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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A religião se faz com a colheita da terra: problematização concetual de “religião” em África e o caso yorùbá]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to focus on the concept of “religion” and its conceptual implications to the observation of African religions taking the Yorùbá religious attitudes and beliefs, as well as candomblé’s, as case studies. It is our intention to trace a new itinerary in the conceptualization of African religious experiences taking the native structures as the scenery for theory. Having present the idea that religion in those contexts is made, it is intended to present alternative categories to the classic “monotheism”, “polytheism” and “pantheon”.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <head> </head>     <p><b>A religião se faz com a colheita da terra: problematização concetual de   “religião” em África e o caso yorùbá</b></p>     <p><b>Religion is made with the harvest of land: a conceptual questioning of &ldquo;religion&rdquo; in Africa and the Yor&ugrave;b&aacute; case</b></p>     <p><b>João Ferreira Dias*</b></p>     <p>*Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,   Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:joaobferreiradias@gmail.com">joaobferreiradias@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente artigo visa analisar o conceito de “religião” e suas   implicações concetuais para a observação das religiões africanas, partindo do   caso dos yorùbá da África Ocidental e visitando o candomblé, religião   brasileira de matriz africana fecundada com o comércio de escravos.   Pretende-se, então, traçar um roteiro diferente para a concetualização da   experiência religiosa africana nos enfoques anteriores, procurando oferecer   alternativas face às categorias clássicas de “monoteísmo”, “politeísmo” e   “panteão” e observando simultaneamente o que constitui a atitude religiosa no   caso yorùbá e seu descendente candomblé, a partir da ideia de que a religião nos presentes estudos de caso se faz.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> yorùbá, candomblé, religião, categorias operatórias, localismo, África</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper aims to focus on the concept of “religion” and its   conceptual implications to the observation of African religions taking the Yorùbá religious attitudes and beliefs, as well as candomblé’s, as case studies. It is our intention to trace   a new itinerary in the conceptualization of African religious experiences   taking the native structures as the scenery for theory. Having present the idea   that religion in those contexts is made, it is intended to present alternative   categories to the classic “monotheism”, “polytheism” and “pantheon”.</p>     <p><b>Keywords:</b> Yorùbá, candomblé, religion, operative categories,   localism, Africa</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A história das ciências sociais que se fundaram na experiência da alteridade (Laplantine 2000: 21), a qual opera com as ferramentas de análise do sujeito europeu, i.&#8197;e.,   através das categorias ocidentais, influi na definição de “religião”.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a> Mas,   tal como notou Rodney Needham (1972), trata-se de um conceito dificilmente   traduzível para as línguas não latinas. A etnologia lida, desta forma, com um   problema complexo, cujas raízes tocam o âmago da experiência de entendimento do   “outro”. Os problemas associados à delimitação da experiência a que se   convenciona chamar “religiosa” alimentaram a história das mencionadas ciências.   As dimensões e funções dos ritos, a função simbólica e o pensamento mítico, e o   ordenamento social composto em função dos elementos intrincados na “religião”   (convém aqui manter o cuidado com o termo) foram objeto de estudos clássicos,   como os de Durkheim (1912), Malinowski (1925), Mauss (1968), Radcliffe-Brown   (1968 [1945]), Geertz (1973) ou Testart (1993), entre outros, pelo que não   requerem uma revisitação, em função de não caber aqui uma abordagem histórica   da transformação e evolução dos conceitos.</p>     <p>Não obstante o percurso histórico dos   conceitos, é intento presente entender e propor uma outra leitura da   experiência religiosa em função do caso específico yorùbá (sem descurar a sua   experiência diaspórica, o candomblé), expressões religiosas com as quais temos   convivido longamente, quer como observadores quer como participantes, numa   visão descrita como <i>emic</i>. Tal facto   permite-nos e permitiu-nos em trabalhos anteriores compreender os dados a   partir de uma leitura alternativa à alteridade, construindo uma leitura própria   do fenómeno em causa, sem um “eurocentrismo metodológico” (Dias 2011).</p>     <p>Referindo-se <i>lato sensu</i> à África, afirma Awolalu que “religion enters into every aspect of the life   of the Africans and it cannot be studied in isolation. Its study has to go   hand-in-hand with the study of the people who practice the religion” (1976: 1).   Dessa forma, permanece válida a teoria de Kishimoto (1961), de que cada   contexto cultural gera a sua definição de “religião”, o que nos leva ao   pensamento yorùbá, para sermos mais específicos e fugirmos ao perigo de pensar   África unidimensionalmente. Neste, as coisas mais se incluem do que se excluem,   pelo que delimitar fronteiras constitui um risco metodológico perigoso.   Pensando na definição de “religião” em função do <i>stricto sensu</i> cristão, Horton (1960, 1993) recorda-nos que é nas   fronteiras do que parece não ser religião que reside grande parte das atitudes   que poderíamos chamar religiosas por parte dos africanos, pelo que a definição   ocidentalizada de “religião” carece de operatividade no conceito presente.</p> <b>Os yorùbá: religião, magia ou outra coisa ainda?</b>     <p>Há um problema histórico, nas ciências sociais, em relação ao traçar das   fronteiras quanto ao conceito de “religião”. Devido à herança cristã e à sua   estrutura de pensamento maniqueísta, tal como dissemos acima, as coisas   excluem-se mais do que se incluem. Nesse sentido, tratando da religião como   algo fortemente definido dogmaticamente, ficou entregue à categoria de “magia”   tudo o que não cabia na receita do modelo ocidental de religião. No entanto, “magic is not an entity distinct from religion but   a form of ritual behavior and thus an element of religion” (Hammond 1970:   1355). Este traçar de fronteiras entre “religião” e “magia” que encontramos em   Hammond, mas também posteriormente em Claude Rivière (1997), ou entre “religião”   e “ritual” com Christine Bell (1997), é ainda, crê-se, uma demarcação que é   fruto de um certo modo de ver o que se convencionou chamar “religião”, em   função da impossibilidade de usar termos alternativos na constituição histórica   da antropologia. Antes de avançarmos para o caso concreto dos yorùbá, cientes   de que cada contexto geográfico e cultural produz <i>clusters</i> específicos de definição de “religião”, importa recordar   Versnel (1991), que bem dizia que nem “magia” nem “religião” existiam, como quem   diz que, no fundo, as várias ciências que estudam o fenómeno descrito como   religião produziram categorizações e mapearam as atividades humanas como   laicas, religiosas ou mágicas, pese embora que não tenham sido capazes de se   desprender das amarras concetuais comummente utilizadas, ao impor à “magia” uma   identidade mecânica. Robin Horton (1993) é perentório em reconhecer que os   modelos ocidentais de abordagem das “religiões” africanas são ineficientes.