<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0873-6529</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Sociologia, Problemas e Práticas]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Sociologia]]></abbrev-journal-title>
<issn>0873-6529</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Editora Mundos Sociais]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0873-65292009000200009</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Esquerda e direita na política europeia: Portugal, Espanha e Grécia em Perspectiva Comparada]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Diogo]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>05</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>05</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<numero>60</numero>
<fpage>135</fpage>
<lpage>139</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-65292009000200009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-65292009000200009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-65292009000200009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><B>Esquerda e direita na política europeia</B></P>      <p><B>Portugal, Espanha e Gr&#233;cia em Perspectiva Comparada,</B></P>     <P><B>[Andr&#233; Freire, 2006, Lisboa, Imprensa de&nbsp;Ci&#234;ncias Sociais]</B></P>      <p>Diogo Moreira<sup><a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a></sup></P>      <p>&nbsp;</P>      <p>Esquerda e direita. N&#227;o dever&#227;o existir palavras mais conhecidas do discurso  pol&#237;tico do que estas duas. S&#227;o estes os gritos de batalha que percorrem  o combate pol&#237;tico em toda a sua amplitude. Exclusivos por defini&#231;&#227;o, permitem  com clareza demarcar as linhas do combate ideol&#243;gico na sua ess&#234;ncia. S&#227;o  estes os mitos fundamentais (porventura &#250;nicos) donde jorra a esmagadora  maioria do pensamento pol&#237;tico, pelo menos na Europa e na Am&#233;rica Latina.  Se a pol&#237;tica fosse uma religi&#227;o, estas seriam as divindades em confronto. </P>     <p> Como todos os mitos, quase toda a gente ouviu falar de esquerda e direita,    mas muito poucos sabem dizer o que tais conceitos significam. Da&#237; adv&#233;m    a import&#226;ncia do t&#243;pico que este livro de Andr&#233; Freire procura    trazer ao panorama acad&#233;mico nacional. N&#227;o irei tecer refer&#234;ncias    ao autor, que &#233; sobejamente conhecido por todos n&#243;s, e em especial    pelos leitores desta revista. Direi apenas que se Portugal come&#231;a a ter    ci&#234;ncia pol&#237;tica, no sentido acad&#233;mico do termo, a ele deve muito.    Tamb&#233;m sobre a notoriedade do livro, bastar&#225; apenas referir que est&#225;    entre os dez livros mais vendidos da Imprensa de Ci&#234;ncias Sociais (dados    referentes a Fevereiro de 2007), <SUP><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></SUP>    e quem quiser consultar essa tabela rapidamente se aperceber&#225; dos livros    de ci&#234;ncia pol&#237;tica dessa editora que n&#227;o constam dos dez mais    vendidos, o que ainda refor&#231;a mais a notoriedade deste livro. </P>     <p> O objectivo central deste livro &#233; o de &#147;aferir em que medida a aprendizagem  pol&#237;tica, definida em termos de longevidade do regime democr&#225;tico, determina  o reconhecimento, o uso e o grau de estrutura&#231;&#227;o das categorias esquerda  e direita entre os eleitores dos diferentes pa&#237;ses&#148; (p. 24). Para esse  efeito s&#227;o efectuadas an&#225;lises emp&#237;ricas de tr&#234;s