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<publisher-name><![CDATA[Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Unidade de Investigação em Ciências da Saúde - Enfermagem]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A amamentação nos manuais escolares de estudo do meio do 1º ciclo do ensino básico]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La lactancia en los libros de texto escolares del Estudio del Medio del 1º ciclo de la educación básica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In order to get to know how breastfeeding is approached in 1st cycle basic education children’s textbooks, and what they learn in school about this subject, we analysed, 19 Environmental Studies textbooks, used in 73 public schools, from the 1st to 4th years of education, in six school clusters in the Coimbra education area in Portugal. In the analysis of the concepts presented to the child, we defined a priori some considered essential to teach and explain to children the basics of breastfeeding. Only two school books for the 3rd year each included content on "We are mammals. We feed at the breast of our mothers after birth” and “It is natural to take breast milk after birth”. Analysis of the manuals showed that there are many opportunities to teach, enlighten and help the child to learn about a breastfeeding culture because this topic may be included in various chapters of the educational program; however, these opportunities are wasted and in this didactic material various illustrations used promote a culture of artificial feeding.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Para conocer cómo se les presenta la lactancia a los niños del y lo que aprenden en la escuela sobre este tema, se analizaron, del 1º al 4º año de escolaridad, 19 libros de texto escolares del Estudio del Medio, adoptados en 73 escuelas públicas de seis grupos de escuelas del área educativa de Coimbra. En el análisis de los conceptos transmitidos se definieron, a priori, algunos considerados imprescindibles para enseñar y explicarle al niño nociones básicas de lactancia. Solo dos libros de texto del 3º año incluían, en cada caso, los contenidos “Somos mamíferos. Nos alimentamos del pecho de nuestras madres después de nacer” y “Lo natural es tomar leche materna después de haber nacido”. El análisis de los libros de texto permitió observar que existen diversas oportunidades de enseñar, aclarar e ayudar al niño a aprender una cultura de la lactancia ya que este tema; puede estar recogido en diversos capítulos de las diferentes rúbricas programáticas, sin embargo estas oportunidades no se aprovechan y en este material didáctico varias imágenes utilizadas promueven la alimentación artificial.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A amamenta&ccedil;&atilde;o nos manuais escolares de estudo do meio do 1&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Dulce Maria Pereira Garcia Galv&atilde;o</b>*; <b>Is&iacute;lia Aparecida da Silva</b>**</p>      <p>* Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Doutora em Ci&ecirc;ncias de Enfermagem &#91;<a href="mailto:dgalvao@esenfc.pt">dgalvao@esenfc.pt</a>&#93;</p>     <p>** Professora Titular, Escola de Enfermagem da Universidade de S. Paulo, Doutora em Enfermagem Obst&eacute;trica, Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiatria &#91;<a href="mailto:isasilva@usp.br">isasilva@usp.br</a>&#93;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>      <p>Para conhecer como a amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; abordada &agrave;s crian&ccedil;as do 1&ordm; Ciclo, e o que aprendem na escola sobre este tema, analisaram-se, do 1&ordm; ao 4&ordm; ano de escolaridade, 19 manuais escolares de Estudo do Meio, adoptados em 73 escolas p&uacute;blicas de seis agrupamentos de escolas da &aacute;rea educativa de Coimbra. Na an&aacute;lise dos conceitos transmitidos definiram-se,<i> a priori</i>, alguns considerados imprescind&iacute;veis para ensinar e explicar &agrave; crian&ccedil;a no&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de amamenta&ccedil;&atilde;o. Apenas dois manuais do 3&ordm; ano inclu&iacute;am, cada um, os conte&uacute;dos “Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento” e “O natural &eacute; tomar leite materno logo depois do nascimento”.    <p>     <p> A an&aacute;lise dos manuais permitiu observar que existem diversas oportunidades de ensinar, esclarecer e ajudar a crian&ccedil;a a aprender uma cultura da amamenta&ccedil;&atilde;o, pois este tema pode estar inclu&iacute;do em diversos cap&iacute;tulos das diferentes rubricas program&aacute;ticas. No entanto, estas oportunidades s&atilde;o desperdi&ccedil;adas e neste material did&aacute;ctico v&aacute;rias imagens utilizadas promovem a alimenta&ccedil;&atilde;o artificial.    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      <p><b>Palavras-chave</b>: amamenta&ccedil;&atilde;o; promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de; curr&iacute;culo escolar; manual escolar.    <p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Breastfeeding in Environmental Studies textbooks used in the first cycle of basic education</b>    <p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>In order to get to know how breastfeeding is approached in 1st cycle basic education children’s textbooks, and what they learn in school about this subject, we analysed, 19 Environmental Studies textbooks, used in 73 public schools, from the 1st to 4th years of education, in six school clusters in the Coimbra education area in Portugal. In the analysis of the concepts presented to the child, we defined <i>a priori</i> some considered essential to teach and explain to children the basics of breastfeeding.</p>      <p>Only two school books for the 3rd year each included content on "We are mammals. We feed at the breast of our mothers after birth” and “It is natural to take breast milk after birth”. Analysis of the manuals showed that there are many opportunities to teach, enlighten and help the child to learn about a breastfeeding culture because this topic may be included in various chapters of the educational program; however, these opportunities are wasted and in this didactic material various illustrations used promote a culture of artificial feeding.</p>     <p><b>Keywords</b>: breastfeeding; health promotion; school curriculum; school manual.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>La lactancia en los libros de texto escolares del Estudio del Medio del 1&ordm; ciclo de la educaci&oacute;n b&aacute;sica</b></P>     <p><b>Resumen</b></p>     <p>Para conocer c&oacute;mo se les presenta la lactancia a los ni&ntilde;os del  y lo que aprenden en la escuela sobre este tema, se analizaron, del 1&ordm; al 4&ordm; a&ntilde;o de escolaridad, 19 libros de texto  escolares del Estudio del Medio, adoptados en 73 escuelas p&uacute;blicas de seis grupos de escuelas del &aacute;rea educativa de Coimbra. En el an&aacute;lisis de los conceptos transmitidos se definieron, <i>a priori</i>, algunos considerados imprescindibles para ense&ntilde;ar y explicarle al ni&ntilde;o nociones b&aacute;sicas de lactancia. Solo dos libros de texto del 3&ordm; a&ntilde;o inclu&iacute;an, en cada caso, los  contenidos “Somos mam&iacute;feros. Nos alimentamos del pecho de nuestras madres despu&eacute;s de nacer” y “Lo natural es tomar leche materna despu&eacute;s de haber nacido”.</p>      <p>El an&aacute;lisis de los libros de texto permiti&oacute; observar que existen diversas oportunidades de ense&ntilde;ar, aclarar e ayudar al ni&ntilde;o a aprender una cultura de la lactancia ya que este tema; puede estar recogido en diversos cap&iacute;tulos de las diferentes r&uacute;bricas program&aacute;ticas, sin embargo estas oportunidades no se aprovechan y en este material did&aacute;ctico varias im&aacute;genes utilizadas promueven la alimentaci&oacute;n artificial.