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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Depressão em idosos institucionalizados no distrito de Bragança]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of this research is to study depression in institutionalized older people in the district of Bragança. The aims are to determine the prevalence of depression and assess the existence of some known risk factors for its appearance and maintenance. The participants were 186 elderly residents in 14 residential homes in the district of Bragança. Instruments used were the Mini Mental State Examination, the Geriatric Depression Scale and the Barthel index. To estimate the adjustment to institutional status and importance given to participation in leisure activities, the Index of Adaptation (a = 0.61) and the Index of Activity and Recreation (a = 0.63) were created. The feeling of loneliness was self-reported by participants. A high prevalence rate of depression (47%) was observed. Depression was more prevalent among women (51%) than men (40%). Depression was also related to lower cognitive levels, lower adjustments to institutional life, reduced participation in leisure activities, higher rates of loneliness and greater dependency in activities of daily living. In summary, almost half of the older people studied in the district of Bragança were depressed. Depression in the institutional context was predicted by loneliness, less importance given to leisure activities and regarding the male or female condition.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Esta investigación pretende estudiar la depresión en adultos mayores institucionalizados en el distrito de Bragança. Tiene por objetivos determinar la prevalencia de la depresión y determinar la existencia de algunos de los factores de riesgo conocidos para su aparecimiento y mantenimiento. Participaron en este estudio 186 adultos mayores residentes en 14 residencias de ancianos del distrito de Bragança. Fueron utilizadas las escalas de Estado Mental y de Depresión Geriátrica, así como el Índice de Barthel. Para estimar la adaptación a la situación institucional y la importancia dada a la participación en actividades del tiempo libre se construyeron índices de Adaptación (a = 0.61) y de Actividad de Ocio (a = 0.63). El sentimiento de soledad fue autoevaluado por los sujetos. Se observó una elevada tasa de prevalencia de depresión (47%), más prevalente entre las mujeres (51%) que entre los hombres (40%). La depresión se relacionó con el menor nivel cognitivo, menor adaptación a la vida institucional, menor importancia dada a las actividades del tiempo libre, mayor índice de soledad y mayor dependencia en las actividades de la vida diaria. En suma, casi mitad de la población de adultos mayores encuestados presenta una depresión, la cual fue prevista por la soledad, por una menor importancia dada a las actividades del tiempo libre y dependiendo de ser hombre o mujer.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[depressão]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><B>Depress&atilde;o em idosos institucionalizados no distrito de Bragan&ccedil;a</B></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>S&eacute;rgio Filipe Alves Vaz</b>*; <b>Nuno Miguel Soares Gaspar</b>**</P>     <P>*Lic. Enfermagem, Msc. Psicologia do Idoso, RN, Hospital de S&atilde;o Jo&atilde;o E.P.E.  &#91;<A  href="mailto:sergiovazn6@hotmail.com">sergiovazn6@hotmail.com</A>&#93;.</p>     <P>**PhD, Psicologia, Professor Auxiliar na Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias  da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto &#91;<A  href="mailto:nuno@fpce.up.pt">nuno@fpce.up.pt</A>&#93;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Resumo</B></P>     <P>Esta investiga&ccedil;&atilde;o pretende estudar a depress&atilde;o em idosos institucionalizados  do distrito de Bragan&ccedil;a. Tem como objetivos determinar a preval&ecirc;ncia da  depress&atilde;o e apurar a exist&ecirc;ncia de alguns dos fatores de risco conhecidos para o  seu aparecimento e manuten&ccedil;&atilde;o.</P>     <P>Participaram neste estudo 186 idosos residentes em 14 lares do distrito de  Bragan&ccedil;a. Foram utilizadas a Escala de Avalia&ccedil;&atilde;o do Estado Mental, a Escala de  Depress&atilde;o Geri&aacute;trica e o &Iacute;ndice de Barthel. Para estimar a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o  institucional e a import&acirc;ncia dada &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em atividades de lazer,  constru&iacute;ram-se os &iacute;ndices de Adapta&ccedil;&atilde;o (a = 0.61) e de Atividade de Lazer (a =  0.63). O sentimento de solid&atilde;o foi autoavaliado pelos sujeitos. Observou-se uma  elevada taxa de preval&ecirc;ncia de depress&atilde;o (47%), mais prevalente entre as  mulheres (51%) do que entre os homens (40%). A depress&atilde;o relacionou-se com o  menor n&iacute;vel cognitivo, menor adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; vida institucional, menor import&acirc;ncia  dada &agrave;s atividades de lazer, maior &iacute;ndice de solid&atilde;o e maior depend&ecirc;ncia nas  atividades de vida di&aacute;rias. Em suma, quase metade da popula&ccedil;&atilde;o de idosos  inquiridos apresenta depress&atilde;o que foi prevista pela solid&atilde;o, pela menor  import&acirc;ncia dada &agrave;s atividades de lazer e em fun&ccedil;&atilde;o de pertencer ao sexo  masculino ou feminino.</P>     <P><B>Palavras-chave:</B> depress&atilde;o; idosos; institucionaliza&ccedil;&atilde;o;  preval&ecirc;ncia.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Depression in older people in institutional care in Braganca</B></P>     <P><B>Abstract</B></P>     <P>The purpose of this research is to study depression in institutionalized  older people in the district of Bragan&ccedil;a. The aims are to determine the  prevalence of depression and assess the existence of some known risk factors for  its appearance and maintenance. The participants were 186 elderly residents in  14 residential homes in the district of Bragan&ccedil;a. Instruments used were the Mini  Mental State Examination, the Geriatric Depression Scale and the Barthel index.  