<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0873-6529</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Sociologia, Problemas e Práticas]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Sociologia, Problemas e Práticas]]></abbrev-journal-title>
<issn>0873-6529</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Editora Mundos Sociais]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0873-65292016000300011</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.7458/SPP2016827929</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[La Chine et Ses Migrants: La Conquête d&#8217;une Citoyenneté]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Arantes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Virginie]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Centro de Estudos da Vida Política  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Université Libre de Bruxelles Faculté de Philosophie et Sciences Sociales ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Anhée ]]></addr-line>
<country>Bélgica</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>01</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>01</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>82</numero>
<fpage>175</fpage>
<lpage>181</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-65292016000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-65292016000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-65292016000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>      <p><b>La Chine et Ses Migrants</b>. <b>La Conqu&ecirc;te d&#8217;une Citoyennet&eacute;</b> <b>[Chlo&eacute; Froissart, 2013, Rennes, Presse Universitaires de Rennes]</b> </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Virginie</b><b> Arantes* </b></p>      <p>* Virginie Arantes. Doutoranda em Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas e Sociais no Centro de Estudos da Vida Pol&iacute;tica (Cevipol), Facult&eacute; de Philosophie et Sciences Sociales, Universit&eacute; Libre de Bruxelles, Chauss&eacute;e de Namur, 105, 5537 Anh&eacute;e, B&eacute;lgica. E-mail:<a href="mailto:virginie.arantes@ulb.ac.be">virginie.arantes@ulb.ac.be</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>As primeiras linhas do livro de Chlo&eacute; Froissart transportam de imediato o leitor para a atmosfera delicada da migra&ccedil;&atilde;o interior na China. Segundo a especialista francesa, em resposta &agrave;s reformas econ&oacute;micas iniciadas por Deng Xiaoping em 1978, um &ecirc;xodo extraordin&aacute;rio aconteceu, &#8220;o mais vasto da hist&oacute;ria do mundo&#8221; (p.&nbsp;13). Desde <i>Contesting Citizenship in Urban China</i> de Dorothy Solinger (1999), <i>La Chine et Ses Migrants. La Conqu&ecirc;te d&#8217;Une Citoyennet&eacute; </i>(A China e seus migrantes: a conquista de uma cidadania), oferece ao leitor um estudo detalhado de uma das reformas capitais da China contempor&acirc;nea: a lenta ascens&atilde;o &agrave; cidadania de centenas de milh&otilde;es de trabalhadores migrantes (<i>mingong)</i> vindos do campo para garantir uma m&atilde;o de obra competitiva e favor&aacute;vel ao crescimento econ&oacute;mico. </p>      <p>Este livro representa bem mais do que um estudo sobre uma categoria social. &Eacute; o culminar de um meticuloso trabalho sobre as peculiaridades dos migrantes e o funcionamento da cidadania no sistema pol&iacute;tico chin&ecirc;s, em particular na cidade de Chengdu (Sichuan). Centrando a sua an&aacute;lise numa cidade do interior da China, a autora rompe as tradi&ccedil;&otilde;es ocidentais e chinesas que tendem a focar as suas an&aacute;lises em &aacute;reas mais &#8220;populares&#8221;.