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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Escolher, cuidar e proteger: masculinidade e dinâmicas familiares em Marrocos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article discusses gender relations in Morocco through the analysis of three male accounts: two of marriage and one of a man’s personal investment in his sisters’ education. Its main objective is to analyse masculinity as a social and historical process and to understand the interaction between enduring structures of male domination and changing ways of life, values and forms of family organization. In Morocco, the desegregation of public space, increasing urbanization and progressive integration of women into the wage-labour market are among the factors which have contributed to shifts in the relationships between men and women within the family unit. The accounts featured in this article serve as starting points for assessing the tensions, limitations and daily negotiations inherent to the process of constructing masculinities and femininities, as well as for dismantling dichotomous readings of gender power relations.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2">         <b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4" face="Verdana">Escolher, cuidar e proteger: masculinidade e dinâmicas familiares em Marrocos</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">To choose, care and protect: masculinity and family dynamics in Morocco</font></b></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Raquel Carvalheira</b><sup><b>I</b></sup></p> <sup>I</sup>Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA/NOVA FCSH), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Portugal. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:raquelcarvalheira@gmail.com">raquelcarvalheira@gmail.com</a>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo discute as   relações de género em Marrocos, por via da análise de três relatos masculinos,   dois sobre o casamento e um sobre o investimento pessoal na educação das irmãs.   O principal objetivo é questionar a masculinidade como um processo social e   histórico que permite pensar a interação entre estruturas continuadas de   dominação masculina e a transformação dos modos de vida, valores e formas de   organização familiar. Em Marrocos, a dessegregação do espaço público, a   crescente urbanização e a integração progressiva da mulher no mercado de   trabalho assalariado são alguns ingredientes, entre outros, que têm contribuído   para modificar as relações entre homens e mulheres no interior da família. As   histórias apresentadas são pontos de partida para aferir as tensões, limitações   e negociações quotidianas inerentes ao processo de construção da masculinidade   e da feminilidade, e ainda para desmontar leituras dicotómicas sobre as relações de poder entre géneros.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Marrocos, relações   de género, masculinidade, família, casamento, educação</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article   discusses gender relations in Morocco through the analysis of three male   accounts: two of marriage and one of a man’s personal investment   in his sisters’ education. Its main objective is to analyse masculinity as a   social and historical process and to understand the interaction between   enduring structures of male domination and changing ways of life, values and   forms of family organization. In Morocco, the desegregation of public space,   increasing urbanization and progressive integration of women into the   wage-labour market are among the factors which have contributed to shifts in   the relationships between men and women within the family unit. The accounts   featured in this article serve as starting points for assessing the tensions,   limitations and daily negotiations inherent to the process of constructing   masculinities and femininities, as well as for dismantling dichotomous readings of gender power relations.</p>     <p><b>Keywords:</b> Morocco,   gender relations, masculinity, family, marriage, education</p> </font> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdução</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Na introdução de um   número da revista <i>Al-Raida</i> totalmente dedicado às questões da   masculinidade no Norte de África e no Médio Oriente, Aghacy (2004) menciona a   ausência de uma leitura crítica sobre o género masculino nas ciências sociais e   humanas e descreve o retrato simplista que frequentemente é produzido sobre os   homens, apresentados como figuras monolíticas que oprimem as mulheres e que   lhes negam o acesso aos seus direitos.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a> Uma parte significativa da literatura sobre   género nesta região tem focado sobretudo a construção de identidades de género   femininas num contexto de fortes desigualdades (Kapchan 1996; Macleod 1991;   Mahmood 2005; Mernissi 2011 [1985]; Newcomb 2009; Silva 1999; Žvan-Elliot 2015;   entre outros). Urge centrar a discussão na construção da masculinidade, entendendo-a como um processo histórico e social.