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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O registo escondido num bairro em processo de realojamento: o caso dos hindus da Quinta da Vitória]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The hidden transcript in a neighborhood’s re-housing process: the case of Hindus in Quinta da Vitória]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper results from an ethnography among the Hindu dwellers of a neighborhood in the outskirts of Lisbon. As dozens of other informal settlements, Quinta da Vitória was one of the neighborhoods included in the Special Re-housing Program (PER), and its inhabitants would be resettled in social housing. Comparing with other similar settlements, the PER process at Quinta da Vitória was too long. In this paper I will describe and analyze the ways by which the Hindu residents responded to this huge social housing policy in Portugal, which was meant to end up with all “shanty towns”. The main purpose of this paper is yet to explore James Scott’s (1990) conceptualization on subtle resistance and about the hidden transcript, its forms, and development into public forms of resistance. The article is also expected to contribute to the larger debate about social policies in Portugal.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <head> </head>     <p><b>O registo escondido num bairro em processo de   realojamento: o caso dos hindus da Quinta da Vitória</b></p>     <p><b>The hidden transcript in a neighborhood&rsquo;s re-housing process: the case of Hindus in Quinta da Vit&oacute;ria</b></p>     <p><b>Rita Ávila Cachado*</b></p>     <p>*Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL), Portugal. <i>E-mail: </i><a href="mailto:ritacachado@gmail.com">ritacachado@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo parte da etnografia realizada junto da população   hindu de um bairro nas franjas da cidade de Lisboa. Tal como dezenas de outros   conjuntos residenciais de construção informal, a Quinta da Vitória foi inscrita   no Programa Especial de Realojamento (PER)   e os seus habitantes seriam realojados em habitação social. Comparativamente   com outros núcleos residenciais inscritos no PER,   o processo da Quinta da Vitória levou mais tempo a ser concluído. Neste artigo   procura-se descrever e analisar as formas como a população em causa reagiu, ao   longo do processo de realojamento, a esta política social de habitação de   grande envergadura no país. O objetivo central do artigo é explorar, através do   caso em apreço, a conceptualização de James Scott (1990) sobre formas de   resistência subtis, naquilo que o autor apelida registo escondido, e o   desenvolvimento das suas componentes, até um registo mais público de   resistência. Através da análise deste processo, espera-se ainda contribuir para   uma melhor compreensão da aplicação das políticas sociais em Portugal.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> registo escondido, políticas sociais,   habitação, realojamento, diáspora hindu</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper   results from an ethnography among the Hindu dwellers of a neighborhood in the   outskirts of Lisbon. As dozens of other informal settlements, Quinta da Vitória was one of the   neighborhoods included in the Special Re-housing Program (PER), and its inhabitants would be   resettled in social housing. Comparing with other similar settlements, the PER process at Quinta da Vitória was too long. In this   paper I will describe and analyze the ways by which the Hindu residents   responded to this huge social housing policy in Portugal, which was meant to   end up with all “shanty towns”. The main purpose of this paper is yet to   explore James Scott’s (1990) conceptualization on subtle resistance and about   the hidden transcript, its forms, and development into public forms of   resistance. The article is also expected to contribute to the larger debate   about social policies in Portugal.</p>     <p><b>Keywords:</b> hidden   transcript, social policies, housing, resettlement, Hindu Diaspora</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>As comunidades sul-asiáticas transnacionais vêm sendo analisadas do ponto de vista das dinâmicas associadas à diáspora e à integração nas sociedades de acolhimento.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a> São   exemplo disso os estudos mais reconhecidos sobre a diáspora hindu (Baumann 1998;   Knott 2000; Vertovec 2000). Em Portugal, esse campo de estudos tem sido   amplamente desenvolvido, sobretudo no que diz respeito aos hindus-gujaratis e   às suas redes transnacionais em Moçambique, Índia e Reino Unido (Bastos e   Bastos 2001; Lourenço 2010; Roxo 2010; Cachado 2012).<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a></p>     <p>Neste artigo o enfoque é feito sobre um grupo   de hindus residentes num bairro que foi objeto da maior política de   realojamento em Portugal até à data, o Programa Especial de Realojamento (PER). Trata-se do bairro   Quinta da Vitória, na Portela de Sacavém, no concelho de Loures, localizado   sobre a fronteira com a capital e inserido portanto na Área Metropolitana de   Lisboa. Procura-se cruzar aqui o âmbito temático das migrações em Portugal com   o da história da habitação. O facto conhecido de terem chegado às grandes   cidades portuguesas centenas de milhares de imigrantes no final dos anos 1970,   no contexto da independência das ex-colónias portuguesas, torna inevitável o   cruzamento entre os dois âmbitos temáticos referidos, quer o ponto de partida   se situe nos estudos sobre os migrantes, quer sobre os problemas da habitação   em Portugal. No entanto, os estudos disponíveis optam na maioria por uma das   perspetivas, resultando na análise da integração de uma determinada população   imigrante sem examinar a problemática da habitação, ou na análise de um   processo de realojamento sem detalhar etnograficamente os moradores. A   apresentação da conjuntura em que surgem os estudos de habitação em Portugal   feita nesta introdução servirá de pano de fundo para perceber melhor a situação   de registo escondido analisada adiante.</p>     <p>Num estudo de Machado e Azevedo (2009)   analisa-se a produção académica nacional sobre migrações e etnicidade, e os   autores distinguem os temas e conceitos de maior e menor destaque na   literatura, sublinhando as maiores recorrências e as maiores ausências. Apesar   de as categorias selecionadas pelos autores serem passíveis de sobreposições, é   relevante que entre os temas menos estudados se encontrem as “dinâmicas   espaciais e territoriais” e a “pobreza e exclusão social”, denotando uma falta   no que toca à imigração cruzada com a habitação.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> Exceção recente a esta situação é o caso de um estudo coordenado por Malheiros   e Fonseca (2011), que aborda precisamente o acesso à habitação pelos   imigrantes. Também este artigo procura contribuir para colmatar essa falta. De   todos os modos, os estudos sobre as comunidades imigrantes residentes em   Portugal são vastos. Inicialmente resultantes de uma necessidade sociológica de   caracterização das migrações e das populações imigradas, tornaram-se posteriormente   fruto de análises de interpretação pós-colonial, isto é, que tecem   interpretações de forma reflexiva sobre políticas de migração, e analisam o   passado colonial e sua influência no presente das populações imigradas, entre   outras abordagens cada vez mais detalhadas nas variáveis conjunturais.</p>     <p>Entre os estudos publicados que apresentam,   descrevem e problematizam as populações imigradas em Portugal, destacam-se os   trabalhos que representam as tentativas iniciais de caracterização global das   comunidades de origem cabo-verdiana (Saint-Maurice 1997), os que se centram nas   populações do Leste europeu (Baganha, Marques e Góis 2004), nos brasileiros   residentes em ­Portugal (Machado 2006; Pinho 2012), ou nas populações sul-asiáticas (Bastos e   Bastos 2001). O destaque para estes grupos deve-se quer à sua expressividade   demográfica no início da década de 2000 (entre brasileiros e originários de   diversos países do Leste europeu), quer à sedimentação cultural em Portugal (o   caso dos cabo-verdianos), quer ainda ao interesse académico ao nível do estudo   da transnacionalidade e diáspora (entre sul-asiáticos de várias origens   nacionais). Antes e depois destes autores, muitas outras publicações   contribuíram para conhecer melhor os imigrantes em Portugal. Voltando ao artigo   de Machado e Azevedo, importa dizer que em 2009 estavam recenseadas 836   referências bibliográficas (2009: 9).</p>     <p>Claramente, a grande maioria dos estudos   produzidos sobre estas populações não retrata apenas as populações em si, antes   atravessa temáticas que lhes são subjacentes, como as condições de trabalho, a   vida afetiva, a vida religiosa, entre outros grandes temas. Também o âmbito   disciplinar se foi abrindo e cruzando; não só cada vez mais disciplinas das   ciências sociais e humanas se dedicaram aos estudos de migrações, como as   próprias disciplinas se foram atravessando cada vez mais. Uma parte dos estudos   de migrações em Portugal cruza-se com os estudos urbanos, e é lá que surgem   também os estudos de habitação.</p>     <p>Os estudos de habitação em Portugal foram   férteis sobretudo nos anos 1990, situação que decorre também do facto de ter   estado então em curso o Programa Especial de Realojamento. Provenientes de   várias áreas de estudo, é a sociologia que produz mais trabalhos e maior   variedade de abordagens neste campo (Baptista 1999; Freitas 2001; Nunes 2011),   se bem que a arquitetura tenha sido a disciplina mais produtiva nos últimos anos (Farina 2001; Bandeirinha 2007; Lages 2011). A lacuna geral de trabalhos   antropológicos nesta área não favorece análises do ponto de vista dos   moradores. Muitos dos estudos aprofundados são, de resto, teses de mestrado e   de doutoramento raramente publicados. O trabalho de Mónica Farina é disso   exemplo, com uma tese de mestrado em Desenho Urbano, sobre a relação dos   moradores de um bairro de habitação social com o espaço construído, assim como   a tese de doutoramento de Marina Antunes em Antropologia Social, sobre os   jovens de um bairro de habitação informal.