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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nós e os franceses: Gilberto Freyre à prova de Adèle Toussaint-Samson]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The French and us: Gilberto Freyre put to Adèle Toussaint-Samson&#8217;s test]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article analyses the uses of feminine travel narratives in the construction of the Freyrean model for the interpretation of Brazilian culture. The objective is to question the convergences and contrasts between the formation principles listed by Gilberto Freyre in Sobrados e Mucambos and the role of Brazilian society in Adéle Toussaint-Samson&#8217;s book, Uma Parisiense no Brasil. The French writer&#8217;s notes are one of the sources of inspiration and work of the sociologist. It is relevant to show the tensions caused by the reception of the ideas and the writings of the nineteenth century travelers. As this article focuses on the Freyrean approach in handling sources, it also reflects the hypothesis of a one-way colonialism from France to Brazil, following the example of re-Europeanization, which holds the transatlantic contacts and exchanges only as influences.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana">N&#243;s e os franceses: Gilberto Freyre &#224; prova de   Ad&#232;le Toussaint-Samson</font> </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">The French and us: Gilberto Freyre put to Ad&#232;le   Toussaint-Samson&#8217;s test </font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana">Andr&#233;a Borges Le&#227;o<sup>1</sup></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>1</sup></font><font size="2" face="Verdana">Universidade   Federal do Cear&#225;, Brasil. <i>E-mail: </i><a href="mailto:dealeao@secrel.com.br">dealeao@secrel.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O artigo analisa os usos das narrativas de viagens femininas na   constru&#231;&#227;o do modelo freyreano de interpreta&#231;&#227;o da cultura brasileira. Com esse   prop&#243;sito, indaga as converg&#234;ncias e contrastes entre os princ&#237;pios de forma&#231;&#227;o   elencados por Gilberto Freyre em <i >Sobrados     e Mucambos</i> e a interpreta&#231;&#227;o da sociedade brasileira no livro de Ad&#232;le   Toussaint-Samson, <i >Uma Parisiense no     Brasil</i>. As notas da escritora francesa s&#227;o uma das fontes de trabalho e   inspira&#231;&#227;o do soci&#243;logo. Interessa mostrar as tens&#245;es provocadas na recep&#231;&#227;o   das ideias e pr&#225;ticas de escrita das viajantes oitocentistas. Ao focalizar a   abordagem freyreana no manejo das fontes, o artigo reflete sobre a hip&#243;tese de   um colonialismo de m&#227;o &#250;nica da Fran&#231;a para o Brasil, a exemplo da   reeuropeiza&#231;&#227;o que toma os contatos e trocas transatl&#226;nticas t&#227;o   somente como influ&#234;ncias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavras-chave:</b> Gilberto Freyre, Ad&#232;le Toussaint-Samson,   circula&#231;&#227;o transatl&#226;ntica, globaliza&#231;&#227;o da cultura, sociologia das viagens e das viajantes</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The article analyses the uses of feminine   travel narratives in the construction of the Freyrean   model for the interpretation of Brazilian culture. The objective is to question   the convergences and contrasts between the formation principles listed by   Gilberto Freyre in <i >Sobrados e Mucambos</i> and the role of Brazilian society in Ad&#233;le   Toussaint-Samson&#8217;s book, <i >Uma Parisiense no Brasil</i>. The French writer&#8217;s notes are one of the   sources of inspiration and work of the sociologist. It is relevant to show the   tensions caused by the reception of the ideas and the writings of the   nineteenth century travelers. As this article focuses on the Freyrean approach in handling sources, it also reflects the   hypothesis of a one-way colonialism from France to Brazil, following the   example of re-Europeanization, which holds the transatlantic contacts and   exchanges only as influences. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords: </b>Gilberto Freyre, Ad&#232;le Toussaint-Samson,   transatlantic circulation, culture globalization, sociology of travel and travelers </font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&#231;&#227;o: o ex&#243;tico e a aventura, desejos de Brasil</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O jornal parisiense <i >Mus&#233;e des   familles</i> de 1857-1858 anunciava a seus leitores uma das grandes novidades   do s&#233;culo: a Europa e a Am&#233;rica estavam irremediavelmente ligadas pelo g&#234;nio   cient&#237;fico da eletricidade.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup><sup>[1]</sup></sup></a> Os dois   mundos podiam se comunicar por meio de cabos submarinos transatl&#226;nticos em uma   extens&#227;o de at&#233; quatro mil quil&#244;metros. Os cabos submarinos do tel&#233;grafo,   argumentavam os editores do jornal, eram capazes de transmitir dados t&#227;o   velozmente de uma parte a outra do Atl&#226;ntico que necessitavam apenas de trinta   e cinco minutos.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup><sup>[2]</sup></sup></a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A despeito da alta velocidade da circula&#231;&#227;o de   informa&#231;&#245;es, orientando o futuro das rela&#231;&#245;es internacionais, as viagens de   descobertas, aventuras e conhecimentos havia muito ligavam a Europa &#224; Am&#233;rica.   No s&#233;culo XIX, as narrativas com as observa&#231;&#245;es sobre a natureza e os costumes   de &#237;ndios e negros americanos, constru&#237;dos como &#8220;homens selvagens ou naturais&#8221;,   despertavam curiosidade por temas que causavam forte impacto social. Os danos   da coloniza&#231;&#227;o, a hist&#243;ria das ex-col&#244;nias espanholas e portuguesas, o debate   religioso envolvendo a vig&#234;ncia das pr&#225;ticas do canibalismo, a escravid&#227;o do   &#237;ndio e do negro, a inevit&#225;vel mesti&#231;agem e os processos de independ&#234;ncia   nacional eram atualidades que n&#227;o se encerravam nos debates das associa&#231;&#245;es cient&#237;ficas. Esses temas conferiam ampla publicidade aos livros de viagem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para um franc&#234;s curioso dos tr&#243;picos, at&#233;   mesmo a simples leitura das narrativas de viagem na imprensa a elas consagrada   &#8211; como o <i >Mus&#233;e des familles</i>, <i >Le tour du monde</i>, <i >Le magasin pottoresque</i> &#8211; desatava a imagina&#231;&#227;o, fazendo com que   partisse em viagem, ainda que sem o descolamento necess&#225;rio aos que passavam   pela experi&#234;ncia. A descoberta de personagens em movimento, homens e mulheres   itinerantes seguindo ao encontro de terras de mulheres e homens ex&#243;ticos, podia   levar o leitor a p&#244;r a modernidade e sua din&#226;mica cultural &#224; prova das   alteridades, mesmo as aventuras se desenrolando em espa&#231;os conhecidos ou j&#225; conquistados pela civiliza&#231;&#227;o europeia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma verdadeira febre de viagens assolava a   Europa oitocentista. A doen&#231;a, nomeada pelos m&#233;dicos franceses de <i >apod&#233;malgie</i>, levou o Dr. Descuret, em   1841, no livro <i >M&#233;dicines des passions</i>,   a afirmar que a mania decorria da leitura do <i >Robinson Cruso&#233;</i>, o romance do ingl&#234;s Daniel De F&#246;e, lembra o   historiador Sylvain Venayre (2006: 28). Esse romance foi t&#227;o amplamente lido e   traduzido que acabou inaugurando um g&#234;nero no com&#233;rcio de livraria, as   &#8220;robinsonadas&#8221;. O g&#234;nero baseava-se tanto em hist&#243;rias de her&#243;is n&#225;ufragos e   sobreviventes em ilhas desertas &#8211; solit&#225;rios, em fam&#237;lia, aristocratas, plebeus, civilizados, b&#225;rbaros &#8211;, como nas observa&#231;&#245;es cient&#237;ficas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As mulheres europeias &#8211; brit&#226;nicas, francesas,   espanholas e alem&#227;s &#8211; tamb&#233;m percorriam o mundo e escreviam sobre suas   experi&#234;ncias. Algumas, poucas, seguiam carreira de viajantes e exploradoras.   Outras viviam suas aventuras em fam&#237;lia, na companhia dos maridos e filhos, os   conhecidos &#8220;fazedores da Am&#233;rica&#8221;. Mas o que estava em jogo, para as   exploradoras e aventureiras, argumenta Sylvain Venayre (2008: 102), n&#227;o era   somente a escrita das narrativas como modo de express&#227;o de suas experi&#234;ncias,   mas a publica&#231;&#227;o de livros quando regressavam e a chance de entrar para o   cen&#225;rio intelectual de seus pa&#237;ses de origem. Para elas, abrir caminhos no   mundo significava produzir conhecimentos. Al&#233;m do mais, os modelos e as   pr&#225;ticas de viagem podiam ser classificados conforme as motiva&#231;&#245;es, as   circunst&#226;ncias e os destinos de cada viajante. H&#225; pontos em comum e tamb&#233;m   desacordos entre as orienta&#231;&#245;es da partida &#8211; o desejo de aventura e de uma nova   vida ap&#243;s um infort&#250;nio, para a maioria; votos de religi&#227;o, para as   mission&#225;rias; e as expedi&#231;&#245;es e estudos cient&#237;ficos, para as acompanhantes de maridos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O livro <i >Les   grandes voyageuses</i>, de Marie Dronsart, publicado em 1898 na Biblioth&#232;que   des &#201;coles et des Familles da Librairie Hachette, de Paris, atribu&#237;a &#224;s   qualidades ditas naturais femininas &#8211; a prud&#234;ncia, a curiosidade, a intui&#231;&#227;o, a   imagina&#231;&#227;o e a intelig&#234;ncia na observa&#231;&#227;o do detalhe &#8211; a disposi&#231;&#227;o das   mulheres para a err&#226;ncia e a partida. Marie Dronsart (1904 [1898]) visava o   estabelecimento de um c&#226;none que indicasse a figura da &#8220;viajante c&#233;lebre&#8221; e a   constitui&#231;&#227;o de uma fortuna cr&#237;tica para o g&#234;nero. Ao estabelecer um sistema de   escolha e classifica&#231;&#227;o, evidentemente, a autora silenciava e tornava invis&#237;vel   a trajet&#243;ria de muitas outras mulheres. Para ela, o &#8220;charme&#8221; dos relatos   devia-se ao crit&#233;rio da antiguidade, passadas duas d&#233;cadas da publica&#231;&#227;o   tornavam-se &#8220;pr&#233;-hist&#243;ricos&#8221;. A busca do ex&#243;tico e as impress&#245;es da vida   cotidiana, a&#237; incluindo a condi&#231;&#227;o feminina, as distin&#231;&#245;es entre classe e ra&#231;a   em sociedades marcadas pela barb&#225;rie da escravid&#227;o, eram os ingredientes   principais das narrativas. Talvez por isso, muitas das viajantes costumavam   falar de seus regressos como o despertar de um sonho e n&#227;o publicavam suas   lembran&#231;as t&#227;o logo retornavam. Precisavam de um tempo para elaborar na escrita suas experi&#234;ncias. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As estrangeiras que viveram no Brasil no   s&#233;culo XIX estabeleceram pontos de observa&#231;&#227;o em v&#225;rias partes e narraram cenas   &#237;ntimas da din&#226;mica patriarcal em plena modernidade. A inglesa Maria Graham,   autora do <i >Di&#225;rio de Uma &#173;Viagem ao Brasil</i> (1956 [1824]), a alem&#227; Ina von Binzer, autora do livro epistolar <i >Os Meus Romanos: Alegrias e Tristezas de Uma     Educadora no Brasil</i> (1982 [1887]) e a francesa Ad&#232;le Toussaint-Samson, que   escreveu o livro <i >Uma Parisiense no Brasil</i> (2003 [1883]), s&#227;o exemplos de int&#233;rpretes privilegiadas do dilema da forma&#231;&#227;o   brasileira.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup><sup>[3]</sup></sup></a> Por   essa raz&#227;o, tornaram-se fontes de inspira&#231;&#227;o e trabalho para pensadores sociais   como Gilberto Freyre.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup><sup>[4]</sup></sup></a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre os livros que foram citados ou   efetivamente lidos pelo soci&#243;logo na composi&#231;&#227;o de sua trilogia sobre o   patriarcado, encontram-se as mem&#243;rias da francesa Ad&#232;le Toussaint-Samson. Em um   primeiro plano, este artigo reflete sobre a abordagem freyreana desses   documentos e, com isso, busca compreender as afinidades seletivas que   justificam a escolha e constitui&#231;&#227;o de um <i >corpus</i> no pensamento social brasileiro dos anos 30. Considerado o prop&#243;sito inicial,   discute o modelo de interpreta&#231;&#227;o apresentado por Freyre em <i >Sobrados e Mucambos: Decad&#234;ncia do     Patriarcado Rural e Desenvolvimento Urbano</i>, de 1936, e que trata   especificamente do quadro de mudan&#231;a no s&#233;culo XIX. A tese da reeuropeiza&#231;&#227;o   elaborada pelo soci&#243;logo nesse volume acaba sendo posta &#224; prova pelas   descri&#231;&#245;es que faz Ad&#232;le do mesmo cen&#225;rio de renova&#231;&#245;es. Interessa ainda trazer   &#224; tona as rea&#231;&#245;es provocadas nos contempor&#226;neos por <i >Uma Parisiense no Brasil</i> &#8211; livro referenciado na obra pol&#234;mica de Charles Expilly (1935 [1863]). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se os textos agrupados sob determinados temas,   como as &#8220;brasilianas&#8221;, est&#227;o em uma ordem de sucess&#227;o e se inscrevem em longas   cadeias de interpreta&#231;&#227;o, h&#225; refer&#234;ncias compartilhadas entre o soci&#243;logo e a   viajante. Afinal, foi ele que chegou a ela, n&#227;o o contr&#225;rio. Mas, em fun&#231;&#227;o de   um posicionamento pol&#237;tico face aos documentos, Freyre acaba por n&#227;o enfrentar   a complexidade da trama de sua produ&#231;&#227;o emp&#237;rica, deixando escapar as m&#250;ltiplas   conex&#245;es entre as culturas nacionais e as apropria&#231;&#245;es de ideias por brasileiros nem sempre sedentos de novidades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A perspectiva na qual repousa o argumento   elege os conceitos de circula&#231;&#227;o e apropria&#231;&#227;o cultural (Chartier 2008; Mollier   2003). Se lidas na perspectiva da articula&#231;&#227;o entre esses dois conceitos, as   lembran&#231;as de Ad&#232;le elucidam um dos princ&#237;pios de forma&#231;&#227;o da cultura   brasileira: as travessias e contatos para al&#233;m dos oceanos entre indiv&#237;duos,   objetos e ideias (Chartier 2013). Assim, o encontro entre culturas,   intensificado no s&#233;culo XIX com o com&#233;rcio de livros e impressos, converteu as experi&#234;ncias de depend&#234;ncia e domina&#231;&#227;o europeias em conquistas de autonomia. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As mem&#243;rias de Ad&#232;le Toussaint-Samson foram   produzidas no movimento das trocas internacionais. Ela mesma desempenhou o   papel de transmissora cultural e seu livro nos convida a uma viagem que   incorpora as pol&#234;micas e desacordos intelectuais entre franceses e brasileiros.   Por isso mesmo, a tese da reeuropeiza&#231;&#227;o desenvolvida por Gilberto Freyre em <i >Sobrados e Mucambos</i> (2003 [1936]) &#8211; a   s&#237;ntese dos processos de influ&#234;ncia de uma matriz cultural consolidada e   irradiante sobre outra em forma&#231;&#227;o &#8211; acaba sendo posta &#224; prova quando confrontada com o arquivo de imagens e autoimagens e todas as nuances de interpreta&#231;&#245;es das viagens femininas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Os arquivos e as fontes: circula&#231;&#227;o transatl&#226;ntica da cultura</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A produ&#231;&#227;o intelectual que se configura no Brasil a partir do meado do   s&#233;culo XIX deve muito ao com&#233;rcio de exporta&#231;&#227;o de impressos e livros europeus   e, em consequ&#234;ncia, a um movimento intenso e veloz de circula&#231;&#227;o internacional   de ideias. N&#227;o por acaso, o problema dos efeitos da importa&#231;&#227;o dos modelos   art&#237;sticos e liter&#225;rios europeus na forma&#231;&#227;o da cultura brasileira marca o   pensamento social da d&#233;cada de 1930. No centro das inquieta&#231;&#245;es dos int&#233;rpretes   do Brasil encontram-se os v&#237;nculos entre uma cultura nacional em vias de   constitui&#231;&#227;o e as influ&#234;ncias provocadas por pr&#225;ticas culturais recriadas como   projetos de conquista. Os impactos do movimento internacional das ideias no   Brasil s&#227;o, desse modo, enfocados sob o &#226;ngulo do transplante e da influ&#234;ncia   quase sempre como &#8220;imita&#231;&#227;o passiva&#8221;. Desse modo, imprimir uma marca nacional   que permitisse reconhecer nossa produ&#231;&#227;o simb&#243;lica como aut&#234;ntica estava na base do pensamento social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Gilberto Freyre, por sua vez, e de livro em   livro, foi ajustando as complexas rela&#231;&#245;es entre a cultura brasileira e a   europeia no par tutela-depend&#234;ncia. Uma quest&#227;o merece ser feita ao soci&#243;logo,   partindo de sua pr&#243;pria interpreta&#231;&#227;o: o modelo das acomoda&#231;&#245;es dos   antagonismos que se desenvolveu no patriarcado tropical &#8211; entre portugu&#234;s,   &#237;ndio e negro, senhor e escravo, pai e filho, homem e mulher, tradi&#231;&#227;o e   modernidade &#8211;, tamb&#233;m explicaria as tend&#234;ncias de longo prazo, as disposi&#231;&#245;es   &#237;ntimas e as rela&#231;&#245;es de poder do par nacional-estrangeiro&#63; Noutras   palavras, qual a l&#243;gica da domina&#231;&#227;o cultural formulada no modelo anal&#237;tico   freyreano&#63; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se olhamos a figura&#231;&#227;o intelectual   oitocentista de outro &#226;ngulo e formulamos o problema em outra perspectiva, as   opera&#231;&#245;es de exporta&#231;&#227;o de livros vinculadas a uma pol&#237;tica de distribui&#231;&#227;o   baseada na dissemina&#231;&#227;o de pontos de venda pela Am&#233;rica do Sul ensejaram a   transfer&#234;ncia de capital liter&#225;rio para os pa&#237;ses de produ&#231;&#227;o cultural ainda   incipiente. No caso do Brasil, o que poderia ser um projeto de coloniza&#231;&#227;o   cultural, de pura e simples imposi&#231;&#227;o de bens de consumo, permitiu o ac&#250;mulo de   capital simb&#243;lico necess&#225;rio &#224; autonomiza&#231;&#227;o das letras, da ci&#234;ncia e de um   conhecimento social j&#225; em vias de constitui&#231;&#227;o. A presen&#231;a dos estrangeiros em   um pa&#237;s que se abria &#224; modernidade s&#243; poderia criar um feixe de tens&#245;es entre   as press&#245;es nacionais, que ensejavam o inc&#244;modo de um sentimento de inadequa&#231;&#227;o   nas apropria&#231;&#245;es de ideias e bens europeus, e as tenta&#231;&#245;es de um cosmopolitismo   provocadas nos intelectuais, artistas e escritores, e mesmo em um p&#250;blico m&#233;dio   de bachar&#233;is e doutores, em contato com essas mesmas ideias, objetos e indiv&#237;duos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Gilberto Freyre (2003 [1936]) n&#227;o viu que   essa tens&#227;o orientava as rela&#231;&#245;es intelectuais no s&#233;culo XIX. A circula&#231;&#227;o   transatl&#226;ntica dos impressos e objetos culturais resultava, para ele, em um   movimento de reeuropeiza&#231;&#227;o de nossos modos de vida e pensamento, iniciado com   a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, com a abertura dos   portos e o incremento do com&#233;rcio de importa&#231;&#227;o com navios estrangeiros.   Observava-se, continua o soci&#243;logo, a express&#227;o de um sentimento de   superioridade a tudo o que fosse heran&#231;a dos tempos coloniais. Essa progressiva   ocidentaliza&#231;&#227;o nacional enfrentava os costumes j&#225; tradicionais de uma primeira   europeiza&#231;&#227;o implantada pelos colonizadores ib&#233;ricos no desenvolvimento da   sociedade patriarcal. A tese, de enorme fortuna sociol&#243;gica, &#233; a de que o   primado ib&#233;rico soube aclimatar nos tr&#243;picos uma cultura oriental sob a   influ&#234;ncia do mouro, do judeu, dos &#225;rabes e dos negros africanos. A   nacionaliza&#231;&#227;o da cultura brasileira s&#243; podia resultar da assimila&#231;&#227;o das contribui&#231;&#245;es portuguesa, africana e ind&#237;gena. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nada provocaria ruptura nessa tradi&#231;&#227;o, nem   mesmo as revoltas liberais que pontuaram o s&#233;culo, como a dos Mascates, em   Pernambuco (1710). Os desequil&#237;brios nas rela&#231;&#245;es de poder e na ordem social   resultariam de lentos processos de transi&#231;&#227;o e conv&#237;vio entre velhas e novas   figura&#231;&#245;es sociais. A temporalidade psicossocial, para Gilberto Freyre (1974   [1957]), superp&#245;e tempos contradit&#243;rios. Combinando dura&#231;&#227;o e movimento, as   formas do passado insistiam em permanecer. Entretanto, a urbaniza&#231;&#227;o do pa&#237;s   junto &#224; dissemina&#231;&#227;o dos valores ocidentais e dos costumes europeizados no novo   equil&#237;brio de antagonismos entre o sobrado e o mucambo, aos poucos, ia   quebrando a acomoda&#231;&#227;o secular entre o senhor e o escravo. &#201;lide Rugai Bastos   (2006) chama a aten&#231;&#227;o para o fato de que as cidades e seus personagens   tornam-se cen&#225;rios de novos conflitos que redefinem as hierarquias sociais e acentuam   outros antagonismos. A ascens&#227;o do bacharel e do mulato por meio do estudo e   aquisi&#231;&#227;o de cultura livresca, em Coimbra, Paris, Inglaterra, ou mesmo em S&#227;o Paulo, Olinda ou na Bahia, passa a ocupar o centro da cena. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Abre-se uma razo&#225;vel dist&#226;ncia entre os   destinos desses personagens de diferencia&#231;&#227;o social e os da mulher e o da   crian&#231;a filho-fam&#237;lia &#8211; o par tiranizado pelo homem patriarca. Eclodem   conflitos entre o patriarcado rural e o prest&#237;gio das novas gera&#231;&#245;es de   bachar&#233;is e doutores que ousaram atravessar o Atl&#226;ntico em busca de   conhecimentos. Divididos entre as press&#245;es nacionais e o cosmopolitismo das trocas transatl&#226;nticas, quando retornavam eles traziam novas modas e doutrinas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em todo o processo de fal&#234;ncia do patriarcado   escravista e de transi&#231;&#227;o para a modernidade brasileira, a unidade familiar &#233; a   que mais se v&#234; alterada. A come&#231;ar pelas regras de conv&#237;vio. O modelo de gest&#227;o   da intimidade, ou melhor, a ger&#234;ncia do secreto t&#237;pica da civilidade burguesa,   toma o lugar dos ritos modorrentos e coletivos da vida rural. Objetos da   cultura burguesa tais como latas de biscoitos, fog&#245;es de ferro, pianos de   cauda, lou&#231;as inglesas e os artigos de cutelaria, garfos e facas &#224; mesa,   novidades da culin&#225;ria, assumem a majestade dos sobrados e s&#227;o utilizados por   aqueles que se empenham em fazer o aprendizado da distin&#231;&#227;o. Tamb&#233;m mudam os   modos de recrea&#231;&#227;o. A leitura dos livros e impressos em outros idiomas passa a   organizar o novo espa&#231;o dom&#233;stico. A posse de livros importados, principalmente   os franceses de literatura, filosofia e pol&#237;tica, os livros t&#233;cnicos, as cartas   da Mme de S&#233;vign&#233;, as <i >F&#225;bulas </i>de La   Fontaine, o <i >Emile</i> e a <i >Nouvelle H&#233;lo&#239;se</i>, de Rousseau, o <i >Esprit des Lois</i>, de Montesquieu, os   dicion&#225;rios e manuais de qu&#237;mica, medicina, f&#237;sica, astronomia e zoologia, as   narrativas de viagem, entre outros t&#237;tulos e g&#234;neros (Freyre 1960 [1940]:   277-279), era prova material e manifesta&#231;&#227;o &#237;ntima, de acordo com o soci&#243;logo, das obriga&#231;&#245;es da depend&#234;ncia cultural brasileira. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Na nova civiliza&#231;&#227;o, as mulheres estrangeiras,   governantas e professoras, passam a ser admitidas nas casas de fam&#237;lia de norte   a sul do Brasil. S&#227;o elas que v&#227;o tomar o lugar das matronas e dos padres   jesu&#237;tas na educa&#231;&#227;o das crian&#231;as. Essas mulheres empenham-se em observar a   din&#226;mica social, as regras da casa e da rua, deixar por escrito suas   impress&#245;es, afirmar uma dignidade autoral e transmitir ao mundo letrado suas   experi&#234;ncias de vida publicando livros. A plasticidade das viajantes   estrangeiras lhes conferiu o papel de protagonistas na reeuropeiza&#231;&#227;o do conv&#237;vio &#237;ntimo patriarcal brasileiro, alterando o estilo e a cultura dos demais personagens. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#8220;[&#8230;] o que nos faz voltar &#224;s governantas e <i>institutrices</i> para acentuar que tamb&#233;m elas, na primeira metade do s&#233;culo passado talvez mais     numerosas nas casas-grandes e nos sobrados patriarcais do norte do que nos do     sul, exerceram a a&#231;&#227;o revolucion&#225;ria que n&#227;o deve de modo algum ser esquecida     ou menosprezada&#8221; (Freyre 2003 [1936]: 76). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Maria Graham, a governanta   da princesa Maria da Gl&#243;ria (Leite 1984), com todo o cuidado dos que t&#234;m acesso   ao interior de uma casa e observam a vida alheia, o contorno dos objetos e os   detalhes da intimidade, viu os m&#243;veis coloridos e orientais da China, da &#205;ndia,   ainda resistindo &#224; moda ocidental de decora&#231;&#227;o dos sobrados, no Rio de Janeiro.   Observou a sensualidade dos toques das mucamas, no cafun&#233;, em pleno conv&#237;vio   burgu&#234;s de costumes. Nas cartas que escreveu sobre a rotina dos sobrados e   fazendas, Ina von Binzer acentuou as vantagens das professoras em rela&#231;&#227;o aos comerciantes   que se instalavam nas zonas mar&#237;timas. De dentro da casa, essas mulheres   descortinavam toda a trama da fam&#237;lia brasileira (Binzer 1982 [1887]: 95). A   ponto de um grupo de irm&#227;s sinhazinhas que formavam verdadeira &#8220;santa   inquisi&#231;&#227;o&#8221;, de t&#227;o adultizadas e s&#233;rias, junto aos meninos das fazendas de   nomes romanos e imponentes, mesmo sendo filhos de pais de convic&#231;&#245;es liberais,   permitirem a Ina conhecer de perto a etiqueta e hierarquia que regia o conjunto das rela&#231;&#245;es sociais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Do mesmo modo, Ad&#232;le Toussaint-Samson   reconheceu a luta entre culturas e civiliza&#231;&#245;es de que se tornara palco a   capital do Brasil. Suas notas escritas e fotografias sobre os m&#243;veis e   arquitetura das casas atestam os parentescos e afinidades com os costumes e   modas orientais, em pleno per&#237;odo de substitui&#231;&#227;o de importa&#231;&#245;es. Os relatos   das viagens de Arago, Debret, Southey, Kidder, Saint-Hilaire, Charles Expilly,   D&#8217;Assier e Ferdinand Denis tamb&#233;m s&#227;o refer&#234;ncias que n&#227;o se esgotam nelas mesmas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Freyre (2003 [1936]: 446), o processo de   reeuropeiza&#231;&#227;o das elites e estratos m&#233;dios ensejou desdobramentos. O principal   deles foi a m&#237;stica do contato franco-brasileiro, o &#8220;francesismo&#8221; ou   &#8220;afrancesamento&#8221; como rea&#231;&#227;o ao &#8220;exotismo tropical&#8221; constru&#237;do pelos viajantes   franceses e agravado, no s&#233;culo XIX, por um sentimento de superioridade. Assim,   o contato franco-brasileiro era mantido por meio de um jogo de imagens e   autoimagens, desde a inven&#231;&#227;o francesa do &#8220;bom selvagem&#8221; ao contraponto brasileiro do &#8220;afrancesamento&#8221;, mais tarde constru&#237;do pelos pensadores sociais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No modelo freyreano, a efic&#225;cia da civiliza&#231;&#227;o   europeia que se impunha aos tr&#243;picos era medida pela produ&#231;&#227;o de cren&#231;as e   mistifica&#231;&#245;es em &#8220;brasileiros sedentos de novidades&#8221;. Ao lado dos artistas,   mestres artes&#227;os e t&#233;cnicos ingleses, franceses e alem&#227;es, sobressa&#237;a a figura   do europeu branco e monopolizador, a exemplo dos que se destacaram no com&#233;rcio   de importa&#231;&#227;o, disputando mercado com os produtos orientais, &#225;rabes e chineses.   Uma dessas figuras foram os livreiros-editores parisienses que se instalaram na   corte do Rio de Janeiro na segunda metade do s&#233;culo. O mais importante entre   eles, Baptiste-Louis Garnier, ao lado de Aillaud, Garroud, Briquiet e Laurrane,   ilustrou a voca&#231;&#227;o expansionista do com&#233;rcio de livros europeu, observa   Jean-Yves Mollier (1988). Se Baptiste Garnier, editor de Jos&#233; de Alencar e   Machado de Assis, entre outros escritores nacionais, inventou um p&#250;blico leitor   brasileiro, seria porque em Paris, onde se situava a matriz da livraria, os   editores colhiam os frutos da reforma da instru&#231;&#227;o universal e, por   conseguinte, da massifica&#231;&#227;o do p&#250;blico leitor (Mollier 1999). Em decorr&#234;ncia   de tudo isso, os livreiros engajavam-se na produ&#231;&#227;o em grande escala e na exporta&#231;&#227;o para fora do mercado europeu. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Da leitura de <i >Sobrados e Mucambos</i>, pode-se afirmar que os caminhos para os homens   do livro foram abertos, anteriormente, pelos t&#233;cnicos, artes&#227;os, mec&#226;nicos,   pedreiros e pasteleiros, a&#231;ougueiros e pequenos comerciantes de v&#225;rios g&#234;neros,   levas de imigrantes europeus que vieram reeuropeizar a vida e a paisagem social   brasileira. Esse processo deve ser buscado n&#227;o apenas na alta cultura difundida   no livro, assinala Freyre, mas na transmiss&#227;o de novas t&#233;cnicas de produ&#231;&#227;o e   neg&#243;cio. &#201; o caso da atua&#231;&#227;o do engenheiro franc&#234;s Louis-L&#233;ger Vauthier, difusor   das ideias pol&#237;ticas de Charles Fourier e Saint-Simon   e construtor de pontes, estradas e imponentes edif&#237;cios no Recife, capital da prov&#237;ncia de Pernambuco. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1937, um ano ap&#243;s a publica&#231;&#227;o de <i >Sobrados e Mucambos</i>, Gilberto Freyre   ganha de presente do amigo Paulo Prado o manuscrito do di&#225;rio &#237;ntimo do   engenheiro Vauthier, que residiu no Recife de 1840 a 1846, ocupando o cargo de   chefe da Reparti&#231;&#227;o de Obras P&#250;blicas. O que mais lhe chamou aten&#231;&#227;o no   manuscrito foram as informa&#231;&#245;es sobre a atua&#231;&#227;o t&#233;cnica, no com&#233;rcio e na   ind&#250;stria, dos imigrantes franceses da primeira metade do s&#233;culo (Freyre 1960   [1940]: 30). Freyre decidiu, ent&#227;o, fazer um esbo&#231;o da figura de Vauthier   acompanhado de um ensaio sobre a sua atua&#231;&#227;o em Pernambuco, ap&#243;s a edi&#231;&#227;o do   di&#225;rio pelo Servi&#231;o do Patrim&#244;nio Hist&#243;rico e Art&#237;stico Nacional. Em 1940, o   livro do soci&#243;logo contendo esbo&#231;o e ensaio &#233; publicado no n&#250;mero 26 da cole&#231;&#227;o   Documentos Brasileiros, da Editora Jos&#233; Olympio. Esta publica&#231;&#227;o acontece em plena   era Vargas, lembra Claudia Poncioni (2010: 24), quando as impress&#245;es dos   viajantes oitocentistas &#8220;cumpriam papel importante na constru&#231;&#227;o de estrat&#233;gias   identit&#225;rias&#8221;. Freyre, j&#225; famoso e empenhado na escrita de uma obra de   interpreta&#231;&#227;o do Brasil, redigiu ainda o pref&#225;cio e as notas explicativas de   uma nova edi&#231;&#227;o do di&#225;rio de Vauthier, em 1960. Para uma melhor compreens&#227;o do   trabalho do soci&#243;logo sobre o manuscrito pode-se afirmar, com Antonio Dimas   (2010: 31), que Freyre inovou no m&#233;todo de investiga&#231;&#227;o ao se debru&#231;ar sobre o &#8220;documento virgem&#8221;, jogando luz sobre um texto feito para n&#227;o ser publicado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na introdu&#231;&#227;o do di&#225;rio de Vauthier, o   soci&#243;logo explica que o primeiro passo na constitui&#231;&#227;o de um <i >corpus</i> documental que permitisse o   conhecimento das atividades t&#233;cnicas dos imigrantes europeus foi o exame dos   an&#250;ncios e editoriais dos jornais que circularam durante o reinado de Pedro I e   o per&#237;odo da Reg&#234;ncia. No Arquivo P&#250;blico do Estado de Pernambuco, na   Reparti&#231;&#227;o de Via&#231;&#227;o e Obras P&#250;blicas e na Biblioteca, Freyre buscou documentos   oficiais, manuscritos relativos a or&#231;amentos de projetos e obras direcionados &#224;   atividade do engenheiro. Foram muitos os obst&#225;culos &#224; pesquisa, a situa&#231;&#227;o dos   arquivos era bem prec&#225;ria, lamenta-se o soci&#243;logo. Mas gra&#231;as a uma rede de   rela&#231;&#245;es intelectuais localizou os documentos. Afonso Arinos de Melo Franco   trouxe de Paris fotografias, cartas e an&#250;ncios de jornais do arquivo privado de   Vauthier e Hon&#243;rio Rodrigues levantou fontes no Instituto Hist&#243;rico do Rio de Janeiro. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Gilberto Freyre abre a introdu&#231;&#227;o com um   coment&#225;rio sobre seu m&#233;todo de trabalho: &#8220;o m&#233;todo seguido foi o   hist&#243;rico-social, de procurar destacar as &#173;repeti&#231;&#245;es, ou melhor, as   recorr&#234;ncias, ou as regularidades de significa&#231;&#227;o sociol&#243;gica. E estas, quanto   mais intensamente estudadas numa regi&#227;o, melhor&#8221; (1960 [1940]: 34). A   declara&#231;&#227;o sobre os protocolos da pesquisa regional &#8211; os desdobramentos do   objeto est&#227;o ligados &#224; hist&#243;ria de Pernambuco &#8211;, ao lado das refer&#234;ncias   te&#243;ricas, orientou a escolha e interpreta&#231;&#227;o dos documentos. O procedimento de   sele&#231;&#227;o, classifica&#231;&#227;o e an&#225;lise dos documentos sobretudo correspondia &#224;s   refer&#234;ncias te&#243;ricas do soci&#243;logo, em grande parte adquiridas na forma&#231;&#227;o de base nas universidades americanas dos anos 1920. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em seguida, Freyre desenvolve a tese da   transmiss&#227;o t&#233;cnica entre franceses e brasileiros, protagonizada pelos   primeiros artes&#227;os e, depois, pelos profissionais especializados em certa   influ&#234;ncia francesa no Brasil. No caso, a influ&#234;ncia, cujos protagonistas s&#227;o   os agentes da cultura, foi marcadamente de ordem t&#233;cnica. O engenheiro franc&#234;s   seria um ponto de apoio hist&#243;rico com caracter&#237;sticas gerais, t&#237;picas, regularidades suscet&#237;veis de an&#225;lise sociol&#243;gica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O soci&#243;logo tem em vista que a hist&#243;ria da   influ&#234;ncia francesa &#233; a hist&#243;ria da presen&#231;a e a&#231;&#227;o dos franceses no Brasil: as   liga&#231;&#245;es que constru&#237;ram e as ideias que transmitiram. Recebemos dos franceses   sobretudo o gosto pelo trabalho manual, por meio da t&#233;cnica e do com&#233;rcio.   Depois, por meio da ci&#234;ncia, da literatura e das artes. N&#227;o se deve perder de   vista que a t&#233;cnica e o com&#233;rcio se acompanhavam de ideias que nos chegavam por   &#8220;transcultura&#231;&#227;o ou transplante&#8221;. Os agentes da cultura francesa operavam uma   certa pedagogia, cujo efeito era o de impressionar um povo atrasado. No caso de Louis-L&#233;ger Vauthier, tratava-se da propaga&#231;&#227;o da doutrina socialista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas, o que constitui um aparente paradoxo &#233;   que a irradia&#231;&#227;o da cultura francesa no Brasil se deu, antes de tudo, pela   assimila&#231;&#227;o do &#237;ndio durante os primeiros contatos. Freyre prossegue   argumentando que os pontos de contato com a Fran&#231;a na forma&#231;&#227;o social   brasileira se deram de tr&#234;s modos: por meio do contrabando de madeira; dos aventureiros, nos s&#233;culos XVI e XVII; e dos mission&#225;rios e cientistas ilustres. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Maria L&#250;cia Pallares-Burke (2005), na   biografia intelectual de Gilberto Freyre, discute o processo de concep&#231;&#227;o da   trilogia do soci&#243;logo: <i >Casa-Grande &   Senzala</i> (2013 [1933]), <i >Sobrados e       Mucambos</i> (2003 [1936]) e <i >Ordem e         Progresso</i> (1974 [1957]). A autora adentra os arquivos &#237;ntimos de Freyre,   estuda a sua biblioteca particular, os documentos da juventude, as cr&#244;nicas   publicadas no <i >Di&#225;rio de Pernambuco</i> e   as anota&#231;&#245;es no di&#225;rio-mem&#243;ria, a fim de refazer os caminhos metodol&#243;gicos do   soci&#243;logo. Em primeiro lugar, assinala Maria L&#250;cia, Freyre marca uma distin&#231;&#227;o   por trazer o ensaio para a sociologia, fruto de uma longa forma&#231;&#227;o   universit&#225;ria no exterior. O jovem Gilberto conheceu o ensaio ainda no curso de   Andrew Joseph Armstrong, na Universidade americana de Baylor. Foi o gosto pelo   g&#234;nero convertido em protocolo de escrita que o levou ao aprendizado e ao   interesse pela rotina da vida. Pallares-Burke procura ligar as pr&#225;ticas   aparentemente desconexas, esparsas e descont&#237;nuas das leituras de Freyre &#224;   prefer&#234;ncia pela escrita ensa&#237;stica e a uma poss&#237;vel abertura da sua   criatividade. O relacionamento com os livros e os modos de l&#234;-los, nesse caso,   orientariam o m&#233;todo relativamente casual de sele&#231;&#227;o e an&#225;lise das fontes de   trabalho. Pode-se concluir, ent&#227;o, que a interpreta&#231;&#227;o do soci&#243;logo corresponderia a esse modo peculiar de ler os ind&#237;cios do passado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Freyre lia de tudo, desde obras de filosofia e   hist&#243;ria aos romances populares do s&#233;culo XIX, &#8220;sistematicamente de modo   assistem&#225;tico&#8221; (Pallares-Burke 2005: 112). N&#227;o se pode perder de vista, lembra   a escritora, que Freyre estava empenhado em criar um novo estilo, em &#8220;escrever   obras diferentes das consagradas&#8221;. Por diversas vezes, mostrou-se confiante,   &#8220;para n&#227;o dizer orgulhoso&#8221;, de suas &#8220;leituras contradit&#243;rias&#8221;. O apre&#231;o ao   perspectivismo remete &#224; rela&#231;&#227;o com a verdade e a prova, que &#233; mediada pelo   gosto e pelas afinidades na escolha aleat&#243;ria de certos aspectos do passado.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup><sup>[5]</sup></sup></a> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma das fontes privilegiadas de Gilberto   Freyre para a reconstitui&#231;&#227;o da din&#226;mica patriarcal e a elabora&#231;&#227;o do modelo da   reeuropeiza&#231;&#227;o s&#227;o os an&#250;ncios publicit&#225;rios nos jornais &#8211; os de venda de   escravos, modas, utens&#237;lios dom&#233;sticos, artigos de importa&#231;&#227;o, livros e   impressos em geral. N&#227;o se pode desconsiderar a import&#226;ncia da imprensa   peri&#243;dica na busca dos vest&#237;gios do tempo. As mensagens nos jornais (os   editoriais, not&#237;cias e an&#250;ncios), no entanto, n&#227;o se explicam por si mesmas e   muito menos encerram tudo sobre o passado, como afirma Tania Regina de Luca   (2011). Quando tomadas isoladamente escondem os diversos interesses postos em   jogo nas publica&#231;&#245;es, as estrat&#233;gias comerciais e lutas de afirma&#231;&#227;o simb&#243;lica   dos produtores e, no caso de Freyre, as circunst&#226;ncias de ordem pol&#237;tica que   porventura possam ter orientado a escolha e interpreta&#231;&#227;o dessas fontes de pesquisa.   Para que os an&#250;ncios da venda de escravos estudados por Freyre (2010 [1963]) se   tornassem objetos de hist&#243;ria social e antropologia cultural &#8211; inaugurando uma   nova ci&#234;ncia como ele pretendia, a anunciologia &#8211;, n&#227;o poderiam ser tomados na   sua transpar&#234;ncia. E mais, se os efeitos da difus&#227;o dos an&#250;ncios na cultura   brasileira s&#227;o importantes chaves de interpreta&#231;&#227;o oferecidas pelo soci&#243;logo,   nem por isso a din&#226;mica social que regulava a imprensa peri&#243;dica oitocentista se tornaria vis&#237;vel logo ao primeiro olhar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O mesmo tratamento isolado foi dado aos livros   das viajantes. Freyre n&#227;o procurou estabelecer v&#237;nculos entre as narrativas e   muito menos buscou compreender as condi&#231;&#245;es sociais de suas circula&#231;&#245;es. Talvez   n&#227;o tenha sido do seu interesse a amplia&#231;&#227;o do <i >corpus</i> documental de sua pesquisa &#8211; estendendo-o aos cat&#225;logos das   editoras francesas no Brasil, aos t&#237;tulos de uma cole&#231;&#227;o de viagem, aos   ind&#237;cios que levassem &#224; mania que provocavam nos leitores europeus &#8211; e muito   menos dirigir perguntas aos percursos de publica&#231;&#227;o das viajantes e aos   sucessos e rea&#231;&#245;es que provocavam entre os leitores brasileiros. Na obra   monumental de Gilberto Freyre, as narrativas de viagem s&#227;o utilizadas como   preciosas fontes de informa&#231;&#227;o e ilustra&#231;&#227;o, mas poderiam tamb&#233;m ter sido   apropriadas como objetos de an&#225;lise. O soci&#243;logo n&#227;o observou as regularidades   e varia&#231;&#245;es entre elas.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup><sup>[6]</sup></sup></a> Quem   sabe por esse motivo, quase tornou invis&#237;veis as lembran&#231;as de Ad&#232;le   Toussaint-Samson, citando-as muito rapidamente na bibliografia de <i >Sobrados e Mucambos</i> e deixando na sombra   a atua&#231;&#227;o de transmissora cultural da escritora, t&#227;o importante para o estudo   dos contatos entre o Brasil e a Fran&#231;a quanto a do engenheiro Louis-L&#233;ger Vauthier. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foi necess&#225;ria a passagem de muitos anos para   que M&#237;riam Moreira Leite (1984), em estudo pioneiro sobre a condi&#231;&#227;o feminina   no s&#233;culo XIX, conferisse legitimidade &#224;s impress&#245;es de Ad&#232;le, do mesmo modo e   valor que &#224;s anota&#231;&#245;es e estudos dos diplomatas, artistas e cientistas naturais   estrangeiros, sem insistir na dicotomia que hierarquiza os objetos do passado entre can&#244;nicos e ordin&#225;rios. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Leituras de   Ad&#232;le Toussaint-Samson: controv&#233;rsias no espelho</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na companhia de   Jules, o marido nascido no Brasil de pais franceses e que mais tarde se   tornaria professor de dan&#231;a da fam&#237;lia imperial, e do filho pequeno, Ad&#232;le   deixou a Europa por motivos financeiros. A viagem da fam&#237;lia durou 12 anos. Os Toussaint viveram no Rio de Janeiro de 1850 a 1862. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma vez instalada e ap&#243;s contrair e curar-se   de uma febre amarela, Ad&#232;le passou a dar aulas de franc&#234;s e italiano. Com isso,   adentrou a fam&#237;lia patriarcal, olhando de perto os &#237;ntimos detalhes dos usos,   costumes e regras de conviv&#234;ncia. A atividade de educadora orientou as notas de   suas impress&#245;es (Leite 1984: 24). Enquanto elemento de liga&#231;&#227;o entre os   estrangeiros e a popula&#231;&#227;o nativa, o exerc&#237;cio profissional &#233; um dos pontos de defini&#231;&#227;o das viagens como g&#234;nero, observa Magda Sarat (2004). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se partirmos da rela&#231;&#227;o entre o t&#237;tulo e o   conte&#250;do, a narrativa de Ad&#232;le se refere &#224; quest&#227;o racial feminina e apresenta   um estudo das mulheres enquanto categorias ps&#237;quicas que formam o quadro mental   da fam&#237;lia brasileira: as &#237;ndias nas fazendas, as escravas negras das cidades e   as &#8220;empregadas&#8221; mesti&#231;as, categoria definida como &#8220;meio-termo entre dona-de-casa   e criada&#8221; (&#173;Toussaint-Samson 2003 [1883]: 133). Todas essas mulheres s&#227;o   representadas em rela&#231;&#227;o &#224;s senhoras brancas, brasileiras e estrangeiras, e,   evidentemente, em rela&#231;&#227;o ao patriarca, a&#237; incluindo outras figuras sociais do mando, como os feitores das fazendas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sobre a constitui&#231;&#227;o racial do brasileiro, a   viajante n&#227;o foge ao padr&#227;o dos estudos da &#233;poca e reproduz a tese corrente da   mesti&#231;agem como um dos fatores de instabilidade e enfraquecimento da ra&#231;a. A   tese da escravid&#227;o como um mal necess&#225;rio &#224; economia agr&#237;cola do pa&#237;s tamb&#233;m &#233;   reproduzida. Do mesmo modo, sublinha a hospitalidade inata aos habitantes do   pa&#237;s tropical. Como n&#227;o se tratava da publica&#231;&#227;o dos resultados de uma viagem   oficial de estudos, Ad&#232;le n&#227;o se preocupa em preparar nas suas lembran&#231;as uma   &#8220;li&#231;&#227;o de casa&#8221; sobre a experi&#234;ncia racial nos tr&#243;picos, as impress&#245;es s&#227;o   descritas sob o impacto da descoberta. O pr&#243;logo que antecede a narrativa da   parisiense leva a crer que ela se dava conta de que lhe faltava legitimidade, ante seus compatriotas, para falar sobre as formas de conviv&#234;ncia nos tr&#243;picos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ad&#232;le tem em vista que uma das caracter&#237;sticas   inatas do brasileiro &#233; n&#227;o suportar servir, o que, a seus olhos, explicaria o   desprezo ao trabalho manual e um orgulho que tocava a animalidade: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#8220;Como dizia h&#225; pouco,     uma brasileira coraria em ser surpreendida em uma ocupa&#231;&#227;o qualquer, pois     professam o mais profundo desprezo por tudo que trabalha. O orgulho do     sul-americano &#233; extremo. Todo mundo quer ser senhor; ningu&#233;m quer servir. N&#227;o se     admite, no Brasil, outra profiss&#227;o que n&#227;o a de m&#233;dico, de advogado ou de     negociante atacadista&#8221; (Toussaint-Samson 2003 [1883]: 157). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ambas as caracter&#237;sticas, indol&#234;ncia   e orgulho, beiravam zonas de perigo.   &#201; poss&#237;vel que estivesse   empenhada em satisfazer o p&#250;blico leitor franc&#234;s cheio de expectativas em   rela&#231;&#227;o ao exotismo tropical. A representa&#231;&#227;o do mist&#233;rio e poder de sedu&#231;&#227;o da   mulher brasileira, da negra em particular, igualmente beirava uma zona de   perigo, o que poderia nutrir ainda mais a curiosidade e o desejo de aventura de homens franceses j&#225; bastante informados sobre o Brasil: </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&#8220;Quanto &#224; ra&#231;a brasileira, mistura de sangue europeu, americano e     africano, tem toda a indol&#234;ncia crioula, &#233; fraca, abastardada, muito     inteligente e n&#227;o menos orgulhosa. &#201; evidente que &#233; ao com&#233;rcio com os negros     que se deve em parte a deteriora&#231;&#227;o dessa ra&#231;a. As negras, com seus ardores     africanos, estiolam a juventude do Rio de Janeiro e de suas prov&#237;ncias. H&#225; em     seu sangue um princ&#237;pio acre que mata o branco&#8221; (Toussaint-Samson 2003 [1883]:     100). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Na perspectiva de   Ad&#232;le, o &#8220;princ&#237;pio acre que mata o branco&#8221; n&#227;o se reduziria a quest&#245;es de   pigmenta&#231;&#227;o da pele ou a atributos f&#237;sicos, mas a poderes de sedu&#231;&#227;o. A entrega   da brasileira ao homem branco n&#227;o aparecia como met&#225;fora de um encontro amoroso   e aliena&#231;&#227;o total que resultaria na feliz coloniza&#231;&#227;o racial pelo casamento. Em   se tratando da mulher negra, imaginada como animal carn&#237;voro sujeito a toda   sorte de condena&#231;&#227;o moral, a rela&#231;&#227;o sexual n&#227;o venceria o estranhamento, superaria   as diferen&#231;as e muito menos apresentaria bons frutos de mesti&#231;agem. Fiel &#224;s   refer&#234;ncias europeias, a parisiense compara as escravas negras &#224;s espanholas em   poder de atra&#231;&#227;o, assim como as damas brasileiras que apreciavam a dan&#231;a   nacional do lundu, &#8220;que todo mundo deve acompanhar estalando os dedos como   castanholas, para bem marcar-lhe o ritmo&#8221; (Toussaint-Samson 2003 [1883]: 106).   No lundu, o homem n&#227;o faria mais que girar em torno das dan&#231;arinas   perseguindo-as nos seus movimentos de gata. As negras Minas, para a viajante,   eram as que mais se assemelhavam &#224;s europeias; a cintura arqueada, o busto   saliente, o andar desembara&#231;ado &#8220;sempre acompanhado de um movimento de quadris   bem provocante, embora marcado por certa altivez, como o da espanhola&#8221; (Toussaint-Samson 2003 [1883]: 82). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se orientarmos as notas sobre a sexualidade   das brasileiras em <i >Uma Parisiense no     Brasil</i> para o tema do processo civilizador analisado por Norbert Elias   (2011) e transpusermos este para a singularidade dos tr&#243;picos, como fez Ricardo   Benzaquem de Ara&#250;jo, descortina-se, no s&#233;culo XIX, um dos pontos de muta&#231;&#227;o   entre a din&#226;mica familiar dos sobrados e a das casas-grandes coloniais: &#8220;a   extrema modera&#231;&#227;o que parece definir a rela&#231;&#227;o entre homens e mulheres dentro   dos sobrados&#8221; (Ara&#250;jo 1994: 118). De acordo com o historiador, a progressiva   emancipa&#231;&#227;o dos escravos restringia, paulatinamente, os objetos das paix&#245;es e   promiscuidades do homem patriarca, transformando as normas de conv&#237;vio no   sentido de uma maior necessidade do autocontrole e das obriga&#231;&#245;es. As orgias   anteriormente praticadas com as escravas s&#227;o deslocadas para as zonas de   prostitui&#231;&#227;o. A monogamia torna-se modelo de fam&#237;lia. Desse modo, redefine-se o   equil&#237;brio dos antagonismos da autoridade patriarcal em rela&#231;&#227;o &#224; mulher, agora   romanticamente idealizada, &#8220;franzina ou langue&#8221; (Freyre 2003 [1936]: 212), para   a qual destina-se uma etiqueta e uma literatura, e em rela&#231;&#227;o ao filho   precocemente envelhecido e pronto a atravessar o Atl&#226;ntico a fim de tornar-se   bacharel ou doutor. Nesse processo de refreamento dos afetos e conten&#231;&#227;o dos   impulsos sexuais, as senhoras dos sobrados, voltando a Freyre (2003 [1936]:   218), foram as que mais se influenciaram pela novidade das modas e costumes   franceses. A reeuropeiza&#231;&#227;o, a urbaniza&#231;&#227;o e a sofistica&#231;&#227;o da vida pelo   contato com ideias e produtos importados afetou sobretudo o corpo da mulher brasileira, que se tornara modelado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&#233;m dos espet&#225;culos da viol&#234;ncia, seja no   trato familiar ou na puni&#231;&#227;o aos escravos, divers&#227;o e emo&#231;&#227;o eram tudo o que os   editores parisienses exigiam de efeitos para a publica&#231;&#227;o dos manuscritos dos   viajantes ao Brasil, adverte Ad&#232;le no pr&#243;logo do seu livro. No registro das   impress&#245;es cotidianas da ordem escravocrata, a parisiense, como Gilberto Freyre anos ap&#243;s, devia muito &#224;s leituras de Charles Expilly. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1852, Expilly partiu de Marseille rumo ao   Rio de Janeiro, permanecendo no Brasil por dez anos. Em 1862, de volta &#224;   Fran&#231;a, come&#231;a a publicar artigos pol&#234;micos sobre o tr&#225;fico da emigra&#231;&#227;o e da   coloniza&#231;&#227;o no Brasil. No mesmo ano sai o livro <i >Le Br&#233;sil, tel qu&#8217;il est</i>, citado &#224; larga por Ad&#232;le, e que tem como   continua&#231;&#227;o <i >Les femmes et les moeurs du     Br&#233;sil</i>, publicado em 1863, abordando especificamente a condi&#231;&#227;o social e   racial feminina. Em 1935, com o t&#237;tulo <i >As     Mulheres e os Costumes no Brasil</i>, o livro de Expilly entra na cole&#231;&#227;o   Brasiliana, dirigida por Fernando de Azevedo para a Companhia Editora Nacional,   dois anos ap&#243;s a publica&#231;&#227;o de <i >Casa-Grande   & Senzala</i>. Na edi&#231;&#227;o brasileira, o tradutor e prefaciador de Expilly,   Gast&#227;o Penalva, justifica ao leitor a publica&#231;&#227;o de obra que causara tanto   esc&#226;ndalo. O &#250;nico valor da tradu&#231;&#227;o era documental, no sentido de um &#8220;material   que reflete o passado&#8221;, ainda que na vis&#227;o de &#8220;olhos deformados por estrabismo&#8221;   (1935: 7). Vale acrescentar, no entanto, que os brasileiros liam os livros de   Expilly no original franc&#234;s, uma vez que eram publicados na Fran&#231;a e chegavam ao Brasil na livraria Garnier. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As impress&#245;es narradas em <i >Le Br&#233;sil, tel qu&#8217;il est</i> n&#227;o correspondiam ao que Expilly denunciava   como propaganda entusiasmada do governo brasileiro na imprensa francesa. Talvez   por essa raz&#227;o o livro n&#227;o tenha sido bem acolhido na <i >Revue des Deux Mondes</i>, nos jornais de Marseille, Lyon, Bordeaux e,   complementa Expilly (1935 [1863]), mesmo nos jornais da B&#233;lgica e de Buenos   Aires. Todos o acusavam de ter carregado nas tintas. Em um dos cap&#237;tulos mais   ferinos, o viajante tra&#231;a o perfil do imigrante franc&#234;s no Rio de Janeiro. Os   que exerciam atividades comerciais na Rua do Ouvidor, tida como o corredor <i >chic</i> da moda, das mulheres elegantes e <i >coquettes</i>, das livrarias e da cultura   parisiense, Expilly acusa de astuciosos e desleais. As migra&#231;&#245;es dos   bem-sucedidos, cheios de d&#237;vidas, justificavam-se por desejos de aventura e   conquista, moralmente conden&#225;veis pelo viajante (1935 [1863]: 266). Orgulhosos, <i >parvenus</i> e pouco escrupulosos, os   comerciantes deviam suas fortunas a neg&#243;cios fraudulentos associados &#224;   escravid&#227;o. Havia quem seduzisse os clientes com a <i >coquetterie</i> das esposas. A pol&#237;cia, como medida de seguran&#231;a,   continua Expilly (1935 [1863]: 231), costumava publicar nos jornais por tr&#234;s   dias consecutivos listas com os nomes das pessoas que partiam para o exterior,   com a indica&#231;&#227;o do navio e do destino, a fim de advertir o p&#250;blico das poss&#237;veis fugas de devedores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Do mesmo modo, saltava aos olhos de Ad&#232;le o   abrasileiramento das compatriotas francesas. T&#227;o logo ascendiam, as europeias,   pouco importando se pobres ou enriquecidas, esqueciam suas l&#237;nguas de origem e   contratavam mucamas, embaralhando as pe&#231;as do jogo da civiliza&#231;&#227;o para deixar   entrever todo o processo de interioriza&#231;&#227;o do modo de vida colonial. Por isso,   quando os casais franceses retornavam, comenta a viajante, costumavam levar   algumas curiosidades do Brasil, como crian&#231;as negras. A parisiense conta a   hist&#243;ria de um garoto de cinco anos que ao chegar em Paris tiritava tanto com o   frio em um canto da lareira da casa que seus pais adotivos o faziam beber copos   cheios de aguardente para se aquecer. Ao fim de seis meses,   o pequeno faleceu. Da mesma fam&#237;lia francesa, Ad&#232;le recorda-se: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#8220;Fui recebida, &#224; minha chegada, na casa de um ex-latoeiro e sua mulher, <i>parvenus</i> em toda a for&#231;a do termo, que eram bem divertidos! O marido, um homem     corpulento, usando brincos, n&#227;o podia dizer uma palavra sem acompanh&#225;-la de um     erro de pron&#250;ncia, e s&#243; abria a boca para falar de sua riqueza e de seus     escravos. Quanto &#224; sua mulher, muito robusta tamb&#233;m, como dizia, pavoneando-se     em sua poltrona com um vestido decotado, que mostrava o que ela devia esconder     com cuidado, interrompia sua partida de cartas para gritar a todo instante, &#212;     negrinha! Passa-me o leque! &#212; negrinha! D&#225;-me a caixa de rap&#233;! &#212; negrinha!     