</p>     <p><b>Palabras clave</b>: lactancia; promoci&oacute;n de la salud; curr&iacute;culo escolar; libro de texto escolar.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b/></p>     <p>A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; um acto natural que requer uma aprendizagem precoce (Galv&atilde;o, 2006) e a import&acirc;ncia de difundir informa&ccedil;&otilde;es sobre amamenta&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a de idade escolar, dos dois sexos, assenta na ideia de que a escola representa o espa&ccedil;o de aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimentos que tendem a perpetuar-se e a influenciar as atitudes na vida adulta. A introdu&ccedil;&atilde;o deste tema na escola &eacute; uma forma privilegiada das crian&ccedil;as se familiarizarem com esta pr&aacute;tica (Sucupira e Pereira, 2008), dado que, por vezes, existe distanciamento das suas fam&iacute;lias em rela&ccedil;&atilde;o a este processo. O material did&aacute;ctico, sendo um ve&iacute;culo essencial para se transmitir a import&acirc;ncia do leite materno acaba, na ideia de Costa e Silva (2008), por configurar-se como um espa&ccedil;o de oportunidades  desperdi&ccedil;adas; quando n&atilde;o se enfatiza a sua import&acirc;ncia; se excluem os seres humanos da classe dos mam&iacute;feros; se relaciona a alimenta&ccedil;&atilde;o infantil com o uso de biber&otilde;es; e se retira o aleitamento materno dos projectos pedag&oacute;gicos.</p>     <p>Conhecer a forma como a amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; abordada nos manuais escolares das crian&ccedil;as do 1&ordm; Ciclo do Ensino B&aacute;sico, e o que aprendem na escola sobre este tema, foram os objectivos de realiza&ccedil;&atilde;o do estudo que se desenvolveu em estabelecimentos de ensino p&uacute;blicos portugueses. Analisaram-se 19 manuais escolares, adoptados na disciplina de Estudo do Meio do 1&ordm; ao 4&ordm; ano de escolaridade, nas 73 escolas de seis agrupamentos de escolas, de tr&ecirc;s concelhos da &aacute;rea educativa de Coimbra, por forma a, despertar para a necessidade de implementa&ccedil;&atilde;o de medidas promotoras da amamenta&ccedil;&atilde;o desde a inf&acirc;ncia, contribuir para a protec&ccedil;&atilde;o, promo&ccedil;&atilde;o e suporte da amamenta&ccedil;&atilde;o, considerando-a uma prioridade de sa&uacute;de p&uacute;blica e contribuir, de forma sustentada, na  evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica para um regresso &agrave; cultura do aleitamento materno.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Enquadramento te&oacute;rico</b></p>      <p>Ao longo da hist&oacute;ria as mulheres sempre amamentaram os seus filhos, com diferentes resultados consoante a &eacute;poca ou situa&ccedil;&atilde;o cultural, todavia, podemos afirmar que o aleitamento materno tem sido sujeito a modas. Primeiro uma coisa natural e inquestion&aacute;vel, tornou-se depois algo de absurdo e desprez&iacute;vel para as mulheres de classes sociais elevadas, ou que a elas aspirassem.</p>      <p>Atualmente, verifica-se a n&iacute;vel mundial que a pr&aacute;tica da amamenta&ccedil;&atilde;o est&aacute; muito longe de corresponder ao preconizado pela OMS (1994) - que recomenda a amamenta&ccedil;&atilde;o exclusiva desde o nascimento at&eacute; aos 6 meses de idade dos meninos(as) e a manuten&ccedil;&atilde;o da amamenta&ccedil;&atilde;o exclusiva desde o nascimento at&eacute; aos 6 meses de idade os meninos(as) e a manuten&ccedil;&atilde;o da amamenta&ccedil;&atilde;o com alimentos complementares at&eacute; aos 2 anos de idade ou mais - pelo que, cresce a necessidade de uma efetiva promo&ccedil;&atilde;o, ou que implica a adop&ccedil;&atilde;o de politicas promocionais e de programas sensiveis aos diversos fatores que podem ajudar ou impedir uma m&atilde;e nos seus esfor&ccedil;os para amamentar.</p>     <p>Em Portugal, apesar da exist&ecirc;ncia de algumas medidas de promo&ccedil;&atilde;o da amamenta&ccedil;&atilde;o, quer junto dos profissionais de sa&uacute;de, quer junto da comunidade, a preval&ecirc;ncia do aleitamento materno n&atilde;o &eacute; satisfat&oacute;ria. Embora nos primeiros dias de vida a sua incid&ecirc;ncia seja muito alta (95%),  sofre uma redu&ccedil;&atilde;o muito r&aacute;pida para atingir os 50% ao m&ecirc;s de idade. A interrup&ccedil;&atilde;o prematura da amamenta&ccedil;&atilde;o pode acarretar perigos, pelo que, torna-se relevante investigar os factores  relacionados com o desmame precoce ( Joca <i>et al.</i>, 2005). As prioridades devem ser direccionadas n&atilde;o s&oacute; para a promo&ccedil;&atilde;o do aleitamento materno mas, sobretudo, para a implementa&ccedil;&atilde;o de medidas tendentes a aumentar a sua dura&ccedil;&atilde;o, mudan&ccedil;a de valores e, consequentemente, de comportamentos dos v&aacute;rios grupos de uma popula&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, profissionais de sa&uacute;de, crian&ccedil;as, jovens e gr&aacute;vidas (Levy, 1994).</p>     <p> Neste sentido, &eacute; de extrema import&acirc;ncia que se desenvolvam atitudes e estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o do aleitamento materno. Nelas, Ferreira e Duarte (2008) referem que o aleitamento materno &eacute; a forma de contrato &iacute;ntimo, e prote&ccedil;&atilde;o, mais antiga entre a m&atilde;e e o rec&eacute;m-nascido, com in&uacute;meras vantagens para ambos. A sua promo&ccedil;&atilde;o deve ser preocupa&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;ria de todos quantos se dedicam &agrave; sa&uacute;de infantil (Galv&atilde;o, 2006).</p>     <p>As experi&ecirc;ncias e a educa&ccedil;&atilde;o da mulher desde a mais tenra idade influenciar&atilde;o as suas atitudes e desempenho posteriores em rela&ccedil;&atilde;o ao aleitamento. Assim, a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de ter sido uma filha amamentada e ver regularmente outras mulheres amamentando, especialmente na mesma fam&iacute;lia ou grupo social, &eacute; uma das formas atrav&eacute;s das quais meninas, adolescentes e mulheres jovens podem desenvolver atitudes positivas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste sentido, Nakamura <i>et al.</i> (2003, p.182) afirmam que “(…) se desde a escola as crian&ccedil;as recebessem informa&ccedil;&otilde;es adequadas sobre o aleitamento, quando chegassem a serem m&atilde;es, as meninas possivelmente estariam mais motivadas a amamentar e, no caso dos meninos, mais aptos a apoiar a decis&atilde;o materna (…)”. No entanto, no dizer de Martins Filho (2008, p. 31) “Em alguns lugares, &eacute; bem verdade, parece que ainda a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o chega como gostar&iacute;amos, (…)”. Mas como referem Costa e Silva (2008, p.123) “(…) as crian&ccedil;as precisam conhecer as vantagens da amamenta&ccedil;&atilde;o e os perigos da alimenta&ccedil;&atilde;o artificial e do desmame desde cedo. As escolas do 1&ordm; e 2&ordm; graus deveriam incluir o aleitamento nos seus curr&iacute;culos pois assim estar&atilde;o a educar suas crian&ccedil;as, procurando integrar o ensino ao cotidiano, o ensino &agrave; sa&uacute;de, construindo “Escolas Promotoras de Sa&uacute;de” (…)”</p>     <p>A educa&ccedil;&atilde;o pode contribuir de forma significativa par a constru&ccedil;&atilde;o de uma cultura favor&aacute;vel ao aleitamento materno. Na Semana Mundial da Amamenta&ccedil;&atilde;o, a <i>World Alliance for Breastfeeding Action</i> (1999) mencionava que a informa&ccedil;&atilde;o sobre aleitamento materno pode facilmente ser inclu&iacute;da em diversas mat&eacute;rias e que educadores criativos podem incorporar esta tem&aacute;tica em v&aacute;rias disciplinas. Isto permitiria &agrave;s crian&ccedil;as come&ccedil;ar a tomar consci&ecirc;ncia das press&otilde;es do marketing na promo&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o artificial, concilia&ccedil;&atilde;o da actividade profissional e amamenta&ccedil;&atilde;o e tipo de apoio que a lactante necessita da sociedade e dos empregadores. Corroborando esta opini&atilde;o, tamb&eacute;m Costa e Silva (2008), Nakamura <i>et al</i>. (2003) e Martins Filho (2008), afirmam que para que a pr&aacute;tica do aleitamento materno seja, novamente, uma norma cultural, &eacute; necess&aacute;rio que os conhecimentos b&aacute;sicos sobre a amamenta&ccedil;&atilde;o sejam inclu&iacute;dos em todo o sistema educacional.