<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0873-6561</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Etnográfica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Etnográfica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0873-6561</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro em Rede de Investigação em Antropologia - CRIA]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0873-65612013000200006</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Por uma biografia das coisas: a vida social da marca Havaianas e a invenção da brasilidade]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Toward a biography of things: the social life of the Havaianas and the invention of Brazilianness]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Magda dos Santos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>17</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>341</fpage>
<lpage>368</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-65612013000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-65612013000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-65612013000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O antropólogo, de acordo com Roy Wagner, é aquele que usa muito a palavra cultura. O que acontece quando empresas, marcas e bens materiais passam também a reivindicá-la? O objetivo deste texto é pensar o processo de invenção da cultura brasileira por meio da marca de sandálias Havaianas. O percurso metodológico será o de descrever sua biografia social, objetivando realizar uma análise que possibilite compreender como entidades não humanas adquirem significados e, a partir de então, passam também a agir no ambiente social. A reflexão tem como base a trajetória do objeto, imagens publicitárias e o trabalho de campo realizado em empresas e agências de publicidade entre os anos de 2008 e 2010. Neste caso particular, observaremos o processo de invenção da cultura brasileira como expressão máxima dos agenciamentos exercidos pela marca Havaianas.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[According to Roy Wagner, the anthropologist is the one that uses often the word culture. What happens when corporations, brands and material goods start to claim it as well? This article aims to think about the invention of Brazilian culture through the brand Havaianas. The methodological approach begins with the description of its social history, in order to perform an analysis which allows for a better understanding of how non-human entities acquire social meanings, and, from then on, their act in the social world. The reflection is based on the history of Havaianas, advertising images and fieldwork done in corporate environments between 2008 and 2010. Through this specific approach, the process of invention of Brazilian culture was observed as the highest expression of agency exercised by the Havaianas brand.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Havaianas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[brasilidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[cultura brasileira]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[invenção]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[agência de objetos]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Havaianas]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Brazilianness]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Brazilian culture]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[invention]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[agency of objects]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p>     <b>Por uma biografia das coisas: a vida social da marca <i>Havaianas </i>e a inven&#231;&#227;o da brasilidade</b> </p>     <p>     <b>Toward a biography of things: the social life of the <i>Havaianas</i> and the invention of Brazilianness </b> </p>     <p>     <b>Magda dos Santos Ribeiro*</b> </p>     <p>     *Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&#234;ncias Humanas da Universidade de S&#227;o Paulo     (PPGAS/USP), Brasil. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:magdaribeiro@usp.br">magdaribeiro@usp.br</a> </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <b>RESUMO</b> </p>     <p>     O antrop&#243;logo, de acordo com Roy Wagner, &#233; aquele que usa muito a palavra cultura. O que acontece quando empresas, marcas e bens materiais passam     tamb&#233;m a reivindic&#225;-la? O objetivo deste texto &#233; pensar o processo de inven&#231;&#227;o da cultura brasileira por meio da marca de     sand&#225;lias <i>Havaianas</i>. O percurso metodol&#243;gico ser&#225; o de descrever sua biografia social, objetivando realizar uma an&#225;lise que     possibilite compreender como entidades n&#227;o humanas adquirem significados e, a partir de ent&#227;o, passam tamb&#233;m a agir no ambiente social. A     reflex&#227;o tem como base a trajet&#243;ria do objeto, imagens publicit&#225;rias e o trabalho de campo realizado em empresas e ag&#234;ncias de     publicidade entre os anos de 2008 e 2010. Neste caso particular, observaremos o processo de inven&#231;&#227;o da cultura brasileira como express&#227;o     m&#225;xima dos agenciamentos exercidos pela marca <i>Havaianas</i>. </p>     <p>     <b>Palavras-chave: </b>     <i>Havaianas</i>     , brasilidade, cultura brasileira, inven&#231;&#227;o, ag&#234;ncia de objetos </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <b>ABSTRACT</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     According to Roy Wagner, the anthropologist is the one that uses often the word culture. What happens when corporations, brands and material goods start to     claim it as well? This article aims to think about the invention of Brazilian culture through the brand <i>Havaianas</i>. The methodological approach     begins with the description of its social history, in order to perform an analysis which allows for a better understanding of how non-human entities     acquire social meanings, and, from then on, their act in the social world. The reflection is based on the history of <i>Havaianas</i>, advertising images     and fieldwork done in corporate environments between 2008 and 2010. Through this specific approach, the process of invention of Brazilian culture was     observed as the highest expression of agency exercised by the <i>Havaianas</i> brand. </p>     <p>     <b>Keywords:</b>     <i>Havaianas</i>     , Brazilianness, Brazilian culture, invention, agency of objects </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     N&#227;o &#233; novidade para a antropologia que diferentes grupos mobilizem categorias identit&#225;rias a fim de refor&#231;ar seus v&#237;nculos de     pertencimento cultural ou assegurar seus direitos.<a name="_ftnref1"></a><a href="#_ftn1" title="">[1]</a> O que acontece, entretanto, quando s&#227;o     objetos materiais aqueles a reivindicar o pertencimento a dada cultura? </p>     <p>     O objetivo deste artigo &#233; pensar o processo de inven&#231;&#227;o da cultura brasileira por meio da marca de sand&#225;lias <i>Havaianas</i>. O     percurso metodol&#243;gico ser&#225; o de descrever sua trajet&#243;ria<i> </i>social,<a name="_ftnref2"></a><a href="#_ftn2" title="">[2]</a> objetivando     realizar uma an&#225;lise que possibilite compreender como entidades n&#227;o humanas adquirem significados e tornam-se, a partir de ent&#227;o, agentes     nos espa&#231;os onde circulam. </p>     <p>     Dois pressupostos te&#243;ricos principais dar&#227;o suporte &#224; reflex&#227;o aqui pretendida. A no&#231;&#227;o de inven&#231;&#227;o cultural, tal     como formulada por Roy Wagner em <i>A Inven&#231;&#227;o da Cultura </i>(2010 [1975]),<a name="_ftnref3"></a><a href="#_ftn3" title="">[3]</a>     auxiliar&#225; na compreens&#227;o da trajet&#243;ria deste objeto, em particular no modo como ele articulou elementos novos e convencionais da cultura     brasileira e produziu, assim, seu pr&#243;prio mecanismo de inven&#231;&#227;o. A no&#231;&#227;o de ag&#234;ncia, por sua vez, permite inferir que     entidades n&#227;o humanas &#8211; bens materiais, objetos, imagens, animais, esp&#237;ritos &#8211; sejam capazes de agir socialmente, em contraste com a     ideia de que s&#227;o meras mediadoras, tal como apresentado em <i>Art and Agency</i> por Alfred Gell (1998). </p>     <p>     O artigo, portanto, se dedicar&#225; &#224; exposi&#231;&#227;o e an&#225;lise da biografia da marca de sand&#225;lias <i>Havaianas</i>, colocando     &#234;nfase na mudan&#231;a substancial que transformou um cal&#231;ado popular em um objeto portador e atribuidor da &#8220;brasilidade&#8221;. Tal tarefa     deixar&#225; ver como as estrat&#233;gias de comunica&#231;&#227;o na hist&#243;ria deste objeto possibilitaram sua participa&#231;&#227;o ativa no     processo de inven&#231;&#227;o da cultura brasileira. </p>     <p>     Ao descrever tal hist&#243;ria, abordarei mais detidamente alguns aspectos fundamentais que permitir&#227;o compreender as principais     transforma&#231;&#245;es desta marca de cal&#231;ados, entre eles a cria&#231;&#227;o da marca <i>Havaianas</i>; as inscri&#231;&#245;es, cores e desenhos     que comp&#245;em sua forma; a internacionaliza&#231;&#227;o do produto e da marca; o estabelecimento de conex&#245;es com     personalidades/artistas; o fortalecimento de la&#231;os com outros bens; por fim, a estrat&#233;gia de pertencimento &#224; cultura     brasileira. </p>     <p>     Tais aspectos destacam-se por permitirem visualizar mais claramente o curso das principais mudan&#231;as desta marca de cal&#231;ados. Cabe enfatizar que     tais transforma&#231;&#245;es n&#227;o aconteceram de maneira cronol&#243;gica, ao contr&#225;rio, diferentes estrat&#233;gias surgem, desaparecem e     ressurgem ao longo do percurso observado, o qual compreende mais de 40 anos de circula&#231;&#227;o desta marca &#8211; da d&#233;cada de 1960 aos anos     2000. </p>     <p>     A trajet&#243;ria de vida da marca <i>Havaianas</i> configurou-se como objeto de &#173;an&#225;lise durante a pesquisa de campo realizada, entre os anos de     2008 e 2010, em ambientes empresariais: ag&#234;ncias de publicidade e propaganda, institutos de pesquisa de mercado, a empresa detentora da marca &#8211;     a S&#227;o Paulo Alpargatas SA, al&#233;m de entrevistas com <i>designers</i> independentes ou profissionais liberais que participaram da     cria&#231;&#227;o/transforma&#231;&#227;o da marca, tanto no Brasil quanto em outros pa&#237;ses. Outro recurso fundamental para sua reconstitui&#231;&#227;o biogr&#225;fica foi o vasto acervo de imagens publicit&#225;rias disponibilizado pelo Museu da Propaganda.<a name="_ftnref4"></a>    <a href="#_ftn4" title="">[4]</a> Estas imagens formam um conjunto de mais de 240 comerciais produzidos para televis&#227;o e aproximadamente 400     an&#250;ncios produzidos para revistas nacionais e estrangeiras. Assim, &#233; a partir da combina&#231;&#227;o desses dados &#8211; trabalho de campo e     an&#225;lise de documentos &#8211; que descrevo e analiso a &#8220;vida social&#8221; da marca <i>Havaianas</i>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Descrever a vida social de um objeto, fazendo das imagens publicit&#225;rias um recurso fundamental &#8211; por&#233;m, n&#227;o o &#250;nico &#8211;,     apresenta-se como alternativa &#224; an&#225;lise cl&#225;ssica de campanhas publicit&#225;rias. Este artigo se concentra na vida social e nos     agenciamentos produzidos pela marca <i>Havaianas</i>, na busca por evidenciar os rendimentos de uma an&#225;lise holista, em detrimento daquela que     objetiva a decodifica&#231;&#227;o e o desmembramento de camadas de sentido em campanhas publicit&#225;rias particulares. Logo, as imagens aqui     apresentadas servem menos como suporte anal&#237;tico de uma ou outra campanha e mais como um recurso metodol&#243;gico para exposi&#231;&#227;o     emp&#237;rica da trajet&#243;ria de vida dos chinelos de borracha. Contudo, uma vez que as imagens aparecem enquanto um dos elementos centrais da     an&#225;lise aqui empreendida, explicitarei, na sec&#231;&#227;o seguinte, os rendimentos deste m&#233;todo, cuja utiliza&#231;&#227;o de imagens     publicit&#225;rias aparece como um importante recurso de reconstitui&#231;&#227;o hist&#243;rica e biogr&#225;fica do objeto analisado. </p>     <p>     <b>Por uma biografia das coisas</b> </p>     <p>     Na d&#233;cada de 1970, acontece uma profus&#227;o de estudos sociol&#243;gicos e antropol&#243;gicos sobre as sociedades consumidoras de bens. O que esses     trabalhos buscavam discutir, a partir de exemplos concretos e evid&#234;ncias emp&#237;ricas, era, principalmente, o significado social<i> </i>dos bens     materiais. <a name="_ftnref5"></a><a href="#_ftn5" title="">[5]</a> </p>     <p>     Bastante influenciado pela teoria saussuriana, Roland Barthes (1967) desenvolve uma an&#225;lise estruturalista do vestu&#225;rio feminino a partir da     aprecia&#231;&#227;o dos discursos visual e verbal. Cabe destacar que Barthes foi precursor na an&#225;lise sistem&#225;tica de imagens publicit&#225;rias, determinado a compreend&#234;-las como plenas de sentido e muito prop&#237;cias para o desenvolvimento de uma an&#225;lise semiol&#243;gica.    <a name="_ftnref6"></a><a href="#_ftn6" title="">[6]</a> Tal m&#233;todo de an&#225;lise influenciou fortemente trabalhos vindouros, interessados em     compreender os discursos presentes nas imagens publicit&#225;rias e tamb&#233;m em realizar uma cr&#237;tica ao crescimento da publicidade e,     consequentemente, do consumo. </p>     <p>     Sabemos, contudo, que o discurso publicit&#225;rio n&#227;o &#233; uma pr&#225;tica atemporal. Como todo g&#234;nero discursivo, a publicidade possui uma     hist&#243;ria e se inscreve nas muta&#231;&#245;es de um <i>corpus</i> econ&#244;mico e social. Para Adam e Bonhomme (2005), dois grandes fen&#244;menos     caracterizaram a complexidade argumentativa do discurso publicit&#225;rio: o primeiro &#233; a estrutura escrita e dissertativa do texto enquanto imagem; o     segundo &#233; a ess&#234;ncia visual do discurso publicit&#225;rio, onde a imagem, desta vez, transforma-se em texto. Assim, &#233; a partir dessa     ambiguidade e da rela&#231;&#227;o h&#237;brida entre texto e imagem, inerente &#224; publicidade, que os autores analisam sua capacidade persuasiva e     ret&#243;rica. </p>     <p>     Minot (2001), por outro lado, pensa a publicidade como um recurso poderoso de propaga&#231;&#227;o de certas ideias. O autor a compreende como um dos     principais elementos de um sistema de comunica&#231;&#227;o mais amplo, o qual abarca ideias que fazem parte de um inconsciente coletivamente     compartilhado. &#201; atrav&#233;s da publicidade que essas ideias s&#227;o divulgadas de maneira repetitiva, aumentando, assim, sua capacidade de     memoriza&#231;&#227;o e fixa&#231;&#227;o social. </p>     <p>     Ainda que a publicidade tenha sido estudada tradicionalmente pelas &#8220;teorias da comunica&#231;&#227;o&#8221;, ela configurou-se como objeto de     an&#225;lise em diversos e distintos trabalhos. Algumas contribui&#231;&#245;es centraram-se em sua dimens&#227;o sociol&#243;gica (Baudrillard 2000     [1982]; Cathelat 2001; Debord 2000), outras na vertente psicol&#243;gica (Packard 1958; Haineault e Roy 1984; Khel 1998), ou lingu&#237;stica (Charaudeau     1994; Greven 1982; Grunig 1998; Pereira 2006), al&#233;m dos consagrados estudos de semiologia (Joly 1994; Floch 2002). </p>     <p>     Muitos destes trabalhos tiveram como inspira&#231;&#227;o a perspectiva anal&#237;tica de Barthes (1957, 1967, 1970, 1990), para quem a publicidade pode     ser pensada como um mito. O mito, por sua vez, &#233; entendido como um sistema de comunica&#231;&#227;o, uma mensagem, um conceito, uma ideia e,     sobretudo, um modo de significa&#231;&#227;o. Barthes (1970: 211) vislumbrou na ci&#234;ncia semiol&#243;gica um m&#233;todo anal&#237;tico que pudesse dar     conta do r&#225;pido e crescente aumento da publicidade e de outras t&#233;cnicas a servi&#231;o da mercantiliza&#231;&#227;o. </p>     <p>     Todas essas vertentes de pesquisa acerca da constitui&#231;&#227;o da publicidade &#8211; semi&#243;tica, sociol&#243;gica, ret&#243;rica,     psicol&#243;gica, lingu&#237;stica, discursiva &#8211; contribu&#237;ram imensamente para estabelecer um <i>corpus</i> de an&#225;lise consistente sobre os     efeitos dessa pr&#225;tica nas sociedades contempor&#226;neas. Entretanto, muitos destes trabalhos, como afirmou Minot (2001: 10), revelam ao final uma     f&#243;rmula bastante conhecida e desgastada: &#8220;a finalidade da publicidade &#233; vender!&#8221; Se satisfazer com tal formula&#231;&#227;o,     entretanto, &#233; ocultar a complexidade e a variedade dos modos de reconhecimento das mensagens publicit&#225;rias e, sobretudo, as respostas sociais que     recebem. </p>     <p>     Ainda que as an&#225;lises cl&#225;ssicas de campanhas publicit&#225;rias revelem a ast&#250;cia da t&#233;cnica por tr&#225;s da cortina do     espet&#225;culo capitalista, elas pouco t&#234;m a dizer sobre a pr&#225;tica empresarial de produ&#231;&#227;o da publicidade. Dito de outra maneira,     &#233; como se essas an&#225;lises revelassem o truque do m&#225;gico, deixando-o desconcertado no palco, sem levar em conta todo o trabalho e treinamento     investido em sua exibi&#231;&#227;o. Mais do que isso, &#233; como se o espet&#225;culo contasse apenas com a persuas&#227;o do m&#225;gico e a ingenuidade     de seu p&#250;blico, deixando de fora todos os artefatos &#8211; varinhas, pombos, coelhos e cartolas &#8211; indispens&#225;veis para a atividade     ilusionista. Neste sentido, quero refor&#231;ar o fato de que nas an&#225;lises cl&#225;ssicas de campanhas publicit&#225;rias o foco da discuss&#227;o     centra-se na t&#233;cnica persuasiva (seja esta ret&#243;rica, discursiva, psicol&#243;gica, semiol&#243;gica, etc.) e jamais nos objetos que se beneficiam     de tal t&#233;cnica. Uma abordagem preocupada com a circula&#231;&#227;o de objetos nas sociedades contempor&#226;neas n&#227;o poder&#225; restringir-se a     estes estudos, uma vez que o objeto em si &#8211; bem como sua trajet&#243;ria em um contexto social particular &#8211; oferece o cerne de uma abordagem     biogr&#225;fica das coisas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     A antropologia, por sua vez, tem provido contribui&#231;&#245;es interessantes para o estudo da publicidade. No volume <i>Advertising Cultures</i> (Malefyt     e Moeran 2003),<a name="_ftnref7"></a><a href="#_ftn7" title="">[7]</a> diversos autores discutem o papel da publicidade e seus mecanismos de     produ&#231;&#227;o em diferentes culturas. Miller (2003), por exemplo, analisa campanhas publicit&#225;rias particulares durante sua pesquisa de campo em     Trinidad a fim de compreender mais claramente a circula&#231;&#227;o de certas ideias naquele contexto social. O interessante destes trabalhos &#233;     justamente a an&#225;lise da pr&#225;tica publicit&#225;ria em diferentes contextos culturais, diferentemente das abordagens semiol&#243;gicas descritas     anteriormente, as quais tendem a desconectar a t&#233;cnica de persuas&#227;o publicit&#225;ria de seu contexto de produ&#231;&#227;o, reduzindo todas as     culturas &#224; &#8220;cultura capitalista&#8221;. </p>     <p>     Al&#233;m disso, a &#234;nfase anal&#237;tica dos estudos semiol&#243;gicos repousa, eminentemente, sob a a&#231;&#227;o humana. Essa ideia fica clara no     cl&#225;ssico exemplo do buqu&#234; de rosas fornecido por Barthes (1970: 219): &#8220;Um buqu&#234; de rosas &#233; capaz de fazer significar a     paix&#227;o&#8221;. H&#225;, portanto, um significante (rosas) e um significado (paix&#227;o); contudo, no plano da an&#225;lise semiol&#243;gica h&#225;     mais um termo, j&#225; que as rosas carregadas de paix&#227;o podem ser decompostas em rosas, de um lado, e em paix&#227;o, de outro, ou seja, uma e outra     j&#225; existiam antes de se unirem e formarem este terceiro objeto, o qual Barthes denomina signo. </p>     <p>     Ora, se estamos de acordo que a rosa &#233; representativa do sentimento de paix&#227;o, surge, por conseguinte, uma quest&#227;o fundamental: quais     fen&#244;menos culturais fizeram com que a rosa pudesse conter, ela mesma, a paix&#227;o? Em outros termos, como entender os processos a partir dos quais o     significante e o significado produzem o signo? </p>     <p>     Tal exemplo coloca em relevo um dos elementos centrais desse tipo de an&#225;lise. O foco da observa&#231;&#227;o e da descri&#231;&#227;o recai sob a     a&#231;&#227;o humana. &#201; precisamente o homem que faz significar sua paix&#227;o atrav&#233;s das rosas e n&#227;o as rosas, elas pr&#243;prias, que     s&#227;o capazes de transmitir a paix&#227;o. </p>     <p>     Outro tipo de abordagem bastante frequente, no &#226;mbito dos estudos sobre os bens materiais, &#233; aquela que relaciona, diretamente, o consumo com a     produ&#231;&#227;o de identidades sociais. Nesses trabalhos impera a ideia de que a escolha de determinados objetos ou marcas &#233; dada como meio de     definir-se socialmente. Campbell (2006: 48) discute o consumismo moderno como aquele ligado &#224; afirma&#231;&#227;o, confirma&#231;&#227;o e at&#233;     mesmo constru&#231;&#227;o da identidade; assim, o autor aceita que &#8220;o consumismo &#233; fundamental para o processo pelo qual os indiv&#237;duos     confirmam ou at&#233; criam sua identidade&#8221; (Campbell 2006: 51). Novamente, a &#234;nfase encontra-se na a&#231;&#227;o humana, no fato de o     indiv&#237;duo escolher, dentre uma infinidade de objetos, aqueles mais bem capazes de representar sua identidade social. </p>     <p>     Assim tamb&#233;m s&#227;o as an&#225;lises bourdianas acerca dos bens materiais. Para Bourdieu &#8220;a cosm&#233;tica corporal, o vestu&#225;rio ou a     decora&#231;&#227;o da casa &#8211; constituem outras tantas oportunidades de experimentar ou afirmar a posi&#231;&#227;o ocupada no espa&#231;o     social&#8221; (Bourdieu 2007 [1979]: 57). Tais an&#225;lises acerca da constitui&#231;&#227;o social do &#8220;gosto&#8221; e da &#8220;classe&#8221;     s&#227;o interessantes na medida em que pormenorizam a ag&#234;ncia humana frente aos espa&#231;os demarcados por objetos; contudo, o olhar repousa sob os     agentes humanos e sob a cultura, tamb&#233;m entendida enquanto um l&#243;cus de interfer&#234;ncia e transforma&#231;&#227;o fundamentalmente humana. </p>     <p>     Indagamos, pois, quais s&#227;o os processos sociais capazes de fazer com que bens materiais, coisas, objetos ou marcas possuam identidade. Se os bens n&#227;o nascem contendo seus sentidos, ent&#227;o, quais s&#227;o os fen&#244;menos sociais que fazem significar os bens, para que eles,    <i>a posteriori</i>, possam significar os homens? </p>     <p>     Sugerir que os objetos, bens materiais e marcas sejam possuidores de uma vida social, tal como fez Appadurai (1986), nos ajuda a entender que as coisas,     assim como as pessoas, possam ser pensadas a partir de uma hist&#243;ria biogr&#225;fica. O olhar desloca-se, portanto, para as coisas trocadas e n&#227;o     apenas para as formas, fun&#231;&#245;es ou consequ&#234;ncias destas trocas, evidenciando as condi&#231;&#245;es sob as quais objetos podem circular em     diferentes regimes de valor no tempo e no espa&#231;o. Essa perspectiva, todavia, difere, em larga medida, daquela descrita anteriormente, onde os objetos     indicam as posi&#231;&#245;es sociais dos atores. Aqui, diferentemente, s&#227;o a circula&#231;&#227;o e as transforma&#231;&#245;es dos objetos     materiais, ao longo de um per&#237;odo temporal representativo, que interessam. </p>     <p>     Appadurai (1986: 17) apresentou obje&#231;&#245;es &#224; forte tend&#234;ncia te&#243;rica que considerava o mundo das coisas inerte e mudo, sendo movido,     animado e reconhec&#237;vel apenas por interm&#233;dio das pessoas e de suas palavras. De acordo com o autor, &#8220;temos que seguir as coisas em si     mesmas, pois seus significados est&#227;o inscritos em suas formas, seus usos, suas trajet&#243;rias. Somente pela an&#225;lise destas trajet&#243;rias     podemos interpretar as transa&#231;&#245;es e c&#225;lculos humanos que d&#227;o vida &#224;s coisas&#8221; (Appadurai 1986: 17). Em outras palavras, se     eram os objetos materiais que conferiam identidade, posi&#231;&#245;es ou significado aos homens, agora veremos como os homens conferem autonomia aos     objetos, para que eles possam n&#227;o somente representar, mas, fazer. </p>     <p>     Assim, de certo ponto de vista te&#243;rico, atores humanos podem codificar as coisas por meio de suas significa&#231;&#245;es; entretanto, a partir da     perspectiva aqui proposta, s&#227;o as coisas em movimento que elucidam os sentidos da sociabilidade humana. Poderemos, ent&#227;o, compreender os objetos     materiais enquanto, simultaneamente, receptores e produtores de valores, pressupondo que pessoas e coisas s&#227;o igualmente significativas no curso de     suas intera&#231;&#245;es. As imagens publicit&#225;rias servir&#227;o, nesta perspectiva, como importantes elementos de reconstitui&#231;&#227;o     hist&#243;rica e social do objeto analisado, fornecendo o percurso visual a partir do qual poderemos compreender a a&#231;&#227;o particular dos chinelos     de borracha. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Veremos, na an&#225;lise da trajet&#243;ria deste objeto, duas estrat&#233;gias recorrentes. A primeira visa colocar as <i>Havaianas</i> ao lado dos demais     cal&#231;ados, isto &#233;, a marca pretende ser entendida como um cal&#231;ado &#8220;elegante&#8221; e n&#227;o como a alternativa daqueles que n&#227;o     t&#234;m condi&#231;&#245;es de comprar um cal&#231;ado melhor. A segunda &#8211; a qual consegue, ao longo dos anos, se hibridizar &#224; primeira &#8211;     &#233; aquela que aproxima as sand&#225;lias <i>Havaianas</i> da cultura brasileira, para ent&#227;o fazer com que ela pr&#243;pria contenha e transmita a     brasilidade. </p>     <p>     <b>A vida de <i>Havaianas</i></b> </p>     <p>     Em 1907, a S&#227;o Paulo Alpargatas SA instala-se no bairro da Mooca, em S&#227;o Paulo. Dedica-se, inicialmente, &#224; produ&#231;&#227;o de lonas e     encerados e em poucos anos &#233; uma das principais produtoras de cal&#231;ados &#8220;alpargatas&#8221;, um dos mais baratos dispon&#237;veis no Brasil. </p>     <p>     Inspirada pelas sand&#225;lias japonesas <i>Tatami Z&#244;ri</i>, caracterizadas pelo solado simples feito com palha de arroz e tiras de tecidos, a empresa     lan&#231;a, em 1962, o primeiro modelo de sand&#225;lias de borracha com o nome <i>Havaianas</i>. A partir de ent&#227;o, um grande esfor&#231;o &#233;     empreendido para divulgar e comercializar esse objeto no pa&#237;s. </p>     <p>     Uma das primeiras campanhas publicit&#225;rias produzidas para divulga&#231;&#227;o da marca, ainda na d&#233;cada de 1960, foi um filme comercial para     televis&#227;o, cuja preocupa&#231;&#227;o estava em apresentar e indicar os benef&#237;cios do produto, recomendando-o para toda a fam&#237;lia. </p>     <p>     As cenas dessas campanhas (<a href="#f1">figura 1</a>) apresentavam um modelo normativo de fam&#237;lia, onde todos &#8211; em casa, na praia ou no clube     &#8211; usavam sand&#225;lias <i>Havaianas</i>. As comunica&#231;&#245;es desta &#233;poca esfor&#231;avam-se por apresentar o produto e tamb&#233;m por     caracteriz&#225;-lo como sendo &#8220;de classe&#8221;, ou seja, desde sua concep&#231;&#227;o, <i>Havaianas</i> jamais comunicou seu cal&#231;ado como     popular. Assim, muito embora a marca tenha divulgado desde o in&#237;cio seu cal&#231;ado como &#8220;sofisticado&#8221;, n&#227;o era assim que o     p&#250;blico o compreendia. &#201; apenas cerca de 30 anos depois da divulga&#231;&#227;o destas imagens &#8211; e de milh&#245;es gastos em publicidade     &#8211; que os chinelos conseguem modificar, enfim, sua aceita&#231;&#227;o no mercado. </p>     <p>     &#160; </p>     <p> <a name="f1"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f1.jpg" width="564" height="138"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     Em outro filme comercial (<a href="#f2">figura 2</a>), as sand&#225;lias <i>Havaianas</i> conversam: &#8220;Voc&#234; tamb&#233;m &#233; <i>Havaianas</i>,     n&#227;o &#233;?