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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Imaginando o bebê esperado: parentesco, raça e beleza no Rio de Janeiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article, I examine pregnancy as a moment of revalidation and actualization of kinship ties. Analyzing narratives of middle-class pregnant women in Rio de Janeiro, I discuss how they imagine the physical appearance of their expected babies resorting to family features. In thinking about the baby, they engage with the continued identities originated in their past, as they face the future projecting his/her characteristics, identities and social ties. In this process, the association between physical similarity and kinship is debated, since the physical continuity between generations may or may not be desired. In these narratives, notions of beauty, race and social class present in Brazilian society affect the way the expected baby is imagined. The desired continuity between generations figures less as a reproduction and more as perfected connections, in which the undesired traits disappear.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Imaginando o bebê esperado: parentesco, raça e   beleza no Rio de Janeiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Imagining the expected baby: kinship, beauty   and race in Rio de Janeiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Claudia Barcellos Rezende<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Departamento de Antropologia, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. <em>E-mail: </em><a href="mailto:cbrezende@bighost.com.br">cbrezende@bighost.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo, discuto a gestação como momento de   revalidação e atualização dos laços de parentesco. A partir de narrativas de   gestantes de camadas médias no Rio de Janeiro, analiso o modo como imaginam a   aparência física de seus bebês recorrendo aos traços físicos de suas famílias.   Pensar no bebê esperado é uma instância de negociação com as identidades   continuadas que vêm do passado, no momento em que se veem diante do futuro,   projetando para o filho ou filha características, identidades e laços sociais.   Neste processo, a associação entre parentesco e semelhança física é   problematizada, na medida em que a continuidade física entre as gerações pode   ou não ser desejada. Noções de beleza, raça e classe presentes na sociedade   brasileira interferem no modo como o bebê esperado é imaginado. A continuidade   entre as gerações que é desejada surge então menos como uma   reprodução e sim como conexões “aperfeiçoadas”, destituídas dos traços   indesejados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> parentesco, gravidez, beleza, raça, camadas médias, Rio de Janeiro</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">In this article, I examine pregnancy as a   moment of revalidation and actualization of kinship ties. Analyzing narratives   of middle-class pregnant women in Rio de Janeiro, I discuss how they imagine   the physical appearance of their expected babies resorting to family features.   In thinking about the baby, they engage with the continued identities   originated in their past, as they face the future projecting his/her   characteristics, identities and social ties. In this process, the association   between physical similarity and kinship is debated, since the physical   continuity between generations may or may not be desired. In these narratives,   notions of beauty, race and social class present in Brazilian society affect   the way the expected baby is imagined. The desired continuity between   generations figures less as a reproduction and more as perfected connections, in which the undesired traits disappear.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> kinship, pregnancy, beauty, race, middle class, Rio de Janeiro</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">“É, eu já sonhei com o bebê algumas vezes.  Cada hora ele vem de um jeito. Já veio até negro”. [Roberta,     grávida do primeiro filho]</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">“Family inheritance becomes an aesthetic     lottery with winners and losers: those who come out with ‘bad hair’ or too dark     skin” (Edmonds 2010:&nbsp;147).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Laura esperava uma menina, que se chamaria Maria.   Quando indagada sobre como gostaria que fosse seu bebê, disse que queria que   ela tivesse o cabelo farto de seu marido, já que o seu era ralo e fino. Ela   dizia a ele: “Ai, tem que puxar seu cabelo!” Ela também gostaria que Maria   tivesse o nariz dele, “porque o meu nariz, eu falo que é de batatinha. Então   não, tem que ser o nariz dele, que é mais bonito. Mas tipo, os meus olhos,   minha sobrancelha, eu gosto, assim, que lembra muito a família do meu pai”. Seu   pai havia falecido quando ela era pequena e sua avó paterna foi muito presente   na sua criação. Laura acrescentou então: “A gente não pode prever, né? A gente   fica só imaginando, né? […] A única coisa que a gente fica preocupada é se vai   ter algum problema de saúde ou não”. Para ela, estas preocupações eram   inevitáveis depois de a mulher engravidar, receios de mãe. “Acho que aparência física… ah, se o cabelo, a boca, o nariz…, isso daí é um detalhe”.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao longo de minha pesquisa com gestantes de   camadas médias no Rio de Janeiro, a gravidez se apresenta como uma etapa em que   as relações de parentesco estão em foco.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a> Como apontam Duarte e Gomes (2008), a gestação do   primeiro filho dá início à transformação da rede de parentesco, realçando a   construção de vínculos diversos e a transmissão de experiências e   circunstâncias. Acrescento que, neste momento, estes laços são reavaliados e   atualizados, como na escolha do sobrenome do bebê, processo que pode afetar as   relações com as decisões de não transmissão de um sobrenome (Rezende 2015).   Esta reavaliação dos laços de parentesco também surge nas narrativas sobre a aparência esperada e desejada para o bebê, meu objeto de análise neste artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Parto de uma perspectiva do parentesco como   relações em processo de criação/revisão/transformação.   Ao contrário da visão predominante na antropologia estrutural-funcionalista que   o tratava como um sistema de vínculos que organizava os “fatos naturais” da   procriação em unidades de relação bem definidas (Radcliffe-Brown 2013; Holy   1996), nas últimas décadas esta abordagem passou a ser questionada como um   reflexo de conceitos nativos ­euroamericanos de parentesco (Schneider 1980;   Strathern 1992). A ideia de “fatos naturais” veio a ser tomada como fonte de   interpretações e significados muito distintos, aliados frequentemente a outros   elementos como base destas relações. Com isso, o parentesco vem sendo   considerado um conjunto variado de símbolos e formas de conexão, que se   constitui de modo dinâmico, processual e intersubjetivo (Carsten 2000a; Sahlins   2011; Schneider 1980). Ainda que exista, no universo pesquisado, a ideia do   compartilhamento de substâncias como base para os vínculos de parentesco,   vejo-a, como propõe Viegas, enquanto uma “natureza historicizada”: “um processo   histórico que valoriza a criação de relações em detrimento da conformação   prévia dos fatos” (2007: 137). Assim, nas narrativas das gestantes, o convívio   cotidiano, o apoio ofertado, a troca afetiva tornam-se elementos tão   importantes para constituir e manter o laço de parentesco quanto compartilhar substâncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se, no Brasil, a abordagem do parentesco como   processos de construção/manutenção de relações tem sido mais   frequente no contexto ameríndio (Gow 1997; Viegas 2007; Vilaça 2002), ela   aparece menos em estudos das camadas médias urbanas.