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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uso dos equipamentos de proteção individual em unidade de terapia intensiva]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In spite of great advances in the prevention of cross-infection, adherence to the use of personal protective equipment among healthcare workers is a major challenge. This study aimed to analyze the use of Individual Protection Equipment (IPE) by nursing staff in the intensive care units of an emergency hospital in Fortaleza-CE, Brazil. This is an exploratory, descriptive and cross-sectional study, carried out at four units of that institution. Data collection occurred during September and October 2008, through interviews and observation, respecting ethical-legal aspects. Forty-five nursing ICU staff members in the technical and auxiliary categories have participated. The results show that nursing technicians and auxiliaries are aware of the importance of using IPE, but do not use them as frequently as necessary in their daily working practice, due to behavioral and logistic problems. These study results provide a basis for reflection on the importance of identifying the strengths and difficulties staff encounter in using IPE.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Apesar de los grandes avances en la prevención de infecciones hospitalarias, la adhesión a los equipamientos de protección individual sigue siendo un importante desafío entre los trabajadores de la salud. Este estudio tuvo por objetivo analizar la utilización de equipamientos de protección individual (EPIs) por los trabajadores de enfermería en las unidades de terapia intensiva de un hospital de emergencia localizado en el municipio de Fortaleza/CE, Brasil. Se trata de un estudio exploratorio, descriptivo y transversal, realizado en las cuatro unidades de la referida institución. La recolección de datos transcurrió durante los meses de septiembre a octubre de 2008, mediante entrevista y observación, respetando aspectos ético-legales. Participaron en el estudio 45 trabajadores del equipo de enfermería de la UTI, en las categorías de técnico y auxiliar. Los resultados revelan que los técnicos y auxiliares de enfermería son concientes de la importancia del uso de EPIs, aunque no los utilicen con la debida frecuencia en la práctica de su cotidiano laboral, debido a problemas de orden comportamental y de logística. Los resultados de este estudio ofrecen bases para una reflexión cuanto a la importancia de la identificación de facilidades y dificultades encontradas por el equipo en la utilización de los EPIs.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>Uso dos equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual em unidade de terapia intensiva</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Ellen Lucy Vale de Souza</b>*; <b>Jennara Candido do Nascimento</b>**; <b>Joselany Afio Caetano</b>***; <b>Raquel Cavalcanti Veras Ribeiro Enfermeira</b>****</P>     <P>* Discente do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Cear&aacute; - UFC. Bolsista de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica – FUNCAP &#91;<a href="mailto:ellinha_l@hotmail.com">ellinha_l@hotmail.com</a>&#93;.</P>     <P>** Discente do Mestrado em Enfermagem da UFC. Bolsista da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior – CAPES &#91;<a href="mailto:jennaracandido@yahoo.com.br">jennaracandido@yahoo.com.br</a>&#93;.</P>     <P>*** RN, PhD - Docente do curso de Enfermagem e do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Enfermagem da UFC &#91;<a href="mailto:joselany@ufc.br">joselany@ufc.br</a>&#93;.</P>     <P>**** RN, Departamento de Enfermagem – UFC &#91;<a href="mailto:quelzinhaveras@hotmail.com">quelzinhaveras@hotmail.com</a>&#93;.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Resumo</b></P>     <P>Apesar dos grandes avan&ccedil;os na preven&ccedil;&atilde;o de infe&ccedil;&otilde;es hospitalares, a ades&atilde;o aos equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual continua sendo um importante desafio entre os trabalhadores da sa&uacute;de. Foi objetivo deste estudo analisar a utiliza&ccedil;&atilde;o de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual (EPIs) pelos trabalhadores de enfermagem nas unidades de terapia intensiva de um hospital de emerg&ecirc;ncia localizado no munic&iacute;pio de Fortaleza/CE, Brasil. Trata-se de um estudo explorat&oacute;rio, descritivo e transversal, realizado nas quatro unidades da referida institui&ccedil;&atilde;o. A coleta de dados ocorreu nos meses de setembro e outubro de 2008, atrav&eacute;s de entrevista e observa&ccedil;&atilde;o, respeitando-se os aspetos &eacute;tico-legais. Participaram do estudo 45 trabalhadores da equipe de enfermagem da UTI, nas categorias de t&eacute;cnico e auxiliar. Os resultados revelam que os t&eacute;cnicos e auxiliares de enfermagem t&ecirc;m consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia do uso de EPIs, por&eacute;m n&atilde;o os utilizam com a devida frequ&ecirc;ncia na pr&aacute;tica de seu cotidiano laboral, devido a problemas de ordem comportamental e de log&iacute;stica. Os resultados deste estudo oferecem bases para uma reflex&atilde;o quanto &agrave; import&acirc;ncia da identifica&ccedil;&atilde;o de facilidades e dificuldades encontradas pela equipe na utiliza&ccedil;&atilde;o dos EPIs.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Palavras-chave:</b> infec&ccedil;&atilde;o hospitalar; preven&ccedil;&atilde;o; equipe de enfermagem.