Traze-me um copo d&#8217;&#225;gua! &#212; negrinha! Apanha o meu len&#231;o, e principalmente esse     len&#231;o, ela o lan&#231;ou ao ch&#227;o mais de vinte vezes durante a reuni&#227;o, para ter o     prazer de fazer uma negrinha de sete a oito anos, acocorada a seus p&#233;s,     apanh&#225;-lo outras tantas vezes&#8221;     (Toussaint-Samson 2003 [1883]: 86). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">E assim a cultura europeia ia se colocando &#224; prova   da &#8220;vida selvagem&#8221;. As impress&#245;es   de Ad&#232;le confrontadas &#224; perspectiva da reeuropeiza&#231;&#227;o apresentada por Freyre   tornam dif&#237;cil saber quem influenciava quem. Esse &#233; o ponto no qual a   parisiense p&#245;e &#224; prova a tese da influ&#234;ncia europeia como &#8220;imita&#231;&#227;o passiva&#8221;.   As lembran&#231;as de Ad&#232;le chamam a aten&#231;&#227;o para as varia&#231;&#245;es rec&#237;procas das   imita&#231;&#245;es. Nas tend&#234;ncias de longo prazo, disposi&#231;&#245;es &#237;ntimas e rela&#231;&#245;es de   poder do par nacional-estrangeiro, se um reproduz as inova&#231;&#245;es do outro &#8211;   costumes, objetos e tudo o mais indispens&#225;vel &#224; vida nas cidades &#8211;, o outro   realiza sua integra&#231;&#227;o assimilando a experi&#234;ncia colonial em acentuado   decl&#237;nio. Como elemento de diferencia&#231;&#227;o social, os franceses no Rio de Janeiro   n&#227;o correspondiam exclusivamente &#224; figura do branco monopolizador, mas &#224; de uma classe caixeiral de pequenos comerciantes dispostos a tudo pela integra&#231;&#227;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Tampouco escapou ao olhar atento da viajante a   crueza das espanholas, as que aproximavam, no debate da sexualidade feminina,   as diferen&#231;as tropicais da Europa. Essas mulheres abrasileiravam-se de modo t&#227;o patriarcal que chegavam a ponto de espancar seus escravos: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#8220;T&#237;nhamos uma vizinha, na Rua do Ros&#225;rio,     no andar superior, uma se&#241;ora (senhora) espanhola que tinha a seu servi&#231;o tr&#234;s     ou quatro escravos. Todo dia, cenas horr&#237;veis aconteciam acima de nossas     cabe&#231;as. Pela mais leve omiss&#227;o, pela menor falta de um deles, a espanhola os     chicoteava ou dava-lhes golpes de palmat&#243;ria, e ouv&#237;amos as pobres negras     lan&#231;arem-se a seus p&#233;s, gritando &#8220;Perd&#227;o senhora!&#8221; Mas a implac&#225;vel patroa     jamais se deixava enternecer, e dava sem piedade o n&#250;mero de golpes que julgava     dever dar. Aquelas cenas faziam-me um mal horr&#237;vel&#8221; (Toussaint-Samson 2003     [1883]: 97). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Um dia, continua a narradora, os golpes de   chicote da espanhola se fizeram acompanhar de gritos t&#227;o dilacerantes e   insurport&#225;veis de ouvir que a levaram a perguntar ao marido como se dizia em   portugu&#234;s a palavra <i >bourreau</i>, que ele   prontamente traduziu por &#8220;carrasco&#8221;. Ad&#232;le, ent&#227;o, subiu as escadas correndo,   abriu a porta da espanhola, enfrentou-a &#8220;jogando-lhe na cara&#8221; sua primeira   palavra pronunciada em portugu&#234;s &#8211; carrasco. O horror ao espet&#225;culo da   escravid&#227;o, aos leil&#245;es de homens, mulheres e crian&#231;as, &#224; vis&#227;o das m&#225;scaras de   ferro, dos golpes de chicote, das cangas no pesco&#231;o e &#224;s &#8220;cenas de barb&#225;rie&#8221; sob   o sol de fogo do pa&#237;s tropical, somado &#224;s epidemias de febre-amarela e &#224; crueldade nas rela&#231;&#245;es familiares, a remetiam aos contos de terror de Hoffmann. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No retorno a Paris, Ad&#232;le levou uma forte dose   de perplexidade ante a descoberta do sistema patriarcal e escravocrata   brasileiro, lembra Jacqueline Penjon (2005). Talvez por den&#250;ncia da condi&#231;&#227;o   racial descreveu as mulatas brasileiras como tipos fortes e viris. Ad&#232;le n&#227;o   deixa de trope&#231;ar no estere&#243;tipo da mulher sensual, embora compare a posi&#231;&#227;o   das senhoras brancas, sobretudo as que residiam nas fazendas, com a das   escravas dom&#233;sticas. Ad&#232;le tamb&#233;m se refere ao Brasil como um livro aberto da   natureza. A exuber&#226;ncia da beleza tropical, os perigos das florestas, o   fasc&#237;nio do corcovado, os aspectos instrutivos da vegeta&#231;&#227;o, s&#227;o tra&#231;os recorrentes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em meio &#224;s controv&#233;rsias que provocaria no   espelho p&#225;trio, Ad&#232;le &#173;Toussaint-Samson abriu seu livro de lembran&#231;as   situando-se como autora face aos editores franceses. O manuscrito de <i >Uma Parisiense no Brasil</i> foi, por   diversas vezes, rejeitado tanto pelos jornais como pelas casas de edi&#231;&#227;o, s&#243;   conhecendo a luz da publicidade em 1883, ap&#243;s uma visita do Imperador Pedro II   a Paris, embora tenha sido composto em 1870, no retorno a Fran&#231;a. Cabem   quest&#245;es retrospectivas: por que interditar a palavra da viajante&#63; Que perigos   representava&#63; Tudo leva a crer que a sua liberdade de express&#227;o enfrentava a   censura exercida sobre as mulheres que ousavam publicar seus relatos de viagem   sem a companhia autoral dos maridos. Maria Inez Turazzi, no primoroso ensaio   cr&#237;tico ao livro de Ad&#233;le, nos conta um pouco dos caminhos de sua hist&#243;ria editorial, relacionando-os &#224; fam&#237;lia imperial brasileira: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">&#8220;Em abril de 1881, Ad. Toussaint enviou ao imperador Pedro II     um exemplar de seu livro <i>Les chemins de la vie</i> (Paris: E. Dentu, 1880),     um estudo de costumes que viria a ser premiado pela Acad&#233;mie Fran&#231;aise. G&#234;nero     muito em voga na &#233;poca, um outro exemplar da obra foi tamb&#233;m oferecido pela     autora &#224; princesa Isabel. [&#8230;] Ad&#232;le agradeceu a Pedro II a acolhida que ela e o     marido tiveram no Brasil&#8221; (Turazzi     2003: 26). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Interessava aos editores franceses a publicidade de um &#8220;recheio do Brasil&#8221;, um drama   de aventuras nas florestas virgens entre &#237;ndios canibais e animais ferozes, de   prefer&#234;ncia, com 300 p&#225;ginas. Face a essas e outras conting&#234;ncias do mercado,   deve-se imaginar a preocupa&#231;&#227;o de Ad&#232;le em perder a atualidade de suas   impress&#245;es. Ela tinha urg&#234;ncia em pass&#225;-las o mais rapidamente poss&#237;vel para o   livro, a fim de divulg&#225;-las e abrir um debate, ao menos na col&#244;nia brasileira residente em Paris. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ad&#232;le nutria um desejo de veracidade e   imparcialidade, raz&#227;o pela qual fez acompanhar seu texto de fotografias de   caboclos, mulatos, pra&#231;as e igrejas, assinadas por artistas do tamanho de   George Leuzinger, Revert H. Klumb e Cristiano Jr. Ela acreditava no direito de   escrever sobre o que pensava e encontrar os seus verdadeiros leitores, &#8220;Eu digo   aquilo que eu vi&#8221;, em oposi&#231;&#227;o ao puro exerc&#237;cio da imagina&#231;&#227;o destinado a   entreter e provocar fortes emo&#231;&#245;es em franceses que nunca na vida tinham visto   o mar, uma mulher ou uma planta tropical. Tampouco <i >Uma Parisiense no Brasil</i> produziu mistifica&#231;&#245;es em brasileiros   afrancesados. A identifica&#231;&#227;o com a verdade e a irrever&#234;ncia do estilo, que   provocaram tantas rea&#231;&#245;es no p&#250;blico leitor, Ad&#232;le diz ter herdado do pai,   Joseph-Isidore Samson, conhecido ator da Com&#233;die-Fran&#231;aise, embora Charles Expilly, sua fonte de consulta, cumpra a respeito importante fun&#231;&#227;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Em 1866, Expilly publicou um op&#250;sculo   intitulado <i >La verit&#233; sur le conflit entre     le Br&#233;sil, Buenos-Ayres, Montevideo et le Paraguay</i>, que foi muito mal   recebido entre os intelectuais brasileiros. Intrometendo-se em quest&#227;o pol&#237;tica   delicada, Expilly construiu uma imagem diversa da que os brasileiros tinham   deles mesmos. Antonio Pinto J&#250;nior, Jo&#227;o Carlos Mor&#233; e Cruz Lima n&#227;o tardaram em lhe dar uma resposta. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No mesmo ano, Joaquim Ant&#244;nio Pinto J&#250;nior   publica <i >O Charlat&#227;o Carlos Expilly e a     Verdade sobre o Conflito entre o Brasil, Buenos Aires, Montevid&#233;o e o Paraguay</i>.   Este livro &#233; tomado como uma defesa da honra nacional. Pinto J&#250;nior acusa o   franc&#234;s de falsear as estat&#237;sticas e atribuir ao desejo de conquista imperial a   abertura do com&#233;rcio fluvial para o Mato Grosso, uma das mais importantes e   ricas prov&#237;ncias. Expilly atribu&#237;a ao governo o medo de subleva&#231;&#245;es no   centro-oeste, a exemplo das revoltas de independ&#234;ncia de Pernambuco e do Rio   Grande do Sul. Outro alvo da reprova&#231;&#227;o de Pinto J&#250;nior &#233; o modo como o   viajante se intrometia no tema da escravid&#227;o. A forma da aboli&#231;&#227;o competia   apenas aos brasileiros, por ser quest&#227;o de pol&#237;tica interna. Tudo levava a crer   que Expilly estimulava uma subleva&#231;&#227;o dos escravos, afirma Pinto J&#250;nior. Jo&#227;o   Carlos Mor&#233;, no livro <i >Antes de Tudo a     Verdade: Reflex&#245;es sobre a Brochura do Sr. Charles Expilly</i>, publicado em   1868 pela Tipografia Rio-Grandense, em Porto Alegre, tamb&#233;m n&#227;o poupa cr&#237;ticas   ao viajante. &#201; rigoroso quando acusa o franc&#234;s de ter vivido entre as camadas   inferiores da corte e de n&#227;o ter conseguido posi&#231;&#227;o intelectual, sendo obrigado   a fazer neg&#243;cio com os f&#243;sforos, no qual tamb&#233;m foi mal sucedido.<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup><sup>[7]</sup></sup></a> Para   Mor&#233;, a civiliza&#231;&#227;o estava em curso no Brasil, apesar das atrocidades e barb&#225;ries da guerra cometidas nas vistas do imperador. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cruz Lima foi mais longe, alfinetando Expilly   e outros viajantes. Escreveu em franc&#234;s, indicando os caminhos da recep&#231;&#227;o de   seu texto <i >R&#233;ponse &#224; un article de la     Revue de Deux Mondes sur la Guerre du Br&#233;sil et du Paraguay</i>, publicado por   Laemmert, em 1869, no Rio de Janeiro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em meio a tanta pol&#234;mica nos dois lados do   Atl&#226;ntico, o livro de Ad&#232;le n&#227;o poderia ter uma boa acolhida na imprensa   brasileira. Em 1883, no mesmo ano da publica&#231;&#227;o na Fran&#231;a, as notas de   repara&#231;&#227;o do professor Antonio Estev&#227;o da Costa Cunha, tradutor para a edi&#231;&#227;o   brasileira, s&#227;o francamente desfavor&#225;veis. Ela se defende: &#8220;Afirmei que o   brasileiro era indolente; nada mais falso: garantem-me que &#233; cheio de energia.   