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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Parecem indianos na cor e na feição: a “lenda negra” e a indianização dos portugueses]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[They look like Indians in their color and feature: the “black legend” and the indianization of the Portuguese]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Ciências Sociais ]]></institution>
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<country>Portugal</country>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article focuses on the linkages between mimesis, Indianization of the Portuguese established in India from the 16th century, and the development of a “black legend” on the Portuguese empire. In which ways the going native of the Portuguese was perceived and presented, internally and externally, as undesirable? How did this perception contributed to produce a negative idea of the Portuguese behavior in colonial context? And in which ways the going native was associated with the conviction that the Portuguese were unable to govern themselves (since they could not control their passions, their inner nature), and therefore, incapable of governing the others? The Travel Account of the Voyage of the Sailor Jan Huyghen van Linschoten to the Portuguese East India, first published in Holland in 1596, is a good place to start with in order to discuss these questions. By analyzing Linschoten’s treatise, as well as its inspirations and reverberations in the next centuries, I intend to contribute to the making of a genealogy of the “black legend” of the Portuguese empire, identifying its origins in the first decades of the 16th century.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[mimesis]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[India]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 



    <p><b>“Parecem indianos na cor e na feição”: a “lenda negra” e a
indianização dos portugueses</b></p>
    <p><b>&ldquo;They look
like Indians in their color and feature&rdquo;: the &ldquo;black legend&rdquo; and the indianization of the Portuguese</b></p>
    <p><b>Ângela Barreto Xavier</b>*</p>
    <p>*Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais,
Universidade de Lisboa, Portugal. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:angela.xavier@ics.ul.pt">angela.xavier@ics.ul.pt</a></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><b>RESUMO</b></p>
    <p>Este artigo incide sobre as articulações entre <i>mimesis</i> e
a indianização dos portugueses estabelecidos na Índia a partir do século XVI, e o papel que estas tiveram na formulação
de uma “lenda negra” sobre o império português. Como é que a nativização dos
portugueses foi sendo percebida e apresentada, tanto interna quanto
externamente, como algo de indesejável, contribuindo para gerar uma representação
negativa dos portugueses em situação colonial? Em que medida é que essa
nativização foi associada à ideia de que os portugueses eram incapazes de se
governarem a si mesmos (i.&#8197;e.,
de controlarem as suas paixões, de autodisciplinarem a sua natureza) e, por
conseguinte, de governarem os outros? O <i>Itinerário, Viagem ou Navegação para
as Índias Orientais ou Portuguesas</i> de Jan Huygen van Linschoten, tratado
publicado pela primeira vez na Holanda, em 1596, é um
excelente ponto de partida para
discutir estas questões.
Analisando o texto de Linschoten, bem como as suas
reverberações nos séculos seguintes, proponho-me contribuir para uma
genealogia da “lenda negra”, fazendo remontar as suas origens às primeiras
décadas do século XVI.</p>

    <p><b>Palavras-chave</b>: <i>mimesis</i>,
império, “lenda negra”, Portugal, Índia.</p>
    <p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>
    <p>This
article focuses on the linkages between mimesis, Indianization
of the Portuguese established in India from the 16<sup>th</sup> century, and
the development of a “black legend” on the Portuguese empire. In which ways the
going native of the Portuguese was perceived and presented, internally and
externally, as undesirable? How did this perception contributed to produce a
negative idea of the Portuguese behavior in colonial context? And in which ways
the going native was associated with the conviction that the Portuguese were
unable to govern themselves (since they could not control their passions, their
inner nature), and therefore, incapable of governing the others? The <i>Travel
Account of the Voyage of the Sailor Jan Huyghen van Linschoten to the Portuguese East India</i>, first
published in Holland in 1596, is a good place to start with in order to discuss
these questions. By analyzing Linschoten’s treatise,
as well as its inspirations and reverberations in the next centuries, I intend
to contribute to the making of a genealogy of the “black legend” of the
Portuguese empire, identifying its origins in the first decades of the 16<sup>th</sup>
century.</p>

    <p><b>Keywords</b>: <i>mimesis</i>, empire, “black
legend”, Portugal, India.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Partindo do pressuposto de que existem
muitas semelhanças entre as dinâmicas da <i>mimesis</i> e da nativização (<i>going
native</i>), neste ensaio procurarei mostrar de que forma é que a indianização
dos portugueses (entendida, precisamente, como uma forma de nativização) foi
sendo apresentada como algo de indesejável, tanto interna quanto externamente,
contribuindo para gerar uma imagem negativa dos portugueses em situação
colonial, alimentando, por essa via, a constituição da sua “lenda negra”.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a> Também me
interessa saber como é que essa nativização foi associada à ideia de que os
portugueses eram incapazes de se governarem a si mesmos (i.&#8197;e., de controlarem
as suas paixões, de autodisciplinarem a sua natureza) e, por conseguinte, de
governarem os outros, um outro tópico recorrente na narrativa da “lenda negra”.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a><sup></sup></p>

    <p>A “lenda negra” portuguesa participa, como é sabido, de uma
“lenda negra” mais vasta, coroada pela Espanha, mas abrangendo todo o Sul da
Europa.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> À semelhança da lenda
espanhola, os argumentos inicialmente utilizados para formular a “lenda negra”
portuguesa identificam-se, em primeiro lugar, na reflexividade interna
quinhentista. Apenas mais tarde os mesmos argumentos foram adotados,
sintetizados, sistematizados e disseminados por agentes de potências rivais
(Holanda, Inglaterra, França), favorecendo a emergência de um conjunto de
regras mais ou menos estáveis que governaram a representação pública destas
regiões, suas gentes e processos históricos. Em contraste com a lenda
espanhola, comandada pela tópica da crueldade e do sangue, nas explicações
providenciadas a partir de finais do século XVI
sobre o império português sobressaíram temas como a facilidade com que os
portugueses se envolviam com as populações dominadas e a corrupção do seu
aparelho político-administrativo (Chaturvedula 2010; Boogart 2003; van Veen
2000). No que diz respeito ao primeiro aspeto, os portugueses vieram a ser
acusados de imitar as populações indianas, não só desposando mulheres locais,
como adotando muitos dos seus comportamentos. Para muitos, estas escolhas
revelavam que os portugueses não tinham domínio de si, sendo, por consequência,
incapazes de governarem os outros, o que explicava o seu rápido declínio
imperial.</p>

    <p>Ironicamente, este mesmo tema da destreza social e sexual dos
portugueses tornou-se, no século XX, um
dos principais ícones do oposto da “lenda negra”, sendo convocado para explicar
a sustentabilidade da presença imperial portuguesa nas diferentes partes do
globo. Apesar de ser constituída, também ela, por um feixe de tópicos, muitos
deles alimentados pela épica, pela literatura e pela poesia, envolvendo nomes
tão incontornáveis para a construção de uma comunidade imaginada de portugueses
como os de Luís de Camões, ­António Vieira, ou Fernando Pessoa, a “lenda áurea”
assentou, em grande medida – e graças às teorias luso-tropicalistas de Gilberto
Freyre e sua receção interna –, na exaltação dos comportamentos que os
portugueses tendiam a ter nos trópicos, capazes, como nenhum outro europeu, de
estabelecer diálogos produtivos com os povos que colonizavam, permitindo ao
regime salazarista apresentar o imperialismo português como sendo diferente dos
demais (Cardão 2012; Castelo 1998; Souza 2000).</p>

