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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Festivais de cultura popular e patrimônios: campos de batalhas nas políticas de identidades]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Mato Grosso Departamento de Antropologia Programa de pós-graduação em Antropologia Social]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Present studies of festivities in anthropology are developed in a theoretical framework that emphasizes the multiple social interactions in expanding festive contexts and scenarios. Associated with tourism, spectacle, the market and “heritage,” festivities set in motion conflicting and paradoxical discursive zones. Political conflicts, identity claims and power and recognition disputes are some of the battles fought in the festive arena. Based on an ethnography carried out between 2009 and 2014 at the Cururu and Siriri Festival in Cuiabá (Mato Grosso, Brazil), this article aims to inquire into contexts in which expressions of popular culture are crossed by patrimonial policies. The latter offer visibility and public recognition, provide references and create consensus, while at the same time intensify different disputes associated with identity claims.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana">         <b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana">Festivais de cultura   popular e patrimônios: campos de batalhas nas políticas de identidades</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Folk culture   festivals and heritage: battle arenas in identity politics</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Patricia Silva Osorio</b><sup><b>I</b></sup></font></p> <font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Departamento de Antropologia, programa de pós-graduação em Antropologia   Social e programa de pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea, Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil. <i>E-mail:</i> </font><font size="2" face="Verdana"><a href="mailto:patricia.osorio@gmail.com">patricia.osorio@gmail.com</a></font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A atualidade dos estudos   sobre festa na antropologia esboça-se em um quadro teórico que sublinha as   múltiplas interações sociais quando da ampliação dos cenários e contextos   festivos. Associada ao turismo, ao espetáculo, ao mercado ou aos “patrimônios”,   a festa põe em ação e tensão zonas discursivas conflitantes e paradoxais.   Conflitos políticos, reivindicações identitárias e disputas por poder e   reconhecimento são algumas das batalhas travadas na arena festiva. A partir de   uma etnografia realizada entre os anos de 2009 e 2014 no Festival de Cururu e   Siriri em Cuiabá (Mato Grosso, Brasil), o artigo pretende problematizar   contextos em que expressões da cultura popular são atravessadas pelas políticas   patrimoniais. As políticas patrimoniais propiciam visibilidade e reconhecimento   público, fornecem referências e criam consensos, ao mesmo tempo em que   intensificam uma série de disputas associadas às reivindicações identitárias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> festival, cultura   popular, patrimônio, políticas de identidades</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Present   studies of festivities in anthropology are developed in a theoretical framework   that emphasizes the multiple social interactions in expanding festive contexts   and scenarios. Associated with tourism, spectacle, the market and “heritage,”   festivities set in motion conflicting and paradoxical discursive zones.   Political conflicts, identity claims and power and recognition disputes are   some of the battles fought in the festive arena. Based on an ethnography   carried out between 2009 and 2014 at the Cururu and Siriri Festival in Cuiabá   (Mato Grosso, Brazil), this article aims to inquire into contexts in which   expressions of popular culture are crossed by patrimonial policies. The latter   offer visibility and public recognition, provide references and create   consensus, while at the same time intensify different disputes associated with   identity claims.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> festival, popular culture,   heritage, identity politics</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os estudos sobre as   festas não são novidade na antropologia.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a> Autores   clássicos da teoria antropológica chamam atenção para a importância dos eventos   comemorativos. Emile Durkheim, em <i>As Formas Elementares da Vida Religiosa</i>,   livro publicado em 1912-1913, percebe os eventos festivos não apenas como   representações e expressões de ideias, mas antes de tudo como ações (Durkheim   1996 [1912-13]). São momentos de reunião nos quais a “sociedade se faz”, sente   sua existência enquanto tal, e é por meio dessa ação comum que a vida coletiva   se afirma, se refaz e se atualiza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pensadas como rituais, as   festas expõem a dimensão simbólica da vida humana. Com o foco no poder metafórico   e complexo do aparato ritual, o estudo de recursos expressivos como as festas   coloca-se como uma via de acesso aos modos como entendimentos e experiências   comuns podem ser gerados (Turner 2013). Pesquisas etnográficas apontam para as   festas como veículos para a erupção de sociabilidades, modos específicos de   apropriação do espaço, conceptualização do tempo e vínculos de pertencimentos (Velasco 1982; Leal 1994; Cavalcanti 1994).