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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O “mundo do crime” e a “lei da favela”: aspectos simbólicos da violência de gangues na região metropolitana de Belo Horizonte]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The “world of crime” and the “law of the slum”: symbolic aspects of gang violence at the metropolitan region of Belo Horizonte]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to discuss the symbolic dimensions that underlie the practice of violence between groups of young offenders in slums and poor neighborhoods of the suburbs of the metropolitan region of Belo Horizonte (MRBH), capital of the state of Minas Gerais, Brazil. Through the native categories of “world of crime” and “law of the slum (favela)”, strongly present in the narrative of adolescents and young gang members, we intend to better understand the moral and normative universe that sustains the episodes of violence and armed conflicts between such groups. In this text, such analysis draws on extensive qualitative material, obtained between the years 2010 and 2011, from 40 in-depth interviews with young people who had intense trajectory of involvement with criminal dynamics as drug trafficking and murders, committed as members of armed criminal groups operating in the MRBH slums.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[violência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><b><font size="4" face="Verdana">O “mundo do crime” e a “lei da favela”:
  aspectos simbólicos da violência de gangues na região metropolitana de Belo
  Horizonte</font></b></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><b><font size="3" face="Verdana">The “world of crime” and the “law of the slum”:
symbolic aspects of gang violence at the metropolitan region of Belo Horizonte</font></b></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font size="2" face="Verdana"><b>Luís Felipe Zilli<sup>I</sup></b></font></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p><sup>I</sup>Fundação João
Pinheiro (FJP/MG), Brasil. <i>E-mail</i>: 
<a
href="mailto:felipe.zilli@fjp.mg.gov.br">felipe.zilli@fjp.mg.gov.br</a></p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>&nbsp;</p>
<hr noshade size="1">
    <p><b>RESUMO</b></p>
    <p>O presente artigo tem como objetivo discutir as dimensões
simbólicas que perpassam as práticas de violência entre grupos de jovens
delinquentes que atuam em favelas e bairros pobres das periferias da região
metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), capital do estado de Minas Gerais,
Brasil. Por meio das categorias nativas de “mundo do crime” e “lei da favela”,
estruturas simbólicas fortemente presentes na narrativa de adolescentes e
jovens membros de gangues, pretende-se compreender melhor o universo moral e
normativo que sustenta os episódios de violência e conflitos armados travados
entre tais grupos. Neste texto, tal análise é feita com base em material
qualitativo, obtido entre os anos de 2010 e 2011, a partir da realização de 40
entrevistas em profundidade com adolescentes e jovens que possuíam trajetória
de envolvimento com dinâmicas criminais como tráfico de drogas e homicídios,
praticados enquanto membros de grupos criminosos armados que atuam em favelas
da RMBH.</p>

    <p><b>Palavras-chave: </b>violência, criminalidade, gangues,
favelas, violência juvenil, grupos armados</p>

<hr noshade size="1">
    <p><b>ABSTRACT</b></p>
    <p>This article aims to discuss the symbolic
dimensions that underlie the practice of violence between groups of young
offenders in slums and poor neighborhoods of the suburbs of the metropolitan
region of Belo Horizonte (MRBH), capital of the state of Minas Gerais, Brazil.
Through the native categories of “world of crime” and “law of the slum (<i>favela</i>)”, strongly present in the
narrative of adolescents and young gang members, we intend to better understand
the moral and normative universe that sustains the episodes of violence and
armed conflicts between such groups. In this text, such analysis draws on
extensive qualitative material, obtained between the years 2010 and 2011, from
40 in-depth interviews with young people who had intense trajectory of
involvement with criminal dynamics as drug trafficking and murders, committed
as members of armed criminal groups operating in the MRBH slums.</p>

    <p><b>Keywords: </b>violence, crime, gangs, slums, youth violence,
armed groups</p></font>
<hr noshade size="1">
    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
<font size="2" face="Verdana">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo registros do Ministério da Saúde, o
Brasil foi palco de pouco mais de
1,2 milhões de homicídios entre os anos de 1980 e 2012. Isto significa que, em
média, uma pessoa foi assassinada no país a cada 15 minutos, ao longo de todo
este período. Em 1980, um ano após o Ministério da Saúde dar início à
contabilidade oficial dos homicídios no país, o Brasil possuía uma taxa de 11,7
assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2012, essa proporção
atingiu a marca de 29 mortes para cada 100 mil habitantes, um crescimento bruto
de aproximadamente 147% (Waiselfisz 2014). O gráfico a seguir ilustra a
trajetória ascendente da violência letal no Brasil.</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v19n3/19n3a03f1.jpg" width="521" height="439"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Apresentadas desta forma, tais cifras
induziriam a pensar que o problema da violência letal explodiu de forma
endêmica no país. No entanto, a análise destes indicadores desagregados
demonstra que o agravamento dos &shy;homicídios atingiu um perfil bastante
específico da população: em termos médios, a vítima de homicídio no Brasil mora
em um grande centro urbano, é homem, preto ou pardo, tem entre 15 e 24 anos,
baixa escolaridade, foi ferida por arma de fogo leve e morreu em via pública.
Tomando a variável “escolaridade” como <i>proxy</i>
de “renda”, também é possível inferir que as vítimas são, em sua esmagadora
maioria, oriundas de classes de baixo status socioeconômico (Soares 2008; Cruz
e Batitucci 2007; Zaluar e Monteiro 2012; Waiselfisz 2014).</p>

    <p>Além de vitimar preferencialmente um segmento
bastante específico dentro do conjunto da população, os homicídios no Brasil
também demonstraram, ao longo dos últimos anos, ter um padrão de distribuição
espacial bastante específico. Mesmo dentro das grandes cidades, os assassinatos
encontram-se extremamente concentrados em áreas de favelas e/ou
bairros de periferia, regiões estas ocupadas por populações de baixa renda e
caracterizadas por pouca ou nenhuma provisão de serviços, presença rarefeita do
poder público, infraestrutura urbanística precária e baixos índices de desenvolvimento
humano. Ou seja, existe no Brasil uma correlação espacial bastante forte entre
indicadores de vulnerabilidade social e a manifestação de altas taxas de
homicídios (Beato Filho <i>et al</i>. 2001;
Paim <i>et al</i>. 1999; Rivero 2010; Cano
1998; Cano e Borges 2012; Barcellos e Zaluar 2014; Cruz e Carvalho 1998; Yi <i>et al</i>. 2000; Szwarcwald e Castilho 1998).</p>

    <p>Somado à concentração em áreas de favelas e
bairros de periferia, os homicídios também apresentam um caráter extremamente
endógeno no que diz respeito ao ambiente em que se dá a interação entre vítimas
e autores. Estudos elaborados a partir de registros oficiais demonstram que, na
maioria dos assassinatos, a distância média entre as residências da vítima, do
autor e o local onde o crime ocorreu não ultrapassa 1,5 quilômetros e que, em
boa parte das ocorrências, este triângulo territorial não chega a ter nenhum de
seus lados maior do que 500 metros (Peixoto 2003; Beato Filho 2012; SSP-SP
2010).</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v19n3/19n3a03f2.jpg" width="249" height="275"></p>

    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v19n3/19n3a03f3.jpg" width="241" height="436"></p>
    
<p>&nbsp;</p>
    <p>Esta informação ganha ainda mais relevância
quando pensada em consonância com dados que tratam do perfil dos autores dos
homicídios: em 2006, um levantamento feito junto às polícias civis de 24
estados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) demonstrou que
adolescentes e jovens de 12 a 24 anos respondiam pela autoria de 51% dos crimes
entre as 14.090 investigações sobre homicídios dolosos concluídas entre os anos
de 2004 e 2005. Tal informação demonstra o fenômeno da dupla entrada dos jovens
no contexto da violência letal brasileira, ora como vítimas, ora como autores (Senasp
2006).</p>