</p> <b>Lidando com o caso yorùbá: do modelo da   eficácia ao “dever” como termo próprio</b>     <p>O já citado Horton (1993) compreende as “religiões” africanas   como expressando-se em atitudes de explicação, previsão e controlo, mas também   num sentido de comunhão. Tal modelo é aplicável ao espaço yorùbá (e seu   descendente afro-brasileiro, o candomblé). Tomando como exemplo o sistema de   Ifá, sistema religioso centrado num <i>corpus</i> literário cujos versos sagrados, os odús, acedidos através do método divinatório apelidado <i>&#7885;&#768;p&#7865;&#768;l&#7865;&#768; Ífá</i>, e interpretados pelo sacerdote, <i>bàbáláàwó</i>,   explicam e enquadram os acontecimentos quotidianos em função de interferências   religiosas. Exemplo disso são os falecimentos por varíola entendidos como   influência da divindade com o mesmo nome, &#7778;ànp&#7885;&#768;nná, conhecido no candomblé por &#7884;balúwàiyé (“rei e senhor da terra”) e &#7884;m&#7885;lú (“filho do senhor”), que   acarretam rituais específicos para aplacar a ira e conduzir o defunto à morada   da divindade, pelo que os parentes do falecido não podem saber onde os sacerdotes   de tal divindade enterram o corpo. Ou, por exemplo, o caso em que uma esposa   não consegue engravidar, pelo que o sistema divinatório poderá prescrever uma oferenda a &#7884;&#768;&#7779;un, deusa da fertilidade, ou até a Ò&#7779;àlúf&#7885;&#769;n, dependendo da localização geográfica e da tradição. Com os   presentes exemplos temos pois o modelo de Horton claramente delimitado. O   método divinatório (o que se aplica ao <i>&#7885;&#768;p&#7865;&#768;l&#7865;&#768; Ífá,</i> aplica-se <i>mutatis mutandi</i> ao <i>&#7865;&#7865;</i><i>&#769;rìndínlógún</i>, o método divinatório utilizado no candomblé e nos cultos aos Òrì&#7779;às fora do contexto do sistema de Ifá) explica e prevê,   possibilitando através da oferenda, sacrifício ou demais aspetos rituais, o   controlo do acontecimento e um sentimento de comunhão, na medida em que os   sujeitos se encontram em correlação com as divindades e com os membros da sua   comunidade/sociedade.</p>     <p>Ainda assim, partindo do modelo de Horton   (1993), que se reconhece como válido, e observando o estudo de caso yorùbá,   somos levados a propor a alternativa concetual de comunicação, manipulação e eficácia   como vetores interligados de entendimento da especificidade religiosa yorùbá.   Sabendo que no imaginário yorùbá e descendente os sistemas divinatórios   constituem o processo pelo qual se entra em contacto com as divindades, o fator   comunicacional é primordial nesta experiência religiosa. Sabemos que é através   de tais métodos que no presente imaginário se conhece o passado, o presente e o   futuro, é com estes processos de adivinhação que os sujeitos interagem com os   deuses, mas também atuam no seu quotidiano, ou, por outro lado, é através de   tais processos divinatórios que os sujeitos conhecem os fatores exógenos à sua   condição presente e dessa forma comunicam com as divindades em função dos dados   do quotidiano.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a> Na   tradição yorùbá os sujeitos consultam o sistema divinatório para conhecer os   dias propícios para todas as atividades, para conhecer os desígnios das   divindades e quem agiu sobre si com recurso ao extra-humano. Este recurso ao   extra-humano como processo de ação sobre outrem tem sido apelidado “feitiçaria”.   Devido à sua carga linguístico-histórica, trata-se de uma categoria em   necessário desuso, em função de comportar em si categorizações de tradição   ocidental, as quais foram sempre um problema concetual no seio da antropologia   religiosa, e pelo facto de conter em si as múltiplas possibilidades de   definições opostas, como as de Lévy-Bruhl (1931), Malinowski (1933) ou Hertz   (1970 [1907]). Ao mesmo tempo, a comunicação é feita entre sujeitos, pelo que a   “religião” adquire uma dimensão social, i.&#8197;e., a “religião” é produtora   de sociedade, não numa dimensão ético-moral-filosófica de tipo judaico-cristão   (<i>social behaviours</i>), mas antes como   produtora de integração e compromisso social. Os cultos locais de natureza   oficial conferem sentido comunitário às populações, como as celebrações Olójó em Ilé-If&#7865;, reavivando a memória coletiva em   torno da figura heroica de Odùduwà e sua linhagem real, e da cidade como palco   de tradição cultural, concebida como local da criação da humanidade e cidade   santa (Beier 1980).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em relação direta com a comunicação estão a   manipulação e a eficácia, constando como uma interpenetração concetual e   prática. Ao passo que o controlo proposto por Horton (1993) parece conter a   premissa de dominação sobre determinado facto, acontecimento ou realidade, a   ideia de manipulação, ao menos no caso yorùbá, apresenta-se como uma conceção   mais dinâmica e operatória, na medida em que os yorùbá, através da comunicação   pelos sistemas divinatórios, conhecem as vontades das divindades e assim podem   manipulá-las em favor de determinado objetivo, exercendo uma correlação entre   eles e as divindades com base na troca. Ou seja, a fim de que a terra seja   fértil oferecem, por exemplo, um galo a Ògún, a fim de que o senhor do ferro   permita uma boa atividade agrícola, ou a fim de que chova é oferecido um agrado a Ò&#7779;ùmàrè,   deus do arco-íris e da   chuva, que pode ser uma oferenda alimentar confecionada com milho, feijão,   azeite de dendê, por exemplo. Deste modo, a manipulação das divindades (que se   apresenta também como uma forma de comunicação) para determinados fins confere   um sentido prático à “religião” yorùbá, embora tal facto não deva ser entendido   como uma mecanização ritual do tipo “mágico”, mas antes como a própria essência   religiosa. Por fim, adentramos na questão da eficácia. Quando se comunica com   as divindades para conhecimento/enquadramento dos acontecimentos   passados e presentes, pretende-se conhecer uma fórmula capaz de manipular a   divindade tutelar, ou que está a exercer o controlo da situação, em favor do   desejado. Dessa forma, tanto a comunicação quanto a manipulação têm de ser   eficazes. Não sendo, os consulentes assumem quatro quadros explicativos: (1) a   adivinhação foi mal feita; (2) a manipulação foi mal feita; (3) aquela   divindade não é eficaz para o presente caso; (4) outra divindade está a   influenciar o decurso do ritual. Como refere Horton (1993: 29), o imaginário   africano – e isto é particularmente verificável no caso yorùbá – aceita mal que   uma divindade não aja em consonância com o prescrito no ritual apenas porque   decidiu não o fazer. Essa possibilidade está presente, por exemplo, no   candomblé, onde uma noção de divindade de natureza judaico-cristã está bem   patente. Em inúmeras casas de candomblé podemos ouvir: “O Òrì&#7779;à é que sabe o que é melhor para nós e às vezes aquilo que nós   queremos não é o melhor para nós”.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> No   espaço yorùbá nativo, o entendimento processa-se de diferente modo, pelo que   determinado indivíduo poderá recorrer a outra divindade em busca da “eficácia”   como processo litúrgico, como bem nota Karin Barber (1997: 401).</p>     <p>Percebe-se, pois, que a ação ritual sobre as   divindades é de suma importância no imaginário yorùbá. A esta manipulação está   associada a ideia de troca. È&#7779;ù, divindade das trocas (económicas, sexuais, linguísticas), dos caminhos e da proteção de casas,   cidades, pessoas, é um exemplo paradigmático do ­sentido de   manipulação/troca contido no nosso objeto de estudo. Os   mercadores das cidades yorùbá oferecem sempre uma parte dos seus lucros a È&#7779;ù, a fim de garantir que este nunca deixe de providenciar os   bons negócios, ou seja, para que a capacidade de troca económica nunca deixe de   estar presente. Os viajantes oferecem sacrifícios ao mesmo em nome da proteção   durante a jornada, e quando é necessário escolher um rumo entre vários   possíveis são feitas oferendas a È&#7779;ù nas encruzilhadas, para que este indique o melhor caminho.</p>     <p>Não obstante o sentido prático da “religião”   yorùbá, é inegável que existe uma conceção sobre o “sagrado”, uma teologia,   como tratámos em trabalho anterior (Dias 2011), que preferimos apelidar   “padrões de pensamento religioso”, porque não há <i>uma</i> teologia yorùbá, não obstante o papel agregador levado a cabo   pelo sistema de Ifá, que unificou sistemas complexos e dinâmicos, mas antes um   conjunto de conceções teóricas amplamente intrincadas nas performances rituais,   concebidas e apreendidas em função de cada complexo sistémico. Assim,   tratando-se do culto de È&#7779;ù, são concebidos individualmente mitos e universos tutelares específicos. Em   acordo com outras divindades, a sua função pode alterar-se, nomeadamente   assumindo o papel de <i>&#7865;&#769;l&#7865;&#769;b&#7885;</i>, i.