Anunciei que era orgulhoso: eleva-se um clamor geral contra essa afirma&#231;&#227;o, e todos os jornais do Rio de Janeiro p&#245;em-me no &#237;ndex&#8221; (Toussaint-Samson 2003 [1883]: 50). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na Fran&#231;a, as mem&#243;rias de Ad&#232;le, precedidas da   publica&#231;&#227;o de alguns trechos no jornal <i >Le     Figaro</i> (Turazzi 2003: 30), n&#227;o entraram na c&#233;lebre colet&#226;nea <i >Les voyageuses au XIX si&#232;cle</i>, de Am&#233;lie   Chevalier. Isso significa que ela n&#227;o tinha lugar na ordem dos crit&#233;rios de   forma&#231;&#227;o de um c&#226;none para a literatura de viagem como g&#234;nero, caso da j&#225; citada obra de Marie Dronsart. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ad&#232;le entrou em confronto consigo mesma ao   desfazer a autoimagem francesa a fim de interpretar a sociedade brasileira. A   m&#225; companhia e p&#233;ssima reputa&#231;&#227;o intelectual de Charles Expilly pode explicar   algumas das rea&#231;&#245;es adversas ao seu livro. <i >Une     parisienne au Br&#233;sil, avec photographies originales</i> foi publicado em Paris   pela editora de Paul Ollendorf, um amigo do pai da autora. Como ap&#234;ndice, o   livro traz os poemas &#8220;Can&#231;&#227;o do ex&#237;lio&#8221;, de Gon&#231;alves Dias, e &#8220;O escravo&#8221;, de   Fagundes Varela. Pouco tempo depois, Ad&#232;le traduzia Jos&#233; de Alencar e continuou   escrevendo at&#233; morrer, sempre em contato com a l&#237;ngua portuguesa. A viajante   faleceu no dia 12 de outubro de 1911, com 82 anos, ap&#243;s muito sofrimento, queimada pelas brasas da lareira de sua casa. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclus&#245;es: uma sociologia das viagens e das viajantes ainda por fazer</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A din&#226;mica material da cultura brasileira envolve complexas redes de   atua&#231;&#245;es, locais e globais, e deve ser apreendida em todas as varia&#231;&#245;es da   experi&#234;ncia hist&#243;rica, matizando o argumento da invas&#227;o de produtos e ideias   estrangeiras. Nada poderia impedir as travessias de obras e autores,   aclimatando-se, difundindo imagens e autoimagens, transformando-se por meio de inusitadas apropria&#231;&#245;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O ponto de vista de Gilberto Freyre sobre a   forma&#231;&#227;o brasileira &#233; por demais conhecido: a circula&#231;&#227;o atl&#226;ntica da cultura   resulta em movimento de reeuropeiza&#231;&#227;o de nossos modos de vida e pensamento.   Dialogando com essa tradi&#231;&#227;o, o artigo prop&#244;s um retorno ao s&#233;culo XIX, momento   de inova&#231;&#245;es t&#233;cnicas e avan&#231;os educacionais nos pa&#237;ses europeus. Os efeitos   imediatos dessas inova&#231;&#245;es e avan&#231;os impulsionaram as conex&#245;es intelectuais e o   que hoje se entende como mundializa&#231;&#227;o emergia no curso de processos mais alargados, temporal e espacialmente. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As estrat&#233;gias dos editores franceses em   propagar em grande escala a literatura de viagem mostraram-se eficazes ao   atingir sucessivas gera&#231;&#245;es de leitores. Passado o modismo e a atualidade do   g&#234;nero, os livros das viajantes, inicialmente destinados ao p&#250;blico europeu,   inauguraram um <i >corpus</i> documental para   pensadores sociais de outras gera&#231;&#245;es. Al&#233;m do mais, enquanto a edi&#231;&#227;o francesa   investia no incipiente mercado brasileiro, a exemplo da atua&#231;&#227;o dos livreiros   Garnier, a natureza e a hist&#243;ria do Brasil iam sendo constru&#237;das nas impress&#245;es e relatos de viagens, abrindo pol&#234;micas nos dois lados do Atl&#226;ntico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com rela&#231;&#227;o ao uso documental das viagens, ao   menos haveria uma linha de continuidade entre Vauthier e Ad&#232;le, ainda que as   lembran&#231;as da parisiense n&#227;o tenham sido apreciadas por Jos&#233; Olympio e outros   estrategistas das constru&#231;&#245;es identit&#225;rias na Era Vargas, nem se prestassem &#224;   montagem pol&#237;tica do regionalismo a partir da atua&#231;&#227;o dos franceses em   Pernambuco. As impress&#245;es de Ad&#232;le Toussaint-Samson n&#227;o caberiam no projeto de   constru&#231;&#227;o de uma hist&#243;ria regional ou, o que &#233; ainda mais plaus&#237;vel, as   imagens de homens e mulheres estrangeiros que construiu, os compatriotas que se   abrasileiravam, em boa medida inspiradas na obra pol&#234;mica de Charles Expilly, n&#227;o corresponderiam &#224; ideia da reeuropeiza&#231;&#227;o como influ&#234;ncia ou imita&#231;&#227;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um estudo das observa&#231;&#245;es de uma parisiense no   Brasil e a sua apropria&#231;&#227;o por Gilberto Freyre, considerando os modelos de   investiga&#231;&#227;o e a elabora&#231;&#227;o das interpreta&#231;&#245;es decorrentes, sugere reflex&#245;es   sobre a produ&#231;&#227;o e os usos de fontes documentais tanto por autores cl&#225;ssicos,   como, quem sabe, por uma sociologia das viagens e das viajantes ainda por   fazer. Refiro-me a uma via de an&#225;lise que levasse em conta as ordens das   narrativas, as redes de atua&#231;&#245;es e a constru&#231;&#227;o de autorias femininas &#8211; a   hist&#243;ria de suas legitimidades e processos de consagra&#231;&#227;o &#8211;, as condi&#231;&#245;es de   produ&#231;&#227;o e circula&#231;&#227;o dos livros somadas &#224;s convers&#245;es do escrito em pr&#225;ticas sociais nas varia&#231;&#245;es hist&#243;ricas da leitura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na montagem da sua trilogia, Gilberto Freyre   visitou as &#8220;Brasilianas&#8221; de Oliveira Lima, em Washington, foi &#224; Biblioteca   Nacional de Lisboa, &#224; Biblioteca da Universidade de Stanford, aos arquivos   coloniais da Bahia e do Rio de Janeiro, leu manuscritos nas cole&#231;&#245;es privadas,   entre outros espa&#231;os de pesquisa (Bastos 2006). Por&#233;m, se ampliasse um pouco   mais seus documentos teria estudado as pr&#225;ticas culturais em duplo sentido, em uma perspectiva mais globalizada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O distanciamento de Ad&#232;le e a proximidade de   Freyre em rela&#231;&#227;o ao conhecimento de um mesmo objeto, a sociedade brasileira, mereceria ser de alguma forma problematizado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">BIBLIOGRAFIA</font></b></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ARA&#218;JO, Ricardo Benzaquen de, 1994, <i >Guerra e Paz: Casa-Grande e Senzala e a Obra   de Gilberto Freyre nos Anos 30</i>. Rio de Janeiro, Editora 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0873-6561201400030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BASTOS, &#201;lide Rugai,   2006, <i >As Criaturas de Prometeu: Gilberto Freyre e a Forma&#231;&#227;o da Sociedade Brasileira</i>. S&#227;o Paulo, Global Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0873-6561201400030000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BINZER, Ina von, 1982 [1887], <i >Os Meus Romanos: Alegrias e Tristezas de Uma Educadora no Brasil</i>.   Rio de Janeiro, Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0873-6561201400030000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CHARTIER, Roger, 2008, &#8220;Postface:   l&#8217;histoire culturelle entre traditions et globalisation&#8221;, em   Philippe Poirrier (org.), <i >L&#8217;Histoire Culturelle: un &#8220;tournant mondial&#8221; dans l&#8217;historiographie&#63;</i>   Dijon, Editions Universitaires de Dijon, 189-196.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0873-6561201400030000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CHARTIER. Roger, 2013, &#8220;Uma trajet&#243;ria   intelectual: livros, leituras, literaturas&#8221;, em Jo&#227;o Cezar de Castro Rocha, <i >A For&#231;a das Representa&#231;&#245;es: Hist&#243;ria e Fic&#231;&#227;o</i>. Chapec&#243;, SC, Argos, 21-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0873-6561201400030000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DIMAS, Antonio, 2010, &#8220;Vauthier lido por   um brasileiro&#8221;, em Claudia Poncioni (org.), <i >Pontes e Id&#233;ias:     Louis-L&#233;ger Vauthier, Um Engenheiro Fourierista no Brasil</i>.   Recife, Cia. Editora de Pernambuco-CEPE, 27-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0873-6561201400030000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DRONSART, Marie, 1904 [1898], <i >Les grandes voyageuses</i>. Paris, Librairie Hachette, col. Biblioth&#232;que des &#233;coles et des familles.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0873-6561201400030000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ELIAS, Norbert, 2011, <i >O Processo Civilizador</i>, vol. 1: <i >Uma   Hist&#243;ria dos Costumes</i>. Rio de Janeiro, Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0873-6561201400030000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">EXPILLY, Charles, 1862, <i >Le Br&#233;sil tel qu&#8217;il est</i>. Paris, Charlieu   et Huillery Libraires, Editeurs.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0873-6561201400030000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">EXPILLY, Charles, 1866, <i >La verit&#233; sur le   conflit entre le Br&#233;sil, Buenos-Ayres, Montevideo et   le Paraguay</i>. Marselha, E. Camoin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0873-6561201400030000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">EXPILLY, Charles, 1935 [1863], <i >Mulheres e Costumes do Brasil</i>. S&#227;o Paulo, Companhia Editora Nacional, col. Brasiliana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0873-6561201400030000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREYRE, Gilberto, 1960 [1940], <i >Um Engenheiro Franc&#234;s no Brasil</i>, vol. I.   Rio de Janeiro, Jos&#233; Olympio Editora, pref&#225;cio de Paul Arbousse-Bastide.