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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>      <p><b>The changing soul of Europe.</b><b> Religions and Migrations in Northern and Southern Europe</b> <b>[Helena Vila&ccedil;a, Enzo Pace, Inger Furseth e Per Pettersson (orgs.), 2015, Farham, Ashgate AHRC/ESRC Religion and Society Series]</b> </p>      <p><i>&nbsp;</i></p>      <p><b>Maria Jo&atilde;o Oliveira*</b></p>      <p>* Investigadora no Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria (RECI), Viseu, Portugal, e colaboradora no Instituto de Sociologia (IS), Porto, Alameda Jean Piaget, n&ordm;. 100, apartado 1523, 4411-801 V. N. Gaia, Portugal. E-mail: <a href="mailto:maria.joao.oliveira@hotmail.com">maria.joao.oliveira@hotmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Na senda de um expressivo crescimento dos fluxos migrat&oacute;rios e do aumento significativo da sua diversidade cultural, religiosa e &eacute;tnica, as sociedades t&ecirc;m-se confrontado com muitos e novos desafios. Desde a forma como os estados s&atilde;o capazes de receber e lidar com a imigra&ccedil;&atilde;o, aos recursos que os imigrantes s&atilde;o capazes de mobilizar e ao papel de media&ccedil;&atilde;o que entre eles podem assumir determinados grupos ou institui&ccedil;&otilde;es, muito se tem pesquisado e problematizado nesta &aacute;rea. Tal relaciona-se com a no&ccedil;&atilde;o de que as migra&ccedil;&otilde;es, enquanto processos de mudan&ccedil;a social intersistemas de ordem, se apresentam como &#8220;situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas n&atilde;o s&oacute; sobre a ordem interativa, mas tamb&eacute;m sobre o pr&oacute;prio <i>habitus</i>&#8221; (Pires, 2003: 50). </p>      <p>Neste contexto, o estudo da dimens&atilde;o religiosa surge da consci&ecirc;ncia crescente, tal como Fenton nos alerta (2004), de que religi&atilde;o e etnicidade, embora distintas na realidade e analiticamente, est&atilde;o intimamente relacionadas enquanto dimens&otilde;es da identidade. A obra <i>The Changing Soul of Europe. Religions and Migrations in Northern and Southern Europe</i>, publicada em 2015, d&aacute; para este debate um contributo te&oacute;rico e anal&iacute;tico relevante. O livro surge na sequ&ecirc;ncia da confer&ecirc;ncia internacional &#8220;Local Diversity and Global Challenges. Religions and Migrations in Southern Europe&#8221;, organizada em 2010 por Helena Vila&ccedil;a, e de uma obra conjunta coordenada pela mesma autora e Enzo Pace (2010). O foco no sul da Europa, que em ambos os casos tinha recebido especial aten&ccedil;&atilde;o, alarga-se com esta nova publica&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses do norte da Europa, propondo-se os autores colmatar o que consideram ser uma lacuna entre as obras que t&ecirc;m sido publicadas: comparar, do um ponto de vista sociorreligioso, o impacto das migra&ccedil;&otilde;es entre o norte e o sul da Europa (cf. Introdu&ccedil;&atilde;o). </p>      <p>A obra apresenta-se dividida em duas partes. Uma proeminentemente te&oacute;rica que, para l&aacute; das teorias da seculariza&ccedil;&atilde;o ou do desencantamento do mundo, nos introduz os desafios que enfrenta a pr&oacute;pria teoria social na compreens&atilde;o do fen&oacute;meno em an&aacute;lise. E uma segunda parte mais emp&iacute;rica, composta por nove pesquisas que resultam de trabalhos aut&oacute;nomos em diferentes territ&oacute;rios do norte e do sul da Europa onde se configuram os desafios sociais e culturais que estas sociedades enfrentam em resultado da crescente mobilidade geogr&aacute;fica. </p>      <p>Come&ccedil;amos assim a ser conduzidos pelo soci&oacute;logo Enzo Pace (cap&iacute;tulo 1), que recupera a teoria luhmanniana dos sistemas sociais por considerar &uacute;til compreender como, quando o ambiente muda, a sociedade deve aprender a transferir a sua complexidade externa em diferencia&ccedil;&atilde;o interna. Uma <i>mudan&ccedil;a social</i> que o autor revela estar a acontecer sob, pelo menos, quatro configura&ccedil;&otilde;es e que denomina como <i>os quatro cavaleiros do Apocalipse</i>: <i>the White Knight</i>, <i>the Red Knight</i>, <i>the Black Knight</i> e <i>the Black Knight</i>. Uma conceptualiza&ccedil;&atilde;o que para o contexto europeu ajuda o autor a explicar dois modelos de na&ccedil;&atilde;o, um mais baseado na cidadania e outro na etnicidade, bem como a emerg&ecirc;ncia das ideologias islamof&oacute;bicas e o risco de etniciza&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as culturais e religiosas. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Madureira Pinto, que tem a dif&iacute;cil miss&atilde;o de comentar os contributos de Pace e de acrescentar &agrave; discuss&atilde;o a dimens&atilde;o econ&oacute;mica do fen&oacute;meno (cap&iacute;tulo 2), come&ccedil;a por tecer uma interessante cr&iacute;tica &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es das teorias econ&oacute;micas mais tradicionais e sublinha o papel que as redes e afinidades culturais, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, mas tamb&eacute;m a estrutura de classes e a condi&ccedil;&atilde;o social dos imigrantes assumem nas diferentes configura&ccedil;&otilde;es sociais, a que Pace nos introduziu no primeiro cap&iacute;tulo. Madureira Pinto termina a salientar a import&acirc;ncia do estudo do vetor da &#8220;lealdade&#8221; proposto por Hirschman, autor em que Pace tamb&eacute;m se inspira, mas ao qual deu menos aten&ccedil;&atilde;o. Fazendo liga&ccedil;&atilde;o com os contributos de Burawoy, para quem a religi&atilde;o tamb&eacute;m produz frequentemente conformidade das almas e dos corpos com o <i>status quo</i>, Pinto termina enfatizando que a &#8220;lealdade&#8221; n&atilde;o deve ser esquecida na abordagem sociol&oacute;gica do poder simb&oacute;lico e pol&iacute;tico dos sistemas de cren&ccedil;as. </p>      <p>A dimens&atilde;o pol&iacute;tica do fen&oacute;meno &eacute; trazida por Tuomas Martikainen (cap&iacute;tulo 3), num cap&iacute;tulo que encerra a primeira parte da obra. O autor, sem deixar de refletir sobre o papel dos imigrantes e das suas religi&otilde;es no contexto de rece&ccedil;&atilde;o, debru&ccedil;a-se particularmente sobre a import&acirc;ncia das implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para as condi&ccedil;&otilde;es sociais e as pr&aacute;ticas religiosas das comunidades religiosas imigrantes. Elenca, nesse sentido, um conjunto de aspetos que contribuem muito especificamente, do meu ponto de vista, para compreender as singularidades e as diferen&ccedil;as entre o norte e o sul da Europa no que diz respeito &agrave;s implica&ccedil;&otilde;es sociorreligiosas da mobilidade geogr&aacute;fica. Nomeadamente, como &eacute; que &#8212; tal como se questiona na introdu&ccedil;&atilde;o da obra &#8212;, apesar de a religi&atilde;o de estado ter persistido at&eacute; mais recentemente nos pa&iacute;ses do norte da Europa do que nos do sul, os n&iacute;veis de seculariza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o mais elevados entre os primeiros. Exemplificando com o caso finland&ecirc;s, o autor constr&oacute;i dessa maneira a ponte para a segunda parte do livro, onde s&atilde;o abordados os estudos de caso. </p>      <p>Por conseguinte, no sul da Europa, s&atilde;o-nos apresentados: o caso grego, onde existe ainda uma igreja de estado e os direitos religiosos s&atilde;o limitados, apesar da liberdade religiosa; o caso portugu&ecirc;s, onde h&aacute; um estado laico mas a Igreja Cat&oacute;lica continua a compensar as fragilidades do estado na esfera da a&ccedil;&atilde;o social; e o caso italiano, onde se vive um &#8220;secularismo cat&oacute;lico&#8221;, como recupera Annalisa Frisina, com base no contributo de Pace noutro contexto. </p>      <p>Mais em detalhe, Elisabeth Diamantopoulou (cap&iacute;tulo 4) revela como, na Gr&eacute;cia, o ineficaz e desadequado enquadramento institucional da imigra&ccedil;&atilde;o contribuiu, entre outros fatores, para criar um ambiente fr&aacute;gil na gest&atilde;o do fen&oacute;meno e, por isso mesmo, um contexto potencialmente explosivo, onde a Igreja Ortodoxa da Gr&eacute;cia &eacute; chamada a ter um papel decisivo, mas sobre o qual a pr&oacute;pria se tem revelado particularmente cr&iacute;tica. Trata-se, portanto, de um claro exemplo da import&acirc;ncia do contexto pol&iacute;tico de rece&ccedil;&atilde;o dos imigrantes, de que Martikainen nos falava anteriormente e que serve ainda para compreender o caso portugu&ecirc;s apresentado por Helena Vila&ccedil;a (cap&iacute;tulo 5). A autora