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<publisher-name><![CDATA[Centro em Rede de Investigação em Antropologia - CRIA]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Escrito a partir da poltrona ou inveja do terreno]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Letras ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present essay proposes a journey through time and space, revisiting an academic and theoretical trajectory between travel (narratives) and anthropology, considering the decisive role of both to rethink disciplines, epistemologies and the corresponding objects and borders, also introducing the praise of the nostalgia for the distant, ultimately always narrated from an immobile place. The text is not intended to be autobiographic, but rather offers a pretext to linger and reflect upon the seduction and necessity of the task of comparison and translation that anthropology still stands for.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="Verdana">AULA ERNESTO VEIGA DE OLIVEIRA</font></b></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Escrito a partir da poltrona ou inveja do terreno</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Writing from the armchair   or envying the field</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Manuela Ribeiro Sanches</b><sup><b>I</b></sup></p> <sup>I</sup>Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:msanches@campus.ul.pt">msanches@campus.ul.pt</a>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente ensaio propõe uma viagem pelo tempo e pelo espaço, a   revisitação de um percurso académico e teórico entre (narrativas de) viagem e   antropologia, considerando o papel decisivo de ambas para se repensar   disciplinas, epistemologias e os respetivos objetos e as suas fronteiras,   introduzindo, igualmente, o elogio da nostalgia do distante, a partir do lugar   imóvel onde este acaba sempre por ser narrado. O texto nada tem de   autobiográfico, constituindo, antes, um pretexto para uma reflexão sobre a   sedução e a necessidade da tarefa de comparação e de tradução que a antropologia ainda continua a representar.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>literatura de viagens, antropologia e literatura, pós-colonialidade, tradução e comparação</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The present essay proposes a journey through time and space, revisiting   an academic and theoretical trajectory between travel (narratives) and   anthropology, considering the decisive role of both to rethink disciplines,   epistemologies and the corresponding objects and borders, also introducing the   praise of the nostalgia for the distant, ultimately always narrated from an   immobile place. The text is not intended to be autobiographic, but rather   offers a pretext to linger and reflect upon the seduction and necessity of the task of comparison and translation that anthropology still stands for.</p>     <p><b>Keywords:</b> travel literature, anthropology   and literature, post-coloniality, translation and comparison</p> </font> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><font face="Verdana">ABERTURA: ANCORAGEM E RISCO, CULTURA E INVEN&Ccedil;&Atilde;O</font></b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Gostaria de começar, como é   habitual, pelos agradecimentos: ao Miguel Vale de Almeida, aos meus amigos   antropólogos – e já são muitos –, que também desempenharam um papel neste   percurso que irei descrever hoje.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a>   É um prazer e também um risco estar aqui, depois de ter aceitado o desafio para   proferir a Aula Ernesto Veiga de Oliveira. O risco decorre de ir falar para   especialistas, a partir de uma perspetiva exterior ao campo da antropologia, de   notas escritas no conforto da poltrona, lugar de segurança e de ancoragem; mas   com inveja do terreno, como elemento definidor do trabalho antropológico por   excelência, na atenção àquilo que liga essas duas perspetivas – a da poltrona e   a do terreno. Daí a necessidade de abordar, também, o tema da comparação, tradução entre perspetivas, disciplinas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Começarei com algumas notas prévias que poderão,   porventura, parecer um pouco abstratas, mas notas que são importantes para o   argumento que irei desenvolver e que se prende com aquilo que constitui, para   mim, a relevância da antropologia, os caminhos que com ela percorri, o que ela me trouxe.</p>     <p>Inaugural indica que algo se inicia, um novo   ano letivo, uma nova fase da vida, no vosso caso, o de se tornarem antropólogos   doutores ou de se tornarem antropólogos pela primeira vez. É o futuro que se   abre à vossa frente, com os seus receios, sonhos, expectativas, riscos, novos   continentes – permitam-me esta metáfora colonial – do saber e do terreno, mais   próximos ou mais longínquos. Eu acabo de iniciar também uma nova fase, não de   começo ou de futuro, mas de fim e de passado, depois de aposentada, estranha   palavra, retirada nos meus aposentos, para, da minha poltrona, observar,   revisitar a vida, o passado, passado que, por muito velhos que sejamos, nunca   podemos desligar do futuro, que em vós vejo e adivinho e de que espero, também, fazer parte, pelo menos durante algum tempo.</p>     <p>Inaugural pode também indicar que começamos do   zero, de uma folha em branco. Mas creio que não é exatamente assim, pois o   inaugural não corresponde nunca a começar-se do zero, por muito que, em algumas   circunstâncias, gostássemos que assim fosse. Estamos todos marcados pelos   nossos passados, experiências, histórias individuais e coletivas, mais ou menos   longas, pelos nossos usos e costumes, mais ou menos conscientes, em suma, pelas nossas culturas.</p>     <p>Mas isto não equivale a que tenhamos de nos limitar   a repetir o existente, condenando qualquer capacidade – utópica – de nos   reinventarmos, de querer as coisas de um modo diferente. O que nos antecede é   um peso, é certo, mas também uma ancoragem, algo que nos dá segurança. Todavia,   felizmente, o risco persiste – o que aprendi também com a antropologia –, dado   o modo como inventamos permanentemente – muitas vezes sem nos darmos conta   disso – as práticas culturais quotidianas herdadas, o peso de uma tradição, que   todos, porém, de um modo ou outro, contribuímos para transformar. Cultura é,   assim, muito mais do que aquilo que herdámos, pelo que, quando digo que não   partimos do zero absoluto, significa que não estamos determinados por uma   natureza biológica ou cultural que nos amarra a necessidades incontroláveis – à   tradição, à língua, à nação, à hereditariedade, à “raça” –, pois somos nós que   fazemos aquilo que designamos como cultura, lendo, interpretando (Geertz 1973),   o mundo em que vivemos e que herdámos, transformando-nos e adaptando-nos, de   muitas maneiras, a novos contextos. Nada de novo, portanto, que os antropólogos não saibam.</p>     <p>Mas, de um outro ponto de vista, o inaugural   também nunca equivale ao zero, mesmo quando experimentamos a angústia, real, do   início da escrita, da página em branco. Também, neste caso, nunca estamos a   começar do nada, pois, como Said lembrou em <i>Beginnings   </i>(1975)<i>, </i>o começar nunca é um   principiar absoluto. Tecemos os textos que escrevemos, do mesmo modo que lemos   e praticamos cultura, sempre a partir de outros textos, de um guião, como se de   uma língua que aprendemos, mais ou menos conscientemente, se tratasse, como se   tivéssemos um texto para traduzir, do modo mais traiçoeiro possível, se   quisermos ser fiéis a esse original. Este, por sua vez, mais não é do que um   diálogo com textos, realidades existentes, contemporâneas e passadas, mesmo se se tratar de ficção científica ou mundos utópicos que nunca existiram.</p>     <p>Como Colombo precisou das Índias Orientais   para encontrar, perceber – e não perceber – as Ocidentais, também nós carecemos   desses suportes já existentes, fonte, é certo, também de preconceitos, de equívocos, de estereótipos.</p>     <p>Mas a verdade é que, sem eles, não nos   conseguimos orientar, a aventura carece do quotidiano, do mesmo modo que, sem   conceitos, não conseguimos organizar a experiência, ou melhor, o domínio do   empírico, pois a experiência já pressupõe que se organizou minimamente essas   impressões que, sem esses conceitos, se reduziriam a mero caos, meros   fragmentos, sem correlação entre si. Ou seja, sempre ancoragem e risco, risco   amortecido pelo que é preexistente, que não evita, porém, que inventemos; ou   seja, vivemos sempre num plano perigosamente inclinado, numa corda bamba que nos pode salvar ou perder. Mas a vida é mesmo assim, não só na academia, um ato de equilibrismo.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>TOTALIDADE E MULTIDISCIPLINARIDADE </b>    </font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Passemos à inspiração que a antropologia me trouxe, o   que poderia também enunciar, de um modo menos favorável, como a inveja do terreno, a que poderia chamar inveja do antropólogo (Foster 2005 [1996]).