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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Da resistência africanista ao suvenir africano: artesanato, nação e fantasmagoria na ilha da Boa Vista, Cabo Verde]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From Africanist resistance to African souvenir: handicraft, nation and phantasmagoria on the island of Boa Vista, Cape Verde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the last ten years, the growth of both tourism and immigration on the island of Boa Vista (Cape Verde) has led to the opening of an increased number of handicraft shops, mostly owned by Senegalese immigrants who sell artifacts which are either locally crafted or shipped from Senegal. These immigrants have been facing a number of discriminatory practices, while being systematically accused of “harassing tourists” and of selling objects that are not representative of Cape Verdean culture. This article proposes to reflect on this handicraft trade in relation to the processes of nation building in Cape Verde and on the role of crafts in these processes.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2">         <b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Da resistência africanista ao suvenir africano: artesanato,   nação e fantasmagoria na ilha da Boa Vista, Cabo Verde</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>From   Africanist resistance to African souvenir: handicraft, nation and phantasmagoria on the island of Boa Vista, Cape Verde</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Eduarda Rovisco<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Instituto Universitário de   Lisboa (ISCTE-IUL), CRIA, Lisboa, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:eduarda.rovisco@gmail.com">eduarda.rovisco@gmail.com</a> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">      <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nos últimos dez anos, o crescimento do turismo e da imigração   na ilha da Boa Vista (Cabo Verde) originou a abertura de um elevado número de   lojas de artesanato, maioritariamente pertencentes a imigrantes senegaleses que   se dedicam à venda de artefactos provenientes do seu país ou por si produzidos   nesta ilha. Estes imigrantes têm sido alvo de práticas discriminatórias, sendo   sistematicamente acusados de venderem objetos não representativos da cultura   cabo-verdiana e de “assediarem os turistas”. Este artigo propõe uma reflexão em   torno deste comércio, articulando-o com os processos de construção da nação cabo-verdiana e com o papel do artesanato nesta construção.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> artesanato, suvenir, identidade   nacional, Boa Vista, Cabo Verde</font></p> <hr noshade size="1">      <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">In the last   ten years, the growth of both tourism and immigration on the island of Boa   Vista (Cape Verde) has led to the opening of an increased number of handicraft   shops, mostly owned by Senegalese immigrants who sell artifacts which are   either locally crafted or shipped from Senegal. These immigrants have   been facing a number of discriminatory practices, while being systematically   accused of “harassing tourists” and of selling objects that are not   representative of Cape Verdean culture. This article proposes to reflect on   this handicraft trade in relation to the processes of nation building in Cape Verde and on the role of crafts in these processes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> handicraft, souvenir, national   identity, Boa Vista, Cape Verde</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este artigo resulta de uma investigação em curso realizada   no âmbito de um projeto de pós-doutoramento sobre turismo e identificação   nacional em Cabo Verde e suporta-se em materiais colhidos no decurso de duas   etapas de trabalho de campo efetuadas entre finais de 2011 e meados de 2015 nas   ilhas de Santiago, São Vicente e Boa Vista.<a name="_ftnref1"></a><a href="#_ftn1" title=""><sup>[1]</sup></a> Na primeira secção deste texto apresenta-se uma síntese dos discursos sobre   artesanato em distintas etapas dos processos de identificação nacional,   incorporando materiais resultantes de uma pesquisa no arquivo do Centro   Nacional de Artesanato e de um conjunto de entrevistas realizadas com   produtores e comerciantes de artesanato nas três ilhas. Nas duas últimas   secções são revelados dados de uma análise sobre a aceleração do crescimento do   turismo, da imigração, do comércio de artesanato e dos seus conflitos na ilha da Boa Vista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Da resistência africanista ao suvenir africano</b></font></p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b></b></font><font size="2" face="Verdana"><b>Da era da “grande e   confrangedora penúria”</b></font></p> <font face="Verdana">     <p><font size="2" face="Verdana">No período colonial, os intelectuais implicados na   construção, tematização e inquirição da cultura popular cabo-verdiana   conferiram pouca atenção à sua componente material. Entre a escassa   bibliografia dedicada ao tema contam-se dois textos de Nuno de Miranda (1968) e   António Carreira (1983&nbsp;[1968]) e um conjunto de curtas referências   proferidas no âmbito do debate atiçado pelas polémicas declarações de Gilberto   Freyre sobre a “instabilidade cultural” que afirmou ter encontrado no   arquipélago, no decurso da sua visita a Cabo Verde em 1951. Para Freyre, esta   “instabilidade” podia ser atestada pela “ausência, entre esses mesmos ilhéus,   de artes populares em que se exprimisse uma saudável interpenetração das   culturas que neles se cruzam”, ausência que derivaria do “pudor [do ilhéu] de ser africano” (Freyre 2001 [1953]: 277, 276).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora o retrato da cultura cabo-verdiana traçado por   Freyre, que tanto desapontou os intelectuais da geração “claridosa”,<a name="_ftnref2"></a><a href="#_ftn2" title=""><sup>[2]</sup></a> tenha sido objeto de inúmeras críticas, a ideia de “ausência de artes   populares” não foi contundentemente negada (Venâncio e Silva 2010). Baltasar   Lopes, figura de proa desta geração, numa longa crítica às reflexões de Freyre, refere sobre esta questão:</font></p> </font>     <blockquote>       <p><font face="Verdana"><font size="2" face="Verdana">“É já coisa sabida – e Gilberto Freyre não deixa de a apontar     – a indigência das formas decorativas de uma arte popular que, diga-se desde     já, precisa de ensinamentos técnicos e de possibilidades de venda. […] Mas a     verdade verdadeira é que não temos uma arte decorativa popular. Onde as nossas     cerâmicas? Onde as nossas rendas regionais? Onde os nossos bordados? Onde os     artefactos que se sirvam, com uma regionalidade inteligente, da matéria-prima     que as ilhas oferecem? É curioso e convida à meditação, que esta indigência de     acento regional aconteça no artesanato” (Lopes 2010 [1956]: 250-251).<a name="_ftnref3"></a><a href="#_ftn3" title=""><sup>[3]</sup></a></font></font></p> </blockquote> <font face="Verdana">     <p><font size="2" face="Verdana">Veja-se ainda, fora do quadro de produção da geração “claridosa”,   como a robustez das críticas de Manuel Ferreira às reflexões de Freyre vacila   neste ponto, levando-o a afirmar que “devemos buscar” nas condições ecológicas   do arquipélago, aliadas à “falta de escoamento e encorajamento à produção […] a   quase impossibilidade da existência de uma arte que se imponha, de pronto, a   olhos de europeus ávidos de exotismo ou de expressiva criação artística local” (Ferreira 1967: 51).<a name="_ftnref4"></a><a href="#_ftn4" title=""><sup>[4]</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta ideia da exiguidade da arte popular nas últimas décadas   do período colonial ecoa ainda em textos mais recentes, como revela o seguinte excerto da autoria de José Luís Hopffer Almada:</font></p> </font>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana"><font size="2" face="Verdana">“A situação era de tal forma preocupante que os especialistas     se revezam e contradizem na busca de explicações plausíveis para a aparente     bizarria de tal fenómeno. Para uns, é na pobreza em recursos susceptíveis de     servir de matéria-prima que residiria a razão fundamental desse estado     decadente do artesanato caboverdiano. Para outros, a razão desse estado de     coisas radicaria na geral inaptidão do caboverdiano para as artes plásticas,     inaptidão que teria sido herdada da tradição muçulmana, consabidamente avessa à     figuração e trazida para as ilhas por algumas etnias escravizadas. Essa     propalada inaptidão seria tão congénita ao crioulo das ilhas como a sua natural     vocação para outras artes, como a música ou a dança. […] Facto é que, à data da     independência, a situação era de grande e confrangedora penúria” (Almada 2008:     116- 117).<a name="_ftnref5"></a><a href="#_ftn5" title=""><sup>[5]</sup></a></font></font></p> </blockquote> <font face="Verdana"><font size="2" face="Verdana"><b>Da fase do espanto: a emergência do artesanato como expressão da resistência à opressão colonial</b></font><font size="2">     <p><font face="Verdana">Alguns meses antes da independência, chegaram ao Mindelo   três artistas plásticos – Bela Duarte, Luísa Queirós e Manuel Figueira – que,   em pouco tempo, iriam revolucionar a produção, visibilidade e estatuto do   artesanato cabo-verdiano. Terá sido sob o lema de manter viva a tecelagem   cabo-verdiana e “inspirados nas resistências culturais deste povo [e] na obra   de Amílcar Cabral” (Queirós, em Lança 2010) que estes artistas se lançaram na   construção da Cooperativa de Produção Artesanal Resistência (1976) no Mindelo, convertida em Centro Nacional de Artesanato (CNA) no final de 1977.</font></p>     <p><font face="Verdana">Num documento intitulado “Proposta de Estatutos do Centro   Nacional de Artesanato”, datado de 1978, podemos ler que “[o] CNA exerce a sua   actividade em cooperação com as estruturas do Partido, os departamentos   estatais, as organizações sociais e as organizações de massas” e que seriam   suas atribuições: (a)&nbsp;“[p]romover o estudo das diversas formas de artesanato   cabo-verdiano, como expressão da cultura popular, com vista à sua   identificação, conservação, fomento e renovação”; (b)&nbsp;“[i]nventariar as   matérias-primas nacionais susceptíveis de aproveitamento em moldes artesanais”;   (c)&nbsp;“[f]omentar a produção artesanal popular de artigos utilitários, tendo   em consideração as necessidades e tradições populares”; (d)&nbsp;“[p]romover o   ensino das técnicas artesanais, tanto as já tradicionais em Cabo Verde como as   mais modernas de âmbito universal”; (e)&nbsp;“[i]ncentivar a iniciativa   criadora das massas populares no âmbito do artesanato”; (f)&nbsp;“[d]esenvolver   o espírito cooperativista na produção artesanal”; (g)&nbsp;“[p]romover a divulgação do artesanato cabo-verdiano, tanto no País como no exterior”.