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A atualidade dos estudos   sobre a festa esboça-se em um quadro teórico que sublinha as múltiplas   interações sociais quando da ampliação dos cenários e contextos festivos. Como   exemplo, refiro as pesquisas sobre os chamados festivais folclóricos ou de   cultura popular. A incidência destes eventos festivos, destinados a um grande   público, é problematizada com reflexões sobre processos de espetacularização,   turistificação, objetificação, mercantilização e patrimonialização da cultura   (Boissevain 1992; Gutiérrez e Fabre 1995; Guss 2000a; Picard e Robinson 2009;   Picard 2016). Sob diferentes perspectivas teóricas e universos etnográficos, os   estudos mostram que os festivais não são meros reflexos, mas engendram e fornecem respostas ao turismo, ao mercado e às políticas patrimoniais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Associada ao turismo, ao   espetáculo, ao mercado ou aos “patrimônios”, a festa põe em ação e tensão zonas   discursivas e textualizações conflitantes e paradoxais. Conflitos políticos,   reivindicações identitárias e disputas por poder e reconhecimento são algumas   das batalhas travadas na arena festiva. Ao refletir sobre as políticas de   identidades esboçadas em eventos festivos, o artigo objetiva problematizar o   vínculo entre festivais de cultura popular e patrimônios imateriais. A   preocupação central é a de refletir sobre a ampliação dos cenários festivos   associados a grupos de cultura popular e atravessados por políticas patrimoniais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A reflexão aqui   construída pauta-se na etnografia, pensada enquanto um instrumento   metodológico, mas também como um instrumento intelectual que pressupõe o   esforço para a “descrição densa” (Geertz 1989). A discussão será construída a   partir de um caso etnográfico, o do Festival de Cururu e Siriri, realizado   anualmente em Cuiabá (Mato Grosso, Brasil). Investigar os modos como as formas   expressivas populares se atualizam no contexto dos grandes festivais implica em   alguns desafios metodológicos relacionados à ampliação do que se “observa”. A   etnografia foi realizada entre os anos de 2009 e 2014 e em dois momentos   diferenciados: durante a festa, com dados coletados entre as arquibancadas, palcos,   bastidores, público e os executores das performances; e   antes / após a festa, nos ensaios que antecedem o festival e por   meio de entrevistas com integrantes dos grupos e representantes de instituições envolvidas na organização do evento festivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>A emergência dos festivais e dos   patrimônios</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O siriri e o cururu são   duas expressões que envolvem música e dança, comuns no estado de Mato Grosso,   região Centro-Oeste do Brasil (<a href="#f1">figura 1</a>). Mato Grosso é a terceira unidade   federativa do Brasil em área territorial, e suas frontei­ras se estendem a seis   estados brasileiros (Amazonas, Pará, Tocantins, Goiás, ­Rondônia, Mato Grosso   do Sul), e ao país vizinho, a Bolívia.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a> Atualmente é reconhecido como o estado do <i>agrobusiness</i>,   com destaque na produção de soja, algodão, milho e cana de açúcar, além de ter   o maior rebanho bovino de corte do Brasil. Ao lado da grande exploração   agropecuária está sua biodiversidade, representada por três biomas: a Amazônia,   o cerrado e o pantanal, este reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco em 2001.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a05f1.jpg" width="575" height="396"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O cenário é rico no que   se refere à diversidade de formas expressivas das culturas populares. Algumas   delas presentes em outras localidades do país, como o congo e a folia de reis,   outras mais restritas à região mato-grossense, como o siriri e o cururu. Estas   expressões preenchem o cenário das festas realizadas em comemoração de santos   católicos e para o pagamento de promessas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O cururu é executado   apenas por homens que dançam em roda e emitem versos de improviso ao som de um   instrumento de corda, a viola de cocho, e de um instrumento percussivo, o   ganzá, enquanto que o siriri é dançado por homens e mulheres que aos pares   executam coreografias em rodas ou fileiras ao som da viola de cocho, ganzá e   mocho (este último uma espécie de tambor, repercutido com duas baquetas). O   cururu tem protagonismo no momento mais solene da festa, dedicado às rezas e às   procissões, em que os homens dançam e tocam diante de um altar. O siriri é o momento do baile, da descontração e do divertimento (figuras <a href="#f2">2</a> e <a href="#f3">3</a>).</font></p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a05f2.jpg" width="576" height="356"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a05f3.jpg" width="573" height="465"></font></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Atualmente os cenários de   exibição ampliam-se para além das festas de santo. Um caso exemplar é o   surgimento em Cuiabá do Festival de Cururu e Siriri no início dos anos 2000 e   que mobiliza grupos de diferentes cidades de Mato Grosso. O público é composto   por turistas de passagem pela região, mas essencialmente por vizinhos e   parentes dos dançarinos e tocadores que irão se apresentar na arena (<a href="#f4">figura 4</a>).</font></p>     <p><a name="f4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a05f4.jpg" width="574" height="358"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Festival de Cururu e Siriri   não obedece a um calendário fixo associado a datas comemorativas de santos   católicos. O momento de realização da festa está atrelado à disponibilidade de   recursos financeiros advindos do poder público. Desde 2002 o Festival tem sido   realizado anualmente, com exceção do ano de 2012, quando o evento foi cancelado   por falta de financiamento. Para a realização da festa desenha-se uma relação   de dependência entre o poder público local e lideranças dos grupos de siriri e   cururu. O festival desencadeia relações paradoxais entre os representantes dos   grupos de siriri e cururu e representantes da administração pública local: se,   por um lado, as relações estabelecidas são de dependência do poder público para   a realização da festa, o festival coloca-se como uma conquista dos grupos na   luta por visibilidades e reconhecimentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Observa-se o vínculo   entre patrimônios e festivais. Há um cruzamento entre tempos históricos: o   tempo de emergência dos festivais de cultura popular e o tempo de emergência   dos patrimônios imateriais no Brasil. Data da virada do novo milênio o Decreto   N.