    <p>Que essa singularidade portuguesa – a ser verdadeira – não
terá sido propriamente singular pode depreender-se da leitura do livro de
Barbara Fuchs, <i>Mimesis and Empire</i>, no qual o mesmo cenário de diálogos
produtivos em contexto colonial emerge, mas agora a partir de um conjunto de
casos envolvendo espanhóis, índios, muçulmanos, e ingleses. A Fuchs
interessou saber como é que <i>mimesis</i> e identidade se articularam em
contexto colonial, quer no que dizia respeito à identidade do colonizador, quer
das identidades disponibilizadas aos “colonizados”. Um dos objetivos de Fuchs
foi demonstrar que, na época moderna, a <i>mimesis</i> funcionava como um
instrumento que desafiava as identidades nacionais e imperiais, um mecanismo de
inclusão social e uma forma de preservação da diferença face às pressões para a
homogeneização – quer pelos modos de imitação do “colonizador” pelo
“colonizado”, quer pelo seu inverso (Fuchs 2001, veja-se a introdução e a
conclusão).<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"
title=""><sup>[4]</sup></a><sup></sup></p>

    <p>O enfoque que aqui se desenvolve distancia-se tanto do
luso-tropicalismo de Freyre e seus seguidores quanto do otimismo mimético de
Fuchs. Ao invés, o que se explora nas próximas páginas são as tensões geradas
pelas práticas da <i>mimesis</i> no contexto colonial indiano da época moderna,
acompanhadas da preocupação com a sua regulação. Apesar de olhadas com alguma
simpatia por um olhar pós-moderno, e apesar de, na Europa da época moderna, a <i>mimesis</i>
também ser, como Fuchs notou, um dispositivo que permitia estabelecer diálogos
produtivos com a diferença, as práticas miméticas em territórios coloniais
podiam abrir caminho a duas situações indesejáveis para boa parte das mulheres
e homens dos séculos XVI e XVII: a má imitação e a dissolução da diferença
entre “colonizador” e “colonizado” (o que alterava a hierarquia e a distância
constitutivas da própria relação imperial, pondo em causa a sua permanência).</p>

    <p>Com o objetivo de explorar estas questões, as páginas que se
seguem obedecem ao seguinte itinerário: em primeiro lugar, o leitor é convidado
a partilhar uma muito sucinta reflexão em torno da ordem da imitação e seus
entendimentos na época moderna. Em seguida, providencia-se uma síntese das
imagens gizadas sobre as práticas miméticas dos portugueses no <i>Itinerario:
Voyage ofte schipvaert van Jan Huygen van Linschoten naar Oost ofte Portugaels
Indien</i>, de Jan Huyghen van Linschoten, um holandês ao serviço da coroa de
Portugal que residiu em Goa no último quartel do século XVI.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"
title=""><sup>[5]</sup></a> As reverberações
negativas que as imagens veiculadas por Linschoten tiveram nos séculos
posteriores – e seus possíveis significados – serão o objeto das secções
seguintes.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dada a profusão de documentação que poderia ser compulsada
para fazer a genealogia de um tema tão vasto, esta reflexão tem um caráter
explicitamente introdutório.<a href="#_ftn6"
name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a> E mesmo
correndo o risco de ser acusada de impressionismo analítico, utilizo aqui
documentação oriunda de séculos muito distintos, por esta permitir uma
apreensão diacrónica das modalidades que foram sendo assumidas pela “lenda
negra” do império português. Acredito que uma visão panorâmica poderá servir de
contexto a futuras discussões, permitindo regressar à análise destes processos
constituintes de algum do senso comum que ainda hoje partilhamos acerca dos
processos de nativização no império português.</p>

    <p><b><i>Mimesis</i> e <i>imitatio</i> na época moderna</b></p>

    <p>Escrever sobre experiências miméticas
em contexto histórico coloca-nos perante uma variedade de problemas, o primeiro
dos quais decorre da distância que se interpõe entre o objeto de investigação –
i.&#8197;e., o campo
lexical do vocábulo <i>mimesis</i> em situações pretéritas e aquelas situações
em que este se manifestou – e o conceito operativo de <i>mimesis</i> selecionado
pelo investigador, vinculado a uma determinada teoria social sobre o papel da<i>
mimesis</i> nas organizações sociais. Se, por um lado, é este conceito
operativo que predetermina a abordagem do objeto, por outro, cabe ao
investigador ser capaz de traduzir a linguagem passada, tornando visíveis as
fronteiras que separam passado e presente. O exercício é tanto mais difícil quanto as palavras
utilizadas são frequentemente as mesmas. Daí a utilidade dos próximos
parágrafos, que visam clarificar alguns usos da categoria <i>mimesis</i> na
época moderna.</p>

    <p>O primeiro aspeto que
importa salientar é que estes usos tiveram lugar no âmbito de um outro
paradigma epistemológico, profundamente marcado pela teoria aristotélica do
conhecimento, e por práticas quase irredutíveis ao nosso olhar. Nesse contexto
de grande alteridade relativamente aos dias de hoje, a <i>mimesis</i> tinha uma
dignidade epistemológica e ética, uma ubiquidade que se foi perdendo nos
séculos seguintes – apesar de o seu restabelecimento enquanto conceito
operativo recuperar, em muitos casos, sentidos anteriores (Tarde 1962). Lembrar que, depois da Bíblia, o livro que maior
circulação teve na época moderna se intitulava <i>Imitatio Christi</i>
evidencia o peso que a imitação (versão latina da <i>mimesis</i>) teve no
período em causa, bem como o modelo que, em primeiro lugar, se devia imitar.
Muitos outros títulos que utilizavam o vocábulo <i>imitatio</i> (sem considerar
uma variação deste género, que era a literatura especular, também com enorme
sucesso na época) podiam ser compulsados, de modo a corroborar esta ideia
inicial, mas creio que este caso é suficientemente sugestivo para sustentar a
tese que pretendo defender (von Habsburg 2011).</p>

    <p>No início da época moderna, mais do que <i>mimesis</i>
(transliteração da palavra grega <i>&#956;&#943;&#956;&#951;&#963;&#953;&#962;</i>),
era a versão latina, a <i>imitatio</i>, a polarizar o conjunto de teorias e práticas
relativas à replicação, reprodução, e representação de ideias e comportamentos.
Também diferentemente do mundo contemporâneo pós-piagetiano, no qual a
conjunção<i> mimesis&#8202;/&#8202;imitatio</i> foi
relegada para um estádio propedêutico do conhecimento, até ao século XVIII estas categorias constituíram-se como as
principais modalidades de conhecimento e de aprendizagem, permitindo transferir&#8202;/&#8202;traduzir
conhecimentos e
práticas e, por essa via, constituir e construir a realidade social.</p>

    <p>Essa transferência, quer de conhecimentos quer de práticas,
podia processar-se tanto de uma área de saberes para outra, quanto de uma para
outra região, de uma para outra pessoa. Evocando um caso relacionado com o tema
que é aqui objeto de análise, isso implicava, por exemplo, que as expansões
imperiais dos cristãos potenciassem a imitação dos cristãos por aqueles que não
o eram – apesar de na prática ter significado, ainda que indesejadamente, o
contrário.</p>

    <p>Este modelo, transversal a toda a Europa da época moderna,
católica ou protestante, e aqui sumarizado de forma muito grosseira, não era
isento de ansiedade cultural. Apesar da sua natureza eminentemente reprodutora,
a estabilidade que a ordem da <i>imitatio</i> tendencialmente configurava era
posta em causa por uma série de fatores.</p>

