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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vegetais como índices de relações ameríndias]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to make explicit how the Araweté - speakers of a Tupi-Guarani language inhabiting in the Middle Xingu region of the Brazilian Amazon - conceive and access vegetable elements, with reference to relational dynamics and meaning systems involving them. To address this discussion, the planted and non-planted markers, as well as the notion of mastery, will be explored.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2">         <b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b><font size="4" face="Verdana">Vegetais como índices de   relações ameríndias</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana">Vegetables as indices of Amerindian relations</font></b></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Priscila Matta</b><sup><b>I</b></sup></p> <sup>I</sup>Centro de Estudos Ameríndios (CEstA); Universidade de São Paulo (USP), Brasil. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:matta.priscila@gmail.com">matta.priscila@gmail.com</a>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo pretende   explicitar como os araweté – falantes de uma língua tupi-guarani que habitam a   região do Médio Xingu, na Amazônia brasileira – concebem e acessam os vegetais,   tendo como referência dinâmicas relacionais e sistemas de significados que os   envolvem. Para abordar essa discussão serão privilegiados os marcadores plantado e não plantado e a noção de maestria.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> ameríndios, Amazônia, elementos vegetais, índices de relações, donos</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article   aims to make explicit how the Araweté – speakers of a Tupi-Guarani language   inhabiting in the Middle Xingu region of the Brazilian Amazon – conceive and   access vegetable elements, with reference to relational dynamics and meaning   systems involving them. To address this discussion, the planted and non-planted markers, as well as the notion of mastery, will be explored.</p>     <p><b>Keywords:</b> Amerindians, Amazon, vegetables elements, indices of relations, owners</p> </font> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <font face="Verdana" size="2">     <p>O objetivo deste artigo é   explicitar como os araweté concebem, categorizam e acessam os vegetais, tomando   como referência as relações e os sistemas de significados que os envolvem a   partir dos operadores plantado e não plantado, bem como de suas concepções de   maestria.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a> Os vegetais serão abordados a partir de contextos   relacionais e de inter-relações múltiplas que permeiam o pensamento e a vida dos araweté.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a></p>     <p>Conforme a maneira como   os araweté percebem os vegetais<sup>&nbsp;</sup><a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> e as naturezas das conexões estabelecidas,   diferentes orientações, posições e trajetórias marcam as relações que os   permeiam. Os vegetais, por sua vez, assumem significados que variam   contextualmente a depender do conjunto relacional no qual se inserem. A   proposta, aqui, é abordar algumas das múltiplas redes de relações estabelecidas   pelos araweté que têm como base os vegetais, diante das séries de encadeamentos   em que estão envolvidos e do fato de alguns vegetais serem retidos como   proeminentes a partir dos sistemas de significação locais. Os vegetais serão, portanto, concebidos como índices de relações.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os araweté, falantes de   uma língua tupi-guarani, habitam a Terra Indígena Araweté / Igarapé   Ipixuna, localizada na região do Médio Xingu, na Amazônia brasileira, uma   região de terra firme onde predomina a floresta tropical. Somam hoje cerca de   452 pessoas,<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a> distribuídas em seis aldeias ao longo da margem   direita do Médio Xingu e do igarapé Ipixuna. São exímios caçadores, coletores e   agricultores. O regime de chuvas é bem marcado pelas estações seca e chuvosa, e   esse movimento colabora para reger a dinâmica da vida social, por indicar   épocas de pesca, plantio, tipos de caça, de floração e, consequentemente, coleta, sendo também responsável pelo fluxo de água nos rios.</p>     <p>Sobre os araweté foi   escrita, na década de 1980, uma importante monografia americanista de Eduardo   Viveiros de Castro (1986), cujo propósito era a descrição e interpretação da   cosmologia deste povo a partir da noção de pessoa e de elementos da   temporalidade pautados na alteridade e no devir. Por ora, e para compor a   discussão central proposta, é importante dizer que a camada terrestre tal como   é conhecida hoje pelos araweté foi formada após uma catástrofe decorrente de   transgressões ou abusos de diversas ordens empreendidos pelos humanos. Os <i>mai</i>,<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a> na separação original, foram embora da Terra, em   direção, sobretudo, ao primeiro patamar celeste – pois há diversas camadas   celestes e uma camada subterrânea –, abandonando aqui seres e coisas. Nesse   contexto, houve a separação entre os <i>mai</i>   e os humanos, que se definem como “os abandonados, os que foram deixados para   trás” (Castro 1984:&nbsp;58). Mas o destino dos humanos é virar <i>mai</i>, tornar-se outro. Após a morte, a   pessoa se fragmenta e sua alma, uma vez na camada celeste, será morta e   devorada pelos deuses para, em seguida, ressuscitar e se tornar imortal como os   deuses – “o destino da pessoa araweté é um tornar-se outro, e isso é a pessoa –   um devir” (Castro 1986:&nbsp;22). Na camada celeste, segundo Tiñarai du, pajé   araweté, “tem roça grande que trabalha sozinha, ninguém precisa fazer nada […] Ninguém faz comida no <i>mai&nbsp;pi</i>.   