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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O verbo e o gesto: corporeidade e performance nas folias de reis]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Folias de reis are popular religious manifestations which have great importance in some regions of Brazil. During the Christmas cycle, folias&#8217; pilgrims start their journey in urban and rural areas conveying the sacred word to devotees of the Holy Kings; in return they receive donations, food and lodging, thus putting into movement the donation system. Not coincidentally, the understanding of these groups finds in the work of Marcel Mauss (1872-1950) a source of inspirational analysis. In particular, the body, in its performative, gestural, and emotional dimensions, occupies a symbolic centrality in folias, revealing a complex system of &#8220;elementary gestures of reciprocity&#8221;. The analysis is developed based on ethnography elaborated among a folia known as Estrela Guia, in its pilgrimage through the city of Vassouras (RJ), in the years 2012 and 2013.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="4" face="Verdana">O verbo e o   gesto: corporeidade e performance nas folias de reis</font></b></P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">The word   and gesture: embodiment and performance in <I>folias de reis</I></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>      <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="2" face="Verdana"> Gilmar   Rocha<sup>I</sup> </font></b></P>      <P><font size="2" face="Verdana">   <sup>I</sup>Universidade Federal Fluminense (UFF), Brasil. <i>E-mail:</i> <A HREF="mailto:gr@id.uff.br">gr@id.uff.br</A></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <hr noshade size="1">     <P><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">Folias   de reis s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es de religiosidade   popular de grande import&acirc;ncia em algumas localidades do Brasil.   Durante o ciclo natalino as folias saem em peregrina&ccedil;&atilde;o   nas &aacute;reas urbanas e rurais levando a palavra sagrada aos   devotos dos Santos Reis; em troca recebem doa&ccedil;&otilde;es,   comida e pousada, colocando em circula&ccedil;&atilde;o o sistema da   d&aacute;diva. N&atilde;o por acaso, a compreens&atilde;o desses   grupos precat&oacute;rios encontra na obra de Marcel Mauss   (1872-1950) uma fonte de an&aacute;lise inspiradora. Em especial o   corpo, em sua dimens&atilde;o performativa, gestual, emocional, ocupa   uma centralidade simb&oacute;lica nas folias, nos deixando ver um   complexo sistema de &ldquo;gestos elementares da reciprocidade&rdquo;.   A an&aacute;lise se desenvolve com base em etnografia realizada junto   &agrave; folia Estrela Guia, em suas jornadas na regi&atilde;o de Vassouras (RJ), nos anos de 2012 e 2013.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> <b>Palavra-chave:</b> d&aacute;diva, corpo, gestos, emo&ccedil;&atilde;o, folia de reis.</font></P> <hr noshade size="1">     <P><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><I>Folias     de reis</I> are popular religious manifestations which have great     importance in some regions of Brazil. During the Christmas cycle,     <I>folias</I>&rsquo; pilgrims start their journey in urban and rural     areas conveying the sacred word to devotees of the Holy Kings; in     return they receive donations, food and lodging, thus putting into     movement the donation system. Not coincidentally, the understanding     of these groups finds in the work of Marcel Mauss (1872-1950) a     source of inspirational analysis. In particular, the body, in its     performative, gestural, and emotional dimensions, occupies a symbolic     centrality in <I>folias</I>, revealing a complex system of   &ldquo;elementary gestures of reciprocity&rdquo;. The analysis is     developed based on ethnography elaborated among a <I>folia</I> known     as Estrela Guia, in its pilgrimage through the city of Vassouras (RJ), in the years 2012 and 2013.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">   <b>Keywords:</b> gift, body, gesture, emotion, <I>folia de reis</I></font>.</P> <hr noshade size="1">     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;&hellip; &lsquo;sem a iniciativa de um gesto gracioso&rsquo;,       para usarmos as palavras de Arist&oacute;teles, nada pode existir&rdquo;     (Godbout 1999:&nbsp;157).</font></p> </blockquote>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana">O corpo fala</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A folia chegou em visita &agrave; casa do &ldquo;Seu Lelo&rdquo;, no   bairro da Granja, na distante Paty do Alferes (RJ), aproximadamente a   80 quil&oacute;metros da cidade de Vassouras (RJ), por volta das   14&nbsp;h.<A NAME="sdfootnote1anc" HREF="#sdfootnote1sym"><SUP>1</SUP></A> A casa, localizada no final da rua, de cor azul-claro, parecia ser a   continua&ccedil;&atilde;o do c&eacute;u na terra, tal era a   luminosidade do dia. O pres&eacute;pio estava montado na entrada da   casa, local no qual se misturavam os espa&ccedil;os da varanda com o   da garagem. A lateral coberta com uma prote&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica   transparente impedia a circula&ccedil;&atilde;o do ar e evitava a   entrada da poeira da rua ainda sem pavimenta&ccedil;&atilde;o. Aquela   &ldquo;vitrina&rdquo; transformou o lugar numa esp&eacute;cie de   estufa. O notici&aacute;rio jornal&iacute;stico da noite ratificaria   a suspeita de alguns foli&otilde;es: o dia 26 de dezembro de 2013 foi o mais quente do ano.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Ao longo de duas horas e quarenta minutos, tempo marcado em meu   rel&oacute;gio, a folia rezou. Embora fosse not&oacute;rio o forte   calor do lado externo da casa, a sensa&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica   do lado de dentro ultrapassava os 40&deg;&nbsp;C. A indument&aacute;ria   dos foli&otilde;es, confeccionada com tecido sint&eacute;tico,   impedia o resfriamento pela transpira&ccedil;&atilde;o do corpo e,   somada ao peso dos instrumentos e &agrave; posi&ccedil;&atilde;o   est&aacute;tica e repetitiva da &ldquo;ladainha&rdquo; (chamada de   &ldquo;cantoria&rdquo; pelos foli&otilde;es), contribu&iacute;a para   o clima sufocante. V&aacute;rios foli&otilde;es passaram mal durante   o rito. Posteriormente, o Sr.&nbsp;Ant&ocirc;nio Ven&acirc;ncio, o   mestre foli&atilde;o, me lembraria que precisou fazer uma reza   bonita, pois ficou devendo uma visita no ano anterior. Ent&atilde;o,   a reza desse ano teria que ser mais elaborada. De fato, aquela longa   reza explorou detalhes da jornada dos Reis Magos em dire&ccedil;&atilde;o   ao local de nascimento do menino Jesus que poucas vezes ouvi em   outras visitas. Como fiz notar em meu caderno de campo, &ldquo;foi   importante ter passado por essa experi&ecirc;ncia; ela ajudou a   desenvolver a percep&ccedil;&atilde;o dos limites que o corpo   enfrenta na miss&atilde;o&rdquo;. E mais, a percep&ccedil;&atilde;o   de que o mito se misturava ao rito tamb&eacute;m ganhava express&atilde;o,   pois tornava claro o fato de que a performance ritual, vivida naquele   momento, restaurava o drama m&iacute;tico vivido pelas personagens   b&iacute;blicas. Em outras palavras, de novo recorrendo &agrave;s   minhas anota&ccedil;&otilde;es de campo, naquele momento passei a   entender &ldquo;na pele&rdquo; que &ldquo;o sacrif&iacute;cio ou   mart&iacute;rio que, por vezes, o corpo enfrenta durante a jornada   serve para lembrar o mart&iacute;rio e o sofrimento vividos por   Jesus, Jos&eacute; e Maria, bem como pelos tr&ecirc;s Reis Magos,   pois a folia vive, nestes momentos, situa&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;s que os Santos b&iacute;blicos viveram&rdquo;.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Esse epis&oacute;dio, que me serve de introdu&ccedil;&atilde;o, re&uacute;ne   os principais elementos que formam o objeto da an&aacute;lise desse   ensaio. Importa destacar nesse relato, resultado da observa&ccedil;&atilde;o   participante junto &agrave; folia de reis Estrela Guia durante as   jornadas de 2012 e 2013, o significado do corpo enquanto performance   verbal e gestual no curso do processo ritual.<A NAME="sdfootnote2anc" HREF="#sdfootnote2sym"><SUP>2</SUP></A> As jornadas, tamb&eacute;m conhecidas como &ldquo;giro&rdquo;, podem   ser definidas ritualmente como um momento no qual se vive uma   experi&ecirc;ncia dram&aacute;tica, extraordinariamente densa,   gr&aacute;vida de motiva&ccedil;&otilde;es religiosas e de   disposi&ccedil;&otilde;es corporais que duram 13 dias.<A NAME="sdfootnote3anc" HREF="#sdfootnote3sym"><SUP>3</SUP></A> Seu in&iacute;cio &eacute; na virada do dia 24 para o dia 25 de   dezembro, tempo de abertura do rito, e t&eacute;rmino &agrave;   meia-noite do dia 06 de janeiro, com o rito de &ldquo;fechamento&rdquo;,   dia de celebra&ccedil;&atilde;o dos Santos Reis, conforme o   calend&aacute;rio crist&atilde;o.<A NAME="sdfootnote4anc" HREF="#sdfootnote4sym"><SUP>4</SUP></A> Ao longo desse per&iacute;odo, intercalado pelo repetido movimento   das &ldquo;marchas&rdquo;, da &ldquo;visita&rdquo;, da &ldquo;roda&rdquo;   e do &ldquo;pouso&rdquo; realizado pelas folias,<A NAME="sdfootnote5anc" HREF="#sdfootnote5sym"><SUP>5</SUP></A> o corpo adquire not&oacute;ria express&atilde;o gestual e emocional,   nos deixando ver quanto &eacute; fundamental a compreens&atilde;o de   sua performatividade enquanto corporeidade, revelando-se um dos fundamentos das folias.<A NAME="sdfootnote6anc" HREF="#sdfootnote6sym"><SUP>6</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Minha hip&oacute;tese &eacute; que, por tr&aacute;s do sistema da   d&aacute;diva, haver&aacute; uma economia simb&oacute;lica dos gestos   que lhe d&aacute; &ldquo;corpo&rdquo;. Afinal, como Durand citando   Mauss, &ldquo;acredito firmemente que a primeira &lsquo;linguagem&rsquo;,   o &lsquo;verbo&rsquo;, &eacute; express&atilde;o corporal&rdquo; (1998:&nbsp;75).</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana"> Corpo e alma da reciprocidade</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> N&atilde;o por acaso, encontro em Marcel Mauss (1872-1950) a   principal fonte de inspira&ccedil;&atilde;o desse ensaio, pois o   sacrif&iacute;cio, a prece, a express&atilde;o dos sentimentos, as   t&eacute;cnicas do corpo, a d&aacute;diva, temas e objetos analisados   pelo etn&oacute;logo franc&ecirc;s, parecem reunidos no mundo ritual   das folias. Aten&ccedil;&atilde;o especial &eacute; dedicada ao   corpo, na medida em que assume um lugar estrutural em sua   antropologia, a exemplo do fato social total consagrado no cl&aacute;ssico   &ldquo;Ensaio sobre a d&aacute;diva&rdquo; (2003 [1925]). Em estudo   anterior, salientei que o corpo &ldquo;se apresenta como a inscri&ccedil;&atilde;o   fenomenol&oacute;gica de seu pensamento. O corpo &eacute; a medida   emp&iacute;rica do concreto, o que faz do homem um ser de &lsquo;carne   e osso&rsquo;, e n&atilde;o uma abstra&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Rocha   2011: 79). No ensaio &ldquo;As t&eacute;cnicas do corpo&rdquo;,   originalmente uma palestra proferida aos psic&oacute;logos em 1934 e   que &eacute; para muitos o embri&atilde;o da antropologia do corpo,   Mauss confere a este a qualidade de ser &ldquo;o primeiro e o mais   natural instrumento do homem&rdquo; (2003 [1934]: 407) e, como tal,   seu objeto e meio t&eacute;cnico. Assim, o corpo &eacute; tanto   objeto quanto sujeito da cultura, numa palavra, um conjunto de   t&eacute;cnicas cujo significado n&atilde;o se reduz &agrave; ideia   de instrumento, mas atos tradicionais e eficazes que n&atilde;o   diferem da experi&ecirc;ncia m&aacute;gica, religiosa, simb&oacute;lica.   Em outras palavras, as t&eacute;cnicas corporais ou a &ldquo;arte de   utilizar o corpo&rdquo; s&atilde;o o resultado de processos   educativos transmitidos tradicionalmente. Andar, nadar, correr,   dormir, etc., mais do que simples atos e gestos naturais, s&atilde;o   t&eacute;cnicas desenvolvidas ao longo da hist&oacute;ria, por meio   da educa&ccedil;&atilde;o. O corpo, ent&atilde;o, &eacute; menos uma   quest&atilde;o de biologia do que a soma desses elementos. Mais do   que um dado natural, &eacute; o uso ou a maneira como o homem dele se   serve que permite pensar o corpo como fato social total. De resto,   Mauss adverte ainda para o fato de que a apreens&atilde;o das   t&eacute;cnicas do corpo deve ser orientada pelo tr&iacute;plice   ponto de vista do &ldquo;homem total&rdquo;. Nas folias, o corpo e a   d&aacute;diva formam uma combina&ccedil;&atilde;o que lembra a   rela&ccedil;&atilde;o corpo e alma; o corpo se erige, ent&atilde;o,   em sistema de gestualidades complementares &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es   de dar, receber e retribuir. Essa rela&ccedil;&atilde;o ser&aacute;   reafirmada ainda com a observa&ccedil;&atilde;o de Mauss acerca da   exist&ecirc;ncia de uma quarta obriga&ccedil;&atilde;o: &ldquo;o   presente dado aos homens em vista dos deuses e da natureza&rdquo;   (2003 [1925]: 203). Os gestos de orar, pedir, ofertar, agradecer,   acionados nos ritos de sacrif&iacute;cio e nas preces, podem ser   incorporados &agrave; d&aacute;diva e compreendidos como a sua objetifica&ccedil;&atilde;o performativa.