<a name="topedn1"></a><a href="#edn1">[1]</a></p>      <p>O livro de Chlo&eacute; Froissart est&aacute; organizado em cinco partes. Na primeira parte, a autora foca-se no desenvolvimento do conceito de cidadania, analisando e descrevendo a reinterpreta&ccedil;&atilde;o e a readapta&ccedil;&atilde;o deste conceito ao longo da hist&oacute;ria da Rep&uacute;blica Popular da China (RPC). A mesma autora afirma ainda, no primeiro cap&iacute;tulo, que o sistema de registo <i>hukou </i>permitiu a conserva&ccedil;&atilde;o de uma natureza dual da sociedade chinesa. O <i>hukou</i> (<i>h&ugrave; </i>= casa e<i> kou</i> = residente, que pode ser traduzido como &#8220;sistema de registo de resid&ecirc;ncia&#8221;) simboliza o documento de identifica&ccedil;&atilde;o de um cidad&atilde;o chin&ecirc;s, tendo sido criado em 1951 para os cidad&atilde;os das regi&otilde;es urbanas e em 1955 para os cidad&atilde;os das regi&otilde;es rurais, tendo como referencial o modelo da <i>propiska</i>.<a name="topedn2"></a><a href="#edn2">[2]</a> O <i>hukou</i> simboliza a resid&ecirc;ncia oficial de um chin&ecirc;s, podendo esta ser classificada como rural ou urbana, e teve como principal objetivo criar uma industrializa&ccedil;&atilde;o sem urbaniza&ccedil;&atilde;o (p. 96), afastando-se do conceito iluminista vindo do Ocidente. Este sistema de registo e de controlo da sociedade permite esclarecer as rela&ccedil;&otilde;es complexas existentes entre o estado e os cidad&atilde;os da China. Ao longo deste cap&iacute;tulo, o discurso da autora destaca que a exist&ecirc;ncia de uma distin&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os em fun&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios econ&oacute;micos, sociais, geogr&aacute;ficos e heredit&aacute;rios continua a ser uma problem&aacute;tica atual. Por este motivo, a especialista op&otilde;e a conce&ccedil;&atilde;o universalista, vinda do Iluminismo, &agrave; conce&ccedil;&atilde;o maoista, na qual prima a ideia de uma voca&ccedil;&atilde;o para a segrega&ccedil;&atilde;o, e que, portanto, para Chlo&eacute; Froissart, &#8220;de cidadania apenas tem o nome&#8221; (p. 45). </p>      <p>Se o primeiro cap&iacute;tulo atesta que a ideologia e as lutas pol&iacute;ticas do per&iacute;odo maoista constituem um pressuposto irrefut&aacute;vel a fim de interpretar a expans&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o e do direito na RPC, o segundo cap&iacute;tulo desenvolve um novo preconceito: o sistema administrativo do <i>hukou</i> como sendo o mais dur&aacute;vel, mas tamb&eacute;m aquele que &#8220;invalida o &acirc;mbito aparentemente universal do direito chin&ecirc;s&#8221; (p. 47), visto que tende a autorizar o estado de partido &uacute;nico a &#8220;dividir para reinar&#8221; (Froissart, 2008 : 2). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No seguimento de uma explora&ccedil;&atilde;o detalhada do conceito de cidadania, na segunda parte do livro, a autora analisa a forma como as reformas instauradas questionam o sistema institucional chin&ecirc;s, bem como concedem oportunidades para o reaparecimento dos trabalhadores migrantes. Assim, no desenvolvimento da segunda parte, uma imponente descri&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios fatores econ&oacute;micos, pol&iacute;ticos, institucionais e sociol&oacute;gicos &eacute; desenvolvida, a fim de apresentar ao leitor, de maneira clara e precisa, os fundamentos que levam, desde o ano de 1980 at&eacute; ao princ&iacute;pio do ano de 2000, a um fluxo migrat&oacute;rio de cidad&atilde;os rurais para as cidades. De forma geral, considera-se que foram essencialmente modifica&ccedil;&otilde;es institucionais resultantes do desmantelamento dos munic&iacute;pios populares, mas tamb&eacute;m dos encargos financeiros como consequ&ecirc;ncia dos aumentos sucessivos dos impostos, que motivaram muitos cidad&atilde;os chineses a migrarem para outras regi&otilde;es. A diminui&ccedil;&atilde;o da rentabilidade das atividades agr&iacute;colas e o aumento das disparidades cidade-campo tamb&eacute;m se constituem como outros fatores de migra&ccedil;&atilde;o abordados por Froissart. </p>      <p>Na sequ&ecirc;ncia de uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada das causas da recorr&ecirc;ncia, das caracter&iacute;sticas e perfis da