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo tem por   objetivo oferecer alguns dados que possam enriquecer esta discussão, olhando em   particular para os relatos de três homens, dois deles em torno do casamento e   um outro sobre o investimento pessoal na educação das irmãs. Pretende-se   esboçar aqui um esquema aproximativo das perspetivas e das expectativas em   relação ao casamento e às responsabilidades familiares de uma primeira geração   de homens a viver em contexto urbano e, além disso, oriundos de famílias sem   grandes recursos económicos e capitais sociais e culturais. O material   etnográfico foi recolhido durante a pesquisa de doutoramento conduzida na   cidade de Essaouira, em Marrocos, em 2010 e 2012. Como adiante veremos, a   masculinidade em Marrocos é um processo ambíguo e cheio de contradições, na   medida em que assenta numa pressão social incutida nos homens tendo em vista o   cumprimento do dever de sustentar, cuidar e prover a família, num contexto   marcado por enormes clivagens sociais e económicas e por uma crescente   participação das mulheres no espaço público e no trabalho assalariado. Com   efeito, cada vez mais mulheres estudam e contribuem economicamente para os seus   agregados domésticos, o que tem obrigado também os homens a reposicionarem-se   socialmente face a tais transformações. Os relatos apresentados ilustram esse   reposicionamento, o qual só pode ser verdadeiramente entendido se tomarmos em   consideração dinâmicas mais estruturais, que são indispensáveis para uma análise do papel dos homens como sujeitos e agentes de mudança.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>“Raparigas da cidade e raparigas do   campo”: discursos sobre a escolha matrimonial</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Em Marrocos, assiste-se a   alterações importantes ao nível do casamento, algumas com relevância   estatística – como a redução do tamanho dos agregados domésticos e do número de   filhos, o recuo da idade do primeiro casamento e o crescimento do celibato   (Lfarakh 1998; Ajbilou s. d. [2005]) – e outras que serão talvez   impossíveis de captar sem o recurso à análise etnográfica. Um dos aspetos mais   discutidos na literatura refere-se à maior importância que tem sido atribuída à   escolha pessoal no casamento e à ideologia do amor romântico, vistas como   oferecendo um acréscimo de liberdade individual face às tradicionais obrigações   para com a família (Mernissi 2011 [1985], 2007; Newcomb 2009). Aliás, a   integração das mulheres no mercado de trabalho assalariado tem permitido que   muitos homens e mulheres se conheçam e, nesse processo, o peso da família tem   sido reconfigurado, integrando cada vez mais as escolhas pessoais.   Bennani-Chraïbi (1995) e Gandolfi (2015) demonstraram que muitos jovens   questionam os modelos hegemónicos de família, baseados na autoridade dos pais e   dos mais velhos. No entanto, apesar destas transformações, a história de Jamil   indica que alguns jovens parecem continuar a confiar a escolha de uma esposa nas mãos de outros membros da família.</p>     <p>Jamil tomava conta de uma   oficina de automóveis em Essaouira, onde eu costumava deixar o meu carro. Um   dia, visivelmente emocionado, aproximou-se do carro e contou-me que   provavelmente iria casar. Tinha vivido, até então, na garagem e conseguira   poupar algum dinheiro, o suficiente, dizia, para comprar uma casa em Essaouira   (algo que, para muitos homens, constitui um dos primeiros passos na   constituição de uma nova unidade doméstica). Tinha 24 anos e não queria   continuar a viver na oficina, precisava de uma família, dizia. Certa manhã, Jamil   correu sobressaltado para o carro e contou-me que a mãe e a irmã tinham   encontrado uma rapariga no campo, de mais a mais bonita, segundo a descrição   delas. Os pais viviam na zona rural de Essaouira, onde conheciam uma família   que tinha uma filha jovem e solteira. Perguntei-lhe porque depositava a escolha   da mulher na irmã e na mãe, ao que me respondeu que elas tinham contacto com   mulheres, coisa que ele, naquele universo masculino da garagem, não conseguia.   Além disso, conhecer diretamente uma rapariga e sair com ela não era por si só   garantia de que estaria perante uma boa esposa. A sua mãe dizia-lhe que não   deveria casar com uma rapariga da cidade porque essas mulheres aspiram a uma   maior liberdade de movimentos. Uma rapariga do campo seria preferível, pois   ainda eram educadas “dentro da família” (ou seja, não iam à escola e aprendiam   os afazeres domésticos). Para Jamil, não deveria ser ele a encontrar uma   mulher, não apenas porque a sua vivência num ambiente por definição masculino   não lho permitia, mas também porque aceitava a premissa geral de que a melhor escolha seria sempre a da sua mãe.</p>     <p>A predileção por uma   esposa oriunda de um meio descrito como tradicional evidencia uma recusa de   determinadas transformações sociais entendidas como tipicamente urbanas, como o   maior contacto entre homens e mulheres e o facto de muitas mulheres procurarem   uma maior liberdade de movimentos e autonomia pessoais. Para tal contribuíram   as rápidas mudanças sociais desencadeadas pelo êxodo rural em Marrocos,   sobretudo para as populações analfabetas e empobrecidas que se fixaram nas   cidades. As estatísticas oficiais indicam que nos anos 60 apenas 29% da   população vivia em contextos urbanos; em 2014 a percentagem era já de 59%.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a> As disparidades entre os contextos rurais e urbanos   fazem-se sentir ao nível das oportunidades de trabalho e do acesso a serviços,   meios de comunicação, cuidados de saúde e educação (Crawford 2008; Žvan-Elliot   2015), razões mais do que bastantes para que muitos jovens como Jamil tentem a sua sorte nas cidades.