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a> Peixoto e Cicchelli (2000) comentam como, a   partir da década de 1970, as pesquisas sobre família no Brasil elaboraram tipos   distintos de “família”, tendo como referência a família nuclear, buscando assim   caracterizar a vida familiar nos diferentes segmentos sociais ou setores   produtivos e tratando-a como instituição social e como um valor. Fonseca   acrescenta que não apenas em estudos brasileiros, mas também nos britânicos, as   estruturas familiares aparecem reificadas e atuantes sobre os membros   individuais, revelando também uma análise voltada para o <em>self</em> que, “dominada   pela ideologia individualista, pensa a coletividade em termos de suporte ou   entrave à realização pessoal” (2007:&nbsp;9). No final dos anos&nbsp;90, com os   questionamentos feministas, pós-coloniais, dos movimentos <em>gay</em> e as novas   tecnologias reprodutivas, vimos um retorno de estudos sobre família e   parentesco, buscando desnaturalizar modelos eurocêntricos de reprodução e abrir espaço para outros idiomas de conexão (Fonseca 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste artigo, argumento que os laços com os pais,   avós e irmãos são continuamente atualizados e revisados, ganhando diferentes   “pesos ontológicos” (Pina-Cabral 2010) em momentos de vida distintos. Considero   a gravidez do primeiro filho uma destas situações em que os futuros pais lidam   com suas “identidades continuadas”, nos termos de Pina-Cabral. São formas de   lidar com o passado que fazem parte de um processo de “copresença na   constituição individual” (2013: 76), ligando as pessoas àqueles que vieram antes   delas e constituindo assim o núcleo de seus afetos. Pensar no bebê esperado é   uma destas instâncias de negociação, por parte do casal, de suas identidades   continuadas no momento em que se veem diante do futuro, projetando para ele ou   ela características, identidades e laços sociais. Neste processo, constroem   também o laço com o bebê para além de vínculos biológicos: através da escolha   do nome e sobrenome, da sua percepção como pessoa com gostos e da especulação em torno de sua aparência física.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste último caso, imaginar a aparência física do   bebê gestado torna-se um exercício de reflexão sobre as várias combinações   possíveis de traços físicos, como sugerem os trechos das entrevistas de Roberta   e Laura acima. Estes aspectos físicos são sempre remetidos às famílias. Porém,   na medida em que estas combinações possíveis desenham fenótipos raciais   distintos, desigualmente valorizados na sociedade brasileira, as gestantes   expressavam sempre preferências e antipatias. Estes traços remetiam não apenas   às identidades continuadas, mas igualmente a um posicionamento social almejado   – em termos de classe social, raça ou etnicidade, articulado também a um ideal   de beleza. Assim, a continuidade com as gerações anteriores era sempre   imaginada, mas colocava-se como distinta, recebendo acentuações diversas.   Portanto, busco problematizar a relação entre semelhança física e descendência,   como outros autores (Cannell 2011; Carsten 2000b; Cussins 1998; Nordqvist   2010), mostrando que as distinções de classe social, raça e etnicidade   presentes na sociedade brasileira são mobilizadas juntamente com os pesos   ontológicos dos laços de parentesco no processo de construir vínculos para o bebê.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste estudo, baseio-me em dados de uma pesquisa   de campo realizada com um grupo de gestantes na zona sul do Rio de Janeiro e em   17 entrevistas conduzidas com mulheres que esperavam seus primeiros filhos.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> As mulheres entrevistadas foram selecionadas pelo   método “bola de neve”, levando em conta como critérios de escolha a primeira   gestação, o corte etário, a situação civil, a escolaridade e a ocupação. Em   ambas as situações de pesquisa, as mulheres tinham idades entre 28 e 35 anos,   eram casadas e se consideravam parte dos segmentos médios, tanto em função de   seus estudos universitários quanto de suas profissões. No entanto, para   algumas, esta situação refletia uma trajetória de mobilidade social que as   diferenciava de seus pais, cuja escolaridade não chegava à universidade. Metade   das mulheres moravam em bairros distantes do centro da cidade, marcados por   maior heterogeneidade socioeconômica, e as outras residiam em bairros de   camadas médias na zona sul da cidade. Dentre as entrevistadas, cinco eram   negras, havendo quatro delas que valorizavam suas identidades negras. Havia   também uma diversidade de pertencimentos religiosos: cinco evangélicas, uma   messiânica, uma do candomblé, duas cujas mães eram judias, as restantes católicas, com graus diversos de adesão e prática.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As entrevistas indagavam sobre a experiência da   gravidez – seu início, desenvolvimento e a antecipação do parto – bem como o   modo como o marido, família e amigos se faziam presentes naquele momento. A   maioria das mulheres estudadas morava perto de seus pais, quase todas em   residência própria que passava por reforma para a chegada do bebê. Elas tinham   contato diário com suas famílias – pais, irmãos, tios e avós – e consideravam   estas relações próximas. Os sogros também eram considerados presentes, embora a   relação com eles fosse com frequência marcada por diferenças de valores e práticas que podiam produzir tensões e atritos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nas seções seguintes, discuto através da   literatura antropológica a relação entre parentesco e semelhança física e como   a raça vem assumindo significados distintos na sociedade brasileira. Em   seguida, apresento como as gestantes falam da gravidez como um estágio da   maternidade, para então mostrar três narrativas específicas em torno da   aparência imaginada do bebê. Ao final, articulo a análise destas narrativas às questões teóricas apontadas no início do artigo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Parentesco, descendência e raça</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas sociedades ocidentais, a ideia de que o   parentesco pode se constituir a partir do compartilhamento de elementos   biológicos é historicamente construída, como mostram Johnson <i>et al.</i> (2013).   Esta noção ganhou força na Europa a partir do século&nbsp;XV, quando o sangue   passou a ser considerado um elemento que forma uma linhagem, uma raça, e   transmite qualidades físicas e morais (Delille 2013). Naquela época, a   transmissão de características era vista como acontecendo fundamentalmente de   pai para filho, sendo a mulher tomada como um instrumento mediador do sangue   paterno (Sabean 2013). Somente no início do século XX, com a divulgação das   leis de Mendel, as qualidades físicas vieram a ser pensadas como vindo de ambas   as famílias paterna e materna, mantendo-se, contudo, visões divergentes desta   concepção (ver Essner 2013). Assim como o sangue, a semelhança física tornou-se   um símbolo das relações de parentesco por seus aspectos involuntário e inalterável (Holy 1996:&nbsp;20).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao contrário do sangue, porém, a semelhança física   é frequentemente tomada como um modo de visualizar conexões (Cannell 2011;   Carsten 2000b; Cussins 1998; Nordqvist 2010). Nordqvist comenta que “quando um   bebê nasce, seu corpo é visto como constituindo um laço de identidade social   entre ele/a e sua família” (2010: 1132; minha tradução). Neste   sentido, a semelhança física é comumente entendida como uma forma de continuidade das relações de família e de identidade compartilhada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contudo, esta associação vem a ser problemática   quando, por exemplo, os laços de parentesco se constituem por meio da adoção ou   através de novas tecnologias reprodutivas. No estudo de Carsten (2000b) em   torno das reuniões sobre adoção na Escócia, a aparência física é um elemento   que diferencia o sujeito dos pais. O fato de pessoas adotadas buscarem   informação ou contato com seus pais biológicos parece ser movido pelo desejo de   preencher certas lacunas em suas biografias, que incluem em alguns casos   entender porque têm uma aparência física distinta da de seus pais. Porém, ainda   que o encontro com os pais biológicos pudesse esclarecer a razão de certos   traços físicos, mostrando assim uma conexão física com eles, “os laços afetivos não eram uma consequência necessária” (Carsten 2000b: 692; minha tradução).