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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A regulação ética da investigação e os desafios postos às práticas etnográficas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Given the growing tendency of institutionalizing regulatory ethical procedures for research with human subjects, this article discusses the impacts of prospective research in the social sciences, and in particular in ethnographic research. Departing from a historic revision both of research regulation and of anthropology, we analyze what constitutes ethics in ethnographic practice, highlighting the incommensurability that this type of research has been facing in biomedical-based regulation models. Through notions such as risk and the primacy of informed consent we illustrate how the understanding of research with human subjects being mobilized is a reducing one when looked from the angle of social, qualitative or ethnographic research, which is substantially different from research in exact sciences or clinical experimentation.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>OF&Iacute;CIO</b></font></p> <font face="Verdana">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><b><font size="4" face="Verdana">A regulação ética da investigação e os desafios postos às   práticas etnográficas</font></b></p> <font face="Verdana">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Research ethics regulations and its pitfalls   for ethnographic practices</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana">Marta Roriz<sup>I</sup>;</font> <font size="2" face="Verdana">Cristina Padez<sup>II</sup></font></b></p>     <p><font face="Verdana"><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup></font></font><font size="2" face="Verdana">CIAS, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra,   30004-516 Coimbra, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:martaroriz2006@gmail.com">martaroriz2006@gmail.com    <br>   </a></font><font face="Verdana"><font size="2" face="Verdana"><sup>II</sup></font></font><font size="2" face="Verdana">CIAS, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra, 30004-516 Coimbra, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:cpadez@gmail.com">cpadez@gmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Face à crescente tendência de institucionalização de mecanismos   de regulação ética da investigação com sujeitos humanos, discute-se com este   artigo os impactos que a regulação prospetiva dos projetos de investigação tem   tido nas ciências sociais e, mais concretamente, os desafios que tem colocado à   investigação etnográfica. A partir de uma revisão histórica, quer da origem da   regulação ética da investigação quer da própria antropologia, analisa-se o que   se constitui como ética na prática etnográfica, salientando as   incomensurabilidades que este tipo de investigação tem encontrado nos modelos de   regulação fundados na ética biomédica. Através de noções como a noção de risco   ou da primazia do princípio de consentimento informado, ilustra-se como é   mobilizado um entendimento da investigação com humanos que é redutor para a   investigação social, qualitativa e etnográfica, substancialmente diferente da investigação das ciências exatas ou da experimentação clínica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> ética, investigação etnográfica,   regulação, IRB, consentimento informado</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Given the growing tendency of   institutionalizing regulatory ethical procedures for research with human   subjects, this article discusses the impacts of prospective research in the   social sciences, and in particular in ethnographic research. Departing from a   historic revision both of research regulation and of anthropology, we analyze   what constitutes ethics in ethnographic practice, highlighting the   incommensurability that this type of research has been facing in   biomedical-based regulation models. Through notions such as risk and the   primacy of informed consent we illustrate how the understanding of research   with human subjects being mobilized is a reducing one when looked from the   angle of social, qualitative or ethnographic research, which is substantially different from research in exact sciences or clinical experimentation.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> ethics, ethnographic research,   regulation, IRB, informed consent</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana">      <b>Introdução</b>      </font></p> <font face="Verdana">     <p><font size="2">Nos últimos anos tem-se assistido a uma proliferação de   diferentes debates sobre ética, tal é a explosão discursiva em torno do tema.   Hoje em dia é comum ouvir-se falar da ética em todas as dimensões da sociedade.   Desde as grandes questões da bioética presentes no espaço público,   especialmente as questões postas pelos desenvolvimentos tecnológicos, ao meio   empresarial, no qual se ouve falar da responsabilidade social e da <i>corporate     ethics</i> e ainda no espaço económico, onde são comuns os apelos aos   produtos e consumo éticos. Na antropologia, esta discursividade, por certos   contágios e mesmo por obrigação, não é exceção. Fala-se da <i>ethical turn </i>na   disciplina, tal tem sido a produção de conhecimento em torno do tema, assim   como dos debates acerca do que se constitui como ética na investigação social face à crescente regulação da investigação já em marcha em diferentes países.</font></p>     <p><font size="2">Este artigo pretende oferecer, por um lado, uma revisão   sobre a regulação da investigação em contextos como os Estados Unidos da   América (EUA) e o Reino Unido, focando a institucionalização dos procedimentos   de revisão e regulação ética da investigação já em prática em diferentes   países, com constituição de órgãos para esse fim, e, por outro lado, fazer uma   revisão aos debates em torno da ética na prática etnográfica e na investigação   social, focando em particular os problemas e incomensurabilidades que o modelo atual de regulação da investigação tem colocado à prática etnográfica.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup><sup>[1]</sup></sup></a></font></p>     <p><font size="2">No que diz respeito à regulação ética da investigação, há   hoje uma diversidade de abordagens que difere de acordo com os contextos   nacionais (Bartlett 2008). Há países, como os EUA, o Reino Unido e ainda o   Brasil, onde os <i>institutional research boards</i> (IRB) ou os <i>research     ethics committees </i>(REC) e os comités de ética em pesquisa (CEP) – corpos   cujo objetivo é avaliar a adequação ética dos projetos de investigação que   envolvam sujeitos humanos – estão bem estabelecidos e institucionalizados nas   universidades, e há países onde esta regulação e órgãos só existem para a   investigação biomédica, como é o caso de vários países europeus, como Portugal,   Espanha, Itália, Holanda, entre tantos outros. Embora numa grande parte dos   países esta obrigação de submissão dos projetos de investigação a uma avaliação   ética seja inexistente, há fatores que poderão alterar este cenário. Um deles é   a tendência para a investigação ser cada vez mais financiada globalmente por   instituições que se reveem num modelo de regulação; outro fator é, por exemplo,   a ­tendência para a ­harmonização de políticas e práticas entre os diferentes   contextos nacionais dentro da União Europeia. Nesta medida, e face