tipos: 1) &#233; analisada  a rela&#231;&#227;o entre o posicionamento ideol&#243;gico dos eleitores e as suas atitudes  perante os principais temas de conflito das sociedades contempor&#226;neas;  2) s&#227;o estudadas quais as rela&#231;&#245;es entre a identifica&#231;&#227;o partid&#225;ria e a  ideologia; e finalmente 3) s&#227;o estudadas as bases sociais do posicionamento  na escala esquerda-direita. </P>     <p> No primeiro cap&#237;tulo procura-se definir o que se quer dizer com a diferencia&#231;&#227;o  entre esquerda e direita, ao mesmo tempo que se relata o m&#233;todo de pesquisa  e as fontes emp&#237;ricas utilizadas. Apesar de descrever uma perspectiva hist&#243;rica  sobre os conceitos cl&#225;ssicos de esquerda <I>vs</I> direita que remontam &#224; Revolu&#231;&#227;o  Francesa, a par de perspectivas filos&#243;ficas e de teoria pol&#237;tica sobre  o que significa ser de esquerda e ser de direita, &#233; exclusivamente sobre  as defini&#231;&#245;es de esquerda e de direita na ci&#234;ncia pol&#237;tica que este livro  se ocupa. Assim, a diferencia&#231;&#227;o no autoposicionamento na escala esquerda-direita  por parte de um indiv&#237;duo &#233; resultado de tr&#234;s tipos de factores: as clivagens  sociais, os sistemas de valores, e as identifica&#231;&#245;es partid&#225;rias. </P>      <p> Em termos de dados emp&#237;ricos, o livro baseia-se numa an&#225;lise comparativa  de dados secund&#225;rios, fundamentalmente provenientes de inqu&#233;ritos de opini&#227;o  por amostragem, realizados entre 1976 e 2002. A an&#225;lise &#233; transnacional,  procurando n&#227;o s&#243; comparar o comportamento dos cidad&#227;os de treze democracias  &#151; Portugal, Espanha, Gr&#233;cia, Fran&#231;a, Gr&#227;-Bretanha, Alemanha, &#193;ustria, It&#225;lia,  Holanda, Dinamarca, B&#233;lgica, Su&#233;cia e Irlanda &#151; mas tamb&#233;m explicar as  diferen&#231;as entre os v&#225;rios pa&#237;ses. A selec&#231;&#227;o de casos obedeceu ao crit&#233;rio  de tentar responder &#224; quest&#227;o principal do livro, ou seja, em que medida  a longevidade do regime democr&#225;tico afecta a ideologia dos indiv&#237;duos.  Para isso era necess&#225;rio contrastar novas democracias (Portugal, Espanha  e Gr&#233;cia) com democracias europeias consolidadas (os restantes casos).  A aus&#234;ncia dos pa&#237;ses da Europa de Leste prende-se sobretudo com o diferente  tipo de transi&#231;&#227;o pela qual passaram (uma dupla transi&#231;&#227;o pol&#237;tica e econ&#243;mica)  e com o facto de fazerem transi&#231;&#245;es do comunismo para a democracia, enquanto  as jovens democracias da Europa do Sul fizeram transi&#231;&#245;es do autoritarismo  de direita. A jun&#231;&#227;o dos casos da Europa de Leste poderia p&#244;r em causa  o m&#233;todo comparativo dos casos mais similares, utilizado neste livro, e  que advoga a utiliza&#231;&#227;o de casos o mais similares poss&#237;vel, para que as  vari&#225;veis que sejam diferentes possam fazer parte da explica&#231;&#227;o. Assim  sendo, a escolha dos treze casos parece-nos equilibrada e conceptualmente  s&#243;lida. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> No segundo cap&#237;tulo &#147;analisou-se o impacto de tr&#234;s sistemas de valores  (socioecon&#243;micos, religiosos e &#145;nova pol&#237;tica&#146;), associados a tr&#234;s tipos  de clivagem fundamentais da pol&#237;tica de massas (Capital &#151; Trabalho; Estado  &#151; Igreja; &#145;nova pol&#237;tica&#146;), para estruturar a divis&#227;o entre esquerda e  direita no pensamento dos eleitorados&#148; (p.