873-6529200200010000800040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Rego, A. M. Lopes do (1925), <I>A Burguesinha</I>,    Lisboa, Liv. Aillaud &amp; Bertrand. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0873-6529200200010000800041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ribeiro, Aleixo (1945), <I>Bairro Exc&#234;ntrico</I>,    Lisboa, Edit. Inqu&#233;rito. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0873-6529200200010000800042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ribeiro, Aquilino (1922, 1994), <I>Malhadinhas</I>,    Venda Nova, Bertrand Ed., 25.&#170; ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0873-6529200200010000800043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ribeiro, Aquilino (1931, 1983a), <I>Maria    Benigna</I>, Lisboa, C&#237;rculo de Leitores. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0873-6529200200010000800044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ribeiro, Aquilino (1939-40, 1983b), <I>O    Arcanjo Negro</I>, Lisboa, C&#237;rculo de Leitores. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0873-6529200200010000800045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ribeiro, Manuel (1919), <I>A Catedral</I>,    Lisboa, Guimar&#227;es Ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0873-6529200200010000800046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Ribeiro, Manuel (1927, 1979), <I>Plan&#237;cie    Her&#243;ica</I>, Lisboa, Guimar&#227;es Ed., 5.&#170; ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0873-6529200200010000800047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Rosas, Fernando (1995), <I>Portugal entre    a Paz e a Guerra, 1939-1945</I>, Lisboa, Editorial Estampa. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0873-6529200200010000800048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> S&#225;, V&#237;ctor de (1986), &#147;Um    &#145;democr&#225;tico&#146; t&#237;pico de republicano conservador: Santos    Gra&#231;a&#148;, em <I>Liberais &amp; Republicanos</I>, Lisboa, Livros Horizonte.    </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0873-6529200200010000800049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P> </P>     <!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Salazar, Ant&#243;nio de Oliveira (1997),    <I>In&#233;ditos e Dispersos I, Escritos Pol&#237;tico-sociais e Doutrin&#225;rios    (1908-1928), </I>organiza&#231;&#227;o e pref&#225;cio de M. Braga da Cruz,    Venda Nova, Bertrand Ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0873-6529200200010000800050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Serr&#227;o, Joel (1978), <I>Temas Oitocentistas:    II</I>, Lisboa, Livros Horizonte. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0873-6529200200010000800051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Telo, Ant&#243;nio Jos&#233; (1977), <I>O    Sidonismo e o Movimento Oper&#225;rio Portugu&#234;s: Luta de Classes em Portugal,    1917-1919</I>, Lisboa, Ulmeiro. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0873-6529200200010000800052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Torga, Miguel (1943, 1991), <I>O Senhor    Ventura</I>, Coimbra, Edi&#231;&#227;o do Autor, 3.&#170; ed. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0873-6529200200010000800053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Valente, Vasco Pulido (1974), <I>O Poder    e o Povo: A Revolu&#231;&#227;o de 1910</I>, Lisboa, Publica&#231;&#245;es Dom    Quixote. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0873-6529200200010000800054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Vaquinhas, Irene Maria (1995), <I>Viol&#234;ncia,    Justi&#231;a e Sociedade Rural</I>, Porto, Afrontamento. </FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0873-6529200200010000800055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> Vaquinhas, Irene Maria (2001), &#147;Alguns    aspectos da viol&#234;ncia nos campos portugueses do s&#233;culo XIX&#148;,    <I>Revista de Hist&#243;ria da Sociedade e da Cultura, </I>1, pp. 285-325.</FONT> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0873-6529200200010000800056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P ALIGN="LEFT">&nbsp; </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="LEFT"><FONT COLOR="#1f1a17"> <a name="back" id="back"></a> <a href="#top">*</a>    Eduardo Cintra Torres. Jornalista, cr&#237;tico, autor.    <BR>   <I>E-mail</I>: <a href="mailto:eduardo.torres@cintra-leal.pt">eduardo.torres@cintra-leal.pt</a>    </FONT></P>     <P> </P>      ]]></body><back>
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