    <p>Em primeiro lugar, o próprio processo de imitação encerrava
uma deslocação. A replicação de um modelo raramente era perfeita, pelo que
sobrava sempre uma margem para a diferença (ideia posteriormente desenvolvida
por Gabriel Tarde), podendo subverter, até ironicamente, a finalidade do
processo, como Homi Bhabha inspiradamente lembrou (Tarde 1962; Bhabha 1994).
Essa possibilidade era maior quando as transferências de modelos se processavam
de um para outro contexto discursivo (da pintura para a poesia, do teatro para
a pintura, da poesia para o teatro), ou de um para outro contexto cultural,
como de Portugal para a Índia, ou da Espanha para o Peru (Greenblatt 1980;
Melehi 2010).</p>

    <p>A par desse risco – e frequentemente engrandecendo esse risco
–, erguia-se um risco ainda maior, o da
má imitação, a
imitação de maus exemplos, ou a
sátira dos bons exemplos.
Esses perigos tinham levado Platão, no tratado <i>A República</i>, a
desvalorizar a imitação enquanto instrumento de aprendizagem, já que esta tinha
de ser constantemente controlada de modo a evitar o contágio e, com ele, uma
epidemia de maus comportamentos. É
que os maus, os vilões, os inferiores, os pagãos e, em última instância, o
próprio demónio (que tantas vezes se apresentava como semelhante a Deus), não
eram apenas objeto de imitação no teatro e na literatura, mas também na vida
real, o que tornava essa ameaça um perigo efetivo. E, como era sabido, a
imitação do inferior pelo superior, do menos digno pelo mais digno, podia gerar
um ciclo vicioso, e, dessa forma, alterar os equilíbrios sociais, conduzindo a
transformações indesejadas um mundo que valorizava, sobretudo, a conservação.</p>

    <p>Por fim, os próprios desafios colocados pelas variadas
dinâmicas históricas podiam constituir-se como ameaças à estabilidade da ordem
imitativa. São fáceis de identificar os riscos inerentes às viagens de Colombo
e Vasco da Gama, e à multiplicação de sociedades não europeias em contacto
rotineiro com os europeus. O fascínio que algumas delas, ou alguns dos seus
costumes, geravam entre alguns cristãos podia comprometer ou até dissolver a
sua identidade de partida. Igualmente perturbadora terá sido a fragmentação
religiosa que a Europa experienciou no século XVI,
já que a partir desse momento passaram a rivalizar, de forma muito mais intensa
do que anteriormente, vários modelos de cristandade, e várias formas de imitar
Cristo. Ou seja, tanto no interior da <i>respublica christiana</i> – com esta
competição entre modelos de cristandade –, quanto no seu exterior – onde se
apresentavam modelos sociais e antropológicos alternativos –, os europeus
depararam, do século XVI em diante, com
uma fragmentação de possibilidades de ser que previamente não ocorria e que
desafiava uma certa homogeneidade da ordem cultural preexistente. Se as regras
da imitação funcionavam relativamente bem num mundo fechado, no qual os modelos
a imitar eram bem conhecidos, como é que se governava a imitação num mundo
móvel, com fronteiras cada vez mais porosas, povoado de pessoas e situações
mais ou menos desconhecidas?</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>De heróis a desgovernados: a crítica aos portugueses no
itinerário de Jan Huyghen van Linschoten</b></p>

    <p>Em <i>Os Lusíadas</i>, Camões exalta
os feitos que os portugueses de finais de quatrocentos tinham alcançado,
comparando-os a egípcios, gregos e troianos, a Alexandre e a Trajano.
Simbolizados por um Vasco da Gama vestido ao modo hispano, mas com roupa
francesa, em tecidos venezianos “carmesim, cor que a gente tanto preza”, os
heróis portugueses de Camões ostentavam todas as insígnias de um cristão
europeu. No último canto, o poeta aconselha o rei D. Sebastião a favorecer e a
alegrar estes seus vassalos, sempre prontos a “vos servir, a tudo aparelhados”
que “não duvido Que vencedor vos façam, não vencido”. Para Camões, era
inquestionável a grandeza dos portugueses, capazes de superar os modelos
clássicos que todos os europeus tentavam imitar. Todavia, ao pedir a D.
Sebastião, no canto X, que não deixasse
que “os admirados ­Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses” “possam dizer que são
para mandados, mais que para mandar, os Portugueses”, Camões recorda-nos que,
na segunda metade do século XVI, quando
estava a escrever <i>Os Lusíadas</i>, rumores negativos já circulavam no espaço
europeu (Camões 1983, c. I, 3.ª est., c. II, 97.ª e 98.ª est.; c. X, 152.ª est.).</p>

    <p>Que os portugueses eram “para mandados, mais que para mandar”
era a provável conclusão que retiraria um leitor quinhentista ou seiscentista
do ­<i>Itinerário de
Linschoten</i>, já que os portugueses estabelecidos na Índia são aí
retratados como sendo incapazes de se governarem a si mesmos.</p>

    <p>Jan Huyghen van Linschoten era um holandês de origem católica
(mais tarde convertido ao protestantismo), da região de Utreque, que partira
para a Península Ibérica em 1576, tendo trabalhado entre Lisboa e Sevilha, no
âmbito do comércio internacional. Sete anos depois, Linschoten viajaria para a
Índia como secretário e guarda-livros do arcebispo D. Vicente da Fonseca,
chegando a Goa em finais de 1583, e
aí residindo até 1589. No regresso à Europa, ­Linschoten
ainda permaneceria dois anos em Angra do Heroísmo, aportando nos Países Baixos,
por fim, em 1592. Foi nessa altura que ­Linschoten transformou as suas notas de
viagem em vários livros, o mais conhecido dos quais é o já referido
<i>Itinerário</i>,
publicado em 1596. É provável que tenha sido então que Linschoten se converteu
ao protestantismo, já que o voltamos a encontrar em círculos próximos do
revoltoso Maurício de Nassau, um dos principais oponentes da presença católica
dos Habsburgo em territórios holandeses (­Linschoten 1997 [1596], Introdução;
Boogart 2003).</p>

    <p>Em apenas três anos após a sua publicação, o <i>Itinerário</i> conheceu traduções em latim,
inglês e alemão, seguidas de traduções francesas e de algumas reedições
holandesas. Dado o seu estatuto de primeiro livro deste tipo escrito por um
europeu do Norte, o <i>Itinerário</i>
de Linschoten tornou-se uma fonte autorizada sobre o império português na Ásia
para as audiências transpirenaicas e protestantes (mas não só). Talvez isso
ajude a explicar que esta tenha sido a obra sobre a Ásia que maior circulação
teve na época moderna, e, para alguns, o texto fundador da “lenda negra” sobre
o império português (Nocentelli 2007; Boogart 2003; Kamps 2001).<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>[7]</sup></a></p>

    <p>Nos quatro capítulos que dedica às populações de origem
portuguesa residentes na Índia, raras são as referências elogiosas. As
descrições são complementadas por uma série de gravuras que se constituem como
uma extensão e interpretação da própria narrativa. O sucesso das imagens foi tão grande
que estas vieram a ser publicadas à parte, com legendas extraídas do
texto original, em jeito de catálogo, sob o título os <i>Icones, habitus
gestusque Indorum ac Lusitanorum per Indiam viventium</i> (Boogart 2003).</p>