To estimate the adjustment to institutional status and importance given to  participation in leisure activities, the Index of Adaptation (a = 0.61) and the  Index of Activity and Recreation (a = 0.63) were created. The feeling of  loneliness was self-reported by participants. A high prevalence rate of  depression (47%) was observed. Depression was more prevalent among women (51%)  than men (40%). Depression was also related to lower cognitive levels, lower  adjustments to institutional life, reduced participation in leisure activities,  higher rates of loneliness and greater dependency in activities of daily living.  In summary, almost half of the older people studied in the district of Bragan&ccedil;a  were depressed. Depression in the institutional context was predicted by  loneliness, less importance given to leisure activities and regarding the male  or female condition.</P>     <P><B>Keywords:</B> depression; elderly; institutionalization; prevalence.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Depresi&oacute;n en adultos mayores institucionalizados en el distrito de  Bragan&ccedil;a</B></P>     <P><B>Resumen</B></P>     <P>Esta investigaci&oacute;n pretende estudiar la depresi&oacute;n en adultos mayores  institucionalizados en el distrito de Bragan&ccedil;a. Tiene por objetivos determinar  la prevalencia de la depresi&oacute;n y determinar la existencia de algunos de los  factores de riesgo conocidos para su aparecimiento y mantenimiento.</P>     <P>Participaron en este estudio 186 adultos mayores residentes en 14 residencias  de ancianos del distrito de Bragan&ccedil;a. Fueron utilizadas las escalas de Estado  Mental y de Depresi&oacute;n Geri&aacute;trica, as&iacute; como el &Iacute;ndice de Barthel. Para estimar la  adaptaci&oacute;n a la situaci&oacute;n institucional y la importancia dada a la participaci&oacute;n  en actividades del tiempo libre se construyeron &iacute;ndices de Adaptaci&oacute;n (a = 0.61)  y de Actividad de Ocio (a = 0.63). El sentimiento de soledad fue autoevaluado  por los sujetos. Se observ&oacute; una elevada tasa de prevalencia de depresi&oacute;n (47%),  m&aacute;s prevalente entre las mujeres (51%) que entre los hombres (40%). La depresi&oacute;n  se relacion&oacute; con el menor nivel cognitivo, menor adaptaci&oacute;n a la vida  institucional, menor importancia dada a las actividades del tiempo libre, mayor  &iacute;ndice de soledad y mayor dependencia en las actividades de la vida diaria. En  suma, casi mitad de la poblaci&oacute;n de adultos mayores encuestados presenta una  depresi&oacute;n, la cual fue prevista por la soledad, por una menor importancia dada a  las actividades del tiempo libre y dependiendo de ser hombre o mujer.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Palabras clave:</B> depresi&oacute;n; adultos mayores; institucionalizaci&oacute;n;  prevalencia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></P>     <P>A depress&atilde;o grave &eacute; atualmente a principal causa de incapacidade em todo o  mundo, ocupa o quarto lugar a n&iacute;vel mundial entre as dez principais causas de  patologia e segundo as proje&ccedil;&otilde;es, ocupar&aacute; o segundo lugar nos pr&oacute;ximos 20 anos.  A depress&atilde;o &eacute; atualmente respons&aacute;vel por 6,2% da carga de morbilidade na regi&atilde;o  Europeia da OMS (Ap&oacute;stolo <I>et al</I>., 2008).</P>     <P>O interesse pela tem&aacute;tica da depress&atilde;o na velhice tem aumentado de forma  significativa devido ao fen&oacute;meno do envelhecimento demogr&aacute;fico. A depress&atilde;o &eacute;  comum na terceira idade e, contrariamente &agrave; opini&atilde;o popular, n&atilde;o faz parte do  processo natural do envelhecimento. A depress&atilde;o n&atilde;o &eacute; frequentemente detetada  por ser muitas vezes considerada, erradamente, como parte integrante do processo  de envelhecimento.</P>     <P>Nos idosos as taxas de preval&ecirc;ncia da depress&atilde;o s&atilde;o tr&ecirc;s a cinco vezes  maiores do que nas comunidades e, na maior parte das vezes, a depress&atilde;o &eacute;  sub-diagnosticada e sub-tratada. Existem provas de que a depress&atilde;o vai continuar  a ser frequentemente n&atilde;o diagnosticada e n&atilde;o tratada em doentes  institucionalizados, sobretudo, em institui&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o possuem uma equipa de  t&eacute;cnicos com conhecimentos e qualifica&ccedil;&otilde;es para identificar os pacientes em  risco (Brown, Lapane e Luisi, 2002).</P>     <P>A preval&ecirc;ncia da depress&atilde;o na terceira idade tem sido amplamente investigada.  Os estudos epidemiol&oacute;gicos encontram consistentemente grandes varia&ccedil;&otilde;es nas  taxas de preval&ecirc;ncia da depress&atilde;o. Na literatura consultada encontramos taxas de  preval&ecirc;ncia que oscilam entre os 2,5% (Lobo <I>et al</I>., 1995) e 49% (Minicuci  <I>et al</I>., 2002) na comunidade e entre 11% (Brown, Lapane e Luisi, 2002) e  48% na popula&ccedil;&atilde;o idosa institucionalizada (Rozzini <I>et al</I>., 1996).</P>     <P>Um n&uacute;mero substancial de estudos faz refer&ecirc;ncia aos factores de risco que  est&atilde;o significativamente associados aos sintomas depressivos entre as pessoas  idosas: riscos demogr&aacute;ficos (ruralidade, sexo, idade, estado civil,  institucionaliza&ccedil;&atilde;o, escolaridade, profiss&atilde;o e status socioecon&oacute;mico); riscos  psicossociais (acontecimentos de vida, luto, falta de confidente ou rela&ccedil;&atilde;o  &iacute;ntima, isolamento socioafetivo, apoio sociofamiliar, solid&atilde;o, dificuldades em  satisfazer as atividades de vida di&aacute;rias, dificuldades cognitivas e hist&oacute;ria  pr&eacute;via de depress&atilde;o) e riscos de sa&uacute;de (doen&ccedil;a f&iacute;sica, n&uacute;mero de doen&ccedil;as,  doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, incapacidades e defici&ecirc;ncias, doen&ccedil;a ps&iacute;quica e ingest&atilde;o de  medicamentos depressores) (Bergdahl <I>et al</I>., 2005; Blazer, 2003;  Zunzunegui <I>et al</I>., 1998).