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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A crise financeira sem mistérios: Convergência dos dramas econômicos, sociais e ambientais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The workings of the 2008 financial crisis are not very misterious. A mixture of greed, a good dose of outright fraud, and blatantly absent or corrupt regulation. The paper starts presenting the mechanisms of the financial machine, including the institutions supposed to regulate it. It then concentrates on the impacts - who pays for what - and presents the results in terms of income concentration, followed by a few pages on the specific situation of the Brazilian financial intermediation system. The last part of the paper presents two groups of responses: on one hand, the ideas concerning the improvement of the regulatory framework, emitted by analysts or institutions interested in maintaining the system while making it more efficient; on the other hand, the views of those who consider that the present crisis is an opportunity to restructure the system, showing that the crisis of the financial system is in fact a part of the larger picture, that involves the social and environmental dramas.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Globalização]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A crise financeira sem mistérios. Convergência dos dramas econômicos, sociais    e ambientais</b></p>     <p><b>Ladislau Dowbor<a href="#1">*</a> <a name="top1"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b> O presente artigo visa apresentar os principais encadeamentos    da crise financeira. Partindo dos mecanismos imediatos que a desencadearam,    analisa em seguida a deterioração dos mecanismos e das instituições de regulação    e o papel-chave que os EUA desempenham. Na linha da avaliação dos impactos,    busca delinear quem deverá em última instância pagar pela bancarrota do cassino,    analisando como a especulação financeira contribui para a concentração de renda,    e como os mecanismos se dão de maneira diferenciada no Brasil. Na parte final,    o artigo apresenta dois grupos de propostas; dos que querem manter o sistema,    mas melhorar a sua regulação, e dos que vêem a crise como oportunidade para    se colocar de maneira mais ampla os problemas da alocação racional de recursos    em função dos dramas sociais e ambientais: é a crise no seu contexto mais amplo,    na sua dimensão de oportunidade de resgate do desenvolvimento sustentável. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Globalização, Crise Financeira, Especulação, Regulação</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>TITLE:</b> The Financial Crisis without Mysteries: bridging the economic, social and environmental issues</p>     <p><b>ABSTRACT:</b> The workings of the 2008 financial crisis are not very misterious.    A mixture of greed, a good dose of outright fraud, and blatantly absent or corrupt    regulation. The paper starts presenting the mechanisms of the financial machine,    including the institutions supposed to regulate it. It then concentrates on    the impacts – who pays for what – and presents the results in terms of income    concentration, followed by a few pages on the specific situation of the Brazilian    financial intermediation system. The last part of the paper presents two groups    of responses: on one hand, the ideas concerning the improvement of the regulatory    framework, emitted by analysts or institutions interested in maintaining the    system while making it more efficient; on the other hand, the views of those    who consider that the present crisis is an opportunity to restructure the system,    showing that the crisis of the financial system is in fact a part of the larger    picture, that involves the social and environmental dramas. </p>     <p><b>Keywords:</b> Globalization, Financial Crisis, Speculation, Regulation</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Texto completo dispon&iacute;vel apenas em PDF.