    <p>No <i>Itinerário</i>, Linschoten explica que os homens
portugueses eram frequentemente casados com mulheres indianas (união que daria
origem ao grupo dos “casados”), gerando crianças mestiças, geralmente de cor
amarelada. Já os filhos de portugueses e portuguesas nascidas na Índia chamavam-se, em alternativa, “castiços”,
“em quase tudo iguais aos portugueses, embora sejam um pouco diferentes na cor,
porque tendem sempre para o amarelo”. Mesmo quando não tinham sangue indiano,
os filhos dos portugueses nascidos na Índia – segundo o olhar de Linschoten – já
pareciam indianos! Quanto aos filhos dos mestiços, estes eram “de cor ou feição
igual aos naturais da terra ou decanins”. Isto significava que no terceiro
grau, todos estes descendentes de portugueses “parecem ser indianos na cor e na
feição” (Linschoten 1997 [1596]: 148).<a
href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>[8]</sup></a>
Isto é<i>, </i>fosse pela mestiçagem física, fosse pela mestiçagem cultural,
após a terceira geração, os portugueses estabelecidos na Índia dificilmente se
distinguiam dos locais. Curiosamente, no capítulo dedicado aos decanins
(habitantes do Decão), Linschoten, que os representa graficamente na sua nudez,
uma estratégia de representação que contrapunha, a partir do vestuário, a maior
ou menor proximidade ao estado da natureza, descreve-os, ao mesmo tempo, como
sendo iguais aos brâmanes e baneanes “na cor e na feição do corpo”, sendo
também estes, “na feição do rosto, do corpo e dos membros”, “em tudo iguais aos
da Europa, excetuando a cor” (Linschoten 1997 [1596]: 174-177; Boogart 2003).</p>

    <p>Espremidas as variadas
semelhanças e diferenças físicas que Linschoten
­identifica entre as populações originárias e residentes na Índia (e a sua
maior ou menor proximidade às populações da Europa), poder-se-ia dizer que,
numa escala fisionómica, o holandês situava em lugares muito próximos brâmanes,
baneanes, portugueses e europeus. Assemelhar-se a “indiano na cor e na feição” não parecia ser, por isso mesmo, muito grave, já que
muitos indianos, “excetuando a cor” eram “em tudo iguais” aos habitantes da
Europa. O problema é que essa igualdade da aparência encerrava outras
proximidades menos desejadas.</p>

    <p>As mulheres de origem portuguesa, por exemplo, andavam nas
suas casas “com os cabelos soltos e a cabeça descoberta, e vestidas com uma
camisa chamada <i>baju</i>, que lhes dá abaixo até do umbigo, e que é tão fina
que se pode ver todo o corpo através dela”. Para além disso, estas mulheres
ostentavam muitos braceletes e manilhas nos braços, e nas orelhas tinham
“penduradas correntes cheias de joias
e adornos”. Algo de semelhante seria atestado, umas décadas mais tarde, pelo
embaixador espanhol Garcia de Silva y Figueroa, enviado por Filipe III de Espanha à Pérsia, o qual residiu em Goa
durante alguns anos. Talvez por ter eventualmente lido Linschoten, Figueroa –
cujas reflexões sobre os portugueses na Índia configuram uma espécie de “lenda
negra” espanhola sobre o império português – descreve estas mulheres exatamente
da mesma maneira que o holandês, recordando, ainda, que “quando van a
entetenerse y bañarse a sus quintas fuera de la çiudad, usan un trage feissimo,
bestial y del todo bárbaro, no menos que deshonesto”, até porque a camisa baju
“la traen muy abierta por delante hasta mas abaxo de los pechos, mostrandolos
muy patentes y a la vista de todos” (Silva y Figueroa 2011: L. II, 129).</p>

    <p>Figueroa afirma discorrer muito sobre mulheres para que se
veja “quanta promptitud y facilidad todas las mugeres admiten y abraçan
qualseiera costumbres licenciosas y librés”. Esta inclinação tipicamente
feminina facilitava, evidentemente, a indianização das portuguesas, até porque
a Índia era, na imaginação da maioria destes europeus, o berço da sensualidade.
O diplomata acrescentaria que o traje das portuguesas na Índia era muito
parecido com “las esclavas negras de Ethiopia que llevan a vender a Portugal e
a Castilla” (Silva y Figueroa 2011: L. II,
145-146), observação que antecipa um outro veio discursivo, o da futura
africanização dos portugueses.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O facto de os cuidados com a higiene também se terem
indianizado denotava a intensidade (e intimidade) deste processo. Os “casados”
e seus descendentes eram “em todas as coisas da casa muito limpos e puros” e
“todos os dias vestem camisas e outras roupas que trazem no corpo lavadas”. O
mesmo sucedia com as mulheres, “muito limpas e asseadas, tanto na sua casa como
na sua pessoa e corpo”: tomavam banho e vestiam roupa limpa quotidianamente.
Mais: “todas as vezes que evacuam ou vertem as suas águas e têm relações com o
marido, lavam-se de novo, mesmo se fosse cem vezes num dia e noite” (Linschoten
1997 [1596]: 148, 158). Este último enunciado sugeria os exageros sexuais a que
estas mulheres estavam habituadas:
não só estimulavam
o desejo
colonial como eram o oposto do
modelo púdico que tanto a Reforma protestante quanto a Contrarreforma católica
promoviam.</p>

    <p>Não apresentando nenhuma imagem sobre as portuguesas nas suas
práticas de higiene ou outras mais íntimas, Linschoten mostrava em toda a sua
nudez como é que as asiáticas faziam a sua higiene, o que permitia aos leitores
destes textos e imagens estabelecerem conexões entre as práticas das indianas e
os comportamentos das portuguesas. Também a imagem bastante anterior do <i>Códice
Casanatense</i> era bem explícita em relação à nudez e aos lavatórios de
mulheres, contribuindo, igualmente, para a formulação dessa tópica sobre o
estilo de nativização das portuguesas na Índia (ver figuras <a href="#f1">1</a> e <a href="#f2">2</a>).</p>
    <p>&nbsp;</p>
<a name="f1">
<img src="/img/revistas/etn/v18n1/18n1a06f1.jpg">

    
<p>&nbsp;</p>
<a name="f2">
<img src="/img/revistas/etn/v18n1/18n1a06f2.jpg">
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Em suma, eram as mulheres quem se rendia, em primeiro lugar, à
luxúria. “Extremamente luxuriosas e salazes” – é assim que Linschoten, um
típico misógino quinhentista, as descreve. Depois de adormecerem o marido com
mezinhas intoxicantes, estas mulheres comiam “mãos cheias de cravinho, pimenta,
gengibre e uma substância frita, chamada cachundé”, “com o propósito de
aumentar a luxúria” e de cometerem adultério com os soldados. O problema é que
essa mesma luxúria, semelhante à luxúria das indianas (o que explicava a
necessidade social da <i>sati</i>, a viúva que se imolava após a morte do
marido) e das mulheres em geral, também contagiara os homens portugueses. Os
noivos de origem portuguesa, por exemplo, eram bem capazes de, no dia do casamento,
irem para a cama quando ainda tinham convidados em casa, “pois não têm
paciência para esperar tanto tempo como nos nossos países” (Linschoten 1997
[1596]: 154, 159; Nocentelli 2007: 212 e segs.).</p>

    <p>Sucumbindo a esse mundo de deleites, os homens portugueses
tinham-se tornado cada vez mais indolentes. Antecipando todos aqueles que, no
século XVIII, descreveriam os espanhóis
como sendo muito preguiçosos (Mackay 2006: Introduction), Linschoten afirmaria
que “os portugueses, e mestiços na Índia, não trabalham, ou fazem-no
raramente”. Mesmo os artesãos recorriam a escravos, “enquanto os patrões andam
pelas ruas e se comportam magnificamente como os melhores”. Também os soldados
evitavam, sempre que possível, cumprir com as suas obrigações militares,
preferindo arranjar quem os sustentasse (Linschoten 1997 [1596]: 149-150).</p>