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Sexo</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O sexo tem sido identificado como um factor de risco para a depress&atilde;o, a qual  tem sido avaliada em estudos epidemiol&oacute;gicos realizados, atrav&eacute;s de m&eacute;todos e  meios de diagn&oacute;stico semelhantes em diferentes na&ccedil;&otilde;es, culturas e etnias, como  sendo aproximadamente duas vezes mais prevalente em mulheres que em homens  (Zunzunegui <I>et al</I>., 1998). Muitas teorias t&ecirc;m sido propostas, no entanto,  ainda nenhuma conseguiu explicar completamente essa diferen&ccedil;a de g&eacute;nero.  Factores biol&oacute;gicos, psicossociais e metodol&oacute;gicos podem contribuir para esse  fen&oacute;meno.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Institucionaliza&ccedil;&atilde;o</B></P>     <P>Residir em institui&ccedil;&otilde;es e o tempo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o foram apontados como  fatores de risco para a depress&atilde;o em idosos (Forsell e Winbland, 1999).</P>     <P>Os efeitos das deslocaliza&ccedil;&otilde;es e institucionaliza&ccedil;&atilde;o dos idosos t&ecirc;m sido  extensivamente estudados nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas e tema de alguma controv&eacute;rsia. O  primeiro grande estudo sobre cuidados institucionais, <I>The Last Refuge</I>  (Townsend, 1962, citado por Oldman e Quilgars, 1999), tem mais de quarenta anos,  mas continua a influenciar as investiga&ccedil;&otilde;es atuais que se centram no efeito  despersonalizante destes cuidados. Nos &uacute;ltimos anos, o real valor dos resultados  dos trabalhos publicados e tamb&eacute;m a sua base conceptual tem sido questionado.  Baldwin, Harris e Kelly (1993), numa revis&atilde;o de estudos de cuidados  institucionais, argumentam que grande parte dos investigadores ignora a vida das  pessoas idosas antes da sua admiss&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, as investiga&ccedil;&otilde;es  centram-se na din&acirc;mica dos cuidados institucionais para demonstrar o processo de  desumaniza&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-admiss&atilde;o. Os lares de idosos foram rotulados como sistemas  fechados, onde aos residentes &eacute; destitu&iacute;do o passado e negado o futuro.  Juntamente com outros autores, argumentam que as institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem ser  culpadas pela depend&ecirc;ncia do idoso, provocada por desigualdades estruturais na  economia em geral durante o seu ciclo de vida (Oldman e Quilgars, 1999).</P>     <P>Oldman e Quilgars (1999) referem ainda que alguns estudos concluem que,  embora a maioria dos idosos encare a mudan&ccedil;a para uma institui&ccedil;&atilde;o como  inevit&aacute;vel, estes s&atilde;o condescendentes e encaram de forma positiva a nova  condi&ccedil;&atilde;o de vida. N&atilde;o t&ecirc;m outra alternativa sen&atilde;o agradecer o suporte e cuidados  recebidos. Muitos idosos referem as dificuldades por que passaram na vida antes  da mudan&ccedil;a, relatam momentos de solid&atilde;o, de depress&atilde;o e de trabalho &aacute;rduo.  Alguns referem que, uma vez que deixaram de ser um fardo para os seus  familiares, poder&atilde;o agora ter com eles um melhor relacionamento.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Solid&atilde;o</B></P>     <P>Experienciar solid&atilde;o pode indicar uma rede social insatisfat&oacute;ria (Bergdahl,  <I>et al</I>., 2005) e tem sido um dos fatores de risco para a depress&atilde;o mais  citado pelos diferentes investigadores (v.g. Blazer, 2003). O isolamento social  e a solid&atilde;o s&atilde;o indicados como principais motivos para a admiss&atilde;o em  institui&ccedil;&otilde;es.      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Dificuldades em satisfazer as atividades de vida di&aacute;rias (AVD’s)</B></P>     <P>A dificuldade em satisfazer as atividades de vida di&aacute;rias j&aacute; foi apontada  como fator de risco para a depress&atilde;o por alguns autores, por exemplo, Forsell e  Winbland (1999).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Dificuldades cognitivas</B></P>     <P>Em diferentes investiga&ccedil;&otilde;es as dificuldades cognitivas e baixo resultado na  avalia&ccedil;&atilde;o pelo <I>Mini-Mental State Examination</I>(MMSE) est&atilde;o fortemente  associados &agrave; sintomatologia depressiva, por exemplo, Bergdahl, <I>et al</I>.  (2005).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Atividades de lazer</B></P>     <p>O desenvolvimento de <I>hobbies</I> e atividades de lazer, promovidas pelas institui&ccedil;&otilde;es e ligadas &agrave; atividade f&iacute;sica  ou mental, &eacute; um fator que melhora significativamente a qualidade de vida dos  idosos. A pr&aacute;tica de um estilo de vida ativo previne doen&ccedil;as (hipertens&atilde;o,  diabetes, doen&ccedil;a card&iacute;aca, obesidade, etc.) ligadas &agrave; vida sedent&aacute;ria em que  estas pessoas muitas vezes se encontram por falta de iniciativas ou de  oportunidades de lazer. &Eacute; importante um ambiente que proporcione est&iacute;mulos e  atividade para ajudar a impedir ou atrasar o desenvolvimento de apatia e de  imobilidade ( Joulain <I>et al</I>., 2010).</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Objetivos do estudo</b></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Este estudo visa avaliar nos idosos a presen&ccedil;a de fatores de risco (n&iacute;vel  cognitivo, sexo, adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o, atividades de lazer, solid&atilde;o e  depend&ecirc;ncia nas atividades de vida di&aacute;rias) para o aparecimento de  sintomatologia depressiva em contexto institucional e determinar a preval&ecirc;ncia  da depress&atilde;o.