    <p>O que se observa, portanto, é que, em grande
parte dos casos de homicídio registrados no país, autores e vítimas possuem
basicamente o mesmo perfil sociodemográfico (jovens, não brancos, pobres e com
baixa instrução formal), moram na mesma vizinhança (favelas e bairros de
periferia) e, ao que tudo indica, matam e morrem em função de conflitos
estabelecidos e resolvidos de forma violenta e privada, em seus próprios
territórios. A configuração assumida pelo fenômeno dos homicídios no Brasil permite
inferir que, ao longo dos últimos anos, o país experimentou não apenas uma
“explosão” de seus indicadores de homicídios (com um forte e continuado
crescimento das taxas de mortalidade violenta, principalmente a partir do
início da década de 1990), mas também um processo de “implosão” desta
violência, dado o perfil de grande concentração socioespacial deste tipo de
crime. A escalada das mortes no país atingiu áreas pontuais de suas grandes
cidades, vitimando, de maneira focalizada, um perfil populacional bastante
específico (Zaluar 2004; Soares, Batitucci e Ribeiro 2007; Beato Filho, Marinho
e Oliveira Júnior 2008; Soares 2008).</p>

    <p>A existência de um padrão tão claramente
identificável para o fenômeno dos homicídios reforça a importância de se
compreender, de maneira mais aprofundada, um fenômeno exaustivamente estudado
nos Estados Unidos e na América Latina desde os anos 1920 (Thrasher 1927; Shaw
e Mckay 1942; Cohen 1955; Miller 1958; Cloward e Ohlin 1960; Spergel 1992;
Anderson 1999; Esbensen <i>et al</i>. 2001; Asbury 2002; Bourgois 2002;
Hagedorn 2008; Spindler e Bouchard 2011), mas que, no Brasil, só nas últimas
duas décadas tem recebido atenção mais direcionada da literatura acadêmica: o
envolvimento de adolescentes jovens em gangues ou grupos armados ilegais e seu
protagonismo em dinâmicas de violência e processos de estruturação de
atividades criminosas nas favelas e bairros pobres das grandes cidades.<a
style='mso-footnote-id:ftn1' href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a><sup></sup></p>

    <p>Ainda hoje, parte considerável da produção
científica nacional aborda o problema do envolvimento de jovens em grupos
armados ou gangues de modo tangencial, tendo como foco principal não os grupos
em si, suas representações, estruturas ou modos de organização, mas sim os
mercados criminais nos quais eles encontram-se inseridos. Muitos desses estudos
ainda possuem como foco os altíssimos níveis de violência decorrentes de seus
conflitos. Prova disso são as diversas pesquisas já realizadas sobre a atuação
de tais grupos em redes de comércio varejista de drogas ilícitas em favelas
brasileiras (Zaluar e &shy;Monteiro 2012; Misse 2008; Beato Filho 2012; Beato e
Zilli 2012).</p>

    <p>Alguns estudos, no entanto, dedicam seus
esforços a compreender o rico universo de elementos simbólicos e culturais que
caracteriza o envolvimento de jovens em grupos armados no Brasil. O argumento
central destas pesquisas é o de que, para além de questões criminais e
financeiras, boa parte da violência protagonizada por gangues juvenis nas
grandes cidades do país também pode ser explicada a partir da consolidação,
entre os membros destes grupos, de representações simbólicas e códigos morais
que, de certo modo, adotam a violência enquanto elemento estruturador das
próprias relações entre indivíduos e seus coletivos (Ramos 2009; Zaluar 2004;
Zilli 2011, 2014). E é precisamente dentro desta perspectiva que o presente
texto pretende se inserir.</p>
    <p>&nbsp;</p>
</font>

    <p><b><font size="3" face="Verdana">Gangues e subcultura da violência</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>Para que se estabeleça uma compreensão mais
aprofundada do problema da delinquência relacionada à atuação de gangues,
também se faz necessário analisar questões relacionadas ao universo moral,
normativo, cultural e simbólico que sustenta a própria existência destes
grupos. Até porque, se trabalhamos com a hipótese de que as gangues são mais do
que simplesmente grupos criminosos, constituindo, por vezes, verdadeiras
instâncias de socialização juvenil, adotamos a hipótese análoga de que tais
grupos só conseguem influenciar e moldar o comportamento de seus integrantes na
medida em que as ações e atitudes socialmente prescritas por eles são
respaldadas por algum tipo de sistema normativo, ainda que compartilhado
somente pelos membros do próprio grupo.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existe uma longa tradição de estudos
internacionais dedicada a analisar aspectos (sub)culturais e simbólicos
inerentes à formação de gangues e grupos de pares delinquentes. De maneira
geral, o pressuposto teórico que sustenta este programa de pesquisa é o de que
os grupos de pares, enquanto instâncias de socialização primária, desenvolvem
sistemas normativos, representações simbólicas e códigos morais próprios que
orientam, de maneira diferencial, a ação de seus integrantes. No caso das
gangues e grupos delinquentes, tais orientações atuariam no sentido de
incentivar, entre seus próprios membros, a emergência de um conjunto de valores
e comportamentos socialmente rotulados como “desviantes”, mas que, dentro do
grupo, recebem reforços simbólicos positivos. Esse seria o esquema descritivo
geral do que diversos autores chamam de “subcultura delinquente” (Cohen 1955;
Miller 1958; Cloward e Ohlin 1960; Katz 1988; Anderson 1999).<a
style='mso-footnote-id:ftn2' href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a><sup></sup></p>

    <p>No Brasil, mesmo sem fazer uso claro do termo
“subcultura”, alguns autores também relacionam o fenômeno das gangues ao
desenvolvimento de sistemas normativos e simbólicos particulares que, por sua
vez, contribuem para a conformação de diversas modalidades de violência e
crime. Zaluar (1996), por exemplo, chama a atenção para o surgimento de uma
estrutura simbólica e normativa atrelada à violência entre grupos de jovens
envolvidos com narcotráfico nas favelas do Rio de Janeiro. Dentro das
quadrilhas, os jovens são expostos a uma vasta gama de valores e definições
favoráveis ao uso da violência, constituindo o que a autora chama de “<i>ethos</i> guerreiro”, ou “<i>ethos</i> da masculinidade”. A posse de
armas de fogo, a predisposição para usar a violência enquanto modo preferencial
de resolução de conflitos e a disposição para matar marcariam a saída
definitiva da infância e a aceitação, por parte dos pares, dos jovens no mundo
dos homens. Para além das disputas pelo mercado das drogas, Zaluar chama a
atenção para a complexa rede de representações e significações presentes em
muitos dos episódios de violência entre gangues (Zaluar 1996).</p>

    <p>Outro autor que também enfoca o
desenvolvimento de subculturas violentas entre gangues ou grupos delinquentes é
Paes Manso (2005). Por meio de pesquisa realizada junto a jovens homicidas da
cidade de São Paulo, o autor argumenta que o uso da violência entre gangues
paulistanas não pode ser visto apenas a partir da ótica utilitária do
enfrentamento e da eliminação dos inimigos. Mais do que isso, a adesão a uma
série de condutas violentas por parte daqueles jovens derivaria da necessidade
de reforçar laços sociais e identitários entre os membros de gangues, cujo
padrão normativo e simbólico é umbilicalmente vinculado às práticas criminosas
e violentas (Paes Manso 2005).</p>