    <p>O signo que melhor
condensava este processo de indianização era, como bem notou Carmen Nocentelli
(2007: 210 e segs.), o palanquim, meio de transporte indiano que muitos
europeus consideravam efeminado, porque ninho de amores desonestos e estímulo à
indolência. Presente no <i>Códice Casanatense</i>, também no <i>Itinerário</i>
e nos <i>Icones</i> aparecem vários palanquins transportando portugueses
(homens e mulheres) e indianos, em representações que recorriam ao mesmo tipo
de enquadramento estético, veiculando a ideia dessa inquestionável rendição dos
portugueses aos modos da Índia (ver figuras <a href="#f3">3</a>-<a href="#f5">5</a>).</p>
    <p>&nbsp;</p>
<a name="f3">
<img src="/img/revistas/etn/v18n1/18n1a06f3.jpg">
    
<p>&nbsp;</p>
<a name="f4">
<img src="/img/revistas/etn/v18n1/18n1a06f4.jpg">
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<a name="f5">
<img src="/img/revistas/etn/v18n1/18n1a06f5.jpg">
    
<p>&nbsp;</p>
    <blockquote>“Todos estes costumes herdaram dos gentios indianos”, dizia
­Linschoten, e o mesmo acontecia entre os reinóis, os portugueses
recém-chegados de ­Portugal, os quais, “pelo uso, se acostumam às maneiras da
India, às quais logo sabem aderir maravilhosamente”. “Por todas estas razões”,
conclui ­Linschoten, “hoje em dia na Índia não se faz guerra com tanto fulgor,
nem se conquistam e descobrem terras novas, como acontecia antigamente, quando
só se lutava por louvor e honra, e para deixar boa fama”. Esse louvor, honra e
fama que Camões textualizara em <i>Os Lusíadas</i> transferira-se, ao invés,
para outros europeus – como os holandeses, por exemplo, prestes a substituir (e
a imitar?) os portugueses na Índia. Provavelmente com um propósito comparativo,
­Linschoten inclui no <i>Itinerário</i> uma história exemplar na qual se
contrapunha a atitude de portugueses pouco preocupados com o serviço do seu rei
à <i>virtus</i> dos seus conterrâneos: numa batalha na Índia, um português
abandonara cobardemente o estandarte português, caindo aquele nas mãos de
muçulmanos. Vendo isso, um trombeteiro holandês ao serviço dos portugueses
correria para o meio dos muçulmanos, protegendo o estandarte “durante quase uma
hora, matando muitos dos que o tentavam roubar”, conseguindo recuperá-lo, não
sem acabar por perecer abraçado ao mesmo. Estas pequenas histórias mostravam
que o declínio do Estado da Índia não era explicado por fatores externos, mas
sim por razões internas. É que eram os portugueses “a causa do seu próprio mal
e fazem a palmatória com que eles próprios são castigados” (Linschoten 1997
[1596]: 156-159, 292, 298).</blockquote>
    <p><b>Linschoten e a “lenda negra” sobre o império português</b></p>

    <p>As
descrições de Linschoten e as conclusões que elas estimulam não se configuram,
apenas, como histórias exemplares – histórias sobre modos de conquista,
conservação e declínio imperial que podiam servir de aviso aos futuros
colonizadores, alertando-os para os perigos que um mergulho nos trópicos, e a
correspondente dissolução da diferença cultural, podia encerrar. A par dessas
dinâmicas de receção numa época em que o <i>exemplum </i>era central para
modelar comportamentos futuros, as descrições de Linschoten revelam, também, a
descoberta da alteridade dos portugueses a partir de um olhar do Norte da
Europa, olhar não só fundado na rivalidade imperial, mas também na diferença
religiosa e política.</p>

    <p>Sob a escrita severa de Linschoten pressentem-se,
efetivamente, conceções de virtude que o holandês não reconhece nos portugueses
que encontra na Índia. E é provável que exemplos como os de Roberto di
Nobili e Matteo di Ricci, os grandes paradigmas da <i>accomodatio</i> jesuíta
(ou do homem de muitas faces que o padre Baltasar da Costa era, como
Chakravarti mostra num outro ensaio deste dossiê), tivessem sido igualmente repugnantes para personalidades como
a de Linschoten, já que estes missionários prescindiam da sua identidade
exterior, adotando a dos seus interlocutores, de modo a facilitarem o diálogo
com os mesmos (semelhantes, nesse aspeto, aos casos de Fuchs), visando
alcançar, desse modo, a sua conversão ao cristianismo. Alternativamente, e à
semelhança de outros que recusavam este tipo de estratégia – como o grande
rival de Nobili, o também jesuíta Gonçalo Fernandes Trancoso –, Linschoten
rejeitava esses modos de travestimento, essas técnicas de simulação ou
dissimulação que, através de meios que alguns consideravam ínvios (e que outros
reputavam, inclusive, de maquiavélicos) visavam alcançar determinados objetivos
religiosos ou políticos.<a href="#_ftn9"
name="_ftnref9" title=""><sup>[9]</sup></a></p>

    <p>É igualmente provável que as perceções de Linschoten
estivessem fundadas na lembrança de outras imagens igualmente conhecidas da
época e estruturantes dos seus imaginários políticos, como seria o caso de
Alexandre Magno, cujos lados mais sombrios tinham culminado, segundo se dizia,
na sua rendição aos costumes orientais. Segundo muitos dos seus cronistas, esta
adesão tornara Alexandre num verdadeiro déspota, cujo despotismo era similar ao
dos “bárbaros orientais”. Seria ainda o caso de Marco António, que morrera no
Egito no meio da luxúria e do abraço de Cleópatra, o qual fazia parte da
enciclopédia da época, até por ser um dos exemplos que compunham esse outro <i>best-seller</i>
que eram <i>As Vidas Paralelas</i>, de Plutarco. À semelhança de Alexandre, nas
<i>Vidas Paralelas</i>, Marco António surge como o herói que se transforma em
contra-herói. E devido a quê? À renúncia de si mesmo e correspondente adesão
aos costumes orientais (Barletta 2010: 21).</p>

    <p>Num mundo composto de imitações, analogias e paralelos,
encontrar semelhanças entre estes exemplos e as vidas dos portugueses
estabelecidos na Índia tornava-se quase inevitável. Aliás, o receio de que as
alterações verificadas no corpo e na alma dos portugueses estabelecidos na
Índia fossem permanentes já tinha levado o bispo de Dume, o dominicano D.
Duarte Nunes, a afirmar, em 1520, que “todos Portuguezes mudão nessa terra a
calidade, e Nação”, pelo que “conformes á terra no modo de viver”, não queriam
“senão seguir a sensualidade”.<a href="#_ftn10"
name="_ftnref10" title=""><sup>[10]</sup></a> Onze anos
antes, Gil Vicente descrevera no <i>Auto da Índia, </i>de 1509, a estranheza de
uma esposa portuguesa perante o regresso do seu marido, vindo daqueles lugares.
Diria ela: “Jesu, quão negro e tostado! Não vos quero, não vos quero”. Segundo
Vincent Barletta, talvez um pouco forçadamente, por detrás do espanto desta
mulher também estava a convicção de que não era apenas o corpo, queimado pelo
sol, que se tinha alterado, mas toda a compleição, incluindo os equilíbrios dos
humores (Barletta 2010: 138).</p>

