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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">      <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><b><font size="4" face="Verdana">Parabéns <i>Etnográfica</i></font></b></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>João Leal; Miguel Vale de Almeida; Manuela Ivone Cunha</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A <i>Etnográfica</i> nasceu   em 1997, no âmbito do Centro de Estudos de Antropologia Social do então ISCTE. A iniciativa coube a um grupo formado – além de   mim – por António Medeiros, Filipe Verde, Paulo Valverde e Rosa Maria Perez.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   Na fundação da revista desempenhou um papel decisivo Paulo Valverde, que viria   a falecer dois anos depois, e que era então um dos elementos mais promissores   de uma nova geração de antropólogos portugueses formada nos anos 1980. </p>     <p>   A fundação da revista não pode ser desligada do crescente protagonismo dessa   geração de antropólogos e da sua vontade de fazer coisas novas, capazes de   contribuírem para a dinamização e a consolidação institucional da antropologia   em Portugal. </p>     <p>   O projeto da revista era ambicioso. O objetivo era ter uma revista semestral   que mantivesse regularidade e pontualidade na sua publicação. Procurava-se   conseguir alguma alternância entre números temáticos e números mais abertos.   Além dos antropólogos baseados no ISCTE,   queríamos também publicar textos de antropólogos ligados a outros departamentos   portugueses de antropologia. Havia também a preocupação de incluir regularmente   colaborações de antropólogos estrangeiros. Foram definidas algumas secções –   “Memória”, “Entrevista”, “Interdisciplinaridades”, “Antropologia Visual” – e   foi estimulada a publicação de recensões. </p>     <p>   A ambição teve de ser gerida com algum realismo. Embora muitos artigos fossem   submetidos à revista por iniciativa dos respetivos autores, a maior parte   resultava de convites feitos pela Comissão Editorial. O <i>peer-reviewing</i> era irregular. Para alguns artigos eram pedidos pareceres, mas na maior parte   dos casos a sua aceitação estava a cargo da Comissão Editorial, que podia   sugerir alterações e acrescentos. Estas opções – que eram comuns a outras   revistas da época – resultavam de uma aproximação em modo realista à situação   portuguesa da época, onde os hábitos de publicação regular começavam apenas a   ser implementados e onde o <i>peer-reviewing</i> sistemático era dificultado   pela dimensão reduzida da comunidade antropológica. </p>     <p>   Foi um trabalho apaixonado e apaixonante. E com resultados. A revista saiu   sempre a horas. A diversidade e qualidade dos artigos tornou-se notória e a <i>Etnográfica</i> entrou na década de 2000 como a revista de referência   da antropologia portuguesa. </p>     <p>   Em 2003, sete anos depois de iniciada a sua publicação, havia que abrir um novo   ciclo na vida da <i>Etnográfica</i>. Pessoalmente,   estava satisfeito com o ­trabalho realizado, mas estava também um pouco   saturado. Acrescia que, a partir desse ano, depois de quase 20 anos no ISCTE, tinha voltado a dar aulas na FCSH/Universidade Nova de Lisboa). Não fazia para mim sentido que fosse alguém   da FCSH a dirigir uma revista ligada ao ISCTE (na altura não existia ainda o CRIA…). Continuei na <i>Etnográfica</i>, como membro do seu órgão executivo,   mas a revista passou a ter um novo diretor – Miguel Vale de Almeida – e uma   nova Comissão Editorial. A <i>Etnográfica</i> adotou um novo grafismo, passou a contar com um Conselho Consultivo   Internacional, o <i>peer-reviewing</i> tornou-se sistemático, começaram a ser   editados anualmente três números, e a revista está   hoje disponível <i>online</i> e encontra-se indexada em várias plataformas   internacionais. A <i>Etnográfica</i> renovou-se e, ao renovar-se, consolidou o   seu estatuto de revista de referência da antropologia em Portugal. </p>     <p>   Vinte anos depois, continua a ser para mim um prazer e um orgulho ter estado   ligado aos anos iniciais deste projeto que – agora sob direção de Manuela Ivone   Cunha – continua a ser um projeto ganhador. Parabéns à <i>Etnográfica</i>!</p>     <p><i>JOÃO LEAL </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a01f1.jpg" width="429" height="567"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Quando, em 2004 assumi a   direção da <i>Etnográfica</i>, a Comissão Editorial e eu herdámos um projeto   consolidado pelo trabalho de João Leal e sua equipa. Tratava-se de uma excelente revista que, todavia, era produzida no âmbito do CEAS – Centro de Estudos de Antropologia Social, do então ISCTE.