Sozinho faz tudo. Lá tem mamão,   mandioca, abacaxi grande, tudo tem”.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a> O mundo celeste é um lugar de caçadas, danças e   festas; seus habitantes são esplendorosos, belos e mais perfeitos que os   humanos e estão sempre pintados de jenipapo, adornados e perfumados. Nessa   camada há superabundância, tudo é grande e permanente, não há falta de comida,   bebe-se bastante cauim, uma bebida fermentada de milho. Na camada terrestre,   conforme Tiñarai du, “<i>Mai</i> dá para a   gente de presente tudinho. <i>Mai</i> deu   tudo. <i>Mai</i> deu todas as plantas”.<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>[7]</sup></a> Além disso, aos poucos, a mata, após a sua   destruição, “veio nascendo sozinha, veio dançando. A raiz fez crescer, igual quando capina e depois começa a crescer”, contou-me Jadima ru.<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>[8]</sup></a></p>     <p>Neste artigo, então,   estamos tratando de seres cujas partes externas, segundo os araweté, são   identificadas por <i>hapa</i> (raiz dela) / <i>rapa</i> (raiz de), <i>rat&#8747;i</i> (galho de) / <i>i</i> (pau/tronco), <i>ka’ana </i>(folha) <i>/ rawe </i>(folha de) / <i>hawe </i>(folha dela), <i>poti </i>(flor),<i> ã</i> (fruto) e <i>tinã </i>(semente) e são, em geral,   relacionadas à própria planta: <i>akaju-i</i>   <i>rat&#8747;i </i>(galho de cajueiro, <i>Anacardium occidentale</i>), <i>padidi-i rawe</i> (folha de bananeira<i>, Musa spp.</i>), <i>ihipa poti</i> (flor de um tipo de cipó); <i>mumu-i poti</i> (flor-de-mamão, <i>Carica     sp.</i>) e <i>iwira ã</i> (fruto). As partes   das plantas, por sua vez, ligam-se sempre ao todo, no caso a própria espécie   vegetal, como segue: <i>iriku rai</i>   (semente de urucum, <i>Bixa orellana</i>; <i>iriku</i> = determinante e <i>rai</i> = ­determinado),<i> padidi-i rawe</i> (folha de bananeira), <i>ñapuka-i poti</i> (flor de sapucaia, <i>Lecythis pisonis</i>) e <i>itiri-i hi</i> (resina cheirosa da árvore <i>itiri-i</i><sup>&nbsp;</sup><a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><sup>[9]</sup></a>). Como abordado por Lima (2002) entre os <i>yudjá</i>, as partes do corpo são sempre referenciadas   a alguém, como, por exemplo, “o pé de alguém”. Este modo de operar indica que   “o que um corpo é, depende intrinsecamente, fundamentalmente, de uma   perspectiva” (Lima 2002:&nbsp;13). Esse princípio pode, então, ser aplicado à   forma de relacionar as partes que compõem um vegetal, bem como às relações entre vegetais e destes com outros seres.</p>     <p>Se os vegetais têm   perspectivas, veremos ao longo do texto as diferentes intensidades,   características, posições e campos de relações de que são constituídos e nos   quais estão envolvidos. Assim, se recorro à abordagem perspectivista presente   no pensamento ameríndio (Castro 1996), não é senão de forma cuidadosa, pois   embora todos os seres detenham uma perspectiva, em se tratando de vegetais, nem   todos manifestam uma prerrogativa de intencionalidade. Por isso, deve ser dada toda atenção para as matizes presentes nas interações entre vegetais e humanos.</p>     <p>Assim, antes de   avançarmos nas concepções e práticas dos araweté acerca de suas relações com os   vegetais, é importante destacar que não se trata de considerar os vegetais como   puros objetos biológicos e nem, tampouco, como preponderantemente constructos   sociais. Transitar e embaralhar esses polos, justamente para   desessencializá-los e desestabilizá-los, será, talvez, o caminho mais fértil,   dado que os entes em conexão constituem-se mutuamente (Haraway 2008). Este é, então, o ponto de partida para o que segue.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Plantado e não plantado</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Se as narrativas   ameríndias indicam que os vegetais, encontrados nas roças ou nas florestas,   foram plantados ou “deixados” por alguém na camada terrestre, conforme exemplos   araweté, wajãpi (Gallois 1988; Oliveira 2012) e achuar (Descola 1988), há   também aqueles plantados pelos homens, pelos animais ou outros seres e, ainda,   ao menos entre os araweté, aqueles que ninguém plantou. A polaridade delineada   entre o plantado e o não plantado tem como referência, além de formas de   classificações binárias (Lévi-Strauss 2005 [1962]:&nbsp;120), a condição de   agente em relação à coisa ou ao ser plantado, situação que envolve intencionalidade, cuidados e esferas de negociação.</p>     <p>Embora os operadores   plantado e não plantado possam, de imediato, ser associados à roça e à   floresta, o fato é que devem ser analisados do ponto de vista de alguém,   condição esta contextual, e não devem ser marcados apenas a partir de   plantações dos humanos. “O ponto de vista implica certa ­concepção, segundo a   qual só existe mundo para alguém […] o que existe, existe para alguém. Não há   realidade independentemente de um sujeito” (Lima 1996:&nbsp;31). Vale destacar, então, que o que existe para alguém é apenas parte do que existe para outrem.</p>     <p>Portanto, ao indicar   aquilo que é plantado e aquele que plantou, condições estas que não devem ser   percebidas como variáveis independentes ou em permanente estabilidade, mas   observadas no exercício da relação, emergem posições nas quais menos importa a   diferenciação substantiva entre os sujeitos – que não são definidos <i>a&nbsp;priori</i>, mas constituídos nos   circuitos de relações. Nesse sentido, vale a pena investir em duas questões: (a) plantado por quem?; (b) tudo é realmente plantado?