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</front><body><![CDATA[ <p><b>Classes sociais. Condi&ccedil;&atilde;o Objectiva, Identidade e Ac&ccedil;&atilde;o Colectiva [Manuel Carlos Silva, 2009, Vila Nova de Famalic&atilde;o, Edi&ccedil;&otilde;es H&uacute;mus] </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nuno Nunes*</b></p>      <p>&nbsp;*   Assistente de investiga&ccedil;&atilde;o do CIES-IUL. <i>E-mail</i>:  <a href="mailto:nuno.nunes@iscte.pt">nuno.nunes@iscte.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>O livro <i>Classes Sociais</i>, da autoria de Manuel Carlos Silva, inscreve-se no que de melhor a sociologia portuguesa tem produzido ao longo dos anos na tem&aacute;tica das classes e das desigualdades sociais, n&atilde;o fosse o autor do texto um dos protagonistas do desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o da sociologia das classes sociais em Portugal. A obra, que re&uacute;ne alguns textos j&aacute; anteriormente publicados, &eacute; um ensaio sobre as classes sociais, onde o autor constr&oacute;i um &#8220;estado da arte te&oacute;rico e problem&aacute;tico&#8221; apurado, rico e actualizado dos elementos centrais das teorias e estudo das classes sociais. </p>      <p>O ponto de partida do livro &eacute; uma revisita&ccedil;&atilde;o das teorias marxistas, neomarxistas, neoweberianas, bem como uma reavalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica das teorias funcionalistas da estratifica&ccedil;&atilde;o, mas a<b> </b>import&acirc;ncia do subt&iacute;tulo da obra &#8212;<i>Condi&ccedil;&atilde;o Objectiva, Identidade e Ac&ccedil;&atilde;o Colectiva</i> &#8212; apela a toda uma problematiza&ccedil;&atilde;o presente na sociologia contempor&acirc;nea das classes sociais, que remete para problemas te&oacute;ricos centrais, como s&atilde;o os das rela&ccedil;&otilde;es entre estrutura e ac&ccedil;&atilde;o, das media&ccedil;&otilde;es entre classe objectiva e classe subjectiva, ou da articula&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de an&aacute;lise, desde o estrutural ao interactivo. Em simult&acirc;neo, a sua argumenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica rigorosa lan&ccedil;a desafios &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica e aos objectos emp&iacute;ricos sobre classes sociais, quando interpela sobre as suas condi&ccedil;&otilde;es objectivas de vida, h&aacute;bitos e estilos de vida, as suas pr&aacute;ticas e representa&ccedil;&otilde;es na vida quotidiana, as suas formas de organiza&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel sindical e pol&iacute;tico-partid&aacute;rio, as suas identidades e condi&ccedil;&otilde;es de ac&ccedil;&atilde;o colectiva. </p>      <p>A obra &eacute;-nos apresentada, em modo de pr&oacute;logo, por Salvador Giner, presidente da Academia das Ci&ecirc;ncias da Catalunha, com o sugestivo t&iacute;tulo de &#8220;El retorno de la clase social&#8221;. Precisamente, Salvador Giner reconhece o trabalho de Manuel Carlos Silva e os contributos da sociologia das classes sociais em Portugal, ao mesmo tempo que apela &agrave; necessidade de se reivindicar e promover o retorno da quest&atilde;o das classes por parte das ci&ecirc;ncias sociais e a respectiva capacidade de compreender e explicar satisfatoriamente as desigualdades sociais. </p>      <p>No cap&iacute;tulo dois, o autor come&ccedil;a por dar conta da evolu&ccedil;&atilde;o do conceito de classe e por delimit&aacute;-lo com o seu usual contraponto &#8212; o de estrato social &#8212;, procurando mostrar que a conceptualiza&ccedil;&atilde;o das classes sociais det&eacute;m um alcance anal&iacute;tico mais te&oacute;rico e din&acirc;mico que o conceito de estratifica&ccedil;&atilde;o social. No terceiro cap&iacute;tulo, procura-se mostrar como as desigualdades sociais t&ecirc;m constitu&iacute;do uma constante em diversos tipos de sociedade ao longo da hist&oacute;ria (desde a Antiguidade at&eacute; aos dias de hoje). Parte integrante da modernidade, a rela&ccedil;&atilde;o desigualdades sociais/classes e os conflitos de classe t&ecirc;m estado presentes no desenvolvimento das sociedades industriais, que tiveram