    <p>Que o encontro com os trópicos requeria um cuidado particular
com o governo do corpo e da alma tornou-se um tema recorrente da reflexividade
portuguesa, já que desse bom governo de si dependia a própria durabilidade do
império nos termos desejados. Não surpreende, pois, que as reservas de Nunes e
de Vicente, pronunciadas nas primeiras décadas do século em cujos anos finais
Linschoten publicaria o seu <i>Itinerário</i>, fossem partilhadas por boa parte
das elites portuguesas que já tinham criticado os casamentos promovidos por
Afonso de Albuquerque entre portugueses e indianas. Para muitos, essas uniões
que replicavam na Índia o que os romanos tinham feito com as sabinas no Lácio,
visando a constituição de colónias ao estilo de Roma em Goa (a “Roma do Oriente”),
Cochim, Cananor e outros lugares onde os ­portugueses tinham fortalezas, eram
as principais responsáveis pela nativização dos portugueses. Mais grave ainda,
as mulheres indianas educavam os seus filhos segundo os estilos da Índia, o que
levava, segundo estes, à indianização de todo o aparelho imperial português.</p>

    <p>Associada aos deficitários recursos demográficos de que o
reino de Portugal dispunha e ao mal-estar gerado pelos perigos que o
estabelecimento na Índia encerrava, a aposta na conversão dos indianos ao
cristianismo e sua correlativa lusitanização surgiria como uma solução
alternativa. Através da lusitanização e ocidentalização dos indianos,
não só se pretendia multiplicar os soldados ao serviço da coroa portuguesa,
como conter o ameaçador <i>going native</i> dos portugueses, repondo a ordem
natural, já que doravante seriam os indianos a imitar os portugueses, e não o
contrário (Xavier 2008a, 2008b).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>É possível que, no contexto das suas andanças ibéricas,
Linschoten tivesse entrado em contacto com estes sentimentos de mal-estar,
formatando as suas pré-compreensões sobre a situação social de Goa. Rendição da
civilidade à barbárie, do cristianismo ao paganismo, do domínio de si à
libertinagem, em suma, e como Ivo Kamps inspiradamente o descreveu, colonização
do colonizador pelo colonizado – terá sido essa subversão da ordem natural das
coisas a perturbar o bispo de Dume, a esposa do<i> Auto da Índia</i>, muitos
portugueses, e, mais tarde, Linschoten e outros europeus a caminho da Ásia
(Kamps 2001).</p>

    <p>Para todos estes autores, aderir maravilhosamente aos costumes
dos indianos era um comportamento indesejável, o qual devia ser, por isso
mesmo, erradicado. Enfim, aquilo que poderia ser objeto de elogio a partir de
um olhar pós-moderno que celebra a hibridez ou, mesmo, a partir de um olhar
luso-tropicalista que exalta a doçura da mestiçagem, contribuiu para gizar,
nessa altura, uma imagem negativa sobre os portugueses e “o seu modo de estar
no mundo”. Era a sua fraqueza identitária e a sua incapacidade de autodisciplinamento
aquilo que explicava a facilidade com que imitavam os “inferiores”, degradando,
dessa forma, a sua própria condição.</p>

    <p><b>Reverberações</b></p>

    <p>Esta tópica formulada, a partir de
vários lugares, e de forma mais ou menos impressionista ao longo do século XVI, adquiriu contornos bem mais definidos nos séculos
seguintes, desembocando na idealização dos povos ibéricos (considerados mais
próximos da natureza e mais presos às suas leis) como partilhando um estádio
civilizacional inferior aos dos povos do Norte da Europa (doravante o modelo da
civilidade). Como era sabido, entre estes predominava o humor fleumático, o
qual facilitava o disciplinamento das paixões e o governo pela razão. Ao invés,
portugueses e espanhóis continuavam demasiado dependentes das suas inclinações
naturais, o que os colocava em contraciclo em relação aos nórdicos.<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title=""><sup>[11]</sup></a> No seu
tratado <i>Problemas y Secretos Maravillosos de las Indias </i>(ocidentais), do
século XVI, o médico Juan de Cárdenas
alertara, precisamente, para isso: a condição natural dos ibéricos oscilava
entre um humor sanguíneo e um humor colérico, o que explicava o excesso de
paixões que caracterizava estas gentes (Cárdenas 1591: L. 1, P. 3, cap. 2 ).</p>

    <p>A mesma ideia de excesso permeia, também, as explicações que
surgem na <i>L’histoire philosophique et politique des établissements et du
commerce des Européens dans les deux Indes</i> (Amesterdão, 4 vols., 1770) do Abbé Raynal, uma das bíblias do pensamento
enciclopédico e, a partir de finais do século XVIII,
uma das principais fontes de informação sobre as histórias imperiais europeias
anteriores. Nas páginas dedicadas a Portugal, Raynal começa por ser muito
elogioso, comparando os portugueses (como Camões o fizera), a egípcios, gregos,
romanos, descrevendo-os como “iluminados” e “heróis”: “Quels hommes devoient
être alors les Portugais, e quels ressorts extraordinaires en avoient fait un
­peuple d’héros?” Contudo, e segundo Raynal, logo após a morte de Afonso de
­Albuquerque, em 1515, a cobiça tinha começado a corromper os portugueses,
conduzindo rapidamente à sua degeneração. Reiterando a conclusão de
­Linschoten, as referências seguintes aos portugueses na Índia sublinham essa
sua capacidade autodestrutiva, anunciando o tempo em que “les Portugais
expierent leur perfidies, leur brigandages et leurs cruautés”. Cupidez, ambição
e outros qualificativos similares povoam boa parte das páginas que Raynal
dedica a essas experiências. Raynal refere, em concreto, que na Índia muitos
eram os portugueses que tinham mais de oito concubinas, e aqueles com quem dançarinas
e prostitutas partilhavam mesa e cama (Raynal 1770: vol. 1 – 26-27, 55-57,
90-91, 128, 162, 190 e segs.). Essa sua propensão tinha sido descrita por D.
Garcia da Silva y Figueroa, no início do século XVII,
como “una própria imagen de los saturnales ó bacanales de la antiguedad”,
tópico com particular ressonância na época em que Edward Gibbon escreveria a
sua <i>The History of the Decline and Fall of the Roman Empire</i>, publicada
seis anos depois da obra de Raynal e livro através do qual se disseminaria a
tese de que também o império romano (que os portugueses tinham tentado imitar)
sucumbira graças à rendição das suas elites à luxúria! (Serrano Sanz 1903: 596,
L. 8; Whelan 2009: 17).</p>

    <p>A associação entre ética (neste caso, desgoverno, desrazão,
superstição) e etnia (povos ibéricos, em particular, e do Sul da Europa, em
geral) era reforçada por uma outra variável: a mistura de sangue. Mais ou menos
na mesma altura, Kant defenderia abertamente que por terem muita mistura de
sangue africano, os espanhóis (os ibéricos, em geral?) dificilmente poderiam
ser considerados totalmente europeus. Para o filósofo alemão, a sua “diferença
civilizacional” era resultado da “diferença rácica” (Mignolo 2007: 312-313).
Numa época em que as teorias raciais adquiriam cada vez mais peso, a mestiçagem
física e cultural dos ibéricos surgia como mais uma adversidade (Gibson 1971:
129-138).<a href="#_ftn12" name="_ftnref12"
title=""><sup>[12]</sup></a>
Posteriormente, Hegel não hesitaria em dividir a Europa em três partes – o Sul,
separado pelos Pirenéus (nele incluindo a Grécia, a Itália e a Península
Ibérica), o coração da Europa (Alemanha, França, Inglaterra), e o Nordeste
europeu (onde se situavam os países eslavos, a Polónia e a Rússia). No que
dizia respeito ao Sul da Europa, e dada a aproximação física e cultural à África, não surpreendia o seu estado
de decadência (Mignolo 2007: 323-324).</p>