demonstra como, embora se reconhe&ccedil;a que as igrejas hist&oacute;ricas possam n&atilde;o ser t&atilde;o essenciais como no passado, a Igreja Cat&oacute;lica portuguesa, mediada pelo seu Secretariado Diocesano para as Migra&ccedil;&otilde;es, continua a orientar a vida dos migrantes das comunidades religiosas, nomeadamente das comunidades cat&oacute;licas de rito bizantino, nos mais diversos n&iacute;veis: c&iacute;vico, econ&oacute;mico, afetivo, cultural, lingu&iacute;stico e religioso. Um contexto que n&atilde;o impede que outras denomina&ccedil;&otilde;es religiosas, com uma identidade religiosa menos pr&oacute;xima da Igreja Cat&oacute;lica, gerem maior resist&ecirc;ncia. &Eacute; o caso da Igreja Universal do Reino de Deus, explorado por Donizete Rodrigues (cap&iacute;tulo 7), cujo maior desafio, de acordo com o autor, &eacute; imposto por uma nova l&oacute;gica de funcionamento em que as igrejas pentecostais agem de acordo com as regras de um mercado complexo e competitivo: o &#8220;mercado de bens simb&oacute;licos&#8221;. </p>      <p>Em It&aacute;lia, por sua vez, Roberta Ricucci (cap&iacute;tulo 6) coloca o foco da an&aacute;lise nos processos de identifica&ccedil;&atilde;o de uma segunda gera&ccedil;&atilde;o de imigrantes crist&atilde;os cat&oacute;licos (filipinos, peruanos e romenos). A autora conclui que o processo de acultura&ccedil;&atilde;o sob o qual tra&ccedil;am a sua integra&ccedil;&atilde;o &eacute; mais forte do que a sua socializa&ccedil;&atilde;o religiosa, embora estes jovens permane&ccedil;am, em geral, entre uma situa&ccedil;&atilde;o em que continuam a ir &agrave; sua igreja e a procurar simultaneamente uma forma aut&oacute;noma de perten&ccedil;a religiosa. No entanto, tamb&eacute;m as carater&iacute;sticas dos pr&oacute;prios imigrantes jogam aqui um papel importante, pelo que a situa&ccedil;&atilde;o para aqueles que n&atilde;o estabeleceram uma rela&ccedil;&atilde;o positiva com a sociedade italiana &eacute; diferente. S&atilde;o tamb&eacute;m os jovens que ocupam a centralidade do cap&iacute;tulo escrito por Annalisa Frisina (cap&iacute;tulo 9), em particular um grupo de jovens mulheres mu&ccedil;ulmanas de Bolonha pertencentes &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o Jovens Mu&ccedil;ulmanos de It&aacute;lia. A autora explora com estas mulheres a forma como se relacionam com o espa&ccedil;o envolvente, sublinhando que Bolonha &eacute; o exemplo de um contexto local muito particular, onde o pluralismo &eacute; publicamente reconhecido como um valor e as diferen&ccedil;as encontram legitimidade. </p>      <p>Deslocamo-nos de seguida para o norte da Europa, onde passamos a compreender melhor como na Su&eacute;cia e na Noruega, onde os processos de separa&ccedil;&atilde;o entre a igreja o estado s&atilde;o muito recentes, mas tamb&eacute;m na Dinamarca, onde ainda existe uma igreja de estado, estas sociedades lidam com a diversidade cultural, &eacute;tnica e religiosa. No primeiro caso, Anne Kubai (cap&iacute;tulo 8) observa como a igreja da Su&eacute;cia &#8212; ainda que em termos teol&oacute;gicos e discursivos seja muito inclusiva &#8212;, na pr&aacute;tica instrumentaliza as congrega&ccedil;&otilde;es africanas, contribuindo para a inclus&atilde;o de uns e a exclus&atilde;o de outros, incentivando ainda a colabora&ccedil;&atilde;o de algumas, mas deixando-as de fora em certos processos. Uma realidade que, do ponto de vista da autora, reflete alguma imprepara&ccedil;&atilde;o para lidar com estas igrejas imigrantes, apesar de reconhecerem a inevitabilidade do processo de mudan&ccedil;a social subjacente. Est&aacute;, no fundo, associado ao que Per Pettersson explora mais &agrave; frente (cap&iacute;tulo 10) e que remete para o facto de a igreja da Su&eacute;cia manter um papel dominante no cen&aacute;rio religioso, apesar da separa&ccedil;&atilde;o entre o estado e a igreja e dos elevados n&iacute;veis de secularismo. No caso da cidade de Gavle, que investigou aprofundadamente, o autor demonstra como os valores e pr&aacute;ticas crist&atilde;os est&atilde;o impl&iacute;citos no quotidiano sueco, o que obriga a constantes negocia&ccedil;&otilde;es &#8212; tamb&eacute;m elas orientadas por valores crist&atilde;os &#8212; sobre os valores e, por conseguinte, sobre a mudan&ccedil;a de