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Use of personal protective equipment in the intensive care unit</b></P>     <P><b>Abstract</b></P>     <P>In spite of great advances in the prevention of cross-infection, adherence to the use of personal protective equipment among healthcare workers is a major challenge. This study aimed to analyze the use of Individual Protection Equipment (IPE) by nursing staff in the intensive care units of an emergency hospital in Fortaleza-CE, Brazil. This is an exploratory, descriptive and cross-sectional study, carried out at four units of that institution. Data collection occurred during September and October 2008, through interviews and observation, respecting ethical-legal aspects. Forty-five nursing ICU staff members in the technical and auxiliary categories have participated. The results show that nursing technicians and auxiliaries are aware of the importance of using IPE, but do not use them as frequently as necessary in their daily working practice, due to behavioral and logistic problems. These study results provide a basis for reflection on the importance of identifying the strengths and difficulties staff encounter in using IPE.</P>     <P><b>Keywords:</b> cross infection; prevention and control; nursing team.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Uso de los equipamientos de protecci&oacute;n individual en unidad de terapia intensiva</b></P>     <P><b>Resumen</b></P>     <P>Apesar de los grandes avances en la prevenci&oacute;n de infecciones hospitalarias, la adhesi&oacute;n a los equipamientos de protecci&oacute;n  individual sigue siendo un importante desaf&iacute;o entre los  trabajadores de la salud. Este estudio tuvo por objetivo analizar  la utilizaci&oacute;n de equipamientos de protecci&oacute;n individual  (EPIs) por los trabajadores de enfermer&iacute;a en las unidades de  terapia intensiva de un hospital de emergencia localizado en  el municipio de Fortaleza/CE, Brasil. Se trata de un estudio  exploratorio, descriptivo y transversal, realizado en las cuatro  unidades de la referida instituci&oacute;n. La recolecci&oacute;n de datos  transcurri&oacute; durante los meses de septiembre a octubre de  2008, mediante entrevista y observaci&oacute;n, respetando aspectos  &eacute;tico-legales. Participaron en el estudio 45 trabajadores del  equipo de enfermer&iacute;a de la UTI, en las categor&iacute;as de t&eacute;cnico  y auxiliar. Los resultados revelan que los t&eacute;cnicos y auxiliares  de enfermer&iacute;a son concientes de la importancia del uso de EPIs, aunque no los utilicen con la debida frecuencia en la pr&aacute;ctica de su cotidiano laboral, debido a problemas de orden comportamental y de log&iacute;stica. Los resultados de este estudio ofrecen bases para una reflexi&oacute;n cuanto a la importancia de la identificaci&oacute;n de facilidades y dificultades encontradas por el equipo en la utilizaci&oacute;n de los EPIs.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Palabras clave:</b> infecci&oacute;n hospitalaria; prevenci&oacute;n y control; equipo de enfermer&iacute;a.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></P>     <P>Os pacientes cr&iacute;ticos hospitalizados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) s&atilde;o mais vulner&aacute;veis &agrave; infec&ccedil;&atilde;o hospitalar, em compara&ccedil;&atilde;o &agrave;s demais unidades. O risco de infec&ccedil;&atilde;o &eacute; diretamente proporcional &agrave; gravidade da doen&ccedil;a, &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es nutricionais, &agrave; natureza dos procedimentos diagn&oacute;sticos e/ou terap&ecirc;uticos, bem como, ao tempo de interna&ccedil;&atilde;o, entre outros aspectos ( Vincent <i>et al.</i>, 2009; Silva e Ravanello, 2009). &Eacute; destacado que na UTI os pacientes t&ecirc;m de cinco a 10 vezes mais probabilidades de contrair uma infec&ccedil;&atilde;o hospitalar e que esta pode representar cerca de 20% do total de infec&ccedil;&otilde;es de um hospital ( Vincent, 2003).</P>     <P>Vale a pena ressaltar que os pacientes cr&iacute;ticos s&atilde;o comumente agredidos por m&uacute;ltiplos procedimentos invasivos e t&ecirc;m os mecanismos imunol&oacute;gicos de defesa comprometidos, tanto pelo uso de medicamentos imunossupressores, quanto por terapias antimicrobianas, sendo mais vulner&aacute;veis a infe&ccedil;&otilde;es interferindo em seu progn&oacute;stico (Barsanti e Woeltje, 2009). Al&eacute;m desse fator, a realiza&ccedil;&atilde;o de procedimentos inadequados com falhas de t&eacute;cnica ass&eacute;ptica tamb&eacute;m contribui para a exposi&ccedil;&atilde;o desses pacientes a infec&ccedil;&atilde;o (Martins, Franco e Duarte, 2007).</P>     <P>Dentro desse contexto, os hospitais devem adotar medidas habituais de preven&ccedil;&atilde;o e controle de infec&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s das precau&ccedil;&otilde;es padr&atilde;o (Aguiar, Lima e Santos, 2008). As mesmas podem ser definidas como sendo um conjunto de medidas empregadas no atendimento a todos os pacientes hospitalizados, independente de seu estado infectado ou n&atilde;o, e na manipula&ccedil;&atilde;o de equipamentos e artigos contaminados ou sob suspeita de contamina&ccedil;&atilde;o, almejando reduzir a transmiss&atilde;o de agentes patog&ecirc;nicos. Nesse grupo est&atilde;o inclu&iacute;dos os equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual (m&aacute;scaras, &oacute;culos, protetor facial, luvas, avental) e a higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os (HM) (Couto <i>et al.</i>, 2009).</P>     <P>De destacar que devido &agrave; abrang&ecirc;ncia do termo “higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os”, esse procedimento engloba a higieniza&ccedil;&atilde;o simples, a higieniza&ccedil;&atilde;o antiss&eacute;tica, a fric&ccedil;&atilde;o antiss&eacute;tica e a antissepsia cir&uacute;rgica das m&atilde;os. As indica&ccedil;&otilde;es para a utiliza&ccedil;&atilde;o de cada uma dessas t&eacute;cnicas s&atilde;o vari&aacute;veis no &acirc;mbito hospitalar, exigindo do profissional de sa&uacute;de uma an&aacute;lise criteriosa da situa&ccedil;&atilde;o para adotar a t&eacute;cnica mais adequada.