</p>     <p>Em Portugal, tendo por base o documento sobre Organiza&ccedil;&atilde;o Curricular e Programas (Portugal, Minist&eacute;rio da educa&ccedil;&atilde;o, 2004), verifica-se que a organiza&ccedil;&atilde;o curricular do Ensino B&aacute;sico e os programas escolares s&atilde;o comuns a todas as crian&ccedil;as e inclui as unidades curriculares: Express&atilde;o e Educa&ccedil;&atilde;o; F&iacute;sico-Motora; Musical; Dram&aacute;tica e Pl&aacute;stica; Estudo do Meio; L&iacute;ngua Portuguesa; Matem&aacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa; e que os manuais escolares a adoptar pelas diferentes escolas do pa&iacute;s acontece ap&oacute;s a divulga&ccedil;&atilde;o, feita pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, da lista dos manuais considerados indicados. Esta lista surge na sequ&ecirc;ncia da selec&ccedil;&atilde;o feita por uma comiss&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o. As diferentes escolas e agrupamentos de escolas poder&atilde;o adoptar manuais de diferentes editores.<p/>&nbsp;&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A disciplina de Estudo do Meio, uma das unidades curriculares leccionadas a todas as crian&ccedil;as do 1&ordm; ao 4&ordm; ano de escolaridade, &eacute; uma &aacute;rea curricular interdisciplinar, globalizadora, transversal a todas as outras &aacute;reas do programa que re&uacute;ne os principais ramos do saber - cient&iacute;fico, tecnol&oacute;gico e social - que contribuem para a compreens&atilde;o do mundo e que integra conte&uacute;dos de Biologia, Geologia, Qu&iacute;mica, F&iacute;sica, Geografia e Hist&oacute;ria. Do total das vinte e cinco horas lectivas do hor&aacute;rio semanal do estudante, cinco s&atilde;o dedicadas a esta unidade curricular, distribu&iacute;das de uma forma equilibrada ao longo da semana, sendo que, metade se destina ao ensino experimental das Ci&ecirc;ncias (Portugal, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2004).</p>      <p>O Estudo do Meio proporciona aos alunos oportunidades para desenvolverem saberes e compet&ecirc;ncias que lhes permitam tomar decis&otilde;es e agir de forma sens&iacute;vel aos assuntos ambientais e formas de estar pr&oacute;prias de uma cidadania ativa que envolva conhecimento sobre os seus direitos e responsabilidades sociais a n&iacute;vel local e global (Portugal, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2004).</p>     <p>Nesta disciplina - que possui um programa organizado em seis blocos de conte&uacute;dos, cinco comuns aos quatro anos de escolaridade e o sexto abordado apenas no 3&ordm; e 4&ordm; anos; que obedece a uma ordem l&oacute;gica, mas que poder&aacute; ser flexibilizada de acordo com os pontos de partida, ritmos de aprendizagem, interesses e necessidades dos alunos e &agrave;s caracter&iacute;sticas do meio local -os alunos aprofundam o seu conhecimento sobre a Natureza e a Sociedade atrav&eacute;s de atividades de aprendizagem diversificadas, auxiliados pelos professores na constru&ccedil;&atilde;o de um saber sistematizado (Portugal, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2004). Analisando o seu programa &eacute; poss&iacute;vel observar que no primeiro bloco tem&aacute;tico “&Agrave; Descoberta de Si Mesmo”, pretendese que a crian&ccedil;a estruture o conhecimento de si pr&oacute;prio e desenvolva atitudes de auto-estima, de autoconfian&ccedil;a e de valoriza&ccedil;&atilde;o da sua identidade e das suas ra&iacute;zes. Abordam-se conte&uacute;dos relativos &agrave; naturalidade e nacionalidade da crian&ccedil;a, bem como, do corpo, sa&uacute;de e seguran&ccedil;a do corpo.</p>     <p>O segundo bloco, “&Agrave; Descoberta dos Outros e das Institui&ccedil;&otilde;es”, procura desenvolver atitudes e valores relacionados com a responsabilidade, toler&acirc;ncia, solidariedade, coopera&ccedil;&atilde;o, respeito pelas diferen&ccedil;as, comportamento n&atilde;o sexista, valores democr&aacute;ticos e de cidadania. Abordam-se assuntos relativos aos membros da fam&iacute;lia, rela&ccedil;&otilde;es de parentesco, passado familiar e passado do meio local.</p>     <p>O bloco 3, “&Agrave; Descoberta do Ambiente Natural”, compreende os conte&uacute;dos relacionados com os elementos b&aacute;sicos do meio f&iacute;sico, os seres vivos que nele vivem, o clima, o relevo e os astros.</p>    <p> No bloco 4, “&Agrave; Descoberta das Inter-Rela&ccedil;&otilde;es entre Espa&ccedil;os”, transmite-se &agrave; crian&ccedil;a a no&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o, desloca&ccedil;&otilde;es, localiza&ccedil;&otilde;es, dist&acirc;ncias e de que n&atilde;o existem espa&ccedil;os isolados.</p>     <p>O bloco 5, “&Agrave; Descoberta dos Materiais e Objetos”, procura desenvolver nos alunos uma atitude de permanente experimenta&ccedil;&atilde;o: observa&ccedil;&atilde;o, introdu&ccedil;&atilde;o de modifica&ccedil;&otilde;es, aprecia&ccedil;&atilde;o dos efeitos e resultados e principais conclus&otilde;es.</p>     <p>O &uacute;ltimo bloco tem&aacute;tico, “&Agrave; Descoberta das Inter-Rela&ccedil;&otilde;es entre a Natureza e a Sociedade”, procura alertar os alunos para os efeitos da actividade humana na Natureza e permite o estudo das actividades econ&oacute;micas da sua realidade pr&oacute;xima.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      <p>Tendo presente as &aacute;reas do conhecimento ministradas &agrave;s crian&ccedil;as durante os primeiros anos da sua educa&ccedil;&atilde;o escolar, pareceu-nos que seria na unidade curricular de Estudo do Meio que a tem&aacute;tica amamenta&ccedil;&atilde;o poderia ser mais facilmente abordada.    <p>      <p>Neste contexto, em Junho de 2008 estabeleceu-se contacto telef&oacute;nico com a Direc&ccedil;&atilde;o Regional de Educa&ccedil;&atilde;o do Centro, no sentido de agendar uma reuni&atilde;o com a Directora Geral para apresenta&ccedil;&atilde;o do estudo e pedido formal da sua realiza&ccedil;&atilde;o. Obtevese a informa&ccedil;&atilde;o que todos os procedimentos formais deveriam ser dirigidos aos Agrupamentos de Escolas. Perante esta informa&ccedil;&atilde;o foi estabelecido contacto pessoal com os Presidentes dos Conselhos Executivos dos oito Agrupamentos de Escolas de tr&ecirc;s concelhos do distrito de Coimbra, onde foi feito o pedido formal e entregue a solicita&ccedil;&atilde;o por escrito para realiza&ccedil;&atilde;o do estudo, explicado o estudo que se pretendia desenvolver e seus objectivos. Obteve se a 16/12/2008 o consentimento escrito de um agrupamento de escolas para realizar o estudo e, de 03/12/2008 a 07/01/2009, o consentimento verbal de seis agrupamentos. No contacto estabelecido com os Presidentes dos Agrupamentos de Escolas e professores foi-lhes solicitado que fornecessem a informa&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; refer&ecirc;ncia bibliogr&aacute;fica dos manuais escolares adoptados em cada escola e em todos os anos de escolaridade do 1&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico na disciplina de Estudo do Meio.