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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Informatização da documentação clínica de enfermagem: expectativas das enfermeiras na implementação]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Computerization of nursing clinical documentation: nurses’ expectations concerning the implementation]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Informatización de la documentación clínica de enfermería: expectativas de las enfermeras en su implementación]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this study was to understand the expectations of nurses working in the medical-surgical units of a university hospital relating to the pilot test of an electronic system aimed at the documentation of nursing. Ten nurses participating in theoretical-practical training to use the electronic system were interviewed, and data were analyzed using content analysis. Nurses expressed expectations that the computerization of documentation would lead to more visibility of their clinical reasoning and support decisionmaking in relation to the diagnoses, outcomes and nursing interventions most appropriate for each patient. For these nurses, the challenge of computerization of documentation was met with optimism, because they also expected that the electronic system would decrease the time spent on documentation and improve the quality of information recorded during patients hospitalization. The nurses in the study are important agents in the institutional transformation of the situation. Given the need to implement change processes, it is essential that those responsible respect the values of participants and meet their expectations, because they need to change their ways of thinking, feeling and acting in order to integrate these processes and contribute to their success.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este estudio objetiva comprender las expectativas de las enfermeras actuantes en unidades clæshy;nico-quirúrgicos de un hospital universitario respecto a la realización del test piloto de un sistema electrónico destinado a la informatización de la documentación de enfermería. Diez enfermeras, participantes en un programa de capacitación teórico-práctico para saber usar el sistema electrónico, fueron entrevistadas y los datos obtenidos fueron analizados mediante la Técnica del Análisis de Contenido. Las enfermeras manifestaron sus expectativas de que la informatización de la documentación confiriese mayor visibilidad a su raciocinio clínico y apoyara las tomadas de decisions en relación a los diagnósticos, resultados e intervenciones de enfermería más apropiadas a cada usuario. Para esas enfermeras, el desafío de la informatización se asume con optimismo, ya que esperan también que el sistema electrónico disminuya el tiempo despendido en la documentación y mejore la calidad de las informaciones registradas en la hospitalización de los usuarios. Las enfermeras del estudio constituyen importantes agentes de transformación de la realidad institucional. Ante la necesidad de implementación de procesos de cambio se hace imprescindible que los responsables respeten los valores de los participantes y conozcan sus expectativas, ya que estos necesitarán modificar su forma de pensar, sentir y actuar, para integrar esos procesos y contribuir al éxito de estos.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[enfermagem]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica de enfermagem: expectativas das enfermeiras na implementa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Fernandes Costa Lima</b>* ; <b>Talita de Oliveira Melo</b>** </p>     <p>* RN, Ph.D – Docente no Departamento de Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional da Escola de Enfermagem da Universidade de S&atilde;o Paulo (EEUSP). &Aacute;rea de Administra&ccedil;&atilde;o em Enfermagem &#91;<a href="mailto:tonifer@usp.br">tonifer@usp.br</a>&#93;.</p>      <p>** Aluna de Gradua&ccedil;&atilde;o em Enfermagem da EEUSP do 6&ordm; Semestre. Bolsista do Programa de Inicia&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica da Reitoria da Universidade de S&atilde;o Paulo (RUSP/Institucional -2009/2010) &#91;<a href="mailto:talita.oliveira.melo@usp.br">talita.oliveira.melo@usp.br</a>&#93;.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo </b></p>     <p>Este estudo objectiva compreender as expectativas de enfermeiras, actuantes em s&iacute;tios cl&iacute;nico-cir&uacute;rgicos de um hospital universit&aacute;rio, relativamente &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do teste piloto de um sistema electr&oacute;nico visando a informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem. Dez enfermeiras, participantes de um programa de capacita&ccedil;&atilde;o te&oacute;rico-pr&aacute;ctico para uso do sistema eletr&oacute;nico, foram entrevistadas e os dados obtidos analisados atrav&eacute;s da T&eacute;cnica de An&aacute;lise de Conte&uacute;do. As enfermeiras manifestaram expectativas de que a informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o venha a conferir maior visibilidade ao seu racioc&iacute;nio cl&iacute;nico e apoie as tomadas de decis&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o aos diagn&oacute;sticos, resultados e interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem mais apropriadas a cada utente.</p>     <p>Para essas enfermeiras o desafio da informatiza&ccedil;&atilde;o &eacute; assumido com optimismo, pois esperam, tamb&eacute;m, que o sistema eletr&oacute;nico diminua o tempo despendido na documenta&ccedil;&atilde;o e melhore a qualidade das informa&ccedil;&otilde;es registradas na hospitaliza&ccedil;&atilde;o dos utentes. As enfermeiras do estudo constituem-se como importantes agentes de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade institucional. Face &agrave; necessidade de implementa&ccedil;&atilde;o de processos de mudan&ccedil;a, torna-se imprescind&iacute;vel que os respons&aacute;veis respeitem os valores dos participantes e conhe&ccedil;am suas expectativas, pois estes precisar&atilde;o modificar sua forma de pensar, sentir e agir, para integrarem esses processos e contribuir para o &ecirc;xito dos mesmos.