<A NAME="sdfootnote7anc" HREF="#sdfootnote7sym"><SUP>7</SUP></A></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> O soci&oacute;logo Alain Caill&eacute; reconheceu o car&aacute;ter   provis&oacute;rio e especulativo da quarta obriga&ccedil;&atilde;o no   &ldquo;Ensaio&rdquo;, e destacou: &ldquo;Alguns amigos ou   comentadores nos chamaram a aten&ccedil;&atilde;o com boas raz&otilde;es   para o fato de que n&atilde;o se poderia compreender o dom sem o   pedido, e mais que tr&ecirc;s tempos, o sistema do dom comportaria   quatro, organizados em dois pares, o pedido e o dom que o atende, a   recep&ccedil;&atilde;o do dom e a sua retribui&ccedil;&atilde;o.   Note-se que &eacute; sobre a quintess&ecirc;ncia cristalizada do dom,   sobre a ora&ccedil;&atilde;o, que deveria tratar a tese de M.&nbsp;Mauss&rdquo;   (2002: 304). Ao aproximar ora&ccedil;&atilde;o e d&aacute;diva,   Caill&eacute; nos convida a pensar o pedido como um gesto. Mas todo o   complexo sistema de gestualidades est&aacute; incompleto sem o   sacrif&iacute;cio, na medida em que remete para a simb&oacute;lica   gestual da oferta. Portanto, as obriga&ccedil;&otilde;es de dar, de   receber e de retribuir, incorporadas nos atos de ofertar e de rezar,   revelam uma economia simb&oacute;lica dos gestos na qual se evidencia   o princ&iacute;pio da reciprocidade que sustenta e regulamenta todo   sistema da d&aacute;diva. Tal economia simb&oacute;lica forma o que   estou chamando, numa clara refer&ecirc;ncia a Durkheim e L&eacute;vi-Strauss, de &ldquo;gestos elementares da reciprocidade&rdquo;.<A NAME="sdfootnote8anc" HREF="#sdfootnote8sym"><SUP>8</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Mesmo que cada gesto expresse uma fun&ccedil;&atilde;o social   espec&iacute;fica, deve ser visto como parte do complexo sistema da   d&aacute;diva, no qual o verbo e o gesto se retroalimentam. Segundo   Mauss, &ldquo;[n]o fundo, tudo aqui se mistura, corpo, alma,   sociedade&rdquo; (2003 [1924]: 336). Nestes termos, a efic&aacute;cia   simb&oacute;lica da d&aacute;diva reside na a&ccedil;&atilde;o   inscrita nos gestos que a objetificam.<A NAME="sdfootnote9anc" HREF="#sdfootnote9sym"><SUP>9</SUP></A> Mauss se interessa tanto pela a&ccedil;&atilde;o quanto pelo seu   resultado. Assim, o ato de dar se revela t&atilde;o importante quanto   o que &eacute; dado, o ato de receber quanto o que &eacute; recebido,   o ato de doar quanto o que &eacute; doado, o ato de   ofertar    /    sacrificar quanto o objeto sacrificado, enfim,   o ato de pedir    /    agradecer quanto a gra&ccedil;a   alcan&ccedil;ada. Ent&atilde;o, o corpo (e seus gestos, suas   t&eacute;cnicas, suas emo&ccedil;&otilde;es, enfim, sua <I>hexis</I><A NAME="sdfootnote10anc" HREF="#sdfootnote10sym"><SUP>10</SUP></A>),   sob a inspira&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de fato social   total, constitui-se o fato privilegiado a partir do qual se pode   apreender o sistema da d&aacute;diva, bem como o &ldquo;homem total&rdquo;   de Mauss, sendo as folias de reis &ldquo;funcionalmente&rdquo; exemplares a esse prop&oacute;sito.<A NAME="sdfootnote11anc" HREF="#sdfootnote11sym"><SUP>11</SUP></A></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana"> Estrutura e liminaridade</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> As folias de reis s&atilde;o algumas das mais significativas   manifesta&ccedil;&otilde;es culturais de religiosidade popular do   catolicismo brasileiro. Dentre as muitas possibilidades de defini&ccedil;&atilde;o,   Carlos Rodrigues Brand&atilde;o (1983) as concebe como express&atilde;o   ritual de grupos precat&oacute;rios (rogat&oacute;rios) de devotos   dos Santos Reis (os tr&ecirc;s Reis Magos), &ldquo;viajeiros&rdquo;   que percorrem longas jornadas entre os dias 25 de dezembro e 06 de   janeiro, visitando casas, recebendo d&aacute;divas, renovando   promessas, anunciando festejos, levando esperan&ccedil;as, promovendo   gra&ccedil;as.<A NAME="sdfootnote12anc" HREF="#sdfootnote12sym"><SUP>12</SUP></A> Em m&eacute;dia as folias s&atilde;o compostas por cerca de 30   pessoas, de crian&ccedil;as de pouca idade a idosos octogen&aacute;rios.   Poucas s&atilde;o as mulheres que realizam as jornadas. Na maioria   das vezes, sua participa&ccedil;&atilde;o se restringe &agrave;   atividade de confec&ccedil;&atilde;o das indument&aacute;rias e,   principalmente, ao preparo das refei&ccedil;&otilde;es no dia do   fechamento da jornada e durante as &ldquo;festas de reis&rdquo; &ndash; tamb&eacute;m conhecidas como &ldquo;festas de arremate&rdquo;.<A NAME="sdfootnote13anc" HREF="#sdfootnote13sym"><SUP>13</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> De um modo geral, as folias apresentam grande variedade de   organiza&ccedil;&atilde;o, estrutura e ritual, como atestam alguns   estudos regionais sobre o tema (Bitter 2008). Na esteira das   abordagens que pensam as folias de reis como fen&ocirc;meno social   assentado no sistema da d&aacute;diva (Brand&atilde;o 1981; Bitter   2010; entre outros), tamb&eacute;m o simb&oacute;lico, o gestual, o   ritual, o sacrif&iacute;cio, a express&atilde;o obrigat&oacute;ria   dos sentimentos, as categorias do entendimento e as t&eacute;cnicas   corporais encontram a&iacute; significa&ccedil;&atilde;o especial.   S&atilde;o temas e problemas que se encontram vivos e reunidos nas folias de reis.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Os foli&otilde;es, devotos na maioria das vezes, s&atilde;o pessoas   de origem humilde, residentes na cidade ou em distritos pr&oacute;ximos;   se ocupam em profiss&otilde;es diversas, como as de pintor, pedreiro,   enfermeiro, auxiliar de servi&ccedil;os no com&eacute;rcio, ou est&atilde;o   aposentados. Quanto &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, as folias s&atilde;o   estruturadas, hierarquicamente, a partir da dire&ccedil;&atilde;o do   mestre foli&atilde;o (em outras localidades conhecido tamb&eacute;m   como &ldquo;embaixador&rdquo;, &ldquo;capit&atilde;o&rdquo;, &ldquo;chefe&rdquo;,   &ldquo;guia&rdquo;), contramestre, bandeireiro (&ldquo;alferes&rdquo;),   gerente, instrumentistas e palha&ccedil;os (&ldquo;gigante&rdquo;,   &ldquo;boneco&rdquo;, &ldquo;basti&atilde;o&rdquo;). Durante a   &ldquo;jornada&rdquo; ou o &ldquo;giro&rdquo;, observa-se na   organiza&ccedil;&atilde;o da folia a forma&ccedil;&atilde;o de uma   esp&eacute;cie de comiss&atilde;o de frente constitu&iacute;da pelo   mestre, contramestre, bandeireiro e instrumentistas que tocam   sanfona, viol&atilde;o, pandeiro, tri&acirc;ngulo, etc. Normalmente,   s&atilde;o eles os que adentram o ambiente da casa; os demais &ndash;   os foli&otilde;es da percuss&atilde;o (&ldquo;bateria&rdquo;) &ndash;,   permanecem sempre fora da casa, junto aos palha&ccedil;os. &Eacute;   vedada a entrada dos palha&ccedil;os nos espa&ccedil;os das   resid&ecirc;ncias e igrejas, devendo permanecer na rua, pois, como se   sabe, via de regra, os palha&ccedil;os representam os soldados que,   sob as ordens do rei &shy;Herodes, perseguem Jos&eacute; e Maria com o objetivo de matar o menino Jesus.<A NAME="sdfootnote14anc" HREF="#sdfootnote14sym"><SUP>14</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> As folias se fundamentam em torno do sagrado e do profano, categorias   objetificadas na bandeira e na m&aacute;scara. A bandeira &eacute;   uma esp&eacute;cie de estandarte, s&iacute;mbolo tot&ecirc;mico feito   de madeira, papel, pl&aacute;stico e objetos de adorno como   pisca-piscas, fitas, etc., e imagens de passagens b&iacute;blicas.   Por defini&ccedil;&atilde;o, &eacute; objeto sagrado e s&iacute;mbolo   do &ldquo;fundamento&rdquo; das folias; para os devotos, a bandeira &eacute;   portadora de ag&ecirc;ncia. Conduzida na frente, garante a prote&ccedil;&atilde;o   ao grupo dos foli&otilde;es e aos devotos dos Santos Reis, tanto no   curso da marcha nas ruas, quanto no espa&ccedil;o interior das casas.   Contrapondo-se &agrave; bandeira, a m&aacute;scara &eacute; o s&iacute;mbolo   dos palha&ccedil;os que, via de regra, representam o lado mundano, o   perigo, o mal &agrave; espreita. Todas as vezes que a folia abre,   iniciando sua marcha, os palha&ccedil;os devem pedir prote&ccedil;&atilde;o   e, no encerramento, devem agradecer. Ap&oacute;s a reza, os palha&ccedil;os   entram em cena. Tendo permanecido do lado de fora da casa, passam   ent&atilde;o a declamar seus versos decorados (raros s&atilde;o os   versos de improviso) e a executar seus acrob&aacute;ticos saltos   mortais e as suas dan&ccedil;as perform&aacute;ticas. Esse momento &eacute;   conhecido como &ldquo;chula&rdquo;. Para a popula&ccedil;&atilde;o,   em geral, &eacute; o momento mais esperado durante a visita de uma   folia a uma resid&ecirc;ncia qualquer, pois o &ldquo;chula&rdquo;   acontece na rua ou &aacute;reas abertas cont&iacute;guas &agrave;   casa. &Eacute; quando os palha&ccedil;os, combinando dan&ccedil;a e   performance verbal, narram fatos extraordin&aacute;rios, tecem   homenagens a algumas personalidades, fazem cr&iacute;ticas sociais   aos problemas do pa&iacute;s, na maioria das vezes tudo com muita   gra&ccedil;a e riso acompanhados de saltos acrob&aacute;ticos. Mas   essa dualidade que estrutura a organiza&ccedil;&atilde;o das folias   em torno da bandeira e da m&aacute;scara, do sagrado e do profano, da   ordem e da desordem, somada &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o   viajante, revela-se menos opositiva do que amb&iacute;gua, fazendo   delas fen&ocirc;menos liminares, como sugere Turner (2008). Muitas   vezes as fronteiras s&atilde;o relativizadas permitindo a combina&ccedil;&atilde;o da devo&ccedil;&atilde;o com a carnavaliza&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Presentes em v&aacute;rios estados da na&ccedil;&atilde;o, as folias   t&ecirc;m grande relev&acirc;ncia cultural na regi&atilde;o   centro-oeste e sudeste do pa&iacute;s. Para Adriana Rattes,   ex-secret&aacute;ria de cultura do estado do Rio de Janeiro, as   folias de reis s&atilde;o &ldquo;um dos alicerces da cultura   tradicional&rdquo; fluminense (Coutinho e Nogueira 2009). A cidade de   &shy;Vassouras (RJ) &eacute;, nesse caso, exemplar. Localizada no   &ldquo;Vale do Caf&eacute;&rdquo;, a cerca de 110 quil&oacute;metros   da capital fluminense, Vassouras abriga rico acervo hist&oacute;rico   e arquitet&ocirc;nico e intenso movimento de folias de reis durante   as festividades de Natal, momento em que as folias ganham as ruas e a   aten&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local. &Eacute;   ent&atilde;o que a cidade transforma-se em um &ldquo;grande pres&eacute;pio&rdquo;.<A NAME="sdfootnote15anc" HREF="#sdfootnote15sym"><SUP>15</SUP></A></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b><font size="3" face="Verdana"> Promessa &eacute; d&aacute;diva</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A folia de reis Estrela Guia &eacute; uma das mais tradicionais da   cidade de Vassouras, com mais de 40 anos de exist&ecirc;ncia. A   jornada de 2013 teve um significado especial, ao cumprir o ciclo de   uma promessa. A hist&oacute;ria da bandeira que a folia conduziu at&eacute;   aquele ano come&ccedil;ou com a obriga&ccedil;&atilde;o feita por   Jos&eacute; dos &shy;Santos, devoto dos Santos Reis e antigo foli&atilde;o,   residente em Paty do Alferes (RJ), que mandou produzi-la com o   objetivo de saldar uma d&iacute;vida. Passados tr&ecirc;s anos, o   Sr.&nbsp;Jos&eacute; dos Santos adoece e, antes de vir a falecer,   pede ao compadre &ldquo;Randolphinho&rdquo; que conclua a sua   promessa. Dois anos depois, &eacute; este quem, pressentindo a morte,   transfere a bandeira para o amigo e mestre foli&atilde;o Ant&ocirc;nio   Ven&acirc;ncio. Ao longo de sete anos, cumprido o tempo da promessa,   a bandeira Estrela Guia foi levada ao Santu&aacute;rio de Bom Jesus   de Matosinhos (RJ), no dia 06 de janeiro de 2013, dia de Reis, para l&aacute; permanecer definitivamente na sala dos milagres.<A NAME="sdfootnote16anc" HREF="#sdfootnote16sym"><SUP>16</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> O processo de transmiss&atilde;o da bandeira na folia constitui uma   importante a&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica por meio da qual se   reafirma o sistema de reciprocidade da d&aacute;diva. O pagamento de   promessas nunca &eacute; um ato isolado e sem consequ&ecirc;ncias, ao   contr&aacute;rio, aciona todo um sistema de compadrio e de ajuda   m&uacute;tua entre os foli&otilde;es da regi&atilde;o. Comumente se   diz que promessa &eacute; d&iacute;vida, por&eacute;m o correto nas   folias, dada a profundidade da obriga&ccedil;&atilde;o, &eacute; que promessa &eacute; d&aacute;diva.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A promessa constitui um compromisso entre os homens e os deuses. A   obriga&ccedil;&atilde;o de retribuir a gra&ccedil;a recebida, ou a   esperan&ccedil;a de alcan&ccedil;&aacute;-la &eacute; o que motiva os   homens a se projetarem no tempo; afinal, se obtida a &ldquo;gra&ccedil;a&rdquo;,   um dia o devoto dever&aacute; saldar a d&iacute;vida com o santo.<A NAME="sdfootnote17anc" HREF="#sdfootnote17sym"><SUP>17</SUP></A> Ela cumpre um destino e, por mais que &agrave; primeira vista seja o   resultado de uma iniciativa ou a&ccedil;&atilde;o individual   espont&acirc;nea, termina por mobilizar um n&uacute;mero grande de   pessoas ao redor. Como no caso da prece, a promessa &eacute; o eco de   uma institui&ccedil;&atilde;o, o s&iacute;mbolo da devo&ccedil;&atilde;o,   fragmento de uma hist&oacute;ria de longa dura&ccedil;&atilde;o. As   folias s&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es culturais de base   familiar, n&atilde;o s&oacute; porque mant&ecirc;m a tradi&ccedil;&atilde;o   atrav&eacute;s da hereditariedade (passando de pai para filho) ou   porque envolvem primos, cunhados, tios, mas tamb&eacute;m porque   promovem o sentimento de fam&iacute;lia na reuni&atilde;o dos   foli&otilde;es, por meio de rela&ccedil;&otilde;es afetivas e   simb&oacute;licas de irmandade, amizade, convivialidade, respeito.   