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entre casais lésbicos que recorrem à inseminação   artificial para conceber uma criança, a questão da semelhança física pode ser   manipulada em contextos distintos, como Nordqvist (2010) argumenta. As mulheres   estudadas por ela escolhem doadores com características físicas semelhantes a   suas parceiras, de forma que seus filhos se pareçam com ambas as mães. Todo   investimento é feito no sentido de criar uma semelhança que “exponha” as   relações familiares (2010: 1136), diminuindo o significado da participação do   doador. Quando alguma diferença aparece e os traços do doador se destacam, sua   presença é reconhecida na criança e torna-se um lembrete da participação dele em sua concepção (2010: 1139).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas narrativas que analiso aqui, a ideia da   semelhança física como indicativa de conexão está presente, mas torna-se   complexa na medida em que as pessoas se veem inseridas em redes de parentes com   traços físicos variados. O amplo espectro de fenótipos na sociedade brasileira   sempre foi remetido à sua história de miscigenação entre os colonizadores   portugueses, os escravos africanos e a população indígena nativa. Embora seja   um fato histórico, é também uma construção ideológica que recebeu diversos   significados ao longo da história do país e que contextualiza os valores distintos atribuídos à variação fenotípica de que trato neste artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Até o início do século&nbsp;XX, a miscigenação   racial era vista como problema que explicava o “atraso de civilização” da   sociedade brasileira (Rodrigues 1983; Romero 1949). Esta lógica ajudou a   sustentar a onda de imigração europeia branca na virada do século, na esperança   de que o “branqueamento” da população ajudasse a “civilizá-la”. Na década de   1920, esta visão problemática de mistura racial foi alterada fundamentalmente,   através do trabalho de artistas modernistas e de intelectuais como Gilberto   Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. A miscigenação passou então a ser entendida   em termos culturais e não raciais e de modo positivo (Freyre 1981; Holanda   1982), vindo a compor a ideologia que embasou a construção de uma identidade   nacional singular durante o governo de Getúlio Vargas. A valorização dada por   Freyre à mistura racial tinha como contraponto a segregação racial nos Estados   Unidos, de forma que suas ideias sugeriam uma visão do Brasil enquanto “democracia racial”, na qual o racismo aparentemente não estava presente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, a imagem de paraíso racial foi   seriamente afetada pelos estudos produzidos pelo projeto UNESCO na década de   1950, que mostraram como os ex-escravos ainda se mantinham nos estratos sociais   mais baixos (­Fernandes 1965; Wagley 1952). Expunham-se assim desigualdades   sociais drásticas que indicavam também a ação de práticas de discriminação. Se   inicialmente a associação entre raça e pobreza foi pensada basicamente em   termos de classe social, na década de 1970 sociólogos argumentaram que o   preconceito racial explicava porque pessoas negras com a mesma escolaridade que   brancas frequentemente deixavam de ser escolhidas na seleção para o mercado de trabalho (Hasenbalg 1979).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Uma das razões pelas quais o racismo no Brasil   aparece de forma escamoteada tem a ver com os sentidos dados à raça na   sociedade brasileira. Até recentemente, a raça estava basicamente associada ao   fenótipo e não à origem, como na sociedade norte-americana (Nogueira 1985). O fenótipo   incluía não apenas a cor da pele, mas também traços como a forma do nariz e da   boca e o tipo de cabelo. De acordo com esta lógica, a classificação racial   tornava-se muito fluida e contextual, de modo que uma pessoa poderia ser   descrita por vários termos de cor dependendo do contexto e daqueles com quem   ela estaria sendo comparada. “Moreno”, categoria que tanto se aplica a uma   pessoa branca com cabelos escuros como a uma pessoa com pele em tons marrons,   era um dos termos preferidos, justamente por ser elástico e relacional. Já os   extremos “branco” e “preto” eram evitados porque apontavam para uma situação de   oposição social (Maggie 1992). Além disso, a brancura ainda estava associada   aos estratos sociais mais altos, de modo que a mobilidade ascendente de uma   pessoa negra tornava-se traduzida em sua nova classificação como pessoa “mais clara”. De forma semelhante, brancos de segmentos baixos “enegreciam”.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recentemente, com o crescimento do ativismo negro,   de um discurso afirmativo de identidade negra e de uma classe média negra, a   categoria raça vem adquirindo um novo sentido. Agora a importância da   ancestralidade vem ganhando força, ainda que persista o sentido de fenótipo,   dando origem a problemas de classificação em situações onde há políticas afirmativas   de redução de desigualdade racial (Fry 2005). Souza (2012) mostra ainda como,   mesmo entre negros de camadas médias para quem a origem familiar é crucial, há   a preocupação de que os filhos tenham também aparência de negros. Ou seja, o   fenótipo mantém-se uma arena importante de significados simbólicos para a raça na sociedade brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, este contexto, no qual a desigualdade   racial é muito presente e associada a disparidades sociais, informa o modo como   as gestantes entrevistadas pensavam na aparência dos bebês que esperavam. Mas   estes significados mais amplos ganham valores e sentidos variados de acordo com   o pertencimento a redes específicas de parentesco, com posições sociais e   raciais ou étnicas particulares. Antes de analisar três narrativas sobre as   aparências imaginadas, apresento brevemente o modo como as mulheres pensavam a gravidez já inserindo o bebê em uma relação de parentesco.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>As gestantes como mães</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A gravidez era vista como um estágio inicial da   maternidade, entre as mulheres entrevistadas. Para a maioria delas, engravidar   havia sido planejado cuidadosamente. Havia sido, em geral, uma decisão do   casal, tomada após alguns anos de união. A estabilidade financeira também era   considerada importante e, embora alguns maridos quisessem esperar mais, as   mulheres tinham empregos estáveis na época da pesquisa. Todas expressaram o   desejo de ser mãe, mesmo que isto provocasse ansiedade em muitas delas (Rezende 2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A percepção de que, como gestantes, já eram mães   foi explicitamente expressa por algumas entrevistadas e implícita no modo como   todas elas se referiam ao bebê que esperavam.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a> Primeiro, os bebês esperados eram alvo de vários   cuidados dentro do corpo, tanto pelas mulheres como por especialistas médicos.   O desenvolvimento e saúde do bebê deveriam ser acompanhados por profissionais   através de consultas e exames. A maioria delas trocou de médico ao saber da   gravidez, buscando um obstetra que fizesse parte de seu plano de saúde. Com   isso, o acompanhamento pré-natal prescrevia consultas mensais, além de vários   exames. As ultrassonografias eram presenciadas também pelos maridos, sempre que   possível, e eram vistas não apenas como forma de acompanhar o desenvolvimento   fetal, mas também como modo de ver e se relacionar com o bebê, tornando-se muitas vezes uma experiência agradável.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Além das consultas médicas pré-natais, as   gestantes falavam bastante das mudanças em suas rotinas em função das   preocupações com a saúde do bebê, além da sua própria. Por exemplo, elas   tentavam reduzir o estresse criado no trabalho porque era visto como   prejudicial ao bebê. Muitas interromperam as atividades físicas que faziam   antes de engravidar por medo de trazer riscos ao bebê. O consumo de certas   substâncias, como bebidas alcoólicas, cigarros e remédios analgésicos, deveria   ser evitado porque também afetavam o bebê. No grupo de gestantes, algumas   mulheres desejavam ter parto natural, sem recurso à anestesia, que poderia ser   danosa ao bebê, ainda que pudesse ser um alívio das dores do trabalho de parto.   