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: enfermagem; sistemas de informa&ccedil;&atilde;o; mudan&ccedil;a organizacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Computerization of nursing clinical documentation: nurses’ expectations concerning the implementation</b></p>     <p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>The aim of this study was to understand the expectations of nurses working in the medical-surgical units of a university hospital relating to the pilot test of an electronic system aimed at the documentation of nursing. Ten nurses participating in theoretical-practical training to use the electronic system were interviewed, and data were analyzed using content analysis. Nurses expressed expectations that the computerization of documentation would lead to more visibility of their clinical reasoning and support decisionmaking in relation to the diagnoses, outcomes and nursing interventions most appropriate for each patient. For these nurses, the challenge of computerization of documentation was met with optimism, because they also expected that the electronic system would decrease the time spent on documentation and improve the quality of information recorded during patients hospitalization. The nurses in the study are important agents in the institutional transformation of the situation. Given the need to implement change processes, it is essential that those responsible respect the values of participants and meet their expectations, because they need to change their ways of thinking, feeling and acting in order to integrate these processes and contribute to their success.</p>      <p><b>Keywords</b>: nursing; nursing information systems; organizational change.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Informatizaci&oacute;n de la documentaci&oacute;n cl&iacute;nica de enfermer&iacute;a: expectativas de las enfermeras en su implementaci&oacute;n</b></p>     <p><b>Resumen </b></p>     <p>Este estudio objetiva comprender las expectativas de las enfermeras actuantes en unidades cl&aelig;shy;nico-quir&uacute;rgicos de un hospital universitario respecto a la realizaci&oacute;n del test piloto de un sistema electr&oacute;nico destinado a la informatizaci&oacute;n de la documentaci&oacute;n de enfermer&iacute;a. Diez enfermeras, participantes en un programa de capacitaci&oacute;n te&oacute;rico-pr&aacute;ctico para saber usar el sistema electr&oacute;nico, fueron entrevistadas y los datos obtenidos fueron analizados mediante la T&eacute;cnica del An&aacute;lisis de Contenido. Las enfermeras manifestaron sus expectativas de que la informatizaci&oacute;n de la documentaci&oacute;n confiriese mayor visibilidad a su raciocinio cl&iacute;nico y apoyara las tomadas de decisions en relaci&oacute;n a los diagn&oacute;sticos, resultados e intervenciones de enfermer&iacute;a m&aacute;s apropiadas a cada usuario. Para esas enfermeras, el desaf&iacute;o de la informatizaci&oacute;n se asume con optimismo, ya que esperan tambi&eacute;n que el sistema electr&oacute;nico disminuya el tiempo despendido en la documentaci&oacute;n y mejore la calidad de las informaciones registradas en la hospitalizaci&oacute;n de los usuarios. Las enfermeras del estudio constituyen importantes agentes de transformaci&oacute;n de la realidad institucional. Ante la necesidad de implementaci&oacute;n de procesos de cambio se hace imprescindible que los responsables respeten los valores de los participantes y conozcan sus expectativas, ya que estos necesitar&aacute;n modificar su forma de pensar, sentir y actuar, para integrar esos procesos y contribuir al &eacute;xito de estos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palabras clave</b>: enfermer&iacute;a; sistemas de informaci&oacute;n; cambio organizacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>O Hospital Universit&aacute;rio da Universidade de S&atilde;o Paulo (HU-USP) - Brasil, tem seus objectivos consolidados por meio do ensino, da pesquisa e da extens&atilde;o de servi&ccedil;os &aelig;nbsp; comunidade. Desde a sua inaugura&ccedil;&atilde;o, em 1981, os enfermeiros do Departamento de Enfermagem (DE) fundamentam sua pr&aacute;tica profissional no Processo de Enfermagem (PE), composto por tr&ecirc;s fases: Hist&oacute;rico, Evolu&ccedil;&atilde;o e Prescri&ccedil;&atilde;o de Enfermagem (Cianciarullo <i>et al</i>., 2001).</p>     <p>Para Kenney (1995) o PE pode ser definido como um instrumento que prov&ecirc; um guia sistematizado para o desenvolvimento de um estilo de pensamento que direciona os julgamentos cl&iacute;nicos necess&aacute;rios para o cuidado de enfermagem. Segundo Cruz (2008) a maior import&acirc;ncia do PE consiste em guiar, orientar o pensamento do enfermeiro. Prev&ecirc; que a assist&ecirc;ncia de enfermagem seja pautada na avalia&ccedil;&atilde;o do utente, que fornece os dados para fazer decis&otilde;es apropriadas sobre quais s&atilde;o as necessidades de cuidados dos utentes (diagn&oacute;sticos), sobre quais as metas que se quer alcan&ccedil;ar (resultados) e sobre quais os melhores cuidados para atender &agrave;quelas necessidades frente a esses resultados desej&aacute;veis (interven&ccedil;&otilde;es) (Cruz, 2008).