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Permitam-me um pequeno excurso, antes de abordar esta questão de um modo mais preciso.</p>     <p>Creio que já terão ouvido falar em Alexander   von Humboldt (1769-1859). Saiu recentemente uma biografia, de resto de leitura   muito agradável (Wulf 2015), que recupera o seu legado, para os nossos dias e   para o grande público, vendo nele um precursor do ambientalismo atual, capaz de   pensar os ecossistemas, geógrafo enciclopédico, que também foi crítico da   escravatura, admirador da França revolucionária, que visitou, pouco depois do eclodir   da Grande Revolução, com Georg Forster, de quem também, daqui a pouco, vos   falarei brevemente. De resto, Alexander von Humboldt sempre preferiu Paris a   Berlim, o que lhe provocou dissabores entre franceses e prussianos, servindo de   intermediário, de tradutor, entre culturas, também entre a Europa e as   Américas, amigo de Thomas Jefferson e de Simón Bolívar, que conheceu, ainda   jovem e folião, na capital da revolução, antes de se tornar o fogoso   nacionalista, o cientista alemão privando e correspondendo-se, e tendo   aprendido muito, como Mary Louise Pratt salienta, com os seus colegas   mexicanos, venezuelanos, a elite crioula para cuja América reinventada também   contribuiu (Pratt 1992: 135-137). Mas não vos vou contar a biografia de Humboldt, leiam-na.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a></p>     <p>Concentremo-nos, antes, na <a href="#f1">figura&nbsp;1</a>. O   que vemos? Um ancião numa vasta sala – a legenda diz-nos que é em Berlim, em   Oranienburger Straße 67. Alexander von Humboldt vê-se agora reduzido à imobilidade, ao seu cadeirão – não   se trata exatamente de uma poltrona –, onde recebe admiradores, compila   escritos, o monumental <i>Kosmos </i>(Humboldt   1845-1862),<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> sonho   que perseguirá até aos seus últimos dias, inundado de cartas de admiradores, a   que já não consegue responder. Observemos o ambiente, os objetos. Decerto,   todos repararão em coisas diferentes. A mim, não por acaso, saltaram-me à vista   a enorme biblioteca, o globo, os pássaros embalsamados, trazidos certamente das Américas, mas, depois, também, o busto do nosso lado direito. Alguém o reconhecerá?</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"> <img src="/img/revistas/etn/v21n2/21n2a09f1.jpg" width="565" height="468"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A imagem seguinte (<a href="#f2">figura&nbsp;2</a>) leva-nos muitos anos atrás, quando   Humboldt ainda era um jovem funcionário prussiano a trabalhar nas minas, interessando-se por fen  ómenos geológicos,   mas também humanos, sociais, chamando, por exemplo, a atenção das autoridades para as condições de vida dos mineiros, recomendando o uso de máscaras para os proteger dos elementos poluentes.</p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"> <img src="/img/revistas/etn/v21n2/21n2a09f2.jpg" width="566" height="334"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Alexander von   Humboldt encontra-se, agora, em Jena, cidade onde   contactou com a atmosfera seleta, mas provinciana, da pequena corte do   Grão-Ducado de Weimar, cujo soberano acolhera dois grandes vultos do cânone   literário europeu, Johann Wolfgang von Goethe, que revemos no busto na sala do   velho Humboldt (<a href="#f1">figura&nbsp;1</a>), bem como o seu companheiro de sempre, Friedrich Schiller, em cujo jardim o grupo confraterniza.</p>     <p>Viajante, botânico, geógrafo e humanista,   Alexander von Humboldt sempre entendeu que o estudo rigoroso da natureza não   podia excluir o papel da estética, quer no que respeita ao modo de a contemplar   como totalidade, quer na arte de a escrever. Poeta, dramaturgo, romancista,   Goethe, viu-se sempre também como cientista e colecionou tanto gessos da   Antiguidade clássica grego-romana, como pedras; elaborou uma teoria das cores,   interessando-se também por poesia persa, atento ao todo constituído pela   natureza, pelos humanos, com as suas histórias, as suas experiências concretas.   Em suma, ambos os homens partilharam não só interesses, leituras – a   longevidade –, mas também a ideia de que a atenção ao concreto, ao empírico,   não isentava o observador da importância a atribuir à correlação entre os   fenómenos particulares e o mundo partilhado por todos os humanos, todos os   seres orgânicos e não orgânicos sobre a Terra, ou seja, entre as partes e o todo.</p>     <p>Mas repare-se como o jovem Humboldt é   representado. É o único de pé, sinal de respeito por parte da juventude.   Note-se o gesto afetuoso, face ao irmão mais velho, futuro fundador da   Universidade de Berlim, Wilhelm, o diplomata, linguista, filósofo, tradutor,   mais realista, mais moderado nos entusiasmos do que o irmão, que, depois, vamos   reencontrar com Aimé Bonpland, o primeiro dos grandes amigos e companheiros de viagens e de projetos científicos, na floresta virgem (<a href="#f3">figura&nbsp;3</a>).</p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"> <img src="/img/revistas/etn/v21n2/21n2a09f3.jpg" width="564" height="335"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nesta imagem, Humboldt parece ter ocupado o   lugar de Goethe, e é o amigo que surge em segundo plano. Note-se, ainda, os   objetos, espalhados em torno. Dos instrumentos de medição da natureza aos   animais, às plantas, estamos perante a imagem perfeita do explorador   transformado em cientista, nova versão iluminista dos conquistadores do   século&nbsp;XVI, novos Aguirres, agora menos em busca de Eldorados do que do   trabalho industrioso, da ciência e do controlo através do olhar distanciado,   recorrendo não à cruz e à espada, a cavalos e a cães, nem tão-pouco à varíola e   às doenças venéreas, mas ao capital e à ciência, ao cronómetro e ao barómetro,   à caneta e ao caderno de apontamentos, ao desenho e à cartografia, para dominar a natureza e os homens.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na altura, não existiam nem máquinas   fotográficas, nem vídeo – muito menos <i>smartphones</i>   –, nem jipes nem aviões ou helicópteros, mas apenas mulas, lamas, canoas,   liteiras, sendo estes novos conquistadores sempre transportados por guias   indígenas, pormenores sem os quais as suas viagens, sabe-se hoje, não teriam   sido possíveis, mesmo os percursos a pé e, sobretudo, a subida do Chimborazo,   esse feito maior de ciência alpinista de que Humboldt e, mais tarde, Bolívar se vangloriaram (Pratt 1992: 180&nbsp;ss.).</p>     <p>No Chimborazo, Humboldt exercerá o olhar   totalizante próprio da consciência planetária, para assim reinventar a América   (Pratt 1992: 124), mas ensaiará também a ideia de uma totalidade da natureza,   que aqui (<a href="#f4">figura&nbsp;4</a>) surge como que condensada nas suas equivalências, não   necessariamente hierarquias. Ou seja, Humboldt compara, traduz, tentando   encontrar tanto diferenças como correspondências, atento à ideia de uma   natureza, enquanto todo, que aprendera em jovem, com Georg Forster.</p>     <p><a name="f4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"> <img src="/img/revistas/etn/v21n2/21n2a09f4.jpg" width="565" height="437"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Mas gosto, ainda mais, de uma outra imagem de Humboldt na selva   (<a href="#f5">figura&nbsp;5</a>). Mais <i>naïf</i>,   primitivista, é também mais modernista, e Humboldt surge, aqui, de pé. São os   mesmos objetos, as mesmas acumulações que surgem na outra representação da   cabana na selva (<a href="#f3">figura&nbsp;3</a>), mas aqui retratadas de modo mais cru, mais   imediato. Mais uma vez, a natureza – dissecada, classificada, catalogada,   empilhada – torna-se natureza morta, e os indígenas são mero pano de fundo,   figurantes, nus e no estado natural, selvagem, contrastando com as casacas e a   elegância <i>dandy</i> dos dois jovens que   poderiam estar numa das margens do Sena.</p>     <p><a name="f5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"> <img src="/img/revistas/etn/v21n2/21n2a09f5.jpg" width="563" height="429"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Poder-se-ia concluir, como é habitual – se se estiver familiarizado com os   estudos pós-coloniais ou, mais recentemente, com as abordagens descoloniais   (por exemplo, Quijano 2000; Mignolo 2011) – que se trata de um exemplo da   colonialidade, com a sua cumplicidade entre capitalismo e racismo, patente na   coexistência da escravatura com a Constituição dos EUA ou com a Declaração dos   Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, com os seus falsos universais,   colonialidade que a atual carta da Declaração Universal dos Direitos Humanos   replicaria, inspirando, ainda hoje, guerras em nome de causas humanitárias ou da igualdade de género – veja-se o recente caso do <i>burkini</i> e dos valores da República Francesa e do Ocidente.