&#8221;, pergunta a sand&#225;lia. &#8220;Mas como &#233; que voc&#234; sabe?&#8221;, indaga a outra. &#8220;Ora, pela classe!&#8221;     Nessas primeiras imagens publicit&#225;rias, j&#225; encontramos algumas daquelas que seriam as estrat&#233;gias principais da marca: oferecer     sand&#225;lias para g&#234;neros e idades diferentes; sugerir seu uso em momentos de descanso e lazer; apresentar o produto como &#8220;elegante&#8221; e     utilizado por pessoas de &#8220;classe&#8221;.<a name="_ftnref8"></a><a href="#_ftn8" title="">[8]</a> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     &#160; </p>     <p>     <a name="f2"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f2.jpg" width="564" height="138"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     Muito embora se tenha nutrido uma ideia de que houve uma transforma&#231;&#227;o brusca no modo como esse bem material foi entendido e recebido no Brasil     &#8211; durante muito tempo cal&#231;ado popular e, repentinamente, de moda &#8211;, observamos nas imagens e documentos evid&#234;ncias de que os     esfor&#231;os foram cont&#237;nuos e insistentes para que as sand&#225;lias n&#227;o fossem entendidas, jamais, como a alternativa daqueles que n&#227;o     poderiam comprar um cal&#231;ado mais caro. </p>     <p>     Outra ideia que se tornar&#225; substancial para compreendermos as transforma&#231;&#245;es da marca &#233; aquela que, primeiramente, sugere e,     posteriormente, efetiva a internacionaliza&#231;&#227;o do produto. Muito embora as sand&#225;lias <i>Havaianas</i> tivessem sido vendidas para outros     pa&#237;ses somente no final dos anos 90, no ano de 1968 j&#225; encontramos sugest&#245;es de que as <i>Havaianas</i> seriam enviadas para &#8220;amigos     no exterior&#8221;. O di&#225;logo aparece em um programa popular exibido pela rede Record de televis&#227;o (<a href="#f3">figura 3</a>). </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <a name="f3"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f3.jpg" width="564" height="138"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     A <i>Fam&#237;lia Trapo</i>, programa do g&#234;nero com&#233;dia, tinha como protagonistas Ronald Golias, Otello Zeloni e J&#244; Soares &#8211; figuras     emblem&#225;ticas do humor brasileiro &#8211;, os quais anunciavam as sand&#225;lias durante a exibi&#231;&#227;o das cenas. Destaco uma dessas     apari&#231;&#245;es, cena em que o mordomo Gordon (G), interpretado por J&#244; Soares, conversa com a personagem Verinha Trapo (V), interpretada por     Cidinha Campos: </p>     <p>     &#8220;V Gordon voc&#234; sabe que voc&#234; at&#233; que &#233; um cara elegante! </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     G Obrigada, mas isso faz parte da profiss&#227;o, a senhora sabe que um bom mordomo tem que ser elegante, tem que ter apar&#234;ncia, enfim, tem que ter     status. </p>     <p>     V Tem que ter o qu&#234;, Gordon? </p>     <p>     G Status! Quando ele entra tem que desfilar com garbo, com majestade, ele passa, entra e diz: &#8220;O almo&#231;o est&#225; servido&#8221; e as pessoas     t&#234;m que fazer ohhh! </p>     <p>     V Ohhh, e onde &#233; que voc&#234; compra roupa, Gordon, encontrar aqui para o seu tamanho n&#227;o &#233; bolinho n&#227;o! </p>     <p>     G Mas a minha roupa &#233; toda importada, eu tenho um amigo meu, o Ciro, que trabalha para uma fam&#237;lia que viaja muito, ent&#227;o cada vez que ele     vai aos Estados Unidos ele traz roupas para mim, pois l&#225; tem casas especializadas em roupas para pessoas privilegiadas como eu. </p>     <p>     V Bacana, e essa sand&#225;lia aqui voc&#234; tamb&#233;m traz dos Estados Unidos? </p>     <p>     G N&#227;o, essas sand&#225;lias aqui eu envio para meus amigos do exterior, s&#227;o as leg&#237;timas sand&#225;lias <i>Havaianas</i>.&#8221; </p>     <p>     A ideia de que um objeto brasileiro possa ser enviado &#8220;ao exterior&#8221;, em particular no in&#237;cio da d&#233;cada de 1970, &#233;     emblem&#225;tica na medida em que mostra os primeiros esfor&#231;os de divulga&#231;&#227;o da marca no Brasil a partir da possibilidade de sua     aceita&#231;&#227;o internacional. Apesar das diferentes campanhas publicit&#225;rias da &#233;poca e de sua inser&#231;&#227;o pioneira em programas     humor&#237;sticos brasileiros, os atributos relacionados &#224; &#8220;sofistica&#231;&#227;o&#8221; das sand&#225;lias <i>Havaianas</i> n&#227;o eram     t&#227;o eficientes para a venda do cal&#231;ado como a empresa esperava. Segundo um dos profissionais de <i>marketing</i> que trabalhou para a marca,     &#8220;as pessoas n&#227;o queriam sair de casa de chinelos, elas temiam serem confundidas com pessoas muito pobres, que n&#227;o tinham     condi&#231;&#245;es de comprar um cal&#231;ado melhor [&#8230;]. Nosso desafio era tirar a vergonha de usar <i>Havaianas</i> em p&#250;blico&#8221; [notas     do caderno de campo, entrevista com os profissionais de <i>marketing</i> da S&#227;o Paulo Alpargatas, outubro de 2009]. </p>     <p>     A empresa passa a buscar alternativas para melhorar a imagem dos chinelos no mercado e contrata um dos maiores comediantes brasileiros em voga na     &#233;poca, firmando, com o ator Chico Anysio, uma parceria de muitos anos (<a href="#f4">figura 4</a>). O ator passa a protagonizar cenas com suas     diferentes personagens na divulga&#231;&#227;o das sand&#225;lias <i>Havaianas</i>. Contudo, a &#234;nfase nas caracter&#237;sticas funcionais do objeto     continuava a caracterizar as campanhas por meio do conhecido slogan &#8220;As leg&#237;timas <i>Havaianas</i> n&#227;o deformam, n&#227;o soltam as tiras e     n&#227;o tem cheiro&#8221;. </p>     <p>     &#160; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <a name="f4"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f4.jpg" width="550" height="289"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     Nas dezenas de filmes comerciais onde Chico Anysio representa suas personagens elogiando as <i>Havaianas</i>, ele refor&#231;a as principais     caracter&#237;sticas das sand&#225;lias de borracha. Interessante notar os variados espa&#231;os cenogr&#225;ficos onde os comerciais s&#227;o filmados. Na     praia, os amigos bebem uma cerveja e afirmam que as <i>Havaianas</i> combinam, perfeitamente, com o clima tropical do Brasil. Em outra imagem, Chico Anysio     mostra os p&#233;s que sambam no carnaval brasileiro cal&#231;ando <i>Havaianas</i>. Al&#233;m destas, s&#227;o exibidas in&#250;meras cenas em ambientes     de compras, supermercados e lojas de cal&#231;ado. </p>     <p> Apesar de todos esses esfor&#231;os, at&#233; o in&#237;cio dos anos 90, o principal p&#250;blico das sand&#225;lias ainda eram as camadas populares.    <a name="_ftnref9"></a><a href="#_ftn9" title="">[9]</a> Assim, na d&#233;cada de 1990, a empresa decide passar a responsabilidade pela cria&#231;&#227;o de suas campanhas para uma das maiores ag&#234;ncias de publicidade da cidade de S&#227;o Paulo. <a name="_ftnref10"></a>    <a href="#_ftn10" title="">[10]</a> A partir de ent&#227;o, as estrat&#233;gias empresariais para a venda de <i>Havaianas</i> se voltam fortemente para a     associa&#231;&#227;o do produto a outras pessoas e outros bens. Como vimos, a marca vinha buscando arduamente ser entendida como um produto pass&#237;vel     de uso pelas &#8220;elites&#8221;, embora, de fato, seu uso fosse pr&#225;tica dos trabalhadores mais humildes &#8211; empregadas dom&#233;sticas,     pedreiros, faxineiros, etc. </p>     <p>     A marca passa, ent&#227;o, a criar campanhas publicit&#225;rias onde seu uso acontece na casa de atores, atrizes, cantores, cantoras, atletas e pessoas     influentes na m&#237;dia brasileira. Essa diversifica&#231;&#227;o foi fundamental para a mudan&#231;a na maneira como a marca era percebida e entendida,     pois, al&#233;m da imagem do ator Chico Anysio, j&#225; desgastada e utilizada por muitos anos, a marca passou a manter relacionamento com outras figuras     emblem&#225;ticas, mudando, assim, os sentidos relacionados ao seu produto e &#224; sua imagem. Desta vez, a ambienta&#231;&#227;o passa a ser casa de cantores, artistas e &#8220;famosos&#8221; da televis&#227;o brasileira, na grande maioria mans&#245;es luxuosas ou casas de veraneio (    <a href="#f5">figura 5</a>). </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <a name="f5"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f5.jpg" width="565" height="290"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     As imagens publicit&#225;rias s&#227;o entendidas, aqui, enquanto fragmentos ou &#173;partes da marca <i>Havaianas</i>, isto &#233;, o objeto da     comunica&#231;&#227;o &#8211; a partir dos anos 90 &#8211; deixa de ser centrado nas caracter&#237;sticas f&#237;sicas do produto e passa a focar elementos     abstratos relativos &#224; marca. Esses elementos, contudo, s&#227;o capazes de estabelecer um primeiro v&#237;nculo na rela&#231;&#227;o do objeto com as     pessoas. Na medida em que a marca &#233; capaz de evidenciar como seu produto adquire diferentes sentidos frente &#224;s condi&#231;&#245;es est&#233;ticas     e tecnol&#243;gicas presentes em suas imagens, as <i>Havaianas</i> passam a compartilhar de nossa vida social em raz&#227;o do tr&#225;fego intenso que     possuem em in&#250;meras cenas do cotidiano. Cabe enfatizar, neste caso, que as imagens, mais do que produzir informa&#231;&#245;es sobre o produto,     cont&#234;m, elas mesmas, fragmentos do objeto. </p>     <p>     Conforme sugeriu Gell (1998), o objetivo da an&#225;lise n&#227;o &#233; decodificar ou entender essas imagens enquanto textos a serem lidos, mas     compreender a rela&#231;&#227;o que estas estabelecem com as pessoas enquanto objetos dotados de inten&#231;&#227;o. As imagens publicit&#225;rias possuem     a capacidade de narrar e de intervir na historicidade destes objetos, de modo que as caracter&#237;sticas funcionais dos bens, por mais enfatizadas que     sejam, s&#243; poder&#227;o ser comprovadas no uso sens&#237;vel dos produtos &#8211; por exemplo, sentir a maciez, o conforto ou, ainda, a aus&#234;ncia     de cheiro. Entretanto, quando as imagens tratam de outras caracter&#237;sticas sens&#237;veis como sentimento de pertencimento, status, estilo, alegria,     vivacidade, etc., a efic&#225;cia j&#225; se d&#225; na rela&#231;&#227;o com as imagens. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     As diferentes tentativas da marca de alternar e incluir outros locais de uso para os chinelos exemplificam bem o potencial das imagens publicit&#225;rias     para criar novas pr&#225;ticas de usos e sentidos aos objetos. As <i>Havaianas</i> passam a partilhar o espa&#231;o do guarda-roupa, do <i>closet</i>, e     n&#227;o mais o espa&#231;o da lavanderia, do quintal. A amplia&#231;&#227;o dos repert&#243;rios de uso expressados pela marca atrav&#233;s da     produ&#231;&#227;o de um vasto conjunto de campanhas publicit&#225;rias corrobora mudan&#231;as em seu uso cotidiano, colocando o objeto em diferentes     tipos de rela&#231;&#245;es, seja com outros objetos &#8211; roupas, acess&#243;rios, carros &#8211;, seja em diferentes lugares &#8211; festas,     restaurantes, mans&#245;es, etc. </p>     <p>     Observar a trajet&#243;ria social deste bem permite conhecer os efeitos de sua exist&#234;ncia e observar seus modos de criatividade. Olhar para sua     hist&#243;ria coloca em evid&#234;ncia as fronteiras temporais desse processo e permite acompanhar a relev&#226;ncia tem&#225;tica que envolve o     inc&#244;modo da marca em estar associada &#224;s camadas populares, buscando aproximar-se das elites brasileiras. Assim, ap&#243;s dedicar grande     investimento para associar seu produto &#224;s &#8220;elites&#8221;, a marca <i>Havaianas</i> volta, mais determinada, a associ&#225;-lo ao Brasil. Logo,     percebemos que ao longo de sua trajet&#243;ria houve in&#250;meras tentativas de conforma&#231;&#227;o deste bem material que, em diferentes &#233;pocas e     contextos sociais, apelou para esta ou aquela estrat&#233;gia, colocando em relevo as conven&#231;&#245;es culturais, est&#233;ticas e tecnol&#243;gicas     dos diferentes contextos vividos pela marca. </p>     <p>     Durante seu percurso de exist&#234;ncia, cabe abordar tamb&#233;m aquelas mudan&#231;as que tiveram implica&#231;&#245;es f&#237;sicas no objeto. No     in&#237;cio dos anos 2000 a tecno&#173;logia de impress&#227;o fez com que a marca <i>Havaianas</i> criasse uma gama de desenhos e inscri&#231;&#245;es nos     solados das sand&#225;lias. Assim, a imagem de seu produto passa a ser composta por diversos padr&#245;es decorativos, os quais s&#227;o capazes de     amplificar sua compreens&#227;o enquanto &#8220;artigo de moda&#8221;, j&#225; que tais padr&#245;es