    <p>Segundo o argumento de Paes Manso, a violência
que marca o cotidiano dos grupos de jovens delinquentes não ocuparia um papel
simplesmente utilitário, ou seja, um meio com vistas à obtenção de fins
concretos ou materiais dentro da lógica criminal. Impregnada no próprio
processo de formação dos grupos, o uso da violência acaba se transformando em
uma espécie de estrutura normativa a partir da qual os jovens e seus grupos
orientam suas ações, representações e modos de relação. Tanto que esta
violência extrema se manifesta em situações corriqueiras de interação entre
estes atores como, por exemplo, discussões sobre futebol, disputas por mulheres
e outros desentendimentos banais. Como produto desta subcultura, destaca-se o
apelo constante às práticas de violência, enquanto instrumento socialmente
legítimo de resolução de conflitos.</p>

    <blockquote>“Mesmo movido por uma discussão banal, o autor
do homicídio tinha um revólver e tomou uma medida aceita apenas no universo
criminal. Não foi por morar na periferia, ser jovem e pobre que ele agiu dessa
maneira. Mas porque, muito provavelmente, se relaciona com pessoas que agem da
mesma forma no mundo do crime, onde as normas de relacionamento admitem o
homicídio. […]    <br>
Este indivíduo não deve ser visto como alguém inserido numa organização
criminosa, mas como alguém que vive em um ambiente em que é forte a cultura da
justiça privada. […] A pessoa deve mostrar que não admite desaforos e, quando
se sente ameaçada ou desafiada, deve se antecipar à própria morte, tentando
matar para não ser morto. Em virtude dessa situação, os homicídios que parecem
banais para os que observam de fora são considerados ‘necessários’ pelos seus
autores. Até mesmo mortes decorrentes de brigas em bares acontecem por conta
desses valores” (Manso 2005:&nbsp;105).</blockquote>

    <p>Uma perspectiva ainda mais radical sobre a
importância de se compreender os aspectos (sub)culturais que perpassam as
práticas de violência entre grupos de jovens delinquentes é adotada por Machado
da Silva (2010). O autor argumenta que, principalmente entre membros de
gangues, a violência não constituiria somente um meio de ação regulado por fins
que se deseja atingir. Usando o conceito de “sociabilidade violenta”, o autor
argumenta que a violência seria um princípio que estrutura e ordena a própria
ação e as relações entre sujeitos, tornando-se um fim em si mesma, inseparável
de sua função instrumental como recurso para a ação (Silva 2010).</p>

    <p>Dentro dessa perspectiva e no intuito de
contribuir para esta discussão, o presente texto debaterá alguns dos principais
achados de um estudo realizado na região metropolitana de Belo Horizonte
(RMBH/MG) ao longo do ano de 2011, sobre o envolvimento de
adolescentes e jovens em gangues ou grupos armados ilegais.</p>
    <p>&nbsp;</p>
</font>

    <p><b><font size="3" face="Verdana">Metodologia</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A pesquisa cujos resultados serão explorados
neste texto teve como base 40 entrevistas em profundidade, realizadas com
adolescentes e jovens com intensa trajetória de envolvimento com grupos
criminosos armados que atuam em favelas e bairros pobres da periferia da RMBH.
O acesso a atores com este perfil se deu dentro de unidades de internação da
Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS), onde jovens sentenciados cumpriam
medidas socioeducativas de privação de liberdade.<a style='mso-footnote-id:
ftn3' href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a><sup></sup></p>

    <p>Dentro do universo total de jovens custodiados
em unidades da SEDS, foram selecionados para as entrevistas aqueles cuja
sentença de internação havia sido aplicada em função da prática de atos
infracionais mais usualmente relacionados à violência de gangues: homicídios,
tentativas de homicídio, tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas,
assaltos, porte ilegal de armas e formação de quadrilha.<a style='mso-footnote-id:
ftn4' href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a>
Mesmo dentro deste perfil mais específico, foram convidados a participar do
estudo apenas aqueles que, em entrevista preliminar, demonstraram com clareza
que sua trajetória pessoal e infracional recente vinculava-se à dinâmica de
gangues.</p>

    <p>Durante as entrevistas, foram tratadas
questões referentes à rotina dos jovens dentro das gangues, assim como seu
envolvimento com atividades criminosas e conflitos territorializados com outros
grupos. Especificamente neste texto, serão discutidas questões referentes ao
complexo universo simbólico que caracteriza a vivência dos jovens dentro destes
grupos. Antes, no entanto, torna-se necessário oferecer ao leitor uma breve
contextualização de como se apresenta o problema das gangues na RMBH.</p>
    <p>&nbsp;</p>
</font>

    <p><b><font size="3" face="Verdana">A violência das gangues na RMBH</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>Ao contrário do que se observa em algumas
favelas do Rio de Janeiro, onde parte significativa dos grupos de jovens
delinquentes atua sob a “bandeira” de apenas três grandes confederações criminosas
ou fações (Comando Vermelho &#8211; CV, Terceiro Comando Puro &#8211; TCP, e
Amigos dos Amigos &#8211; ADA), o fenômeno das gangues na região metropolitana
de Belo Horizonte assumiu, ao longo das últimas décadas, uma característica
mais fragmentada. Enquanto grandes favelas da capital fluminense costumam ser
dominadas por um único grupo, na RMBH a imensa maioria dos aglomerados
violentos têm seus territórios divididos entre vários pequenos grupos, sem
filiação evidente a qualquer “franquia” mais ampla.</p>

    <p>Em princípio, o caráter fragmentado (e
aparentemente menos estruturado) das gangues que atuam na região metropolitana
de BH poderia denotar um fenômeno menos violento do que aquele que se observa
no Rio de Janeiro. No entanto, se as taxas de homicídio de ambas as capitais
forem tomadas como indicador da violência associada ao problema das gangues,
observa-se que o fenômeno de Belo Horizonte é tão ou mais violento do que o do
Rio de Janeiro, como demonstra o <a href="#q1">quadro&nbsp;1</a>. Inclusive, boa parte da
explicação para os altíssimos níveis de violência letal relacionados à atuação
de gangues na RMBH pode estar justamente no caráter fragmentado do fenômeno,
com dezenas de pequenos grupos rivais circunscritos a reduzidos ambientes
comuns.</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="q1"></a></p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v19n3/19n3a03q1.jpg" width="580" height="147"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>
    <p>Entre os anos de 2007 e 2009, uma instância
interinstitucional de inteligência formada por agentes das polícias civil e
militar de Minas Gerais organizou informações sobre gangues que atuavam na
RMBH. Em 16 favelas mapeadas, foram catalogados 55 grupos, com um total de 672
integrantes criminalmente ativos, como demonstra o <a href="#q2">quadro&nbsp;2</a>.</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="q2"></a></p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v19n3/19n3a03q2.jpg" width="530" height="552"></p>
    
<p align="center">&nbsp;</p>
    <p>Com base em diversas entrevistas realizadas
com membros de gangues e com policiais que trabalham nestas localidades, bem
como a partir da análise de boletins de ocorrência e de inquéritos policiais,
esta mesma instância &shy;interinstitucional de inteligência tentou determinar
os territórios de atuação de alguns grupos delinquentes dentro das favelas. O
resultado pode ser observado nas figuras <a href="#f4">4</a> e <a href="#f4">5</a>.</p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f4"></a></p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v19n3/19n3a03f4.jpg" width="399" height="502"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
    <p>O que os dados policiais indicam, portanto, é
que o problema das gangues na RMBH se manifesta de maneira extremamente
fragmentada, com vários pequenos grupos de jovens delinquentes ocupando
simultaneamente pequenas frações de diversas favelas. A coexistência de grupos
diferentes dentro de um mesmo espaço aumenta significativamente o potencial de
conflitos entre eles, seja por problemas pessoais entre membros das gangues,
seja por questões de estabelecimento de território e consolidação de poder
local, seja por disputas criminais, como é o caso do tráfico de drogas.</p>