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a> Ainda assim, houve um período especialmente produtivo em estudos publicados em   revistas da especialidade, que corresponde ao início do PER (<i>Sociedade e Território</i>,   n.º 20) e ao auge da sua aplicação (<i>Cidades, Comunidades e Territórios</i>,   n.º 3).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para o tema em consideração, podemos   subdividir os estudos de habitação social em análises sobre dinâmicas   socioculturais em bairros sociais e pesquisas sobre os processos de   realojamento. Por sua vez, podemos subdividir estes em análise da satisfação   residencial, análise social em geral, análise dos processos em si, e análise da   vivência espacial por parte dos moradores. O facto de haver mais trabalhos   sobre os bairros sociais do que sobre os bairros de onde provêm as populações   realojadas provocou, entre outras lacunas, a ausência, até muito recentemente,   de uma problematização aprofundada sobre as designações atribuídas pelas   ciências sociais aos conjuntos residenciais em causa. A terminologia “bairros de barracas” foi posta em causa, por exemplo, por   Ascensão (2011),<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a> seguindo o repto da terminologia inglesa <i>informal settlement</i> para   substituir o termo mais impreciso de <i>slum</i> (Huchzermeyer e Karam 2006)<i>.</i> Importa contudo referir que a designação “construção informal”, tal como os   outros termos, não é isenta de críticas; ela procura apenas ser mais   explicativa do que as opções por “bairros de barracas” ou “bairros de lata”,   que remetem para a reprodução do estereótipo da cultura da pobreza associada a   estes bairros (Wacquant 2005a, 2005b).</p>     <p>Este artigo surge no contexto de uma   etnografia de caráter prolongado entre famílias hindus no bairro em apreço,   iniciada no ano 2000 com um estágio profissional no município de Loures.   Deixada a ligação à Câmara, prossegui os estudos de mestrado e doutoramento   mantendo o trabalho de campo na Quinta da Vitória. Durante algum tempo, a população continuou a identificar-me com a Câmara de Loures, pedindo-me informações sobre o   realojamento e levando a maior parte das entrevistas informais para as questões   da habitação, o que me conduziu a debruçar-me sobre o realojamento do bairro na   pesquisa de doutoramento. Este artigo surgiu como possibilidade de   desenvolvimento de uma das questões apenas afloradas no âmbito da tese. Importa   referir que os dados patentes neste texto, quando não referenciados   bibliograficamente, decorrem sobretudo do registo em diário de campo.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a></p> <b>Bairros de construção informal</b>     <p>No início dos anos 1990, estavam previstos dois grandes projetos de   internacionalização do país: Lisboa seria Capital Europeia da Cultura em 1994 e   seguir-se-ia a Expo 98. Nessa altura, os bairros de construção informal   situados na fronteira de Lisboa com os concelhos limítrofes existiam em grande   número. Não conviria à capital portuguesa ser palco daqueles encontros   internacionais com tamanha proporção de bairros “de barracas”.</p>     <p>Estes bairros da capital começaram a ser erigidos   por migrantes portugueses provindos de diversas partes do interior do país à   procura de melhores condições de vida (Fonseca 1990: 28), com visibilidade   crescente a partir dos anos 1960, na mesma altura em que muitos portugueses   optaram por emigrar para França e outros destinos europeus, encontrando   inicialmente condições de habitação semelhantes às dos seus pares migrantes   para a capital (Pereira 2009). A segunda fase do crescimento dos bairros em   causa deu-se após as independências das ex-colónias e foi marcada por um   aumento exponencial, uma vez que parte considerável dos recém-chegados não   tinha possibilidades de adquirir habitações próprias nos subúrbios em expansão   de Lisboa e Porto. Se uma parte da população em causa não teve essa oportunidade   por motivos económicos, muitos outros lograram-no, contribuindo para o   crescimento acentuado da metrópole e para o processo de suburbanização   (Baptista 1999; Nunes 2011). Na verdade, estava-se perante um vazio da promoção   legal da habitação, na sequência de um acordo entre o governo português e o FMI, que procurava   desacelerar o endividamento provocado pelo excesso de créditos contraídos nos   anos anteriores e que provocou a suspensão do lançamento de novos   empreendimentos do setor público e cooperativo (Ferreira 1988: 60). A   construção civil fruto desta conjuntura é sobretudo a construção de bairros   clandestinos, que permitia satisfazer as necessidades familiares face à   ausência de alternativas (Soares, Ferreira e Guerra 1985: 75). Assim, os   recém-chegados optaram por construir a sua própria casa (<i>e.&#8197;g.</i> Quedas 1994: 56).</p>     <p>Além dos bairros excessivamente designados   como “de barracas”, os bairros que vieram mais tarde a ser designados áreas   urbanas de génese ilegal (AUGI) (Cabral e Monteiro 2009)<b> </b>eram igualmente de construção   informal, com diferenças relativamente aos primeiros. Os moradores procuraram   reproduzir esquemas habitacionais preexistentes, como a vivenda unifamiliar com   traços preponderantemente portugueses, em virtude da origem dos seus   construtores. Além de uma diferença no acesso a materiais, que produziu nas AUGI um aspeto muito mais   afim dos <i>standards</i> habitacionais em voga do que nos chamados bairros “de   barracas”, a principal diferença entre os dois tipos de bairros estava na   organização da construção: as cooperativas de construção informais e as   associações de moradores facilitavam a execução de planos de urbanização   mínimos. Já quanto aos outros bairros, a construção informal aconteceu tanto ao   nível da habitação como ao nível do bairro, provocando áreas urbanas de aspeto   extremamente indesejável para os decisores políticos. De resto, o enquadramento   arquitetónico fora dos esquemas clássicos europeus dos bairros urbanos tem   conduzido a conceptualizações inovadoras do fazer cidade, no sentido em que   aqueles conjuntos residenciais encerram uma cidade embrionária, “natural”. Um   ponto alto da literatura socioantropológica neste domínio está refletido na   obra de Agier (2011), ao analisar o desenvolvimento dos campos de refugiados.   As AUGI foram   alvo de estudos sociológicos e arquitetónicos precoces (cf., por exemplo,   Craveiro e Silva 1984) que, embora sem o devido reconhecimento científico,   contribuíram para a legislação e aplicação de programas pensados a partir do   conhecimento prévio e aprofundado dos contextos habitacionais que estavam em   causa.<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>[7]</sup></a> A   legalização e qualificação das AUGI foi assim preparada e, embora cada um dos processos tenha levado muito   tempo (alguns núcleos habitacionais ainda estão em processo de qualificação),   isso permitiu aos seus moradores não mudarem de local de residência e   adquirirem melhores condições e infraestruturas no seu próprio bairro.Ao contrário, o outro tipo de bairros de construção   informal foi inscrito no PER, que pretendia acabar com as “barracas”, essa “chaga social ainda   aberta” (nas palavras carregadas de sentido da lei do PER, DL n.º 163/93, de 7   de maio) que urgia fechar. Face à urgência, a inscrição da maior parte dos   bairros no programa de realojamento foi feita sem estudos prévios aprofundados   sobre os conjuntos habitacionais visados, no que toca tanto à composição   populacional como às condições de habi­tação.</p>     <p>No início dos anos 1990 houve contudo alguns   estudos relativamente ao estado da habitação em Portugal; por isso, mesmo antes   da legislação do PER, é realizado um recenseamento de muitos dos bairros “de barracas”,   nomeadamente o da Quinta da Vitória. O concelho de Loures encomendou o recenseamento   das “barracas” do município ao Centro de Estudos Territoriais (CET 1992a, 1992b). Foi   neste recenseamento feito em 1992 que os moradores ouviram falar em   realojamento pela primeira vez. De resto, para a inscrição dos bairros no PER era necessário   recensear as  populações visadas, pelo   que esse momento de inquirição acabou por funcionar como primeira porta de conhecimento   dos bairros por dentro. Importa sublinhar que o esforço de recenseamento dos   bairros a propósito do programa de realojamento então previsto originou, em   muitos casos, o único registo exaustivo das populações residentes.<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>[8]</sup></a></p>     <p>A legislação do PER foi aprovada em 1993. O   concelho de Loures assinou o contrato com o Instituto de Gestão e Alienação do   Património Habitacional do Estado (IGAPHE)<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><sup>[9]</sup></a> em 1995   e seria então que se daria início à sua implementação. De 1995 a 2000, o   principal momento em termos da história do realojamento no bairro é a   reinstalação de uma pequena parte da população (estima-se que 60 agregados   familiares) no bairro camarário, a uma curta distância da residência anterior.   Este realojamento parcial foi feito no âmbito das obras de restruturação das   vias de acesso à ponte Vasco da Gama, e reúne dois aspetos interessantes.   Primeiro, apesar de contemplar famílias inscritas no programa de realojamento,   ele não é realizado no âmbito desse programa, mas sim em função das   necessidades específicas da empresa Lusoponte (construtora da ponte Vasco da   Gama). Segundo, sendo este o primeiro momento de realojamento do bairro Quinta   da Vitória, ele faz-se para casas de apenas dois pisos, muito perto do bairro   de origem. Os moradores realojados demonstraram uma satisfação residencial   elevada (Cotrim <i>et al.</i>, 2001) e os moradores ainda sem acesso a uma   habitação social começam a ambicionar condições semelhantes de realojamento   (Cachado 2000).</p>     <p>O PER, enquanto processo de realojamento <i>de factum</i>, começa a ser percetível   pelos moradores da Quinta da Vitória no ano 2000, através da instalação de um   Gabinete de Intervenção Local (GIL), uma figura administrativa pensada pelo município de Loures para   executar o PER nos diferentes núcleos ­habitacionais do concelho.<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><sup>[10]</sup></a> Coincidindo com os primeiros passos do PER no bairro, também uma política social estatal,   o Plano Nacional de Luta Contra a Pobreza (PNLCP) surge no bairro através de   algumas instituições com projetos aprovados.