a esta   tendência, pretendemos com este artigo analisar as experiências dos contextos   em que a regulação da investigação que envolve sujeitos humanos está em   prática, focando em particular o impacto que a regulação nestes moldes tem tido   para a investigação das ciências sociais em geral, e para as práticas   etnográficas mais concretamente. Nas próximas secções pretende-se, primeiro,   fazer uma breve incursão à origem da regulação da investigação, partindo da   criação do Código de Nuremberga em 1947 até à atualidade da institucionalização   da revisão prospetiva para todo o tipo de investigação que envolva sujeitos   humanos; e, segundo, focar em concreto os desafios que esta regulação e revisão   tem posto à investigação etnográfica e como diferentes noções do que se   constitui como ética são mobilizadas. Partindo de uma análise às   características e natureza da investigação etnográfica, oferece-se uma reflexão   acerca da adequação da noção de risco e do princípio de consentimento   informado, pilares na base do modelo de regulação da investigação, e do que estes podem significar no trabalho etnográfico.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <font size="3"><b>A regulação ética em investigação: do Código de Nuremberga à revisão prospetiva institucional</b></font><font size="2">      <p>Falar de princípios éticos ou regulação ética da   investigação implica que falemos na sua origem, o Código de Nuremberga   estabelecido em 1947. Este código, um conjunto de princípios éticos para a   experimentação humana criado na sequência dos julgamentos de Nuremberga, após a   Segunda Guerra Mundial, tornou-se o texto fundacional para os subsequentes   acordos internacionais sobre a investigação que envolva sujeitos humanos. A sua   criação teve origem nas revelações feitas sobre as experiências nazis com   prisioneiros dos campos de concentração (Lifton 2000). Mais tarde, com a Declaração   de Helsínquia, criada pela Associação Médica Mundial em 1964, elaborou-se um   conjunto de princípios éticos universalistas a aplicar aos participantes na   investigação médica visando a sua proteção, que inclui princípios como o   consentimento informado, o respeito da confidencialidade e a proteção da vida humana (WMA 2008).<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup><sup>[2]</sup></sup></a></p>     <p>Estes documentos são ainda hoje a base e guia da conduta de   práticas de todos os tipos de investigação que envolva sujeitos humanos. O   consentimento informado tornou-se condição e prática <i>sine qua non</i> na   investigação médica e está incorporado na legislação da maioria dos países. A   sua influência, contudo, assim como dos restantes princípios, alargou-se para   além da investigação clínica. O modelo de regulação da investigação e de proteção   de sujeitos envolvidos na investigação biomédica tem sido apresentado como   modelo para todas as outras formas de investigação envolvendo sujeitos humanos,   nomeadamente entre as ciências sociais, aparecendo ainda nos códigos de   práticas de quase todas as organizações profissionais, agências de   financiamento e instituições envolvidas com a investigação (Boulton e Parker 2007; Parker 2007; Macdonald e Spiegel 2013; Nunes 2011).</p>     <p>A necessidade de regular a investigação que envolve sujeitos   humanos originou-se então a partir dos vários casos de abusos no passado.   Alguns destes casos foram tão graves e controversos que despoletaram várias   transformações durante a segunda metade do século XX. Assistiu-se a uma   proliferação da criação de códigos de ética profissionais, para diferentes   classes de profissionais, assim como à criação de comissões de ética   institucionais, e ainda a um crescente processo de institucionalização em   vários contextos, especialmente nos países do Norte, de regras e procedimentos   de revisão por parte de comissões externas como os IRB, REC, CEP e outros   equivalentes como se conhecem hoje. Nos EUA, um dos casos de abuso mais   mediáticos foi o caso de Tuskegee, um estudo de sífilis conduzido ao longo de   mais de 40 anos pelo Serviço de Saúde Pública americano, no qual homens   afro-americanos no Alabama rural ficaram deliberadamente impedidos de aceder a   um tratamento para a sífilis sob o propósito de melhorar o conhecimento público   acerca da história natural da doença. O mediatismo em torno do caso levou à   aprovação do National Research Act de 1974 e posteriormente, em 1981, o   Congresso americano aprovou o que veio a ficar conhecido como a Common Rule,   regulamentação para toda a investigação financiada por dinheiro federal que   estabelece uma série de requisitos e obrigações legais, entre os quais a   aprovação por uma comissão de investigação institucional, um IRB. A emergência   dos IRB nos EUA,<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup><sup>[3]</sup></sup></a> expoente máximo desta tendência, tem vindo a definir grande parte do cenário da   revisão ética noutros contextos. Isto deve-se, entre outros fatores, ao facto   de muito do financiamento para a investigação internacional estar ligado a   instituições americanas, de que são exemplos o National Institute of Health   (NIH) ou os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), entre muitas   outras agências financiadoras. Consequentemente, muita da investigação   internacional fica sujeita aos moldes adotados neste país para a supervisão   ética, na maior parte das vezes seguindo e aplicando uma perspetiva médico-científica da investigação.</p>     <p>A regulamentação ética que se estipulou para a   experimentação e investigação clínica com sujeitos humanos tem vindo a servir   de base para a regulação de todo o tipo de investigação que envolva sujeitos   humanos. Isto cria uma distorção, na medida em que nem todo o tipo de   investigação que lida com sujeitos humanos o faz numa perspetiva biomédica ou   clínica, mas a orientação que regula a investigação em geral, onde se incluem   as ciências sociais e humanas, tem as suas bases na ética biomédica. A par   desta questão ligada ao financiamento global por parte dessas agências que   exigem a regulação ética da investigação nestes moldes, há ainda mudanças   políticas e estruturais ligadas à própria governação da ciência que estão a pôr   desafios aos métodos das ciências sociais e, em particular, às práticas   etnográficas. Alguns antropólogos têm desenvolvido a noção de <i>audit society</i> (Shore e Wright 1999; Strathern 2000) para falar de uma cultura latente no   ensino superior dos últimos anos, onde um regime cada vez mais rigoroso de   auditoria e inspeção – sob o propósito da manutenção da qualidade, seletividade   da investigação, revisões das aulas, etc. – foi instituído. Alguns autores   identificam que a ética, as revisões éticas e as comissões de ética que se têm   formado nas instituições de investigação e de ensino, na forma de IRB, REC,   etc., são precisamente uma extensão desta nova cultura ligada à noção de <i>audit society</i> (Pels 1999; Strathern 2000).</p>     <p>Mas, como afirmávamos atrás, há, de acordo com diferentes   contextos, uma diversidade de abordagens no que diz respeito à regulação ética   da investigação (Bartlett 2008). Se, por um lado, países como os EUA, o Reino   Unido e ainda o Brasil – país este onde a antropologia, em particular por   intermédio da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), tem liderado a   discussão sobre a regulação ética na pesquisa das ciências sociais<sup>&nbsp;</sup><a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup><sup>[4]</sup></sup></a> – institucionalizaram estes organismos regulatórios nas suas universidades, no   caso europeu, dentro da União Europeia, existem variações, apesar de a   tendência ser no sentido da harmonização das diferentes agências de   financiamento nacionais, das associações profissionais e dos códigos de ética   para a investigação definidos para cada país.