migra&ccedil;&atilde;o interior na China, Chlo&eacute; Froissart revela, lentamente, a alma do seu livro, com uma an&aacute;lise detalhada da situa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores migrantes nas cidades. A partir da explora&ccedil;&atilde;o da forma como s&atilde;o aplicadas as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &agrave; aten&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores migrantes, mais particularmente na cidade de Chengdu, a autora descreve a estreita rela&ccedil;&atilde;o existente entre a multitude de regulamentos e procedimentos burocr&aacute;ticos (<i>e.g.</i>, condi&ccedil;&atilde;o de alojamento, emprego, educa&ccedil;&atilde;o) e a modelagem dos migrantes em condi&ccedil;&atilde;o de &#8220;cidad&atilde;os de segunda classe&#8221; e &#8220;de estrangeiros no seu pr&oacute;prio pa&iacute;s&#8221; (p. 105). </p>      <p>No que concerne o quarto e o quinto cap&iacute;tulos, estes s&atilde;o bastante esclarecedores quanto &agrave; compreens&atilde;o da pol&iacute;tica do estado chin&ecirc;s no que diz respeito &agrave;s migra&ccedil;&otilde;es. Adotando uma atitude de oposi&ccedil;&atilde;o face &agrave; l&oacute;gica do mercado liberalizando o <i>hukou</i> nos polos urbanos menos desenvolvidos, as autoridades chinesas servem-se do mantimento do <i>hukou</i> de forma a orientar e controlar a imigra&ccedil;&atilde;o para as grandes cidades, em particular Pequim, Xangai e Cant&atilde;o (p. 96). Este sistema tende a impor uma estrutura dualista da sociedade, com a introdu&ccedil;&atilde;o de procedimentos de controlo flex&iacute;veis na promo&ccedil;&atilde;o da estadia dos trabalhadores rurais em zonas urbanas, permitindo o acesso a uma m&atilde;o de obra barata e male&aacute;vel, no sentido de potenciar uma economia em cont&iacute;nuo crescimento. A partir dos anos 90, a segrega&ccedil;&atilde;o e discrimina&ccedil;&atilde;o dos migrantes aumentou em consequ&ecirc;ncia da instaura&ccedil;&atilde;o pelo estado chin&ecirc;s de servi&ccedil;os administrativos saturados de ambiguidades jur&iacute;dicas e regulamentares, nomeadamente atrav&eacute;s da exig&ecirc;ncia de normas impostas pelo estado para a atribui&ccedil;&atilde;o de licen&ccedil;as de resid&ecirc;ncia e de emprego que conduzem &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o de uma parte da popula&ccedil;&atilde;o migrante (p. 131). Segundo a especialista, s&atilde;o numerosos os obst&aacute;culos pol&iacute;ticos, sociol&oacute;gicos, hist&oacute;ricos e culturais que se op&otilde;em a uma consciencializa&ccedil;&atilde;o generalizada acerca dos direitos dos migrantes. A&nbsp;perce&ccedil;&atilde;o da migra&ccedil;&atilde;o como uma fase provis&oacute;ria, uma repress&atilde;o quotidiana ao estatuto de &#8220;campon&ecirc;s&#8221; e a dificuldade na concess&atilde;o de uma igualdade dos seus direitos, s&atilde;o alguns dos fatores que dificultam a tomada de consci&ecirc;ncia por parte dos <i>mingong</i> a reivindicarem os seus direitos (p. 164). Por outro lado, os terrenos agr&iacute;colas mant&ecirc;m-se como uma seguran&ccedil;a em caso de crise, raz&atilde;o pela qual, uma grande maioria dos migrantes presentes nas cidades n&atilde;o desejam, em caso algum, renunciar &agrave;s suas propriedades na terra natal. Por sua vez, a identifica&ccedil;&atilde;o constante do migrante ao estatuto de &#8220;campon&ecirc;s&#8221; e as dificuldades ligadas &agrave; sua integra&ccedil;&atilde;o nas zonas urbanas justificam ainda, segundo a mesma autora, esta decis&atilde;o. No que diz respeito &agrave; posi&ccedil;&atilde;o dos migrantes face aos seus direitos, a sua desconfian&ccedil;a alusiva ao estado leva-os a priorizar os <i>guanxi</i> (relacionamentos pessoais). Esta escolha &eacute; maioritariamente tomada, uma vez que, os sindicatos, empregadores ou institui&ccedil;&otilde;es locais raramente suscitam efeitos positivos e concretos. A indigna&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria e a situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria e fr&aacute;gil pelas quais os migrantes enfrentam os procedimentos de controlo social representam um fator essencial na forma de compreender as rela&ccedil;&otilde;es <i>mingong</i>-estado, tal como as representa&ccedil;&otilde;es que estes apresentam sobre o estado, os agentes do estado e a lei. </p>      <p>Relativamente &agrave; terceira parte do livro (cap&iacute;tulos 7 e 8), v&aacute;rios fatores sociais, econ&oacute;micos, pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos da migra&ccedil;&atilde;o s&atilde;o levantados, de forma a explicar como a quest&atilde;o da integra&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores migrantes em zonas urbanas se foi gradualmente politizando e transformando numa quest&atilde;o essencial para o partido. A autora revela como, entre o in&iacute;cio do ano de 1990 e o in&iacute;cio do ano de 2000, o aumento das migra&ccedil;&otilde;es, assim como o alargamento do tamanho das comunidades rurais dentro das cidades tende a escapar ao controlo do estado. O&nbsp;agravamento da criminalidade urbana e das ilegalidades, a auto-organiza&ccedil;&atilde;o dos migrantes e a instabilidade social foram v&aacute;rios dos problemas constatados por diversos acad&eacute;micos chineses, que real&ccedil;am a contradi&ccedil;&atilde;o entre a presen&ccedil;a a longo termo de &#8220;novos urbanos&#8221; (<i>xin</i><i> shimin</i>) nas cidades e o facto de estes n&atilde;o serem reconhecidos como tais pelo sistema e pelo discurso do partido (p. 212). A mensagem que sobressai no s&eacute;timo cap&iacute;tulo, &eacute; a de uma viragem para &#8220;uma nova maneira de conceber a ordem, assim como os custos e perfis ligados aos migrantes.&#8221; (p. 226). Por outras palavras, a consciencializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica acerca da import&acirc;ncia da contribui&ccedil;&atilde;o dos migrantes para a economia rural e urbana, bem como a necessidade de adaptar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em termos de &#8220;gest&atilde;o e de controlo&#8221; por uma pol&iacute;tica de servi&ccedil;os (<i>fuwu</i>) adaptada aos trabalhadores migrantes. Estas representam algumas das etapas indispens&aacute;veis, referidas por Froissart, de forma a readquirir a confian&ccedil;a dos migrantes face a um estado de partido &uacute;nico (p. 209). </p>      <p>No cap&iacute;tulo seguinte, Chlo&eacute; Froissart prende-se na import&acirc;ncia do compromisso do mundo acad&eacute;mico e na sua capacidade na constru&ccedil;&atilde;o de um novo ideal de cidadania. S&atilde;o, essencialmente, estas entidades que fazem &#8220;sobressair as migra&ccedil;&otilde;es como leg&iacute;timas, mostrando que os agricultores n&atilde;o podem fazer outra coisa sen&atilde;o migrar, e que a raz&atilde;o se deve diretamente &agrave; pol&iacute;tica de desenvolvimento maoista&#8230;&#8221; (p. 227). Assim, a autora focaliza a passagem de uma &#8220;sociologia dogm&aacute;tica&#8221; a uma &#8220;sociologia emp&iacute;rica&#8221; (p. 228). Ao interessar-se pelas causas hist&oacute;ricas e sistem&aacute;ticas da condi&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, os estudos sociol&oacute;gicos colocam em evid&ecirc;ncia a responsabilidade do estado atrav&eacute;s das suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, nomeadamente as reformas empreendidas sob o reino de Jiang Zemin entre 1993 e 2002. Este cap&iacute;tulo interessa-se ainda pela emerg&ecirc;ncia de um n&uacute;mero crescente e cada vez mais heterog&eacute;neo de atores sociais e pol&iacute;ticos (acad&eacute;micos, m&eacute;dias, membros de ONG, artistas, etc.), capazes de mobilizar um novo discurso em favor da prote&ccedil;&atilde;o dos direitos dos trabalhadores migrantes, sob a forma de um militantismo patri&oacute;tico (pp. 245, 247). No entanto, a autora n&atilde;o se esquece de revelar a ambiguidade do novo discurso do Partido Comunista Chin&ecirc;s (PCC) acerca da cidadania e da forma como a