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Metodologia</B></P>     <P>Este estudo envolve uma metodologia do tipo epidemiol&oacute;gico  descritivo-correlacional. Na presente investiga&ccedil;&atilde;o definimos como vari&aacute;vel  crit&eacute;rio a depress&atilde;o e como principais vari&aacute;veis preditoras o sexo, a idade, a  adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o, atividades de lazer e solid&atilde;o.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Participantes </B></P>     <P>Segundo os valores das proje&ccedil;&otilde;es do &uacute;ltimo Censos em 2001, a popula&ccedil;&atilde;o idosa  no distrito de Bragan&ccedil;a com mais de 65 anos era de 53627 indiv&iacute;duos, dos quais  1548 utentes de lares de idosos. De acordo com dados de janeiro de 2009 estavam  registados 2077 idosos a residir em lares de idosos, existindo no distrito de  Bragan&ccedil;a 67 institui&ccedil;&otilde;es de lares de idosos com capacidade total para 2059  idosos. Na impossibilidade de cobrir exaustivamente a popula&ccedil;&atilde;o de idosos, foi  inquirida cerca de 9% da popula&ccedil;&atilde;o para uma precis&atilde;o igual ou superior a 98%  (Ribeiro, 1999, p. 58). Foram definidos os seguintes crit&eacute;rios de exclus&atilde;o:  idade inferior a 65 anos, estadia no lar h&aacute; menos de dois meses, incapacidade de  acompanhar a entrevista na totalidade e presen&ccedil;a de dem&ecirc;ncia, avaliada com o  <I>Minimal Mental State Examination</I>, vers&atilde;o portuguesa de Guerreiro <I>et  al</I>. (2003).</P>     <P>Depois de obtida uma listagem de todos os lares de idosos do distrito de  Bragan&ccedil;a, procedeu-se ao contacto com todas as institui&ccedil;&otilde;es via carta registada. Nas institui&ccedil;&otilde;es das quais obtivemos autoriza&ccedil;&atilde;o, a sele&ccedil;&atilde;o da amostra foi  realizada de forma sequencial, tamb&eacute;m denominada de conveni&ecirc;ncia. Dos 190  participantes que se voluntariaram para participar no estudo, quatro foram  exclu&iacute;dos por dem&ecirc;ncia, tendo participado neste estudo um total de 186  idosos.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Instrumentos de colheita de dados</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Utiliz&aacute;mos como t&eacute;cnica de recolha de dados a entrevista estruturada. Dada a  presen&ccedil;a de analfabetismo e de algum grau de incapacidade motora e visual que  atinge muitos idosos, o preenchimento dos question&aacute;rios foi realizado pelo  investigador, o qual registou diretamente as respostas dos entrevistados. Cada  entrevista demorou em m&eacute;dia 30 minutos.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>O question&aacute;rio</B></P>     <P>Foi constru&iacute;do um question&aacute;rio de autoavalia&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;do por perguntas  abertas e fechadas. As quest&otilde;es tiveram como objetivo caracterizar os indiv&iacute;duos  na sua dimens&atilde;o pessoal, social, profissional e situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica (sexo, idade,  estado civil, escolaridade, autoavalia&ccedil;&atilde;o do sentimento de solid&atilde;o e da situa&ccedil;&atilde;o  econ&oacute;mica, motivo, iniciativa e tempo de internamento). De forma a estimar a  adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o institucional, e a import&acirc;ncia dada &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em  atividades de lazer, constru&iacute;ram-se os &iacute;ndices de Adapta&ccedil;&atilde;o e de Atividades de  Lazer.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Escala de Depress&atilde;o Geri&aacute;trica <I>(Geriatric Depression Scale)</I></B></P>     <P>A Escala de Depress&atilde;o Geri&aacute;trica foi usada para identificar a presen&ccedil;a de  depress&atilde;o. Uma pontua&ccedil;&atilde;o at&eacute; 10 pontos indica aus&ecirc;ncia de depress&atilde;o, de 11 a 20  pontos depress&atilde;o ligeira e de 21 a 30 pontos depress&atilde;o grave. Esta escala foi  desenvolvida especificamente para idosos. Foi utilizada a vers&atilde;o traduzida e  validada para a popula&ccedil;&atilde;o Portuguesa por Barreto (2003). Na amostra em estudo  esta escala revelou um &iacute;ndice de consist&ecirc;ncia interna a = 0.91.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>&Iacute;ndice de Adapta&ccedil;&atilde;o</B></P>     <P>Constitu&iacute;do por seis quest&otilde;es de autoavalia&ccedil;&atilde;o de cinco pontos, tipo  <I>Likert</I>, e tr&ecirc;s quest&otilde;es adicionais de dois, seis e oito pontos, o &iacute;ndice  avalia a adapta&ccedil;&atilde;o do sujeito &agrave; condi&ccedil;&atilde;o institucional medindo os seguintes  aspectos: presen&ccedil;a de um confidente ou rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima, rela&ccedil;&otilde;es com os  funcion&aacute;rios e outros residentes, apoio familiar, privacidade e alimenta&ccedil;&atilde;o. Uma  pontua&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima de 46 pontos corresponde a maior adapta&ccedil;&atilde;o e uma pontua&ccedil;&atilde;o  m&iacute;nima de nove pontos a menor adapta&ccedil;&atilde;o. A an&aacute;lise de consist&ecirc;ncia interna para  estas vari&aacute;veis (seis quest&otilde;es de cinco pontos) conduziu a um alfa de  <I>Cronbach</I> de 0.56, sendo todas as correla&ccedil;&otilde;es item-total corrigidas,  positivas e superiores a 0.22, com exce&ccedil;&atilde;o dos itens relativos &agrave; presen&ccedil;a de um  confidente ou rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima (0.06) e ao modo como avalia a alimenta&ccedil;&atilde;o (0.04).  