</P>     <P>Durante a assist&ecirc;ncia ao paciente, os trabalhadores de enfermagem podem contribuir para redu&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o de tais precau&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m temos observado na pr&aacute;tica o uso inadequado ou o desuso dos equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual (EPIs) por esses profissionais, al&eacute;m da n&atilde;o lavagem das m&atilde;os ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o dos procedimentos. Isso acontece porque, na pr&aacute;tica, muitas vezes os trabalhadores de enfermagem executam o “cuidar” dentro da perspectiva do “fazer” e, consequentemente, n&atilde;o adotam as medidas de biosseguran&ccedil;a necess&aacute;rias &agrave; sua prote&ccedil;&atilde;o durante a assist&ecirc;ncia que realizam, o que pode ocasionar agravos &agrave; sua sa&uacute;de e &agrave; do paciente sob seus cuidados. De referir que a utiliza&ccedil;&atilde;o correta e frequente de EPIs pelos profissionais, associada &agrave; higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os e ao seguimento de t&eacute;cnicas ass&eacute;pticas nos procedimentos invasivos, desempenha um papel importante na redu&ccedil;&atilde;o do risco de infec&ccedil;&atilde;o, bem como, para sua pr&oacute;pria prote&ccedil;&atilde;o.</P>     <P>Ent&atilde;o, diante da vulnerabilidade dos pacientes internados na UTI, onde h&aacute; um maior n&uacute;mero de pacientes graves, submetidos a diversos procedimentos invasivos e, portanto, um maior risco de infec&ccedil;&otilde;es, faz-se relevante a elabora&ccedil;&atilde;o de um estudo que avalie a utiliza&ccedil;&atilde;o de EPIs pelos trabalhadores de enfermagem. A partir de situa&ccedil;&otilde;es presenciadas por n&oacute;s durante o exerc&iacute;cio profissional, passamos a refletir sobre as raz&otilde;es dos trabalhadores de enfermagem n&atilde;o valorizarem a implementa&ccedil;&atilde;o do uso dos EPIs como medida de biosseguran&ccedil;a, durante a sua pr&aacute;tica assistencial. Assim, questionamos: O que leva os trabalhadores de enfermagem a n&atilde;o usarem os EPIs?</P>     <P>&Eacute; objetivo deste estudo analisar a utiliza&ccedil;&atilde;o de EPIs pelos trabalhadores de enfermagem nas unidades de terapia intensiva em uma institui&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia, com o intuito de ampliar e/ou preencher lacunas no conhecimento daqueles que prestam assist&ecirc;ncia de enfermagem em UTI, acerca da import&acirc;ncia do uso de EPIs como medida de biosseguran&ccedil;a no respectivo &acirc;mbito de atua&ccedil;&atilde;o profissional.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>No que se refere &agrave; assist&ecirc;ncia, a expectativa &eacute; a de que o conhecimento mais aprofundado sobre o assunto permita aos profissionais de enfermagem identificar e corrigir as situa&ccedil;&otilde;es de risco &agrave;s quais est&atilde;o expostos no ambiente hospitalar, em especial na UTI. E que, assim, possam adotar e implementar medidas que tornem mais segura a pr&aacute;tica cotidiana de trabalho n&atilde;o s&oacute; para eles, mas tamb&eacute;m para os pacientes sob seus cuidados.</P>     <P>Ademais, poder&aacute; favorecer a realiza&ccedil;&atilde;o de novas pesquisas sobre o tema, considerando a diversidade de aspetos a respeito que ainda n&atilde;o foram enfocados e que podem vir a ser abordados ou aprofundados, de acordo com o interesse do pesquisador nas quest&otilde;es de biosseguran&ccedil;a do trabalho.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Metodologia</b>    <P>     <P>Trata-se de um estudo explorat&oacute;rio, descritivo e transversal sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o dos EPIs pelos trabalhadores de enfermagem. O estudo de natureza descritiva permite detalhar acontecimentos, situa&ccedil;&otilde;es e depoimentos, enriquecendo a an&aacute;lise das informa&ccedil;&otilde;es e propiciando ao pesquisador maior conhecimento sobre um determinado problema. Estudos explorat&oacute;rios n&atilde;o elaboram hip&oacute;teses a serem testadas no trabalho, restringindo-se a definir objetivos e buscar maiores informa&ccedil;&otilde;es sobre determinado assunto (Polit, Beck e Hungler, 2004). O estudo foi realizado nas quatro unidades de terapia intensiva de um hospital de emerg&ecirc;ncia, de abrang&ecirc;ncia estadual e regional, localizado no munic&iacute;pio de Fortaleza/Cear&aacute;, no Brasil. A coleta de dados ocorreu nos meses de setembro e outubro de 2008.</P>     <P>A popula&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel deste estudo foi composta de trabalhadores que fazem parte da equipe de enfermagem da UTI. O servi&ccedil;o de enfermagem contava com 72 trabalhadores nas categorias: enfermeiros, auxiliares e t&eacute;cnicos de enfermagem; que estavam distribu&iacute;dos nos turnos matutino, vespertino e noturno, e trabalhavam no esquema de plant&atilde;o. A amostra do estudo foi composta por 45 trabalhadores de enfermagem, nas categorias de t&eacute;cnico e/ou auxiliar de enfermagem, atuantes havia mais de um ano nas referidas unidades. Foram exclu&iacute;dos os trabalhadores que, durante o per&iacute;odo proposto para coleta de dados, estavam de licen&ccedil;a m&eacute;dica ou f&eacute;rias.</P>     <P>Os dados foram coletados por meio de entrevista e observa&ccedil;&atilde;o, e registrados manualmente, via utiliza&ccedil;&atilde;o de um roteiro estruturado. A primeira parte contemplou a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos participantes segundo o sexo, faixa et&aacute;ria, categoria profissional, turno de trabalho e o uso dos EPIs. J&aacute; a segunda parte foi destinada ao registro dos procedimentos realizados por cada membro da equipe de enfermagem durante a presta&ccedil;&atilde;o do cuidado, tais como higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, preparo das medica&ccedil;&otilde;es, aspira&ccedil;&atilde;o endotraqueal, pun&ccedil;&atilde;o venosa, banho no leito e higiene &iacute;ntima, aferi&ccedil;&atilde;o dos sinais vitais, administra&ccedil;&atilde;o de dieta e esvaziamento do saco coletor de urina, e a utiliza&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o dos EPIs.