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup><sup>[5]</sup></sup></a> Apesar   das tendências neste sentido, no que diz respeito aos códigos de ética   profissionais, há na antropologia alguma resistência a adotar estes códigos e <i>guidelines</i> de conduta para a investigação antropológica, talvez por os códigos de ética   serem gerais e absolutos. Como De Laine (2000:&nbsp;4) afirma, estes códigos   são construções intelectualizadas e objetivas que não permitem variações   culturais, sociais, pessoais e ­emocionais. Ao contrário da Associação   Americana de Antropologia (AAA), que teve este debate há já alguns anos, tendo   criado o seu próprio código assim como princípios de responsabilidade   profissional,<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup><sup>[6]</sup></sup></a> ou da Associação Brasileira de Antropologia,<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup><sup>[7]</sup></sup></a> a   Associação Europeia de Antropólogos Sociais (EASA) não tem um código   estabelecido, embora tenha uma rede de investigação dedicada à ética, que   fornece aconselhamento ao seu conselho executivo quando há necessidade.<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup><sup>[8]</sup></sup></a> O mesmo acontece no contexto nacional português: não existe um código oficial   de conduta ética estipulado pela Associação Portuguesa de Antropologia (APA).   Ao contrário do que se passa no Reino Unido e nos EUA, que, além de terem   códigos profissionais ou <i>guidelines</i> de práticas estabelecidas, têm os   IRB e REC nas instituições de investigação bem estabelecidos, em ­Portugal,   Holanda, Itália, entre muitos outros países onde esta revisão prospetiva não   existe, não temos de, como investigadores ou estudantes, identificar <i>a     priori</i> as implicações éticas do nosso trabalho, preencher formulários e   seguir as investigações com base nos princípios do consentimento informado.<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><sup><sup>[9]</sup></sup></a> As obrigatoriedades impostas pelos procedimentos formais de avaliação ética por   parte destas comissões, sejam as das instituições de investigação ou as das   agências de financiamento nacionais, têm causado muito debate e inclusive   problemas e bloqueios à investigação etnográfica. Estes problemas têm estado na   base de uma série de publicações e reflexões acerca do que se constitui como   ética na etnografia. Torna-se importante, portanto, ter em conta estas   experiências, assim como os problemas e desafios que esta regulação ética, nos   moldes em que é feita, trouxe à prática etnográfica, principalmente nos países   onde a revisão prospetiva não existe,<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><sup><sup>[10]</sup></sup></a> de maneira a que, na eventualidade da sua institucionalização, a nossa   comunidade de prática (Lave e Wenger 1991) como antropólogos e etnógrafos esteja concertada e se faça representar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> </font><b>A regulação ética e a investigação das ciências sociais: as particularidades da prática etnográfica</b><font size="2">      <p>Apesar da intensificação discursiva em torno da ética nestes   últimos anos, os debates em torno do tema na antropologia não são novos. Como   demonstra Caplan (2003b), na revisão histórica que faz, pode notar-se uma   intensificação da discussão ética na antropologia sempre que a disciplina sofre   transformações paradigmáticas.<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title=""><sup><sup>[11]</sup></sup></a> Ou seja, é nos momentos em que as fronteiras da disciplina são redefinidas que   o discurso sobre ética se intensifica e é, portanto, nestes momentos que,   enquanto antropólogos, também nos constituímos como comunidade moral. Sempre   que a disciplina se debatia nas suas bases, de que são exemplos as transformações   nas décadas de 1960 e 1970 com os movimentos civis nos EUA, as descolonizações   e a influência destes acontecimentos na teoria antropológica, com o   pós-modernismo e ainda a viragem do milénio, todas estas transformações   tectónicas na antropologia foram acompanhadas pelo debate da ética na   disciplina. Representativo da preocupação ética foi, por exemplo, o debate em   torno do código de ética da AAA, em resposta a certos desenvolvimentos na   disciplina, muito marcado por episódios como a crise do Projeto Camelot nos EUA   ou ainda pela entrada dos alunos na antropologia aplicada (Fluehr-Lobban 1991;   Pels 1999).<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title=""><sup><sup>[12]</sup></sup></a> Episódios como o Projeto Camelot e outras transformações sociais levaram a que   várias associações profissionais de antropólogos, sociólogos e outros   profissionais adotassem códigos de ética ou <i>guidelines </i>de conduta que   definem os deveres e responsabilidades dos cientistas sociais. Como expõe   Caplan (2003b), os cientistas sociais não só têm de se comportar eticamente   como também têm de ser reconhecidos como estando a agir eticamente, quer seja   pelos sujeitos da investigação, quer por colegas, alunos, financiadores e   comissões de ética. Para muitos, isto consegue-se através da adesão a um código   de ética profissional; contudo, esta não é uma questão pacífica, uma vez que   tais códigos são regularmente contestados na sua formulação e o acordo quanto à   sua interpretação também é problemático (Caplan 2003b). Alguns autores têm   apontado uma certa resistência por parte dos cientistas sociais a acomodaram-se   a este tipo de regulação. Não se trata aqui de uma recusa de algum tipo de   regulação do ponto de vista ético – aliás, a ética foi sempre vista como   qualidade inerente à antropologia, uma virtude incorporada dos investigadores   (Fassin 2006) –, antes são contestadas as formas como as exigências processuais   e burocráticas dos IRB, nos contextos onde funcionam, podem deslocar os   esforços realmente necessários para resolver os dilemas éticos sérios que são   postos pela etnografia (Bosk e De Vries 2004), além de poderem criar obstáculos à liberdade de investigação e à viabilidade de certos tipos de pesquisa.</p>     <p>A ética costumava ser vista como uma virtude incorporada dos   investigadores (Fassin 2006) e não como um conjunto de práticas normativas ou   uma forma de regular a investigação. Os desafios éticos apareciam por norma   associados às experiências do trabalho de campo e aos dilemas da investigação   situada. A prática etnográfica na antropologia tem sido, ao longo da sua   história, explícita ou implicitamente “ética”, pois trata, na sua base, de   falar sobre o “outro”, incorporando assim dimensões éticas dessa prática.   