    <p>Para que se tenha uma ideia do impacto que as
gangues juvenis exercem sobre a violência em curso nas favelas da RMBH, basta
observar seu alto grau de participação na violência vigente em algumas
localidades. Levantamento nas bases de inquéritos da Divisão de Crimes contra a
Vida (DCcV), unidade policial responsável por investigar homicídios na capital
mineira, demonstra que, dos 63 assassinatos registrados entre 2005 e 2008 no Conjunto
Felicidade, favela localizada na região Norte da cidade, 37 tiveram
participação direta e comprovada das gangues locais. O mesmo panorama pode ser
observado no Aglomerado da Serra, conjunto de favelas localizadas na zona Sul
de BH, onde inquéritos já concluídos pela DCcV demonstraram que, do total de 92
homicídios registrados na localidade entre 2000 e 2007, 43 foram cometidos por
sete gangues locais (além de oito tentativas de homicídios). Entre as vítimas
fatais, 30 eram membros dos próprios grupos delinquentes da região.</p>

    <p>A despeito de todas as limitações e vieses
inerentes ao trabalho de inteligência policial, as informações levantadas
ajudam a confeccionar um primeiro esboço sobre a configuração assumida pelo
fenômeno das gangues na região metropolitana de Belo Horizonte. Conforme
observado anteriormente, a violência entre esses grupos não pode ser explicada
somente a partir de seu envolvimento com dinâmicas de criminalidade. Questões
simbólicas, afetivas e morais também precisam ser levadas em consideração para
que se compreenda a fundo o problema da associação de jovens em grupos
delinquentes e os altíssimos índices de violência que derivam desses coletivos.</p>

    <p>É por isso que optou-se aqui por trabalhar com
a fala e os discursos de jovens envolvidos com gangues e grupos armados. Por
meio de suas narrativas, percepções e representações, acredita-se ser possível
acessar justamente algumas das estruturas simbólicas que perpassam e sustentam
normativamente o universo de conflitos, práticas criminosas e violência que
caracteriza o fenômeno.</p>
    <p>&nbsp;</p>
</font>

    <p><b><font size="3" face="Verdana">A “lei da favela” e o “mundo do crime”</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>Na narrativa dos jovens entrevistados, as
dinâmicas de violência, conflitos, mortes, enfrentamentos armados e crimes
protagonizadas pelas gangues quase sempre encontram-se associadas a uma
complexa trama de valores, códigos morais e estruturas normativas particulares
que, no linguajar dos próprios atores, materializa-se sob duas expressões: “lei
da favela” e “mundo do crime”. Repetidas exaustivamente por praticamente todos
os entrevistados em diversos momentos de suas narrativas, ambas as expressões
parecem se referir a formas de sociabilidade específicas que, de certo modo,
justificam a resolução privada e violenta de conflitos, os confrontos armados
entre grupos rivais, a divisão simbólica das favelas em territórios de gangues
e suas atividades criminosas.</p>

    <p>O próprio ato de dar um nome específico a este
conjunto de crenças, valores e práticas parece denotar, por parte dos jovens
entrevistados, um processo de demarcação da orientação normativa a partir da
qual os grupos operam interna e socialmente. Enquanto a “lei da favela” parece
se referir a um conjunto mais amplo de valores e práticas que normatiza a
relação entre as gangues e as comunidades locais, a noção de “mundo do crime” parece
dizer respeito exclusivamente à complexa rede de significações, práticas de
violência e regras de conduta inerentes à rotina dos jovens dentro das gangues,
ou mesmo entre os muitos grupos que atuam nas favelas.<a style='mso-footnote-id:
ftn5' href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a><sup></sup></p>

    <p><b><i><font size="2" face="Verdana">A “lei da favela”</font></i></b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na fala dos informantes, a “lei da favela”
parece referir-se a um conjunto de crenças, normas, valores e condutas que
regula as relações entre os jovens envolvidos com as gangues e suas comunidades
locais. Essa estrutura normativa, no entanto, parece ser um amálgama de valores
tradicionalistas, justificando e legitimando a adoção bastante frequente de uma
série de práticas machistas e violentas, para lidar com determinadas situações
de conflito dentro dos aglomerados. Nesse contexto, as gangues acabam
tornando-se uma espécie de instância de poder local que, por meio da constante
ameaça de uso de seu poder de fogo, se encarrega de operacionalizar e
fiscalizar o uso desta estrutura normativa.</p>

    <p>Dentro desta complexa teia de valores que os
jovens definem como “lei da favela”, valores como lealdade, discrição,
fidelidade, honestidade, hombridade e respeito adquirem contornos bastante
particulares e discricionários, mas quase sempre integrantes de uma noção de
conduta ética necessária para que um homem tenha “conceito” perante a comunidade
local. A própria noção de “conceito”, sempre presente no discurso dos jovens,
parece se referir a uma espécie de versão estereotipada e tradicionalista da
força e da honra masculina, aparatos simbólicos claramente importantes para a
constituição da “&shy;identidade guerreira” dos membros de gangues e sua
consequente diferenciação e imposição pessoal sobre os demais moradores da
comunidade. Não por acaso, os atores entrevistados demonstram valorizar uma
versão exacerbada da figura masculina que consegue sustentar sua família,
defendendo-a das muitas ameaças externas presentes no ambiente das favelas.</p>

    <p>De certo modo, a noção de “conceito” presente
na fala dos jovens entrevistados assemelha-se bastante à ideia geral de
“respeito”, já extensamente explorada em diversos estudos sobre delinquência
juvenil e violência (Zaluar 1996; Anderson 1999; Bourgois 2002; Manso 2005). No
contexto vigente da cultura “das ruas”, ambientes violentos (Anderson 1998),
tanto a ideia de “conceito” quanto a de “respeito” parecem se referir a uma
espécie de capital simbólico almejado por aqueles envolvidos na complexa trama
de conflitualidades que caracteriza principalmente a rotina de indivíduos e
grupos envolvidos com dinâmicas de criminalidade.</p>

    <p>No discurso dos entrevistados, a noção de
“conceito” mostra-se intimamente relacionada à capacidade (potencial
e/ou concreta) que os indivíduos ou grupos têm de exercer a
violência e retaliar agressões (potenciais e/ou concretas). A
conquista e a manutenção de “conceito” junto ao restante da comunidade e aos
demais grupos delinquentes pode não apenas trazer vantagens (materiais e
simbólicas) a uma gangue e seus membros, como também, em última instância,
preservá-la de ameaças e agressões externas, ou conferir vantagens competitivas
na eventual resolução de conflitos locais.</p>

    <p>Parece ser por isso que, em nível comunitário
(e pelo menos no discurso), as próprias gangues se arvoram do papel de
protetoras de suas comunidades, principalmente frente às agressões de grupos
delinquentes de outras localidades. Quando se estende, para os mais diversos
âmbitos da vida comunitária, a lógica de que cabe às gangues defender a “honra”
dos moradores e manter a “ordem” local, justifica-se o uso de violência para
coibir a ocorrência de delitos na comunidade, bem como a manifestação de
qualquer comportamento considerado inadequado como, por exemplo, acionar a
polícia para registrar ocorrências, denunciar às autoridades a prática de
delitos na localidade, prestar depoimentos sobre crimes já ocorridos.</p>

    <blockquote>“Tem que aceitar. Segurança no morro quem é que
faz? É os mano. Por que que não tem roubo dentro da favela? Porque se tiver, os
cara vem e mata. Privilégio pra quem? Para os morador. Então eles não tem que
falar nada se mata na porta da casa deles, se vende droga. É segurança”
[informante&nbsp;29].</blockquote>