</p>     <p>De acordo com Aboumalek   (1994), no inquérito conduzido em Casablanca nos anos&nbsp;90 era notória uma   preferência dos citadinos oriundos de zonas rurais pelo casamento com alguém do   mesmo local de origem, uma prática comum entre as camadas mais pobres, sem   outro tipo de recursos e sem redes sociais na cidade. Dessa preferência se   deduzia que as disparidades se faziam também sentir ao nível das escolhas   matrimoniais, onde estatuto social, instrução e local de origem são fatores com   peso. As redes de proximidade, de vizinhança e de parentesco permitem fazer   face à experiência do anonimato causada pela vivência na cidade e pela   integração numa economia de mercado caracterizada pela instabilidade e pela precariedade.</p>     <p>Žvan-Elliot (2015)   considera que a sociedade rural marroquina não tem sido objeto de políticas   públicas que promovam a igualdade de género e que muitas raparigas e mulheres,   mesmo as que estudaram, não dispõem daquelas oportunidades que lhes permitiriam   enfrentar um sistema patriarcal. A marginalização e a falta de oportunidades   laborais, tanto nas zonas rurais como nas zonas urbanas, favorecem a ideia de   que as mulheres devem permanecer em casa, para não roubarem os empregos aos   homens e de modo a permitirem que estes assumam o papel socialmente esperado de   sustentáculo da família. Os resultados de um inquérito conduzido em Marrocos   exprimem esta perceção: 73% dos homens e 71% das mulheres consideram que,   quando os empregos são escassos, os homens devem ter um acesso privilegiado ao   mercado de trabalho (El Feki, Heilman e Barker 2017). Estas percentagens   indicam que, apesar de cada vez mais mulheres trabalharem como assalariadas, este tipo de atividade é entendido como uma obrigação masculina.</p>     <p>Ainda assim, muitos   rapazes e raparigas de contextos rurais tentam libertar-se de determinados   constrangimentos familiares e sociais – é essa, pelo menos, a leitura de   Crawford (2008), que realizou trabalho de campo numa aldeia das montanhas do   Atlas. Utilizando uma perspetiva longitudinal, o autor mostra como as cidades   se tornaram atrativas para os jovens, que procuram uma maior independência face   aos patriarcas das famílias e pretendem libertar-se dos trabalhos agrícolas,   pouco rentáveis do ponto de vista monetário e fisicamente muito exigentes.   Devido às condições difíceis da vida no campo, muitas famílias investem grandes   quantias de dinheiro no casamento das filhas com homens da cidade, na que é   tacitamente assumida por todos como a melhor estratégia para alcançar um maior   estatuto social, decorrente, em parte, da dedicação exclusiva à vida doméstica   (não precisando se a articular com o trabalho agrícola) e do acesso a bens de   consumo (Maher 1974; Žvan-Elliot 2015). Muitas raparigas oriundas de contextos   rurais empregam-se também nas cidades e anseiam poder ser parte ativa na condução das negociações relativas ao casamento (Crawford 2008).</p>     <p>Os interesses e   expectativas de muitas famílias no campo consistem em casar uma filha com   alguém estabelecido na cidade. Por outro lado, o sucesso económico de um rapaz e   da sua família materializa-se também na capacidade daquele para conseguir   manter uma unidade doméstica em que a mulher é doméstica e não precisa de se   submeter ao trabalho assalariado, que uma parte significativa da população, em   particular as franjas mais empobrecidas e ruralizadas, considera   desprestigiante para as mulheres, pois estimula o contacto sempre indesejado   com homens desconhecidos. A ideia generalizada de que a mulher deve assumir   maioritariamente o trabalho doméstico, nas suas múltiplas dimensões, e de que   ao homem compete trabalhar fora de casa encontra eco nos resultados do   Inquérito Nacional de Valores (Rachik <i>et</i>&nbsp;<i>al.</i> s. d.   [2005]). Em Marrocos, uma das características mais valorizadas na escolha de   uma esposa é que seja <i>hadga</i>, um termo do árabe coloquial marroquino   utilizado para descrever as mulheres que se empenham vivamente nos seus   afazeres domésticos; para a escolha do esposo ideal, o mais importante é ter um   rendimento estável. Outras características são igualmente valorizadas, mas é de   notar que muitos marroquinos e muitas marroquinas têm uma visão partilhada relativamente aos diferentes papéis de género no interior do casamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A oposição entre as   raparigas da cidade e as raparigas do campo enunciada por Jamil encontra   explicação numa ideologia que tende a reforçar as diferenças entre contextos   urbanos e rurais e que advoga que o campo conserva um estilo de vida tradicional   face à cidade, palco das modernidades menos desejadas. Muitas das discussões   que antecederam a reforma do Código de Estatuto Pessoal em Marrocos, em 2004,   um processo importante que garantiu uma maior igualdade legal entre homens e   mulheres no casamento e na vida ­familiar, tinham como alvo principal a posição   social das mulheres face às mudanças da sociedade marroquina (Ramírez   2005-2006). Alguns setores mais conservadores defendiam o mundo rural como   reduto da família tradicional, onde homens e mulheres eram complementares, e   criticavam as mulheres da classe média-alta das cidades por quererem impor   modelos de famílias importados do “Ocidente”.<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> Na construção destas narrativas intervêm também   interpretações concorrentes do Islão, sendo o crescimento de uma ideologia mais   estrita do ponto de vista das relações de género um fator não despiciendo da   análise. A oposição entre o que é tradicional e moderno (na família e nos   comportamentos de género) encontra assim eco no discurso de Jamil e nas suas expectativas   tendo em vista o casamento. A procura de uma esposa é conduzida pelas mulheres,   o que patenteia não só o papel importante destas nas escolhas matrimoniais,   como também o facto de serem elas as responsáveis pela reprodução de   determinadas conceções de género, entre as quais avultam as divisões entre raparigas da cidade e raparigas do campo.