Contudo, nos últimos anos, é de notar também uma tendência para pensar as   obrigações morais do antropólogo para com os seus sujeitos de investigação   (Scheper-Hughes 1995; Battaglia 1999; Pels e Meskell 2005). A “viragem ética”,   como tem sido mencionada na antropologia, emerge, nesta medida, quer a partir   de debates internos na disciplina – com as mudanças de paradigma dentro da   antropologia, o reconhecimento de que a própria história da antropologia foi   pautada por valores, pelo colonialismo, a crise da representação, etc. – quer   por desenvolvimentos externos a ela, de que são exemplo a institucionalização   da regulação da investigação, as mudanças culturais do tecido científico e os   próprios desenvolvimentos da investigação clínica e médica (Parker 2007; Nunes   2011; Boulton e Parker 2007; De Laine 2000; Fassin 2006; Guillemin e Gillam 2004).</p>     <p>Desde que se instalaram os IRB para a proteção dos sujeitos   humanos, tem havido aquilo a que Bruner (2004) e Lederman (2006b) chamam <i>mission     creep</i>, ou seja, a ideia de que esta revisão e regulação ética se expandiu e   generalizou além do propósito inicial, não para a proteção dos sujeitos, mas   muito no sentido de evitar litígios e proteger as instituições.<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title=""><sup><sup>[13]</sup></sup></a> O resultado desta regulação tem sido na prática, para muitos cientistas   sociais, um verdadeiro obstáculo, resultando num aumento dos atrasos dos   projetos de investigação, da burocracia e das dificuldades em obter aprovação para   os seus projetos.<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title=""><sup><sup>[14]</sup></sup></a> Se, por um lado, estes desenvolvimentos são racionalizados em termos da   qualidade ética na investigação, que tem de ser exigida, as universidades   também estão ­preocupadas com a possibilidade de ações legais, e veem a ética e   o consentimento como formas de evitar o litígio. Há, portanto, claramente, como diz Caplan (2003b), uma política e uma economia da ética a ser mobilizadas.</p>     <p>Quando se discute ética na antropologia discute-se os   principais aspetos da disciplina, desde a própria epistemologia às práticas do   trabalho de campo. Quando falamos na regulação ética da investigação – que   normalmente compreende a visão da ética fundada na ética biomédica – torna-se   necessário pôr em evidência as particularidades do método etnográfico, pois falar   de ética na investigação antropológica toca diretamente a forma como produzimos conhecimento.</p>     <p>Para os antropólogos, ou qualquer cientista social que use o   método etnográfico, a principal ferramenta de recolha de dados são as relações   que enceta com aqueles que são os participantes da sua investigação, ou os   principais informantes do contexto sobre o qual se debruça. Normalmente não   iniciamos a investigação com uma hipótese específica que testemos <i>a     posteriori</i> de forma sistemática, como acontece nas ciências exatas. As   situações com que o trabalho de campo nos confronta são substancialmente   diferentes das encontradas na investigação biomédica, por exemplo. Como diz   Fassin, “A etnografia não trata de sujeitos humanos em experiências clínicas.   Mas sim seres sociais em circunstâncias históricas, incluindo o etnógrafo” (2006:&nbsp;524).</p>     <p>Quando falamos em revisão prospetiva, seja na submissão de   um projeto a um IRB ou a uma comissão de ética de um hospital,<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title=""><sup><sup>[15]</sup></sup></a> é muitas das vezes impossível indicar formalmente como vamos proceder, podendo   apenas garantir a nossa presença no contexto do estudo, seja uma comunidade, um   hospital ou um bairro, para o qual levamos as questões básicas que nos guiarão,   assim como também não se consegue antever os “riscos” que podem advir dessa   investigação. A investigação qualitativa e a etnográfica têm de ser vistas como   um processo em aberto que implica que, em muitos casos, nem o investigador nem   os participantes conseguem antecipar como a investigação irá desenvolver-se ou   quais as questões que irão emergir, tornando impossível identificar <i>a priori</i> os riscos envolvidos na participação (Miller e Bell 2002; Boulton e Parker   2007). E a revisão prospetiva, com os seus formulários a que a proposta de   investigação tem de ser ajustada, requer isso, que se identifique em detalhe o   que será realizado em termos de investigação, assim como os riscos que essa   investigação comporta. A ética na etnografia é algo tendencialmente emergente,   algo que surge na prática, no decurso da investigação. Os dilemas éticos que   encontramos no trabalho de campo são, nesta medida, diferentes das preocupações   éticas espelhadas nos procedimentos de revisão ética formais. Como sublinha   Fabian (1991), muitas das questões de investigação emergem <i>ex post factum</i>,   e como tal não podem ser antecipadas. Há, portanto, na investigação social,   algumas incomensurabilidades com estes modelos éticos com base na ética   biomédica. A noção de risco faz aqui pouco sentido. Como referem Boulton e   Parker, “a investigação social pode ser intrusiva mas não é invasiva e tende a   não envolver danos físicos, prejuízos ou morte. Os riscos sociais e   psicológicos associados à investigação social não são diferentes daqueles   encontrados no dia-a-dia e são riscos que devemos aceitar como o custo de vida   numa sociedade livre: eles não requerem os mesmos tipos de proteção que requer   a gestão de riscos físicos na investigação médica” (2007: 2190). Outro pilar   base desta regulação e que é problemático é a noção de consentimento informado,   que necessita ser pensada de forma diferente em etnografia. Como identifica   Parker (2007), o consentimento tende a ser interpretado em termos   antecipatórios, baseado na ideia de que as implicações, a metodologia, o objeto   e questões da investigação podem ser previstos, discutidos e acordados antes do   seu início (Parker 2007: 2252). Esta visão do consentimento informado é   redutora, pois está relacionada com mudanças na prática médica, com   desenvolvimentos tecnológicos da investigação biomédica e o crescente interesse   nas implicações destes desenvolvimentos. Este domínio da ética, que envolve os   debates públicos sobre as grandes questões postas pela bioética na sociedade   (temas como a manipulação genética, a clonagem, a eutanásia e outros   desenvolvimentos biotecnológicos) e o declínio da confiança que alguns   escândalos na investigação biomédica provocaram, tem sido empurrado para o   domínio da investigação social (Boulton e Parker 2007: 2188). Desta forma, a   crítica a uma certa visão do consentimento informado tem sido bastante explorada, não só nas ciências sociais, mas também dentro da própria biomedicina.</p>     <p>As ciências sociais têm vindo a elaborar as suas próprias   posições quanto ao significado e prática do consentimento informado, assim como   aos modelos de práticas de investigação ética concebidos de uma forma geral,   baseados em preocupações e métodos particulares de investigação social. Ao   argumentar contra a imposição de um modelo de consentimento informado baseado   no paradigma da investigação biomédica, os cientistas sociais têm frisado a   distinção dos seus próprios paradigmas de investigação e as preocupações éticas   que estes levantam. Ao apelar a estas diferenças, desafia-se a adequação e   viabilidade do modelo biomédico de consentimento informado para a investigação   social e qualitativa, reconhecendo que este tipo de trabalho tem importantes   implicações éticas, para as quais são necessárias formas alternativas de ter em   conta as vulnerabilidades e responsabilidade dos envolvidos na investigação (Boulton e Parker 2007:&nbsp;2190).