<a name="_ftnref6"></a><a href="#_ftn6" title=""><sup>[6]</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana">Entre as atividades do CNA, destaco a produção na área dos   têxteis (recuperação e renovação da panaria e introdução de técnicas de   tapeçaria e batique),<a name="_ftnref7"></a><a href="#_ftn7" title=""><sup>[7]</sup></a> as missões de   investigação realizadas em outras ilhas, o apoio concedido a vários artesãos   das áreas da tecelagem, olaria, cestaria, bordados, costura, etc., e as   inúmeras exposições realizadas, que atribuíram uma inédita centralidade ao artesanato na agenda cultural do país.</font></p>     <p><font face="Verdana">A emergência do artesanato após a independência, tornando-o   uma das áreas mais criativas da construção nacional durante a I&nbsp;República,   espelha a ideologia revolucionária e africanista deste período, apresentando o   povo como herói da resistência ao colonialismo e o artesanato como expressão   dessa resistência produtora de “objetos militantes”. Sublinhando-se a presença   e valor de técnicas trazidas para o arquipélago por escravos (visíveis nos   teares e nos panos ou nos métodos de modelagem e cozedura dos barros),   celebrava-se o berço africano de muitos artefactos. Neste contexto, a alegada   apatia da produção artesanal no período precedente começa a ser explicada   através da opressão colonial sobre o povo que, com a liberdade, pôde por fim   dar largas à sua capacidade criadora. Atente-se nas palavras de Manuel Figueira, a propósito de uma exposição realizada em julho de 1975:</font></p> </font></font>     <blockquote>       <p><font face="Verdana"><font size="2"><font face="Verdana">“Os objectivos da exposição eram exactamente desmistificar o     conceito corrente de que o povo de Cabo Verde nada produzia de carácter artístico-utilitário     (ideia bem urdida pelo colonialismo para sufocação total da actividade local);     mostrar que todas as ilhas ao longo dos anos e apesar de todas as carências,     souberam resistir culturalmente”.<a name="_ftnref8"></a><a href="#_ftn8" title=""><sup>[8]</sup></a></font></font></font></p> </blockquote> <font face="Verdana"><font size="2">     <p><font face="Verdana">Três décadas após a publicação de <i>Aventura e Rotina</i>,   onde Gilberto Freyre (2001 [1953]) relatou a sua viagem ao arquipélago, a   equipa do CNA havia já revelado uma “arte popular” cabo-verdiana, item indispensável   na construção das identidades nacionais. Embora salientasse as componentes   africanas, o popular construído no CNA apresentou contornos certamente   incómodos para o autor brasileiro. Desde logo, o demótico do CNA, refletindo a   conjuntura do país, associou-se ao revolucionário, remetendo mais para a   transformação do presente do que para a conservação do passado. Com efeito, a   equipa do CNA parecia menos interessada em reproduzir objetos de um passado   remoto do que em transformá-los, adaptando-os a novos usos e introduzindo novas   técnicas. Se, como demonstrou Néstor García Canclini, o popular é uma   construção híbrida,<a name="_ftnref9"></a><a href="#_ftn9" title=""><sup>[9]</sup></a> no caso do CNA   parece ter havido um reforço dessa hibridez. Este reforço é detetável em   objetos que emergem da rasura das fronteiras entre arte e artesanato, de que   são exemplo algumas tapeçarias que constituem obras importantes na história de   arte cabo-verdiana. Esta hibridez é ainda notória na própria constituição da   equipa do CNA, que agregou experientes tecelões, jovens aprendizes mindelenses e artistas plásticos formados na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.</font></p>     <p><font face="Verdana">Em 1989, coincidindo sensivelmente com o fim da   I&nbsp;República, estes artistas plásticos afastaram-se desta instituição. O   CNA viria a ser extinto em 1997, após ter perdido a componente criativa e   laboratorial (resultante do cruzamento da investigação com a experimentação)   que o caracterizou durante os seus primeiros 11 anos, sob a direção de Manuel   Figueira (1978-1989). A saída de Manuel Figueira do CNA encerra assim um   capítulo na história do artesanato cabo-verdiano, que deve ser lido como   elemento integrante da construção nacional da I&nbsp;República, efetuada sob a égide do africanismo.</font></p> <font face="Verdana"><b>Dos tempos da “desafricanização” dos espíritos e das coisas e dos modos de nomeá-las</b>      <p>Embora o processo de “desafricanização da nação” tenha sido   complexo,<a name="_ftnref10"></a><a href="#_ftn10" title=""><sup>[10]</sup></a> começando a   definir-se logo após o colapso do projeto de unidade com a Guiné-Bissau (1980),   terá sido após a realização das primeiras eleições pluripartidárias, em 1991,   vencidas pelo Movimento para a Democracia (MpD), que os procedimentos   desafricanizantes se amplificaram, manifestos na substituição da bandeira ou na   reposição da toponímia colonial (Fernandes 2002: 180-181). A partir de então   este processo far-se-á a par com o progressivo crescimento do turismo e   da imigração. Estes fenómenos determinaram a emergência de um novo ciclo na   produção e comércio de artesanato, cada vez mais articulado com o turismo e   dominado por objetos provenientes do Senegal, comercializados por imigrantes,   maioritariamente oriundos deste país. Uma das consequências mais imediatas   destas alterações é detetável na própria linguagem, passando o termo artesanato   a ser acoplado aos qualificativos “cabo-verdiano” ou “africano”. O “artesanato   cabo-verdiano” passa a definir-se, paradoxal e genericamente, como aquele que   não é “africano”, ou seja, que não é oriundo do continente, e a constituir-se   como vítima da concorrência exercida pelo seu rival, o exótico e barato “artesanato africano”, vendido por imigrantes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>É neste novo contexto que o governo voltará a intervir na   área do artesanato. Em 2011, o ministro da Cultura reúne artesãos do   arquipélago no primeiro Fórum Nacional de Artesanato, que se repetiria nos anos   seguintes. Desta ­primeira reunião resultaram uma série de recomendações que   visavam incrementar a produção, distribuição, formação, associativismo,   articulação com o <i>design</i> e implementar a certificação. Nesse mesmo ano   foi criado o ­Centro Nacional de Artesanato e Design, mas a situação de   permanente estrangulamento financeiro protelaria a aplicação de algumas destas   medidas. Todavia, graças a esta intervenção, o artesanato voltava a ser notícia   frequente na imprensa cabo-verdiana e, em muitos locais, os artesãos   conseguiram associar-se e expor regularmente a sua produção. Em 20 de março de   2016, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que se   encontrava no poder desde 2001, perdeu as eleições legislativas, desconhecendo-se,   à data de elaboração deste texto, as orientações do novo governo do MpD para esta matéria.</p>     <p>A importância conferida ao artesanato na I&nbsp;República e   as inerentes operações de gentrificação de tantos artefactos, convertidos   subitamente em símbolos da nação, terão certamente contribuído para a   popularização e generalização do uso do termo “artesanato”, limitando as   possibilidades de emergência de outros termos. Note-se que muitos   estabelecimentos comerciais têm inscrito no seu nome a palavra “suvenir”, continuando,   no entanto, a ser designados pela população como “lojas de artesanato”, o que   só em parte pode ser explicado pelo facto de a maioria dos objetos expostos ser   artesanal.<a name="_ftnref11"></a><a href="#_ftn11" title=""><sup>[11]</sup></a> Seguindo a   terminologia utilizada no arquipélago, uso o termo artesanato em conformidade   com os significados atribuídos pelos meus interlocutores, que parecem   contrapô-lo mais à indústria do que à arte (Lima 2009) e adotar a definição   atrás enunciada, elaborada por Manuel Figueira. Não obstante, nas próximas   secções refiro-me sempre a artefactos com funções de suvenir (Swanson e Timothy   2012; Horodyski, Manosso e Gândara 2012; González 2008; Freire-Medeiros e Castro 2007; Stewart 1996 [1993]), dependentes do mercado turístico.</p>     <p>&nbsp;</p> </font></font><font size="3" face="Verdana"><b>O crescimento do turismo e da imigração na Boa Vista</b></font><font face="Verdana"><font size="2">      <p>De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de   Estatísticas (INE), entre 2000 e 2015 o número de indivíduos que terá dado   entrada nos estabelecimentos hoteleiros do país passou de 145.076 para 569.387   (INE 2005: 34, 2016: 34).<a name="_ftnref12"></a><a href="#_ftn12" title=""><sup>[12]</sup></a> Apesar da   aposta na diversificação de produtos e ­destinos, expressa na criação do <i>slogan</i> “One Country… Ten Destinations”, este setor continua marcado pela hegemonia do   turismo balnear, para o qual concorreu o “<i>boom</i> turístico” na ilha da Boa   Vista, após a inauguração do seu aeroporto internacional em 2007. Entre 2000 e   2015, o número de hóspedes nos estabelecimentos hoteleiros desta ilha passou de   9402 para 181.771 (INE 2005: 43, 2016: 42). Nos anos de 2011 a 2013, a Boa   Vista foi a ilha que recebeu mais hóspedes neste arquipélago (INE 2012: 54,   2013: 8, 2014: 8). Em 2015, a Boa Vista (com 32&nbsp;%) e o Sal (com 43&nbsp;%) captaram 75&nbsp;% do número total de hóspedes registados no país (INE 2016:&nbsp;42).</p>     <p>O número de quartos nos estabelecimentos hoteleiros na Boa   Vista passou de 161 em 2000 para 2625 em 2015 (INE 2005: 14/anexo,   2016: 15). Quase 90&nbsp;% dos quartos existentes em 2015 pertenciam a apenas   quatro hotéis, dois dos quais (Riu Karamboa e Riu Touareg) detinham cerca de   66&nbsp;% do número total de quartos. Estes quatro hotéis, fortemente vigiados   e excludentes, instalados em praias desertas e afastadas das povoações, são   propriedade de empresários ou grupos económicos estrangeiros e todos funcionam   em regime “tudo incluído”, limitando assim as saídas dos turistas e,   consequentemente, os rendimentos que a população residente poderia auferir com o turismo.</p>     <p>Deve ser notado que estes hotéis possuem as suas próprias   lojas, discotecas, bares, restaurantes, piscinas, ginásio e outros equipamentos   desportivos, assistência médica e um programa de animação que inclui   espetáculos de dança e música ao vivo. Constituindo zonas livres dos supostos   “perigos da alteridade”, estes hotéis reproduzem o modelo apelidado de   “enclaves” ou “bolhas turísticas” (Adiyia <i>et al</i>. 