A maioria das mulheres falava destas mudanças como algo a ser feito pelos   bebês, apesar da dificuldade de modificar hábitos já bem estabelecidos. Algumas   comentavam que esta mudança era um sacrifício pela saúde dos bebês. Para   outras, era o cuidado que toda mãe tem que ter com seu filho, revelando assim uma dimensão moral da maternidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em segundo lugar, os bebês também exigiam espaço   na casa e um enxoval composto de uma lista longa de itens, que exigia uma   preparação cuidadosa e demorada. Em todas as entrevistas, aparecia o ideal de   que o bebê tivesse um quarto só para si, com móveis, objetos e enxoval,   frequentemente bordados à mão com seu nome pelas futuras avós. A maioria dos   casais tinha suas residências passando por um processo de reforma para a   chegada do bebê. Embora as mulheres ganhassem boa parte do enxoval e mobiliário   de membros da família e amigos, algumas viajavam aos Estados Unidos para comprar roupas e carrinhos que seriam mais baratos e de melhor qualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um terceiro aspecto era a visão de que os bebês esperados   já seriam pessoas com gostos específicos.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a> Uma gestante disse que seu bebê não gostava   quando ela deitava, pois ele se movia mais e dava “chutes” dentro da barriga.   Outra entrevistada comentou que, quando seu marido falava com seu bebê, ele se   mexia e isto era sinal de que ele gostava da sua voz. Assim os movimentos dos   bebês no útero eram interpretados em termos de padrões de comportamento que,   por sua vez, refletiam gostos e temperamentos. Um bebê que se mexesse muito era   visto como agitado, possivelmente uma criança que iria “dar trabalho”. O gênero   aqui tornava-se um elemento importante da pessoa do bebê, reforçando padrões de   masculinidade (ser mais agitado e enérgico) e feminilidade (ser mais calmo e   quieto). Além disso, o fato de já terem nomes desde o quarto mês de gestação   contribuía para sua percepção como pessoas (Rezende 2015). Desde então, eram   frequentemente referidos por seu nome, não apenas pelas gestantes e seus maridos, como também pela família e amigos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Por último, as gestantes muitas vezes falavam de   seus bebês como “filhos” em diversas situações. Muitas comentavam como seu   “filho” já tinha muitas roupas e presentes, outras falavam de suas mudanças de   hábitos como uma forma de cuidado com a saúde do “filho”. Em todas estas   referências, as mulheres apareciam como mães já antes do nascimento dos bebês.   Esta visão foi textualmente afirmada por Fernanda, na ocasião de seu   aniversário. Quando a parabenizei e mencionei que era seu primeiro aniversário   como mãe, ela me corrigiu e disse que era seu “primeiro aniversário como mãe da Carolina fora da barriga”.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, os bebês esperados eram objeto de muita   atenção, tempo e dedicação durante a gestação. Este cuidado, que para algumas   se tornava um sacrifício, era visto como parte da relação entre mãe e filho, já   em processo durante a gestação, mesmo antes do nascimento do bebê. Este vínculo   era também um laço com gerações familiares anteriores, como mostro a seguir em   três histórias distintas sobre como os bebês eram imaginados em termos de sua aparência   física. Foram escolhidas por apresentarem de forma mais aguda e elaborada elementos que apareceram em vários depoimentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><em><b>Os olhos dos sonhos</b></em></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os sonhos têm um papel importante na narrativa de   Valéria sobre sua dificuldade de engravidar. Ela recontou vividamente um sonho   que teve antes de ficar grávida, quando ainda buscava razões para sua   dificuldade em conceber. No sonho, um estranho lhe entregava um bebê que era   feito só de galhos secos. Ela chegava em casa, mostrava o bebê à mãe, que não   sabia como ajudar. Então, “eu erguia a criança para os céus e dizia: ‘Senhor,   está nas tuas mãos! Se tu me destes, tu vai operar… vai operar o teu milagre’.   E aí, quando eu abaixava a criança, eu via nascendo músculo, aparecendo os   órgãos, músculos, pele, tudo”. Depois, ao relembrar o sonho, ela interpretou   que Deus lhe havia enviado uma mensagem de que Ele ia “operar um milagre” nela.   Algum tempo depois, ela fez uma fertilização <em>in vitro</em> e engravidou de um   menino. Ela também teve sonhos sobre como ele seria fisicamente: clarinho, como   o pai, bochechudo e com cabelos louros e cacheados. Ela não lembrava como eram   os olhos, mas disse: “Peço a Deus que seja igual ao do meu irmão e da minha   cunhada, a irmã dele [do pai]. Porque é aquele castanho bem claro, que quando fica   no sol, fica meio azulado esverdeado. Adoro os olhos dele! Do meu marido também   é, mas do meu irmão e da minha cunhada é mais. Então eu imagino que ele vai ser   assim, com esses olhinhos”. Ela também gostaria que ele tivesse seu nariz pequeno e seu cabelo ondulado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na narrativa de Valéria, os sonhos se destacavam.   Embora outras entrevistadas mencionassem sonhar com o bebê que esperavam, o   primeiro sonho dela foi recontado de modo muito vívido, e também aparecia como   um ponto de inflexão em sua história reprodutiva. Ambos os sonhos colaboravam   para a forma como imaginava seu bebê, ainda que o primeiro tivesse acontecido   antes da gravidez. O segundo sonho sugeria uma imagem angelical de bebê, apesar   da ausência de imagens de anjos na religião evangélica de Valéria. Os dois   sonhos eram cheios de elementos religiosos, revelando a importância da religião   em sua vida. De fato, para ela, Deus havia sido responsável pelo “milagre” de   sua gravidez, como seria também pela aparência do bebê. Embora tenha recorrido   a uma técnica reprodutiva como a fertilização <em>in vitro</em> e mencionasse seu   conhecimento de enfermagem ao comentar sua gestação e planos para o parto, era Deus quem parecia ter a última palavra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Seu segundo sonho descrevia seu “filho” parecido   com o pai, em termos da cor da pele e do tipo de cabelo. Ela buscou em seu   irmão e na irmã de seu marido traços para complementar a aparência do bebê,   especificamente a cor dos olhos. Embora nem ela nem seu marido tivessem olhos   claros, Valéria achava possível que seu bebê “puxasse” esta característica de   outros parentes – no caso, os irmãos do casal. O termo “puxar” se referia à   circulação de coisas – traços, nomes – que conectam duas gerações em uma lógica   de reciprocidade (Motta 2007). Nesta lógica, os bebês “puxam” nariz, olhos,   cabelo, cor da pele de suas mães, pais, avós, tios, bisavós, tornando-se   interligados através de sua aparência. Assim, Valéria imaginava seu “filho” com traços físicos que claramente faziam dele membro de duas redes de parentesco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contudo, ao imaginar o que seu bebê “puxaria” de   cada família, Valéria selecionou aqueles traços que ela realmente “adorava” – a   cor clara dos olhos de seu irmão e de sua cunhada. Ao fazê-lo, fez como a   maioria das outras mulheres: escolheu as características físicas presentes em   ambas as famílias de que ela gostava mais. Valéria destacou aspectos que não   eram apenas objetos de desejo seu, mas eram também particularmente   significativos em uma sociedade tão atenta ao fenótipo racial: cor da pele,   tipo de cabelo, cor dos olhos, forma e tamanho do nariz. O bebê imaginado por   Valéria aparecia próximo ao fenótipo europeu associado às camadas sociais mais   altas. De fato, foi comum encontrar a preferência explícita por traços europeus   entre outras gestantes com trajetórias socialmente ascendentes, que assim como   Valéria tinham pais sem formação universitária. Neste sentido, em sua   imaginação, seu bebê teria elementos físicos presentes nas duas famílias,   tornando assim seu vínculo com elas visível, mas também seria um pouco diferente, do mesmo modo que ela se diferenciara de seus pais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, Valéria se referiu também a um ideal   de maternidade na qual as mães deveriam cuidar e aceitar seus filhos,   independentemente da aparência que tivessem. Em seu primeiro sonho, ela recebeu   o bebê de galhos secos de um estranho e tomou como seu dever cuidar dele, ainda   sem saber como fazer isso. Sua própria mãe, muito presente em várias partes de   sua narrativa, também é consultada no sonho, reforçando ainda mais este modelo   de maternidade. Com a bênção de Deus e seu cuidado materno, o ser frágil e estranho se tornaria um bebê forte, de carne e