º&nbsp;3551, de 04 de agosto de 2000, que instituiu o Registro de Bens   Culturais de Natureza Imaterial e criou o Programa Nacional do Patrimônio   Imaterial. O período de realização da primeira edição do festival coincide com   a retomada das pesquisas sobre a viola de cocho pelo Centro Nacional de   Folclore e Cultura Popular (CNFCP).<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> Em 1988 é realizada no Rio de Janeiro, no CNFCP, uma exposição sobre a viola de cocho, o siriri e   o cururu. A exposição foi construída a partir de uma pesquisa feita pela   antropóloga Elizabeth Travassos e pelo músico Roberto Correa em alguns   municípios do estado de Mato Grosso. Em 2003, no âmbito do Projeto Celebrações   e Saberes da Cultura, a pesquisa é ampliada para outros municípios de Mato   Grosso, utilizando a metodologia do “Inventário Nacional de Referências   Culturais”. As pesquisas foram subsídios importantes na formulação do dossiê de   instrução que possibilitou a inscrição do “Modo de Fazer Viola de Cocho” no   “Livro de Registro dos Saberes” do Instituto do Patrimônio Histórico e   Artístico Nacional (IPHAN),   conferindo-lhe o título de Patrimônio Cultural do Brasil em 14 de janeiro de   2005.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a> O título reconhece a viola de cocho e o complexo musical, coreográfico e   poético que o instrumento integra, ou seja, o siriri e o cururu, como   patrimônios imateriais brasileiros. No dossiê de instrução, produzido pelo CNFCP, a importância do registro e salvaguarda da viola   de cocho como patrimônio imaterial está atrelada a possíveis ameaças à   continuidade do saber registrado: idade avançada de seus executantes e um   episódio associado à disputa judicial sobre o registro da marca “Viola de   Cocho” junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual em benefício de   um indivíduo (ver IPHAN 2009; Vianna 2005).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A conexão entre o   festival e o emergente protagonismo que a viola de cocho assume, conferido   entre outros elementos pelas políticas públicas associadas à valorização e   salvaguarda dos patrimônios imateriais brasileiros, não é mecânica. Mas o   vínculo é crucial para a reflexão sobre as formas expressivas populares patrimonializadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao alinharem os festivais   a reflexões principalmente sobre o turismo, muitas análises chamam atenção para   a importância de uma perspectiva analítica que abarque outras interações   sociais, sistemas econômicos e redes comunicacionais para além dos eventos   festivos. “Festivals,   while containing worlds, also open out and spill over into ‘outside’ worlds and   their multiple dimensions can only be understood by taking into consideration   the different realities of the outside worlds” (Picard e Robinson 2009: 4). Tal perspectiva amplia o escopo da investigação,   correspondendo aos desafios das etnografias contemporâneas sobre culturas   populares. No entanto, parece haver algo nas análises que reforça a existência   de um “mundo de dentro” e um “mundo de fora”. Por mais que seja destacada   a articulação entre mundos, há a construção da ideia da festa e de seu mundo   próprio <i>versus</i> outros mundos. O que gostaria de sublinhar é que a ideia   de festa, tomada em seu sentido antropológico como o lócus privilegiado para a   materialização de identidades e da interação social, se faz presente tanto no   cenário “tradicional”, como no cenário dos grandes festivais. Os processos de   patrimonialização, o mercado e o turismo são constituintes da festa, fazendo   parte do cotidiano dos grupos de cultura popular. Os “mundos de fora” estão   dentro da festa. Adotar esta perspectiva analítica não corresponde à negação da   existência de conflitos e poderes desiguais reproduzidos e engendrados no   evento festivo. Os festivais são campos de batalhas constituídos por interações   sociais alicerçadas em redes de parentesco e vizinhança, na ideia de tradição,   mas também pelo entretenimento, pela mídia, pelo turismo, pelas políticas   patrimoniais e pelas esferas administrativas e políticas locais. E as batalhas   travadas se dão por meio de um complexo jogo performático construído e encenado   por diferentes agentes: representantes da política local, lideranças dos grupos, dançarinos e tocadores de cururu e siriri.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Textualizações na dança e na não dança</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao perseguir os modos   como as performances estão enquadradas no Festival de Cururu e Siriri, é   possível classificá-las em dois tipos: performances da não dança, com ênfase na   dimensão comunicativa dos discursos / palavra, e performances   centradas no potencial comunicativo da dança. A categorização não pretende   estabelecer uma divisão inequívoca entre a palavra e o movimento. A articulação   entre o movimento e a palavra é fundamental para o entendimento das   performances festivas. Se, analiticamente, não é possível separar a palavra do   movimento, uma vez que a palavra, o corpo e a dança estão na festa, há   claramente uma organização no “ritmo” do espetáculo que demarca fronteiras entre a dança e a não dança.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As performances da não   dança correspondem ao momento inicial do festival e caracterizam-se pelos   discursos autorizados de políticos e lideranças dos grupos de cururu e siriri.   