2015; Jaakson 2004;   Urry e Larsen 2011), distinguindo-se em tudo do contexto social e cultural em   que se inserem. Com efeito, excluindo os trabalhadores maioritariamente   nacionais, Cabo Verde parece encontrar-se ausente nestes hotéis, não só no que   concerne aos hóspedes, como também ao nível da arquitetura, decoração,   alimentação e animação, estas últimas praticamente confinadas à realização de   uma noite temática cabo-verdiana por semana.<a name="_ftnref13"></a><a href="#_ftn13" title=""><sup>[13]</sup></a> Nas várias conversas com guias, animadores e outros funcionários de diferentes   hotéis, pude constatar que os meus interlocutores consideravam que a maioria   dos hóspedes revelava um profundo desconhecimento e, em alguns casos, algum   desinteresse pela música, gastronomia e outros itens da cultura cabo-verdiana.   Atente-se nas palavras de um músico local que atua regularmente em dois destes   hotéis, a propósito do aumento de músicos europeus no Sal, contratados por   dominarem o reportório ocidental conhecido pelos turistas: “o que traz os   turistas para a Boa Vista é o sol e a praia. Estarem em Cabo Verde ou nas   Canárias é igual. A maioria dos turistas é inglesa, não sabe nada da cultura e da música cabo-verdiana e nem quer saber, quer ouvir a música deles”.</p>     <p>O crescimento do turismo na Boa Vista desencadeou um aumento   acentuado da população residente, estimada em 4209 residentes em 2000, em 9162   em 2010 (INE: s/d.) e em 14.451 em 2015 (INE 2015: 36). Este   aumento resultou de três fluxos migratórios com distintas dimensões e origens   geográficas. Em primeiro lugar, em termos de dimensão, um fluxo maioritário   constituído por indivíduos oriundos de Santiago e outras ilhas do país. Em   segundo lugar, um fluxo proveniente de países da Comunidade Económica dos Estados   da África Ocidental (CEDEAO), composto sobretudo por jovens do sexo masculino   oriundos da Guiné-Bissau (na sua maioria empregados na construção civil e   segurança) e do Senegal (em grande parte envolvidos no comércio de artesanato).   De acordo com as estimativas dos dirigentes das associações de imigrantes   destes dois países, em 2015, residiriam na Boa Vista cerca de 1500   bissau-guineenses e 300 senegaleses. Por último, um fluxo composto por   imigrantes da União Europeia (UE), em especial de Itália, envolvidos em atividades relacionadas com o turismo ou com o ramo imobiliário.</p>     <p>Segundo o INE, 15,5&nbsp;% (2239) da população residente na   Boa Vista em 2014 seria estrangeira, sendo esta a ilha com o maior número   relativo de residentes estrangeiros (2015: 41-42). Estima-se que o número real   de estrangeiros seja mais elevado, uma vez que muitos não possuem visto ou   cartão de residência, esquivando-se assim a responder aos inquéritos.<a name="_ftnref14"></a><a href="#_ftn14" title=""><sup>[14]</sup></a> Note-se que, na sua quase totalidade, os imigrantes da CEDEAO entraram   legalmente em Cabo Verde ao abrigo do protocolo de livre circulação em vigor   nesta região,<a name="_ftnref15"></a><a href="#_ftn15" title=""><sup>[15]</sup></a> que lhes   permite permanecer 90 dias sem visto no país. Contudo, uma grande parte não   conseguiu obter autorização de residência, por não ter conseguido reunir a   extensa lista de documentação exigida pelas autoridades cabo-verdianas, em alguns casos impossível de obter (cf. UCI/OFII 2014: 47-48).</p>     <p>O crescimento do número de imigrantes provenientes de países   da CEDEAO em Cabo Verde tem sido explicado através do desemprego estrutural, da   instabilidade política e dos conflitos armados em muitos destes países, bem   como do crescimento económico, em especial no setor do turismo, e da   estabilidade política em Cabo Verde. No entanto, este crescimento deve ser   relacionado com as disposições relativas à livre circulação no espaço da CEDEAO   e com a impossibilidade de emigração direta para a Europa. Com efeito, o   fenómeno da imigração em Cabo Verde não pode ser dissociado do progressivo   endurecimento das restrições à imigração por parte da UE, consubstanciadas numa   miríade de práticas de externalização da sua fronteira e de criminalização da   imigração. Estas práticas têm direcionado cidadãos da CEDEAO para o arquipélago,   que passou a ser descrito como país de trânsito e espaço liminar onde se   eterniza a espera por uma oportunidade para chegar à Europa.<a name="_ftnref16"></a><a href="#_ftn16" title=""><sup>[16]</sup></a> Deste modo, Cabo Verde constitui hoje um terreno privilegiado para observar o   corolário das orientações europeias em matéria de mobilidade, assentes na   intensificação da mobilidade dos seus cidadãos (nomeadamente no âmbito do turismo) e na criminalização da mobilidade dos cidadãos de países africanos.</p>     <p>Este aumento acelerado do turismo e da imigração e,   consequentemente, da população residente, que revolucionou a pequena vila de   Sal Rei (elevada a cidade em 2010), não foi devidamente planificado, carecendo   a população de infraestruturas básicas diversas. Estas carências são   particularmente gravosas no que concerne à habitação, abastecimento de água e   energia, saúde, saneamento básico, tratamento de lixo, educação e transportes.   Grande parte da população de Sal Rei encontrava-se alojada num bairro   insalubre, sugestivamente apelidado de “Barraca”, não coberto pelas redes de   abastecimento de água e de energia elétrica.<a name="_ftnref17"></a><a href="#_ftn17" title=""><sup>[17]</sup></a> O custo de vida disparou nos últimos anos e a taxa de desemprego na Boa Vista   subiu de 5,7&nbsp;%, em 2010, para 17,9&nbsp;% em 2014, sendo assim superior à   taxa de desemprego global do país que, no mesmo ano, se situava nos 15,8&nbsp;% (INE 2015:&nbsp;52).<a name="_ftnref18"></a><a href="#_ftn18" title=""><sup>[18]</sup></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Além da dureza das condições de vida e das dificuldades   decorrentes de não possuírem autorização de residência, muitos dos imigrantes   provenientes da CEDEAO enfrentam ainda o racismo e a “<i>maurabeza</i>”<a name="_ftnref19"></a><a href="#_ftn19" title=""><sup>[19]</sup></a> de muitos boa-vistenses e, no caso dos senegaleses, uma declarada hostilidade em relação à sua atividade no comércio de artesanato.</p>     <p>&nbsp;</p> </font><font size="3"><b>Produção e comércio de artesanato na Boa Vista</b></font><font size="2">      <p>Na primavera de 2015, existiam 49 estabelecimentos   comerciais de artesanato em Sal Rei: 23 pequenas lojas no Mercado de Feirantes   e no Mercado Municipal, dois quiosques e 24 lojas no centro histórico. No   total, seis estabelecimentos eram publicitados como lojas de “artesanato   cabo-verdiano”, embora grande parte dos objetos expostos em três destas seis   lojas fosse proveniente do Senegal, Brasil e China. Numa entrevista realizada   com uma das proprietárias destes três estabelecimentos, esta cabo-verdiana   lamentou ter nas suas lojas pouco “artesanato cabo-verdiano”, queixando-se do   seu elevado preço, da “falta de criatividade” dos artesãos nacionais e da   diminuta produção por parte dos boa-vistenses, praticamente circunscrita ao trabalho de um pequeno grupo de oleiros da Escola de Olaria do Rabil.</p>     <p>Grande parte da produção destes oleiros consiste num   figurado com função de suvenir, produzido em série através de moldes. Nas   prateleiras da loja desta oficina proliferam tartarugas (o símbolo da ilha),   elefantes, pais natais e outras réplicas de objetos em barro que podemos   encontrar em Portugal, e ainda pequenas placas magnéticas com a forma da ilha   ou de tartarugas, sendo este o produto mais vendido.<a name="_ftnref20"></a><a href="#_ftn20" title=""><sup>[20]</sup></a> Esta oficina integrava a quase totalidade das excursões realizadas por   turistas, sendo descrita pelos guias como oficina de “olaria tradicional   cabo-verdiana”<a name="_ftnref21"></a><a href="#_ftn21" title=""><sup>[21]</sup></a> e como um dos poucos locais onde se podia adquirir “verdadeiro artesanato cabo-verdiano”.</p>     <p>Excluindo a olaria do Rabil, a produção de artesanato por   parte de boa-vistenses era praticamente invisível, destacando-se a pequena   produção de um cesteiro da Povoação Velha que executava chapéus, cestos e balaios,   por vezes miniaturizados, e de um pequeno grupo de mulheres que efetuava   rendas, bordados, costura e bijuteria, não vendendo, na sua maioria, a sua   produção para lojas. Em 2014, foi criada uma associação de artesãos que contava   com 14 associados em maio de 2015, mas apenas o seu presidente, Alcides Morais,   oleiro do Rabil, vivia exclusivamente do artesanato. A criação desta associação   deve ser entendida no âmbito de um conjunto de ações promovidas nos últimos   anos pela Câmara Municipal da Boa Vista com o propósito de reverter o quadro de   anemia que caracteriza a atual produção de artesanato por parte dos   boa-vistenses<sup>&nbsp;</sup><a name="_ftnref22"></a><a href="#_ftn22" title=""><sup>[22]</sup></a> e aumentar a   sua presença no comércio de suvenires nesta ilha, dominado por objetos importados do Senegal.</p> <b>Da produção e comércio de “artesanato africano”</b>      <p>De acordo com os depoimentos de comerciantes que se   encontravam há mais tempo em Sal Rei, a venda de artesanato da costa ocidental africana   por imigrantes começou por ser feita na rua por um pequeno grupo de   bissau-guineenses e senegaleses. Logo após o termo da construção do Mercado   Municipal e do Mercado de Feirantes (2002, 2003), a Câmara Municipal da Boa   Vista arrendou algumas lojas destes mercados a imigrantes envolvidos neste   negócio, circunscrevendo-o assim a espaços definidos. Em 2015, estes dois   mercados possuíam 23 pequenas lojas de venda de artesanato (sete no   Mercado Municipal e 16 no Mercado de Feirantes), arrendadas a comerciantes do continente, na sua quase totalidade provenientes do Senegal.<a name="_ftnref23"></a><a href="#_ftn23" title=""><sup>[23]</sup></a></p>     <p>A partir de finais da última década, o aumento de pessoas   oriundas do Senegal originou a abertura de 17 lojas no centro de Sal Rei e de   oito na Povoação Velha, em muitos casos partilhadas por vários comerciantes. A   maioria destes não possuía qualquer relação prévia com a produção ou venda de   artesanato no Senegal, embora muitos tenham trabalhado em outros ramos do   comércio informal em Dacar. Em Cabo Verde, a sua inserção na atividade terá   começado sobretudo pela venda ambulante. Apesar de a Câmara Municipal da Boa   Vista ter deixado de emitir licenças de venda ambulante em 2012, um grupo de   jovens senegaleses trabalhava nas praias, no deserto de Viana e nas ruas de Sal Rei, circulando com os objetos escondidos em mochilas.