</p>     <p>A ger&ecirc;ncia do DE, a partir das necessidades evidenciadas pelos enfermeiros tem desenvolvido, em parceria com docentes da Escola de Enfermagem (EE) da USP, projetos de aperfei&ccedil;oamento, inova&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do PE. Nesta direc&ccedil;&atilde;o, a datar de Dezembro de 2001, vem envolvendo enfermeiros e docentes da EEUSP no planeamento e realiza&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as para informatizar a documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem. Nesta &eacute;poca, para viabilizar tais mudan&ccedil;as implementou no PE o sistema de classifica&ccedil;&atilde;o de Diagn&oacute;sticos de Enfermagem proposto pela <i>North American Nursing Diagnosis Association</i> (NANDA, 2002) e, a partir de 2005, iniciou a incorpora&ccedil;&atilde;o da Nursing Interventions Classification - NIC (Mccloskey e Bulechek, 2004) e da <i>Nursing Outcomes Classification - NOC</i> (Jonhson, Maas e Moorhead, 2004).</p>     <p>Ao longo de sete anos os enfermeiros do HUUSP vivenciaram experi&ecirc;ncias participativas que permitiram a avalia&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es assistenciais e educacionais, nos respectivos s&iacute;tios de trabalho, e possibilitaram a constru&ccedil;&atilde;o colectiva de instrumentos impressos para viabilizar a implementa&ccedil;&atilde;o gradativa dos sistemas de classifica&ccedil;&otilde;es de enfermagem no PE (Gaidzinski <i>et al</i>., 2008). Os instrumentos constru&iacute;dos representam a consecu&ccedil;&atilde;o de uma etapa intermedi&aacute;ria entre o PE anteriormente desenvolvido e a meta a ser alcan&ccedil;ada: a informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem.</p>     <p>Os investimentos da ger&ecirc;ncia do DE no desenvolvimento tecnol&oacute;gico da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem s&atilde;o crescentes, pois as evid&ecirc;ncias apontam para os sistemas de classifica&ccedil;&otilde;es como elementos fundamentais ao cuidado de enfermagem, com impacto para os profissionais envolvidos, para os resultados em sa&uacute;de dos utentes e para as pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es ou contextos onde o cuidado, e o ensino do cuidado, se efetivam.</p>     <p>Visando a informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem constituiu-se, no HU-USP, um grupo gestor composto por enfermeiros actuantes na Institui&ccedil;&atilde;o, docentes da EEUSP, pesquisadores de diferentes &aacute;reas de conhecimento, estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o com bolsas de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, estudantes de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e profissionais de inform&aacute;tica contratados pela superintend&ecirc;ncia do Hospital. O referido grupo produziu um sistema electr&oacute;nico, denominado Sistema de Documenta&ccedil;&atilde;o Electr&oacute;nica do Processo de Enfermagem da Universidade de S&atilde;o Paulo (PROCEnf-USP) que permite ao usu&aacute;rio - enfermeiros e estudantes de enfermagem - responder um conjunto de question&aacute;rios ramificados, com respostas tabul&aacute;veis que geram hip&oacute;teses diagn&oacute;sticas. Ap&oacute;s a escolha dos diagn&oacute;sticos que melhor caracterizem a situa&ccedil;&atilde;o do utente o usu&aacute;rio procede a selec&ccedil;&atilde;o dos respectivos resultados, interven&ccedil;&otilde;es e actividades de enfermagem (Peres <i>et al</i>., 2009).</p>     <p>De acordo com Gaidzinski <i>et al</i>. (2008) para implementar o PROCEnf-USP, e avaliar a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o usu&aacute;rio/sistema, o grupo gestor planejou a realiza&ccedil;&atilde;o de um teste piloto nos s&iacute;tios de Cl&iacute;nica M&eacute;dica (Cl M&eacute;d) e Cl&iacute;nica Cir&uacute;rgica (Cl Cir), onde s&atilde;o internados utentes adultos e realizados processos de trabalho similares aos dos demais s&iacute;tios de interna&ccedil;&atilde;o, o que facilitar&aacute; a reprodu&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos com o uso do sistema electr&oacute;nico em s&iacute;tios semelhantes no contexto do HU-USP. Para tanto, foi elaborado um programa de capacita&ccedil;&atilde;o detalhando a forma de navega&ccedil;&atilde;o e as possibilidades de uso do sistema. O conte&uacute;do do programa foi ministrado a enfermeiros actuantes nesses s&iacute;tios por meio de exposi&ccedil;&atilde;o dialogada, seguida de exerc&iacute;cios de aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;ctica dos conte&uacute;dos, em seis dias, com dura&ccedil;&atilde;o total de 16 horas. Inicialmente, os enfermeiros desenvolveram actividades supervisionadas em um laborat&oacute;rio de inform&aacute;tica do HU-USP. Posteriormente, documentaram no sistema eletr&oacute;nico estudos de casos referentes a avalia&ccedil;&otilde;es de utentes fict&iacute;cios, apresentando-os em reuni&otilde;es cient&iacute;ficas e discutindo as perspectivas, limita&ccedil;&otilde;es e desafios inerentes ao uso do mesmo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A participa&ccedil;&atilde;o efectiva dos enfermeiros dos s&iacute;tios de Cl M&eacute;d e Cl Cir &eacute; considerada pela ger&ecirc;ncia do DE como de fundamental import&acirc;ncia para que o teste piloto do PROCEnf-USP seja exitoso e, tamb&eacute;m, para a reprodu&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos para outros s&iacute;tios do HU-USP. Com essa perspectiva, optamos pela realiza&ccedil;&atilde;o do presente estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Objetivo </b></p>     <p>Compreender as expetativas de enfermeiros atuantes nos s&iacute;tios de Cl&iacute;nica M&eacute;dica e Cl&iacute;nica Cir&uacute;rgica do Hospital Universit&aacute;rio da Universidade de S&atilde;o Paulo com rela&ccedil;&atilde;o a realiza&ccedil;&atilde;o do teste piloto do Sistema de Documenta&ccedil;&atilde;o Electr&oacute;nica do Processo de Enfermagem da Universidade de S&atilde;o Paulo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia </b></p>     <p><b>Tipo de estudo</b></p>     <p>O estudo insere-se numa abordagem de natureza qualitativa, do tipo explorat&oacute;rio e descritivo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Contexto de an&aacute;lise </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O contexto de an&aacute;lise foi composto pelos s&iacute;tios de Cl M&eacute;d e Cl Cir do HU-USP. O s&iacute;tio de Cl M&eacute;d disp&otilde;e de 41 leitos para atender os utentes procedentes dos s&iacute;tios Pronto-socorro Adulto (PSA), Ambulat&oacute;rio (Amb), Terapia Intensiva Adulto e demais s&iacute;tios do HU-USP, sendo a maior parte dos utentes idosos e portadores de doen&ccedil;as cr&ocirc;nico-degenerativas (Gaidzinski <i>et al</i>., 2008).