<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title=""><sup>[11]</sup></a> A observação etnográfica da aplicação dos projetos levou à perceção de que   estas iniciativas, por um lado, contribuíram para aumentar as expetativas dos   moradores relativamente à iminência do realojamento em habitação social e, por   outro, acabavam por reproduzir um discurso de cultura da pobreza, provocando   uma espécie de incorporação do estigma da pobreza, situação que não era   assumida pelos moradores antes da realização destes projetos e do processo de   realojamento (Cachado 2008a). Como veremos adiante, é essencialmente devido ao   aumento das expetativas relacionadas com o realojamento que os moradores vão   criando, primeiro, as suas próprias questões e, posteriormente, as suas   próprias respostas face à demora na satisfação dessas expetativas. E é   justamente no plano das respostas que surgirão elementos de resistência subtil,   que só seria realmente percebida quando transformada em resistência pública.</p>     <p>Em trabalho aprofundado realizado   anteriormente (Cachado 2012), um dos objetivos era analisar um processo de   realojamento do ponto de vista da população visada e como esta foi reagindo, ao   longo dos anos em que o processo de realojamento vinha sendo aplicado. Em   traços gerais, que serão detalhados mais adiante, desde o início do programa de   realojamento, em 1995, e até 2006, as famílias hindus lidaram com a aplicação   do processo respondendo a uma execução formal e demorada de maneira informal,   individual e familiar, sem uma ação conjunta através de uma associação, como   acontecia no bairro Quinta do Mocho ou na Quinta da Serra (ambos próximos da   Quinta da Vitória, na vizinha freguesia de Sacavém).</p>     <p>Em seguida, descreve-se a história do processo   de realojamento no bairro e sua vivência pela população hindu, vista pelos   vizinhos e pelos trabalhadores sociais como uma população pacífica. A título de   ilustração, como ouvi no início do trabalho de campo por parte de técnicos de   serviço social a trabalhar com esta população, “os hindus não dão problemas”.   Far-se-á depois uma descrição e análise crítica da forma como a população hindu   do bairro Quinta da Vitória lidou com os diferentes momentos do processo de   realojamento. Veremos como, após mais de dez anos de espera, o tipo de   resistência da população passou de um registo escondido para um registo   público, fazendo eco com a conceptualização feliz de James Scott (1990). Para   isso, vejamos as formas como a população viveu o PER e como os técnicos que o   aplicaram olharam para a população em causa.</p> <b>Os hindus da Portela e o processo   de realojamento</b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A população hindu, à data do único recenseamento exaustivo realizado no   bairro (em 1992), perfazia cerca de 50% do total da população deste,   configurando-se como maioritária naquele local. As demais populações do bairro   diferenciavam-se entre portugueses de origem (quase 30%) e africanos de vários   contextos nacionais (mais de 20%). Cabe referir que, apesar de provenientes de   diversos contextos, a maioria dos residentes possuía a nacionalidade   portuguesa, contribuindo para complexificar as habituais considerações sobre   populações imigrantes, designação que, de resto, carece de sentido pleno tendo   em conta a antiguidade da permanência em Portugal e a própria nacionalidade.<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title=""><sup>[12]</sup></a></p>     <p>As famílias hindus residentes em Portugal   provêm sobretudo de Moçambique, de onde emigraram no início dos anos 1980. Esta   proveniência deveria provocar o aumento da percentagem de população africana de   20% para 70%. No entanto, a origem indiana, mais remota, destas famílias, pesa   mais na heteroidentificação das populações do bairro (portugueses, indianos,   africanos). A emigração destas famílias do Gujarate, no Noroeste do   subcontinente indiano, para Moçambique ocorreu décadas antes no contexto do   crescimento das cidades costeiras e do desenvolvimento do comércio colonial,   não obstante o secular comércio no Índico ser anterior às relações coloniais,   situação salientada por diversos autores, tanto ao nível da análise das   relações com o contexto colonial português (Rita-Ferreira 1985; Leite 1996;   Antunes 2001; Bastos 2005; Dias 2009), como ao nível das abordagens sobre a   diáspora hindu-gujarati (­Tambs-Lyche 1980; Vertovec 2000; Pearson 2001).<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title=""><sup>[13]</sup></a> A   emigração que teve lugar nos anos 1980 para Portugal decorre do agravamento da   situação política em Moçambique, que estava em guerra civil (Bastos e Bastos   2001), provocando a saída de milhares de famílias para Portugal entre 1978 e   1983, anos de maior efetivo de chegadas.<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title=""><sup>[14]</sup></a></p>     <p>A expetativa dos moradores face ao   realojamento teve início com o recenseamento da população em 1992. Mas só   aumentou realmente com a instalação do Gabinete de Intervenção Local em 2000 e   com o início da construção de um bairro de grandes dimensões, o bairro social   Dr. Alfredo Bensaúde, edificado justamente diante da Quinta da Vitória, para   sul. Com um gabinete que aproximava finalmente os moradores das entidades que   executavam o PER, os habitantes começaram a procurar respostas para as suas perguntas:   para quando estava previsto o realojamento? O bairro em construção era para   realojar os habitantes da Quinta da Vitória?</p>     <p>A construção do bairro social Dr. Alfredo   Bensaúde, que começara no fim de 2000, fez levantar o boato entre os moradores   de que estaria a ser construído para o realojamento das famílias residentes na   Quinta da Vitória. Muito embora nas reuniões familiares os técnicos fossem   esclarecendo os moradores de que nada havia sido indicado nesse sentido,   parecia evidente para a população que, ao construir um bairro de habitação   social, este só poderia estar destinado para os moradores da Quinta da Vitória.   O bairro cresceu até aos seis andares ao longo de todo o comprimento este-oeste   da Quinta da Vitória, sendo a evolução da obra permanentemente visível pelos   seus residentes. De facto, a edificação de três quarteirões para 425 fogos   habitacionais destinava-se ao PER; no entanto, não era dirigido às   famílias visadas do concelho de Loures, mas sim às famílias residentes no   concelho de Lisboa, provindas de diversos bairros de construção informal. Na   verdade, o terreno onde se erigia a obra, apesar de contíguo à Quinta da   Vitória, fica para lá da fronteira do concelho de Loures.<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title=""><sup>[15]</sup></a> Apesar desta situação, que parecia anular a possibilidade de os agregados   familiares inscritos no PER de Loures serem realojados no bairro social   vizinho, a Câmara Municipal de Loures teve a iniciativa de propor um protocolo   entre os dois municípios para realojar uma parte da população da Quinta da   Vitória, uma vez que o realojamento da totalidade das famílias seria   impossível. Assim, em poucos meses, os processos de 100 agregados familiares   foram transferidos para a Gebalis (Gestão dos Bairros Municipais de ­Lisboa, EEM),   para que esta empresa municipal pudesse completar o processo de ­realojamento   das famílias em causa.<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title=""><sup>[16]</sup></a> Para a   população hindu, este último ­realojamento implicou, dois anos mais tarde, em   2004, o realojamento do templo. O templo, também de construção informal, foi   realojado nos prédios de habitação social, embora num espaço mais pequeno, não   cumprindo por isso na mesma medida todas as funções rituais que o outro espaço   permitia. Importa contudo assinalar que, com um espaço de culto na mesma zona   territorial, os hindus da Portela não alteraram em muito os seus percursos. Em   geral, tanto as famílias realojadas como as famílias que ficaram a aguardar   realojamento continuaram a frequentar o templo hindu Jai Ambé.<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title=""><sup>[17]</sup></a></p>     <p>As demolições decorrentes dos dois momentos de   realojamento (1998 e 2002) provocaram alterações profundas no território, sendo   uma das mais visíveis o surgimento de um espaço vazio entre os dois conjuntos   residenciais, que os moradores de ambos os bairros foram aproveitando através   da plantação de hortas, da realização de jogos de críquete e de futebol,   churrascos, entre outras situações (Cachado 2008b). As autoridades separaram os   espaços residenciais com uma rede, que foi sendo cortada e reposta ao longo dos   anos, até que os acessos quotidianos foram assumidos com algumas aberturas   permanentes. Hoje em dia, restam os pilares de sustentação do arame da rede,   mas a circulação é feita livremente.</p>     <p>O processo de realojamento continuou para as   famílias ainda à espera de nova morada. Em termos materiais, este processo implica   um dossiê por família inscrita no PER, que é um trâmite burocrático, com muita documentação, fazendo jus à   ideia de “pessoa burocraticamente definida” sugerida por Pierre Bourdieu (1990:   36) ao analisar dados que um banco acumula sobre os seus clientes, mas que   adquire sentido também aqui, no seio de processos institucionais de relação   entre poder local ou supralocal e destinatários de políticas sociais. Os   pedidos de documentação por parte dos técnicos e as reuniões com os moradores   sobre o processo de realojamento decorriam com dificuldades de comunicação de   parte a parte. Estas mesmas reuniões e os pedidos cíclicos de documentação   acentuaram por seu lado as expetativas das famílias que ficaram por realojar.   De resto, toda a discursividade desta política de habitação social, desde as   primeiras promessas inscritas na lei do PER (“vamos acabar com as barracas”), passando pela   reiteração discursiva dessa intenção nas campanhas eleitorais, até à noção de   senso comum de que o PER estava a dar casas aos pobres, conduziu à expetativa, de que já temos   vindo a falar, de vir a ter uma casa.</p> <b>Vigilância sobre a população hindu?