É na abertura do evento que o palco é ocupado pelas autoridades presentes. Os   enunciados emitidos envolvem tensões que se dão em dois planos: partidárias e em torno da tradição.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As disputas partidárias   tomam forma na oposição entre as esferas estadual e municipal do poder público   local. Políticos ocupam o palco e marcam suas posições. As lideranças dos   grupos reforçam a disputa ao destacarem o apoio de uma das esferas em   detrimento da outra. O público também participa desses momentos, ora com   aplausos, ora com vaias, manifestando aprovações e reprovações. Demarcações partidárias são feitas e zonas discursivas conflitantes se instauram.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante a realização do   trabalho de campo, pude perceber que a oposição entre os poderes estadual e   municipal reverbera nas disputas em torno dos possíveis precursores e   inventores do festival. Seja nos discursos dos políticos ou das lideranças dos   grupos, o evento aparece como sendo, a princípio, uma iniciativa de políticos   locais em prol da “cultura popular mato-grossense” e em defesa da “tradição”. A   festa torna-se uma arena na qual políticos rivais duelam e poderes são   manipulados a partir do uso da tradição. Nos discursos autorizados, a festa   coloca-se como o lugar por excelência da legitimação de uma enunciação sobre a   tradição que endossa a construção da identidade regional. O festival afirma-se   como a “festa máxima do folclore estadual”; “expressão das gentes de Mato Grosso”;   a “maior e mais tradicional festa da cultura popular de Mato Grosso”. As   funções da festa também são enunciadas: “ajudar a manter a cultura”; “preservar   as tradições”; “divulgar e promover a cultura mato-grossense”; “revitalizar e   conservar as origens”; além de “movimentar a economia gerando emprego e renda”.   O festival aparece nas falas oficiais como parte do “calendário cultural” da   cidade e da região. A ideia de tradição é reivindicada ao lado do processo de   criação da coletividade, do povo mato-grossense, e da construção “oficialesca” da identidade regional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">É central o papel que a   cultura popular desempenha desde o século&nbsp;XIX na formulação de identidades locais, regionais e nacionais (Leal 2007:   81).<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a> Em Mato Grosso, a apropriação de expressões e   saberes considerados ­folclóricos como um componente importante do processo de   construção identitária regional é extremamente recente. O cururu e o siriri,   até final dos anos&nbsp;80, eram vistos de forma depreciativa e associados às   imagens de “preto”, “pobre” e “matuto”.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a> Por muito tempo invisíveis nas mídias locais, as   manifestações ­passaram entretanto a ocupar um espaço significativo nos   veículos midiáticos, e essa visibilidade do cururu e siriri está estreitamente   relacionada à valorização dada pelas políticas patrimoniais. Podemos dizer que   o caso etnográfico aqui tratado é um bom exemplo de como no século&nbsp;XXI as políticas voltadas aos patrimônios culturais colocam-se como geradoras dos movimentos identitários.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os discursos de afirmação   da identidade regional via tradição intensificaram-se durante os anos de 2013 e   2014. Cuiabá foi uma das cidades-sede para os jogos da Copa do Mundo,   realizados no Brasil em 2014. As expectativas em torno da exibição do siriri e   cururu durante o megaevento foram inúmeras. Uma delas dizia respeito à   remodelação do espaço em que o festival vinha sendo realizado e,   consequentemente, à construção de um lugar definitivo para a tradição, a Arena   do Cururu e do Siriri. Nos discursos dos políticos, o festival transformou-se em uma promessa; nos discursos dos representantes dos grupos, em um sonho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os desdobramentos das   expectativas em torno da construção de um lugar próprio para a exibição da   tradição configuraram-se na desterritorialização do festival. Analisando   cronologicamente as várias edições, é possível identificar algumas tendências   que sublinham a importância do lugar de realização do festival para os grupos   de siriri e cururu. Importante destacar que os grupos de siriri e cururu estão   localizados em bairros periféricos de Cuiabá ou em áreas rurais de pequenas   cidades localizadas no interior do estado. A escolha do local para o festival   expõe importâncias simbólicas. As edições do festival têm sido realizadas nas   imediações de um bairro de grande representatividade histórica para a cidade. O   festival é o tempo e o espaço em que o cururu e o siriri ocupam o “centro” da cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante a Copa do Mundo,   o festival foi deslocado e o palco dos festivais transformou-se na FIFA Fan Fest.<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>[7]</sup></a> Paralelamente à programação organizada pela FIFA, foi improvisado o festival em um outro espaço   mais distante do centro, a Arena Cultural. As programações da Arena Cultural e   da FIFA Fan Fest eram concomitantes. O cururu e siriri   disputaram público com os <i>shows</i> de bandas nacionais de axé, forró, sertanejo e samba.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na construção dos   enunciados de afirmação da identidade regional, o lugar da tradição assume um   papel importante. São corriqueiras frases emitidas pelos representantes do   poder público local como as seguintes: “A cultura de Mato Grosso é vivida na   Arena”; ou “Essa festa marca a nossa história, nós temos o cururu, siriri que   passarão por esta arena”. A legitimação e a definição do que é a cultura   mato-grossense estão estreitamente imbricadas ao lugar de exibição da “cultura   imaginada”. Se o lugar da cultura é utilizado por políticos locais no processo   de construção e afirmação de uma identidade regional, o lugar transforma-se na   materialidade da luta política dos grupos pela visibilidade e positividade de expressões culturais entendidas como tradição.