</p>     <p>O s&iacute;tio de Cl Cir possui 44 leitos para o atendimento integral, ininterrupto e individualizado do utente, durante o per&iacute;odo pr&eacute; e p&oacute;s-operat&oacute;rio. A admiss&atilde;o &eacute; de utentes de ambos os sexos, a partir de 15 anos de idade caso necessite de cirurgia geral ou ortop&eacute;dica. Os utentes s&atilde;o procedentes do PSA, de modo geral para realizar cirurgias emergenciais e do Amb para realizar cirurgias eletivas. Os utentes transferidos de outros s&iacute;tios do HU-USP tamb&eacute;m s&atilde;o atendidos se necessitarem de procedimentos cir&uacute;rgicos (Gaidzinski <i>et al</i>., 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Participantes </b></p>     <p>Participaram do estudo dez enfermeiras que integraram programas de treinamento te&oacute;ricopr&aacute;ticos, ministrados pelos coordenadores do grupo gestor do sistema eletr&oacute;nico, visando a capacita&ccedil;&atilde;o de enfermeiros dos s&aelig;shy;tios de de Cl M&eacute;d e Cl Cir para o uso do PROCEnf-USP.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es formais e &eacute;ticas </b></p>     <p>O estudo foi aprovado pela Comiss&atilde;o de Ensino e Pesquisa e pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa do HU-USP (Protocolo de Registro n. 590/05 -SISNEP CAAE: 0043.0.198.000-09). Foram preservados os aspectos &eacute;ticos por meio das seguintes abordagens: fornecimento de esclarecimentos sobre a finalidade da pesquisa, garantia de participa&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea com plena liberdade para desist&ecirc;ncia, n&atilde;o importando a fase em que a pesquisa se encontrasse, e sem que as enfermeiras sofressem dano ou preju&iacute;zo de qualquer ordem; de solicita&ccedil;&atilde;o de autoriza&ccedil;&atilde;o por escrito, em impresso pr&oacute;prio, no qual os pesquisadores se comprometeram a empregar os dados obtidos apenas com a finalidade de estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Instrumento de colheita de informa&ccedil;&atilde;o </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A t&eacute;cnica de elei&ccedil;&atilde;o para recolha de informa&ccedil;&atilde;o foi a entrevista semi-estruturada. As entrevistas foram realizadas durante os meses de Junho e Outubro de 2009, em sala de reuni&otilde;es no pr&oacute;prio HU-USP, com tempo de dura&ccedil;&atilde;o de 15 minutos. Cada entrevista foi conduzida a partir da quest&atilde;o norteadora: “Quais s&atilde;o as suas expectativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do teste piloto do PROCEnf-USP?”.</p>     <p>As dez entrevistas foram transcritas, codificadas por siglas (E1, E2... e assim por diante) e analisadas utilizando-se a t&eacute;cnica de an&aacute;lise de conte&uacute;do. Bardin (2007) define a an&aacute;lise de conte&uacute;do como um conjunto de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise de comunica&ccedil;&atilde;o visando obter, por meio de procedimentos sistem&aacute;ticos e objectivos de descri&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do das mensagens, indicadores que permitam a infer&ecirc;ncia de conhecimentos relativos &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o destas mensagens. Compreende tr&ecirc;s fases: pr&eacute;-an&aacute;lise, explora&ccedil;&atilde;o do material e interpreta&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o dos resultados </b></p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o das enfermeiras </b></p>     <p>A idade das dez enfermeiras variou entre 26 e 46 anos e o tempo de actua&ccedil;&atilde;o nos s&iacute;tios de Cl M&eacute;d e Cl Cir variou entre 3 e 19 anos. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, uma das participantes era Doutoranda em Cardiologia, duas eram Mestres em Enfermagem, seis possu&iacute;am cursos de especializa&ccedil;&atilde;o (uma em Gerontologia, uma em Nefrologia, uma em Gerenciamento de Servi&ccedil;os de Enfermagem, uma em Cardiologia e duas em Enfermagem Cl&iacute;nica-Cir&uacute;rgica) e uma n&atilde;o estava cursando P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Todas as participantes desenvolviam actividades assistenciais, de ensino e pesquisa no HU-USP.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Expectativas das enfermeiras face ao sistema electr&oacute;nico: optimiza&ccedil;&atilde;o do processamento das informa&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>As enfermeiras reconhecem que o PROCEnf-USP poder&aacute; auxili&aacute;-las melhorando a agilidade, a qualidade das informa&ccedil;&otilde;es obtidas por meio do PE e o tempo consumido na documenta&ccedil;&atilde;o: “O PROCEnf ajudar&aacute; a diminuir o tempo que gastamos para o registro da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem” (E1); “A informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o vai diminuir o tempo para o registro das informa&ccedil;&otilde;es” (E2); “A minha expectativa &eacute; que a documenta&ccedil;&atilde;o fique mais r&aacute;pida, pr&aacute;ctica e objectiva” (E4); “A expectativa &eacute; que o PROCEnf dinamize a forma de documenta&ccedil;&atilde;o do nosso trabalho e melhore a qualidade das informa&ccedil;&otilde;es obtidas” (E7); “Espero que o uso do sistema eletr&oacute;nico facilite o nosso trabalho, que a nossa documenta&ccedil;&atilde;o do PE possa ficar bem mais r&aacute;pida, com melhor qualidade” (E8).