</b>     <p>Os técnicos que executaram o PER nem sempre detinham todas as informações relativas ao processo de   realojamento. O desdobramento burocrático dos gabinetes camarários fez com que,   entre o poder executivo ao nível da vereação e a efetividade executiva ao nível   dos gabinetes locais, houvesse limitações nas correntes de informação. Esta   situação não é exclusiva do PER, esteve patente noutras políticas de habitação e vários autores o   referem (Gros 1994: 81; Pereira 1963: 238; Baptista 2001: 76; Guerra 2001: 54).   Por isso, era pouca a informação concreta que passava do gabinete para os   moradores do bairro sobre o seu próprio futuro. Além disso, os técnicos   raramente se deslocavam ao bairro, aumentando o distanciamento entre a   população e a autarquia. As principais razões indicadas pelos técnicos para que   raramente realizassem ­visitas ao terreno prendem-se com o excesso de trabalho   burocrático e com o facto de serem poucos profissionais para muitos núcleos   residenciais em processo de realojamento, corroborando Bonetti (1994: 21)   quando refere que os técnicos têm uma representação da realidade através dos   dossiês administrativos, o que aumenta a sua dificuldade de perceber os   problemas dos habitantes.</p>     <p>Deste modo, a informação sobre o   desenvolvimento do processo de realojamento tinha diferentes graus de perceção,   de compreensão e de difusão. Se o município detinha a informação sobre as   decisões, os técnicos que executaram o PER tinham dificuldade em explicar estes trâmites   camarários à população. A situação agravou-se com o facto de haver poucas   informações para fornecer à população, tendo em conta a escassez de terrenos e   de verbas para o realojamento.<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title=""><sup>[18]</sup></a> À   medida que os anos passavam no processo de realojamento, esta situação ficou   cada vez mais patente. Se no início havia mais expetativas da parte do próprio   município em cumprir os seus objetivos relativamente à habitação social, a   diminuição das verbas municipais em 2004 refletir-se-ia naquela área com   prejuízo para as famílias que aguardavam solução. Ainda assim, o processo   continuou, como veremos, mas de facto as respostas já não poderiam ser de   grande alcance a partir dessa altura. Nesse sentido, as promessas políticas   relativas à habitação social ficariam comprometidas; não obstante, a população,   que não estava a par de toda esta conjuntura, mantinha-se expectante.</p>     <p>Por isso, tal como relatado inúmeras vezes   pelos moradores, referindo-se às visitas ao Gabinete de Intervenção Local, a   população procurava informações que raramente obtinha, o que aumentava a   possibilidade de boatos sobre o desenrolar do processo de realojamento. Além   disso, baseava-se naquilo que via. Por exemplo, ao ver o bairro Alfredo Bensaúde   ser construído entre 2000 e 2002, como referi, a população considerou que   aquele bairro seria para realojar a população da Quinta da Vitória. O facto de   o bairro social pertencer geograficamente ao território do concelho de Lisboa   não era percebido pela população. O protocolo entre as duas câmaras que deu   lugar ao realojamento parcial foi um processo pouco entendido pelos moradores e   conotado com as eleições naquele período – as eleições autárquicas em dezembro   de 2001 e as legislativas em março de 2002 –, ou seja, os moradores sentiram   que o realojamento parcial fora instigado por motivos eleitoralistas. Na   prática, a verdade é que 100 famílias acabaram por ser ali realojadas. Nesse   sentido, os boatos surtiram efeito ou, pelo menos, refletiriam uma verdade no   futuro. Independentemente de fazerem parte do conjunto de famílias com a sorte   de serem realojadas em 2002 ou de ficarem à espera <i>sine die</i>, todos os   agregados familiares ficaram sujeitos a pedidos periódicos de entrega de   documentação variada, atestando as pastas de arquivo dos processos familiares   de habitação.<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title=""><sup>[19]</sup></a> A   necessidade desta documentação, com pouca resposta a nível de realojamento   efetivo, levou a população a perguntar-se relativamente a essa exigência.</p>     <p>No que diz respeito à população hindu, a   análise dos processos familiares e os receios revelados por algumas famílias   demonstraram que prevaleceram, por parte das entidades locais, ideias   preconcebidas e generalizações culturais relativamente àquela população. As   situações que levantavam suspeitas entre os trabalhadores sociais eram a   duplicação de processos familiares entre bairros, a mobilidade residencial e o   aumento do número de elementos por família. Por exemplo, como é patente em   alguns processos familiares, os serviços interpretavam uma situação de um   morador com o mesmo nome doutro morador noutro bairro PER como uma situação de   duplicação propositada. Os casos de “duplicação”, tal como é referido na   própria documentação (juntam-se, nestes casos, fotocópias da legislação interna   correspondente), referem-se a famílias que surgem duas vezes no recenseamento;   no entanto, nas situações de duplicação de um nome em famílias diferentes, a   dúvida também surgia. Importa esclarecer que duas pessoas podem  de facto ter o mesmo nome, uma vez que os nomes   hindus são compostos preferencialmente por apenas um nome próprio e pelo nome   próprio do pai.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num caso em concreto, que serve aqui de   ilustração, uma família de origem indiana estava inscrita no recenseamento da   Quinta da Vitória, e surgia também inscrita no recenseamento da Quinta da   Holandesa, no Areeiro, em Lisboa. Esta situação vem sinalizada no processo   familiar da família em causa com a presença de uma lista de casos de   “duplicação” realizada em outubro de 1994 e de um pedido feito pelo IGAPHE aos municípios para   atualizar regularmente os dados das “duplicações” e que estes fossem enviados   ao IGAPHE para centralizar a informação e para discriminar estas situações consideradas   de oportunismo por parte das famílias. Esta prática por parte dos serviços   decorre de uma necessidade de controlar os dados relativos à população   candidata a realojamento, para que não fossem futuramente atribuídas duas casas   em habitação social a uma mesma família. Outro exemplo tem a ver com uma   família (que apenas saiu do bairro em 2012, sem realojamento) de quem as   autoridades suspeitavam que detinha propriedade privada. Explicando doutra   maneira, nesta família recaía a suspeita sobre o facto de um dos filhos do   casal candidato a realojamento ter adquirido um terreno para posterior   construção de habitação, conduzindo os serviços a exigir continuamente   documentação das finanças e da segurança social, à família e às próprias   instituições.</p>     <p>Mais abrangente para toda a população hindu é   a suspeita de que as famílias detêm alternativa residencial noutros países,   nomeadamente o Reino Unido, para onde, de facto, emigra uma parte da população   que não obtém melhoria das condições de vida em Portugal. No terreno,   evidenciam-se as viagens àquele país para fins rituais, para compras e para   trabalho temporário em detrimento da procura de alternativa residencial. De   resto, os contornos da diáspora hindu-gujarati extravasam a mobilidade   residencial no caso de mudança permanente de país. Apesar disso, a documentação   dos processos revela a frequência de viagens das famílias ao Reino Unido e,   nesse sentido, o controlo dos serviços sobre estas viagens. Esta suspeita   provém ainda da mobilidade residencial efetiva dentro do bairro. Há famílias   que mudam de casa dentro do bairro, aproveitando casa de familiares que   entretanto encontraram alternativa residencial noutros locais na Área   Metropolitana de Lisboa (sobretudo em Chelas e em Santo António dos Cavaleiros)   e, em casos raros, casas de famílias que emigram para o Reino Unido (que os   técnicos procuram saber quem são, para as excluir do direito ao realojamento em   habitação social).</p>     <p>Os processos familiares de habitação permitem   ainda controlar o aumento do agregado, uma vez que as famílias crescem e   solicitam a inserção de novos elementos no processo, para, em última análise,   terem mais uma assoalhada na casa de habitação social. E, como não havia novos   bairros sociais para realojar as famílias, esta situação representava uma   dificuldade acrescida para os técnicos, que reagiam controlando mais. Assim, surgem   nos processos certidões de casamento e de nascimento, que servem de   justificação ao aumento ou diminuição do número de elementos por agregado   familiar.</p>     <p>Em suma, subentende-se um controlo sobre a   população, que se prende com a desconfiança de que muitas famílias hindus não   necessitariam na realidade de serem realojadas, isto é, de que teriam   alternativas de realojamento. Este controlo não corresponde necessariamente a   uma persecução específica ­relativamente à população hindu da Quinta da   Vitória; reflete antes uma saída burocrática encontrada pelos serviços para a   ausência de respostas habitacionais no concelho de Loures. Dubois fala de   formas semelhantes de controlo nos serviços públicos, salientando o argumento   “das noções moles às decisões duras” (2009: 224), que basicamente significa que   as leis, noções <i>moles</i>, podem ser (e são) interpretadas de várias   maneiras pelos técnicos que as aplicam, mas essa mesma forma de as aplicar pode   tornar-se um instrumento de controlo excessivo, as decisões <i>duras</i>, sobre   as populações. Sublinhe-se que os técnicos, relativamente à população hindu,   agiram apenas de acordo com as leis disponíveis e com o facto de não haver   bairros sociais para realojar tantas famílias que mantiveram a expetativa de   realojamento. Face à falta de tempo para conhecer de perto a população e o   terreno, a edilidade incorreu em interpretações excessivas sobre as opções da população em causa.