osso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><em><b>“Um bebê bem feito”</b></em></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando conheci Marina, ela estava no último mês da   gestação, esperando uma menina que se chamaria Sofia. Para ela, “não tem muito   mistério… ela tem que ser branquinha, do cabelo preto e meio rolicinha como os   [pais] são, mas eu quero muito que ela pareça portuguesa porque a minha família   é toda portuguesa, e eu acho muito legal ter esses traços familiares”. Mas, na   última ultrassonografia, ela notou que o bebê tinha o queixo curto e disse:   “Merda, puxou o queixo curto do Roberto”. Marina tentava não pensar em questões   de beleza – “é futilidade”, disse ela –, mas não conseguia. Explicou que ela   havia sido o primeiro bebê da família e ela sempre ouviu a história de como ela   tinha sido um bebê bonito, nascido com quase dez meses de gestação, “um bebê   muito bem feitinho”. Quando sua mãe a olhou pela primeira vez, disse: “Nossa,   como pode a gente ter feito um neném tão bonito!” Ela se questionava: “Eu não   posso ser tão fútil, isso não é importante, racionalmente eu penso assim, mas   outro dia eu entrei no <em>site</em> [da maternidade] para ver os nenéns e eu achei os   nenéns horrorosos”. No final, disse que reprimia sua preocupação com beleza pois o mais importante era a saúde do neném.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Marina apresentou o modo como imaginava seu bebê   em termos muito factuais; não havia “mistério”. Ao contrário das referências   divinas e aos sonhos feitas por Valéria, Marina afirmava que, uma vez que ela e   seu marido eram parecidos fisicamente, sua “filha” se assemelharia a eles. Ela   também se referiu às imagens das ultrassonografias para acrescentar traços que   “estavam” lá, como o queixo curto. Assim, a tecnologia fornecia elementos com os quais imaginar os bebês (Chazan 2007; Taylor 1998).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas, como ela falava de um bebê que ainda não   tinha nascido, havia espaço para a expressão de desejos. Marina gostaria que   Sofia parecesse portuguesa – pele clara, cabelo escuro e rolicinha – porque sua   família toda vinha de ­Portugal. Aqui, sua ancestralidade era caracterizada em   termos étnicos valorizados que ela desejava transmitir ao bebê. Além disso, sua   narrativa se destacava das demais por relacionar sua história como bebê,   recontada pelos pais, com a forma como ela imaginava que seria sua “filha”.   Marina conectava assim seus desejos para o bebê com a história familiar do seu   nascimento – sendo a primeira neta, sendo um bebê bonito e “bem feito”, explicitando a importância da continuidade familiar para ela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar do seu tom factual, havia também o elemento   do acaso no processo de “puxar” traços de vários familiares, de forma que o   resultado seria sempre imprevisível. Na narrativa de Marina, havia o queixo do   marido que ela achava feio e que aparentemente seu bebê teria herdado. A   questão com o queixo não estava em possíveis dimensões sociais – étnicas ou de   classe – problemáticas. Feria basicamente o ideal de que o bebê herdasse o   melhor de cada família, deixando de lado o pior. Quando uma criança “puxava” o   melhor de cada lado, os pais teriam “feito” bem o bebê, ideia que só Marina   expressou. Sua alusão à ação dos pais ao fazerem um bebê bonito ecoava sua   ênfase na agência e autonomia pessoal em outros momentos da entrevista, como ao   escolher apenas parte de um sobrenome composto que deveria “tradicionalmente” ser passado assim.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A imprevisibilidade em torno da aparência do bebê   tornava-se uma dificuldade para Marina por causa de seu desejo de ter um bebê   bonito. Como uma psicóloga social que abraçava questões feministas, Marina   sentia-se muito ambivalente. Por um lado, via sua preocupação com beleza como   “fútil” e tentava reprimi-la, pois recém-nascidos não precisam ser belos e sim   saudáveis. Por outro lado, seu receio era tal que havia recentemente procurado   fotos de bebês no site de uma maternidade. Aqui parece haver uma dimensão de   gênero, pois outras gestantes que esperavam meninas também falaram da questão   da beleza. Como Daniela disse sobre o bebê que esperava, ela não precisava se   preocupar com sua aparência, pois ele era um menino e não seria problema se ele   não fosse bonito. Esta preocupação com a beleza das meninas não tinha aqui uma   relação com classe social, como apareceu no estudo de Edmonds (2012), pois   tanto as mulheres com pais de camadas médias como aquelas de trajetória   ascendente a expressavam. Mas a questão da beleza era ao mesmo tempo vista como   fútil, egoísta, moralmente problemática, pois o que as mães gestantes deveriam   realmente desejar era que seus bebês nascessem com saúde, como disse Laura no começo deste artigo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><em><b>“Deus não dá tudo”</b></em></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Simone disse que ela tinha visto o rosto do bebê   na última ultrassonografia. Tinha seu nariz de “batata” e a boca do marido,   Fernando. Ela comentou: “Acho que ele vai ser amarelinho da estrela.   Sararazinho, pretinho sararazinho. Fernando fala que vai botar ele no sol…   [risos] Eu e Fernando a gente queria [que ele fosse pretinho], mas a gente sabe   que não vai ser. Mas o Fernando fala que vai puxar a avó, o avô. Eu queria que   ele fosse retinto. Mas, Deus num dá tudo, né? [risos] Mas eu acho que vou amar   de qualquer forma assim. Clarinho, sendo pretinho, pouco pigmentado, muito   pigmentado. Preto vai ser”. Simone era uma socióloga muito falante e ativista   do movimento negro no Rio de Janeiro. Sua narrativa sobre a gravidez era composta   por várias outras narrativas sobre sua família – seu pai, um mulherengo   charmoso do candomblé; sua mãe, uma bela mulher que, “como toda mulher negra”   da época, trabalhou como empregada doméstica, cuidou dos filhos sozinha,   estudou e conseguiu se formar em enfermagem para morrer de câncer antes dos   cinquenta anos de idade; seu irmão distante, que nunca levou a vida a sério;   seus dez tios e tias, todos criados por sua mãe e muito presentes em seu   cotidiano. Ela contou a história de Fernando, também ativista negro, que nasceu   da união entre um nordestino de pele clara e uma mulher negra e pobre, mas foi   criado pela avó paterna, considerada sua mãe “branca”. Sua mãe biológica era   chamada pela avó de “macaca”, morava em uma favela e teve outros dez filhos, de   modo que Fernando tinha irmão “por toda a cidade”. Simone e Fernando tinham uma   relação conjugal estável, ao contrário dos pais dela que estavam se separando   quando ela foi gerada, tanto que sua mãe tentou “tirá-la” e nem havia escolhido   seu nome quando ela nasceu. Já seu bebê foi desejado por muito tempo e já tinha   nome – um nome de origem africana que começava com a inicial do nome da mãe de   Simone, para homenageá-la. Mas o tom de preto que ele teria permanecia um mistério.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A narrativa de Simone era distinta no modo como   ela conseguia conectar suas expectativas sobre seu bebê a sua própria história,   a do marido e de suas famílias. Ao longo de sua entrevista, a cor da pele era   um elemento recorrente, como um traço que identificava várias pessoas como negras   e que era passado de gerações anteriores aos seus descendentes. Era coerente   então que ela escolhesse a cor da pele do bebê como objeto de elaboração em seu   exercício de imaginação. Mais do que seu nariz de batata ou a boca de seu   marido, seria a cor preta – bem retinta – que o colocaria claramente na sua   rede de parentesco e na linhagem materna de seu marido. Como outras mulheres   negras entrevistadas, a cor preta era desejada para o bebê como traço que o   identificaria como negro, evidenciando não apenas uma origem africana mas também uma história familiar de muita “luta” na vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contudo, Simone oscilava entre desejar esta cor de   pele e saber que seu bebê não a teria. Como na história de Marina, ela também   se referiu a imagens obtidas através de ultrassonografias, que a fizeram dizer   que o bebê teria seu nariz e a boca de seu marido. Mas ao passo que a   tecnologia pode “revelar” estes traços, a cor da pele só poderia ser imaginada   e era vista como imprevisível: poderia