&nbsp;163). Como j&#225; tinha sido antecipado,  aquando da descri&#231;&#227;o do m&#233;todo de selec&#231;&#227;o de casos deste estudo, esperava-se  que houvesse um menor grau de estrutura&#231;&#227;o ideol&#243;gica nas novas democracias  da Europa do Sul, por oposi&#231;&#227;o aos restantes pa&#237;ses da Europa Ocidental,  tendo em vista o menor per&#237;odo de vig&#234;ncia do regime democr&#225;tico. Tal veio  a verificar-se como n&#227;o tendo validade emp&#237;rica, sendo as diferen&#231;as de  sofistica&#231;&#227;o ideol&#243;gica do eleitorado entre as antigas e as novas democracias  inferiores &#224;s pr&#243;prias diferen&#231;as entre os pa&#237;ses dentro das duas categorias. </P>     <p> De uma forma geral, verificou-se que, em termos de valores socioecon&#243;micos,  os indiv&#237;duos que consideram mais importante combater a desigualdade e  que o estado tenha um papel mais activo na sociedade e na economia tendem  a posicionar-se &#224; esquerda, enquanto os valores inversos s&#227;o de direita.  Em termos de valores religiosos, s&#227;o os indiv&#237;duos que d&#227;o maior import&#226;ncia  ao papel da religi&#227;o ou que tem posi&#231;&#245;es contr&#225;rias &#224; liberaliza&#231;&#227;o do  aborto que se colocam &#224; direita, e vice-versa para as pessoas de esquerda.  Em termos da &#147;nova pol&#237;tica&#148;, a toler&#226;ncia face aos emigrantes e a igualdade  de g&#233;nero parecem ser temas de esquerda, enquanto que os seus opositores  est&#227;o no campo oposto. </P>     <p> Desta parte do estudo retira-se uma das conclus&#245;es mais badaladas de todo  o livro: um dos principais factores que explica o papel da ideologia como  factor explicativo do voto do eleitorado prende-se com o grau de polariza&#231;&#227;o  ideol&#243;gica dos partidos. Quanto maior for a diferencia&#231;&#227;o ideol&#243;gica entre  os diferentes partidos em disputa, em especial entre os maiores partidos,  maior ser&#225; o poder explicativo dos valores na orienta&#231;&#227;o esquerda-direita,  sendo maior assim a sofistica&#231;&#227;o ideol&#243;gica do eleitorado. Resta afirmar  que em Portugal, devido &#224; fraca distin&#231;&#227;o ideol&#243;gica entre PS e PSD, a  sofistica&#231;&#227;o ideol&#243;gica do eleitorado portugu&#234;s &#233; muito fraca. </P>      <p> No terceiro cap&#237;tulo procura-se comparar a evolu&#231;&#227;o da identifica&#231;&#227;o ideol&#243;gica  do eleitorado ao longo do tempo com a sua identifica&#231;&#227;o partid&#225;ria (p.  234). A primeira constata&#231;&#227;o que se retira &#233; que a identifica&#231;&#227;o esquerda-direita  continua a ser bastante mais forte do que a respectiva identifica&#231;&#227;o partid&#225;ria,  tanto nas velhas como nas novas democracias. </P>     <p> Em termos de eros&#227;o por efeitos temporais, foi conclu&#237;do que a identifica&#231;&#227;o  ideol&#243;gica sofreu menor decr&#233;scimo do que as atitudes em rela&#231;&#227;o aos partidos,  fazendo com que a teoria do desalinhamento partid&#225;rio pare&#231;a ter alguma  for&#231;a. Pelo contr&#225;rio, as teses sobre o fim da Hist&#243;ria, entendido como  o fim das diferen&#231;as ideol&#243;gicas, e como o primar do neoliberalismo como  ideologia dominante, parecem n&#227;o ter acolhimento em termos de atitudes  do eleitorado, apesar de dominantes no discurso p&#250;blico. </P>     <p> Quando nos concentramos nas diferen&#231;as entre as democracias consolidadas  e as novas democracias da Europa do Sul, n&#227;o se encontra