</p>     <p>Mas há que não esquecer que, no tempo em que   Humboldt viajava pelas Américas, o Haiti, então a colónia francesa de São   Domingo, radicalizara, desde 1791, a Constituição Francesa e a Declaração dos   Direitos do Homem e do Cidadão em que aquela se fundara, levando a que, em   1794, em plena época do Terror, se abolisse a escravatura, escravatura que   Napoleão, o libertador dos povos da Europa, se apressaria, passados alguns   anos, a reintroduzir. Ou seja, os subalternos – indígenas ou a diáspora forçada   – sempre foram capazes de agenciamento, de subjetividade – por muitos revezes   que tivessem sofrido, como o mostra a história da República do Haiti, fundada   em 1804.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a> E   fizeram-no, também, apropriando-se do legado das Luzes, transformando-o,   radicalizando-o, num programa efetivamente universal que também nunca viriam a   concretizar completamente. C. L. R. James chamou-lhes jacobinos negros (James 1963).</p>     <p>Mas regressemos a Humboldt e ao seu busto de   Goethe, em Berlim (<a href="#f1">figura&nbsp;1</a>), e detenhamo-nos, novamente, na relação entre   geografia e literatura, entre o pequeno mundo de Jena e de Weimar, e as   Américas de Humboldt e a Itália ou a Pérsia de Goethe, com as suas diferentes   experiências, sublinhando o que esses dois homens possuíam em comum. Para   Alexander von Humboldt e Goethe o mundo não se dividia nos compartimentos   disciplinares e respetivas seitas, tais grupos étnicos, que se definem – como   Fredrik Barth (1998 [1969]) há muito sublinhou – mais pelas fronteiras do que   pelo que elas contêm. Pois, acrescentaria, o mundo é uma totalidade, desigual,   é certo, mas desigualdade só inteligível se se cruzar saberes, se se introduzir   outras perspetivas, outra largueza de vistas que permitam dar conta dessa   complexidade, largueza de vistas que nem sempre, também é bom lembrar, encontramos entre académicos zelosos da sua especialidade.</p>     <p>O que pretendo destacar com estes exemplos,   porventura anacrónicos, oriundos de lugares e tempos tão distintos – mas   comparáveis – são menos os traços comuns e mais as vantagens do risco da   pluridisciplinaridade, a capacidade de estarmos atentos ao que ao nosso lado se   passa, geográfica e disciplinarmente, sobretudo a importância de uma visão   multifacetada, que implica a visão do todo, o que, acrescente-se, não equivale   necessariamente a um totalitarismo autoritário, mas pode, antes, ser sintoma de   abertura ao mundo, para além do olhar preciso mas limitado do especialista que,   no seu conforto, perde a visão da floresta de tanta atenção que presta à árvore. Será a conciliação entre os dois olhares possível?</p>     <p>Deixo esta questão, por ora, em suspenso, para abordar a inveja do terreno.</p>     <p>&nbsp;</p> </font><font size="3" face="Verdana"><b>A DESCOBERTA DA ANTROPOLOGIA: ENTRE O CONCRETO (TERRENO) E A NARRATIVA (POLTRONA)</b></font><font face="Verdana" size="2">      <p>Tive em tempos a fantasia de fazer um   doutoramento em Antropologia. E porquê? Não se tratava apenas do fascínio pela diferença ou da nostalgia do exótico – contra os quais, note-se, nada tenho.</p>     <p>Já tinha aprendido, entretanto, que a   antropologia não é sinónimo de estudo do “outro” ou, a sê-lo, esse chamado   “outro” tem um sentido muito diferente daquele que lhe dão habitualmente os <i>media</i>, os discursos piedosos em torno da   multiculturalidade, da interculturalidade, da “integração” dos “outros” na Europa.</p>     <p>Já tinha consciência, entretanto, de que não   teria de ir viver para uma ilha do Pacífico ou para o meio da Amazónia. Não se   tratava, assim ou só, de viajar, algo de que sempre gostei muito e ainda gosto.   Aprendera, entretanto, que a antropologia não se detém apenas no distante, mas   também lhe interessa o próximo. Tanto pode estudar um grupo longínquo, como uma tribo urbana vizinha, da FLUL ou do ISCTE, tanto elites locais como o Silicon Valley.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E fascinaram-me também os riscos – também os   menos gloriosos – que o terreno implica, desde a capacidade de o antropólogo   vencer, ou não, a timidez, à de interpretar os dados empíricos recolhidos,   conferindo sentido a esses encontros contingentes, com os seus imponderáveis,   as suas surpresas, os seus equívocos e os seus incómodos. Como interpretar,   segundo que fio condutor? Como generalizar, abstrair, a partir desses dados, e   quais os riscos que daí advêm? Dar importância ao funcionamento das instituições   ou ao seu questionamento, ao grupo ou aos indivíduos, ao particular ou ao   geral, ao que se mantém ou ao que muda? E serão estes dois planos separáveis?   Perguntas, porventura, ingénuas, mas que talvez não faça mal lembrar, pois a   ignorância é mãe de todo o espanto e também de todo o filosofar, como os gregos   já nos ensinaram. São perguntas, também, que, na sua complexidade, me pareceram   sempre fascinantes, na medida em que permitem uma articulação entre o concreto   e o abstrato; o empírico, a experiência, e a teoria; o particular e o geral, o universal.</p>     <p>Contudo, a verdade é que, tenho de o   confessar, o meu fascínio pela antropologia talvez advenha, também e sobretudo,   da sua capacidade de contar histórias – pelo que peço absolvição –, pois a   minha perspetiva é a de quem lê etnografias sentada na poltrona, sem nunca ter   conhecido a experiência do terreno, esse rito iniciático necessário a todo e   qualquer antropólogo: Franz Boas entre os inuit, vestindo a sua pele,   Malinowski entre os trobriandeses (Malinowski 1984   [1922]), nunca abdicando da <i>Englishness</i> que muito lhe custara a adquirir, lendo Conrad ou   ouvindo Wagner, escrevendo cartas desesperadas à noiva, entre tiradas racistas   que muito escândalo viriam a causar (Malinowski 1989), Lévi-Strauss e a sua estranheza   tanto perante os ­nambikwara como perante as elites paulistas (Lévi-Strauss   1955), Michel Leiris, na viagem Dakar-Djibuti (Leiris 1996 [1934]), observando,   perturbado, os ritos de possessão na Etiópia e o saque a que as comunidades   visitadas eram sujeitas – experiências contraditórias, dando a ver formações, expectativas diferentes.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a></p>     <p>Mas estas são descobertas posteriores no meu   percurso. A verdade é que o encontro e o meu interesse pela antropologia   decorrem de um autor, amigo e mentor de Alexander von Humboldt, a quem dediquei vários anos da minha vida, precisamente quando fazia o meu doutoramento.</p>     <p>Quem era esse autor?</p>     <p>Trata-se de Georg Forster (1754-1794), nascido   no que hoje é Polónia, então território dependente do Reino da Prússia, filho   de um pastor evangélico, Johann Reinhold Forster, este último mais interessado   em Ciências Naturais, Botânica e Ciências do Homem ou na História da Humanidade   – como eram chamadas as disciplinas que viriam a dar lugar à Antropologia –, do que em religião (<a href="#f6">figura&nbsp;6</a>).</p>     <p><a name="f6"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"> <img src="/img/revistas/etn/v21n2/21n2a09f6.jpg" width="566" height="435"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O jovem Georg seguirá o pai numa viagem até à Rússia, sob a égide da   colonização alemã com que a grande Catarina pretendia civilizar os povos   “bárbaros” eslavos, indo depois para Londres, onde, também com o pai, teria   ocasião de participar na segunda circum-navegação de James Cook, entre 1772 e   1775, três anos que seriam   a sua universidade, segundo Friedrich Schlegel (Schlegel 1985 [1797]). A viagem   levá-lo-ia a lugares tão distantes e distintos como a mítica Taiti   (<a href="#f7">figura&nbsp;7</a>),<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a> as   Ilhas Marquesas, a Nova Zelândia, a Nova Caledónia, a Ilha de Páscoa, mas   também à Cidade do Cabo, a Cabo Verde, aos Açores, à Madeira, à Antártida, à   Patagónia, projeto que trai não só a curiosidade científica mais ou menos   desinteressada como a vontade de poder e de controle do mundo por parte dos   imperialismos europeus. A expedição foi marcada por sucessos importantes, mas   pouco espetaculares; entre outros, o das vantagens da higiene a bordo e da   alimentação equilibrada, evitando-se assim o escorbuto fatal – bem como a descoberta de que não havia mais continentes a descobrir.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f7"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"> <img src="/img/revistas/etn/v21n2/21n2a09f7.jpg" width="564" height="434"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Regressado à Europa, depois de ter escrito a sua   narrativa da viagem à volta do mundo (Forster 1986 [1777]), Forster   dedicar-se-ia a experiências tão empiricamente fundadas quanto esotéricas na   cidade de Kassel com o amigo anatomista Thomas Soemmerring, antes de se   instalar em Mainz como bibliotecário do que então era um arcebispado católico.   