quest&atilde;o dos migrantes foi politizada, quando estipularam que o in&iacute;cio do ano de 2000 permitiu uma mudan&ccedil;a ideol&oacute;gica e estrat&eacute;gica, ainda que esta mudan&ccedil;a continue a representar apenas uma mudan&ccedil;a simb&oacute;lica: os trabalhadores migrantes veem-se transformados em &#8220;novos her&oacute;is que se sacrificam pela p&aacute;tria, para os outros, para o bem comum&#8221; (p. 244). Chlo&eacute; Froissart defende de forma argumentada, no desenvolvimento deste cap&iacute;tulo e dos anteriores, as raz&otilde;es que for&ccedil;am o estado de partido &uacute;nico a adaptar as suas pol&iacute;ticas e ideologias no que concerne a presen&ccedil;a dos <i>mingong</i> nas zonas urbanas. Estes motivos resumem-se principalmente numa estrat&eacute;gia: perseguir o desafio de uma economia de mercado que imp&otilde;e a sua presen&ccedil;a, com o objetivo de frustrar as suas capacidades de auto-organiza&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, deixar-se influenciar pelas crescentes press&otilde;es sociais. </p>      <p>Se, at&eacute; agora a autora acentua a dimens&atilde;o global da situa&ccedil;&atilde;o dos migrantes, na quarta parte do seu livro, a mesma destaca, em particular, o plano local, focando-se mais precisamente na cidade de Chengdu. Ao longo da segunda metade da d&eacute;cada de 1990, o desenvolvimento econ&oacute;mico de Chengdu e as estrat&eacute;gias de reorienta&ccedil;&atilde;o das migra&ccedil;&otilde;es intraprovinciais transformaram esta cidade num polo de imigra&ccedil;&atilde;o popular (p. 255). Nesta regi&atilde;o, a migra&ccedil;&atilde;o aumenta em resposta ao crescimento substancial de v&aacute;rios setores, como a manufatura, a constru&ccedil;&atilde;o, a restaura&ccedil;&atilde;o e a venda por grosso e/ou a retalho, encorajada pelo estado, com o objetivo de reequilibrar o desenvolvimento das regi&otilde;es costeiras e oeste do pa&iacute;s, para outras prov&iacute;ncias no interior. Nesta parte, Chlo&eacute; Froissart analisa em particular a reforma do sistema de <i>hukou</i>, a seguran&ccedil;a social, o sistema de educa&ccedil;&atilde;o e a forma como os mesmos contribuem &#8220;certamente para uma integra&ccedil;&atilde;o parcial dos trabalhadores em zonas urbanas, mantendo, no entanto, uma desigualdade com os urbanos&#8221; (p.&nbsp;21). No que diz respeito &agrave; reforma do <i>hukou</i>, o exemplo da cidade de Chengdu permite refor&ccedil;ar a ideia de que, mesmo se algumas modifica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o feitas gra&ccedil;as &agrave; flexibiliza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es do estatuto de urbano, novas disparidades em fun&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios socioecon&oacute;micos t&ecirc;m tend&ecirc;ncia a ser criadas. A t&iacute;tulo de exemplo, no que concerne a seguran&ccedil;a social, novas discrimina&ccedil;&otilde;es tendem a aparecer e a beneficiar uma categoria social mais favorecida, dando forma a uma &#8220;estratifica&ccedil;&atilde;o piramidal no interior da categoria dos migrantes entre a pequena elite que foi integrada no regime social dos urbanos, e outros, mais numerosos, que est&atilde;o cobertos por um regime espec&iacute;fico aos migrantes, e a grande maioria daqueles que n&atilde;o t&ecirc;m possibilidades para se assegurarem.&#8221; (p. 278). A reforma da educa&ccedil;&atilde;o, tal como acontece com a do <i>hukou</i> e a da seguran&ccedil;a social, tende tamb&eacute;m a beneficiar uma popula&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel e financeiramente mais &#8220;segura&#8221;. No entanto, esta &uacute;ltima, contrariamente &agrave;s anteriores, permite o acesso de indiv&iacute;duos pertencentes a uma &#8220;elite de migrantes&#8221; a beneficiarem do mesmo direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o que os habitantes urbanos e a um servi&ccedil;o p&uacute;blico verdadeiro. </p>      <p>Finalmente, na quinta e &uacute;ltima parte do seu livro, Chlo&eacute; Froissart apresenta, em duas etapas, a forma como os migrantes se tornaram ativos e como estes, com a ajuda de intelectuais, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais (ONG), redes de ajuda m&uacute;tua, especialistas, entre outros, iniciaram negocia&ccedil;&otilde;es e &#8220;uma resist&ecirc;ncia com base na lei&#8221; (p. 355). A fim de explorar esta quest&atilde;o, o cap&iacute;tulo 11 &eacute; dedicado inteiramente ao caso Sun Zhigang.