</p>     <p>Os antropólogos de forma geral veem o consentimento como   algo negociado e processual. O princípio da observação participante implica   deixar o controlo contextual na mão dos participantes na pesquisa. Como   Lederman descreve, a prática da observação participante implica uma abertura   sistemática à contingência, explora as implicações inesperadas geradas pelos   participantes (2006b: 485). Há, portanto, na prática etnográfica, uma   informalidade que lhe é característica. Informalidade essa que se refere   àqueles momentos da prática etnográfica em que “investigação” e “vida   quotidiana” são inextricáveis (Lederman 2006a). Fazer trabalho de campo é   incorporarmo-nos nas situações sociais, que não são desenhadas pelo   investigador social. É estar na situação. E esta informalidade exige uma   atenção especial, pois tem sido problematizada nos EUA, onde os IRB   supervisionam os investigadores e a sua conformidade com as regulações federais na pesquisa com humanos (2006a:&nbsp;477).</p>     <p>É por trabalharmos imersos na situação social, que estudamos   mas que não controlamos – a situação existe fora de nós –, que nos limitamos a   observar, a registar e a participar (quando isso acontece). Nesta medida,   informar os nossos sujeitos acerca dos riscos e benefícios em cooperarem   connosco torna-se difícil, pois os riscos e os benefícios para os sujeitos não   são diferentes dos que estão presentes numa interação normal com um estranho   (Bosk e De Vries 2004). Os riscos de se ser um informador etnográfico não se   põem ao nível dos riscos encontrados na investigação com experimentação – como   o ensaio clínico, por exemplo. O que fazemos não é como a experimentação   médica, que desenha um protocolo de investigação com o objetivo de o cumprir até ao fim (Bruner 2004).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outro aspeto problemático é a exigência de assegurar a   confidencialidade e anonimato dos sujeitos sob estudo, o que pode ser   relativamente fácil de conseguir, mas que em algumas situações é mais difícil.   Quem trabalha campos como a antropologia do poder e das elites, ou em domínios   públicos, nem sempre pode garantir o anonimato. Por exemplo, alguém a   investigar sobre o trabalho de um governo, seja a nível local ou do estado, que   tenha de passar pela regulação ética nestes moldes, ficará paralisado (Bosk e   De Vries 2004); certas controvérsias públicas ou mesmo científicas também não   poderiam ser estudadas. Por outro lado, há pessoas que quando dão o seu   testemunho querem ser identificadas, querem ter voz e exigem que o seu caso apareça identificado.</p>     <p>As preocupações e dilemas éticos são, em todos os tipos de investigação,   parte da prática, e uma preocupação de qualquer investigador. Nos contextos em   que a regulação ocorre, é útil a distinção de Guillemin e Gillam (2004) entre   duas dimensões éticas: a ética processual e a <i>ética na prática</i>. A ética   processual diria respeito a uma das primeiras fases do processo de   investigação, em que se submete o projeto à autorização de uma comissão de   ética, seja ela pertencente à instituição que promove a investigação ou à   instituição onde o trabalho será desenvolvido (muitos de nós têm de passar por   estas comissões quando a trabalhar em hospitais, por exemplo). Esta ética   processual é vista como uma mera formalidade, um obstáculo que tem de se   superar para ­avançar com o projeto. Envolve o uso de uma linguagem que a   comissão entenda, livre de jargão, mas que em todo o caso assegure à comissão   que somos competentes e investigadores com experiência que podem ser fiáveis.   Isto envolve ainda explicar a metodologia a uma comissão que na maior parte das   vezes não está familiarizada com os métodos qualitativos. Por outro lado, a <i>ética     na prática </i>diz respeito às questões éticas que emergem no decurso da   investigação, as reais questões que nos surgem no terreno. Estas questões   normalmente não são visadas nas submissões às comissões de ética, nem são   eventos que possam ser antevistos quando se pede aprovação. Estas situações   constituem aquilo a que Guillemin e Gillam (2004) chamam “momentos eticamente   importantes”, que, não sendo previsíveis, enfrentamos durante o encontro   etnográfico. Estes momentos eticamente importantes podem ser de vários tipos,   encaixando ainda na noção de “microética”<i>.</i> Komesaroff (1995) propõe o   termo microética para referir as questões éticas que surgem no dia-a-dia da   prática clínica no âmbito do estabelecimento de uma relação de confiança entre   médico e paciente, em situações como a recolha da história sexual, quando se   lida com medos ou se ouve a experiência de doença do paciente, mas pode aqui   ser também aplicado à dinâmica complexa entre o etnógrafo e o sujeito pesquisado.   Os aspetos interpessoais da pesquisa e as interações entre o investigador e os   sujeitos são uma importante dimensão ética da prática de investigação, pois é   nestas interações que residem as possibilidades do respeito pela autonomia,   dignidade e privacidade dos participantes e também os riscos de falhar com   estas, causando assim potenciais danos para os participantes. É nestas   interações que o processo de consentimento informado realmente ocorre   (Guilleman e Gillam 2004: 275). Estes autores sugerem ainda que estas duas   formas de ética, a processual e a ética na prática, têm uma continuidade entre   si, e portanto não devem estar separadas. É ao nível da <i>ética na prática</i> que a noção de reflexividade se integra e se pode estender às preocupações da   ética processual. Esta continuidade entre ambas consiste no facto de, embora a   ética processual seja incapaz de informar e guiar todos os aspetos da prática   de investigação (nomeadamente as situações relativas à microética), ela serve a   função de nos obrigar a considerar e a refletir sobre os princípios   fundamentais que regem a integridade da investigação (Guilleman e Gillam 2004:   277). Aqui a reflexividade torna-se uma forma de assegurar não apenas uma   prática rigorosa da investigação, mas também uma prática que seja ética. Ser   reflexivo num sentido ético significa reconhecer e estar sensibilizado para as   dimensões microéticas da pesquisa, e ao fazê-lo ficamos alerta para as formas   de lidar com as tensões éticas quando estas surgirem. Como Geertz afirmava, a etnografia   é fundamentalmente um projeto interpretativo (1973) e isto é bem captado no   conceito de reflexividade, característica da investigação social. Trata-se até   de uma questão metodológica, pois envolve tomar responsabilidade pelos nossos processos de produção de conhecimento.</p>     <p>&nbsp;</p> </font><font size="3"><b>Considerações finais</b></font><font size="2">      <p>Em jeito de conclusão, e como nos lembra Bruner (2004), a   etnografia é uma conversa sustentada com outros, que inclui o diálogo, a   observação e a participação ao longo de um período de tempo. O modelo em prática   dos IRB implica que haja uma separação entre sujeito e objeto, como entre o   médico e o paciente, mas na etnografia a linha separadora entre o observador e   os observados é muitas vezes problemática. Quando se vive por longos períodos   interligado com outros, imerso em certos contextos, é difícil separarmo-nos dos   outros. A investigação não é algo que se separa facilmente de nós. Desde a   criação dos IRB e organismos similares e deste aparato regulatório, o mundo tem   mudado, tal como as estratégias metodológicas também se desenvolveram. A   etnografia expandiu-se nos tópicos sobre os quais se debruça, tornou-se global   e multissituada (Marcus 1995, 1998), focando quer fenómenos alargados quer   populações em movimento. A estrutura de revisão dos IRB nos EUA, por exemplo,   não se alterou tão rapidamente quanto a investigação etnográfica. Como   resultado, os processos de revisão que tendem a disciplinar novas pesquisas e   experimentações criam efeitos e consequências no trabalho etnográfico,   especialmente entre os estudantes e investigadores mais jovens (Bruner 2004; Macdonald e Spiegel 2013).