ser muito escura, mas também clara, “amarelo”, nas palavras de Simone. Cabia a Deus decidir, pensava ela, assim como Valéria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao longo de sua narrativa, Deus e os orixás   africanos eram muito presentes mas explicavam coisas distintas. Deus era   responsável por aquilo que ela não sabia – porque ela demorou tanto para   engravidar, a cor da pele de seu bebê – e era visto como “não dando tudo”. Seus   orixás pareciam mais benevolentes e Simone atribuía a eles o apoio em diversos   momentos de sua vida, como quando conseguiu comprar seu apartamento. Mas eles   não foram invocados quando ela discutiu a cor da pele do bebê. Se a transmissão   de traços físicos parecia ser determinada pelo divino, restava a eles a possibilidade de pôr a criança no sol, para fazê-lo mais escuro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O significado da cor da pele do bebê também   aparecia na possibilidade mencionada por Simone de que ela não o amaria, caso   não tivesse a aparência desejada. Neste sentido, enquanto outras mulheres   precisaram afirmar a importância de ter uma boa saúde, mais do que uma boa   aparência, Simone foi a única que falou, ainda que em tom jocoso, sobre os   limites de seu papel de mãe. De fato, sua história era cheia de mães que   estavam muito distantes do modelo da mãe que se sacrifica pelos filhos (Mayblin   2011): sua avó alcoólatra que proibiu sua mãe de estudar para que ela cuidasse   dos irmãos, sua mãe que tentou interromper a gestação de Simone, a avó de   Fernando que o tomou de sua mãe negra, que aparentemente durante anos havia   deixado seu filho de lado. Sua narrativa revela assim pontos de tensão em torno   de como as mulheres desempenham seu papel de mães: se pensam mais nelas – em   seus próprios desejos, como ter o bebê com a aparência sonhada – ou nos filhos, amando-os independente de como nascem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A continuidade aperfeiçoada</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Laura, Valéria, Marina e Simone apresentaram suas   próprias formas de imaginar os bebês que esperavam, com particularidades e   semelhanças entre elas. Suas narrativas se distinguiam em termos do quão   imprevisível seria a aparência do bebê e das características específicas que   desejavam para eles. O modo de elaborar estas expectativas também era variado –   com ajuda de sonhos, imagens de ultrassonografias e histórias familiares –,   assim como era a maneira de lidar com o desconhecido – com referência a Deus,   aos orixás ou como um mistério. Elas também tinham experiências familiares   distintas, que em alguns casos se relacionavam a posições de classe ou pertencimentos étnicos ou raciais específicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, há regularidades em todas as quatro,   como nas outras gestantes pesquisadas, em torno do modo de imaginar o bebê.   Quero destacar aqui duas ideias centrais nas narrativas analisadas, dialogando   com alguns dos debates apresentados no início do artigo: o movimento de traçar   continuidade entre as pessoas, e a busca de diferenciação entre as gerações via o que chamei de aperfeiçoamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tomar o parentesco como processo implica em estar   atento a todas as formas contínuas de estabelecer, atualizar, rever as relações   que vinculam as pessoas dentro de uma rede de parentes. Assim, a gravidez é uma   experiência que recebe significados culturais muito distintos, como mostram,   por exemplo, os estudos de Morgan (1997) no Equador andino e de Ivry (2010) em   Israel, onde os vínculos com o bebê só começam a ser estabelecidos após seu   nascimento saudável. No universo que discuto aqui, o laço com o bebê durante a   gestação era ativamente construído não apenas pelos cuidados da mulher como mãe   que o via como “filho”, mas também através de referências constantes a   elementos que o ligavam ao pai, avós, tios, etc. Ter um nome e sobrenome   escolhidos e uma aparência imaginada com traços “puxados” da família eram modos de construir o bebê como fazendo parte de uma rede de parentesco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este exercício de imaginação pode ser visto como   um esforço de conectar gerações passadas e presentes de uma rede de parentesco   a uma futura que estava por se iniciar. Neste sentido, inverte o movimento   estudado por Cannell (2011) dos ingleses que buscavam suas genealogias. Cannell   argumenta como o interesse em descobrir antepassados e fazer genealogias seria   uma forma de construir vínculos com os mortos. Vejo o movimento das gestantes   de imaginar as características do bebê esperado como um modo de projetar para o   futuro laços com um ser ainda não nascido. Os traços imaginados para o bebê eram   sempre características físicas que eram “puxadas” de suas famílias e das de   seus maridos. Se a semelhança física pode ser considerada um modo de visualizar   conexões entre as pessoas (Carsten 2000b; Cussins 1998; Nordqvist 2010), sua   projeção parecia também criar continuidade entre o bebê, seus pais e suas redes de parentesco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contudo, neste processo de projetar vínculos,   algumas pessoas da rede ganhavam mais ênfase do que outras. Pina-Cabral (2013)   discute como as pessoas negociam suas identidades continuadas com aqueles que   fizeram parte de sua constituição individual, como na escolha de um nome como   sendo mais “verdadeiro” que outros (Pina-Cabral 2010). Estas escolhas revelam   aquelas relações que têm mais significado ou presença que outras, tendo assim maior   “peso ontológico”. Na gravidez, as mulheres não apenas evocam seus passados,   mas projetam esta evocação para o futuro, selecionando aqueles traços físicos   familiares que gostariam de ver nos filhos. Assim, Marina queria que a filha se   parecesse com a sua família portuguesa, de quem ela era tão próxima, achando   feio o queixo da família de seu marido, com quem tinha muitas diferenças de   opinião. Laura desejava para a filha a sobrancelha da família de seu pai, que   havia falecido quando ela era pequena e cuja mãe havia sido muito presente em   sua criação. De fato, quando elas desejavam que seus bebês “puxassem” o melhor   de cada família, havia ali uma visão particular da continuidade familiar – uma   que seria aperfeiçoada, resultando na criança uma combinação de feições distinta e única.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta continuidade aperfeiçoada revela, portanto,   uma dimensão estética significativa. A preocupação com a beleza, em particular   dos bebês meninas, foi constante nas narrativas e remete a construções   culturais específicas do que seja belo ou, ao contrário, feio. Gomes (2011)   argumenta que a beleza não se refere às qualidades   dos objetos, mas à   relação entre sujeito e objeto, pautada em códigos culturais sobre o   belo e o feio. No caso da sociedade brasileira, “o padrão [de beleza] ideal é branco, mas o real é negro e mestiço” (Gomes   2011: 54) e a beleza é uma qualidade mais significativa para mulheres do que   para homens. Embora Edmonds (2010: 20) não veja esta hierarquia da beleza como   um reflexo simples das hierarquias de <em>status</em> e riqueza, no meu estudo elas   estão articuladas estreitamente nos casos em que a ascensão social está   presente na trajetória de gestantes brancas. Entre estas, havia uma preferência   generalizada por olhos claros, cabelos ondulados (mas não crespos, como os de   pessoas negras) e nariz afilado. Um fenótipo mais próximo do europeu   simbolizava ascendência social e era assim desejado para os bebês. O fenótipo   negro, associado em geral com as camadas sociais inferiores, era nitidamente   desvalorizado, ao passo que traços associados ao europeu do norte eram mais   desejados. Para aquelas que já vinham de famílias de camadas médias, como   Marina e Laura, as características do fenótipo europeu não eram tão   importantes, de forma que elas se detiveram em traços menos simbólicos como o   formato do queixo ou da sobrancelha. Por sua vez, o crescimento de uma classe   média negra nas últimas décadas começa a produzir novos desejos, como o de   Simone e de outras gestantes negras que queriam para seus filhos uma pele muito   escura, nariz arredondado e cabelos crespos (ver também Gomes 2011; Souza 2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A beleza desejada para o bebê figura então como um   bem “herdado” da família – forma de mostrar continuidade –, ao mesmo tempo em   que deve ser única ao filho/a. Se no estudo de Edmonds (2010) a   beleza é uma meta a ser conquistada ao longo da vida através de várias formas   de intervenção no corpo, para as mulheres estudadas é um legado familiar com o   qual começar a vida, que conecta de forma diferenciada as gerações. O bebê   esperado aparece, portanto, como um ser cujo desenvolvimento no útero deve ser   cuidado, e também por meio do qual as relações de parentesco são atualizadas e   projetos de afirmação social – seja em termos de posição social, identidade   racial ou étnica – são elaborados. Ao mesmo tempo em que o bebê é   cuidadosamente inserido em uma rede de relações previamente existente, por meio   dele se projeta uma nova linhagem que é simultaneamente uma nova geração da   família e uma afirmação de posições almejadas, em consolidação ou já estabelecidas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CANNELL, Fenella, 2011, “English ancestors: the   moral possibilities of popular genealogy”, <em>Journal of the Royal Anthropological Institute</em>, n.s., 17&nbsp;(3): 462-480.