Estes dois itens foram mantidos dada a correla&ccedil;&atilde;o com o total da escala ser  positiva e dada a sua import&acirc;ncia te&oacute;rica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>&Iacute;ndice de Atividade e Lazer</B></P>     <P>Constitu&iacute;do por sete quest&otilde;es de autoavalia&ccedil;&atilde;o, tipo <I>Likert</I>, este  &iacute;ndice avalia (numa escala de cinco pontos de “Muita” a “Muito pouca”) a  import&acirc;ncia atribu&iacute;da &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o de tempos livres: ler, ver televis&atilde;o, ouvir  m&uacute;sica, passear, fazer tric&ocirc;, jogar &agrave;s cartas, conversar com os amigos.</P>     <P>Uma pontua&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima de 35 pontos corresponde a maior import&acirc;ncia e uma  pontua&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de sete pontos a menor import&acirc;ncia. A an&aacute;lise de consist&ecirc;ncia  interna para estas vari&aacute;veis revelou um alfa de Cronbach de 0.65, sendo todas as  correla&ccedil;&otilde;es item-total corrigidas, positivas e superiores a 0.18.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>&Iacute;ndice de solid&atilde;o</B></P>     <P>Constitu&iacute;do por uma quest&atilde;o de autoavalia&ccedil;&atilde;o, tipo <I>Likert</I>, este &iacute;ndice  avalia (numa escala de cinco pontos de “Sempre” a “Nunca”) a frequ&ecirc;ncia com que  o indiv&iacute;duo se sente s&oacute;. Tem, portanto, uma pontua&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima de cinco pontos que  corresponde a maior solid&atilde;o e uma pontua&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de um ponto que corresponde a  menor solid&atilde;o.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Exame do estado mental</B></P>     <P>O <I>Mini Mental State Examination</I> (Escala de avalia&ccedil;&atilde;o do estado mental)  foi usado para identificar o n&iacute;vel cognitivo e detetar a dem&ecirc;ncia. Foi utilizada  a vers&atilde;o traduzida e validada para a popula&ccedil;&atilde;o Portuguesa por Guerreiro <I>et  al</I>. (2003).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>N&iacute;vel de independ&ecirc;ncia</B></P>     <p>O &iacute;ndice de Barthel utilizado para avaliar o  n&iacute;vel de independ&ecirc;ncia do sujeito na realiza&ccedil;&atilde;o das atividades de vida di&aacute;rias,  &eacute; um instrumento que avalia, de forma padronizada, o n&iacute;vel de independ&ecirc;ncia do  sujeito para a realiza&ccedil;&atilde;o de dez atividades b&aacute;sicas de vida di&aacute;rias: comer,  higiene pessoal, uso dos sanit&aacute;rios, tomar banho, vestir e despir, controlo de  esf&iacute;ncteres, deambular, transfer&ecirc;ncia da cadeira para a cama, subir e descer  escadas (Ara&uacute;jo <I>et al</I>., 2007). A pontua&ccedil;&atilde;o da escala varia de 0-100,  sendo que, um total de 0-20 indica depend&ecirc;ncia total, 21-60 depend&ecirc;ncia severa,  61-90 depend&ecirc;ncia moderada, 91-99 depend&ecirc;ncia escassa e 100 independ&ecirc;ncia. Foi  utilizada a vers&atilde;o traduzida e validada para a popula&ccedil;&atilde;o Portuguesa por Almeida  <I>et al</I>. (2002), tendo sido obtido neste estudo um coeficiente de  consist&ecirc;ncia interna a = 0.91.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Hip&oacute;teses</B></P>     <P>Com base na pesquisa da literatura esperamos que o n&iacute;vel de depress&atilde;o seja  mais elevado nos idosos: a) com menor n&iacute;vel cognitivo; b) do sexo feminino; c)  com menor adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o; d) com menor import&acirc;ncia dada &agrave;s  atividades de lazer; e) com maior &iacute;ndice de solid&atilde;o; f ) mais dependentes nas  atividades de vida di&aacute;rias.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Tratamento estat&iacute;stico</B></P>     <P>De forma a testar as hip&oacute;teses a), c), d), e) e f ) foi utilizado o  coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o param&eacute;trico de Pearson. Para testar a hip&oacute;tese b),  utilizamos o teste t de <I>Student</I> para compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias  (entre-sujeitos). Os pressupostos para a utiliza&ccedil;&atilde;o da correla&ccedil;&atilde;o de Pearson e  dos testes t de <I>Student</I> foram verificados (vari&aacute;veis m&eacute;tricas,  distribui&ccedil;&atilde;o normal e homogeneidade das vari&acirc;ncias).</P>     <P>Para determinar quais as vari&aacute;veis que mais influenciam a depress&atilde;o, foi  utilizada a an&aacute;lise de regress&atilde;o linear m&uacute;ltipla com a sele&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis pelo  m&eacute;todo <I>stepwise</I>. Analisaram-se os pressupostos do modelo de regress&atilde;o  linear m&uacute;ltipla. O n&iacute;vel de signific&acirc;ncia adotado para as an&aacute;lises estat&iacute;sticas  foi a = 0,05.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Resultados</B></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra</B></P>     <p>Dos 186 sujeitos entrevistados, 61% eram do sexo feminino e 39% do sexo masculino. A m&eacute;dia de idades foi de 80.22 anos  para os homens (desvio padr&atilde;o igual a 7.37) e 81.70 para as mulheres (desvio  padr&atilde;o igual a 6.44).</p>     <P>Na Tabela 1 apresentamos a caracteriza&ccedil;&atilde;o do grupo de estudo, de acordo com  algumas das vari&aacute;veis estudadas.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>TABELA 1 - Caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra em rela&ccedil;&atilde;o a algumas vari&aacute;veis pessoais  estudadas</P>     <p> <IMG src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a05t1.jpg">      
<P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Preval&ecirc;ncia de depress&atilde;o nos idosos institucionalizados</B></P>     <P>Na amostra inquirida, obtivemos uma taxa de apresentaram depress&atilde;o ligeira e  13.4% depress&atilde;o preval&ecirc;ncia de depress&atilde;o de 46.7%, da qual 33.3% grave ( Ver  Tabela 2).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>TABELA 2 – Resultados da Escala de Depress&atilde;o Geri&aacute;trica (EDG) em fun&ccedil;&atilde;o do  sexo</P>     <p> <IMG src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a05t2.jpg">      