</p>     <p>Full text only available in PDF format.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>1. &laquo;A sedu&ccedil;&atilde;o do jogo envolveu at&eacute; gerentes de empresas    industriais, como os da Sadia, que perdeu R$670 milh&otilde;es apostando em    derivativos, e a Aracruz, que perdeu R$1,85 bilh&atilde;o&raquo; (Bernardo Kucinski,    2008, <em>Revista do Brasil</em>, Novembro, p. 18). A Sadia demitiu 350 funcion&aacute;rios,    em Janeiro de 2009, como se fossem os respons&aacute;veis. </p>     <p>2. A Lehman, por exemplo, com alavancagem de 31 em 2007, entrou numa corrida    para reduzi-la e tentar evitar a quebra que acabou ocorrendo (<i>Business Week</i>,    28 de Julho, 2008). A revista explica um mecanismo simples: se a institui&ccedil;&atilde;o    emprestou 150 bilh&otilde;es sobre um capital de 10 bilh&otilde;es, portanto    com uma alavancagem de 15, uma redu&ccedil;&atilde;o de 3 bilh&otilde;es de    capital pr&oacute;prio a obrigaria a reduzir a sua exposi&ccedil;&atilde;o em    45 bilh&otilde;es (3 bilh&otilde;es x 15) para manter a mesma alavancagem. Haja    &laquo;liquidez&raquo;. No momento da quebra, a Lehman tinha bilh&otilde;es    em cerca de um milh&atilde;o de acordos de &laquo;derivativos&raquo; com cerca    de 8 mil empresas, deixando os novos administradores bastante desorientados    (<i>Business Week</i>, 20 de Outubro, 2008). </p>     <p>3. RAJAN, Raghuram (diretor do departamento de pesquisa do FMI) (2005), &laquo;Risky    Business&raquo;, <i>Finance and Development</i>, IMF, Setembro: &laquo;While    it is hard to be categorical about anything as complex as the modern financial    system, it&#8217;s possible that these developments are creating more financial-sector    induced procyclicality than in the past. They may also create a greater (albeit    still small) probability of a catastrophic meltdown&raquo; (p. 54). </p>     <p>4. DODD, Randall (2007), &laquo;Sub-prime: Tentacles of a Crisis&raquo;, IMF,    <i>Finance and Development</i>, Dezembro, p. 15. O autor do artigo &eacute;    Senior Financial Expert in the IMF Monetary and Capital Markets Department.</p>     <p> 5. <i>New Scientist</i>, 25 de Outubro de 2008, p. 9. </p>     <p>6. &laquo;Credit-rating agencies: Special Report&raquo;, <i>The Economist</i>,    28 de Mar&ccedil;o de 2005, p. 67. A &uacute;ltima cita&ccedil;&atilde;o &eacute;    de Glenn Reynolds, de uma firma independente de pesquisa de cr&eacute;dito,    no mesmo artigo. O <i>The Economist</i> de 15 de Novembro de 2008 refere-se    ao &laquo;oligop&oacute;lio criado&raquo; e ao &laquo;central conflict bedevilling    the industry: although ratings are relied on by investors and regulators as    impartial measures, the rating agencies are paid by those they rate for their    judgments. With their marks of approval stamped all over the most toxic assets    poisoning the financial system, they were quickly blamed for helping cause the    credit crunch&raquo; (p. 91). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>7. Paul de Grauwe (2008) explica: &laquo;We learned from the Great Depression    that in order to avoid such crises we have to limit risk taking by bankers.    We unlearned this lesson during the 1980s and 1990s when the banking sector    was progressively deregulated, thus giving banks opportunities to seek high    risk investments. The culmination of this deregulatory movement was the repeal    of the Glass-steagall Act in 1999 under the Clinton Administration. This ended    the separation of the commercial and investment banking activities in the US    &#8211; a separation that had been in place since the 1930s banking collapse.    