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Diana Taylor (2013), em   uma reflexão sobre protestos de rua no México, com o intuito de ilustrar o grau   em que as estruturas e hierarquias políticas tradicionais são contestadas,   elabora uma distinção entre dois tipos de elementos da performance: os   performativos políticos e os animativos. Amparada em Austin, a autora entende   os performativos como as performances verbais, cercadas por convenções e   códigos, executadas por atores sociais autorizados, enquanto que os animativos   se baseiam em corpos e ocorrem em interações caóticas e menos codificadas. O   animativo é o tumulto; o performativo, as declarações autorizadas e   oficialescas. “Os animativos aterrorizam os governos, cujo objetivo principal é   o controle dos corpos através do uso de ordens, enunciados oficiais e decretos   performativos como força legal” (2013: 219). Resguardando as especificidades   dos cenários etnográficos, é possível afirmar que o performativo e o animativo se cruzam no festival.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No festival, os   performativos políticos se fazem presentes nos momentos da não dança. É na não   dança que são encenados os discursos autorizados da tradição como canais   privilegiados para reforçar as ideias de coesão e homogeneidade da identidade   regional. No entanto, é também nestes momentos que os “animativos” interferem   nos “performativos”, quando representantes dos grupos desconstroem os discursos   autorizados dos políticos fazendo cobranças e expondo reivindicações. Aqui, os   discursos mais homogêneos tornam-se heterogêneos e as performances verbais   utilizadas na construção da identidade regional cedem espaço para performances   verbais (e extremamente emocionais) voltadas para questões direcionadas à   cidadania, tornando públicas as reivindicações locais. E se pensamos os   animativos como aquelas performances dinamizadas nas expressões que se passam   no palco do festival, quando entram em cena e movimento os dançarinos e   músicos, em que as performances verbais cedem o protagonismo para o corpo, a   dança e a música, percebemos mais uma vez a mistura entre os dois elementos da   performance. A dança no palco, ao mesmo tempo em que pode trazer a dimensão do   tumulto e uma contratextualização em relação aos discursos autorizados sobre   identidades, traz também o controle e o reforço das textualizações já   anunciadas. É importante, assim, analisar o lugar e as funções assumidos no   espetáculo pela viola de cocho, pensada aqui como a materialização de um modo de fazer transformado em patrimônio imaterial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As performances da dança   iniciam-se com a apresentação de um grupo de cururu. Homens, em sua maioria   mais velhos, dispõem-se no centro do palco, em roda. Durante toda a   apresentação, as mãos estão ocupadas segurando a viola de cocho ou o ganzá. A   dança não traz elementos expansivos e não é utilizado nenhum recurso cênico ou alegoria, com exceção da própria viola de cocho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se há uma única   apresentação de cururu por noite, cerca de oito grupos de siriri ocupam a arena   do festival diariamente. Embora as apresentações dos grupos de siriri   apresentem particularidades, há vários elementos em comum. Elas se iniciam com   uma abertura. O momento contém forte apelo religioso. Imagens de santos são   trazidas ao palco, seja em esculturas de gesso e madeira, gravuras, bandeiras,   cartazes, ou mesmo mimetizadas em atores que se vestem de santos católicos. As canções também tocam na dimensão religiosa (<a href="#f5">figura 5</a>).</font></p>     <p><a name="f5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a05f5.jpg" width="318" height="478"></font></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A passagem deste momento,   chamado de louvor, para a dança de siriri é marcada pela mudança no andamento   melódico. Dançarinos e dançarinas ocupam o centro do palco executando complexos   desenhos coreográficos. Em uma das laterais do palco posicionam-se os tocadores   de viola de cocho, mocho e ganzá, assim como o coro formado por vozes   masculinas e femininas. Recursos cênicos cada vez mais têm sido usados nas   apresentações, evocando o modo de vida ribeirinho. Entre jangadas, redes de   pesca e potes de cerâmica, destaca-se a viola de cocho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em folhetos de divulgação,   estampada nas saias das dançarinas, decorando o cenário, a viola de cocho   transforma-se no patrimônio a ser mostrado. Sua função no festival é a de   exibir o patrimônio. Esta função fica latente, por exemplo, se observamos as   apresentações dos grupos de cururu. O som das violas de cocho e dos versos de   improviso que chega ao público não advém da performance exibida no centro do   palco. Acopladas a microfones, as violas de cocho são manejadas fora do palco e   do campo de visão do público. A música não é “vista” pelo público, uma vez que   os cururueiros estão posicionados em um espaço periférico e pouco iluminado da   arena. Cria-se no espetáculo unidades separadas entre a execução musical e a   dança. Os cururueiros que tocam não dançam, os que dançam não tocam. O festival   separa a dança da música. E, entre a dança e a música, a primeira assume o protagonismo no evento festivo (<a href="#f6">figura 6</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f6"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/etn/v21n3/21n3a05f6.jpg" width="578" height="357"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A viola de cocho revela   uma segunda vida (Kirshenblatt-Gimblett 1998). A segunda vida dos patrimônios   emerge quando objetos e pessoas são fabricados para performar