</P>     <P>O instrumento foi aplicado por turno, a cada trabalhador de enfermagem, assim como as observa&ccedil;&otilde;es. Os participantes foram informados do prop&oacute;sito do estudo e do car&aacute;ter volunt&aacute;rio da participa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de receberem explica&ccedil;&otilde;es para o preenchimento do instrumento. Tamb&eacute;m receberam e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.</P>     <P>Antes da coleta de dados o projeto foi submetido &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da institui&ccedil;&atilde;o, visando a preserva&ccedil;&atilde;o dos aspectos &eacute;ticos relacionados &agrave; pesquisa envolvendo seres humanos. Os dados foram analisados com base nas experi&ecirc;ncias dos entrevistados face ao uso dos EPIs e na literatura selecionada, sendo representados em quadros, tabelas e categorias. As categorias resultantes foram: Uso e manuseio dos EPIs pelos t&eacute;cnicos e auxiliares de enfermagem; Dificuldades percebidas para o uso de EPIs; Higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os; Recursos e incentivos &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><b>Resultados</b></P>     <P>Inicialmente est&atilde;o apresentados os resultados relativos &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra e, em seguida, a an&aacute;lise quantiqualitativa das vari&aacute;veis significativas quanto ao uso dos EPIs.</P>     <P>Foram entrevistados 45 trabalhadores que compunham a equipe de enfermagem da UTI, distribu&iacute;dos entre 25 auxiliares e 18 t&eacute;cnicos de enfermagem. Em sua totalidade eram do sexo feminino, com idades de 20 a 51 anos. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; jornada de trabalho, 4 trabalhavam no per&iacute;odo diurno e 6 no vespertino. Havia tamb&eacute;m os que trabalhavam em dois turnos, sendo 1 no per&iacute;odo da manh&atilde; e tarde, 22 na tarde e noite, 7 na manh&atilde; e noite. A destacar que 5 ainda trabalhavam sem turno fixo.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>O uso e manuseio dos EPIs pelos t&eacute;cnicos e auxiliares de enfermagem</b></P>     <P>De acordo com a Tabela 1, observamos o predom&iacute;nio do uso do gorro, da m&aacute;scara e das luvas de procedimento (28,8%) pela equipe de t&eacute;cnicos e auxiliares, durante a execu&ccedil;&atilde;o de atividades pr&aacute;ticas n&atilde;o invasivas. J&aacute; nas atividades invasivas, observamos o maior uso do gorro, m&aacute;scara, avental e luvas est&eacute;reis (6,6%). Ressalta-se que durante a aspira&ccedil;&atilde;o endotraqueal, n&atilde;o foram utilizados todos os EPIs necess&aacute;rios. Neste caso, nos referimos ao protetor  ocular que n&atilde;o era disponibilizado pelo hospital.</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a href="#t1">TABELA 1</a><a name="topt1"></a></b>- Distribui&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos e auxiliares de enfermagem, de acordo com a utiliza&ccedil;&atilde;o dos EPIs durante procedimentos invasivos e n&atilde;o invasivos, em Unidade de Terapia Intensiva. Fortaleza/Cear&aacute;, 2008</p>     <p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a13t1.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><b>Dificuldades percebidas para o uso dos EPIs</b></P>     <P>Ao serem questionadas acerca das dificuldades encontradas durante o uso dos EPIs, quinze entrevistadas afirmaram deparar-se diariamente com situa&ccedil;&otilde;es que inviabilizavam a utiliza&ccedil;&atilde;o dos mesmos; catorze afirmaram que “&agrave;s vezes”, dez “raramente” e seis que “nunca” enfrentavam essas situa&ccedil;&otilde;es, como pode ser visualizado a seguir: “&#91;...&#93; sou al&eacute;rgica a m&aacute;scara e o gorro d&oacute;i por tr&aacute;s das orelhas” (A11). “&#91;...&#93; quando estou gripada, n&atilde;o consigo ficar muito tempo com a m&aacute;scara” (T7). “&#91;...&#93; raramente consigo puncionar acesso venoso com luvas” (A30). “&#91;...&#93; mesmo sabendo que &eacute; para a minha prote&ccedil;&atilde;o, &agrave;s vezes me dirijo ao cliente sem a devida precau&ccedil;&atilde;o” (T3). “&#91;...&#93; n&atilde;o s&atilde;o oferecidos &oacute;culos e nem prop&eacute;s descart&aacute;veis” (A16).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>TABELA 2 – Dificuldades indicadas pelos t&eacute;cnicos e auxiliares de enfermagem para o uso dos EPIs, segundo rotina de utiliza&ccedil;&atilde;o. Fortaleza/Cear&aacute;, 2008</P>     <p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a13t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P><b>Higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os</b></P>     <P>Ao serem questionados sobre a frequ&ecirc;ncia da higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os (HM), 78% dos respondentes afirmaram que realizavam a adequada antissepsia das m&atilde;os antes de todos os procedimentos a serem realizados; e 22% apenas &agrave;s vezes, sob a alega&ccedil;&atilde;o de falta de tempo. A HM &eacute; considerada a a&ccedil;&atilde;o isolada mais importante no controle de infec&ccedil;&otilde;es em servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Quando se lava as m&atilde;os utilizando a t&eacute;cnica correta, eliminam-se bact&eacute;rias da microbiota transit&oacute;ria e parte da residente, removendo microrganismos, c&eacute;lulas mortas, sujidades e oleosidade da pele. Por&eacute;m, a baixa ades&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de a essa pr&aacute;tica &eacute;, ainda, uma realidade que vem sendo  constatada ao longo dos anos e tem sido objeto de estudo em diversas partes do mundo.