</p> <b>O registo escondido na Portela</b>     <p>A pouca informação sobre o processo de realojamento fornecida pelo   município aos moradores visados e as dificuldades de comunicação geraram   mal-entendidos por parte da população e controlo sobre esta por parte dos   técnicos. E é aqui que entra James Scott, para nos ajudar a perceber as reações   da população à situação de espera prolongada. O autor, proveniente da área da   ciência política, ao realizar trabalho de campo junto dos trabalhadores nos   arrozais malaios, descobre com surpresa a infrapolítica desta população através   dos subterfúgios para escapar ao controlo excessivo dos patrões (Scott 1985), e   elabora os primeiros traços daquilo que vem a chamar registo escondido, mas   referindo-se inicialmente sobretudo a resistência subtil e a formas de   infrapolítica. Posteriormente concentra-se na análise da dominação e das artes   da resistência, epitomada no conceito de <i>hidden transcript</i> (Scott 1990),   que em português vem sendo traduzido como registo escondido (<i>e.&#8197;g.</i> Sobral 2004). Uma das ideias fortes que, embora não sendo nova, é ali   sistematizada através da descrição de variadas situações históricas onde o   fenómeno acontece, é que é a própria prática de dominação que cria o <i>hidden   transcript</i> (Scott 1990: 27).</p>     <p>À partida, o conceito de hegemonia poderia   servir para analisar os processos de infrapolítica, mas o problema com este   conceito, defende Scott, é a assunção implícita de que a incorporação   ideológica dos subordinados (isto é, o resultado das hegemonias) diminui o   conflito social (1990: 77). A resistência, mesmo em contextos de ideologias   hegemónicas fortes, sucede, mas está escondida e é preciso procurá-la nas   “artes do disfarce político”, desde a prática do anonimato, passando pela   utilização de eufemismos, reclamar a terceiros, gerar boatos, até registos da   própria cultura popular, que sintetizam formas de resistência subtil, como os   contos sobre impostores, a inversão simbólica, os rituais de Carnaval.</p>     <p>O contexto em apreço neste artigo é um terreno   fértil para a resistência subtil, para o registo escondido como Scott o   problematiza. Sem na verdade estarem na situação de poder direto, os serviços   camarários representavam, para a população, o poder. Os moradores hindus   representam aqui o grupo dominado, numa continuidade pós-colonial com a   situação de dominação anterior. Nesta secção, veremos como as formulações de   James Scott têm eco nas reações dos moradores hindus do bairro Quinta da   Vitória face aos desenvolvimentos do processo de realojamento.</p>     <p>Os boatos e as estratégias para manter o   direito ao realojamento são um sinal de que há registo escondido na forma de   reagir a um processo de realojamento complexo. O que Scott diz sobre o registo   escondido pode aplicar-se às dinâmicas da população hindu relativamente ao   processo de realojamento no bairro até 2006. Na verdade, as famílias hindus   desenvolveram táticas informais no sentido de manterem o direito ao   realojamento em habitação social. No início dos anos 2000, no auge da aplicação   do PER,   fizeram-no (i) procurando dar razões aos técnicos de serviço social para a sua   necessidade especial de que o processo fosse acelerado; (ii) entregando   documentos relativos a problemas de saúde de um ou mais elementos dos agregados   familiares;(iii) procurando uma atenção especial por   parte dos técnicos. A (iv) utilização de boatos e bodes expiatórios (duas   formas de registo escondido elencadas por Scott) foi também prática corrente.</p>     <p>Todas estas formas de resposta, mas sobretudo   as primeiras três, caracterizam-se pela sua individualidade, uma vez que não   são feitas em conjunto pelos moradores. Cada família, cada indivíduo   deslocava-se ao Gabinete de Intervenção Local para expor o seu caso. A última   referida, boatos e bodes expiatórios, foi sendo percebida ao longo do trabalho   de campo. A abundância de frases ditas pelos moradores começadas com “dizem   que”, “parece que agora é que vai ser…”, “ouvi dizer”, atesta-o. A referência   aos bodes expiatórios prende-se com a recorrência de situações em que a Câmara   Municipal, personificada nos técnicos do Gabinete de Intervenção Local, era   acusada de ineficácia no processo de realojamento. Uma outra forma de bode expiatório   surgiu no bairro na forma de culpabilização dos vizinhos. Alguns moradores   queixaram-se aos técnicos de que outras famílias estavam a subalugar casas do   bairro de habitação social e que famílias a aguardarem alojamento social   encontravam alternativa residencial e alugavam a sua casa no bairro Quinta da   Vitória, em vez de comunicarem diretamente que já não necessitavam de   alojamento social. Desta forma, torna-se manifesto que “[as] reações são tanto   mais elaboradas quanto mais elaborado for o sistema de dominação que as   precede” (Scott 1990: 111).</p>     <p>Relativamente ao caso analisado antes, de   suspeitas dos técnicos sobre a população hindu, recorro a Scott quando diz que   o controlo sobre as populações através da vigilância agudiza a subordinação e   procura eliminar hipóteses de resistência, mas isso não quer dizer que ela não   suceda (Scott 1990: 83). Ouvi por diversas vezes que “é melhor não fazer   barulho”, no sentido de que a população hindu tinha a perceção de que seria   preferível não forçar o processo, e preferiam fazê-lo individualmente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sobre a informalidade das ações pela   manutenção do direito ao realojamento, uma outra citação de Scott faz aqui   sentido: “Só porque uma parte dos protestos são reivindicações de que os   dominantes cumpram o seu papel, não deixam de ser reivindicações e de   constituir uma massa crítica contra o poder dominante” (1990: 92). Explicando   melhor, no bairro ouvi por diversas vezes a seguinte formulação sobre o   processo de realojamento: “Dizem que vão fazer e depois não fazem nada e é só   promessas”, o que reflete um tempo de espera que separa o recenseamento da   população a habitar em barracas em 1992 e os realojamentos dez e quinze anos   depois. Deste modo, creio ser apropriado dizer que estas formas de registo   escondido ocorrem justamente em prol da manutenção do direito ao realojamento,   para que se cumpra aquilo que um dia lhes foi prometido.</p> <b>Da resistência subtil à resistência   pública</b>     <p>Além destas ações informais e individuais, naquilo que a certa altura na investigação considerei   constituir-se como um <i>habitus</i> na forma de agir sobre o contexto   sociopolítico a acontecer sobre esta população (Cachado 2005), no ano de 2006,   os acontecimentos acabam por pôr em causa um argumento teórico sobre a   população estudada. Os hindus da Quinta da Vitória pareciam encaixar-se bem na   formulação de Scott de resistência subtil e, se o trabalho de terreno tivesse   terminado antes dos acontecimentos relatados em seguida, os argumentos de Scott   aplicar-se-iam à Quinta da Vitória apenas pela metade. Na verdade, de certa   forma inesperadamente, isto é, para quem vinha observando apenas registos   escondidos na formulação de Scott, em 2006 a população hindu envolveu-se num   processo de luta formal, pública, pelo acesso ao realojamento. Clarificamo-lo   em seguida.</p>     <p>Alarga-se aqui o foco para uma escala mais   lata e conta-se resumidamente o contexto social em meados de 2006 relativamente   aos bairros degradados que aguardavam um desfecho para os seus processos de   realojamento. No início do ano de 2006 forma-se a Plataforma Artigo 65 –   Direito a Habitar, que era uma plataforma de associações pelo direito à   habitação nas suas diversas modalidades. Uma das associações componentes era a   Solidariedade Imigrante (Solim), que há menos de um ano formara um grupo de   trabalho chamado Direito à Habitação, seguindo a linha política e de ação do   Droit au Logement francês, cuja estratégia passava pelas ações com visibilidade   mediática. Este grupo de trabalho procurava motivar os moradores a lutarem pelo   direito ao realojamento em vários bairros em condições semelhantes às da Quinta   da Vitória, sobretudo no verão desse ano, que foi quando houve mais demolições   de casas de famílias com situação irregular no que dizia respeito ao processo   de realojamento.</p>     <p>Na mesma altura, a nível local, na Quinta da   Vitória, a Câmara Municipal via-se sem alternativas para os moradores que   continuavam a aguardar pelo desfecho do PER e aceitou a proposta do proprietário que   passava por indemnizar as famílias. Deste modo, a indemnização das famílias   coincidiu com o clímax de luta da Plataforma Artigo 65 e do grupo Direito à   Habitação.</p>     <p>A Solidariedade Imigrante no bairro começou   por fazer reuniões de motivação para a luta pelo direito à habitação. As   pessoas reagiram inicialmente de forma hesitante e desconfiada. Foi um processo   curioso quando ganharam confiança. Muitas pessoas falaram em público pela   primeira vez sobre as suas preocupações relativamente à habitação. Surgiram   frases, vindas de moradores hindus que compareceram a esta reunião, como “se   alguém quiser lutar sozinho não consegue” e “a união faz a força”. É importante   dizer que a abordagem das ativistas<a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title=""><sup>[20]</sup></a> foi diferente da de outras pessoas que se deslocavam ao bairro para realizar os   seus projetos. Foi uma intervenção mais aberta na forma de dialogar, rejeitando   posicionamentos de tipo assistencialista, segundo as próprias, o que terá   contribuído para a participação da população. E sobre a situação de falar pela   primeira vez, parece-me que a afirmação seguinte de Scott faz também todo o   sentido: a declaração aberta do registo escondido é experienciada como um   momento em que finalmente se disse a verdade (Scott 1990: 208).</p>     <p>Seguiram-se outros momentos de registo público   da resistência, de envolvimento político na luta pela manutenção do direito à   habitação. Destacam-se uma ação de luta no bairro contra a demolição de casas   de famílias que estavam em situação irregular no PER e a participação da população   numa manifestação no centro de Lisboa. Na primeira, com a colaboração do grupo   Direito à Habitação e da Plataforma Artigo 65, algumas famílias defenderam as   casas da demolição subindo aos telhados. Ao fim da manhã o processo de   demolição de casas de famílias foi interrompido. Já sobre a manifestação,   participaram poucos moradores hindus, mas ao falar com os poucos participantes,   destaca-se o caso de uma mulher que dizia ser a primeira vez que se deslocou ao   centro da cidade. É importante notar que este tipo de participação pública   representa a vida política dos subordinados que, como diz Scott, raramente é   vista como vida política (Scott 1990: 198).