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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RECENSÃO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>As direitas na democracia portuguesa. Origens, Percursos, Mudan&ccedil;as e Novos Desafios (Riccardo Marchi, 2016, Alfragide, Texto)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Mariana Carmo Duarte</b></p>     <p>Mestranda em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, pelo ISCTE-IUL. Licenciada em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, pela FCSH-UNL. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:marianacarmoduarte@gmail.com">marianacarmoduarte@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Um pouco por toda a Europa, e desde o despoletar da atual crise econ&oacute;mico-financeira, temos assistido a uma radicaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e, consequentemente, a uma polariza&ccedil;&atilde;o em torno da clivagem esquerda/direita, que, historicamente, tem orientado a vida pol&iacute;tica. Concomitantemente, tem ressurgido o debate te&oacute;rico e ideol&oacute;gico em torno desta clivagem, tendo n&atilde;o s&oacute; em conta a sua relev&acirc;ncia na explica&ccedil;&atilde;o do passado, mas tamb&eacute;m a sua validade na an&aacute;lise do presente e prospe&ccedil;&atilde;o daquilo que ser&aacute; a pol&iacute;tica no futuro. Em Portugal, um dos pa&iacute;ses mais afetados pela presente conjuntura econ&oacute;mica e financeira, esta dicotomia parece n&atilde;o estar ultrapassada. A pol&iacute;tica nacional nos &uacute;ltimos quatro anos tem sido vincadamente marcada pelo governo de coliga&ccedil;&atilde;o de direita, PSD (Partido Social Democrata) &mdash; CDS-PP (CDS &mdash; Partido Popular) (2011-2015) e, mais do que nunca, no l&eacute;xico dos portugueses parece ter sido refor&ccedil;ado, por oposi&ccedil;&atilde;o a &ldquo;esquerda&rdquo;, o termo &ldquo;direita&rdquo;. Dado este contexto, afigura-se pertinente a leitura do livro <i>As Direitas na Democracia Portuguesa. Origens, Percursos, Mudan&ccedil;as e Novos Desafios</i>, coordenado por Riccardo Marchi e publicado em janeiro do presente ano.</p>     <p>A obra aqui em an&aacute;lise &eacute; interessante para todos aqueles que, muito embora n&atilde;o tenham um <i>background</i> em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica ou &aacute;reas adjacentes, queiram compreender os principais tra&ccedil;os caracter&iacute;sticos, bem como a evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, sociol&oacute;gica, cultural, program&aacute;tica e eleitoral da direita portuguesa. Beneficiando dos contributos de v&aacute;rios autores, este livro &eacute; uma compila&ccedil;&atilde;o de 11 an&aacute;lises e reflex&otilde;es sobre as v&aacute;rias dimens&otilde;es integrantes desta fam&iacute;lia pol&iacute;tica, cujo resultado final perfaz um todo coerente. Deste modo, s&atilde;o aqui analisados os partidos pol&iacute;ticos de direita, o surgimento e a evolu&ccedil;&atilde;o, quer de uma cultura, quer de uma opini&atilde;o p&uacute;blica de direita, e a rela&ccedil;&atilde;o da mesma fam&iacute;lia pol&iacute;tica com o estado, o mercado e a igreja. Cirurgicamente, e em pouco mais de 400 p&aacute;ginas, s&atilde;o fornecidas as ferramentas adequadas &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o da direita portuguesa, sendo focadas as suas origens, percursos, muta&ccedil;&otilde;es e novos desafios.</p>     <p>Em termos partid&aacute;rios, a direita na III Rep&uacute;blica portuguesa tem sido, primordialmente, marcada pelos dois partidos com assento parlamentar: o PSD e o CDS-PP. Neste livro, s&atilde;o claramente expostas n&atilde;o s&oacute; as suas semelhan&ccedil;as e converg&ecirc;ncias program&aacute;ticas, mas tamb&eacute;m as suas singularidades. Ora, o PSD &eacute; aqui apresentado, tanto por Ana Rita Ferreira, como por Jos&eacute; Pedro Z&uacute;quete, como um partido que, aquando da sua forma&ccedil;&atilde;o, em maio de 1974, sob o nome de PPD (Partido Popular Democr&aacute;tico), se regia pelos fundamentos da social-democracia. Todavia, a forma&ccedil;&atilde;o, no final dos anos 70, da coliga&ccedil;&atilde;o AD (Alian&ccedil;a Democr&aacute;tica) traria mudan&ccedil;as irrevers&iacute;veis na linha ideol&oacute;gica do partido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em