</p>     <p>Assim, procedeu-se a um estudo descritivo de natureza qualitativa onde foi feita a an&aacute;lise dos manuais escolares adoptados, do 1&ordm; ao 4&ordm; ano de escolaridade do 1&ordm; ciclo, em 73 escolas p&uacute;blicas de seis agrupamentos de escolas do Ensino B&aacute;sico de tr&ecirc;s concelhos da &aacute;rea educativa de Coimbra.</p>     <p>As escolas em estudo adoptaram, para os diferentes anos de escolaridade, um total de 19 manuais escolares repartidos da seguinte forma: para o 1&ordm; ano de escolaridade dois manuais de dois editores diferentes; oito manuais de seis editores para o 2&ordm; ano; para o 3&ordm; ano seis manuais de cinco editores diferentes; e para o 4&ordm; ano tr&ecirc;s manuais de tr&ecirc;s editores.</p>     <p>Sendo nossa inten&ccedil;&atilde;o, exclusivamente, proceder &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos relativos &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o oferecidos &agrave;s crian&ccedil;as nestes quatro anos de escolaridade, por op&ccedil;&atilde;o &eacute;tico-metodol&oacute;gica em nenhum momento ser&aacute; revelada a refer&ecirc;ncia bibliogr&aacute;fica dos manuais escolares. Assim, para a designa&ccedil;&atilde;o de cada manual atribuiu-se uma letra mai&uacute;scula do alfabeto seguida do ano de escolaridade. Nos anos de escolaridade em que foram adoptados dois manuais da mesma editora, um dos manuais foi identificado pela letra mai&uacute;scula do alfabeto seguida do ano de escolaridade e de (2&ordm; Manual).</p>     <p>Na an&aacute;lise dos livros escolares os conte&uacute;dos foram organizados segundo os princ&iacute;pios de an&aacute;lise de conte&uacute;do de Bardin (2008) que se aplica &agrave; grande diversidade de conte&uacute;dos e continentes e que refere ser um processo que inclui “um conjunto de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise das comunica&ccedil;&otilde;es visando obter, por procedimentos sistem&aacute;ticos e objectivos de descri&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do das mensagens, indicadores que permitam a infer&ecirc;ncia de conhecimentos relativos &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o/percep&ccedil;&atilde;o dessas mensagens” (2008, p.44). Na categoriza&ccedil;&atilde;o, &agrave; semelhan&ccedil;a do estudo realizado na Catalunha em 2007 por Pegenaute (2007), com os livros de texto do ciclo m&eacute;dio e superior de educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria (3&ordm;, 4&ordm;, 5&ordm; e 6&ordm; anos), para alunos com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos, definimos, <i>a priori</i>, alguns baseados nas recomenda&ccedil;&otilde;es da Semana Mundial da Amamenta&ccedil;&atilde;o de 1999: “Amamentar: Educar para a vida”, os seguidos pela autora Pegenaute (2007) e outros considerados por n&oacute;s importantes e imprescind&iacute;veis para ensinar e explicar &agrave; crian&ccedil;a no&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de amamenta&ccedil;&atilde;o: Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento; A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; nutri&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o; O natural &eacute; tomar leite materno logo depois do nascimento; Vantagens da amamenta&ccedil;&atilde;o para a m&atilde;e, beb&eacute;, fam&iacute;lia, comunidade e ambiente; A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; melhor que a alimenta&ccedil;&atilde;o artificial; Fisiologia da amamenta&ccedil;&atilde;o. Como funciona uma mama para que produza leite? A posi&ccedil;&atilde;o de amamentar &eacute; muito importante e &eacute; um procedimento a aprender; Dar a mama n&atilde;o d&oacute;i, se d&oacute;i &eacute; porque a crian&ccedil;a est&aacute; mal colocada; Como se deve dar a mama: posturas e sem hor&aacute;rios; Import&acirc;ncia de iniciar a amamenta&ccedil;&atilde;o logo que poss&iacute;vel para que a pega seja correcta e porque o colostro beneficia o beb&eacute; fornecendo-lhe uma alt&iacute;ssima concentra&ccedil;&atilde;o de anticorpos que o protegem de muitas doen&ccedil;as e um alto conte&uacute;do de prote&iacute;nas, vitaminas e minerais; Per&iacute;odo de amamenta&ccedil;&atilde;o (do nascimento at&eacute; aos 6 meses exclusivamente e de modo complementado at&eacute; aos 2 anos ou mais, at&eacute; que a m&atilde;e e o beb&eacute; queiram); O pai &eacute; um elemento importante no processo da amamenta&ccedil;&atilde;o; O uso de chupeta e de biber&atilde;o prejudicam a amamenta&ccedil;&atilde;o; Mitos corrigidos (N&atilde;o existe leite fraco. No&ccedil;&atilde;o de leite anterior e posterior. Alimenta&ccedil;&atilde;o materna variada e equilibrada; N&atilde;o necessita de &aacute;gua. At&eacute; aos 6 meses deve-se amamentar de forma exclusiva e os beb&eacute;s n&atilde;o precisam de &aacute;gua). Na selec&ccedil;&atilde;o destes conte&uacute;dos esteve-se atento &agrave; exclus&atilde;o m&uacute;tua, homogeneidade, pertin&ecirc;ncia, objectividade, exaustividade e produtividade. Considera-se, portanto, que foi seguida uma t&eacute;cnica de an&aacute;lise de conte&uacute;do de n&iacute;vel sem&acirc;ntico tendo em conta que Gil-Garc&iacute;a <i>et al.</i> (2002) a caracteriza por estar atenta ao sentido das palavras e &agrave; an&aacute;lise dos temas ou categorias propostas.</p>     <p>Como se apresentou, definiram-se <i>a priori</i> as categorias e seguiu-se o m&eacute;todo dedutivo, todavia, estivemos atentos ao surgimento de novas categorias que pudessem surgir durante o processo de an&aacute;lise, pelo que, a acontecer, seguir&iacute;amos tamb&eacute;m o m&eacute;todo indutivo. Para um primeiro contacto e conhecimento dos conte&uacute;dos versados em cada um dos manuais foi feita uma leitura integral de cada um dos manuais, como refere Bardin (2008). Posteriormente, cada livro foi analisado, foi verificado se a observa&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;a os conte&uacute;dos determinados previamente e constru&iacute;da uma grelha de an&aacute;lise que permitiu obter a perspectiva de cada manual escolar e estabelecer a compara&ccedil;&atilde;o entre os manuais.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados</b></p>     <p>Nos manuais escolares do 1&ordm; ano de escolaridade em nenhum momento se aborda o tema amamenta&ccedil;&atilde;o, todavia, no bloco tem&aacute;tico 1, “&Agrave; Descoberta de Si Mesmo”, s&atilde;o introduzidas no&ccedil;&otilde;es importantes sobre h&aacute;bitos saud&aacute;veis de vida e tamb&eacute;m se questionam as crian&ccedil;as, no item do “Seu Passado Pr&oacute;ximo”, sobre momentos importantes do seu crescimento e desenvolvimento nomeadamente: quando nasceu o 1&ordm; dente; quando come&ccedil;ou a andar; quando entrou para o jardim-escola; e para o 1&ordm; ciclo. &Eacute; ainda neste bloco tem&aacute;tico que se abordam as partes que constituem o corpo humano e se refere a import&acirc;ncia da vacina&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de da crian&ccedil;a.</p>     <p>No bloco tem&aacute;tico 3, “&Agrave; Descoberta do Ambiente Natural”, quando se lecciona o cap&iacute;tulo ”Os Seres Vivos do Seu Ambiente” introduzem-se no&ccedil;&otilde;es sobre cuidados a ter com os animais para que nas&ccedil;am, cres&ccedil;am e se reproduzam e, ainda, sobre os alimentos que preferem. Uma imagem visualizada num dos manuais (B1) inclui v&aacute;rios animais, onde tamb&eacute;m se inclui o Homem.