<a name="topedn3"></a><a href="#edn3">[3]</a> Este caso &eacute; analisado enquanto epis&oacute;dio denunciante &#8220;do nascimento de uma cidadania universal nas representa&ccedil;&otilde;es (os urbanos identificando-se aos migrantes)&#8230;&#8221; (pp. 328, 21). Esta hist&oacute;ria, permite testemunhar de forma argumentada os tumultos atuais, que poderiam vir a modificar o funcionamento da sociedade civil na China. Por &uacute;ltimo, o cap&iacute;tulo 12, &uacute;ltimo cap&iacute;tulo do livro, examina mais profundamente a natureza do &#8220;movimento para a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos&#8221;, revelando a quest&atilde;o do papel das ONG chinesas. Aqui, a natureza das rela&ccedil;&otilde;es que algumas destas ONG mant&ecirc;m com o poder, a repress&atilde;o constante &agrave; qual est&atilde;o sujeitas e o seu baixo grau de autonomia face &agrave;s estrat&eacute;gias do PCC s&atilde;o evidenciadas. No entanto, Froissart enfatiza a import&acirc;ncia que estas t&ecirc;m no desenvolvimento t&eacute;cnico, moral e social em rela&ccedil;&atilde;o aos migrantes, acautelando sobre o papel amb&iacute;guo e limitado, principalmente atrav&eacute;s da promo&ccedil;&atilde;o de uma &#8220;mudan&ccedil;a na continuidade&#8221; (p. 371). O argumento central deste cap&iacute;tulo &eacute; que as ONG incentivam os migrantes a apoiarem-se em leis &#8220;imperfeitas&#8221; para defender a sua mobiliza&ccedil;&atilde;o e, assim, contribuirem para o refor&ccedil;o da legitimidade do regime. Este argumento &eacute; bastante desconcertante, por&eacute;m, poderia efetivamente revelar-se aut&ecirc;ntico no que diz respeito &agrave;s ONG chinesas patrocinadas pelo governo.<a name="topedn4"></a><a href="#edn4">[4]</a> N&atilde;o obstante, atualmente, outras ONG que se encontram numa estrat&eacute;gia mais civil e sem rela&ccedil;&atilde;o com o governo tendem a surgir. Obviamente, o grau de influ&ecirc;ncia que estas organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m ainda dever&aacute; ser investigado no futuro, mas a quest&atilde;o que aqui surge &eacute;, precisamente: a qual tipo de ONG a autora faz refer&ecirc;ncia nas suas observa&ccedil;&otilde;es? Froissart, num artigo mais recente de 2014, demonstra, claramente, que o apolitismo exibido por algumas associa&ccedil;&otilde;es promove a evolu&ccedil;&atilde;o de formas de representa&ccedil;&atilde;o, de gest&atilde;o de conflitos e de renegocia&ccedil;&atilde;o dos modos de exerc&iacute;cio do poder do regime autorit&aacute;rio chin&ecirc;s (Froissart, 2014). </p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; teoria, esta encontra-se solidamente constru&iacute;da e argumentada pela autora, especialmente a n&iacute;vel emp&iacute;rico, n&atilde;o s&oacute; com informa&ccedil;&otilde;es de primeira m&atilde;o, coletadas a partir de entrevistas e observa&ccedil;&otilde;es etnogr&aacute;ficas feitas entre 2002 e 2007 em Chengdu, Shenzhen e Pequim, mas tamb&eacute;m pela extensa literatura produzida na China, com relat&oacute;rios de especialistas comandados pelas autoridades e de numerosos trabalhos universit&aacute;rios (<i>e.g.