</p>     <p>   À mudança de direção suceder-se-ia a fundação do CRIA –   Centro em Rede de Investigação em Antropologia, no qual o CEAS se integrou, juntamente com investigadores da Faculdade de Ciências   Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, da Universidade de Coimbra e da Universidade do Minho. </p>     <p>   A grande inovação que o CRIA representou – um dos   pouquíssimos centros de investigação interuniversitários – coincidiu ainda com   transformações substanciais na política científica portuguesa, quer ao nível de critérios de exigência, quer ao nível de critérios de internacionalização. </p>     <p>   Respondemos, creio, aos desafios, desde logo constituindo uma Comissão   Editorial que representasse os diferentes polos do CRIA, transformando assim a revista num produto do novo centro. Renovámos   também o Conselho Consultivo Internacional, de modo a internacionalizá-lo na   sua maioria, representando contextos de articulação da antropologia feita em   Portugal: a Europa (quer o Reino Unido e a França, quer os contextos   supostamente mais marginais aos centros hegemónicos), os Estados Unidos, e os contextos de língua oficial portuguesa, com destaque para o Brasil.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">[2]</a> </p>     <p>   Procedemos a uma total renovação gráfica da revista; instituímos mecanismos de   funcionamento do secretariado profissionalizados;<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">[3]</a> assumimos plenamente e publicitámos a possibilidade de   publicação em quatro idiomas (português, inglês, castelhano e francês);   decidimo-nos sem complexos pela possibilidade de publicação em português   segundo as normas portuguesa ou brasileira; e apostámos na expansão da revista   para o contexto da América Latina de idioma castelhano, cuja antropologia se encontrava em franca expansão. </p>     <p>   Demos também o “salto” para a publicação <i>online</i>,   em acesso aberto, sobretudo aderindo – e o CRIA foi   pioneiro nesse gesto – às plataformas SciELO (em 2007) e Revues.org (em 2011). Toda esta estratégia resultou numa   expansão da visibilidade da revista, que levou à decisão – até hoje legitimada   pela realidade – de passar de dois a três números por ano, a partir de 2010. A   expansão terá também sido qualitativa, como atestam as classificações nos   sistemas Qualis (Capes, Brasil) ou Scimago Journal &amp; Country Rank (SJR), por exemplo, e a crescente aceitação em sistemas de indexação   internacionais (Anthropological Index Online; DOAJ; Latindex; Scopus; Web of Science – SciELO Citation Index).</p>     <p>   Internacional, contemporânea, aberta, e exigente – é assim que gosto de   imaginar poder qualificar a revista que fizemos – diretor, comissão editorial e secretariado – ao longo desses 12 anos. </p>     <p><i>MIGUEL VALE DE ALMEIDA</i></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a01f2.jpg" width="437" height="568"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tal era a sintonia com o   projeto lançado pela equipa de João Leal e desenvolvido pela de Miguel Vale de   Almeida, que a minha principal preocupação, quando assumi há um par de anos a   coordenação da <i>Etnográfica</i>, foi antes de mais a de assegurar a continuidade do legado das anteriores direções, a todos os títulos notável. </p>     <p>   Daí que a renovação da Comissão Editorial e a do Conselho Consultivo   Internacional levadas a cabo em 2015/2016 se tenham regido menos pelo salutar   princípio do refrescamento periódico das equipas – neste caso um refrescamento   parcial, dado ter-se procurado preservar parte dos membros da excelente equipa anterior – do que por dois outros propósitos.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">[4]</a><sup> </p>     <p>   O primeiro foi o de refletir de maneira mais próxima não só a linha   editorial da revista na sua amplitude temática-teórica e variedade de idiomas –   variedade esta agora também presente no <i>website</i>   –, mas ainda a sua atual geografia de autores/as, e leitores/as, em especial a   destacada expansão que a <i>Etnográfica</i> teve na América Latina, de onde provém parte importante dos textos que recebe. </p>     <p>   O segundo propósito da remodelação do Conselho Consultivo Internacional, que   conta com 28 novos membros, além dos que transitam do anterior, foi o de   acompanhar a própria evolução do perfil editorial da revista, que se pretendeu   agora mais aberto a outras áreas disciplinares: por um lado, aberto a propostas   de cariz etnográfico vindas de outras