Essa comunidade de sentimentos favorece a socializa&ccedil;&atilde;o   da promessa. N&atilde;o se caracterizam como grupos de ajuda m&uacute;tua   no sentido estrito do termo, como acontece com as tabancas   cabo-verdianas (Trajano Filho 2009), mas al&eacute;m de propagarem a   &ldquo;hist&oacute;ria verdadeira&rdquo;, como me disse Sr.&nbsp;Ant&ocirc;nio   Ven&acirc;ncio, referindo-se &agrave; B&iacute;blia, eventualmente   socorrem algum foli&atilde;o ou mesmo outras folias. Os motivos que   levam as pessoas a participarem das folias s&atilde;o diversos, desde   a sedu&ccedil;&atilde;o festiva ou a garantia de aventura na vis&atilde;o   dos mais novos &agrave;s promessas feitas e &agrave;s gra&ccedil;as   obtidas referentes a um problema de sa&uacute;de, &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o   de bens como, por exemplo, a casa pr&oacute;pria, &agrave; conquista de um emprego, etc.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A hist&oacute;ria de promessa da bandeira Estrela Guia aponta para um   conjunto de fatos importantes na estrutura e organiza&ccedil;&atilde;o   das folias: primeiro, mesmo que a promessa se apresente como a&ccedil;&atilde;o   individual, carrega uma dimens&atilde;o coletiva; segundo, comumente   a promessa &eacute; transferida aos amigos e parentes &ndash; o que   faz das folias de reis um fen&ocirc;meno marcado por rela&ccedil;&otilde;es   de parentesco; terceiro, as promessas expressam um modo de   relacionamento devido aos deuses e aos homens que se observa por meio   da quarta obriga&ccedil;&atilde;o &ndash; assim anunciada por Mauss   no &ldquo;Ensaio sobre a d&aacute;diva&rdquo;; quarto, tudo isso nos   leva a concordar com Turner quando diz que &ldquo;&eacute; preciso   discutir esta quest&atilde;o da peregrina&ccedil;&atilde;o como   obriga&ccedil;&atilde;o e como ato volunt&aacute;rio, envolvendo um   voto, ou como se diz na Iberoam&eacute;rica, &lsquo;uma promessa&rsquo;<SUP>&nbsp;</SUP>&rdquo;   (2008: 162); por fim, a promessa evoca o tema do sacrif&iacute;cio e   da prece, formando um sistema mais ou menos integrado com a d&aacute;diva,   o corpo, os gestos e as emo&ccedil;&otilde;es. A d&aacute;diva   apresenta afinidade com a religi&atilde;o no sentido mais elementar da palavra: <I>religare</I>.<A NAME="sdfootnote18anc" HREF="#sdfootnote18sym"><SUP>18</SUP></A></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana"> O gesto original</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Os gestos t&ecirc;m sempre uma dimens&atilde;o f&iacute;sica   (t&eacute;cnica), ps&iacute;quica (emocional), hist&oacute;rica   (educa&ccedil;&atilde;o), simb&oacute;lica (m&iacute;tica), est&eacute;tica   (ritual), pol&iacute;tica (poder), social (moral) e podem ser vistos como atos de cria&ccedil;&atilde;o. Para Jean-Loup Rivi&egrave;re:</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;O gesto &eacute; a linguagem que mais se aproxima       da possibilidade de indiferencia&ccedil;&atilde;o, embora institua a       irredut&iacute;vel diferen&ccedil;a. &Eacute; por isso que &eacute;,       tal como aconteceu quanto ao indo-europeu para alguns no s&eacute;culo       XIX, um criador eficaz de mitos sobre as origens. Esta conjun&ccedil;&atilde;o       do desvio e da identidade &eacute; a mesma que conjuga, para o homem,       as for&ccedil;as de vida e da morte. Se o gesto &eacute; essa pr&aacute;tica       que organiza <I>sem n&oacute;s</I> (porque a gestualidade elabora-se       a partir de c&oacute;digos preexistentes), o capital f&iacute;sico do       nosso corpo, a necessidade que leva certos autores a transform&aacute;-lo       numa linguagem expressiva e espont&acirc;nea (&lsquo;exprimo-me nos       meus gestos&rsquo;) &eacute; a mesma que leva a ocultar a ruptura       original. Os mitos da origem e da linguagem gestual natural re&uacute;nem-se     para conjurar a morte&rdquo; (1987:&nbsp;13).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> Os gestos s&atilde;o, por defini&ccedil;&atilde;o, performance; nos   termos de Turner (1988), a performance &eacute; entendida como uma   &ldquo;sequ&ecirc;ncia complexa de atos simb&oacute;licos&rdquo;   portadora de qualidade reflexiva, portanto a&ccedil;&atilde;o   simb&oacute;lica capaz de revelar o homem para si mesmo. No sentido   nietzscheano referido em nota atr&aacute;s, performances podem ser   vistas como experi&ecirc;ncias dram&aacute;ticas capazes de   provocarem desarmonias criadoras e o corpo se erige como suporte   simb&oacute;lico <I>par excellence</I> nesse processo. Os gestos,   ent&atilde;o, s&atilde;o express&otilde;es comportamentais de grande   significa&ccedil;&atilde;o; s&atilde;o ve&iacute;culos de ideias,   valores e pr&aacute;ticas; do ponto de vista m&iacute;tico, s&atilde;o   atos simb&oacute;licos de funda&ccedil;&atilde;o. Com efeito, antes   de se ver no gesto apenas um movimento, o resultado de uma mec&acirc;nica   ou uma simples a&ccedil;&atilde;o, sua verdadeira natureza reside na   qualidade de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es, de promover a   sociabilidade, enfim, de produzir sentido. O simples gesto de   estender a m&atilde;o, um leve aceno de cabe&ccedil;a, um sorriso   enigm&aacute;tico dizem mais do que mil palavras; afinal, piscadelas   de olho podem revelar teorias, nos ensina Geertz (1989). Por sua vez,   C&acirc;mara Cascudo nos lembra que &ldquo;o gesto &eacute; anterior   &agrave; palavra. Dedos e bra&ccedil;os falaram mil&ecirc;nios antes   da voz. [&hellip;] Sem gestos, a palavra &eacute; prec&aacute;ria e   pobre para o entendimento tem&aacute;tico&rdquo; (1987: 10). O gesto   &eacute; uma express&atilde;o simb&oacute;lica da rela&ccedil;&atilde;o   humana, sua compreens&atilde;o exige o compartilhamento de   significados comuns. Sua manifesta&ccedil;&atilde;o &eacute; a   express&atilde;o real e concreta de uma a&ccedil;&atilde;o corporal   n&atilde;o vocalizada. Mas, mesmo a voz, o canto, a prece, s&atilde;o   gestos verbais, nos revela Csordas (1990) em sua an&aacute;lise da   glossolalia entre os crist&atilde;os carism&aacute;ticos. Enquanto linguagem, os gestos invariavelmente se dirigem ao &ldquo;outro&rdquo;.<A NAME="sdfootnote19anc" HREF="#sdfootnote19sym"><SUP>19</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Na &ldquo;moral dos gestos&rdquo;, observa Schmitt, &ldquo;os   movimentos exteriores do corpo traduzem os movimentos interiores da   alma&rdquo; (1995: 152). Os gestos expressam, numa aproxima&ccedil;&atilde;o   &agrave; ideia de &ldquo;significante flutuante&rdquo; apontada por   L&eacute;vi-Strauss em sua &ldquo;Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;   obra de Marcel Mauss&rdquo; (2003 [1950]), o s&iacute;mbolo em estado   puro capaz de desempenhar a fun&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica de   permitir que o pensamento se exer&ccedil;a e se fa&ccedil;a ag&ecirc;ncia.   N&atilde;o por acaso, a ep&iacute;grafe que abre este texto enuncia:   &ldquo;&hellip;&nbsp;sem a iniciativa de um gesto gracioso [&hellip;] nada pode existir&rdquo; (Godbout 1999:&nbsp;157).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A &ldquo;visita&rdquo; seguida da forma&ccedil;&atilde;o da &ldquo;roda&rdquo;   s&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es cronot&oacute;picas ricas para a   observa&ccedil;&atilde;o dos gestos como ser&aacute; visto &agrave;   frente e, como tal, representam um convite para se penetrar no vasto   mundo de significados e de gestualidades.<A NAME="sdfootnote20anc" HREF="#sdfootnote20sym"><SUP>20</SUP></A> E a antropologia interpretativa de Clifford Geertz (1989), com sua   proposta etnogr&aacute;fica de &ldquo;descri&ccedil;&atilde;o densa&rdquo;,   constitui, nesse momento, uma fonte de inspira&ccedil;&atilde;o   metodol&oacute;gica para a sua an&aacute;lise. Compreendendo a   cultura como &ldquo;teias de significados&rdquo; que o pr&oacute;prio   homem teceu; Geertz entende ser o of&iacute;cio do antrop&oacute;logo   a sua interpreta&ccedil;&atilde;o por meio da descri&ccedil;&atilde;o   densa, ou seja, o que o antrop&oacute;logo faz &eacute; descrever de   maneira microsc&oacute;pica (detalhada e profunda) um fato da vida   social com o objetivo de apreender as estruturas de significa&ccedil;&atilde;o   (c&oacute;digos historicamente constru&iacute;dos) presentes na   cultura. Assim, segundo o antrop&oacute;logo, a &ldquo;tarefa   essencial da constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica n&atilde;o &eacute;   codificar regularidades abstratas, mas tornar poss&iacute;veis   descri&ccedil;&otilde;es minuciosas; n&atilde;o generalizar atrav&eacute;s   dos casos, mas generalizar dentro deles&rdquo; (1989: 36). Pequenos   gestos e eventos podem ser reveladores de profundas estruturas de   significa&ccedil;&atilde;o social. &Eacute; o que faz, ent&atilde;o,   da gestualidade dramatizada nas jornadas dos Santos Reis um fato de valor paradigm&aacute;tico.<A NAME="sdfootnote21anc" HREF="#sdfootnote21sym"><SUP>21</SUP></A></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana"> A morada da palavra</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A &ldquo;visita&rdquo; marca o encontro dos foli&otilde;es na   resid&ecirc;ncia do devoto; &eacute; um dos momentos mais importantes   no processo ritual das folias de reis. Fazendo alus&atilde;o ao   subt&iacute;tulo do &ldquo;Ensaio sobre a d&aacute;diva&rdquo;, a   visita pode ser vista como a forma e a raz&atilde;o das trocas   simb&oacute;licas desse fen&ocirc;meno social total. &Eacute; o   momento em que, efetivamente, o foli&atilde;o estabelece suas trocas   com o devoto. Numa &shy;conhecida passagem do &ldquo;Ensaio&rdquo;,   Mauss observa: &ldquo;o que eles trocam n&atilde;o s&atilde;o   exclusivamente bens e riquezas, m&oacute;veis e im&oacute;veis,   coisas economicamente &uacute;teis. S&atilde;o, antes de tudo,   amabilidades, banquetes, ritos [&hellip;]&rdquo; (2003 [1925]: 191).   Esse quadro de sociabilidades puras (entendidas como &shy;intera&ccedil;&atilde;o   no sentido simmeliano) e reciprocidades &eacute; favorecido pela   instaura&ccedil;&atilde;o do que Turner (2008) entende por <I>communitas</I>, ou seja, uma situa&ccedil;&atilde;o liminar que   favorece a forma&ccedil;&atilde;o de um tipo de rela&ccedil;&atilde;o   social n&atilde;o estruturada. &Eacute; ent&atilde;o que os homens se   encontram consigo mesmos e com os outros, com os deuses e os santos,   sendo as jornadas, as peregrina&ccedil;&otilde;es, as romarias o   caminho que os leva &agrave; <I>communitas</I>. As dificuldades e os   perigos s&atilde;o muitos e, apesar deles, o caminho se mostra uma   promessa de aventura e de abertura para o mundo. De acordo com Victor Turner:</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;&Agrave; medida que o peregrino se afasta dos       envolvimentos estruturais do lar, seu caminho se torna cada vez mais       sacralizado em um n&iacute;vel e cada vez mais secularizado em outro.       Ele encontra mais templos e objetos sagrados durante seu progresso,       mas tamb&eacute;m enfrenta perigos reais como bandidos e ladr&otilde;es.       Ele precisa atentar para a necessidade de sobreviv&ecirc;ncia e       frequentemente consegue dinheiro para se transportar, e passa tamb&eacute;m       por mercados e feiras, especialmente no fim da jornada, quando o       santu&aacute;rio &eacute; cercado pelo bazar e pela feira de       divers&otilde;es. Mas todas essas coisas s&atilde;o mais contratuais,       mais associativas, mais volitivas, mais prenhes do novo e do       inesperado, mais repletas de possibilidades de <I>communitas</I>,       como o companheirismo e a camaradagem mundana e a comunh&atilde;o       sagrada, do que qualquer coisa que ele tenha experimentado no seu     local de origem. E o mundo se torna maior&rdquo; (2008:&nbsp;171).</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> A &ldquo;visita&rdquo; apresenta uma estrutura que se repete em todas   as casas, embora nenhuma seja exatamente igual &agrave; outra. Assim,   no dia 04 de dezembro, ao p&ocirc;r do Sol, a bandeira Estrela Guia   se dirigiu &agrave; cidade de Mendes (RJ), distante cerca de 40   quil&oacute;metros de Vassouras, com o objetivo de fazer a &uacute;ltima   visita do dia, e &uacute;nica naquela localidade. Devoto dos Santos   Reis, todo ano o Sr.&nbsp;&ldquo;Renato&rdquo; recebe a folia em   casa; por&eacute;m, naquele ano, o clima n&atilde;o era o mesmo dos   anos anteriores. T&atilde;o logo o &ocirc;nibus chegou &agrave;   localidade, a sua filha adiantou-se no encontro com os foli&otilde;es   solicitando que o grupo se dirigisse &agrave; sua casa, pois o pai,   sofrendo de uma mol&eacute;stia na perna, j&aacute; n&atilde;o podia mais se locomover por grandes dist&acirc;ncias.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Organizada a folia, o mestre Ant&ocirc;nio colocou-a em marcha   dirigindo-a a casa do devoto. No caminho, a folia canta em coro <I>Quem   &eacute; este povo?</I>, hino crist&atilde;o mais conhecido pelo   verso &ldquo;Vai morar, vai morar com Jesus l&aacute; no c&eacute;u&rdquo;.   