</i>, documentos do Conselho de Assuntos Estaduais, Municipais). Assim, nada pode ser dito em detrimento da autora. Torna-se b&aacute;sica e exclusivamente na raz&atilde;o pela qual este livro se revela uma fonte de informa&ccedil;&atilde;o amplamente fascinante e estimulante. </p>      <p>N&atilde;o obstante, conhecendo o trabalho exaustivo de terreno desenvolvido pela autora para a realiza&ccedil;&atilde;o da sua tese, poderia dizer-se que a &uacute;nica reserva se estende ao facto de o leitor esperar mais detalhes sobre as quest&otilde;es ligadas &agrave; metodologia. Ainda que, ao longo do livro, a experi&ecirc;ncia da especialista sobressaia frequentemente, uma explica&ccedil;&atilde;o mais detalhada sobre o m&eacute;todo como a pesquisa foi realizada no terreno, quais as metodologias usadas, em que circunst&acirc;ncias, quais as limita&ccedil;&otilde;es e dificuldades, ou ainda, como ser uma pol&iacute;tica junto de popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis num pa&iacute;s autorit&aacute;rio como a China, s&atilde;o quest&otilde;es que, infelizmente, n&atilde;o s&atilde;o abordadas no livro. Dois outros t&oacute;picos poderiam igualmente ter sido investigados mais profundamente: o primeiro consiste no papel das empresas e da ind&uacute;stria no que diz respeito aos direitos dos migrantes, uma vez que este livro poderia ter abordado e investigado com maior detalhe a parte de responsabilidade que algumas empresas ocidentais t&ecirc;m na condi&ccedil;&atilde;o de emprego dos migrantes; o segundo ponto seria, e j&aacute; foi colocado em evid&ecirc;ncia por Dorothy Solinger (1999b) no in&iacute;cio do ano 2000 e, atualmente, por Wu Weiping e Wang Guixin (2014), a influ&ecirc;ncia que as empresas estrangeiras pertencentes ao estado e fundadas sob a lei poderiam ter ao envolver-se na China e nas suas atividades econ&oacute;micas. Resta-me depois da an&aacute;lise e revis&atilde;o desta leitura, colocar as seguintes quest&otilde;es: estar&aacute;, neste momento, uma mudan&ccedil;a em curso? Existe alguma diferen&ccedil;a entre os direitos dos migrantes nas ind&uacute;strias puramente chinesas e nas estrangeiras? </p>      <p>No entanto, ao focar-se no que est&aacute; a mudar a partir do interior, este livro representa uma refer&ecirc;ncia, em franc&ecirc;s, para a compreens&atilde;o de um fator social crucial que envolve transforma&ccedil;&otilde;es decisivas da sociedade e do sistema pol&iacute;tico chin&ecirc;s. Ao tra&ccedil;ar a evolu&ccedil;&atilde;o dos migrantes em termos de cidadania, Chlo&eacute; Froissart d&aacute; ainda a possibilidade, a um leque alargado de leitores, de expandir conhecimentos acerca das dificuldades enfrentadas pelos <i>mingong</i> ao longo da hist&oacute;ria e nos dias que correm. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b> </p>      <!-- ref --><p>Froissart, Chlo&eacute; (2008), &#8220;Le syst&egrave;me du <i>hukou</i>: pilier de la croissance chinoise et du maintien du PCC au pouvoir&#8221;, <i>Les</i><i> Etudes du CERI</i> (Centre d&#8217;Etudes et de Recherches Internationales), 149.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=854512&pid=S0873-6529201600030001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Froissart, Chlo&eacute; (2014), &#8220;L&#8217;&eacute;mergence de n&eacute;gociations collectives autonomes en Chine&#8221;, <i>Critique Internationale</i>, 4, pp. 43-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=854514&pid=S0873-6529201600030001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Solinger, Dorothy J. (1999a), <i>Contesting Citizenship in Urban China. Peasant Migrants, the State, and the Logico f the Market, Berkeley, CA, University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=854516&pid=S0873-6529201600030001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> </p>      <!-- ref --><p>Solinger, Dorothy J. (1999b), &#8220;Citizenship issues in China&#8217;s internal migration: comparisons with Germany and Japan&#8221;,<i> Political Science Quarterly</i>,<i> </i>The Academy of Political Science, 114 (3), pp. 455-478.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=854518&pid=S0873-6529201600030001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Weiping Wu, e Wang Guixin (2014), &#8220;Together but unequal: citizenship rights for migrants and locals in urban China&#8221;, <i>Urban Affairs Review</i>, 50 (6), pp. 781-805.