<P>&nbsp;</P>     <P>Na correla&ccedil;&atilde;o entre a depress&atilde;o e o n&iacute;vel cognitivo, obtivemos uma correla&ccedil;&atilde;o  de Pearson negativa muito fraca mas significativa (r = -0.16, p &lt;0.05), na  qual o n&iacute;vel cognitivo explica 2.6% (r2 = 0.026) da vari&acirc;ncia do n&iacute;vel de  depress&atilde;o. Consideramos, assim, que existe uma ligeira tend&ecirc;ncia para que o  n&iacute;vel de depress&atilde;o seja mais elevado nos idosos com menor n&iacute;vel cognitivo.</P>     <P>Verificamos que o n&iacute;vel de depress&atilde;o &eacute; mais elevado em idosos do sexo  feminino. A m&eacute;dia de depress&atilde;o na escala geri&aacute;trica foi superior nas mulheres (  X = 12.3; Desvio Padr&atilde;o = 0.70) comparativamente &agrave; m&eacute;dia obtida pelos homens ( X  = 9.1; Desvio Padr&atilde;o = 0.80). Esta diferen&ccedil;a foi estatisticamente significativa,  t(184) = 2.927, p&lt; 0.01.</P>     <P>Quanto &agrave; preval&ecirc;ncia da depress&atilde;o segundo o sexo, verificamos que esta &eacute; mais  prevalente nas mulheres do que nos homens (50.9% vs 40.3%).</P>     <P>Atrav&eacute;s da correla&ccedil;&atilde;o de Pearson, obtivemos uma correla&ccedil;&atilde;o negativa fraca mas  significativa entre o n&iacute;vel de depress&atilde;o e o &iacute;ndice de adapta&ccedil;&atilde;o (r = -0.37,  p&lt; 0.01), sugerindo que o n&iacute;vel de depress&atilde;o &eacute; mais elevado em idosos com  menor adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o. O &iacute;ndice de adapta&ccedil;&atilde;o explica 13.7% da  vari&acirc;ncia do n&iacute;vel de depress&atilde;o.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A correla&ccedil;&atilde;o de Pearson entre o n&iacute;vel de depress&atilde;o e o &iacute;ndice de atividade e  lazer foi fraca mas significativa (r = -0.413, p &lt;0.01). Este resultado  sugere que o n&iacute;vel de depress&atilde;o &eacute; mais elevado em idosos que d&atilde;o menos  import&acirc;ncia &agrave;s atividades de lazer. O &iacute;ndice de atividade e lazer explica 17.1%  da vari&acirc;ncia do n&iacute;vel de depress&atilde;o.</P>     <P>O n&iacute;vel de depress&atilde;o foi mais elevado em idosos com maior solid&atilde;o. Obtivemos  uma correla&ccedil;&atilde;o de Pearson positiva moderada e significativa entre a vari&aacute;vel  &iacute;ndice de solid&atilde;o e a depress&atilde;o (r = 0.54, p &lt;0.01). O &iacute;ndice de solid&atilde;o  explica 29.3% da vari&acirc;ncia do n&iacute;vel de depress&atilde;o indicando que quanto maior a  solid&atilde;o, maior o n&iacute;vel de depress&atilde;o.</P>     <P>O n&iacute;vel de depress&atilde;o foi mais elevado nos idosos mais dependentes nas  atividades de vida di&aacute;rias. Foi obtida uma correla&ccedil;&atilde;o negativa fraca mas  significativa: r = -0.286, p &lt; 0.01. Consideramos, assim, que o n&iacute;vel de  depress&atilde;o tende a ser mais elevado em idosos mais dependentes nas AVD’s. O  &iacute;ndice de funcionalidade explica 8.2% da vari&acirc;ncia do n&iacute;vel de depress&atilde;o.</P>     <P>Procurou-se saber quais as vari&aacute;veis que mais influenciam a depress&atilde;o numa  an&aacute;lise de regress&atilde;o <I>stepwise</I>, na qual foi introduzida a vari&aacute;vel  depress&atilde;o como crit&eacute;rio e as vari&aacute;veis sexo, idade, &iacute;ndice de solid&atilde;o, &iacute;ndice de  funcionalidade, &iacute;ndice de atividade e lazer e &iacute;ndice de adapta&ccedil;&atilde;o como  preditores. Foram analisados os pressupostos do modelo de regress&atilde;o linear  m&uacute;ltipla, nomeadamente, a aus&ecirc;ncia de multicolinearidade (todos os VIF &lt;  1,13) e a independ&ecirc;ncia dos valores residuais (Durbin Watson = 2,14). Foi  igualmente inspecionada graficamente a normalidade de distribui&ccedil;&atilde;o dos valores  residuais e a presen&ccedil;a de homocedasticidade. A an&aacute;lise de regress&atilde;o indicou que  a vari&aacute;vel &iacute;ndice de solid&atilde;o &eacute; a que melhor prev&ecirc; a depress&atilde;o. De seguida entram  no modelo de regress&atilde;o as vari&aacute;veis &iacute;ndice de atividade e lazer e sexo (ver  Tabela 3). De acordo com o modelo observado, que explica 38% da vari&acirc;ncia  observada, ter um &iacute;ndice de solid&atilde;o alto, um &iacute;ndice de atividades de lazer baixo  e ser mulher, predisp&otilde;e para a depress&atilde;o.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>TABELA 3 – Resultados da regress&atilde;o linear m&uacute;ltipla (vari&aacute;vel dependente:  depress&atilde;o) </P>     <p> <IMG src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a05t3.jpg">      
<P>&nbsp;</P>     <P><B>Discuss&atilde;o</B></P>     <P>A amostra de idosos institucionalizados no distrito de Bragan&ccedil;a mostrou ser  maioritariamente constitu&iacute;da por idosos do sexo feminino (61.3%), vi&uacute;vos  (67.7%), com idades compreendidas entre os 74 e 86 anos, sem filhos (19.9%), com  baixo n&iacute;vel de escolaridade (39.2% de analfabetos e 33.9% com instru&ccedil;&atilde;o  prim&aacute;ria), agricultores de profiss&atilde;o (53.8%), com baixa situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica  (56.3%) e uma m&eacute;dia de internamento de 3.9 anos.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Para al&eacute;m do esperado decr&eacute;scimo populacional a partir de 2010 at&eacute; 2050, a  popula&ccedil;&atilde;o residente em Portugal sofrer&aacute; um agravamento do envelhecimento sendo o  aumento da popula&ccedil;&atilde;o idosa, particularmente acentuado na regi&atilde;o Norte. Em 2006 a  regi&atilde;o do Alto Tr&aacute;s-os-Montes apresentou o &iacute;ndice mais baixo de fecundidade e  situou-se entre as cinco regi&otilde;es com o &iacute;ndice de envelhecimento mais  elevado.</P>     <P>Essas transforma&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas traduzem, no plano econ&oacute;mico, um aumento  cont&iacute;nuo do n&uacute;mero de reformados e no plano social, obrigam &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o dos  sistemas de prote&ccedil;&atilde;o social e cria&ccedil;&atilde;o de infraestruturas de apoio aos idosos.  