</p>     <p>Foi ainda poss&iacute;vel apurar que, embora no manual (A1) aparecesse uma imagem de uma mulher despida gr&aacute;vida onde se visualizam as mamas, n&atilde;o se faz qualquer alus&atilde;o &agrave; sua fun&ccedil;&atilde;o de nutri&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o. Neste mesmo manual s&atilde;o vis&iacute;veis imagens de biber&otilde;es, chupetas e de crian&ccedil;as com chupetas, utilizadas na ilustra&ccedil;&atilde;o de objectos associados a crian&ccedil;as pequenas.</p>     <p>Nos manuais do 2&ordm; ano de escolaridade observouse, igualmente, que nenhum aborda o tema amamenta&ccedil;&atilde;o, no entanto, a an&aacute;lise dos oito manuais adoptados permitiu constatar que &eacute; no bloco tem&aacute;tico 1, “&Agrave; Descoberta de Si Mesmo”, cap&iacute;tulo “O Passado Mais Long&iacute;nquo da Crian&ccedil;a”, que se recolhem informa&ccedil;&otilde;es sobre o passado da crian&ccedil;a, concretamente o nascimento: “nasceu-me o 1&ordm; dente, comecei a andar (…)”. A crian&ccedil;a tem, assim, oportunidade de construir a sua pr&oacute;pria linha do tempo.</p>     <p>Analisando-se o manual D2 constat&aacute;mos tratar-se do &uacute;nico que, neste cap&iacute;tulo, tem uma caixa de informa&ccedil;&atilde;o que menciona: “com um m&ecirc;s dormia quase 20 horas e mamava” (p.14), todavia, a ilustrar esta frase aparece uma figura de uma crian&ccedil;a com chupeta numa alcofa.</p>     <p>&Eacute; ainda neste bloco tem&aacute;tico que, nos cap&iacute;tulos “O Seu Corpo” e “A Sa&uacute;de Do Seu Corpo”, s&atilde;o ministrados conte&uacute;dos relativos aos &oacute;rg&atilde;os dos sentidos, abordando-se a fun&ccedil;&atilde;o de cada um deles e &eacute; mencionada a import&acirc;ncia da vacina&ccedil;&atilde;o na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.</p>     <p>No bloco tem&aacute;tico 3, “&Agrave; Descoberta do Ambiente Natural”, o manual D2 &eacute; o &uacute;nico que, neste ano de escolaridade, quando aborda os animais, no cap&iacute;tulo ”Os Seres Vivos do Seu Ambiente”, introduz a no&ccedil;&atilde;o de mam&iacute;fero referindo que “O veado bebe leite da m&atilde;e quando &eacute; pequeno. &Eacute; um animal mam&iacute;fero tal como o cavalo, o boi, o coelho, o porco (…)”. (p. 99). O manual A2 n&atilde;o foca o termo mam&iacute;fero mas, neste cap&iacute;tulo, referindo-se aos gatos e aos c&atilde;es, menciona: “Nascemos do ventre da m&atilde;e. Em pequenos alimentamo-nos do leite materno (…)” (p. 100).</p>     <p>Relativamente &agrave;s imagens ilustrativas utilizadas verificou-se que o uso de chupeta &eacute; recorrente (B2, C2, D2, D2 (2&ordm; Manual), E2 (2&ordm; Manual) e F2) e associada, essencialmente, &agrave;s datas importantes da vida da crian&ccedil;a e &agrave;s modifica&ccedil;&otilde;es do corpo. A figura do biber&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m vis&iacute;vel quando se abordam estes conte&uacute;dos agora em tr&ecirc;s manuais, A2, C2 e F2, e no C2 aparece mesmo uma m&atilde;e a alimentar com biber&atilde;o. &Eacute; interessante notar que C2 &eacute; tamb&eacute;m o &uacute;nico manual, deste ano de escolaridade, que tem uma imagem que ilustra um nascimento em que o beb&eacute; &eacute; colocado em contacto precoce e que numa outra altura, que n&atilde;o no nascimento, aparece uma figura de uma crian&ccedil;a a mamar.</p>      <p>A n&iacute;vel do 3&ordm; ano de escolaridade teve-se oportunidade de verificar que &eacute; no manual A3 que se refere &agrave;s crian&ccedil;as o conte&uacute;do por n&oacute;s selecionado como proped&ecirc;utico: “Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento”. Este manual no bloco tem&aacute;tico 3, “&Agrave; Descoberta do Ambiente Natural”, quando aborda os animais, concretamente os mam&iacute;feros e os viv&iacute;paros, refere que o Homem faz parte destes grupos e que s&atilde;o alimentados, enquanto pequenos, com o leite da m&atilde;e. Este manual ao referir-se aos mam&iacute;feros inclui uma imagem ilustrativa onde se visualiza uma crian&ccedil;a e uma ovelha. Referindo-se &agrave;s caracter&iacute;sticas deste grupo menciona: “ (…) nascem do ventre da m&atilde;e, alimentam-se de leite em pequenos, (…).(p. 74). Quando aborda os animais viv&iacute;paros acrescenta: “Normalmente, s&atilde;o alimentados com o leite da m&atilde;e enquanto pequenos. S&atilde;o exemplo o c&atilde;o, o homem, a baleia e o le&atilde;o.” (p. 76).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda neste bloco tem&aacute;tico verifica-se que, embora os outros manuais quando se referem aos mam&iacute;feros mencionem que estes se alimentam de leite enquanto pequenos, n&atilde;o incluem o Homem nesta classe de animais e, embora nem todos mencionem o leite materno, no caso do B3 e D3 com o exemplo que d&atilde;o, dado tratar-se de um animal selvagem, pode depreender-se que se trata do leite da m&atilde;e. O manual D3 (2&ordm; Manual) refere “mamam” e mamar pressup&otilde;e que se alimenta de leite directamente da mama da m&atilde;e.</p>     <p>Uma perspectiva importante a ter em aten&ccedil;&atilde;o &eacute; o facto de C3 e D3 (2&ordm; Manual) introduzirem o conte&uacute;do “Alimentam-se das mamas das m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento”.</p>     <p>B3 -os mam&iacute;feros “alimentam-se de leite enquanto s&atilde;o pequenos” (p.68) e na imagem ilustrativa dos mam&iacute;feros apresentam um urso.</p>     <p>C3 -os mam&iacute;feros “alimentam-se de leite materno quando nascem” (p.72) e na imagem aparece um gato.</p>     <p>D3 -os mam&iacute;feros “alimentam-se de leite quando beb&eacute;s” (p. 87) e na imagem ilustrativa dos animais mam&iacute;feros aparece um urso.</p>     <p> D3 (2&ordm; Manual) - os mam&iacute;feros “nascem do ventre da m&atilde;e e mamam ao nascer (vaca, cavalo, golfinho)” (p. 76).</p>     <p>E3 - “ (...) as suas crias alimentam-se do leite materno"(p.59) e a ilustrar o conceito aparece a imagem de uma porca a alimentar os filhos. Na p&aacute;gina 61 aborda novamente as caracter&iacute;sticas dos animais e relativamente aos mam&iacute;feros focam que “(…) em pequenos alimentam-se do leite materno” tendo agora como imagens um cavalo, um porco e uma ovelha.</p>     <p>Foi tamb&eacute;m neste n&iacute;vel de escolaridade que um dos manuais escolares, o D3 (2&ordm; Manual), aborda o conte&uacute;do “O natural &eacute; tomar leite materno logo depois do nascimento”. Isto verificou-se no bloco tem&aacute;tico 1, “&Agrave; Descoberta de Si Mesmo”, quando no manual, ao abordar a fun&ccedil;&atilde;o reprodutora, no cap&iacute;tulo “O Seu Corpo”, aparece uma caixa com o texto “o beb&eacute; nasceu e a m&atilde;e d&aacute;-lhe leite” (p. 34). A ilustrar este conte&uacute;do te&oacute;rico surge uma figura de uma m&atilde;e a amamentar uma crian&ccedil;a.</p>     <p>A an&aacute;lise dos manuais permite ainda constatar que neste bloco tem&aacute;tico ministram-se conte&uacute;dos relativos &agrave; fun&ccedil;&atilde;o reprodutora. Embora A3, C3 e E3 incluam imagens de mulheres despidas com mamas, em nenhum momento se faz qualquer alus&atilde;o &agrave; sua fun&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o com a amamenta&ccedil;&atilde;o. Outro assunto abordado neste bloco tem&aacute;tico e inclu&iacute;do em todos os manuais &eacute; a viv&ecirc;ncia dos sentimentos de carinho, ternura e de amor constatando-se, tamb&eacute;m aqui, que n&atilde;o h&aacute; qualquer refer&ecirc;ncia &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A an&aacute;lise do manual A3 permitiu-nos observar que &eacute; dada oportunidade &agrave; crian&ccedil;a de, no bloco tem&aacute;tico 2, “&Agrave; Descoberta dos Outros e das Institui&ccedil;&otilde;es”, atrav&eacute;s do item “O Passado do Meio Local”, desenvolver entrevistas e pesquisar os h&aacute;bitos locais. Este &eacute; um excelente meio de pesquisar a tradi&ccedil;&atilde;o local da amamenta&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto a figuras ilustrativas dos conte&uacute;dos, apurou-se que o manual D3 (2&ordm; Manual) utiliza imagens de amamenta&ccedil;&atilde;o sempre que se refere &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o do Homem e de outros mam&iacute;feros comparativamente com o manual C3 que, associado &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o de animais, utiliza o biber&atilde;o. Neste &uacute;ltimo &eacute; tamb&eacute;m vis&iacute;vel no Bloco tem&aacute;tico 2 uma imagem de uma fam&iacute;lia onde aparece uma crian&ccedil;a com chupeta. O manual E3 associa tamb&eacute;m a imagem do biber&atilde;o &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as pequenas, o que se observa na p&aacute;gina 12, onde figura um pai a administrar leite a uma crian&ccedil;a  atrav&eacute;s de um biber&atilde;o, sentado ao lado da m&atilde;e. Em contraste, na p&aacute;gina 49, a amamenta&ccedil;&atilde;o aparece associada &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o de animais irracionais.