nestes &#250;ltimos  casos nenhum efeito de eros&#227;o da identifica&#231;&#227;o ideol&#243;gica, algo que tamb&#233;m  &#233; partilhado por algumas das antigas democracias. Mais uma vez parece aqui  ter algum efeito o n&#237;vel de polariza&#231;&#227;o ideol&#243;gica dos partidos, sendo  que quanto mais polarizados menor ser&#225; o grau comparativo de eros&#227;o da  identidade partid&#225;ria. Tal como antecipado, existem claras diferen&#231;as em  termos temporais entre as antigas e as novas democracias, com estas &#250;ltimas  a demonstrarem das d&#233;cadas de 1970-80 menores n&#237;veis de identifica&#231;&#227;o,  tanto ideol&#243;gica como partid&#225;ria, do que as suas cong&#233;neres democr&#225;ticas  consolidadas. Aqui a Gr&#233;cia parece ter um comportamento distinto de Portugal  e Espanha, tendo enunciado uma aproxima&#231;&#227;o aos padr&#245;es comportamentais  dos pa&#237;ses da Europa Ocidental muito mais c&#233;lere do que os restantes membros  das novas democracias da Europa do Sul. Tal poder&#225; ser explicado pela sua  transi&#231;&#227;o democr&#225;tica mais precoce e por um maior per&#237;odo de aprendizagem  pol&#237;tica (em democracia) da sua popula&#231;&#227;o. </P>     <p> O quarto cap&#237;tulo procura estudar o enraizamento social da divis&#227;o entre  esquerda e direita, de forma a determinar se s&#227;o factores sociais os que  mais determinam o alinhamento ideol&#243;gico. O primeiro dado a retirar &#233; que  &#147;a ancoragem das orienta&#231;&#245;es esquerda-direita nas estruturas sociais &#233;  bastante baixa na esmagadora maioria dos pa&#237;ses europeus analisados&#148; (p.  286). </P>     <p> Contudo, quando considerados nas v&#225;rias dimens&#245;es sociais, por exemplo,  confian&#231;a dos indiv&#237;duos nos grupos de interesse ou institui&#231;&#245;es relacionadas  com as clivagens Capital-Trabalho (tais como corpora&#231;&#245;es <I>vs</I> sindicatos)  ou Estado-Igreja (religi&#245;es de culto), a determina&#231;&#227;o social da ideologia  cresce consideravelmente. &#201; assim afirmado que o tradicional decl&#237;nio das  posi&#231;&#245;es de estrutura social (classe, rendimento, pr&#225;tica religiosa), vulgarmente  designadas como factores sociais estruturais, parecem ter perdido for&#231;a  como elemento determinativo do posicionamento ideol&#243;gico das gera&#231;&#245;es mais  novas, vendo o seu papel substitu&#237;do pela perten&#231;a a associa&#231;&#245;es e grupos  de interesses, fen&#243;menos relacionados com a &#147;nova pol&#237;tica&#148;, e com o seu  crescimento assistimos, nas palavras do autor, &#147;a uma pol&#237;tica cada vez  mais estruturada a partir dos valores e identidades sociais dos indiv&#237;duos  e relativamente independente das suas posi&#231;&#245;es na estrutura social e cultural&#148;  (p.&nbsp;287). </P>      <p> Tamb&#233;m neste t&#243;pico se encontram diferen&#231;as entre os pa&#237;ses analisados,  que ultrapassam a clivagem entre velhas e novas democracias, nomeadamente  o grau de influ&#234;ncia dos factores sociais, dos valores e da lealdade partid&#225;ria  no posicionamento esquerda-direita. Alguns pa&#237;ses, entre os quais Portugal,  parecem auferir de um menor grau de depend&#234;ncia da ideologia nos factores  acima mencionados. A outros pa&#237;ses, como Espanha, acontece-lhes exactamente  o contr&#225;rio, sendo muito forte o impacto dos factores sociais e da orienta&#231;&#227;o  partid&#225;ria sobre o posicionamento ideol&#243;gico. Mais uma vez, o n&#237;vel de  