Em 1789, seguira já atentamente os acontecimentos em França, visitando, pouco   depois, com o jovem Alexander von Humboldt e o seu irmão Wilhelm, os Países   Baixos, a Renânia e também Paris, para mais tarde aderir à República Francesa,   quando as tropas girondinas ocuparam a cidade. Membro da Convenção republicana   local, Georg Forster fará parte da delegação que se deslocará a Paris para   propor a integração do arcebispado na jovem República Francesa. Mas será surpreendido,   na capital da revolução, pela captura da cidade de Mainz, entretanto cercada   por tropas prussianas e austríacas, cerco que Goethe presenciou, pelo que   Forster se verá impedido de regressar, não à pátria – pois Forster era como   Humboldt um errante –, mas de rever a família – e a sua biblioteca e textos –,   morrendo em Paris, em plena época do Terror, cuja violência tentou interpretar   e justificar. Morreu, diz-se, com um mapa da Índia ao lado, lugar onde sonhara   ir. Traduzira do inglês o famoso   <i>&#346;akuntal&#257;</i>,   que tão importante seria para os orientalistas   alemães, entre eles o irmão de Alexander, Wilhelm von Humboldt. Walter Benjamim   incluiu, sob o pseudónimo de Detlev Holz, uma das cartas de Georg Forster à   mulher na coletânea <i>Deutsche Menschen </i>(Benjamin   1991 [1936]: 160-161), prestando, numa breve introdução, homenagem a esse   revolucionário cosmopolita e apátrida, condição com a qual se identificava e   que atingiu o seu momento mais trágico com a sua morte em Portbou, na fronteira entre a França e a Espanha, a caminho dos EUA, em 1940.</p>     <p>Forster foi, como o seu amigo Alexander von   Humboldt, um polímato, geógrafo, protoantropólogo, como, de resto, Johannes   Fabian o reconhece no seu livro <i>Time and     the Other </i>(1983: 86), escritor sublime em língua alemã, inglesa, dominando   também o francês, o italiano, compreendendo o português. Interessou-se também   por arte, literatura, estética e pelos direitos humanos, combatendo todas as   formas de racialismo científico que pretendiam justificar a escravização de   alguns humanos. Polemizou com Kant sobre as raças humanas, mas, sobretudo,   denunciou as teorias e as metodologias racialistas e racistas, fundadas numa   ciência cada vez mais positivista e sistemática, que pretendiam criar uma   relação de causalidade entre corpo e mente, raça e cultura, com as suas   hierarquias habituais. Tais metodologias tornavam-se, já então, cada vez mais   preponderantes entre os representantes da antropologia física, não tanto o   célebre Blumenbach, como Christoph Meiners, verdadeiro precursor do eugenismo   do século&nbsp;XX, que muito influenciou a antropologia física francesa,<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>[7]</sup></a> tão   decisiva, por sua vez, para a que entre nós se praticou, sobretudo na   Universidade do Porto, graças ao papel sombrio de Mendes Correia, antes de a influência de Boas se fazer sentir por via de Jorge Dias.</p>     <p>Mas, pesem embora todas estas posições que nos   impedem de ver nas Luzes um universo monolítico, como muitas vezes sucede nas   abordagens pós-coloniais e descoloniais, Forster foi, necessariamente, como   Alexander von ­Humboldt – permitam-me este hegelianismo –, um filho do seu   tempo, com o seu eurocentrismo e a sua filosofia da história, versão   secularizada de uma teodiceia agora projetada num futuro permanentemente adiado (Koselleck 1989). Contudo, a sua viagem   à volta do mundo e a respetiva narrativa, dependente como   esta tinha de ser do universo evolucionista do seu tempo, também lhe permitiram   reconhecer que a variedade do género humano era, por vezes, inexplicável   ou não redutível a padrões   de explicação europeia; que a experiência servia não para se proclamar um   conhecimento pretensamente objetivo, positivista, do género humano, mas antes   para questionar evidências e, sobretudo, como forma de abertura e curiosidade pelo mundo.</p>     <p>Foram todas estas questões suscitadas pela   leitura de uma obra multifacetada que me levaram, então, a ler muitos   antropólogos, a descobrir, primeiro, Lévi-Strauss, depois, ainda com mais   entusiasmo, Michel Leiris (1996 [1934], 2011 [1950]), antropólogo-escritor por   excelência, antes de reconhecer as afinidades entre a antropologia cultural   norte-americana e as premissas em que Forster se movera, fruto das viagens da   teoria (Said 2005 [2000]) e de Franz Boas (Stocking&nbsp;Jr. 1996),   cristalizadas na ideia de personalidade e cultura, reproduzindo a ideia romântica   alemã da psicologia dos povos, o espírito do povo de Herder ou o caráter do povo de Wilhelm von Humboldt, com as suas potencialidades e problemas.</p>     <p>E houve, depois, a descoberta de <i>Orientalismo </i>de Edward Said (1995   [1978]), um livro que mudou a forma como vira o mundo; a seguir, a de <i>Writing Culture </i>(Clifford e Marcus   1986), da chamada antropologia pós-moderna, com a sua atenção, menos ao   narcisismo do antropólogo, do que aos processos de constituição da verdade   sobre o “outro”, com a sua ênfase no campo das relações de poder, nos processos   formais, literários, com as respetivas e necessárias implicações teóricas,   filosóficas, políticas. Seguiu-se-lhe o aprofundamento dos estudos   pós-coloniais, abordagem inicialmente derivada dos estudos literários, usando   as suas ferramentas hermenêuticas ou a semiótica para alargar os seus objetos   de estudo e práticas disciplinares, bem como os textos aos contextos em que   haviam sido produzidos, como que retomando, em sentido inverso, o interesse das   ciências sociais em geral – não só da antropologia, mas também da   história&nbsp;–, pelos procedimentos formais que haviam aprendido com os estudos literários.</p>     <p>Mas o que a antropologia acrescentava era   sempre a importância da experiência no terreno, como Forster já o soubera reconhecer,   ao mesmo tempo que também reconheceu que a observação nunca pode ser objetiva,   mas sempre parcial, determinada pelo ponto de vista do observador, as suas   “lentes”, como escreveu ainda jovem (Forster 1986 [1777]). Isto não o impediu,   como bom iluminista, de entender que esse perspetivismo tinha de desembocar num   ensimesmamento narcisista, na celebração da diferença irredutível, se abdicasse   do diálogo com outras versões, todas elas parciais, mas que, a serem cotejadas,   aferidas, discutidas, permitiriam constituir um processo de aproximação à   verdade (Sanches 1994), no reconhecimento de que existe, apesar da diversidade   humana, uma humanidade comum e que, a haver universais, acrescentaria, eles nunca podem ser impostos, mas definidos em conjunto.</p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>DA LITERATURA (DE VIAGENS) À ANTROPOLOGIA</b>    </font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Perguntei muitas vezes a mim   mesma porque escolhi Georg Forster para tema de doutoramento. Antropóloga   frustrada? Não sei, nem vou entrar em especulações de ordem psicologizante, mas   tão-só recordar que foi decisivo o desejo de viajar, do risco, de fugir ao   quotidiano, que nos dá segurança, que nos ancora, mas que também nos oprime,   entedia. Ainda me lembro de começar a ler <i>Viagem   à Volta do Mundo</i>, com um atlas ao lado, para localizar as diversas ilhas no Pacífico imenso, muito azul, nessa altura, de papel – e sem Google Maps.</p>     <p>Mas, antes de todas estas descobertas teóricas   e académicas, tinha havido outras experiências. Não de viagens a sítios   exóticos, onde nunca fui verdadeiramente, nem me senti nunca particularmente   atraída a ir – preferi sempre a poltrona –, mas a da leitura de livros de   aventuras, porventura colonialistas, preferindo sempre a biblioteca dos rapazes   – Júlio Verne, Emilio Salgari, Robert Louis Stevenson, Herman Melville, sempre   em versão infantil, para não falar na <i>Odisseia</i>   contada às crianças. Creio que tanto o gosto pela viagem como pela literatura   de viagens foram decisivos para a escolha do meu tema de doutoramento. O que,   mais tarde, me levou à descoberta do prazer da leitura, do prazer do texto, de várias   etnografias, de <i>Os Argonautas do Pacífico     Ocidental </i>(Malinowski 1984 [1922]) a <i>Afrique       fantôme </i>(Leiris 1996 [1934]) ou <i>Never         in Anger </i>(Briggs 1970)<i> – </i>para   citar uma antropóloga, entre as muitas existentes –, além de outros textos de   viagem, que fui descobrindo depois, textos de maior ou menor qualidade, mas   sempre objetos de estudo interessantes, para me deparar, mais recentemente, com   viagens tão europeias, mas tão capazes de questionamento próprio, como as de W. G. Sebald.</p>     <p>Portanto, gosto pela aventura, elogio do   exótico, distanciamento do familiar, digo-o contra todos os discursos e dúvidas   a que a descolonialidade nos obriga hoje, pois é nesse fascínio que encontro   ainda muito do entusiasmo e problemas da antropologia. Mas também de confronto, de questionamento de mim mesma, de seguranças e evidências disciplinares.</p>     <p>É certo que a literatura de viagens e de   descobertas, de que as melhores etnografias são herdeiras, é uma literatura   centrada num eu, predominantemente masculino, que “descobre”, unilateralmente,   um mundo povoado de “selvagens” e de paisagens exóticas, de corações das trevas   – os humanos ­sempre representados como “outros”, sempre destituídos de voz,   seres passivos à espera que a palavra do viajante – do descobridor, do   conquistador, do missionário, do cientista, do colonizador – lhes dê forma,   sentido, como alma a converter, objeto a estudar, selvagem ou colonizado a   civilizar, ou seja, sempre a ser salvo de si mesmo, sempre um “outro” passivo,   nunca subjetividade plena. Ou meio de o descobridor, conquistador, cientista ou   escritor, em suma, de o viajante se redimir, regressado à tenda, a casa ou à sua universidade de origem. À sua secretaria. À sua poltrona.