</p> </font></font>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando se analisa a vária literatura sobre o funcionamento   dos IRB e demais casos (como o do Brasil, entre outros países) onde este modelo   vingou e é aplicado nas ciências sociais, fica-se com a ideia de que, além de   os sistemas de revisão prospetiva avançarem no que diz respeito à proteção dos   sujeitos, os cientistas sociais em geral e os etnógrafos não estão contentes   com os atuais moldes desta regulação. Há um ceticismo de que a regulação   inspirada na ética biomédica vá melhorar a qualidade da investigação e que,   pelo contrário, essa regulação pode atrapalhar o ritmo da investigação por   encontrar incomensurabilidades de difícil ajuste; por isso é importante tomar   estas experiências em conta, face à tendência e à possibilidade de vermos a   implementação da regulação da investigação alargada aos demais países europeus,   e em particular a Portugal, e nesse sentido importa garantir que, a haver   revisão prospetiva, as particularidades da investigação qualitativa e etnográfica serão consideradas, protegidas e representadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/etn/v21n1/21n1a04f1.jpg"><b><font size="2" face="Verdana">Figura 1</font></b></a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/etn/v21n1/21n1a04f2.jpg"><b><font size="2" face="Verdana">Figura 2</font></b></a></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/etn/v21n1/21n1a04f3.jpg"><b><font size="2" face="Verdana">Figura 3</font></b></a></p>     
<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/etn/v21n1/21n1a04f4.jpg"><b><font size="2" face="Verdana">Figura 4</font></b></a></p>     
<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/etn/v21n1/21n1a04f5.jpg"><b><font size="2" face="Verdana">Figura 5</font></b></a></p>     
<p align="center">&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BARTLETT, Edward, 2008, “International   analysis of institutional review boards registered with the U.S. Office   for Human Research Protections”, <i>Journal of Empirical Research on Human Research Ethics: An International Journal,</i> 3&nbsp;(4): 49-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197843&pid=S0873-6561201700010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BATTAGLIA, Debbora, 1999, “Toward an   ethics of the open subject: writing culture in good conscience”, em Henrietta L.&nbsp;Moore (org.), <i>Anthropological Theory Today</i>. Cambridge, Polity Press, 114-150.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197845&pid=S0873-6561201700010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BOSK, Charles, e Raymond DE VRIES,   2004, “Bureaucracies of mass deception: institu­tional review boards and the   ethics of ethnographic research”, <i>The Annals of the American Academy</i>, 595: 249-263.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197847&pid=S0873-6561201700010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BOULTON, Mary, e Michael PARKER, 2007,   “Informed consent in a changing environment”, <i>Social Science and Medicine</i>, 65: 2187-2198.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197849&pid=S0873-6561201700010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BRUNER, Edward, 2004, “Ethnographic   practice and human subjects review”, <i>Anthropology Newsletter</i>, 45&nbsp;(1): 10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197851&pid=S0873-6561201700010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CAPLAN, Pat, 2003a, <i>The Ethics of   Anthropology: Debates and Dilemmas</i>. Londres e Nova ­Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197853&pid=S0873-6561201700010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CAPLAN, Pat, 2003b, “Introduction:   anthropology and ethics”, em Pat Caplan (org.), <i>The Ethics of Anthropology: Debates and Dilemmas</i>. Londres e Nova Iorque, Routledge, 1-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197855&pid=S0873-6561201700010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">De LAINE, Marlene, 2000, <i>Fieldwork,   Participation and Practice: Ethical Dilemmas in Qualitative Research</i>. Londres, Thousand Oakes e Nova Deli, Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197857&pid=S0873-6561201700010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DUARTE, Luiz F.D., 2004, “Ética de pesquisa e   ‘correção política’ em antropologia”, em Ceres Víctora <i>et al</i>. (orgs.), <i>Antropologia e Ética: O Debate Atual no Brasil</i>. Niterói, EDUFF/ABA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197859&pid=S0873-6561201700010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DUARTE, Luiz F.D., 2014, “Práticas de poder,   política científica e as ciências humanas e sociais: o caso da regulação ética em pesquisa no Brasil”,<i> História Oral</i>, 17&nbsp;(2): 9-29, disponível em <a href="http://revista.historiaoral.org.br/index.php?journal=rho&amp;page=article&amp;op=view&amp;path%5B%5D=401&amp;path%5B%5D=pdf" target="_blank">http://revista.historiaoral.org.br/index.php?journal=rho&amp;page=article&amp;op=view&amp;path%5B%5D=401&amp;path%5B%5D=pdf</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197861&pid=S0873-6561201700010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DUARTE, Luiz F.D., 2015, “A ética em pesquisa nas   ciências humanas e o imperialismo bioético no Brasil”, <i>Revista Brasileira de Sociologia</i>, 3&nbsp;(5): 31-52, disponível em <a href="http://www.sbsociologia.com.br/revista/index.php/RBS/article/view/90/64" target="_blank">http://www.sbsociologia.com.br/revista/index.php/RBS/article/view/90/64</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197863&pid=S0873-6561201700010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FABIAN, Johannes, 1991, “Dilemmas in   critical anthropology”, em Lorraine Nencel e Peter Pels (orgs.), <i>Constructing     Knowledge: Authority and Critique in Social Science</i>. Londres, Sage Publications, 180-202.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197865&pid=S0873-6561201700010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FASSIN, Didier, 2006, “The end of   ethnography as collateral damage of ethical regulation?”, <i>American Ethnologist</i>, 33&nbsp;(4): 522-524.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197867&pid=S0873-6561201700010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FLEISCHER, Soraya, e Patrice SCHUCH (orgs.), 2010, <i>Ética   e Regulamentação na Pesquisa Antropológica</i>. Brasília, Letras Livres/Editora Universidade de Brasília.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197869&pid=S0873-6561201700010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FLUEHR-LOBBAN, Carolyn, 1991, <i>Ethics and the   Profession of Anthropology: Dialogue for a New Era</i>. Filadélfia, University of Pennsylvania Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197871&pid=S0873-6561201700010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FONSECA, Claudia, 2015, “Situando os comitês de ética em   pesquisa: o sistema CEP (­Brasil) em perspectiva”, <i>Horizontes Antropológicos</i>, 21&nbsp;(44): 333-369.