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para os araweté, as   plantas cultivadas pelos humanos foram doadas a eles e aos deuses por Pïïpï, um   “ex-verdadeiro humano” e “senhor das coisas boas”, e remetem, segundo Eduardo   Viveiros de Castro, “integralmente ao domínio do humano” (1986:&nbsp;228). As   plantas cultivadas na roça, como <i>awat&#8747;i</i>   (“milho”, <i>Zea mays</i>), <i>madia</i> (“mandioca”, <i>Manihot esculenta</i>), <i>karã</i>   (“cará”<sup>&nbsp;</sup><a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><sup>[10]</sup></a><sup>&nbsp;</sup>), bem como as de quintal, como <i>iriku</i>   (“urucum”), <i>ingá</i> (<i>Inga edulis</i>), <i>nani</i> (“abacaxi”, <i>Ananas     comosus</i>) e <i>mumu</i> (“mamão”),   pertencem àqueles que as plantaram e são responsáveis por seus cuidados. As plantas doadas por Pïïpï são plantadas nas roças e nos quintais.</p>     <p>Adentrando nas florestas,   contam os araweté que o açaí e o cupuaçu foram plantados e são cuidados pelos<i> ani</i>, um tipo de gente que habita a   superfície terrestre, mora nos ocos de árvores, tem cheiro fétido e estabelece   com os humanos uma relação de agressão. Essas espécies plantadas pelos <i>ani</i> não devem ficar próximas às aldeias,   a fim de se evitar perigos aos humanos. A planta, em si, não é perigosa. É   permitido coletar os frutos sem tomar qualquer cuidado aparente, mas deve-se   evitar derrubar a árvore para o uso da madeira, por exemplo, porque o <i>ani</i> fica bravo e pode até matar aquele   que executou a derrubada. O <i>ani</i> é   dono de <i>kopi’i</i> (“cupuaçuzeiro”, <i>Theobroma grandiflorum</i>), como dizem os   araweté: “é dono do <i>kopi’i, </i>porque   foi ele quem plantou, é dele”. O mesmo entendimento vale para os açaizeiros: “<i>Ani</i> é o dono do açaí, ele planta o açaí   e por isso é o dono dele”. O distanciamento que os araweté mantêm com certas   árvores, portanto, deve ser com os<i> ani</i>,   que têm relação direta com elas, seja como morada, zeladores ou cuidadores.   Tiñarai du disse que o <i>ani </i>“está   criando muito pau, <i>iwirã</i>, <i>ja’i </i>[‘castanheira’, <i>Bertholletia excelsa</i>]. <i>Ani </i>criou o pau e criou o mato. <i>Ja’i</i>, <i>kopi’i </i>[‘cupuaçu’], <i>at!a’i </i>[‘açaí’,   <i>Euterpe oleracea</i>], cuia cria também. Cria para ficar na casa, ficar bonito”.</p>     <p>Alguns araweté, por sua   vez, afirmaram que a castanheira é plantada pela cotia: “a cotia cria castanha,   gosta de comer”. Tadi nu derrubou uma castanheira para fazer caibro da sua   casa. Em seu entendimento, a castanheira não é casa de <i>ani</i>; a cotia é a dona da castanheira, pois é a responsável por seu   plantio: “quando cotia muda, leva castanha para plantar. Não pode ficar bravo quando cotia pega castanha, porque ela pega para plantar”.</p>     <p>Em conversa com Tiñarai   du, percebe-se que há uma diferença em relação à criação das plantas cultivadas   na roça pelos humanos e aquelas criadas nas florestas. “Pïïpï deu milho,   batata, mandioca, cará, mamão, pipoca [tipo de milho], tudo. Cotia plantou <i>ja’i </i>[‘castanheira’], não foi Pïïpï.   Cotia está criando, está gostando de castanha para comer, e já que ela plantou,   a gente deixa pra ela comer. Quem é dona fica com um pedaço. Tira um pedaço   para a cotia e índio pega outro. Cotia planta <i>arahu </i>(fruta que chamam de ‘frutão’<sup>&nbsp;</sup><a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title=""><sup>[11]</sup></a><sup>&nbsp;</sup>)”. Ao ser indagado se Pïïpï deu <i>nata’i</i>   (“pé de babaçu”, <i>Attalea speciosa</i>),   Tiñarai du negou prontamente e disse que “nasceu na terra, sozinho, criado no   mato. Bacaba [<i>Oenocarpus bacaba</i>] é a cotia que planta”.</p>     <p>Há, assim, árvores e   outros vegetais encontrados no domínio das florestas que foram deixados ou   abandonados na plataforma terrestre pelos <i>mai</i>   e que pertencem a uma categoria que os araweté enfatizaram muito em campo, a   saber, aquela que abarca as coisas que “nasceram sozinhas”, “que são criadas no   mato”, “que simplesmente existem” ou “que não foram plantadas por ninguém”. Ao   buscar água com dois jovens em um igarapé usado pela família de Tatua ru, na   aldeia Ta’akati, havia uma <i>ñamo’i </i>(“sumaúma”,   <i>Ceiba pentandra</i>); indagados sobre   quem havia plantado, disseram-me que havia sido “ela mesma”. Então me mostraram   uma muda de árvore pequena indicando a forma como ela se reproduz. Se “ ‘realmente   existente’ significa uma ausência de transcendência: uma existência, por assim   dizer, bruta, pura e simples” (Castro 1986:&nbsp;228), isso não quer dizer que   esses seres não estabeleçam relações com outros, mas que, apesar de estarem   presentes em outras camadas, não vivenciam a dinâmica do devir, observação esta também válida para as plantas doadas por Pïïpï.</p>     <p>Quais seriam, então, as   características que compõem a noção de autocriação? Aqui vale recorrer ao   sistema autopoiético, utilizado por Peter Gow para analisar o parentesco piro,   e que se configura “como um sistema que gera as suas próprias condições de   existência” (Gow 1997:&nbsp;39). O parentesco piro está pautado na   transformação da consciência à medida que se expande o campo social da criança;   já os vegetais “que são criados no mato” não necessitam dos cuidados dos humanos   para desenvolver o seu modo de vida, o que não significa que sejam plenamente   autônomos e autossuficientes. Os seres que “nascem sozinhos” e “são criados no   mato”, que prescindem do protagonismo humano para o seu desenvolvimento, estão   imbricados em sistemas e relações que produzem a sua própria condição de   existência. Vale aqui pontuar que na camada terrestre, os vegetais, sejam eles   plantados por alguém ou aqueles que se “criam sozinhos”, que “simplesmente   existem”, não transcendem para a camada celeste após a morte, característica   esta constitutiva dos <i>bïde</i>, noção que indica “ ‘ser humano’, ‘gente’ ” (Castro 1986: 207).