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>TABELA 3 – Distribui&ccedil;&atilde;o da equipe de t&eacute;cnicos e auxiliares de enfermagem segundo a indica&ccedil;&atilde;o da lavagem das m&atilde;os no desenvolvimento das atividades di&aacute;rias. Fortaleza/ Cear&aacute;, 2008</P>     <p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a13t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P><b>Recursos e incentivos &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar, segundo o suporte da institui&ccedil;&atilde;o</b></P>     <P>De acordo com a <a href="#topt1">Tabela 1</a><a name="t1"></a>, 82% das t&eacute;cnicas e auxiliares de enfermagem afirmaram que o hospital disponibilizava os materiais necess&aacute;rios a uma assist&ecirc;ncia de qualidade. Das que afirmaram o oposto, 18% referiram-se aos protetores oculares, que n&atilde;o eram disponibilizados pelo hospital, e aos prop&eacute;s, que n&atilde;o eram mais fornecidos aos profissionais da unidade por orienta&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o de Controle de Infec&ccedil;&atilde;o Hospitalar (CCIH) da institui&ccedil;&atilde;o.</P>     <P>Ao buscarmos a opini&atilde;o dos auxiliares e t&eacute;cnicos de enfermagem, confirmamos que 51% destes reconheciam a inadequa&ccedil;&atilde;o e desfavorecimento das instala&ccedil;&otilde;es do hospital para o controle de infec&ccedil;&otilde;es, como pode ser observado nos relatos que se seguem: “&#91;...&#93; n&atilde;o existe isolamento para paciente e o fluxo de pessoas que n&atilde;o s&atilde;o do setor &eacute; muito grande &#91;...&#93;” (T10). “&#91;...&#93; pias n&atilde;o adequadas para a lavagem das m&atilde;os &#91;...&#93;” (A41). “&#91;...&#93; o leito de isolamento ainda est&aacute; sendo providenciado &#91;...&#93;” (T7).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>TABELA 4 – Propor&ccedil;&atilde;o de recursos e incentivos &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar, segundo o suporte da institui&ccedil;&atilde;o. Fortaleza/Cear&aacute;, 2008</P>     <p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a13t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Discuss&atilde;o</b></P>     <P>As m&aacute;scaras, gorros e &oacute;culos de prote&ccedil;&atilde;o devem ser usados na realiza&ccedil;&atilde;o de procedimentos em que haja possibilidade de respingo de sangue ou outros fluidos corp&oacute;reos nas mucosas da boca, nariz e dos olhos (Scheidt, Rosa e Lima, 2006). A n&atilde;o observa&ccedil;&atilde;o de tais medidas representa risco tanto para o profissional que executa a t&eacute;cnica, quanto para quem recebe o cuidado (Ximenes Neto <i>et al.</i>, 2007).</P>     <P>Chamou-nos a aten&ccedil;&atilde;o o fato de os profissionais, por diversas vezes, utilizarem EPIs mal posicionados, expondo n&atilde;o apenas a si, mas tamb&eacute;m os pacientes sob seus cuidados. Estudo realizado em uma UTI apontou que 44% dos trabalhadores de enfermagem n&atilde;o utilizavam os EPIs no momento em que se acidentaram com material biol&oacute;gico, evidenciando a import&acirc;ncia do uso desses equipamentos durante as situa&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas (Bonni <i>et al.</i>, 2009).</P>     <P>A ades&atilde;o aos EPIs &eacute; uma importante medida de prote&ccedil;&atilde;o aos profissionais de sa&uacute;de, embora a n&atilde;o obedi&ecirc;ncia a certos crit&eacute;rios, tais como uso adequado e frequ&ecirc;ncia de troca, possam expor os profissionais a acidentes e contamina&ccedil;&otilde;es (Souza <i>et al.</i>, 2008). Estudo realizado com profissionais que atuam no centro cir&uacute;rgico de uma institui&ccedil;&atilde;o americana apontou que 51,4% dos participantes sofreram cortes durante o desempenho de suas fun&ccedil;&otilde;es, 62,1% foram expostos a fluidos biol&oacute;gicos e 39,6% foram expostos a ambos. O mais significativo &eacute; que, nessas ocorr&ecirc;ncias, o uso dos EPIs foi negligenciado por 14,1% dos que sofreram cortes e por 5% dos que sofreram exposi&ccedil;&atilde;o a fluidos de biol&oacute;gicos (Gailiene e Cenekiene, 2009). Apesar da maior parcela dos respondentes possu&iacute;rem conhecimento acerca da utiliza&ccedil;&atilde;o correta dos EPIs, a pr&aacute;tica di&aacute;ria mostrou o contr&aacute;rio. Mesmo ap&oacute;s ser orientada pela enfermeira do plant&atilde;o quanto ao uso correto dos EPIs em determinadas pr&aacute;ticas, a equipe ainda conservou h&aacute;bitos inadequados, tais como dirigir-se aos leitos contaminados sem os equipamentos necess&aacute;rios, entrando em contato direto com o paciente, al&eacute;m de n&atilde;o higienizar as m&atilde;os antes de seguir ao pr&oacute;ximo leito.</P>     <P>Muitos dos depoimentos revelam que a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o dos EPIs durante as atividades pr&aacute;ticas pela equipe avaliada estava relacionada mais &agrave; comodidade dos profissionais, do que a problemas de ordem log&iacute;stica. N&atilde;o que este &uacute;ltimo motivo seja menos relevante que o primeiro, mas a postura inadequada das t&eacute;cnicas e auxiliares de enfermagem, em n&atilde;o respeitar determinadas normas e orienta&ccedil;&otilde;es por conveni&ecirc;ncia, &eacute; um aspecto que merece ser trabalhado pelas institui&ccedil;&otilde;es empregadoras, bem como, as formadoras.</P>     <P>Observa&ccedil;&otilde;es cotidianas no ambiente de trabalho permitiram constatar que ainda existem, entre os t&eacute;cnicos e auxiliares de enfermagem, muitas dificuldades em aceitar novas pr&aacute;ticas de controle de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar, apesar de j&aacute; existirem protocolos estabelecidos com essas pr&aacute;ticas em cada uma dessas institui&ccedil;&otilde;es (Kunzle <i>et al</i>., 2006). Destaca-se nesses documentos a recomenda&ccedil;&atilde;o para a utiliza&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&atilde;o antiss&eacute;ptica de base alco&oacute;lica para higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os sempre que estas n&atilde;o estiverem visivelmente sujas, al&eacute;m de outros cuidados, tais como a utiliza&ccedil;&atilde;o de EPIs durante os diversos procedimentos.</P>      <P>A ades&atilde;o ao uso dos EPIs est&aacute; diretamente relacionada &agrave; percep&ccedil;&atilde;o que os profissionais t&ecirc;m acerca dos riscos aos quais est&atilde;o expostos e da susceptibilidade a esses riscos (Lio <i>et al.