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Ideal conjugal hegemónico: expectativas   e desencontros</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Várias gerações no   período pós-independência de Marrocos têm encarado a educação escolar e   universitária como um bem universal e o motor de uma mobilidade social   ascendente (Bennani-Chraïbi 1995). Salim, de 42 anos, foi o primeiro entre os   irmãos a fazer uma licenciatura, um período da sua vida que recorda   saudosamente e que o iniciou na mobilização política, sendo ainda hoje membro   da Associação Marroquina dos Direitos Humanos (AMDH). Era um ativista que acreditava e defendia a igualdade de direitos entre   homens e mulheres. Depois de finalizar o curso, regressou a Essaouira e   experimentou algum tempo de inatividade, até que resolveu trabalhar, durante   algum tempo, como empregado em vários cafés e hotéis turísticos da cidade. Como   o pai tinha um terreno na região de Essaouira, Salim começou a trabalhar no   projeto para a construção de um parque de campismo, o que implicou a realização   de um estudo intensivo que incluiu a elaboração de plantas minuciosas da   disposição do espaço, indicações dos esgotos, das passagens de água e dos fios   elétricos, e até uma descrição pormenorizada da singularidade ecológica do espaço.   Tudo isso consumiu muito do seu tempo e dinheiro. Depois de cinco anos de   espera, a municipalidade de Essaouira recusou a Salim a licença para a   construção do parque de campismo, com base no argumento de que incidia sobre   uma zona protegida. No entanto, dizia-me, várias outras construções existem   naquela região e, por essa razão, achava que se devia à falta de <i>baqch&#299;ch </i>(o pagamento de uma quantia “extra” que   permitisse a aceitação da obra) ou de “cunhas” (recomendações de pessoas   influentes). Voltou a trabalhar como empregado em hotéis e restaurantes para   turistas e juntou assim algum dinheiro para começar um negócio próprio – um café –, de que é proprietário hoje em dia.</p>     <p>Durante as décadas de   1980 e 1990, Marrocos foi sujeito a programas de ajustamento estrutural por   parte do FMI e do Banco Mundial, que muito   contribuíram para a retração da economia marroquina e para a incapacidade do   Estado para empregar uma população recentemente educada (Vermeren 2011). A   importância da economia informal, baseada na sazonalidade e na precariedade   laboral, continua a dificultar a absorção de mão-de-obra qualificada, o que   explica o facto de o desemprego afetar sobretudo os setores mais instruídos da   população: o Inquérito Nacional sobre o Emprego conduzido pelas entidades   marroquinas indica que, em 2014, 21,1% dos desempregados tinham o nível   superior, 15,5% o nível intermédio e 4,7% não possuíam qualquer diploma. Estes   dados são ainda mais relevantes tendo em conta que, nesse mesmo ano, 45,1% da população era iletrada.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a></p>     <p>As políticas de   austeridade atingiram sobretudo uma geração que investiu na educação e uma   classe média que começava a formar-se (Cohen 2004). A Associação de Diplomados   no Desemprego de Marrocos formou-se no rescaldo destes acontecimentos e   tornou-se um dos movimentos sociais mais importantes em Marrocos (Emperador   Badimon 2009). Generalizou-se também a crítica à corrupção, existente em várias   esferas da vida social e política do país, e a perceção de que os bons empregos   eram atribuídos, não pelo mérito, mas pelas redes de relações com o poder. A   história de Salim dá conta destas transformações estruturais na economia e   sociedade marroquinas e aponta para a “crise de masculinidade” descrita por   muitos autores em ­Marrocos, como Dialmy (2009), El Feki, Heilman e Basker   (2017) e Perkins (2004). Depois de terminados os estudos, Salim queria casar-se   com uma colega da universidade; no entanto, como não tinha trabalho, o pai da   rapariga recusou. Mais tarde, e já em Essaouira, uma outra proposta acabou por   não chegar a bom porto quando Salim se recusou a fazer a festa de casamento,   possivelmente porque não tinha meios para pagar o investimento que implicava e   porque se tratava, na sua opinião, de um desperdício financeiro incomensurável.   Para a família da noiva, porém, era uma condição indispensável. Aos 42 encetou   de novo negociações para o casamento, mas a idade parecia colocá-lo agora em desvantagem.</p>     <p>A “crise de   masculinidade” é vivida por muitos daqueles que sentem dificuldades económicas   mas que querem assumir o seu papel como homens capazes de sustentar a família,   uma expectativa que continua a ser alimentada por muitos homens, mulheres e   famílias. Na década de 90, Mir-Hosseini (2000 [1993]) demonstrou que muitas das   disputas matrimoniais levadas a tribunal em Rabat e Casablanca estavam   relacionadas com o choque entre um modelo de casamento baseado na ideia do   homem como sustento da casa e o facto de muitas mulheres terem de trabalhar   para os seus agregados domésticos. Muitas famílias apenas aceitam casar as   filhas com pretendentes que apresentem trabalho fixo e estável, o que obriga   muitos homens a adiar o casamento. Nos últimos 50 anos, tanto homens como   mulheres têm vindo progressivamente a casar cada vez mais tarde: em 1960, a   idade média do casamento dos homens andava nos 24 anos e em 2014 passou para os 31 anos (Ajbilou s. d. [2005]).