</p>     <p>Mas, apesar de todos estes problemas, não   posso deixar de reconhecer que a aventura, a procura do desconhecido, do risco,   ainda continuam a seduzir-me na literatura de viagens clássica e em todos os   seus sucedâneos, narrativas em que se misturam, se fundem ou entram em tensão o   desejo de fuga e de controle, o desconhecido e o conhecido, a incerteza e as seguranças.</p>     <p>E, sobretudo, há o desejo de narrar a   aventura, com as suas contradições, vitórias e derrotas, narração que, em   retrospetiva, legitima os tormentos, as aflições, as noites mal passadas, as   doenças, os desconfortos, até os mais comezinhos, como os mosquitos que, parece, tanto fizeram Humboldt sofrer.</p>     <p>Ora, é tudo isso que como que fica redimido na   boa literatura de viagens, em que incluo tanto as grandes reportagens – Pedro   Rosa Mendes seria um exemplo, Paul Theroux nunca –, como grandes romances –   Joseph Conrad seria o exemplo mais óbvio, Ruy Duarte de Carvalho não   menos&nbsp;–, ou mesmo as epopeias clássicas, desde a <i>Odisseia</i> à epopeia de <i>Sundiata</i>.   E, claro, as melhores etnografias, Malinowski (1984 [1922]) ou Evans-Pritchard   (1965 [1940]) – para citar alguns dos mais conhecidos –, que não só oferecem o   prazer do texto, mas são, parece-me, também o resultado do prazer da narração,   narração só completada no regresso a casa, no conforto da poltrona, dando   sentido e finalidade ao caos das anteriores experiências, tarefa agora   solitária, mas a pensar no leitor, que irá descobrir mundos distintos do seu, ao mesmo tempo que pode rever-se neles.</p>     <p>Com efeito, não será o desejo de viajar e do   terreno sempre um desejo de os narrar? Narrar para aqueles que sabem ouvir –   sabemos bem demais até que ponto é difícil encontrar quem saiba escutar os   nossos relatos de viagem, a maior parte dos amigos e família mais interessados,   quando regressamos, em contar as suas atribulações de gente imóvel do que em   ouvir as nossas aventuras e peripécias em espaços mais ou menos longínquos –,   para os amigos, os curiosos, os colegas e pares, mas sobretudo para os leitores   anónimos, porventura os genuinamente interessados. Lembre-se a obsessão de   Humboldt em narrar a sua viagem pelas Américas, a que dedicou a maior parte da   sua longa vida, escondendo sempre a sua subjetividade, que entendia secundária, nos milhares de páginas da sua vastíssima obra.<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>[8]</sup></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E a narrativa das observações no terreno não   tem de equivaler sempre a um resultado inovador – para usar do jargão   neoliberal –, nem à vitória de se ter avançado no conhecimento – traduzido para   aquele jargão –, de se ter obtido muitos <i>outputs</i>   ou indicadores. Não serão as grandes narrativas de fracassos, como, por   exemplo, <i>Tristes Trópicos </i>(Lévi-Strauss   1955), “Afrique fantôme” (Leiris 1996 [1934]), <i>Never in Anger </i>(Briggs 1970) e mesmo de <i>The Nuer </i>(Evans-Pritchard 1965 [1940]), aquelas de onde podemos   extrair ainda maior prazer, não tanto pela justeza das suas observações, como   pela forma como são narradas, vivendo esses textos tanto da sua verosimilhança   como das suas verdades, finalmente, sempre parciais (Clifford 1986)? Esse   prazer não tem de excluir a reflexão política sobre o sentido da disciplina e das suas consequências. Bem pelo contrário.</p>     <p>Em suma, todas as questões que enunciei – e   são efetivamente muitas – mostram o pouco que sei, mas o muito que aprendi com   a antropologia e porque é que ela é importante e faz sentido, pesem embora a   sua história colonial, a sua cumplicidade com o colonialismo e o imperialismo,   ou, versões mais recentes, o seu contributo para o estudo das culturas de um   modo muito complexo. Daí, porventura, os equívocos e a sua dificuldade em fazer   passar a mensagem (­Herzfeld 2001) – mesmo dentro da disciplina, sublinhando-se   ainda a noção de cultura associada a padrões claros e bem delimitados,   ignorando o modo como esta é muito mais definida através da fronteira e na fronteira (Rosaldo 1993 [1989]).</p>     <p>Mas se algo aprendi também com a antropologia   foi – porque, digna herdeira da melhor literatura de viagens, mo conseguiu   transmitir – a sua curiosidade, a sua vontade de sair do óbvio e familiar, o   seu desejo do exótico, digamo-lo sem peias, a sua abertura à aventura e ao risco, por muito colonial que fosse. Também o risco de sermos capazes de nos questionarmos a nós mesmos.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>LER ENTRE CULTURAS</b>    </font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>E, assim, volto à literatura de viagens como protoantropologia com   todas as suas potencialidades e problemas, para abordar uma questão sempre latente e que gostaria de desenvolver antes de concluir – o tema da tradução.</p>     <p>Esse desejo do exótico e a literatura de   viagens dele resultante não é ele, ou não pode também ser, uma tentativa de   traduzir o que se viu, percecionou subjetivamente para, depois, ser   retrabalhado, reinterpretado pelo leitor? E para o autor se expor, se   questionar a si mesmo? E o que se passa no regresso, no momento em que, na   poltrona, compilamos as nossas notas, as relemos, para as estruturar num todo,   não digo necessariamente coerente, mas minimamente inteligível? Escrever   cultura é sempre traduzir culturas, com as suas fidelidades e traições, os seus equívocos, que podem ser produtivos, se houver consciência dos nossos limites.</p>     <p>Tenho alguma prática de tradução linguística –   a teoria nunca me interessou   –, essa tarefa, em que, ao contrário da angústia da página em branco, temos   a segurança de um texto prévio que recriamos, reinventamos. O que pretendo   sempre fazer é respeitar o original, mas de modo a que soe bem na língua para a   qual traduzo, sempre o português, ao mesmo tempo que tento assegurar que não se   perca a estraneidade do texto que lhe subjaz. Mas, para se compreender e   conservar essa estraneidade, carece-se de um conhecimento profundo não só da   língua, da cultura do texto de que se traduz, mas também daquela para a qual se   verte o original, no reconhecimento daquilo que existe de comum e de diferente   entre ambos os universos; e, para se ser fiel ao original, há que o trair e   mesmo reconhecer que há sempre uma parte que fica perdida na tradução,   desorientação fundamental que impede que as peças desse <i>puzzle</i> encaixem na perfeição. Mas sem que a inteligibilidade se perca.</p>     <p>Joga-se aqui uma questão entre o particular e   o geral ou o universal que os antropólogos certamente conhecem, questão que   remete para o problema complexo de como se narra, traduz, a diferença, o que   implica a articulação entre as partes e o todo, recusando seja a ver-se tão-só   a árvore quanto a floresta como um coletivo que não dá lugar à individualidade de que esta também depende, para retomar uma questão atrás enunciada.</p>     <p>Contudo, a diferença não tem de ser sempre a   do “outro” exterior a nós, mas a do reconhecimento de que somos, também nós,   diferentes – de preferência, sem hierarquizações paternalistas nem vontade de   poder, seja quando descrevemos o nosso quotidiano e, nele, reencontramos, na   melhor tradição surrealista, o exótico, seja quando, antropólogos indígenas,   tentamos não sucumbir a tentações essencialistas, por muito boas que as nossas   intenções políticas possam ser. Reconhecendo, sempre, que a diferença é algo de   produzido (Gupta e Ferguson 1992), nunca de dado, atentos aos mecanismos de   poder, em que, quer a política, quer a poética dos processos de ­representação (Hall 1997) – fatalmente associados à tradução – são igualmente importantes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ou seja, se a minha inveja do antropólogo   tanto se prende com a nostalgia e a narração do exótico – fantasias de poltrona   –, como com o reconhecimento da importância da experiência do terreno, também é   verdade que, em ambos os casos, se está sempre a tentar comunicar, a traduzir   diferenças, ou seja, a comparar dois universos que nunca são – cada vez menos   estão – completamente separados. O que não significa que a passagem de um para   o outro seja fácil ou óbvia, o que torna a tradução entre universos culturais e disciplinares tanto mais relevante.</p>     <p>Em suma, o que fazemos na poltrona pode,   afinal, não ser tão distinto daquilo que os antropólogos fazem, mesmo, no   terreno. Há muito mais afinidades do que imaginamos entre letrados imóveis e etnógrafos errantes, face ao ato de tradução que também é, sempre, um ato de comparação.