&nbsp;e., o mensageiro ou aquele que leva   as oferendas às demais divindades, sendo então oferecido o sacrifício primeiro a È&#7779;ù e depois à divindade objetivada, como acontece no candomblé.</p>     <p>Evan Zuesse (1979), a propósito do pensamento   religioso africano, distingue entre “religiões de estrutura” e “religiões de   salvação”. Enquanto as “religiões de salvação” se baseiam em valores como   pecado, rendição, graça divina, expressando uma correlação face a um ser   supremo cuja magnificência permitirá a salvação da alma rumo a um espaço   celestial concebido como um paraíso que se opõe à existência terrena,   tornando-se assim religiões de projeção para o além, as “religiões de   estrutura” orientam-se para as “coisas boas da vida” como as apelida Hallgren   (1991): fertilidade, saúde, bem-estar, conforto, prosperidade.</p>     <p>Esta definição de “religiões de estrutura” é   particularmente interessante para o caso yorùbá. As principais questões de   natureza teológica presentes neste imaginário são facilmente traçáveis aos <i>religious encounters</i>, para fazer uso da   expressão de Peel (2000), que estão no âmago da criação do sistema de Ifá e de   uma conceção filosófica-teológica da religião (Dias 2011) que ­podemos   encontrar no caso da diáspora cubana, abordada por Palmié (2007). Pese embora a   validade do modelo de Zuesse, é relevante pensarmos que, como diz Gérard Lenclud   (1990: 7), estamos a lidar com um “modelo ocidental de crença”. Isto porque a   procura de uma definição universal de “religião” cai invariavelmente no   problema citado das fronteiras concetuais. Na observação do caso yorùbá, aquilo   que constitui um modelo comummente aceite de “religião” compreende essencialmente os   padrões ocidentalizados, contidos essencialmente no sistema de Ifá.</p>     <p>Em yorùbá, a palavra para designar “religião” é <i>&#7865;&#768;sìn</i>, que se traduz por   “dever” ou “serviço”. Do ponto de vista linguístico temos um distanciamento   significativo em relação à terminologia latina, que compreende uma noção de   “voltar a ligar” ou “recolher” coisas dispersas, pressupondo um desligamento entre   os sujeitos e o universo do extra-humano. Ora, se do ponto de vista   ­linguístico há um distanciamento claro, tal deriva de uma distinção concetual   subjacente. Se o termo “religião” é problemático não menos o é “crença”. Tooker   (1992), abordando os akha do leste da Birmânia, fala antes em “costume” ou   “tradição” e da obrigatoriedade de “carregar” os espíritos, ao invés de   “acreditar” na sua existência. Apesar da distância geográfica e não querendo   cair em “universais culturais”, tal perceção encontramo-la no imaginário   yorùbá. O “carregar” dos akha é semelhante ao “dever” dos yorùbá, na medida em   que compreende algo que se impõe ao sujeito, realidade cujo culto tem caráter   de obrigatoriedade. Não obstante o sentido de obrigação ou de dever contido no   imaginário yorùbá, a realidade vivencial revela-se menos hermética e mais   pluridimensional. No caso dos ancestrais Bàbá-Éégún entre os yorùbá, o seu   culto tem um sentido de dever, é coercivo. Os ancestrais existem. Não há lugar   para uma ideia de crença, mesmo tratando-se das divindades; os Òrì&#7779;à, todas estas entidades extra-humanas são existentes, não há necessidade de um salto de fé do tipo   cristão – entre os yorùbá, elas existem. Nesse sentido, cabe ao sujeito o dever   de lhes prestar culto, a fim de que estas não interfiram negativamente nos   afazeres diários. Os ancestrais representam a linhagem, uma linhagem que pode   reencarnar no seio da família – razão pela qual entre os yorùbá existem nomes   como Bàbátundé, i.&#8197;e., “o pai voltou” – ou que pode ser chamada à terra   para resolver conflitos familiares. A sua lógica cultual é partilhada com o   modelo de culto às divindades (sacrifício animal, oferendas alimentares,   pedidos e agradecimentos, celebrações públicas), pois tanto os ancestrais   quanto as divindades comem, bebem, e dançam através dos seus iniciados em   fenómenos de transe ou possessão.</p>     <p>Dessa forma, ao dever vem associada a ideia de   “tradição”. Não obstante o primado hobsbawmiano (Hobsbawm e Ranger 1992) acerca   da tradição e sua invenção, entre os yorùbá a tradição não só pressupõe um <i>continuum</i> face a um passado idealizado,   como representa algo que se impõe como presente, vigente, que se atualiza   permanentemente no fazer. Os yorùbá com os quais temos interagido desde 2009   referem-se às suas práticas, a que chamamos “religiosas”, como “tradição”.   Neste campo, a noção de “práticas religiosas” é particularmente importante, na   medida em que os cultos religiosos yorùbá (Òrì&#7779;à, Ifá, Bàbá-Éégún), embora ricos em mitologia, não assumem uma atitude de   louvor passivo, apresentando pelo contrário uma postura ativa, pelo que a   religião dos yorùbá se faz. Apesar do uso operatório do conceito de   “primitivo”, a definição de W.&#8197;R. Smith (1889) ecoou na antropologia   longamente, ao afirmar que a religião em tempos primitivos se baseava em   práticas rituais fixadas e aceites. Pesem embora todas as categorizações e   conceitos desconstruídos e ressignificados e findo o evolucionismo como paradigma   de análise, no caso africano/yorùbá afigura-se-nos que o modelo   compreende uma relação direta entre mitologia como metáfora concetual e a   prática ritual como “feitura” religiosa. A utilização aqui do termo “feitura” é   intencional. No candomblé, religião de matriz africana formada no Brasil, o   termo “feitura” traduz a iniciação na vida religiosa, momento em que o sujeito   é recolhido num quarto destinado por um período nunca inferior a catorze dias e   vê os seus cabelos rapados, tomará banhos rituais, aprenderá os comportamentos   rituais, e terá direito a uma cerimónia pública de apresentação à sociedade   religiosa do candomblé, onde exporá o seu novo “eu”, o “eu” religioso marcado   por um nome em língua africana ligado à identidade mítica da divindade à qual   está consagrado (Vogel, Mello e Barros 2001). Ora, o termo “feitura” remete-nos   então para uma conceção de religião assente no fazer, uma vez que os próprios   deuses se fazem (o sujeito A “fez” o seu &#7778;àngó). Ora, o “fazer” da religião como modelo (ou a   religião como “feitura”) intrinca-se na ideia de “dever” já mencionada. O fazer   religioso (iniciação e prática ritual/cultual) deriva de um   sentido de manipulação e eficácia, supramencionado, mas também de um sentimento   de obrigação ou dever para com as entidades extra-humanas. Uma vez que estas   são entendidas como tendo o poder de interferir com os afazeres quotidianos,   devem continuamente ser aplacadas em nome do decurso pacífico desses afazeres.   Esta lógica de dever apresenta-se particularmente nos casos em que os sujeitos   são chamados a cumprir a iniciação religiosa. Nesse sentido, é dever do sujeito   iniciar-se, uma vez que a recusa poderá incorrer na ira dos seres   extra-humanos. Os yorùbá frequentemente observam os acontecimentos negativos da   sua vida em função da interferência dos Òrì&#7779;à, razão pela qual recorrem aos métodos divinatórios a fim de compreender   a causa e conhecer o processo ritual para alterá-la. Na sua cosmovisão não   existe acontecimento que não possa ser alterado. No candomblé, por seu turno,   há uma expressão corrente que afirma: “Os orixás dão-nos tudo mas também nos   tiram”. E salienta a importância de se cumprirem os preceitos rituais e as   exigências das divindades.</p>     <p>Destarte, o imaginário yorùbá não é   fragmentado. “Dever” e “tradição” andam, portanto, juntos. Os costumes herdados   (que fazem do conceito de “herança” uma problemática de natureza religiosa,   porquanto implica questões como “linhagem” e “memória” – problemáticas que em   todo o caso ultrapassam o propósito do presente trabalho) impõem-se sobre os   sujeitos, pelo que o ato de culto não é uma escolha livre mas antes um   imperativo, um dever enquanto sujeito nascido naquela terra. Tal facto   conduz-nos à compreensão de que a terra, em si mesma, é um ativo religioso   importantíssimo, sendo morada das divindades e útero da existência, pelo que   nascer no território conhecido como yorùbá significa respeitar e cumprir as   “tradições” locais. É o dever atuando sobre os sujeitos coercivamente. Mesmo   nos casos em que os sujeitos tenham optado por determinada religião universal (movimento   cristão ou islâmico), a obrigatoriedade de cumprir os preceitos rituais está   presente. Tal facto é visível quer entre os yorùbá quer entre os   afro-brasileiros. Bámídélé, natural de &#7884;&#768;y&#7885;&#769;, é um yorùbá islamizado, mas que não deixa de cumprir os preceitos   rituais, a “tradição”, termo que vimos Taywo usar repetidamente. No candomblé   dão-se os mesmos acontecimentos. R.,<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a> um padre bahiano, natural de Salvador, foi iniciado no candomblé no Rio de   Janeiro, em decorrência do transe que o assolava durante as missas que   celebrava. O “dever” é, pois, real, uma vez que tal se manifesta fisicamente,   razão pela qual se chama, no candomblé, “obrigações”.