seus significados   para os outros. Os significados da viola de cocho no festival surgem na própria   exposição do objeto patrimonializado. No festival, o patrimônio assume a   posição de representação teatral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Patrimônios possuem   ressonâncias, evocam nos espectadores forças culturais de onde emergiram   (Gonçalves 2007: 215). E se os festivais são locais de exibição dos   patrimônios, são também lugares geradores de excessos de ressonâncias. Na dança   e não dança, o patrimônio legitima identidades nacionais e regionais, da mesma   forma que é apropriado pelos grupos para reforçar redes de reciprocidade   baseadas em relações de parentesco e vizinhança. Destinado a sustentar   patrimônios, o festival é o lócus propício para produzir patrimônios com excessos de ressonância que se cruzam nas narrativas performáticas da festa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os festivais são   mostruários da apresentação do patrimônio imaterial, um exemplo de como colocar   a política patrimonial em prática (Kirshenblatt-Gimblett 2004). As intervenções   patrimoniais mudam as relações com as ­pessoas e com o que elas fazem, e mudam   as condições fundamentais para a produção e reprodução cultural (2004: 58).   Sendo a mudança intrínseca à cultura, medidas destinadas a preservar,   conservar, salvaguardar e sustentar práticas culturais particulares estão   aprisionadas entre o congelamento da prática e o tratamento da natureza   inerentemente processual da cultura (2004: 58-59). Nesse sentido, a noção de   performance parece ser útil para problematizarmos as tensões entre as formas e saberes expressivos populares e as políticas patrimoniais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Performances, patrimônios e políticas de   identidades</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tomo de empréstimo a   metáfora bélica utilizada por David Guss (2000b) para refletir sobre as festas,   e podemos estendê-la aos patrimônios. As festas e os patrimônios constituem-se   em campos de batalha em que diferentes grupos pleiteiam interesses   identitários. Ao associar patrimônio imaterial e identidade, o intuito é o de   pensar os processos de patrimonialização do imaterial como contextos geradores   de ações políticas nas quais múltiplas identidades são construídas, rejeitadas   e disputadas. O Festival de Cururu e Siriri é um caso privilegiado para   refletirmos sobre tais dinâmicas. Não apenas o festival estabelece um alto   padrão para a apresentação do patrimônio – em que os grupos submetem-se a   ensaios rigorosos, empreendendo uma série de adaptações no formato das   coreografias e indumentárias –, mas também propicia uma teatralização. A viola   de cocho assume o protagonismo, ganhando novas funções, tornando-se uma espécie de metacultura, conforme já foi exemplificado anteriormente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">É dentro desse contexto   que identidades são performadas. A noção de performance é promissora para   pensarmos as relações entre formas e saberes expressivos populares e políticas   de patrimônios em dois sentidos. O primeiro deles é aquele que sublinha o poder   performativo dos patrimônios. Este caminho de análise assume o patrimônio como   performance: uma performance em que certos significados culturais e sociais e   valores são identificados, reafirmados ou rejeitados. Patrimônio pode ser uma   forma de controle social, ou, ao menos, de negociação sobre valores sociais e   significados (Smith 2011: 69-70). Assim, o patrimônio é utilizado para   legitimar reivindicações identitárias e deslegitimar outras. Todo o patrimônio   é dissonante e controverso: pode ser inclusivo e confortável para um grupo,   excludente e desconfortável para outro. Ele é contestado e disputado. O   festival é um momento dedicado à construção de uma identidade regional mais   alargada e oficial, ao mesmo tempo em que são afirmados e celebrados vínculos   mais específicos, como as redes de parentesco, amizade e de vizinhança. Outras   reivindicações também se fazem presentes, como a de visibilidade por parte de   grupos das periferias urbanas e rurais. Ideias sobre etnicidade também estão   sendo negociadas. Alguns grupos de siriri trazem para o palco encenações   históricas que demarcam o momento de encontro e desencontro entre portugueses e   indígenas. Observa-se também no festival a apresentação de grupos de siriri   advindos de comunidades quilombolas da região, que nos movimentos da dança, na   composição das vestimentas, nas canções e na utilização de outros instrumentos   musicais, como o atabaque, expõem sinais diacríticos que ressaltam a afirmação   de um grupo étnico em específico. No entanto, a visibilidade no contexto dos   grandes espetáculos acarreta uma série de alterações nas formas expressivas   populares, agora transformadas em patrimônios exibidos nos festivais. Se a   transformação de saberes e expressões em patrimônios transforma as relações   entre pessoas e suas experiências com seus saberes e expressões, ela   desencadeia igualmente uma série de desafios relativos aos modos como os bens   culturais (que são também sociabilidades alicerçadas em redes de parentesco,   vizinhança, religiosidades e formas específicas de divertimento) são   vivenciados. O festival constitui-se em um campo de batalha em que   sociabilidades festivas específicas misturam-se ao entretenimento, à mídia, ao   turismo, às políticas patrimoniais, às esferas administrativas e políticas locais e regionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O segundo sentido no qual   podemos pensar performance e patrimônio é o de sublinhar um certo antagonismo   entre as duas noções. Seja nos manuais, em cartas, nos decretos, nas   recomendações formuladas por organismos nacionais ou internacionais, a noção de   patrimônio está associada à noção de preservação. O reconhecimento oficial é o   de que os patrimônios constituem-se em heranças consideradas significativas e   por isso devem ser transmitidos para as gerações futuras, de modo que seja   assegurada sua duração no tempo e no espaço. Nos dicionários da língua   portuguesa, patrimônio relaciona-se com defender, resguardar, conservar,   blindar, imunizar. Importante sublinhar que há um antagonismo entre esta   concepção, que se reflete nas políticas patrimoniais, e os “patrimônios na   prática”. Há um descompasso entre os patrimônios e suas performances. E, mesmo   identificando tal descompasso e por mais paradoxal que possa parecer, é   justamente no momento das performances que os patrimônios são atualizados.   