<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a></p>     <p>Apesar da liberdade de   movimentos e das mudanças conquistadas por muitas mulheres no espaço público, a   informalidade e a precariedade do trabalho também as afetam, daí que muitas   delas anseiem por encontrar um marido que assuma aquilo que é socialmente   esperado deles e prefiram abandonar os empregos para se dedicarem   exclusivamente à casa e aos filhos (Carvalheira 2016). Dito de outro modo, as   expectativas continuam a ser muito difíceis de cumprir em circunstâncias onde   existem poucos apoios sociais do Estado às jovens famílias (Chekroun 1996;   Daoudi 1998); por essa razão, o ideal de uma masculinidade hegemónica   (cf.&nbsp;Almeida 1995) acaba por exercer uma pressão social sobre os homens,   vítimas de uma situação que supostamente lhes dá um papel privilegiado nas tomadas de decisão.</p>     <p>Em suma, o percurso de   Salim demonstra que o projeto de ascender socialmente através da educação tende   a ser contrariado pelas próprias circunstâncias de vida em Marrocos, o que   contribui decisivamente para baixar as expectativas de muitos homens de   alcançarem a vida conjugal. Salim tinha agora orgulho no seu café, onde tentava   construir uma pequena biblioteca e lamentava o desinteresse da sua clientela   pelos livros, preferindo usar o espaço para beber cafés ou jogar cartas e   dominó. Defendia, apesar da sua própria história, a educação como um instrumento que permite às pessoas pensar e questionar a sua própria condição.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Irmãos e irmãs: investimento pessoal,   honra e educação</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Youssef, de 30 anos,   também possui um curso universitário e é desempregado. Afirma que a família se   fixou em Essaouira quando ele ainda não tinha nascido e que, desde cedo, os   rapazes faziam pequenos trabalhos fora de casa, no porto, a vender cigarros,   durante as épocas de maior afluência de turistas, para ajudar a pagar os   estudos dos irmãos e das irmãs mais novas. As raparigas ficavam habitualmente   em casa e os rapazes juntavam dinheiro para comprar o material escolar das   irmãs. Estes pequenos trabalhos eram assumidos como necessários para proteger   as irmãs das dificuldades da vida, o que desenvolveu entre os rapazes um   sentimento de proteção e cuidado. Youssef entendia que era sua obrigação cuidar   das irmãs e dar-lhes tudo aquilo de que elas precisavam. Ele tinha sido o   responsável pela educação de uma das suas irmãs mais novas, que concluiu os estudos   e se tornou professora primária em 2013, o que para ele era motivo de grande orgulho.</p>     <p>Muito embora as   expectativas educacionais tenham, em termos de emprego, sido defraudadas, a   maior parte das famílias, pelo menos em contextos urbanos, esforça-se por enviar   as filhas para a escola. Youssef reconhecia que, na sua família, a educação era   encarada como necessária, tanto para os rapazes como para as raparigas, porém,   no que tocava à liberdade de sair de casa, as coisas eram bem diferentes. Na   realidade, em Marrocos, os resultados do inquérito conduzido recentemente pelas   Nações Unidas sobre as masculinidades (El Feki, Heilman e Barker 2017) espelham   este tipo de posições: mais de três quartos dos homens entrevistados apoiam a   igualdade educacional para homens e para mulheres e quase 90% dos inquiridos do   sexo masculino referiu deter maior liberdade de movimentos do que as suas   irmãs, embora tivessem perdido parte do seu tempo de lazer, na juventude,   porque a família depositava neles a tarefa de ganhar dinheiro para a casa. O   discurso de Youssef exprimia a importância que ele dava à educação da irmã mais   nova, talvez tentando mostrar que também ele acreditava que as mulheres eram merecedoras de um projeto de vida considerado emancipatório.</p>     <p>Joseph (1999) demonstrou   que a relação entre irmãos e irmãs é a mais próxima que existe entre géneros em   contextos onde a segregação é ideologicamente relevante. As diferenças de   género estabelecem assimetrias entre pessoas – neste caso, entre homens e   mulheres –, mas são também um processo de constituição de laços de parentesco,   expressos numa linguagem de amor, cuidado e proteção. Youssef acreditava, como   muitos daqueles que foram inquiridos no estudo supracitado, que a maior   liberdade de movimentos lhe tirou tempo de lazer, mas que esse tempo foi   utilizado para investir num projeto de vida que considerava de grande valor: a   educação das irmãs. A maior honra que sentia como irmão já não era o facto de   conseguir proteger a irmã do mundo exterior, mas conseguir trabalhar para que ela pudesse estudar sem enfrentar qualquer tipo de constrangimentos económicos.</p>     <p>Žvan-Elliot (2017)   defende que a educação escolar pode não ser um projeto emancipatório para   muitas raparigas que enfrentam conceções tradicionalistas em relação ao género.   Ou seja, o casamento continua a ser visto como o evento mais importante na vida   de qualquer rapariga e a educação é encarada como um investimento para casar   melhor, com alguém de estatuto social e económico superior. Por essa razão, a   autora refere a importância de uma análise crítica relativamente aos discursos   sobre o papel da educação na emancipação das mulheres, tantas vezes mobilizados   pelas agências de desenvolvimento. É preciso não esquecer que, para muitos   marroquinos e muitas marroquinas, a educação das filhas e das irmãs é uma   questão de honra, porque não querem vê-las excluídas de fazer face a um mundo em mudança.