</p>     <p>Nesse sentido, a problemática da “fé”   coloca-se muito pouco, conduzindo-nos ao termo <i>ìm&#7885;</i>, na língua yorùbá, que se traduz por “conhecimento”. Dessa   forma, estamos diante da ideia de que a realidade extra-humana é composta pelos Òrì&#7779;à, entidades que se conhecem. Os mitos revelam em linguagem   poética e metafórica os dados concretos da divindade: ela existe, o seu culto faz-se, ela tem determinada personalidade. É a conjugação destes elementos que produz a identidade   religiosa yorùbá.</p>     <p>Não obstante, a experiência religiosa (mantendo o termo somente como identificador de objeto) yorùbá agrega   ao “dever” um sentido de “comunhão”, que poderemos substituir por “matrimónio”.   A religião yorùbá é, por natureza, iniciática (Verger 1999). Tal facto   constitui todo um envolvimento de maior profundidade entre o sujeito e a   divindade. A partir do momento em que este é iniciado na religião yorùbá<i> </i>(e com ela no candomblé, cuja matriz   primária é aquela), ele torna-se <i>ìyàwóòrì&#7779;à</i>, i.&#8197;e., “noiva da divindade”,   independentemente de ser do género masculino ou feminino. Estabelece-se, então,   um vínculo de matrimónio simbólico, no qual a divindade se “compromete” a   cuidar do neófito e este presta juras de devoção. Este tipo de contrato com a   divindade não é, pois, independente da ideia de “dever” contida na própria   noção de “matrimónio”.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A esta noção de “dever” que vimos observando   importa, por fim, associar um conceito de enorme significado entre os yorùbá: <i>Ìwà</i><i> P&#7865;&#768;l&#7865;&#769;</i>,   “o bom caráter”. Apesar da   sua ligação à tradição literária de Ifá (Abimbola 1975), o <i>Ìwà</i><i> P&#7865;&#768;l&#7865;&#769;</i> compreende o sujeito como   responsável pela suas ações e como dotado (ou não) do caráter necessário à   gestão da sua vida de acordo com uma lógica de compromisso social. Ou seja, o <i>Ìwà</i><i> P&#7865;&#768;l&#7865;&#769;</i> faz do sujeito um cumpridor dos   seus deveres morais, sociais e religiosos.</p>     <p>Vemos, pois, que, na linguagem yorùbá, o que   se compreende por “religião” tem pouca coincidência com as definições oriundas   das línguas latinas. O imaginário yorùbá é marcado pelo “dever”, pelo “fazer”,   pelo “matrimónio”, pela “tradição”, pelo “conhecimento”. Assim, <i>&#7865;&#768;sìn</i> é também <i>ìm&#7885;</i>, recorrendo à terminologia própria yorùbá. A propósito do último termo,   vemos que no <i>Dictionary of Yoruba Language</i> da Church Missionary Society (CMS), de 1918, teologia traduz-se por <i>Ìm&#7885;</i><i> &#7884;&#768;l&#7885;&#769;&#7885;&#768;rún</i>, o que literalmente significa “conhecimento daquele que é senhor do espaço inteligível” e que   correntemente é traduzido por “teologia”. Pese embora a aplicação dos termos em   contexto cristão, em trabalho anterior (Dias 2011) demonstrámos que o termo<i> &#7884;&#768;l&#7885;&#769;&#7885;&#768;rún</i> resulta de uma apropriação   histórica de um epíteto ligado a Òò&#7779;àálá. Dessa forma, estaremos a aceitar a utilização do termo <i>ìm&#7885;</i> como operatório em contexto autóctone. Sabendo que o termo designa   “conhecimento”, reconhece-se que tal é um conceito de grande operatividade no   seio do imaginário yorùbá. Entre os yorùbá a ancestralidade ocupa aspeto   central. Os mais velhos (àgbà) são compreendidos como repositório de conhecimento,   e na sociedade yorùbá o irmão mais velho não é tratado pelo seu nome próprio   mas por <i>egbon mi</i>, “meu mais velho”.   Tal hierarquia familiar é reproduzida no interior do candomblé (Dias 2012). O   conhecimento resultante da experiência de vida é o conhecimento antigo,   aprendido também oralmente, razão pela qual a idade é sinónimo de conhecimento.   No plano do extra-humano, presente que está a ideia de que as divindades   existem e que os seus cultos se fazem, o conhecimento da sua mitologia e acima   de tudo do <i>modus</i> <i>ritualium</i> é fundamental para a verificação da lógica de interpenetração dos fatores: comunicação&#8194;&#8596;&#8194;manipulação&#8194;&#8596;&#8194;eficácia&#8194;&#8596;&#8194;comunhão.</p>     <p>Pesem embora tais formulações, que nos   conduzem à compreensão do imaginário yorùbá pelos seus próprios padrões – o que   implica despir uma visão eurocêntrica de religião –, a verdade é que a noção de <i>&#7865;&#768;sìn ìbíl&#7865;&#768;</i>,   i.&#8197;e., “religião tradicional”, é produto das transformações históricas do   espaço yorùbá, constituindo-se como um constructo de uma “comunidade imaginada”   (Anderson 1991) sob o paradigma da “yorùbánidade”<i>.</i> Naturalmente, a construção desta ideia de “religião tradicional”   é resultado de um período em que a essencialidade proto-yorùbá era já   ideológica, como bem nota Peel: “at a time when ‘Yoruba traditional religion’   was less precisely that than part of the communal furniture”<i> </i>(2000: 11). O sistema Ifá, herdeiro de   categorias judaico-cristãs-islâmicas, e o avanço do cristianismo evangélico e   do islamismo alteraram os modelos concetuais autóctones, como bem notou Olabiyi   (1993). A experiência de retorno dos ex-escravos, particularmente para Lagos,   contribuiu decisivamente para a formação da identidade yorùbá entre os <i>sàró</i> da Serra Leoa, os <i>nàgó</i> da Bahia e os <i>lukumi</i> de Cuba. Interessa-nos aqui particularmente a construção da   identidade religiosa. Como referido, o sistema de Ifá teve um papel particular   na construção desta “religião tradicional” yorùbá, que melhor será compreendida   nos termos de Hallgren (1995) como “neotradicional” e cujo sentido foi objeto   de análise noutra sede (Dias 2011). Ilésanmí (1991) apelida os sacerdotes de   Ifá “teólogos” e “profetas”, categorias que se adequam particularmente. A   análise histórica dos discursos religiosos entre os yorùbá expõe o papel destes   na orientação e modelação de um tipo de pensamento sobre o extra-humano.   Herdeiro da geomancia haúsa e dos diálogos com os modelos de representação do   sagrado no imaginário cristão, em particular em movimentos africanos como a   Aladura Christianity, o sistema de Ifá constitui-se como um processo religioso   em aberto, em permanente reconfiguração, não com um sentimento de “nostalgia”   típico do candomblé (a dinâmica de reafricanização do candomblé é um tema   marcante das suas ressignificações identitárias; ver Capone 2004), mas antes   operando numa lógica de mercado religioso, concorrencial. É precisamente com   esse espírito de “adaptação criativa” (Taylor e Lee s.&#8197;d.), que junta   Islão místico e cristianismo evangélico, que surge a Ìjo &#7884;&#768;rúnmìlà Adúláwò If&#7865;&#769;kówapò,<i> </i>uma igreja de modelo cristão   dedicada ao culto de Ifá, e onde os versos sagrados,   os <i>&#7865;s&#7865;</i><i> ífá</i>, que compõem o <i>corpus</i> literário que reúne mitologia e conhecimento aplicados ao processo de   adivinhação, se encontram organizados no <i>Ìwé   Odù Mímó</i> (literalmente “Livro do Conhecimento Sagrado”), um livro utilizado   e redigido segundo o modelo bíblico.