permitem combina&#231;&#245;es e associa&#231;&#245;es     com outros bens materiais. Tal estrat&#233;gia sofisticou a apar&#234;ncia visual das sand&#225;lias, refor&#231;ando a exist&#234;ncia de uma     est&#233;tica pr&#243;pria &#224; marca (<a href="#f6">figura 6</a>). </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <a name="f6"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f6.jpg" width="553" height="117"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     O estilo, para Gell (1998: 159), deve ser entendido de modo muito mais cognitivo do que taxon&#244;mico. Neste caso, as diferen&#231;as est&#233;ticas     podem ser entendidas como diferen&#231;as de cogni&#231;&#227;o, as quais estabelecem v&#237;nculos a partir de suas caracter&#237;sticas peculiares e de     sua &#8220;personalidade&#8221;. O recurso proposto por Gell (1998: 159) &#233; o de associar o estilo ao significado, isto &#233;, &#173;determinados     padr&#245;es visuais associam-se de modo &#237;ntimo com determinadas culturas, de modo que tal &#8220;est&#233;tica cultural&#8221; permita a     identifica&#231;&#227;o de padr&#245;es e formas particulares. Dito de outra maneira, quando Gell (1998: 159) analisa os artefatos das Ilhas Marquesas ele     percebe um padr&#227;o cognitivo particular e verifica como esse padr&#227;o associa-se intimamente com a cultura analisada. Nessa dire&#231;&#227;o,     podemos inferir que as marcas, no universo dos bens materiais, n&#227;o se restringem a seus s&#237;mbolos (logotipos) como instrumento de     identifica&#231;&#227;o. Elas contam tamb&#233;m com padr&#245;es estil&#237;sticos particulares &#8211; formas, cores, desenhos, estampas &#8211; para     tornarem-se reconhec&#237;veis, n&#227;o apenas de forma taxon&#244;mica (classificada hierarquicamente no universo de bens), mas cognitiva &#8211;     despertando sensa&#231;&#245;es e produzindo v&#237;nculos afetivos. </p>     <p>     Para a marca <i>Havaianas</i>, a possibilidade de anexar padr&#245;es decorativos ao seu chinelo de borracha altera a rela&#231;&#227;o entre as pessoas e     o objeto. Em outras palavras, acontece um fen&#244;meno bastante interessante relacionado &#224; forma, estilo e atributos dos chinelos de borracha &#8211;     como uma categoria de bens &#8211;, ocasionado pela exist&#234;ncia e pela trajet&#243;ria de vida de <i>Havaianas</i>. Isto &#233;, apesar de &#243;bvio o     fato de que os bens materiais considerados &#8220;l&#237;deres de mercado&#8221; sejam &#8220;copiados&#8221; por outros bens do mesmo tipo, acontece um     fen&#244;meno interessante no fato de as demais marcas de sand&#225;lias seguirem o estilo <i>Havaianas</i>, tanto nos discursos publicit&#225;rios, quanto     na forma est&#233;tica. </p>     <p>     Do ponto de vista antropol&#243;gico, essa &#233; mais uma forma de a&#231;&#227;o dos bens materiais, ou seja, quando bem-sucedidos socialmente &#8211; e,     sobretudo, comercialmente &#8211;, eles incitam todo um universo de produ&#231;&#227;o de bens similares. O Brasil passa, ent&#227;o, a ser povoado por     chinelos de borracha que querem, todos eles, ser como <i>Havaianas</i>. &#201; o que observamos no exemplo etnogr&#225;fico descrito pela antrop&#243;loga     M.&#8197;S. Coelho de Souza (2012). </p>     <p> Souza (2012) narra os conflitos decorrentes do acordo comercial estabelecido entre a marca de sand&#225;lias <i>Ipanema</i>, concorrente da marca    <i>Havaianas</i>, e a popula&#231;&#227;o ind&#237;gena K&#239;s&#234;dj&#234; (Suya). O objetivo do acordo era firmar um contrato comercial para     utiliza&#231;&#227;o dos padr&#245;es ind&#237;genas K&#239;s&#234;dj&#234; nas imagens publicit&#225;rias e embalagens da marca <i>Ipanema</i>. Muito     embora o objetivo do artigo seja demonstrar os mal-entendidos derivados das diferentes perspectivas em contato &#8211; ind&#237;gena e empresarial &#8211;,     observamos o grande esfor&#231;o da marca <i>Ipanema</i> em aproximar-se de certa no&#231;&#227;o de brasilidade, via padr&#245;es e desenhos de uma     popula&#231;&#227;o ind&#237;gena, divulgando-os atrav&#233;s do corpo da modelo, tamb&#233;m brasileira e reconhecida internacionalmente, Gisele     B&#252;ndchen. Logo, observamos como os padr&#245;es est&#233;ticos e as ideias mobilizadas por determinados bens materiais s&#227;o consistentes a ponto     de influenciar a trajet&#243;ria social de outros bens semelhantes, impactando todo um conjunto de rela&#231;&#245;es entre pessoas e coisas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     A capacidade da marca <i>Havaianas</i> de intercambiar subjetividades &#8211; com pessoas, mas tamb&#233;m com outros bens &#8211; apresenta-se como uma de     suas caracter&#237;sticas principais, uma vez que aquilo que a marca troca &#233;, antes, objeto da sua constitui&#231;&#227;o. Isso significa que, ao     longo da trajet&#243;ria de circula&#231;&#227;o da marca <i>Havaianas</i> &#8211; considerando a circula&#231;&#227;o de suas imagens, discursos, valores     e o pr&#243;prio objeto &#8211;, a marca p&#244;de receber sentidos que agora s&#227;o (re)transmitidos. Veremos na pr&#243;xima sec&#231;&#227;o que os     sentidos relacionados &#224; &#173;brasilidade tornaram-se cada vez mais intensos e intr&#237;nsecos &#224; marca, naturalizando sua capacidade de     a&#231;&#227;o. </p>     <p>     <b>Chinelos de borracha como cultura brasileira</b> </p>     <p>     Durante as d&#233;cadas de 1970 e 1980, al&#233;m do grande n&#250;mero de campanhas publicit&#225;rias protagonizadas por Chico Anysio, visando anunciar     as <i>Havaianas</i>, circularam tamb&#233;m outras campanhas que come&#231;am a aproximar, cada vez mais explicitamente, a marca do imagin&#225;rio     brasileiro. Um destes comerciais apresentou como protagonista uma mulher, caracterizadamente vestida de Carmen Miranda, a cantar, em cima de uma grande     sand&#225;lia <i>Havaianas</i> &#8211; a funcionar como palco &#8211;, uma m&#250;sica com letra que remetia &#224;s caracter&#237;s&#173;ticas principais     da sand&#225;lia, enfatizando sua durabilidade, beleza e conforto. Em outro comercial, figuravam pessoas de diferentes pa&#237;ses, vindas como turistas ao     Brasil para apreciar as sand&#225;lias <i>Havaianas</i>, apresentadas no comercial como a &#8220;oitava maravilha do mundo&#8221;, al&#233;m de orgulho     nacional (<a href="#f7">figura 7</a>). </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <a name="f7"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f7.jpg" width="543" height="286"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     O chinelo de borracha <i>Havaianas</i> passa a ser colocado ao lado de elementos convencionalmente aceitos como representantes da brasilidade &#8211; as     praias, o Carnaval, Carmen Miranda &#8211;, mas tamb&#233;m associa-se a elementos n&#227;o t&#227;o &#243;bvios, como as festas juninas e outras festas     populares (<a href="#f8">figura 8</a>). </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <a name="f8"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f8.jpg" width="553" height="285"></p>     
<p>     &#160; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Nessas campanhas publicit&#225;rias, as quais buscavam retratar as festas de Carnaval, a aprecia&#231;&#227;o do produto por estrangeiros, os jogadores de     futebol e as festas tradicionais, aparece a possibilidade de divulga&#231;&#227;o da marca enquanto a &#8220;leg&#237;tima sand&#225;lia brasileira&#8221;.     Tal ideia, entretanto, fica encubada no imagin&#225;rio da marca e volta a aparecer com for&#231;a alguns anos depois. </p>     <p>     Quando a empresa S&#227;o Paulo Alpargatas decide efetivar a exporta&#231;&#227;o do produto para outros pa&#237;ses, nos anos 2000, a associa&#231;&#227;o     dos chinelos de borracha com a cultura de seu pa&#237;s de origem volta a ganhar espa&#231;o nas campanhas publicit&#225;rias. Ao decidir pela     expans&#227;o de seus neg&#243;cios, <i>Havaianas</i> dirige-se imediatamente &#224; Europa, considerada pelos executivos da S&#227;o Paulo Alpargatas um     dos locais mais adequados para divulgar um cal&#231;ado brasileiro e transform&#225;-lo em artigo de &#8220;moda&#8221; e &#8220;luxo&#8221;: </p>     <p>     &#8220;A Alpargatas s&#243; decidiu levar a s&#233;rio a exporta&#231;&#227;o no ano 2000, come&#231;ou pela It&#225;lia e Fran&#231;a. O resultado foi que     tivemos boa resposta das &#8216;v&#237;timas da moda&#8217;. As <i>Havaianas</i> chegaram &#224;s Galerias Lafayette, em Paris, e &#224; 5.&#170; Avenida,     em Nova Iorque, entre outras lojas de artigos de luxo. A revista <i>Vogue</i> americana j&#225; a citou tr&#234;s vezes em sua prestigiada lista de     &#8220;Must Have&#8221;. Nina Garcia, ex-diretora da revista <i>Elle</i> e j&#250;ri do programa de moda <i>Project Runway</i>, escreveu sobre as     sand&#225;lias brasileiras em seu novo livro, <i>The One Hundred</i>, como um dos tr&#234;s produtos principais no meio de cem coisas que as mulheres precisam ter&#8221; [Rui Porto, diretor de comunica&#231;&#227;o e m&#237;dia da marca <i>Havaianas</i>, entrevista cedida ao jornal    <i>Folha de S&#227;o Paulo</i> em 28/10/2008]. </p>     <p>     &#8220;Gostaria de citar alguns fatos que contribu&#237;ram para o sucesso da <i>Havaianas</i> no mundo e que foram estrategicamente analisados. Consolidar     a marca <i>Havaianas</i> em mercados que chamamos de <i>high end</i> ou <i>topo da pir&#226;mide</i> foi uma das estrat&#233;gias que adotamos para     posicionar a marca e para transmitir a imagem &#237;cone do nosso pa&#237;s, escolhemos pa&#237;ses formadores de opini&#227;o no mundo da moda:     Fran&#231;a e It&#225;lia foram selecionados primeiramente por serem importantes centros difusores de moda&#8221; [&#194;ngela Hirata, consultora de     com&#233;rcio exterior para a marca <i>Havaianas</i>, entrevista cedida ao jornal <i>Estado de S&#227;o Paulo</i> em     12/4/2007]. </p>     <p>     Com efeito, nos anos 2000, a marca <i>Havaianas</i> passa a expandir estrategicamente sua circula&#231;&#227;o e comercializa&#231;&#227;o em outros     pa&#237;ses; nessa ocasi&#227;o, a ideia de associar-se a um &#8220;estilo brasileiro&#8221; parece, para a marca, perfeitamente adequada. </p>     <p>     Leit&#227;o (2007), ao analisar o consumo de moda e vestu&#225;rio brasileiros na Fran&#231;a, encontra uma forma de consumo tido como ex&#243;tico,     levantando quest&#245;es sobre alteridade e identidade. S&#227;o examinadas, em sua pesquisa, algumas particularidades sobre o ato de &#8220;consumir o     outro&#8221;, explicitadas nos discursos franceses sobre os produtos brasileiros. O caso da pesquisadora &#233; esclarecedor na medida em que se aproxima     bastante do objeto aqui em quest&#227;o e permite compreender diferentes estrat&#233;gias de internacionaliza&#231;&#227;o de objetos e marcas e sua     recep&#231;&#227;o em pa&#237;ses europeus. </p>     <p>     A quest&#227;o, entretanto, &#233; menos analisar narrativas particulares apresentadas pela marca e mais refletir sobre seu tr&#226;nsito em diferentes     contextos, &#233;pocas e momentos sociais. Isso significa, sobretudo, observarmos os mecanismos de autoexpress&#227;o e defini&#231;&#227;o atrav&#233;s     dos quais a marca exercita suas apari&#231;&#245;es. Tal abordagem permite, portanto, evidenciar uma carreira social de sucesso, ou seja, reconhecida     coletivamente como bem-sucedida. Nesse sentido, Kopytoff (1986: 66-67) sugere que para conhecer a biografia de uma coisa dever&#237;amos fazer perguntas     similares &#224;quelas que far&#237;amos &#224;s pessoas: </p>     <p>     &#8220;Quais s&#227;o, sociologicamente, as possibilidades biogr&#225;ficas inerentes a esse &#8216;status&#8217;, e &#224; &#233;poca e &#224; cultura, e     como se concretizam essas possibilidades? De onde vem a coisa e quem a fabricou? Qual foi sua carreira at&#233; aqui, e qual &#233; a carreira que as     pessoas consideram ideal para esse tipo de coisa? Quais s&#227;o as &#8216;idades&#8217; ou as fases da &#8216;vida&#8217; reconhecidas de uma coisa, e     quais s&#227;o os mercados culturais pra elas? Como mudam os usos da coisa conforme ela fica mais velha, e o que lhe acontece quando sua utilidade chega ao     fim?&#8221; (Kopytoff 1986: 66-67, aspas no original). </p>     <p>     Tornam-se claras as estrat&#233;gias da marca para se aproximar de um imagin&#225;rio de pr&#225;ticas tidas como brasileiras. A princ&#237;pio, como     vimos, as imagens inclu&#237;am as sand&#225;lias nas cenas e nas atividades, isto &#233;, samba-se no Carnaval de <i>Havaianas</i>, anda-se na praia     cal&#231;ando <i>Havaianas</i>, pula-se a fogueira de S&#227;o Jo&#227;o de <i>Havaianas</i>. Veremos, na sequ&#234;ncia, que a marca <i>Havaianas</i>     passa a incorporar, ela pr&#243;pria, a identidade de pessoa brasileira. </p>     <p>     A marca <i>Havaianas</i> lan&#231;a, no ano de 1998, na ocasi&#227;o da copa do mundo de futebol, um modelo de sand&#225;lias que leva nas tiras a bandeira     do Brasil. Tal estrat&#233;gia foi fundamental para que o objeto portasse, al&#233;m da marca do produto, uma identifica&#231;&#227;o expl&#237;cita de seu     pa&#237;s de origem. A ideia de que &#8220;trazemos o Brasil no peito, peito do p&#233;, mas peito&#8221; (<a href="#f9">figura 9</a>) refor&#231;a o     discurso pessoalizado dos chinelos de borracha, apresentando-se como um objeto que possui prefer&#234;ncias e torce por seu pa&#237;s. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     &#160; </p>     <p>     <a name="f9"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f9.jpg" width="554" height="251"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     Com a estrat&#233;gia de internacionaliza&#231;&#227;o do produto, as campanhas publicit&#225;rias da marca passam tamb&#233;m a ser direcionadas para o     p&#250;blico estrangeiro, refor&#231;ando elementos j&#225; convencionais da cultura brasileira e incluindo novos. O Brasil, para <i>Havaianas</i>,     continua sendo um pa&#237;s marcado pelo samba, futebol, praias e belos corpos femininos (<a href="#f10">figura 10</a>). </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <a name="f10"></a><img src="/img/revistas/etn/v17n2/17n2a06f10.jpg" width="556" height="251"></p>     