</p>     <p>Todas as lojas possuem o mesmo tipo de objetos: roupa e   sacos produzidos a partir dos coloridos tecidos estampados <i>wax print</i>,   máscaras, cestaria elaborada através da técnica de espiral cosida,   sandálias em couro, miniaturas de tambores e corás, bijuteria, estatuetas de   madeira zoomórficas (tartarugas, elefantes, rinocerontes, leões, etc.) e   antropomórficas (pensadores, dançarinas, colonos e mulheres com cargas sobre a   cabeça) e quadros com motivos que designam como “africanos” elaborados na Boa   Vista. Na sua maioria, estes objetos constituem ficções visuais (Steiner 1994:   35) produzidas no estilo que Ladd definiu, servindo-se de um texto de Wole   Soyinka, como “neo-tarzanismo”: “an oversimplified, fictionalised   meta-narrative of Africa which must include leop­ard skins, zebra stripes, dark wood and tall thin women” (Ladd 2012:&nbsp;202).</p>     <p>Tal como foi assinalado por Freire-Medeiros e Castro a   propósito das lojas de suvenires do Rio de Janeiro, também estas lojas tendem a   eliminar distâncias geográficas e cronológicas, lembrando os <i>wonder cabinets</i>,   pelo seu caráter heterotópico assente na construção de um “lugar-outro” exótico (Freire-­Medeiros e Castro 2007; ver também Venkatesan 2009).</p>     <p>Com exceção dos quadros produzidos por estes imigrantes na   Boa Vista, os restantes objetos são na sua quase totalidade importados do   Senegal. A intensa produção de quadros torna-os omnipresentes na ilha. Para   além de revestirem as paredes das lojas – que em muitos casos têm por nome   “Galeria de Arte” –, são ainda usados na decoração de restaurantes, bares e   pensões. Em Sal Rei, identifiquei 20 pintores (16 senegaleses e quatro   originários da Guiné-Bissau, do Gana e da Nigéria); contudo, o seu número será   certamente maior, uma vez que alguns quadros possuíam assinaturas de pessoas que se encontravam temporariamente no Senegal ou na ilha do Sal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O grosso desta produção pode ser agrupado em duas categorias   distintas. Em primeiro lugar, a pintura em acrílico sobre tela com colagens de   pequenas tiras de tecidos <i>wax print</i>. Estes quadros são muito   idênticos, variando a cor e os desenhos em torno das tirinhas de tecido que,   quase sempre, dão forma a corpos femininos esguios e estilizados, com potes,   feixes de lenha ou balaios sobre a cabeça. Em tamanhos que podem variar entre   os 15 centímetros e um metro de largura, são vendidos entre 5 e 30 euros, não obstante os preços serem sempre negociáveis.</p>     <p>Em segundo lugar, encontramos um conjunto de quadros com   colagem de areia colorida sobre tela ou madeira, com dimensões e preços   idênticos aos da categoria acima exposta. Os motivos são bastante mais   diversificados, embora também seja possível encontrar padrões temáticos que   variam entre os ditos “motivos africanos” (choupanas, mulheres a pilar ou a   carregar crianças ou objetos) e boa-vistenses (predominantemente tartarugas) e   nos quais se inscrevem as marcas “<i>No stress</i>”, “Cabo Verde” ou “Boa   Vista”. Em ambas as categorias, todos os pintores que contactei começaram a   produzir estes quadros em Cabo Verde, queixando-se da forte concorrência que não permite elevar os preços.</p> <b>Das acusações de assédio à resposta “<i>No stress</i>”</b>      <p>Todos os comerciantes que se encontram há mais anos na Boa Vista   referem que este negócio seria muito mais rentável há 15 anos, apesar de   existirem então menos turistas. De acordo com os seus testemunhos, não só os   objetos seriam então vendidos pelo dobro do valor atual, como o volume de vendas seria superior.</p>     <p>Entre as razões apontadas pelos comerciantes para a atual   carência de vendas encontra-se a concorrência que fez diminuir preços e   clientes, o facto de os turistas saírem pouco dos hotéis, que possuem as suas   próprias lojas de artesanato,<a name="_ftnref24"></a><a href="#_ftn24" title=""><sup>[24]</sup></a> a crise   económica na Europa e sobretudo aquilo que consideram ser “a guerra”   desencadeada pelos boa-vistenses contra os comerciantes de artesanato do   continente africano e que tende a ser associada ao racismo.<a name="_ftnref25"></a><a href="#_ftn25" title=""><sup>[25]</sup></a> De facto, estes imigrantes foram sistematicamente acusados não apenas de   venderem objetos não representativos da cultura cabo-verdiana, mas também de   “assediarem” os turistas e desta forma ameaçarem a continuidade do crescimento do turismo na ilha.</p>     <p>A expressão “assédio aos turistas”, que causa estranheza por   não indicar a qualidade do assédio em causa, instalou-se no arquipélago, sendo   reproduzida acriticamente por órgãos de comunicação social para designar duas   técnicas de venda usadas por alguns comerciantes: a insistência e a abordagem   na rua. A generalização do uso desta expressão não pode deixar de ser lida no   âmbito de um padrão discursivo assente na discriminação destes imigrantes,   nomeadamente na criminalização das suas atividades e na inversa vitimização dos   turistas, entendidos como sujeitos que devem ser protegidos dos supostos   perigos do “outro”, africano. Atente-se no seguinte excerto de uma notícia   relativa à ilha do Sal, intitulada: “Assédio aos turistas preocupa a população local”:</p> </font></font></font>     <blockquote>       <p><font face="Verdana"><font face="Verdana"><font size="2">“A mesma [‘gerente de uma operadora turística’ do Sal]     adianta ainda que há quem afirme que ao sair do hotel já chegou <i>a sofrer       mais de 10 tentativas de assédio</i>. O assunto está a ‘passar dos limites’,     segundo os nossos entrevistados, pois para além do assédio, estes comerciantes     passam-se por cabo-verdianos, alegando de forma ‘enganosa’, que os produtos     artesanais que vendem são ‘genuinamente cabo-verdianos’<sup>&nbsp;</sup>”     (Anónimo s/d., presumivelmente de 2014, itálicos meus).</font></font></font></p> </blockquote> <font face="Verdana"><font face="Verdana"><font size="2">     <p>Veja-se ainda o artigo de <i>A Semana</i> de 26/09/2009,   também relativo à mesma ilha:</p> </font></font></font>     <blockquote>       <p><font face="Verdana"><font face="Verdana"><font size="2">“A polícia de fronteira está a identificar, para posterior     expulsão, 11 cidadãos senegaleses que se encontravam a viver ilegalmente em     Cabo Verde. Estes integravam um grupo constituído por 30 cidadãos da costa africana     detidos pela Polícia Nacional na passada sexta-feira na Vila de Santa Maria <i>a       tentar impingir artesanato aos turistas</i>” (Anónimo 2009,     itálicos meus).</font></font></font></p> </blockquote> <font face="Verdana"><font face="Verdana"><font size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar dos episódios de agressões físicas perpetradas pela   Polícia de Ordem Pública de Santa Maria (Sal) sobre vendedores ambulantes   senegaleses terem sido frequentes, muito raramente foram objeto de notícia na imprensa cabo-verdiana.</p>     <p>Como forma de combater as acusações de “assédio”, várias   lojas da Boa Vista exibem placas com a expressão “<i>No stress</i>”, sugerindo   que não pressionam os turistas a comprar. Remetendo simultaneamente para a   propalada serenidade e indolência da ilha, a utilização do <i>slogan</i> “<i>No     stress</i>” por parte destes comerciantes constitui uma máscara que muitas   vezes encobre quotidianos ansiosos, decorrentes da imperativa necessidade de vender, da incerteza (Jung 2013) e da exclusão.</p>     <p>&nbsp;</p> </font><font size="3"><b>Considerações finais</b></font><font size="2">      <p>Ao longo do século XIX e grande parte do século XX, os   discursos sobre cultura material espelharam os processos de imaginação de   várias nações europeias. Embora com contornos distintos, esta mesma articulação   manifesta na seleção dos elementos materiais da cultura revelou-se basilar na   construção nacional de vários países africanos recém-independentes, durante as   décadas de 1960 e 1970. Em Cabo Verde, esta articulação foi complexificada por   um conjunto de tensões decorrentes da especificidade da construção da nação   cabo-verdiana. Esta construção tem sido pensada como um processo de   instrumentalização da crioulidade, enfatizando, em diferentes períodos, uma ou   outra das duas categorias (África e Europa) que a constituem, refletindo assim variações no valor e dimensão atribuídos à componente africana.</p>     <p>Como foi visto, uma parte significativa do discurso erudito   sobre artesanato emergiu no arquipélago no seio das críticas a Gilberto Freyre   efetuadas pelos “claridosos” a propósito das definições da cultura   cabo-verdiana, considerada mais africana pelo primeiro do que pelos segundos,   que a entenderam como um caso de regionalismo português. Assinalo ainda o facto   de a inscrição institucional do artesanato na construção nacional ter sido   operada nos primeiros cinco anos após a independência, coincidentes com o   período de unidade com a Guiné-Bissau, marcado pelo africanismo do PAIGC. A   partir desta fase, muitos artefactos passaram a ser investidos de uma nova   missão: representar a nação. Desta missão, decorre, quanto a mim, a quase   obsessiva preocupação com o artesanato no presente, consubstanciada num combate   pela ­determinação dos objetos que podem traduzir a cabo-verdianidade contemporânea, num tempo marcado pelo turismo.</p>     <p>Na Boa Vista – a ilha geograficamente mais próxima do   continente, mas que tem sido descrita como uma das mais afastadas em termos   culturais (Almeida 2003: 96) –, o crescimento do turismo e da imigração   proveniente da CEDEAO constitui uma nova moldura para a afirmação da   cabo-verdianidade. Contudo, as componentes desta nova moldura (turistas   europeus e imigrantes africanos) assemelham-se de forma confrangedora às   componentes que estiveram na origem do longo processo que a urdiu: escravos negros e senhores brancos.</p>     <p>Os discursos identitários dos boa-vistenses parecem agora   encravar-se no abismo que separa o poder do ócio turístico europeu e a   subalternidade do trabalho dos imigrantes africanos, equiparados a escravos em   setores como o da construção civil e destituídos de muitos direitos pela sua   situação de clandestinidade. Nesta nova moldura, amplificam-se nesta ilha   autodefinições assentes em visões branqueadoras sobre a sua cultura, que celebram   a componente europeia e submergem ou esconjuram a africana, bem explícitas em   práticas e discursos discriminatórios em relação aos comerciantes senegaleses.   