Os membros da fam&iacute;lia recebem a folia na porta da casa,   tomados de grande emo&ccedil;&atilde;o. O bandeireiro se adianta e um   membro da fam&iacute;lia se aproxima: toca a bandeira, beija-a e a   toma em suas m&atilde;os, j&aacute; que o dono da casa n&atilde;o   pode faz&ecirc;-lo. A bandeira &eacute; levada para o interior da   resid&ecirc;ncia, a folia segue atr&aacute;s cantando. A decora&ccedil;&atilde;o   &eacute; simples, poucos m&oacute;veis enfeitam o espa&ccedil;o da   sala que acaba sendo ocupada por cerca de dez pessoas, foli&otilde;es   e devotos. Em um canto, pr&oacute;ximo &agrave; porta que leva ao   interior da casa, encontra-se uma mesa que sustenta o pres&eacute;pio.   Sr.&nbsp;Ant&ocirc;nio apita e a m&uacute;sica &eacute; interrompida.   A bandeira &eacute; colocada nas m&atilde;os do devoto que, sentado,   permanece de frente para ela, deixando-se tocar na cabe&ccedil;a com   os olhos cerrados. Como nos lembra C&acirc;mara Cascudo, gestos como   esses, de baixar a cabe&ccedil;a e cerrar os olhos, s&atilde;o sinal   de respeito, subservi&ecirc;ncia, devo&ccedil;&atilde;o, alheamento   do mundo, seguido de introspec&ccedil;&atilde;o. &Eacute; quando o   devoto d&aacute; curso &agrave; &ldquo;viagem invis&iacute;vel da   medita&ccedil;&atilde;o&rdquo; (1987: 26). Sr.&nbsp;&ldquo;Renato&rdquo;   chora muito, bem como seus familiares. Por certo, nesse momento, ele   pede uma &ldquo;gra&ccedil;a&rdquo; aos Santos Reis.<A NAME="sdfootnote22anc" HREF="#sdfootnote22sym"><SUP>22</SUP></A> Ent&atilde;o, o sanfoneiro puxa a reza que ser&aacute; conduzida pelo   mestre da folia e repetida pelo coro dos foli&otilde;es que tocam os   instrumentos de acompanhamento. Sem poder reproduzir toda a longa reza, destaco algumas passagens que ilustram esse drama ritual:</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Pai, Filho e Esp&iacute;rito Santo com amor e       alegria    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     Minha bandeira chegou na     sagrada moradia    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     Na chegada da     bandeira os devotos se comoveram    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     Maria     tamb&eacute;m chorou quando Bom Jesus morreu    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e       Maria    <BR>     Pe&ccedil;o a Deus inspira&ccedil;&atilde;o nesse sagrado       momento    ]]></body>
<body><![CDATA[<BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     Pra mim rezar um trechinho     do sagrado nascimento    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     [&hellip;]    <BR>     Eu     cheguei na sua casa com o sagrado Santo Rei    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e       Maria    <BR>     Eu vim de muito longe s&oacute; para visitar voc&ecirc;    <BR>     Jesus,     Jos&eacute; e Maria    <BR>     Vim rezar na sua casa com as palavras da     verdade    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    ]]></body>
<body><![CDATA[<BR>     Porque o Senhor &eacute; meu       amigo n&oacute;s temos muita amizade    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     O     devoto segurou nossa bandeira sagrada    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     E     no reino da salva&ccedil;&atilde;o tem morada reservada    <BR>     Jesus,     Jos&eacute; e Maria    <BR>     Deus vos salve lindo Pres&eacute;pio com todas       as imagens que s&atilde;o    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     [&hellip;]    <BR>     Minha     bandeira se despede int&eacute; para o ano que vem    ]]></body>
<body><![CDATA[<BR>     Jesus, Jos&eacute;     e Maria    <BR>     Se a morte n&atilde;o nos matar e se Deus quiser       tamb&eacute;m    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     Agora pe&ccedil;o       sa&uacute;de pra todos da moradia    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e       Maria    <BR>     Entregai a nossa bandeira que ela &eacute; a nossa       guia    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria&rdquo;    <BR>     [O mestre apita,     colocando fim &agrave; reza.]</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> A reza &eacute;, ao mesmo tempo, a evoca&ccedil;&atilde;o de   passagens b&iacute;blicas e um pedido de boa sa&uacute;de para toda a   fam&iacute;lia. O clima &eacute; de muita como&ccedil;&atilde;o. O   comportamento dos foli&otilde;es e dos devotos &eacute; marcado por   toda uma gestualidade comedida que expressa o encontro dos homens com   o sagrado. A reza do mestre foli&atilde;o &eacute; um canto que mais   lembra uma ladainha, um lamento ou uma s&uacute;plica, tal a   performance vocal por ele realizada.<A NAME="sdfootnote23anc" HREF="#sdfootnote23sym"><SUP>23</SUP></A> A fei&ccedil;&atilde;o do rosto muda, a voz &eacute; projetada para o   alto numa sonoridade met&aacute;lica e melanc&oacute;lica. Nesse   momento, o verbo encompassa o gesto. E a julgar pelo tom   aparentemente informal que a reza assume, ela se transforma num   di&aacute;logo com os santos. Ao final do verso, mestre Ant&ocirc;nio   abaixa a cabe&ccedil;a, cerra os olhos e abra&ccedil;a o viol&atilde;o,   aguardando o acompanhamento da bateria e o coro dos foli&otilde;es. O   corpo permanece a maior parte do tempo im&oacute;vel, os movimentos   quando os h&aacute; s&atilde;o um prolongamento dos instrumentos. A   cena s&oacute; &eacute; quebrada, de vez em quando, durante a   circula&ccedil;&atilde;o de copos de &aacute;gua para os foli&otilde;es.   Todo o grupo de foli&otilde;es canta numa profus&atilde;o de vozes,   formando um coro meio dissonante. &Eacute; um momento m&aacute;gico   em que vemos a combina&ccedil;&atilde;o da <I>communitas</I> de   Turner com a observa&ccedil;&atilde;o de Mauss segundo a qual, &ldquo;no   fundo&rdquo;, tudo se mistura. &ldquo;Misturam-se as almas nas   coisas; misturam-se as coisas nas almas. Misturam-se as vidas, e   assim as pessoas e as coisas misturadas saem cada qual de sua esfera   e se misturam [&hellip;]&rdquo; (2003 [1925]: 212). A reza dura mais   de uma hora, e durante todo esse tempo o clima de como&ccedil;&atilde;o permanece.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Embora toda essa gestualidade seja repetida v&aacute;rias vezes por   dia, durante dias seguidos, e por anos a fio, cada visita &eacute;   sempre diferente da outra, &eacute; sempre &uacute;nica. E mais, n&atilde;o   se trata de uma mera representa&ccedil;&atilde;o, o momento da reza   &eacute;, de fato, um momento de a&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica,   de comunica&ccedil;&atilde;o entre os homens e com os santos. N&atilde;o   se trata de um discurso sobre o mito, mas de um discurso transitivo   direto. O verbo se faz &ldquo;carne&rdquo;.<A NAME="sdfootnote24anc" HREF="#sdfootnote24sym"><SUP>24</SUP></A> As rezas, ent&atilde;o, tamb&eacute;m chamadas pelos foli&otilde;es   de &ldquo;partidas&rdquo;, &ldquo;cantorias&rdquo; e, eventualmente,   &ldquo;toadas&rdquo;, ilustram essa forma de avatar, como se pode ver no ritual de fechamento da folia:</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;&Eacute; hora de agradecer os Tr&ecirc;s Reis da       adora&ccedil;&atilde;o    <BR>     Soldados de Herodes voc&ecirc;s est&atilde;o       me escutando    <BR>     &mdash; Jesus, Jos&eacute; e Maria [coro]    <BR>     Tire     seis capacetes    <BR>     Venha c&aacute; que eu vou chamar    <BR>     &mdash; Jesus,     Jos&eacute; e Maria [coro]&rdquo;</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> Em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ideia de representa&ccedil;&atilde;o,   as folias abrem espa&ccedil;o para a presen&ccedil;a do fen&ocirc;meno   mim&eacute;tico em que a imita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;,   exatamente, uma c&oacute;pia. Como t&ecirc;m apontado alguns estudos   sobre mimesis e performance (&shy;Chaves 2008), a partir do momento   que o foli&atilde;o veste a sua indument&aacute;ria (seja o &ldquo;blus&atilde;o&rdquo;   do foli&atilde;o ou a &ldquo;farda&rdquo; de palha&ccedil;o) se v&ecirc;   imbu&iacute;do de atributos semelhantes aos das personagens b&iacute;blicas.   Assim, ao colocar a m&aacute;scara o palha&ccedil;o se investe do   significado dos soldados de Herodes, mas, dialeticamente, deles se diferencia porque passa a ser um &ldquo;outro&rdquo;.<A NAME="sdfootnote25anc" HREF="#sdfootnote25sym"><SUP>25</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Reunindo-se com o sagrado, com o seu pr&oacute;prio &ldquo;eu&rdquo;   e com o &ldquo;outro&rdquo;, nesse momento marcado pelas express&otilde;es   obrigat&oacute;rias dos sentimentos e t&eacute;cnicas corporais, o   foli&atilde;o parece se revelar aos nossos olhos um &ldquo;homem   total&rdquo;. Sem d&uacute;vida alguma, &eacute; o momento ritual   mais importante da constitui&ccedil;&atilde;o da identidade do   foli&atilde;o, que n&atilde;o se reduz &agrave; religiosidade, pois   se estende &agrave; dimens&atilde;o social, moral, pol&iacute;tica, etc.<A NAME="sdfootnote26anc" HREF="#sdfootnote26sym"><SUP>26</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> O t&eacute;rmino da reza n&atilde;o significa o fim do processo   ritual. Ap&oacute;s esse momento intermedi&aacute;rio, o devoto   oferece a sua contrad&aacute;diva. A retribui&ccedil;&atilde;o &eacute;   feita na forma de comida: a folia recebe farto lanche   (cachorro-quente e refrigerante). Posteriormente, o devoto ainda   faria uma doa&ccedil;&atilde;o em dinheiro. &Eacute; ent&atilde;o que   sou apresentado ao Sr.&nbsp;&ldquo;Renato&rdquo;, dono da casa, que   se diz devoto dos Santos Reis h&aacute; mais de 40 anos, tendo sido,   inclusive, foli&atilde;o no passado. Agora, acometido por uma   mol&eacute;stia na perna, espera a gra&ccedil;a dos santos. Passado o   tempo de uma hora mais ou menos, o mestre dos palha&ccedil;os   pergunta ao dono da casa se eles podem brincar. Ap&oacute;s o   consentimento, todos se preparam para o &ldquo;chula&rdquo;. &Eacute;   quando se passa da f&eacute; para a festa, do s&eacute;rio para a brincadeira, da performance verbal &agrave; gestual.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> A folia sai da casa, sem dar as costas ao pres&eacute;pio, e passa ao   espa&ccedil;o da rua. Forma-se uma grande &ldquo;roda&rdquo; na qual   a bateria, que na maioria das vezes tamb&eacute;m permanece do lado   de fora das resid&ecirc;ncias, entra em cena, orquestrada pelo mestre   dos palha&ccedil;os. &Eacute; o momento do &ldquo;chula&rdquo;,   tamb&eacute;m chamado de &ldquo;brincadeira&rdquo; pelos palha&ccedil;os   que, agora, se tornam os donos da festa. O &ldquo;chula&rdquo; &eacute;   a sequ&ecirc;ncia ritual na qual os palha&ccedil;os que representam   os soldados de Herodes entram em cena declamando versos e realizando   verdadeiros espet&aacute;culos acrob&aacute;ticos. Ao contr&aacute;rio   do que acontece na reza, no curso do &ldquo;chula&rdquo; o corpo   adquire enorme mobilidade e visibilidade. Neste momento, os palha&ccedil;os   declamam seus versos, dan&ccedil;am, realizam saltos acrob&aacute;ticos,   tudo sob os olhares atentos da plateia que aplaude ou vaia as suas   performances verbais e    /    ou gestuais. Ocorre uma relativa   invers&atilde;o; afinal, agora, o gesto encompassa o verbo. O p&uacute;blico   que assiste parece mais interessado nas performances corporais dos   palha&ccedil;os do que em sua po&eacute;tica, embora atento a tudo.<A NAME="sdfootnote27anc" HREF="#sdfootnote27sym"><SUP>27</SUP></A> Os palha&ccedil;os s&atilde;o personagens portadoras de grande   ambiguidade. Seu dom&iacute;nio &eacute; o das ruas, porque   normalmente s&atilde;o interpretados como representantes do mal.   Sobre eles existem muitas est&oacute;rias que destacam sua   vulnerabilidade ao mal, caso desobede&ccedil;am a certos preceitos ou   quando quebram certas regras ou violam alguns tabus. Os mais velhos   aconselham: &eacute; bom que se permane&ccedil;a pr&oacute;ximo &agrave;   bandeira, ela protege. A import&acirc;ncia da personagem, reconhecida   praticamente por toda a literatura referente ao assunto, merece aten&ccedil;&atilde;o &agrave; parte.<A NAME="sdfootnote28anc" HREF="#sdfootnote28sym"><SUP>28</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Ao final da brincadeira, acompanhada por dezenas de pessoas das   vizinhan&ccedil;as, a &ldquo;roda&rdquo; se desfaz, a bandeira de   despede e sai em dire&ccedil;&atilde;o ao &ocirc;nibus que a aguarda para lev&aacute;-la de volta ao seu ponto de origem.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Todo esse processo ritual nos deixa ver um duplo movimento corporal que pode ser sintetizado no <a href="#q1">quadro&nbsp;1</a>.<A NAME="sdfootnote29anc" HREF="#sdfootnote29sym"><SUP>29</SUP></A></font></P>     <P><a name="q1"></a></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/etn/v20n3/20n3a05q1.jpg" width="579" height="213"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P><font size="2" face="Verdana">Embora a &ldquo;visita&rdquo; e a &ldquo;roda&rdquo; constituam   momentos marcados no processo ritual das folias de reis, n&atilde;o   se op&otilde;em, antes se complementam. Tomando uma vez mais Mauss   (2003 [1904-1905]) como inspira&ccedil;&atilde;o, o movimento das   folias de reis em suas jornadas segue uma estrutura de &ldquo;marchas&rdquo;   e &ldquo;pousos&rdquo; (Rocha 2014), que lembra a morfologia sazonal   que regula a vida esquim&oacute; (Inuit). Nesse sentido, a &ldquo;visita&rdquo;   e a &ldquo;roda&rdquo; parecem celebrar o momento em que a folia   passa de um movimento horizontal da jornada, do &ldquo;giro&rdquo;,   para um movimento vertical, de mergulho na cultura, para dentro, em   profundidade. Assim, o corpo e a gestualidade que caracteriza a   &ldquo;visita&rdquo; d&atilde;o lugar a outra gestualidade que se   performatiza na &ldquo;roda&rdquo;, mas como seu prolongamento.   