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192180&pid=S0873-6561201600020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CARSTEN, Janet, 2000a, “Introduction: cultures   of relatedness”, em Janet Carsten (org.), <em>Cultures of Relatedness</em>. Cambridge, Cambridge University Press, 1-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192182&pid=S0873-6561201600020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CARSTEN, Janet, 2000b, “&nbsp;‘Knowing where   you’ve come from’: ruptures and continuities of time and kinship in narratives   of adoption reunions”, <em>Journal of the Royal Anthropological Institute</em>, n.s., 6&nbsp;(4): 687-703.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192184&pid=S0873-6561201600020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CHAZAN, Lilian Krakowski, 2007, <em>“Meio Quilo de   Gente!” Um Estudo Antropológico sobre Ultra-Som Obstétrico</em>. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192186&pid=S0873-6561201600020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CUSSINS, Charis M., 1998, “Quit sniveling,   cryo-baby: we’ll work out which one’s your mama!”, em Robbie Davis-Floyd e Joseph Dumit (orgs.), <em>Cyborg Babies: From Tecnho-Sex to Techno-Tots</em>. Londres, Routledge, 40-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192188&pid=S0873-6561201600020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DELILLE, Gérard, 2013, “The shed blood of   Christ: from blood as metaphor to blood as bearer of identity”, em Christopher   H. Johnson <i>et al.</i> (orgs.), <em>Blood &amp; Kinship: Matter for Metaphor from     Ancient Rome to the Present</em>. Nova Iorque, Berghahn Books, 125-143.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192190&pid=S0873-6561201600020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DUARTE, Luiz Fernando Dias, e Edlaine de Campos   GOMES, 2008, <em>Três Famílias: Identidades e Trajetórias Transgeracionais nas     Classes Populares</em>. Rio de Janeiro, FGV/Finep/CNPq.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192192&pid=S0873-6561201600020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">EDMONDS, Alexander, 2010, <em>Pretty Modern:   Beauty, Sex, and Plastic Surgery in Brazil</em>. Durham e Londres, Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192194&pid=S0873-6561201600020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">EDMONDS, Alexander, 2012, “A right to beauty”, <em>Anthropology Now</em>, disponível em <a href="http://anthronow.com/print/alex-edmonds-a-right-to-beauty" target="_blank">http://anthronow.com/print/alex-edmonds-a-right-to-beauty</a> (última consulta em maio de 2016).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192196&pid=S0873-6561201600020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ESSNER, Cornelia, 2013, “Nazi anti-Semitism and   the question of ‘Jewish blood’”, em   Christopher H.&nbsp;Johnson <i>et al.</i> (orgs.), <em>Blood and Kinship: Matter for Metaphor from Ancient Rome to the     Present</em>. Nova Iorque, Berghahn Books, 227-243.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192198&pid=S0873-6561201600020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FERNANDES, Florestan, 1965, <em>A Integração do Negro na Sociedade de Classes</em>. São Paulo, Dominus/Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192200&pid=S0873-6561201600020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FONSECA, Claudia, 2004, “A certeza que pariu a dúvida: paternidade e DNA”, <em>Estudos Feministas</em>, 12&nbsp;(2): 13-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192202&pid=S0873-6561201600020000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FONSECA, Claudia, 2007, “Apresentação – de   família, reprodução e parentesco: algumas reconsiderações”, <em>Cadernos Pagu</em>, 29: 9-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192204&pid=S0873-6561201600020000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREYRE, Gilberto, 1981, <em>Casa Grande &amp; Senzala</em>. Rio de Janeiro, José Olympio (21.ª&nbsp;edição).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192206&pid=S0873-6561201600020000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FRY, Peter, 2005, <em>A Persistência da Raça: Ensaios   Antropológicos sobre o Brasil e a África Austral</em>. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192208&pid=S0873-6561201600020000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GOMES, Nilma Lino, 2011, “Movimento negro, saberes   e a tensão regulação-emancipação do corpo e da corporeidade negra”, <em>Contemporânea</em>, 2: 37-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192210&pid=S0873-6561201600020000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GOW, Peter, 1997, “O parentesco piro como consciência humana”, <em>Mana</em>, 3&nbsp;(2): 39-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192212&pid=S0873-6561201600020000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HASENBALG, Carlos, 1979, <em>Discriminação e Desigualdades Raciais no Brasil</em>. Rio de Janeiro, Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192214&pid=S0873-6561201600020000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HOLANDA, Sérgio Buarque de, 1982, <em>Raízes do Brasil</em>. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio (15.ª&nbsp;edição).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192216&pid=S0873-6561201600020000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HOLY, Ladislav, 1996, <em>Anthropological Perspectives on Kinship</em>. Londres, Pluto Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192218&pid=S0873-6561201600020000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">IVRY, Tsipy, 2010, <em>Embodying Culture: Pregnancy in Japan and Israel</em>. New Brunswick e ­Londres, Rutgers University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192220&pid=S0873-6561201600020000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">JOHNSON, Christopher H., <i>et al.</i> (orgs.), 2013, <em>Blood and Kinship: Matter for Metaphor from Ancient Rome to the Present</em>. Nova Iorque, Berghahn Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192222&pid=S0873-6561201600020000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LUNA, Naara, 2002, “Maternidade desnaturada: uma   análise da barriga de aluguel e da doação de óvulos”, <em>Cadernos Pagu</em>, 19: 233-278.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192224&pid=S0873-6561201600020000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Maggie, Yvonne, 1992, “&nbsp;‘Aqueles a quem foi negada a   cor do dia’: as categorias de cor e raça na cultura brasileira”, apresentado no <em>Seminário Internacional sobre Racismo e Relações Raciais nos Países da Diáspora Africana</em>, Rio de Janeiro, Centro de Estudos Afro-Asiáticos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192226&pid=S0873-6561201600020000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MAYBLIN, Maya, 2011, “The madness of mothers:   Agape love and the maternal myth in Northeast Brazil”, <em>American Anthropologist</em>, 114&nbsp;(2): 240-252.