Tocar, dançar ou exibir a viola de cocho no festival colocam-se como possíveis   atos de criação de agências com as quais identidades são reforçadas, chanceladas, renunciadas e negociadas.<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>[8]</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A ambivalência é inerente   aos processos identitários. Clifford (2000) destaca a inseparabilidade entre   empoderamento local e chauvinismo, comunidade e exclusão, performance e   mercantilização, posicionamento e governabilidade. Identidades podem ser a base   para a conexão e para a desconexão (2000: 106). Essa é a ambivalência das identidades, das festas, e também dos patrimônios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3" face="Verdana"></font><font size="2" face="Verdana">BOISSEVAIN,   Jeremy, 1992, <i>Revitalizing European Rituals</i>. Londres, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202272&pid=S0873-6561201700030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro, 1994, <i>Carnaval   Carioca: Dos Bastidores ao Desfile</i>. Rio de Janeiro, Funarte, UFRJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202274&pid=S0873-6561201700030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">CLIFFORD, James,   2000, “Taking identity politics seriously: ‘The contradictory, stony ground…’ ”,   em Paul Gilroy e Lawrence McRobbie (orgs.), <i>Without Guarantees: Essays in     Honour of Stuart Hall</i>. Londres, Verso, 94-112.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202276&pid=S0873-6561201700030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DURKHEIM, Emile, 1996 [1912-13], <i>As Formas Elementares   da Vida Religiosa: O&nbsp;Sistema Totêmico na Austrália.</i> São Paulo, Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202278&pid=S0873-6561201700030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GEERTZ, Clifford, 1989, <i>Interpretação das Culturas.</i> Rio de Janeiro, Guanabara.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202280&pid=S0873-6561201700030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GONÇALVES, José Reginaldo, 2007, <i>Antropologia dos   Objetos: Coleções, Museus e Patrimônios</i>. Rio de Janeiro, Garamond.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202282&pid=S0873-6561201700030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GUSS, David,   2000a, <i>The Festive State: Race, Ethnicity, and Nationalism as Cultural     Performance</i>. Berkeley, Los Angeles, Londres, University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202284&pid=S0873-6561201700030000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GUSS,   David, 2000b, “Moros y cristianos y mujeres e índios: Tamunangue y las   fronteras de la etnicidad”, <i>Revista de Investigaciones Folclóricas</i>, 15: 9-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202286&pid=S0873-6561201700030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">GUTIÉRREZ, Ramón   A., e Geneviève FABRE (orgs.), 1995, <i>Feasts and Celebrations in North American Ethnic Communities</i>. Albuquerque, University of New Mexico Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202288&pid=S0873-6561201700030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e   Estatística, 2012, <i>Mapas Estaduais</i>. Rio de Janeiro, IBGE, disponível em &lt;&nbsp;<a href="https://7a12.ibge.gov.br/images/7a12/estados/mato_grosso.pdf" target="_blank">https://7a12.ibge.gov.br/images/7a12/estados//mato_grosso.pdf</a>&nbsp;&gt; (última consulta em outubro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202290&pid=S0873-6561201700030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e   Estatística, 2017, Área Territorial Brasileira. Rio de Janeiro, IBGE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202292&pid=S0873-6561201700030000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico   Nacional, 2009, <i>Modo de Fazer a Viola de Cocho</i>. Brasília, IPHAN.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202294&pid=S0873-6561201700030000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">KIRSHENBLATT-GIMBLETT, Barbara, 1998, <i>Destination Culture: Tourism, Museums and Heritage</i>.   Berkeley, Los Angeles, University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202296&pid=S0873-6561201700030000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">KIRSHENBLATT-GIMBLETT, Barbara, 2004, “Intangible heritage as metacultural production”, <i>Museum   Internacional</i>, 56&nbsp;(1-2): 52-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202298&pid=S0873-6561201700030000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEAL, João, 1994, <i>As Festas do Divino Espírito   Santo nos Açores: Um Estudo de Antropologia Social</i>. Lisboa, Publicações Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202300&pid=S0873-6561201700030000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEAL, João, 2007, <i>Cultura e Identidade Açoriana: O Movimento   Açorianista em Santa Catarina</i>. Florianópolis, Insular.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202302&pid=S0873-6561201700030000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">LEPECKI, André, 2013, “Planos de composição: dança, política e movimento”, em   Paulo Raposo <i>et</i>&nbsp;<i>al.