<p>     &#160; </p>     <p>     A ideia de que a marca porta o Brasil come&#231;a a ganhar cada vez mais for&#231;a simb&#243;lica e literal. N&#227;o parece mais necess&#225;rio informar     os locais de uso do produto ou suas caracter&#237;sticas funcionais. Os textos, imagens e discursos da marca, a partir dos anos 2000, fixam-se em um     repert&#243;rio brasileiresco. Surge, ent&#227;o, a no&#231;&#227;o de que cal&#231;ar as sand&#225;lias <i>Havaianas</i>, n&#227;o importa onde se esteja,     &#233; pisar, um pouco, no Brasil mesmo, como se o objeto contivesse, em sua ess&#234;ncia material, os elementos da brasilidade. </p>     <p>     Mas por que certos elementos &#8211; e n&#227;o outros &#8211; s&#227;o entendidos de maneira amplamente compartilhada enquanto legitimamente brasileiros?     Por qu&#234; o futebol, o Carnaval, o corpo da mulher brasileira? Com efeito, as conven&#231;&#245;es capazes de identificar o Brasil e os brasileiros     foram, outrora, inven&#231;&#245;es. Se existe uma dial&#233;tica permanente nos processos de conven&#231;&#227;o e inven&#231;&#227;o, ent&#227;o, somente     a partir de inven&#231;&#245;es eficazes podemos &#8211; refor&#231;ando-as e reinventado-as &#8211; identific&#225;-las. Isso ocorre porque a     percep&#231;&#227;o e a compreens&#227;o dos outros s&#243; pode proceder mediante uma esp&#233;cie de analogia; assim, nosso conhecimento &#233; produzido     por meio de uma extens&#227;o do familiar, de modo que cada inven&#231;&#227;o passa a ser, tamb&#233;m, um estilo de entendimento. Wagner escreve: </p>     <p>     &#8220;Quando um antrop&#243;logo estuda outra cultura, ele a &#8216;inventa&#8217; generalizando suas impress&#245;es, experi&#234;ncias e outras     evid&#234;ncias como se estas fossem produzidas por alguma &#8216;coisa&#8217; externa. Desse modo, sua inven&#231;&#227;o &#233; uma     objetifica&#231;&#227;o, ou reifica&#231;&#227;o, daquela &#8216;coisa&#8217;. Mas para que a cultura que ele inventa fa&#231;a sentido para seus colegas     antrop&#243;logos, bem como para outros compatriotas, &#233; necess&#225;rio que haja um controle adicional sobre sua inven&#231;&#227;o. Ela precisa ser     plaus&#237;vel e plena de sentido nos termos de sua pr&#243;pria imagem de &#8216;cultura&#8217;&#8197;&#8221; (2010 [1975]: 61, aspas no original). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     &#201; por essa raz&#227;o que <i>Havaianas</i>, ao manipular elementos tidos como convencionais e facilmente identific&#225;veis para os brasileiros e,     sobretudo, para n&#227;o brasileiros, cria e recria esses elementos como verdadeiramente pertencentes &#224; cultura brasileira, tornando-a real,     veross&#237;mil, plaus&#237;vel. </p>     <p>     Entretanto, os pr&#243;prios profissionais que trabalharam no desenvolvimento e na divulga&#231;&#227;o recente da marca &#8211; a partir da d&#233;cada de 1990 &#8211; se mostram surpresos com a aceita&#231;&#227;o e a repercuss&#227;o do produto. De acordo com o publicit&#225;rio Marcelo Serpa, &#8220;    <i>Havaianas</i> atingiu o n&#237;vel m&#225;ximo que uma marca pode alcan&#231;ar. Al&#233;m de ser item de moda se tornou em um <i>cult</i>, um     cl&#225;ssico. &#201; uma simples sand&#225;lia de borracha. N&#227;o &#233; algo car&#237;ssimo que as pessoas n&#227;o possam adquirir, mas &#233; uma     marca de prest&#237;gio no mercado internacional, que carrega o DNA brasileiro&#8221;. <a name="_ftnref11"></a><a href="#_ftn11" title="">[11]</a> </p>     <p>     Afirmar, entre outras coisas, que uma marca &#233; capaz de &#8220;carregar o DNA brasileiro&#8221; n&#227;o se configura, apenas, como uma forte     express&#227;o de linguagem. Quando os administradores, publicit&#225;rios e profissionais de <i>marketing</i> falam sobre suas cria&#231;&#245;es, buscam     expressar aquilo que almejam, mas tamb&#233;m acabam por refletir aquilo que pensam e como entendem o produto de suas atividades: </p>     <p>     &#8220;Entre outras coisas a m&#237;dia impressa &#233;, no m&#237;nimo, brilhante, eu posso falar isso porque n&#227;o sou eu quem desenha, eu fa&#231;o     parte da equipe que aprova, e eu acho brilhante, a gente conseguiu transformar um simples peda&#231;o de borracha numa coisa aspiracional, numa coisa     desej&#225;vel. Eu brinco que embora seja uma coisa que se coloca nos p&#233;s, muitos dos &#173;an&#250;ncios de <i>Havaianas</i> t&#234;m um apelo quase     gustativo, d&#225; vontade de comer, d&#225; vontade de pegar, d&#225; vontade de apertar. Quando a pessoa vira a p&#225;gina de uma revista e v&#234; um an&#250;ncio de <i>Havaianas</i>, aquilo salta aos olhos, d&#225; vontade de experimentar&#8221;. <a name="_ftnref12"></a>    <a href="#_ftn12" title="">[12]</a> </p>     <p>     Rui Porto &#233;, com efeito, um dos grandes entusiastas da marca <i>Havaianas</i>, na maior parte das entrevistas que fornece utiliza a voz &#8220;oficial&#8221; para falar sobre a marca, um discurso orgulhoso sobre o sucesso e as belezas daquilo que ajudou a construir. <a name="_ftnref13"></a>    <a href="#_ftn13" title="">[13]</a> </p>     <p>     A marca <i>Havaianas</i> &#8211; o que inclui seu produto, suas imagens e o imagin&#225;rio de Brasil que engendra &#8211; torna-se o &#8220;outro&#8221;     da rela&#231;&#227;o, por meio do estabelecimento de conex&#245;es mediadas e amb&#237;guas. Sua &#8220;faculdade mim&#233;tica&#8221;, como ensinou     Taussig (1993), cria uma segunda natureza, aquela que remete diretamente &#224; &#8220;natureza do povo brasileiro&#8221; dotado de especificidades que     permitem identific&#225;-lo. Quando a marca <i>Havaianas</i> idealiza modelos de comportamento e explora as diferen&#231;as, esfor&#231;a-se, ent&#227;o,     para tornar-se &#8220;outro&#8221;, apropriando-se da for&#231;a e da pujan&#231;a daquilo que &#8220;imita&#8221;. </p>     <p>     Coombe (1996: 202) argumenta que as marcas funcionam, notadamente, como um &#8220;outro incorporado&#8221;. O esfor&#231;o de sua circula&#231;&#227;o e as     complexas camadas de suas dimens&#245;es de entendimento remetem diretamente &#224; alteridade, pois, se a imita&#231;&#227;o ou a simpatia s&#227;o os     princ&#237;pios da <i>mimesis</i>, a marca &#233; a c&#243;pia palp&#225;vel, a conex&#227;o t&#225;til entre aquilo que &#233; incorporado e imaginado. </p>     <p>     A abordagem de Gell (1998: 104) tamb&#233;m atenta para o fato de que o signo &#233; parte do objeto. Portanto, uma imagem n&#227;o carrega apenas uma     representa&#231;&#227;o do objeto, mas o carrega parcialmente; assim, &#8220;a imagem cont&#233;m o objeto e aquilo que ele significa&#8221;. As imagens     das sand&#225;lias <i>Havaianas</i> n&#227;o s&#227;o apenas portadoras do cal&#231;ado de borracha que apresentam, mas portam, sobretudo, o Brasil mesmo,     o povo brasileiro e, ainda, aquilo que entendemos por cultura brasileira. </p>     <p>     Devido ao fato de as sand&#225;lias <i>Havaianas</i> serem vendidas em mais de 60 pa&#237;ses &#8211; desde os anos 2000 &#8211;, a fragmenta&#231;&#227;o     e circula&#231;&#227;o de suas imagens adquiriu uma propor&#231;&#227;o demasiadamente vasta. Assim, s&#227;o produzidas campanhas e an&#250;ncios     publicit&#225;rios diferenciados para cada pa&#237;s onde a marca &#233; comercializada. Muitas vezes, as palavras e frases nos an&#250;ncios para     divulga&#231;&#227;o da marca em outros pa&#237;ses permanecem em l&#237;ngua portuguesa, refor&#231;ando os tra&#231;os de identidade da marca, n&#227;o     apenas com seu pa&#237;s de origem, mas com o idioma que o objeto &#8220;fala&#8221;. </p>     <p>     D&#233;bora Leit&#227;o (2007: 207) demonstra como as marcas brasileiras, incluindo a marca <i>Havaianas</i>, utilizam-se de elementos como o exotismo para     constituir-se enquanto produtos interessantes e alternativos em pa&#237;ses europeus. Sobre esse fen&#244;meno, Leit&#227;o explica: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     &#8220;O uso de palavras brasileiras em textos, an&#250;ncios ou falas francesas a respeito de nossa moda &#233; um tanto comum. Tratando inicialmente de     suas apari&#231;&#245;es na imprensa francesa, por vezes, tal recurso lingu&#237;stico &#233; empregado sem que o termo venha acompanhado de qualquer     tradu&#231;&#227;o ou explica&#231;&#227;o, sob forma de express&#245;es como &#8216;tudo bem&#8217;, &#8216;bumbum&#8217;, &#8216;entre na     dan&#231;a&#8217;. Talvez ali aplicadas muito mais por sua sonoridade, dizem respeito ao refor&#231;o do aspecto curioso e desconhecido do produto     ex&#243;tico&#8221; (Leit&#227;o 2007: 217). </p>     <p>     Observamos, atrav&#233;s da hist&#243;ria de vida da marca <i>Havaianas</i>, que esta n&#227;o esteve durante toda sua trajet&#243;ria ligada aos elementos     representativos da brasilidade. As altera&#231;&#245;es e mudan&#231;as no curso de sua hist&#243;ria e no decorrer da circula&#231;&#227;o de suas imagens     fizeram com que a marca expandisse seus universos de significa&#231;&#227;o, passando a agir de diferentes maneiras. Atrav&#233;s da circula&#231;&#227;o     fragment&#225;ria da marca <i>Havaianas</i>, percebemos um complexo processo de agenciamento. <i>Havaianas</i>, em sua trajet&#243;ria social, refor&#231;a     h&#225;bitos, pr&#225;ticas e modos de identifica&#231;&#227;o que moldam e constroem um povo, uma na&#231;&#227;o e um pa&#237;s, capaz de reconhecer-se     no samba, na comida, nos corpos e nos gestos. </p>     <p>     Seus modos de conceitualiza&#231;&#227;o exotizam o familiar e ressimbolizam elementos da brasilidade convencional &#8211; &#233; por essa raz&#227;o que     eles aparecem t&#227;o frequentemente reduzidos ou literalizados. <i>Havaianas</i> faz, assim, uma aut&#234;ntica metaforiza&#231;&#227;o dos diversos     fen&#244;menos da vida e do pensamento, em termos de nossa cultura e passando, necessariamente, pela inven&#231;&#227;o criativa do ato de representar um     povo ou na&#231;&#227;o. Discutirei, a seguir, como este processo inventivo tornou-se poss&#237;vel atrav&#233;s da h&#225;bil articula&#231;&#227;o entre     conven&#231;&#227;o e inven&#231;&#227;o realizada pela marca. </p>     <p>     <b>A inven&#231;&#227;o da brasilidade</b> </p>     <p>     A evid&#234;ncia de uma cultura brasileira pode aparecer consubstancializada em elementos diversos e at&#233; mesmo contradit&#243;rios. Entre aqueles     demasiado conhecidos pelo senso comum figuram o futebol, a caipirinha, a feijoada, o Carnaval, os belos corpos femininos, a alegria e a     descontra&#231;&#227;o do povo do Brasil; mas, o que acontece quando a cultura brasileira toma a forma de sand&#225;lias de borracha? </p>     <p>     Dentre as diferentes formas de exist&#234;ncia da marca <i>Havaianas</i>, aquelas que dizem respeito &#224;s associa&#231;&#245;es &#8211; tanto dos     padr&#245;es est&#233;ticos quanto de identidade &#8211; da marca com os elementos de identifica&#231;&#227;o da cultura de seu pa&#237;s de origem     apareceram, como vimos, em diferentes per&#237;odos e contextos. Essa associa&#231;&#227;o vem conformando-se como um caso extremamente potente de     vincula&#231;&#227;o aos aspectos expressivos de reconhecimento da cultura brasileira em decorr&#234;ncia de uma larga estrat&#233;gia de     constru&#231;&#227;o desse objeto enquanto um elemento aut&#234;ntico de pertencimento &#224; referida cultura. </p>     <p>     Apesar do car&#225;ter constitutivo da no&#231;&#227;o de cultura brasileira engendrada pela marca <i>Havaianas</i> e de seu uso para fins comerciais e     mercadol&#243;gicos, parece, todavia, que seus sentidos s&#227;o capazes de produzir outras consequ&#234;ncias al&#233;m da venda de sand&#225;lias de     borracha. Isso significa, sobretudo, que os elementos mobilizados pela marca <i>Havaianas</i>, os quais contribuem, moldam e formulam determinada     no&#231;&#227;o de cultura brasileira, revelam o verdadeiro car&#225;ter da cren&#231;a social nessa no&#231;&#227;o, incutida n&#227;o apenas nos     profissionais de <i>marketing</i>, empres&#225;rios, publicit&#225;rios e gestores da marca em geral, mas tamb&#233;m nos consumidores e pessoas que     adquirem o produto. </p>     <p>     O sucesso deste objeto no Brasil e no exterior &#233; a comprova&#231;&#227;o da efic&#225;cia da no&#231;&#227;o de cultura na qual a marca se insere.     Assim, n&#227;o se trata de uma vers&#227;o falsa, caricatural ou fantasiosa sobre a cultura brasileira; trata-se, antes, de uma inven&#231;&#227;o eficaz     dessa cultura, como s&#227;o, ali&#225;s, todas as inven&#231;&#245;es. O que a marca <i>Havaianas</i> fez foi expandir metaforicamente os elementos     retirados de sua experi&#234;ncia com aquilo que identificou como cultura brasileira, ou seja, ao experimentar e vivenciar dada cultura ela &#233;     produzida e expandida, comunicada nos termos pass&#237;veis de compreens&#227;o por seu universo. </p>     <p>     Wagner (2010 [1975]: 19) nos indica um caminho que permite entender os dois modos principais de simboliza&#231;&#227;o a partir dos quais a cultura opera.     