Apesar de n&atilde;o estarem supridas as necessidades, o apoio aos idosos evoluiu de  forma significativa nos &uacute;ltimos anos, com a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas de conv&iacute;vio,  de combate ao isolamento e &agrave; exclus&atilde;o social, prevenindo ou retardando a  institucionaliza&ccedil;&atilde;o do idoso.</P>     <P>Obteve-se uma elevada taxa de preval&ecirc;ncia de depress&atilde;o (46.7%), a qual afeta  quase metade dos idosos inquiridos.</P>     <P>A depress&atilde;o constitui-se como a perturba&ccedil;&atilde;o afetiva mais frequente no idoso e  &eacute;, atualmente, a principal causa de incapacidade em todo o mundo. &Eacute; mais comum  em idosos institucionalizados e na maior parte das vezes &eacute; sub-diagnosticada e  sub-tratada. Uma das raz&otilde;es apontadas &eacute; que, por um lado, os idosos t&ecirc;m maior  tend&ecirc;ncia para alexitimia (a incapacidade para identificar e verbalizar as  experi&ecirc;ncias afetivas) e, por outro lado, os sintomas depressivos entre os  idosos podem muitas vezes ser mascarados por queixas som&aacute;ticas ou sintomas  f&iacute;sicos, n&atilde;o sendo tratados adequadamente por serem confundidos com algum tipo  de dem&ecirc;ncia.</P>     <P>A depress&atilde;o foi mais prevalente entre as mulheres (50.9%) do que entre os  homens (40.3%). Esta &eacute; tendencialmente mais elevada em idosos com menor n&iacute;vel  cognitivo, menor adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; vida institucional, menor import&acirc;ncia dada &agrave;  participa&ccedil;&atilde;o em atividades de lazer, com maior &iacute;ndice de solid&atilde;o e maior  depend&ecirc;ncia nas atividades de vida di&aacute;rias, resultados que confirmam as  hip&oacute;teses propostas e que v&atilde;o ao encontro dos obtidos em diferentes estudos de  investiga&ccedil;&atilde;o, por exemplo, Zunzunegui <I>et al</I>. (1998).</P>     <p>V&aacute;rias explica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o avan&ccedil;adas para as diferen&ccedil;as de g&eacute;nero na preval&ecirc;ncia de  sintomas depressivos nos idosos. As mulheres idosas t&ecirc;m uma maior preval&ecirc;ncia  dos conhecidos fatores de risco sociais e de sa&uacute;de (n&iacute;veis mais baixos de  educa&ccedil;&atilde;o, rendimentos e n&iacute;veis mais elevados de comorbilidade e defici&ecirc;ncias),  maior propens&atilde;o a depress&atilde;o sob tens&atilde;o financeira (Zunzunegui <I>et al</I>.,  1998). Apresentam ainda maior exposi&ccedil;&atilde;o ao stress, maior isolamento social,  maior incapacidade f&iacute;sica ou falta de sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m uma maior tend&ecirc;ncia para  relatar mais sintomas que os homens.</p>     <P>O isolamento social e a solid&atilde;o s&atilde;o tamb&eacute;m indicados como principais motivos  para a admiss&atilde;o em institui&ccedil;&otilde;es. Segundo Vieira (1996), a institucionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute;  uma condi&ccedil;&atilde;o indutora de stress e potenciadora de depress&atilde;o. Nesse ambiente, o  idoso v&ecirc;-se isolado do seu conv&iacute;vio social e adota um estilo de vida diferente  do seu, tendo que adaptarse a uma rotina de hor&aacute;rios, dividir o seu ambiente com  desconhecidos e viver distante da fam&iacute;lia. Este isolamento social leva-o &agrave; perda  de identidade, de liberdade, de autoestima e &agrave; solid&atilde;o. Muitas vezes ocorre a  recusa da pr&oacute;pria vida, correlato da alta preval&ecirc;ncia de depress&atilde;o em lares.</P>     <P>Peace, Kellaher e Willcocks (1997) referem que esta vis&atilde;o da vida  institucional tamb&eacute;m &eacute; partilhada pelos pr&oacute;prios idosos, podendo observar-se o  medo e a avers&atilde;o aos cuidados institucionais.</P>     <P>A principal limita&ccedil;&atilde;o deste estudo &eacute; o facto da amostra ser constitu&iacute;da por  lares e idosos que aceitaram voluntariamente participar neste estudo, n&atilde;o sendo,  por isso, uma amostragem aleat&oacute;ria. De facto, nem os lares, nem os idosos foram  selecionados aleatoriamente e, por isso, a generaliza&ccedil;&atilde;o das conclus&otilde;es para a  popula&ccedil;&atilde;o fica comprometida.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Conclus&atilde;o</B></P>     <P>Desde h&aacute; muito tempo que a depress&atilde;o vem sendo relatada como uma doen&ccedil;a comum  em idosos institucionalizados e com percentagens de preval&ecirc;ncia superiores &agrave;s  verificadas em idosos a residir na comunidade (Blazer, 2003).</P>     <P>Estudos recentes referem que ainda n&atilde;o sabemos se os lares de idosos  proporcionam o aparecimento de depress&atilde;o e se a mudan&ccedil;a para um novo lar est&aacute;  associada ao agravamento ou surgimento de um humor depressivo. Apesar da sua  capacidade em fornecer servi&ccedil;os globais, o ambiente dos lares de idosos  proporciona aos residentes in&uacute;meros desafios que podem contribuir para o  desenvolvimento de depress&atilde;o.</P>     <P>A consequ&ecirc;ncia mais s&eacute;ria de depress&atilde;o tardia, especialmente se n&atilde;o for  tratada ou se for inadequadamente tratada, &eacute; o aumento da mortalidade. Num  per&iacute;odo de dois a seis anos, entre dois ter&ccedil;os e tr&ecirc;s quartos dos indiv&iacute;duos  deprimidos falecem ou permanecem ainda deprimidos. Apesar da maior  sensibiliza&ccedil;&atilde;o e da disponibilidade de tratamento eficaz, a grande maioria dos  casos de depress&atilde;o passam despercebidos aos t&eacute;cnicos das institui&ccedil;&otilde;es de idosos.  