</p>     <p>Os araweté usam o termo <i>iti mire</i> (<i>iti</i> – plantar&nbsp;/ <i>mire –</i>   nominalizar passivo) para coisas plantadas pelos humanos, como o ingá, nos   quintais, <i>awat&#8747;i</i> (“milho”) e <i>madia </i>(“mandioca”), e o termo <i>iti miri in</i> para coisas não plantadas   pelos humanos, como <i>ja’i </i>(“castanheira”),   ou aquelas que “simplesmente foram deixadas”, como <i>nata’i </i>(“pé de babaçu”). Esses termos e seus respectivos usos   reforçam a constatação da polaridade entre aquilo que foi “plantado pelos   humanos” e o que foi plantado pelos outros, ou “aquilo que foi deixado”, que   “simplesmente existe” e “que se cria sozinho” no que se refere aos vegetais. É   importante, ainda, destacar que o que é plantado pelos outros também pode estar   na categoria das espécies “deixadas ou abandonadas (na Terra) pelos deuses,   quando subiram com o firmamento” (Castro 1986:&nbsp;229), como é o caso da castanheira.</p>     <p>Como fundamento dessa   relação estão as noções de criação e de cuidado. Em princípio, entre os araweté   há duas categorias de criação: autocriação, quando os vegetais se   autorreproduzem e não são plantados por alguém, e a criação por outrem, no caso   de serem plantados por alguém. Em ambas as situações, a reprodução do próprio ser – tanto de suas partes quanto do todo – gera seus múltiplos.</p>     <p>A noção de criação é   fundamental no processo de reprodução dos vegetais no sentido de proporcionar   condições para o seu desenvolvimento. Plantas e humanos criam-se e são criados   mutuamente. Os modos como se relacionam transformam não apenas as condições   materiais, mas a si mesmos e àqueles que fazem parte de suas redes de   relacionamentos. Ingold (2000:&nbsp;77-88) discute a antinomia entre fazer e   crescer, segundo a qual fazer remete à representação da impressão da ordem   social sobre o substrato material, e crescer, noção da qual é partidário e que   se aplica aos cuidados com os filhos e cultivo de plantas, ao entendimento de   que os seres humanos contribuem com as condições para o crescimento destes   seres e que essa não é uma relação unilateral. Este entendimento pode ser   expandido para o modo como os araweté expressam o crescimento dos vegetais,   tendo em vista que, certo dia, Iwadma apontou, atrás da casa de Tatua ru, ramos   de cará (<i>kara</i>) em crescimento. <i>Kara </i>são plantas trepadeiras que crescem   rasteiras sobre o solo. Ao mostrar a ramificação do <i>kara </i>usou o termo <i>ta’i </i>(<i>kara ta’i</i>) para os ramos em crescimento   e <i>i</i>-<i>muhi </i>(criação dele, no caso, Tatua ru) para a dinâmica de   crescimento. A associação entre reprodução dos vegetais e uma certa forma de   cuidar pode ser reforçada pela observação de que entre os araweté “a criação é   uma ‘posição de ser’; ela se distingue da ‘fabricação’ (<i>moni </i>ou <i>apa</i>), ato   concebido como uma elaboração demorada de uma matéria-prima” (Castro 1986:&nbsp;223).</p>     <p>Uma atividade, em   princípio, tão marcada pela condição humana coloca aparentemente em um mesmo   plano predadores e presas (araweté e cotia) e inimigos (araweté e <i>ani</i>), situação que pode aproximar esses   seres pela ação de plantar / criar / cuidar e pela   posição de agentes, mas que não elimina as diferenças marcadas pela intensidade   e intencionalidade da ação e pela forma de consumo dos alimentos. Se, para os   humanos, aquilo que é plantado e intensivamente cuidado é pilado, assado,   fermentado ou cozido, para a cotia, por exemplo, aquilo que é plantado não é   necessariamente cuidado nem deve ser preparado para ser consumido; tal condição, se não exclui essa possibilidade, não a torna imprescindível.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A prática agrícola também   instaura a presença do agente no domínio plantado. As plantações “fazem   perceber”, evidenciam seu plantador e atraem os seres que possuem qualquer tipo   de relação com determinado vegetal, como aqueles que dele se alimentam. Neste   sentido, o tipo de relação e a forma de interação de diferentes seres e   domínios, tendo como referência os elementos vegetais, organizam e evidenciam posições reais e potenciais em jogo, mas não as cristalizam.</p>     <p>Os marcadores plantado e   não plantado são, então, menos vinculados à distinção entre domínios de roças e   florestas e mais a características e posições que indicam dinâmicas relacionais   informadas por esquemas de significação e ação que são fundamentais na forma de conceber e categorizar os vegetais pelos ameríndios.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Nem tudo tem dono</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Um outro aspecto   importante que compõe os modos ameríndios de conceber e acessar os vegetais é a   relação de maestria, noção-chave nas cosmologias ameríndias, mas que para os   araweté não permeia tão intensamente as relações vigentes e os diversos   domínios do cosmos, como parece ocorrer em outros contextos etnográficos, por   exemplo entre os wajãpi (Gallois 1988) e os kalapalo (Guerreiro Júnior   2012:&nbsp;229), uma vez que consideram que parte dos seres não são plantados por alguém e que os domínios do cosmos parecem não possuir donos.