Nas imagens da crioulidade que os boa-vistenses aspiram a transmitir aos   turistas, estes comerciantes e os seus objetos constituem o material excluído e   esconjurado,<a name="_ftnref26"></a><a href="#_ftn26" title=""><sup>[26]</sup></a> e o   “fantasma do africano negro” referido por Miguel Vale de Almeida, que se quer   continuar a aprisionar simbolicamente “no território continental, do qual as ilhas se encontram seguramente separadas por oceano” (2004:&nbsp;10).<a name="_ftnref27"></a><a href="#_ftn27" title=""><sup>[27]</sup></a></p>     <p>Todavia, para os turistas, maioritariamente ingleses e   alemães que elegem esta ilha como destino de férias pela beleza das suas   praias, o facto de a Boa Vista pertencer a um país africano pode constituir um   acréscimo de atratividade. Desconhecendo, na sua maioria, as vicissitudes do   processo de imaginação nacional neste país, muitos destes turistas não   diferenciam senegaleses e cabo-verdianos, nem os seus objetos, vistos como igualmente africanos.</p>     <p>Na verdade, para estes “consumidores transestéticos”   (Lipovetsky e Serroy 2014 [2013]: 69), pouco preocupados com a autenticidade da   sua experiência turística, os objetos vendidos pelos imigrantes parecem ser   mais atrativos. Desde logo, pelo lastro da sua própria história enquanto   símbolos da invenção e apropriação da alteridade de África pela Europa (Mudimbe   2013&nbsp;[1994], 2013&nbsp;[1988]; Mbembe 2014&nbsp;[2013]). Apesar da sua   despromoção a <i>fakes</i> ou “arte de aeroporto”, muitos destes objetos   carregam ainda uma carga de ­distinção herdada de estatutos atribuídos a   objetos seus parentes, etiquetados, em diferentes períodos, como fetiches,   curiosidades, objetos etnográficos e/ou arte africana (Steiner   1994; Clifford 2001&nbsp;[1988]). São, de resto, assinaláveis as semelhanças   entre o discurso erudito sobre arte africana da primeira metade do século XX e   os discursos dos comerciantes senegaleses na Boa Vista sobre os seus objetos.   Entre estas semelhanças destaco a mesma opacidade sobre a origem e autoria dos   objetos e a sua caracterização monolítica que anula a diversidade (Kasfir   1992), decorrendo nos dois casos de um real desconhecimento sobre a   proveniência de muitos artefactos. Os comerciantes senegaleses manipulam em seu   favor esse desconhecimento, sublinhando o cunho pan-africanista das suas lojas,   onde se misturam máscaras de vários países, às quais se poderiam juntar objetos cabo-verdianos.<a name="_ftnref28"></a><a href="#_ftn28" title=""><sup>[28]</sup></a></p>     <p>Entendendo os suvenires na aceção de Susan Stewart (1996   [1993]: 135-136), enquanto objetos que exprimem distância (espacial e temporal)   onde se condensam operações nostálgicas, exotizantes e fetichistas, os objetos   provenientes do Senegal poderão ainda ser dotados de maior densidade simbólica.   Embora muitos dos artefactos produzidos por artesãos cabo-verdianos   (concentrados sobretudo nas ilhas de São Vicente e Santiago) deem suporte a   narrativas sobre a cabo-verdianidade, instituindo-se como símbolos da nação –   de que são exemplos os desenhos do pelourinho da Cidade Velha ou de trapiches   nos quadros feitos a partir de fibras de bananeira –, grande parte dos turistas   da Boa Vista não consegue descodificá-los, por desconhecer o significado destes elementos (ausentes nesta ilha) na cultura cabo-verdiana.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como refere Nelson Graburn (1979 [1976]: 15), os suvenires   não devem apenas ser baratos e portáteis, devem também ser compreensíveis, ou   melhor, imediatamente reconhecíveis. Constituindo uma língua de contacto entre   turistas e hospedeiros, formada a partir da fusão de um número mínimo de   elementos estéticos e simbólicos dos dois grupos (Ben-Amos 1977), os suvenires   tendem a adaptar-se às representações que os turistas possuem sobre o lugar que   visitam. Nesta perspetiva, a autenticidade de um suvenir decorrerá mais da sua   repetição (González 2008: 43), que o torna progressivamente inteligível, do que   da sua estrita correspondência com as representações dos hospedeiros sobre a   sua cultura. Deste modo, dificilmente os objetos acima referidos, produzidos   por artesãos cabo-verdianos, conseguem concorrer com os seus rivais,   imediatamente reconhecíveis como símbolos do continente e que, pela sua   história, constituem metassuvenires do encontro assimétrico entre a Europa e a   África, reproduzido pelo turismo. Também nesta última aceção, os objetos   vendidos pelos comerciantes senegaleses poderão estar mais aptos a tangibilizar   a imaterialidade da experiência turística na Boa Vista, fundada sobre esta assimetria.</p>     <p>De acordo com Christopher Steiner (1994: 4-7, 87), os wolof   exerceram um papel vital no comércio de arte africana, instituindo-se como um   dos principais grupos de mediação no trânsito destes objetos entre África e a   Europa.<a name="_ftnref29"></a><a href="#_ftn29" title=""><sup>[29]</sup></a> No presente,   uma parte da diáspora senegalesa, envolvida no comércio informal em várias   cidades europeias e americanas, continua a deslocar objetos (nem sempre   artesanais) entre continentes e a trabalhar com representações ocidentais sobre   a cultura material africana. Se este comércio informal e amiúde ambulante tem   provocado conflitos reveladores do racismo e xenofobia existentes em muitas   destas cidades (europeias, americanas e também africanas), em Cabo Verde, esta   conflitualidade apresenta traços específicos que não podem deixar de ser articulados   com a história da construção nacional cabo-verdiana e com o papel do artesanato nesta construção.</p> </font></font></font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ADEPOJU, Aderanti, s/d., “Operationalising the   ECOWAS protocol on free movement of persons: prospects for sub-regional trade and development”, disponível em <a href="https://www.gfmd.org/files/documents/AdepojuS8.pdf">https://www.gfmd.org/files/documents/AdepojuS8.pdf</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197026&pid=S0873-6561201700010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ADIYIA,   Bright, <i>et al</i>., 2015, “Analysing governance in tourism value chains to   reshape the tourist bubble in developing countries: the case of cultural tourism in Uganda”, <i>Journal of Ecotourism</i>, 14&nbsp;(2-3): 113-129.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197028&pid=S0873-6561201700010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ALMADA, José Luís Hopffer, 2008, “Um excorço complementar à   história e à cultura cabo-verdianas a partir do ano-miradouro de 2006”, em J.L.   Hopffer Almada (org.), <i>O Ano Mágico de 2006: Olhares Retrospectivos sobre a História e a Cultura Caboverdianas</i>. Praia, IBNL, 31-130.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197030&pid=S0873-6561201700010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ALMEIDA, Germano, 2003, <i>Cabo Verde: Viagem pela História   das Ilhas</i>. Lisboa, Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197032&pid=S0873-6561201700010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ALMEIDA, Miguel Vale de, 2004, “Crioulização e   fantasmagoria”, disponível em <a href="http://www.dan.unb.br/images/doc/Serie365empdf.pdf" target="_blank">http://www.dan.unb.br/images/doc/Serie365empdf.pdf</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197034&pid=S0873-6561201700010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ANJOS, José, 2002, <i>Intelectuais, Literatura e Poder em   Cabo Verde: Lutas de Definição da Identidade Nacional.</i> Porto Alegre e Praia, IFCH/INIPC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197036&pid=S0873-6561201700010000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ANÓNIMO, 2009, “Cabo Verde prepara processo de expulsão de   11 cidadãos senegaleses”, <i>online</i> em <i>A</i>&nbsp;<i>Semana</i>, <a href="http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article45688" target="_blank">http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article45688</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197038&pid=S0873-6561201700010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ANÓNIMO, s/d., “Assédio aos turistas preocupa   a população local”, <i>online</i> em Ocean Press, <a href="http://www.oceanpress.info/cms/Pt/reportagem/7125-sal-assedio-aos-turistas-preocupa-a-populacao-local" target="_blank">http://www.oceanpress.info/cms/Pt/reportagem/7125-sal-assedio-aos-turistas-preocupa-a-populacao-local</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197040&pid=S0873-6561201700010000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BARBOSA, Carlos, 2014, <i>Trânsitos no Atlântico:   Experiências Migratórias no Arquipélago de Cabo Verde</i>. Coimbra,   Universidade de Coimbra, tese de doutoramento em Pós-Colonialismos e Cidadania Global.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197042&pid=S0873-6561201700010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BAVA, Sophie,   2005, “Variations autour de trois sites mourides dans la migration”, <i>Autrepart</i>,4&nbsp;(36): 105-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197044&pid=S0873-6561201700010000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BEN-AMOS,   Paula, 1977, “Pidgin languages and tourist arts”, <i>Studies in The Anthropology of Visual Communication</i>, 42&nbsp;(2): 129-139.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197046&pid=S0873-6561201700010000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CARREIRA, António, 1983 [1968], <i>Panaria Cabo-Verdeano-Guineense:   Aspectos Históricos e Sócio-Económicos</i>. Praia, Instituto Caboverdeano do Livro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197048&pid=S0873-6561201700010000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CLIFFORD, James, 2001 [1988], <i>Dilemas de la Cultura:   Antropología, Literatura y Arte en la Perspectiva Posmoderna. </i>Barcelona, Editorial Gedisa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197050&pid=S0873-6561201700010000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">COHEN,   Erik, e Nir AVIELI, 2004, “Food in tourism: attraction and impediment”, <i>Annals of Tourism Research</i>, 31&nbsp;(4): 755-778.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197052&pid=S0873-6561201700010000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DIOP,   Momar-Coumba (org.), 2008, <i>Le Sénégal des migrations: mobilités, identités et sociétés</i>. Paris, Crepos-Karthala.