pr&aacute;ticas na esfera p&uacute;blica. </p>      <p>Por sua vez, na Noruega, Inger Furseth (cap&iacute;tulo 11) retoma a import&acirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o das fronteiras simb&oacute;licas que envolvem o uso do <i>hijab</i> entre mu&ccedil;ulmanos e n&atilde;o mu&ccedil;ulmanos e entre diferentes grupos de mulheres mu&ccedil;ulmanas. Depois de discutir teoricamente com Mich&egrave;le Lamont e Bourdieu, a autora descreve as diferentes formas de fronteiras simb&oacute;licas que observou em Oslo, concluindo que as fronteiras morais, culturais e geracionais s&atilde;o mais porosas do que as fronteiras religiosas para estas mulheres, sendo razo&aacute;vel, para a autora, assumir que o <i>hijab</i> d&aacute; &agrave; mulher mais estatuto e melhora a sua posi&ccedil;&atilde;o em alguns meios mu&ccedil;ulmanos, mas que fora destes tamb&eacute;m pode funcionar de forma inversa. </p>      <p>Finalmente, Jorn Borup (cap&iacute;tulo 12) termina com uma pesquisa sobre os budistas e crist&atilde;os de origem vietnamita na Dinamarca, focando particularmente a an&aacute;lise nas carater&iacute;sticas dos imigrantes e das suas religi&otilde;es. Entre outras vari&aacute;veis, como a educa&ccedil;&atilde;o e a idade, o autor analisa o papel da etnicidade e da socializa&ccedil;&atilde;o na orienta&ccedil;&atilde;o individual e cultural destes sujeitos. De forma muito interessante, o autor incorpora na an&aacute;lise a multidimensionalidade do fen&oacute;meno, revelando que, embora existam diferen&ccedil;as de tipo e grau entre budistas e crist&atilde;os, a cultura de origem e a identidade &eacute;tnica est&atilde;o relacionadas com o grau de envolvimento religioso no contexto de di&aacute;spora. </p>      <p>Posto isto, a obra termina com uma reflex&atilde;o sobre os principais conte&uacute;dos de cada um dos seus cap&iacute;tulos e uma vis&atilde;o de conjunto onde os autores enfatizam como desafio transversal &agrave;s diferentes sociedades europeias a presen&ccedil;a da religi&atilde;o na esfera p&uacute;blica. Do meu ponto de vista, n&atilde;o se pode dizer que o livro supere a lacuna comparativa que existe na abordagem das mudan&ccedil;as sociorreligiosas entre o norte e o sul da Europa, que nos &eacute; dada sobretudo atrav&eacute;s da sua introdu&ccedil;&atilde;o e da interessante conclus&atilde;o, mas contribui certamente para um aprofundamento da sua compreens&atilde;o. Por outro lado, um estudo com espectro mais amplo de pa&iacute;ses ou territ&oacute;rios, pode pensar-se, teria enriquecido a an&aacute;lise, subsistindo no fim da sua leitura uma vontade particular de ter visto refletidas nesta obra as realidades francesa e espanhola. Todavia, e termino com uma observa&ccedil;&atilde;o que &eacute; menos paradoxal do que pode parecer &agrave; primeira vista, mais do que o foco territorial que d&aacute; o mote para este livro, o que mais enriquece esta obra s&atilde;o os m&uacute;ltiplos aspetos e dimens&otilde;es subjacentes &agrave; compreens&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre religi&otilde;es e migra&ccedil;&otilde;es nas diversas sociedades. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b> </p>      <!-- ref --><p>Fenton, Steve (2004), &#8220;Modernidade, etnicidade e religi&atilde;o&#8221;, em<i> </i>Donizete Rodrigues (org.), <i>Em Nome de Deus. A Religi&atilde;o na Sociedade Contempor&acirc;nea</i>, Porto, Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento, pp. 51-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=856817&pid=S0873-6529201700010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Pires, Rui Pena (2003), <i>Migra&ccedil;&otilde;es e Integra&ccedil;&atilde;o. Teoria e Aplica&ccedil;&otilde;es &agrave; Sociedade Portuguesa</i>, Oeiras, Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=856819&pid=S0873-6529201700010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Vila&ccedil;a, Helena, e Enzo Pace (coords.) (2010), <i>Religi&atilde;o em Movimento. Imigrantes e Diversidade Religiosa em Portugal e It&aacute;lia</i>, Porto, Estrat&eacute;gias Criativas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=856821&pid=S0873-6529201700010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         ]]></body><back>
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