Afinal, o verbo &eacute; um gesto e o gesto &eacute; uma forma de   verbo.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A passagem da reza &agrave; brincadeira abre a possibilidade de   muitas vezes se passar de uma a outra relativizando as &ldquo;fronteiras&rdquo;.   Assim, ao t&eacute;rmino da reza a passagem do interior da casa para   o dom&iacute;nio da rua pode ser mediada pela oferenda da comida e da   bebida pelo devoto    /    anfitri&atilde;o. Normalmente, esse   momento de comunh&atilde;o, de descanso, de comensalidade entre os   devotos e os foli&otilde;es ocorre nos espa&ccedil;os fronteiri&ccedil;os,   como varandas, garagens, quintais e    /    ou terreiros, ou   seja, espa&ccedil;os intermedi&aacute;rios entre a casa e a rua.   Ent&atilde;o, o corpo e sua gestualidade comedida, lenta, centrada,   predominante durante a reza, dar&aacute; lugar, aos poucos, a outras   gestualidades mais exc&ecirc;ntricas. Assim, a fina linha que separa   formalmente os momentos da reza e da brincadeira &eacute; flex&iacute;vel,   el&aacute;stica o bastante para permitir a cria&ccedil;&atilde;o de   cen&aacute;rios ou de situa&ccedil;&otilde;es onde as rela&ccedil;&otilde;es   s&atilde;o mais dial&oacute;gicas do que opositivas. Nesse sentido,   mesmo que a estrutura das folias seja composta por fun&ccedil;&otilde;es   distintas (rezador, tocador, palha&ccedil;os), enquanto grupo social   organizado ela constitui um s&oacute; corpo com express&atilde;o   gestual diferenciada durante o processo ritual. Em outras palavras,   os corpos que giram, que visitam, que descansam, que rezam, que brincam formam um s&oacute; corpo com muitos gestos.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Por certo, a visita &eacute; algo mais denso e profundo do que o   simples cumprimento de um costume em nome da tradi&ccedil;&atilde;o   folcl&oacute;rica; antes, trata-se de um momento de renova&ccedil;&atilde;o   da f&eacute;, de promo&ccedil;&atilde;o da <I>communitas</I>, de   encontro dos homens entre si com os santos e o filho de Deus. Momento   de dramatiza&ccedil;&atilde;o e reflexividade em que devotos e   foli&otilde;es, pode-se dizer, formam um s&oacute; corpo-alma. Do   ponto de vista sociol&oacute;gico, os homens est&atilde;o a consagrar   o compromisso com a f&eacute;, a solidariedade aos devotos e a   reciprocidade com os santos. Ao final, todo o drama ritual vivido   durante a visita n&atilde;o deixa de ser uma evoca&ccedil;&atilde;o   dos gestos m&iacute;ticos de funda&ccedil;&atilde;o da cristandade ocidental segundo as narrativas b&iacute;blicas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana"> A quarta obriga&ccedil;&atilde;o</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Nos rituais de religiosidade popular o corpo adquire uma import&acirc;ncia   capital. &Eacute; por meio dos gestos comedidos ou exagerados, das   express&otilde;es de gozo e    /    ou de ren&uacute;ncia   total, das pr&aacute;ticas de supl&iacute;cio ou de comunh&atilde;o   que o devoto conversa com os Santos ou com Deus. O corpo &eacute; o   sujeito dessas performances, comunica&ccedil;&otilde;es,   sociabilidades, trocas simb&oacute;licas. Isso fica claro nos ritos   sacrificiais de devo&ccedil;&atilde;o no catolicismo popular brasileiro, observa Jos&eacute; Carlos Pereira:</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;Al&eacute;m do beijo, como express&atilde;o       corporal, elencamos tamb&eacute;m outras formas dos devotos       expressarem e demonstrarem o papel do corpo nesta categoria de       devo&ccedil;&atilde;o: subir as escadas de joelhos, contorcendo todo       o corpo; rezar com as m&atilde;os erguidas na dire&ccedil;&atilde;o       da imagem; tocar na mesma; louvar, atrav&eacute;s de cantos, com       gestos e outras manifesta&ccedil;&otilde;es; prociss&otilde;es, com     &ecirc;nfase no carregar o andor com a r&eacute;plica do santo; ou       mesmo a atitude como a de carregar cruzes ou outros objetos pesados,       castigando o corpo, como forma de penit&ecirc;ncia. S&atilde;o       linguagens do corpo que falam de uma realidade sofrida. Tamb&eacute;m       os ex-votos n&atilde;o deixam de ser, em grande parte, uma forma de       rela&ccedil;&atilde;o corporal com o Santo. O n&uacute;mero de partes       do corpo que s&atilde;o reproduzidas em cera &eacute; bastante       significativo nas salas de milagres dos santu&aacute;rios. S&atilde;o       express&otilde;es simb&oacute;licas da linguagem do corpo na devo&ccedil;&atilde;o&rdquo;     (2004:&nbsp;64).</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> Nas folias de reis n&atilde;o &eacute; diferente. Os gestos da   reciprocidade (dar, receber, retribuir, inclusive pedir    /    ofertar)   s&atilde;o a express&atilde;o t&eacute;cnica e simb&oacute;lica que   faz do sistema de regras da d&aacute;diva um fen&ocirc;meno social   total concreto. Pode-se come&ccedil;ar destacando o fato de que as   jornadas vividas ao longo de 13 dias s&atilde;o um ritual de grande   profus&atilde;o simb&oacute;lica no qual o corpo se mostra a toda a   prova. Essas jornadas s&atilde;o um misto de aventura e sacrif&iacute;cio.   Se, de um lado, os dias passados juntos, em companhia dos amigos e   parentes, caminhando por l&eacute;guas de dist&acirc;ncia, visitando   as moradias de um bairro ou distrito rural, promovem a intera&ccedil;&atilde;o   e a sociabilidade do grupo, n&atilde;o sem evitar epis&oacute;dios ou   momentos de conflito, do outro lado, a peregrina&ccedil;&atilde;o de   duas semanas longe de casa, deixando a fam&iacute;lia, os filhos e o   conforto do lar, para se viver, no limite, horas a fio de rezas e   cantorias, sob o sol escaldante ou fugindo da chuva, dormindo em   esteiras ou colchonetes improvisados, d&aacute; bem o tom das   condi&ccedil;&otilde;es enfrentadas pelos foli&otilde;es. E nada,   nada se compara ao sacrif&iacute;cio imposto ao corpo durante essas   jornadas, sendo vis&iacute;vel ao final da peregrina&ccedil;&atilde;o   o esgotamento f&iacute;sico e o abatimento psicol&oacute;gico do foli&atilde;o.<A NAME="sdfootnote30anc" HREF="#sdfootnote30sym"><SUP>30</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Por essa raz&atilde;o, a compreens&atilde;o de todo o processo evoca   os temas do sacrif&iacute;cio e da prece. O sacrif&iacute;cio,   juntamente com a prece, evidencia a quarta obriga&ccedil;&atilde;o:   aquela dirigida &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre os homens e os   deuses. Em princ&iacute;pio, o sacrif&iacute;cio e a oferta feita aos   deuses consistem em pagamento &agrave; sua generosidade, na medida em   que permitem a vida em determinada terra, a explora&ccedil;&atilde;o   de determinado produto, a ca&ccedil;a e a pesca de determinado animal   e peixe, etc. Neste sentido, o sacrif&iacute;cio &eacute; parte do   sistema da d&aacute;diva, pois, ao mesmo tempo, expressa uma troca   simb&oacute;lica e uma forma de media&ccedil;&atilde;o cultural entre os homens e os deuses, o profano e o sagrado.<A NAME="sdfootnote31anc" HREF="#sdfootnote31sym"><SUP>31</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Para Mauss e Hubert, &ldquo;o sacrif&iacute;cio &eacute; um ato   religioso que, pela consagra&ccedil;&atilde;o de uma v&iacute;tima,   modifica o estado moral da pessoa que o realiza ou de certos objetos   pelos quais ela se interessa&rdquo; (1981 [1899]: 151). Na verdade, o   que est&aacute; em jogo nesse processo &eacute; a passagem do profano   ao sagrado por meio da consagra&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima.   Por meio da imola&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima, com sua   destrui&ccedil;&atilde;o, se busca atingir o plano do sagrado.   Considerando que, como diz Girard, &ldquo;a viol&ecirc;ncia e o   sagrado s&atilde;o insepar&aacute;veis&rdquo; (1990: 33), a   destrui&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima no sacrif&iacute;cio &eacute;,   ela mesma, um ant&iacute;doto contra a viol&ecirc;ncia da sociedade.   Assim, o rito sacrificial promove a v&iacute;tima &agrave; condi&ccedil;&atilde;o   de sagrado e n&atilde;o o contr&aacute;rio. Enquanto   ritual, o sacrif&iacute;cio tem na v&iacute;tima o ve&iacute;culo   simb&oacute;lico de liga&ccedil;&atilde;o entre o sacrificante e a   divindade. O sacrif&iacute;cio, ent&atilde;o, pode ser visto como um   sistema de comunica&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica por meio do   qual o sacrificante dramatiza alguns dos valores b&aacute;sicos da   sociedade, sobretudo aqueles relativos &agrave; esfera do sagrado e   do campo divino. &Eacute; na tens&atilde;o que envolve o profano e o   sagrado que o corpo se apresenta, invariavelmente, como &ldquo;sujeito&rdquo;   e    /    ou &ldquo;v&iacute;tima&rdquo; preferencial do sacrif&iacute;cio.<A NAME="sdfootnote32anc" HREF="#sdfootnote32sym"><SUP>32</SUP></A></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Nessa linha de reflex&atilde;o, o supl&iacute;cio do penitente, a   imola&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima, o sofrimento da pessoa, o   mart&iacute;rio corporal, enfim, a &ldquo;viol&ecirc;ncia contra o   corpo&rdquo; aparece como um aspecto central no rito sacrificial. &Eacute;   que, lembram Mauss e Hubert, sendo o corpo um ve&iacute;culo   simb&oacute;lico de media&ccedil;&atilde;o entre o sacrificante e a   divindade, &eacute; preciso que haja uma rela&ccedil;&atilde;o de   afinidade entre ambos, pois &ldquo;&eacute; pelo semelhante que se   alimenta o semelhante&rdquo; (1981 [1899]: 220); afinal, &ldquo;a   v&iacute;tima tem sempre alguma coisa de divino que o sacrif&iacute;cio p&otilde;e em evid&ecirc;ncia&rdquo; (1981 [1899]:&nbsp;209).</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A prece, como o sacrif&iacute;cio, pode ser vista como parte do   sistema de reciprocidade da d&aacute;diva, especialmente no plano das   rela&ccedil;&otilde;es entre o profano e o sagrado. A quarta   obriga&ccedil;&atilde;o, como sugere Caill&eacute; (2002), expressa o   ato simb&oacute;lico de evocar a Deus atrav&eacute;s da prece e, ao   mesmo tempo, de cumprir a gra&ccedil;a obtida por meio do sacrif&iacute;cio,   movimentos estes reunidos na promessa. Fen&ocirc;meno social total, a   prece &eacute; um rito oral complexo, plural, infinito e   perform&aacute;tico, na medida em que n&atilde;o s&oacute; aciona um   sistema de cren&ccedil;as e mitos mas tamb&eacute;m exige um conjunto   de t&eacute;cnicas corporais na hora de sua pr&aacute;tica. &ldquo;Uma   ora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; somente a efus&atilde;o de   uma alma, o grito de um sentimento. &Eacute; um fragmento de uma   religi&atilde;o. Ouve-se ressoar a&iacute; o eco de toda uma imensa   sequ&ecirc;ncia de f&oacute;rmulas; &eacute; um trecho de uma   literatura, &eacute; o produto do esfor&ccedil;o acumulado dos homens   e das gera&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Mauss 1981 [1909]: 245). &Eacute;   o pr&oacute;prio Mauss quem nos adverte ainda para a necessidade de,   &ldquo;sempre que se anotar uma ora&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se   esquecer de anotar o ritual manual que a acompanha e seu simbolismo&rdquo;   (1993:&nbsp;234).<A NAME="sdfootnote33anc" HREF="#sdfootnote33sym"><SUP>33</SUP></A> Seja no orar em voz baixa ou gritar, recitar ou cantar, &eacute;   preciso estar atento para a gestualidade, os movimentos, o ritmo, as express&otilde;es obrigat&oacute;rias que o acompanham.<A NAME="sdfootnote34anc" HREF="#sdfootnote34sym"><SUP>34</SUP></A></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> Assim, nas folias, os gestos do sil&ecirc;ncio, do canto melanc&oacute;lico,   do fechar os olhos, do baixar a cabe&ccedil;a, colocar as m&atilde;os   postas junto ao peito, fazer o sinal da cruz, estender as m&atilde;os   em posi&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;a, cada qual refor&ccedil;a o   respeito, a subservi&ecirc;ncia, a rela&ccedil;&atilde;o do   foli&atilde;o-devoto com o espiritual, com o sagrado. A reza e o   canto promovem a media&ccedil;&atilde;o entre mundos supostamente   separados. Enfim, in&uacute;meros s&atilde;o os gestos que acompanham os ritos recitativos das ora&ccedil;&otilde;es e das rezas.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> Reconhecendo no rito certo parentesco com a t&eacute;cnica e a magia,   Mauss aproxima-se de uma perspectiva da a&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica   em que os ritos se ligam &ldquo;ao simples uso por uma s&eacute;rie   ininterrupta de fen&ocirc;menos intermedi&aacute;rios&rdquo; (1981   [1909]: 265), ou seja, a mat&eacute;ria dos ritos encontra-se no   cotidiano, no plano do mundo ordin&aacute;rio, contudo, a sua   efic&aacute;cia reside em poder transformar, ainda que   temporariamente, a natureza das coisas, como faz a magia. Da&iacute;   sua proximidade com a t&eacute;cnica e a magia. Para Mauss, a prece &eacute;   &ldquo;um rito religioso, oral, diretamente relacionado com as coisas   sagradas&rdquo; (1981 [1909]: 273). A prece &eacute;, ent&atilde;o,   um ato tradicional eficaz que pode causar fen&ocirc;menos   extraordin&aacute;rios; portanto, &eacute; como rito sagrado que se   pode entender seu car&aacute;ter m&aacute;gico;<A NAME="sdfootnote35anc" HREF="#sdfootnote35sym"><SUP>35</SUP></A> afinal, &ldquo;a prece &eacute; antes de tudo um meio de agir sobre   os seres sagrados; estes &eacute; que s&atilde;o influenciados por   ela, &eacute; nestes que ela suscita modifica&ccedil;&otilde;es&rdquo;   (1981 [1909]: 272). A prece n&atilde;o existe fora do ritual. Nesse   sentido, a inscri&ccedil;&atilde;o corporal envolvida na prece e nos   rituais &eacute; que fornece as bases de uma &ldquo;antropologia da   performance&rdquo; em Mauss. Nesta, a gestualidade simb&oacute;lica   performatizada atrav&eacute;s dos rituais de sacrif&iacute;cio e da   prece leva Mauss a reconhecer nos ritos manuais uma forma de ora&ccedil;&atilde;o. Diz ele:</font></P>     <blockquote>       <p>     <font size="2" face="Verdana">&ldquo;&hellip; h&aacute; certos ritos manuais,       claramente simb&oacute;licos, que poderiam ser chamados ora&ccedil;&otilde;es,       porque na realidade s&atilde;o uma esp&eacute;cie de linguagem por       meio de gesto; por exemplo, todas as dramaturgias religiosas, que t&ecirc;m       como finalidade reproduzir os altos feitos dos deuses, suas lutas       contra os dem&ocirc;nios, etc., s&atilde;o pr&aacute;ticas       equivalentes aos c&acirc;nticos rezados que contam aos deuses sua       pr&oacute;pria hist&oacute;ria e os incitam a renovar suas fa&ccedil;anhas&rdquo;     (1981 [1909]:&nbsp;272).</font></p> </blockquote>     <P><font size="2" face="Verdana"> De certa forma, &eacute; o que as folias de reis parecem dramatizar   quando vivem por 13 dias a jornada b&iacute;blica dos tr&ecirc;s Reis   Magos. Durante o rito natalino, um conjunto de gestos, t&eacute;cnicas,   sentimentos, valores, comportamentos, enfim, performances verbais e   corporais s&atilde;o &ldquo;restaurados&rdquo;, tomando emprestado de   Schechner (1988) sua defini&ccedil;&atilde;o de performance. Afinal, como reza o foli&atilde;o:</font></P>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"> E chegou a hora sagrada de continuar a miss&atilde;o    <BR>     Jesus,     Jos&eacute; e Maria [coro]     <BR>     Diz a Escritura Sagrada que quando     Jesus nasceu    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    ]]></body>