ciências sociais, ou que partilhem com as   provenientes da antropologia o mesmo engajamento teórico e metodológico com a   etnografia; por outro lado, um perfil recetivo a propostas que contribuam para   um diálogo interdisciplinar consistente entre a antropologia social e cultural e a primatologia ou a antropologia biológica, agora também áreas do CRIA. </p>     <p>   Consolidada como revista de referência, cujos indicadores de qualidade e   posicionamento nos sistemas de indexação internacional e classificação de   periódicos continuam a registar melhorias de ano para ano, o êxito da <i>Etnográfica</i>   reflete-se também no acentuado crescimento do volume de artigos e dossiês   recebidos. Contrastando com o panorama inicial lembrado acima por João Leal,   quando a maior parte dos artigos resultava de convites feitos pela Comissão   Editorial, ao fim de uma década a revista recebia mais de meia centena de   propostas por ano, valor que aumentaria para mais do dobro no final da década   seguinte. Mesmo tendo passado de dois para três números ao ano, como assinalou   Miguel Vale de Almeida, atualmente a revista apenas publica cerca de um quinto dos artigos que lhe são propostos. </p>     <p>   O salto no volume de propostas trouxe desafios adicionais à <i>Etnográfica</i>   e impôs novos métodos de trabalho à Comissão Editorial. A gestão deste fluxo   tornou-se também inevitavelmente mais exigente para o secretariado. Os membros   do Conselho Consultivo Internacional passaram a ser mais mobilizados no   processo de avaliação de textos e o seu envolvimento tornou-se tanto mais   precioso quanto é crescente a dificuldade, partilhada hoje pela generalidade   das revistas científicas, em encontrar pareceristas disponíveis para assegurar   a avaliação por pares. Em reconhecimento pela generosidade de tal trabalho,   este número comemorativo publica os nomes daqueles e daquelas que dedicaram à <i>Etnográfica</i>   o seu tempo e esforço no papel de pareceristas na segunda década de vida da revista (2007-2017). </p>     <p>   Prestes a concluir o lançamento de toda a coleção <i>online</i>   na plataforma OpenEdition Journals (ex-Revues.org), abrangendo assim os números   mais recuados, é em registo de festa e em contraponto que a <i>Etnográfica</i>   publica fac-símiles das capas de todos os números dos seus primeiros 20&nbsp;anos. </p>     <p>   E, chegada à maturidade, dificilmente haveria melhor forma de festejar o 20.º&nbsp;aniversário da <i>Etnográfica</i> do que convidar   investigadores recém-doutorados e pós-doutorados (2015-2016) a propor curtos   textos resultantes da sua investigação. A chamada para artigos deste número foi   deliberadamente aberta e sem outra orientação que não a da linha editorial da   revista e o crivo habitual da revisão por pares. Quis-se dar toda a margem à   surpresa e a tendências emergentes não antevistas. O resultado, cremos, não só comemora como renova o espírito pluralista da <i>Etnográfica</i> na sua variedade de idiomas, formatos e perspetivas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>MANUELA IVONE CUNHA</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a01f3.jpg" width="443" height="574"></p> </font>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>NOTAS</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a> Desse grupo fundador fez ainda parte Catarina Mira, que assumiu o   secretariado (no primeiro ano de edição, o secretariado contou também com a   colaboração de Ana Cristina Castro, Carlos Pereira, Maria Manuel Quintela e   Rita Jerónimo). À primeira Comissão Editorial juntaram-se ainda, em 2001, Luís Quintais e Paulo Raposo.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a> Em 2004, quando assumi a direção da revista, a Comissão Editorial passou a   contar com alguns novos membros: Jean-Yves Durand, Robert Rowland e Susana de   Matos Viegas. Em 2010, a equipa foi reforçada com a integração de Emília   Margarida Marques, Fernando Florêncio, Maria Cardeira da Silva, Ramon Sarró e   Sónia Vespeira de Almeida, a que se juntaram, em 2011-2012, Antonádia Borges, Cristiana Bastos e Susana Narotzky.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a> O secretariado tinha sido assegurado por Isabel Cardana em 2004 e 2005,   sendo assumido por Ruy Llera Blanes entre 2006 e 2008, e por Catarina Mira, novamente, a partir de 2009.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a> A Comissão Editorial passaria a integrar, como novos membros, Brígida Renoldi, Elizabeth ­Challinor, Humberto Martins e Matilde Córdoba Azcárate.</p> </font>     ]]></body>
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