Um modo est&#225; articulado &#224; conven&#231;&#227;o e o outro, por sua vez, &#224; inven&#231;&#227;o. A simboliza&#231;&#227;o convencional estabelece     rela&#231;&#245;es entre elementos no interior de um campo discursivo, agregando os signos dentro de um determinado padr&#227;o; assim, opera uma     rotula&#231;&#227;o ou codifica&#231;&#227;o &#8220;dos detalhes do mundo&#8221; em que s&#227;o ordenados. Esta forma de simboliza&#231;&#227;o torna     convencionais as associa&#231;&#245;es e, portanto, permite aos s&#237;mbolos serem compartilhados e, assim, servirem de base para a comunica&#231;&#227;o     entre os agentes. Em outras palavras, toda sociedade precisa inventar conven&#231;&#245;es porque s&#227;o elas que d&#227;o consist&#234;ncia ao mundo. </p>     <p>     A convencionaliza&#231;&#227;o, entretanto, n&#227;o impede a inven&#231;&#227;o &#8211; pelo contr&#225;rio, incita-a. Temos aqui, portanto, uma ideia de     fluxo cont&#237;nuo de inven&#231;&#245;es. &#173;Afinal, de acordo com Wagner, &#8220;a necessidade da inven&#231;&#227;o &#233; dada pela      conven&#231;&#227;o cultural e a necessidade da conven&#231;&#227;o cultural &#233; dada pela inven&#231;&#227;o. Inventamos para sustentar e restaurar     nossa orienta&#231;&#227;o convencional; aderimos a essa orienta&#231;&#227;o para efetivar o poder e os ganhos que a inven&#231;&#227;o nos traz&#8221;     (2010 [1975]: 96). Assim, a ideia de controle que a conven&#231;&#227;o pode carregar &#233; apenas uma esp&#233;cie de seguran&#231;a necess&#225;ria, uma     vez que as conven&#231;&#245;es s&#227;o o suporte para as inven&#231;&#245;es. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Ora, se as conven&#231;&#245;es s&#227;o necess&#225;rias para orientar as inven&#231;&#245;es, logo, as conven&#231;&#245;es que permitem identificar a exist&#234;ncia de uma cultura brasileira orientam as inven&#231;&#245;es dessa mesma cultura, tal como aparece no modo de opera&#231;&#227;o da marca    <i>Havaianas</i>. Atrav&#233;s de elementos convencionalizados e reconhecidos socialmente como pertencentes e capazes de identificar o Brasil e os     brasileiros, a marca <i>Havaianas</i> p&#244;de inventar, &#224; sua moda, o Brasil e os brasileiros. Deste modo, podemos encarar a inven&#231;&#227;o     cultural como um sucessivo processo de metaforiza&#231;&#245;es, de associa&#231;&#245;es e extens&#245;es de elementos simb&#243;licos cujo sentido pode     ser mais ou menos literal, dependendo do contexto de controle. Nessa din&#226;mica, a cultura n&#227;o s&#243; objetifica a realidade por meio de     conven&#231;&#245;es, como tamb&#233;m a inventa a partir do simbolizar convencional. </p>     <p>     As inven&#231;&#245;es nas quais o mundo se realiza s&#243; se tornam poss&#237;veis mediante o fen&#244;meno do controle e o mascaramento que o acompanha;     assim, as distin&#231;&#245;es convencionais nas quais o controle se baseia s&#243; podem ser estendidas ao serem recriadas no curso da inven&#231;&#227;o.     Isto &#233;, quando a marca <i>Havaianas</i> se prop&#245;e a conhecer e, sobretudo, a comunicar a cultura brasileira, ela passa, ent&#227;o, a     invent&#225;-la. </p>     <p>     Para al&#233;m dos interesses comerciais, mercadol&#243;gicos e corporativos da S&#227;o Paulo Alpargatas em promover a vincula&#231;&#227;o de seu produto     &#224; cultura de seu pa&#237;s de origem como forma estrat&#233;gica de promover sua diferencia&#231;&#227;o no mercado, interessa, antes, observar as     motiva&#231;&#245;es dos objetos e das imagens em n&#237;vel radical. Seguindo Wagner (2010 [1975]), &#233; assim poss&#237;vel pensar os diferentes     agenciamentos da marca, ao longo dos &#250;ltimos quase 50 anos, a partir de um recorte tem&#225;tico capaz de atravessar tempos, sentidos e tecnologias na     busca de uma constitui&#231;&#227;o s&#243;lida deste objeto como pertencente &#224; cultura brasileira. </p>     <p>     O ponto crucial, entretanto, est&#225; no fato de essa constitui&#231;&#227;o n&#227;o ser mera estrat&#233;gia de pertencimento, isto &#233;, n&#227;o se     trata de aproximar direta e circunstanciadamente a marca <i>Havaianas</i> aos aspectos socialmente reconhecidos como aqueles dotados de brasilidade.     Trata-se, antes, de um complexo exemplo de ag&#234;ncia exercida por entidades n&#227;o humanas &#8211; como s&#227;o os objetos, imagens, mercadorias e     marcas &#8211;, ou seja, na observa&#231;&#227;o e an&#225;lise da trajet&#243;ria de vida da marca <i>Havaianas</i> no Brasil encontramos um processo, ao     mesmo tempo, de replica&#231;&#227;o, refor&#231;o e inven&#231;&#227;o da cultura brasileira e, devido ao alcance global deste objeto, as suas     a&#231;&#245;es possuem consequ&#234;ncias de grande impacto. Deste modo, percebe-se que o efeito desse processo &#233; sempre reflexivo, isto &#233;,     aquilo que &#233; simbolizado exerce seu efeito sobre aquilo que simboliza. </p>     <p>     O objetivo desta an&#225;lise &#233; demonstrar que a possibilidade de entendermos o Brasil como cultura s&#243; &#233; poss&#237;vel porque esta cultura foi inventada. Diante dessa abordagem podemos, ent&#227;o, refletir sobre uma pequena parte desse complexo processo de inven&#231;&#227;o cultural.<a name="_ftnref14"></a><a href="#_ftn14" title="">[14]</a> &#201; por isso que pensar a inven&#231;&#227;o da cultura brasileira por meio da marca    <i>Havaianas</i> se torna um interessante exerc&#237;cio de compreens&#227;o do processo de inven&#231;&#227;o cultural e das express&#245;es de agentes     n&#227;o humanos. </p>     <p>     Nessa dire&#231;&#227;o, n&#227;o h&#225; como negar a viv&#234;ncia da marca <i>Havaianas</i> enquanto uma entidade que vem relacionando-se com o     pa&#237;s e com todos os seus atributos de identidade de maneira bastante pr&#243;xima. Ao longo de sua exist&#234;ncia, a marca <i>Havaianas</i> n&#227;o     apenas buscou afirmar-se enquanto uma marca brasileira e, portanto, dotada de brasilidade, mas tamb&#233;m afirmou-se como um agente atribuidor de     brasilidade, ou seja, a marca <i>Havaianas</i>, simultaneamente, cont&#233;m e transmite a cultura brasileira. </p>     <p>     Se, de acordo com Wagner (2010 [1975]: 30), &#8220;um antrop&#243;logo inventa a cultura que ele acredita estar estudando&#8221;, a marca <i>Havaianas</i>,     por sua vez, tamb&#233;m parece inventar a cultura &#224; qual busca pertencer, pois &#233; no processo de &#8220;conhecimento&#8221; da cultura que esta     se torna &#8220;vis&#237;vel&#8221; e, por conseguinte, plaus&#237;vel, identific&#225;vel, reconhec&#237;vel. Entre todas as consequ&#234;ncias do     processo que &#8220;torna vis&#237;vel&#8221; uma cultura atrav&#233;s de sua inven&#231;&#227;o, encontramos aquelas ligadas ao fato de essas     a&#231;&#245;es serem efetivadas por uma entidade n&#227;o humana, neste caso os chinelos de borracha. </p>     <p>     Logo, a marca <i>Havaianas</i>, uma aspirante a nativa brasileira, s&#243; conseguiria ingressar num mundo criado por ela mesma ou, para falar como Wagner     (2010 [1975]: 37), &#8220;como faria um esquizofr&#234;nico ou aquele ap&#243;crifo pintor chin&#234;s que, perseguido por credores, pintou um ganso na     parede, montou nele e fugiu voando!&#8221; A efetiva&#231;&#227;o da marca <i>Havaianas</i> como &#237;cone dotado de brasilidade &#233; delineada por meio     de uma concretiza&#231;&#227;o inventiva dessa entidade como tal. O mundo da marca <i>Havaianas</i> &#233;, com efeito, o mundo da cultura brasileira, um     mundo inventado por ela, para que nele possa existir. </p>     <p>     <b>Considera&#231;&#245;es finais</b> </p>     <p>     Este artigo apresentou uma an&#225;lise centrada na vida social de um objeto particular. A trajet&#243;ria de vida dos chinelos de borracha alertou para a     capacidade de a&#231;&#227;o de objetos e marcas no universo do consumo de mercadorias e no &#226;mbito das pr&#225;ticas industriais. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Observar a marca de sand&#225;lias <i>Havaianas</i> mostrou-se um exerc&#237;cio prof&#237;cuo para compreendermos a circula&#231;&#227;o de objetos     contempor&#226;neos e seus efeitos sociais. Suas imagens publicit&#225;rias e o trabalho de campo em ambientes empresariais serviram como importantes guias     de acesso que permitiram a reconstru&#231;&#227;o hist&#243;rica e visual desta marca. Tal trajet&#243;ria deixou ver os diversos elementos, ideias e     imagin&#225;rios culturais compartilhados, tanto por pessoas como por coisas. </p>     <p>     Um dos argumentos principais desse trabalho foi mostrar qu&#227;o complexos podem ser os efeitos sociais da exist&#234;ncia de entidades n&#227;o humanas;     neste caso, a marca <i>Havaianas</i> p&#244;de inventar os brasileiros e os fazer reconhec&#237;veis atrav&#233;s de caracter&#237;sticas objetificadas em     suas imagens publicit&#225;rias, em seu chinelo de borracha, em sua marca. Em hip&#243;tese radical, as sand&#225;lias <i>Havaianas</i> n&#227;o     compartilham apenas nosso mundo, elas compartilham tamb&#233;m nossa humanidade, quando se tornam actantes no processo de fabrica&#231;&#227;o da     sociabilidade. </p>     <p>     A marca <i>Havaianas</i> atrai os expectadores de diferentes maneiras, operando como uma assinatura de autenticidade, n&#227;o apenas do objeto, mas de     toda a ideia constru&#237;da em torno dele. A autenticidade que evoca &#233;, com efeito, uma autenticidade brasileira. Ao analisar a trajet&#243;ria de     vida da marca <i>Havaianas</i> percebemos que os bens materiais n&#227;o s&#227;o bens quaisquer; ao contr&#225;rio, s&#227;o entidades bastante     espec&#237;ficas e singulares, dotadas de caracter&#237;sticas que as fazem &#250;nicas em seus modos de significar. O conjunto de imagens analisadas e as     entrevistas com os profissionais que trabalharam no processo de constitui&#231;&#227;o dessa marca no Brasil auxiliaram a levantar as caracter&#237;sticas     singulares desta marca, reconhecida no universo de bens com a mesma veem&#234;ncia com que pessoas o s&#227;o. </p>     <p>     Este texto atentou para a necessidade latente de desvelar a maneira pela qual cada marca, no universo do consumo de bens, pode ser entendida como dotada de     uma historicidade &#250;nica. As marcas podem ser apreendidas enquanto &#8220;outros&#8221; sociais dotados de ag&#234;ncia e sensibilidade. Isso     significa, especialmente, que as marcas agem de modo muito particular. Como o trabalho demonstrou, no caso da marca <i>Havaianas</i>, ela faz, com muita     especificidade, o que nenhuma outra faz de maneira id&#234;ntica. Assim, a marca <i>Havaianas</i> faz-se expressiva e eficaz em seu ato de     inven&#231;&#227;o da brasilidade, tornando-se, notadamente, um elemento reconhec&#237;vel como pertencente ao Brasil, fazendo-se um &#8220;outro&#8221;     incorporado e metaforizado em suas caracter&#237;sticas de identifica&#231;&#227;o. </p>     <p>     Ao percorrer sua trajet&#243;ria buscou-se compreender como um objeto cria a si mesmo e, ao criar-se, inventa o mundo em que vive. Ao longo deste trabalho,     refletimos sobre a no&#231;&#227;o de cultura &#8211; terreno pleno da antropologia &#8211; e como esta pode ser pensada por outros universos de     significa&#231;&#227;o. Entre estes universos est&#227;o aqueles demasiadamente conhecidos por n&#243;s, como s&#227;o o dos movimentos sociais, das     popula&#231;&#245;es ind&#237;genas e das comunidades tradicionais, ineg&#225;veis possuidores de cultura; entretanto, bens materiais tamb&#233;m a     reivindicam para si, e a eles temos fechado nossos olhos. Os objetos e marcas n&#227;o podem ser considerados meras mercadorias, pois s&#227;o, antes,     entidades complexas que compartilham conosco in&#250;meras formas de a&#231;&#227;o; sua capacidade criativa de inven&#231;&#227;o &#233; t&#227;o poderosa     e eficiente quanto a nossa pr&#243;pria. </p>     <p>     N&#227;o fa&#231;o aqui qualquer apologia ou cr&#237;tica acerca da inven&#231;&#227;o de determinado Brasil em detrimento de outro; de todo modo, se a     cultura brasileira n&#227;o existe, ent&#227;o parece necess&#225;rio invent&#225;-la, ou, se ela de fato existe, isso torna ainda mais urgente sua     inven&#231;&#227;o &#8211; afinal, a inven&#231;&#227;o &#233; a forma da nossa experi&#234;ncia, a possibilidade m&#225;xima do nosso entendimento. Em     outras palavras, se reconhecemos a criatividade do antrop&#243;logo na constru&#231;&#227;o de sua compreens&#227;o sobre outras culturas, certamente     n&#227;o poderemos negar a essas culturas e aos seus membros o mesmo tipo de criatividade. </p>     <p>     Se assumimos, como fez Wagner (2010 [1975]: 76), que no limite todo ser humano &#233; um antrop&#243;logo, segue-se que todas as pessoas necessitam de um     conjunto de conven&#231;&#245;es compartilhadas. Assim, a marca <i>Havaianas</i> n&#227;o fez nada al&#233;m daquilo a que n&#243;s, antrop&#243;logos,     estamos habituados: inventou um Brasil e um brasileiro e os fez existir como cultura. </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <b>BIBLIOGRAFIA</b> </p>     <!-- ref --><p>     ADAM, Jean-Michel, e Marc BONHOMME, 2005, <i>Analyses du discours publicitaire</i>. Toulouse, Editions Universitaires du Sud.