</p>     <p>Grosso modo, o que se verifica, então, é que o   exercício de construção teológica da religião yorùbá não é independente de uma   certa síntese histórica dessa mesma religião. Tal síntese, todavia, não serve   para suprimir as assimetrias derivadas da experiência local, onde, em boa   medida, se vivencia a religião de um modo manifestamente diferente do modelo   sistémico generalizado – a superestrutura religiosa yorùbá representa mais um   enquadramento teórico e um exercício político-cultural do que espelha o quadro   vivencial da mesma. Olhemos as especificidades do culto de &#7884;&#768;&#7779;un em Ò&#7779;ogbo descrito por ­Olupona (2001), amplamente   independente do sistema de Ifá, pese embora todo o esforço levado a cabo pelos   sacerdotes de Ifá, os <i>bàbáláwo. </i>O culto de &#7884;&#768;&#7779;un na sua cidade de origem comporta uma dimensão   política e civil. O peditório público e a celebração privada do rei (despido de   artefactos num gesto simbólico de humildade diante da divindade) são aspetos   importantíssimos da vivência prática da religião, espelhando mais uma vez o   primado defendido <i>supra</i> de que a   religião se faz<i> </i>e, uma vez que as   “coisas boas da vida” estão ligadas à terra, é lícito afirmar que a religião   entre os yorùbá se faz<i> </i>com a colheita   da terra. Dessa forma, o que corresponde à teologia africana é, em bom rigor,   um enquadramento teórico <i>lato sensu</i> dos principais padrões religiosos africanos, que Awolalu (1976), yorùbá nativo,   resume com a figura de um ser supremo, de divindades locais, de ancestrais, e   de festivais públicos em louvor das entidades anteriores.</p>     <p>Em enfoque ao caso yorùbá, Awolalu (1976) não   leva em consideração a construção histórica em torno do ser supremo, é certo.   Todavia, é inegável que uma ideia deste se encontra difundida entre os mais   variados povos africanos, quer por influência do Islão quer por influência do   cristianismo. Dessa feita, são os <i>religious   encounters</i> (Peel 2000) que fazem as transformações, bricolagens, simbioses   religiosas. E, nesse encadeamento, são os encontros entre modos diferentes de   vivenciar e pensar a religião que operam no sentido da construção de uma   narrativa e de uma teologia entre os yorùbá e diversos povos africanos. Olabiyi   (1993) relembra o papel dos missionários na implementação de categorias   exógenas aos africanos no Golfo da Guiné. Categorias religiosas como   “salvação”, “pecado”, “ser supremo”, “hierarquia”, “verticalidade”,   “predestinação”, entre outras, que hoje podemos encontrar em variadas religiões   africanas e que estão bem expressas no sistema de Ifá, são fruto dos diálogos   com o Islão e o cristianismo.</p>     <p>Ainda a propósito da categoria “conhecimento”,   importa adentrar pela categoria “tabu”   (<i>ew&#7885;</i>), tomada por Hallgren (1991) como fundacional para o pensamento yorùbá,   e bem assim pela de “segredo” (<i>awó</i>),   ambas cruciais no imaginário yorùbá nativo e diaspórico do candomblé. Estamos   em crer que ambas (“tabu” e “segredo”) podem e devem ser parte integrante da   categoria “conhecimento” no caso específico yorùbá. O <i>ew&#7885;</i> compreende as interdições rituais, quer no espaço nativo yorùbá   quer no candomblé, respeitantes particularmente à mitologia das divindades, em   enfoque às interdições dietéticas. Os sujeitos consagrados (que no candomblé   são entendidos como “filhos” da divindade) a Òò&#7779;àálá, por exemplo, não podem comer   alimentos preparados com azeite de dendê, e os de &#7884;&#768;&#7779;un estão interditos de comer peixe sem escamas. Nesse sentido, os   “tabus” estão associados ao “conhecimento”, na medida em que é preciso conhecer   a tradição oral associada à divindade para ter acesso aos seus “tabus”, às suas   interdições. Ademais, existem as interdições próprias das religiões,   nomeadamente as ligadas aos processos iniciáticos. No candomblé, o período   subsequente às “obrigações” religiosas (termo corrente para etapas iniciáticas,   anteriormente referido) é conhecido por “resguardo”, e compreende a interdição   de determinadas comidas, a utilização de utensílios e talheres que não os   usados em tais cerimónias, entre outras. Ora, tal noção de interdição ou “tabu”   acompanha a noção de “conhecimento” e ambas estão ligadas à noção de “segredo”, <i>awó </i>em yorùbá. O “segredo” compreende   o “conhecimento” dos “tabus” mais íntimos da religião. Entre os yorùbá e no   interior do candomblé existe um ditado que resume bem a questão do cruzamento   entre “tabu”, “conhecimento” e “segredo”, por entre o “dever” que se expressa na iniciação: <i>&#7884;&#768;gb&#7865;&#768;ri nk&#7885;&#768; m&#7885;&#768; màrìwò</i> (o não iniciado   não pode conhecer o segredo do mariô).<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a> Ora, como vimos, o “dever” iniciático é parte fundamental destes universos   religiosos. No candomblé, particularmente, quem não é iniciado não é membro da   religião. É pela iniciação que se conhecem os “segredos” rituais, que se   adquire o “conhecimento” litúrgico: como iniciar os sujeitos para cada   divindade, quais os “tabus” respeitantes àquela divindade para a qual se está a   proceder à iniciação, que cânticos e rezas rituais correspondem a cada etapa da   vivência religiosa, como e que animais sacrificar para as divindades, e por aí   adiante. Todas estas questões não são de natureza filosófica, mas antes   prática, uma vez que resultam de processos de transmissão e aprendizado da religião   (Berliner e Sarró 2007). Ademais, o sentido de “eficácia” está patente, pelo   que rituais que não surtem efeito tendem a ser suprimidos. Nessa lógica, os   rituais em vigência são os considerados eficazes.</p> <b>Lidando com o caso yorùbá: monoteísmo ou   que modelo sistémico?</b>     <p>Os modelos sistémicos utilizados na história   da antropologia tendem a perpetuar os padrões de entendimento ocidentais. Não   obstante, reportando-se à religião yorùbá e à sua concetualização sistémica,   Peel escreve: “[…] the whole system looks different from different social   standpoints” (1968: 29). O antropólogo inglês não poderia estar mais correto. A   pluralidade interpretativa do universo religioso yorùbá resulta, pois, da real   pluralidade de vivências, da pluralidade organizativa da mesma. Se é facto que   o segmento religioso de Ifá<i> </i>tende a   conferir um sentido monoteísta à religião em função das suas heranças islâmicas   místicas, que orientam o discurso religioso em função do ser supremo <i>Olódùmarè</i>, também o é a tendência   histórica de observar o universo yorùbá a partir do prisma de Ifá, um erro   metodológico que permanece por revisitar. Tal facto desemboca numa perigosa   falácia na qual a antropologia se deixa imbuir por descurar, em variados   momentos, a análise histórica das religiões em observação. Boa parte das   categorias identificadas como intrínsecas ao pensamento yorùbá somente   encontram validade no imaginário de Ifá, como Ilésanmí (1991) bem notou. Descobrimos tal   assunção, a título de exemplo, na relação entre o ser supremo e as divindades,   onde a “teoria mediúnica” e a de <i>Deus   Otiosus</i> encontram terreno fértil. A “teoria mediúnica” foi explorada ao   máximo por Idowu (1962) e seus prossecutores, fazendo prevalecer a conceção do   imaginário yorùbá como monoteísta, apesar de autores como Parrinder (1959)   apelidarem os sistemas yorùbá e fon politeístas, ou de Verger (1999) falar em   “monoteísmos justapostos”, opondo tal conceito ao “monoteísmo difuso” de Idowu   (1962).</p>     <p>É inegável a presença de uma ideia de ser   supremo no pensamento neotradicional (Hallgren 1995) yorùbá e fon. Olabiyi   (1993) traçou um roteiro interessante em relação ao culto de Mawu entre os fon   do Daomé (Benim) que nos revela o papel dos agentes cristãos na tarefa de   implementação de categorias ocidentais. O sistema de Ifá cumpriu também   importante papel, ao sobrevalorizar uma ideia de ser supremo, denominado   Olódùmarè, ao qual estariam subjugados todos os Òrì&#7779;à. Dessa   perspetiva, o modelo yorùbá poderia bem ser tomado como monoteísta e o problema   concetual estaria resolvido. Mas não está, mesmo que o ser supremo Olódùmarè   surja nos discursos dos agentes religiosos. Todavia, quando nos posicionamos a   partir do culto aos Òrì&#7779;à <i>per se</i>,   i.&#8197;e., independentes do ser supremo e do contexto de Ifá, a perspetiva   altera-se e uma certa noção de politeísmo emerge. Veja-se como exemplo &#7884;&#768;y&#7885;&#769;, onde o culto de &#7778;àngó não é independente do culto de Yèm&#7885;njá (Matory 2005), filho e mãe na mitologia local (são as águas de Yèm&#7885;njá que acalmam o fogo de &#7778;àngó ou,   na linguagem local, é Yèm&#7885;njá quem “arrefece” &#7778;àngó).   