    <p>Em suma, retomando e reformulando imagens produzidas nos
séculos anteriores, tornar-se-ia cada vez mais consensual que o declínio do
império português e dos próprios portugueses se devia, sobretudo, ao
enfraquecimento do caráter das suas populações, enfraquecimento esse que
resultava da facilidade com que aqueles se adaptavam aos modos de vida das
populações que colonizavam, quer através da mestiçagem física, quer por via da
contaminação cultural (e da rendição à luxúria e à sensualidade).</p>

    <p>Alexandre Herculano, Antero de Quental e Oliveira Martins,
entre muitos outros intelectuais oitocentistas, ajudaram a disseminar imagens
sobre o império português que reproduziam, sob muitos aspetos, os argumentos de
Linschoten, Kant, Raynal, Hegel e tantos outros. Apesar de, na <i>História da
Civilização Ibérica</i>, Oliveira Martins reagir contra os discursos negativos
sobre os ibéricos, aí procurando destacar as suas virtudes, ao mesmo tempo
considerava que o império estimulara os vícios, corrompendo o caráter dos
portugueses. Uma das razões últimas para essa corrupção residia na mistura
entre portugueses e povos indígenas, naturalmente inferiores, a qual conduzira
à degradação da raça lusíada (Ramos 1997: 113; Matos 2000: 189 e segs.;
Maurício 2005: 92 e segs.).</p>

    <p>Essa fraqueza portuguesa manifestava-se, também, na corrupção
do aparelho político-administrativo do império. Um século depois de Oliveira
Martins moldar muita opinião pública através da sua poderosa escrita, num livro
essencialmente baseado no <i>Soldado Prático</i> de Diogo do Couto, e que
sugestivamente intitula <i>The Black Legend of the Portuguese Empire</i>,
George D. Winius adotou a tese do indologista J.&#8197;C.
Heesterman, segundo o qual a corrupção normalmente identificada como sendo
característica dos portugueses era, ao invés, estrutural a toda a Índia; era
indiana. Em <i>O Soldado Prático</i>, escrito no último quartel do século XVI, Diogo do Couto<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title=""><sup>[13]</sup></a>
afirmava que a principal causa dos “inconvenientes que havia no governo da
República” era a corrupção generalizada dos oficiais da coroa, do mais alto –
i.&#8197;e., do
vice-rei –, ao mais baixo. Ora, para Heesterman, o império português dependia,
na prática, de uma burocracia indiana, com a qual, por sua vez, os funcionários
portugueses estabelecidos localmente – os já referidos “casados” – mantinham
laços de todo o tipo, até por se terem unido pela via do matrimónio a muitas
famílias locais. Assim sendo, os portugueses pouco mais tinham feito do que mimetizar
os modos indianos de administrar politicamente um território – i.&#8197;e., os portugueses
tinham indianizado a sua administração imperial, quer do ponto de vista dos
agentes escolhidos (muitos deles indianos) quer da sua própria cultura
política. Aceitando o argumento de Hesteerman, Winius concluiu assim que o
império português se tinha, de facto, indianizado. Não apenas pela mestiçagem
física, mas através de uma mestiçagem igualmente estruturante, cultural,
tornando-se ele próprio, literalmente, “meio indiano” (Winius 1985: 180-185).</p>

    <p><b>Considerações finais</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Chegados aqui, interessa tecer algumas
considerações em jeito de conclusão. Por um lado, creio que um exercício
genealógico do tipo ensaiado neste texto mostra que a indianização dos
portugueses estabelecidos na Índia desde o início do século XVI precedeu outros processos de nativização, de
<i>going native</i> (caso dos jesuítas ou dos exemplos ocorridos em contexto
britânico), que foram objeto de boa parte da literatura teórica. Por outro,
importa recordar que a tópica da luxúria e da indolência associadas à
indianização dos portugueses viria a fazer parte da enciclopédia orientalista
britânica sobre os indianos. Como nos lembrou Said, os ingleses (os
colonizadores) teriam feminizado as populações “orientais” (o que justificava,
à semelhança das mulheres, a necessidade de serem governadas por outrem),
contrapondo-as à masculinidade europeia (Said 1978). Nos finais do século XVI essas mesmas características femininas já
eram atribuídas aos colonizadores portugueses, num orientalismo <i>avant la
lettre</i>, que abarcava não apenas “os orientais”, mas também os portugueses
que se tinham orientalizado!<a href="#_ftn14"
name="_ftnref14" title=""><sup>[14]</sup></a></p>

    <p>O olhar negativo que transparece do <i>Itinerário</i> de
Linschoten deve ser interpretado, pois, tendo em conta estes contextos teóricos.
Mas o olhar de Linschoten revela algo mais: a descoberta (a invenção?) da
alteridade dos ibéricos por parte dos povos do Norte da Europa, cujas
reverberações ainda hoje se fazem sentir. Para muitos destes, essa alteridade
manifestava-se, em primeiro lugar, numa incapacidade de domínio de si, a qual
levava os ibéricos a diversas manifestações de descontrolo – quer sexual, quer
militar, até mesmo identitário. Daqui resultava, evidentemente, o desgoverno: o
desgoverno de si (manifestado, por exemplo, na opção por imitar “inferiores”,
i.&#8197;e.,
indianos), o desgoverno dos outros (expresso no precoce declínio imperial).</p>

    <p>O olhar de Linschoten dá conta, ainda, das fissuras da ordem
da imitação, tal como ela operava na época moderna. Sabemos que a estabilidade
da ordem imitativa era tanto maior quanto maior fosse o controlo daquilo que
era ­imitado, permitindo reproduzir (e aperfeiçoar) a ordem natural das coisas.
Ora, as situações coloniais perturbavam estes frágeis equilíbrios, sobretudo
por ­oferecerem aos viajantes europeus uma variedade de possibilidades
­antropológicas, de modos de ser e de estar – e com elas, a possibilidade de
negação da sua identidade de partida (e os renegados eram o caso mais extremo),
considerada, pela quase totalidade dos europeus daqueles tempos, como sendo
superior. Os portugueses, segundo Linschoten, situavam-se entre aqueles que
mais facilmente se deixavam infetar pelo vírus oriental, o que conduziria à
degradação da sua condição (mais tarde, rácica).</p>

    <p>Ironicamente, e como Walter D. Mignolo argutamente assinalou,
esta indianização, feminização, africanização, orientalização, ou
tropicalização dos ibéricos resultava de um efeito <i>boomerang</i>. Ou seja,
ricocheteava os mesmos mecanismos que os ibéricos tinham utilizado para
subalternizar as populações oriundas do exterior das fronteiras da cristandade.
Por outras palavras, apesar das inevitáveis descontinuidades que se podem e
devem assinalar entre estas duas dinâmicas, as “lendas negras” que os ibéricos
foram formulando sobre os turcos, os africanos, os asiáticos, tinham
semelhanças com aquelas que lhes viriam a ser aplicadas (Mignolo 2007: 315).
Mas, ao contrário do que Mignolo defende, não é nas Luzes que se devem
encontrar as raízes deste processo, mas sim no próprio século XVI. Mais:
não foram os europeus do Norte a formular, em primeiro
lugar, esta tópica discriminadora, mas vozes descontentes de portugueses e
espanhóis, frequentemente metropolitanas, revelando que as suas sociedades não eram
monótonas, e que as tensões ocorriam, em primeiro lugar, no interior dos seus
impérios.</p>