A consciencializa&ccedil;&atilde;o acerca da problem&aacute;tica da depress&atilde;o em contexto  institucional, por parte dos t&eacute;cnicos respons&aacute;veis pelas institui&ccedil;&otilde;es de idosos,  bem como, das equipas prestadoras de cuidados, &eacute; de vital import&acirc;ncia. Melhorias  no reconhecimento da depress&atilde;o em idosos dever&atilde;o ser uma importante prioridade,  j&aacute; que, as estrat&eacute;gias para melhorar o tratamento s&oacute; podem ser aplicadas depois  do seu reconhecimento.</P>     <P>O presente estudo pretendeu contribuir para o conhecimento da realidade  institucional no distrito de Bragan&ccedil;a, no &acirc;mbito dos objetivos propostos. Dado o  fen&oacute;meno do envelhecimento demogr&aacute;fico, que trouxe o idoso para a boca de cena,  estamos certos de que novas investiga&ccedil;&otilde;es surgir&atilde;o complementando as  considera&ccedil;&otilde;es aqui tecidas.</P>     <P>Sugerimos, assim, que novos estudos sejam realizados de forma a comprovar e  compreender a rela&ccedil;&atilde;o entre depress&atilde;o e solid&atilde;o, depress&atilde;o e atividades de  lazer, depress&atilde;o e g&eacute;nero, bem como, a elevada taxa de preval&ecirc;ncia de depress&atilde;o  entre os idosos institucionalizados.</P>     <P>A depress&atilde;o &eacute; uma doen&ccedil;a que tem tratamento e n&atilde;o deve ser encarada como uma  consequ&ecirc;ncia natural do envelhecimento. Por isso, &eacute; importante que os  profissionais de enfermagem saibam identificar os seus sinais e sintomas e  conhe&ccedil;am o impacto que certos fatores t&ecirc;m no decurso desta doen&ccedil;a. Neste sentido  o estudo realizado sugere que os sentimentos de solid&atilde;o e a import&acirc;ncia dada &agrave;s  atividades de lazer merecem aten&ccedil;&atilde;o especial, pois podem contribuir para uma  maior incid&ecirc;ncia de depress&atilde;o no idoso institucionalizado.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </B></P>     <P>ALMEIDA, J. &#91;et al.&#93; (2002) - Avalia&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica de doentes com esclerose  lateral amiotr&oacute;fica. Revista Portuguesa de Pneumologia. Vol. 8, n&ordm; 6, p.  645-653. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>AP&Oacute;STOLO, J. &#91;et al.&#93; (2008) - Depress&atilde;o, ansiedade e stresse em utentes de  cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, n&ordm; 2, p. 46. </P>     <P>ARA&Uacute;JO, F. &#91;et al.&#93; (2007) - Valida&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndice de Barthel numa amostra de  idosos n&atilde;o institucionalizados. Revista Portuguesa de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Vol.  25, n&ordm; 2, p. 59-66.</P>     <P>BALDWIN, N. ; HARRIS, J. ; KELLY, D. (1993) - Institutionalisation: why blame  the institution? Ageing and Society. Vol. 13, n&ordm; 1, p. 69-81.</P>     <P>BARRETO, J. (2003) - Escala de Depress&atilde;o Geri&aacute;trica. In GUERREIRO, M. ;  GARCIA, C. ; MENDON&Ccedil;A, A. - Escalas e testes na dem&ecirc;ncia. Grupo de estudos de  envelhecimento cerebral e dem&ecirc;ncia. p. 59. </P>     <P>BERGDAHL, E. &#91;et al.&#93; (2005) - Depression among the oldest old: the Ume&aring; 85+  study. International Psychogeriatric Association. Vol. 17, n&ordm; 4, p.  557–575.</P>     <P>BLAZER, D. (2003) - Depress&atilde;o em idosos. 3&ordf; ed. S&atilde;o Paulo : Editora  Andrei.</P>     <P>BROWN, M. ; LAPANE, K. ; LUISI, A. (2002) - The management of depression in  older nursing home residents. Journal of the American Geriatrics Society.  Vol. 50, n&ordm; 1, p. 69–76.</P>     <P>FORSELL, Y. ; WINBLAND, B. (1999) - Incidence of major depression in a very  elderly population. Internacional Journal of Geriatric Psychiatry. Vol.  14, n&ordm; 5, p. 368-372.</P>     <P>GUERREIRO, M. &#91;et al.&#93; (2003) - Avalia&ccedil;&atilde;o breve do estado mental. In  GUERREIRO, M. ; GARCIA, C. ; MENDON&Ccedil;A, A. - Escalas e testes na dem&ecirc;ncia.  Grupo de estudos de envelhecimento cerebral e dem&ecirc;ncia. p. 27.</P>     <P>JOULAIN, M. &#91;et al.&#93; (2010) - Vieillissement, bien-&ecirc;tre et d&eacute;pression: le  r&ocirc;le des activit&eacute;s et des loisirs. NPG Neurologie - Psychiatrie –  G&eacute;riatrie. Vol. 10, n&ordm; 57, p. 106-110.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>LOBO, A. &#91;et al.&#93; (1995) - The prevalence of dementia and depression in the  elderly community in a southern European population. The Zaragoza Study.  Archives of General Psychiatry. Vol. 52, n&ordm; 6, p. 497–506.</P>     <P>MINICUCI, N. &#91;et al.&#93; (2002) - Prevalence rate and correlates of depressive  symptoms in older individuals: the Veneto Study. The Journals of Gerontology.  Series A: Biological Sciences and Medical Sciences. Vol. 57, n&ordm; 3, p.  155–161.</P>     <P>OLDMAN, C. ; QUILGARS, D. (1999) - The last resort? Revisiting ideas about  older people’s living arrangements. Ageing and Society. Vol. 19, n&ordm; 3, p.  363-384.</P>     <P>PEACE, S. ; KELLAHER, L. ; WILLCOCKS, D. (1997) – Re-evaluating  residential care. Buckingham : Open University Press.</P>     <P>RIBEIRO, J. (1999) - Investiga&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o em psicologia e sa&uacute;de.  Lisboa : Climepsi Editores.</P>     <P>ROZZINI, R. &#91;et al.&#93; (1996) - Prevalence and predictors of depressive symptoms  in a nursing home. International Journal of Geriatric Psychiatry. Vol.  11, n&ordm; 7, p. 629–634.</P>     <P>TOWNSEND, P. (1962) – The last refuge: a survey of residential  institutions and homes for the aged in England and Wales. London : Routledge  &amp; Kegan Paul.</P>     <P>VIEIRA, E. (1996) - Manual de gerontologia: um guia te&oacute;rico pr&aacute;tico para  profissionais, cuidadores e familiares. Rio de Janeiro : Editora Revinter.</P>     <P>ZUNZUNEGUI, M. &#91;et al.&#93; (1998) - Gender diferences in depressive symptoms  among Spanish elderly. Social Psychiatry and Psychiatric  Epidemiology. Vol. 33, n&ordm; 5, p. 195–205.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 14.02.11</P>     <P>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 04.05.11</P>      ]]></body><back>
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