Entretanto, da perspetiva dos devotos de Ògún e Okò, por exemplo, diante uns   dos outros, poderemos falar em “monoteísmos justapostos”, como referia Verger   (1999). O diálogo entre devotos é também um diálogo entre deuses. Ainda que, no   contexto intrayorùbá, a experiência da alteridade esteja patente.</p>     <p>O problema adensa-se quando um devoto de Ògún,   divindade da metalurgia e das atividades que requerem o uso do ferro, tem de recorrer a &#7884;&#768;&#7779;un, divindade da fertilidade,   da riqueza e das águas doces, e do rio com o mesmo nome que corre em Ò&#7779;ogbo. Da sua   perspetiva, ele permanece um devoto de Ògún, logo um “monoteísta”, mas em   enfoque a um caso particular este reconhece valor, eficácia, a outra divindade   que não aquela a que está devotado. Da perspetiva imediata em que se assume   duas divindades, temos um “politeísmo”. Mas se a sugestão de recurso a &#7884;&#768;&#7779;un<i> </i>advier de uma consulta ao oráculo de Ifá, então estaremos diante de   um “monoteísmo difuso”, no dizer de Idowu, como no caso dos cultos locais, ou   seja, as celebrações de natureza política em torno de um Òrì&#7779;à entendido como fundador e/ou protetor da cidade, vila ou   aldeia. Complexificando mais o problema, observe-se o candomblé. No imaginário   afro-religioso do candomblé, cada sujeito está, por nascimento, consagrado a um Òrì&#7779;à, para o qual poderá   ser iniciado ou não, consoante aquilo que lhe é prescrito pelo oráculo. Dessa   perspetiva o sujeito é, individualmente, “monoteísta”. No entanto, ao “Òrì&#7779;à pessoal” (termo comum) juntam-se pelo menos outros dois, compondo o <i>ájuntó</i>. Dessa forma, há no sujeito um   certo “politeísmo” ou “monoteísmo difuso”, na medida em que um dos Òrì&#7779;à é o chefe da cabeça deste (<i>èlèdà</i><b> </b>no yorùbá do candomblé). Simultaneamente,   os indivíduos participam da comunidade que são os terreiros<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a> de candomblé, pelo que cultuam não apenas o Òrì&#7779;à para o qual estão consagrados, como ainda todas as divindades   louvadas no candomblé, que podem ir de dezasseis a vinte, conforme a casa. A lógica   “politeísta” impõe-se exteriormente. Ademais, cada casa de candomblé está   consagrada a uma divindade, que pode ou não ser a mesma do(a) atual   sacerdote(isa), dependendo da história própria da mesma. Dessa forma, há um   tendencial “monoteísmo” em função destes, que são louvados com particular   reverência.</p>     <p>Se adentrarmos pelo culto dos ancestrais, este   torna-se amplamente difícil de categorizar. Os ancestrais masculinos (<i>Bàbá-Éégún</i>) são cultuados   individualmente em sociedades coletivas, ao passo que os ancestrais femininos,   as <i>Ìyàgbá</i>, são cultuadas   coletivamente, enquanto princípio genitor, na sociedade <i>G&#7865;</i><i>&#768;l&#7865;&#768;d&#7865;&#769;. </i>Desta   perspetiva poderíamos arriscar a categoria de “monoteísmo” como viável. O   problema é que o culto dos ancestrais não é exclusivo, salvo raras exceções, na   experiência religiosa dos sujeitos que recorrem ao oráculo de Ifá e seus   padrões de organização do universo do extra-humano, e que cultuam os Òrì&#7779;à em diferentes níveis, como já vimos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por fim, como se o problema por si só não   fosse já complexo o suficiente para que as categorias eurocêntricas perdessem a   sua operatividade, temos ainda a estruturação em função das redes familiares.   Por regra, cada família yorùbá está consagrada a um Òrì&#7779;à e todos os membros da família se dedicam a tal culto no <i>agbo-ilé</i> ou <i>compound</i>, um vilarejo familiar. No entanto, à medida que novas   noivas vão chegando, trazem consigo os Òrì&#7779;à das suas famílias. Portanto, o “monoteísmo difuso” deste agregado   familiar extenso é muito pouco válido, porquanto a dinâmica do culto quer ao Òrì&#7779;à patrono do vilarejo, quer aos variados Òrì&#7779;à que vão chegando,   desconstrói uma lógica hermética contida na ideia de “monoteísmo”, ainda que   difuso.</p>     <p>O quadro pintado revela matizes plurais. Ao   anteriormente disposto se junta o estruturalismo desenvolvido por Juana Elbein   dos Santos (1976) em relação à religião dos yorùbá. A antropóloga organiza as   divindades em “da esquerda” e “da direita”, sem referir à esquerda ou direita   do que se encontram, diferenciando ainda <i>&#7865;b&#7885;ra</i> de <i>ìrúnmálé</i> sem levar em conta o   processo histórico da aculturação e simbiose yorùbá, sabendo que o termo <i>Òrì&#7779;à</i> resultou de uma escolha em função do papel de <i>Òò&#7779;àálá</i> de entre uma pluralidade de termos disponíveis   (Ilésanmí 1991).</p>     <p>As mutações são, pois, dados concretos da   dinâmica religiosa do espaço yorùbá e fon, ambos interligados. A pluralidade   experiencial já observada impossibilita que, quer no imaginário yorùbá, quer no   fon, quer ainda no do candomblé, se possam aplicar as categorias ocidentais de   pensamento face ao religioso: “monoteísmo” e “politeísmo” são conceções   herméticas, estanques, que esbarram contra a dinâmica dos imaginários   descritos. Levando em conta a organização dinâmica dentro do sistema de Ifá, a   perspetiva plural dos cultos aos Òrì&#7779;à em África e no candomblé, ou ainda a complexa interseção entre   os ancestrais e os demais cultos, jamais se poderá aceitar as categorias   expostas. Desta forma, estaremos a assumir os imaginários em análise como   “fluidos” ou “dinâmicos” (em detrimento de “monoteístas e “politeístas”),   compreendendo que o pensamento sobre o extra-humano se constrói em função da   perspetiva de análise, i.&#8197;e., quando os agentes religiosos se posicionam   nos vários segmentos do espaço yorùbá (Ifá, Òrì&#7779;à locais, Òrì&#7779;à ao qual se está devotado/iniciado, Òrì&#7779;à da família, Òrì&#7779;à do <i>compound</i>, Òrì&#7779;à ao qual se recorre em situações específicas, ancestrais) e do   candomblé (Òrì&#7779;à individual,   os que acompanhem o anterior, o Òrì&#7779;à do templo, do sacerdote ou sacerdotisa,   os demais Òrì&#7779;à cultuados).</p>     <p>Recomenda-se, ainda, a revisita à categoria de   “panteão” em contexto presente, depois de excluídas as categorias de   “monoteísmo” e “politeísmo” e levando em consideração que as categorias   clássicas ocidentais não possuem grande operatividade para a observação das   religiões africanas, em particular nos casos tomados em consideração neste   trabalho. A helenização do imaginário yorùbá padronizou-se a partir de Leo   Frobenius (1913). Com isso a ideia de “panteão” ganhou particular relevo.   Hallgren (1991) levanta um pouco do véu em relação a tal categoria face ao   imaginário yorùbá. Apesar de este reconhecer a problemática de “panteão” em   função das múltiplas organizações em curso e responsabilizar os mais variados   trabalhos antropológicos pela manutenção desse paradigma, não deixa de recorrer   ao mesmo, apresentando três agrupamentos de divindades yorùbá: (1) os ligados à   terra, água e fertilidade; (2) os ligados ao elemento celestial que ele associa a If&#7865;&#768;;   (3) o das divindades que se vestem de branco, os <i>Òrì&#7779;às</i><i> funfun</i>. Todavia, como afirma Peel, “[it] follows   from this that for a realistic study of Yoruba religion in pratice we should take the local cult complex, rather than a supposed Yoruba-wide   pantheon” (2000: 109). Dessa forma, se é facto que poderemos agrupar as   divindades do imaginário yorùbá segundo a proposta de Hallgren, não é menos   verdade que esta é apenas uma de entre as várias estruturações possíveis, e que   tal é tão lícito quanto a noção de um panteão, i.&#8197;e., ambas as propostas   são herméticas.</p>     <p>Assim, tal como vimos para a questão das   categorias de “monoteísmo” e “politeísmo”, a experiência de culto no espaço   yorùbá expressa-se pluridimensionalmente. Temos o sistema de Ifá, o culto da   divindade padroeira local, o culto da perspetiva individual, a organização no <i>compound</i>, entre outras já mencionadas.   