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192228&pid=S0873-6561201600020000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">McCALLUM, Cecilia, e Vania BUSTAMANTE, 2012,   “Parentesco, gênero e individuação no cotidiano da casa em um bairro popular de Salvador da Bahia”, <em>Etnográfica</em>, 16&nbsp;(2): 221-246.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192230&pid=S0873-6561201600020000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MORGAN, Lynn, 1997, “Imagining the unborn in the Ecuadorean Andes”, <em>Feminist Studies</em>, 23&nbsp;(2): 323-350.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192232&pid=S0873-6561201600020000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MOTTA, Flavia Mattos, 2007, “&nbsp;‘Em nome do pai e em nome da   mãe’: gênero e significado no estudo dos nomes”, em João de Pina-Cabral e   Susana de Matos Viegas (orgs.), <em>Nomes: Gênero, Etnicidade e Família</em>. Coimbra, Almedina, 121-143.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192234&pid=S0873-6561201600020000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">NOGUEIRA, Oracy, 1985, “Preconceito racial de   marca e preconceito racial de origem”, em Oracy Nogueira, <em>Tanto Preto quanto     Branco</em>. São Paulo, T.&nbsp;Queirós, 67-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192236&pid=S0873-6561201600020000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">NORDQVIST, Petra, 2010, “Out of sight, out of   mind: family resemblances in lesbian donor conception”, <em>Sociology</em>, 44&nbsp;(6): 1128-1144.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192238&pid=S0873-6561201600020000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PEIXOTO, Clarice Ehlers, e Vincenzo CICCHELLI,   2000, “Sociologia e antropologia da vida privada na Europa e no Brasil: os   paradoxos da mudança”, em Clarice Ehlers Peixoto, François de Singly e Vincenzo   Cicchelli (orgs.), <em>Família e Individualização</em>. Rio de Janeiro, FGV Editora , 7-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192240&pid=S0873-6561201600020000100031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PINA-CABRAL, João de, 2010, “The truth of personal names”, <em>Journal of the Royal Anthropological Institute</em>, 16:&nbsp;297-312.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192242&pid=S0873-6561201600020000100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PINA-CABRAL, João de, 2013, “The core of   affects: namer and named in Bahia (Brazil)”, <em>Journal of the Royal Anthropological Institute</em>, 19:&nbsp;75-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192244&pid=S0873-6561201600020000100033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RADCLIFFE-BROWN, A.R., 2013, “Estudos dos   sistemas de parentesco”, em A.&nbsp;R.   Radcliffe-Brown. <em>Estrutura e Função na Sociedade Primitiva</em>. Petrópolis, Vozes, 49-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192246&pid=S0873-6561201600020000100034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">REZENDE, Claudia Barcellos, 2012, “Em torno da   ansiedade: subjetividade, mudança e gravidez”, <em>Interseções</em>, 14&nbsp;(2): 438-454.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192248&pid=S0873-6561201600020000100035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">REZENDE, Claudia Barcellos, 2015, “Nomes que   (des)conectam: gravidez e parentesco no Rio de Janeiro”, <em>Mana</em>, 21&nbsp;(3): 587-607.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192250&pid=S0873-6561201600020000100036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RODRIGUES, Nina, 1983, <em>As Raças Humanas e a   Responsabilidade Penal no Brasil</em>. São Paulo, Companhia Editora Nacional (3.ª&nbsp;edição).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192252&pid=S0873-6561201600020000100037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ROMERO, Sylvio, 1949, <em>História da Literatura Brasileira</em>. Rio de Janeiro, Livraria José ­Olympio (4.ª&nbsp;edição).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192254&pid=S0873-6561201600020000100038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SABEAN, David Warren, 2013, “Descent and   alliance: cultural meanings of blood in the Baroque”, em Christopher H.&nbsp;Johnson <i>et al.</i> (orgs.), <em>Blood and     Kinship: Matter for Metaphor from Ancient Rome to the Present</em>. Nova Iorque, Berghahn Books, 144-174.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192256&pid=S0873-6561201600020000100039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SAHLINS, Marshall, 2011, “What kinship is” (part one), <em>Journal of the Royal Anthropological Institute</em>, 17: 2-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192258&pid=S0873-6561201600020000100040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SCHNEIDER, David, 1980, <em>American Kinship: A Cultural Account</em>. Chicago, The University of Chicago Press (2.ª&nbsp;edição).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192260&pid=S0873-6561201600020000100041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SOUZA, Guilherme Nogueira de, 2012, “Negros nas   camadas médias e os dilemas da ascensão: identidades e trajetórias na região   metropolitana do Rio de Janeiro”. Rio de Janeiro, Programa de Pós-Gradução em Ciências Sociais, UERJ, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192262&pid=S0873-6561201600020000100042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">STRATHERN, Marilyn, 1992, <em>After Nature: English Kinship in the Late Twentieth Century.</em> ­Cambridge, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192264&pid=S0873-6561201600020000100043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TAYLOR, J.S., 1998, “Images of contradiction:   obstetrical ultrasound in American culture”, em Sarah Franklin e Helena Ragoné   (orgs.), <em>Reproducing Reproduction: Kinship, Power, and Technological Innovation</em>.   Filadélfia, University of Philadelphia Press, 15-45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192266&pid=S0873-6561201600020000100044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VIEGAS, Susana de Matos, 2007, <em>Terra Calada: Os Tupinambás na Mata Atlântica do Sul da Bahia</em>. Rio de Janeiro, 7&nbsp;Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192268&pid=S0873-6561201600020000100045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VILAÇA, Aparecida, 2002, “Making kin out of   others in Amazonia”, <em>Journal of the Royal Anthropological Institute</em>, 8: 347-365.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192270&pid=S0873-6561201600020000100046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">WAGLEY, Charles (org.), 1952, <em>Race and Class in Rural Brazil</em>. Paris, UNESCO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=192272&pid=S0873-6561201600020000100047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>       Uma   primeira versão deste artigo foi apresentada no XII Congresso   Luso-Afro-Brasileiro, em fevereiro de 2015, em Lisboa, e agradeço os comentários de Susana de Matos Viegas, João de Pina-Cabral e Cecilia McCallum.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>       Ver os   trabalhos de Pina-Cabral (2010, 2013) e McCallum e Bustamante (2012) na Bahia,   ambos em segmentos populares, respectivamente no Baixo Sul e em Salvador. Os   estudos sobre as novas tecnologias reprodutivas (Fonseca 2004; Chazan 2007;   Luna 2002) têm sido um caminho importante para propor formas distintas de construir o parentesco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>       Os   dados analisados aqui resultam da pesquisa “Pertencimento e parentesco na   gravidez”, apoiada pelo Programa Pro-Ciência da UERJ, pelo CNPq (Bolsa de   Produtividade) e pela Capes (Bolsa Estágio Sênior). Priscilla Silva, Thales Moraes e Bruno Hammes participaram como assistentes de pesquisa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>       Para   outras percepções da relação entre gestante e feto, ver Ivry (2010) e Morgan (1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>       Ver   Chazan (2007) e Taylor (1998) sobre a importância do elemento visual das ultrassonografias como forma de tornar o bebê “real”.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a>       Ao   contrário de outras sociedades, como na região andina do Equador estudada por   Morgan (1997), em que as características físicas e morais do bebê só eram vistas como fluidas e se formavam após o nascimento.</font></p>      ]]></body><back>
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