</p>     <p>Assim, a narrativa de   Youssef permite identificar valores que noutros contextos poderiam ser   considerados contraditórios: o desejo de proteger as irmãs é baseado em   sentimentos como o cuidado, a honra e, consequentemente, a vigilância sobre a   exposição pública feminina. Por outro lado, os rapazes investem com sacrifício   pessoal na educação das irmãs, uma atividade que decorre frequentemente em   ambientes dessegregados e que lhes pode garantir uma vida melhor. Ora, como se   pode ver, existem jovens marroquinos que se posicionam favoravelmente às   mudanças sociais que afetam muitas mulheres, embora o façam dentro de um quadro   cultural e social que os impele a comportamentos de proteção da honra (das   raparigas e da família) tipicamente masculinos. A narrativa de Youssef é, por   isso, indicativa da complexidade e da dificuldade de catalogar os homens como sujeitos ativos no bloqueio das liberdades femininas.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Conclusão</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>As histórias aqui   apresentadas pretendem contribuir para uma reflexão sobre a experiência   diversificada das vivências masculinas em Marrocos. Como se pôde verificar   pelos relatos de Jamil, de Salim e de Youssef, existem valores sociais   relativamente ao que é ser homem e mulher que não são independentes de outros   fatores, nomeadamente políticos, sociais, económicos e geográficos. A história   de Jamil ilustra que as relações entre campo e cidade são indispensáveis para   compreender determinadas ideologias que configuram as escolhas matrimoniais.   Apesar da crescente importância das preferências pessoais no casamento, muitos   jovens preferem depositar a escolha do cônjuge nas mãos de outros membros da   família, o que poderá pôr em causa o pressuposto de que o casamento deveria ser   o resultado de um envolvimento íntimo e amoroso entre duas pessoas. Este tipo   de procura matrimonial afeta tanto homens como mulheres em contextos onde a   segregação continua a ser um fator estrutural de primeira magnitude. Por outro   lado, a história de Salim exemplifica os insucessos que muitos homens enfrentam   na tentativa de contraírem matrimónio. A sua história corresponde à de muitos   outros marroquinos que sofreram o desemprego depois de terem investido na   educação com a expectativa de, no futuro, conseguirem um trabalho estável e bem   pago que lhes permitisse assumir o papel socialmente esperado na família. Aos   42 anos, Salim ainda lutava para conseguir reunir as condições necessárias para   se casar. A trajetória de Youssef, por outro lado, mostra que os comportamentos   considerados tipicamente masculinos (de proteção da honra da família através da modéstia das irmãs) têm subjacente um projeto que visa a emancipação das irmãs.</p>     <p>Para concluir, resta-nos   sublinhar a necessidade de se desmontar algumas das grelhas de análise mais   comuns sobre a masculinidade em Marrocos e em muitos países muçulmanos e   perceber também que tanto a situação como a condição dos homens merecem maior   atenção quando se pretende ­compreender os direitos e liberdades pessoais.   Porém, e como se viu, esses direitos e liberdades são vividos e pensados quer   por homens quer por mulheres. Daí que os exemplos apresentados neste artigo   procurem chamar a atenção para as diferentes referências sociais e culturais   que estão em jogo na construção da masculinidade e da feminilidade, bem como descrever   conjunturas específicas de mudança onde ocorrem as negociações das relações de género.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> </font><font size="3" face="Verdana"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font><font face="Verdana" size="2">     <!-- ref --><p>ABOUMALEK, Mostafa, 1994, <i>Qui épouse qui: Le mariage en milieu urbain</i>. Casablanca, Afrique Orient.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203586&pid=S0873-6561201700030001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>AGHACY, Samira, 2004, “What about masculinity?”, <i>Al-Raida</i>,   21&nbsp;(104-105): 11, disponível em &lt; <a href="http://iwsaw.lau.edu.lb/publications/al-raida/al-raida-what-about-masculinity.php" target="_blank">http://iwsaw.lau.edu.lb/publications/al-raida/al-raida-what-about-masculinity.php</a> &gt; (última consulta em outubro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203588&pid=S0873-6561201700030001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>AJBILOU, Aziz (org.), s. d. [2005], <i>Démographie marocaine: tendances   passées et perspectives d’avenir. Rapport thématique</i>, s. l., Centre d’Etudes et des Recherches Demographiques,   dispo­nível em &lt; <a href="http://www.abhatoo.net.ma/content/download/18719/336588/version/1/file/%20D%C3%A9mographie+Marocaine+.+tendances+pass%C3%A9es+et+%20perspectives+d%E2%80%99avenir.pdf" target="_blank">http://www.abhatoo.net.ma/content/download/18719/336588/version/1/file/     D%C3%A9mographie+Marocaine+.+tendances+pass%C3%A9es+et+ perspectives+d%E2%80%99avenir.pdf</a> &gt; (última consulta em outubro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203590&pid=S0873-6561201700030001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALMEIDA, Miguel Vale de, 1995, <i>Senhores de Si: Uma   Interpretação Antropológica da Masculinidade</i>. Lisboa, Fim de Século.