</i>, 2010). Desse modo, medidas de cunho educativo podem ser uma alternativa para melhoria do servi&ccedil;o prestado por esses sujeitos, no que se refere &agrave; ades&atilde;o &agrave;s precau&ccedil;&otilde;es padr&atilde;o. Muitas vezes a forma&ccedil;&atilde;o dispensada ao profissional t&eacute;cnico e auxiliar de enfermagem n&atilde;o contempla conte&uacute;dos relativos &agrave; problem&aacute;tica da infec&ccedil;&atilde;o hospitalar, com &ecirc;nfase nas medidas de preven&ccedil;&atilde;o e controle.</P>     <P>Em rela&ccedil;&atilde;o ao acesso e disponibilidade dos materiais, observa-se atrav&eacute;s dos relatos que a institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o oferecia todos os EPIs necess&aacute;rios ao exerc&iacute;cio das atividades assistenciais da equipe, contradizendo o que &eacute; preconizado nos protocolos de preven&ccedil;&atilde;o de transmiss&atilde;o de agentes infecciosos nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Esses achados v&ecirc;m ao encontro dos dados de outros estudos envolvendo a utiliza&ccedil;&atilde;o de EPIs pela equipe de enfermagem, onde, al&eacute;m das quest&otilde;es de ordem comportamental e log&iacute;stica, tamb&eacute;m s&atilde;o apontados como aspectos dificultadores da ades&atilde;o aos EPIs a falta de tempo, situa&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia, sobrecarga de trabalho, desconhecimento acerca do uso, entre outros (Bonni <i>et al.</i>, 2009; Efstathiou <i>et al.</i>, 2011; Lio <i>et al.</i>, 2010).</P>     <P>A literatura recomenda que, para a adequada HM, o profissional deve estar desprovido de qualquer tipo de adorno (an&eacute;is, pulseiras e rel&oacute;gios), para iniciar o procedimento. As m&atilde;os devem ser friccionadas de forma vigorosa, utilizando-se &aacute;gua e sab&atilde;o abundantes, durante o per&iacute;odo de 40 a 60 segundos, dando especial aten&ccedil;&atilde;o ao dorso, &aacute;rea interdigital, polegares, falange, unhas e punho. Vale ressaltar que a efic&aacute;cia desse procedimento est&aacute; diretamente relacionada ao uso do agente t&oacute;pico com efic&aacute;cia antimicrobiana, &agrave; t&eacute;cnica executada, ao tempo utilizado e &agrave; continuidade dessa a&ccedil;&atilde;o (Brasil, 2007). Tendo por base tais par&acirc;metros, observamos que, na pr&aacute;tica, 23 das 45 auxiliares e t&eacute;cnicas de enfermagem entrevistadas gastavam em m&eacute;dia de 4 a 14 segundos realizando a lavagem das m&atilde;os; as outras 21 gastavam em m&eacute;dia de 15 a 30 segundos; e uma gastou aproximadamente 50 segundos higienizando as m&atilde;os. Pouco mais da metade (53%) das respondentes realizaram a lavagem das m&atilde;os com fric&ccedil;&atilde;o vigorosa e quantidade ideal de sab&atilde;o.</P>     <P>Observamos ainda situa&ccedil;&otilde;es onde, al&eacute;m da higieniza&ccedil;&atilde;o ser realizada em um per&iacute;odo curto, de 4 a 14 segundos, n&atilde;o houve o uso de sab&atilde;o. Percebemos tamb&eacute;m situa&ccedil;&otilde;es espor&aacute;dicas onde, ao t&eacute;rmino de determinados procedimentos, como banho no leito, higieniza&ccedil;&atilde;o e aspira&ccedil;&atilde;o endotraqueal, n&atilde;o se realizou a higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, prosseguindo para o leito seguinte. Estudos apresentam diferentes motivos para a baixa ades&atilde;o &agrave; higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, como falta de motiva&ccedil;&atilde;o, aus&ecirc;ncia de pias pr&oacute;ximas ao paciente e de recursos adequados, rea&ccedil;&otilde;es cut&acirc;neas nas m&atilde;os, falta de tempo, irresponsabilidade, falta de consci&ecirc;ncia sobre a import&acirc;ncia das m&atilde;os na transmiss&atilde;o de microrganismos (Neves <i>et al.</i>, 2006). Como medida de controle de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar, a HM &eacute; recomendada ao se iniciar o turno de trabalho e ap&oacute;s o seu t&eacute;rmino, entre um procedimento e outro, antes e ap&oacute;s o contato com o paciente, quando as m&atilde;os estiverem visivelmente sujas ou contaminadas por material biol&oacute;gico, antes do preparo e manipula&ccedil;&atilde;o de medicamentos, antes de cal&ccedil;ar as luvas e ap&oacute;s retir&aacute;-las, entre procedimentos que envolvam dispositivos invasivos ou em ocasi&otilde;es onde exista risco para dissemina&ccedil;&atilde;o de pat&oacute;genos aos pacientes e ao ambiente (Brasil, 2007; Siegel <i>et al.</i>, 2007).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A institui&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de deve ser um ambiente seguro para o desempenho adequado das atividades laborais da equipe de enfermagem. Durante o per&iacute;odo de observa&ccedil;&atilde;o, foi poss&iacute;vel identificarmos algumas falhas na estrutura f&iacute;sica da unidade que favoreciam a dissemina&ccedil;&atilde;o de contaminantes, tais como a localiza&ccedil;&atilde;o do expurgo que era utilizando pelas tr&ecirc;s UTIs. Como n&atilde;o existia uma orienta&ccedil;&atilde;o diferenciada para descarte de material e o retorno &agrave;s UTIs, o corredor principal acabava favorecendo a propaga&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis contaminantes entre as depend&ecirc;ncias. Chamou a aten&ccedil;&atilde;o o quantitativo insuficiente de lavat&oacute;rios para a correta HM de profissionais e visitantes do setor. Eles devem ser de f&aacute;cil localiza&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de possu&iacute;rem dispensadores de sab&atilde;o e porta papel-toalha ou secador el&eacute;trico para a correta execu&ccedil;&atilde;o da HM. Outro ponto que deve ser observado diz respeito &agrave; separa&ccedil;&atilde;o entre os lavat&oacute;rios destinados aos profissionais e aos visitantes. &Eacute; importante fazer essa segrega&ccedil;&atilde;o, a fim de se evitar a contamina&ccedil;&atilde;o do ambiente de trabalho, al&eacute;m de contribuir para maior organiza&ccedil;&atilde;o do setor.