</p>     <p>Em princípio, a relação   de maestria “designa uma posição que envolve controle e/ou proteção,   engendramento e/ou posse, e que se aplica a relações entre pessoas (humanas ou   não humanas) e entre pessoas e coisas (tangíveis ou intangíveis)” (Fausto   2008:&nbsp;330). No entanto, se esta noção está presente em boa parte das   relações estabelecidas entre os ameríndios, ela assume nuances e contornos   específicos em decorrência do contexto etnográfico (Fausto 2008; Brightman,   Fausto e Grotti 2016). Embora esteja pautada por relações assimétricas, como   evidenciado entre os awá (Garcia 2010), ela assume significados diversos e está   balizada pelo contexto relacional. Foi então ­abordada, em grande medida, como   uma forma de familiarização, domesticação e controle (Fausto 2008), mas também   como um processo, quando a propriedade é tratada a partir de relações   transitórias associadas à transformação dos espaços (Viegas 2016), ou como   relações de criação (Maizza 2014; Garcia 2015). Nesta brevíssima digressão, o   intuito foi apontar algumas abordagens para pontuar melhor o tema de maestria entre os araweté, ao colocar em foco as relações entre pessoas e vegetais.</p>     <p>Entre os araweté, como   apontado por Viveiros de Castro, a noção de ñã “conota ideias como a de   liderança, controle, representação, responsabilidade, propriedade de algum   recurso ou domínio. O ñã é sempre um ser humano ou antropomorfo. Mas ainda há   outras ideias envolvidas. O ñã de algo é alguém que tem esse algo em <i>abundância</i>. E, sobretudo, o ñã é alguém   que é <i>definido</i> pelo algo de que é o senhor” (Castro 1986:&nbsp;233, grifos no original).</p>     <p>Para os araweté, os   animais criados por alguém, as plantas na roça, os pertences das pessoas nas   aldeias possuem seus donos que são aqueles que os criaram, fabricaram e/ou   adquiriram.<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title=""><sup>[12]</sup></a> Por sua vez, a reprodução e os cuidados com os vegetais   encontrados nas florestas ocorrem, em grande medida, pela criação por animais, pelos <i>ani</i>, ou pela autocriação.</p>     <p>As plantas cultivadas na   roça estão sob o domínio daqueles que despendem cuidados recorrentes para o seu   fortalecimento e crescimento, sendo os humanos destacados nessa posição.<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title=""><sup>[13]</sup></a> Tal situação conota uma relação de reciprocidade   que faz com que as partes inculquem e incorporem afeições e habilidades mútuas,   conforme demonstrou Santos-Granero (2016) ao abordar uma espécie de agência   produtiva.<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title=""><sup>[14]</sup></a> O fato de transferir algo de si ao cuidar do   outro gera uma espécie de direito de usufruto, como pode ser observado com as plantas cultivadas na roça.</p>     <p>Os vegetais plantados   pelos araweté pertencem aos responsáveis pelo seu plantio e cuidados contínuos.   Madai ru, então, é dono do <i>mumu’i</i>   (“mamoeiro”) que plantou em seu quintal. Espécies vegetais consumidas pelos   araweté, como açaí, bacaba e castanha, situadas ao longo de caminhos abertos   nas florestas e mantidos pelos pais de família, pertencem àqueles que tiveram o   trabalho de abrir os caminhos, embora não tenham sido plantadas por eles. Nesse   caso, seus frutos não devem ser coletados por outras famílias, pois essa   relação está intimamente ligada à manutenção e limpeza constantes dos caminhos   na mata. No caso de a família mudar de aldeia, ela não mais circulará nem,   tampouco, fará a manutenção daquele caminho. Desta forma, deixará de deter o   direito de usufruto sobre certas árvores frutíferas, o que demonstra não se   tratar de um direito absoluto sobre árvores específicas, mas de uma convenção   tácita que permeia a dinâmica entre os donos de caminhos e as árvores neles   encontradas. Essa dinâmica demonstra uma relação de maestria como um processo   que pode ser temporário e que se liga à criação de lugares, a exemplo do que   ocorre com os tupinambá quando estabelecem uma relação transitória com as roças   e as plantas de quintal, como constata Viegas (2016). Em ambas as situações, a   relação de maestria está permeada pelo cuidado, esforço e dedicação tão   necessários ao desenvolvimento das plantas com vistas a torná-las, dentre   outras coisas, comestíveis pelos humanos. Vale ressaltar que eu não observei o   emprego do termo ñã (“dono”) para qualificar essas relações, o qual, inclusive, é raramente empregado pelos araweté.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por sua vez, o<i> at&#8747;a’i</i> (“pé de açaí”), bem como o   <i>kopi’i</i> (“pé de cupuaçu”) encontrados   nas florestas pertencem aos <i>ani</i>, como   dito anteriormente, seja porque estes últimos foram responsáveis pelo seu   plantio, seja porque são a sua morada. Os araweté também concebem que essas   espécies “se criam sozinhas”. Assim, considero pertinente para a relação de   maestria entre os <i>ani</i> e essas   espécies vegetais a abordagem assumida no caso aweti para a noção de <i>itat</i> (“dono”), que “não precisa ser   associada a relações de cuidado, domínio ou posse, mas simplesmente à <i>marcação de intensidade na relação entre um     sujeito e um objeto, em comparação a outros sujeitos</i>” (Figueiredo   2010:&nbsp;221, grifos no original). Ser dono não denota controle do bem; neste   caso, a maestria “constitui um sujeito através do olhar do outro” (Figueiredo   2010:&nbsp;222). A presença de <i>kopi’i</i>   (“pé de cupuaçu”) e de <i>at&#8747;a’i </i>(“pé   de açaí”) marca a posição dos <i>ani</i> e   impõe aos araweté um modo de se relacionar com essas espécies vegetais. Por   outro lado, como mencionado anteriormente, quando o <i>at&#8747;a’i </i>situa-se no caminho de alguma família araweté, esta   acaba por possuir o direito de usufruir de seus frutos. Dessa forma, ora a   relação mais evidente com o <i>at&#8747;a’i</i>   é estabelecida como de pertencimento aos donos de caminhos na mata, ora aos <i>ani</i>, o que evidencia que não são   relações fixas, mas balizadas por perspectivas calcadas em um contexto   relacional, situacional e marcado por relações assimétricas.