</p>     <p>Dos tr&ecirc;s manuais adoptados para o 4&ordm; ano de escolaridade nenhum deles aborda o tema amamenta&ccedil;&atilde;o. Todavia, a sua an&aacute;lise permitiu verificar que a n&iacute;vel do bloco tem&aacute;tico 1, “&Agrave; Descoberta de Si Mesmo”, no cap&iacute;tulo “O Seu Corpo”, dois deles t&ecirc;m como conte&uacute;do para leccionar &agrave;s crian&ccedil;as a pele e a sua fun&ccedil;&atilde;o. O manual A4 refere: “A pele &eacute; o &oacute;rg&atilde;o do sentido do tacto. Atrav&eacute;s dela podes sentir: o calor, o frio, a dureza ou a macieza dos objectos, a suavidade de uma car&iacute;cia, as vibra&ccedil;&otilde;es, as c&oacute;cegas, etc” (p. 16). &Eacute; tamb&eacute;m este manual escolar que introduz a no&ccedil;&atilde;o de colora&ccedil;&atilde;o da pele associada &agrave; quantidade de melanina quando exp&otilde;e: “Quanto mais melanina possu&iacute;res, mais escura &eacute; a tua pele” (p. 16). Nos cuidados a ter com a pele menciona que “Quanto mais branca for a tua pele, mais cuidados se deve ter com ela” (p. 19). O manual B4 discrimina a prote&ccedil;&atilde;o como sendo uma fun&ccedil;&atilde;o da pele, referindo: “A pele protege o corpo do ambiente exterior, dos choques, das poeiras, do sol, do frio, dos micr&oacute;bios, dos produtos qu&iacute;micos, etc.” (p. 14). J&aacute; o manual C4 dedica neste cap&iacute;tulo conte&uacute;dos sobre cuidados a ter com o Sol.</p>     <p>Constatou-se, igualmente, que os tr&ecirc;s comp&ecirc;ndios no bloco tem&aacute;tico 6, “&Agrave; Descoberta das Inter-Rela&ccedil;&otilde;es entre a Natureza e a Sociedade”, no cap&iacute;tulo “A Qualidade do Ambiente” quando abordam os Desequil&iacute;brios Ambientais”, chamam a aten&ccedil;&atilde;o dos alunos para “A constante evolu&ccedil;&atilde;o da humanidade e a transforma&ccedil;&atilde;o do meio ambiente trazem ao Homem vantagens e qualidade de vida, mas tamb&eacute;m inconvenientes” (A4, p. 115). O manual B4, neste contexto, evoca que embora o Homem tenha procurado o melhor para a sua vida “(…) nem sempre o fez de uma forma correcta: respeitando a natureza, a vida dos animais, a vida das plantas e a sua pr&oacute;pria vida” (p. 142) referindo, por exemplo, a acumula&ccedil;&atilde;o dos lixos dom&eacute;sticos e industriais e a prolifera&ccedil;&atilde;o das ind&uacute;strias.</p>     <p>O manual C4, como sugest&atilde;o de actividade a ser desenvolvida pelos estudantes, exp&otilde;e: “Procura informa&ccedil;&otilde;es sobre produtos de uso quotidiano que s&atilde;o prejudiciais ao ambiente e averigua se h&aacute; outros do mesmo g&eacute;nero que s&atilde;o amigos do ambiente” (p. 105).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p> Dos conte&uacute;dos por n&oacute;s seleccionados como b&aacute;sicos e importantes a transmitir &agrave;s crian&ccedil;as desde a escola, e que esper&aacute;vamos ver inclu&iacute;dos nos manuais escolares, apenas encontr&aacute;mos no 3&ordm; ano de escolaridade dois manuais que compreendem, cada um deles, os conte&uacute;dos: “Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento” e “O natural &eacute; tomar leite materno logo depois do nascimento”. Estes resultados ficam muito longe dos encontrados por Pegenaute (2007) na an&aacute;lise que fez dos 14 livros seleccionados, tendo verificado que a totalidade inclu&iacute;a a informa&ccedil;&atilde;o “Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento”; 29% que a amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; nutri&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o”; 71% que “O natural &eacute; tomar leite materno logo depois do nascimento” e igual percentagem que “A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; melhor que a alimenta&ccedil;&atilde;o artificial” e que 14% se referia &agrave; “Fisiologia da amamenta&ccedil;&atilde;o. Como funciona uma mama para que produza leite?”. Apurou, ainda, que 82% dos manuais n&atilde;o desmistificavam o tempo aconselhado de amamenta&ccedil;&atilde;o exclusiva e complementada e que 42% n&atilde;o procedia &agrave; desmistifica&ccedil;&atilde;o que a amamenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o necessita de complementa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Esta autora teve tamb&eacute;m oportunidade de observar que nenhum dos manuais escolares inclu&iacute;a informa&ccedil;&atilde;o sobre: “O uso de chupeta e de biber&atilde;o prejudicam a amamenta&ccedil;&atilde;o”; “A posi&ccedil;&atilde;o de amamentar &eacute; muito importante e &eacute; um procedimento a aprender”; “Dar a mama n&atilde;o d&oacute;i, se d&oacute;i &eacute; porque a crian&ccedil;a est&aacute; mal colocada”; “Como se deve dar a mama: posturas e sem hor&aacute;rios” e “Import&acirc;ncia de iniciar a amamenta&ccedil;&atilde;o logo que poss&iacute;vel para que a pega seja correcta e porque o colostro beneficia o beb&eacute; fornecendo-lhe uma alt&iacute;ssima concentra&ccedil;&atilde;o de anticorpos que o protegem de muitas doen&ccedil;as e um alto conte&uacute;do de prote&iacute;nas, vitaminas e minerais” (Pegenaute, 2007).</p>     <p>Nos quatro anos de escolaridade s&atilde;o muitos os momentos nos quais &eacute; poss&iacute;vel incluir o tema amamenta&ccedil;&atilde;o e os conte&uacute;dos determinados <i>a priori</i> como importantes para difundir conhecimentos essenciais sobre amamenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Fazendo uma an&aacute;lise comparativa entre o programa curricular da disciplina de Estudo do Meio, de cada ano de escolaridade, e os conte&uacute;dos abordados nos manuais escolares, considerando os conte&uacute;dos que esper&aacute;vamos ver inclu&iacute;dos e tidos como b&aacute;sicos para transmitir no&ccedil;&otilde;es importantes sobre amamenta&ccedil;&atilde;o a crian&ccedil;as nestas idades escolares, verifica-se que no programa escolar do 1&ordm; ano seria poss&iacute;vel incluir a amamenta&ccedil;&atilde;o no bloco tem&aacute;tico 1, “&Agrave; Descoberta de Si Mesmo”, quando fossem abordados os cap&iacute;tulos referentes ao corpo e &agrave; sa&uacute;de do corpo. No entanto, constatou-se que quando se fala &agrave;s crian&ccedil;as sobre os h&aacute;bitos saud&aacute;veis de vida se perdeu, logo aqui, a oportunidade de abordar os conte&uacute;dos “Vantagens da amamenta&ccedil;&atilde;o para a m&atilde;e, beb&eacute;, fam&iacute;lia, comunidade e ambiente”, “A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; melhor que a alimenta&ccedil;&atilde;o artificial” e “O uso de chupeta e de biber&atilde;o prejudicam a amamenta&ccedil;&atilde;o”.