</P>     <P>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), por meio da Alian&ccedil;a Mundial para a Seguran&ccedil;a do Paciente, tem dedicado esfor&ccedil;os na elabora&ccedil;&atilde;o de diretrizes e estrat&eacute;gias de implanta&ccedil;&atilde;o de medidas visando &agrave; ades&atilde;o de profissionais de sa&uacute;de &agrave;s pr&aacute;ticas de HM ( World Health Organization, 2006). Dentre essas medidas, merecem ser destacadas as de cunho educativo, a exemplo da educa&ccedil;&atilde;o em servi&ccedil;o, na busca por melhores pr&aacute;ticas entre os profissionais.</P>     <P>Quando questionados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia de programas de incentivo &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de EPIs promovidos pela institui&ccedil;&atilde;o empregadora, 78% dos auxiliares e t&eacute;cnicos de enfermagem entrevistados responderam que o hospital cumpria esse papel; j&aacute; 22% afirmaram n&atilde;o reconhecer esse est&iacute;mulo. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia de programas educacionais para o combate e controle das infe&ccedil;&otilde;es hospitalares, 71% dos entrevistados afirmaram saber da exist&ecirc;ncia de tais programas e 29% relataram n&atilde;o serem informados de tais programas.</P>     <P>Atrav&eacute;s do relato verbal dos profissionais, percebemos que esta menor porcentagem de auxiliares e t&eacute;cnicos de enfermagem que afirmaram desconhecer a exist&ecirc;ncia de cursos e palestras estava relacionada &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o ineficaz dos mesmos. Muitos profissionais chegavam ao setor de educa&ccedil;&atilde;o continuada depois do prazo estabelecido para o encerramento ou quando o curso j&aacute; havia sido iniciado. Em contrapartida, a institui&ccedil;&atilde;o alegava fazer a divulga&ccedil;&atilde;o de momentos educativos voltados a diversas tem&aacute;ticas, com especial destaque para a problem&aacute;tica da infec&ccedil;&atilde;o hospitalar, atrav&eacute;s de panfletos afixados nos murais de avisos espalhados pelas unidades.</P>     <P>A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma forma vi&aacute;vel de implementar estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o e controle de infec&ccedil;&otilde;es no contexto assistencial, pois favorece a ado&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas a partir das informa&ccedil;&otilde;es dispensadas (Souza <i>et al.</i>, 2008). Desse modo, fica evidente a necessidade de se reavaliar a forma de divulga&ccedil;&atilde;o adotada pela institui&ccedil;&atilde;o empregadora, a fim de ampliar o n&uacute;mero de profissionais habilitados a lidar com as situa&ccedil;&otilde;es diversas que comp&otilde;em o cuidar, no contexto das UTIs.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Conclus&atilde;o</b></P>     <P>Conhecer n&atilde;o significa ter atitudes corretas. Partindo desse pressuposto, tem-se discutido bastante a lacuna existente entre o conhecimento e a atitude. Embora muitas vezes o profissional de sa&uacute;de relate dispor de conte&uacute;dos te&oacute;ricos, ele ainda apresenta atitudes incompat&iacute;veis com o mencionado. Isso &eacute; reflexo de falhas no processo de forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de n&iacute;vel t&eacute;cnico, que se agravam com as limita&ccedil;&otilde;es de ordem estrutural e log&iacute;stica das institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de &agrave;s quais pertencem. </P>     <P>A ades&atilde;o &agrave;s precau&ccedil;&otilde;es padr&atilde;o pela equipe avaliada ainda n&atilde;o atendia ao que &eacute; preconizado como ideal. Muitos profissionais ainda conservam certos h&aacute;bitos inadequados, comprometendo a qualidade da aten&ccedil;&atilde;o dispensada, al&eacute;m de aumentar as chances de acidentes ocupacionais. Em se tratando do uso dos EPIs, a baixa ades&atilde;o sofreu influ&ecirc;ncia de aspectos comportamentais, tais como o desconforto durante o uso, a dificuldade para realizar determinados procedimentos, dentre outros.</P>     <P>Em vista desses resultados, &eacute; imprescind&iacute;vel a elabora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de cunho educativo que motivem os profissionais a desenvolver posturas mais eficazes no desenvolvimento de suas atividades laborais. Investimentos dessa natureza s&atilde;o fundamentais ao exerc&iacute;cio consciente e seguro da profiss&atilde;o, contribuindo para a redu&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar e ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas mais seguras. A HM das m&atilde;os, neste estudo, demonstra uma realidade que merece ser melhor trabalhada nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. A desinforma&ccedil;&atilde;o do profissional em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; higieniza&ccedil;&atilde;o adequada reduz significativamente a efic&aacute;cia e a ades&atilde;o a este m&eacute;todo t&atilde;o importante na preven&ccedil;&atilde;o e controle das infec&ccedil;&otilde;es hospitalares. Evidenciou-se que as dificuldades percebidas pelas t&eacute;cnicas e auxiliares de enfermagem estavam relacionadas &agrave; qualidade e disponibilidade de equipamentos (lavat&oacute;rios, dispensadores de sab&atilde;o, porta papel-tolha) e de insumos (&aacute;gua, sab&atilde;o, papel-toalha). Desse modo, torna-se necess&aacute;rio que as institui&ccedil;&otilde;es ofere&ccedil;am a estrutura adequada ao desempenho das atividades assistenciais.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Os resultados deste estudo oferecem bases para uma reflex&atilde;o quanto &agrave; import&acirc;ncia das precau&ccedil;&otilde;es padr&atilde;o no contexto do cuidado em UTI, al&eacute;m da identifica&ccedil;&atilde;o de facilidades e dificuldades encontradas pela equipe de t&eacute;cnicos e auxiliares de enfermagem na utiliza&ccedil;&atilde;o das mesmas e sobre o reconhecimento das condi&ccedil;&otilde;es oferecidas pelas institui&ccedil;&otilde;es empregadoras para o desenvolvimento das atividades assistenciais.