coliga&ccedil;&atilde;o com o CDS e o PPM (Partido Popular Mon&aacute;rquico), o PSD abandonou, progressivamente, a sua vertente ideol&oacute;gica em prol de uma pol&iacute;tica cada vez mais pragm&aacute;tica. Esta tend&ecirc;ncia foi, de acordo com Ferreira, refor&ccedil;ada pelo &ldquo;triunfo do cavaquismo&rdquo; (p. 105). Para Manuel Monteiro, foi o fracasso em empurrar o PS (Partido Socialista) para os bra&ccedil;os do PCP (Partido Comunista Portugu&ecirc;s) que levou o PSD a colocar os seus planos doutrin&aacute;rios em segundo lugar e a abra&ccedil;ar o pragmatismo. Embora, at&eacute; &agrave; d&eacute;cada de 1990, se tivesse tentado conservar alguns princ&iacute;pios basilares da social-democracia, j&aacute; ent&atilde;o era poss&iacute;vel encontrar no partido aspetos distintivos do liberalismo, a n&iacute;vel econ&oacute;mico, e do conservadorismo, a n&iacute;vel cultural. O in&iacute;cio da d&eacute;cada de 2000 marca, por influ&ecirc;ncia do CDS-PP, um claro corte com os resqu&iacute;cios de social-democracia ainda existentes no partido e um refor&ccedil;o das tend&ecirc;ncias liberais e conservadoras.</p>     <p>Na opini&atilde;o de Z&uacute;quete, para al&eacute;m de todas estas muta&ccedil;&otilde;es, o partido est&aacute; envolto num quadro gen&eacute;tico que se tem mantido e tem guiado as suas din&acirc;micas e pr&aacute;ticas. Entre outros tra&ccedil;os, comp&otilde;em o seu quadro gen&eacute;tico, desde a sua funda&ccedil;&atilde;o, as seguintes caracter&iacute;sticas: a autonomia e independ&ecirc;ncia da sociedade civil face ao estado, o pragmatismo, o populismo e o portuguesismo. De acordo com Z&uacute;quete, se o reformismo foi, durante anos, tamb&eacute;m considerado um tra&ccedil;o gen&eacute;tico caracter&iacute;stico deste partido, este parece ter-se desvanecido com a lideran&ccedil;a de Pedro Passos Coelho. Outro fator relevante na an&aacute;lise daquele que &eacute; o quadro gen&eacute;tico do partido &eacute; o pai fundador do mesmo: Francisco S&aacute; Carneiro. Num partido onde a coer&ecirc;ncia ideol&oacute;gica n&atilde;o &eacute; grande, cabe &agrave; figura do l&iacute;der a uni&atilde;o das v&aacute;rias fa&ccedil;&otilde;es. Neste sentido, s&atilde;o certeiras as palavras de Z&uacute;quete ao classificar S&aacute; Carneiro como &ldquo;o No&eacute; desta arca&rdquo; (p. 170).</p>     <p>O CDS-PP, partido que no per&iacute;odo ap&oacute;s o 25 de Abril e at&eacute; ao in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990 assumia o centrismo como a sua ideologia, &eacute;, consensualmente, aqui definido e analisado tendo em conta a sua plasticidade. Quer Ana Rita Ferreira, quer Patr&iacute;cia Silva e Carlos Jalali, quer, ainda, Manuel Monteiro corroboram esta ideia nas suas diversas an&aacute;lises sobre o partido. Nascido em julho de 1974, sob o nome de CDS (Centro Democr&aacute;tico Social), este partido cedo revelou ser uma &ldquo;am&aacute;lgama ideol&oacute;gica&rdquo; (p. 100), como o descreve Ferreira. Tendo passado por um curto per&iacute;odo de &ldquo;esquerdiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (p. 100), aquando das elei&ccedil;&otilde;es de 1976, viria a afirmar, at&eacute; ao in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, a democracia-crist&atilde;, o liberalismo econ&oacute;mico e o conservadorismo cultural como os seus ideais.</p>     <p>Passados os conturbados anos de indefini&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, e como nos retrata Manuel Monteiro, presidente do CDS &agrave; data, o partido afirma-se, em mar&ccedil;o de 1992, como sendo de direita. Consequentemente, em janeiro de 1993, o seu nome &eacute; mudado para Partido Popular, alterando-se a sua sigla para CDS-PP. No seu cap&iacute;tulo, Monteiro aborda a quest&atilde;o europeia como t&oacute;pico central a ter em conta no estudo deste partido durante grande parte da d&eacute;cada de 1990. Retratando um per&iacute;odo no qual foi interveniente, descreve as atitudes do partido contra a ideia de federalismo europeu, a oposi&ccedil;&atilde;o face ao tratado de Maastricht e a defesa de uma Europa das na&ccedil;&otilde;es onde &eacute; mantida a soberania de cada estado. O in&iacute;cio do novo mil&eacute;nio marca, por seu turno, um atenuar do liberalismo e um acentuar do conservadorismo, que at&eacute; ent&atilde;o tinham andado a par e de m&atilde;os dadas.