    <p>Por fim, é igualmente verdade que, tal como os portugueses
imitaram os indianos e se indianizaram, ou os indianos imitaram os portugueses,
as várias vidas da “lenda negra” do império português muito devem a uma
voracidade imitativa, a um canibalismo textual que foi dando vida própria a
velhas imagens, séculos após séculos. Como se referiu, já em pleno século XX destacam-se os impactos que estas mesmas
imagens tiveram na formulação do luso-tropicalismo, mas também do seu oposto,
isto é: a defesa do caráter racializado das relações imperiais portuguesas, uma
contrarretórica luso-tropicalista para a qual o livro <i>Race Relations in the
Portuguese Empire</i>, de Charles Boxer, muito contribuiu, levando à formulação
de uma “lenda negra” mais moderna, desta vez a de portugueses viris e racistas
(Pina-Cabral 2012, Roque 2012).<a href="#_ftn15"
name="_ftnref15" title=""><sup>[15]</sup></a> Apenas
aqui lembradas, essas outras reverberações e contrarreverberações (e as
clivagens ideológicas para as quais elas podem reenviar) não podem agora ser
discutidas, devendo ser objeto de um outro estudo.</p>

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    <!-- ref --><p>XAVIER, Ângela Barreto, 2008b, “Conversão e
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    <p>&nbsp;</p>
    <p><b>NOTAS</b></p>


    <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"
title=""><sup>[1]</sup></a>       Os comentários de Ricardo Roque foram
preciosos para que este texto adquirisse a forma final, pelo que lhe estou
imensamente grata. Muito agradeço, também, a Ananya Chakravarti, Cristiana
Bastos e Tiago Saraiva as observações a versões anteriores deste ensaio, o qual
resulta da minha participação nos projetos “Mimetismo Colonial na Ásia e África
Lusófonas” (PTDC&#8202;/&#8202;CS-ANT&#8202;/&#8202;101064&#8202;/&#8202;2008), financiado
pela FCT. Este artigo insere-se, ainda, na
investigação realizada no âmbito do projeto “O Governo dos Outros. Imaginários
Políticos no Império Português (1496-1961)”, financiado pela mesma instituição
(PTDC&#8202;/&#8202;HIS-HIS&#8202;/&#8202;104640&#8202;/&#8202;2008).</p>

    <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2"
title=""><sup>[2]</sup></a>      Por “lenda negra” do império português
entende-se o conjunto de discursos negativos formulados, sobretudo a partir do
Norte da Europa, sobre os portugueses, Portugal e o seu império. Sobre a “lenda
negra” portuguesa os estudos específicos são escassos, quase sempre de autoria
estrangeira. Veja-se, sobretudo, Winius (1985), Van Veen (2000), Boogart
(2003), e Nocentelli (2007).</p>

    <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3"
title=""><sup>[3]</sup></a>      É vasta a bibliografia sobre a “lenda
negra” espanhola e do império espanhol, pelo que, aqui, apenas serão referidas
algumas obras: Juderias (1954 [1914], Quesada Marco (1967), Gibson (1971),
Maltby (1971), García Cárcel (1992), Diaz Araujo (1995), e Greer, Mignolo e
Quilligan (2007).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4"
title=""><sup>[4]</sup></a>      Desde o livro incontornável de Eric
Auerbach (1953), os estudos sobre a <i>imitatio</i> na época moderna têm
privilegiado, sobretudo, a sua relevância na teoria literária, artística,
teatral, e não tanto a sua capacidade poiética, a teoria da ação que lhe estava
subjacente (ver Holmes e Streete 2005; Bushnell 1996; Melehy 2010). E apesar de
privilegiar esta dimensão de técnica de aprendizagem social, o posicionamento
de René Girard (1979) é distinto daquele aqui adotado.</p>

    <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5"
title=""><sup>[5]</sup></a>      Este tratado é publicado em língua
portuguesa, pela primeira vez, em 1997, numa edição patrocinada pela Comissão
Nacional para a Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, e a cargo de Arie
Po e de Rui Manuel Loureiro, com o título <i>Itinerário, Viagem ou Navegação
para as Índias Orientais ou Portuguesas</i> (Lisboa, CNCDP, 1997).</p>

    <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6"
title=""><sup>[6]</sup></a>      Para além das fontes “europeias”, poderia
e deveria ser compulsada a documentação que nos dá acesso aos olhares
produzidos noutros territórios – como os asiáticos – sobre os portugueses.
Veja-se, a esse propósito, e à laia de exemplo, Subrahmanyam (2012).</p>

    <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7"
title=""><sup>[7]</sup></a>      Um outro texto de igual impacto na
formação da “lenda negra” foi a <i>Narração da Inquisição de Goa</i> de Charles
Dellon (1996), publicado pela primeira vez em francês em 1687.</p>

    <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8"
title=""><sup>[8]</sup></a>      Anos mais tarde, Pyrard de Laval
reproduziria exatamente a mesma hierarquia, observando, contudo, que os
mestiços tinham “maior estimação quando o pai ou a mãe é da casta brâmane”
(Pyrard de Laval 1858 [1611]). Já o embaixador espanhol Garcia de Silva y
Figueroa consideraria, ao invés, que estes se sentiam mais honrados quanto mais
sangue europeu tivessem (Silva y Figueroa 2011: L. II,
132 e segs., “Habitantes de Goa”).</p>

    <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9"
title=""><sup>[9]</sup></a>      Ver, a esse propósito, as páginas que
Michel de Certeau (1982) dedica às transformações ­culturais em curso nas
sociedades europeias deste período, e a sua relação com os processos religiosos
(<i>La fable mystique</i>…), mas também Rosario Villari (1987). Sobre as
polémicas em torno da <i>accomodatio</i>, ver Županov (1999).</p>

    <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10"
title=""><sup>[10]</sup></a>     BNL,
Cod. 176, fls. 97-97v.</p>

    <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11"
title=""><sup>[11]</sup></a>      A descrição que Dellon faz da Inquisição portuguesa
no século XVII corrobora plenamente estas
imagens (Dellon 1996 [1687]).</p>

    <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12"
title=""><sup>[12]</sup></a>     Evidentemente, o período das Luzes é bem
mais complexo do que estes parágrafos deixam entrever, nele se encontrando uma
grande variabilidade nas reflexões sobre a história da humanidade, os seus
diferentes estádios, suas vantagens e desvantagens, havendo aqueles que, como
Rousseau, faziam o elogio do primitivo, em contraponto com a civilização (ver
Whelan 2009).</p>

    <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13"
title=""><sup>[13]</sup></a>     Oficial da administração imperial, cronista
oficial, e guarda-mor da então recém-criada Torre do Tombo de Goa, Diogo do
Couto era alguém que conhecia muito bem os meandros da administração imperial,
tendo deixado neste seu tratado um retrato desencantado da mesma, argumentando
que esta não funcionava em virtude da corrupção generalizada que grassava no
Estado da Índia. Sobre Couto, veja-se, <i>maxime</i>, Maria Augusta da Lima
Cruz (1993).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14"
title=""><sup>[14]</sup></a>     Já para Garcia de Figueroa, uma mesma fraca
inclinação para o trabalho caracterizava os indianos, o que se explicava por
uma “cierta flaqueza y poca consistência natural” que resultava no “poco vigor
en todas suas acciones” (Silva y Figueroa 2011: L. III,
177-178).</p>

    <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15"
title=""><sup>[15]</sup></a>     Ver, a esse propósito, os recentes artigos
de Ricardo Roque (2012) e Pina-Cabral (2012).</p>

     ]]></body><back>
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