    <p>O que as falas dos jovens sugerem é que, a
despeito do que poderia inferir o senso comum, estas práticas de violência não
se explicam somente em função da implementação e da manutenção de uma estrutura
de negócios criminosos. Elas são prenhes de significados e valores inerentes a
uma estrutura normativa machista e tradicionalista, intimamente relacionada a
processos de sociabilidade violenta e de conformação de uma espécie de “<i>ethos</i> guerreiro” entre os jovens
envolvidos com as gangues (Zaluar 1996). De certo modo, a adesão dos jovens a
esse conjunto de crenças ajuda a compreender melhor a aplicação de um
sem-número de sentenças de morte a suspeitos de cometer estupros dentro das
favelas e a expulsão sistemática de moradores em função da simples desconfiança
de que eles possam estar passando qualquer informação para a polícia.</p>

    <p>Em nível comunitário, a adesão a uma estrutura
normativa genericamente definida como “lei da favela” parece justificar o velho
ditado segundo o qual “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Ou
seja, na fala dos jovens, os problemas que ocorrem dentro da favela interessam
somente aos envolvidos e, invariavelmente, devem ser resolvidos dentro da
favela, sem qualquer intervenção do poder público. Daí a fala bastante
recorrente de alguns jovens de que determinada pessoa “resolveu uma parada que
era do contexto dele”. Caso o problema não possa ser resolvido diretamente
pelos envolvidos, acionam-se os grupos delinquentes locais, que rapidamente
tratam de restaurar a ordem que julgam ser a mais correta. A fala de um
informante ilustra bem a crença que muitos dos jovens entrevistados depositam
nesta lógica.</p>

    <blockquote>“Nós não deixa roubar na favela, nós trata
morador bem. Polícia do morro é nós lá mesmo, até os morador já fala isso. Nós
não deixa rolar pilantragem no morro, os comércio pode ficar tudo de boa que
ninguém rouba. […] Se alguém rouba um comércio, aí nós corre atrás, pega e dá
um coro. E faz o cara devolver tudo. Não tem que chamar a polícia. E nós pede
pra não chamar a polícia pra não lombrar pro nosso lado também, né? Porque na
pista nós mesmo resolve esses trem. […] Estuprador? Passa o cerol. Porque isso
aí ninguém aceita não. Duzentão? Já teve um cara lá que pegou uma menina de
cinco anos e foi pra vala. X9 a gente passa o cerol também”
[informante&nbsp;19].</blockquote>

    <p><b><i><font size="2" face="Verdana">O “mundo do crime”</font></i></b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A despeito de toda sua complexidade, a noção
de “mundo do crime” talvez seja uma das estruturas normativas mais bem
consolidadas e difundidas entre os jovens entrevistados. Em todas as falas,
parece existir uma percepção &shy;bastante clara do que representa fazer parte
desse universo (tanto em termos práticos, quanto simbólicos), de quais são as
suas regras e de quais são as consequências, positivas e/ou
negativas, para quem acaba se envolvendo. O próprio processo de envolvimento
com o “mundo do crime” também se mostra demarcado por alguns indicadores e
signos bastante claros e difundidos entre os jovens. &shy;Adquirir uma arma de
fogo, andar em companhia ou frequentar festas de criminosos conhecidos na
região e contrair “guerras” com outros jovens, por exemplo, são três dos
principais fatores que, dentro das favelas, costumam demarcar a entrada dos
jovens para o “mundo do crime”, envolvendo-os na complexa trama de conflitos,
intrigas, traições, ganhos financeiros, normas de conduta, status e problemas
que este envolvimento sempre acarreta.</p>

    <p>Mas, a despeito de a percepção desses
demarcadores ser bastante clara, o processo de envolvimento dos jovens no
“mundo do crime” parece sempre se dar de maneira lenta e gradual. Em ambientes
marcados por baixos níveis de controle social informal e uma forte presença de
gangues ou grupos delinquentes, o envolvimento de alguns jovens com dinâmicas
de violência e criminalidade às vezes se torna um desdobramento quase que
natural de pequenos conflitos e desentendimentos vivenciados ainda na infância.
O depoimento a seguir, por exemplo, ilustra como pequenas brigas entre grupos
de crianças podem se tornar grandes conflitos entre gangues rivais, tragando
diversos jovens para dentro do que eles próprios definem como “mundo do crime”.</p>

    <blockquote>“Comecei a arrumar briga com os outro, muita
treta. Nós ia pra quadra e os menino da outra rua batia. Aí eu fui guardando
aquilo. […] Aí um dia cresceu tudo. Todo mundo cresceu, né? Aí foi se tornando
nós hoje. Aí hoje ninguém conversa com ninguém não. […] Eu moro na São Martim.
Aí a treta era com os menino da Silva Lobo. Aí brigava por causa de tudo. Por
causa de bola, por causa de tudo. A gente ia pra quadra, eles fechavam a quadra
e batia na gente. Eles achava que a gente nunca ia correr atrás. A única
maneira que eu achei de correr atrás foi essa. Aí eu comecei. É muita raiva
guardada dentro da gente. Fui até preso uma vez indo atrás deles. Aí começou.
Comecei a trombar com eles dentro de cadeia. Começou o inferno”
[informante&nbsp;27].</blockquote>

    <p>Mais uma vez, o que as falas indicam é que, em
algumas favelas, o contexto de pouca ou nenhuma provisão democrática dos bens
de justiça parece fomentar o desenvolvimento de uma espécie de cultura de
resolução privada e violenta de conflitos. Nascidos e criados em ambientes
historicamente violentos, alguns jovens acabam encontrando nas gangues um
instrumento que potencializa sua capacidade de resolução de conflitos, uma vez
que seus problemas passam a ser assumidos por todos os membros do grupo. Na
fala de vários informantes, o simples fato de pertencer a uma gangue pode
representar para eles o fim dos episódios de violência doméstica e comunitária.</p>

    <blockquote>“Todo mundo te respeita. As pessoas que antes
batia em você agora passa e abaixa a cabeça. Isso aí você pode perguntar pra
qualquer um, porque é isso mesmo que acontece. É impressionante. Não sei se a
pessoa fica com medo, ou o que que é. E você, tipo, se acha, né? Pô. Aquele
cara já me bateu, hoje passa perto de mim e abaixa a cabeça. Aí quando eu
comecei a andar com os cara, começou a acontecer comigo também, tá ligado? Tipo
as pessoa que antes me batia, me xingava, agora passa perto de mim e me pede
bênção” [informante&nbsp;25].</blockquote>

    <p>Em meio ao ambiente de violência,
precariedade, escassez de recursos e baixa consolidação normativa vigente em
algumas favelas, as gangues ou grupos delinquentes parecem projetar uma imagem
de poder que se estende a seus integrantes, dando a eles a oportunidade de
obter, de maneira mais fácil e rápida, bens materiais e simbólicos muito
valorizados entre os jovens. O depoimento de um informante ilustra bem o fato
de que o status desfrutado localmente por uma gangue é algo extremamente
desejado por alguns jovens, que enxergam nos grupos uma possibilidade de rápida
ascensão social e financeira dentro do ambiente hostil de algumas favelas.</p>

    <blockquote>“A gente andando com os caras lá, disposição. É
igual eu pensava antes de envolver. Os cara ficava lá naquele naipe, só
relojão, só as panagem… Eu passava lá, cumprimentava os cara e pensava: ‘nó, os
cara é daquele naipe’! Aí os cara me via, começou a cumprimentar eu. Aí eu
pensei: ‘os cara tá me dando oportunidade’. Aí eu comecei a colar e a mesma
coisa que acontecia com eles aconteceu comigo. O pessoal começou a respeitar. O
pessoal vê que você é atitude e respeita” [informante&nbsp;24].</blockquote>