</p>     <p> Outra oportunidade perdida foi constatada quando as crian&ccedil;as t&ecirc;m a possibilidade de se questionar sobre o seu passado pr&oacute;ximo. Seria um dos momentos em que os conte&uacute;dos “Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento” e “O natural &eacute; tomar leite materno logo depois do nascimento” poderiam ter sido introduzidos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tamb&eacute;m no bloco tem&aacute;tico 3, “&Agrave; Descoberta do Ambiente Natural”, quando se abordam os seres vivos e se introduzem no&ccedil;&otilde;es sobre cuidados a ter com os animais para que nas&ccedil;am, se reproduzam e cres&ccedil;am, seria uma oportunidade de incluir o conte&uacute;do “Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento”. Neste n&iacute;vel de escolaridade ainda n&atilde;o introduzem &agrave;s crian&ccedil;as a no&ccedil;&atilde;o de mam&iacute;fero.</p>     <p>A n&iacute;vel do 2&ordm; ano de escolaridade, o programa da disciplina aponta para a inclus&atilde;o do tema amamenta&ccedil;&atilde;o logo no bloco tem&aacute;tico 1, quando se desenvolvem os conte&uacute;dos “O passado mais long&iacute;nquo da crian&ccedil;a”, “O corpo” e “A sa&uacute;de do seu corpo”. Mas, tamb&eacute;m aqui, a an&aacute;lise dos manuais escolares demonstrou que, embora seja dada oportunidade &agrave; crian&ccedil;a de construir a sua pr&oacute;pria linha do tempo, n&atilde;o &eacute; elucidada a colher informa&ccedil;&atilde;o sobre amamenta&ccedil;&atilde;o, o que constituiria uma oportunidade de se introduzir o conte&uacute;do “Per&iacute;odo de amamenta&ccedil;&atilde;o (do nascimento at&eacute; aos 6 meses exclusivamente e de modo complementado at&eacute; aos 2 anos ou mais, at&eacute; que a m&atilde;e e o beb&eacute; queiram)”. Dado que um dos momentos importantes que a crian&ccedil;a ir&aacute; incluir no seu friso cronol&oacute;gico ser&aacute; o nascimento, para al&eacute;m dos conte&uacute;dos que j&aacute; mencion&aacute;mos que deveriam ser inclu&iacute;dos no 1&ordm; ano de escolaridade, considera-se que, nesta altura, e porque o pai habitualmente est&aacute; presente no nascimento, se poderia fazer a inclus&atilde;o de “O pai &eacute; um elemento importante no processo da amamenta&ccedil;&atilde;o”. Constatou-se que, a estas crian&ccedil;as, nos manuais escolares quando abordam o corpo e a sa&uacute;de do seu corpo, se referem aos sentidos e &agrave;s suas fun&ccedil;&otilde;es. Parece-nos que seria uma excelente ocasi&atilde;o para se incluir o conte&uacute;do “A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; nutri&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o”. Neste cap&iacute;tulo poder-se-iam refor&ccedil;ar os conte&uacute;dos referentes a “Vantagens da amamenta&ccedil;&atilde;o para a m&atilde;e, beb&eacute;, fam&iacute;lia, comunidade e ambiente”, “A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; melhor que a alimenta&ccedil;&atilde;o artificial” e “O uso de chupeta e de biber&atilde;o prejudicam a amamenta&ccedil;&atilde;o”.</p>     <p>No bloco tem&aacute;tico 3, quando se fala dos “Seres vivos e do seu ambiente” e “Conhecer aspectos f&iacute;sicos e Seres vivos de outras regi&otilde;es ou pa&iacute;ses”, &eacute; tamb&eacute;m um excelente momento para a abordagem da amamenta&ccedil;&atilde;o. No entanto, vimos que s&oacute; alguns manuais se referiram a que alguns animais bebiam leite materno mas que nunca inclu&iacute;ram o Homem. Perdeu-se mais uma oportunidade de se incluir o conte&uacute;do “Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento”.</p>     <p>Tamb&eacute;m no 3&ordm; ano de escolaridade a amamenta&ccedil;&atilde;o poderia ser logo inclu&iacute;da no bloco tem&aacute;tico 1 quando as crian&ccedil;as estudassem “O corpo e a sa&uacute;de e seguran&ccedil;a do seu corpo”. Foi neste ano de escolaridade que se observou que apenas um manual escolar incluiu o conte&uacute;do por n&oacute;s seleccionado “O natural &eacute; tomar leite materno logo depois do nascimento”. Aos alunos deste ano de escolaridade poder-se-&aacute;, dado o seu n&iacute;vel de compreens&atilde;o, refor&ccedil;ar os conte&uacute;dos “Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento”, “A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; nutri&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o”, “Vantagens da amamenta&ccedil;&atilde;o para a m&atilde;e, beb&eacute;, fam&iacute;lia, comunidade e ambiente”, “A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; melhor que a alimenta&ccedil;&atilde;o artificial, “Per&iacute;odo de amamenta&ccedil;&atilde;o (do nascimento at&eacute; aos 6 meses exclusivamente e de modo complementado at&eacute; aos 2 anos ou mais, at&eacute; que a m&atilde;e e o beb&eacute; queiram), “O pai &eacute; um elemento importante no processo da amamenta&ccedil;&atilde;o” e “O uso de chupeta e de biber&atilde;o prejudicam a amamenta&ccedil;&atilde;o”.</p>     <p>Atendendo a que neste bloco tem&aacute;tico a crian&ccedil;a estuda os &oacute;rg&atilde;os e a sua fun&ccedil;&atilde;o pode-se, ent&atilde;o, introduzir os conte&uacute;dos “Fisiologia da amamenta&ccedil;&atilde;o. Como funciona uma mama para que produza leite?”, “A posi&ccedil;&atilde;o de amamentar &eacute; muito importante e &eacute; um procedimento a aprender”, “Dar a mama n&atilde;o d&oacute;i, se d&oacute;i &eacute; porque a crian&ccedil;a est&aacute; mal colocada”, “Como se deve dar a mama: posturas e sem hor&aacute;rios” e “Import&acirc;ncia de iniciar a amamenta&ccedil;&atilde;o logo que poss&iacute;vel para que a pega seja correcta e porque o colostro beneficia o beb&eacute; fornecendo-lhe uma alt&iacute;ssima concentra&ccedil;&atilde;o de anticorpos que o protege de muitas doen&ccedil;as e um alto conte&uacute;do de prote&iacute;nas vitaminas e minerais”.</p>      <p>Tamb&eacute;m no bloco tem&aacute;tico 2 quando se aborda o “Passado do meio local e Conhecer Costumes e Tradi&ccedil;&otilde;es de outros povos” poder-se-ia falar de amamenta&ccedil;&atilde;o. Todavia, constatou-se que, embora as crian&ccedil;as tenham oportunidade de desenvolver entrevistas e pesquisar os h&aacute;bitos, n&atilde;o s&atilde;o veiculadas no&ccedil;&otilde;es sobre amamenta&ccedil;&atilde;o. Seria uma oportunidade para incluir o conte&uacute;do “Vantagens da amamenta&ccedil;&atilde;o para a m&atilde;e, beb&eacute;, fam&iacute;lia, comunidade e ambiente”. Os conte&uacute;dos program&aacute;ticos do bloco tem&aacute;tico 3 apontam para a abordagem da amamenta&ccedil;&atilde;o, nesta parte do programa. Efetivamente, veio-se a constatar que, quando os alunos t&ecirc;m oportunidade de estudar, comparar e classificar animais segundo as suas caracter&iacute;sticas externas e modo de vida, um dos manuais escolares incluiu o conte&uacute;do “Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento”.</p>     <p>&Eacute; tamb&eacute;m no bloco tem&aacute;tico 4 que o programa da disciplina comporta conte&uacute;dos onde poderia ser abordada a amamenta&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, quando &agrave; crian&ccedil;a se fala do “Com&eacute;rcio Local”, mais concretamente da conserva&ccedil;&atilde;o dos alimentos. Os manuais escolares, a este respeito, n&atilde;o fazem qualquer advert&ecirc;ncia &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da amamenta&ccedil;&atilde;o, mas pensa-se que se poderia refor&ccedil;ar o conte&uacute;do do tempo da amamenta&ccedil;&atilde;o e referir que a m&atilde;e trabalhadora, desde que queira, pode continuar a amamentar pois &eacute; poss&iacute;vel conservar o leite materno.</p>     <p>No bloco tem&aacute;tico 6, ao serem abordados os conte&uacute;dos referentes aos principais problemas da polui&ccedil;&atilde;o, pensa-se ser tamb&eacute;m uma excelente altura para falar do conte&uacute;do “Vantagens da amamenta&ccedil;&atilde;o para a m&atilde;e, beb&eacute;, fam&iacute;lia, comunidade e ambiente”.Verificou-se nos manuais escolares que as crian&ccedil;as s&atilde;o elucidadas para os perigos da polui&ccedil;&atilde;o do ambiente, e forma de o evitarem, por isso, seria de todo adequado falar-se da amamenta&ccedil;&atilde;o e das suas vantagens para o ambiente.