<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title=""><sup>[15]</sup></a> A coleta dos frutos dessas árvores por pessoas   aleatórias, sem a devida permissão, não acarreta consequências fatais. Já na   relação ­estabelecida diretamente com os <i>ani</i>,   o não cumprimento das regras tácitas relativas ao modo de se relacionarem gera atos de vingança que podem resultar em morte.</p>     <p>Animais também   estabelecem uma relação de maestria com certos vegetais, como observado no   plantio de castanheiras (<i>ja’i</i>) pelas   cotias. Embora a cotia seja considerada dona das castanheiras, o fato de   plantá-las não restringe o consumo de castanhas pelos araweté. A cotia, por sua   vez, não estabelece uma relação direta e contínua com as espécies plantadas, como ocorre com as plantas cultivadas na roça.</p>     <p><i>Juara’i</i><sup>&nbsp;<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title=""><sup>[16]</sup></a></sup> é outra espécie vegetal encontrada nas florestas   que explicitamente possui um dono (ñã) que é o “Senhor do tucum”, o “<i>Yuar<u>a</u>’i ñã</i>. Esse espírito treme e cheira mal. Ele também   causa tremores e convulsões em recém-nascidos. É permitido derrubar esta   palmeira, mas não se pode comer seu fruto, pois o seu consumo leva a um estado   de ‘loucura’, <i>hadi</i>. As mulheres   grávidas não devem ter relações sexuais perto de um pé de tucum, pois os seus   filhos sofrerão de convulsões (<i>had<u>i</u></i>)” (Castro 1986: 244). No   caso de ingestão dos frutos, os homens sofrerão de infortúnios, mal-estar e   perda de consciência gerada pelo estado de loucura ao entrarem em contato   direto com o<i> “</i>Senhor do tucum” que é   o seu dono. Verifica-se, assim, que em algumas situações as espécies que têm   donos são perigosas, mas os perigos advindos delas ligam-se mais ao modo de se relacionar com essas espécies e ao cumprimento de certas regras de etiqueta.</p>     <p>Sobre a <i>iwiriti </i>(“mata-mata”<sup>&nbsp;</sup><a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title=""><sup>[17]</sup></a><sup>&nbsp;</sup>), Kuruama ru disse-me que “não tem dono, nasceu sozinha, ninguém mora   nela”. Este modo de enunciar vincula, de forma recorrente, espécies vegetais   encontradas nas florestas. Em outras palavras, não é estabelecida necessariamente   uma relação de maestria com árvores que consideram que se reproduzem e crescem   sozinhas. Entre os araweté, as árvores encontradas nas florestas enquadram-se,   em geral, na categoria de seres que nascem e crescem sozinhos como as espécies   vegetais indicadas a seguir: <i>muru’i</i>,<i> taraikã’i</i>, <i>ñamu’i</i> (“sumaúma”), <i>akao</i>   (“cacau”, <i>Theobroma cacao</i>), <i>at&#8747;a’i oho </i>(bacaba)<i>, ja’i</i> – castanheira (que em muitos   relatos é plantada pela cotia)<i>, itiri’i</i>   – árvore que produz resina cheirosa – e diversas outras espécies. “<i>Iwira</i> [árvore] não tem dono. Ela mesma   criou, igual ao mato, fica criando sozinha, ninguém plantou”, assim me disse um   araweté, fazendo eco a seus parentes sobre boa parte das árvores encontradas   nas florestas. Dito isso, se nem tudo é plantado por alguém, nem tudo possui rigorosamente um dono.</p>     <p>A noção de maestria opera   por esquemas relacionais em diferentes escalas e atua como um balizador   cosmológico e constituinte da socialidade entre os tipos de seres que povoam os   mundos (Fausto 2008), mas, como vimos em diversos contextos etnográficos, há   variações de grau, escopo e, em certa medida, do tipo de relação em questão.   Esses gradientes marcam diferenças relacionais e atuam menos como operador   regulador e mais como balizador das relações, no caso, entre os vegetais e os seres do cosmos.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Vegetais para além de corpos</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Os vegetais, portanto,   engendram multiplicidades para além de suas substâncias e corpos. Se elementos   vegetais são comestíveis, como derivados de mandioca e frutos, por exemplo, são   também usados para constituir corpos, para curar doenças, envenenar, entre   outras coisas, abarcando, sobretudo, diversas conexões e dimensões relacionais.   Para além da dinâmica entre presa e predador, calcada em uma agencialidade   aparente, os vegetais participam de maneiras diversas de cadeias relacionais.   Ao assumirem posições nos contextos relacionais, inculcam a capacidade de   significar inclusive com a prerrogativa e o potencial de abarcar outras   dimensões e, por isso, são aqui considerados como índices de relações cuja diretriz orienta-se para proporcionar o manejo adequado das relações.</p>     <p>Assim, a variedade de referenciais   que compõem as categorias e designam as relações que envolvem humanos e   vegetais evidencia, mais uma vez, que múltiplos operadores são utilizados para   compor tanto as formas classificatórias como os mecanismos de ação e que diversas interconexões estão em jogo nesse processo.