</p>     <p>Numa an&aacute;lise complementar, Patr&iacute;cia Silva e Carlos Jalali analisam estas mudan&ccedil;as program&aacute;ticas do CDS-PP tendo em conta tr&ecirc;s &acirc;ngulos: o desempenho eleitoral, a mudan&ccedil;a de l&iacute;der e a rela&ccedil;&atilde;o do partido com o PSD. De acordo com estes autores, o partido apresenta-se como sendo, de entre os que t&ecirc;m representa&ccedil;&atilde;o parlamentar, o que indicia maior volatilidade program&aacute;tica. &Eacute; nas situa&ccedil;&otilde;es em que o desempenho eleitoral &eacute; avaliado negativamente que se verifica, por um lado, uma maior altera&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica e, por outro lado, uma mudan&ccedil;a das lideran&ccedil;as. Adicionalmente, parte da mudan&ccedil;a program&aacute;tica do partido parece ser consequ&ecirc;ncia da sua necessidade de se posicionar estrategicamente face ao PSD.</p>     <p>A evolu&ccedil;&atilde;o e a muta&ccedil;&atilde;o program&aacute;ticas dos dois partidos que comp&otilde;em a direita portuguesa parlamentar &eacute;, em larga medida, um processo conjunto e de influ&ecirc;ncia m&uacute;tua. Como argumenta Ana Rita Ferreira, desde 1974 que os dois partidos se encontram, indiscutivelmente, mais &agrave; direita e, ideologicamente, muito mais pr&oacute;ximos. No entender de Patr&iacute;cia Silva e Carlos Jalali, esta proximidade foi refor&ccedil;ada pelo CDS-PP durante os anos de lideran&ccedil;a de Paulo Portas com o objetivo de aceder ao governo. Por&eacute;m, se, entre o liberalismo econ&oacute;mico e o conservadorismo cultural, o PSD tem privilegiado o primeiro, nos &uacute;ltimos anos o CDS-PP tem pendido para o segundo.</p>     <p>&Agrave; direita da direita, como afirma Riccardo Marchi no seu cap&iacute;tulo, e fora do enquadramento pol&iacute;tico <i>mainstream</i>, encontramos, nos dias de hoje e como express&atilde;o m&aacute;xima, o PNR (Partido Nacional Renovador). Por forma a perceber o peso real desta direita enquanto desafiadora do <i>status quo</i> e alternativa &agrave; direita tradicional, foi analisada a evolu&ccedil;&atilde;o da extrema-direita em Portugal, desde a Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril, em tr&ecirc;s dimens&otilde;es: organizativa, eleitoral e program&aacute;tica. Resumidamente, &eacute; argumentado que o desafio antissist&eacute;mico representado por esta direita tem diminu&iacute;do em Portugal, quer na dimens&atilde;o organizacional, quer na dimens&atilde;o eleitoral. Isto &eacute;, desde 1974 tem diminu&iacute;do o n&uacute;mero efetivo de partidos e movimentos de extrema-direita e, consequentemente, o capital eleitoral destes. Todavia, a n&iacute;vel program&aacute;tico a situa&ccedil;&atilde;o da extrema-direita mant&eacute;m-se inalterada, isto &eacute;, mant&eacute;m-se pouco apelativa para um eleitorado mais radical ou potencialmente apoiante destas ideias.</p>     <p>Na sua rela&ccedil;&atilde;o com o estado, o mercado e a igreja, a direita portuguesa assume padr&otilde;es e tend&ecirc;ncias diferenciados, dependendo do momento hist&oacute;rico. No que diz respeito ao seu posicionamento face &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre estado e mercado, a direita pode ser analisada atrav&eacute;s de tr&ecirc;s abordagens: conservadora, patrimonialista e liberal. Assim, e como &eacute; evidenciado por Andr&eacute; Azevedo Alves, se os anos iniciais do Estado Novo se parecem facilmente enquadrar na abordagem conservadora, o per&iacute;odo entre a entrada de Portugal na EFTA (European Free Trade Association), em 1961, e 1974 foi pautado por uma gradual e consistente liberaliza&ccedil;&atilde;o. A Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos e o per&iacute;odo inst&aacute;vel que lhe sucedeu parecem ter sido desastrosos, quer para a direita conservadora, quer para a liberal. Pelo contr&aacute;rio, foi a direita patrimonialista, devido &agrave; sua plasticidade, que melhor se adaptou aos novos tempos democr&aacute;ticos. Relativamente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre direita, estado e igreja, o principal argumento de Lu&iacute;s Salgado de Matos &eacute; o de que, em Portugal e erradamente, n&atilde;o &eacute; assumida a exist&ecirc;ncia de uma direita laica e de uma esquerda cat&oacute;lica. Recorrendo a exemplos que remontam &agrave;s revoltas liberais do s&eacute;culo XIX, o autor mostra a exist&ecirc;ncia de uma compatibilidade entre liberalismo e uma direita constitucionalista.