</p>     <p>Constatamos que estas s&atilde;o as expectativas iniciais das enfermeiras acerca do uso do PROCEnf-USP, fundamentadas em uma perspectiva muito favor&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o a proposta de informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o do PE. Entretanto, elas precisar&atilde;o conhec&ecirc;-lo e us&aacute;-lo com propriedade a fim de evidenciar os avan&ccedil;os concretos e propor melhorias a partir da realidade vivida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Marin (2005) os enfermeiros sempre estiveram voltados a processar a informa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de e em enfermagem, como parte integral de seu trabalho, mesmo antes da inser&ccedil;&atilde;o dos computadores na &aacute;rea da sa&uacute;de.</p>     <p>Com a introdu&ccedil;&atilde;o dos computadores e gra&ccedil;as aos avan&ccedil;os da inform&aacute;tica, que permitem lidar com quantias massivas de informa&ccedil;&otilde;es de forma organizada e r&aacute;pida, a enfermagem encontrar&aacute; novas oportunidades e desafios contando com recursos que antes n&atilde;o existiam (Marin e Cunha, 2006).</p>     <p>A documenta&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de &eacute; um aspecto que sofrer&aacute; importantes mudan&ccedil;as em virtude da informatiza&ccedil;&atilde;o nessa &aacute;rea. No Brasil observa-se intenso movimento em direc&ccedil;&atilde;o &aelig;nbsp; adop&ccedil;&atilde;o de sistemas electr&oacute;nicos para as diversas atividades administrativas que d&atilde;o suporte aos processos de trabalho assistenciais. A informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o dos processos assistenciais propriamente dita exigir&aacute; profissionais de sa&uacute;de preparados para direcionar e acompanhar mudan&ccedil;as que permitam alcan&ccedil;ar resultados positivos para os processos de trabalho e tamb&eacute;m para a sa&uacute;de das pessoas assistidas (Gaidzinski <i>et al</i>., 2008).</p>     <p>&Eacute;vora, Melo e Nakao (2004) destacam que nos pr&oacute;ximos anos o uso da inform&aacute;tica em enfermagem revolucionar&aacute; os processos em todos os n&iacute;veis dos servi&ccedil;os de enfermagem, principalmente dos hospitais, proporcionando benef&iacute;cios operacionais e estrat&eacute;gicos para a organiza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o.</p>     <p>Sistemas de informa&ccedil;&atilde;o computadorizados, como o sistema electr&oacute;nico em quest&atilde;o, trazem benef&iacute;cios aos usu&aacute;rios, como por exemplo: melhorando o tempo gasto em documentar as informa&ccedil;&otilde;es do utente, eliminando as redund&acirc;ncias, melhorando o tempo de comunica&ccedil;&atilde;o entre a equipa, optimizando o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e oferecendo informa&ccedil;&otilde;es &agrave; equipa multidisciplinar (Peres e Leite, 2010).</p>     <p>Contudo, concordamos com Peres (2009) quando diz que a r&aacute;pida evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica propicia a assimila&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias, sem que haja a reflex&atilde;o sobre os valores e a intencionalidade do seu uso, tornando os profissionais de sa&uacute;de e os utentes vulner&aacute;veis a aceitarem e acreditarem que a inform&aacute;tica possa resolver os problemas de sa&uacute;de e melhorar a qualidade da assist&ecirc;ncia.</p>     <p>Assim, os profissionais de sa&uacute;de devem reconhecer que as tecnologias n&atilde;o s&atilde;o neutras, precisam ser analisadas em suas intencionalidades e rela&ccedil;&otilde;es de poder relativas ao seu uso na sa&uacute;de, visando resgatar dimens&otilde;es &eacute;ticas e humanas. Dessa forma, tornam-se menos vulner&aacute;veis &agrave;s press&otilde;es do mercado, promovem a qualidade da assist&ecirc;ncia e melhoram as condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o (Peres, 2009).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Expectativas das enfermeiras face ao sistema electr&oacute;nico: apoio ao rac&iacute;ocinio cl&iacute;nico e &agrave;s tomadas de decis&atilde;o</b></p>     <p>As enfermeiras deste estudo manifestaram, tamb&eacute;m, expectativas de que a mudan&ccedil;a na forma de documenta&ccedil;&atilde;o, com o uso PROCEnf-USP, contribua para apoiar o racioc&iacute;nio cl&iacute;nico e as tomadas de decis&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o aos diagn&oacute;sticos, resultados e interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem mais apropriados a cada utente contemplando, ainda mais, as suas necessidades individuais: “Com o sistema daremos visibilidade ao nosso julgamento cl&iacute;nico. Conseguiremos documentar tudo aquilo que fazemos e que n&atilde;o denominamos, como os resultados esperados e as interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem” (E1); “Teremos um banco de dados importante de todas as hospitaliza&ccedil;&otilde;es dos utentes” (E2); “O sistema eletr&oacute;nico fornecer&aacute; apoio as nossas decis&otilde;es para o planeamento dos cuidados de enfermagem” (E3); “Ao respondermos os question&aacute;rios do PROCEnf teremos uma visualiza&ccedil;&atilde;o completa do utente, com mais op&ccedil;&otilde;es do que as que temos ao fazer uma admiss&atilde;o na actualidade” (E4); “Quando usamos o sistema eletr&oacute;nico para a admiss&atilde;o de um utente temos outras id&eacute;ias que n&atilde;o ter&iacute;amos sozinhas, acho