    <p>Neste ponto, cabe chamar a atenção para alguns
aspectos simbólicos que se mostram muito importantes para compreender o
envolvimento de alguns jovens com grupos delinquentes e dinâmicas de criminalidade
violenta. Em praticamente todas as entrevistas, os informantes afirmaram que as
razões que mais os atraíram para as fileiras das gangues e, consequentemente,
para o “mundo do crime”, foram a possibilidade de obter, de maneira rápida e
fácil, bens materiais e simbólicos que, em ambientes marcados por escassez de
recursos e processos de sociabilidade violenta, parecem ser fundamentais para a
constituição de sua imagem masculina (pelo menos nos moldes do que foi
discutido anteriormente) e que seriam difíceis de alcançar por vias
tradicionais.</p>

    <p>Os jovens argumentam que, dentro das gangues,
eles conseguem não apenas colocar fim às muitas formas de violência às quais
são submetidos dentro de suas comunidades, como também potencializar sua
capacidade de retaliação àqueles que os agrediram no passado, ou ainda agridem.
Além disso, todos os jovens entrevistados ressaltam que, uma vez dentro dos
grupos delinquentes, passaram a ter acesso mais fácil a mulheres e dinheiro,
consolidando sentimentos que parecem compor as bases fundamentais para a
própria constituição de suas identidades masculinas dentro do ambiente das
favelas.</p>

    <p>Entretanto, os jovens entrevistados também
percebem de maneira bastante clara que, da mesma forma que a entrada para as
gangues e para o “mundo do crime” pode conferir status, poder de defesa e
retaliação, respeito comunitário, dinheiro, mulheres e uma série de outras
vantagens competitivas no ambiente hostil das favelas, também traz consigo um
mundo de regras, normas de conduta e códigos morais próprios, quase todos
invariavelmente pautados em práticas de extrema violência. Segundo os
informantes, dentro dos grupos delinquentes e do “mundo do crime”, encontra-se
vigente uma versão muito mais rígida e brutal das formas de sociabilidade
violenta já difundidas de maneira mais ampla entre algumas comunidades de
favelas.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enquanto um morador que denunciou criminosos
para a polícia pode ser punido com espancamento e expulsão do aglomerado, um
jovem membro de gangue suspeito do mesmo “desvio” certamente será executado, às
vezes por seus próprios companheiros de grupo. Se, na comunidade, a prática
daquilo que os próprios jovens chamam de “pilantragem” já é considerado um
crime gravíssimo, passível de um vasto leque de punições físicas e morais,
entre os membros do grupo, a prática é quase sempre punida com a morte.</p>

    <p>Geralmente, o que os jovens definem como
“pilantragem” ou “vacilo” é qualquer tipo de conduta que atente contra a
integridade da gangue ou de seu negócio criminoso (como denunciar seus crimes à
polícia, roubar drogas, armas ou qualquer outro bem pertencente ao grupo,
passar qualquer informação sobre a gangue à polícia ou a grupos rivais, etc.),
ou de algum de seus integrantes em particular (assediar ou “ficar” com a
namorada de um membro do grupo, interferir em algum assunto pessoal dos jovens
membros da gangue, ou fazer intrigas sobre seus integrantes). Além disso,
qualquer quebra de uma regra localmente imposta pelo grupo também é vista como
uma afronta à autoridade da gangue e passível de punição. Os depoimentos a
seguir ilustram a visão dos jovens sobre algumas das regras e normas de conduta
vigente dentro das gangues e no “mundo do crime”.</p>

    <blockquote>“Bandido de verdade é o cara que tem disposição
e fortalece com os parceiro na firmeza mesmo. Ser bandido é não entregar os
irmão. É preferir morrer do que entregar os irmão. Bandido de verdade não fica
de conversa com ladrão na rua. Se tiver que meter as parada mete mesmo e não
tem que ficar se fazendo pra ninguém não. Se tá a fim de jogar o cara fora,
sequestra na miúda e joga fora, ponto final. Não tem que ficar de resenha na
rua. […] E é isso. Eu quero morrer na mão de bandido de verdade. Uma troca
limpa. No duelo mesmo. Aí é guerra, né? O que estiver melhor, mais fortalecido,
tem que matar mesmo porque senão roda. E eu não vou ficar com raiva do cara que
me matar porque se ele não me matar, eu mato ele. Então eu não tiro a razão
dele” [informante&nbsp;05].</blockquote>

    <blockquote>“Dependendo do vacilo os cara mata mesmo. Tipo
assim, o cara da minha gangue estuprou uma menina lá na sua área lá. E eu tô
até sabendo que ele estuprou. Você pode chegar em mim e conversar pra eu tomar
a providência. Mas não. Você é tão alterado que você chega e mata o cara. Se eu
tô sabendo, pode até ficar baixo. Mas às vez eu não tô sabendo e você também não
conversa. Aí começa a guerra. Às vez, se você tivesse me falado, até eu mesmo
mandava matar ele. Porque quando eu vejo, eu tô defendendo um estuprador e não
tô sabendo” [informante&nbsp;29].</blockquote>

    <p>Alguns depoimentos oferecem indícios de que,
especialmente dentro das gangues, a violência constitui um elemento
estruturante das relações sociais, quase que um fim em si mesmo. Como a própria
existência das gangues se fundamenta, em grande parte, no exercício potencial
ou aplicado da violência, a disposição para exercê-la não pode ser colocada em
dúvida em nenhum momento, ou sob nenhuma circunstância. Talvez a imposição de
regras mais rígidas aos membros das gangues se deva à própria necessidade de
fortalecer mecanismos de coesão interna e demarcar a posição dos grupos dentro
das comunidades nas quais eles se encontram inseridos.</p>

    <p>Um indicador de que as leis e valores do
“mundo do crime” se institucionalizaram e ganharam legitimidade entre os jovens
membros de gangues está na percepção de que, apesar de duras, as regras devem
valer para todos, inclusive para amigos próximos. Daí os relatos de vários
jovens sobre assassinatos cometidos dentro da própria gangue, quando algum
integrante quebra uma regra importante do grupo, ou é reincidente em
transgressões leves. No caso das gangues envolvidas com o tráfico de drogas, as
mortes geralmente se dão em função de algum desacerto na condução do negócio ou
mesmo no caso de desaparecimento ou furto de uma quantidade expressiva de
drogas. Em muitos destes casos, a transgressão é vista como “pilantragem” e
deve ser punida com a morte, mesmo que se trate de um amigo próximo.</p>

    <blockquote>“Perdi muito amigo nessas guerra… Esses dia
mesmo eu tive notícia que eles matou um colega meu lá. Mas ele deu mole. Parece
que ele roubou uma droga do patrão lá, aí o patrão foi lá e matou ele. Tipo, e
cresci com ele, né Zé? Nós andava só junto. Onde que ele ia, eu ia, nós rodava
a favela toda junto, nós dois junto. Aí deu desacerto, né? […] Se pedisse pra
eu matar eu ia desembolar com o patrão: ‘Ô, Zé… Pede outro aí pra matar, tá
ligado? O cara tipo cresceu comigo, é parceiro daquele naipe, é tipo irmão pra
mim. Tô ligado que o cara tá errado, mas não vou matar o cara não, tá ligado?
Não dá não. Pede outro irmão pra fazer esse serviço aí’” [informante&nbsp;35].</blockquote>

    <p>Em ambientes intensamente perpassados por
dinâmicas de sociabilidade violenta, baixa consolidação normativa e uma cultura
que legitima a resolução privada e violenta de conflitos, a capacidade de
reação ou a disposição para matar de um membro de gangue nunca pode ser colocada
em dúvida ou ser “desacreditada”. Para um jovem sistematicamente envolvido no
“mundo do crime”, é extremamente importante transmitir, para a comunidade
local, para seus colegas de gangue e para seus inimigos, a certeza de que
possui “disposição” para matar caso isso seja necessário.</p>