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0873-6561201300020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     APPADURAI, Arjun (org.), 1986, <i>The Social Life of Things: Commodity in Cultural Perspective</i>. Cambridge, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0873-6561201300020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     BARTHES, Roland, 1957, <i>Mythologies</i>. Paris, Editions du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0873-6561201300020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     BARTHES, Roland, 1967, <i>Syst&#232;me de la mode</i>. Paris, Editions du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0873-6561201300020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     BARTHES, Roland, 1970, <i>L&#8217;empire des signes</i>. Paris, Skira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0873-6561201300020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     BARTHES, Roland, 1990, <i>O &#211;bvio e o Obtuso: Ensaios Cr&#237;ticos III</i>. Rio de Janeiro, Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0873-6561201300020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     BAUDRILLARD, Jean, 1968, <i>O Sistema dos Objetos</i>. S&#227;o Paulo, Editora Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0873-6561201300020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     BAUDRILLARD, Jean, 1970, <i>A Sociedade de Consumo</i>. Lisboa, Edi&#231;&#245;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0873-6561201300020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     BAUDRILLARD, Jean, 2000 [1982], &#8220;Significa&#231;&#227;o da publicidade&#8221;, em Luis Costa Lima (org.), <i>Teoria da Cultura de Massa</i>. Rio de     Janeiro, Editora Paz e Terra, 273-280.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0873-6561201300020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     BOURDIEU, Pierre, 2007 [1979], <i>A Distin&#231;&#227;o: Cr&#237;tica Social do Julgamento</i>. S&#227;o Paulo, Edusp; Porto Alegre, Zouk.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0873-6561201300020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> CAMPBELL, Colin, 2006, &#8220;Eu compro, logo sei que existo: as bases metaf&#237;sicas do consumo moderno&#8221;, em L&#237;via Barbosa (org.),    <i>Cultura, Consumo e Identidade</i>. Rio de Janeiro, Editora FGV, 47-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0873-6561201300020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     CATHELAT, Bernard, 2001, <i>Publicit&#233; et soci&#233;t&#233;</i>. Paris, Payot.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0873-6561201300020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     CHARAUDEAU, Patrick, 1994, &#8220;Le discours publicitaire: genre discoursif&#8221;, <i>Mscope</i>, 8: 34-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0873-6561201300020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     COOMBE, Rosemary, 1996, &#8220;Embodied trademarks: mimesis and alterity on American commercial frontiers&#8221;, <i>Cultural Anthropology</i>, 11 (2):     202-224.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0873-6561201300020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     DEBORD, Guy, 2000, <i>A Sociedade do Espet&#225;culo</i>. Rio de Janeiro, Editora Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0873-6561201300020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     DOUGLAS, Mary, e Baron ISHERWOOD, 2006 [1979], <i>O Mundo dos Bens: Para Uma Antropologia do Consumo</i>. Rio de Janeiro, Editora UFRJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0873-6561201300020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     FLOCH, Jean-Marie, 2002, <i>S&#233;miotique, marketing et communication : Sous les signes, les strat&#233;gies</i>. Paris, Presses Universitaires de     France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0873-6561201300020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     GELL, Alfred, 1998, <i>Art and Agency: An Anthropological Theory</i>. Oxford, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0873-6561201300020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     GREVEN, Hubert, 1982, <i>La langue des slogans publicitaires</i>. Paris, Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0873-6561201300020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     GRUNIG, Blanche-No&#235;lle, 1998, <i>Les mots de la publicit&#233;: L&#8217;architecture du slogan</i>, Paris, CNRS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0873-6561201300020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     HAINEAULT, Doris-Louise, e Jean-Yves ROY, 1984, <i>L&#8217;inconscient qu&#8217;on affiche: Essai psychanalytique sur la fascination publicitaire</i>.     Paris, Aubier.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0873-6561201300020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     JOLY, Martine, 1994, <i>Introdu&#231;&#227;o &#224; An&#225;lise de Imagens</i>. Lisboa, Edi&#231;&#245;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0873-6561201300020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     KEHL, Maria Rita, 1998, <i>Deslocamentos do Feminino: A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade</i>. Rio de Janeiro, Imago Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0873-6561201300020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> KOPYTOFF, Igor, 1986, &#8220;The cultural biography of things: commoditization as process&#8221;, em Arjun Appadurai,    <i>The Social Life of Things: Commodity in Cultural Perspective</i>. Cambridge, Cambridge University Press, 64-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0873-6561201300020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     LEIT&#195;O, D&#233;bora Krischke, 2007, &#8220;N&#243;s, os outros: a constru&#231;&#227;o do ex&#243;tico e consumo de moda brasileira na     Fran&#231;a&#8221;, <i>Horizontes Antropol&#243;gicos</i>, 29: 203-230.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0873-6561201300020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     MALEFYT, Timothy Dewaal, e Brian MOERAN (orgs.), 2003, <i>Advertising Cultures</i>. Oxford, Berg.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0873-6561201300020000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> MILLER, Daniel, 2003, &#8220;Advertising, production and consumption as cultural economy&#8221;, em Timothy Dewaal Malefyt e Brian Moeran (orgs.),    <i>Advertising Cultures</i>. Oxford, Berg, 75-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0873-6561201300020000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     MILLER, Daniel, 2006, <i>The Cell Phone: An Anthropology of Communication</i>. Londres, Berg.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0873-6561201300020000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     MINOT, Fran&#231;oise, 2001, <i>Quand l&#8217;image se fait publicitaire: Approche th&#233;orique, m&#233;thodologique et pratique</i>. Paris, Editions     L&#8217;Harmattan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0873-6561201300020000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     PACKARD, Vance, 1958, <i>La persuasion clandestine</i>. Paris, Calmann-L&#233;vy.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0873-6561201300020000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> PEREIRA, Rosane da Concei&#231;&#227;o, 2006,    <i>Discurso e Publicidade: Dos Processos de Identifica&#231;&#227;o e Alteridade pela Propaganda Brasileira</i>. Rio de Janeiro, Universidade Federal     Fluminense, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0873-6561201300020000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     RIBEIRO, Magda dos Santos, 2011, <i>Das Coisas e Suas Inven&#231;&#245;es: Antropologia no Mundo das Marcas</i>. S&#227;o Paulo, Universidade de S&#227;o     Paulo, disserta&#231;&#227;o de mestrado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0873-6561201300020000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     SAHLINS, Marshall, 2003 [1976], <i>Cultura e Raz&#227;o Pr&#225;tica</i>. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0873-6561201300020000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> SOUZA, Marcela Stockler Coelho de, 2012, &#8220;A pintura esquecida e o desenho roubado: contrato, troca e criatividade entre os Kis&#234;dj&#234;&#8221;,    <i>Revista de Antropologia</i>, 55 (1): 209-253.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0873-6561201300020000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     TAUSSIG, Michael, 1993, <i>Mimesis and Alterity: A Particular History of the Sense</i>. Londres, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0873-6561201300020000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>     WAGNER, Roy, 2010 [1975], <i>A Inven&#231;&#227;o da Cultura</i>. S&#227;o Paulo, Cosac Naify.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0873-6561201300020000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>     &#160; </p>     <p>     <b>NOTAS</b> </p>     <p>     <a name="_ftn1"></a>     <a href="#_ftnref1" title="">[1]</a>     O presente artigo &#233; parte da investiga&#231;&#227;o de mestrado, apoiada pela Fapesp e defendida pela autora em janeiro de 2011, realizada entre os     anos de 2008 e 2010 no Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Antropologia da Universidade de S&#227;o Paulo, Brasil (Ribeiro 2011). </p>     <p>     <a name="_ftn2"></a>     <a href="#_ftnref2" title="">[2]</a>     A express&#227;o &#8220;trajet&#243;ria social&#8221; &#233; usada tal como formulada por Appadurai (1986). O argumento central do autor considera que as     coisas, assim como as pessoas, s&#227;o possuidoras de uma vida social (1986: 15). An&#225;loga a esta ideia &#233; a formula&#231;&#227;o de Kopytoff     (1986), cujo objetivo &#233; compreender o mundo material atrav&#233;s de uma abordagem biogr&#225;fica das coisas. Ambas formula&#231;&#245;es ser&#227;o     melhor detalhadas no desenvolvimento do artigo. </p>     <p>     <a name="_ftn3"></a>     <a href="#_ftnref3" title="">[3]</a>     Cabe retomar a ideia de inven&#231;&#227;o proposta por Wagner (2010 [1975]: 19). O uso do termo, segundo o autor, &#233; mais tradicional do que parece e     difere consistentemente da ideia de simulacro. Assim, a inven&#231;&#227;o n&#227;o &#233; uma esp&#233;cie de simbolismo, tampouco um &#8220;buraco     negro&#8221; onde a inven&#231;&#227;o devoraria a conven&#231;&#227;o; a ideia de inven&#231;&#227;o, ao contr&#225;rio do que pode parece &#224; primeira     vista, est&#225; muito relacionada com a ideia de realidade (2010 [1975]: 23). Assim, sugerir que algo &#233; fruto de uma inven&#231;&#227;o n&#227;o     desqualifica, jamais, seu estatuto de realidade. Inven&#231;&#245;es n&#227;o s&#227;o, portanto, falsifica&#231;&#245;es, mas usar o termo     inven&#231;&#227;o implica em esclarecer o car&#225;ter constitutivo de certas ideias e modos de pensar. Para Wagner, esses modos dizem respeito ao outro,     a n&#243;s mesmos e, no limite, &#224; constitui&#231;&#227;o da antropologia. </p>     <p>     <a name="_ftn4"></a>     <a href="#_ftnref4" title="">[4]</a>     O Museu da Propaganda fica localizado na cidade de Porto Alegre, Brasil, e me permitiu o acesso a parte do acervo sobre a marca <i>Havaianas</i> e sua     reprodu&#231;&#227;o. </p>     <p>     <a name="_ftn5"></a>     <a href="#_ftnref5" title="">[5]</a>     Dentre estes estudos, destacaram-se aqueles que propuseram realizar uma severa cr&#237;tica &#224; cultura de massa e ao aumento desenfreado do consumo e     da publicidade nas sociedades industriais e capitalistas. A exemplo de importantes contribui&#231;&#245;es como as de Baudrillard (1968, 1970), Bourdieu     (2006 [1979]), Barthes (1957, 1967, 1970), Douglas e Isherwood (2006 [1979]), Sahlins (2003 [1976]), entre outros, vimos proliferar as reflex&#245;es sobre     o mundo dos objetos. Cabe mencionar a forte influ&#234;ncia marxista e estruturalista, em voga na &#233;poca, presente neste conjunto de obras. </p>     <p>     <a name="_ftn6"></a>     <a href="#_ftnref6" title="">[6]</a>     Um dos principais artigos que marca seu interesse pela publicidade &#233; &#8220;Rh&#233;torique de l&#8217;image&#8221; (1964, <i>Communications</i>, 4:     40-51), onde Barthes analisou, sistematicamente, a partir de uma perspectiva semiol&#243;gica, o an&#250;ncio de massas <i>Panzani</i>. O artigo     tamb&#233;m est&#225; dispon&#237;vel em l&#237;ngua portuguesa em Barthes (1990). </p>     <p>     <a name="_ftn7"></a>     <a href="#_ftnref7" title="">[7]</a>     O volume foi produzido a partir do primeiro grupo de trabalho organizado em torno do papel da publicidade nas sociedades contempor&#226;neas, no encontro     da American Anthropology Association (AAA) no ano de 2000, intitulado &#8220;In-and-of andvertising: the role for anthropology&#8221;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <a name="_ftn8"></a>     <a href="#_ftnref8" title="">[8]</a>     Os termos e adjetivos usados para divulga&#231;&#227;o da marca se modificam de acordo com as diferentes &#233;pocas vivenciadas pelo objeto, por&#233;m     enfatizo aqui a adjetiva&#231;&#227;o recorrentemente elitista ou ligada aos aspectos da moda. Em diferentes momentos as frases apelaram para termos como:     elegante, de classe, <i>fashion</i>, na moda, leg&#237;tima, verdadeira, entre outros. </p>     <p>     <a name="_ftn9"></a>     <a href="#_ftnref9" title="">[9]</a>     Dados obtidos segundo entrevistas fornecidas pelos publicit&#225;rios e profissionais de <i>marketing</i> que trabalham para a marca. Segundo Rui Porto,     diretor de comunica&#231;&#227;o de <i>Havaianas</i>, em entrevista concedida em Mar&#231;o de 2009: &#8220;Est&#225;vamos buscando a classe m&#233;dia.     Al&#233;m de mudarmos um pouco o produto, demos conforto emocional ao consumidor que adorava us&#225;-las em casa, mas n&#227;o tinha coragem de sair com     as sand&#225;lias na rua.