Repeal of the Glass-Steagall Act opened the gates for US banks to take on the    full panoply of risky assets (securities, derivatives and structured products)    either directly on their balance sheets or indirectly through off-balance sheet    conduits. Similar processes of deregulation occurred elsewhere, in particular    in Europe, blurring the distinction between investment and commercial banks,    and in the process creating &#8220;universal banks&#8221;. It now appears that    this deregulatory process has sown the seeds of instability in the banking system&raquo;    (Paul de Grauwe, 2008, &laquo;Returning to narrow banking, What G20 leaders    must do to stabilise our economy and fix the financial system&raquo;, <i>VoxEU.org    Publication,</i> 9 de Novembro, p. 37). O documento apresenta vis&otilde;es    e propostas de 17 especialistas, em trabalho coordenado por Barry Eichengreen    &#8211; <a href="http://www.voxeu.org/index.php?q=node/2543" target="_blank">http://www.voxeu.org/index.php?q=node/2543</a>.</p>     <p>8. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.monthlyreview.org/081201foster-magdoff.php" target="_blank">http://www.monthlyreview.org/081201foster-magdoff.php</a>.</p>     <p> 9. O <i>The Economist</i> (&laquo;A Special Report on the Future of Finance&raquo;,    24 de Janeiro de 2009) informa: &laquo;The world is only beginning to count    the cost of the bust. In America the share of household and consumer debt alone    went up from 100% of GDP in 1980 to 173% today, the equivalent to around $6    trillion of extra borrowing&raquo; (p. 20). </p>     <p>10. Em Novembro de 2008, a balan&ccedil;a comercial dos EUA estava deficit&aacute;ria    em 848 bilh&otilde;es nos 12 meses, segundo <i>The Economist</i>, de 15 de Novembro    de 2008, p. 118. </p>     <p>11. Avalia&ccedil;&atilde;o de riscos futuros do d&oacute;lar no WEF de Davos    (2009, World Economic Forum, &laquo;Global Risks&raquo;): &laquo;Major fall    in US$: Experts consider that the dollar could come under pressure as investors    reflect on the long-term impact of current monetary expansion, high fiscal deficits    and the continuing fragility of the US financial system&raquo; (p. 28) - <a href="http://www.globalrisks2009.pdf" target="_blank">www.globalrisks2009.pdf</a>.  </p>     <p>12. A reuni&atilde;o do G20 se referiu de maneira extremamente delicada &agrave;    responsabilidade norte-americana: &laquo;Policy-makers, regulators and supervisors,<i>    in some advanced countries</i>, did not adequately appreciate and address the    risks building up in financial markets&raquo; &#8211; &laquo;Statement from    the G-20 Summit&raquo;, 15 de Novembro, 2008, ponto 3 (sublinhado nosso). </p>     <p>13. T&iacute;pico deste mecanismo &eacute; o <i>carry trade</i>, onde um especulador    pega um empr&eacute;stimo barato, por exemplo no Jap&atilde;o, e aplica onde    rende mais, por exemplo no Brasil. N&atilde;o produz nada, desorganiza a efici&ecirc;ncia    da pol&iacute;tica monet&aacute;ria de cada pa&iacute;s, pelo pr&oacute;prio    volume de recursos asssim mobilizados. </p>     <p>14. <i>The Economist</i>, 15 de Novembro, 2008, p. 89. </p>     <p>15. A UNCTAD, sob orienta&ccedil;&atilde;o de Rubens Ric&uacute;pero, j&aacute;    alertava no in&iacute;cio dos anos 2000 para esta deforma&ccedil;&atilde;o do    sistema. Ver por exemplo UNCTAD, &laquo;Trade and Development Report 2001&raquo;,    p. vii; a avalia&ccedil;&atilde;o de Ric&uacute;pero sobre as dimens&otilde;es    pol&iacute;ticas da crise financeira pode ser encontradas em &laquo;A crise    financeira e a queda do muro de Berlim&raquo;, em <a href="http://dowbor.org/crise/08ricupero.pdf" target="_blank">http://dowbor.org/crise/08ricupero.pdf</a>.  </p>     <!-- ref --><p>16. KELLY, Marjorie (2001), <b>The Divine Right of Capital</b>, San Francisco,    Berrett-Koehler, pp. 33-35. Reproduzimos aqui um segmento do que estudamos mais    amplamente no ensaio <b>Democracia Econ&ocirc;mica</b>, Vozes, 2008 &#8211;    Ver tamb&eacute;m <a href="http://dowbor.org" target="_blank">http://dowbor.org</a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000032&pid=S0873-7444200800030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>17. As diversas classifica&ccedil;&otilde;es de pagamento aos administradores    corporativos, com os valores, podem ser encontradas em <a href="http://toomuchonline.org/ExecPayScoreboard.html" target="_blank">http://toomuchonline.org/ExecPayScoreboard.html</a>.  </p>     <p>18. Fonte do gr&aacute;fico: IMF, <i>Finance &amp; Development</i>, Junho de    2007, p. 21. </p>     <p>19. H&aacute; imensa literatura sobre o assunto. O gr&aacute;fico acima &eacute;    do Relat&oacute;rio de Desenvolvimento Humano 1998 das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas; para uma atualiza&ccedil;&atilde;o em 2005, ver Human Development Report    2005, p. 37. N&atilde;o houve mudan&ccedil;as substantivas. Uma excelente an&aacute;lise    do agravamento recente destes n&uacute;meros pode ser encontrada no relat&oacute;rio    Report on the World Social Situation 2005, &laquo;The Inequality Predicament&raquo;,    United Nations, New York, 2005; O documento do Banco Mundial, &laquo;The next    4 billion&raquo;, que avalia em 4 bilh&otilde;es as pessoas que est&atilde;o    &laquo;fora dos benef&iacute;cios da globaliza&ccedil;&atilde;o &raquo;, &eacute;    igualmente interessante &#8211; IFC. &laquo;The Next 4 Billion&raquo;, Washington,    2007; estamos falando de dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o mundial.    Para uma an&aacute;lise ampliada do processos, ver o nosso <b>Democracia Econ&ocirc;mica</b>,    ed. Vozes, 2008, bem como o artigo &laquo;Inova&ccedil;&atilde;o Social e Sustentabilidade&raquo;,    ambos dispon&iacute;veis em http://dowbor.org.</p>     <p>20. <i>The Economist</i>, &laquo;A Special Report on the Future of Finance&raquo;,    24 de Janeiro de 2009. </p>     <p>21. <i>The Economist</i>, &laquo;A Special Report on the Future of Finance&raquo;,    24 de Janeiro de 2009. </p>     <p>22. Ver &laquo;Pesquisa mensal de juros&raquo;, <a href="http://www.anefac.com.br/m3_preview.asp?cod_pagina=10782&cod_idm=1" target="_blank">http://www.anefac.com.br/m3_preview.asp?cod_pagina=10782&amp;cod_idm=1</a>.  </p>     <p>23. Segundo pesquisa industrial divulgada, em 2009, pelo <i>O Estado de S.    Paulo</i> &laquo;na m&eacute;dia entre Outubro e Dezembro, per&iacute;odo mais    agudo da crise mundial, que fez subir o custo dos financiamentos, os desembolsos    para pagamentos de juros foram 11% superiores aos gastos com sal&aacute;rios&raquo;    (p. 3). Pesquisa da Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado    de S&atilde;o Paulo (FIESP) sobre os gastos da ind&uacute;stria brasileira com    pagamentos de juros (<i>O Estado de S. Paulo</i>, 02/02/09). O lucro de um banco,    o Bradesco, foi de 7,6 bilh&otilde;es de reais em 2008, cifra pr&oacute;xima    da totalidade do Programa Bolsa-Fam&iacute;lia. At&eacute; uma pessoa t&atilde;o    pouco suspeita de proximidades com a esquerda como Marcos Cintra, clama contra    o cartel de bancos comerciais no Brasil e os <i>spreads</i> escandalosos (&laquo;It&#8217;s    the Spread, Stupid&raquo;, <i>Folha de S&atilde;o Paulo</i>, 2 de Fevereiro    de 2009, p. 3). Para os n&atilde;o familiarizados, vale lembrar que a forma&ccedil;&atilde;o    do cartel significa que todos praticam juros e tarifas semelhantes, e que portanto    n&atilde;o temos escolha. Trata-se, assim, de um imposto privado e, na medida    em que cartel &eacute; crime, trata-se tecnicamente de crime contra a ordem    econ&ocirc;mica. A maravilha, &eacute; que n&atilde;o h&aacute; culpado. O culpado    &eacute; um ente invis&iacute;vel chamado misteriosamente de &laquo;mercado    &raquo;. </p>     <p>24. IPEA &#8211; &laquo;Pobreza e riqueza no Brasil metropolitano&raquo; &#8211;    n.&ordm; 7, Agosto de 2008, p. 11 &#8211; Documento dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/comunicado_presidencia/ReducaoPobreza_CPresi7.pdf" target="_blank">http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/comunicado_presidencia/ReducaoPobreza_CPresi7.pdf</a>.  </p>     <p>25. O crescimento econ&ocirc;mico, em particular na segunda gest&atilde;o Lula,    permitiu simultaneamente o aumento da renda dos estratos superiores e a melhoria    muito significativa do rendimento dos trabalhadores. O sal&aacute;rio m&iacute;nimo    na gest&atilde;o Lula teve um aumento real de 46,05%, o que atinge cerca de    25 milh&otilde;es de trabalhadores e 18 milh&otilde;es de aposentados. Em 2009,    a partir de Fevereiro, o sal&aacute;rio m&iacute;nimo passou para 465 reais    (160 euros). De certa forma, o Brasil j&aacute; adotou uma pol&iacute;tica antic&iacute;clica    antes da crise ao expandir o consumo na base da sociedade. Mas sejamos realistas:    o ponto de partida &eacute; muito baixo e a desigualdade herdada &eacute; extrema.    Uma pol&iacute;tica keynesiana ainda ter&aacute; de subir v&aacute;rios degraus    no Brasil. </p>     <p>26. A composi&ccedil;&atilde;o do Comit&eacute; de Basileia de Supervis&atilde;o    de Bancos &eacute; eloquente: &laquo;The Basel Committee on Banking Supervision    provides a forum for regular cooperation on banking supervisory matters. It    seeks to promote and strengthen supervisory and risk management practices globally.    The Committee&#8217;s members come from Belgium, Canada, France, Germany, Italy,    Japan, Luxembourg, the Netherlands, Spain, Sweden, Switzerland, United Kingdom    and United States&raquo; (<a href="http://www.bis.org/press/p081120.htm" target="_blank">www.bis.org/press/p081120.htm</a>).    A era colonial n&atilde;o est&aacute; t&atilde;o longe. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>27. O<i> Press Release</i> do presidente do Comit&eacute;: Mr Wellink emphasised    that the Committee&#8217;s efforts will be &laquo;carried out as part of a considered    process that balances the objective of maintaining a vibrant, competitive banking    sector in good times against the need to enhance the sector&#8217;s resilience    in future periods of financial and economic stress&raquo;. Trata-se portanto    de manter um sistema visto como &laquo;vibrante e competitivo&raquo;, com algumas    salvaguardas (<a href="http://www.bis.org/press/p081120.htm" target="_blank">www.bis.org/press/p081120.htm</a>).  </p>     <p>28. O lema do BIS de Basileia comove: &laquo;The BIS is an international organization    that fosters cooperation among central banks and other agencies in pursuit of    monetary and financial stability&raquo;. </p>     <p>29. &laquo;We will implement reforms that will strengthen financial markets    and regulatory regimes so as to avoid future crises. Regulation is first and    foremost the responsibility of national regulators who constitute the first    line of defense against market instability&raquo; (Declara&ccedil;&atilde;o    final do G20, ponto 8, <a href="http://www.nytimes.com/2008/11/16/washington/summittext.html" target="_blank">www.nytimes.com/2008/11/16/washington/summittext.html</a>).  </p>     <p>30. V&aacute;rios estudos preliminares apontam para o fato que as institui&ccedil;oes    financeiras faziam o seu c&aacute;lculo de risco individualmente, mas considerando    que o ambiente externo se manteria est&aacute;vel. Assim, ningu&eacute;m fazia    a avalia&ccedil;&atilde;o de risco sist&ecirc;mico, nem organizava informa&ccedil;&otilde;es    a respeito. Stijn Claessens (2008), do FMI, se refere ao fato que o pr&oacute;prio    sistema de informa&ccedil;&otilde;es &eacute; inadequado: &laquo;The crisis    has highlighted the size of information gaps we face, both nationally and internationally.    More and better information is needed if markets and authorities are to better    assess the build-up of systemic risk. Addressing this requires a review of rules    on transparency, disclosure and reporting&raquo; (<i>What G20 Leaders must do</i>...,    p. 30). </p>     <p>31. Willem Buiter, da London School of Economics, sugere: &laquo;Make it impossible    to combine rating activities with other profit-seeking activities in the same    legal entity&raquo; (What G20 leaders must do..., p. 19). </p>     <p>32. <i>Statement from G-20 Summit</i>, 15 de Novembro de 2008, ponto 8. </p>     <p>33. As propostas no F&oacute;rum de Davos 2009 mostram essa falta total de    realismo frente &agrave;s novas din&acirc;micas, com um pequeno catecismo chamado    &laquo;5I Framework&raquo; (Insight, Information, Incentives, Investments, Institutions),    na linha das bobagens tipo 5 S e semelhantes que ensinamos lamentavelmente nas    ci&ecirc;ncias de Gest&atilde;o. O lema do World Economic Forum nos aparece    como bastante c&iacute;nico: &laquo;Committed to Improving the State of the    World&raquo;. WEF, &laquo;Global Risks 2009&raquo;, p. 14 &#8211; <a href="http://www.marsh.pt/documents/globalrisks2009.pdf" target="_blank">http://www.marsh.pt/documents/globalrisks2009.pdf</a>.    