que conseguimos raciocinar melhor” (E5); “O sistema ser&aacute; um instrumento facilitador do pensamento, ampliar&aacute; as possibilidades de elabora&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;sticos, interven&ccedil;&otilde;es e resultados” (E6); “Com as etapas que o sistema disp&otilde;e teremos mais facilidade para estabelecer os cuidados e escolher os melhores resultados esperados para cada utente” (E7); “A forma de documenta&ccedil;&atilde;o melhorar&aacute;, porque o sistema ampliar&aacute; a possibilidade de escolhas, aparecem informa&ccedil;&otilde;es mais detalhadas que ajudam na selec&ccedil;&atilde;o dos diagn&oacute;sticos, interven&ccedil;&otilde;es e resultados” (E8); “Acredito que o sistema vai facilitar bastante o nosso trabalho... por ser mais organizado, posso colocar os dados nele, consult&aacute;-los e recuper&aacute;-los quando necess&aacute;rio” (E9); “O sistema possui informa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o importantes para ampliar o meu conhecimento e me ajudar a proporcionar o melhor cuidado ao utente ao direccionar para os diagn&oacute;sticos, resultados e interven&ccedil;&otilde;es” (E10).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O uso de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o computadorizado, documentando e processando informa&ccedil;&otilde;es no cuidado direto ao utente, &eacute; fundamental no contexto do PE que requer a integra&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o de complexas informa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas para a tomada de decis&otilde;es acerca do cuidado de enfermagem individualizado (Peres e Leite, 2010).</p>     <p>Nessa direc&ccedil;&atilde;o, Peres <i>et al</i>. (2009) salientam que a informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem &eacute; o grande desafio enfrentado em v&aacute;rias partes do mundo, porquanto permite a recupera&ccedil;&atilde;o de dados e informa&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; tomada de decis&atilde;o cl&iacute;nica de enfermagem, requisito fundamental para a pr&aacute;tica baseada em evid&ecirc;ncias, e pode contribuir para o desenvolvimento de pesquisas na enfermagem.</p>     <p>Gaidzinski <i>et al</i>. (2008) destacam que as decis&otilde;es de tr&ecirc;s etapas do PE devem figurar nos registros de sa&uacute;de: os diagn&oacute;sticos de enfermagem identificados, as interven&ccedil;&otilde;es realizadas e os resultados alcan&ccedil;ados. Esses autores reconhecem que os processos de implementa&ccedil;&atilde;o de classifica&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m alto custo e requerem o direccionamento de esfor&ccedil;os concentrados que envolvem diversas vari&aacute;veis estruturais e processuais. Assim, cada vez mais, muito se tem a discutir sobre os efeitos que a introdu&ccedil;&atilde;o de sistemas de classifica&ccedil;&otilde;es, para esses tr&ecirc;s elementos fundamentais do cuidado de enfermagem, pode ter para os profissionais envolvidos, para os resultados em sa&uacute;de dos utentes e para as pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es e contextos onde o cuidado se efectiva.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Enfrentando os desafios da mudan&ccedil;a para a documenta&ccedil;&atilde;o electr&oacute;nica do PE </b></p>     <p>Cunha, Ferreira e Rodrigues (2010, p.8) destacam que a mudan&ccedil;a nos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o, para os profissionais de enfermagem que assistem diretamente o utente, &eacute; um meio estrat&eacute;gico para gerir a informa&ccedil;&atilde;o gerada no seio da equipa e converter linguagens, permitindo criar alternativas aos tradicionais sistemas em suporte de papel.</p>     <p>As enfermeiras entrevistadas reconheceram os desafios referentes ao processo de informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem, contudo, expressaram na dimens&atilde;o pessoal, bem como, na dimens&atilde;o colectiva, encarar de maneira pr&oacute;-activa a inseguran&ccedil;a e as poss&iacute;veis manifesta&ccedil;&otilde;es de resist&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a este processo, conforme as falas a seguir: “Tudo que &eacute; novo requer empenho, n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil, mas espero que futuramente o PROCEnf nos ajude bastante. Assumiremos o grande desafio do teste piloto, ele representa uma mudan&ccedil;a na forma de documenta&ccedil;&atilde;o” (E1) ; “Tudo que se inicia &eacute; trabalhoso, causa um pouco de inseguran&ccedil;a e resist&ecirc;ncia, mais para algumas enfermeiras menos para outras. Contudo, estamos interessadas e envolvidas com essa proposta de mudan&ccedil;a” (E2); “N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil, o sistema representa uma mudan&ccedil;a no nosso processo de trabalho” (E6); “Essa mudan&ccedil;a na forma de documenta&ccedil;&atilde;o actual para a eletr&oacute;nica &eacute; desafiadora ” (E7); “A proposta &eacute; uma novidade, no in&iacute;cio pode causar certa resist&ecirc;ncia em algumas enfermeiras” (E10).</p>     <p>Para Chiavenato (2002) toda mudan&ccedil;a em uma organiza&ccedil;&atilde;o representa alguma transforma&ccedil;&atilde;o nas atitudes cotidianas, nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, nas responsabilidades, nos h&aacute;bitos e comportamentos das pessoas que a comp&otilde;em. Do mesmo modo, para que qualquer mudan&ccedil;a organizacional ocorra, de facto, cada pessoa envolvida deve pensar, sentir e fazer algo diferente.