</i> (orgs.), <i>A Terra do Não-Lugar:     Diálogos entre Antropologia e Performance</i>. Florianópolis, Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC), 109-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202304&pid=S0873-6561201700030000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">OLIVEN, Ruben G., 1992, <i>A Parte e o Todo: A Diversidade Cultural no   Brasil-Nação</i>. Petrópolis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202306&pid=S0873-6561201700030000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PICARD, David, 2016, “The festive frame: festivals as mediators for social   change”, <i>Ethnos</i>, 81: 600-616.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202308&pid=S0873-6561201700030000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PICARD, David, e Mike ROBINSON (orgs.), 2009, <i>Festivals, Tourism and Social Changes: Remaking   Worlds</i>. Clevedon, Bufalo, Toronto, Channel View Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202310&pid=S0873-6561201700030000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">QUINTERO, Juan Felipe C., 2011, “Las políticas de las coreografias en el   Festival Mundial de Salsa de Cali”, em Maria Julia Carozzi (org.), <i>Las     Palavras y los Passos: Etnografias de la Danza en la Ciudad</i>. Buenos Aires, Gorla, 155-188.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202312&pid=S0873-6561201700030000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">RAPOSO, Paulo, 2010, <i>Por Detrás da Máscara: Ensaio de Antropologia da   Performance sobre os Caretos de Podence</i>. Lisboa, Ministério da Cultura, Instituto dos Museus e da Conservação.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202314&pid=S0873-6561201700030000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">SMITH, Laurajane, 2011, “The doing of heritage: heritage as performance”, em   Anthony Jackson e Jenny Kidd (orgs.), <i>Performing Heritage: Research,     Practice and Innovation in Museum Theatre and Live Interpretation</i>. Manchester, Manchester University Press, 69-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202316&pid=S0873-6561201700030000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TAYLOR, Diana, 2013, “Cidadania em performance: os artistas vão às ruas”, em   Paulo Raposo <i>et&nbsp;al.</i> (orgs.), <i>A Terra do Não-Lugar: Diálogos     entre Antropologia e Performance</i>. Florianópolis, Editora da Universidade   Federal de Santa Catarina (EdUFSC), 211-222.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202318&pid=S0873-6561201700030000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TRAVASSOS, Elizabeth, 1997, <i>Os Mandarins Milagrosos: Arte e Etnografia em   Mário de Andrade e Béla Bartók</i>. Rio de Janeiro, Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202320&pid=S0873-6561201700030000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TURNER, Victor, 2013, <i>O Processo Ritual: Estrutura e Antiestrutura</i>.   Petrópolis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202322&pid=S0873-6561201700030000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VELASCO, Honorio (org.), 1982, <i>Tiempo de Fiesta</i>. Madrid,   Tres-Catorce-Diecisiete.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202324&pid=S0873-6561201700030000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VIANNA, Letícia, 2005, “O caso do registro da viola de cocho como patrimônio   imaterial”, <i>Sociedade e Cultura</i>, 8&nbsp;(2): 53-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202326&pid=S0873-6561201700030000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VILHENA, Luis Rodolfo, 1995, <i>Projeto e Missão: O Movimento Folclórico   Brasileiro</i>. Rio de Janeiro, Funarte, Fundação Getulio Vargas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=202328&pid=S0873-6561201700030000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">NOTAS</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>             Este artigo resulta   do projeto de pesquisa de pós-doutorado “Expressões da cultura popular na   contemporaneidade: o caso do siriri mato-grossense”, que beneficiou de uma   bolsa da Capes para estágio sênior no exterior, no período de fevereiro a   agosto de 2015. O estágio foi realizado no CRIA / ISCTE-IUL, com supervisão de Paulo Raposo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>             O estado tem   903.378,292&nbsp;km², segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2017).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>             Sediado no Rio de   Janeiro, o CNFCP é uma instituição pública destinada à pesquisa, documentação e difusão de formas expressivas das culturas populares brasileiras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>             Mais informações em <a href="http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/57" target="_blank">http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/57</a> (última consulta em outubro de 2017). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>             Outros autores, como   Oliven (1992), Vilhena (1995), Travassos (1997) e Raposo (2010) destacam as   dinâmicas entre cultura popular e processos de construção de identidades em múltiplos planos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a>             São vários os relatos   dos brincantes mais velhos que denunciam preconceitos associados à prática do cururu e do siriri.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a>             Organizado pela   Federação Internacional de Futebol, o FIFA Fan Fest constituiu-se em um espaço   improvisado em grandes áreas de todas as cidades sedes brasileiras e foi   dedicado a <i>stands</i> de propagandas,   restaurantes, bares e grandes <i>shows</i> musicais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a>             Estudos sobre a dança   têm sublinhado a percepção da estética do movimento como geradora de ação política (Quintero 2011; Lepecki 2013).</font></p>      ]]></body><back>
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