Ora, perante ordenações plurais do complexo divino yorùbá que impossibilitam o   uso das categorias supramencionadas, considera-se que a noção de “panteão” é   pouco operatória, representando uma herança teórica alicerçada em metodologias   comparativistas em desuso. Perante tal, propõe-se a categoria de “agrupamentos”   (ou em alternativa de “círculos”), em consonância com a experiência   pluridimensional yorùbá. À ordenação e estratificação própria da ideia de   “panteão” opõe-se a ordenação (ou múltiplas ordenações) dinâmica(s) do espaço   yorùbá. Um “panteão” geral das divindades yorùbá não traduz a realidade   vivenciada pelas populações, mas antes um plasmar do modelo helénico. Ainda que   estratificado, o próprio sistema de Ifá<i> </i>está   longe de corresponder ao modelo rígido que a categoria em causa pressupõe. Ali   é Olódùmarè quem reina, quem é o ponto máximo da hierarquia, apesar da presença da arquidivindade Òò&#7779;àálá e do lugar de destaque de È&#7779;ù e de Òrúnmílá, divindade que se confunde com o método de   adivinhação numa dupla identidade interpenetrada. Para além das divindades   citadas, todas as outras estão hierarquicamente difusas. As ordenações locais e   pessoais que vimos anteriormente servem também para esvaziar a operatividade da   categoria de “panteão” em contexto yorùbá e afro-brasileiro do candomblé.</p> <b>Conclusão</b>     <p>Pensar a noção de “religião” em contexto   africano e em particular yorùbá requer uma atitude de despreendimento face às   categorias ocidentais de ­pensamento sobre o fenómeno religioso, como salientou   Horton (1960, 1993). O problema começa no que se entende por “religião”, ou   seja, onde se traçam as fronteiras entre atitudes religiosas e não religiosas. Versando   o caso yorùbá, é impossível mapear o que são atitudes não religiosas, sabendo   que a religião entra por todos os aspetos do quotidiano, razão pela qual a   distinção entre “religião” e “magia” ou “religião” e “ritual” seja uma   demarcação ocidental que se esvazia no contexto em análise.</p>     <p>Apesar de reconhecermos a validade da   definição de Horton de que as “religiões” africanas se expressam em atitudes de   explicação, previsão e controlo, mas também num sentido de comunhão, propomos a   definição pela via da comunicação, manipulação e eficácia, como vetores   interligados que permitem o entendimento da especificidade religiosa yorùbá e   afro-brasileira do candomblé. O caráter eminentemente prático da “religião” em   contextos presentes não acarreta a negação de uma atitude concetual-teológica,   mas antes esta é a produção literária do fazer religioso. A “religião” entre os   yorùbá e no candomblé faz-se, sendo uma herança cultural e mística que se impõe   sobre os sujeitos, razão pela qual o termo nativo é <i>&#7865;&#768;sìn</i>, significando “dever” ou “serviço”, conceito que se faz acompanhar do de “tradição” e de <i>ìm&#7885;</i><i>&#769;</i>,   i.&#8197;e., de “conhecimento”, uma vez que o fazer “religião” pressupõe   conhecer a identidade das divindades, o que por seu turno conduz à noção de <i>awó</i>, “segredo” e <i>ew&#7885;</i>, “tabu”. Estamos, pois,   diante de um imaginário bem distante do ocidental de “religar” ou “recolher”.</p>     <p>Ao nível do modelo sistémico procurou-se   refutar as clássicas categorias de “monoteísmo” e “politeísmo”, não lhes   reconhecendo operatividade no contexto vigente. A experiência pluridimensional,   quer em contexto yorùbá quer no candomblé, em função das ordenações sociais e   dos segmentos religiosos como o sistema de Ifá, o <i>compound</i>, o Òrì&#7779;à individual, da aldeia, da   família, entre outros ordenamentos possíveis, conduziu à opção por categorizar   os sistemas em análise como “fluidos” ou “dinâmicos”. Ao mesmo tempo, tomou-se   em consideração a categoria de “panteão”, resultado de uma universalização do   modelo helénico. Ora, em função da multiplicidade experiencial nos contextos   abordados, torna-se impossível conceber um “panteão” yorùbá homogéneo, pelo que   se optou por conceber os imaginários em causa a partir da categoria de   “agrupamentos” ou, em alternativa, de “círculos”.</p>     <p>Em suma, é inevitável assumir que cada <i>cluster</i> cultural produz uma noção   própria de “religião” com base na sua paisagem humana e no seu <i>oikos</i>, sendo impossível importar   categorias gerais para a compreensão de imaginários particulares. As fronteiras   identitárias são próprias e não raras vezes dinâmicas, o que equivale a dizer   que a religião se faz com a colheita da terra.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <!-- ref --><p>ABIMBOLA, Wande, 1975, “Iwapele:   the concept of good character in Ifa literary   corpus”, em W. Abimbola (org.), <i>Yoruba Oral Tradition</i>.   Ibadan, University of Ibadan, 389-420.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000054&pid=S0873-6561201300030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDERSON, Bennedict,   1991, <i>Imagined Communities: Reflections   on the Origin and Spread of Nationalism</i>. Londres e Nova Iorque,   Verso (edição revista).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S0873-6561201300030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>AWOLALU, J.&#8197;O., 1976, “What is   African traditional religion?”, <i>Studies   in Comparative Religion</i>, 10 (2): 1-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S0873-6561201300030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARBER, Karin, 1997, “How man makes god in   West Africa: Yoruba attitudes towards the Òrì&#7779;à”, em Roy Richard Grinker e Christopher B. 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Nova Iorque, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S0873-6561201300030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BERLINER, David, e Ramon SARRÓ (orgs.),   2007, <i>Learning Religion: Anthropological   Approaches</i>. Oxford e Nova Iorque, Berghahn Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0873-6561201300030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CAPONE, Stefania,   2004, <i>A Busca da África no Candomblé: Tradição e Poder no Brasil</i>. Rio de Janeiro, Pallas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0873-6561201300030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CMS – Church Missionary Society,<i> </i>1918, <i>Dictionary of Yoruba Language. </i>Lagos (Nigéria), CMS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0873-6561201300030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIAS, João Ferreira, 2011, <i>Fórmulas Religiosas entre os Yorùbás: Olódùmarè, Òrì&#7779;à, À&#7779;&#7865;, Orí e Ìpin</i>, Lisboa,   Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, dissertação de mestrado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0873-6561201300030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIAS, João Ferreira, 2012, <i>Candomblé em Português: História, Organização,   Teologia</i>. 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Paris, Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0873-6561201300030000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOBSBAWM, Eric, e Terence RANGER (orgs.),   1992, <i>The Invention of Tradition</i>.   Cambridge, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0873-6561201300030000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HORTON, Robin, 1960, “A definition of   religion, and its uses”, <i>The Journal of   the Royal Anthropological Institute of Great Britain and Ireland</i>, 90 (2):   201-226.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0873-6561201300030000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HORTON, Robin, 1993, <i>Patterns of Thought in Africa and the West</i>:<i> Essays on Magic, Religion and Science</i>. Cambridge, Cambridge   University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0873-6561201300030000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>IDOWU, B&#7885;laji, 1962, <i>Olódùmarè</i><i>: God in Yoruba Belief</i>. Londres,   Longmans.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0873-6561201300030000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ILÉSANMÍ, Thomas Mákanjú&#7885;lá, 1991, “The traditional theologians and the practice of Òrì&#7779;à religion in Yorùbáland”, <i>Journal of Religion in Africa</i>, 21   (3): 216-226.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0873-6561201300030000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KISHIMOTO, Hideo, 1961, “An operational   definition of religion”, <i>Numen, </i>8   (3): 236-240.