no incremento do Estado-provid&ecirc;ncia uma das suas principais conquistas. </p>      <p>Os cap&iacute;tulos seguintes (quatro, cinco e seis) s&atilde;o sobretudo de discuss&atilde;o te&oacute;rica, onde &eacute; feita a exposi&ccedil;&atilde;o e o confronto das teorias cl&aacute;ssicas em torno da estratifica&ccedil;&atilde;o e das classes sociais: a teoria da estratifica&ccedil;&atilde;o sustentada pelo estruturo-funcionalismo em marcante contraste com a teoria das classes sociais defendida e desenvolvida quer pelo (neo)marxismo, quer pelo (neo)weberianismo. A seguir, o autor avalia as teorias cl&aacute;ssicas, prosseguindo a reflex&atilde;o de autores de inspira&ccedil;&atilde;o marxista e weberiana por uma pr&oacute;-teoria que caminhe em direc&ccedil;&atilde;o a uma concep&ccedil;&atilde;o multidimensional e sint&eacute;tica de classe. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O autor considera fundamental o enriquecimento do marxismo atrav&eacute;s dos contributos de Max Weber. &Eacute; solidamente sustentada uma posi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de s&iacute;ntese, o que significa, para o campo (neo)marxista, uma adequada leitura de Marx e Engels e a ruptura com as teorias economicistas-estruturalistas e hist&oacute;rico-culturalistas, e para o campo (neo)weberiano, a valoriza&ccedil;&atilde;o relativa do econ&oacute;mico e a desconstru&ccedil;&atilde;o de uma certa substancializa&ccedil;&atilde;o ou reifica&ccedil;&atilde;o do poder. </p>      <p>A vis&atilde;o multidimensional das classes sociais que o autor prop&otilde;e (principalmente nos cap&iacute;tulos sete e oito), arreiga-se no que de melhor a sociologia das classes sociais &#8212; tribut&aacute;ria de um &#8220;transparadigmatismo de s&iacute;ntese&#8221;, como refere Jo&atilde;o Ferreira de Almeida &#8212; tem produzido ao longo dos &uacute;ltimos anos, solidamente ancorada nos decisivos contributos de Pierrre Bourdieu, e que encontra tamb&eacute;m em Erik Olin Wright, Veit Bader e Albert Benshop v&aacute;lidos contributos prospectivos para o desenvolvimento das teorias das classes sociais. A consagra&ccedil;&atilde;o de diversos patamares de defini&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o das classes, desde a condi&ccedil;&atilde;o objectiva at&eacute; &agrave; ac&ccedil;&atilde;o colectiva, incorporando certos conceitos mediadores como os de <i>habitus</i>, estilos de vida, identidade, g&eacute;nero e etnicidade, sem obnubilar o contexto das institui&ccedil;&otilde;es, dos conflitos, dos sistemas organizacionais, bem como dos quadros de rela&ccedil;&otilde;es interaccionais, assume para o autor um car&aacute;cter decisivo. </p>      <p>Nos cap&iacute;tulos nove e dez, s&atilde;o-nos oferecidos elementos te&oacute;ricos v&aacute;lidos para uma integrada consolida&ccedil;&atilde;o dos conceitos de vida quotidiana (ou quotidiano), estilos de vida, identidade e ac&ccedil;&atilde;o colectiva no <i>corpus </i>cient&iacute;fico do estudo das classes. No essencial, o autor alerta para a tend&ecirc;ncia dominante para subestimar ou at&eacute; ignorar os constrangimentos estruturais, argumenta como os estilos de vida e os padr&otilde;es de consumo n&atilde;o est&atilde;o desligados das clivagens de classe, que a centralidade do trabalho constitui um dos pilares das identidades colectivas e individuais, e s&atilde;o apresentadas as linhas gerais do modelo de ac&ccedil;&atilde;o colectiva de Bader. </p>      <p>O autor faz ainda uma breve revisita&ccedil;&atilde;o dos estudos sobre classes sociais produzidos em Portugal e lan&ccedil;a algumas propostas de refinamento das tipologias de classes existentes. </p>      <p>O livro que Manuel Carlos Silva agora nos oferece &eacute; sem d&uacute;vida um excelente contributo de rigor e s&iacute;ntese te&oacute;rica e que nos proporciona, como o fazem as boas obras, horizontes de desenvolvimento anal&iacute;tico e emp&iacute;rico. Em suma, trata-se de um valioso contributo para o aprofundamento da problem&aacute;tica das desigualdades sociais nas sociedades contempor&acirc;neas. </p>           ]]></body>
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