<body><![CDATA[<BR>     Numa parte do Oriente     uma estrela apareceu    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     Estrela nova     que brilhava mais do que as outras, por&eacute;m    <BR>     Jesus, Jos&eacute;     e Maria    <BR>     Caminhava caminhava para o lado de Bel&eacute;m    <BR>     Jesus,     Jos&eacute; e Maria    <BR>     Os tr&ecirc;s Reis do Oriente resolveram     acompanhar    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria    <BR>     E montaram em seus     camelos e come&ccedil;aram a viajar    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e     Maria    ]]></body>
<body><![CDATA[<BR>     Ouro, incenso e mirra levaram para ofertar    <BR>     Jesus, Jos&eacute;     e Maria    <BR>     Para chegar a Bel&eacute;m eles levaram 13 dias    <BR>     Jesus,     Jos&eacute; e Maria    <BR>     E por isso que fazemos semelhante     romaria    <BR>     Jesus, Jos&eacute; e Maria</font></p> </blockquote>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana">Conclus&atilde;o</font></b></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> O corpo pensado como fen&ocirc;meno social total adquire import&acirc;ncia   paradigm&aacute;tica na medida em que os gestos, as emo&ccedil;&otilde;es,   as t&eacute;cnicas, os cantos, as rezas, os sacrif&iacute;cios, os   prazeres, as brincadeiras, enfim, um sem-n&uacute;mero de   representa&ccedil;&otilde;es e express&otilde;es corporais, como   gestos e emo&ccedil;&otilde;es, nos deixam ver a profus&atilde;o dos   sentidos acionados nas jornadas dos Santos Reis. Assim, os gestos   envolvidos no sistema da d&aacute;diva (dar, receber, retribuir,   extensivos ao ofertar    /    pedir), expressam a l&oacute;gica   da reciprocidade com suas trocas simb&oacute;licas (e tamb&eacute;m   pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas, sociais, est&eacute;ticas,   morais, religiosas, etc.) realizadas, ora no plano da vida profana,   ora no plano da vida sagrada, ora ainda promovendo a mistura entre   ambas. A obriga&ccedil;&atilde;o aliada &agrave; liberdade de dar, de   receber, de retribuir, de ofertar    /    pedir    /    agradecer   aos deuses e aos santos fazem destes gestos ou desta gestualidade   mais do que um sistema de trocas interessadas, um complexo sistema de   trocas simb&oacute;licas que tem nas gentilezas, amizades, favores,   cren&ccedil;as, honrarias, gra&ccedil;as espirituais, esperan&ccedil;as   &ndash; dadas, recebidas, retribu&iacute;das, pedidas, oferecidas &ndash;   um modo de produzir um sentido coerente para a vida e    /    ou   uma ordem para o mundo, promovendo o di&aacute;logo entre os homens e seus santos.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> A aproxima&ccedil;&atilde;o do sacrif&iacute;cio e da prece com o   sistema de presta&ccedil;&otilde;es totais da d&aacute;diva nos   possibilita ampliar e aprofundar significativamente a formula&ccedil;&atilde;o   de uma teoria do ritual e a compreens&atilde;o da performance como   corporeidade. O estudo das folias nos permite, ainda, pensar a   sociologia e a antropologia de Mauss de forma mais integrada, a   exemplo do que ele mesmo defendeu como fato social total, ou seja, em   Mauss tamb&eacute;m tudo se mistura: a d&aacute;diva com a prece, com   o sacrif&iacute;cio, com a express&atilde;o obrigat&oacute;ria dos   sentimentos, com a magia.<A NAME="sdfootnote36anc" HREF="#sdfootnote36sym"><SUP>36</SUP></A> Para ele pessoas e coisas, corpo, alma e sociedade se misturam. Do   ponto de vista epistemol&oacute;gico, n&atilde;o &eacute; diferente   com os objetos, teorias e m&eacute;todos, respectivamente   representados aqui em termos de folia de reis, trocas simb&oacute;licas e fato social total.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> Em suma, os gestos de rezar, ofertar, brincar, saltar, dan&ccedil;ar,   etc. s&atilde;o a express&atilde;o performativa da corporeidade nas   folias de reis. O corpo &eacute; fundamento; o corpo e seus gestos   s&atilde;o fontes de sentido nas folias. A reza n&atilde;o &eacute;   s&oacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o de f&eacute;, &eacute;   tamb&eacute;m uma performance corporal. Nas folias de reis, o gesto e   o verbo formam um s&oacute; corpo. E o corpo reza, sofre, brinca,   salta, dan&ccedil;a, cansa, chora&hellip; Nas folias de reis, a   rela&ccedil;&atilde;o entre o corpo e a d&aacute;diva pede que se   considere tamb&eacute;m o sacrif&iacute;cio e a prece, as express&otilde;es obrigat&oacute;rias do sentimento e as t&eacute;cnicas do corpo.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font face="Verdana"><b><font size="3">BIBLIOGRAFIA</font></b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   AUSTIN, John, 1990, <I>Quando Dizer &eacute; Fazer: Palavras e A&ccedil;&atilde;o</I>. Porto Alegre, Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195495&pid=S0873-6561201600030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> BAKHTIN, Mikhail, 1993, &ldquo;Formas de tempo e de cronotopo no   romance: ensaios de po&eacute;tica hist&oacute;rica&rdquo;, em   M.&nbsp;Bakhtin, <I>Quest&otilde;es de Literatura e de Est&eacute;tica:     A Teoria do Romance</I>. S&atilde;o Paulo, Editora Unesp    /    Hucitec, 211-362 (3.&ordf;&nbsp;edi&ccedil;&atilde;o).</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   BENJAMIN, Walter, 1994, <I>Obras Escolhidas: Magia e T&eacute;cnica,     Arte e Pol&iacute;tica</I>. S&atilde;o Paulo, Brasiliense (7.&ordf;&nbsp;edi&ccedil;&atilde;o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195498&pid=S0873-6561201600030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> BITTER, Daniel, 2008, &ldquo;Versos de improvisos nas chulas dos   palha&ccedil;os de folias de reis&rdquo;, em Alexandre Pimentel e   Joana Correa (orgs.), <I>Na Ponta do Verso: Poesia de Improviso no     Brasil</I>. Rio de Janeiro, Associa&ccedil;&atilde;o Cultural Cabur&eacute;, 104-107.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   BITTER, Daniel, 2010, <I>A Bandeira e a M&aacute;scara: A Circula&ccedil;&atilde;o de Objetos Rituais nas Folias de Reis</I>. Rio de Janeiro, 7&nbsp;Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195501&pid=S0873-6561201600030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> BOURDIEU, Pierre, 2006, &ldquo;O campon&ecirc;s e seu corpo&rdquo;, <I>Revista de Sociologia e Pol&iacute;tica</I>, 26: 83-92.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> BRAND&Atilde;O, Carlos Rodrigues, 1981, <I>Sacerdotes da Viola:   Rituais Religiosos do Catolicismo Popular em S&atilde;o Paulo e Minas Gerais</I>. Petr&oacute;polis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195504&pid=S0873-6561201600030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana">BRAND&Atilde;O,   Carlos Rodrigues, 1983, &ldquo;Os mestres da folga e da folia&rdquo;,   em &Aacute;urea Sampaio <I>et al.</I>,   <I>Estrutura e Processos Sociais de     Reprodu&ccedil;&atilde;o do Saber Popular: Como o Povo Aprende?</I>,   vol.&nbsp;2. Campinas, s    /  ed. dispon&iacute;vel em <A HREF="http://www.sitiodarosadosventos.com.br/livro/images/stories/anexos/mestres_que_me_ensinavam.pdf&amp;gws_rd=cr&amp;ei=IwcjWNl8yOxS_NKyWA" target="_blank">http://www.sitiodarosadosventos.com.br/livro/images/stories/anexos/mestres_que_me_ensinavam.pdf</A> (&uacute;ltima consulta em outubro de 2016).</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> CAILL&Eacute;, Alain, 2002, <I>Antropologia do Dom: O Terceiro Paradigma</I>. Petr&oacute;polis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195507&pid=S0873-6561201600030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> CASCUDO, Lu&iacute;s da C&acirc;mara, 1987, <I>Hist&oacute;ria dos Nossos Gestos</I>. Belo Horizonte, Itatiaia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195509&pid=S0873-6561201600030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> CHAVES, Wagner, 2008, &ldquo;M&aacute;scaras, performances e m&iacute;mesis:   pr&aacute;ticas virtuais e significados dos palha&ccedil;os de santos   reis&rdquo;, <I>Textos Escolhidos de Cultura e Artes Populares</I>, 5&nbsp;(1): 75-88.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> COUTINHO, Delzimar, e Marcus Ant&ocirc;nio NOGUEIRA (orgs.), 2009, <I>Folias de Reis Fluminenses: Peregrinos do Sagrado</I>. Rio de Janeiro, Instituto Estadual do Patrim&ocirc;nio Cultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195512&pid=S0873-6561201600030000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> CSORDAS, Thomas, 1990, &ldquo;Embodiment as a paradigm for anthropology&rdquo;, <I>Ethos</I>, 18&nbsp;(1): 5-47.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   DURAND, Gilbert, 1998, <I>Campos do Imagin&aacute;rio</I>. Lisboa, Instituto Piaget.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195515&pid=S0873-6561201600030000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> FERNANDES, Rubem C&eacute;sar, 1982, <I>Os Cavaleiros do Bom Jesus:   Uma Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s Religi&otilde;es Populares</I>. S&atilde;o Paulo, Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195517&pid=S0873-6561201600030000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   GEERTZ, Clifford, 1989, <I>A Interpreta&ccedil;&atilde;o das     Culturas</I>. Rio de Janeiro, Livros T&eacute;cnicos e Cient&iacute;ficos Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195519&pid=S0873-6561201600030000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> GIRARD, Ren&eacute;, 1990, <I>A Viol&ecirc;ncia e o Sagrado</I>. S&atilde;o Paulo, Editora Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195521&pid=S0873-6561201600030000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   GODBOUT, Jacques, 1999, <I>O Esp&iacute;rito da D&aacute;diva</I>. Rio de Janeiro, Editora Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195523&pid=S0873-6561201600030000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   HAROCHE, Claudine, 1998, <I>Da Palavra ao Gesto</I>. Campinas, Papirus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195525&pid=S0873-6561201600030000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   LABURTHE-TOLRA, Philippe, e Jean-Pierre WARNIER, 1997, <I>Etnologia-Antropologia</I>. &shy;Petr&oacute;polis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195527&pid=S0873-6561201600030000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> LE GOFF, Jacques, 1994, &ldquo;Os gestos do Purgat&oacute;rio&rdquo;,   em J.&nbsp;Le Goff, <I>O Imagin&aacute;rio Medieval</I>. Lisboa, Estampa, 149-156.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> L&Eacute;VI-STRAUSS, Claude, 1967, <I>Antropologia Estrutural</I>.   Rio de Janeiro    /  Bras&iacute;lia, Tempo Brasileiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195530&pid=S0873-6561201600030000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> L&Eacute;VI-STRAUSS, Claude, 2003 [1950], &ldquo;Introdu&ccedil;&atilde;o   &agrave; obra de Marcel Mauss&rdquo;, em M.&nbsp;Mauss, <I>Sociologia e Antropologia</I>. S&atilde;o Paulo, Cosac Naify, 11-46.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MALINOWSKI, Bronislaw, 1976, &ldquo;O significado da linguagem nas   sociedades primitivas&rdquo;, em C.    K. Ogden e I.    A.   Richards, <I>O Significado de Significado: Um Estudo da Influ&ecirc;ncia     da Linguagem sobre o Pensamento e sobre a Ci&ecirc;ncia do     Simbolismo</I>. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 295-330 (2.&ordf;&nbsp;edi&ccedil;&atilde;o).