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197054&pid=S0873-6561201700010000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FALL, Papa Demba,   e Jordi Garreta BOCHACA (orgs.), 2012, <i>Les migrations africaines vers     l’Europe: entre mutations et adaptation des acteurs sénégalais</i>. Dakar, REMIGRAF-IFAN/GR-ASE Lleida, disponível em <a href="http://www.geosoc.udl.cat/professorat/garreta/fall_et_bochaca_301013_ok.pdf" target="_blank">http://www.geosoc.udl.cat/professorat/garreta/fall_et_bochaca_301013_ok.pdf</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197056&pid=S0873-6561201700010000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FERNANDES, Gabriel, 2002, <i>A Diluição da África: Uma   Interpretação da Saga Identitária Cabo-Verdiana no Panorama Político (Pós)Colonial</i>. Florianópolis, Editora da UFSC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197058&pid=S0873-6561201700010000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FERNANDES, Gabriel, 2006, <i>Em Busca da Nação: Notas para   Uma Reinterpretação do Cabo Verde Crioulo</i>. Florianópolis e Praia, Editora da UFSC/IBNL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197060&pid=S0873-6561201700010000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FERREIRA, Manuel, 1967, <i>A Aventura Crioula</i>. Lisboa,   Ulisseia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197062&pid=S0873-6561201700010000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FICQUET, Eloi, e Lorraine GALLIMARDET, 2009, “On ne peut   nier longtemps l’art nègre”, <i>Gradhiva</i>, 10: 134-155, disponível em <a href="http://gradhiva.revues.org/1560" target="_blank">http://gradhiva.revues.org/1560</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197064&pid=S0873-6561201700010000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FIKES,   Kesha, 2007, “Emigration and the spatial production of difference from Cape   Verde”, em Nancy Naro, R.&nbsp;Sansi-Roca e D.&nbsp;Treece (orgs.), <i>Cultures     of the Lusophone Black Atlantic</i>. Nova Iorque, Palgrave Macmillan, 159-173.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197066&pid=S0873-6561201700010000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREIRE-MEDEIROS, Bianca, e Celso CASTRO, 2007, “A cidade e   seus <i>souvenires</i>: o Rio de Janeiro para o turista ter”, <i>Revista     Brasileira de Pesquisa</i> <i>em Turismo</i>, 1&nbsp;(1): 34-53, disponível em <a href="https://rbtur.org.br/rbtur/article/view/78">https://rbtur.org.br/rbtur/article/view/78</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197068&pid=S0873-6561201700010000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREYRE, Gilberto, 2001 [1953], <i>Aventura e Rotina</i>. Rio   de Janeiro, Topbooks.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197070&pid=S0873-6561201700010000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FURTADO, Clementina, 2012, <i>As Migrações da África   Ocidental em Cabo Verde: Atitudes e Representações.</i> Praia, Uni-CV/ULB, tese de doutoramento em Ciências Políticas e Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197072&pid=S0873-6561201700010000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GONZÁLEZ,   Fernando, 2008, “Narrativas de seducción, apropiación y muerte o el souvenir en   la época de la reproductibilidad turística”, <i>Acto: Revista de Pensamiento     Artístico Contemporáneo</i>, 4: 34-49, disponível em <a href="http://reacto.webs.ull.es/pdfs/n4/estevez.pdf" target="_blank">http://reacto.webs.ull.es/pdfs/n4/estevez.pdf</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197074&pid=S0873-6561201700010000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GRABURN,   Nelson, 1979 [1976], “Introduction: the arts of the fourth world”, em Nelson   Graburn (org.), <i>Ethnic and Tourist Arts: Cultural Expressions from the     Fourth World.</i> Berkeley e Los Angeles, University of California Press, 1-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197076&pid=S0873-6561201700010000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">HORODYSKI,   Graziela, F. MANOSSO, e José GÂNDARA, 2012, “A pesquisa narrativa na   investigação das experiências turísticas relacionadas ao consumo de <i>souvenirs</i>: uma abordagem fenomenológica”, disponível em <a href="http://www.academia.edu/2761684/A_pesquisa_narrativa_na_investiga%C3%A7%C3%A3o_das_experi%C3%AAncias_tur%C3%ADsticas_relacionadas_ao_consumo_de_souvenirs_uma_abordagem_fenomenol%C3%B3gica" target="_blank">http://www.academia.edu/2761684/A_pesquisa_narrativa_na_investiga%C3%A7%C3%A3o_das_experi%C3%AAncias_tur%C3%ADsticas_relacionadas_ao_consumo_de_souvenirs_uma_abordagem_fenomenol%C3%B3gica</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197078&pid=S0873-6561201700010000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">INE, 2005, <i>Estatísticas do Turismo, 1999-2004</i>. Praia,   INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197080&pid=S0873-6561201700010000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">INE, 2012<i>, Estatísticas do Turismo, 2011</i>. Praia, INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197082&pid=S0873-6561201700010000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">INE, 2013, <i>Estatísticas do Turismo: Movimentação de   Hóspedes, 2012</i>. Praia, INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197084&pid=S0873-6561201700010000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">INE, 2014, <i>Estatísticas do Turismo: Movimentação de   Hóspedes, 2013</i>. Praia, INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197086&pid=S0873-6561201700010000100031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">INE, 2015, <i>Anuário Estatístico, 2015</i>. Praia. INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197088&pid=S0873-6561201700010000100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">INE, 2016, <i>Estatísticas do Turismo, 2015</i>. Praia, INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197090&pid=S0873-6561201700010000100033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">INE, s/d., “Evolução da população residente em   Cabo Verde por ilha concelho (1900-2010)”, disponível em <a href="http://www.renow.itccanarias.org/images/policy/cabo_verde/marco_general/evolucao_da_populacao_residente_em_cabo_verde_1900_-2010.pdf" target="_blank">http://www.renow.itccanarias.org/images/policy/cabo_verde/marco_general/evolucao_da_populacao_residente_em_cabo_verde_1900_-2010.pdf</a> (acesso em 24/04/2016).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197092&pid=S0873-6561201700010000100034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">JAAKSON,   Reiner, 2004, “Beyond the tourist bubble? Cruiseship passengers in port”, <i>Annals of Tourism Research</i>, 31&nbsp;(1): 44-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197094&pid=S0873-6561201700010000100035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">JUNG,   Philipp, 2013, <i>The Dynamics of Migration and their Impact on the Country of     Origin: A Case Study of Senegalese Labour Migrants on the Cape Verdean Island     Boa Vista and Their Relatives at Home</i>. Lisboa, ISCTE-IUL, tese de mestrado em Estudos Africanos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197096&pid=S0873-6561201700010000100036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">KASFIR,   Sidney, 1992, “African art and authenticity: a text with a shadow”, <i>African Arts</i>, 25&nbsp;(2): 40-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197098&pid=S0873-6561201700010000100037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LADD,   Katherine, 2012, <i>A Handmade Future: The Impact of Design on the Production  and Consumption of Contemporary West African Craft as a Tool for     Sustainable Developmen</i>t, Brighton, University of Brighton, tese de doutoramento, disponível em <a href="http://eprints.brighton.ac.uk/12343/" target="_blank">http://eprints.brighton.ac.uk/12343/</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197100&pid=S0873-6561201700010000100038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LANÇA, Marta, 2010, “Da resistência e da fantasia,   entrevista a Luísa Queirós”, disponível <i>online</i> em<i> Buala</i>, <a href="http://www.buala.org/pt/cara-a-cara/da-resistencia-e-da-fantasia-entrevista-a-luisa-queiros" target="_blank">http://www.buala.org/pt/cara-a-cara/da-resistencia-e-da-fantasia-entrevista-a-luisa-queiros</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197102&pid=S0873-6561201700010000100039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEAL, João, 2009, “Da arte popular às culturas populares   híbridas”,&nbsp;<i>Etnográfica</i>, 13&nbsp;(2): 472-476, disponível em <a href="https://etnografica.revues.org/1318">https://etnografica.revues.org/1318</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197104&pid=S0873-6561201700010000100040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIMA, A. Germano, 1997,<i> Boavista: Ilha de Capitães   (História e Sociedade). </i>Praia, Spleen Edições.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197106&pid=S0873-6561201700010000100041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIMA, Ricardo Gomes, 2009, “Arte popular e artesanato:   falamos da mesma coisa?”, <i>Ciências Humanas e Sociais em Revista</i>, 31&nbsp;(1): 97-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197108&pid=S0873-6561201700010000100042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIPOVETSY, Gilles, e Jean SERROY, 2014 [2013], <i>O   Capitalismo Estético na Era da Globalização</i>. Lisboa, Edições&nbsp;70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197110&pid=S0873-6561201700010000100043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LOPES, Baltasar, 2010 [1956], “Cabo Verde visto por Gilberto   Freyre”, <i>Escritos Filológicos e Outros Ensaios</i>. Praia, IBN, 229-275.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197112&pid=S0873-6561201700010000100044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LOPES, Leão, 1983, “Olaria caboverdiana. Que futuro?”, <i>Ponto   &amp; Vírgula</i>, 2: 13-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197114&pid=S0873-6561201700010000100045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LOPES FILHO, João, 1984, “Conversando com Mesquitela Lima”, <i>Ponto   &amp; Vírgula</i>, 10-11: 17-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197116&pid=S0873-6561201700010000100046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MADUREIRA, Tânia, 2012, <i>A Revitalização da Olaria em Trás   di Munti e os Seus Significados Locais: Loiça Pintada Não É Património?