</p> <b>Considerações finais</b>     <p>Com o conceito de <i>hidden   transcript</i>, James Scott defende que as várias formas de resistência subtil   por parte de uma população em alguma situação de subalternidade vem um dia a   tornar-se resistência pública, num registo mais aberto. Muitas vezes, os casos   evidentes de registo escondido que se transformam em registo público referem-se   a situações que já ocorreram e, nesse sentido, podemos interpretá-las <i>a   posteriori</i> como tal. Raramente existe a oportunidade, como tive, no caso   desta etnografia com os hindus da Quinta da Vitória, de observar uma situação   evoluir para outra. Até 2006, o trabalho de campo no bairro demonstrava que os   moradores hindus respondiam informalmente à demora na execução do processo de   realojamento. Mas apesar de ter presenciado as diversas fases, fiquei   surpreendida com a revolta (aparentemente) repentina dos moradores hindus, tal   como, seguindo Scott, se surpreendem muitas vezes os cientistas sociais quando   observam processos de resistência pública (1990: 224).</p>     <p>Contudo, não é certo que a descrição desta   situação se enquadre num caso de resistência <i>tout court</i>. De resto, a   formulação de James Scott, nos seus principais argumentos (1985, 1990, 1998), o   que indicia é a importância de olhar para os subordinados (independentemente do   grau de subordinação) e conhecer os seus quotidianos para promover políticas   ajustadas e, em última análise, prevenir novos boatos, sussurros, eufemismos,   invenções, sobre os poderes instituídos, que pioram os canais de comunicação já   deteriorados ou mesmo inexistentes. O registo, primeiro escondido e depois   aberto, das respostas dos moradores hindus ao PER inacabado no seu bairro   evidencia antes um conjunto de adaptações, mais do que de resistências, à situação   vivida de forma prolongada. Outro autor de nome Scott (1997), numa análise   sobre o pós-colonialismo, defende que as populações colonizadas não se   limitaram a defender-se dos colonizadores durante os períodos conturbados das   independências, mas sim que as populações sempre fizeram a sua história; a   diferença é que não estava lá ninguém de fora para o contar, embora, note-se, o   “dar voz” não seja o objetivo central deste artigo. O que importa aqui é que   aquilo que pode ser facilmente lido <i>a posteriori</i> como resistência, é   mais difícil ser lido como tal quando em presença dos acontecimentos.</p>     <p>Neste artigo procurei descrever a situação de   vivência prolongada por parte de uma população que reagiu de variadas formas a   uma política social de grande envergadura, como foi o PER. A expetativa e esperança   iniciais, potenciadas pelos discursos da própria lei do PER e pela presença inicial de   trabalhadores sociais no bairro, foram sendo substituídas pela quase ausência   de informação clara sobre o processo de realojamento e, ao mesmo tempo, por um   acréscimo das exigências burocráticas face à população que aguardava por uma   habitação social. O desequilíbrio entre a falta de informação e a exigência do   lado dos executores gerou um conjunto de respostas por parte da população em   causa. Olhando mais atentamente para essas respostas, torna-se percetível, não   sem surpresa quando os registos se tornam públicos, que esta população   transnacional, adaptando-se a novos contextos nacionais e urbanos praticamente   de geração em geração, desenvolveu as suas próprias artes de resistência.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <!-- ref --><p>AGIER, Michel, 2011, <i>Antropologia da Cidade: Lugares, Situações,   Movimentos</i>. São Paulo, Editora Terceiro Nome.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S0873-6561201300030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANTUNES, Luís Frederico Dias, 2001, <i>O Bazar e a Fortaleza em Moçambique: A Comunidade Baneane do Guzerate e a   Transformação do Comércio Afro-Asiático (1686-1810)</i>. Lisboa, FCSH-UNL, tese de doutoramento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0873-6561201300030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ASCENSÃO, Eduardo, 2011, <i>The Post-Colonial Slum: A Geography of Informal Settlement in Quinta da Serra, Lisbon 1970s-2010</i>. Londres, King’s College, tese de doutoramento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0873-6561201300030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BAGANHA, Maria Ioannis, Pedro MARQUES, e José Carlos GÓIS, 2004, “Novas   migrações, novos desafios: a imigração do Leste europeu”, <i>Revista Crítica de   Ciências Sociais</i>, 69: 95-115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0873-6561201300030000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BANDEIRINHA, José António, 2007, <i>O Processo </i><i>SAAL</i><i> e a Arquitectura no 25 de Abril de 1974</i>. Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0873-6561201300030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BAPTISTA, Luís Vicente, 1999, <i>Cidade e Habitação Social</i>. Oeiras, Celta   Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0873-6561201300030000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BAPTISTA, Luís Vicente, 2001, “Cidades e políticas sociais de habitação:   armadilhas conceptuais e metodológicas”, <i>Cidades, Comunidades e Territórios</i>,   3, 71-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0873-6561201300030000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BASTOS, Susana Trovão Pereira, 2005, “‘Our colonizers were better than yours’: identity debates in   greater London”, <i>Journal of Ethnic and Migration Studies</i>, 31 (1): 79-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0873-6561201300030000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BASTOS, Susana Trovão Pereira, e José Gabriel Pereira BASTOS, 2001, <i>De Moçambique a   Portugal: Reinterpretações Identitárias do Hinduísmo em Viagem</i>. Lisboa, Fundação Oriente.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0873-6561201300030000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BAUMANN, Martin,   1998, “Sustaining little ‘Indias’: Hindu diasporas in   Europe”, em ­Gerrie Ter Haar (org.), <i>Strangers and   Sojourners: Religious Communities in the Diaspora</i>. Leuven, Peeters Publishers, 95-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0873-6561201300030000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BONETTI, Michel, 1994, “Revalorisation des quartiers en crise: de   la réhabilitation à la gestion urbaine intégrée”, <i>Sociedade</i><i> e Território</i>,   20: 17-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0873-6561201300030000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOURDIEU, Pierre, 1990, “Un contrat sous contrainte”, <i>Actes de la Recherche   en Sciences Sociales</i>, 81 (2): 34-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0873-6561201300030000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CABRAL, Paula, e Maria João MONTEIRO (orgs.), 2009, <i>Actas da Conferência Áreas Urbanas de Génese Ilegal: Projectos para a Legalização de Um   Sonho</i>. Cascais, Câmara Municipal de Cascais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0873-6561201300030000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CACHADO, Rita d’Ávila, 2000, <i>Vivências na Vitória: Esboço de Caracterização   da Comunidade Hindu da Quinta da Vitória</i>. Loures, Câmara Municipal de   Loures, relatório de estágio profissional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0873-6561201300030000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CACHADO, Rita d’Ávila, 2005, “Um bairro em vias de realojamento: estratégias   de resistência e de adaptação aos processos burocráticos”, em <i>Política   Cultural: Iniciativas de las Administraciones, Respuestas de los Administrados</i>, X Congreso de Antropología, Sevilha, Fondación El Monte, FAAEE, AAA, 121-136.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0873-6561201300030000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CACHADO, Rita d’Ávila,   2008a, “Poverty political discourse and its effects: Portuguese Hindus between   shanty town and the social housing estate”, <i>Arquivos</i><i> da Memória</i>, n.&#8197;s.,   3: 39-57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0873-6561201300030000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CACHADO, Rita d’Ávila, 2008b, “Entre as casas e o templo, a rua: comunidade hindu e interacções de bairro”, em Graça Índias Cordeiro e Frédéric Vidal (orgs.), <i>O Lugar da Rua: Espaço, Tempo, Sociabilidade</i>.   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Lisboa,   Mundos Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0873-6561201300030000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CET – Centro de Estudos Territoriais, 1992a, <i>Perfil Social e Situação   Habitacional da População Residente em Bairros de Barracas do Concelho de   Loures</i>. Lisboa, CET.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0873-6561201300030000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CET – Centro de Estudos Territoriais, 1992b, <i>Levantamento e   Caracterização Urbanística dos Bairros de Barracas do Concelho de Loure</i>s.   Lisboa, CET.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0873-6561201300030000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COTRIM, Ana, Ana RUNA, Lisete ALMEIDA, Luís WEMANS, e Teresa AMOR, 2001, “Impactes   sociais e urbanos da ponte Vasco da Gama: economia local, habitação e condições   de vida em avaliação”, <i>Cidades, Comunidades e Territórios</i>, 2: 99-110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0873-6561201300030000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CRAVEIRO, Maria Teresa, e Fernando Nunes da SILVA, 1984, “Serra da Silveira:   urbanizar com a população”, <i>Sociedade e Território</i>, 1: 61-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0873-6561201300030000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIAS, Nuno, 2009, <i>Remigração</i><i> e Etnicidade: Mobilidade Hindu no Trânsito Colonial entre a África de Leste e a Europa</i>. Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, tese de doutoramento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0873-6561201300030000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DUBOIS, Vincent,   2009, “Towards a critical policy ethnography: lessons from fieldwork on welfare   control in France”, <i>Critical Policy Studies</i>, 3 (2): 219-237.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0873-6561201300030000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FARINA, Mónica, 2001, <i>Por Uma Antropologia do Habitar: Projecto e Quotidiano Num Bairro de   Habitação Social em Lisboa</i>. Lisboa, ISCTE, tese de mestrado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0873-6561201300030000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERREIRA, António Fonseca, 1988, “Política(s) de habitação em Portugal”, <i>Sociedade   e Território</i>, 6: 54-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0873-6561201300030000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FONSECA, Maria Lucinda, 1990, <i>População e Território: Do País à </i>Á<i>rea   Metropolitana</i>. Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tese   de doutoramento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0873-6561201300030000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FREITAS, Maria João, 2001, “Recentramento do olhar nas questões da habitação:   territórios relacionais generativos”, <i>Cidades, Comunidades e Territórios</i>,   3: 21-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0873-6561201300030000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FREITAS, Maria João, 2002, “Aprendizagens num percurso de autonomias e   poderes: o processo de realojamento em Cascais<i>”</i>,<i> Cidades, Comunidades   e Territórios</i>, 4: 19-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0873-6561201300030000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GROS, Marielle Christine, 1994, “‘Pequena’   história do alojamento social em Portugal”, <i>Sociedade e Território</i>, 20:   80-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0873-6561201300030000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUERRA, Isabel, 2001, “Intervenções face à exclusão social urbana: uma luta   inglória?”, <i>Cidades, Comunidades e Territórios</i>, 2: 47-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0873-6561201300030000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HUCHZERMEYER, Marie, e Aly KARAM (orgs.), 2006, <i>Informal   Settlements: A Perpetual Challenge?</i> Cidade do Cabo, UCT Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0873-6561201300030000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JACKSON, Jean   E., 1990, “‘I am a fieldnote’: fieldnotes as a symbol of professional identity”, em Roger Sanjek (org.), <i>Fieldnotes</i><i>:   The Makings of Anthropology</i>. Ithaca e Londres,   Cornell University Press, 3-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0873-6561201300030000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KNOTT, Kim,   2000, “Hinduism in Britain”, em Harold Coward, John Hinnels e Raymond Williams (orgs.), <i>The South Asian   Diaspora in Britain, Canada and the United States</i>. Nova Iorque, State University of   New York Press, 89-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0873-6561201300030000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LAGES, Joana Pestana, 2011, À <i>Espera no Bairro do Talude Militar:   Reflexões sobre o Direito à Habitação</i>. Lisboa, Faculdade de Arquitetura da   Universidade Técnica de Lisboa, tese de mestrado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0873-6561201300030000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEDERMAN, Rena,   1990, “Pretexts for ethnography: on reading fieldnotes”,   in Roger ­Sanjek (org.), <i>Fieldnotes</i><i>:   The Makings of Anthropology</i>. Ithaca e Londres, Cornell University Press, 71-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0873-6561201300030000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEITE, Joana Pereira, 1996, “Diáspora indiana em Moçambique”, <i>Economia   Global e Gestão</i>, s.&#8197;n.: 67-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0873-6561201300030000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LOURENÇO, Inês, 2010,   “Anthropological perspectives on female identity: the Hindu Diaspora in   Portugal”, <i>The International Journal of Interdisciplinary Social Sciences</i>,   5 (5): 143-150.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0873-6561201300030000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MACHADO, Fernando Luís, e Joana AZEVEDO, 2009, “A investigação sobre imigração e etnicidade em Portugal: tendências, vazios e propostas”, <i>Migrações</i>, 4: 7-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0873-6561201300030000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MACHADO, Igor José de Renó (org.),   2006, <i>Um Mar de Identidades: Imigração Brasileira em Portugal</i>. São   Carlos, Edufscar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0873-6561201300030000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MALHEIROS, Jorge, e Lucinda FONSECA (orgs.), 2011, <i>Acesso à Habitação e   Problemas Residenciais dos Imigrantes em Portugal</i>. Lisboa, ACIDI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0873-6561201300030000300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NUNES, João Pedro Lopes de Oliveira Silva, 2011, <i>Florestas de Cimento   Armado: Os Grandes Conjuntos Residenciais e a Constituição da Metrópole –   Lisboa, 1955-1981</i>. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e a Tecnologia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0873-6561201300030000300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OTTENBERG,   Simon, 1990, “Thirty years of fieldnotes: changing   relationships to the text”, em Roger Sanjek (org.), <i>Fieldnotes</i><i>:   The Makings of Anthropology</i>. Ithaca e Londres,   Cornell University Press, 139-160.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0873-6561201300030000300044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEARSON,   Michael, 2001, <i>The Indian Ocean</i>. Londres, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0873-6561201300030000300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, Raul da Silva, 1963, “Problemática da habitação em Portugal – 2”, <i>Análise   Social</i>, I (2): 225-269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0873-6561201300030000300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, Victor, 2009, “L’émigration clandestine portugaise vers la France et   les paradoxes de l’intégration européenne”, <i>Sociétés Politiques Comparées</i>,   19, disponível em &lt;<a href="http://www.fasopo.org/reasopo.htm#revue" target="_blank">http://www.fasopo.org/reasopo.htm#revue</a>&gt;   (última consulta em 27/9/2013).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0873-6561201300030000300047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PINHO, Ana Filipa, 2012, <i>Transformações na Emigração Brasileira para   Portugal: De Profissionais a Trabalhadores</i>. Lisboa, ISCTE-IUL, tese de doutoramento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0873-6561201300030000300048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>QUEDAS, Maria João, 1994, “Expectativas habitacionais e coexistência espacial   de grupos étnicos: inquérito à população mal alojada do concelho de Loures”, <i>Sociedade   e Território</i>, 20: 55-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0873-6561201300030000300049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RITA-FERREIRA, António, 1985, “Moçambique e os naturais da Índia portuguesa”, <i>Actas do </i><i>II Seminário Internacional de História Indo-Portuguesa</i>. Lisboa, IICT, s.&#8197;p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0873-6561201300030000300050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROXO, Pedro, 2010, “Negotiating identity through expressive   culture: Hindu-Gujarati Portuguese in Mozambique, Portugal and England”, em Susana   Trovão e Marta Vilar ­Rosales (orgs.), <i>Das Índias,   das Gentes: Movimentos e Pertenças Transnacionais</i>. Lisboa, Edições Colibri,   169-206.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0873-6561201300030000300051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SAINT-MAURICE, Ana, 1997, <i>Identidades Reconstruídas: Cabo-Verdianos em Portugal</i>. Oeiras, Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0873-6561201300030000300052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCOTT, David,   1997, “Le colonialisme”, <i>Revue Internationale des Sciences Sociales</i>, 154: 561-570.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0873-6561201300030000300053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCOTT, James C.,   1985, <i>Weapons of the Weak: Everyday Forms of Peasant Resistance</i>.   Westford, MA, Yale   University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0873-6561201300030000300054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCOTT, James C.,   1990, <i>Domination and the Arts of Resistance: Hidden Transcripts</i>. New   Haven e Londres, Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0873-6561201300030000300055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCOTT, James C.,   1998, <i>Seeing like a State: How Certain Schemes to Improve the Human   Condition Have Failed</i>. New Haven e Londres, Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0873-6561201300030000300056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SOARES, Luís Bruno, António Fonseca FERREIRA, e Isabel Pimentel GUERRA, 1985, “Urbanização   clandestina da Área Metropolitana de Lisboa”, <i>Sociedade e Território</i>, 3:   67-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0873-6561201300030000300057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SOBRAL, José Manuel, 2004, “Memoria social, identidad, poder y conflicto”, <i>Revista</i><i> de Antropología</i>, 13: 137-159.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0873-6561201300030000300058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TAMBS-LYCHE, Harald, 1980, <i>London Patidars: A Case Study in Urban Ethnicity</i>. Londres, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0873-6561201300030000300059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VERTOVEC,   Steven, 2000, <i>The Hindu Diaspora: Comparative Patterns</i>. Londres, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0873-6561201300030000300060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VILAÇA, Helena, 1999, “Alguns traços acerca da realidade numérica das   minorias religiosas em Portugal”, <i>Lusotopie</i>, 1999: 277-289.