</p>     <p>&nbsp;</p> </font><font size="3" face="Verdana"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font><font face="Verdana" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BRIGHTMAN,   Marc, Carlos FAUSTO, e Vanessa GROTTI (orgs.), 2016, <i>Ownership and Nurture: Studies in Native Amazonian Property Relations</i>. Nova Iorque, Berghahn Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204143&pid=S0873-6561201700030001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTRO, Eduardo   Viveiros de, 1984, “Os deuses canibais: a morte e o destino da alma entre os   araweté”, <i>Revista de Antropologia</i>, 27-28: 55-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204145&pid=S0873-6561201700030001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTRO, Eduardo   Viveiros de, 1986,<i> Araweté: Os Deuses Canibais</i>. Rio de Janeiro, Jorge Zahar / Anpocs.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204147&pid=S0873-6561201700030001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTRO, Eduardo Viveiros de, 1996, “Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio”, <i>Mana</i>, 2&nbsp;(2): 115-144.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204149&pid=S0873-6561201700030001700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DESCOLA,   Philippe, 1988, <i>La Selva Culta:     Simbolismo y Praxis en la Ecología de los Andes</i>. Lima e Quito, Ediciones Abya-Yala e Instituto Francés de Estudios Andinos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204151&pid=S0873-6561201700030001700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FAUSTO, Carlos, 2008, “Donos demais: maestria e domínio na Amazônia”, <i>Mana</i>, 14&nbsp;(2): 329-366.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204153&pid=S0873-6561201700030001700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FIGUEIREDO, Marina   Vanzolini, 2010, <i>A Flecha do Ciúme: O     Parentesco e Seu Avesso Segundo os Aweti do Alto Xingu</i>. Rio de Janeiro,   Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204155&pid=S0873-6561201700030001700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GALLOIS, Dominique   Tilkin, 1988, <i>O Movimento na Cosmologia     Waiapi: Criação, Expansão e Transformação do Universo</i>. São Paulo, Universidade de São Paulo, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204157&pid=S0873-6561201700030001700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GARCIA, Uirá Felippe,   2010, <i>Karawara: A Caça e o Mundo dos Awá-Guajá</i>. São Paulo, Universidade de São Paulo, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204159&pid=S0873-6561201700030001700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GARCIA, Uirá Felippe, 2015, “Sobre o poder da criação: parentesco e outras relações awá-guajá”, <i>Mana</i>, 21&nbsp;(1): 91-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204161&pid=S0873-6561201700030001700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GOW, Peter, 1997, “O parentesco como consciência humana: o caso dos piro”, <i>Mana</i>, 3&nbsp;(2):&nbsp;39-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204163&pid=S0873-6561201700030001700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUERREIRO JÚNIOR,   Antonio Roberto, 2012, <i>Ancestrais e Suas     Sombras: Uma Etnografia da Chefia Kalapalo e Seu Ritual Mortuário</i>. Brasília, Universidade de Brasília, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204165&pid=S0873-6561201700030001700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HARAWAY, Donna, 2008,   <i>When Species Meet</i>. Minneapolis, University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204167&pid=S0873-6561201700030001700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>INGOLD,   Tim, 2000, <i>The Perception of the Environment: Essays in Livelihood, Dwelling and Skill. </i>Londres, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204169&pid=S0873-6561201700030001700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LÉVI-STRAUSS, Claude,   2005 [1962], <i>O Pensamento Selvagem</i>. Campinas, Papirus (5.ª&nbsp;edição).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204171&pid=S0873-6561201700030001700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>LIMA, Tânia Stolze,   1996, “O dois e seu múltiplo: reflexões sobre o perspectivismo em uma   cosmologia tupi”, <i>Mana</i>, 2&nbsp;(2): 21-47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204173&pid=S0873-6561201700030001700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LIMA, Tânia Stolze,   2002, “O que é um corpo?”, <i>Religião e Sociedade</i>, 22&nbsp;(1): 9-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204175&pid=S0873-6561201700030001700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAIZZA, Fabiana, 2014, “Sobre as crianças-planta: o cuidar e o seduzir no parentesco Jarawara”, <i>Mana</i>,&nbsp;20&nbsp;(3): 491-518.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204177&pid=S0873-6561201700030001700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATTA, Priscila,   2016, <i>Modos Ameríndios de Conhecer as     Florestas: Produção de Relações e Percepções</i>. São Paulo, Universidade de São Paulo, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204179&pid=S0873-6561201700030001700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OLIVEIRA, Joana   Cabral de, 2012,<i> Entre Plantas e     Palavras: Modos de Constituição de Saberes entre os Wajãpi (AP)</i>. São Paulo, Universidade de São Paulo, tese de doutorado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204181&pid=S0873-6561201700030001700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SANTOS-GRANERO,   Fernando, 2016, “Masters, slaves and real people: Native under­standings of   ownership and humanness in tropical American capturing societies”, em   M.&nbsp;Brightman, C.&nbsp;Fausto e V.