</i> Coimbra, Universidade de Coimbra, tese de mestrado em Antropologia Social e Cultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197118&pid=S0873-6561201700010000100047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARÇAL, Artur, 2012, <i>A Tradição da Olaria em Fonte Lima.</i> Viana do Castelo, Instituto Politécnico de Viana do Castelo, tese de mestrado   em Educação Artística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197120&pid=S0873-6561201700010000100048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARCELINO,   Pedro, 2011, <i>The New Migration Paradigm of Transitional African Spaces:     Inclusion, Exclusion, Liminality and Economic Competition in Transit Countries. A Case Study on the Cape Verde Islands</i>. Saarbrücken, Lambert.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197122&pid=S0873-6561201700010000100049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MBEMBE, Achille, 2014 [2013], <i>Crítica da Razão Negra</i>.   Lisboa, Antígona.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197124&pid=S0873-6561201700010000100050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MIRANDA, Nuno de, 1968, “Cabo Verde”, em Fernando Pires de   Lima (org.), <i>A Arte Popular em Portugal: Ilhas Adjacentes e Ultramar</i>, vol.&nbsp;I. Lisboa, Editorial Verbo, 319-376.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197126&pid=S0873-6561201700010000100051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MUDIMBE, V.Y., 2013 [1988], <i>A Invenção de África:   Gnose, Filosofia e a Ordem do Conhecimento</i>. Ramada e Luanda, Edições Pedago e Edições Mulemba.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197128&pid=S0873-6561201700010000100052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MUDIMBE, V.Y., 2013 [1994], <i>A Ideia de África.</i> Ramada e Luanda, Edições Pedago e Edições Mulemba.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197130&pid=S0873-6561201700010000100053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">POEZE,   Miranda, 2010, <i>In Search of Greener Pastures? Boat-Migrants from Senegal to the Canary Islands</i>. Leiden, African Studies Centre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197132&pid=S0873-6561201700010000100054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ROCHA, Eufémia, 2009, <i>“Mandjakus São Todos os Africanos,   Todas as Gentes Pretas que Vêm de África”: Xenofobia e Racismo em Cabo Verde</i>. Praia, Universidade de Cabo Verde, tese de mestrado em Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197134&pid=S0873-6561201700010000100055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ROCHA, Eufémia, 2013, “Migração na África Ocidental e Cabo   Verde: uma relação recente?”, <i>Ciências Sociais Unisinos</i>, 49&nbsp;(1): 12-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197136&pid=S0873-6561201700010000100056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SALL, Leyla,   2010, “Les champs commerciaux sénégalais à Paris: coprésences, luttes pour   l’espace et stratégies commerciales au sein d’espaces urbains interstitiels”, <i>Diversité Urbaine</i>, 10&nbsp;(1): 61-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197138&pid=S0873-6561201700010000100057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">STEINER,   Christopher B., 1994<i>, African Art in Transit</i>. Cambridge, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197140&pid=S0873-6561201700010000100058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">STEWART,   Susan, 1996 [1993], <i>On Longing: Narratives of the Miniature, the Gigantic, the Souvenir, the Collection</i>. Durham e Londres, Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197142&pid=S0873-6561201700010000100059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SWANSON,   Kristen, e Patricia E. HORRIDGE, 2006, “Travel motivations as souvenir purchase indicators”, <i>Tourism Management</i>, 27: 671-683.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197144&pid=S0873-6561201700010000100060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SWANSON,   Kristin, e Dallen J. TIMOTHY, 2012, “Souvenirs: icons of meaning, commer­cialization and commoditization”, <i>Tourism Management</i>, 33: 489-499.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197146&pid=S0873-6561201700010000100061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">UCI, 2012, <i>Estratégia Nacional de Imigração: Resolução </i>n.º<b>&nbsp;</b>3/2012,   de 23 de janeiro. Praia, Unidade de Coordenação da Imigração, disponível em <a href="http://www.dgi.com.cv/?wpdmdl=3714" target="_blank">http://www.dgi.com.cv/?wpdmdl=3714</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197148&pid=S0873-6561201700010000100062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">UCI/OFII, 2014, <i>Estudo de Diagnóstico:   Identificação das Necessidades dos Imigrantes no Processo de Integração Social   em Cabo Verde</i>. S/l., Unidade de Coordenação de Imigração   (UCI) e Office Français de l’immigration et de l’intégration (OFII), disponível   em <a href="http://www.dgi.com.cv/?wpdmdl=3769" target="_blank">http://www.dgi.com.cv/?wpdmdl=3769</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197150&pid=S0873-6561201700010000100063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">URRY, John,   e Jonas LARSEN, 2011, <i>The Tourist Gaze</i><b>&nbsp;</b><i>3.0</i>. Londres, Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197152&pid=S0873-6561201700010000100064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VENÂNCIO, José, e João SILVA, 2010, “Especificidades da arte   cabo-verdiana: Manuel Figueira, de artista nacional em Cabo Verde a artista <i>outsider </i>em Portugal”, <i>Aurora</i>, 8, disponível em <a href="http://www.pucsp.br/revistaaurora/ed8_v_maio_2010/artigos/ed/8_artigo.htm" target="_blank">http://www.pucsp.br/revistaaurora/ed8_v_maio_2010/artigos/ed/8_artigo.htm</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197154&pid=S0873-6561201700010000100065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VENKATESAN,   Soumhya<i>, </i>2009, “Rethinking agency: persons and things in   the heterotopia of ‘traditional Indian craft’<sup>&nbsp;</sup>”, <i>Journal of the Royal Anthropological Institute</i>, 15: 78-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197156&pid=S0873-6561201700010000100066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">NOTAS</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn1"></a><a href="#_ftnref1" title="">[1]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este   projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal), através da bolsa SFRH/BPD/72387/2010.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn2"></a><a href="#_ftnref2" title="">[2]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Articulada em torno da revista <i>Claridade</i>, esta geração urdiu um modelo   identitário que apresentava Cabo Verde como um caso de regionalismo português.   Segundo Gabriel Fernandes, este modelo, influenciado pelo luso-tropicalismo,   concebia as componentes africanas da cultura como resíduos que se haviam   diluído nas ilhas do Barlavento, encontrando-se praticamente confinadas à ilha   de Santiago. O retrato do arquipélago efetuado por Freyre contraria este   modelo, retirando-lhe parte do seu suporte teórico (Fernandes 2002: 78-106).   Ver ainda, sobre este assunto, Anjos (2002: 77-136) e Fernandes (2006: 143-178).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn3"></a><a href="#_ftnref3" title="">[3]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Note-se   que, enquanto Baltasar Lopes parecia procurar rendas, bordados e cerâmica que   pudessem confirmar a sua leitura do arquipélago como região portuguesa,   Gilberto Freyre pareceu buscar objetos que exprimissem “uma sobrevivência   africana cultivada com algum carinho” (Freyre 2001 [1953]: 276), refletindo assim duas conceções divergentes sobre a cultura do arquipélago.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn4"></a><a href="#_ftnref4" title="">[4]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Também   Nuno de Miranda, referindo-se ao labor decorativo do homem cabo-verdiano,   refere: “A decoração é praticamente inexistente no arquipélago. […] Porque a decoração está-lhe na alma” (Miranda 1968: 349-350).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn5"></a><a href="#_ftnref5" title="">[5]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vejam-se   ainda as afirmações de Mesquitela Lima sobre esta matéria numa entrevista conduzida por João Lopes Filho (1984: 20-21).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn6"></a><a href="#_ftnref6" title="">[6]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Arquivo   do CNA (ACNA), caixa 89. Note-se que Manuel Figueira entendia por artesanato “[A]quilo   que é produzido pelo artesão, consistindo esta produção de objectos que podem   ser artísticos ou não, utilitários ou não, servindo-se o produtor de meios   rudimentares, ferramentas ou instrumentos, que podem considerar como que o   prolongamento da mão ou do corpo humano, em geral, sendo este o motor e a   máquina que desprende a energia para produzir a peça que contém um conjunto de   valores tradicionais, carregados de grande dimensão cultural”. Dividia-o em   “três ramos”: “Artesanato artístico-decorativo, com a função de embelezar, de   cumprir somente um papel estético; Artesanato artístico-utilitário com função   utilitária e apresentando simultaneamente valores estéticos; e Artesanato   utilitário concebido e executado, sem preocupações artísticas, para dar   resposta às necessidades materiais do dia-a-dia” (em “Programa de   Desenvolvimento do Artesanato Nacional”, sem data, presumivelmente de 1981, caixa&nbsp;89, ACNA).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn7"></a><a href="#_ftnref7" title="">[7]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O CNA   possuía uma delegação regional na Praia, inicialmente dirigida por Luís   Tolentino e, a partir de 1983, por Gustavo Duarte. Nesta secção, legatária da   oficina existente no Centro de Informação e Turismo, produziam-se,   maioritariamente, objetos feitos a partir de coco, chifre, osso ou carapaça de tartaruga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn8"></a><a href="#_ftnref8" title="">[8]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   “Complemento do Relatório da Exposição 5 de Julho de 1975”, com data de 24/08/1975, caixa&nbsp;82, ACNA.