</p>     <p>E voltando à primeira imagem: mesmo que os   livros estejam muito arrumados nas estantes e os documentos, espécimenes e   artefactos classificados, há sempre os arquivos e mapas que permanecem abertos,   espalhados no chão, fora da estante, assuntos por resolver que adiamos ou a que   voltamos recorrentemente, por muito saber ou experiência acumulada que   tenhamos. É isso que também lemos na imagem do velho Humboldt. E é por isso que   aqui não vos trago certezas do meu aposento, mas antes um conjunto de reflexões   a serem prosseguidas por quem conseguiu ler este texto quase at  é ao fim.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>CODA</b>    </font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Permitam-me só uma nota final. Antes de   começar a esboçar o texto que aqui apresento, terminei a tradução de um outro   texto, o diário que Werner ­Herzog escreveu durante a rodagem de <i>Fitzcarraldo </i>(Herzog 2009 [2004]). Filme   ­maldito para antropólogos ou indigenistas <i>new     age</i>, uma leitura mais demorada, seja do filme, seja dos contextos em que   foi produzido, permite que ele não seja reduzido a um <i>horror picture show</i>, como, na altura, a imprensa alemã – não só a   tabloide – e ativistas europeus com veleidades terceiro-mundistas (Sabourin 1980) o pretenderam.<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><sup>[9]</sup></a></p>     <p>A leitura atenta do livro, significativamente   intitulado <i>Conquista do Inútil</i>   (Herzog 2017 [2004]) – e nada há como uma tradução para se ler atentamente um   texto, descobrindo não só as nossas leituras equivocadas, mas também os   próprios equívocos do autor –, permite reconhecer que o que está em causa não é   finalmente a conquista – embora essa vertente também esteja presente –, mas   antes o reconhecimento da inutilidade desse sonho masculino, “ocidental”, que   pretende dominar homens e natureza, para, finalmente, ficarmos a sós connosco   mesmos, com os nossos limites, como quando começamos a escrever, perante o horror da página em branco.</p>     <p>E Herzog escreveu, permanente, obsessivamente,   como muitos antropólogos, o seu diário. Como Malinowski, com Joseph Conrad,   lendo Bruce ­Chatwin, Joseph Roth, Tito Lívio, ouvindo Bach, Schütz, Vivaldi;   escreveu numa letra microscópica, para que ninguém, na altura, pudesse decifrar   as suas notas; escreveu contra a derrota iminente, contra os conflitos com   humanos e com a natureza; escreveu contra os conflitos consigo mesmo, que, como   Humboldt, quis silenciados, mas redimidos na sua obra;<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><sup>[10]</sup></a>   conflitos que via replicados numa selva, não como totalidade harmoniosa; antes ameaçadora, inclemente, mas não menos sedutora.</p>     <p>Finalmente, perceberia a inutilidade do seu   projeto megalómano e destruidor. E também – depois de ter lamentado, com o   habitual rasgo de nostalgia imperialista (Rosaldo 1993 [1989]), a morte de   culturas e línguas, bem como os óculos Ray-Ban e as <i>t-shirts</i> com “Disco Fever” dos ativistas indígenas, adereços que   estes sabiam substituir estrategicamente por penas, arco e flecha, como também   anotou, irritado e perplexo (Herzog 2009 [2004]: 74) – reconhecer a   legitimidade dos seus direitos aos seus territórios contra interesses de   companhias petrolíferas e de estados-nação. Indígenas que nunca tinham visto o   mar, mas que o queriam ver, provar, para confirmar que era efetivamente   salgado, levando amostras dele, como prova empírica, para casa (Herzog 2009 [2004]:&nbsp;312).</p>     <p>Exatamente como Humboldt. Mas com menos poder.   Muito menos. E claro que conhecemos apenas uma das versões, subalternizadas que as vozes indígenas foram e ainda são. Mas este seria um outro tema.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, deixo-vos com meras impressões,   narradas como sei e posso, não uma teoria, mas algumas certezas: a certeza da importância   da curiosidade pelo que não nos é familiar – com as suas potencialidades e os   seus equívocos, os seus riscos –, bem como das narrativas que ela gera; a   certeza da vantagem de olharmos além do nosso jardim, arriscando a nossa   segurança, através do terreno concreto ou da capacidade de testarmos os limites, as fronteiras, entre culturas, saberes, disciplinas.</p>     <p>Permitam-me só que conclua com um conselho, ditado pelo conforto – por vezes, penoso, porque solitário,   mas tanto mais criativo, da poltrona – e também por uma vida, cheia de   contradições, que, felizmente, já vai algo longa: não receiem o risco; não   abandonem os vossos sonhos, mesmo que antecipem possíveis derrotas, pois elas nunca são inúteis.</p>     <p>Sobretudo, não receiem este começo. Que não   será absoluto; não será inaugural, mas que trará, certamente, muitas coisas novas. E boas.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <!-- ref --><p>BARTH, Fredrik, 1998 [1969], <i>Ethnic Groups and Boundaries:   The Social Organization of Culture Difference</i>. Long Grove, IL, Waveland Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201477&pid=S0873-6561201700020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p>BENJAMIN, Walter, 1991 [1936], “Deutsche Menschen: Eine Folge von Briefen. Auswahl und Einleitung von Detlev Holz                                        ”, em Rolf Tiedemann e Hermann Schweppenhäuser   (orgs.), <i>Gesammelte Schriften</i>, vol.&nbsp;IV. Suhrkamp, Frankfurt am Main, 149-233.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201479&pid=S0873-6561201700020000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BRIGGS, Jean, 1970, <i>Never in Anger: Portrait of an Eskimo Family</i>. Cambridge, MA, Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201481&pid=S0873-6561201700020000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CLIFFORD, James, 1986, “Introduction:   partial truths”, em James   Clifford e George E.&nbsp;­Marcus (orgs.), <i>Writing Culture: The Poetics   and Politics of Ethnography</i>.   Berkeley, CA, University of California Press, 1-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201483&pid=S0873-6561201700020000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p>CLIFFORD, James, 1988, <i>The Predicament of   Culture: Twentieth-Century Ethnography, Literature, and Art  </i>. Cambridge, MA, e Londres, Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201485&pid=S0873-6561201700020000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CLIFFORD, James, e George E. MARCUS (orgs.), 1986, <i>Writing Culture: The Poetics and Politics of Ethnography</i>. Berkeley, CA, University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201487&pid=S0873-6561201700020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EVANS-PRITCHARD, Edward E., 1965 [1940], <i>The Nuer: A Description of the Modes of Livelihood and Political Institutions of a Nilotic People</i>. Oxford, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201489&pid=S0873-6561201700020000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FABIAN, Johannes, 1983, <i>Time and the Other:   How Anthropology Makes Its Object</i>. Nova Iorque, Columbia University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201491&pid=S0873-6561201700020000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FORSTER, Georg, 1986 [1777], <i>A Voyage Round the World</i>. Berlim, Akademie Verlag (org. R. L. Kahn).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201493&pid=S0873-6561201700020000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOSTER, Hal, 2005 [1996], “O artista como etnógrafo”, em Manuela Ribeiro Sanches (org.),                                         <i>Deslocalizar a   “Europa”: Antropologia, Arte, Literatura   e História na Pós-Colonialidade</i>. Lisboa, Cotovia, 259-296 (trad. Manuela Ribeiro Sanches).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201495&pid=S0873-6561201700020000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GEERTZ, Clifford, 1973, <i>The Interpretation   of Cultures: Selected Essays</i>. Nova Iorque, Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201497&pid=S0873-6561201700020000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GEERTZ, Clifford, 1988, <i>Works and Lives:   The Anthropologist as Author</i>. Oxford, Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201499&pid=S0873-6561201700020000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUPTA, Akhil, e   James Ferguson, 1992, “Beyond ‘culture’: space, identity, and the politics of difference”, <i>Cultural Anthropology  </i>, 7: 6-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201501&pid=S0873-6561201700020000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HALL, Stuart (org.),   1997, <i>Representation: Cultural Representations and Signifying Practices</i>. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli, Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201503&pid=S0873-6561201700020000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HERZFELD, Michael, 2001, <i>Anthropology: Theoretical Practice in Culture and Society</i>. Oxford, Blackwell/Paris, UNESCO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201505&pid=S0873-6561201700020000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HERZOG, Werner, 2017 [2004], <i>Conquista do Inútil</i>. Lisboa, Tinta da China (trad. Manuela Ribeiro Sanches).