</p>     <p>No 4&ordm;ano de escolaridade tamb&eacute;m o programa da disciplina comporta a inclus&atilde;o do tema amamenta&ccedil;&atilde;o logo no bloco tem&aacute;tico 1, no subcap&iacute;tulo “O seu corpo”, quando se fala sobre a pele. No entanto, verificou-se que nos manuais escolares ao se abordar esta tem&aacute;tica s&oacute; se fala &agrave;s crian&ccedil;as sobre as fun&ccedil;&otilde;es da pele. &Eacute; assim que nos parece adequado refor&ccedil;ar o conte&uacute;do “A amamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; nutri&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o”. Para al&eacute;m disso, dado o n&iacute;vel cognitivo destes meninos(as) seria, ent&atilde;o, de introduzir o que apelid&aacute;mos de “Mitos corrigidos” e incluir as no&ccedil;&otilde;es &agrave;s crian&ccedil;as de que “N&atilde;o existe leite fraco. No&ccedil;&atilde;o de leite anterior e posterior”, “Para amamentar a alimenta&ccedil;&atilde;o materna necessita de ser variada e equilibrada” e “N&atilde;o necessita de &aacute;gua. At&eacute; aos 6 meses deve-se amamentar de forma exclusiva e os beb&eacute;s n&atilde;o precisam de &aacute;gua”.</p>     <p>Tamb&eacute;m neste n&iacute;vel de escolaridade, no bloco tem&aacute;tico 6, quando se aborda a qualidade do ambiente permite que se inclu&iacute;sse o tema amamenta&ccedil;&atilde;o, mas os manuais escolares, embora alertem os estudantes para os desequil&iacute;brios provocados pela evolu&ccedil;&atilde;o da humanidade e lhes sugiram atividades de pesquisa sobre atividades e produtos de uso di&aacute;rio que s&atilde;o prejudiciais ao ambiente, em momento algum falam de amamenta&ccedil;&atilde;o, pelo que, se poderia incluir o conte&uacute;do “Vantagens da amamenta&ccedil;&atilde;o para a m&atilde;e, beb&eacute;, fam&iacute;lia, comunidade e ambiente”.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Dos conte&uacute;dos por n&oacute;s selecionados, como b&aacute;sicos e importantes a transmitir &agrave;s crian&ccedil;as desde a escola e que esper&aacute;vamos ver inclu&iacute;dos nos manuais escolares, apenas encontr&aacute;mos nos manuais escolares de Estudo do Meio, no 3&ordm; ano de escolaridade, dois manuais que incluem cada um deles os conte&uacute;dos “Somos mam&iacute;feros. Alimentamo-nos das mamas das nossas m&atilde;es ap&oacute;s o nascimento” e “O natural &eacute; tomar leite materno logo depois do nascimento”.</p>     <p>A an&aacute;lise dos diferentes manuais permitiu-nos observar que existem diversas oportunidades de ensinar, esclarecer, ajudar a crian&ccedil;a a aprender uma cultura da alimenta&ccedil;&atilde;o natural, pois o tema amamenta&ccedil;&atilde;o poderia estar inclu&iacute;do em diversos cap&iacute;tulos das diferentes rubricas program&aacute;ticas, nomeadamente, em dois blocos tem&aacute;ticos dos dois primeiros anos de escolaridade, em cinco dos seis blocos do 3&ordm; ano e em dois blocos do &uacute;ltimo ano. No entanto, estas oportunidades s&atilde;o perdidas e, neste material did&aacute;ctico por excel&ecirc;ncia, v&aacute;rias imagens ilustrativas utilizadas n&atilde;o est&atilde;o associadas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da amamenta&ccedil;&atilde;o e, pelo contr&aacute;rio, promovem uma cultura de alimenta&ccedil;&atilde;o artificial. Assim, tamb&eacute;m n&oacute;s somos da opini&atilde;o de que muitas oportunidades s&atilde;o perdidas na escola quando no material did&aacute;ctico utilizado para as crian&ccedil;as n&atilde;o se enfatiza a import&acirc;ncia do leite materno para o resto da vida; se excluem os seres humanos da classe dos mam&iacute;feros; se relaciona a alimenta&ccedil;&atilde;o infantil com o uso de biber&otilde;es, adoptando-se imagens de m&atilde;es e pais oferecendo biber&otilde;es e chupetas; e n&atilde;o se inclui o tema aleitamento materno nos projectos pedag&oacute;gicos.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>BARDIN, Laurence (2008) - An&aacute;lise de conte&uacute;do. Lisboa : Edi&ccedil;&otilde;es 70.</p>      <p>COSTA, M. M. S. M. ; SILVA, L. R. (2008) - Programas de incentivo ao aleitamento materno. Incentivo ao aleitamento materno para crian&ccedil;as em idade escolar. In ISSLER, H. - O aleitamento materno no contexto atual: pol&iacute;ticas, pr&aacute;tica e bases cient&iacute;ficas. S&atilde;o Paulo : Sarvier. p. 121-129.</p>     <p>GALV&Atilde;O, Dulce M. P. G. (2006) - Amamenta&ccedil;&atilde;o bem sucedida: alguns factores determinantes. Loures : Lusoci&ecirc;ncia.</p>      <p>GIL-GARC&Iacute;A, E. &#91;et al.&#93; (2002) - El an&aacute;lisis de texto asistido por ordenador en la investigaci&oacute;n cualitativa. Index de Enfermer&iacute;a.  Vol. 11, n&ordm; 36-37, p. 24-28.    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      <p>JOCA, M. T. &#91;et al.&#93; (2005) - Fatores que contribuem para o desmame precoce. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem. Vol. 9, n&ordm; 3, p. 356-364.</p>      <p>LEVY, L. (1994) - A alimenta&ccedil;&atilde;o no primeiro ano de vida. Revista Portuguesa de Pediatria.Vol. 25, n&ordm; 3, p. 191-211.</p>      <p>MARTINS FILHO, J. (2008) - O aleitamento materno no contexto socioeconomicocultural. Aleitamento materno: perspectivas actuais. In ISSLER, H. - O aleitamento materno no contexto atual: pol&iacute;ticas, pr&aacute;tica e bases cient&iacute;ficas. S&atilde;o Paulo : Sarvier. p. 31-33.</p>      <p>NAKAMURA, S. S. &#91;et al.&#93; (2003) -Percep&ccedil;&atilde;o e conhecimento de meninas escolares sobre o aleitamento materno. Jornal de Pediatria. Vol. 79, n&ordm; 2, p. 181-188.</p>      <p>NELAS, P. A. ; FERREIRA, M. ; DUARTE, J. C. (2008) - Motiva&ccedil;&atilde;o para amamenta&ccedil;&atilde;o: constru&ccedil;&atilde;o de um instrumento de medida. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, n&ordm; 6, p. 39-56.</p>     <p>OMS (1994) - Alimenta&ccedil;&atilde;o infantil. Bases fisiol&oacute;gicas. S&atilde;o Paulo : James Akr&eacute; Editor.</p>     <p>PEGENAUTE, Eva (2007)- La lactancia materna en los libros de texto de ciclo m&eacute;dio y superior de Educaci&oacute;n Primaria en Catalu&ntilde;a. In CONGRESSO FEDALMA, 4&ordm;, Pamplona.</p>      <p>PORTUGAL. Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (2004) - Organiza&ccedil;&atilde;o curricular e programas ensino b&aacute;sico – 1&ordm; ciclo. 4&ordf; ed. Mem Martins : Departamento da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica.</p>     <p>SUCUPIRA, A. C. S. L. ; PEREIRA, A. S. G. (2008) - Servi&ccedil;os de sa&uacute;de e aleitamento materno. O aleitamento materno e a aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de da crian&ccedil;a. In ISSLER, H. - O aleitamento materno no contexto atual: pol&iacute;ticas, pr&aacute;tica e bases cient&iacute;ficas. S&atilde;o Paulo : Sarvier, p. 52-60.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>WORLD ALLIANCE FOR BREASTFEEDING ACTION (1999) - Folder de a&ccedil;&atilde;o amamentar: educar para a vida &#91;Em linha&#93;. In SEMANA MUNDIAL DA AMAMENTA&Ccedil;&Atilde;O. &#91;Consult. 16 Jan. 2008&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.waba.org."target="_blank">http://www.waba.org</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0874-0283201100020000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 26.10.10</p>     <p> Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 31.03.11</p>      ]]></body><back>
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