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn9"></a><a href="#_ftnref9" title="">[9]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;   Servindo-me das palavras de João Leal, “[o] popular é – literalmente – o   produto do encontro de duas culturas: a cultura que lá estava e que não sabia   que era popular e a cultura de quem chega lá e a nomeia como popular” (2009:&nbsp;475).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn10"></a><a href="#_ftnref10" title="">[10]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para Gabriel   Fernandes: “a desafricanização dos espíritos não foi algo linear, de que   pudesse resultar um novo ciclo de ocultamento da herança afro-negra; ela traduz   uma fase de despartidarização ou desideologização da cultura, possibilitando a   atribuição de um novo conteúdo simbólico ao suposto resgate identitário operado sob a sigla de retorno” (Fernandes 2002:&nbsp;178).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn11"></a><a href="#_ftnref11" title="">[11]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme a   tipologia proposta por Gordon, os suvenires podem ser divididos em:   (a)&nbsp;produtos pictóricos (postais, livros e outros materiais com imagens do   destino); (b)&nbsp;réplicas e ícones (por exemplo, miniaturas de monumentos);   (c)&nbsp;marcadores (objetos como porta-chaves, canecas, <i>t-shirts</i> com a   inscrição da marca do destino); (d)&nbsp;objetos <i>piece of rock</i> (fósseis,   conchas, pedras, flores, etc.); (e)&nbsp;produtos locais (artesanato ou   produtos alimentares, produzidos localmente) (Horodyski, Manosso e ­Gândara   2012; Swanson e Horridge 2006: 673). Em Cabo Verde, os produtos   pictóricos, réplicas, ícones e marcadores têm uma presença muito menor do que   os produtos locais, o que em parte é explicável pela debilidade da indústria no   país. Ainda que muitas lojas vendam <i>t-shirts</i>, canecas e outros produtos   industriais com a inscrição da marca Cabo Verde – na sua quase totalidade   importados da China e vendidos também em lojas chinesas –, uma grande parte dos marcadores é produzida por artesãos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn12"></a><a href="#_ftnref12" title="">[12]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dando continuidade   à tendência registada desde 2009, em 2015, a maioria dos hóspedes seria   proveniente do Reino Unido (22,2%), seguindo-se os alemães (13,4%) e   portugueses (10,9%). Nesse ano, os hóspedes residentes em Cabo Verde somaram   8,7% das entradas (INE 2016: 36). No que concerne à ilha da Boa Vista, em 2015,   os hóspedes do Reino Unido corresponderam a 31% do total das entradas,   seguindo-se os da Alemanha (19%), Bélgica e Holanda (14%), Portugal (9%), França (8%), Itália (6%) (INE 2016:&nbsp;42).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn13"></a><a href="#_ftnref13" title="">[13]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os dois hotéis da   cadeia Riu possuíam um restaurante temático cabo-verdiano. Contudo, vários   turistas se queixaram das dificuldades em conseguir efetuar reservas nestes   restaurantes. Sobre alimentação, turismo e “bolhas ambientais culinárias”, ver Cohen e Avieli (2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn14"></a><a href="#_ftnref14" title="">[14]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No Censo realizado   em 2010 (UCI/OFII 2014:&nbsp;18), foram contabilizados pelo INE   14.373 estrangeiros residentes em Cabo Verde: 8783 dos quais da CEDEAO e 2446   provenientes da Europa. De entre os Estados da CEDEAO, a Guiné-Bissau surgia   como o país com mais imigrantes em Cabo Verde (5544), seguida pelo Senegal (1634) e pela Nigéria (740).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn15"></a><a href="#_ftnref15" title="">[15]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ver, por exemplo,   Adepoju (s/d.).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn16"></a><a href="#_ftnref16" title="">[16]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre a crítica aos   usos da categoria “país de trânsito” e sua aplicação ao contexto cabo-verdiano,   ver Barbosa (2014). Sobre as orientações do governo cabo-verdiano em matéria de   imigração ver, por exemplo, UCI (2012). No que concerne à investigação   produzida sobre o fenómeno do crescimento da imigração em Cabo Verde, veja-se,   por exemplo, Barbosa (2014), Furtado (2012), Marcelino (2011), Rocha (2009,   2013). Relativamente aos estudos sobre a emigração senegalesa, veja-se, por   exemplo, Bava (2005), Diop (2008), Fall e Bochaca (2012), Poeze (2010), Sall (2010). Sobre a articulação destes fenómenos na ilha da Boa Vista, veja-se Jung (2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn17"></a><a href="#_ftnref17" title="">[17]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 2010, foram   contabilizadas pelo INE, 2305 residentes neste bairro. Na primavera de 2015, o   número de residentes seria muito superior e o bairro encontrava-se já   circundado por uma muralha de prédios em construção no âmbito do programa do   governo “Casa para Todos”, nos quais se projetava realojar parte da população residente em barracas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn18"></a><a href="#_ftnref18" title="">[18]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 2015 existiriam   1793 trabalhadores ao serviço nos estabelecimentos hoteleiros da ilha (INE   2016: 11). Destes, apenas 58 estavam enquadrados como pessoal permanente (INE   2016: 19). O trabalho na hotelaria foi sistematicamente caracterizado pela sua   precariedade, pelas longas e penosas jornadas de trabalho e salários que não permitem fazer face ao elevado custo de vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn19"></a><a href="#_ftnref19" title="">[19]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Termo usado num   documento da UCI/OFII (2014: 61) para designar o avesso da <i>morabeza</i>,   <i>i.e.</i>, o avesso da cordialidade cabo-verdiana para com os   forasteiros. Deve ser notado que, na Boa Vista, esta “<i>maurabeza</i>” é   também dirigida à população oriunda de Santiago, frequentemente descrita como sendo mais “africana” (cf. Fernandes 2002: 90-95; Fikes 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn20"></a><a href="#_ftnref20" title="">[20]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta ilha possui   alguns dos mais importantes locais de nidificação de tartarugas da espécie <i>Caretta     caretta</i>. Nos meses de verão, a observação da desova de tartarugas constitui uma das atividades propostas aos turistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn21"></a><a href="#_ftnref21" title="">[21]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Escola de Olaria   do Rabil terá sido criada em 1959 (Lima 1997: 132), tendo sido dirigida por um   oleiro português até à independência. Após um período de letargia, António   Mosso Monteiro (filho de uma oleira do Rabil) conseguiu paulatinamente reanimar   esta oficina. Num artigo de 1983, Leão Lopes afirmava que a olaria da Boa Vista   havia sofrido “influências de formas estranhas trazidas por um oleiro português,   que originaram na produção boa-vistense um hibridismo às vezes bizarro e   desagradável” (Lopes 1983: 15). Sobre olaria cabo-verdiana, ver também Madureira (2012) e Marçal (2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn22"></a><a href="#_ftnref22" title="">[22]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A população mais   idosa tende a enaltecer a qualidade do artesanato produzido na Boa Vista antes   da independência, em especial a olaria, cestaria, rendas e bordados, objetos   feitos de carapaça de tartaruga por Emiliano Silva, e por vezes a tecelagem   praticada em tempos mais remotos. Almeida (2003: 108) e Lima (1997: 131)   referem que alguns exemplares desta tecelagem terão sido exibidos nas exposições universais de Londres (1862) e Antuérpia (1885).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn23"></a><a href="#_ftnref23" title="">[23]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na primavera de   2015, a renda mensal paga à Camara Municipal da Boa Vista era de cerca de 60   euros, sendo a área das lojas muito exígua. Em dezembro de 2015, este mercado   terá sido desativado no âmbito do projeto de requalificação de Sal Rei que   previa a construção de um hotel neste local. Os comerciantes terão sido deslocados para o espaço da antiga fábrica Ultra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn24"></a><a href="#_ftnref24" title="">[24]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os cinco maiores   hotéis da Boa Vista detinham, no total, dez lojas com artesanato: o Marine Club   e o Royal Decameron possuíam duas lojas, o Iberostar detinha quatro lojas e o   Riu Karamboa e Riu Touareg juntos detinham também quatro lojas. Seis destas dez   lojas pertenciam às cadeias Baobab (que comercializava objetos importados do   Brasil) e Bazar &amp; Co. Apenas a loja My Boa Vista, no Marine Club, exibia um   conjunto significativo de artefactos produzidos por artesãos cabo-verdianos de outras ilhas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn25"></a><a href="#_ftnref25" title="">[25]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobre racismo e   imigração em Cabo Verde, ver Rocha (2009) e Furtado (2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn26"></a><a href="#_ftnref26" title="">[26]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Podendo, contudo,   constituir-se como objeto de desejo. Muitos cabo-verdianos usam estes objetos   na decoração das suas casas e algumas lojas de produtos chineses vendem   imitações em plástico de estatuária dita africana. Em algumas áreas do   artesanato cabo-verdiano, em especial na costura e bijuteria, assiste-se também a uma propagação do uso de tecidos estampados importados do Senegal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn27"></a><a href="#_ftnref27" title="">[27]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ver também Rocha   (2013:&nbsp;16).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn28"></a><a href="#_ftnref28" title="">[28]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prática comum no   Mindelo, onde a maioria dos comerciantes de artesanato provenientes da CEDEAO vende também objetos produzidos por cabo-verdianos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="_ftn29"></a><a href="#_ftnref29" title="">[29]</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A arte africana   viria também a exercer um papel marcante na construção nacional senegalesa   durante a presidência de Léopold Sédar Senghor (1960-1980), como ficou patente   na realização, em Dacar, do Festival Mundial de Artes Negras, em 1966 (Ficquet e Gallimardet 2009).</font></p>      ]]></body><back>
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