&#8221; </p>     <p>     <a name="_ftn10"></a>     <a href="#_ftnref10" title="">[10]</a>     A Almap/BBDO passou a ser a respons&#225;vel pelas campanhas publicit&#225;rias da marca <i>Havaianas</i>. Seu diretor de cria&#231;&#227;o,     Marcelo Serpa, prop&#245;e uma estrat&#233;gia ousada, muito discutida pela empresa em raz&#227;o do alto valor que seria investido na     contrata&#231;&#227;o de &#8220;personalidades famosas&#8221;. </p>     <p>     <a name="_ftn11"></a>     <a href="#_ftnref11" title="">[11]</a> Marcelo Serpa, diretor da ag&#234;ncia de propaganda Almap/BBDO, principal respons&#225;vel pelas campanhas publicit&#225;rias da marca    <i>Havaianas</i> a partir da d&#233;cada de 1990, em depoimento cedido para produ&#231;&#227;o do DVD <i>Mem&#243;ria da Propaganda</i>, 2001, volume 1,     edi&#231;&#227;o especial <i>Sand&#225;lias Havaianas</i>. </p>     <p>     <a name="_ftn12"></a>     <a href="#_ftnref12" title="">[12]</a> Rui Porto, diretor de comunica&#231;&#227;o e m&#237;dia da marca <i>Havaianas</i>, em depoimento cedido para a produ&#231;&#227;o do DVD    <i>Mem&#243;ria da Propaganda</i>, 2001, volume 1, edi&#231;&#227;o especial <i>Sand&#225;lias Havaianas</i>. </p>     <p>     <a name="_ftn13"></a>     <a href="#_ftnref13" title="">[13]</a>     A rela&#231;&#227;o dos profissionais de <i>marketing</i> e comunica&#231;&#227;o com suas &#8220;cria&#231;&#245;es&#8221; &#233; bastante peculiar: ao     mesmo tempo em que se sentem respons&#225;veis pelos efeitos e consequ&#234;ncias das estrat&#233;gias que criam, sentem-se tamb&#233;m surpresos com seus     resultados, os quais, muitas vezes, s&#227;o atribu&#237;dos aos pr&#243;prios objetos. Sobre a realiza&#231;&#227;o de etnografia em ambientes     empresariais e contextos de produ&#231;&#227;o contempor&#226;neos do <i>marketing</i> e da publicidade ver Ribeiro (2011) e Miller (2006). </p>     <p>     <a name="_ftn14"></a>     <a href="#_ftnref14" title="">[14]</a>     Cabe lembrar, contudo, que o monop&#243;lio de inven&#231;&#245;es eficazes sobre as culturas ou, neste caso, sobre a brasilidade, n&#227;o pertence ao     Estado, tampouco &#224;s ci&#234;ncias sociais. Assim, observamos, incessantemente, elementos quotidianos como a m&#237;dia, a publicidade ou os meios de     comunica&#231;&#227;o, de forma geral, a participar desse processo dial&#233;tico que articula conven&#231;&#227;o e inven&#231;&#227;o. </p>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ADAM]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean-Michel]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BONHOMME]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marc]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Analyses du discours publicitaire]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Toulouse ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editions Universitaires du Sud]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[APPADURAI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Arjun]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Social Life of Things: Commodity in Cultural Perspective]]></source>
<year>1986</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BARTHES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mythologies]]></source>
<year>1957</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editions du Seuil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BARTHES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Système de la mode]]></source>
<year>1967</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editions du Seuil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BARTHES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[L&#8217;empire des signes]]></source>
<year>1970</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Skira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BARTHES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Óbvio e o Obtuso: Ensaios Críticos III]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nova Fronteira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAUDRILLARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Sistema dos Objetos]]></source>
<year>1968</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Perspectiva]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAUDRILLARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Sociedade de Consumo]]></source>
<year>1970</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições 70]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAUDRILLARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Significação da publicidade]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luis Costa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Teoria da Cultura de Massa]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>273-280</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Paz e Terra]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOURDIEU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pierre]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Distinção: Crítica Social do Julgamento]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[São PauloPorto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[EduspZouk]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CAMPBELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Colin]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Eu compro, logo sei que existo: as bases metafísicas do consumo moderno]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Barbosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lívia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cultura, Consumo e Identidade]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>47-64</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora FGV]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CATHELAT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Bernard]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Publicité et société]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Payot]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CHARAUDEAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrick]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Le discours publicitaire: genre discoursif]]></article-title>
<source><![CDATA[Mscope]]></source>
<year>1994</year>
<numero>8</numero>
<issue>8</issue>
<page-range>34-44</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COOMBE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rosemary]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Embodied trademarks: mimesis and alterity on American commercial frontiers]]></article-title>
<source><![CDATA[Cultural Anthropology]]></source>
<year>1996</year>
<volume>11</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>202-224</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DEBORD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Guy]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Sociedade do Espetáculo]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Contraponto]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DOUGLAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mary]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ISHERWOOD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Baron]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Mundo dos Bens: Para Uma Antropologia do Consumo]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora UFRJ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FLOCH]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean-Marie]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sémiotique, marketing et communication: Sous les signes, les stratégies]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Presses Universitaires de France]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alfred]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Art and Agency: An Anthropological Theory]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GREVEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hubert]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La langue des slogans publicitaires]]></source>
<year>1982</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Presses Universitaires de France]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GRUNIG]]></surname>
<given-names><![CDATA[Blanche-Noëlle]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Les mots de la publicité: L&#8217;architecture du slogan]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CNRS]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HAINEAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Doris-Louise]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ROY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean-Yves]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[L&#8217;inconscient qu&#8217;on affiche: Essai psychanalytique sur la fascination publicitaire]]></source>
<year>1984</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Aubier]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JOLY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Martine]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução à Análise de Imagens]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições 70]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KEHL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Rita]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Deslocamentos do Feminino: A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KOPYTOFF]]></surname>
<given-names><![CDATA[Igor]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The cultural biography of things: commoditization as process]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Appadurai]]></surname>
<given-names><![CDATA[Arjun]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Social Life of Things: Commodity in Cultural Perspective]]></source>
<year>1986</year>
<page-range>64-91</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LEITÃO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Débora Krischke]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nós, os outros: a construção do exótico e consumo de moda brasileira na França]]></article-title>
<source><![CDATA[Horizontes Antropológicos]]></source>
<year>2007</year>
<numero>29</numero>
<issue>29</issue>
<page-range>203-230</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MALEFYT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Timothy Dewaal]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MOERAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Brian]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Advertising Cultures]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Berg]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MILLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Daniel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Advertising, production and consumption as cultural economy]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Malefyt]]></surname>
<given-names><![CDATA[Timothy Dewaal]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Moeran]]></surname>
<given-names><![CDATA[Brian]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Advertising Cultures]]></source>
<year>2003</year>
<page-range>75-89</page-range><publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Berg]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MILLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Daniel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Cell Phone: An Anthropology of Communication]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Berg]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MINOT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Françoise]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Quand l&#8217;image se fait publicitaire: Approche théorique, méthodologique et pratique]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editions L&#8217;Harmattan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PACKARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Vance]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La persuasion clandestine]]></source>
<year>1958</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Calmann-Lévy]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rosane da Conceição]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Discurso e Publicidade: Dos Processos de Identificação e Alteridade pela Propaganda Brasileira]]></source>
<year>2006</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RIBEIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Magda dos Santos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Das Coisas e Suas Invenções: Antropologia no Mundo das Marcas]]></source>
<year>2011</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SAHLINS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marshall]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cultura e Razão Prática]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Jorge Zahar Editor]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SOUZA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marcela Stockler Coelho de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A pintura esquecida e o desenho roubado: contrato, troca e criatividade entre os Kisêdjê]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Antropologia]]></source>
<year>2012</year>
<volume>55</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>209-253</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TAUSSIG]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michael]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mimesis and Alterity: A Particular History of the Sense]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WAGNER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roy]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Invenção da Cultura]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cosac Naify]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