    <p>Imersos em uma subcultura que valoriza a
capacidade de exercer a violência, muitas vezes torna-se uma questão de
sobrevivência consolidar uma imagem de homem que consegue se defender, defender
seus parceiros e vingar as ofensas sofridas por seu grupo e por sua comunidade.
Ao deixar claro que possui “disposição” para matar e que não deixa passar
nenhum tipo de desafio, o jovem diminui a chance de ser denunciado por
moradores locais, fortalece sua posição dentro do grupo, ganha o respeito dos
demais membros e se torna temido pelos integrantes dos grupos rivais. Por isso,
em alguns casos, a decisão de matar parece mais atrelada às regras do “mundo do
crime” (onde não ser “desacreditado” representa quase uma condição de sobrevivência)
do que a uma motivação associada a uma lógica utilitária, inerente ao negócio
criminoso.</p>

    <blockquote>“Tipo assim, você é um bandido, aí tem um outro
bandido lá e você é amigo desse bandido. Aí eu fico falando mal desse outro
bandido. Aí você vai lá e fala pra ele: ‘Ah, tal fulano tá falando mal de você
lá, tá falando que você tá demais já’. Isso aí também já é motivo pra guerra.
Quem tá no crime, qualquer coisa tem que matar. […] Se não matar, não fica à
vontade. Vai ficar com aquele peso na consciência: ‘Ah, o cara tá me tirando e
eu não faço nada’. Se ele deixar baixo, os outros vão achar que ele é otário.
Aí neguinho vai começar a querer subir em cima do cara. Se ele não matar pra
mostrar que tem moral, que tem respeito, todo mundo vai querer fazer com o cara
o que o primeiro fez. O cara passa imagem de fraco. E o cara não pode deixar,
tem que colocar o respeito dele. E nessa vida, o respeito o cara faz é
mostrando que tem disposição. Senão os outro engole ele. Ou você engole, ou os
outro engole você” [informante&nbsp;37].</blockquote>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, os jovens entrevistados
argumentam que o rótulo de “matador” geralmente funciona de maneira
ambivalente: por um lado, aumenta o prestígio de quem o carrega, por outro,
torna-o um alvo mais cobiçado por quem quer ganhar fama no “mundo do crime”. O
depoimento a seguir mostra esta percepção.</p>

    <blockquote>“Depois desse homicídio aí eu fiquei conhecido
no bairro todo. Polícia me caçando, maior problema. […] Mas os colega começou a
me tratar mil grau, né? O tratamento deles comigo mudou. Mudou que os outro
começou a me respeitar mais. Sabia que eu matava mesmo, aí começou a me
respeitar mais. Todo mundo começou a olhar pra mim com aquela cara: ‘nó, o
menino mata mesmo’. Mas isso é bom e é ruim. É bom porque você tem respeito;
todo mundo te respeita. Mas é ruim porque você sabe que respeita porque tem
medo de você” [informante&nbsp;18].</blockquote>

    <p>Em contextos fortemente marcados por dinâmicas
de exclusão social, por desconfiança mútua, baixa consolidação normativa e pela
percepção de que o Estado não se mostra capaz (nem mesmo interessado) em
prover, democrática e eficientemente, os serviços de justiça, instaura-se a
crença de que a violência constitui um meio legítimo de resolução de conflitos.
Por isso, o que os jovens definem como o “mundo do crime” se parece tanto com
um estado de guerra de todos contra todos, com ciclos de ação e retaliação que
se autoalimentam e provocam centenas de mortes.</p>

    <p>O depoimento a seguir ilustra a percepção que
os jovens têm sobre a necessidade de antecipar-se ao risco da agressão, por
meio do assassinato de seu detrator. De acordo com eles, no “mundo do crime”,
qualquer ameaça de morte, por mais improvável que pareça, deve ser levada a
sério e respondida à altura. Da mesma forma que um membro de gangue não pode
admitir ser “desacreditado” (sob o risco de perder a confiança de seus
parceiros e se tornar um alvo fácil para seus inimigos), também não pode
“desacreditar” aqueles que o ameaçam (sob o risco de ser morto em uma
emboscada).</p>

    <blockquote>“Que nem teve um cara lá da quebrada mesmo que
começou a tirar a gente. Ele era bandido lá, mas não andava com a gente. Aí ele
começou a passar lá, falou que ia matar a gente. A gente não deu mole pra ele
não. […] Quando alguém fala que vai matar, a gente não desacredita não. Nem
eles desacredita. Eles mata mesmo. Aí a gente tem que matar antes que eles mata
nós. […] Não dá pra saber o que que
passa na cabeça do cara. Não dá pra desacreditar. Já vi muita gente tomar tiro
porque desacreditou. Até usuário dá tiro. Já vi gente tomar tiro de usuário
porque desacreditou” [informante&nbsp;23].</blockquote>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><b><font size="3" face="Verdana">Considerações finais</font></b></p>

    <p>Ao longo das últimas décadas, o problema da
violência letal adquiriu contornos bastante claros no Brasil: trata-se de
fenômeno impulsionado pela morte de adolescentes e jovens, moradores de favelas
e bairros pobres das grandes cidades do país. Mas, a despeito de apresentar uma
configuração socioespacial tão evidente, a compreensão desse fenômeno em toda
sua abrangência e complexidade ainda constitui grande desafio para estudiosos
da área e formuladores de políticas públicas de segurança.</p>

    <p>Diversos estudos têm tentado compreender
melhor a relação entre processos de segregação socioespacial e a emergência de
dinâmicas de violência. É dentro desse campo temático que se localizam, por
exemplo, pesquisas sobre a consolidação de gangues e grupos criminosos em
favelas e bairros pobres de periferia, seus conflitos armados e processos de
estruturação de atividades criminosas (Zaluar 2004; Ramos 2009; Manso 2005;
Beato e Zilli 2012).</p>

    <p>Na tentativa de contribuir para este debate, o
presente texto procurou discutir as dimensões simbólicas que perpassam as
práticas de violência entre gangues que atuam nas favelas e bairros pobres da
região metropolitana de Belo Horizonte. Partiu-se aqui do princípio de que as
muitas conflitualidades que caracterizam a rotina desses grupos não possuem
apenas caráter instrumental, sendo simplesmente recursos necessários à
consolidação de empreendimentos criminosos. O argumento desenvolvido aqui foi o
de que, dentro do universo das gangues, o uso frequente e intensivo da
violência funciona como elemento de constituição das identidades (individuais e
grupais) e de estruturação e ordenação das próprias relações sociais.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A análise do discurso de jovens envolvidos com
gangues permite inferir que, dentro dos grupos, desenvolvem-se processos de
socialização e sociabilidade regulados e fundamentados não apenas no uso
instrumental, mas, também e principalmente, no uso simbólico da violência. Por
meio de referências frequentes à “lei da favela” e ao “mundo do crime”,
estruturas ordenadoras das relações sociais, os jovens constroem coletivamente
suas identidades enquanto membros do grupo, orientam suas ações e justificam,
interna e externamente, uma série de práticas de violência.</p>