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0873-6561201300030000300061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WACQUANT, Loïc, 2005a, “Les deux visages du ghetto: construire un concept   sociologique”, <i>Actes de la Recherche en Sciences Sociales</i>, 160: 4-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0873-6561201300030000300062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WACQUANT, Loïc, 2005b, “‘Une ville noire dans la blanche’: Le guetto étasunien revisité”, <i>Actes de la Recherche en Sciences Sociales</i>, 160: 22-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0873-6561201300030000300063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>         <p>&nbsp;</p>       <p><b>NOTAS</b></p>       <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>       A pesquisa etnográfica para este artigo foi apoiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito de uma bolsa de doutoramento, e as reflexões teóricas foram desenvolvidas no curso do segundo triénio de um projeto de pós-doutoramento (FCT SFRH/BPD/47813/2008). Agradeço aos     avaliadores deste artigo os comentários e chamadas de atenção e ao professor     Brian Juan O’Neill, que me apresentou os conceitos de James Scott.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>       Qualquer um dos autores tem dedicado a maior parte do seu trabalho ao tema referido; incluíram-se aqui apenas as referências às publicações mais recentes neste domínio.</p>         <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>       A título de exemplo quanto a possíveis sobreposições, refiram-se as categorias “retratos de populações migrantes e minorias étnicas” e “identidades e práticas culturais”, que surgem com um número de estudos muito díspar – 89 e 47 respetivamente –, estando o primeiro entre os temas mais estudados e o segundo entre os menos estudados (cf. Machado e Azevedo 2009: 13-15).</p>         <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>       Recentemente, num livro que tive oportunidade de coorganizar (Cachado e Baía 2012), foram publicados alguns trabalhos de mestrado bem como primeiros resultados de pesquisas de doutoramento nesta área de estudos.</p>         <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>       Importa referir que muitos autores rejeitaram claramente a tradução literal do francês <i>bidonville</i> por <i>bairro</i><i> de lata</i>, e vários fazem referência à construção vernacular (termo mais utilizado pela arquitetura). No entanto, a designação inglesa <i>informal settlements</i> contribuiu para     reparar lacunas na discussão sobre os termos utilizados para descrever     conjuntos residenciais onde as casas são construídas pelos seus moradores.     Assim, neste texto utiliza-se a designação “barracas” (entre aspas), escolha     que decorre ainda do facto de, apesar da informalidade da construção, as casas     serem quase sempre de alvenaria, e ainda no sentido de contribuir para a     desconstrução de um termo usado abusivamente na literatura, que nem sempre     corresponde à designação usada pelos seus moradores. Em trabalho anterior, tive     também oportunidade de desenvolver uma pequena discussão sobre a terminologia associada a bairros degradados (Cachado 2012: 34-41).</p>         <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a>       A prevalência e preferência pelo diário de campo como método de registo de dados etnográficos manteve-se ao longo de todo o trabalho de terreno na Quinta da Vitória.     Esta escolha não resulta tanto de uma necessidade de identificação profissional     (Jackson 1990: 6), mas é motivada sobretudo pela consistência dos dados nele contidos (Lederman 1990: 72) e pela sua capacidade interpretativa (Ottenberg 1990: 149).</p>         <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a>       A maior parte dos estudos sobre bairros clandestinos que vieram a enquadrar-se na legislação das AUGI não foi publicada, estando o seu acesso muitas vezes reservado aos centros de documentação camarários ou do Instituto Nacional de Habitação (atual IHRU).</p>         <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a>       No caso do bairro Quinta da Vitória,     os recenseamentos posteriores, por ocasião das atualizações efetuadas aos bairros PER, visaram sobretudo as famílias já recenseadas, e as famílias residentes não inscritas no PER foram registadas em termos numéricos absolutos, mas não em termos de composição do agregado ou das condições habitacionais.</p>         <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a>       O IGAPHE e o INH foram entretanto extintos e integrados no IHRU, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.</p>         <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a>     À semelhança, por exemplo, do concelho de Cascais, que instituiu o Gabinete Autónomo para Programação e Gestão do PER (Freitas 2002). No concelho de Lisboa, foi a Gebalis (Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa, EEM) que promoveu a gestão dos bairros de habitação social.</p>         <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">[11]</a>     Os projetos desenvolvidos centraram-se em áreas que iam desde a ajuda alimentar, passando por cursos de língua portuguesa, até à promoção do emprego e da saúde (áreas de saúde materna e infantil, prevenção do alcoolismo e colaboração na recuperação da     tuberculose). Foram levados a cabo por instituições do Estado e organizações privadas de solidariedade social, por associações de voluntários, etc. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">[12]</a>     Como é patente nesta área de estudos, a distinção entre origem e nacionalidade é útil para conhecer melhor as populações imigrantes provindas de ex-colónias portuguesas. Além disso,     no caso dos hindus, com uma história de diáspora múltipla, em que a origem e a     nacionalidade se misturam nos seus percursos migratórios, seria a distinção     através da pertença religiosa que contribuiria para conhecer melhor em termos     demográficos a população em causa. No entanto, os hindus estão acoplados à     categoria “outras religiões não cristãs” nos censos nacionais, numa secção de     preenchimento opcional como é a religião. A ineficácia deste aspeto nos censos portugueses foi já referida por Helena Vilaça (1999).</p>         <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">[13]</a>     É raro encontrar entre os autores que analisam a diáspora sul-asiática trabalhos sobre as condições de acesso à habitação, mas é esse o caso do estudo de Tambs-Lyche (1980), onde se encontram semelhanças nas situações iniciais de sobreocupação residencial e de espera por uma habitação.</p>       <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">[14]</a>     Esta forte imigração está de alguma maneira patente nos censos sobre religião, mesmo incompletos, onde podemos verificar que, entre 1981     e 1991, os praticantes de “outras religiões não cristãs” passam de um total de 3899 para     9455, representando cerca do dobro em termos percentuais face a outras religiões (de 3,37% passam para 6,31% do total das religiões não católicas em Portugal).</p>         <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">[15]</a>     O bairro Quinta da Vitória foi construído sobre a linha de fronteira Loures-Lisboa que, à semelhança de uma grande parte da linha de fronteira entre Lisboa e os concelhos limítrofes, corresponde à antiga Estrada Militar.</p>         <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">[16]</a>     Em entrevista, uma assistente social em funções no GIL na altura referia que o processo aconteceu “de repente” (12/04/2005).</p>         <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">[17]</a>     Em 2004, isto era sobretudo verdade para os elementos mais velhos. Alguns,     mais novos, relatavam que, após a transferência do espaço religioso, optaram     por se dirigir mais frequentemente a outros templos (em Santo António dos     Cavaleiros, Templo de Shiva, e no Lumiar, Templo de Radha-Krishna) para as     festividades mais importantes do calendário hindu, justamente devido à     composição etária dos devotos frequentadores dos templos. Recentemente, com o     auxílio do Facebook, os elementos mais novos da família que gere o templo vêm     impulsionando as atividades religiosas, trazendo de novo outros jovens para o Jai Ambé Mandir.</p>         <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">[18]</a>     No Orçamento Retificativo de 2002 (Lei n.º 16-A/2002,     de 31 de maio) o nível máximo de endividamento das câmaras municipais foi reduzido para metade do     que até então era possível. Apesar disso, havia     exceções para o caso da habitação social, exceção essa que foi mantida na Lei     n.º 32-B/2002, de 30 de dezembro, que aprovou o Orçamento de     Estado (OE) de 2003. No ano seguinte, o quadro legal restritivo relativamente     ao endividamento das autarquias manteve-se (na Lei n.º     107-B/2003, de 31 de dezembro, que aprovou o OE de 2004),     revogando a exceção para a habitação social, o que levou a Associação Nacional     de Municípios Portugueses a contestar o facto de a exceção se manter para as dívidas contraídas relativamente ao Euro 2004 e não para a habitação social.</p>         <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">[19]</a>     Para um total de 65 processos familiares analisados, somaram-se 952 fotocópias de documentos, perfazendo uma média de 15 documentos por agregado familiar, desde identificação, a certidões variadas.</p>         <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">[20]</a>     A utilização do feminino reflete o testemunho no terreno de que o grupo de trabalho Direito à Habitação da Associação Solidariedade Imigrante na Quinta da Vitória (e noutros bairros) se fazia representar sobretudo por mulheres.     Da população, a forte participação das mulheres é também de realçar. No     entanto, as questões de género abordadas por uma vasta produção académica, não ignorada por mim, não são problematizadas teoricamente neste trabalho.</p>      </body> </html>     ]]></body>
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