</p>     <p>Nessa perspectiva, Motta (1998) afirma que a resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a &eacute; aceite como algo t&atilde;o natural quanto a pr&oacute;pria mudan&ccedil;a. O autor acredita que grande parte das manifesta&ccedil;&otilde;es de resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a s&atilde;o originadas nas percep&ccedil;&otilde;es individuais dos envolvidos sobre a novidade. Tais percep&ccedil;&otilde;es est&atilde;o relacionadas com a imagina&ccedil;&atilde;o a respeito do futuro, com experi&ecirc;ncias passadas e com o &oacute;nus do pr&oacute;prio processo de mudan&ccedil;a.</p>     <p>Ressalta, ainda, que para se compreender os comportamentos de restri&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a torna-se necess&aacute;rio, al&eacute;m do exame das atitudes individuais face &agrave; novidade, a an&aacute;lise dos comportamentos que poder&atilde;o variar desde a indiferen&ccedil;a e formas perspicazes de contrariedade, at&eacute; a&ccedil;&otilde;es radicais de oposi&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vale lembrar que os processos de mudan&ccedil;a s&atilde;o diretamente influenciados pela cultura organizacional, que pode ser definida como uma cultura pr&oacute;pria, que representa a moldura pela qual os fatos, os objetos e as pessoas s&atilde;o interpretados e avaliados num determinado contexto (Maximiano, 2002).</p>     <p>Sabe-se que para alcan&ccedil;ar o prop&oacute;sito de se tornar mais competitiva e ajustada &agrave;s realidades do mercado, uma organiza&ccedil;&atilde;o necessita alterar sua estrutura e sua forma de funcionamento (Camara, Guerra e Rodrigues, 2007). Nessa direc&ccedil;&atilde;o, os coordenadores do grupo gestor do PROCEnf-USP ao conduzirem a informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem no HU-USP, mantendo a gest&atilde;o participativa preconizada pela ger&ecirc;ncia do DE, obtiveram contributos para lidar com as poss&iacute;veis manifesta&ccedil;&otilde;es de resist&ecirc;ncia das enfermeiras. Isso porque quando h&aacute; um clima de confian&ccedil;a m&uacute;tua entre as partes, as pessoas -ao terem a liberdade de questionar, discutir, sugerir, modificar, alterar uma decis&atilde;o, um projecto ou uma simples proposta - s&atilde;o envolvidas, estimuladas e tornam-se desejosas de contribuir (Chiavenato, 2002).</p>     <p>Para o grupo de enfermeiras que participaram do teste piloto do sistema eletr&oacute;nico nos s&iacute;tios de Cl M&eacute;d e Cl Cir o desafio da informatiza&ccedil;&atilde;o &eacute; assumido com otimismo.</p>     <p>Algumas enfermeiras explicitaram a import&acirc;ncia atribu&iacute;da aos investimentos realizados pela ger&ecirc;ncia do DE e coordenadores do grupo gestor na obten&ccedil;&atilde;o de recursos visando propiciar condi&ccedil;&otilde;es adequadas &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do teste piloto, favorecendo o alcance dos resultados esperados: “...o acesso ao sistema tornou-se mais r&aacute;pido com a aquisi&ccedil;&atilde;o dos notebooks para realizarmos o teste piloto” (E1); “Os notebooks facilitar&atilde;o o teste do sistema eletr&oacute;nico, pois ser&atilde;o de uso exclusivo das enfermeiras” (E3); “Com os notebooks o sistema ficar&aacute; mais &aacute;gil, conseguiremos passar de uma tela para outra rapidamente” (E5); “Com os notebooks a nossa disposi&ccedil;&atilde;o o sistema  ficar&aacute; mais r&aacute;pido para salvarmos os dados colectados junto aos utentes” (E9).</p>     <p>Finalizando, observa-se que as enfermeiras expressaram expectativas positivas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o do PROCEnf-USP, nos s&iacute;tios de Cl M&eacute;d e Cl Cir. Por&eacute;m, deve-se levar em considera&ccedil;&atilde;o que em qualquer tipo de actividade humana as pessoas tendem a fazer aquilo que sabem e n&atilde;o o que seria preciso que elas fizessem, por medo de mudar e correr riscos. Por isso, dentre as condi&ccedil;&otilde;es imprescind&iacute;veis para que uma mudan&ccedil;a organizacional seja &ecirc;xitosa Lacombe e Heilborn (2003) destacam a import&acirc;ncia da administra&ccedil;&atilde;o superior fornecer forte apoio para sua implanta&ccedil;&atilde;o, como se observa no HU-USP. O PROCEnf-USP dever&aacute; ser testado criteriosamente, avaliado continuamente e modificado de acordo com as necessidades evidenciadas pelas enfermeiras usu&aacute;rias considerando os recursos humanos, t&eacute;cnicos e tecnol&oacute;gicos dispon&iacute;veis.</p>     <p>Actualmente, diversas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de no Brasil preocupam-se com a informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o, inclusive no que se refere aos aspectos cl&iacute;nicos de seus servi&ccedil;os. Os servi&ccedil;os de enfermagem t&ecirc;m enfrentado o desafio de implementar sistemas de classifica&ccedil;&otilde;es de diagn&oacute;sticos, interven&ccedil;&otilde;es e resultados. Esse desafio exige mais do que instituir uma lista de termos que os enfermeiros passem a utilizar em seus registros (Gaidzinski <i>et al</i>., 2008), pois a implementa&ccedil;&atilde;o desses sistemas envolve a altera&ccedil;&atilde;o de certos comportamentos, cren&ccedil;as, valores e depende da atitude de cada enfermeiro frente a estes novos conceitos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>As enfermeiras, apesar de reconhecerem os desafios da mudan&ccedil;a na forma de documenta&ccedil;&atilde;o, manifestaram somente expectativas positivas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do teste piloto com o uso do PROCEnf-USP nos s&iacute;tios de Cl M&eacute;d e Cl Cir do HU-USP.</p>     <p>Com esta perspectiva, ressaltamos a import&acirc;ncia da ger&ecirc;ncia do DE e dos coordenadores do grupo gestor estarem sens&iacute;veis e dispon&iacute;veis &agrave;s solicita&ccedil;&otilde;es das enfermeiras, a fim de facilitar o uso do PROCEnf-USP, possibilitando a incorpora&ccedil;&atilde;o de modifica&ccedil;&otilde;es cont&iacute;nuas que contribuam para o aprimoramento do sistema electr&oacute;nico e para o &ecirc;xito da informatiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o de enfermagem no HU-USP.