</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   MARTINS, Paulo Henrique (org.), 2002, <I>A D&aacute;diva entre os     Modernos: Discuss&atilde;o sobre os Fundamentos e as Regras do Social</I>. Petr&oacute;polis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195534&pid=S0873-6561201600030000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   MAUSS, Marcel, 1981, <I>Ensaios de Sociologia</I>. S&atilde;o Paulo, Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195536&pid=S0873-6561201600030000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, 1981 [1909], &ldquo;A prece&rdquo;, em Marcel Mauss, <I>Ensaios de Sociologia</I>. S&atilde;o Paulo, Perspectiva, 229-324.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, 1981 [1921], &ldquo;A express&atilde;o obrigat&oacute;ria   dos sentimentos (rituais orais funer&aacute;rios australianos)&rdquo;,   em Marcel Mauss, <I>Ensaios de Sociologia</I>. S&atilde;o Paulo, Perspectiva, 325-335.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   MAUSS, Marcel, 1993, <I>Manual de Etnografia</I>. Lisboa, Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195540&pid=S0873-6561201600030000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, 2003 [1904-1905], &ldquo;Ensaio sobre as varia&ccedil;&otilde;es   sazonais das sociedades esquim&oacute;s: estudo de morfologia   social&rdquo;, em Marcel Mauss, <I>Sociologia e Antropologia</I>. S&atilde;o Paulo, Cosac Naify, 425-505.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, 2003 [1924], &ldquo;Rela&ccedil;&otilde;es reais e   pr&aacute;ticas entre a psicologia e a sociologia&rdquo;, em Marcel   Mauss, <I>Sociologia e Antropologia</I>. S&atilde;o Paulo, Cosac Naify, 315-344.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, 2003 [1925], &ldquo;Ensaio sobre a d&aacute;diva:   Forma e raz&atilde;o da troca nas sociedades arcaicas&rdquo;, em   Marcel Mauss, <I>Sociologia e Antropologia</I>. S&atilde;o Paulo, Cosac Naify, 183-314.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, 2003 [1934], &ldquo;As t&eacute;cnicas do corpo&rdquo;,   em Marcel Mauss, <I>Sociologia e Antropologia</I>. S&atilde;o Paulo, Cosac Naify, 399-422.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, 2003 [1938], &ldquo;Uma categoria do esp&iacute;rito   humano: a no&ccedil;&atilde;o de pessoa, a de &lsquo;eu&rsquo;    &rdquo;,   em Marcel Mauss, <I>Sociologia e Antropologia</I>. S&atilde;o Paulo, Cosac Naify, 367-397.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, e Henri HUBERT, 1981 [1899], &ldquo;Ensaio sobre a   natureza e a fun&ccedil;&atilde;o do sacrif&iacute;cio&rdquo;, em   Marcel Mauss, <I>Ensaios de Sociologia</I>. S&atilde;o Paulo, Perspectiva, 141-227.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> MAUSS, Marcel, e Henri HUBERT, 2003 [1904], &ldquo;Esbo&ccedil;o de   uma teoria geral da magia&rdquo;, em Marcel Mauss, <I>Sociologia e Antropologia</I>. S&atilde;o Paulo, Cosac Naify, 47-181.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   MERLEAU-PONTY, Maurice, 1992, <I>O Vis&iacute;vel e o Invis&iacute;vel</I>. S&atilde;o Paulo, Perspectiva (3.&ordf;&nbsp;edi&ccedil;&atilde;o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195549&pid=S0873-6561201600030000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> PEREIRA, Jos&eacute; Carlos, 2004, <I>Sincretismo Religioso e Ritos   Sacrificiais: Influ&ecirc;ncia das Religi&otilde;es Afro no Catolicismo Popular Brasileiro. </I>S&atilde;o Paulo, Zouk.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195551&pid=S0873-6561201600030000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> RIVI&Egrave;RE, Jean-Loup, 1987, &ldquo;Gesto&rdquo;, em <I>Enciclop&eacute;dia   Einaudi</I>&nbsp;<I>11: Oral-Escrito      /      Argumenta&ccedil;&atilde;o</I>. Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 11-31.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   ROCHA, Gilmar, 2011, <I>Mauss e a Educa&ccedil;&atilde;o</I>. Belo Horizonte, Aut&ecirc;ntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195554&pid=S0873-6561201600030000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> ROCHA, Gilmar, 2014, &ldquo;A roupa animada: <I>persona</I> e   performance na jornada dos Santos Reis&rdquo;, <I>Cronos,</I> 15&nbsp;(2): 8-34.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana"> RODRIGUES, Rog&eacute;rio, 1997, <I>O Pensamento Antropol&oacute;gico   de Marcel Mauss: Uma Leitura das T&eacute;cnicas Corporais</I>.   Campinas, Universidade Estadual de Campinas, disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195557&pid=S0873-6561201600030000500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> SCHMITT, Jean-Claude, 1995, &ldquo;A moral dos gestos&rdquo;, em   D.    B. Sant&rsquo;Anna (org.), <I>Pol&iacute;ticas do Corpo</I>. S&atilde;o Paulo, Esta&ccedil;&atilde;o da Liberdade, 141-161.</font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> SCHECHNER, Richard, 1988, &ldquo;Victor Turner&rsquo;s last   adventure&rdquo;, em Victor Turner, <I>Anthropology of Performance</I>. Nova Iorque, PAJ Publications, 7-20.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   STEIN, Stanley, 1990, <I>Vassouras: Um Munic&iacute;pio Brasileiro do Caf&eacute; (1850-1900)</I>. Rio de Janeiro, Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195561&pid=S0873-6561201600030000500045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P><font size="2" face="Verdana"> TRAJANO FILHO, Wilson, 2009, &ldquo;Os cortejos das tabancas: dois   modelos da ordem&rdquo;, em M.    L. Cavalcanti e J.    R.   Gon&ccedil;alves (orgs.), <I>As Festas e os Dias: Ritos e Sociabilidades Festivas. </I>Rio de Janeiro, Contra Capa, 37-73.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   TURNER, Victor, 1988, <I>Anthropology of Performance</I>. Nova Iorque, PAJ Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195564&pid=S0873-6561201600030000500047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana">   TURNER, Victor, 2008, <I>Dramas, Campos e Met&aacute;foras: A&ccedil;&atilde;o     Simb&oacute;lica na Sociedade Humana</I>. Niter&oacute;i, Editora da Universidade Federal Fluminense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=195566&pid=S0873-6561201600030000500048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><b><font size="3" face="Verdana">NOTAS</font></b></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote1sym" HREF="#sdfootnote1anc">1</A> Agrade&ccedil;o     ao mestre Ant&ocirc;nio Ven&acirc;ncio o acolhimento em sua fam&iacute;lia,     e a todos os integrantes da folia Estrela Guia pela &ldquo;gra&ccedil;a&rdquo;   de suas companhias, e tamb&eacute;m ao Marcus Venitius Bonato Filho,     bolsista de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica (UFF-CNPq) que     dividiu comigo a &ldquo;d&aacute;diva&rdquo; do trabalho de campo.     Aproveito ainda para agradecer aos amigos Ana Maria Marques,     Edilberto Fonseca e Sandra Pereira Tosta a leitura atenciosa, e aos     avaliadores pelos coment&aacute;rios enriquecedores a este ensaio.     Os nomes dos anfitri&otilde;es      /      devotos s&atilde;o     fict&iacute;cios e colocados entre aspas.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote2sym" HREF="#sdfootnote2anc">2</A> &Eacute;   comum as folias serem identificadas pelo nome dos mestres foli&otilde;es.     A Estrela Guia n&atilde;o foge &agrave; regra, sendo conhecida &agrave;   &eacute;poca como a &ldquo;folia do Randolphinho&rdquo;. Randolpho     Lopes Filho (1940-2011), devoto dos Santos Reis, foi um importante e     respeitado mestre foli&atilde;o de Massambar&aacute;, distrito de     Vassouras (RJ), cidade na qual exerceu o cargo de presidente da     C&acirc;mara dos Vereadores por dois mandatos consecutivos. As     hist&oacute;rias em torno de sua sabedoria e autoridade de mestre     foli&atilde;o, por vezes, ganham um colorido m&iacute;tico. Mas,     desde 2012, o mestre Ant&ocirc;nio Ven&acirc;ncio passou a guiar a     folia.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote3sym" HREF="#sdfootnote3anc">3</A> Embora     os conceitos de drama e trag&eacute;dia sejam distintos, aqui penso     a experi&ecirc;ncia dram&aacute;tica das jornadas no sentido dado     por Nietzsche ao tr&aacute;gico enquanto modo de dizer sim &agrave;   vida, sem medo do sofrimento e da dor.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote4sym" HREF="#sdfootnote4anc">4</A> Algumas     folias voltam a sair no dia 20 de janeiro, dia de S.&nbsp;Sebasti&atilde;o,     santo padroeiro do Rio de Janeiro.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote5sym" HREF="#sdfootnote5anc">5</A> A   &ldquo;visita&rdquo; e a &ldquo;roda&rdquo; s&atilde;o retomadas &agrave;   frente; para uma vis&atilde;o de todo o processo, consultar Rocha     (2014).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote6sym" HREF="#sdfootnote6anc">6</A> O     corpo concebido como &ldquo;fundamento&rdquo; torna-se sujeito da     cultura e n&atilde;o seu objeto apenas. Para Csordas (1990), o     corpo, ou melhor, a corporeidade entendida como paradigma n&atilde;o     dualista, portanto n&atilde;o dividida entre raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o,     mat&eacute;ria e esp&iacute;rito, etc., confere ao corpo a qualidade     de sujeito da cultura. Mauss, parece-me, antecipa a supera&ccedil;&atilde;o     dessa dualidade, ponto esse de discord&acirc;ncia com Csordas, para     quem Mauss manteve a fragmenta&ccedil;&atilde;o corpo      /  pessoa.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote7sym" HREF="#sdfootnote7anc">7</A> Apesar     da aparente impress&atilde;o de fragmenta&ccedil;&atilde;o e     inacabamento, a obra de Mauss forma uma &ldquo;totalidade&rdquo;   relativamente coerente e integrada, na qual o <I>Manual de       Etnografia</I> (Mauss 1993) apresenta afinidades com o &ldquo;Esbo&ccedil;o     de uma teoria geral da magia&rdquo; (Mauss e Hubert 2003 [1904]); o   &ldquo;Ensaio sobre a d&aacute;diva&rdquo; (Mauss 2003 [1925]) deve     ser visto em conjunto com o &ldquo;Ensaio sobre a natureza e fun&ccedil;&atilde;o     do sacrif&iacute;cio&rdquo; (Mauss e Hubert 1981 [1899]) e &ldquo;A     prece&rdquo; (Mauss 1981 [1909]). O mundo das ideias se alimenta da     experi&ecirc;ncia concreta, a economia se mistura &agrave; religi&atilde;o,     a est&eacute;tica &agrave; moral, sugerindo assim uma perspectiva     interacionista de explica&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos     sociais em que a a&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica se     retroalimenta das representa&ccedil;&otilde;es sociais e vice-versa.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote8sym" HREF="#sdfootnote8anc">8</A> Numa     defini&ccedil;&atilde;o simples, &ldquo;chama-se de reciprocidade o     processo pelo qual as presta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o trocadas     na modalidade da d&aacute;diva e da contrad&aacute;diva&rdquo;,     observam Laburthe-Tolra e Warnier (1997: 345). Essas considera&ccedil;&otilde;es     t&ecirc;m como refer&ecirc;ncia as folias de reis; contudo,     acredito, pode-se estender tal perspectiva a outras manifesta&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote9sym" HREF="#sdfootnote9anc">9</A> A     d&aacute;diva &eacute; coextensiva do s&iacute;mbolo, o que faz dela     o fundamento da vida social &ndash; ver Godbout (1999) e,     principalmente, Caill&eacute; (2002), que defende a d&aacute;diva     como terceiro paradigma.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote10sym" HREF="#sdfootnote10anc">10</A> Tomo     em Bourdieu (2006: 86) a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;<I>hexis</I> corporal&rdquo;, por ele apreendida de Mauss, somente para refor&ccedil;ar     a ideia de um &ldquo;jeito&rdquo; de corpo, resultado de um processo     fenom&ecirc;nico      /      morfol&oacute;gico de educa&ccedil;&atilde;o     e socializa&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote11sym" HREF="#sdfootnote11anc">11</A> O   &ldquo;homem total&rdquo; de Mauss, ao mesmo tempo biol&oacute;gico,     ps&iacute;quico e s&oacute;cio-hist&oacute;rico, pode ser     apreendido, tridimensionalmente, a partir de suas reflex&otilde;es     em &ldquo;A express&atilde;o obrigat&oacute;ria dos sentimentos&rdquo;   (1981 [1921]), &ldquo;Uma categoria do esp&iacute;rito humano: a     no&ccedil;&atilde;o de pessoa, a de &lsquo;eu&rsquo;    &rdquo;   (2003 [1938]) e &ldquo;As t&eacute;cnicas do corpo&rdquo; (2003     [1934]). Tamb&eacute;m Rog&eacute;rio Rodrigues (1997) pensa &ldquo;As     t&eacute;cnicas do corpo&rdquo; como um dos ensaios basilares na     antropologia de Mauss, o que refor&ccedil;a a hip&oacute;tese da     centralidade estrutural do corpo no pensamento do etn&oacute;logo     franc&ecirc;s.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote12sym" HREF="#sdfootnote12anc">12</A> As   &ldquo;jornadas&rdquo; ou o &ldquo;giro&rdquo; s&atilde;o     deslocamentos produzidos pelas folias ao longo de 13 dias.     Normalmente o percurso &eacute; definido com anteced&ecirc;ncia,     pois &eacute; preciso acertar os lugares de &ldquo;pouso&rdquo; e     refei&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m &eacute; comum a folia     desviar-se temporariamente do percurso, para atender algum devoto     que pede uma &ldquo;visita&rdquo;.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote13sym" HREF="#sdfootnote13anc">13</A> S&atilde;o     festas realizadas fora do per&iacute;odo     do ciclo natalino, quando uma folia convida     outras para um encontro. Sem exagero, essas festas lembram     o <I>potlatch</I> dos &iacute;ndios     americanos. Em 2012, o mestre Ven&acirc;ncio promoveu uma grande     festa de reis na qual recebeu cerca de dez folias. Durante o     encontro, cada uma das folias se apresenta, reza para os &ldquo;reis&rdquo;   (como se diz comumente) e, na sequ&ecirc;ncia, s&atilde;o convidadas     a se sentar &agrave; mesa para cear. Tais festas duram a noite     inteira e s&oacute; terminam quando o Sol j&aacute; est&aacute;   alto.