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=854520&pid=S0873-6529201600030001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> <a name="A_FimCapitulo11"></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>                <p><a name="edn1"></a><a href="#topedn1">[1]</a> Por exemplo sobre as cidades de Xangai e Pequim: Wu Weiping (2014).</p>          <p><a name="edn2"></a><a href="#topedn2">[2]</a> Palavra russa para &#8220;permiss&atilde;o de resid&ecirc;ncia tempor&aacute;ria&#8221;. Este sistema foi oficialmente institu&iacute;do durante o per&iacute;odo sovi&eacute;tico, em 1932, quando a utiliza&ccedil;&atilde;o de passaportes internos se tornou obrigat&oacute;ria, de forma a regular o movimento populacional por meio da fixa&ccedil;&atilde;o de pessoas em seus locais de resid&ecirc;ncia permanente. (N. da A.)</p>          <p><a name="edn3"></a><a href="#topedn3">[3]</a> Sun Zhigang, um estudante de 27 anos, graduado das Belas-Artes &eacute; levado, no dia 17 de mar&ccedil;o de 2003, para um &#8220;centro de deten&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o&#8221;, isto &eacute;, um centro de deten&ccedil;&atilde;o para imigrantes, onde morreu tr&ecirc;s dias depois. As circunst&acirc;ncias da morte do jovem estiveram na origem de uma mobiliza&ccedil;&atilde;o social e de uma indigna&ccedil;&atilde;o coletiva. Esta mobiliza&ccedil;&atilde;o levou ao cancelamento deste tipo de centros de deten&ccedil;&atilde;o pelo sistema chin&ecirc;s. (p. 325) (N. da A.)</p>          <p><a name="edn4"></a><a href="#topedn4">[4]</a> Tamb&eacute;m conhecidas pelo nome de GONGO (organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental orientada pelo governo). (N. da A.)</p>           ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Froissart]]></surname>
<given-names><![CDATA[Chloé]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Le système du hukou: pilier de la croissance chinoise et du maintien du PCC au pouvoir]]></article-title>
<source><![CDATA[Les Etudes du CERI]]></source>
<year>2008</year>
<volume>149</volume>
<publisher-name><![CDATA[Centre d&#8217;Etudes et de Recherches Internationales]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Froissart]]></surname>
<given-names><![CDATA[Chloé]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[L&#8217;émergence de négociations collectives autonomes en Chine]]></article-title>
<source><![CDATA[Critique Internationale]]></source>
<year>2014</year>
<volume>4</volume>
<page-range>43-63</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Solinger]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dorothy J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Contesting Citizenship in Urban China: Peasant Migrants, the State, and the Logico f the Market]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Berkeley^eCA CA]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of California Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Solinger]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dorothy J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Citizenship issues in China&#8217;s internal migration: comparisons with Germany and Japan]]></article-title>
<source><![CDATA[Political Science Quarterly]]></source>
<year>1999</year>
<volume>114</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>455-478</page-range><publisher-name><![CDATA[The Academy of Political Science]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wu]]></surname>
<given-names><![CDATA[Weiping]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Guixin]]></surname>
<given-names><![CDATA[Wang]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Together but unequal: citizenship rights for migrants and locals in urban China]]></article-title>
<source><![CDATA[Urban Affairs Review]]></source>
<year>2014</year>
<volume>50</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>781-805</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