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201507&pid=S0873-6561201700020000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HUMBOLDT, Alexander von,   1814, <i>Voyage aux régions équinoxiales du     Nouveau Continent: fait en 1799, 1800, 1801, 1803 et 1804</i>, vol.&nbsp;1. Paris, F.&nbsp;Schoell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201509&pid=S0873-6561201700020000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HUMBOLDT, Alexander von,   1845-1862, <i>Kosmos: Entwurf einer physischen Weltbeschreibung</i>, 5&nbsp;vols. Stuttgart e Tübingen, Cotta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201511&pid=S0873-6561201700020000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HUMBOLDT, Alexander von,   1995 [1814-1825], <i>Personal Narrative of a Journey to the Equinoctial Regions of the New Continent</i>. Londres, Penguin (versão abreviada).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201513&pid=S0873-6561201700020000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201514&pid=S0873-6561201700020000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>JAMES, C. L. R., 1963, <i>The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture   and the San Domingo Revolution</i>. Nova Iorque, Vintage Books/Random House (versão revista).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201515&pid=S0873-6561201700020000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KEHLMANN, Daniel, 2005, <i>Die Vermessung der Welt                                        </i>. Reinbek bei Hamburg, Rowohlt.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201517&pid=S0873-6561201700020000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KOSELLECK, Reinhart, 1989, <i>Vergangene Zukunft: Zur Semantik geschichtlicher Zeiten</i>. Frankfurt am Main, Suhrkamp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201519&pid=S0873-6561201700020000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEIRIS, Michel, 1996 [1934], “L’Afrique fanto&#770;me”, em Michel Leiris,   <i>Miroir de l’Afrique</i>. Paris, Gallimard, 86-887 (org. Jean Jamin).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201521&pid=S0873-6561201700020000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEIRIS, Michel, 2011 [1950], “O etnógrafo face ao colonialismo”, em Manuela Ribeiro Sanches (org.),                                         <i>Malhas Que os Impérios Tecem: Textos Anti-Coloniais, Contextos Pós-Coloniais</i>. Lisboa, Edições&nbsp;70, 199-217 (trad. Manuela Ribeiro Sanches).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201523&pid=S0873-6561201700020000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEITNER, Ulrike, 1995, <i>“Das Leben eines Literaten, das sind seine Werke”: Alexander von Humboldt: von den “Ansichten der Natur” bis zum “Kosmos”</i>. Berlim, Berlin-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201525&pid=S0873-6561201700020000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LÉVI-STRAUSS, Claude, 1955, <i>Tristes Tropiques</i>. Paris, Plon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201527&pid=S0873-6561201700020000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MALINOWSKI, Bronislaw, 1984 [1922], <i>Argonauts of the Western Pacific: An Account of Native Entreprise and Adventure   in the Archipelagoes of Melanesian New Guinea</i>. Prospect Heights, IL, Waveland.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201529&pid=S0873-6561201700020000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MALINOWSKI, Bronislaw, 1989, <i>A Diary in the   Strict Sense of the Term</i>.   Stanford, CA, Stanford University Press (introd. Raymond Firth).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201531&pid=S0873-6561201700020000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MIGNOLO, Walter, 2011, <i>The Darker Side of Western Modernity: Global Futures, Decolonial Options</i>. Durham, NC, Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201533&pid=S0873-6561201700020000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PRATT, Mary Louise, 1992, <i>Imperial Eyes: Travel Writing and Transculturation</i>. Londres e Nova Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201535&pid=S0873-6561201700020000900031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->                                        </p>     <!-- ref --><p>QUIJANO, Aníbal, 2000, “Colonialidad   del poder, eurocentrismo y Ame&#769;rica Latina”, em Edgardo Lander (org.), <i>Colonialidad del Saber, Eurocentrismo y Ciencias Sociales</i>. Buenos Aires, CLACSO-UNESCO, 201-246.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201537&pid=S0873-6561201700020000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROSALDO, Renato, 1993 [1989], <i>Culture and Truth: The Remaking   of Social Analysis</i>. Boston, Beacon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201539&pid=S0873-6561201700020000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p>RUPKE, Nicolaas   A., 2008, <i>Alexander von Humboldt: A Metabiography</i>. Chicago, The University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201541&pid=S0873-6561201700020000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SABOURIN, Eric,   1980, “L’ affaire Herzog”, <i>Journal     de la Société des Américanistes</i>, 67&nbsp;(1): 441-460, disponível em   <a href="http://www.persee.fr/doc/jsa_0037-9174_1980_num_67_1_3108" target="_blank">http://www.persee.fr/doc/jsa_0037-9174_1980_num_67_1_3108</a> (última consulta em junho de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201543&pid=S0873-6561201700020000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SAID, Edward W., 1975, <i>Beginnings: Intention and Method</i>. Nova Iorque, Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201545&pid=S0873-6561201700020000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SAID, Edward W., 1995 [1978], <i>Orientalism: Western Conceptions of the Orient</i>. Londres, Penguin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201547&pid=S0873-6561201700020000900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SAID, Edward W., 2005 [2000], “Reconsiderando a teoria itinerante”, em Manuela Ribeiro Sanches (org.), <i>Deslocalizar a “Europa”: Antropologia,   Arte, Literatura e História   na Pós-Colonialidade</i>. Lisboa, Cotovia, 25-42 (trad. Manuela Ribeiro Sanches).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201549&pid=S0873-6561201700020000900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANCHES, Manuela Ribeiro, 1994, “&nbsp;‘Diese zarten, fast unsichtbaren F                                        äden der Arachne’: Das wahrnehmende Subjekt und die Konstituierung von Wahrheit bei Forster                                        ”, em Claus Volker Klenke, Jörn Garber e Dieter Heintze (orgs.), <i>Georg Forster   in interdisziplinärer Perspektive</i>.   Berlin, Akademie Verlag, 133-146.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201551&pid=S0873-6561201700020000900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANCHES, Manuela Ribeiro, 2005, “Introdução,” em Manuela Ribeiro Sanches (org.), <i>Deslocalizar a “Europa”: Antropologia,   Arte, Literatura e História   na Pós-Colonialidade</i>. Lisboa, Cotovia, 7-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201553&pid=S0873-6561201700020000900040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANCHES, Manuela Ribeiro, e Adriana Veríssimo SERRÃO (orgs.), 2002, <i>A Invenção do “Homem”: Raça, Cultura e História na Alemanha do Século&nbsp;XVIII</i>. Lisboa, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201555&pid=S0873-6561201700020000900041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCHLEGEL, Friedrich, 1985 [1797], “Georg   Forster: Fragment einer Charakteristik   der deutschen Klassiker”, em Friedrich Schlegel, <i>Schriften zur Literatur</i>. Munique, Deutscher Taschenbuch Verlag, 193-214 (org. Wolfdietrich Rasch).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201557&pid=S0873-6561201700020000900042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p>SMITH, Bernard, 1985, <i>European Vision and the South Pacific, 1768-1850: A Study   in the History of Art and Ideas</i>.   New Haven e Londres, Yale University Press (2.  ª&nbsp;edição).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201559&pid=S0873-6561201700020000900043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SPIVAK, Gayatri Chakravorty, 1988, “Subaltern studies: deconstructing historiography”, em Ranajit Guha e Gayatri Chakravorty Spivak (orgs.), <i>Selected Subaltern Studies</i>. Nova Iorque e   Oxford, Oxford University Press, 3-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201561&pid=S0873-6561201700020000900044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SPIVAK, Gayatri Chakravorty, 1995, “Can the subaltern speak?                                        ”, em Bill Ashcroft,   Gareth Griffiths e Helen Tiffin (orgs.),   <i>The Post-Colonial Studies Reader                                        </i>. Londres e Nova Iorque, Routledge, 66-111.