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote14sym" HREF="#sdfootnote14anc">14</A> Apesar     da aparente generaliza&ccedil;&atilde;o em torno das folias, essa     caracteriza&ccedil;&atilde;o parte da experi&ecirc;ncia junto ao     grupo da Estrela Guia. Em algumas localidades os palha&ccedil;os s&atilde;o     vistos como protetores disfar&ccedil;ados do menino Jesus.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote15sym" HREF="#sdfootnote15anc">15</A> Durante     o Brasil Imp&eacute;rio, Vassouras desenvolveu-se econ&ocirc;mica e     culturalmente, tornando-se centro de produ&ccedil;&atilde;o     cafeicultora e regi&atilde;o de veraneio dos membros da fam&iacute;lia     real e da corte. O registro dessa opul&ecirc;ncia pode ser     acompanhado no &ldquo;cl&aacute;ssico&rdquo; <I>Vassouras</I> do     brasilianista Stanley Stein (1990).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote16sym" HREF="#sdfootnote16anc">16</A> Sete   &eacute; n&uacute;mero cabal&iacute;stico e, segundo a Ma&ccedil;onaria,   &ldquo;representa a plenitude ou o pleno (sete maravilhas, perdoar     sete vezes, sete dias da semana, etc.); entendemos, por&eacute;m,     que uma promessa dever&aacute; ser paga plenamente. Raz&atilde;o que     levam [<I>sic</I>] os foli&otilde;es a homenagear o santo que     prometeu durante sete anos, tanto em Folia de Reis quanto em Folias     de outros santos segundo a tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Assim o     mestre foli&atilde;o Ronalt Aguiar Santiago, mais conhecido como     Roninho, da Regi&atilde;o dos Lagos (norte do Estado do Rio de     Janeiro), me explicou o tempo das promessas.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote17sym" HREF="#sdfootnote17anc">17</A> A     promessa &eacute;, sem d&uacute;vida alguma, exemplo da quarta     obriga&ccedil;&atilde;o de que fala Mauss (2003 [1925]): em termos     sociol&oacute;gicos, uma forma de media&ccedil;&atilde;o entre os     homens e os deuses.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote18sym" HREF="#sdfootnote18anc">18</A>	A     palavra <I>religare</I> do latim <I>religio</I>, designa a ideia de     religar, ligar novamente, ligar os homens a Deus, como tamb&eacute;m     pode estar associada &agrave; ideia de ligar os homens ao passado,     no sentido de <I>relinquere</I>.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote19sym" HREF="#sdfootnote19anc">19</A> Mas     nem sempre os gestos gozaram de prest&iacute;gio entre os homens,     principalmente os cl&eacute;rigos do per&iacute;odo medieval, que     viam nele um sinal do diabo. &Eacute; o que diz Le Goff em &ldquo;Os     gestos do Purgat&oacute;rio&rdquo;: &ldquo;As nossas pesquisas     levam-nos a pensar que o cristianismo da Alta Idade M&eacute;dia     achou suspeita a gesticula&ccedil;&atilde;o: a pr&oacute;pria     palavra <I>gestus</I> passou por um eclipse entre os s&eacute;culos     V e XII. &lsquo;Gestos&rsquo; faz pensar em dois dom&iacute;nios     particularmente detestados pelos crist&atilde;os, que neles davam     vigoroso combate &agrave;s sobreviv&ecirc;ncias pag&atilde;s: o do     teatro e o da possess&atilde;o diab&oacute;lica. Os especialistas do     gesto &ndash; os mimos ou os possessos &ndash; eram v&iacute;timas     ou c&uacute;mplices de Satan&aacute;s. A mil&iacute;cia do Cristo     era discreta e s&oacute;bria nos gestos. O ex&eacute;rcito do Diabo     gesticulava&rdquo; (1994: 150). No campo da pol&iacute;tica moderna,     os gestos tornaram-se s&iacute;mbolos do poder, sendo a pr&oacute;pria     ag&ecirc;ncia de institucionaliza&ccedil;&atilde;o do poder, observa     Haroche (1998). A etiqueta no Antigo Regime ir&aacute; revelar a     gram&aacute;tica do poder inscrita no jogo da apar&ecirc;ncia     dramatizado nos sal&otilde;es da sociedade de corte.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote20sym" HREF="#sdfootnote20anc">20</A> Tomo     emprestado de Bakhtin (1993) o termo cronotopo, por ele empregado na     cr&iacute;tica liter&aacute;ria, para pensar a &ldquo;visita&rdquo;   e a &ldquo;roda&rdquo; como situa&ccedil;&otilde;es espa&ccedil;o-temporais     que condensam uma enorme gama de representa&ccedil;&otilde;es e     pr&aacute;ticas sociais.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote21sym" HREF="#sdfootnote21anc">21</A> O     limite desse ensaio me obriga a destacar neste momento somente os     gestos mais rotineiros performatizados durante as &ldquo;visitas&rdquo;.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote22sym" HREF="#sdfootnote22anc">22</A> Camille     Tarot lembra que a &ldquo;gra&ccedil;a&rdquo; &eacute; a forma pura     da d&aacute;diva (ver Martins 2002).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote23sym" HREF="#sdfootnote23anc">23</A> Talvez     n&atilde;o seja exagero ver na performance verbal do mestre foli&atilde;o     um ato ilocucion&aacute;rio (Austin 1990) que nos aproxima dos ritos     m&aacute;gicos; afinal, a palavra, o canto, exercem poder sobre     objetos e pessoas, observam Mauss e Hubert (2003 [1904]). Tamb&eacute;m     L&eacute;vi-Strauss (1967), em estudo cl&aacute;ssico sobre a magia,     destaca o papel da linguagem, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para     os rituais encantat&oacute;rios, como missas e sess&otilde;es de     cura, onde o padre ou o xam&atilde; fornecem ao doente um mito, uma     linguagem a partir da qual ele pode organizar e formular suas dores,     ansiedades, enfim, um sentido para a sua &ldquo;m&aacute; sorte&rdquo;.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote24sym" HREF="#sdfootnote24anc">24</A> A     fus&atilde;o de sentidos que a folia produz sugere uma aproxima&ccedil;&atilde;o     com a ideia de &ldquo;carne&rdquo; em &shy;Merleau-Ponty (1992),     entrela&ccedil;amento do corpo com o mundo, mas este &eacute; um     ponto a ser aprofundado em outro momento.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote25sym" HREF="#sdfootnote25anc">25</A> A     cada vez que se visita uma casa, reiterando o sentido da repeti&ccedil;&atilde;o,     na verdade um novo sentido &eacute; criado, produzindo a diferen&ccedil;a.     A repeti&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; c&oacute;pia mas     recria&ccedil;&atilde;o. Em outro momento destaquei a import&acirc;ncia     da indument&aacute;ria, entendida como parte de um sistema de     objetos (vestu&aacute;rio, m&aacute;scaras, adere&ccedil;os) que     comp&otilde;em a identidade cultural dos foli&otilde;es: o ato de   &ldquo;vestir o uniforme ou a farda na folia, portanto uma &lsquo;roupa     especial&rsquo; investida de valor simb&oacute;lico e ritual &eacute;,     na verdade, vestir um tipo de &lsquo;<I>persona</I>&rsquo;   (&lsquo;pessoa&rsquo;)&rdquo; (Rocha 2014:&nbsp;13).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote26sym" HREF="#sdfootnote26anc">26</A> As     folias de reis de Vassouras vivem, em sua maioria, um momento de     resist&ecirc;ncia cultural frente ao descaso e &agrave; falta de     pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do poder local institu&iacute;do,     denunciam os foli&otilde;es.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote27sym" HREF="#sdfootnote27anc">27</A> Alguns     foli&otilde;es t&ecirc;m apontado essa mudan&ccedil;a perform&aacute;tica,     pois lembram que antigamente o bom palha&ccedil;o era aquele capaz     de prender a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico pela sua     po&eacute;tica; atualmente, os mais jovens constroem sua reputa&ccedil;&atilde;o     em torno de suas performances acrob&aacute;ticas. Nas regi&otilde;es     interioranas (ro&ccedil;as), a performance verbal ainda prevalece     sobre a corporal; o contr&aacute;rio ocorre no espa&ccedil;o urbano.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote28sym" HREF="#sdfootnote28anc">28</A> Por     exemplo, s&atilde;o comuns as est&oacute;rias dos palha&ccedil;os     v&iacute;timas de &ldquo;surras&rdquo;, sem que se possa ver quem as     aplica, por terem quebrado alguma regra; ou ent&atilde;o, as     narrativas sobre vis&otilde;es de &ldquo;coisas&rdquo; e &ldquo;seres&rdquo;   obtidas com a &ldquo;prote&ccedil;&atilde;o&rdquo; das m&aacute;scaras.     A motiva&ccedil;&atilde;o para ser palha&ccedil;o nem sempre &eacute;   religiosa, mas muitas vezes social e est&eacute;tica, na medida em     que a personagem garante certa &ldquo;fama&rdquo; e &ldquo;prest&iacute;gio&rdquo;   junto aos jovens. Para uma an&aacute;lise mais densa sobre os     palha&ccedil;os, ver o trabalho de Bitter (2010). &Eacute; bom que     se diga, existe mais de um tipo de palha&ccedil;o com diferentes     estilos (&ldquo;quebra&rdquo; &eacute; a categoria nativa que     expressa essa ideia) &ndash; ver Rocha (2014).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote29sym" HREF="#sdfootnote29anc">29</A> Essa     representa&ccedil;&atilde;o foi elaborada a partir do parecer de um     dos avaliadores do texto, a quem agrade&ccedil;o, na esperan&ccedil;a     de ter apreendido o sentido fecundo de sua interven&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote30sym" HREF="#sdfootnote30anc">30</A> Curiosamente,     o foli&atilde;o &eacute; tomado de grande excita&ccedil;&atilde;o no     exato momento em que se aproxima o fim da jornada. Os palha&ccedil;os,     estimulados pelos espectadores, parecem investidos de uma for&ccedil;a     superior que os leva a saltos cada vez mais ousados e acrobacias     ins&oacute;litas; os foli&otilde;es da bateria tocam seus     instrumentos como se participassem de um ritual ex&oacute;tico; ao     fim e ao cabo, n&atilde;o se distinguem, &agrave;s vezes, os sinais     de cansa&ccedil;o em meio aos gestos da devo&ccedil;&atilde;o     durante a &ldquo;reza-canto&rdquo; dos foli&otilde;es. Alguns     foli&otilde;es parecem tomados por um &ecirc;xtase.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote31sym" HREF="#sdfootnote31anc">31</A> Mauss     e Hubert (1981 [1899]) conferem ao sacrif&iacute;cio uma estrutura     composta de entrada e sa&iacute;da, na qual, entre uma e outra     dessas a&ccedil;&otilde;es, se desenvolve toda uma performance     protagonizada por personagens (sacrificantes, sacrificadores e     v&iacute;timas), instrumentos e lugares.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote32sym" HREF="#sdfootnote32anc">32</A> Rubem     Fernandes (1982) e Jos&eacute; Carlos Pereira (2004) lembram ainda     que os devotos das camadas populares encontram no sacrif&iacute;cio     ritual dedicado aos santos um meio de mitigar os sofrimentos humanos     e resgatar a esperan&ccedil;a na vida.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote33sym" HREF="#sdfootnote33anc">33</A> Observa&ccedil;&atilde;o     que lembra aquela de Benjamin (1994) ao final do magn&iacute;fico &ldquo;O     narrador&rdquo;, quando fala da coordena&ccedil;&atilde;o da alma,     do olhar e da m&atilde;o, t&iacute;pica do artes&atilde;o. Afinal, a     pergunta que se faz parece refor&ccedil;ar nossa hip&oacute;tese da   &ldquo;gestualidade elementar da reciprocidade&rdquo;, na medida em     que ele suspeita ser a rela&ccedil;&atilde;o entre o narrador e sua     mat&eacute;ria &ndash; a vida humana ela pr&oacute;pria &ndash; uma     rela&ccedil;&atilde;o artesanal. Em outras palavras, tamb&eacute;m a     rela&ccedil;&atilde;o entre corpo e d&aacute;diva &eacute; ela mesma     uma rela&ccedil;&atilde;o performativa.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote34sym" HREF="#sdfootnote34anc">34</A> Ver     o caso dos ritos orais funer&aacute;rios na Austr&aacute;lia, em que     o canto feito ao morto representa um convite a um verdadeiro teatro.   &Eacute; bom que se diga que os sentimentos, embora expressem uma     concep&ccedil;&atilde;o subjetivada da individualidade, se inscrevem     no plano sociol&oacute;gico da linguagem. Em outras palavras, para     Mauss, &ldquo;todas as express&otilde;es coletivas, simult&acirc;neas,     de valor moral e de for&ccedil;a obrigat&oacute;ria dos sentimentos     do indiv&iacute;duo e do grupo s&atilde;o mais do que simples     manifesta&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o sinais, express&otilde;es     compreendidas, em suma, uma linguagem. Estes gritos, s&atilde;o como     frases e palavras. &Eacute; preciso diz&ecirc;-las, mas se &eacute;   preciso diz&ecirc;-las &eacute; porque todo o grupo as compreende. A     pessoa, portanto, faz mais do que manifestar os seus sentimentos a     outrem, visto que &eacute; mister manifestar-lhos. Ela os manifesta     a si mesma exprimindo-os aos outros e por conta dos outros. Trata-se     essencialmente de uma a&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica&rdquo;   (1981 [1921]:&nbsp;332).</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote35sym" HREF="#sdfootnote35anc">35</A> Tal     afinidade pode ainda ser verificada a partir das considera&ccedil;&otilde;es     de L&eacute;vi-Strauss (1967) e de Malinowski (1976) sobre a     natureza ritual oral da magia.</font></P>     <P>   <font size="2" face="Verdana"><A NAME="sdfootnote36sym" HREF="#sdfootnote36anc">36</A> Claude     L&eacute;vi-Strauss (2003 [1950]) observa, em &ldquo;Introdu&ccedil;&atilde;o   &agrave; obra de Marcel Mauss&rdquo;, que o &ldquo;Ensaio sobre a     d&aacute;diva&rdquo;, de 1925, come&ccedil;a onde parou o &ldquo;Esbo&ccedil;o     de uma teoria geral da magia&rdquo;, de 1903.</font></P>      ]]></body><back>
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