polariza&#231;&#227;o ideol&#243;gica dos partidos, em particular dos maiores, parece  ser respons&#225;vel por esta diferen&#231;a, com a indefini&#231;&#227;o ideol&#243;gica dos partidos  a proporcionar um maior desalinhamento social e partid&#225;rio sobre o posicionamento  esquerda-direita. Finalmente, parece tamb&#233;m haver um efeito p&#243;s-moderniza&#231;&#227;o  em alguns pa&#237;ses, parecendo que a maior influ&#234;ncia dos valores e orienta&#231;&#245;es  partid&#225;rias sobre a ideologia vis-&#224;-vis os factores estruturais &#233; maior,  quanto mais educada e com maior acesso &#224; imprensa for uma popula&#231;&#227;o. </P>     <p> Em conclus&#227;o, o livro defende as seguintes teses: 1) que nas tr&#234;s novas  democracias mediterr&#226;neas, as popula&#231;&#245;es t&#234;m demonstrado um menor grau  de posicionamento na escala ideol&#243;gica do que as suas contrapartes nas  democracias consolidadas; 2) que entre 1976 e 2002 esta diferen&#231;a de reconhecimento  ideol&#243;gico entre antigas e novas democracias se tem vindo a esbater; 3)  que existe maior volatilidade, isto &#233;, s&#227;o mais perme&#225;veis a factores conjunturais,  no reconhecimento ideol&#243;gico nas tr&#234;s novas democracias, por oposi&#231;&#227;o aos  restantes pa&#237;ses; 4) que tanto num grupo como noutro n&#227;o existe suporte  emp&#237;rico para a tese do &#147;fim da ideologia&#148;, havendo na maioria dos casos  um aumento ou estabiliza&#231;&#227;o do reconhecimento ideol&#243;gico entre o eleitorado;  5) que se confirma que o posicionamento ideol&#243;gico do indiv&#237;duo depende  dos valores pol&#237;ticos, das simpatias partid&#225;rias e do posicionamento na  estrutura sociocultural, n&#227;o estando relacionado com a longevidade do regime  democr&#225;tico. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Como afirmado acima, o ponto mais saliente de todo o livro &#233; a import&#226;ncia  da polariza&#231;&#227;o ideol&#243;gica dos partidos, em especial dos dois maiores, para  a estrutura&#231;&#227;o ideol&#243;gica das escolhas dos eleitores. Quanto mais claras  forem as escolhas ideol&#243;gicas, ou seja, o posicionamento dos pr&#243;prios partidos  diferenciando-se uns dos outros, maior relev&#226;ncia adquire a ideologia na  escolha dos cidad&#227;os. Em suma, &#147;o fim da ideologia&#148; e outras banalidades  do g&#233;nero, que tanto t&#234;m contribu&#237;do para o denegrir da pol&#237;tica, dos pol&#237;ticos  e da imagem dos pr&#243;prios partidos, parecem ser culpa... das pr&#243;prias elites  pol&#237;ticas. Que numa corrida cega para adquirir o maior n&#250;mero de votos,  parecem estar a alienar e a volatilizar a sua pr&#243;pria base eleitoral, dando  origem ao &#147;centr&#227;o&#148;, uma entidade t&#227;o difusa como inconsequente, que dificilmente  tem uma real raiz ideol&#243;gica. O maior benef&#237;cio deste livro de Andr&#233; Freire  parece ser o de demonstrar que a ideologia est&#225; viva e recomenda-se. Pena  que o mesmo n&#227;o possa ser dito da nossa elite pol&#237;tica. </P>      <p>&nbsp;</P>     <p><sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></sup> Tabela consultada em <a href="http://www.ics.ul.pt/imprensa/top10.asp" target="_blank">http://www.ics.ul.pt/imprensa/top10.asp</a>.</p>     <p>&nbsp;</P>      <p><sup><a href="#topa1">*</a><a name="a1"></a></sup> Doutorando em Ci&#234;ncia    Pol&#237;tica no ICS-UL. <I>E-mail</I>:&nbsp;<a href="mailto:Diogo.Moreira@ics.ul.pt">Diogo.Moreira@ics.ul.pt</a></P>       ]]></body>
</article>
