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</front><body><![CDATA[ <p><b>O Sistema Pol&iacute;tico Portugu&ecirc;s, S&eacute;culos XIX-XXI. Continuidades e Ruturas</b> <b>&#91;Andr&eacute; Freire (org.), 2012, Coimbra, Almedina&#93;</b> </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Jos&eacute; Pedro Teixeira Fernandes*</b></p>      <p>* Professor-coordenador do ISCET-Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias Empresariais e do Turismo. Rua de Cedofeita n.&ordm; 285, 4050-180 Porto. E-mail: <a href="mailto:jfernandes@iscet.pt">jfernandes@iscet.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>O <i>Sistema Pol&iacute;tico Portugu&ecirc;s, S&eacute;culos XIX-XXI. Continuidades e Ruturas</i>, &eacute; uma obra coletiva, com organiza&ccedil;&atilde;o de Andr&eacute; Freire, assinando este ainda um cap&iacute;tulo introdut&oacute;rio e os cap&iacute;tulos finais da mesma. O autor/organizador &eacute; professor do Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE-IUL), investigador do CIES-IUL e um dos mais importantes nomes da atual Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica portuguesa, com vasta obra j&aacute; publicada. O livro agora editado pela Almedina foi inserido no &acirc;mbito da cole&ccedil;&atilde;o de manuais universit&aacute;rios da editora, sendo baseado nas comunica&ccedil;&otilde;es efetuadas num ciclo de confer&ecirc;ncias sobre esta mesma tem&aacute;tica. O ciclo decorreu na Biblioteca Museu Rep&uacute;blica e Resist&ecirc;ncia, em Lisboa, entre outubro de 2008 e fevereiro de 2009, tendo similar t&iacute;tulo. O objetivo geral da publica&ccedil;&atilde;o foi tra&ccedil;ado pelo autor/organizador como sendo o de fornecer &#8220;uma vis&atilde;o geral sobre as continuidades e ruturas do sistema pol&iacute;tico portugu&ecirc;s ao longo de quatro regimes pol&iacute;ticos&#8221; (p. 5). Trata-se de um texto de perfil acad&eacute;mico-cient&iacute;fico, tendo o seu p&uacute;blico natural nos cursos de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, Sociologia, Direito, Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e outras forma&ccedil;&otilde;es afins na &aacute;rea das Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanidades. Pela sua dimens&atilde;o de s&iacute;ntese e tipo de abordagem aos assuntos tratados, &eacute; tamb&eacute;m uma obra relevante para diversos p&uacute;blicos fora da academia, como jornalistas e todos aqueles que se interessam pelo sistema pol&iacute;tico portugu&ecirc;s, seja por motivos de curiosidade intelectual ou por raz&otilde;es pol&iacute;ticas pr&aacute;ticas. </p>      <p>Os textos foram organizados em quatro partes que correspondem &agrave;s divis&otilde;es &#8220;naturais&#8221; do tema. Abrangem os diferentes per&iacute;odos da hist&oacute;ria constitucional portuguesa, numa sequ&ecirc;ncia cronol&oacute;gica, desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX at&eacute; &agrave; atualidade no s&eacute;culo XXI. A primeira parte aborda o per&iacute;odo da Monarquia Constitucional (1834-1910), a segunda versa a I Rep&uacute;blica (1910-1926), a terceira incide sobre o Estado Novo (1926-1974) e a quarta e &uacute;ltima parte refere-se ao per&iacute;odo p&oacute;s-1974, sob t&iacute;tulo Democracia/II Rep&uacute;blica. A obra tem a participa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios especialistas no sistema pol&iacute;tico portugu&ecirc;s e nos diferentes per&iacute;odos da nossa hist&oacute;ria constitucional. Inclui textos de Paulo Jorge Fernandes (&#8220;O Sistema Pol&iacute;tico na Monarquia Constitucional, 1834-1910&#8221;), de Pedro Tavares de Almeida (&#8221;Reformas eleitorais e din&acirc;mica pol&iacute;tica no Portugal liberal, 1852-1910&#8221;), de Fernando Farelo Lopes (&#8220;Concorr&ecirc;ncia partid&aacute;ria e processo pol&iacute;tico-institucional na I Rep&uacute;blica&#8221;), de Ant&oacute;nio de Ara&uacute;jo (&#8220;Institui&ccedil;&otilde;es e poder pol&iacute;tico na I Rep&uacute;blica&#8221;), de Goffredo Adinolfi (&#8220;O sistema pol&iacute;tico do Estado Novo&#8221;), de Ant&oacute;nio Costa Pinto (&#8220;O Estado Novo e o fascismo europeu&#8221;), de Andr&eacute; Freire e Manuel Meirinho (&#8220;Sistema eleitoral, de partidos e de governo: o caso portugu&ecirc;s em perspetiva comparativa&#8221;), e, por &uacute;ltimo, de Andr&eacute; Freire (&#8220;A representa&ccedil;&atilde;o das minorias na democracia portuguesa seguido de continuidades e ruturas nos regimes pol&iacute;ticos do oitocento e novecento portugueses&#8221;). </p>      <p>Conforme faz notar o autor/organizador, a principal novidade do livro no panorama editorial portugu&ecirc;s consiste em reunir, num &uacute;nico texto, &#8220;investiga&ccedil;&otilde;es dispersas e atualizadas sobre a natureza e as carater&iacute;sticas do sistema pol&iacute;tico portugu&ecirc;s ao longo de quatro regimes da era contempor&acirc;nea, ou seja, ap&oacute;s as Revolu&ccedil;&otilde;es Americana e Francesa&#8221; (p. 11). Existem, naturalmente, outras obras de refer&ecirc;ncia para o estudo desta tem&aacute;tica, sobretudo na perspetiva de aprofundamentos espec&iacute;ficos. &Eacute; esse o caso de <i>Pensamento e A&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica. Portugal S&eacute;culo XX (1890-1976)</i> da autoria de Fernando Rosas, do livro coordenado por Ant&oacute;nio Costa Pinto e editado em l&iacute;ngua inglesa sob o t&iacute;tulo <i>Contemporary Portugal</i> e do trabalho de Adelino Maltez, <i>Tradi&ccedil;&atilde;o e Revolu&ccedil;&atilde;o. Uma Biografia do Portugal Pol&iacute;tico do S&eacute;culo XIX ao S&eacute;culo XXI.</i> Todavia, nenhuma dessas obras &#8220;que procuram funcionar como s&iacute;ntese compreensiva do Portugal contempor&acirc;neo aborda e compara de forma sistem&aacute;tica e igualmente abrangente a natureza, as carater&iacute;sticas e o funcionamento dos sistemas pol&iacute;ticos modernos em Portugal&#8221; (<i>idem</i>). Esta n&atilde;o &eacute; uma vantagem despicienda, sobretudo para aqueles cujo objetivo principal &eacute; adquirir uma vis&atilde;o de conjunto do tema. Isto ocorre, frequentemente, por raz&otilde;es de tempo, de investimento em bibliografia, ou outras limita&ccedil;&otilde;es, sendo-se levado a privilegiar um texto com capacidade de transmitir o fundamental, atrav&eacute;s de uma escrita rigorosa e clara. As conclus&otilde;es do livro (pp. 291-297) s&atilde;o um bom exemplo desse esp&iacute;rito de s&iacute;ntese e capacidade de transmitir ao leitor, com rigor, em relativamente poucas p&aacute;ginas, um conjunto de ideias-chave sobre as continuidades e ruturas existentes. Outro dos m&eacute;ritos do livro &eacute; o estudo dos quatro sistemas pol&iacute;ticos portugueses, em frequente liga&ccedil;&atilde;o com as tend&ecirc;ncias internacionais do mundo que cultural e politicamente nos &eacute; mais pr&oacute;ximo. Para o leitor mais interessado na atualidade, s&atilde;o particularmente ricos em informa&ccedil;&atilde;o comparativa os textos finais de Andr&eacute; Freire e de Andr&eacute; Freire em coautoria com Manuel Meirinho. Neste &uacute;ltimo, por exemplo, encontra-se bastante informa&ccedil;&atilde;o comparativa das v&aacute;rias solu&ccedil;&otilde;es da atual Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 com outros pa&iacute;ses do mundo de perfil democr&aacute;tico, nomeadamente quanto aos poderes do chefe de estado, aos tipos de sistema eleitoral, aos n&iacute;veis de proporcionalidade da legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral, aos tipos de governo existentes (coliga&ccedil;&atilde;o, monopartid&aacute;rio, etc.). </p>      <p>&Eacute; quase inevit&aacute;vel, quando lemos uma obra deste g&eacute;nero, n&atilde;o interagirmos com o presente. Quando pensamos nas atuais dificuldades da sociedade portuguesa, no desencanto com os partidos pol&iacute;ticos e na desagrad&aacute;vel sensa&ccedil;&atilde;o de falta de resposta das institui&ccedil;&otilde;es aos problemas do cidad&atilde;o, tudo isto associado a um sentimento de grande