    <p>A constituição dessa espécie de “sociabilidade
violenta” entre os jovens membros de gangues ajuda a explicar, em parte, o
caráter fortemente tradicionalista dos conflitos territorializados mantidos
pelos grupos nas favelas da RMBH. Para além da sua relação com a consolidação
de mercados ilegais, as “guerras” entre gangues parecem guardar, já em sua
origem, relação com complexos processos de constituição de identidades pessoais
e grupais, com dinâmicas de imposição e manutenção de poder local, bem como com
intrincadas redes de conflitos pessoais, familiares e comunitários.</p></font>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><b><font size="3" face="Verdana">Bibliografia</font></b></p>
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(última consulta em setembro de 2015).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=188298&pid=S0873-6561201500030000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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    <!-- ref --><p>SZWARCWALD, Célia Landman, e Euclides
Ayres CASTILHO, 1998, “Mortalidade por armas de fogo no estado do Rio de
Janeiro, Brasil: uma análise espacial”, <i>Revista
Panamericana de Saúde Pública</i>, 3&nbsp;(4): 161-170.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=188320&pid=S0873-6561201500030000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>THRASHER, Frederic M., 1927, <i>The Gang: A Study of 1.313 Gangs in Chicago</i>.
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    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>WAISELFISZ, Júlio Jacobo, 2014, <i>Mapa da Violência 2014: Os Jovens do Brasil</i>.
Brasília, Secretaria Geral da Presidência da República.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=188324&pid=S0873-6561201500030000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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    <!-- ref --><p>YI, José Luís Rodriguez, <i>et al</i>., 2000, “Análise espacial da
distribuição e dinâmica da violência na cidade de São Paulo entre os anos 1996
e 1999”, relatório de pesquisa, São José dos Campos, SP, Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=188328&pid=S0873-6561201500030000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ZALUAR, Alba, 1996, <i>Condomínio do Diabo</i>. Rio de Janeiro, Editora da
UFRJ/Revan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=188330&pid=S0873-6561201500030000300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ZALUAR, Alba, 2004, <i>Integração Perversa: Pobreza e Tráfico de Drogas</i>. Rio de Janeiro,
Editora FGV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=188332&pid=S0873-6561201500030000300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ZALUAR, Alba, e Mario F. G.
MONTEIRO, 2012, “Desigualdades regionais no risco de mortalidade de jovens:
raça, renda e/ou escolaridade da mãe”, <i>Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social</i>,
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    <!-- ref --><p>ZILLI, Luís Felipe, 2011, <i>O Bonde tá Formado: Gangues, Ambiente Urbano
e Criminalidade Violenta</i>. Belo
Horizonte, Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais,
tese de doutorado em Sociologia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=188336&pid=S0873-6561201500030000300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ZILLI, Luís Felipe, 2014, “Grupos
delinquentes”, em Renato Sérgio de
Lima, José Luiz Ratton e Rofrigo Ghiringhelli (orgs.), <i>Crime, Polícia e Justiça no Brasil</i>. São Paulo, Editora Contexto,
117-127.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=188338&pid=S0873-6561201500030000300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p></font>


    <p>&nbsp;</p>
    <p><b><font size="3" face="Verdana">NOTAS</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">

    <p><a style='mso-footnote-id:ftn1' href="#_ftnref1"
name="_ftn1" title=""><sup>[1]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desde o início do
século XX, existe na literatura sociológica uma acirrada discussão a respeito
do próprio conceito de “gangue”. A despeito desses esforços, ainda não existem
definições precisas e unanimemente aceitas sobre quais seriam as características
e principais estruturas do fenômeno social ao qual o termo “gangue” faz
referência (Spergel 1992; Esbensen <i>et al</i>.
2001; Spindler e Bouchard 2011). Ciente dessa discussão, mas com a clareza de
que este não é seu foco, o presente texto utiliza o termo “gangue” para se
referir ao seguinte fenômeno: “grupos de jovens que compartilham uma identidade
comum, sistematicamente envolvidos com práticas violentas e/ou
criminosas e conflitos territorializados”. Ainda que de modo bastante
exploratório, tal definição tenta ressaltar algumas das principais estruturas
geralmente presentes nos estudos sobre gangues: (1)&nbsp;caráter grupal; (2)&nbsp;fenômeno
jovem; (3)&nbsp;questões simbólicas/identitárias;
(4)&nbsp;violência e criminalidade; (5)&nbsp;conflito;
(6)&nbsp;territorialidade.</p>





    <p><a style='mso-footnote-id:ftn2' href="#_ftnref2"
name="_ftn2" title=""><sup>[2]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Existe uma longa
tradição de estudos sociológicos que busca compreender a relação entre a
consolidação de arranjos simbólicos, comportamentais e normativos particulares,
ou “subculturas”, em meio a determinados segmentos populacionais e a emergência
de padrões de violência e criminalidade. Segundo tal programa de estudos,
iniciado de maneira mais sistemática por expoentes da Escola de Chicago nos
anos 1930, as “subculturas da violência” seriam, grosso modo, conjuntos de
regras, valores e definições que oferecem suportes normativos e simbólicos ao
uso da violência enquanto elemento de estruturação das relações interpessoais e
grupais na sociedade (Miller 1958; Wolfgang e Ferracuti 1962; Kornhauser 1978;
Gottfredson e Hirschi 1990; Stewart e Simons 2006). Em termos teóricos, o uso e
a aplicabilidade do conceito de “subcultura” são ainda hoje bastante polêmicos.
Não apenas em função de certo dissenso acadêmico em torno da própria validade
do conceito (a ideia de “derivação” ou “subordinação” a uma cultura maior,
contida no prefixo “sub” é, por si só, controversa), mas também em função do
debate sobre as estruturas necessárias para a caracterização do fenômeno.
Ciente dessas questões, mas com clareza de que tal discussão não prejudica seu
argumento central, este texto não apenas faz uso do conceito, mas também
trabalha com uma definição de subcultura mais próxima àquela proposta por
Elijah Anderson (1999), quando este se referia a jovens inseridos em uma
“cultura de rua”, ou seja, “um conjunto de regras informais que orientam
comportamentos públicos e privados e que encorajam o uso da violência, com
vistas à manutenção da honra e à defesa da reputação”.</p>





    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a style='mso-footnote-id:ftn3' href="#_ftnref3"
name="_ftn3" title=""><sup>[3]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todas as entrevistas
foram realizadas em salas isoladas, com gravação de áudio, resguardando a
privacidade e o anonimato dos informantes. As conversas só se deram após
autorização do Ministério Público e do Juizado da Infância e da Juventude de
Minas Gerais, bem como mediante assinatura de termo de consentimento livre e
esclarecido por parte dos próprios jovens e da direção dos centros de
internação.</p>





    <p><a style='mso-footnote-id:ftn4' href="#_ftnref4"
name="_ftn4" title=""><sup>[4]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No Brasil, delitos
praticados por adolescentes e jovens com idade entre 12 anos completos e 18
anos incompletos estão sujeitos às penalidades previstas no Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA). Segundo o texto da lei, crianças e adolescentes que
cometam “atos infracionais” (conduta descrita como crime ou contravenção penal)
estão sujeitos ao cumprimento de “medidas socioeducativas”, entre as quais está
prevista a medida de internação em estabelecimento socioeducativo, por prazo
máximo de três anos.</p>





    <p><a style='mso-footnote-id:ftn5' href="#_ftnref5"
name="_ftn5" title=""><sup>[5]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A separação entre as
categorias “lei da favela” e “mundo do crime” deve-se mais a uma estratégia
analítica do que à existência de uma segmentação claramente identificável, na
fala dos jovens, entre estas estruturas normativas. Na prática, ambas as noções
mostram-se extremamente fluidas e difusas no discurso dos jovens entrevistados.
A divisão analítica facilita a compreensão de uma distinção que praticamente
todos os informantes construíram durante as entrevistas: de um lado, colocam-se
as normas de conduta, os códigos morais e os valores que normatizam a relação
entre os grupos de jovens delinquentes e suas comunidades locais; de outro, a
complexa rede de significações, regras, códigos e formas de conduta que
orientam a ação destes jovens, não apenas dentro de seus grupos, mas
principalmente com relação a outras gangues.</p></font>





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