</p>     <p>Culturalmente, com o 25 de Abril de 1974, assistimos ao surgimento de um fen&oacute;meno apelidado por Ant&oacute;nio Ara&uacute;jo como &ldquo;neoconservadorismo do gosto&rdquo; / &ldquo;neoconservadorismo do imagin&aacute;rio&rdquo; (p. 15). Este, sendo primordialmente um fen&oacute;meno imag&eacute;tico e social, estava imbu&iacute;do de um sentido pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico. Concomitantemente, pela m&atilde;o do jornal <i>O Indepentente</i> e, posteriormente, da revista <i>Kapa</i>, surge uma direita urbana. Em oposi&ccedil;&atilde;o a uma direita tradicionalista, esta considerava-se intelectualmente superior, relativista nos costumes e liberal em termos econ&oacute;micos, fazendo a s&iacute;ntese entre o vanguardismo cultural e o saudosismo dos anos passados. Anos mais tarde, o advento da Internet e da blogosfera faz nascer uma nova direita, apelidada por Ara&uacute;jo &ldquo;nov&iacute;ssima direita dos blogues&rdquo; (p. 47). Esta, criada num meio p&oacute;s-secular, &eacute; um produto do legado da sua antecessora e continua a opor-se a uma direita tradicional, que apelida ac&eacute;fala, intolerante e ultramontana. Ora, a direita aqui descrita &eacute; aquela que, e usando a express&atilde;o de Alexandre Franco de S&aacute;, tem contestado a &ldquo;hegemonia da esquerda&rdquo; (p. 142) no terreno cultural.</p>     <p>A opini&atilde;o p&uacute;blica em Portugal, como o demonstram v&aacute;rios estudos desde 1974, localiza-se no centro do espetro pol&iacute;tico. A direita e a esquerda apresentam-se bastante equilibradas, embora haja uma ligeira vantagem da segunda face &agrave; primeira. Esta ideia de concentra&ccedil;&atilde;o do eleitorado portugu&ecirc;s ao centro parece, inclusive, ter sido refor&ccedil;ada com a crise econ&oacute;mico-financeira de 2008, como argumentam Andr&eacute; Freire e Sofia Serra Silva. Ora, segundo estes dois autores, as maiores diferen&ccedil;as entre uma direita potencialmente autorit&aacute;ria e uma esquerda tendencialmente libert&aacute;ria centram-se em valores socioculturais, principalmente naqueles relacionados com quest&otilde;es religiosas. Para estes autores, esta fraca diferencia&ccedil;&atilde;o entre esquerda e direita pode ser sintom&aacute;tica de uma menor qualidade democr&aacute;tica. A democracia &eacute; o reino da escolha e, logicamente, se as diferen&ccedil;as s&atilde;o poucas o eleitorado e a opini&atilde;o p&uacute;blica perdem este poder.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Grandes crises tendem a ter impacto na configura&ccedil;&atilde;o do tabuleiro pol&iacute;tico. Aquela porque passamos &eacute;, segundo Joaquim Aguiar, metade do problema. Isto &eacute;, a crise do in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI &eacute; uma continua&ccedil;&atilde;o daquela que, no final do s&eacute;culo passado, se seguiu ao desmembramento da URSS. Esta crise conjunta remonta, por seu turno, &agrave; incapacidade, da esquerda e da direita, de, desde meados do s&eacute;culo passado, alterarem os seus discursos e programas, adaptando-os &agrave;s muta&ccedil;&otilde;es &mdash; sociais, econ&oacute;micas e demogr&aacute;ficas &mdash; ocorridas. Segundo o autor, &ldquo;o muro de Berlim caiu para os dois lados&rdquo; (p. 383): esquerda e direita. A crise econ&oacute;mica que deflagrou em 2008 evidenciou esse facto.</p>     <p>Este &eacute; um livro sobre as direitas na democracia portuguesa. No rescaldo de uma governa&ccedil;&atilde;o PSD/CDS-PP, essencialmente pautada pela presente crise econ&oacute;mico-financeira. A sua leitura serve de ajuda &agrave; reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre a vida portuguesa nos &uacute;ltimos anos. Entre cultura e opini&atilde;o p&uacute;blica, economia e pol&iacute;tica, estado, mercado e igreja, elites e massas, este livro &eacute; um guia que nos introduz a &ldquo;direita&rdquo; nas suas diversas componentes. Todavia, sendo um livro sobre a direita, este &eacute;, indubitavelmente, tamb&eacute;m um livro sobre a esquerda.</p>      ]]></body>
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