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></P>     <P>AGUIAR, D. F. ; LIMA, A. B. G. ; SANTOS, R. B. (2008) - Uso das precau&ccedil;&otilde;es-padr&atilde;o na assist&ecirc;ncia de enfermagem. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem . Vol. 12, n&ordm; 3, p. 571-75.</P>     <P>BARSANTI, M. C. ; WOELTJE, K. F. (2009) - Infection Prevention in the intensive care unit. Infectious disease clinics of north America. Vol. 23, n&ordm; 3, p. 703-725.</P>     <P>BONNI, A. M. &#91;et al.&#93; (2009) - Exposi&ccedil;&atilde;o ocupacional dos profissionais de enfermagem de uma unidade de terapia intensiva a material biol&oacute;gico. Revista Eletr&ocirc;nica de Enfermagem. &#91;Em linha&#93;. Vol. 11, n&ordm; 3, p. 658-64. &#91;Consult. 27 Mar. 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: WWW: <a href="http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n3/v11n3a25.htm" target="_blank">http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n3/v11n3a25.htm</a>.</P>     <P>BRASIL. Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (2007) - Higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os em servi&ccedil;os de Sa&uacute;de.</P>     <P>COUTO, R. C. &#91;et al.&#93; (2009) - Infec&ccedil;&atilde;o hospitalar e outras complica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-infecciosas da doen&ccedil;a: epidemiologia, controle e tratamento. 4&ordf; ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.</P>     <P>EFSTATHIOU, G. &#91;et al.&#93; (2011) – Factors influencing nurses compliance with standard precautions in order to avoid occupational exposure to microorganisms: a focus group study. BMC Nursing. &#91;Em linha&#93;. Vol. 10, n&ordm; 1. &#91;Consult. 22 Mar. 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: WWW:  <a href="http://www.biomedcentral.com/1472-6955/10/1" target="_blank">http://www.biomedcentral.com/1472-6955/10/1</a>.</P>     <P>GAILIENE, G. ; CENEKIENE, R. (2009) - Professional biological risk factors of health care workers. Medicina. Vol. 45, n&ordm;7, p. 530-536.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>KUNZLE, S. E. M. &#91;et al.&#93; (2006) - Auxiliares e t&eacute;cnicos de enfermagem e controle de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar em centro cir&uacute;rgico: mitos e verdades. Revista da Escola de Enfermagem da USP. Vol. 40, n&ordm; 2, p. 214 –220.</P>     <P>LIO, Y. &#91;et al.&#93; (2010). Factors impacting compliance with standard precautions in nursing, China International Journal Infectious Disease. Vol.14, n&ordm; 2, p.1106-1104.</P>     <P>MARTINS, M. I. T. M. ; FRANCO, M. J. B. ; DUARTE, J. C. (2007) - Um estudo caso sobre os custos das infec&ccedil;&otilde;es no Centro Hospitalar Cova da Beira. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, n&ordm; 4, p. 79-90.</P>     <P>NEVES, Z. C. P. &#91;et al.&#93; (2006) - Higieniza&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os: O impacto de estrat&eacute;gias de incentivo &agrave; ades&atilde;o entre os profissionais de sa&uacute;de de uma unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Revista Latino-Americana de Enfermagem. Vol.14, n&ordm; 4, p. 546-552.</P>     <P>POLIT, D. F. ; BECK, C. T. ; HUNGLER B. P. (2004) - Fundamentos de pesquisa em enfermagem: m&eacute;todos, avalia&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o. 5&ordf; ed. Porto Alegre: Artmed.</P>     <P>SCHEIDT, K. L. S. ; ROSA, L. R. S. ; LIMA, E. D. F. A. (2006) - As a&ccedil;&otilde;es de biosseguran&ccedil;a implementadas pelas comiss&otilde;es de controle de infec&ccedil;&otilde;es hospitalares. Revista de Enfermagem da UERJ. Vol.14, n&ordm; 3, p. 372-377.</P>     <P>SIEGEL, J. &#91;et al.&#93; (2007) - Helth Care Infection Control Practices Advisory Committee. Guidelines for Isolation Precautions: preventing transmission of infectious agents in healthcare settings. American Journal Infectious Control. Vol. 35, n&ordm; 10, p. 65-164.</P>     <P>SILVA, N. B. ; RAVANELLO, M. L. (2009) – Preven&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&atilde;o hospitalar em terapia intensiva de adultos. In: COUTO, R. C. &#91;<i>et al.</i>&#93; - Infec&ccedil;&atilde;o hospitalar e outras complica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-infecciosas da doen&ccedil;a: epidemiologia, controle e tratamento. 4&ordf; ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. p.526-533.</P>     <P>SOUZA, A. C. S. &#91;et al.&#93; (2008) - Conhecimento dos graduandos de enfermagem sobre equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual: a contribui&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es formadoras. Revista Eletr&ocirc;nica de Enfermagem. &#91;Em linha&#93;. Vol.10, n&ordm; 2, p. 428-37. &#91;Consult. 27 Mar. de 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em: WWW: <a href="http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n2/v10n2a14.htm" target="_blank">http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n2/v10n2a14.htm</a>.</P>     <P>VINCENT, J. L. &#91;et al.&#93; (2009) - International study of the prevalence and outcomes of infection in intensive care units. Jama. Vol. 302, n&ordm; 21, p. 2323-2329.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>VINCENT, J. L. (2003) - Nosocomial infections in adult intensive-care units. Lancet. Vol. 361, n&ordm; 9374, p. 2068-2077.</P>     <P>XIMENES NETO, F. R. G. &#91;et al.&#93; (2007) - Biosseguran&ccedil;a na assist&ecirc;ncia ao parto: uma an&aacute;lise dos saberes dos acad&ecirc;micos de enfermagem. Enfermer&iacute;a Global. Vol.11, n&ordm; 11, p. 1-11.</P>     <P>WORLD HEALTH ORGANIZATION (2006). World Alliance for Patient Safety. Forward Programme 2006-2007. Geneva: WHO Press. 56p.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 02.06.10</P>     <P>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 20.04.11</P>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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