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0873-6561201300030000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LAPLANTINE, François de, 2000, <i>Aprender Antropologia</i>. São Paulo,   Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0873-6561201300030000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LENCLUD, Gérard, 1990, “Vues de l’esprit, art de l’autre: L’ethnologie et les   croyances en pays de savoir”, <i>Terrain</i>,   14: 5-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0873-6561201300030000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LÉVY-BRUHL, Lucien, 1931, <i>Le surnaturel et la nature dans la mentalité   primitive</i>.<i> </i>Paris, Presses   Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0873-6561201300030000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MALINOWSKI, Bronis&#322;aw,   1925, <i>Magic, Science and Religion and   Other Essays</i>. Glencoe, IL, The Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0873-6561201300030000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MALINOWSKI, Bronis&#322;aw,   1933, <i>Trois essais sur la vie sociale des   primitifs</i>. Paris, Payot.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0873-6561201300030000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATORY, J. Lorand,   2005, <i>Black Atlantic Religion: Tradition,   Transnationalism and Matriarchy in the Afro-Brazilian Candomblé</i>. Princeton,   Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0873-6561201300030000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAUSS, Marcel, 1968, <i>OEuvres</i>, tomo 1: <i>Les fonctions sociales du sacr</i>é.   Paris, Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0873-6561201300030000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NEEDHAM, Rodney, 1972, <i>Belief, Language and Experience</i>. Oxford,   Basil Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0873-6561201300030000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OLABIYI, Babalola Yai,   1993, “From Vodun to Mawu:   monotheism and history in the Fon cultural area”, em Jean-Pierre Chrétien (org.), <i>L’Invention   religieuse en Afrique: Histoire et religion en Afrique noire</i>. Paris,   Karthala, 241-265.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0873-6561201300030000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OLUPONA, Jacob, 2001, “Òrì&#7779;à Ò&#7779;un: Yoruba sacred kingship and civil religion in Ò&#7779;ogbo,   Nigeria”, em Joseph M. Murphy e Mei Mei Sanford (orgs.), <i>Ò&#7779;un</i><i> Across the   Waters: A Yoruba Goddess in Africa and the Americas</i>. Bloomington, IN,   Indiana University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0873-6561201300030000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PALMIÉ, Stephan, 2007, “O trabalho cultural da globalização iorubá”, <i>Religião</i><i> e Sociedade</i>,   27 (1): 77-113.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0873-6561201300030000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PARRINDER, E.&#8197;G., 1959, “Islam and   West African indigenous religion”, <i>Numen</i>, 6 (2): 130-141.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0873-6561201300030000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEEL, J.&#8197;D.&#8197;Y., 1968, <i>Aladura</i><i>: A Religious Movement among the Yoruba</i>.   Oxford, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0873-6561201300030000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEEL, J.&#8197;D.&#8197;Y., 2000, <i>Religious Encounters and the Making of the   Yoruba</i>. Bloomington, IN, Indiana University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0873-6561201300030000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RADCLIFFE-BROWN, Alfred, 1968 [1945],   “Religion et societé”, em Alfred Radcliffe-Brown, <i>Structure et fonction   dans la société primitive</i>. Paris, Minuit, 230-260.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0873-6561201300030000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RIVIÈRE, Claude, 1997, <i>Socio-anthropologie des religions</i>.   Paris, Armand Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0873-6561201300030000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, Juana E., 1976, <i>Os Nàgô e a Morte: Pàde, Àsèsè e o Culto Égun na Bahia</i>. Rio de   Janeiro, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0873-6561201300030000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SMITH, W.&#8197;R., 1889, <i>Lectures on the Religion of the Semites</i>.   Londres, A. and C. Black.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0873-6561201300030000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TAYLOR, Charles, e Benjamin LEE,   s.&#8197;d., “Multiple modernities project: modernity   and difference”, disponível em &lt;<a href="http://www.sas.upenn.edu/transcult/promad.html" target="_blank">http://www.sas.upenn.edu/transcult/promad.html</a>&gt; (última consulta em 27/9/2013).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0873-6561201300030000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TESTART, Alain, 1993, <i>Des dons et des dieux: Anthropologie religieuse et sociologie   comparative</i>. Paris, Armand Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0873-6561201300030000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TOOKER, Deborah, 1992, “Identity systems   in Highland Burma: ‘belief”, Akha Zan and a critique of interiorized notions of ethno-religious identity”, <i>Man</i>, 27 (4): 799-819.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0873-6561201300030000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VERGER, Pierre, 1999, <i>Notas sobre o Culto aos Orixás e Voduns na Bahia de Todos os Santos, no Brasil, e na   Antiga Costa dos Escravos, na África</i>. São Paulo, Editora da Universidade de   São Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0873-6561201300030000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VERSNEL, H.&#8197;S., 1991, “Reflections on the relationship magic-religion”, <i>Numen</i>, 38 (2): 177-197.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0873-6561201300030000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VOGEL, Arno, Marco Antonio da Silva MELLO, e José Flávio Pessoa de BARROS, 2001,<i> A Galinha d’Angola: Iniciação e   Identidade na Cultura Afro-Brasileira</i>.<i> </i>Rio de Janeiro, Pallas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0873-6561201300030000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ZUESSE, Evan M., 1979, <i>Ritual Cosmos: The Sanctification of Life in   African Religions</i>. Athens, OH, Ohio University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0873-6561201300030000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>         <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>       <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>       O presente     trabalho resulta de leituras sobre a religião yorùbá e sobre o candomblé,     encontrando particular alicerce na experiência de convivência direta com ambas     as realidades religiosas ao longo de vários anos.</p>       <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>       As     problemáticas teóricas (no sentido teológico que preferimos apelidar “padrões     de pensamento religioso”) em torno da predestinação entre os yorùbá foram     abordadas em dissertação de mestrado não publicada (Dias 2011) e não cabem na     abordagem presente.</p>         <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>       Palavras     do pai João de &#7779;àngó, ògán do Ilé À&#7779;&#7865; Ìyá Odò – Comunidade     Portuguesa do Candomblé Yorùbá, proferidas em diversas situações de convívio em     datas religiosas.</p>         <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>       Identidade     ocultada por necessidade de preservação, atendendo ao sigilo iniciático.</p>         <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>       Mariô é a     folha do dendenzeiro, sagrada para os yorùbá; o termo é aqui usado como     sinónimo de religião.</p>         <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a>       Termo     corrente para designar as casas de culto de candomblé.</p>      </body> </html>      ]]></body><back>
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