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados obtidos neste estudo permitem afirmar que mudar n&atilde;o &eacute; algo f&aacute;cil, pois requer que os envolvidos na mudan&ccedil;a deixem de lado aquilo que &eacute; conhecido e vivenciem novos caminhos que podem transformar-se em fontes de incertezas. Ent&atilde;o, os respons&aacute;veis pelo processo de mudan&ccedil;a devem planejar cuidadosamente as ac&ccedil;&otilde;es, estar alerta para atitudes e comportamentos de todos os envolvidos, avaliar continuamente o processo e nele intervir quando e onde necess&aacute;rio.</p>     <p>As pessoas s&atilde;o importantes agentes de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade. Portanto, torna-se fundamental respeitar seus valores e conhecer suas percep&ccedil;&otilde;es e expectativas, pois elas ter&atilde;o que modificar sua forma de pensar, sentir e agir, para se tornarem integrantes dos processos de mudan&ccedil;a, independentemente da sua magnitude, e assegurar que os mesmos tenham &ecirc;xito.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>BARDIN, L. (2007) - An&aacute;lise de conte&uacute;do. 4&ordf; ed. Lisboa : Edi&ccedil;&otilde;es 70.</p>     <p>CAMARA, P. B. ; GUERRA, P. B. ; RODRIGUES, J. V. (2007) - Novo humanator: recursos humanos e sucesso empresarial. 1&ordf; ed. Lisboa : D. Quixote.</p>     <p>CHIAVENATO, I. (2002) - Construindo o esp&iacute;rito de equipe e trabalho. In Gerenciando pessoas: como transformar gerentes em gestores de pessoas. 4&ordf; ed. S&atilde;o Paulo : Prentice Hall. p. 47-73.</p>     <p>CIANCIARULLO, T. I. &#91;et al.&#93; (2001) - Sistema de assist&ecirc;ncia de enfermagem: evolu&ccedil;&atilde;o e tend&ecirc;ncias. S&atilde;o Paulo : &Iacute;cone.</p>     <p>CRUZ, D. A. L. M (2008) - Processo de enfermagem e classifica&ccedil;&otilde;es. In GAIDZINSKI, R. R. &#91;et al.&#93; - Diagn&oacute;stico de enfermagem: abordagem pr&aacute;tica. Porto Alegre : Artmed. p. 25-37.</p>     <p>CUNHA, A. P. ; FERREIRA, J. M. ; RODRIGUES, M. A. (2010) - Atitude dos enfermeiros face ao sistema informatizado de informa&ccedil;&atilde;o em enfermagem. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 3, n&ordm; 1, p. 7-16.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute;VORA, Y. D. M. ; MELO, M. R. A. C. ; NAKAO, J. R. S. (2004) - O desenvolvimento da inform&aacute;tica em enfermagem: um panorama hist&oacute;rico. In ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE INFORM&Aacute;TICA EM SA&Uacute;DE, 9&ordm;, Ribeir&atilde;o Preto - A inform&aacute;tica em sa&uacute;de a servi&ccedil;o do Brasil. Vol. 1.      <p>GAIDZINSKI, R. R. &#91;et al.&#93; (2008) - Diagn&oacute;sticos de enfermagem na pr&aacute;tica cl&iacute;nica. Porto Alegre : Artmed.</p>     <p>JONHSON, M. ; MAAS, M. ; MOORHEAD, S. (2004) - Nursing outcomes classification (NOC). 3rd ed. St. Louis : Mosby.</p>     <p>KENNEY, J. W. (1995) - Relevance of theory-based nursing practice. In CHRISTENSEN, P. J. ; KENNEY, J. W., ed. lit. - Nursing process: application of conceptual models. St. Louis : Mosby. p. 3-23.</p>     <p>LACOMBE, F. ; HEILBORN, G. (2003) - Mudan&ccedil;as organizacionais e a organiza&ccedil;&atilde;o como um sistema aberto. In Administra&ccedil;&atilde;o: princ&iacute;pios e tend&ecirc;ncias. S&atilde;o Paulo : Saraiva. p. 419-435.</p>     <p>MARIN, H. F. (2005) - Nursing informatics: current issues around the word. International Journal of Medical Informatics. Vol. 74, n&ordm; 11-12, p. 857-860.</p>     <p>MARIN, H. F. ; CUNHA, I. C. K. O. (2006) - Perspectivas atuais da inform&aacute;tica em enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem. Vol. 59, n&ordm; 3, p. 354-357.</p>     <p>MAXIMIANO, A. C. A. (2002) - Administra&ccedil;&atilde;o participativa. In Teoria geral da administra&ccedil;&atilde;o: da escola cient&iacute;fica &agrave; competitividade na economia globalizada. 2&ordf; ed. S&atilde;o Paulo : Atlas. p. 457-478.</p>     <p>MCCLOSKEY, J. C. ; BULECHEK, G. M. (2004) - Nursing interventions classification (NIC). 4&ordf; ed. St. Louis : Mosby.</p>     <p>MOTTA, P. R. (1998) - Transforma&ccedil;&atilde;o organizacional: a teoria e a pr&aacute;tica de inovar. Rio de Janeiro : Qualitymark.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NORTH AMERICAN NURSING DIAGNOSIS ASSOCIATION INTERNATIONAL (2002) - Nursing diagnoses: definitions & classification 2001-2002. Philadelphia : NANDA.</p>     <p>PERES, H. H. C. (2009) - Sistema de documenta&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica do processo de enfermagem: desenvolvimento, avalia&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o no Hospital Universit&aacute;rio da Universidade de S&atilde;o Paulo. S&atilde;o Paulo : Escola de Enfermagem, Universidade de S&atilde;o Paulo. Tese apresentada &agrave; EEUSP para obten&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo de Livre-Docente para obten&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo de Professor Associado.</p>     <p>PERES, H. H. C. &#91;et al.&#93; (2009) - Sistema eletr&ocirc;nico de documenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica de enfermagem estruturado em diagn&oacute;sticos, resultados e interven&ccedil;&otilde;es. Revista da Escola de Enfermagem da USP. Vol. 43, n&ordm; spe 2, p. 1149-1155.</p>     <p>PERES, H. H. C. ; LEITE, M. M. J. (2010) - Sistemas de informa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de. In KURCGANT, P. - Gerenciamento em enfermagem. 2&ordf; ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan. p. 63-70.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 24.11.10</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 04.04.11 </p>      ]]></body><back>
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