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203592&pid=S0873-6561201700030001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BENNANI-CHRAÏBI, Mounia, 1995, <i>Soumis et rebelles: Les Jeunes au Maroc</i>. Casablanca, Editions Le&nbsp;Fennec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203594&pid=S0873-6561201700030001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARVALHEIRA, Raquel Gil, 2015, <i>Autoridade e Autonomia:   Conjugalidade e Vidas Femininas em Essaouira, Marrocos</i>. Lisboa, Instituto   de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, tese de doutoramento em Antropologia Social e Cultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203596&pid=S0873-6561201700030001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARVALHEIRA, Raquel   Gil, 2016, “Changing family strategies in contemporary Morocco: women’s   stories, persistent ideologies and matrimonial strategies”, <i>Ethnologia Europaea</i>, 46&nbsp;(1):&nbsp;58-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203598&pid=S0873-6561201700030001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CHEKROUN, Mohamed, 1996<i>, Famille, Etat et transformations socio-culturelles   au Maroc</i>. Rabat, Editions Okad.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203600&pid=S0873-6561201700030001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COHEN, Shana,   2004, <i>Searching for a Different Future: The Rise of a Global Middle Class in Morocco</i>. Durham, Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203602&pid=S0873-6561201700030001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CRAWFORD, David,   2008, <i>Moroccan Households in the World Economy: Labour and Inequality in a     Berber Village</i>. Baton Rouge, LA, Louisiana State University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203604&pid=S0873-6561201700030001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DAOUDI, Lahcen, 1998, “La famille, ses droits, sa composition et sa structure   – appui socio-économique à la famille”, em <i>Démographie: Population et     développement au Maroc,</i> Royaume du Maroc, Centre d’Etudes et de Recherches   Démographiques, 121-129, disponível em &lt; <a href="https://www.hcp.ma/file/103148/" target="_blank">https://www.hcp.ma/file/103148/</a> &gt; (última consulta em outubro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203606&pid=S0873-6561201700030001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIALMY, Abdessalam, 2009, <i>Vers une nouvelle masculinité au Maroc</i>. Dakar, Codesria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203608&pid=S0873-6561201700030001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EL FEKI, S., B. HEILMAN, e G. BARKER (orgs.), 2017, <i>Understanding Masculinities:   Results from the International Men and Gender Equality Survey (IMAGES) – Middle East and North Africa</i>. Cairo e Washington, DC, UN Women, Promundo, disponível em &lt;&nbsp;<a href="https://imagesmena.org/en/download/" target="_blank">https://imagesmena.org/en/download/</a>&nbsp;&gt; (última consulta em outubro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203610&pid=S0873-6561201700030001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EMPERADOR BADIMON, Montserrat, 2009, “El movimiento de los diplomados en paro de   Marruecos: desafíos a la improbabilidad de una acción colectiva”, <i>Revista Internacional de Sociología</i>, 67&nbsp;(1): 29-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203612&pid=S0873-6561201700030001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GANDOLFI, Paola,   2015, “Multiple families in changing societies in the Maghreb: The case of Morocco”, <i>DIFI Family Research and Proceedings</i>, 2015:&nbsp;7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203614&pid=S0873-6561201700030001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JOSEPH, Suad,   1999, “Brother-sister relationships: connectivity, love, and power in the   reproduction of patriarchy in Lebanon”, em S.&nbsp;Joseph (org.), <i>Intimate     Selving in Arab Families: Gender, Self, and Identity</i>. 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Filadélfia, University of Pennsylvania Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203618&pid=S0873-6561201700030001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LFARAKH, Abdellatif, 1998, “La famille, ses droits, sa composition et sa   structure: Structures familiales et stratégies matrimoniales”, em <i>Démographie:     Population et développement au Maroc,</i> Royaume du Maroc, Centre d’Etudes et   de Recherches Démographiques, 107-119, disponível em &lt; <a href="https://www.hcp.ma/file/103148/" target="_blank">https://www.hcp.ma/file/103148/</a> &gt; (última consulta em outubro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203620&pid=S0873-6561201700030001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MACLEOD, Arlene   Elowe, 1991, <i>Accommodating Protest: Working Women, the New Veiling and Change in Cairo</i>. Nova Iorque, Columbia University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203622&pid=S0873-6561201700030001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAHER, Vanessa,   1974, <i>Women and Property in Morocco: Their Changing Relation to the Process     of Social Stratification in the Middle Atlas</i>. Cambridge, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203624&pid=S0873-6561201700030001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAHMOOD, Saba,   2005, <i>Politics of Piety: The Islamic Revival and the Feminist Subject</i>. Princeton, Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203626&pid=S0873-6561201700030001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MERNISSI, Fatema, 2007,   <i>L’ Amour dans les pays musulmans</i>. Casablanca, Editions Le&nbsp;­Fennec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203628&pid=S0873-6561201700030001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MERNISSI,   Fatema, 2011 [1985], <i>Beyond the Veil: Male-Female Dynamics in Muslim Society</i>. Cambridge, Saqi Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203630&pid=S0873-6561201700030001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MIR-HOSSEINI,   Ziba, 2000 [1993], <i>Marriage on Trial: Islamic Family Law in Iran and Morocco</i>. Londres, I.