As vis&otilde;es sistematizadas no F&oacute;rum Social Mundial 2009 hoje aparecem    com toda a sua dimens&atilde;o de bom senso.</p>     <p> 34. Com bom humor, o <i>The Economist</i> de 6-12 de Dezembro de 2008 mostra    na capa um imenso buraco negro e a manchete &laquo;Where have all your savings    gone&raquo; (&laquo;Para onde foram todas as suas poupan&ccedil;as&raquo;).    O t&iacute;tulo &eacute; uma brincadeira com a m&uacute;sica &laquo;Where have    all the flowers gone&raquo; cantada por pessoas alegres em 1968. Mas na realidade,    &eacute; a poupan&ccedil;a de uma imensa massa de pessoas que foi para o buraco,    e estas pessoas n&atilde;o est&atilde;o nada alegres. Na realidade, n&atilde;o    desapareceu riqueza, o mundo continua a contar com o mesmo n&uacute;mero de    casas, de carros etc. &Eacute; o direito sobre estas casas e outros bens que    mudou de m&atilde;os. Esta apropria&ccedil;&atilde;o de riquezas por quem n&atilde;o    as produziu, e inclusive desorganiza os processos produtivos, constitui um dos    elementos centrais da deforma&ccedil;&atilde;o do sistema. </p>     <p>35. <i>New Scientist</i>, 18 de Outubro de 2008, p. 40; para acessar o gr&aacute;fico    online veja <a href="http://dowbor.org/ar/ns.doc" target="_blank">http://dowbor.org/ar/ns.doc</a>;    o dossi&ecirc; completo pode ser consultado em www.newscientist.com/opinion;    os quadros de apoio e fontes prim&aacute;rias podem ser vistos em <a href="http://dowbor.org/ar/08_ns_overconsumption.pdf" target="_blank">http://dowbor.org/ar/08_ns_overconsumption.pdf</a>;    contribuiram para o dossi&ecirc; Tim Jackson, David Suzuki, Jo Marchant, Herman    Daly, Gus Speth, Liz Else, Andrew Simms, Suzan George e Kate Soper. </p>     <p>36. &laquo;Measured in 2000 purchasing power parity terms, the cost of ending    extreme poverty &#8211; the amount needed to lift 1 billion people above the    $1 a day poverty line &#8211; is $300 billion&raquo;, United Nations, &laquo;Human    Development Report 2005&raquo;, p. 38. Sobre a renda m&iacute;nima e a sua universaliza&ccedil;&atilde;o,    ver os trabalhos de Eduardo Suplicy, em particular<b> Renda de Cidadania</b>,    Cortez/Perseu Abramo, S&atilde;o Paulo, editado em 2006.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><a href="#top1">*</a><a name="1"></a> Ladislau Dowbor</b></p>     <p><a href="mailto:ladislau@dowbor.org">ladislau@dowbor.org</a> </p>     <p>Doutor em Ciências Económicas (Escola Central de Planeamento e Estatística    de Varsóvia), Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo    e consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de <b>Democracia    Econômica</b> (Vozes), <b>O que é poder local</b> (Brasiliense) e de numerosos    estudos sobre desenvolvimento. Os seus trabalhos estão disponíveis na íntegra,    em regime copyleft, em <a href="http://dowbor.org" target="_blank">http://dowbor.org</a>. </p>     <p><i>Phd in Economic Sciences (Central School of Planning and Statiscs of Varsovia),    Professor of Economics at the Catholic University of São Paulo, consultant to    various United Nations agencies, and author of <b>Democracia Econômica</b> (Vozes),    <b>O que é Poder Local </b>(Brasiliense). Books and papers can be found (copyleft)    on <a href="http://dowbor.org" target="_blank">http://dowbor.org</a>. </i> </p>        ]]></body><back>
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<source><![CDATA[The Divine Right of Capital]]></source>
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