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201563&pid=S0873-6561201700020000900045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>STOCKING JR., George (org.),   1996, <i>Volksgeist as Method and Ethics: Essays on Boasian Ethnography and the German Anthropological Tradition </i>. Madison, WI, The University of Wisconsin Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201565&pid=S0873-6561201700020000900046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WILSON, Jason, 1995, “Introduction”, em Alexander von Humboldt, <i>Personal Narrative of Journey to the Equinoctial Regions of the New   Continent</i>. Londres, Penguin, xxv-lxiv (org. e trad. Jason Wilson).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201567&pid=S0873-6561201700020000900047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WULF, Andrea, 2015, <i>The Invention of Nature: Alexander von Humboldt’s New World</i>. Londres, John Murray.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=201569&pid=S0873-6561201700020000900048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>NOTAS</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>       Este texto foi inicialmente apresentado oralmente no dia 3 de outubro de   2016 como Aula Ernesto Veiga   de Oliveira, organizada pelo Departamento   de Antropologia do ISCTE – Instituto Universit  ário de Lisboa e dirigida especialmente aos novos alunos do curso de licenciatura em Antropologia. Quero dedicar esta aula inaugural, cujo tom oral mantive a fim de captar por escrito um momento muito agrad  ável para mim, aos meus antigos alunos, sobretudo os   alunos-antropólogos que frequentaram um seminário opcional com o título   “Escrever entre Culturas” que lecionei no segundo semestre de 1997-98,   decorridos precisamente 20&nbsp;anos. A eles devo muito o que aqui escrevo,   traduzo. Todos os possíveis equívocos são, contudo, da minha inteira responsabilidade.  </p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>       Relativamente ao modo como a biografia de Humboldt foi lida e narrada e                                                       à subjetividade que sempre assiste à reconstituição   de uma vida, como sucede com as poucas linhas que a seguir àquela se dedicam, ver Rupke (2008). Para a ficção que essa biografia continua   ainda a inspirar, ver Kehlmann (2005), uma ficção de leitura agradável,   historicamente pouco rigorosa, mas de grande sucesso, e que deu origem ao filme com o mesmo título, de Detlev Buck, em 2012.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>       A vastíssima obra de de Alexander von Humboldt surge poucas vezes mencionada na bibliografia, mas inclui uma refer                                                      ência a uma das poucas respetivas vers                                                      ões em português, uma coletânea de textos (Humboldt   2007). Para obter as suas obras em várias versões, a maior parte escrita   originalmente em francês, recomenda-se a consulta do <i>site</i> onde algumas obras estão acessíveis: <a href="http://www.avhumboldt.net/index.php?page=138" target="_blank">http://www.avhumboldt.net/index.php?page=138</a>.   Mais relevante ainda é a página <a href="http://humboldt.hs-offenburg.de/?page_id=186&amp;lang=en" target="_blank">http://humboldt.hs-offenburg.de/?page_id=186&amp;lang=en</a>   onde se reúnem ligações   para as obras disponíveis <i>online</i>. Ver   ainda a edição <i>online</i> das suas   viagens no site da Academia das Ciências   de Berlim/Brandeburgo em <a href="http://avh.bbaw.de/orinoco" target="_blank">http://avh.bbaw.de/orinoco</a>, academia responsável, quando esta se encontrava na antiga RDA, pela edição   crítica das suas obras, como sucedeu com as de Georg Forster. Sobre a receção de Humboldt nas antigas RDA e RFA durante os tempos da Guerra Fria, veja-se Rupke (2008).</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>       Alude-se, neste contexto, ao célebre texto de Spivak “Can the subaltern speak?” (Spivak 1995), bem como a um ensaio menos   conhecido, mas, em nosso entender, mais relevante, que escreveu em diálogo com   o Grupo de Estudos do Subalterno (Spivak 1988). Note-se a importância destes   não só para a disciplina da História, mas para os campos que aqui abordo. Sobre   este tema, veja-se a introdução ao volume <i>Deslocalizar a Europa</i> (Sanches 2005).</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>       Todas estas considera                                                      ções muito devem evidentemente a Geertz (1988) e Clifford (1988).</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a>       Esta imagem de William Hodges, retrabalhada a                                                       óleo a partir de desenhos e esboços feitos localmente, constitui não só uma tradu                                                      ção, adaptação, considerando o gosto do público europeu de então, como revela,   a par de outros quadros famosos da segunda circum-navegação de James Cook, o modo como   a iconografia neoclássica influenciou estas representações, mas também a descoberta de uma nova luminosidade e estética local foi fundamental para o movimento rom                                                      ântico nas artes visuais, nomeadamente em William Turner   (Smith 1985), mais um exemplo de transculturação (Pratt 1992).</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a>       Estes textos foram traduzidos e apresentados na antologia que reuniu estes debates, entre outros, com o título <i>A Invenção do “Homem”</i> (Sanches e Serrão 2002).</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a>       “Há pormenores da vida comum que poder                                                      á ser útil registar num itiner                                                      ário, pois servem   para orientar o comportamento daqueles que percorrem as mesmas paragens depois de nós. Deles conservei um   pequeno número; mas suprimi a maior parte dos incidentes pessoais que não   oferecem um verdadeiro interesse para a situação e aos quais só a perfeição do   estilo pode conferir harmonia” [“<i>Il est     des détails de la vie commune qu’il peut être utile de consigner dans un     itinéraire, parce qu’ils servent à régler la conduite de ceux qui parcourent     les mêmes contrées après nous. J’en ai conservé un petit nombre: mais j’ai     supprimé la plupart de ces incidens personnels qui n’offrent pas un véritable     intérêt de situation, et sur lesquels la perfection du style peut seule     répandre de l’agrément</i>”] (Humboldt 1814:&nbsp;32). Humboldt chega a   mencionar a “extrema repugnância em escrever o relato da sua viagem” [“<i>extrême répugnance à écrire la relation de     mon voyage</i>”] (Humboldt 1814:&nbsp;29). Dada a inexistência de uma tradução   generalizada das obras de Humboldt, optou-se por consultar e traduzir o   original em francês. Existe, contudo, uma tradução fidedigna em língua inglesa   (Humboldt 1995 [1814-1825]) que omite – por vezes excessivamente – as longas   digressões de Humboldt, mas que também desmente a fama de empolamento   estilístico que se tornou regra censurar no viajante e que o original francês,   como o tradutor sublinha, e posso confirmar, não possui (Wilson 1995:&nbsp;lvi-lx).</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a>       Da imprensa alemã, veja-se os textos de 1979 “Ein Gringo im Urwald” em   <i>Der Spiegel</i>, n.º&nbsp;37,   pp.&nbsp;246-249, disponível em   <a href="http://www.spiegel.de/spiegel/print/d-39909494.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/spiegel/print/d-39909494.html</a>   (última consulta em junho de 2017), ou “Die Herzog-Horror-Picture-Show”,   assinado por Manfred von Conta em <i>Stern</i>, 29 de novembro, pp.&nbsp;100-113.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a>     Seria   de salientar uma coincidência interessante entre   Humboldt e Herzog – cujo papel   o último representou no   filme de Edgar Reisz <i>Die andere Heimat, Chronik einer Sensucht</i>   (2013), filme em que a América constitui o ant  ídoto à <i>Heimat</i> – no desejo de que a obra se sobreponha ao indivíduo por detr  ás dela. Alexander von Humboldt, a quem tantas biografias têm   sido dedicadas (Rupke 2008), escreveu a Mary Somerville, geógrafa escocesa, que   “A vida de um letrado são as suas obras” (<i>apud</i>   Leitner 1995: 23). Por sua vez, Herzog foi objeto de dois documentários com o   título <i>Aquilo Que Sou São os Meus Filmes</i>   (<i>Was ich bin sind meine Filme</i>, 1978 e   2010). De notar ainda o modo como o realizador tem construído uma persona   através de múltiplas entrevistas, assim garantindo o controlo sobre a sua   biografia e obra, pesem embora os inúmeros avatares que a Internet tornou, entretanto, possíveis.</p> </font>      ]]></body><back>
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<name>
<surname><![CDATA[BARTH]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fredrik]]></given-names>
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