&nbsp;B. Tauris Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203632&pid=S0873-6561201700030001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NEWCOMB, Rachel,   2009, <i>Women of Fes: Ambiguities of Urban Life in Morocco</i>. Filadélfia, University of Pennsylvania Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203634&pid=S0873-6561201700030001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PERKINS, Elisa,   2004, “The 2004 <i>Mudawwana</i> reforms and the problem of Moroccan masculinity”, <i>Al-Raida</i>, 21&nbsp;(104-105):&nbsp;99-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203636&pid=S0873-6561201700030001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RACHIK, Hassan, <i>et&nbsp;al.</i>, s. d. [2005], <i>Rapport de   synthèse de l’enquête nationale sur les valeurs (50&nbsp;ans de développement   humain au Maroc et perspectives pour 2025)</i>, s. l., disponível em   &lt; <a href="http://www.abhatoo.net.ma/content/download/17264/306787/version/1/file/%20Rapport+de+synth&#195;&#168;se+de+l&#226;&#8364;&#8482;enqu&#195;&#170;te+nationale%20+sur+les+valeurs.pdf" target="_blank">http://www.abhatoo.net.ma/content/download/17264/306787/version/1/file/     Rapport+de+synth%C3%A8se+de+l%E2%80%99enqu%C3%AAte+nationale +sur+les+valeurs.pdf</a> &gt; (última consulta em outubro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203638&pid=S0873-6561201700030001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RAMÍREZ, Ángeles, 2005-2006, “Paradoxes et consensus: le long processus de   changement de la <i>Moudawwana</i> au Maroc”, <i>L’Année du Maghreb</i>, II,   2005-2006: 23-34, disponível em &lt; <a href="http://journals.openedition.org/anneemaghreb/76#article-76" target="_blank">http://journals.openedition.org/anneemaghreb/76#article-76</a> &gt; (última consulta em outubro de 2017).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203640&pid=S0873-6561201700030001300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, Maria Cardeira da, 1999, <i>Um Islão Prático: O   Quotidiano Feminino em Meio Popular Muçulmano</i>. Oeiras, Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203642&pid=S0873-6561201700030001300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VERMEREN, Pierre, 2011, <i>Le Maroc de Mohammed&nbsp;VI: La transition   inachevée</i>. Paris, La&nbsp;Découverte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203644&pid=S0873-6561201700030001300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ŽVAN-ELLIOT,   Katja, 2015, <i>Modernizing Patriarchy: The Politics of Women’s Rights in Morocco</i>. Austin, University of Texas Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203646&pid=S0873-6561201700030001300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ŽVAN-ELLIOT,   Katja, 2017, “(Dis)Empowering education: the case of Morocco”, <i>Urban Anthropology</i>, 44&nbsp;(1-2): 1-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=203648&pid=S0873-6561201700030001300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> </font><font size="3" face="Verdana"><b>NOTAS</b></font><font face="Verdana" size="2">     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>             Este   artigo resulta de uma investigação de doutoramento em Antropologia Social e   Cultural, especialidade em Antropologia do Género e do Parentesco, conduzida   entre 2009 e 2015 no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa,   com orientação do Prof. Dr.&nbsp;João de Pina Cabral e da Prof.ª   Dr.ª&nbsp;Maria Cardeira da Silva (Carvalheira 2015). Agradeço os comentários   ao artigo por parte do/a avaliador/a e também ao João Pedro George e à Diana Lixandru pelas sugestões de alteração ao texto.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>             Dados   do recenseamento geral de 2014, disponíveis no <i>website</i> do Haut Comissariat au Plan do Reino de Marrocos, <a href="http://www.hcp.ma/Presentation-des-premiers-resultats-du-RGPH-2014_a1605.html" target="_blank">http://www.hcp.ma/Presentation-des-premiers-resultats-du-RGPH-2014_a1605.html</a> (última consulta em outubro de 2017).</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>             Ver artigo de opinião   “Point de vue de Mahjoubi Aherdane et du dr.&nbsp;Al Khatib: notre mise au   point concernant le plan d’action”, <i>Le&nbsp;Reporter</i>, 1999.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>             Os   dados apresentados provêm de “Femmes et hommes en chiffres”, no <i>website</i> do Haut-Comissariat au Plan, disponível em <a href="http://www.hcp.ma/region-drda/attachment/657245/" target="_blank">https://www.hcp.ma/region-drda/attachment/657245/</a> (última consulta em outubro de 2017).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>             Dados   corroborados por informação do Haut-Comissariat au Plan, “Femmes et hommes en chiffres”, disponível em <a href="http://www.hcp.ma/region-drda/attachment/657245/" target="_blank">https://www.hcp.ma/region-drda/attachment/657245/</a> (última consulta em outubro de 2017).</p> </font>      ]]></body><back>
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