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197873&pid=S0873-6561201700010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREED-TAYLOR, Marcia, 1994, “Ethical   considerations in European cross-national research”, <i>International Social Science Journal</i>, 46&nbsp;(4): 523-532.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197875&pid=S0873-6561201700010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GEERTZ, Clifford, 1973, <i>The   Interpretation of Cultures</i>. Nova Iorque, Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197877&pid=S0873-6561201700010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GUILLEMIN, Marylis, e Lynn GILLAM,   2004, “Ethics, reflexivity, and ‘ethically important moments’ in research”, <i>Qualitative Inquiry</i>, 10: 261-280.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197879&pid=S0873-6561201700010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">KOMESAROFF, Paul A., 1995, “From   bioethics to microethics: ethical debate and clinical medicine”, em Paul   A.&nbsp;Komesaroff (org.), <i>Troubled Bodies: Critical Perspectives on     Postmod­ernism, Medical Ethics and the Body</i>. S/l., Duke University Press, 62-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197881&pid=S0873-6561201700010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LAVE, Jean, e Etienne, WENGER, 1991, <i>Situated   Learning: Legitimate Peripheral Participation. </i>Cambridge, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197883&pid=S0873-6561201700010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEDERMAN, Rena, 2006a, “Introduction:   anxious borders between work and life in a time of bureaucratic ethics regulation”, <i>American Ethnologist</i>, 33&nbsp;(4): 477-481.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197885&pid=S0873-6561201700010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEDERMAN, Rena, 2006b, “The perils of   working at home: IRB ‘mission creep’ as context and content for an ethnography of disciplinary knowledges”, <i>American Ethnologist</i>, 33&nbsp;(4): 482-491.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197887&pid=S0873-6561201700010000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEWIS, Graham, <i>et al</i>., 2004,   “The international dimension to research ethics: the significance of   international and other non-UK frameworks for UK social science”, Economic and Social Research Council Research Ethics Framework, <i>discussion paper</i> n.º&nbsp;2, disponível em <a href="http://www.york.ac.uk/res/ref/docs/REFpaper2_v2.pdf" target="_blank">http://www.york.ac.uk/res/ref/docs/REFpaper2_v2.pdf</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197889&pid=S0873-6561201700010000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LIFTON, Robert, 2000, <i>The Nazi   Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide</i>. Nova Iorque, Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197891&pid=S0873-6561201700010000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MACDONALD, Helen, e Andrew SPIEGEL,   2013, “<sup></sup>‘Distraction from the real difficulties’: ethical   deliberations in international health research”, <i>Anthropology Southern Africa</i>, 36&nbsp;(3-4): 146-154.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197893&pid=S0873-6561201700010000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MACHADO, Lia Z., 2007, <i>Ética em Pesquisa Biomédica e   Antropológica: Semelhanças, Contradições, Complementaridade</i>. Brasília, Letras Livres/Editora da Universidade de Brasília.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197895&pid=S0873-6561201700010000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARCUS, George E., 1995, “Ethnography   in/off the world-system: the emergence of multi-sited ethnography”, <i>Annual Review of Anthropology</i>, 24: 95-117.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197897&pid=S0873-6561201700010000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MARCUS, George E., 1998, <i>Ethnography   through Thick and Thin</i>. Nova Jérsia e West Sussex, Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197899&pid=S0873-6561201700010000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">MILLER, Tine, e Linda BELL, 2002,   “Consenting to what? Issues of access, gate-keeping, and informed consent”, em   Melanie Mauthner <i>et al</i>. (orgs.), <i>Ethics in Qualitative Research</i>. Londres, Sage Publications, 53-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197901&pid=S0873-6561201700010000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">NUNES, João Arriscado, 2011, “Sobre a ética (e a   política) da investigação social em saúde”, <i>Sociologia On Line</i>, 3: 167-188, disponível em <a href="http://revista.aps.pt/cms/files/artigos_pdf/ART4e66506fb71b1.pdf" target="_blank">http://revista.aps.pt/cms/files/artigos_pdf/ART4e66506fb71b1.pdf</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197903&pid=S0873-6561201700010000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PARKER, Michael, 2007,   “Ethnography/ethics”, <i>Social Science and Medicine</i>, 65: 2248-2259.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197905&pid=S0873-6561201700010000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PELS, Peter, 1999, “Professions of   duplexity: a prehistory of ethical codes in anthropology”, <i>Current Anthropology</i>, 40&nbsp;(2): 101-136.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197907&pid=S0873-6561201700010000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PELS, Peter, e Lynn MESKELL, 2005, <i>Embedding   Ethics: Shiffting Boundaries of the Anthropological Profession</i>. Oxford, Berg.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197909&pid=S0873-6561201700010000400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RIBEIRO, Gustavo L., 2006, “IRBs are   the tip of the iceberg: State regulation, academic freedom and methodological issues”, <i>American Ethnologist</i>, 33&nbsp;(4): 529-531.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197911&pid=S0873-6561201700010000400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SARTI, Cynthia, 2015, “A ética em pesquisa transfigurada   em campo de poder: notas sobre o sistema CEP/Conep”, <i>Revista Brasileira de Sociologia</i>, 3&nbsp;(5), disponível em <a href="http://www.sbsociologia.com.br/revista/index.php/RBS/article/view/94" target="_blank">http://www.sbsociologia.com.br/revista/index.php/RBS/article/view/94</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197913&pid=S0873-6561201700010000400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SARTI, Cynthia, e Luiz F.D. DUARTE (orgs.), 2013, <i>Antropologia e Ética: Desafios para a Regulamentação</i>. Brasília,   ABA Publicações.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197915&pid=S0873-6561201700010000400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SCHEPER-HUGHES, Nancy, 1995, “The   primacy of the ethical: proposition for a militant anthropology”, <i>Current Anthropology</i>, 36&nbsp;(3): 409-440.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197917&pid=S0873-6561201700010000400038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SHORE, Chris, e Sue WRIGHT, 1999,   “Audit culture and anthropology: neo-liberalism in British higher education”, <i>Journal of the Royal Anthropological Institute</i>, 5&nbsp;(4): 557-576.