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0873-6561201400030000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREYRE, Gilberto, 1974 [1957], <i >Ordem e Progresso: Introdu&#231;&#227;o &#224; Hist&#243;ria da Sociedade Patriarcal no Brasil</i>. Rio de Janeiro, Jos&#233; Ol&#237;mpio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0873-6561201400030000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREYRE, Gilberto, 2003 [1936], <i >Sobrados e Mucambos: Decad&#234;ncia do Patriarcado Rural e Desenvolvimento do Urbano</i>. S&#227;o Paulo, Global Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0873-6561201400030000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREYRE, Gilberto, 2010 [1963], <i >Os Escravos nos An&#250;ncios de Jornais Brasileiros do S&#233;culo XIX</i>. S&#227;o Paulo, Global Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0873-6561201400030000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREYRE, Gilberto, 2013 [1933], <i >Casa-Grande & Senzala</i>. S&#227;o Paulo, Global Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0873-6561201400030000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GRAHAM, Maria, 1956 [1824], <i >Di&#225;rio de Uma Viagem ao Brasil e de Uma   Estada Nesse Pa&#237;s durante Parte dos Anos de 1821, 1822 e 1823</i>. S&#227;o Paulo, Companhia Editora Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0873-6561201400030000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEITE, M&#237;riam Moreira (org.), 1984, <i >A   Condi&#231;&#227;o Feminina no Rio de Janeiro, S&#233;culo XIX</i>. S&#227;o Paulo, Hucitec, Edusp, INL, Funda&#231;&#227;o Nacional Pr&#243;-Mem&#243;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0873-6561201400030000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIMA, Jos&#233; Dias da Cruz, 1869, <i >R&#233;ponse &#224; un article de la Revue de Deux   Mondes sur la Guerre du Br&#233;sil et du Paraguay</i>. Rio de Janeiro, Imprimerie   Universelle de Laemmert.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0873-6561201400030000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LUCA, Tania Regina de, 2011, &#8220;Fontes   impressas: hist&#243;ria dos, nos e por meio dos peri&#243;dicos&#8221;, em Carla Bassanezi Pinsky (org.), <i >Fontes Hist&#243;ricas</i>. S&#227;o Paulo, Editora Contexto, 111-153.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0873-6561201400030000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MOLLIER, Jean-Yves, 1988, <i >L&#8217;argent et   les lettres: histoire du capitalisme d&#8217;&#233;dition (1880-1920)</i>. Paris, Fayard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0873-6561201400030000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MOLLIER, Jean-Yves, 1999, <i >Louis Hachette (1800-1864): le fondateur d&#8217;un empire</i>. Paris, Arth&#232;me Fayard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0873-6561201400030000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MOLLIER, Jean-Yves, 2003, &#8220;Histoire   culturelle et histoire litt&#233;raire&#8221;, <i >Revue     d&#8217;histoire litt&#233;raire de la France</i>, 103: 597-612.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0873-6561201400030000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MOR&#201;, Jo&#227;o Carlos, 1868, <i >Antes de Tudo a Verdade: Reflex&#245;es sobre a   Brochura do Sr. Charles Expilly</i>. Porto Alegre, Tipografia Rio-Grandense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0873-6561201400030000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PALLARES-BURKE, Maria L&#250;cia Garcia, 2005, <i >Gilberto Freyre: Um Vitoriano dos Tr&#243;picos</i>. S&#227;o Paulo, Editora Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0873-6561201400030000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PALLARES-BURKE, Maria L&#250;cia, e Peter   BURKE, 2009, <i >Repensando os Tr&#243;picos: Um Retrato Intelectual de Gilberto Freyre</i>. S&#227;o Paulo, Editora Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0873-6561201400030000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PENALVA, Gast&#227;o, 1935, &#8220;Ao leitor&#8221;, em Charles Expilly, <i >Mulheres e Costumes do Brasil</i>. S&#227;o Paulo, Companhia Editora Nacional, col. Brasiliana, 5-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0873-6561201400030000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PENJON, Jacqueline, 2005, &#8220;Une   intellectuelle fran&#231;aise &#224; Rio&#8221;, em Joseph M. Farr&#233;,   Fran&#231;oise Martinez e Itamar Olivares (org.), <i >Hommes des sciences et intellectuelles     europ&#233;ens en Am&#233;rique Latine (XIX<sup>e</sup>-XX<sup>e</sup> si&#232;cles)</i>.   Paris, Editions Le Manuscrit, 145-160.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0873-6561201400030000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PINTO J&#218;NIOR, Joaquim Ant&#244;nio, 1866, <i >O Charlat&#227;o Carlos   Expilly e a Verdade sobre o Conflito entre o Brasil, Buenos Aires, Montevid&#233;o   e o Paraguay</i>. S&#227;o Paulo: Typ. Allema~ de H. Schroeder.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0873-6561201400030000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PONCIONI, Claudia, 2010, &#8220;Um engenheiro fourierista no Brasil&#8221;, em Claudia Poncioni (org.), <i >Pontes e Id&#233;ias:   Louis-L&#233;ger Vauthier, Um Engenheiro Fourierista no Brasil</i>.   Recife, Cia. Editora de Pernambuco-CEPE, 13-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0873-6561201400030000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SARAT, Magda, 2004, <i >Hist&#243;rias de Estrangeiros no Brasil: Inf&#226;ncia, Mem&#243;ria e Educa&#231;&#227;o</i>. Piracicaba, SP, Universidade Metodista de Piracicaba, tese de doutorado em Educa&#231;&#227;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0873-6561201400030000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TOUSSAINT-SAMSON, Ad&#232;le, 2003 [1883], <i >Uma Parisiense no Brasil</i>. Rio de Janeiro,   Editora Capivara.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0873-6561201400030000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TUNA, Gustavo Henrique, 2003, <i >Viagens e Viajantes em Gilberto Freyre</i>.   Campinas, Departamento de Hist&#243;ria da Universidade de Campinas, disserta&#231;&#227;o de mestrado em Hist&#243;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0873-6561201400030000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TURAZZI, Maria Inez, 2003, &#8220;Ad&#232;le   Toussaint-Samson (1826-1911): um esbo&#231;o   biogr&#225;fico&#8221;, em Ad&#232;le   Toussaint-Samson, <i >Uma Parisiense no     Brasil</i>. Rio de Janeiro, Editora Capivara, 7-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0873-6561201400030000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VENAYRE, Sylvain, 2006, <i >R&#234;ve d&#8217;aventures: 1800-1940</i>. Paris, Editions da La Martini&#232;re.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0873-6561201400030000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VENAYRE, Sylvain, 2008, &#8220;Au-del&#224; du baobab de Madame Livingstone: R&#233;flexions   sur le genre du voyage dans la France du XIX<sup>e</sup> si&#232;cle&#8221;, <i >Clio: Histoire, Femmes et Soci&#233;t&#233;s</i>, 28:   99-120, dispon&#237;vel em   <<a href="http://clio.revues.org/index8082.html" target="_blank">http://clio.revues.org/index8082.html</a>> (acesso em 15 de dezembro de 2011, &#250;ltima consulta em setembro de 2014).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0873-6561201400030000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> Uma   primeira vers&#227;o desse artigo foi apresentada no Grupo de Trabalho Pensamento Social no Brasil, reunido durante o 36.&#186; Encontro Anual da Anpocs &#8211; Associa&#231;&#227;o Nacional de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o e Pesquisa em Ci&#234;ncias   Sociais, em &#193;guas de Lind&#243;ia, S&#227;o Paulo, de   21 a 25 de outubro de 2012. O artigo resulta do   desenvolvimento de minha pesquisa &#8220;O Brasil juvenil franc&#234;s: literatura de   viagem e com&#233;rcio de livraria&#8221;, vinculada ao projeto de coopera&#231;&#227;o   internacional &#8220;A circula&#231;&#227;o transatl&#226;ntica dos impressos &#8211; a globaliza&#231;&#227;o da   cultura no s&#233;culo XIX&#8221;, coordenado por M&#225;rcia Abreu, do Instituto de Estudos da   Linguagem, da Universidade Estadual de Campinas (Brasil), e Jean-Yves Mollier,   da Universit&#233; de Versailles &#8211; Saint Quentin en Yvelines (Fran&#231;a), aos quais   sou, mais uma vez, grata. A pesquisa contou com o apoio do CNPq (Conselho   Nacional de Desenvolvimento Cient&#237;fico e Tecnol&#243;gico). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>       <i >Mus&#233;e des familles: Lectures du soir</i>, 1857-1858, p. 378.       </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a> Um levantamento   das viagens femininas ao Brasil   no s&#233;culo XIX encontra-se no estudo pioneiro de M&#237;riam Moreira Leite (1984). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a> Gustavo Henrique Tuna chama a aten&#231;&#227;o   para a import&#226;ncia dos relatos   de viagem na composi&#231;&#227;o da obra de Gilberto Freyre, associando-os   &#224; experi&#234;ncia de viajante   do soci&#243;logo. Embora Tuna n&#227;o tenha pesquisado   especificamente os relatos das viajantes, vale consultar <i >Viagens e Viajantes em Gilberto Freyre</i> (2003). Maria L&#250;cia   Pallares-Burke e Peter Burke, no retrato intelectual que tra&#231;am do soci&#243;logo,   atribuem igualmente uma grande import&#226;ncia ao relato de viagem na constru&#231;&#227;o   metodol&#243;gica de Freyre; consultar <i >Repensando os Tr&#243;picos</i> (2009).       </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a> Considera&#231;&#245;es   fundadas na leitura de   Maria L&#250;cia Pallares-Burke   e Peter Burke (2009: 111). Os autores observam que Freyre, por diversas vezes,   assumiu seu &#8220;impressionismo&#8221;, reivindicando uma margem de liberdade de cria&#231;&#227;o   para a sua obra concebida como ensaio. Seu m&#233;todo ligava-se, por exemplo, em <i >Casa-Grande & Senzala</i>, &#224; escrita de   uma hist&#243;ria &#237;ntima (da&#237; o apego aos detalhes), apesar de todas as possibilidades de trabalho abertas pela leitura dos documentos coloniais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a> Cabe   fazer um breve coment&#225;rio sobre a import&#226;ncia estrat&#233;gica das notas na obra freyreana. Assim como o espa&#231;o da dedicat&#243;ria, que revela   as rela&#231;&#245;es de clientela e patroc&#237;nio, cr&#233;dito e recomenda&#231;&#227;o, o espa&#231;o da nota   vai al&#233;m da simples refer&#234;ncia ao texto. Seria interessante tomar as opera&#231;&#245;es   investidas nesses espa&#231;os marginais, notas ao final de cada cap&#237;tulo, como   objetos de discuss&#227;o, o que evidentemente foge &#224;s inten&#231;&#245;es e aos limites deste   artigo. &#201; nas notas que Gilberto Freyre dialoga seriamente com os documentos,   refletindo sobre as decis&#245;es, escolhas e interpreta&#231;&#245;es do material da   pesquisa. Por meio das notas, compreendemos melhor a constitui&#231;&#227;o do <i >corpus</i>, as reflex&#245;es te&#243;ricas e   metodol&#243;gicas. Ao final de cada cap&#237;tulo de <i >Sobrados     e Mucambos</i>, Freyre cria o efeito de um debate intelectual face aos   interessant&#237;ssimos livros de viagem ao Brasil, com os dos franceses D&#8217;Assier,   Louis Freycinet, Paul &#173;Gaffarel, Charles Reybaud, entre outros. Mais uma   charada que o astuto soci&#243;logo nos arma: problematizar os usos dos documentos nas notas para n&#227;o comprometer a escrita na forma de ensaio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a> Charles Expilly trabalhou como representante comercial da f&#225;brica de f&#243;sforos do primo j&#225; estabelecido no Brasil, o que lhe permitiu viajar pelas outras prov&#237;ncias do Imp&#233;rio. </font></p>      ]]></body><back>
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