incerteza econ&oacute;mica e instabilidade pol&iacute;tico-social, uma interroga&ccedil;&atilde;o mentalmente ocorre. Ser&aacute; que estamos perante uma anomalia hist&oacute;rica ou este desencanto com o presente configura um padr&atilde;o enraizado no passado? Como mostram os sucessivos textos, a hist&oacute;ria do sistema pol&iacute;tico portugu&ecirc;s na era contempor&acirc;nea &eacute;, numa parte significativa, uma hist&oacute;ria de instabilidade pol&iacute;tica. Apesar de tudo, essa perce&ccedil;&atilde;o talvez possa dar ao leitor de hoje algum conforto intelectual. Quando comparados os problemas do presente com os do passado, as debilidades do atual sistema pol&iacute;tico, e mesmo a grave crise econ&oacute;mico-financeira, at&eacute; saem relativizadas. Na era pol&iacute;tica contempor&acirc;nea n&atilde;o faltaram per&iacute;odos de luta pol&iacute;tica intensa e por vezes mesmo violenta. O estado portugu&ecirc;s esteve, por mais do que uma vez, perigosamente &agrave; beira do <i>default</i> ou bancarrota. Na tumultuosa fase final da Monarquia Constitucional, a bancarrota parcial foi declarada em 1891. Na (ainda mais) turbulenta e violenta I Rep&uacute;blica, de h&aacute; cem anos atr&aacute;s, o descalabro das contas p&uacute;blicas foi quase uma constante. Na altura n&atilde;o existia sequer um <i>lender-of-last resort</i>, como o FMI, ao qual os estados soberanos, ainda que a contragosto e sob condi&ccedil;&otilde;es duras, pudessem recorrer. </p>      <p>Uma vis&atilde;o diacr&oacute;nica ajuda tamb&eacute;m a compreender como, para o bem ou para o mal, consoante as perspetivas, a influ&ecirc;ncia europeia na vida pol&iacute;tica portuguesa &#8212; sobretudo pela via daquilo que no s&eacute;culo das Luzes se chamavam os &#8220;estrangeirados&#8221; &#8212;, tem sido uma constante. Claro que depois da ades&atilde;o &agrave;s Comunidades Europeias/Uni&atilde;o Europeia, em 1986, esta influ&ecirc;ncia adquiriu uma outra intensidade. Agora tem um cunho institucional ligado &agrave;s pol&iacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o e aos mecanismos de partilha de soberania da Uni&atilde;o. Os sucessivos sistemas pol&iacute;ticos do pa&iacute;s s&atilde;o reflexos de tend&ecirc;ncias europeias, por vezes tamb&eacute;m mundiais, mas sempre matizadas com componentes locais importantes. &Eacute; poss&iacute;vel constatar isso na institui&ccedil;&atilde;o da Monarquia Constitucional (um reflexo das ideias das Revolu&ccedil;&otilde;es Americana e Francesa e das revolu&ccedil;&otilde;es liberais); na proclama&ccedil;&atilde;o da I Rep&uacute;blica (proje&ccedil;&atilde;o das ideias de seculariza&ccedil;&atilde;o/laiciza&ccedil;&atilde;o do estado e do refor&ccedil;o do papel do parlamento, entre outras); na emerg&ecirc;ncia do Estado Novo (em sintonia com o refluxo das democracias, a partir da d&eacute;cada de 20 do s&eacute;culo XX e da ascens&atilde;o do fascismo italiano e dos diversos autoritarismos); e na Democracia/II Rep&uacute;blica (apesar do atraso, por padr&otilde;es europeus, na introdu&ccedil;&atilde;o da democracia em Portugal, aqui houve, paradoxalmente, um certo pioneirismo no sentido em que a revolu&ccedil;&atilde;o de 25 de abril de 1974 inaugurou uma &#8220;terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o&#8221; a n&iacute;vel mundial). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Diferentes leitores poder&atilde;o tamb&eacute;m encontrar nesta obra diversos motivos de interesse. Para aqueles mais curiosos sobre o passado hist&oacute;rico-constitucional e pol&iacute;tico, s&atilde;o particularmente interessantes as partes sobre a Monarquia Constitucional, a I Rep&uacute;blica e o Estado Novo, neste caso ainda com mem&oacute;rias vividas de muitos portugueses, sobretudo da gera&ccedil;&atilde;o acima dos cinquenta anos. Sobre a Monarquia Constitucional, e apesar de todos os problemas e insufici&ecirc;ncias democr&aacute;ticas, Paulo Jorge Fernandes (p. 25), lembra que &#8220;&agrave; entrada do &uacute;ltimo quartel de novecentos&#8221; podia-se j&aacute; encontrar uma &#8220;t&atilde;o longa quanto esquecida tradi&ccedil;&atilde;o em termos de parlamentarismo, de liberdade de imprensa, de respeito pela separa&ccedil;&atilde;o de poderes, assim como pelos direitos e garantias individuais&#8221;. Teve igualmente origem nesse per&iacute;odo a &#8220;cria&ccedil;&atilde;o de um sistema partid&aacute;rio plural e de um regime eletivo concorrencial, embora n&atilde;o democr&aacute;tico&#8221;. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; I&nbsp;Rep&uacute;blica, e embora esteja longe de ser um exclusivo desta, n&atilde;o deixa de nos espantar, ainda hoje, a sua enorme instabilidade e turbul&ecirc;ncia. O texto de Ant&oacute;nio de Ara&uacute;jo sobre as institui&ccedil;&otilde;es e o poder pol&iacute;tico durante a sua vig&ecirc;ncia gera-nos a sensa&ccedil;&atilde;o de uma quase hobbesiana luta pelo poder, de todos contra todos, no Portugal de h&aacute; cem anos atr&aacute;s. Interessante &eacute; tamb&eacute;m a discuss&atilde;o sobre saber se a instabilidade cr&oacute;nica desse per&iacute;odo pode ser imputada a deficientes solu&ccedil;&otilde;es constitucionais, nomeadamente a um excessivo peso do Parlamento face ao Presidente da Rep&uacute;blica. Sobre esta quest&atilde;o, ainda hoje muito discutida e pol&eacute;mica, Ant&oacute;nio de Ara&uacute;jo (p. 114) sustenta que &#8220;ao contr&aacute;rio do que tantas vezes se sup&otilde;e, o problema pol&iacute;tico da Primeira Rep&uacute;blica portuguesa n&atilde;o esteve nas regras constitucionais estabelecidas em 1911 mas antes no seu sistem&aacute;tico incumprimento&#8221;. Quanto ao Estado Novo, a sua maior proximidade temporal &#8212; e oposi&ccedil;&atilde;o radical &agrave; democracia associada &agrave; obsess&atilde;o por uma ordem de cariz securit&aacute;rio &#8212;, gera, inevitavelmente, maior espa&ccedil;o para leituras que n&atilde;o s&atilde;o desprendidas de paix&otilde;es. Se o seu car&aacute;ter autorit&aacute;rio e ditatorial est&aacute; acima de qualquer disputa, a sua carateriza&ccedil;&atilde;o como fascista, segundo o modelo de Mussolini em It&aacute;lia, &eacute; objeto de uma maior controv&eacute;rsia como reflete a discuss&atilde;o sobre o assunto feita pelos textos de Goffredo Adinolfi e de Ant&oacute;nio Costa Pinto. Por compara&ccedil;&atilde;o com o caso italiano e alem&atilde;o, Goffredo Adinolfi (p. 145) afirma que &#8220;este utilizou, com muito pragmatismo, as levas do enquadramento totalit&aacute;rio e da ret&oacute;rica de car&aacute;ter fascista&#8221;. Quanto ao seu car&aacute;ter totalit&aacute;rio, foi sobretudo o de &#8220;um totalitarismo fraco, ou, se quisermos, incompleto&#8221;, embora existisse tamb&eacute;m, &#8220;na elite pol&iacute;tica salazarista, a vontade de conquistar todo o espa&ccedil;o pol&iacute;tico uma vez que o estado org&acirc;nico portugu&ecirc;s pedia a exclusividade de pensamento pol&iacute;tico&#8221;. </p>      <p>Numa altura em que o debate sobre a atual Constitui&ccedil;&atilde;o, sa&iacute;da da revolu&ccedil;&atilde;o de 1974, em particular sobre a adequa&ccedil;&atilde;o dos seus arranjos institucionais &agrave;s necessidades de estabilidade pol&iacute;tica e bem-estar econ&oacute;mico-social voltou a emergir, esta publica&ccedil;&atilde;o &eacute; particularmente oportuna. Isto n&atilde;o significa que os textos editados estejam isentos de pol&eacute;micas, ou que as interpreta&ccedil;&otilde;es efetuadas n&atilde;o sejam, por vezes, question&aacute;veis, como, ali&aacute;s, &eacute; normal numa obra sobre esta tem&aacute;tica. Todavia, permite ao leitor, seja por raz&otilde;es acad&eacute;micas, de curiosidade intelectual, ou de ativismo pol&iacute;tico, um conhecimento abrangente e com rigor do sistema pol&iacute;tico portugu&ecirc;s, colocando esse conhecimento em perspetiva face ao passado e face a poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es alternativas. </p>         ]]></body>
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