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197919&pid=S0873-6561201700010000400039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SIMPSON, Bob, 2011, “Ethical moments:   future directions for ethical review and ethnography”, <i>Journal of the Royal Anthropological Institute</i>, 17: 377-393.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197921&pid=S0873-6561201700010000400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SOLOVEY, Mark, 2001, “Project Camelot   and the 1960s epistemological revolution: rethinking the   politics-patronage-social science nexus”, <i>Social Studies of Science</i>, 31&nbsp;(2): 171-206.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197923&pid=S0873-6561201700010000400041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">STRATHERN, Marylin, 2000, <i>Audit   Cultures: Anthropological Studies in Accountability, Ethics and the Academy</i>. Londres e Nova Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197925&pid=S0873-6561201700010000400042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VÍCTORA, Ceres, <i>et al</i>. (orgs.), 2004, <i>Antropologia   e Ética: O Debate Atual no Brasil</i>. Niterói, EDUFF/ABA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197927&pid=S0873-6561201700010000400043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">WMA – WORLD MEDICAL ASSOCIATION, 2008, <i>Declaration of   Helsinki: Ethical Principles for Medical Research Involving Human Subjects</i>, disponível em <a href="http://www.wma.net/en/30publications/10policies/b3/17c.pdf" target="_blank">http://www.wma.net/en/30publications/10policies/b3/17c.pdf</a> (última consulta em janeiro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=197929&pid=S0873-6561201700010000400044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">NOTAS</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>       Este   artigo tem, em parte, origem numa pesquisa e num <i>working paper</i> apresentado no encontro “Ethics and Methodological Pitfalls in Health Research”   organizado pela European Sociological Association, mais concretamente a rede   RN16 Sociology of Health and Illness, a 27 de agosto de 2014, em Helsínquia.   Foi ainda possível escrevê-lo graças ao apoio e financiamento da Fundação para   a Ciência e a Tecnologia, através de uma bolsa de doutoramento, assim como ao apoio de uma bolsa de viagem concedida pela European Sociological Association.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>       A   Declaração de Helsínquia já teve seis revisões, a última em 2008. Surgiu como o   primeiro esforço da comunidade médica para regulamentar a investigação. É hoje   o padrão internacional para a investigação biomédica, servindo ainda de base para muitos outros documentos (ver mais em WMA 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>       Para   mais detalhe sobre os procedimentos burocráticos e a regulação ética dos IRB, ver Lederman (2006a).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>       Para   mais detalhes sobre o estudo de caso brasileiro, e o seu debate público da   regulação em pesquisa das ciências sociais, visto que não há espaço neste   artigo à sua análise em detalhe, consultar Fonseca (2015), Fleischer e Schuch   (2010), Duarte (2004, 2014, 2015), Machado (2007), Ribeiro (2006), Sarti (2015), Sarti e Duarte (2013), Víctora <i>et al</i>. (2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>       Para   mais detalhes sobre os diferentes códigos na Europa em comparação com o   contexto britânico, consultar o <i>working paper</i> de Lewis <i>et al</i>. (2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a>       O   código de ética da AAA está disponível em <a href="http://ethics.americananthro.org/" target="_blank">http://ethics.americananthro.org</a>,   onde existe ainda um fórum sobre ética e os princípios de responsabilidade profissional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a>       A   ABA tem um código de ética para o antropólogo e antropóloga criado em 1986 e revisto em 2012, disponível em <a href="http://www.abant.org.br/?code=3.1" target="_blank">http://www.abant.org.br/?code=3.1</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a>       Consultar <a href="http://www.easaonline.org/networks/ethics" target="_blank">http://www.easaonline.org/networks/ethics</a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a>       Nestes   contextos, e em Portugal, apenas a investigação biomédica está sujeita a   regulação, havendo, nas faculdades de Medicina e nos centros de investigação   biomédica ou clínica, comissões de ética para o efeito. Também os hospitais têm   as suas comissões de ética, onde todos os projetos que aí tomem lugar, mesmo os de ciências sociais, estão sujeitos a uma avaliação por parte desses órgãos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a>     Há,   contudo, uma possibilidade de vir a existir, quer na Europa quer em vários   países em desenvolvimento, por pressões externas, nomeadamente devido ao   crescente financiamento global da investigação e aos modelos de governação   científica, a adoção de protocolos éticos, não apenas para a investigação   biomédica, que tem uma história no que diz respeito a este tipo de regulação,   mas também nas ciências sociais (Freed-Taylor 1994; Fassin 2006; Lederman 2006a, 2006b; Macdonald e Spiegel 2013; Simpson 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">[11]</a>     Para   uma revisão detalhada ou apanhado histórico dos debates sobre ética na   antropologia aquando das principais mudanças paradigmáticas da disciplina –   período pós-colonial, feministas, pós-modernismo, a viragem do milénio, etc. –, ver Caplan (2003a, 2003b) e Pels (1999).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">[12]</a>     O   Projeto Camelot foi um estudo realizado pelo exército norte-americano, pelo seu   gabinete de operações especiais que, em plena Guerra Fria, em 1964, reuniu uma   série de cientistas sociais, como antropólogos, sociólogos, psicólogos,   economistas e outros intelectuais, tendo em vista a análise cultural de   diferentes países e a criação de um modelo de análise de sistemas sociais que   detetasse a contrainsurgência. O objetivo era melhorar a capacidade do exército   para prever, assim como influenciar, certos desenvolvimentos nesses países. Foi   um projeto muito polémico, tido como imperialista, que fez acender o debate   acerca das obrigações morais dos antropólogos e outros intelectuais. Para mais detalhe sobre o caso, ver, por exemplo, Solovey (2001).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">[13]</a>     A   expressão anglo-saxónica <i>mission creep</i> descreve a expansão de um projeto   ou missão para além dos seus objetivos originais, normalmente considerada indesejável por poder servir outros fins mais ambiciosos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">[14]</a>     Para   um caso examinado em detalhe, veja-se, por exemplo, Macdonald e Spiegel (2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">[15]</a>     O   atual projeto e trabalho de campo de Marta Roriz teve de ser sujeito ao exame   da comissão de ética de um hospital central que tem regras e formulários   próprios, documentos que se apresentam no fim deste artigo. Note-se que nestes documentos foram suprimidos os elementos que identificam a instituição.</font></p>      ]]></body><back>
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