&nbsp;Grotti (orgs.), <i>Ownership and Nurture: Studies in Native Amazonian Property Relations</i>. Nova Iorque, Berghahn Books, 36-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204183&pid=S0873-6561201700030001700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VIEGAS,   Susana de Matos, 2016, “Temporalities of ownership: land possession and its   transformations among the Tupinambá (Bahia, Brazil)”, em M.&nbsp;Brightman,   C.&nbsp;Fausto e V.&nbsp;Grotti (orgs.), <i>Ownership and Nurture: Studies in Native Amazonian Property Relations</i>. Nova Iorque, Berghahn Books, 232-256.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=204185&pid=S0873-6561201700030001700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> </font><font size="3" face="Verdana"><b>NOTAS</b></font><font face="Verdana" size="2">     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">[1]</a>             Este   artigo é uma versão revisada de parte da minha tese de doutorado em   Antropologia Social, desenvolvida entre 2010 e 2015 na Universidade de São   Paulo, Brasil (Matta 2016). Para a elaboração deste trabalho realizei pesquisa   de campo entre os araweté durante alguns meses dos anos de 2012 e 2014 com   apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), através   da pesquisa temática “Redes ameríndias: geração e transformação nas terras   baixas sul-americanas”, sob coordenação da Prof.ª Dr.ª Dominique Tilkin   Gallois, e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade   de São Paulo (USP). Aproveito também para agradecer a Ana Yano pela leitura e comentários ao texto.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">[2]</a>             A   compreensão semântica do termo vegetal será tecida pela composição, como   veremos ao longo deste trabalho, entre diversas conexões estabelecidas, cujas   possibilidades de arranjos mantêm-se abertas diante da diversidade e natureza das relações que constituem esse entendimento.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">[3]</a>             Focar   a discussão na relação entre humanos e vegetais não significa, de forma alguma,   negligenciar ou excluir as demais relações e seres coexistentes, mas tão somente ressaltar essa conexão para apreendê-la em primeira instância.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">[4]</a>             Dado   relativo ao ano de 2013, obtido no <i>site</i>   do SIASI / Sesai (Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena / Secretaria Especial da Saúde Indígena).</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">[5]</a>             <i>Mai</i> são humanos que se transformam em   deuses após a morte, são seres belos, fortes e imortais que se foram da Terra   na separação original, apresentam potência xamânica e sexualidade exacerbadas (Castro 1986:&nbsp;212).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">[6]</a>             <i>Mai pi</i> é o lugar dos deuses, a primeira   camada celeste; é o céu visível para quem está na camada terrestre.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">[7]</a>             Esclareço   que o termo “plantas”, nesse contexto, abarca tanto plantas cultivadas por alguém quanto plantas que “crescem sozinhas”.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">[8]</a>             Jadima   ru é também um ancião araweté, irmão de Tatua ru, que reside na aldeia   Djuruanti. Este relato foi feito em outubro de 2012, quando passei cerca de um   mês nessa aldeia araweté. Jadima ru disse que seu avô contava essa história para que ele sempre se lembrasse dela.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">[9]</a>             Árvore   não identificada.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">[10]</a>           Planta   não identificada.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">[11]</a>           Árvore   não identificada.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">[12]</a>           Animais   criados, diferentemente das plantas da roça, não são comidos pelos araweté.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">[13]</a>           Esta   afirmação não exclui o entendimento de que as plantas estão inseridas em   sistemas interdependentes que contribuem para o seu crescimento e   desenvolvimento. No entanto, tal abordagem ecológica não foi o foco do presente estudo, que coloca em primeiro plano as relações entre humanos e vegetais.</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">[14]</a>           Santos-Granero (2016)   trabalha a noção de agência produtiva a partir de reflexões sobre formas   indígenas de escravidão que transformam o cativo de guerra em propriedade por   aquilo que denomina como ato criativo. A agência produtiva pode assumir   diversas formas e está relacionada à produção social de corpos. Nesse sentido,   o autor sugere que diferentes noções de posse podem coexistir em uma mesma sociedade, não sendo a relação entre possuidor e possuído fixa, mas relacional.</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">[15]</a>           Em uma coleta de   jaboti, ao avistar a <i>murerawi</i> (árvore sem identificação) – fruta que jaboti come –, disseram-me que   essa árvore “se criou no mato” e que jaboti era seu dono por estar comendo o   fruto. Não consideram, no entanto, o jaboti como dono dessa árvore independentemente   da situação, mas apenas quando consome seu fruto, que no caso é uma referência   à alimentação deste réptil, fato que gera uma relação de associação e proximidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">[16]</a>           Palmeira não   identificada.</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">[17]</a>           Árvore não   identificada.</p> </font>      ]]></body><back>
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